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SALON DU CHOCOLAT

MissĂŁo Comercial no Salon du Chocolat em Paris 2019


ÍNDICE - EDIÇÃO 02

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CACAU NEWS

UFRA e CEPLAC celebram acordo de cooperação técnica

FAEPA/SENAR e CEPLAC realizam curso de formação técnica Projeto de Consolidação da Lavoura Cacaueira em Igarapé Miri Projeto de Consolidação da Lavoura Cacaueira em Barcarena Deputado Federal OLIVAL MARQUES destina R$ 2.000.000,00 para a cacauicultura no Pará.

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ASSOCIATIVISMO

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REDE CIN /FIEPA

Associação dos Produtores de Cacau do Estado do Pará - ASCAU

Rede CIN/Pará e SEBRAE realizam Missão em Paris e Lisboa

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AUDIÊNCIA PÚBLICA

Audiência Pública para debater o futuro da cacauicultura no Pará.

ESPECIAL

6º Festival Internacional do Chocolate Acordo do Sistema Fiepa e Governo do Estado para verticalizar a produção do cacau no Pará.

Espaço CEPLAC Medicilândia 1º lugar do concurso de amêndoas de cacau Tuerê conquista quase todos os prêmios de Chocolate de Origem da Amazônia

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Publicação bimensal Edição Novembro / Dexembro 2019 Edição 02 | 2019 Jornalista Responsável e Editor Chefe Carlos Pará 2165 - DRT/PA Produção Executiva Lucélia Sousa Colaboradores Carlos Fernandes Xavier Celso Botelho Hildegardo Nunes Lahire Figueiredo Walter Cardoso Ana Carolina Pantoja Webdesigner Andrey dos Anjos Capa Rilke Penafort Pinheiro Impressão: Marques Editora Distribuição Pará, Amazônia, Brasil, Portugal, França. Contatos (91) 98335-0000 / (91) 98838-0010 email revistacacauamazonia@gmail.com

Monilíase Facebook Projeto Escola Indústria - Verticalização da cadeia produtiva do cacau Cacau Amazônia do a (casqueiros) dos ermitir a inativação SUPAM Cacaueiro Edição ismos do solo; Superintendência Regional de Desenvolvimento da Lavoura

entre no país, as ontrole são:

SISTEMA FAEPA/SENAR Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira

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Cacaueira nos Estados do Pará e Amazonas MISSÃO COMERCIAL Rodovia Augusto Montenegro, Km 7 - Parque Verde Belém-PA ros e árvores de Fone: (91) no 3084-1840 - Fax: 3084-1841 em Paris 2019 ouras para permitir Missão Comercial Salon du(91)Chocolat www.ceplacpa.gov.br a área;

Visita à Embaixada do Brasil na França

utilizar produtos

Superintendência Federal de Agricultura no Pará-SFA/PA Av. Almirante Barroso, 584 Castanheira BENEFICIAMENTO CEP: 66,545-250 - Belém/PA Fone: (91) e 3214-8636 Impacto da fermentação secagem para obtenção de amêndoas de

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p a r c e r i a c o mqualidade o ura vem realizando Secretaria de Inovação, ar a introdução da Desenvolvimento Rural e Irrigação - SDI tre elas destacam-

Parceiros fitossanitários da as regiões de cultivo e transamazônica; ção sanitária para ar a população dos sados pela praga, oduzido plantios de outros Theobromas

Apoio:

Amazon Black Gold Tv. Francisco Nobre, 1157, Abaetetuba, Pará Cep: 68440-000 Cnpj : 32.126.816/0001-52 site: cacauamazonia.com.br


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Acordo de Cooperação - O reitor da Ufra, Marcel Botelho e a Coordenadora da CEPLAC Maria Goreti Gomes assinando o Termo de Cooperação Técnica.

UFRA e CEPLAC celebram acordo de cooperação técnica

Acordo de Cooperação - O reitor da Ufra, Marcel Botelho e a Coordenadora da CEPLAC Maria Goreti Gomes assinam o Termo de Cooperação Técnica que traz crescimento para a Região Amazônica. Momento muito importante para a Universidade para o Estado do Pará, para a Amazônia e para o desenvolvimento da cacauicultura na Amazônia.

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om o objetivo de aproximar o conhecimento gerado na academia com os órgãos que podem transformá-lo em inovação, fortalecendo a qualidade do ensino e da pesquisa na região, ocorreu, no ultimo dia 06 de setembro, a assinatura de um Termo de Cooperação Técnica entre a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). A cerimônia foi realizada na Sala dos Conselhos Superiores da Ufra e transmitida via videoconferência para os demais campi da instituição. Na ocasião, estiveram presentes o Reitor da instituição, Prof. Marcel do Nascimento Botelho; a Vice-Reitora, Profa. Janae Gonçalves e a Coordenadora Regional da CEPLAC, Maria Gorete Gomes. Para o reitor da Ufra, a assinatura do Termo de Cooperação traz crescimento para a Região Amazônica. “Esse é um momento muito importante para a Universidade, e ouso dizer para o Estado do Pará e para a Amazônia. Reforçar a cooperação entre duas instituições, como Ufra e CEPLAC, só traz benefícios para todos. A CEPLAC tem uma tradição enorme com o cacau, mas não é somente com cacau que podemos trabalhar. A Ufra poderá trabalhar junto à CEPLAC utilizando seus equipamentos, e é nesse sentido que nós tra-


Fotos: Mário Guerrero

zemos essa cooperação, com objetivo de que façamos as coisas de maneira mais prática”, comenta. Após a assinatura do Termo, foi proferida uma palestra pelo Auditor Fiscal Federal da CEPLAC, Fernando Antonio Mendes, abordando o tema “Dividir na certeza de Multiplicar”. O Diretor destacou as áreas de atuação da CEPLAC e a importância da parceria com a Universidade para realização de pesquisas. “Nós temos, atualmente, 26 áreas de atuação por toda a região, e todas essas possibilidades para colocar essa nova geração para estudar e aprender”, disse. A Coordenadora Regional da CEPLAC, Maria Gomes, falou sobre os benefícios que ambas as instituições terão com o acordo. “Para uma instituição como a Ufra é importantíssimo um convênio de cooperação técnica, principalmente para nós que trabalhamos com agricultura. É um reconhecimento dentro da agricultura no mundo acadêmico para o Estado do Pará”, comenta. A Coordenadora destacou, também, a importância da parceria para aliar recursos humanos às pesquisas que poderão ser desenvolvidas nos laboratórios de agricultura da CEPLAC, primando pela qualidade na formação dos acadêmicos, tanto de graduação quanto de pós-graduação, e nas pesquisas desenvolvidas.

“Para uma instituição como a Ufra é importantíssimo um convênio de cooperação técnica, principalmente para nós que trabalhamos com agricultura. É um reconhecimento dentro da agricultura no mundo acadêmico para o Estado do Pará”, comenta a

Coordenadora Regional da CEPLAC, Maria Gomes.

A Vice-Reitora, Profa. Janae Gonçalves, também comentou sobre a cooperação. “É um casamento, e esperamos que essa relação entre a Universidade e a CEPLAC traga muitos frutos”. A vice-reitoria enfatizou sobre a importância da utilização dos laboratórios da CEPLAC para a formação acadêmica e experiência prática dos alunos, que será de grande valia na construção do perfil profissional dos futuros egressos da instituição.

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FAEPA/SENAR e CEPLAC

realizam curso de formação técnica Formação Técnica - A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará - FAEPA e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) realizam em parceria o Curso de Formação em Tecnologia na Cadeia Produtiva do Cacau”.

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FAEPA/SENAR, SEDAP e a CEPLAC estão integrados na percepção da cacauicultura no Estado do Pará com o aporte tecnológico e cuidados fitossanitários. A integração institucional reuni 25 anos de atividades em prol da capacitação de produtores rurais e a larga experiência da CEPLAC na cacauicultura. Esforços se unem para que o SENAR/PA possa promover assistência técnica de qualidade para o produtor, transferindo tecnologias desenvolvidas pela CEPLAC. O Curso de Formação em Tecnologia na Cadeia Produtiva do Cacau foi um treinamento de 160 horas para 33

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instrutores do Senar e 02 produtores rurais. No contexto da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) está evidenciado que a missão da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é a de participar na promoção e na animação de processos capazes de contribuir para a construção e a execução de estratégias de desenvolvimento rural sustentável, centrado na expansão e no fortalecimento da agricultura familiar e de suas organizações, por meio de metodologias educativas e participativas, integradas às dinâmicas locais, buscando viabilizar as condições para

A integração institucional reuni 25 anos de atividades em prol da capacitação de produtores rurais e a larga experiência da CEPLAC na cacauicultura.


o exercício da cidadania e para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Visando orientar a execução dessa missão, tem-se procurado seguir os princípios estabelecidos no PNATER, Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, do governo federal que pretendem ser a síntese daquilo que é indispensável para se ter uma nova ATER, dentre os quais vale a pena destacar três: Contribuir para o desenvolvimento rural sustentável, com ênfase em processos de desenvolvimento endógeno, visando a potencialização do uso sustentável dos recursos naturais; Adotar uma abordagem multidisciplinar e interdisciplinar, estimulando a adoção de novos enfoques metodológicos participativos e de um paradigma tecnológico baseado nos princípios da Agroecologia; Desenvolver processos educativos permanentes e continuados, a partir de um enfoque dialético, humanista e construtivista, visando a formação de competências, mudanças de atitude e procedimentos dos atores sociais, que potencializem os objetivos de melhoria da qualidade de vida e de promoção do desenvolvimento rural sustentável. Neste sentido, o Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará – PROGATER/ PA, alinhado a essa estratégia Nacional, tem como um de seus projetos prioritários a “Capacitação de Técnicos e Agricultores”, cuja essência está centrada na qualificação do capital humano com vistas à construção de um referencial de intervenção que permita enten-

O Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará – PROGATER/PA, alinhado a essa estratégia Nacional, tem como um de seus projetos prioritários a “Capacitação de Técnicos e Agricultores”, cuja essência está centrada na qualificação do capital humano com vistas à construção de um referencial de intervenção que permita entender o estabelecimento familiar no seu contexto, apoiando a transformação das bases sociais e dos sistemas familiares de produção, com foco na sua sustentabilidade.

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der o estabelecimento familiar no seu contexto, apoiando a transformação das bases sociais e dos sistemas familiares de produção, com foco na sua sustentabilidade. Por este prisma, o desafio estratégico, tático e operacional está voltado para a efetivação de ações de ATER nos estabelecimentos familiares que, além de considerar a família como unidade de decisão, precisa levar em conta o contexto regional, as dinâmicas próprias das comunidades ou dos assentamentos agrários em que os agricultores se encontram e as características e tendências de evolução dos estabelecimentos familiares da região. O uso da abordagem sistêmica como instrumental analítico-compreensivo visa facilitar a relação agricultor x técnico. Assim, a compreensão das estratégias familiares e das tendências de evolução dos sistemas de produção permite-nos propor mecanismos ou atividades que levem à superação dos obstáculos enfrentados por esses estabelecimentos. Defende-se, por este ângulo, uma relação que se baseie na construção participativa de tecnologias e na reorientação das tendências de evolução dos sistemas de produção. Dessa forma, é imprescindível e imperativo, portanto, que as instituições desenvolvam e implementem ações de capacitação em caráter continuado e permanente, que visem possibilitar a reprodução social da agricultura familiar nos polos cacaueiros do estado do Pará, a partir da compreensão de três níveis: o território, o local e o estabelecimento familiar, sem perder de vista que esse processo está ligado ao conceito de ação global, ou seja, para serem eficazes, as mudanças nos sistemas de produção devem ser acompanhadas 8 www.cacauamazonia.com.br

“Este projeto representa um esforço conjunto da Ceplac e do Senar, com vistas ao atendimento na priorização de ações mitigadoras ao desenvolvimento dessa importante cadeia produtiva nos polos cacaueiros do estado do Pará. Tendo na sua essência, esta concepção de compartilhamento e integração de ações na ambiência territorial, com foco na capacitação continuada, em princípio, de técnicos, estando alinhado às diretrizes que visem fortalecer os sistemas de ATER, pela ampliação e capacitação”, declara Carlos Fernandes Xavier presidente do Sistema FAEPA.


de ações nas esferas da localidade e da região, mediante a adoção de estratégias de articulação e cooperação interinstitucional. Assim sendo, compreendendo que a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), órgão da administração direta do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA), detém a responsabilidade, bem como a expertise no desenvolvimento da cacauicultura nacional, se apresenta como a instituição indicada para o repasse de conhecimentos na área de sistema de produção de cacau na Amazônia. Cumpre destacar que, por não haver deficiência em tecnologia agrícola para a produção de cacau economicamente viável e, sim, deficiência de mão de obra técnica para o repasse dessa tecnologia, o limite institucional está circunscrito à capacitação no sistema de produção de cacau. O SENAR por sua vez, representa a experiência de 25 anos na capacitação do produtor rural e nessa ação empresta sua notoriedade nacional com a CERTIFICAÇÃO dos concluintes do curso. “Este projeto representa um esforço conjunto da Ceplac e do Senar, com vistas ao atendimento na priorização de ações mitigadoras ao desenvolvimento dessa importante cadeia produtiva nos polos cacaueiros do estado do Pará. Tendo na sua essência, esta concepção de compartilhamento e integração de ações na ambiência territorial, com foco na capacitação continuada, em princípio, de técnicos, estando alinhado às diretrizes que visem fortalecer os sistemas de ATER, pela ampliação e capacitação” declara Carlos Fernandes Xavier presidente do Sistema FAEPA.

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CONSOLIDAÇÃO DA LAVOURA CACAUEIRA

NO RIOZINHO E COTIJUBA

Convênio - O Projeto de Consolidação da Lavoura Cacaueira nos municípios do Entorno de Belém é um convênio realizado pelo entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR e a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará - SEDAP através do FUNCACAU.

O projeto CONSOLIDAÇÃO DA LAVOURA CACAUEIRA EM IGARAPÉMIRI realiza atividades nas comunidades de Riozinho e Cotijuba, município de Igarapé-Miri.

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SENAR do Pará montou uma equipe técnica para orientar os produtores de cacau selvagem, formada pelo, o coordenador do Projeto Funcacau/ Senar, Lahire Figueiredo, a engenheira agrônoma e técnica do projeto, Ana Carolina Pantoja, a produora rural e presidente do sindicato de Produtores Rurais de Igarapé-Miri, Darlene Pantoja, os consultores, Luiz Carlos Piagentini e Alexandre Miguel da empresa BTM (Bean to Machine) e o jornalista, pesquisador

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Carlos Pará, se deslocaram através de lancha, no início da manhã, para as comunidades de Riozinho e Cotijuba, para visita técnica aos produtores de cacau participantes do projeto de Consolidação da Lavoura Cacaueira dos municípios do entorno de Belém Funcacau/ Senar, com objetivo de verificar os espaços utilizados para o beneficiamento de suas amêndoas, e propor melhorias nesses locais de beneficiamento. Para Lahire Figueiredo, Coordenador do Projeto diz que “toda sensibilização


Fotos: Carlos Pará

do produtor para a produção do cacau fino, a questão do beneficiamento e da melhoria da qualidade das amêndoas e agregar valor ao seu produto é no sentido que consolide a Lavoura Cacaueira. Se ele começa a ter uma produção maior e um faturamento melhor, alcançar um preço bom na venda do produto dele, consequentemente, ele começa a dar valor melhor a sua lavoura. O que antes era coleta, extrativismo puro, que pode passar no manejo. Neste sentido, o SENAR com o apoio da SEDAP, através do FUNCACAU, tem como objetivo melhorar a produtividade e rentabilidade do negócio rural, promovendo a formação profissional do produtor e do trabalhador rural, difundindo tecnologias, através da assistência técnica, visando o fortalecimento da cadeia produtiva atendida, além de promover o desenvolvimento econômico da família no campo. O SENAR está ensinando a transformar uma atividade de agricultura forte consolidando a cacauicultura na região do Baixo Tocantins, nas comunidades de Igarapé Miri, Riozinho e Cotijuba” declara Lahire Figueiredo. Inicialmente houve reuniões nos locais visitados para exaltar a importância do projeto na região e caminhada pela propriedade para observar o arranjo dos cacaueiros, e mostrar as etapas inicias realizadas do projeto. Durante a reunião, alguns produtores que ainda não estavam participando do projeto, mostraram interesse em participar. Para constatar a situação atual do processo de produção e beneficiamento das amêndoas de cacau

o SENAR com o apoio da SEDAP, através do FUNCACAU, tem como objetivo melhorar a produtividade e rentabilidade do negócio rural, promovendo a formação profissional do produtor e do trabalhador rural, difundindo tecnologias, através da assistência técnica, visando o fortalecimento da cadeia produtiva atendida, além de promover o desenvolvimento econômico da família no campo.

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dos produtores da comunidade Riozinho e Cotijuba, os consultores, Alexandre Miguel e o Luiz Carlos Piagentini, especialista em fermentação de amêndoas de cacau, durante a visita técnica, visualizaram a forma como é realizado o beneficiamento nas áreas, e optaram por indicar os locais das instalações de beneficiamento, como o cocho de fermentação e a estufa de secagem para melhorar a qualidade da prática, em locais estratégicos das propriedades visitadas, considerando suas peculiaridades. Para a engenheira agrônoma e técnica do projeto, Ana Carolina Pantoja que trabalha realização de diagnóstico de cada propriedade selecionada e a implantação de um plano de ação para cada propriedade, focando nas ações de interesses convergentes em produção, produtividade e rentabilidade diz que “ no sentido de verticalizar a produção, estamos realizando algumas etapas que se inicia no Plano de Recuperação dos Cacaueiros Nativos com o objetivo de aumentar a produtividade dos cacaueiros das Comunidades de Riozinho e Cotijuba além da implantação de cochos e estufas para o trabalho de beneficiamento das amêndoas realizando cursos para aprimorar a técnica e trabalhar num produto certificado para entrarem e se adequarem no mercado. O cacau de varzea já tem uma vantagem por orgânico e por suas propriedades organolépticas e ao ser melhorado na fermentação e na secagem, fica um produto mais valorizad.o As ilhas tem bastante potencial para aumentar essa produtividade´pois nos cacauais não é feito o manejo só é feita a extração nem todos eles conse12 www.cacauamazonia.com.br

Melhoria da qualidade- Verificação dos espaços utilizados para o beneficiamento de suas amêndoas, e depois, propor melhorias nesses locais de beneficiamento.


Fotos: Carlos Pará

guem perceber isso a visão de empreendedor são dos atravessadores As ilhas tem uma contribuição muito pequena quanse insignificante com relação a produção de municípios como Medicilândia e de outros municípios mas as ilhas tem um grande potencial e vamos trabalhar em cima disso qualidade dos derivados de cacau ajudando eles a comercializarem o produto agora em 2020” explica Ana Carolina. A equipe integrada reuniu-se primeiramente na casa do produtor Miguel Pinheiro (Macapá), e em seguida foi verificar a estrutura da ponte de trapiche para medir e obter orientações do consultor Luís Piagentini, que por sua vez, disse que poderia ser instalado uma estufa com mesas, e embaixo delas, colocar os cochos de fermentação com rodas para movimentação no momento de revirar o mosto com amêndoas. Atualmente, o produtor realiza a fermentação de suas amêndoas em rasas, e a secagem em lonas estendidas no trapiche de sua residência. Após a reunião, a equipe foi na sua área de várzea para fazer o reconhecimento dos tratos culturais da área de cacau selvagem. Chegando na área, foi verificado que as orientações técnicas e o acompanhamento técnico realizado anteriormente, sobre o plano de recuperação dos cacauais nativos, deu certo e foram aplicadas pelo produtor e filho. A equipe técnica pode constatar que a poda dos cacaueiros, roçagem, desbastes de árvores e plantio de mudas de cacau nativo, foram bem executados, conforme a foto registrada no dia da visita técnica.

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CONSOLIDAÇÃO DA LAVOURA CACAUEIRA NO RIO ARAUAIA Convênio - O Projeto de Consolidação da Lavoura Cacaueira nos municípios do Entorno de Belém é um convênio realizado pelo entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR e a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará - SEDAP através do FUNCACAU.

O projeto CONSOLIDAÇÃO DA LAVOURA CACAUEIRA EM BARCARENA realiza atividades nas comunidades de Piedade no município de Barcarena

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SENAR do Pará montou uma equipe técnica para orientar os produtores de cacau selvagem, formada peloo coordenador do Projeto de Consolidação da Lavoura Cacaueira nos municípios do Entorno de Belém, Lahire Figueiredo, a engenheira agrônoma e técnica do projeto, Ana Carolina Pantoja, os consultores Luiz Carlos Piagentini e Alexandre Miguel da empresa BTM (Bean to machine) e o jornalista, pesquisador Carlos 14 www.cacauamazonia.com.br

Pará, se deslocaram para a comunidade de Piedade, localizada no município de Barcarena, para realizar a reunião de sensibilização na comunidade, com objetivo de apresentar o projeto de consolidação da lavoura cacaueira no entorno de Belém- Funcacau/Senar e enfatizar a importância do projeto para os produtores dessa comunidade. A reunião na comunidade da Piedade, ocorreu por volta das 09:00 horas da manhã, na sede de festa da comunida-


Fotos: Carlos Pará

de, e cerca de 16 produtores de cacau da cooperativa da comunidade participaram, tendo como pautas: Apresentação da proposta de projeto do Funcacau/SENAR, onde foi proposto a capacitação, quanto ao beneficiamento das amêndoas tipo Bulk e Fino, com o especialista em fermentação, Luiz Piagentini. Proposta de instalação de cocho de fermentação controlada e secador por estufa plástica, para a cooperativa da comunidade. Relato dos integrantes da cooperativa sobre seu histórico e a criação de um produto chamado Organolate em parceria com universidade do Cesupa. Proposta de criação do selo de origem e localidade do cacau selvagem das várzeas do município de Barcarena. No decorrer da reunião, houve bastante diálogo com os produtores a respeito das pautas. Com relação a pauta de instalação de cocho de fermentação controlada e secador por estufa plástica para a cooperativa, os participantes apontaram locais para receber as instalações da central de fermentação, no entanto, ainda não havia consenso, devido alguns cooperados morarem na comunidade do Maracujá, um pouco distante do local sugerido inicialmente. A Sra. Eliana, secretária executiva da cooperativa, durante os diálogos, sugeriu a instalação de estufa e secagem individuais na casa desses produtores que moram distante, com a justificativa de custos de transporte. Entretanto, o consultor Luiz Piagentini, explicou que a fermentação e secagem tem que ter

Comunidade da Piedade - Reunião com a Cooperativa PARÁ DA ILHA.

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Foto: Carlos Pará

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Cacau Beneficiado - Francisco e sua esposa Iolanda receberam assistência técnica, e aprenderam a realizar o beneficiamento das amêndoas.

um padrão de qualidade, e para isso, necessita de um único local de beneficiamento. A distância não seria um empecilho, pois a cooperativa deveria buscar os frutos dos produtores distantes, e posteriormente contabilizar os custos. No final do debate, a maioria ficou convencida que o mais apropriado seria na área em frente ao campo de futebol, no porto do produtor Júnior, pois o local é estratégico para escoação da produção, por ter acesso a estrada também. O produtor Junior, por sua vez, concordou em assinar um documento autorizando a cessão do pedaço de terreno e disse que iria providenciar o aterro e terraplanagem para nivelar a área. A proposta é instalar a central de beneficiamento antes da próxima safra em dezembro, assim 16 www.cacauamazonia.com.br

como o curso de fermentação e secagem de cacau fino. A cooperativa da comunidade atualmente está tentando se regularizar para iniciar suas atividades novamente. Segundo os membros da diretoria da cooperativa, no ano de 2013, a cooperativa fez uma parceria com a universidade do Cesupa. Alguns alunos da instituição e cooperadas mulheres que faziam achocolatados de forma caseira e outros derivados de cacau, resolveram melhorar a qualidade de um achocolatado. Com a parceria, a cooperativa e os alunos da instituição criaram um produto chamando Organolate, após a criação a cooperativa começou a comercializar o produto. O produto criado, ganhou vários prêmios por instituições nacionais e internacionais na época, Nos dias atuais a coope-

Com relação a pauta de instalação de cocho de fermentação controlada e secador por estufa plástica para a cooperativa, os participantes apontaram locais para receber as instalações, no entanto, ainda não houve consenso. O produtor Júnior, disponibilizou uma área de sua propriedade que é um ponto estratégico para a escoação da produção. O local além de ter um porto de lanchas, tem acesso a estrada.


Bean to Bar - Luisa Abram trabalha com o cacau da região do Rio Arauaia desde 2016.

rativa está buscando a patente do produto Organolate. Após a reunião, os técnicos do Senar e os consultores realizaram uma visita técnica no local da estrutura de cimento construída. Alguns produtores da comunidade receberam assistência técnica, e aprenderam a realizar o beneficiamento das amêndoas. O produtor Francisco, que recebeu essa assistência técnica, conseguiu fechar contrato com uma empresa chamada Luisa Abram, para fornecer suas amêndoas fermentadas comercializando acima do preço do cacau comum, para a fabricação de chocolate. A Luisa Abram, forneceu para o produtor, os cochos de fermentação, para melhorar a qualidade de fermentação de seu fornecedor. Os técnicos do Senar e os

"Trabalhamos com o cacau da regiao do Rio Arauaia desde 2016. Desde então damos suporte para que cada vez mais o cacau seja beneficiado de forma correta. Em 2018 fomos agraciados com medalha de ouro num dos principais concursos de chocolates do mundo, em Londres, primeira medalha de ouro na categoria do Brasil, o que nos fez ter mais certeza ainda do potencial do material vindo da região" Luisa Abram.

consultores, realizaram a visita nesse local de fermentação e secagem para verificar esses cochos de fermentação. Em depoimento para a Revista Cacau Amzônia a chocolatier renomada Luisa Abram diz que "Trabalhamos com o cacau da região do Rio Arauaia desde 2016. Desde então damos suporte para que cada vez mais o cacau seja beneficiado de forma correta. Em 2018 fomos agraciados com medalha de ouro num dos principais concursos de chocolates do mundo, em Londres, primeira medalha de ouro na categoria do Brasil, o que nos fez ter mais certeza ainda do potencial do material vindo da região. Todo o trabalho foi realizado em parceria com o Francisco, Iolanda e Maria.

Barra de chocolate Luisa Abram com 80g, 81% cacau selvagem da Amazônia Brasileira – Rio Acará. Este chocolate, preparado com Cacau Selvagem e Açúcar Orgânico, tem notas de castanha do Pará, caramelo e abacaxi. Em 2018 foi agraciado com medalha de ouro num dos principais concursos de chocolates do mundo, em Londres, primeira medalha de ouro na categoria do Brasil. www.cacauamazonia.com.br 17


CACAU NEWS

Deputado Federal OLIVAL MARQUES destina R$ 2.000.000,00 para a cacauicultura no Pará através da CEPLAC

O

deputado federal Olival Marques (DEM-PA), eleito em 2018 com 135.398 votos. Atual titular na Comissão de Seguridade Social e Família – CSSF; e Suplente na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania – CCJC, pela Câmara Federal em Brasília – DF está trabalhando para estimular a política cacaueira no Pará. Em sua fala para a revistra Cacau Amazônia diz que “O Estado do Pará é o maior produtor de cacau do país, atuamos em todos os municípios, não só na Transamazônica onde se concentra a maior produtividade de cacau mas em todas as regiões, através de nosso trabalho missionário e político. Atualemente nosso grande desafio é impulsionar a produção de cacau no Pará. Bem como, valorizar o trabalho da Ceplac, para que possa continuar a introduzir novas tecnologias para a melhoria genética das amêndoas, da melhoria da qualidade e do aumento da produção e implementar medidas para a expansão da lavoura do cacau feitas de forma ecologicamente e socialmente corretas. A CEPLAC é um órgão público de tamanha relevância para a economia e o desenvolvimento sustentável que pode ser um instrumento possível para ajudar muitas famílias. E através do plantio do cacau em consórcio com outras culturas alimentares, seja o açaí, a banana, a pimenta do reino, o maracujá, 18 www.cacauamazonia.com.br

Olival Marques Deputado Federal


Dep. Federal Olival Marques, Ministra Tereza Cristina e a Superintendente da CEPLAC, Maria Goreti Gomes

ou outro produto que possa ajudar na alimentação diária e na manutenção familiar. Esse é o caminho que encontramos para ajudar os trabalhadores da cacauicultura e de toda a cadeia produtiva que movimenta o setor. Atulamente essa atividade econômica gera 64 mil empregos diretos no Estado e ajuda na recuperação de áreas alteradas para recompor o passivo ambiental. Com tudo isso, não tínhamos ideia da dimensão estrutural da CEPLAC, dos problemas que ela passava em termo de pessoal, do sucateamento e do pouco investimento. Foi quando procuramos a Ministra da Agricultura Tereza Cristina, já tivemos algumas audiências, inclusive com a Superintende da CEPLAC no Pará, a Dra. Maria Goreti e tivemos uma ótima receptividade. Ela tem se

demonstrado a mais parceira o possível para nos ajudar na causa do cacau e a resposta que tivemos foi que podemos contar com todo o aparato do Ministério para ajudar na causa e que em 2020 virá maiores investimentos para a cacauicultura do Pará. Com o apoio do governo federal vamos criar uma Comissão na Câmara dos Deputados para estimular a política cacaueira. No Pará participamos de reunião com o Governador do Estado do Pará Helder Barbalho e com a Dra. Goreti Gomes para tratar de parcrias institucionais com a CEPLAC no sentido de promover ações e atividades relacionadas ao desenvolvimento da cacauicultura no Estado. Na ocasião o governador solicitou que fosse criado a Frente Parlamentar do Cacau na Camâra dos Deputados e que eu coordenasse a bancada de deputados que vai atuar

“A Ministra da Agricultura Teresa Cristina que é uma amiga pessoal minha, e tem se demonstrado a mais parceira o possível para nos ajudar na causa do cacau no Brasil. Já tivemos algumas audiências, inclusive com a Superintende da CEPLAC no Pará, a Dra. Maria Goreti participando e a resposta que tivemos foi que podemos contar com todo o aparato do Ministério para ajudar na causa e que em 2020 virá maiores investimentos para a cacauicultura do Pará”.

no fortalecimento da CEPLAC, no aumento dos fundos de investimentos, seja para o FUNCACAU ou estimular emendas impositivas, programas de governo, sustentabilidade econômica, social e ambiental do cacau e garantir ao produtor, principalmente o pequeno e o médio, acesso a todas às linhas de crédito para incentivo à atividade. Vamos destinar Emenda Parlamentar impositiva na ordem de R$ 2.000.000,00 (Dois milhões de reais) para investir no desenvolvimento da cacauicultura no Pará, através da CEPLAC, investir em pesquisa e realizar ações de Assistência Técnica em parceria com o Governo do Estado e com a Federação da Agricultura FAEPA, assim como o incremento da cultura do cacau no Pará”, declara o Deputado Federal Olival Marques.

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ASSOCIATIVISMO

ASCAU

Associação dos Produtores de Cacau do Estado do

Pará

Associação dos Produtores - A Associação dos Produtores de Cacau do Estado do Pará. denominada Ascau, sociedade civil, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica, fundada em 05/04/1980, destinada a ampla defesa dos direitos e interesses da cacauicultura no Estado do Pará.

A

Associação dos Produtores de Cacau do Estado do Pará, denominada ASCAU, sociedade civil, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica, fundada em 05/04/1980, destinada a ampla defesa dos direitos e interesses da cacauicultura no Estado do Pará é formada por cooperativas, associações e instituições setoriais que representam os produtores de cacau de todas as regiões do Pará. Farão parte da Associação dos Produtores de Cacau do Estado do Pará todos os cacauicultores, pessoas físicas e jurídicas. A ASCAU visa promover

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Por Hildegardo Nunes ações para motivar os associados a buscarem o aumento da produtividade através da melhoria da qualidade da produção e assim dar visibilidade aos produtos, valorizando seus aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais, favorecendo assim, os benefícios agregadores de credibilidade e certificação de origem, obtendo produtos de qualidade, creditado por especificações técnicas padronizadas e reconhecidas nacional e mundialmente. Em sua finalidade cumpre ASCAU: I. Representar e defender dos interesses e direitos dos produtores de cacau do Estado do Pará;

II. Promover atividades sociais, educacionais, culturais ligadas à produção do cacau no Estado do Pará; III. Celebrar convênios e parcerias nacionais e internacionais com associações congêneres; entidades civis, autarquias, empresas públicas, privadas e órgãos públicos nas três esferas do Poder; IV. Lutar pela preservação e defesa do meio ambiente; V. Elaborar e executar de projetos que envolvam a cadeia produtiva do cacau e a área ambiental; VI. Participar na realização de pesquisas socioeconômica sobre os produtores e a produção de cacau do Estado


do Pará (produção, saúde, educação, trabalho, habitação, lazer, segurança, meio ambiente e outras); VII. Contribuir com o Poder Público para o desenvolvimento de políticas públicas em benefício da lavoura de cacau e seus produtores, tais como o estímulo a produção, verticalização e comercialização da produção. VIII. Contribuir na divulgação e valorização do cacau, chocolate e outros derivados, produzidos no Estado do Pará. IX. Promover a certificação do produto de qualidade e de origem, nas suas mais diversas formas.

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA A Associação tem também como missão “proteger o cacau paraense por meio da Indicação Geográfica, valorizando os aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais de cada região produtora. Entendese que a IG do Cacau através da ASCAU, associações, cooperativas e instituições setoriais podem solicitar o Certificado de Origem e o Selo de Indicação Geográfica para impulsionar a cadeia do cacau e chocolate nos seus diversos âmbitos, econômico, social, ambiental e de difusão tecnológica. “A ASCAU tem o importante papel de motivar os associados

DELEGACIAS REGIONAIS DELEGACIA DA TRANSAMAZÔNICA - OESTE DELEGACIA DA TRANSAMAZÔNICA - LESTE DELEGACIA DO XINGU DELEGACIA DO VALE DO ACARÁ DELEGACIA DO TOCANTINS DELEGACIA DO NORDESTE PARAENSE DELEGACIA DO TAPAJÓS

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ASSOCIATIVISMO

a obter o selo da IG, dar visibilidade, promovendo ações de marketing; difundir treinamentos técnicos no campo para os produtores, visando atrair os benefícios agregadores da qualidade; atrair o mercado nacional e internacional, consolidando o selo da IG cacau do Pará como uma marca de confiança; entre outras ações de fortalecimento da cadeia. Em 40 anos de atividade a ASCAU vem trabalhando na melhoria da qualidade e no aumento da produtividade. Durante esse período o Pará tornou-se o maior produtor nacional quando vários grupos organizados de produtores trabalharam para que essa conquista fosse possível. 22 www.cacauamazonia.com.br

ATUAÇÃO

A atuação da ASCAU se relaciona de forma integrada e estratégica com os parceiros do Ministério da Agricultura – MAPA, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, do Sistema FAEPA, Sistema FIEPA, SEBRAE, UFRA, UFPA, IFPA, FINEP, do Governo do Estado do Pará através da SEDAP, SEDEME, SECDECT, ADEPARÁ, EMATER, BANPARÁ, além das Secretarias Municipais de Agricultura, Sindicatos de Produtores Rurais, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Produtores de cacau, empreendedores do ramo de chocolates e derivados de cacau e outras organizações da sociedade civil .

Em 40 anos de atividade a ASCAU vem trabalhando na melhoria da qualidade e no aumento da produtividade. Durante esse período o Pará tornou-se o maior produtor nacional quando vários grupos organizados de produtores trabalharam para que essa conquista fosse possível” declara o presidente da Associação dos Produtores de Cacau do Estado do Pará .


Foto: Carlos Pará

“Destacamos que foi vencida mais uma etapa rumo ao maior desenvolvimento da Cacauicultura no Estado do Pará, e que estamos apenas no começo de uma nova fase muito mais árdua de trabalho para consolidação da Indicação Geográfica das Regiões do Pará e consequentemente tornar o Pará como referência mundial em produção de cacau com alta qualidade. Essa é uma entidade dos produtores” destaca Carlos Fernandes Xavier, presidente do Sistema FAEPA.

A atuação da ASCAU se relaciona de forma integrada e estratégica com os parceiros do Ministério da Agricultura – MAPA, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, do Sistema FAEPA, Sistema FIEPA, SEBRAE, UFRA, UFPA, IFPA, FINEP, do Governo do Estado do Pará através da SEDAP, SEDEME, SECDECT, ADEPARÁ, EMATER, BANPARÁ, além das Secretarias Municipais de Agricultura, Sindicatos de Produtores Rurais, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Produtores de cacau, empreendedores do ramo de chocolates e derivados de cacau e outras organizações da sociedade civil .

AÇÕES PRIORITÁRIAS - Implantação de Viveiros e Produção de Mudas; - Sistemas Agroflorestais Sustentáveis de Cacaueiros em Consórcio com espécies nativas -Fermentação para Cacau Fino - Escola-Indústria SENAR - Promoção de Unidades de Processamento de Pequeno Porte para a produção de chocolate integral - Rota do Cacau - Parceria com Bancos e Cooperativas de Crédito para financiamento da Cacauicultura - Indústrias e Estrutura para fermentação - Fundo para o Desenvolvimento da Cadeia do Cacau FUNCACAU - Cooperativismo e Associativismo na cacauicultura; - Áreas de Produção de Cacau no Pará - Estrutura da CEPLAC no Pará; - Mercado do Cacau no Brasil e no Mundo.

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REDE CIN/FIEPA

Rede CIN/Pará e SEBRAE realizam Missão em Paris e Lisboa CIN / FIEPA - Empresários representantes do setor industrial e comercial do Estado do Pará participaram em Paris do Salon du Chocolat, e em Lisboa, do Web Summit 2019, eventos de grande importância de divulgação da produção, intercâmbio comercial, tecnológico e científico e de atração de investimentos para o Estado.

O

Centro O Centro Internacional de Negócios do Pará (CIN/FIEPA) esteve presente na 25ª edição do Salon du Chocolat em Paris, maior evento do mundo dedicado ao chocolate e ao cacau que este ano reuniu mais de 60 países, com 500 participantes e 1 milhão de visitantes. Outro evento de grande importância de atração de investimentos que o CIN marcou presença foi o Web Summit 2019, que aconteceu no mês de novembro em Lisboa, um dos maiores eventos de inovação do mundo, que este ano reuniu mais de 70 mil pessoas.

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Por Carlos Pará MISSÃO PARIS - SALON DU CHOCOLAT A missão comercial coordenada pela Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN) e articulada pelo CIN Bahia, com colaboração do CIN Pará e outros estados, contou com as parcerias do Sebrae, Governo do Estado do Pará, Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Durante cinco dias, as empresas tiveram a oportunidade de apresentar produtos, acessar novos mercados, ampliar o networking com potenciais parceiros e prospectar negócios,

além de conhecer novas tecnologias e recursos voltados à inovação. “O Salon du Chocolat de Paris 2019 foi umas das melhores versões para a qual pudemos levar produtores de amêndoas de qualidade e algumas pequenas indústrias de chocolate que vêm se destacando no mercado paraense. No caso do convênio CIN e SEBRAE possibilitamos a participação de 03 empresas, a Dom Amazon, Da Cruz e NAYAH Chocolate que tiveram um desempenho muito produtivo no evento. Isso é um estímulo para que as empresas adquiram o know-how e as condições desejáveis para uma entrada segura e bem-sucedida em mercados globais cada vez mais competitivos”, declara


Foto: Carlos Pará

Salon du Chocolat em Paris - REDE CIN/Pará e SEBRAE possibilitou a participação de 03 empresas Dom Amazon, Da Cruz e NAYAH na Missão Comercial Paris 2019.

Web Summit Portugal - Comitiva Paraense em Lisboa no maior evento de inovação do mundo para atrair investidores e investimentos para o Estado do Pará

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REDE CIN/FIEPA

Embaixada do Brasil na França - A comitiva paraense realizou uma visita à embaixada do Brasil na França onde participou do evento de promoção do Estado.

Cassandra Lobato, coordenadora do CIN Pará. Os Centros Internacionais de Negócios são portas de entrada para empresas brasileiras no mercado mundial. Na missão comercial, por meio do assessoramento de profissionais com comprovada experiência em comércio exterior, as empresas puderam participar de palestras e workshops, conhecendo melhor suas reais oportunidades de negócios nos mais diferentes mercados globais podendo estudar e racionalizar seu processo de internacionalização. A comitiva paraense realizou uma visita à embaixada do Brasil na França onde participou de um evento com formadores de opinião, chocolatiers, jornalistas, influencers digitais e imprensa. No encontro, os em26 www.cacauamazonia.com.br

presários apresentaram o chocolate brasileiro e o potencial turístico e econômico para o mercado francês. Para Cassandra Lobato, esse tipo de missão comercial é essencial para alavancar os negócios de empresas que buscam expandir sua atuação. “Participar de feiras internacionais agrega muito ao empresário porque ele consegue apresentar os produtos a grandes compradores que buscam no mundo todo parceiros e fornecedores preparados para atender com qualidade e segurança. Por isso o CIN Pará busca sempre promover missões comerciais internacionais para ajudar as empresas locais a alcançar esse mercado e aumentar as exportações”, explica Cassandra.

WEB SUMMIT PORTUGAL Promovido pelo Centro Internacional de Negócios da FIEPA e Câmara Portuguesa de Comércio do Pará, a WebSummit que aconteceu de 4 a 7 de novembro, na Altice Arena & FIL em Lisboa, é a maior e mais importante conferência de tecnologia do mundo, o principal encontro de inovação que vai estar em Portugal até 2028. O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará – SIMINERAL, José Fernando Gomes, faz um balanço positivo da participação no evento. “É muito gratificante participar dessa missão capitaneada pela FIEPA, por meio do CIN, e em parceria com o SEBRAE/PA e foi um ganho enorme em termos de atração de investidores e investimentos para o


Web Summit Portugal - A WebSummit aconteceu de 4 a 7 de novembro, na Altice Arena & FIL em Lisboa

nosso Estado. Fizemos vários contatos e fechamos algumas parcerias para 2020, envolvendo a FIEPA, o Governo do Estado do Pará, a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, o SEBRAE e a Fecomércio, para que possamos realizar o intercâmbio entre Pará e Portugal, e viceversa, gerando emprego, renda e desenvolvimento”, explica Gomes. Ainda segundo José Fernando Gomes, a missão empresarial para o Web Summit representou “um evento de grande sucesso, no qual pudemos contar com a presença do titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Iran Lima; do presidente da FECOMÉRCIO, Sebastião Campos; do superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno; do superintendente da do SENAR/FAEPA, Walter Cardoso; e

não podemos deixar de mencionar a importância do PCT Guamá nesse processo para que possa trazer desenvolvimento nesse ambiente de negócio criado pelo governador Helder Barbalho no sentido de trazer novas empresas e de mantê-las em nosso Estado”. Para Gomes, o resultado da missão é positivo e traz muitos ganhos ao setor produtivo do Estado. “O fruto da missão é superpositivo, muito proveitoso para a Federação das Indústrias e para o Governo do Estado, representado pelo Secretário Iran Lima, pois serviu para mostrar aos empresários portugueses nosso ambiente de negócio. Tenho certeza de que, em breve, toda a sociedade paraense colherá os bons frutos dessa missão” declara José Fernando Gomes.

José Fernando - Presidente SIMINERAL / FIEPA

" Fizemos vários contatos e fechamos algumas parcerias que já vão poder estar acontecendo, agora em 2020, envolvendo o Sistema FIEPA, o Governo do Estado do Pará, a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, o SEBRAE, a FECOMÉRCIO, para que possamos realizar o intercâmbio entre Pará e Portugal, e vice-versa, gerando emprego, renda e desenvolvimento".

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AUDIÊNCIA PÚBLICA

O Futuro

da Cacauicultura

no

Pará

Audiência Pública - Motivada pela CEPLAC /Pará atendida pelo Deputado Eraldo Pimenta para debater o futuro da cacauicultura no Pará. A audiência reuniu no auditório João Batista os principais atores da cadeia produtiva do cacau, do governo e de entidades agropecuárias. 28 www.cacauamazonia.com.br


O Pará tem 170 mil hectares ocupados com plantação de cacau. Em 2018, a produção paraense representou 51% da produção nacional. Para 2019, a estimativa é chegar ao final do ano com 140 mil toneladas produzidas. No entanto, 99,5% da produção é verticalizada fora do Estado do Pará.

Na ocasião além de serem relatados os principais gargalos desse setor produtivo, foram assinados um protocolo de Assistência técnica aos empreendimentos financiados com os recursos do FNO, e outras fontes operacionalizadas pelo Banco da Amazônia S/A. nos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso e o Acordo de Cooperação Técnica que celebram a UNIÃO através do Ministério da Agricultura e Abastecimento MAPA, Secretaria de Desenvolvimento Rural e Irrigação por intermédio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC o Pará e Amapá, Goreti Gomes; a Coordenadora de Mercado da SEDEME, Luciana Centeno, o coordenador da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé Açú (Camta), Alberto Ke Ti Opata.

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ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ - ALEPA foi palco de um momento histórico para os cacauicultores do Estado do Pará onde através de uma demanda da Superintendente da CEPLAC, o Deputado Eraldo Pimenta (MDB), realizaou em (24/09) uma Audiência Pública para debater o futuro da cacauicultura no Pará. A audiência reuniu no auditório João Batista os principais atores da cadeia produtiva do cacau, do governo e de entidades agropecuárias. “Todo diálogo é favorável, aprimora conhecimento. E hoje, temos todos os interessados na melhoria da nossa produção de cacau. Temos ideia do potencial produtivo e por isso, precisamos falar sobre isso e incentivar nossos produtores”, avaliou o deputado Eraldo Pimenta. Participaram do evento o Secretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário (SEDAP), Hugo Suenaga; o auditor fiscal Luiz Pinto de Oliveira; o prefeito de Rurópolis, Juscelino Padilha; o presidente do Sistema FAEPA, Carlos Xavier; o diretor da Emater Pará, Rosival Possidônio; o gerente executivo do Banco da Amazônia, Misael Santos; a superintendente da CEPLAC no Pará e Amapá, Goreti Gomes; a Coordenadora de Mercado da SEDEME, Luciana Centeno, o coordenador da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé Açú (Camta), Alberto Ke Ti Opata. Estiveram presentes, membros da Associação dos Engenheiros Agronomos do Pará, Eng. Pedro Paulo Mota; Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu, Rai-


AUDIÊNCIA PÚBLICA

mundo Silva; Prefeitura Trairão, Embrapa; Adepará, Consórcio de Municípios de Belo Monte, Olival Marques, de Ruropólis. Na ocasião além de serem relatados os principais gargalos desse setor produtivo, foram assinados um protocolo de Assistência técnica aos empreendimentos financiados com os recursos do FNO, e outras fontes operacionalizadas pelo Banco da Amazônia S/A. nos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso e o Acordo de Cooperação Técnica que celebram a UNIÃO através do Ministério da Agricultura e Abastecimento MAPA, Secretaria de Desenvolvimento Rural e Irrigação por intermédio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC e o município de Rurópolis para os fins que se especifica. Para o Deputado Eraldo Pimenta, “O Estado do Pará é o maior produtor da Federação produzindo cerca de 4 % a mais do que a Bahia, por termos terras férteis, logística que foi colocado por Deus, estamos bem mais perto do mercado consumidor da Europa e EUA. Quando discutimos a produção claro que discutimos o progresso, não podemos ficar em nossa porta “a ver navios” levando nossas riquezas ou as condicionantes que não foram feitas. O Estado do Pará não tem quem segure, se avançarmos na questão da desburocratização das linhas de crédito, o Banco da 30 www.cacauamazonia.com.br

Dr. Fernando Mendes pesquisador e auditor fiscal da CEPLAC proferindo palestra de abertura.

Amazônia tem dinheiro e tem condições de ajudar a liberar o recurso com menos burocracia. Por isso na Audiência Pública assinamos um protocolo de intenções para garantir incentivo para os produtores de cacau no Pará. O objetivo é estruturar um plano de ação para potencializar a produção de cacau e definir como o Banco da Amazônia pode participar desse processo e ajudar nossos produtores. Outra questão fundamental que vamos debater no futuro é regularização fundiária que ainda é um sonho nosso, e vamos começar a reivindicar” declarou o Deputado Eraldo Pimenta. Logo após aos cumprimentos de abertura, seguiu-se a palestra do pesquisador e auditor fiscal da CEPLAC, Dr. Fernando Mendes. Um dos

pontos fortes de sua fala foi referente ao passivo ambiental que o plantio do cacau contribui para a recomposição das áreas alteradas na amazônia: "Atualmente sabemos que não falta discurso na mídia para dizer que estamos destruindo o meio ambiente na Amazônia. O cacauicultor está recuperando o meio ambiente. São 140 mil hectares recuperados e os países que nos ofendem nos devem 173, 6 milhões de Euros para os produtores de cacau do Estado do Pará. Esse valor é quanto vale um serviço ambiental que é o sequestro de carbono. Cada hectare de cacau plantado nesse Estado, sequestra 124 toneladas de carbono e ninguém fala nisso. Nos acusam de estar fazendo a coisa errada. Existe um débito embutido


entre aqueles que poluem e aqueles que prejudicam o meio ambiente para os cacauicultores paraenses e a cada ano essa dívida para com os cacauicultores paraenses cresce, pois no Pará cresce no mínimo 9 mil hectares por ano de área plantada. A única maneira de reivindicar o “pagamento” desse passivo ambiental é “viralizando” em todas as formas de mídia (municipal, estadual, nacional e internacional), tanto o que já foi feito quanto o que ainda está por ser feito. Especialmente no que ainda estar por ser feito, seria louvável não apenas o reconhecimento desse esforço, mas, também, a ajuda financeira para que programas voltados para esse fim não fossem paralisados; ao contrário, estimulados. É o de continuar como um dos protagonistas importantes, em termos mundiais, na produção de amêndoas de cacau de qualidade. Está no estado do Pará, como pertencente ao bioma de origem do cacaueiro - a Amazônia -, a maior diversidade genética dessa espécie vegetal. Pode muito bem ser aqui o local da descoberta não de uma, mas de várias possibilidades para a produção de chocolates de qualidade especial: os finos e de aroma" declara o pesquisador e auditor fiscal da CEPLAC, Dr. Fernando Mendes.

"É importante que estejamos sempre em um diálogo aberto com o setor produtivo do cacau, para que possamos discutir novos rumos a se tomar. Por isso o tema, o Futuro da Cacauicultura do Pará. Sem dúvida nossa instituição tem uma importância inquestionável no setor" declara Maria Goreti Gomes, coordenadora da CEPLAC c CEPLAC- Maria Goreti Gomes MARIA GORETI GOMES (CEPLAC) - “Gostaria de agradecer a todos os servidores da CEPLAC, dos produtores rurais, dos representantes das instituições públicas e privadas, e dos representantes de toda a cadeia da cacauicultura de nosso Estado que se fazem presentes na Audiência Pública solicitada ao Deputado Estadual Eraldo Pimenta que atendendo de forma generosa nossa solicitação, não mediu esforços para que a mesma acontecesse em curto espaço de tempo, tal a grandiosidade do assunto “O Futuro da Cacauicultura do Pará”. Todos os representantes inclusive do setor financeiro “Banco da Amazônia” foram unânimes em ressaltar o trabalho exitôso da CEPLAC no trato da cultura do cacau do nosso Estado, ressaltando a importância da continuidade da extensão rural realizada pela CEPLAC junto às 26 mil famílias assisti-

das por nós. As assinaturas dos Termos de Cooperação Técnica foram também um ponto alto na sessão de onde podemos mostrar aos presentes o quanto a CEPLAC é importante no contexto da cultura do cacau, também queremos ressaltar a disposição do Governo do Estado do Pará que através do governador Helder Barbalho, solicitou ao Deputado Federal Olival Marques que coordenasse a Frente do Cacau a nível federal para se garantir recursos federais para o desenvolvimento da cacauicultura do nosso Estado. A participação do Auditor Federal Fernando Mendes da CEPLAC na sessão deu o tom necessário para mostrar de onde viemos e onde pretendemos chegar, ou seja, o Futuro da Cacauicultura do nosso Estado” declara Maria Goreti Gomes da CEPLAC.

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AUDIÊNCIA PÚBLICA

O cacau começou a se expandir pelas condições edafoclimáticas de nosso Estado, de estabilidade climática, temperatura média variando entre 26º a 33º, e sem ocorrência de geada, água doce em abundância. Enquanto outros países morrem de sede, derramamos uma vazão colossal no mar a cada segundo. Além disso, temos a disponibilidade de áreas, o segundo maior Estado da nação brasileira, temos energia solar o ano inteiro. Por conta disso, não tenho dúvida de que chegaremos lá.

CARLOS XAVIER (Sistema FIEPA) Em 2008, aqui dentro

dessa Casa, Assembleia Legislativa do Estado do Pará, apresentamos o Projeto Preservar, com o principal objetivo de expandir e modernizar a produção agropecuária ao criar condições mais favoráveis para as áreas que já foram antropizadas, ou seja, dispensando-se o avanço sobre a floresta nativa, para trabalhar com Sistemas agroflorestais, consorciando o cultivo do cacau, com o açaí, a pimenta do reino, o mogno e outros cultivos agrícolas que combinarem melhor com cada região e assim promover benefícios econômicos e ecológicos para o produtor rural. Nossa proposta na época já contemplava tornar Pará o primeiro produtor de cacau em nível nacional, e agora o nosso desafio é ser o maior produtor de cacau do mundo. Ao recordar o saudoso Paulo de Tarso Alvim, na minha opinião, maior fisiologista no mundo, o qual teve a incumbência a pedido do governo brasileiro de retornar à Amazônia, particularmente ao Pará, a cultura do cacau. Paulo Alvim muito inteligente, escolheu a região de Terra Roxa e retornou o cacau ao Pará pela Transamazônica e foi um sucesso. Hoje a cultura do cacau está presente em todas as regiões. O cacau começou a se expandir pelas condições edafoclimáticas de nosso Estado, de estabilidade climática, 32 www.cacauamazonia.com.br

Sistema FAEPA - Carlos Fernandes Xavier

temperatura média variando entre 26º a 33º, e sem ocorrência de geada, água doce em abundância. Enquanto outros países morrem de sede, derramamos uma vazão colossal no mar a cada segundo. Além disso, temos a disponibilidade de áreas, o segundo maior Estado da nação brasileira, temos energia solar o ano inteiro. Por conta disso, não tenho dúvida de que chegaremos lá. Para isso, o Sistema FAEPA vem desenvolvendo diversas ações na Cadeia Produtiva do Cacau visando a capacitação de produtores na verticalização do cacau e gestão de negócios, com o apoio financeiro

do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará, cuja gestão é exercida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca – SEDAP, em parceria com a CEPLAC, o MAPA, e todos as secretarias do Governo do Estado e com o interesse do nosso Governado Helder Barbalho e os Deputados da ALEPA, não tenho dúvida que vamos conseguir” enfatizou o presidente do Sistema FAEPA em sua fala.


Após uma apresentação detalhada do histórico da produção cacaueira no Pará e dos dados econômicos do setor, e o que o cacau representa para o Estado, o secretário Hugo Suenaga reforçou o compromisso do Governo do Estado com o setor. HUGO SUENAGA (SEDAP) “Estamos elaborando um plano para a cacauicultura no Pará. O setor comercializa mais de um bilhão de reais no Pará, é a 4ª cultura que mais exporta, em termos de commodities. Se tem alguma dúvida sobre a importância deste setor, deixo claro que o setor é de grande interesse para nosso governo”, garante. Este ano realizamos o 6º Festival de Chocolate com o patrocínio do FUNCACAU e do BANPARÁ. Em 04 dias de programação intensa entre cursos, oficinas, palestras, fórum, concursos, obtivemos a visitação de mais de 40 mil pessoas e foi gerado mais de 10 milhões de reais dentro da cadeia produtiva do cacau. O público conheceu a biodiversidade do Pará e como é produzido este cacau diferenciado, que se transforma em nibs, chocolates e outros produtos derivados com uma identidade de sabor muito especial. Nós temos produtos de origem onde a questão geográfica, climática, cultural de quem trabalha com essas matérias primas, influencia no sabor. Foram lançados algumas novas marcas de chocolates nos

"O papel do Estado é levar capacitação aos produtores e, ao mesmo tempo, comunicar à sociedade nossos destaques com a maior produção de cacau do país e com a qualidade das nossas amêndoas, muito superior aos concorrentes do Brasil. Queremos o protagonismo do Pará no plantio, mas também na verticalização". stands do festival, estimulando novas empresas a investirem no mercado. A presença do governo nesse ambiente transmite aos produtores mais segurança, que é confirmada por meio de nossas políticas públicas de fomento, de crédito, financiamento, comercialização e acompanhamento no que diz respeito aos produtores de cacau com a Assessoria Técnica Rural (ATR), que é importantíssima e é, inclusive, uma grande necessidade, além da questão da regularização fundiária. O papel do Estado é levar capacitação aos produtores e, ao mesmo tempo, comunicar à sociedade nossos destaques com a maior produção de cacau do país e com a qualidade das nossas amêndoas, muito superior aos concorrentes do Brasil. Queremos o protagonismo do Pará no plantio, mas também na verticalização. Já mostramos em diversas oportunidades que o ativo gerado é

SEDAP - Hugo Suenaga

muito importante. É um grande desafio de todos os governos, e eu não me furtarei a tentar virar essa chave. Não podemos nos contentar apenas com a atividade primária. Nós temos uma qualidade excelente nas regiões paraenses, e essas certificações só ressaltam isso, são importantes conquistas para o Estado. O governo conta com a parceria da Federação dos Agricultores do Estado do Pará -FAEPA e fundamentalmente da Ceplac, não só na produção de semente mas com a capacidade técnica incontestável. Vamos começar a trabalhar no aumento da produtividade local, principalmente com fornecimento de mudas e assistência técnica mais ativa no campo, por meio de vários órgãos executores de assistência técnica. Com isso, conseguiremos aumentar a produção e a efetivação de fato de uma política pública para o cacau.

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AUDIÊNCIA PÚBLICA

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urante a Audiência Pública, o Banco da Amazônia e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, assinaram um protocolo de intenções para garantir incentivo para os produtores de cacau no Pará. “O objetivo é estruturar um plano de ação para potencializar a produção de cacau e definir como o Banco da Amazônia pode participar desse processo e ajudar nossos produtores”, explicou Misael Santos, gerente executivo do banco. Também foi assinado um acordo de cooperação técnica entre a prefeitura de Rurópolis e a Ceplac. Outros municípios também devem assinar termos de cooperação com a instituição. Mizael Moreno dos Santos, contextualizou a importância da assinatura do Banco da Amazônia entusiasmado com o levantamento de números que tinham sobre a potencialidade da cacauicultura no Estado, reconhece a representatividade da produção do cacau na economia, na renda circulante e na importância para o desenvolvimento social dos produtores confrontado com as linhas de crédito para alavancar a cultura do cacau. Assistência técnica aos empreendimentos financiados com os recursos do FNO, e outras fontes operacionalizadas pelo Banco da Amazônia S/A. 34 www.cacauamazonia.com.br

nos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso, assina pelo Banco da Amazônia o gerente executivo Mizael Moreno dos Santos e pela CEPLAC , Acordo de Cooperação Técnica que celebram a UNIÃO do Ministério da Agricultura e Abastecimento MAPA , Secretaria de Desenvolvimento Rural e Irrigação por intermédio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira e o município de Rurópolis para os fins que se especifica. Assina a o coordenadora regional da CEPLAC representada pelae prefeito de Rurópolis Juscelino Padilha.

LUÍS PINTO (MAPA SFA/ PA) atual superintendente do MAPA, trabalhou na CEPLAC até 2013, afirmou que a CEPLAC é o modelo mais vitorioso que o Estado do Pará já teve no setor da cacauicultura. A única instituição do Brasil que consegue fechar no mesmo modelo a pesquisa científica, a produção de conhecimento, a difusão e a transferência do conhecimento ao produtor rural. Todo conhecimento que a CEPLAC produz envolve a distribuição de sementes, assistência técnica gratuita e a educação produtiva. “A CEPLAC no Pará quando começou a construir sua equipe trabalhava com uma produção de 1500 toneladas e agora alcançarmos 135.000 toneladas de amêndoa seca de cacau em 2018, o que coloca o Pará na primeira colocação de produção nacional e que demonstra em estatísticas,


fundamentadas, sérias, um projeto cientificamente comprovado de atuação no setor. Crescemos a uma taxa de 6 a 7 % de plantação de cacau ao ano. Isso não existe no mundo. E este modelo tem dentro dele a produção de semente híbrida de cacau que não é uma semente qualquer. Uma semente que tem todo um trabalho dentro dela entregue a custo zero para o produtor rural. Não é à toa que esse programa é tipicamente familiar abrangendo mais de 25 mil famílias no Estado. A CEPLAC com ciência e tecnologia, implantou no Estado do Pará, o maior Banco de Germoplasma do mundo com mais de 20 espécies. Aqui está o coração da cacauicultura mundial. Isso vai se perder senão tiver investimento, interesse para pôr uma cultura que é típica de formação de uso múltiplo. Agora que ecologia virou

moda no mundo. Podemos usar o cacau como exemplo de uma base sustentável. O cacau é uma atividade que permite recompor passivo ambiental. Se o governador do Estado fizer que o cacau seja uma atividade capaz de recompor o passivo através do Sistema Agroflorestal – SAF plantado em consórcio com outras culturas. Se tivermos investimentos, a CEPLAC, pode ampliar sua demanda de 15 milhões, para 80 milhões de sementes. Uma atividade que já deu certo e pode dar muito mais certo com pequenos ajustes. E se nós pegarmos esse pequeno instrumento que se chama FUNCACAU que tira 30 unidades para cada tonelada de cacau que sai do Estado. Isso dá uma renúncia de 1, 2% O estado recolhe 12% do ICMS do cacau. Se o Governador tiver a antevisão de sair de 1,2% e aumentar para 3, 4 % o recolhimento de ICMS vai ser muito maior pelo ganho de produção que esse Estado vai ter num curtíssimo prazo. Temos que rediscutir o modelo da CEPLAC para querer discutir o futuro da cacauicultura. No início a CEPLAC era e foi a cacauicultura. O ajuste hoje é buscar exatamente uma reorientação desse modelo.

Luis Pinto- Superintendente MAPA/PA

“Uma atividade que já deu certo e pode dar muito mais certo com pequenos ajustes. E se nós pegarmos esse pequeno instrumento que se chama FUNCACAU que tira 30 unidades para cada tonelada de cacau que sai do Estado. Isso dá uma renúncia de 1, 2% O estado recolhe 12% do ICMS do cacau. Se o Governador tiver a antevisão de sair de 1,2% e aumentar para 3, 4 % o recolhimento de ICMS vai ser muito maior pelo ganho de produção que esse Estado vai ter num curtíssimo prazo” declara Luís Pinto, superintendente Federal de Agricultura no Pará.

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AUDIÊNCIA PÚBLICA

LUCIANA CENTENO, engenheira de alimento e produtora de chocolate, representando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o secretário de Estado Iran Lima falou sobre a verticalização e industrialização da amêndoa de cacau, ressaltou a importância da Audiência Pública e falou da importância da SEDEME no envolvimento na política de fortalecimento da cacauicultura no Pará, integrado com as secretarias estaduais (SEDAP, IDEFLOR, ADEPARÁ, EMATER) MAPA e CEPLAC, Sistema FAEPA e Sistema FIEPA, SEBRAE, ALEPA. “Os dados com relação a verticalização da produção do cacau ainda são muito incipientes, ainda temos a produção de 0,5% de verticalização em nosso Estado. Quando a gente olha o contexto de quanto ainda podemos avançar em desenvolvimento econômico, envolvendo todas as entidades econômicas que pensam não apenas na produção da matéria prima e aprimoramento delas, verificamos que estamos no estágio inicial, apenas começando nesse processo. Na SEDEME pensando no futuro da cacauicultura no Pará, trabalhamos em conjunto com diversas entidades representadas da produção do cacau entre elas, a Federação das Indústrias - FIEPA e a Rede CIN, o SEBRAE e outras entidades que também planejam o futuro da 36 www.cacauamazonia.com.br

SEDEME - Luciana Centeno

"Temos esse dever de atrair investimentos e de empresas que se instale em nosso Estado. Queremos estimular o aproveitamento do nosso potencial econômico e estimular não apenas empresas de fora mas incentivar os produtores locais ou aqueles que tem a coragem e a disposição de investir na verticalização da produção do cacau"

cacauicultura e a verticalização da produção do cacau. Em conjunto e de mãos dadas podemos superar essa situação de atraso econômico e ser referência na produção de matéria prima e de produtos derivados do cacau com qualidade. Neste sentido, o governador Helder Barbalho, vem delegando atribuições dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, para estimular a atração de investimentos. Ou seja, se nós temos uma capacidade produtiva elevada é importante que se instale indústrias na nossa região. No curso de engenharia de produção, o primeiro conceito diz, “se você quiser produzir, esteja próximo da matéria prima”.

Temos esse dever de atrair investimentos e de empresas que se instale em nosso Estado. Queremos estimular o aproveitamento do nosso potencial econômico e estimular não apenas empresas de fora mas incentivar os produtores locais ou aqueles que tem a coragem e a disposição de investir na verticalização da produção do cacau e seus derivados (nibs, liquor, torta, manteiga) ainda existe a indústria cosmética para produzir extratos com potencial antioxidante. Nesse processo é importante também estarmos unidos com entidades ligadas à Ciência e Tecnologia” explica Luciana.


"A importância do governo do Estado para reestruturar essa cadeia produtiva é também abrindo linhas de crédito pelo Banpará e estimulando a SEDUC a colocar na merenda escolar o chocolate produzido no Pará, pelas cooperativas. Esta é a nossa proposição nesta audiência".

ALBERTO KE TI OPATA representando a Comunidade japonesa na Amazônia que este ano completa 90 anos e a Cooperativa Mista de Tomé Açu - CAMTA, em sua fala lembrou que a primeira cultura plantada pelos japoneses em Tomé Açu foi o cacau que não deu certo pois não tínhamos assistência técnica, começamos a plantar verduras, depois arroz e a pimenta do reino. “Para implantar a lavoura cacaueira em nosso meio a diretoria da época fez um Plano de Sustentabilidade para superar uma crise muito grande que tivemos na cooperativa devido os danos da praga que afetou nossa produção de pimenta. O objetivo desse plano na década de 1980 era que o produtor

CAMTA - ALBERTO KE TI OPATA

rural pudesse a começar a ter uma renda mensal. Esse plano de sustentabilidade serviu para reestruturar a comunidade e implementar o Sistema Agroflorestal de Tomé -Açu que chamamos de SAFTA. Recentemente começamos a exportar para o Japão nossa amêndoa e o exportador o que ele quer? Ele gostou da amêndoa de Tomé Açu porque é uma amêndoa híbrida. Ele não quer uma amêndoa de apenas uma variedade, mas de uma mescla de um cacau mais fino que chamam de blend. Esse tipo de variedade que o nosso consumidor no Japão quer. A CAMTA com seus cooperados tem 1 milhão de pés plantados e no município de Tomé Açu como um todo deve

ter na faixa de 4 milhões de pés plantados em 4 mil hectares, inferior as outras regiões do Estado. Recentemente a Associação Cultural de Tomé Açu ACTA conseguiu o certificado de Indicação Geográfica para Tomé Açu mas isso tudo devemos à CEPLAC. Faço uma dedicação especial ao Dr. Fernando Mendes que ajudou a escrever o texto para que fosse aprovado no INPI. Se não fosse a CEPLAC não teríamos conseguido o certificado de indicação de procedência. Neste sentido, a CEPLAC foi de uma grande ajuda para se produzir e na outra ponta tivemos apoio do Banco também para fomentar a produção. Antes o banco só financiava monocultura mas graças ao Benito Casavara que conseguiu convencer o banco e hoje esse sistema está bem melhor. Agora as instituições bancárias precisam analisar a situação socioeconômica de muitas regiões que é o endividamento do produtor rural para valorizar o trabalho das cooperativas e das associações e se tiver algum associado em inadimplência com banco que veja o todo e libere financiamento. A importância do governo do Estado para reestruturar essa cadeia produtiva é também abrindo linhas de crédito pelo Banpará e estimulando a SEDUC a colocar na merenda escolar o chocolate produzido no Pará, pelas cooperativas. Esta é a nossa proposição nesta audiência. www.cacauamazonia.com.br 37


FUNCACAU

Funcacau financia e desenvolve a cacauicultura no Pará Fundo de Desenvolvimento - Fundo está disponível para quem quer produzir mais e com melhor qualidade. A finalidade do Funcacau é apoiar à pesquisa, à extensão, o fomento e à assistência técnica.

O

Pará quer avançar na cadeia da cacauicultura e centra esforços em iniciativas que fomentem a qualificação da produção das amêndoas do cacau, com estímulo à agregação de valor e à inovação na cadeia produtiva. Nesse cenário, o Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) tem um papel essencial e, por isso, representantes das secretarias estaduais de Desenvolvimento da Agricultura e da Pesca (Sedap) e da Fazenda (Sefa) e ainda da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), essa última instituição criadora do Fundo, deram detalhes e esclareceram dúvidas dos produtores que lo38 www.cacauamazonia.com.br

Por Valéria Nascimento (SEDEME) taram o auditório “Marajó”, do Hangar – Centro de Convenções, em Belém, onde acontece o 6º Festival Internacional do Chocolate e Cacau. O Funcacau foi criado em 2007, a partir de uma taxa cobrada sobre a comercialização do cacau no Estado. Com prazo de vigência inicial de 10 anos, ele foi prorrogado em 2017 com aprovação unânime da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). No encontro do Hangar, o coordenador do ProCacau, Programa onde o Funcacau está instituído como instrumento de suporte, na Sedap, o engenheiro agrônomo, Ivaldo Santana, falou sobre as formas de acesso ao Fundo e conversou com

a plateia sobre o crescimento consistente e da produtividade da cacauicultura. Ivaldo Santana esteve acompanhado de Marivaldo Palheta, da Sefa, e Fernando Antônio Siqueira Mendes, da Ceplac.

CONSELHO GESTOR

A finalidade do Funcacau, disse Ivaldo Santana, é apoiar à pesquisa, à extensão, o fomento e à assistência técnica. “Nesse contexto, estão incluídas as associações de produtores, as federações, enfim, todas as instituições públicas e privadas, e elas podem encaminhar seus projetos para análise e aprovação ou não do Conselho Gestor do Fundo’’, frisou o engenheiro agrônomo da Sedap.


Foto: Bruno Cecim/ Ag. Pará

O engenheiro agrônomo, Ivaldo Santana, falou sobre as formas de acesso ao Fundo e conversou com os presentes sobre o crescimento consistente e da produtividade da cacauicultura. A principal fonte financeira do Funcacau é a Taxa de Modernização da Cacauicultura Paraense, criada através de Lei aprovada na Alepa. Atualmente, essa taxa corresponde a 30 Unidades-Padrão Fiscais (UPFs) do Estado, valorada em cerca de R$ 103,81, por tonelada de amêndoa de cacau comercializada para fora do Estado do Pará. “Todo o produtor de cacau que comercializa suas amêndoas para outros Estados tem de pagar a Taxa. A fiscalização é da Sedap que pode delegar, por convênios, para outras instituições, por exemplo, hoje, a

fiscalização é feita nos portos então, institutos de pesquisas, pela Sefa’’, destacou o coorde- como a Embrapa que inclusive nador do ProCacau. já tomou recursos, e ainda organismos não governamentais, COOPERATIVAS pode acessar esses recursos para crescer em produção, caE ASSOCIAÇÕES pacitação, pesquisa e desenEm média, são liberados R$ volvimento. O Funcacau é de 5 milhões por ano. Ivaldo San- uma importância ímpar e mostana incentivou os produtores tra, na prática, que o Governo rurais a se organizarem em do Pará está pensando e trabaassociações e cooperativas lhando para o desenvolvimento para acessarem de modo cole- da cacauicultura’’, finalizou Fertivo os recursos do Funcacau. nando Mendes, da Ceplac. “Todo recurso que vem para o desenvolvimento econômico é muito bem-vindo. O Funcacau surgiu com essa proposta e tem cumprido essa missão, www.cacauamazonia.com.br 39


ESPECIAL

Pará

produtor mundial de

cacau

EDIÇÃO : CARLOS PARÁ 40 www.cacauamazonia.com.br


Foto: Marcelo Seabra/ Ag. Pará

O

ESTADO DO PARÁ, maior produtor de cacau no Brasil e melhor produtividade, com uma produtividade média de 930kg por hectare, média inigualável em comparação aos outros estados da federação, concentra cerca de 52,2% da produção brasileira. No mês de setembro foi o epicentro dos negócios do Brasil, palco do maior evento de chocolate de origem. O 6º Festival Internacional do Chocolate que aconteceu no Centro de Convenções do Estado do Pará - HANGAR, reunindo toda a cadeia produtiva do cacaueiro ao chocolate, além de firmar o Estado do Pará, região produtora de cacau de origem do Brasil, bem como promover o turismo e a cultura da produção do chocolate. No Festival, os produtores paraenses dispuseram gratuitamente de estandes, que foram montados para a divulgação do cacau, derivados e do chocolate produzido no Estado, tudo graças ao patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau), do Banco do Estado do Pará - BANPARÁ e à parceria entre o Governo do Pará - por meio das secretarias de Desenvolvimento Econômico, Mineração, Energia (Sedeme), de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), de Turismo (Setur), Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), Federação da Agricultura e Pecuária do Pará - FAEPA, Federação das Indústrias do Estado do Pará - FIEPA, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural /SENAR-PA. O Governador do Estado, Helder Barbalho, destacou a importância em promover o setor do cacau e a produção de derivados e de chocolate do Pará, fortalecendo a imagem do Estado responsável pela maior produção de cacau do Brasil, além de atrair novos investimentos com subsídios, para que as empresas paraenses do setor possam realizar negócios e parcerias, além de divulgar o Pará como destino para negócios comerciais e turísticos.

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ESPECIAL

FESTIVAL DO CHOCOLATE Com a sua primeira edição em 2009, em Ilhéus, o Festival Internacional do Chocolate e Cacau chega à sua sexta edição na Amazônia com um histórico de sucesso, consolidando-se como um dos mais importantes eventos de agronegócio, turismo e gastronomia do Pará. Propõe um modelo único no mundo, já que apresenta toda a cadeia produtiva do cacau ao chocolate, com os melhores chocolates de origem do Brasil. O evento recebeu, nos seus quatro dias no Centro de Convenções do Pará - HANGAR, 40 mil visitantes de vários muncípios paraenses, produto42 www.cacauamazonia.com.br

res de cacau, investidores, estudantes, pesquisadores, empresários, e público em geral, em busca de negócios, cultura, capacitação, diversão e muito chocolate. Durante o evento foram promovidos cursos e palestras, uma grande Feira com exposição de chocolate, derivados de cacau, produtos da cadeia e entidades públicas e privadas, reunindo uma série de atividades culturais, exposições de arte, espaço educativo para crianças, ateliê do chocolate e shows com artistas regionais e nacionais. O governador parabenizou a todos que acreditam e investem

no potencial do Estado do Pará neste segmento. “Meu agradecimento a cada um que abriu o estande para mostrar seu produto. Que enfrentam adversidades, mas buscam agregar valor, e fazer do cacau, da amêndoa, um produto pronto para o consumo. Que exemplos como esses possam cultivar tantos outros a construir, junto com a gente, um Estado mais forte, um Estado melhor”, destacou Helder Barbalho, acrescentando que “ao produtor familiar, a todos, de maneira indistinta, fazem do Pará, com muito orgulho, o maior produtor de cacau do Brasil, um exemplo e um orgulho para a sociedade”.


Fotos: Marcelo Seabra/ Ag. Pará

PRODUTOR MUNDIAL Para o presidente da FAEPA, Dr. Carlos Fernandes Xavier, “em 2008, quando a Federação lançou o Projeto Preservar, que constituía uma proposta concreta para alavancar o desenvolvimento do Estado em bases sustentáveis, tendo como eixo a consolidação e modernização do agronegócio, referenciado, de um lado, nas indicações do Zoneamento Ecológico-Econômico e na otimização do uso das áreas já antropizadas e, de outro, na inovação e no desenvolvimento científico e tecnológico. A meta era expandir e modernizar a produção agropecuária mediante a otimização de áreas abertas, dispensando-se o avanço sobre a floresta

A meta era expandir e modernizar a produção agropecuária mediante a otimização de áreas abertas, dispensando-se o avanço sobre a floresta nativa, nossa proposta já contemplava tornar Pará o primeiro produtor de cacau em nível nacional, e agora a nossa expectativa é galgar o patamar de maior produtor de cacau do mundo.

nativa, nossa proposta já contemplava tornar Pará o primeiro produtor de cacau em nível nacional, e agora a nossa expectativa é galgar o patamar de maior produtor de cacau do mundo. De fato, a cultura do cacau se expandiu para todas as outras regiões do Estado, e dada as nossas excepcionais condições físicas e geográficas, com tipos de solos apropriados, energia solar o ano inteiro, chuvas regulares e bem distribuídas, disponibilidade hídrica, temperatura média variando entre 26º a 33º, e sem ocorrência de geada, não tenho dúvida de que chegaremos lá”, enfatiza Carlos Xaver.

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ESPECIAL

Termo de Intenções, firmado via Sedeme, envolvendo o Sistema Fiepa e o Centro de Indústrias do Pará, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) PROTOCOLO O governo do Estado por meio de parcerias com órgãos, como Sistema Fiepa, Sistema Faepa, Ceplac e Emater, incentiva o desenvolvimento cada vez maior da produção de amêndoa de cacau no Pará. Neste sentido, Helder Barbalho assinou dois Protocolos de Intenções e um Termo de Intenções destinados a incentivar a produção local com vistas ao desenvolvimento econômico do Estado. Os protocolos envolvem a BTM Ltda e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), em parceria público-privada (PPP), para fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria alimentícia paraense, e ainda o Banco do Estado do Pará (Banpará) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a partir de então credenciada pelo agente financeiro para 44 www.cacauamazonia.com.br

operação de crédito. Já o Termo de Intenções, também firmado via Sedeme, envolve o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e o Centro de Indústrias do Pará (CIP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em convênio de cooperação técnico-científica para realização de ações conjuntas de qualificação profissional, tecnologia e inovação voltadas ao desenvolvimento de setores produtivos prioritários nas regiões de Integração do Pará. “Será um grande passo para o desenvolvimento do nosso estado, pois como somos grandes produtores de amêndoa, não podemos ficar atrás das outras regiões que já fazem o produto final. Esse termo assinado entre Governo e Indústria demonstra o quanto estamos ali-

Já o Termo de Intenções, também firmado via Sedeme, envolve o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e o Centro de Indústrias do Pará (CIP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em convênio de cooperação técnico-científica para realização de ações conjuntas de qualificação profissional, tecnologia e inovação voltadas ao desenvolvimento de setores produtivos prioritários nas regiões de Integração do Pará.


Fotos: Marcelo Seabra/ Ag. Pará

Assinatura do Termo de Intenção com o Projeto Chocolate de Origem: Dinamização da Cadeia Produtiva do Cacau do Estado do Pará, iniciativa da FAEPA-SENAR/PA, CEPLAC e da SEDAP. nhados em um projeto comum, que é ver o Estado do Pará se destacar não só pela sua matéria-prima de qualidade, como também por produtos de valor agregado, que possam competir com os de outras regiões nacionais e internacionais”, destacou o presidente da FIEPA, José Conrado Santos. O diretor regional do SENAI e superintendente regional do SESI, Dário Lemos, explicou que as instituições estão preparadas para esse novo desafio. “O SESI entra nessa parceria com toda a sua experiência em educação e em saúde e segurança do trabalhador da Indústria e o SENAI entra com a capacitação dessa mão de obra que será necessária para uma produção verticalizada, além de contribuir com seu portfólio em inovação e tecnologia, que serão fundamentais para garantir a competitividade dessa indústria”, ressaltou.

O Governador do Estado, enfatizou seu empenho em garantir um ambiente de negócios propício, fruto do talento da população, e afirmou que há um planejamento, em plena execução, da atividade rural que garante titulação de terra, a fim de promover segurança jurídica aos produtores, e investimento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) para ampliar a produtividade dos trabalhadores. “Para que possamos produzir mais no mesmo território compatibilizando as nossas vocações rurais com a preservação da floresta, demonstrando claramente que nós temos, sim, solução de equilíbrio sustentável para que a Amazônia seja florestada, preservada; para que os amazônidas tenham o direito ao emprego, à renda, a serviços, a uma vida com plena dignidade”, declarou o governador.

O diretor regional do SENAI e superintendente regional do SESI, Dário Lemos, explicou que as instituições estão preparadas para esse novo desafio.“O SESI entra nessa parceria com toda a sua experiência em educação e em saúde e segurança do trabalhador da Indústria e o SENAI entra com a capacitação dessa mão de obra que será necessária para uma produção verticalizada, além de contribuir com seu portfólio em inovação e tecnologia, que serão fundamentais para garantir a competitividade dessa indústria”, ressaltou.

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Foto: Carlos Pará

ESPECIAL

Chocolat São Paulo 2019- Governador Helder Barbalho, em São Paulo, proferindo palestra POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O CACAU para profissionais do setor

Iran Lima, Secretário de Estado e Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) enfatiza sobre a verticalização e industrialização da amêndoa de cacau, ressaltando a importância da SEDEME no envolvimento da política de fortalecimento da cacauicultura no Pará, integrado com as secretarias estaduais. “Fazemos este evento grandioso para mostrar a nossa potencialidade de cacau e chocolates para todo o Estado do Pará e para o Brasil. O Pará pode ser um grande celeiro do cacau mundial e ter um desenvolvimento melhor para os paraenses. Os dados com relação a verticalização da produção do cacau ainda são muito insignificantes, temos 0,5% da produção verticalizada em nos46 www.cacauamazonia.com.br

"A gente fica muito feliz como promovedor de um festival como esse, quando observa que a nossa sociedade paraense começa a dar grande importância a produção do cacau aqui do Estado, que é uma das maiores do mundo. Mais de 40 mil pessoas passaram pelo Hangar em quatro dias de festival, superando as expectativas da organização. Sem dúvida, o evento é um grande incentivo a produção de cacau no Estado, que é o maior produtor do Brasil. Estamos mostrando que temos de melhor e investindo em um plano de desenvolvimento para a verticalização".

so Estado. Quando a gente olha o contexto de quanto ainda podemos avançar em desenvolvimento econômico, envolvendo todas as entidades econômicas que pensam não apenas na produção da matéria prima e aprimoramento delas, verificamos que estamos no estágio inicial, apenas começando nesse processo. Na SEDEME pensando no futuro da cacauicultura no Pará, trabalhamos em conjunto com diversas entidades representadas da produção do cacau entre elas, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC, a Federação das Indústrias - FIEPA, a Federação da Agricultura - FAEPA o SEBRAE e outras entidades que também planejam o futuro da cacauicultura e na verticalização da


Foto: Carlos Pará

LimaChocolatier - SEDEME Chocolat São Paulo 2019- Rubens Magno (SEBRAE/Pará, Governador HelderIran Barbalho, Fábio Sicilia, Iran Lima (SEDEME) produção do cacau, em conjunto e de mãos dadas possamos superar essa situação de atraso econômico e ser referência na produção de matéria prima e de produtos derivados do cacau. Neste sentido, o governador Helder Barbalho, vem delegando atribuições dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, priorizando a atração de investimentos, ou seja, se nós temos uma capacidade evolutiva elevada é importante que se instale indústrias na nossa região” declara Iran Lima. Agregação de valor - O titular da Sedeme, Iran Lima, confirmou ainda que há indústrias se instalando no Estado com capacidade produtiva de 18 mil toneladas,

e isso significa novos negócios. “A apresentação da agregação de valor é muito importante. Nós já somos os maiores produtores de amêndoas do País, com 130 mil toneladas por ano, e estamos na dianteira dessa produção, mas precisamos fazer mais. O Estado tem que ser atrativo para a indústria do chocolate, e estamos trabalhando nisso”, ressaltou o secretário. A SEDEME conduz a política de desenvolvimento econômico do Pará, para todos os segmentos empresariais, e fortalece o empreendedorismo. “Além da Política de Incentivos Fiscais, que tem como principal finalidade beneficiar projetos que atendam aos objetivos estratégicos do gover-

no e estejam alinhados com as diretrizes das cadeias produtivas prioritárias, que a médio e longo prazo tornarão a economia paraense mais forte e diversificada, a Sedeme desenvolve iniciativas de estímulo ao setor produtivo, como o incentivo ao empreendedorismo, criando oportunidades de divulgação e comercialização para os produtos locais. É essa a concepção dos festivais”, destacou Iran Lima. Grande parte das empresas produtoras de chocolate no Pará exporta sua produção, mas o consumo local vem aumentando, e há, também, uma ótima aceitação em São Paulo (SP), Estados Unidos e países da Europa. www.cacauamazonia.com.br 47


ESPECIAL

P

ara Marcos Lessa, coordenador do evento: “Quando começamos a fazer o festival de chocolate no Brasil, ainda era incipiente a participação profissional e o mercado de cacau fino no Brasil e quando começamos a participar do evento em Paris que apresenta o mapa do cacau fino do mundo, isso em 2013, percebemos que nenhum chocolatier utilizava em suas produções o cacau do Brasil pois não estávamos preparados para o mercado externo e de um tempo para cá uma política de qualidade vem sendo desenvolvida em conjunto com diversas instituições e atores. Apesar da produção estar concentrada em apenas 03 estados brasileiros praticamente, Pará, Bahia e o Espírito Santo, melhorar a qualidade da amêndoa e agregar valores na produção (produzir nibs, líquor, manteiga, chocolate em barra e em pó, bombons, ...) é o caminho para sair da commodite e atingir o nível gourmet que exige inovação, tecnologia e financiamento. Hoje, quando voltamos à Paris, constatamos que pelo menos 10 marcas utilizam cacau brasileiro da Bahia, do Pará ou do Espírito Santo que por duas vezes ganhou a excelência no prêmio de melhor cacau do mundo com a marca do João Tavares e agora temos um concorrente do Pará, entre os finalistas no International Cocoa Awards 2019, vindo de Uruará, da Fazenda Panorama. As amêndoas selecionadas

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tipo exportação ampliam o interesse do mercado e empresas como a Barry Callibaut tem aumentado seu interesse em comprar amêndoas brasileiras. Frequentar o Salão de Paris é perceber o trabalho na verticalização e na agregação de valor no Pará seguindo a linha do chocolate de origem, e isso devemos muito a parceria do Sebrae, do Centro Internacional de Negócios - CIN e da APEX. Chegamos a um estágio de dar um salto e já temos produtos que são exportados no padrão bean to bar, chocolate

de origem, e agora a nova conceituação tree to bar. Em Portugal pela proximidade do mercado europeu ainda há pouco consumo sobre o cacau e chocolate brasileiro. E em 2020 o Festival estará presente também no Chocolate Experience, em Portugal. Com relação ao mercado asiático, só a China consome 0,5 kg de chocolate por pessoa ao ano. Se conseguirmos aumentar um décimo desse consumo na China já elevaríamos nossa produção. Isso com tecnologia, inovação sempre pensando em produ-


PROJEÇÃO INTERNACIONAL Cassandra Lobato, representando a Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN) com produtores locais, parte da comitiva paraense presentes na 24ª edição do Salon du Chocolat em Paris, 2018, responsáveis por apresentar a produção e a diversidade de sabores do Pará.

tos de qualidade. O mundo busca por uma qualidade de vida e por um padrão de saúde orgânico saudável com preservação ambiental, o mundo enxerga as novas linhas das marcas com novos produtos como é o caso da Nestlé e da Cacau Show que lançam produtos com mais cacau e com o Selo de Origem Cacau do Brasil, percebem que o mundo está mudando e tem mercado para todo mundo. Os Salões são uma grande vitrine e com destaque a esses produtos que tem uma história, uma origem, tradição. Sem dúvida são valores agregados apreciados pelos consumidores de diversos países. No Brasil temos que despertar esse interesse dos 60 mil produtores, somados com os da Bahia e do Pará, a trabalhar com esse padrão, de forma natural e espontânea, de forma consciente, em função do amadurecimento do mercado e da necessidade de produzir derivados do cacau para ampliar a margem do lucro desses produtores pois enquanto 01 kg da amêndoa custa 10 reais, o kg do Nibs custa R$ 60,00 e o Kg do chocolate pode chegar até R$ 300, 00, pensando assim a margem de lucro é muito maior. Para Ubiracy Fonseca Presidente da Associação, Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados – ABICAB “passamos por um momento único em que podemos construir muitas coisas juntos. A ABICAB nesses 03 anos de trabalho também pensa diferente no sentido de agregar valor à produção do cacau e participar dos eventos relacionados ao cacau e ao chocolate, seja no Brasil

Os Salões são uma grande vitrine e com destaque a esses produtos que tem uma história, uma origem, tradição. Sem dúvida são valores agregados apreciados pelos consumidores de diversos países. No Brasil temos que despertar esse interesse dos 60 mil produtores, somados com os da Bahia e do Pará, a trabalhar com esse padrão, de forma natural e espontânea, de forma consciente, em função do amadurecimento do mercado e da necessidade de produzir derivados do cacau para ampliar a margem do lucro desses produtores pois enquanto 01 kg da amêndoa custa 10 reais, o kg do Nibs custa R$ 60,00 e o Kg do chocolate pode chegar até R$ 300, 00, pensando assim a margem de lucro é muito maior.

Foto: Carlos Pará

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ESPECIAL Produção, Consumo Aparente, Exportação e Importação (Incluindo Achocolatados em Pó) em volume (Mil Ton.)

800 700 600 500 400 300 200 100 0 Produção Consumo Aparente Exportação Importação

2014

2015

2016

2017

2018

784 777 29 23

740 748 25 33

710 709 28 26

630 859 27 256

671 786 35 150

Variação 2018/17 6,5% -8,5% 32,3% -41,3%

Variação 2018/2014 -14,3% 1,1% 20,1% 546,6%

Obs: Solicitamos o questionamento dos dados de importação para a Receita Federal. Fonte: Associados / ComexStat Elaboração: Abicab

ou no exterior. Na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau estamos presentes em reuniões e discussões sobre o setor, todos juntos somos mais sólidos. O governo do Pará pode fazer com que essas oportunidades imensas do cacau, altamente demandado no mundo inteiro, possa aumentar consideravelmente seu consumo, em países da América do Sul trabalhando através do Marketing para fomentar o consumo interno e noutros países. Atualmente o brasileiro consome 2.5 kg de chocolate e já chegou consumir 2,8 Kg. Perdemos toneladas no mercado interno por uma demanda reprimida. A ABICAB junto com a APEX trabalham para aumentar nossa participação no mercado externo e cada vez mais os produtos brasileiros são bem aceitos 50 www.cacauamazonia.com.br

Ubiracy Fonseca - Presidente da Associação, Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados – ABICAB

como países da Ásia e podemos fazer muito mais um com plano em que podemos agregar valor e ver o que cada um pode contribuir para fazer com que o empresário tenha suas próprias pernas. Uma economia aberta precisa ter consciência disso e além da produção das grandes indústrias que exportam 200 mil caixas de bombons em forma de commodites, precisamos dar apoio a fabricação do chocolate premium, gourmet onde está a essência da inovação e das tecnologias que tem um percentual crescente na produção brasileira. Temos que pensar algo maior que é o Brasil quando estamos nesses eventos que valorizam o chocolate de origem. Nós da ABICAB estamos totalmente engajados, estamos no mesmo barco para juntar esforços e bus-


Exportação - Chocolate Dados em USD Milhões Quênia

0,2 27,5

Argentina 16,0 17,8 14,1 16,3 11,2 14,8

Paraguai Uruguai Bolívia Chile

Equador México Colômbia Estados Unidos Peru Costa Rica Cuba Japão República Dominicana

Exportação - Chocolate Dados em Volume Mil Toneladas

7,5 9,9

48,5 39,2

Quênia

5,3

Paraguai 3,0

Uruguai Bolívia

2,0 2,2

Chile México Colômbia Estados Unidos Peru Costa Rica Cuba Japão República Dominicana

2017

5,4

Argentina

Equador

2,4 5,1 2,0 5,1 3,0 5,0 2,8 3,5 2,4 3,0 0,3 2,2 0,7 1,4 0,9 1,4 1,1 1,1

0,1 0,1

0,2

3,6 3,6

7,6

6,0

5,1

0,8 0,4 0,9 0,4 0,8 0,5 0,6 0,7 0,8 0,1 0,4 0,2 0,4 0,4 1,0 0,4 0,5 2017

2018

2018

Fonte: ComexStat

car recursos e mostrar aos demais componentes da cadeia produtiva do cacau” declarou o presidente da ABICAB. RECONHECIMENTO Todo esforço em buscar a melhoria da amêndoa no Brasil, foi colhido. O reconhecimento do Brasil como produtor e exportador de cacau fino por critérios técnicos objetivos foram preenchidos. O reconhecimento foi dado pela Organização Internacional do Cacau em reunião realizada na Costa do Marfim. O dossiê aprovado que destacou as características do cacau brasileiro foi elaborado pela CEPLAC. A CEPLAC envolvida com o MAPA foram buscar essa conquista e reconhecimento de fato pelo ICCO e a outra coisa foi a percepção

do consumidor em reconhecer a qualidade do chocolate brasileiro e o interesse em adquirir um produto brasileiro, vontade de consumir marcas brasileiras. O desafio agora é como conseguir realmente escalonar e transformar essas marcas em grandes produtos, em grandes negócios, produtos competitivos que tem aderência são produtos em grande parte, cases de sucesso. Entender que modelo é esse. A exportação é uma estratégia e todo esforço vem sendo feito nesse sentido, junto com o Centro Internacional de Negócios - CIN, APEX, o SEBRAE, o CIC, o Senai e o SENAR, e outros, tem a capacidade de dar suporte ao produtor melhorar e tornar a qualidade do cacau e derivados mais competitiva e

assim poder escalonar a produção e as vendas de empresas que tem mercado. A necessidade de capacitar o produtor em cacau fino e de chocolate gourmet é a melhor forma de pulverizar essa produção e dar maior capilaridade. Estratégia fundamental e importante para agregar valor do cacau é incrementar a cadeia produtiva e a maneira mais rápida que temos de melhorar a renda do produtor rural. E torcer para que projeto do senador Zequinha Marinho (PSC-PA), tramitando na Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC) que fixa percentual mínimo de 35% de cacau em chocolate e derivados seja aprovado.

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ESPECIAL

José Maria Mendonça - Vice-Presidente do Sistema Fiepa, José Conrado Santos - Presidente do Sistema Fiepa; Dário Lemos - Superintendente do SENAI / Fiepa Segundo o presidente do Centro de Indústrias do Pará (CIP), José Maria Mendonça, a realização de ações conjuntas com o Governo do Estado e a CEPLAC em prol da qualificação profissional, tecnologia e inovação voltadas ao desenvolvimento de setores produtivos prioritários nas regiões de Integração do Pará vai gerar um maior número de empregos, renda circulante e o surgimento de novas empresas industriais seja de pequeno, médio e grande porte tornando o Estado do Pará como polo de produção de cacau e derivados e muitos empregos diretos e indiretos que movimentam as indústrias 52 www.cacauamazonia.com.br

O CIP pode assumir também o papel de estudar problemas de interesse da classe produtora paraense e dar apoio não só às empresas, como também ao poder público, na busca de soluções para incrementar o setor. Para José Maria Mendonça, um dos maiores objetivos das entidades representativas da indústria local deve ser trabalhar não só por uma maior integração entre as empresas, mas também pela verticalização da produção industrial local. “Temos que ter a consciência da que o Pará tem como vocação a cacauicultura, mas que ainda precisamos traba-

lhar pelos produtos com valor agregado, com maior valor de mercado”, comenta José Maria, se referindo a dados como os da Balança Comercial do Pará, divulgada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico - SEDEME, que apresenta um dado alarmante no qual apenas 0,5% da produção de cacau do Pará é beneficiada no Estado. O CIP conta, atualmente, com 100 empresas industriais filiadas, heterogêneas, com representantes dos mais variados segmentos, da pesca, da siderurgia, do madeireiro, dos processadores de açaí, cacau e outros”, informa José Maria Mendonça.


Foto: Marcelo Seabra/ Ag. Pará

ACORDO DO SISTEMA FIEPA E GOVERNO DO ESTADO PARA VERTICALIZAR A PRODUÇÃO DO CACAU NO PARÁ

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ntes de abrir oficialmente a programação, Helder Barbalho, já no Hangar, recebeu membros da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que estão em Belém participando da Feira e para confirmar as intenções em firmar diversos tipos de parcerias com o governo. Eles aproveitaram a ocasião para convidar Helder Barbalho a participar em outubro, em Berlim, capital da Alemanha, da principal reunião da World Cocoa Foundation, entidade que tem como missão a catalização de PPPs (parcerias público-privadas) que acelerem a sustentabilidade do cacau.

Durante a audiência, o governador ouviu dos visitantes, todos presidentes de grandes empresas ligadas ao processamento do fruto, que a maior intenção é ter o Pará responsável por metade das 400 mil toneladas que a Associação pretende alcançar em compras nos próximos anos. Hoje, o Estado é responsável por 37% do cacau adquirido pela AIPC. Eles elogiaram a postura do governo estadual em insistir na sustentabilidade como o único caminho viável de desenvolvimento. Helder Barbalho sinalizou positivamente a todas as propostas, fazendo questão de deixar claro que todo o interesse do

Pará, em qualquer tipo de parceria, é totalmente vinculado à verticalização obrigatória da produção. "Queremos o protagonismo do Pará no plantio, mas também na verticalização. Já mostramos em diversas oportunidades que o ativo gerado é muito importante. É um grande desafio de todos os governos, e eu não me furtarei a tentar virar essa chave. Não podemos nos contentar apenas com a atividade primária", destacou.

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ESPECIAL

ESPAÇO CEPLAC

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"A força do cacau na região da Amazônia atraiu ao evento milhares de visitantes, dezenas de empresas expositoras e a participação de autoridades dos governos estadual e municipais e políticos, tais como deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores, além de dirigentes de várias instituições ligadas ao desenvolvimento rural.".

lhares de visitantes, dezenas de empresas expositoras e a participação de autoridades dos governos estadual e municipais e políticos, tais como deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores, além de dirigentes de várias instituições ligadas ao desenvolvimento rural. O trabalho da Ceplac no Estado do Pará consolida a produção de destaque no cenário nacional e internacional e crença na cacauicultura como fator de desenvolvimento regional. Aqui podemos fazer contato com produtores rurais e conhecer a gama de novos produtos e derivados do cacau feitos pelas empresas chocolateiras que se desenvolvem na região. Em seu Foto: Eva Teixeira Pinheiro

Ceplac marcou presença 6º Festival Internacional do Chocolate, a fim de levar informações da cacauicultura, da instituição e das novas técnicas para o plantio e produção de chocolate. A Ceplac se fez presente com a instalação de um moderno stand com produtos do cacau, fotografias adesivadas, distribuição de publicações técnicas, palestras sobre técnicas modernas de produção, questões fitossanitárias e prevenção de pragas Para a Superintende da CEPLAC, Maria Goreti Gomes, “a força do cacau na região da Amazônia atraiu ao evento mi-

Estande da CEPLAC - Demonstração da movimentação das amêndoas de cacau, desde a propriedade rural até a indústria, atraindo o público cativo do chocolate. 54 www.cacauamazonia.com.br


pronunciamento, Maria Goreti Gomes ressaltou o compromisso permanente da Ceplac na geração de tecnologia para elevar a produtividade do cacaueiro, a exemplo do recente lançamento de novos clones produtivos e resistentes às doenças. Goreti Gomes também prestou informações sobre o momento atual da Ceplac e seus desafios, ressaltando “o esforço que fazemos para equacionar problemas de ordem orçamentária e financeira e de pessoal da instituição”. Goreti Gomes também deu ênfase à necessidade do estabelecimento de parcerias entre as instituições da região, tais como Sistema FAEPA, que Demonstração- Técnico da Ceplac, Geraldo Costa na demonstração de enxertia e preparo de sementes para plantio. www.cacauamazonia.com.br 55

Foto: Eva Teixeira Pinheiro

Família CEPLAC - Alguns dos integrantes da equipe que sempre fez e faz da Ceplac (Pará e Amazonas) uma grande família.


Foto: Alex Ribeiro/ Ag. Pará

ESPECIAL

Existem joias de excelência escondidas aqui no Pará. Estou impressionada com as amostras. Elas são incríveis. Têm aroma e um sabor únicos. O Pará tem potencial para o chocolate intenso, de sabor agradável, e isso é só um exemplo dos diferenciais daqui’’, reiterou Adriana Reis.

Amigo do Cacau - Adriana Reis, gerente de Qualidade e Relacionamento do Centro de Inovação do Cacau, recebendo o prêmio de amiga do cacau pela Dra. Goreti Gomes da CEPLAC.

vem sendo nosso principal parceiro no Estado, no Sistema FIEPA, universidades, prefeituras, cooperativas para o desenvolvimento da cacauicultura, citando a importância do cacau em seus vários aspectos produtivo, econômico e cultural. Adriana Reis, doutora em Biotecnologia, gerente de Qualidade e Relacionamento do Centro de Inovação do Cacau, parabenizou o estado do Pará pela qualidade positiva de notas frutadas. “A cada ano as marcas evoluem, as amostras revelaram um perfil muito interessante que valoriza o cacau do Pará como um grande potencial de origem de cacau no Brasil”, ressaltou. ‘Excelente qualidade’ - A qualidade, o sabor e o aroma do ca-

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cau paraense impressionaram a doutora em Biotecnologia Adriana Reis, gerente de Qualidade e Relacionamento do Centro de Inovação do Cacau, com sede em Ilhéus, na Bahia, e uma das palestrantes do Festival Internacional do Chocolate e Cacau. “Se o Brasil ganhar em Paris um prêmio que seja, será valiosíssimo para o País. O Pará tem amostras de excelente qualidade’’, frisou Adriana Reis. Ela comentou que o cacau paraense vem se caracterizando como um cacau suave, com notas cítricas muito elevadas, amendoadas. “Ele tem uma certa adstringência, mas uma adstringência aveludada. Essa constituição é muito interessante, e o mercado demanda

bastante’’, acrescentou a biotécnica. “Existem joias de excelência escondidas aqui no Pará. Estou impressionada com as amostras. Elas são incríveis. Têm aroma e um sabor únicos. O Pará tem potencial para o chocolate intenso, de sabor agradável, e isso é só um exemplo dos diferenciais daqui’’, reiterou Adriana Reis. O Centro de Inovação do Cacau funciona há três anos com laboratório próprio, voltado à qualidade da amêndoa, fazendo uma espécie de ponte entre quem produz e compra cacau de qualidade.


Foto: Mateus Costa /SEDAP

Capacitação - Produtores participaram de um minicurso de Defesa Fitossanitária de Cacau, na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Capacitação Técnica (Camila Botelho /SEDAP) - O reconhecimento foi dado pela Organização Internacional do Cacau em reunião realizada na Costa do Marfim. Dossiê aprovado que destacou as características do cacau brasileiro foi elaborado pela Ceplac. Produtores participaram de um minicurso de Defesa Fitossanitária de Cacau, na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), no sábado (21). O objetivo foi de orientá-los sobre boas práticas para saberem lidar com o fungo, Moniliophthora perniciosa, a vassoura-de-bruxa. O minicurso foi realizado de forma prática, com instruções do técnico da Ceplac, Geraldo Costa e produtores, caminhando juntos pelo local e analisando problemas e debatendo

soluções. Geraldo explicou a importância do controle genético. No órgão, as plantas são estudadas por 20 anos e depois que ela vai a campo para a troca de semente. Por este motivo, é possível produzir materiais tolerantes a doença. A vassoura-de-bruxa pode dar na planta desde o viveiro. É indispensável o cuidado com o cacau que precisa ser podado de cima para baixo, a poda é a arquitetura da planta. Enquanto na Bahia, já aconteceu de a doença surgir no pé do cacau, aqui no Pará só começa de cima para baixo e o inseticida não é recomendável, pois após o crescimento da árvore, nem tudo estará com proteção. Os produtores aprenderam que é recomendável tirar a vassoura-de-bruxa durante o verão

e aqui na Amazônia, ela só se multiplica uma vez, já na Bahia, pode ocorrer três vezes, devido a temperatura e umidade. Existem quatro etapas importantes para o cuidado com o cacau. O controle genético, controle químico, controle biológico e o mais barato, o controle cultural que é base do facão para eliminar a praga da árvore. De acordo com o produtor Cristovão Soares que veio de Vila Nova Vida, a 150 km de São Felix Do Xingu, é importante esse curso para adquirir conhecimento para assim fazer uso para ensinar para as outras pessoas da região a melhor forma de cultivo para que o trabalho realizado não seja em vão.

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ESPECIAL

Medicilândia

1º lugar do concurso de

amêndoas de cacau

Cacau de qualidade - O Concurso Melhor Amêndoa de Cacau foi organizado pela CEPLAC, o concurso tem a intenção de promover o cacau de origem com alta qualidade. A seleção das amostras contemplou as fases de análise físico-química, realizadas no laboratório de classificação do Centro de Inovação do Cacau em Ilhéus bem como a análise química e sensorial de liquor.

O

produtor de amêndoas de cacau, Belmiro Faes, do município de Medicilândia, na Transamazônica, venceu o primeiro concurso de amostras mais bem avaliadas da edição 2019 do Festival Internacional do Chocolate e Cacau. O resultado saiu na terceira noite do evento, no Hangar - Centro de Convenções. Em segundo e terceiro lugares, ficaram os produtores Amadeu Coelho Braga e Hélia Félix Moura, respectivamente, da ilha de Cotijuba, e de Medicilândia. Hélia Moura é associada à Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica 58 www.cacauamazonia.com.br

(Coopatrans). A competição inédita na programação do evento teve 18 candidatos inscritos. O júri da competição reuniu profissionais especialistas em cacau e chocolate tanto do Centro de Inovação do Cacau, com sede em Ilhéus, na Bahia, como da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). De acordo com uma das juradas da competição, a doutora em Biotecnologia, Adriana Reis, gerente de Qualidade e Relacionamento do Centro de Inovação do Cacau de Ilhéus, a seleção das amostras contemplou as fases de análise físicoquímica, realizadas no

Foto: Carlos Pará

Por Valéria Nascimento (SEDEME)

Melhor Amêndoa do Festival da Amazônia - Robson Brogner -de Medicilândia (Pará).no Salon du Chocolat em Paris.


Foto: Eva Teixeira Pinheiro

VI Festival Internacional de Chocolate da Amazônia. Vencedores do concurso Melhor Amêndoa do Pará: 3 lugar: Hélia Félix (Coopatrans/CacauWay-Medicilândia); 2 lugar: Assoc. dos Produtores das Ilhas de Mocajuba (Representada pelo Sr. Amadeu Braga) e 1 lugar: Belmiro Faes, de Medicilândia, (Representado pelo seu genro, Sr. Robson Brogner). laboratório de classificação do Centro de Inovação do Cacau em Ilhéus bem como a análise química e sensorial de liquor, conforme ocorre em eventos já consolidados como o Salão de Chocolate de Paris e também no I Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, em fevereiro de 2019, em Ilhéus. A biotecnóloga afirmou que a ideia é fortalecer cada vez mais os concursos regionais para que eles funcionem como seletivas para os nacionais e esses para os mundiais. "Por

vezes, o produtor não tem o conhecimento técnico que a amostra dele é boa, ele ainda comete alguns erros na hora de enviar as amostras, fato. Então, esse concurso regional é uma seletiva para se saber quais são as melhores amostras. Esses três vitoriosos, de agora, têm de mandar suas amostras para o nacional e eles têm chances de ganhar'', enfatizou ela. Ela se impressionou com as amostras paraenses da cacaicultura brasileira. "Tem muitas joias escondidas aqui.

O que a gente percebeu como um todo é que são amostras de excelente qualidade, algumas ainda precisam focar para corrigir defeitos mas têm muito potencial aromático. O cacau do Pará vem se caracterizando como um cacau suave com notas cítricas, amendoadas, florais. Ele tem uma certa adstringência aveludada. E essa constituição é muito interessante e o mercado demanda bastante’’, opinou a biotécnica do Centro de Inovação de Ilhéus. www.cacauamazonia.com.br 59


ESPECIAL

Associação dos Produtores da Ilha de Mocajuba

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Foto: Carlos Pará

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Associação dos Produtores da Ilha de Mocajuba esteve representada no Salon do Chocolat 2019 em Paris por Amadeu Braga e Maria Tindade. Amadeu é um cacauicultor tradicional de Mocajuba e possui plantações em Mocajuba e Cametá. Mocajuba, banhada por um dos maiores rios brasileiros, o Rio Tocantins é um município do Estado do Pará, na Região do Baixo Tocantins, considerada uma das 50 melhores cidades para se viver. De acordo com o pesquisador da CEPLAC Fernando Mendes, “os agroecossistemas naturais das várzeas do Tocantins são apontadas como uma das mais tradicionais zonas produtoras de cacau do Estado do Pará, desde o período colonial. No contexto da microrregião do Baixo Tocantins, o polo tem sua área mais representativa nos municípios de Cametá, Mocajuba, Igarapé Miri, Limoeiro do Ajuru e Baião, abrangendo uma área de 7.500ha de cacaueiros, cultivados por 800 famílias, com produção em torno de 2.500t de amêndoas secas de cacau/ano” explica o pesquisador . Mocajuba está na região de produção de cacau mais antiga do Estado, o cacauicultor deste polo tem na sua formação étnica o índio, o europeu e o negro. São ribeirinhos, que vivem do agroextrativismo, o que confere um perfil de multifun-

Amadeu Braga e Maria Trindade Produtores de cacau de Mocajuba no Salon du Chocolat em Paris


Foto: Carlos Pará

Estamos entrando em uma nova era para cacau de Mocajuba que nos faz descobrir todo o potencial e os prazeres que sua diversidade genética, seu aroma, seu terroir fazem o diferencial para a produção do chocolate fino. Alguns chocolatierers renomados vão em Mocajuba procurar nosso cacau para fazer esse chocolate gourmet. Amadeu Braga - produtor rural, representando os produtores de Mocajuba com Luiz Serra, Embaixador do Brasil na França.

cionalidade na exploração da propriedade, aspecto que reforça seu nível de convivência em equilíbrio com a natureza. Diferente dos demais polos, onde se pratica a cacauicultura paraense, as lavouras de cacaueiros do baixo Tocantins são formadas a partir de sementes de cacau nativo da própria região. Tipicamente exploradas em sistemas agroflorestais naturais, as lavouras são estabelecidas à sombra da floresta nativa, a partir de concentrações de cacaueiros nativos adensados pelos ribeirinhos, em consorciação com outras espécies de valor econômico (seringueira, andirobeira, pupunheira, açaizeiro, taperebazeiro etc.). Para Amadeu Braga “participar mais uma vez do Salon do Chocolat em Paris serviu para mostrar que a qualidade da nossa amêndoa veio superior.

Estamos entrando em uma nova era para cacau de Mocajuba que nos faz descobrir todo o potencial e os prazeres que sua diversidade genética, seu aroma, seu terroir fazem o diferencial para a produção do chocolate fino. Alguns chocolatierers renomados vão em Mocajuba procurar nosso cacau para fazer esse chocolate gourmet. Voltamos com a missão de continuar a aumentar a conscientização dos produtores de cacau de produzir amêndoas de qualidade, de forma orgânica e sustentável, de aprender a valorizar o sabor e o aroma do nosso terroir e de promover a educação ao longo da cadeia produtiva do cacau. Temos como parceiros dessa missão a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira- CEPLAC, a qual combinamos com a Dra Goreti Gomes que vamos ceder um espeço fí-

sico estruturado para funcionar uma sede no município. Somos parceiros do Dr. Carlos Xavier da FAEPA que vamos construir no município uma Escola - Indústria que além da assistência técnica aos cacauicultores vamos ter uma fábrica de fazer chocolate. Vamos participar da Associação dos Produtores de Cacau do Estado do Pará - ASCOA e vamos fazer a Cooperativa dos produtores de cacau do Baixo Tocantins para comercializar em escala de competividade nossa produção. E em parceria com o FUNCACAU vamos apresentar projetos que estimulem a melhoria da qualidade da nossa amendoa e estimule a verticalização da produção de cacau na região. Uma série de ações que vamos executar quando voltarmos ao Brasil e ao nosso querido torrão natal que é Mocajuba” declara Amadeu Braga. www.cacauamazonia.com.br 61


ESPECIAL

Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu - CEPOTX

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Foto: Carlos Pará

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Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu - CEPOTX que reúne 150 famílias de produtores em 06 cooperativas com uma produção anual de 900 toneladas, cultivadas em 915, 6 hectares dentro de uma área total de 5513,14 há esteve representada no Salon du Chocolat em Paris pelo produtor rural Jader Adriano da Silva Santos. Para o Jader “É muito importante a participação da CEPOTX no Salon du Chocolat em Paris divulgando nosso trabalho que atua na agricultura familiar. Toda nossa produção é orgânica, trabalhamos com o cacau em consórcio com o babaçu, açaí, castanha do Pará, cupuaçu, pimenta do reino e outras variedades locais no Sistema Agroflorestal que projeta a fauna e a flora e ajuda a recompor a paisagem natural das comunidades. Trabalhamos também com piscicultura, mas o carro-chefe é o cacau. Só que a gente quer dar um passo adiante, avançar, não quer apenas a amêndoa, a gente quer mesmo é o chocolate fino no futuro. Nossa produção de cacau é orgânica, utilizamos as sementes fornecidas pela CEPLAC, envolvendo os municípios de Pacajá, Brasil Novo, Altamira, Uruará e Medicilândia. Nosso objetivo é apresentar uma amêndoa de qualidade e

Jader Santos

Produtor Rural de Pacajá em Paris


Foto: Carlos Pará

Nossa produção de cacau é orgânica, utilizamos as sementes fornecidas pela CEPLAC, envolvendo os municípios de Pacajá, Brasil Novo, Altamira, Uruará e Medicilândia. Nosso objetivo é apresentar uma amêndoa de qualidade e participar numa oportunidade muito bom um conhecimento muito grande e participar desse evento é muito gratificante. Jader Santos - produtor rural, representando a CEPOTX no Salon du Chocolat em Paris (França) visita o Museu do Chocolate .

participar numa oportunidade muito bom um conhecimento muito grande e participar desse evento é muito gratificante. Agradecemos a parceria com a CEPLAC, o Governo do Estado do Pará, através da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Pará – SEDAP, através do FUNCACAU, a Rede CIN, ABICAB, Apex Brasil a todos envolvidos nessa Missão Comercial. O resultado foi muito proveito onde fechamos parcerias e vendas, inclusive um caso de exportação que já tínhamos iniciado no Brasil fechamos aqui em Paris no Salon du Chocolat Morador de Pacajá, no sudo-

este paraense e cerca de 600 Km de Belém, o agricultor familiar Jader Adriano da Silva Santos, integra o grupo de cinco cooperativas da Transamazônica representado no Festival de Ilhéus. Ele contou que a ideia das cooperativas é ganhar força e dispensar, por exemplo, a figura dos atravessadores que acabam ficando com a maior remuneração da produção. “Vou dar só um exemplo, o quilo da amêndoa do cacau sai a R$ 9,50, se a gente negociar com o atravessador, pela nossa cooperativa, o produtor consegue R$ 16’’, disse.

“Temos três caminhões. Estou feliz de estar aqui aprendendo, ainda bem que esse novo governo do Pará está junto com a gente’’, frisou Jader Santos, que desde a última terçafeira (16), participa em Ilhéus da missão oficial do Pará, em visitas às fazendas e empresas baianas, conhecendo as tendências atuais, processos produtivos e novos modelos de negócios.

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ESPECIAL

COOPER 147

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Foto: Carlos Pará

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Cooperativa Mista Agropecuaria Km 147 (Cooper147) esteve em Paris (França) no maior evento de cacau e chocolate do mundo. O produtor rural de Uruará, Cornélio Stange representou a Cooper147 no 25º Salon du Chocolat em Paris na Comitiva do Governo do Estado patrocinada pelo FUNCACAU. Para ele, “a importância de participar do evento serviu para ampliar nosso horizonte e fortalecer nossa imagem institucional. O intercâmbio que tivemos com outros países e com compradores em potencial foi um aprendizado muito grande que vamos levar para a vida toda. Agradecemos ao Governo do Estado do Pará, ao Sistema FIEPA e a Rede CIN, a CEPLAC, que estão de parabéns com essa Missão. A CEPLAC em especial é um órgão muito importante para nós que nos auxilia tecnicamente para o plantio e para o desenvolvimento dos cacaueiros da nossa região, sendo nosso guia e o nosso norte. O novo governo federal deve olhar com muito carinho para essa instituição estratégica. A Cooper147 é nova, fica a 7 Km da Transamazônica, temos em média 2 milhões e meio de pés de cacau numa área com alta produtividade chegando a ter um rendimento de 2 a 2,5 Kg por planta. Estamos melhorando a qualidade de nossa amêndoa, implantamos máquinas de fermentação, de secagem, centrifugagem, para encontrar um mercado melhor que pague mais por essa amêndoa de qualidade que produzimos” declara Cornélio Stange.

Cornélio Stange

Produtor Rural de Uruará em Paris


FAZENDA PANORAMA Representantes da Família Gutzeit na abertura do Salão do Chocolate em Paris (França), recebendo o certificado de cacau de excelência na 10ª Edição do International Cocoa Awards que premia cacau de excelência no mundo. Família Gutzeit - Elcy, Helton e Eunice Gutzeit em Paris recebendo certificação do International Cocoa Awards

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Fazenda Panorama, localizada no município de Uruará, no sudoeste paraense, uma das pioneiras no Pará no cultivo de cacau desde os anos 1970, está entre as melhores amêndoas do mundo, classificados para a 10ª Edição do International Cocoa Awards que premia cacau de excelência no mundo, certifica o cacau paraense, cacau híbrido distribuído pela Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), como de excelente qualidade entre os 50 melhores produtores do mundo mostrando que o cacau paraense é de excelente qualidade podendo concorrer ao mercado internacional favorecendo o melhor chocolate do planeta. Em recente análise realizada pela Ceplac, foi constatado que o cacau da Fazenda

Panorama, na Transamazônica tem uma excelente qualidade em sua manteiga o que favorece para a feitura do chocolate. Isso favorece o Brasil no Agronegócio do cacau para exportação. O Programa Cacau de Excelência (CoEx) é o ponto de entrada para os produtores de cacau participarem do International Cocoa Awards (ICA), uma competição global que reconhece o trabalho dos produtores de cacau e celebra a diversidade de sabores de cacau. Esta é uma oportunidade única para promover o cacau e a diversidade de alta qualidade a nível nacional e celebrar as habilidades e o conhecimento dos homens e mulheres que o produzem de vários países produtores de cacau ao prêmio anunciado no dia 30 de outubro, na abertura do Salão do Chocolate em Paris.

FAZENDA PANORAMA A Fazenda Panorama pertence a FAMILIA GUTZEIT, originária da Alemanha , imigrada no Brasil no início do século 20 com chegada na Amazônia em meados de 1960, onde ERVINO GUTZEIT deu início ao cultivo de cacau e expansão da fazenda. Localizada no coração da Floresta Amazônica no sudoeste do Pará, com uma área de 2027.6441 hectares, sendo 250 hectares de plantio de cacau e outras culturas como cupuaçu, açaí, banana e pastagem. A fazenda tem várias nascentes além do Rio Magú e Rio do Padre que cruzam a fazenda. O acesso terrestre é pela Rodovia Transamazônica BR-230. Conexões aéreas pelos aeroportos de Altamira e Santarém.

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ESPECIAL

Tuerê conquista

quase todos os prêmios de

Chocolate de Origem da Amazônia

Chocolate de qualidade - O Concurso Melhor Amêndoa de Cacau foi organizado pela CEPLAC teve quatro especialistas compondo o júri técnico, Maria Fernanda de Giacobbi, embaixadora do Cacau da Venezuela, fundadora das marcas Cacao de Origem e KaKao Bombones Venezolanos, Chloé Doutre-Roussel, consultora e especialista em Chocolate Tasting, Jesus Souza, doutor em ciência de alimentos pela Universidade Católica de Louvain, Bélgica e a técnica em alimentos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Neide Alice Pereira, o resultado foi unânime.

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Chocolate de Origem, produzido no Assentamento Tuerê, localizado no sudeste paraense a 400km da capital, no município de Novo Repartimento, em parceria com a cooperativa COOPERCAU, a CEPLAC, a ONG Solidaridad e a Casa Lasevicius, foi destaque do 6º Festival Internacional do Chocolate da Amazônia, realizado no Hangar - Centro de Convenções em Belém do Pará promovido pelo Governo do Estado do Pará, através da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará. A marca Tuerê conquistou quase todos os prêmios de Chocolate de Origem da Amazônia. Ao todo, 25 marcas que usam o cacau do Pará participaram do 66 www.cacauamazonia.com.br

Por Carlos Pará concurso. Para vencer, era necessário seguir os seguintes critérios: Para o chocolate ao leite bean to bar, seria preciso ter entre 35% até 50% de sólido de cacau e o chocolate bean to bar intenso era necessário ter 60% até 85%, ser produzido por expositores pelo festival Chocolat Amazônia 2019 e em países que compõem a Amazônia Internacional da Torra, até a Têmpera e amêndoa de origem rastreável. Com quatro especialistas compondo o júri técnico, Maria Fernanda de Giacobbi, embaixadora do Cacau da Venezuela, fundadora das marcas Cacao de Origem e KaKao Bombones Venezolanos, Chloé Doutre-Roussel, consultora e especialista em Chocolate Tasting, Jesus

VENCEDORES Categoria chocolate bean to bar ao leite:

-1º lugar: Valdomiro, Casa Lasevicius, de Tuerê - 2º lugar, Rosilene, Casa Lasevicius - 3º lugar, Gutzeil Chocolates, de Uruará.

Categoria chocolate bean to bar intenso:

- 1º lugar, Chiquinho, Casa Lasevicius - 2º lugar, Valdomiro, Casa Lasevicius - 3º lugar, Rosilene, Casa Lasevicius, todos de Tuerê.


Foto: Mayra Castro/Solidaridad Brasil

Tuerê é um dos maiores assentamentos de pequenos produtores rurais pertencente ao município de Novo Repartimento que fica a 560 km de Belém, na região da Rodovia Transamazônica. Souza, doutor em ciência de alimentos pela Universidade Católica de Louvain, Bélgica e a técnica em alimentos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Neide Alice Pereira, o resultado foi unânime. Adriana Reis, doutora em Biotecnologia, gerente de Qualidade e Relacionamento do Centro de Inovação do Cacau, parabenizou o estado do Pará pela qualidade positiva de notas frutadas. “A cada ano as marcas evoluem, as amostras revelaram um perfil muito interessante que valoriza o cacau do Pará como um grande potencial de origem de cacau no Brasil”, ressaltou.

ASSENTAMENTO TUERÊ

O Assentamento do Tuerê, foi criado em 1987, como parte do Plano de Ocupação da Região Norte do país pelo governo brasileiro. O modelo de ocupação da região se baseou na exploração intensiva da terra e dos recursos naturais disponíveis da região. O Alto nível de desmatamento tornou urgente a mudança das práticas de manejo do solo entre os moradores do Tuerê. Foi nesse momento que iniciou a parceria com a ONG Solidaridad no projeto Territórios Inclusivos e Sustentáveis na Amazônia utilizando o cacau como forma de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos pequenos produtores que o cultivam. Da mesma forma, permite implementar sistemas

de produção altamente sustentáveis, contribuindo para uma agricultura diversificada e de baixo carbono. A ONG Solidaridad fornece Assistência Técnica e Capacitação para boas práticas agrícolas, educação financeira, ambiental e social. E na área de comercialização, apoia o produtor rural a vender sua produção. Por conta do resultado do Concurso de Chocolate e de Amêndoa, o Governador do Estado, Helder Barbalho, proporcionou passagem e estadia para uma viagem à negócios para participar do Salon du Chocolat em Paris/França onde lançaram 13 marcas de chocolates de origem produzidos com amêndoas da região.

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Foto: Marco Santos/ Agência Pará

ESPECIAL

O governador Helder Barbalho com os produtores da Comunidade de Tuerê em Novo Repartimento APOIANDO NOVAS LINHAS DE COMÉRCIO A produção de chocolate é uma grande oportunidade para aumentar a renda dos produtores de Novo Repartimento, porque o mercado de bean to bar paga melhor do que a venda das amêndoas in natura, em média cinco vezes mais, e contribui para o desenvolvimento social das famílias e a preservação ambiental da região. O trabalho em parceria com a Solidaridad é baseado em capacitar produtores com conhecimento especializado sobre o potencial de mercado de suas amêndoas e como as práticas agrícolas afetam sua qualidade. O governo do Pará convidou a Solidaridad para participar de seu estande no Salon du Chocolat em Paris para apresentar os chocolates a potenciais compradores. “Trabalhamos com 150 famílias dentro do assentamento de Terras Tuerê, na produção do 68 www.cacauamazonia.com.br

cacau. Temos uma parceria forte com a CEPLAC na qual todos os produtores que trabalhamos usam sementes provenientes da CEPLAC. A meta é produzir amêndoas de qualidade para fabricar chocolate e agregar valor à produção em parceria com a ONG Solidaridad e a Casa Lasevicius que tem tradição em produzir chocolates bean-to-bar em pequenos lotes, a partir de técnicas tradicionais e artesanais. Sua produção começa na seleção e compra das amêndoas de cacau direto dos agricultores, que vêm fermentadas e secas, e então são torradas, quebradas e sopradas até serem retirados apenas os nibs. Depois são refinadas e conchadas em moinho de pedra, onde se adiciona apenas açúcar, no caso do chocolate escuro, e leite, no caso do chocolate ao leite. O chocolate é um alimento que envolve na sua elaboração

as etapas de fermentação, torrefação e refinamento, que oferecem inúmeras possibilidades na atribuição de gostos e aromas. Das 13 marcas levadas ao Salon du Chocolat em Paris, cada cor das embalagens representa um produtor ou um sabor, levamos 10 sabores amargos acima de 70% de cacau e 3 sabores de 50% cacau ao leite. Então cada produtor escolhido tem uma marca de chocolate e possui uma cor diferente, seja azul, amarelo, vermelho, laranja, lilás, verde, ou outra tonalidade de cor, com o nome do produtor e do sítio dele. Em cada chocolate desses há sabores frutados que caracterizam os sabores de manga, graviola, menta, castanha, abacaxi, ou outro sabor, tanto os de 70% como os de 50%. Pode-se ter notas frutadas, amadeiradas, florais entre outras, e tudo isso sem adicionar nada mais além do que cacau e açúcar orgânico. Os chocola-


Foto: Carlos Pará

REPRESENTAÇÃO NO SALON DU CHOCOLAT EM PARIS 2019 Francisco Cruz representou os produtores de cacau do projeto ‘Territórios Inclusivos e Sustentáveis na Amazônia’ no maior evento de chocolates do mundo na capital francesa

tes produzidos artesanalmente e em pequena escala oferecem um rico e diversificado leque de possibilidades, aromas e sabores. O chocolate produzido com nossas amêndoas, podemos denominar "de origem”, produzido a partir do cacau com o Terroir da Região de Tuerê. A Casa Lasevicius que proporcionou todo esse know-hall da origem Tuerê. A Casa Lasevicius nos os conhecemos no Festival do chocolate da Amazônia, em 2016 em Belém. Eles gostaram da nossa amêndoa e levaram para São Paulo, dando certo nossa parceria até hoje. No ano de 2018 nós só tínhamos um produtor que deu conta de fazer uma amêndoa de excelência. Agora em 2019, conseguimos mais 09 produtores que fizeram amêndoa de excelência. A nossa prospecção para 2020 é ter pelo menos 20

a 25 produtores do projeto que façam amêndoas de qualidade que representem Origem Tuerê ou o Terroir Tuerê para colocar no mercado e com isso gerar mais renda ao produtor e superar o preço colocado em bolsa de valores padronizado pelas grandes multinacionais”, declara Pedro Santos, consultor técnico da Solidaridad. Francisco Cruz representou os produtores de cacau do projeto ‘Territórios Inclusivos e Sustentá-veis na Amazônia’ no maior evento de chocolates do mundo na capital francesa Pelo segundo ano consecutivo, um produtor familiar de cacau do projeto Territórios Inclusivos e Sustentáveis na Amazônia, promovido pela Solidaridad Brasil desde 2015 no Pará, teve a oportunidade de levar o chocolate produzido com as amêndoas do Tuerê ao Salon du Chocolat (Salão do Chocolate) de Paris.

Ao se envolver com os visitantes, Francisco Cruz, um dos vencedores do concurso de chocolates finos do 6º Festival Internacional do Cacau em Belém e, por isso, foi convidado pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Estado do Pará a participar do Salão de Paris, percebeu a importância de seu papel na fabricação de chocolate de alta qualidade e agora de querer seguir os passos da inovação no trabalho de melhoramento das amêndoas. “Queremos vir aqui no futuro e fazer com que as pessoas provem nosso chocolate e possam reconhecer nossa origem e qualidade. O maior desafio agora é aumentar a capacidade de produção, mantendo uma alta qualidade a longo prazo”, declara o produtor rural Francisco Cruz.

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ESPECIAL

A

Cooperativa Agroindustrial da TransamazônicaCOOPATRANS

Cooperativa Agroindustrial da TransamazônicaCOOPATRANS surgiu em 2010 com a união de 40 produtores de cacau da agricultura familiar. Desde o início eles vêm verticalizando a produção do cacau, contribuindo assim para a melhoria dos processos produtivos da lavoura cacaueira, gerando renda, colaborando na fixação das familias no campo e auxiliando na conservação da foresta. Desta forma, à base de muito trabalho, com o esplendor da floresta ao seu redor, surgiu a primeira fábrica de chocolate da Amazônia: a Cacauway. Acreditar que é possível criar uma marca que se preocupe com o desenvolvimento da Amazônia e com a dignidade de suas comunidades é a máxima que norteia a COOPATRANS. COOPATRANS E CACAUWAY A cooperativa detém no mercado a marca Cacauway, agregando valor ao produto primário e dando retorno aos cooperados. A Indústria tem em seu portiforio de produtos: trufas, tabletes e cacau em Pó; as trufas produzidas possuem sabores diferenciados, destacandose as de Açaí, Castanha do Pará, Cupuaçu, Geleia de Cacau e Nibs, por serem sabores regionais. Também é produzido massa de cacau com teores diferenciados, 30%, 50%, 52,% 65% e 70%, respec-

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Rita Patrícia

Produtora de cacau de Medicilândia no Salon du Chocolat em Paris


tivamente, sendo tabletes de 20g e 600g, produz cacau em pó de 100% e 50%. Além desta produção diretamente dentro da indústria, há o incentivo para que as mulheres sócias ou esposas de sócios produzam, a partir do subproduto extraído do cacau, o mel, iguarias como a geléia, licor e rapadura que são diretamente comercializadas na indústria e distribuídas às lojas que fazem o repasse final ao consumidor. Para a produtora Rita Patrícia “O cultivo de cacau dos cooperados e fornecedores da COOPATRANS tem sua fertilidade embasada no solo de terra roxa que permeia a região de Medi-

cilândia. A coorepativa desenvolve pesquisas junto à entidades parceiras para aprimorar a qualidade e a produtividade dos frutos, desenvolvendo e utilizando técnicas modernas de seleção de matrizes, plantio, manejo e colheita, tudo baseado na sustentabilidade e na preservação da floresta. Tanto a Fermentação das sementes quanto a secagem passam por um processo de aprimoramento da qualidade da produção e depois ainda tem a classificação das melhores amendoas para a fabricação do chocolate. Aqui no Salão do Chocolate

de Paris 2019, o público pode perceber nosso chocolate de aroma intenso, com notas frutadas e florais de essências da Floresta Amazônica, fundo marcante, acidez suave, livre de conservantes e aromatizantes artificiais, assim é o surpreendente Chocolate produzido pela CACAUWAY: puro e autêntico como seu povo” declara Rita Patrícia.

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ESPECIAL

Nayah Chocolate

Foto: Carlos Pará

“O Salon du Chocolat em Paris 2019 foi um sucesso. O evento reuniu as melhores marcas de chocolate do mundo e nós estávamos lá, num estande bem destacado onde podemos demonstrar a grandiosidade do cacau no Estado do Pará e a qualidade do nosso chocolate de origem que vem das nuances de sabores, caraterísticos de cada região do estado, de cada terroir”. Salon du Chocolat 2019 - Ana Celeste representando a Nayah Chocolates no Salon du Chocolat em Paris 2019.

A

NAYAH Sabores da Amazônia tem por missão produzir e comercializar produtos alimentícios de alto valor agregado e qualidade a partir de matérias-primas Amazônicas, com foco em produtos de cacau, chocolate e similares, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região. A empresa originou-se de projeto acadêmico para valorização da biodiversidade Amazônica, comunidades e profissionais locais, cultura e saberes tradicionais, submetido à competição internacional de empreendedo72 www.cacauamazonia.com.br

rismo sustentável promovida pela UNESCO, em abril de 2014. Em novembro de 2014, o projeto foi agraciado com o prêmio Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente na Categoria Suporte ao Desenvolvimento Regional, e, em agosto de 2015, foi aceito ao Programa de Incubadora de Empresas da Universidade Federal do Pará, onde a empresa fica localizada. Em setembro de 2015 a 1a linha de produtos NAYAH Sabores da Amazônia foi lançada durante o 3o Festival Internacional do Cacau e Chocolate da

Amazônia. A escolha do nome NAYAH inspirou-se na lenda da vitória-régia, símbolo da biodiversidade e riqueza cultural da Amazônia. O logotipo da marca remete à transformação dos frutos do cacau e cupuaçu em chocolates, à natureza e ao penacho indiígena de NAYAH, índia que, segundo a lenda amazônica, apaixonou-se pelo reflexo da lua nas águas do rio e transformouse no lírio aquático, pelo Deus da lua, Yaci. Liderada pela Engenheira de Alimentos pós-graduada em Ciência e Tecnologia de Alimentos Luciana Ferreira Centeno,


Foto: Carlos Pará

NAYAH Chocolate -

Luciana Centeno, fundadora da marca de chocolates artesanais Nayah no Salon du Chocolat em Paris 2018.

Ph.D. (Cornell University, 2013), a NAYAH Sabores da Amazônia opera sob estrita exigência de qualidade, confiabilidade e responsabilidade sócio-ambiental na produção para levar as delícias da natureza amazônica até você.a a produzir até 1500 quilos de chocolate por dia. A Amazônia Cacau atualmente possui uma linha com 70 produtos e oferece gerenciamento completo de toda a cadeia produtiva, cuidando dos produtos do início ao destino final. “Para Ana Celeste, representante da NAYAH, “ O Salon du Chocolat em Paris 2019 foi um sucesso.

O evento reuniu as melhores marcas de chocolate do mundo e nós estávamos lá, num estande bem destacado onde podemos demonstrar a grandiosidade do cacau no Estado do Pará e a qualidade do nosso chocolate de origem que vem das nuances de sabores, caraterísticos de cada região do estado, de cada terroir. Nosso proposito está verticalizar a produção de cacau do nosso Estado que é o maior produtor do fruto no Brasil e trabalhar num processo bean to bar, que envolve desde a colheita do fruto até a produção e comercia-

lização do chocolate A minha filha Luciana Centeno, que dava aula na Universidade Federal do Pará, aproveitou o espaço para tirar a ideia do papel. Fundou a Nayah, empresa especializada na produção de chocolates artesanais. A empresa foi selecionada para incubação da universidade. Neste processo, todos os fornecedores são paraenses, do cacau ao design de embalagens. Neste sentido, ajudamos a fomentar a economia interna”, declara Ana Celeste.

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ESPECIAL

GAUDENS Chocolate A Família Sicília inova e lança a marca de chocolate GAUDENS no mercado de luxo com um produto feito somente de iguarias brasileiras, agregando ao Gaudens, criou a Castella, creme semelhante à Nutella, com ingredientes orgânicos, vindos de Santa Isabel (PA) e Tomé Açú (PA) à base de cacau e castanha-do-pará e que não leva leite na composição. Chocolat São Paulo 2019 - Fábio Sicília no Festival Internacional do Chocolate e Cacau em São Paulo 2019.

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ábio Sicilia, nascido em uma familia de restaurateur, iniciou suas atividades em restaurante aos 15 anos após sua emancipação, fez o curso de gastronomia no ICIF (Italian Culinary Institute for Foreigners), Sommelier pela AIS (Associazione Italiana Sommelier), chocolatier pela Lenôtre Paris, pesquisador associado da Bionorte, membro da Academia Brasileira de Gastronomia, hoje dedicado as Bebidas, ao Cacau e Chocolate além de pesquisas sobre a gastronomia. Começou suas atividades 74 www.cacauamazonia.com.br

no mundo do chocolate logo após chegar do curso de Chef na Italia, em 2004, quando iniciou suas incursões pela Transamazônica e levantamento do cacau de várzea no Pará e nesse mesmo ano Fundou, em sociedade, a primeira Fábrica de Chocolate bean to bar artesanal no estado. Hoje a frente da Gaudens chocolate, nome inspirado no seu entendimento sobre chocolate, palavra latim significa orgasmo (no sentido puro, divino), utiliza seu conhecimento e experiência para fundir ingredientes e culturas em forma de

chocolates, levando o apreciador a um verdadeiro Gaudens Gaudio (Alegria). Foi o idealizador e realizador da fusão entre castanha do Pará e Cacau utilizando como liga açúcar orgânico, batizada como Castella, é um dos produtos mais finos e cobiçados da Gaudens chocolate. Pensando nos atletas criou uma linha Fit, onde se destacam a cripioca uma mistura de cacau 71% com farinha de tapioca crocante gerando um chocolate crispy ideal para atletas, mas também não poderia deixar de lado o açaí que combinado ao


Foto: Dri Lima

Angêla Sicília - A Chef Ângela Sicilia, foi uma das representantes de Belém nos encontros das Cidades Criativas da Unesco

cacau 71% gerou um produto batizado de super frutas é uma excelente pré-treino, existe na versão barra e cripioca onde é feita a inclusão de farinha de tapioca crocante, todos sem glúten e sem lactose compostos por duas super frutas. E para Os Amantes de um Gaudens ao leite, o mestiço é um chocolate ao leite com alto teor de cacau onde a baunilha é substituída por Cumaru e a versão 53% Cacau ao leite é uma explosão de sabor possui também sua versão crispy com a inclusão de tapioca crocante a Cripioca 53% Cacau ao leite.

E não poderia deixar falar do chocolate branco que recebe seu toque regional não só pela manteiga de cacau mais por sua essência de Cumaru e também possui sua versão crispy Cripioca, utilizando nossa tapioca crocante lembrando de citar sua procedência a cidade de Irituia-Pa. Para finalizar por enquanto Para finalizar por enquanto fica a dica do cupuaçu ao leite na versão chocolate branco, um verdadeiro creme de cupuaçu, e na versão cacau 53% sem leite, o verdadeiro bombom de cupuaçu.

A Chef Ângela Sicilia, foi uma das representantes de Belém nos encontros das Cidades Criativas da Unesco, um na China, em Parma (Itália), e Dénia (Espanha) e vem difundindo os sabores amazônicos além da floresta ganhando notoriedade internacional pela competência que vem sendo representada.

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ESPECIAL

Da Cruz Chocolate “Aos poucos fomos entendendo a importância dos processos envolvidos: fermentação, torra, moagem, refinagem, conchagem e temperagem. Hoje estamos produzindo em pequena escala, um produto artesanal da Amêndoa à Barra. Temos como objetivo um produto saudável e de qualidade, apenas cacau, açúcar e muita dedicação”.

Da Cruz Chocolate - Pedro Melo Cruz representando a Da Cruz Chocolate no Salon du Chocolat em Paris 2019

O

chocolateiro Flávio Cruz, agrônomo de formação, nascido no interior com forte relação com campo. Já cultivava cacau e açaí há mais de 15 anos. Como sempre, teve uma boa relação com a cultura do cacau, de uma forma muito natural caminhou para a produção do chocolate. Assim surgiu o projeto Da Cruz Chocolates. Uma mescla única de terroir, produção artesanal e gente dedicada, produz o chocolate que oferece uma Amazônia de sabor e experiências!

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“Às margens do rio Ubá do município paraense de Mojú, nossa propriedade é totalmente legalizada. Contamos com o trabalho de alguns funcionários gozando de todos os direitos trabalhistas. Temos inteira harmonia com a comunidade do entorno a nossa área, principalmente com os produtores de farinha. Cultivamos mandioca, e comercializamos com eles. Usamos apenas 30% da área total da propriedade, com uma agricultura sustentável, agroflorestal consorciando culturas como cacau, açaí, castanha do

Pará, enriquecida de espécies florestais, livre de agrotóxicos. Deste ambiente brota o nosso cacau que a família Da Cruz faz os chocolates com os melhores padrões produtivo, sociais e ambientais. Um chocolate VEGANO com apenas cacau e açúcar demerara. O processo tree to bar (árvore a barra) garante o controle rigoroso em todas as etapas de produção, da coleta dos frutos ao moinho de pedra e ressalta as características naturais do chocolate.


Da Cruz O chocolateiro Flávio Cruz, agrônomo de formação, nascido no interior com forte relação com campo. Já cultivava cacau e açaí ha mais de 15 anos. Como sempre, teve uma boa relação com a cultura do cacau, de uma forma muito natural caminhou para a produção do chocolate. Assim surgiu o projeto Da Cruz Chocolates.

Família Da Cruz - A família Da Cruz faz os chocolates com os melhores padrões produtivo, sociais e ambientais.

Vendo a necessidade de agregar valores ao nosso cacau iniciamos um pequeno projeto para produção de chocolate. Começamos a nos aprofundar neste assunto, foram muitas dificuldades em informações e também em adquirir equipamentos. Começamos em 2014 na cozinha de nossa casa, de uma forma bem artesanal. Aos poucos fomos entendendo a importância dos processos envolvidos: fermentação, torra, moagem, refinagem, conchagem e temperagem. Hoje estamos produzindo em

pequena escala, um produto artesanal da Amêndoa à Barra. Temos como objetivo um produto saudável e de qualidade, apenas cacau, açúcar e muita dedicação. Já em forma de barra o produto está pronto para encantar o mundo, uma experiência que a família Da Cruz passa a tornar tradição: um chocolate de origem produzido totalmente na Amazônia, delicioso, intenso e único. Gostaríamos de agradecer aqui todo o apoio que temos tido do Governo do Estado,

através das instituições FIEPA/CIN, FAEPA, SETUR, SEDAP, SEDEME, SEBRAE e PCT-APEX PARÁ, PEIEX BRASIL. Com o apoio do SEBRAE estaremos participando do SALOON DU CHOCOLAT em Paris na França em 29/10/2019 à 03/11/2019 Hoje temos tido muito apoio das associações que fazemos parte, juntos ficamos mais fortes. Associação de Chocolate Origem Pará. Associação Bean To Bar Brasil” declara Pedro Cruz .

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FAEPA / SENAR

Projeto Escola Indústria Verticalização da Produção - O projeto Escola-Indústria desenvolvido pelo Sistema Faepa/Senar foi criado para capacitar o produtor rural paraense de cacau. O projeto é inovador, idealizado para agregar valor ao cultivo do cacau e incentivar o produtor rural a investir na produção de chocolate, foi destaque da participação do 6º Festival Internacional do Chocolate.

A

cacauicultura paraense tem se revelado uma das melhores alternativas agrícolas para região, tanto do ponto de vista econômico, como social e ambiental. De acordo com a CEPLAC, a lavoura cacaueira, em termos potenciais, poderá responder no ano de 2019 por uma arrecadação de tributos (ICMS) da ordem de R$ 127 milhões anuais e pela geração de mais de 318 mil empregos (formais e informais) diretos e indiretos . Baseada em sistemas agroflorestais (SAF), estabelecidos em solos de média a alta fertilidade, explorados predominantemente por pequenos produtores, a atividade cacaueira estadual revela-se uma das mais competitivas do mundo. Mesmo com um baixo apor78 www.cacauamazonia.com.br

Por Carlos Pará te de insumos, a produtividade média da lavoura no Estado gira em torno de 960 kg/ha, alcançando cerca de 1.000 kg/ha na região da Transamazônica onde, com muita frequência, registram-se produtividades acima de 2 mil kg/ha. Tais números mostram-se mais relevantes quando se comparam com as produtividades praticadas na região cacaueira da Bahia (300 kg/ha), ou com a de países como a Costa do Marfim (660 kg/ha) e Gana (550 kg/ha), respectivamente 1º e 2º produtor mundial de cacau. Tal desempenho, associado às características francamente preservacionistas da produção de cacau em sistemas agroflorestais, elege a cacauicultura como uma das mais interessantes alternativas agrícolas para o desenvolvimento rural

sustentável do Estado do Pará. Apesar de sermos o maior produtor de cacau do Brasil, exportamos 99,5% da nossa amêndoa. Neste sentido, a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará – FAEPA capitaneado pelo produtor rural, Carlos Fernandes Xavier, quer reverter esse quadro e implementar a industrialização do cacau no próprio Estado. E assim, também, sejamos responsáveis pelo beneficiamento do fruto e consigamos movimentar ainda mais essa cadeia produtiva do cacau e contribuir para o desenvolvimento do Pará. Além disso, ainda que o crescimento regular da safra anual seja uma das pontas da cadeia produtiva, a garantia do aumento da renda da população exige maior agregação de valor


Em um projeto revolucionário, o Sistema Faepa/Senar pretende transformar o Pará no maior produtor de cacau do mundo e maior produtor de chocolate do Brasil. Na foto, parceiros do Projeto Chocolate de Origem: Dinamização da Cadeia Produtiva do Cacau do Estado do Pará, o superintendente do SENAR/PA, Walter Cardoso; o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico (CODEC), Lutfala Bitar; o presidente do Sistema FIEPA, José Conrado Santos; presidente do Sistema FAEPA, Carlos Fernandes Xavier e o o presidente do Centro de Indústrias do Pará (CIP), José Maria Mendonça. por meio de transferência de tecnologia, assistência técnica gerencial e, principalmente, a verticalização da produção. No caso do cacau, em particular, o Pará encontra todas as circunstâncias naturais ideais para uma ampla ação de verticalização da produção, inclusive com mercado consumidor já existente. Conforme o Anuário Estatístico de Receitas do Estado (2015), o balanço de compras interestaduais mostra que foram importados R$ 174 milhões, de cacau em pó e chocolate em 2014.

Ou seja, estamos exportando amêndoas de cacau e também empregos, uma vez que as divisas geradas em outros Estados com a importação de derivados de chocolate poderiam ser largamente distribuídas internamente pelo estímulo a sua fabricação em solo paraense. Nesse contexto, com o objetivo de fomentar e alavancar a verticalização da cadeia produtiva do cacau, ampliando seus benefícios socioeconômicos, deu-se início ao Projeto Chocolate de Origem: Dinamização da

Cadeia Produtiva do Cacau do Estado do Pará, iniciativa da Federação da Agricultura do Estado do Pará (FAEPA), através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/ PA), Comissão Executiva do Plano Lavoura Cacaueira (CEPLAC) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (SEDAP).

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FAEPA / SENAR

Após a palestra técnica da chocolatier, Mirian Rocha, os participantes tiveram a oportunidade de participar de uma aula prática onde tiveram contato com maquinário para o aprendizado da produção de chocolate. PROJETO A iniciativa do projeto Escola -Indústria é desenvolvida pelo Sistema Faepa/Senar, em parceria com o Governo do Estado, através do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca – SEDAP, para orientar e capacitar o produtor rural, a fim de proporcionar independência para produção e comercialização do cacau paraense e assim se tornar o maior produtor mundial da amêndoa.”Se nós paraenses aproveitarmos nossas potencialidades, vamos ser protagonistas na transforma80 www.cacauamazonia.com.br

ção social da sociedade e na produção de alimentos”, afirmou o presidente do Sistema Faepa, Carlos Xavier. O projeto visa concentrar esforços para a implantação de unidades processadoras de amêndoa seca de pequeno porte para a produção de chocolate a partir da utilização de tecnologia alternativa, em particular nas principais regiões produtoras. Para o Superintendente do SENAR/PA Walter Cardoso, “a grande preocupação do SENAR é ir além da Assistência Técnica e induzir o produtor rural a verticalizar e agregar valor à sua produção. Estamos ensi-

nando novas tecnologias, boas práticas e os bons procedimentos técnicos para que o produtor rural possa desenvolver com sucesso o seu empreendimento agropecuário. No que concerne à cultura do cacau, nossa preocupação maior é desenvolver ações de capacitações e informações que possam agregar valor à produção desse trabalhador rural, produtor de cacau. Hoje, temos um programa de Assistência Técnica e Gerencial que o SENAR pode ajudar a melhorar a qualidade de vida. Em convênio e parceria com a SEDAP – Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Pará, através do Programa


A meta é aproveitar 60% da produção, verticalizando o cacau no Pará, criando emprego e renda. É um projeto inovador, sendo o primeiro do Senar/CNA em nível nacional.

José Raimundo do IMET, Maria Goreti Gomes, Superintendente da CEPLAC/SUPAM, Carlos Xavier presidente do Sistema FAEPA e o superintendente do SENAR/PA, Walter Cardoso; do FUNCACAU, estamos desenvolvendo o Projeto das Escolas Indústrias, direcionadas para a produção de chocolate, onde ensinamos o produtor e sua família a fazer todo o processo de fabricação de chocolate. Uma cadeia produtiva que vai desde o plantio, a colheita, a fermentação, a secagem e as etapas de industrialização. Essa parceria se amplia com as prefeituras municipais, com os Sindicatos de Produtores Rurais, e das grandes lideranças rurais. Atualmente, temos no Pará mais de 500 propriedades sendo atendidas dentro do nosso programa de Assistência Téc-

nica. No ano que vem, vamos ampliar esse programa, onde vamos estar trabalhando em 100 mil propriedades rurais por ano a nível de Brasil e no Pará vamos ampliar nossa meta de 500 para 3.000 propriedades envolvendo diversas cadeias produtivas, inclusive a cadeia do cacau, do açaí, da mandioca, do mel e da pecuária. É o SENAR chegando ao homem do campo pela Escola da Terra levando o saber, as boas práticas, informações diversas e necessárias. Esse é o compromisso do SENAR, estar vivamente empenhado em participar de todas as propostas que possam melhorar a condição de vida do

produtor rural. Além, disso temos a área de ensino formal, onde o SENAR forma técnicos de nível médio em cursos de 1.200 horas com 02 anos de duração, formando técnicos para a gestão do agronegócio, ministrados em 10 polos do Estado do Pará. No futuro, vamos ampliar os Cursos Profissionalizantes do ensino médio para faculdades do CNA/SENAR/FAEPA para que os produtores rurais possam ter seu diploma de Curso Superior de Ensino. No município de Santa Isabel do Pará estamos com a primeira turma da Faculdade onde 30 alunos já fizeram vestibular e agora abrimos mais uma turma para vestibular, onde tere-

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FAEPA / SENAR

O projeto se propõe a implantar três unidades piloto educativas para processamento de cacau aos estágios intermediários de NIBS, LIQUOR e final de CHOCOLATE mos a presença de novos alunos que queiram seguir carreira no Agronegócio, muitas vezes dando continuidade aos negócios da família e que vão efetivamente direcionar ao nível macro do agronegócio brasileiro. A meta é aproveitar 60% da produção, verticalizando o cacau no Pará, criando emprego e renda. É um projeto inovador, sendo o primeiro do Senar/CNA em nível nacional. Por isso, nosso principal objetivo é incentivar o produtor rural a receber conhecimento, e com isso também impulsionar o desenvolvimento do agronegócio no Estado”, destacou o superintendente do FAEPA/Senar, Walter Cardoso.

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UNIDADES O projeto se propõe a implantar unidades piloto educativas para processamento de cacau aos estágios intermediários de NIBS, LIQUOR e final de CHOCOLATE, a princípio, nos municípios de Medicilândia, na região do Noroeste Paraense, e Igarapé-Miri, na região do Baixo Tocantins. O projeto também prevê a instalação de mais quatro unidades piloto para a produção de chocolate nos municípios de Altamira, Cametá, Castanhal, além de uma unidade móvel para atender os municípios da região bragantina, metropolitana, Vale do Acará e região do Tocantins. Todas as ações são ofertadas com acesso às

linhas de financiamento de baixo custo, criadas pelo Governo do Estado. A presidente do Sindicato de Produtores Rurais de IgarapéMiri (Sistema FAEPA), Darlene Pantoja contou que os produtores rurais da cidade estão muito receptivos com a chegada da Escola-Indústria. “O baixo nível educacional da população paraense , particularmente no meio rural, são fatores que favorecem os baixos níveis de produtividade e salário no campo, e dificultam a absorção de novas tecnologias. De fato, a atividade agropecuária requer, cada vez mais, o domínio de técnicas e ferramentas que tem por base o conhecimento teórico e aplicado. Esse conhe-


A Faepa contratou a consagrada chocotatier brasileira, Mirian Rocha. A profissional dedicou-se ao estudo da arte da patisserie em Paris, numa tradicional escola de especialização de chefs, a Ecole Escoffier e, posteriormente, abriu um atelier nos arredores de Frankfurt, Alemanha, onde começou a ministrar cursos, seminários e concluiu uma pós-graduação em pedagogia aplicada à gastronomia.

Chocolatier Mirian Rocha cimento que o Sistema Faepa/ Senar está proporcionando ao produtor ajudará no desenvolvimento da produção do cacau do município, para colocar o agronegócio de Igarapé Miri em novos patamares e alavancar o processo de agregação de valor à sua produção” declara a produtora rural Darlene Pantoja. Para o secretário Hugo Suenaga da SEDAP, enfatiza o imenso potencial para alavancar e dobrar a produção cacaueira, “Temos as condições para plantar ainda mais. Nossa meta é dobrar essa produção em oito anos, mas de imediato já iniciar o beneficiamento, verticalizando este setor. O projeto Escola-Indústria engloba ações

que têm por escopo impactar positivamente na economia do Estado do Pará, mediante a geração de emprego, arrecadação e PIB “, projeta Hugo. Com o intuito de fomentar o cacau no Estado, o projeto Escola-Indústria prevê as seguintes iniciativas: • Criação de 250 Indústrias para Verticalização; • Formação, capacitação, assistência técnica; • Certificação; • Pesquisa & Desenvolvimento; •Organizações Sociais Produtivas.

CAPACITAÇÃO

A Faepa contratou a consagrada chocotatier brasileira, Mirian Rocha. A profissional dedicouse ao estudo da arte da patisserie em Paris, numa tradicional escola de especialização de chefs, a Ecole Escoffier e, posteriormente, abriu um atelier nos arredores de Frankfurt, Alemanha, onde começou a ministrar cursos, seminários e concluiu uma pós-graduação em pedagogia aplicada à gastronomia. Suas experiências permitiram a adição do chocolate às especiarias como temperos, azeites, queijos e vinhos. Atualmente, Miriam tem seu atelier de chocolateria fina e promove cursos de capacitação e serviços para empresas e eventos. www.cacauamazonia.com.br 83


FAEPA / SENAR

CHOCOLATE BEAN TO BAR da amêndoa à barra BENEFICIAMENTO A chocolatier explica que os produtores rurais vão aprender sobre o conceito Bean to Bar, uma tendência da chocolateria que significa da amêndoa à barra. “Em minha palestra faço um breve histórico sobre o cacau e falo sobre os tipos de cacau, porque consideramos importante enfatizar que existem mais de 100 tipos de amêndoas. Como estamos na terra do cacau, nada mais adequado do que receber esse incentivo do Sistema Faepa/Senar para verticalizar a atividade dos cacauicultores locais e agregar valor ao produto”, explica. “Trata-se de um projeto inovador, sendo o primeiro do Senar a nível nacional, que tem como objetivo incentivar o produtor 84 www.cacauamazonia.com.br

rural a receber conhecimento e, com isso, também impulsionar o desenvolvimento do agronegócio no Estado. É um projeto que movimenta toda uma cadeia, gerando emprego, renda e desenvolvimento para o povo paraense”. frisou Xavier. BEAN TO BAR Com o intuito de capacitar interessados em aprender sobre: cacau, qualidade, tecnologia de produção de chocolate artesanais em pequena escala e sensorial de chocolates de alto teor. O presente curso trará especialistas da área que possuem grande bagagem nos temas abordados. Esta iniciativa visa formar egressos capazes de realizar o consumo consciente de chocolate de alto va-

Com o intuito de capacitar interessados em aprender sobre: cacau, qualidade, tecnologia de produção de chocolate artesanais em pequena escala e sensorial de chocolates de alto teor. O presente curso trará especialistas da área que possuem grande bagagem nos temas abordados. Esta iniciativa visa formar egressos capazes de realizar o consumo consciente de chocolate de alto valor nutricional e elaborar chocolates a partir de amêndoas de cacau em pequenas escala, inclusive em nível, caseiro a partir de eletrodomésticos e pequenas melangers.


FLUXOGRAMA DA PRODUÇÃO DE CACAU FINO lor nutricional e elaborar chocolates a partir de amêndoas de cacau em pequenas escala, inclusive em nível, caseiro a partir de eletrodomésticos e pequenas melangers. A Escola-Indústria tem como foco ser um elo entre os produtores e o mercado, auxiliando no fortalecimento da cadeia. O objetivo é promover as origens de cacau paraense, comprovando de forma técnica a identidade deste produto tão singular e auxiliando os produtores das diversas regiões do Estado na qualificação e agregação de valor ao produto. Promovendo a qualidade, rastreabilidade, verticalização e a inovação tecnológica dos produtos de cacau e seus derivados.

No caso dos chocolates bean-to-bar artesanais, os produtores muitas vezes têm contato direto com os agricultores do cacau ou suas cooperativas durante o processo de escolha do cacau que vão utilizar. O chocolateiro, ou chocolate maker como é conhecido lá fora, pode acompanhar as etapas de processamento que acontecem nas fazendas (colheita, fermentação e secagem) e muitas vezes negociam preços acima do mercado de commodities para obter cacau de qualidade superior, frequentemente ajudando no desenvolvimento daquela comunidade para que esta qualidade seja alcançada.

Outro diferencial do chocolate bean-to-bar que vale a pena destacar é que é um produto bem mais puro que os chocolates comuns: os ingredientes frequentemente se limitam a apenas cacau e açúcar!

Sistema FAEPA / SENAR Walter Cardoso (91) 4008-5300 Trav. Dr. Moraes, n°21 - Edificio Palácio da Agricultura, 8° andar Belém - PA - CEP:66035 - 080

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MISSÃO COMERCIAL

EDIÇÃO : CARLOS PARÁ

Missão Comercial Salon du Chocolat em Paris 2019

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Foto: Revista Cacau Amazônia

Cooperativas, Associações, Produtores de cacau e derivados, empresários, industriais e diretores da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e da Bahia (FIEB) participaram da Missão Empresarial encaminhada à 25ª edição do Salon du Chocolat de Paris, maior evento do mundo sobre cacau e chocolate, realizada no período de 30 de outubro à 03 de novembro de 2019 na França. A Comitiva brasileira foi através do incentivo da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e de Investimentos) com a Rede Brasileira dos Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), a CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB), o Governo do Estado do Pará, o Governo do Estado da Bahia. No Pavilhão do Salon do Chocolate foi montado o estande Cacau do Brasil onde teve um showroom para a exposição de produtos brasileiros entre as marcas estiveram: O objetivo principal da Missão Comercial foi estimular a internacionalização do cacau fino e chocolate de origem. Além disto, serviu para prospectar oportunidades de negócios e formas de acesso aos mercados da França e da Europa como um todo; Ampliar a network de contatos e potenciais parceiros; Acessar novas tecnologias, cooperação e recursos voltados à inovação; Encontros de Negócios, com potenciais compradores, importadores e distribuidores nos mercados alvo; Workshops, conferências e encontros técnicos com especialistas no mercado; Visitas técnicas a fábricas, rede de lojas de chocolate gourmet, chocolatier e delicatessen; Evento promocional na Embaixada do Brasil para convidados do setor de cacau, chocolate e turismo. Durante o período da missão os empresários contaram com acompanhamento técnico de excelente qualidade.

Sobre o o Salon du Chocolat de Paris

Iniciado há 25 anos, o Salon du Chocolat, desde que foi criado apresenta os seguintes números: • 9,5 milhões de visitantes em 4 continentes (16 países, 32 cidades ao redor do mundo); • 210 edições ao redor do mundo; • 26.000 participantes, sendo 87% na França e 62% na Europa;

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MISSÃO COMERCIAL

Maria Goreti da Fonsêca Gomes, Coordenadora Regional da Superintendência de Desenvolvimento das Regiões Cacaueiras nos Estados do Pará e Amazonas, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação declara que “Sinto-me honrada em poder estar na comitiva brasileira, representando a CEPLAC, com o apoio do FUNCACAU, acompanhada de 8 produtores e um técnico Agropecuário Sr. João Alberto Vieira na 25ª edição do Salon du Chocolat em Paris, estes que estão na lida diária, nos rincões mais distantes da Amazônia, especialmente no Pará e especificamente na região da Transamazônica onde se localiza a maior produtividade de cacau do país. Esse resultado tem como base o esforço e dedicação permanente dos servidores da CEPLAC junto ao produtor rural durante décadas. O Brasil foi oficialmente reconhecido pela Organização Internacional do Cacau (ICCO) como país exportador de cacau fino e de aroma. Neste Evento temos a oportunidade de mostrar ao mundo a qualidade do nosso cacau e do nosso chocolate e ao mesmo tempo de conhecer os melhores produtores mundiais do setor. Mostramos o quanto já caminhamos e ainda podemos caminhar no mundo da cacauicultura paraense e, por conseguinte, a brasileira. Uma das missões da CEPLAC é promover a competitividade e a sustentabilidade dos seguimentos agropecuários para o desenvolvi88 www.cacauamazonia.com.br

No Museu de Chocolate de Paris


A missão da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA/ Ceplac) é promover a competitividade e a sustentabilidade dos seguimentos agropecuário, agroflorestal e agroindustrial para o desenvolvimento das regiões produtoras do cacau, tendo os produtores rurais e suas organizações como parceiros. A Ceplac desenvolve suas atividades nas áreas de pesquisa, extensão rural e ensino profissionalizante, vem desde a sua criação, acumulando grande número de conquistas. Melhorar a qualidade de vida nas regiões produtoras de cacau por meio da geração de trabalho, emprego e renda em bases sustentáveis. O trabalho da CEPLAC vai muito além da distribuição de sementes.

mento das regiões produtoras do cacau, tendo os produtores rurais e suas organizações como parceiros. Ao participar da 25ª edição do Salon du Chocolat em Paris podemos constatar a valorização do trabalho do cacauicultor paraense onde o mesmo também pôde verificar que nossas amêndoas tem competitividade no mercado externo. O Material Genético, as sementes híbridas, fornecido pela CEPLAC é o principal insumo de uma plantação de cacaueiros do nosso Estado, tanto que a melhor amêndoa premiada no 6º Festival do Chocolate da Amazônia é do produtor Robson de Medicilândia e da amêndoa que produziu o chocolate Tuerê é de Novo Repartimento que ganhou no Concurso de Melhor Chocolate de Origem no mesmo festival, todas as sementes são fornecidas pela CEPLAC. A cacauicultura paraense tem se revelado uma das melhores alternativas agrícolas, tanto do ponto de vista econômico, como social e ambiental. Ao agricultor que participa de um evento como o Salon do Chocolat de Paris abre-se um mundo novo onde cada vez mais vai querer a melhoria e a qualidade da sua amêndoa, por tudo isso, alguns dos desafios que temos a realizar são: incremento da produção de cultivos por meio do aumento da produtividade; dinamização dos arranjos produtivos visando a agregação de valor; estímulo aos processos educativos de organização e gestão da produção”, declara Maria Goreti da Fonsêca Gomes, Superintendente da CEPLAC. O apoio do Governo do Estado em apoiar eventos através de várias instituições parceiras é o desenvolvimento da cadeia produtiva da cacaicultura no estado fomentando a abertura de mercado externo a nossa produção de cacau e chocolate amazônico. Dulcimar Silva representando a SEDAP diz que “Se observa que a cada ano cresce a profissionalização dos produtores e a melhoria da qualidade do cacau ofertada.. As ações da SEDAP estão voltadas para promoção, divulgação, apoio a expansão com tecnologias apropriadas,em parcerias com vários órgãos como a CEPLAC, SENAR, FAEPA e outros”.

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COMITIVA BRASILEIRA EM PARIS EMBAIXADA DO BRASIL NA FRANÇA

O Pará tem atrativos naturais em todas as regiões do Estado. Essa biodiversidade tem valor estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Pará.

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urante o período do Salon du Chocolat em Paris houve uma programação paralela em que a Comitiva brasileira participou do evento na Embaixada do Brasil na França, recepcionada pelo embaixador Luiz Fernando Serra e pela Câmara de Comércio de Paris, articulação da REDE CIN / CNI onde foi apresentado o Pará e a Bahia para o Trade Turístico da França. Segundo Francisco Pantoja, diretor de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (DDICS) da SEDEME, que representou o Governo do Estado do Pará e proferiu a palestra de apresentação “O Estado do Pará por estar dentro 90 www.cacauamazonia.com.br

da Amazônia, uma das regiões mais lindas do mundo é cheio de mistérios e de encantos com um valor muito especial, não só o que ela representa como produto turístico mas pelo seu valor ambiental, social, cultural e tudo o que carrega de amazônico e de brasilidade dentro de si. Nós somos a porta de entrada da amazônia e conhecer o Pará é uma experiência ímpar, inigualável para qualquer turista do mundo” declarou Francisco Pantoja. O Pará tem atrativos naturais em todas as regiões do Estado. Essa biodiversidade tem valor estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Pará. Belém, a capital paraen-

se, concentra diversos espaços de eventos e entretenimento e serve de entrada para o turismo de negócios. A capital possui traços de uma Belle Époque correspondente ao período final do ciclo da borracha, que elevou a cultura local no âmbito cosmopolita seja no Theatro da PAz, no Mercado do Ver-o-peso, no Palacete Bolonha, nos detalhes arquitetônicos de diversos prédios históricos e casas. A Belle Époque de Belém, refletiu o Art Noveau na arquitetura e nos costumes da época em que a cidade se afrancesou colonisticamente falando em compasso com as artes e os costumes modelados na Europa, detalhe também referencia-


APRESENTAÇÃO DO BRASIL PARA O TRADE TURÍSTICO DA FRANÇA O Estado do Pará é maior produtor de cacau e melhor rendimento no plantio, com uma produtividade vidade média de 930kg por hactare, média inigualável em referência aos outros estados da federação

do por Francisco Pantoja. O Marajó é outro importante cenário turístico do Estado. Localizado na foz do rio Amazonas, é o maior arquipélago flúvio-marítimo do mundo. Os campos alagados, a produção rural e a presença de búfalos nas cidades, tornam a Ilha do Marajó um lugar propício ao turismo rural, ao ecoturismo e à pesca esportiva, segmentos prioritários da política de turismo do Governo do Pará. A região oeste do Pará com a presença de cachoeiras e formações rochosas, ideais para a prática de esportes de aventura e do ecoturismo. Além de Santarém, vários municípios da região possuem infraestrutura

turística e recursos naturais suficientes para atrair visitantes de outros estados ou países. Dentro da diversidade cultural do Estado do Pará, destacamse turisticamente: a religiosidade, através do Círio de Nazaré que com seus 15 dias de festa, leva mais de dois milhões de pessoas às ruas da capital em seu ápice, que ocorre no segundo domingo de outubro e atrai visitantes, regionais, nacionais e internacionais; as festividades folclóricas de todas as regiões; as heranças arquitetônicas do período colonial e a gastronomia reconhecida internacionamente são pontos fortes da identidade paraense.

PARÁ TERRA DO CACAU Outro ponto que o Diretor de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (DDICS) da SEDEME destacou foi que o Para é maior produtor de cacau e melhor rendimento no plantio. “Em setembro realizamos, o 6º Festival Internacional do Chocolate que aconteceu no Centro de Convenções do Estado do Pará - HAGAR, reunindo toda a cadeia produtiva do cacaueiro ao chocolate, além de firmar o Estado do Pará, região produtora de cacau de origem do Brasil, bem como promover o turismo e a cultura da produção do chocolate nas regiões produtoras. Tudo isso para fomentar a cadeia produtiva do cacau. www.cacauamazonia.com.br 91


MISSÃO COMERCIAL

A biodiversidade e potencial agropecuário dão ao Pará uma vocação para a produção de chocolate, o que deve ser alvo dos investimentos governamentais que incentivem a produção e divulgação do produto e seus derivados. “Potencializar o uso do cacau paraense é um dos desafios dos produtores locais em conjunto com as secretarias estaduais, e em parceria com o Sistema FAEPA, o Sistema FIEPA, o SEBRAE, e principalmente com a CEPLAC, porque ela fornece as sementes híbridas que formam os cacaueiros mais resistentes e com maior produtividade. No Pará a amêndoa é cultivada em regiões como a Transamazônica, responsável por 90% da produção estadual. O destino são estados brasileiros e rotas internacionais, como o mercado europeu. O fruto paraense possui teor mais alto de manteiga, o que em termos de qualidade o iguala ao padrão do mercado internacional. Atualmente a SEDEME estimula a formação de Arranjos Produtivos em outras regiões como o Baixo Tocantins e o Nordeste Paraense” enfatizou o diretor da DDICS/ SEDEME. Francisco Pantoja, também destacou a produção de cacau do município de Tomé Açu que recentemente conquistou o registro de Indicação Geográfica. “O grande diferencial do cacau de Tomé-Açu se deve pela forma como é cultivado, através da tecnologia Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA), um modelo exclusivo de agricultura susten92 www.cacauamazonia.com.br

tável na Amazônia, desenvolvido pela comunidade nipo-brasileira. Ele faz com que o cacau cresça em um ambiente que simula o de uma floresta nativa e ainda seja produzido de forma sustentável. Para o Deputado Estadual Eraldo Pimenta “Participar do Salão do Chocolate de Paris é uma oportunidade para representar a região da Transamazônica, o Estado do Pará e o Brasil em um evento de extrema importância para a cultura cacaueira. Sabemos que, o Salon du Chocolat de Paris já é considerado o maior evento de chocolate mundial que reúne toda a cadeia produtiva do cacau ao chocolate, derivados, aspectos e manifestações culturais e artísticas em torno desse rico produto agrícola, além de firmar a produção paraense de amêndoas no cenário internacional. Participar deste festival possibilitou novos conhecimentos, troca experiências

“Participar deste festival possibilitou novos conhecimentos, troca experiências e fortalecimento das relações com os produtores da Transamazônica, do Xingu, do Baixo Tocantins. Vimos neste festival a chance de mostrar como a cacauicultura paraense vem crescendo cada vez mais, contribuindo com o crescimento da economia local e nacional, valorização social por meio da geração de novos empregos. Recentemente realizamos Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará para debater o futuro da cacauicultura no Pará e firmar acordos de cooperação técnica e de financiamento”.


Embaixada do Brasil na França - Deputado Eraldo Pimenta e o Embaixador Luiz Serra

e fortalecimento das relações com os produtores da Transamazônica, do Xingu, do Baixo Tocantins. Vimos neste festival a chance de mostrar como a cacauicultura paraense vem crescendo cada vez mais, contribuindo com o crescimento da economia local e nacional, valorização social por meio da geração de novos empregos. Recentemente realizamos Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará para debater o futuro da cacauicultura no Pará e firmar acordos de cooperação técnica e de financiamento. Temos ideia do potencial produtivo do Estado e por isso, precisamos falar sobre isso e incentivar nossos produtores. O Estado do Pará é o maior produtor da Federação produzindo cerca de 4 % a mais do que a Bahia, por termos terras férteis, logística que foi colocado por Deus, estamos bem mais perto do mer-

cado consumidor da Europa e EUA. Nosso grande problema está no beneficiamento dessa produção pois apenas 0,5% é beneficiado no Pará. Estamos dialogando com o Carlos Xavier da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará - Sistema FAEPA e com a Dra Maria Goreti Gomes da CEPLAC sobre essa situação. Quando discutimos a produção claro que discutimos o progresso, não podemos ficar em nossa porta “a ver navios” levando nossas riquezas ou as condicionantes que não foram feitas. Não tenho dúvida da importância de investir no setor seja através do FUNCACAU, seja através das linhas de financiamento, de emendas parlamentares e o que for possível para alavancar o aumento da produção e a melhoria da qualidade do cacau no Pará. O Estado do Pará não tem quem segure, se avançarmos na questão da desburocrati-

Vimos neste festival a chance de mostrar como a cacauicultura paraense vem crescendo cada vez mais, contribuindo com o crescimento da economia local e nacional, valorização social por meio da geração de novos empregos. Recentemente realizamos Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará para debater o futuro da cacauicultura no Pará e firmar acordos de cooperação técnica e de financiamento. Temos ideia do potencial produtivo do Estado e por isso, precisamos falar sobre isso e incentivar nossos produtores. zação das linhas de crédito, o Banco da Amazônia, o Banco do Brasil e o Banpará agora com o FINEP, têm dinheiro e tem condições de ajudar a liberarem recursos para financiar o desenvolvimento. Por isso, na Audiência Pública assinamos um protocolo de intenções para garantir incentivo para os produtores de cacau e derivados no Pará. O objetivo é estruturar um plano de ação para potencializar a produção de cacau e definir como o Banco da Amazônia pode participar desse processo e ajudar nossos produtores. Outra questão fundamental que vamos debater no futuro é regularização fundiária que ainda é um sonho nosso, e vamos começar a reivindicar” declarou o Deputado Eraldo Pimenta. Para Lucas Vieira, secretário adjunto da Sedap, “Consideramos que foi uma excelente oportunidade ter trazido noswww.cacauamazonia.com.br 93


MISSÃO COMERCIAL

“A articulação de ações conjuntas para o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau foi o principal objetivo da nossa participação nesse evento”. Embaixada do Brasil na França - Durante a recepção, foi servido um coquetel para a Comitiva brasileira

sos produtores rurais que se destacaram na cadeia produtiva do cacau. A participação no evento propiciou a divulgação da amêndoa de qualidade que o Estado do Pará produz, podendo citar a Fazenda Panorama, localizada na Transamazônica, que foi certificada como uma das 50 melhores amêndoas do mundo, através de prêmio recebido no Salon Du Chocolat 2019 em Paris. A SEDAP, em parceria com a Federação da Agricultura e com a CEPLAC, vai desenvolver um programa que pretende revolucionar o cenário da produção de chocolate no Estado. Tratase do Projeto Escola Indústria e através dele será fomentada a produção de chocolate a partir da agricultura familiar, com objetivo de expandir ainda mais a sua comercialização. O objetivo da SEDAP é contribuir para que a Cadeia do Cacau na região Transamazônica 94 www.cacauamazonia.com.br

e nas outras regiões do Estado seja um vetor relevante para o desenvolvimento socioambiental e econômico e, através do uso de tecnologia e inovação, consiga alcançar a produtividade elevada, o acesso a novos mercados e geração de emprego e renda. A articulação de ações conjuntas para o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau foi o principal objetivo da nossa participação nesse evento. Em 2020, o Governo do Estado focará em ações que promovam a ampliação da produção em áreas plantadas, trabalhando o manejo e usando as terras alteradas para realizar o Sistema Agroflorestal. Cerca de R$ 20 milhões serão investidos no setor através do Funcacau e de outras fontes” declara Lucas Vieira, Secretário Adjunto da SEDAP.

“O objetivo da SEDAP é contribuir para que a Cadeia do Cacau na região Transamazônica e nas outras regiões do Estado seja um vetor relevante para o desenvolvimento socioambiental e econômico e, através do uso de tecnologia e inovação, consiga alcançar a produtividade elevada, o acesso a novos mercados e geração de emprego e renda. A articulação de ações conjuntas para o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau foi o principal objetivo da nossa participação nesse evento”. declara Lucas Vieira, Secretário Adjunto da SEDAP.


Embaixada do Brasil na Franรงa - Comitiva brasileira na Embaixada do Brasil na Franรงa, recepcionada pelo embaixador Luiz Fernando Serra .

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BIOATIVO

Impacto da fermentação e secagem para obtenção de amêndoas de qualidade Jesus Nazareno Silva de Souza*

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cacaueiro (Theobroma cacao L.) é uma planta cultivada em regiões tropicais em todo o mundo, e a semente de seus frutos é a principal matéria-prima para a produção de chocolate. Durante muitos anos, a produção e comercialização de cacau fazem parte da economia de alguns estados brasileiros, em especial a Bahia. A drástica redução da produção nacional de cacau, ainda se recuperando das perdas impostas pela disseminação generalizada da vassoura-de-bruxa na tradicional região cacaueira da Bahia, abriu uma janela de oportunidade para a expansão da cacauicultura no Estado do Pará, que em 2016 supera a produção da Bahia, e atualmente continua 96 www.cacauamazonia.com.br

em expansão. A cacauicultura paraense é explorada basicamente por pequenos produtores, predominantemente, em solos de média a alta fertilidade. Entre os municípios produtores destacamse os localizados na região da rodovia transamazônica, com destaque para Medicilância. As sementes de cacau possuem diversos compostos bioativos, como os compostos fenólicos que atuam beneficamente à saúde e estão relacionados a prevenção de diversas doenças, como as doenças cardiovasculares. Porém, parte desses compostos se perdem durante as etapas de processamento, principalmente durante a fermentação, secagem e torração. Portanto, a conservação destes compostos torna-se im-

portante para obtenção de alimentos chamados funcionais. O grande interesse em compostos fenólicos está relacionado aos benefícios que estes trazem, pois, o consumo regular de alimentos ricos em compostos fenólicos previne doenças degenerativas como câncer, aterosclerose e diabetes. Além disso, os compostos fenólicos apresentam uma ampla faixa de atividades biológicas, incluindo atividades antioxidante, antimicrobiana e neuro-proteção Para obter as características sensoriais desejadas, com a diminuição do sabor desagradável e adstringente das sementes de cacau in natura, é necessário fazer a fermentação, secagem e torração destas sementes. Entretanto as


Foto: Helton Gutzeit

O cacau fino e de aroma é identificado por apresentar sabores diferenciados, desde frutados, florais, amadeirado, entre outros. A definição leva em consideração as características genéticas (origem), local (terroir) e o tratamento das amêndoas póscolheita.

O Estado do Pará produz cacau fino e de aroma, identificado por apresentar sabores diferenciados, por características genéticas (origem), local (terroir) e o tratamento das amêndoas pós-colheita. diferentes etapas de transformação, até obtenção do chocolate influenciam no teor de compostos fenólicos dos produtos finais. O mercado mundial de cacau busca amêndoas de qualidade para a produção de chocolate e derivados. Por isso, a alta demanda internacional, a complexidade de transformação das amêndoas in natura e a escassez de parâmetros analíticos devam ser levadas em consideração. Por esta razão, para além da produção, é necessário promover discussões acerca da qualidade das amêndoas de cacau produzidas no Pará como forma de fomentar alternativas que permitam aumentar a rentabilidade das fazendas de cacau e valorizar o potencial de qualidade do

cacau amazônico, por meio de certificações de indicação de procedência. Além disso, o conhecimento e dedicação dos produtores aos procedimentos de colheita, quebra do fruto, transporte, fermentação, secagem e armazenamento, são essenciais para obtenção de amêndoas de boa qualidade. Existem poucas pesquisas em relação ao perfil e concentração dos compostos fenólicos, capacidade antioxidante e qualidade das amêndoas de cacau provenientes dos municípios pertencentes a região Amazônica. Além disso, muitos produtores não apresentam padrão de pré-processamento das amêndoas de cacau e com isso há a desvalorização do seu produto junto ao mercado nacional e internacional.

ETAPA DE FERMENTAÇÃO DAS SEMENTES O processo fermentativo e conhecido a milênios, e leva a produção de diversos alimentos como do pão, do iogurte, da cerveja, do vinho, etc. A fermentação do cacau ocorre em um primeiro momento na ausência de oxigênio, nesta fase há a atuação das leveduras e ocorre nas primeiras 48 h de processamento, onde o açúcar da polpa é convertido em etanol. Em seguida, a massa é revolvida a cada 24h durante mais cinco dias em média. Durante esse revolvimento, a aeração com a presença do oxigênio auxilia no desenvolvimento de bactérias láticas e acéticas, onde o etanol é convertido em ácidos láticos e acético. A fermentação das sementes de cacau, são rewww.cacauamazonia.com.br 97


Foto: Bárbara Marques / Tomé Açu

BIOATIVO

alizadas nas fazendas normalmente em cochos de madeira ou em cestos recobertos com folhas de bananeiras. A fermentação da polpa, que envolve as sementes, representa um passo fundamental na transformação do cacau para o desenvolvimento do sabor do chocolate devido ocorrer, nessa etapa, a liberação dos compostos precursores de aroma. A quantidade de massa de sementes de cacau é um dos fatores que afetam a fermentação e deve haver uma quantidade mínima de sementes para ter um processo de fermentação satisfatório. A altura máxima de leito (massa de semente de cacau no sistema) é de 50 a 100 cm. Os microrganismos fermentativos são transferidos para as sementes através das mãos de trabalhadores, dos cochos 98 www.cacauamazonia.com.br

já utilizados anteriormente, das ferramentas usadas para cortar o fruto, das folhas de bananeira e de outros materiais utilizados no manejo dos frutos. Estes microrganismos irão contribuir para a degradação da polpa que envolve as sementes, e, com isso, produzir uma variedade de produtos metabólicos. A fermentação é um procedimento importante para reduzir a acidez, adstringência e amargor em sementes de cacau. Durante a fermentação das sementes acontecem várias reações químicas, como por exemplo, a diminuição do teor de proteínas bruto devido a digestão proteolítica e o aumento no teor de aminoácidos livres. É também um passo fundamental na formação de açúcares redutores e aminoácidos, que são os precursores da reação de Maillard durante a

A secagem das amêndoas deve começar imediatamente após a fermentação e deve ser adequadamente conduzida para evitar o desenvolvimento de fungos, que podem afetar o desenvolvimento do sabor característico de chocolate, além de causarem danos à saúde.

torraçãoNas amêndoas secas, foram detectados valores mais elevados de aminoácidos quando comparados com os das sementes não fermentadas. ETAPA DA SECAGEM DAS AMÊNDOAS A secagem das amêndoas deve começar imediatamente após a fermentação e deve ser adequadamente conduzida para evitar o desenvolvimento de fungos, que podem afetar o desenvolvimento do sabor característico de chocolate, além de causarem danos à saúde. No final da fermentação, as sementes de cacau contêm 4060% de umidade, e após a secagem, as amêndoas de cacau devem ter teor de umidade máxima de 8%, desta forma, além de reduzir o teor de umidade e atividade de água, a secagem


Foto: Helton Gutzeit / Fazenda Panorama

garante maior estabilidade das amêndoas de cacau durante o armazenamento. A maioria das reações bioquímicas iniciadas na fermentação continua durante a secagem, permitindo a redução do amargor, da adstringência e da acidez das amêndoas, além do escurecimento dos cotilédones, contribuindo com a formação dos precursores de sabor desejáveis do chocolate. Nesta etapa também ocorre a diminuição do teor de compostos fenólicos, atribuída, entre outros, a enzima polifenoloxidase que encontra condições ideais para sua atividade. A secagem natural, realizada ao sol, é uma operação simples e bastante utilizada em fazendas cacaueiras. No Brasil, é normalmente realizada em plataformas de madeira, denominadas barcaças, onde as se-

mentes são espalhadas e frequentemente revolvidas para propiciar uniformização e para a remoção de compostos indesejáveis formados durante a fermentação, como por exemplo, o ácido acético. Em dias de chuva ou quando o espaço disponível nas barcaças não é suficiente para comportar o volume de produção, tem-se como alternativa a secagem artificial. Além disso, em pequenas propriedades de baixo potencial de produção, é comum o uso de lonas estendidas em superfícies de boa exposição ao sol e que permitem uma boa manipulação. Ambos os métodos de secagem utilizados não se devem utilizar altas temperaturas ou longos tempos de processo, pois, reduz o teor de compostos fenólicos nas amêndoas de cacau e a atividade enzimática da polifenoloxidase. Por outro

A secagem natural, realizada ao sol, é uma operação simples e bastante utilizada em fazendas cacaueiras. No Brasil, é normalmente realizada em plataformas de madeira, denominadas barcaças, onde as sementes são espalhadas e frequentemente revolvidas para propiciar uniformização e para a remoção de compostos indesejáveis formados durante a fermentação, como por exemplo, o ácido acético.

lado, a secagem muito rápida propicia a produção excessiva de ácidos, incluindo ácido acético, que é prejudicial ao sabor, enquanto, uma secagem muito lenta resulta em menores valores de pH, ausência da cor ideal e aumento do crescimento de bolores na amêndoa. Portanto, a temperatura é um importante parâmetro durante a etapa de secagem, uma vez que, enzimas presentes nas amêndoas de cacau, atuam no interior da amêndoa e promovem reações químicas. A temperatura ótima da atividade enzimática está entre 35 – 40°C, o que justifica os melhores resultados obtidos pela secagem natural. *Jesus Nazareno Silva de Souza (Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA) e Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da UFPA)

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