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Caderno D

Plateia MANAUS, TERÇA-FEIRA, 7 DE JULHO DE 2015

plateia@emtempo.com.br

DIVULGAÇÃO

Márcia Siqueira apresenta o show ‘Ritual’ (92) 3090-1042

Plateia 3

Os integrantes decidiram retomar a banda após o show de comemoração dos 50 anos do Lycêe Pasteur, escola onde tudo começou

ENTREVISTA/DANY ROLAND

‘Estamos conectados com o nosso tempo’

O baterista do grupo Metrô, sucesso na década de 1980, conta sobre os planos de um novo CD e shows de divulgação LUIZ OTAVIO MARTINS

S

ucesso na década de 1980 graças a hits como “Beat acelerado”, “Sândalo de dândi”, “Tudo pode mudar”, “Ti ti ti” e “Johnny love”, o grupo de new wave Metrô prepara para este ano o lançamento de um CD de músicas inéditas produzido por Kassin, apresentações em TV e rádio, uma turnê nacional e o relançamento do álbum “Olhar” (1985). E tudo com direito à formação original: Virginie Boutaud (vocal),

Dany Roland (bateria), Alec Haiat (guitarra), Yann Laouenan (teclados) e Zaviê Leblanc (baixo). O Metrô foi formado em São Paulo, no ano de 1984, e gravou três álbuns de estúdio, “Olhar” (1985), “A mão de Mao” (1987) e “Déjà-vu” (2002). Os seus hits puderam ser ouvidos em emissoras de rádio, programas de televisão como o “Cassino do Chacrinha” e filmes como “Rock Estrela” (1985). A volta oficial do grupo seria durante um show na “Virada Cultural” de São Paulo, no mês passado, porém, a participação foi cancelada devido à morte do marido de Vir-

ginie. Mas, de acordo com Dany Roland, em entrevista ao EM TEMPO, serão realizados shows neste e no próximo mês. Ele conta ainda o que estimulou esse retorno da banda – que tem o apoio do diretor de televisão Paulo Lucas, sócio-presidente da produtora MPB Filmes –, comenta sobre o que causou o fim do grupo ainda no auge do sucesso e fala das expectativas para essa nova volta ao universo musical brasileiro. “Nós sentimos muita falta de nosso público, mas não somos nostálgicos dos anos 1980. Gostamos de viver o presente”, diz. FOTOS: DIVULGAÇÃO

EM TEMPO – O que foi que motivou esse retorno da banda? DANY ROLAND – Na década de 1980 pudemos conhecer e viajar por todo o Brasil e chegar perto do povo através dos shows que eram gigantescas festas. O maior motivo é estar perto e na boca do povo. ET – Desde quando estão preparando essa volta? DR – Nos encontramos e tocamos em novembro passado, em São Paulo, para a comemoração dos 50 anos do Lycêe Pasteur, escola onde nos conhecemos e onde tudo começou. Paulo Lucas, da MPB Filmes, soube desse encontro e nos contatou a fim de nos consultar sobre o interesse em fazer uma turnê, um disco novo e um DVD. De pronto aceitamos e estamos desenhando com ele esse debut desde janeiro. ET – Os integrantes se dedicaram a que tipo de atividades desde o término da banda? DR – A Virginie vive atualmente na França, onde trabalha com crianças portadores de necessidades especiais. Também tem trabalhado com o compositor francês Philippe Kadosch, seu parceiro em “Il était une fois”, do seu disco

em pausa. O Zaviê Leblanc é o chef do bistrô francês La Tartine, em São Paulo. E o Yann Lao tocou durante seis anos com PR5 (Paulo Ricardo) e vive atualmente em Jericoacoara. ET – Ainda no auge do sucesso, o Metrô passou por mudanças como a saída da cantora Virginie, em 1986, e se desfez em 1988. Quais foram os motivos que levaram ao fim da banda? DR – O Metrô acabou por tantos motivos... Acabou porque foi engolido pela indústria. Não conseguimos nos adaptar ou não conseguimos lidar com toda a pressão do sucesso. Não tivemos apoio necessário e fomos vítimas de vários empresários inescrupulosos. Dany Roland atua e produz trilhas para cinema e teatro

solo “Crime perfeito”. Eu fiz uma carreira no teatro, dirigi com Bia Lessa um filme, “Crede mi”, atuo e produzo trilhas para cinema, teatro, instalações e séries. Na música, além de produzir outros artistas, toco com o grupo Os Ritmistas. O Alec Haiat é sócio da Habro, importadora de áudio e de instrumentos musicais profissionais. Tem uma banda, Paris Le Rock,

ET – Em 2002 foi lançado o CD “Déjà-vu”. Por que não houve uma continuidade da carreira a partir desse trabalho? DR – Foi um encontro casual, mas houve continuidade sim. “Déjà-vu” foi lançado na Europa e fizemos vários shows em Moçambique, Londres, Paris e Lisboa, onde gravamos um tributo a Amália Rodrigues. ET – Já existem planos para futuros lançamentos em CD e DVD. Em relação ao CD, será um álbum de

Uma edição do álbum “Olhar”, que completa 30 anos de lançamento, está sendo organizada

inéditas e de antigos hits? Pode adiantar um pouco sobre esses produtos? DR – Sim, existem vários planos e produtos para este ano. Estamos superanimados de gravar em breve um CD inédito, com produção musical de Kassin. Fazer uma turnê pelo Brasil e exterior e um registro dessa turnê em DVD. Estamos organizando, em parceria com a Sony, o lançamento de uma edição comemorativa de “Olhar” em CD e vinil, que completa 30 anos em 2015. Será um álbum duplo: o original com todos os nossos hits e outro extra com raridades, demos, além de remixes. ET – Musicalmente, quais são as novidades que o grupo está preparando? DR – Nos encontramos no mês de junho, em São Paulo,

durante os meses de julho e agosto. A turnê ainda está sendo desenhada.

onde ensaiamos e gravamos várias ideias de músicas novas. Continuamos diariamente a trocar ideias, trabalhar e compor virtualmente. ET – Uma turnê nacional também está nos planos da banda. Já existe previsão para o início desses shows? DR – A Virginie vem para o Brasil agora e a previsão é de que façamos shows, além de programas de TV e rádio

ET – O grupo certamente tem um público cativo que sente falta de ouvir os hits. Vocês acreditam que suas músicas também podem alcançar uma nova geração? DR – Sim, e nós também sentimos (muita) falta de nosso público, mas não somos nostálgicos dos anos 1980, que foram anos maravilhosos de mudanças importantes no Brasil e no mundo. Gostamos de viver o presente. E no balanço das horas... o mundo mudou. Existem muitos trabalhos interessantes acontecendo no Brasil afora e graças a internet temos acesso e contato direto com vários artistas novos. Estamos conectados com nosso tempo. Nosso tempo é hoje.

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EM TEMPO - 7 de julho de 2015  

EM TEMPO - Caderno principal do jornal Amazonas EM TEMPO

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