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sexta-feira - 16 de setembro de 2011

Feira e táxi adotam cartão de pagamento Amanda Sequin

q A preferência por pagar as compras por meio de cartões de crédito e débito por parte da população tem crescido. Prova disso é o aumento de 26% no faturamento em cartões dos dois tipos e de rede e loja no segundo trimestre de 2011, segundo pesquisa da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). Os dados apontam também uma mudança no perfil dos proprietários de comércios. Locais não tradicionais, como feiras, taxistas e ambulantes, passaram a adotar esse tipo de serviço. A pesquisa apontou que o faturamento dos cartões de crédito em nichos não tradicionais aumentou nas categorias “Outros Serviços e Profissionais Liberais” (54%), “Setor primário, indústria e serviços básicos” (41%) e “Demais Comércios Atacadistas e Varejistas” (40%). No débito, os principais crescimentos foram nos setores “Demais Comércios Atacadistas e Varejistas” (50%), “Setor Primário, Indústria e Serviços Básicos” (44%) e “Comércio Automotivo” (34%). Locais em que a população está acostumada a usar dinheiro para pagamentos já utilizam o serviço. Em São Bernardo, as feiras livres possuem os aparelhos em algumas barracas. Segundo o presidente do Sindicato dos Comércios Varejistas e Feirantes do ABDMRP, Odair Roberto Loureiro, a adaptação a esse tipo de tecnologia é recente nas feiras. “Eu tenho conhecimento de que há uns dois anos o feirante já está aderindo a esse mecanismo. Não tenho números precisos, mas uma faixa de 10% disponibiliza as máquinas de cartão para o consumidor”, disse. De acordo com o presidente, há cerca de 2,5 mil feirantes no ABC. O dono da peixaria da feira noturna do Rudge Ramos,

Carlos Alberto Francisco, vê vantagem no uso das maquininhas de cartão. “Há quatro meses passei a utilizá-las, isso ajudou bastante nas vendas porque quem passa no cartão às vezes acaba comprando um pouco mais”, contou. A barraca de laticínios, queijos e cereais, do feirante Orlando Molim, também disponibiliza o serviço no mesmo local. “Somos obrigados a trabalhar com isso porque as pessoas estão usando mais o cartão de crédito.” A professora Maria de Lourdes Serrano nunca tinha visto esse tipo de serviço em feiras e aprovou a iniciativa do setor. “É muito prático. Eu, por exemplo, vim com pouco dinheiro e acabei levando mais coisas”, comentou. Mas para a feirante de uma banca de legumes, Dora Lucia Morita, no ramo há 30 anos, não há interesse em adquirir o aparelho no momento. “Por conta do movimento, a gente perderia muito tempo passando cartão. Não tem procura, pelo menos na nossa banca”, afirmou. Alguns ambulantes também perceberam a necessidade de aceitar os cartões. É o caso de Ronaldo Faria, que possui uma barraca de cachorro-quente há seis anos na rua do Sacramento, no Rudge Ramos. “Há seis meses estamos aceitando. É bom para nós porque facilita o troco e também é melhor para os clientes.” Os taxistas também estão aceitando cartões. Segundo o diretor comercial da Cooperativa ABC Rádio Táxi, Rui de Castro, toda a frota da empresa já aceita o crédito há cerca de 15 anos, por meio do pagamento em boleto. “Nem todos os táxis têm a maquineta. Só passamos o débito quando o veículo a possui”. Ele conta que, “por ser uma cooperativa, primeiro é respeitada a opção de cada taxista ter o aparelho. Mas a

Rudge Ramos Jornal - 7

cidade

Gabrieli mello/rrj

Segundo sindicalista, 10% das barracas do ABC disponibilizam máquinas de cartão conscientização é geral.” Para o dono de uma copiadora, Antonio Baltazar, o serviço facilita a compra do cliente. “Eu vejo os dois lados, do comerciante e do consumidor. O mercado obriga o comerciante a ter, e as operadoras aproveitam para cobrar taxas altas.” Custo dos aparelhos Quem deseja obter o aparelho de cartão, fixo ou móvel, precisa pagar uma taxa mensal de manutenção. O valor máximo, sem as promoções dos primeiros meses de adesão, varia entre R$ 73 e R$ 80 (máquinas fixas) e R$ 110 e R$ 140 (má-

quinas móveis), dependendo da empresa. Além disso, cada compra efetuada no cartão tem uma porcentagem específica sobre o valor. Elas variam entre 3% e 3,3% para o crédito à vista, 3,9% e 4,9% para crédito parcelado e entre 2% e 2,5% para compras no débito. As taxas podem ser diferentes dependendo do ramo de atuação do contratante. Investimento em mobile A Cielo e a Redecard, principais empresas de pagamento eletrônico, disponibilizam o serviço de cartão de crédito

em celulares. A Cielo aceita inscrições de pessoas físicas e jurídicas, com taxa de adesão de R$ 50. A mensalidade é de R$ 19,90 por mês, sem as promoções iniciais. O serviço é disponível para celulares da Apple e aparelhos que operam no sistema Android. Já a Redecard, aceita apenas pessoas jurídicas, com exceção para consultores das empresas Mary Kay e Natura. A taxa é única e de R$ 54. São pagas apenas taxas administrativas (por compra). É necessário ter um celular com internet compatível com linguagem de programação Java. g


Feira e táxi adotam cartão de pagamento