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creditando ou não, você deve concordar que a primeira imagem é permanente. Assim como costumamos fazer ao julgar pessoas, julgamos também produtos e negócios. Por isso a primeira impressão é tão importante: ela deve comunicar uma idéia e fixá-la em nossas mentes de uma forma positiva e consistente. As imagens agem diretamente sobre a percepção do cérebro, impressionando primeiro para depois serem analisadas, ao contrário do que acontece com as palavras. A programação visual é um conjunto de técnicas que permite a organização das formas de uma comunicação visual. O termo e as metodologias surgiram em 1919, na Bauhaus. Somos submetidos diariamente a milhares de informações visuais que modificam nossa linguagem, comportamento e nossa cultura. Tudo que nos envolve estabelece conosco um diálogo, e é importante estarmos disponíveis para receber e entender essas mensagens. As apresentações gráficas podem ser sinais, como as letras do alfabeto, ou formar parte de outro sistema de signos, como as sinaliza-

ções nas estradas. Quando reunidas, as marcas gráficas – como os pontos de uma fotografia – formam imagens. O design gráfico é a arte de criar ou escolher tais marcas combinando-as numa superfície para transmitir uma ideia. Só a partir de meados do século XX é que o design gráfico passou a existir como profissão. Até então, os anunciantes utilizavam os serviços oferecidos pelos “artistas comerciais”, “visualizadores”, tipógrafos que faziam o projeto detalhado da chamada e do texto e davam instruções para a composição, ilustradores de todos os tipos, retocadores, letristas e outros que finalizavam os designs para a reprodução. A mensagem transmitida pelo designer expressa as necessidades do cliente que está pagando por ela, e deve ser colocada numa linguagem própria para o público-alvo. Este é um dos aspectos significativos que diferencia o design da arte. O designer, ao contrário do artista, projeta tendo em vista a produção mecânica. O design gráfico não é essencialmente expressão, como a arte, mas sim solução. 05


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undada em 25 de abril de 1919 por Walter Gropius, a primeira ideia era fazer da Bauhaus uma escola de arquitetura, artesanato, e academia de artes, e isso acabou sendo a base de muitos conflitos internos e externos que se passaram ali. O design, afirmava Gropius, poderia reestruturar uma sociedade alemã melhor, mais coesa e, afinal, democrática. Gropius percebeu que com o fim da Segunda Grande Guerra, começaria um novo estágio da história. Ele era a favor da funcionalidade, custo reduzido e orientação para a produção em massa, tanto na arquitetura quanto na criação de bens de consumo, mas não se limitava a isso. Queria unir novamente os campos da arte e artesanato, criando produtos altamente funcionais e com atributos artísticos. Foi o diretor da escola de 1919 a 1928, sendo sucedido por Hannes Meyer e Ludwig Mies van der Rohe. A Bauhaus combatia a arte pela arte, e estimulava a livre criação com a finalidade de ressaltar a personalidade do homem. A filosofia da escola ficou tão impregnada nos alunos que não tardou muito para o estilo de seus produtos funcionais, econômicos e sem ornamentos inúteis inspirar protótipos que saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria.

Sede da Bauhaus em Dessau, Alemanha.

Walter Gropius (1883 – 1969) foi um arquiteto e designer. Como co-fundador da Deutscher Werkbund e mentor da Bauhaus em Weimar, ele influenciou decisivamente o trabalho criativo do século 20. Dirige a Bauhaus até 1928. Pressionado pelo nazismo, abandona a Alemanha e vai para a Inglaterra, onde projeta fábricas e prédios estatais. Em 1937 é nomeado professor da Universidade de Havard, nos Estados Unidos, país no qual se fixa e executa a maior parte de sua obra.

A escola foi grandemente subsidiada pela República de Weimar. Após uma mudança nos quadros do governo, em 1925 a escola mudou-se para Dessau, cujo governo municipal naquele momento era de esquerda. Uma nova mudança ocorre em 1932, para Berlim, devido à perseguição do recémimplantado governo de Hitler. Em 1933, a Bauhaus é fechada após uma série de persewguições por parte do governo hitleriano, pois foi considerada uma frente comunista, especialmente porque muitos artistas russos trabalhavam ou estudavam ali. Contudo, a Bauhaus teve impacto fundamental no desenvolvimento das artes e da arquitetura do ocidente europeu, e também dos Estados Unidos da América e Israel nas décadas seguintes, pois foi para onde se encaminharam muitos artistas exilados pelo regime nazista.


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té a década de 60, a tipografia foi a forma mais comum de impressão. Era feita por meio de matrizes em relevo, como tipos ou fotos gravadas em chapas metálicas. Os tipos e blocos eram retangulares, e, para a impressão, eram presos uns aos outros por uma moldura. Na Bauhaus, durante todo o período de Weimar, a tipografia foi dirigida por Lyonel Feininger, na qualidade de mestre artístico e por Carl Zaubitzer, na qualidade de Mestre Artesão. Feninger era um artista gráfico, que se dedicava fervorosamente à escultura em madeira que utilizava não apenas para suas impressões de grande formato, mas também para ilustrar as suas próprias cartas. Chegava até a utilizar a tampa de uma caixa de charutos como material para esculpir quando não tinha outro a mão. Numa primeira fase, os alunos do atelier de tipografia aprendiam técnicas de esculpir a madeira e gravar em cobre. No final de 1921, com a insistência de Gropius quanto à necessidade de encomendas para garantir a sobrevivência da escola, decidiuse uma alteração da direção. O novo programa era o seguinte: ao contrário dos outros ateliers, o de tipografia da Bauhaus deixa de aceitar aprendizes com base num certificado de aprendizagem, mas treina membros da Bauhaus em todas as áreas artesanais de

tipografia quando solicitado. O atelier de tipografia é essencialmente um atelier de produção e executa encomendas para todo o tipo de estampagem artística à mão, incluindo edições completas. Artistas de fora também mandavam imprimir no atelier. Os mestres encomendavam tanto impressões individuais como coleções inteiras. Tipologia é o estudo da formação dos tipos. A família do tipo é atualmente chamada de fonte, conjunto de caracteres em um único estilo. Nos primórdios, na tipografia dos tipos móveis, cada tamanho era considerado uma fonte diferente, isso porque era necessário, para cada um destes conjuntos, cortar e fundir

matrizes diferentes. Na tipografia digital, uma fonte é uma “matriz” virtual que pode ser atualizada em qualquer corpo de forma automática, e por isso pode ser definida por suas características visuais. Bom design é aquele que utiliza bem as potencialidades da tipografia, pois ela é um dos pilares do design gráfico, e a escolha da fonte é de extrema importância para o projeto gráfico. É importante que todos os elementos estejam em harmonia para que a mensagem possa ser passada de forma clara, com um visual agradável e dessa forma poder alcançar o objetivo planejado. Hoje em dia, há milhares de tipos disponíveis, e várias pessoas criam novos tipos todos os dias. Entretanto, a maior parte dos tipos pode ser classificada em uma dessas seis categorias principais:

Estilo Antigo Moderno Com serifa Sem serifa Manuscrito

Decorativo

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Lyonel Feininger (1871 - 1956)


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O designer gráfico deixou de se focar só na marca, logotipo, papéis administrativos, uniformes, veículos, fachadas, para também se empenhar com desenho de produtos, junto com especialistas em marketing, vendas e pesquisa que passaram a trabalhar ao lado dele, lançando mão de técnicas e vocabulário globalizados, fornecendo dados preciosos para fortalecer o projeto gráfico. Essa vem a ser uma nova atitude do designer, e nesse contexto formaram-se os escritórios de grande porte hoje existentes, contando com um número de profissionais cada vez maior. O atual cenário, que envolve médios e pequenos escritórios, vê surgirem os micro escritórios, aqueles em que um único designer trabalha em casa, mas mesmo assim, apresentando ótimos resultados. O designer é uma pessoa que exerce a função de comunicação e produção de objetos, livros, revistas

e de espaços relacionados com o elemento humano. O público do designer é muito amplo, por isso é preciso equilibrar a intuição e técnica. Se for só técnico, vira engenheiro, se for só intuitivo, é artista. É necessário ter um ferramental técnico, uma linguagem, uma tecnologia, terá que saber falar, expressar bem suas ideias para o cliente, justificar escolhas e caminhos. O desenvolvimento da informática é um fator que mudou muito a possibilidade de ferramental para a expressão criativa. Mesmo que alguns designers ainda estejam aprendendo a manejá-la, ela facilitou muito suas vidas. O computador é uma ferramenta que depende do operador e da criatividade do designer. As pessoas que trabalham com ele mas não entendem nada de tecnologia, trabalham com o default, ou seja, com o básico já pronto.

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cor é uma ferramenta incrível, capaz de despertar no ser humano diferentes sensações. É de grande importância para a transmissão de ideias, podendo, desta forma, prender um público de forma forte ou sutil. Essa ferramenta oferece infinitas possibilidades de combinação, porém, trabalhar com a cor é algo muito mais difícil do que se imagina. A maior dificuldade apresentada no estudo da cor até hoje é o fato de não poder ser considerada matéria, pois sua existência depende de fatores como a luz e nossos olhos. O ensino da cor, na Bauhaus, foi iniciado juntamente ao ensino da forma. Era uma tentativa de oferecer aos alunos ferramentas para uma linguagem da vida moderna. Grandes mestres da escola de arte contribuíram fortemente para a teoria da cor, sendo dois deles:

cores vivas, puras e saturadas. Tem destaque especial quando o branco e o preto participam da composição. Claro-escuro – Este contraste explora o uso de luminosidade o valor tonal das cores Quente-frio – Alcança seu efeito mais intenso quando a oposição se faz entre as cores laranja-vermelho e azul-verde. Mas as cores podem variar, por exemplo: um roxo pode representar frio ao lado do vermelho mais quente ao lado do azul. Complementar – Ocorre ao juntarmos os matizes diametralmente opostos no circulo cromático. A mistura dessas cores fazem com que elas se anulem formando um tom acinzentado. Simultâneo – Seu efeito deriva do efeito das cores complementares. De Saturação – Trata-se do contraste entre cores vivas e cores acizentadas.

Johannes Itten Para ele, o pigmento é o agente da cor, e seu efeito cromático é a realidade psicofisiológica da percepção do ser humano, o efeito que as cores causam em nós tanto quando puras, quanto quando sobrepostas em outras cores, alterando nossa percepção. Itten acreditava que as cores tem grande influência na personalidade e no temperamento dos artistas, chamando isto de ‘timbre subjetivo’. Foi Johannes Itten quem desenvolveu as quatro paletas de cores intituladas Primavera, Verão, Outono e Inverno, possibilitando ao artista criar uma relação harmoniosa entre elas. Este mestre descreveu a importância do circulo cromático em seus estudos, e também desenvolveu a teoria dos sete contrastes cromáticos, sendo eles: De Cores Puras – Contraste entre

De quantidade/extensão – O contraste de extensão refere-se às áreas ocupadas por duas ou mais cores. Paul Klee A teoria da cor proposta por Klee tinha o arco-íris como ponto de partida. Nele, é possível encontrar as sete cores do circulo cromático, sendo assim, uma representação linear das cores. Ele também divide as cores do círculo cromático em duas formas: pares de cores verdadeiras e pares de cores falsas. No primeiro, estão verde – vermelho, amarelo – violeta e azul – laranja, ligados um ao outro por linhas diametrais que passam pelo centro do circulo, onde está o cinza. No Segundo, estão as cores que não se encontram diametralmente, ou seja, suas linhas diametrais não passam pelo centro do círculo. 17


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Revista Wult  

Trabalho de faculdade em parceria com Júlia Costa Reis e Mariana Finta para a matéria Introdução ao Design. Proposta: desenvolver uma revist...

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