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PESQUISA

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FOTO - AMANDA PALUZZI


Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Senac - Campus Campinas, como exigência parcial para obtenção do grau de Pós-graduado em Design Gráfico. Orientadora Profª Erika Pozetti Judice


Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Senac - Campus Campinas, como exigência parcial para obtenção do grau de Pós-graduado em Design Gráfico. Orientadora Profª Erika Pozetti Judice

A banca examinadora dos Trabalhos de Conclusão, em sessão pública realizada em / / , considerou os(as) candidatos(as): 1• Examinador(a) 2• Examinador(a) 3• Presidente


Agradecemos a todos que de alguma forma tornaram esse trabalho possível, de maneira direta ou indireta. Professores, família e amigos: nosso muito obrigada. Gostaríamos de gratular principalmente as pessoas com algum tipo de deficiência que destinaram seu tempo em nos ajudar de alguma forma nesse projeto.

Esse trabalho é dedicado a vocês.

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Este trabalho de conclusão de curso tem como objetivo a elaboração de uma revista de moda inclusiva tendo o design como principal aliado. Dentro deste contexto, as inúmeras etapas percorridas durante a realização deste, vão desde a imersão no cenário proposto, entendendo o universo das pessoas com deficiência e das revistas de moda, até a conclusão do layout elaborado, passando por pesquisas de diversos tipos e avaliações dos dados obtidos. Sendo assim, nos capítulos seguintes apresenta-se uma análise ampla sobre as possibilidades criativas diante da criação de uma revista desse tipo.

This final paper aims to elaborate an inclusive magazine with design as the main ally. Within this context, the steps that were taken during this study begins in the immersion of the proposed scenario, which is understanding disabled people universe and how the fashion magazines work until the final layout, passing through many types of researches and data evaluations. Therefore, in the following chapters it is possible to identify analysis about creation possibilities in this kind of magazine. KEYWORDS: Disabled, Design, Inclusion, Fashion, Magazine.

PALAVRAS-CHAVE: Deficientes, Design, Inclusão, Moda, Revista.

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Problemática 10 Objetivos 13 Deficientes físicos no Brasil e no mundo 14 Revistas de moda e segmentações 18 Análise de similares 24 Moda inclusiva 34 Estudo de caso 45 Análise SWOT 46

Pesquisa quantitativa 50 Entrevistas 54 Análise dos resultados 64 Personas 66 A revista 72 Aplicativo 73 Encarte anexo 75 Referências visuais 76 Espelho 78 Capa 80 Linguagem visual 81 94

Marca 82 Tipografia 84 Grid 86 Cores 88 Design aplicado ao tema 89 Elementos gráficos 90 Formato e páginas 92 Papel e impressão 93 Acabamento 93 Projeção de investimentos 93

96 99 100 116 120 122

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1 INTRO DUÇÃO A INTRODUÇÃO

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tualmente fala-se muito a respeito de inclusão e igualdade das pessoas, mas até que ponto todas as pessoas tem as mesmas possibilidades de referências e experiências? Quando se olha para as pessoas com deficiência física, por exemplo, temos dados volumosos, contra números minúsculos de possibilidades para as mesmas. Existe hoje, segundo o site da ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de 650 milhões de pessoas que vivem com algum tipo de deficiência no mundo, um número extremamente expressivo. Só no Brasil - que é considerado um dos campeões em população com deficiência - são cerca de 24,5 milhões de brasileiros com algum tipo de incapacidade intelectual ou para ver, ouvir e se locomover. Trata-se de um vasto grupo de pessoas, que, apesar das várias necessidades que possuem, são consumidoras como qualquer outra parcela da população.

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Pessoas que se alimentam, vestem e consomem informações e produtos diariamente, afinal, mesmo que com algumas limitações, são seres humanos e têm todas as necessidades de se viver em sociedade. Apesar da mudança dos tempos, que coloca em voga a igualdade das pessoas em suas infinitas peculiaridades, é possível notar pontuadamente a ausência de conteúdo informativo de

qualidade e voltado para o público que possui algum tipo de deficiência física, nomeados nesse trabalho, apenas por “deficientes físicos” ou PcD, uma sigla que significa Pessoa com Deficiência. Tendo em mente esse cenário, é possível questionar as realidades antônimas referente aos números avaliados: Por que o mercado da moda e beleza não atendem com igualdade pessoas com deficiência física?


Foto: Reprodução

INTRODUÇÃO

Nos dias de hoje, o tema inclusão, já é reconhecido como indispensável e mínimo para todos os segmentos. Passou a ganhar destaque pelas questões sociais e humanas, no entanto, ainda é tratado como superficial e secundário na maioria das revistas de moda. É preciso frisar que, os deficientes físicos, tal como quaisquer outras pessoas, têm necessidades de referência, desejo e querem

se sentir amparados e envolvidos no contexto. Construir do zero e de maneira específica e exclusiva uma revista de moda inclusiva, além de ter um papel social fundamental diante do problema apontado, torna possível adequar o projeto as reais necessidades e anseios do público. Olhando para a imensa lacuna do segmento, - as referências de moda para esse público - é explí-

cito que existe uma quantidade mínima de revistas/informativos, onde as poucas opções existentes são extremamente amadoras no que se trata de design e diagramação, e ainda, não há um direcionamento concreto para o público específico. Além disso, as poucas marcas atuantes no mercado não atribuem um atendimento exclusivo, adequado e direcionado aos deficientes, não existe nenhum tipo de cuidado.

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criatividade com estratégia

INTRODUÇÃO

Sabe-se que o design é um aliado forte e fundamental quando se trata de atender necessidades e sanar problemas, assim, atrelando a pesquisa ao objetivo proposto, um projeto rico e social constrói-se, utilizando o design

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Rob Curedale

“DESIGN é

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como forma de tornar tangível a solução das questões propostas e identificadas. Para que o projeto seja efetivo e contextualizado, o trabalho aqui descrito conta com relatos reais do público-alvo, além

de pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas durante o processo. A intenção para com as pesquisas é obter resultados que demonstrem a real necessidade de ofertar a este público as reais soluções desejadas.


OBJETIVOS

O projeto aqui descrito possui inúmeros objetivos, que podem ser separarados da seguinte forma:

OBJETIVOS GERAIS O projeto visa, principalmente, melhorar a autoestima do deficiente e fazer com que ele se sinta mais aceito na sociedade. Dar possibilidade para que esse público se sinta incluído, mesmo diante de suas diferenças. Além disso, a proposta é de um conteúdo de qualidade, expondo para a população geral, todo o concei-

to de moda inclusiva e todas as peculiaridades ofertadas por ela. Mostrar o deficiente como a pessoa normal que ele é, e não com o sentimento de “coitadismo” que na maioria das vezes é incluído nesse contexto. Expor seus hábitos, suas características e sua cara, fazendo com que o público se identifique totalmente.

INTRODUÇÃO

OBJETIVOS ESPECÍFICOS O objetivo é criar uma revista de moda que seja democrática e especializada em pessoas com todos os tipos de deficiências físicas. Com isto, solucionar o problema da falta de material nesse segmento, atender e ajudar essas milhares de pessoas que poderão, finalmente, sentir-se incluídas no mercado de moda e beleza. A proposta tem como foco uma revista de moda que utilize um design arrojado e inteligente, que atenda ao público

de maneira eficaz e pontual. Desta forma, utilizando o design de forma útil, este torna-se um aliado para que o projeto ganhe mais tangibilidade e resolva as propostas mais adequadamente. Ainda, o objetivo é criar uma revista bonita e conceitual - visto que tudo que é feito para o segmento tem um design ultrapassado e pouco funcional. Tendo em vista, sempre a análise e retorno de como os deficientes reagem a um material desenvolvido diretamente a eles.

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Para falar sobre deficientes, primeiramente é importante ressaltar que todos os seres humanos podem ser entendidos como iguais, mesmo diante de suas peculiaridades. Cada indivíduo possui características físicas únicas, que comparado ao outro, distingue-se. O deficiente físico, destaca-se apenas por sua diferença ser mais perceptível. Deficiência é um termo aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 1975, o qual refere-se a qualquer pessoa incapaz de levar uma vida social e individual por si só (RIBAS, 1985). Anterior a este ano, pessoas que apresentavam alguma deficiência eram mencionadas por termos pejorativos, como aleijado, inválido, ceguinho, entre outros. Em 2010, essas pessoas passaram a ser referidas como “pessoa com deficiência” (SASSAKI, 2002) em substituição a terminologia “pessoa portadora de deficiência”, pois o termo ficou ultrapassado e ilegítimo, já que a pessoa não “porta” a deficiên-

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cia, ela possui a deficiência. Os deficientes desde os primórdios, sofrem preconceito e até maus tratos em algumas ocasiões, como na antiguidade, eles eram exterminados, pois os povos os consideravam amaldiçoados e portadores de má sorte. Nas tribos indígenas também existiam maneiras específicas de tratar o deficiente, pela crença da época e cultura de cada povo, algumas delas chegavam até a mantê-los presos em jaulas, outras os assassinavam ou abandonavam.

A parábola de cegos - Peter Bruegel (1568)

A sociedade moderna como conhecemos hoje, busca pela igualdade, onde todos têm direitos e deveres. A busca é por uma sociedade democrática e, entende-se que para isso é preciso que a sociedade aceite as pessoas com deficiência e as insiram neste meio. Dá-se o nome de sociedade inclusiva para esta aceitação, pois mesmo a pessoa que possua determinada limitação, esta deve viver da mesma maneira que todos: “As pessoas com deficiência são cidadãos e fazem parte da sociedade e esta deve se preparar


para lidar com a diversidade humana. Todos os indivíduos devem ser respeitados e aceitos, não importa o sexo, a idade, as origens étnicas, orientação sexual ou suas deficiências. Uma sociedade aberta a todos, que estimula a participação de cada um, aprecia as diferentes experiências humanas e reconhece o potencial de todos, é denominada sociedade inclusiva. A sociedade inclusiva tem como principal objetivo oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e autossuficiente. Portanto, esta sociedade é democrática e reconhece todos os seres humanos como livres e iguais e com direito a exercer sua cidadania.” (FEBRABAN, 2006, p. 9) Sabe-se que a sociedade, mesmo que entendida como inclusiva, ainda apresenta discriminação aos deficientes físicos, muitos os tratam como doentes e coitados. Certas deficiências dependem sim de um cuidado mais específico, mas ainda assim é importante frisar e entender que se tratam de pessoas, que possuem sentimentos, sonhos, vontades como todos. A própria sociedade cria uma divisão, entre as pessoas comuns e as tidas como “anormais”, assim, muitos dos deficientes são fadados a se aceitarem como diferentes e anormais ou até mesmo inferiores. Primeiramente, é muito importante que a pessoa com deficiência se aceite e se entenda como

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Os Aleijados - Peter Bruegel (1530-1569)

igual dentro da sociedade para que a sociedade o trate sem diferença. A pessoa com deficiência física, pode nascer deficiente, a qual é chamada de deficiência congênita, ou mesmo adquirir tal deficiência no decorrer da sua vida, através de acidentes, chamada de deficiência adquirida. As guerras e a evolução industrial, por exemplo, são circunstâncias que, quando ocorreram, aumentaram a quantidade de pessoas deficientes consideravelmente. De acordo com os dados fornecidos pela ONU, dos 6,4 bilhões de habitantes do planeta, cerca 978 milhões de pessoas, ou seja 15,3% da população mundial, possuem algum tipo de deficiência. Destas, 185 milhões, 2,9%,

possuem deficiências graves (SDH/PR; SNPD, 2012). No Brasil, segundo dados da cartilha do IBGE publicada em 2010, o total da população é de 190.732.694 pessoas, desta quantidade, existem mais de 45 milhões de pessoas (aproximadamente 24% da população total) com algum tipo de deficiência , 26,5% são mulheres e 21,2% são homens. Deste percentual, pode-se notar, que 23,9% possuem algum tipo de deficiência física, onde a deficiência visual sobressai com 18,6% da população, em seguida a deficiência motora com 7%, a auditiva com 5,1% e com 1,4% a deficiência intelectual.

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Monumento representando um deficiente físico que ocupava um cargo de grande responsabilidade no Egito Antigo

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É importante ressaltar que a porcentagem apresentada no censo demográfico do IBGE 2010 para pessoas com algum tipo de deficiência severa foi de 8,3% da população brasileira, destas, 3,4% apresentaram deficiência visual severa, 1,1% deficiência auditiva severa, 2,3% deficiência motora severa e 1,4% deficiência mental ou intelectual. Do total de PcDs, 1,6% são totalmente cegas, 7,6% são totalmente surdas e 1,62% não conseguem se locomover. O resultado apresentou alguns casos de pessoa que possuem mais de uma deficiência, o qual ultrapassa o valor total de pessoas quando somados. Esta coleta de informações, são precisas e melhoram a cada ano, através dos instrumentos de coleta da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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As dificuldades encontradas pelas pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, também nomeadas de PDMR, são claras quando a questão é acessibilidade e informação. É bastante fácil notar nas cidades brasileiras, que a acessibilidade não é uma prioridade e não está presente em todos os locais. Existem inúmeros lugares inapropriados para deficientes, calçadas esburacadas e transportes não acessíveis são os exemplos mais comuns. Ao verificar o mercado brasileiro, é facilmente possível perceber que não existe muitos materiais e produtos direcionados a este público e, os que são encontrados requerem um valor aquisitivo mais alto do consumidor, já que tem custo extremamente mais alto. Muitas vezes, esses produtos tratam-se de objetos exclusivos, feitos sob medida ou mesmo importados - uma vez que o mercado fora do Brasil é mais avançado nesse ponto. Em muitos casos, é preciso adequar os produtos para que essas pessoas possam usufruir deles. Para este trabalho, é importante salientar a dificuldade das PDMR em relação às vestimentas. O mercado da moda apresenta hoje pouca oferta para este público que, na maioria das vezes, necessita de roupas específicas. Não raro que essas pessoas tenham que adequar as roupas de confecção comum para utilização.

Nesses casos, muitas vezes estão sujeitas a um desconforto, por exemplo, quando trata-se de um cadeirante, que passa todo o seu tempo acomodado na cadeira e possui dificuldade na hora de colocar as roupas, o ideal é que exista alguém para auxiliá-lo, quando a roupa não é específica. A moda inclusiva é uma questão de extrema importância para solucionar este problema, de forma a atender a funcionalidade sem perder a estética.

Fonte: livro “Visão e Revisão, Conceito e Pré-Conceito”

O estudo, também é alvo de uma sociedade não inclusiva, visto que muitas escolas, públicas ou privadas, não possuem acessibilidade e ainda não recebem pessoas com deficiência e das que recebem, a maioria possui o ensino individual, não fornecendo o ensino na mesma sala de aula dos demais alunos. Há de se considerar que, os professores não são capacitados para defrontar com


Foto: Reprodução

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estes alunos, e o próprio material pedagógico muitas vezes não é adaptado. O Ministério da Educação (MEC) apresenta dados de 2005 no qual, 419 mil alunos com deficiência estudam o ensino fundamental enquanto 11 mil estudam o ensino médio e apenas 0,1% do total fazem curso superior (FEBRABAN, 2006).

Sobre o mercado de trabalho, de acordo com a Lei de Cotas - Nº 8.213, houve um aumento na contratação de PcD, com o incentivo do Ministério Público do Trabalho (MPT) e das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs). Porém, mesmo que hoje as empresas estejam contratando PcD, elas ainda são vistas como incapazes e dificilmente recebem cargos superiores e de liderança. Em muitos casos, muitos deixam de se candidatar por se sentirem não aptos a cumprir determinadas vagas e em algumas outras situações não querem deixar de receber o benefício do INSS, com medo de não prosperarem profissionalmente. Porém, existem muitos casos em que o deficiente possui melhor desempenho comparado a pesSecretário Adjunto Marco Pellegrini é tetraplégico e muito atuante profissionalmente soa sem deficiência.

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revistas de As revistas de moda disponibilizam periodicamente tendências e estilos, onde o consumidor identifica e utiliza de referência o conteúdo e informação a qual é exposto. Este tipo de impresso oferece diversas dicas e divulga produtos e marcas que motivam o consumo incentivando os leitores a “estar na moda”. Convém conhecer um pouco mais sobre estas revistas, quando surgiram, qual conteúdo

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e segmentações apresentavam, o que se mantém no mercado hoje e o motivo pelo qual destinam-se a um público mais segmentado. No ano de 1693, na Inglaterra, surgiu a primeira publicação de moda, titulada Ladies Mercury (SOARES, 2016). Pioneira no universo feminino, apresentou conteúdos como: dicas de como se vestir, modelagens para vestidos e bordados, matérias sobre amor, poesias e comportamento feminino. A r ev i s t a “Lady’s Magazine” de 1770 foi a primeira a mencionar figurinos. Após 50 anos, precisamente em 1820, foi publicada a revista Godey’s Lady’s Books, a qual apresentava artigos franceses. Porém, no mesmo ano, com certo colapso buscou pela editora de redação da “Lady’s Magazine” para se reerguer, mudou seu foco e passou a expor editorias de moda inspirados nas tendências de Paris, assim,

ficou conhecida como a melhor revista feminina do século XIX (LOPES, 2012). As revistas destinavam-se a diversas pessoas, a necessidade de adequar o conteúdo e oferecer um material mais específico ainda não era identificada. As produções eram baseadas ao chamado “mercado de massa” (MIRA, 2003), porém, a oferta era de produtos similares a cada nova marca que surgia. Para isso, as editoras começam a estudar o mercado e buscaram oferecer produtos variados, pois com muita demanda de produtos similares, a procura tornou-se rara, dificultando a lucratividade. A estimada revista mais importante de moda do mundo, presente até hoje, Harper’s Bazaar, foi inserida no mercado com grande influência da revista Alemã Der Bazar, no ano de 1867 nos Estados Unidos (SOARES, 2016). Suas publicações de moda, literatura e vida doméstica constavam com sublimes ilustrações de moda e tendência europeia, mais tarde, a sofisticação foi inserida em seu conteúdo.

The Ladys Magazine- 1820

Godey’s Lady’s Books - 1820 Der Bazar - 1867

The Ladies Mercury - 1693

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Nesse período, as revistas conquistaram o mercado e com objetivo de atrair seus consumidores, as ilustrações e fotografias foram progressivamente introduzidas nos editais. De forma a aumentar a demanda e as propostas de divulgação publicitária, o que, de certa forma, cooperou na época pela sobrevivência das revistas. Conhecida até hoje como “Bíblia da moda” (GRUPO ABRIL, 2014), em 1892 foi divulgada a revista Vogue, do editor aristocrata Arthur Turnure. Trouxe para o mercado editais semanais de luxo, moda e prazeres da vida, tinha como público inicial da época, a alta sociedade de Nova York. Obteve sucesso com a moda no ano de 1909, após ser vendida para Condé Nast (SOARES, 2016), o qual destinou a revista com grande potencial de vendas de roupa, nas mãos da editora Diana Vreeland ganhou destaque como a mais importante publicidade de moda do mundo.

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Georges Lepape um dos primeiros ilustradoresOUTUBRO de moda da história | 2016 19


Georges Lepape um dos primeiros ilustradores de moda da história

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Na França, apesar da conhecida tendência de moda parisiense, apenas em 1945 é criada a revista Elle, baseada na Bazaar, por Pierre Lazareff e sua esposa Helena Gordon Lazareff (TURETTA, 2015). O público-alvo era a classe média do período pós-guerra, no qual a necessidade das mulheres estava em ingressar no mercado de trabalho. Suas publicações traziam dicas para adequação da alta costura com peças mais acessíveis, beleza, cultura e saúde. As revistas aparecem no mercado brasileiro no século XIX (BAPTISTA; ABREU, 2014), período no qual a segmentação era iniciada nos editais. Pois, ao segmentar tem-se um maior conhecimento do público-alvo, entendendo a real necessidade e desejo deste determinado grupo.

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No ramo da moda, a primeira revista, O Espelho Diamantino de Pierre Plancher é de 1827, com seu padrão gráfico semelhante a um livro, como as demais revistas da época, seu conteúdo didático tratava sobre a literatura, política, arte, ciência e enfatizava-se a moda, por falta de recursos circulou no mercado durante apenas um ano. Outras revistas brasileiras do editorial feminino dessa época foram: O Sexo Feminino, A Cigarra e a Frou-Frou com temas referentes a moda, cinema, esportes e eventos sociais. Na época de 1914 a 1936 ganha destaque a Revista Feminina, de São Paulo, com seu aspecto conservador disponibilizava assuntos da moda, beleza e culinária (EMFECHAMENTO, 2012).

Vogue - 1892


Em 1952, a editora Abril baseou-se nas revistas italianas e criou a revista Capricho, a qual apresentava ideias de moda, amor e comportamento, através do sucesso da época – fotonovelas e histórias em quadrinho, de fácil assimilação ao assunto (LOPES, 2012). Porém, em 1970 disputou forte concorrência com as telenovelas, as quais ofereciam uma comunicação rápida, precisa e de maior fluxo, por isso, decide direcionarse ao público adolescente. Presente no mercado até hoje, oferece a seus consumidores, dicas de moda, beleza, matérias sobre a vida dos famosos e amor. As revistas de moda passam a segmentar seu público com as análises do mercado. Por exemplo, em 1960 a indústria têxtil nacional apresentou forte crescimento, assim o setor editorial também se segmentou, para poder atender determinados grupos com necessidades e objetivos específicos, e também, aperfeiçoar o projeto editorial. Pode-se notar o surgimento de revistas próprias para vestidos de noivas, e outras somente com dicas de penteados e assim sucessivamente. A revista Manequim, de 1960 foi direcionada ao público que confeccionava suas próprias roupas, disponibilizando moldes para tal atividade, além da moda, beleza e decoração tratava também de culinária (LOPES, 2012). Outros exemplos de revis-

tas com alta segmentação, são: a Cláudia, de 1961, considerada a maior revista do público feminino do Brasil com temas relacionados a moda, comportamento, beleza e culinária e a revista Nova Cosmopolitan, de 1973 com assuntos de moda, beleza, saúde, estilo e mercado de trabalho. A revista Vogue chega ao Brasil com ousadia e sofisticação em 1975, em sua capa a fotografia da bela Betsy Monteiro de Carvalho. Em 1988, a revista Elle tem sua primeira edição distribuída nas bancas com uma capa verde e amarela. Surge em 1989 a revista Criativa, direcionada ao público “teen” (jovem), e, em 1991 a revista de comportamento Marie Claire. Mais atual, a revista Gloss chega ao mercado para atender os jovens em 2007 (EMFECHAMENTO, 2012). A segmentação é vista de acordo com as alterações mercadológicas, a análise é dada pelo comportamento de consumo, cultural e habitual (estilo de vida). De acordo com o jornalista, Thomaz Souto Corrêa:

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Segmentar o mercado é identificar interesses e desejos do público leitor, é saber detectar as tendências de comportamento do mercado, para dar a ele revistas sempre mais atualizadas, afinadas com a realidade, ou revistas novas, cada vez que uma nova tendência sugerir a criação de um novo segmento. (Meio & Mensagem, 1985 apud MIRA, 1998)

Manequim - 1960

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As revistas de moda disponibilizam periodicamente tendências e estilos, onde o consumidor identifica e utiliza de referência o conteúdo/informação a qual é exposto.

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Foto: Reprodução

De acordo com a pesquisa realizada para este trabalho (vide Capítulo 3) 91,3% das pessoas não conhecem nenhuma revista de moda inclusiva e apenas 8,7% conhecem. Dentre essas respostas, a revista mais citada foi a Revista Reação e a segunda mais citada foi a Revista Incluir. Foram lembradas inclusive a Revista Acesso, que trata-se de uma públicação digital, Revista Sentidos e o Jornal Inclusão. A partir de pesquisas na internet, foi também apontada uma outra revista com o tema inclusivo, a Revista D+, publicação impressa e digital. Portanto, são consideradas concorrentes diretos. Segundo Philip Kotler (2000, p.272), concorrentes diretos “[...] buscam atender aos mesmos clientes e as mesmas necessidades e fazer ofertas semelhantes [...] ” Portanto, a concorrência consiste em empresas que atendem ou poderão atender os clientes com produtos ou benefícios semelhantes. A concorrência gera uma grande disputa entre as empresas, no que se diz respeito aos atributos. Se uma empresa cria um novo atributo para seu produto e obtém sucesso, seus concorrentes passarão a oferece-lo também. Isso gera vantagens competitivas, tendo como resultado lucro e uma participação do mercado maior, pelo menos temporariamente. As empresas devem buscar atender seus clientes de uma forma que os satisfaçam, seus desejos e necessidades, da maneira mais eficiente possível, agregando mais valor aos bens. Segundo o SEBRAE, concorrência direta “[...] existe quando um negócio oferece produtos iguais, com o objetivo de alcançar o mesmo nicho de mercado do mesmo ramo”.

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Modelo e atleta paralímpica, Marinalva de Almeida

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REAÇÃO

Capa - Revista Reação

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Não se pode esquecer sobre os concorrentes indiretos, que também segundo o SEBRAE, “[...] pode ser identificada com base em empreendimentos que oferecem produtos semelhantes à outra empresa. O objetivo é conquistar o mesmo perfil de consumidor”. Segundo Philip Kotler (2000, p.272), os concorrentes indiretos ou latentes “[...] podem oferecer outros caminhos ou caminhos novos para atender às mesmas necessidades [...]”. Portanto, pode-se identificar como concorrentes indiretos qualquer meio que ofereça informações semelhantes à revista proposta, como radio, televisão, jornal e principalmente sites e blogs. Os principais sites e blogs são: Tendência Inclusiva (www.tendenciainclusiva.com. br), Bengala Legal (www.bengalalegal.com), Acessibilidade Legal (www.acessibilidadelegal.com), Deficiente Alerta (deficientealerta.blogspot.com.br), Revista Somar (www.facebook. com/encontromarcas) Deficiente Ciente (www.deficienteciente. com.br) entre vários outros. Pode-se observar, no quesito design, que todas as revistas, impressas ou digitais, neste segmento, são caracterizadas pela pobreza visual. Abaixo, uma análise mais detalhada dos principais produtos identificados. Dos concorrentes diretos citados acima, concluiu-se que o principal é a Revista Reação,


pois foi a mais lembrada dentre os entrevistados. Já está no mercado há 18 anos, seu conteúdo é bastante diverso, tendo tópicos como entrevistas, cultura, editorial, educação, tecnologia, transporte e variedades. É uma revista bimestral, na qual a assinatura é feita por 12 meses, sendo 6 edições impressas a R$105,00. Trata-se de uma revista com um design confuso e pouco intuitivo, visualmente falando. A capa pode-se considerar extremamente poluída, enquanto o miolo é razoavelmente. Capa: Quando comparada a suas similares, nota-se que sua capa é a que contém o design mais pobre, não possuindo coerência na distribuição e não tendo um padrão de uma edição para outra. Seu logo tem uma aparência bastante antiga e extremamente poluída com degradês e contornos nas fontes, aspectos bastante ultrapassados. Miolo: Diferente de sua capa, no miolo encontra-se um pouco mais de padronização nas matérias. Há padronagem nas chamadas de matérias, de fontes. Cada sessão tem uma cor diferente nas chamadas para diferenciação. Faz

bastante uso de fotografia, porém trata-se de uma revista com um ar frio, não é muito convidativa. Cores: Na capa existe o uso de cores, porém sem padrão causando confusão e cansaço visual. Em seu miolo o uso das tonalidades é um pouco mais pontual, sendo usado em chamadas de matérias e abertura de sessões. Tipografia: Na capa, não há padronização de fontes, em cada número da revista as chamadas recebem tipos, tamanhos e cores diferentes. Porém, em seu miolo, há um pouco mais de regra no uso da tipografia para as chamadas e mancha textual. Design editorial: O design da capa é poluído, causando confusão e cansaço visual. Em seu miolo, o layout é mais bem pensado, onde o texto apresentase geralmente em três colunas, bem diagramado, porém com um design extremamente simplório. Conteúdo: Seu conteúdo é bastante diverso, tendo tópicos como entrevistas, cultura, editorial, educação, tecnologia, transporte entre outros.

Definição do objeto: Capa de revista Reação. Análise do objeto imediato: Quadrado cinza como plano de fundo, onde há o logotipo da revista, em azul, inserido em tamanho grande, ocupando uma área de aproximadamente 1/5 da página. Há uma ilustração de uma mão ocupando 1/3 da página. Há textos espalhados sem padrão pela página. Encontra-se uma tarja de cor azul na base da página, contendo texto e imagens.

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Análise do objeto dinâmico: A ilustração em questão é de uma mão robótica feita em 3D, inserido no fundo cinza neutro. Encontra-se numa área central da página. No topo da página encontra-se o logo da revista, em cor azul com leve degradê pro branco. Não há padrão na tipografia usada, sendo que as chamadas encontram-se na cor preta e branca, enquanto os textos na cor preta. Não há simetria. O equilíbrio é oculto e seu agrupamento é por área. Tensão simples. O que o signo sugere: Por fazer uso de uma mão robótica em 3D, sugere que há matérias sobre tecnologia.

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Capa - Revista Incluir

INCL UIR

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A Revista Incluir, segunda mais lembrada, conta com o mesmo tipo de design. Páginas e capa bem poluídos, com informações sem hierarquia e de difícil leitura. Algumas fotos são de baixa resolução e estética questionável. Também tem sua veiculação bimestral, assinatura por 12 meses, 6 edições impressas a R$85,00. Está no mercado há cerca de 7 anos, de acordo com o site da revista, que também informa que a mesma já ganhou quatro prêmios de jornalismo. Capa: Sua capa, não contém um bom projeto gráfico, conta com pouca padronização dos elemen-

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tos, como as fontes para texto e chamadas. Pode-se considerar um pouco poluída. Faz bastante uso de famosos para ilustrar a capa. Miolo: Seu miolo é mais básico, faz uso de fotos, porém também encontra-se um ar bastante sério. Cores: Na capa, o cabeçalho onde encontra-se o logo muda de cor em cada edição. As cores das chamadas também variam. No miolo, o uso de cores é mais pontual, somente nas chamadas dos títulos das matérias. Tipografia: Há padronização dos tipos na capa, onde em todas edi-

ções usa-se a mesma fonte para as chamadas e textos. O mesmo ocorre no miolo. Design editorial: Possui o design mais limpo dentre seus similares, seu layout não é tão confuso e pesado, mas mesmo assim não existe coerência hierárquica de informação em algumas partes do seu projeto. Geralmente usa-se os textos justificados à esquerda na capa. No miolo, o texto é dividido em duas colunas. Conteúdo: De acordo com o site da revista, ganhou quatro prêmios de jornalismo. Os tópicos mais abordados são iguais aos seus similares.


Análise do objeto imediato: Fundo de cor cinza claro, onde há o logotipo da marca no topo da página em tamanho grande, ocupando uma área de aproximadamente 1/5 da página. Há uma fotografia de um homem, ocupando grande área da página, alinhado à direita. Este homem aparece da cintura para cima, usando camiseta de cor azul clara. Suas expressões indicam felicidade. Há blocos de textos situados no lado esquerdo da página, do topo até a base. Análise do objeto dinâmico: O homem em questão é o ator Marcos Frota, conhecido por seus papéis em novelas na televisão brasileira. O logo da revista encontrase no topo da página, em cor branca inserido numa tarja verde. Há uma chamada em fonte maior, de cor verde, chamando mais a atenção com o nome do ator. As demais chamadas encontram-se em tamanho menor, na cor preta, todos alinhados à esquerda. Não há simetria. O equilíbrio é oculto. O agrupamento é por área. A tensão é simples. O que o signo sugere: Sabe-se que o homem em questão é um ator de televisão, e por convenção que haverá alguma matéria atrelada à imagem dele. O nome da revista sugere a inclusão social, portanto acredita-se que a revista trata-se deste assunto.

SENTIDOS Capa Analisada

PROJETO

Capas - Revista Sentidos

Definição do objeto: Capa de revista Incluir.

A Revista Sentidos, conta com o mesmo tipo de design e identidade visual das anteriores, possui conteúdos como educação, entrevistas, reportagens, lazer, esportes e outros. No site da revista, quando é solicitada a assinatura da mesma, o usuário é direcionado ao site da editora, porém, nenhum conteúdo sobre valores e demais informações da revista aparecem, portanto, nota-se uma grande desorganização e falta de informação.

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Capa: Foram analisadas três capas desta revista e não foram encontrados elementos padronizados, as três eram muito diferentes entre si, mudando tarjas, fontes, chamadascores e até mesmo o logo. A disposição das fotos e texto é confusa causando cansaço visual no leitor. Não é uma capa muito atrativa. Miolo: Seu miolo possui design pobre e simplista, não atrativo.

PROJETO

Cores: Na capa há uso de cores, porém em cada edição, o logo recebe a aplicação de uma cor. Em seu miolo o uso das cores é um pouco mais pontual, sempre usando o mesmo padrão. Tipografia: Na capa, não há padronização alguma de fontes, cada número da revista, as chamadas vem com tipos, tamanhos e cores diferentes. Porém, em seu miolo, há um pouco mais de coerência no uso dos tipos para as chamadas e mancha textual. Design editorial: Como constatado, sua capa difere muito de seu miolo. Design da capa é muito pobre, com uso sem cuidado das ferramentas do design. Geralmente o alinhamento das chamadas é à esquerda. Seu miolo geralmente faz o uso de duas colunas para o texto. Conteúdo: Seu conteúdo varia, com matérias sobre educação, entrevistas e esportes.

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Definição do objeto: Capa de revista Sentidos. Análise do objeto imediato: Cor cinza como plano de fundo, onde há o logotipo da marca inserido em tamanho grande no topo da página, ocupando uma área de aproximadamente 1/6. Há uma fotografia de duas pessoas, aparecendo de corpo inteiro. Suas expressões indicam felicidade. Eles ocupam quase toda a área da página. Trata-se de um homem e uma mulher, sendo que o homem está em uma cadeira de rodas, usando roupa mais formal e de cores neutras. A mulher segue a mesma linha, de cor vermelha. Há textos na lateral esquerda, de cima a baixo. Análise do objeto dinâmico: As pessoas em questão não são famosos, tratam-se de um marido e uma mulher, sendo que ela está sen-

tada no colo do marido, o qual está sentado numa cadeira de rodas. No topo da página, encontra-se o logo da revista em branco inserido numa tarja vermelha. As chamadas das matérias estão em vermelho, em um tamanho um pouco maior que os textos em geral, que por sua vez encontram-se na cor preta. Não há simetria. O equilíbrio é oculto. O agrupamento é por área e existe tensão simples. O que o signo sugere: Por convenção sabe-se que por o homem estar sentado em uma cadeira de rodas, trata-se de uma pessoa com deficiência física e que a mulher em questão é sua esposa. Por estes elementos e pelo que o nome da revista sugere, trata-se de uma revista especializada para tal público.


Capa - Jornal Inclusão

PROJETO

Em terceiro lugar como mais citado de acordo com a pesquisa, o Jornal Inclusão. Diferente dos outros concorrentes, encontra-se numa plataforma diferenciada, o jornal, portanto, sua proposta de diagramação é outra. Existe há 5 anos, idealizado pela Dra. Dariene Rodrigues, fisioterapeuta, a fim de facilitar e difundir informação para esse nicho de mercado. A partir do jornal, foi desenvolvido a Rádio Jornal Inclusão, uma extensão do projeto. O Jornal possui versão digital gratuita, porém, observou-se que no ato do cadastro para o recebimento do mesmo, o site não funciona, e o jornal não é enviado para o e-mail cadastrado. Capa: Por se apresentar de uma maneira diferente do formato revista, apresenta-se em formato jornal, a disposição dos elementos da capa diferencia-se das demais. Seu logo recebe sempre em cores diferentes a cada edição. Apresenta

uma melhor disposição, com padrões de fontes e chamadas. Miolo: Seu miolo condiz com a capa, no padrão de jornais, com referência de cores, tipos e disposição dos elementos. Cores: Em sua capa, faz bastante uso de verde e vermelho, mas há algumas edições com amarelo e azul. Seu miolo segue o padrão. Tipografia: Faz uso de fontes padronizadas, para chamadas e texto. Design editorial: Trata-se de um projeto gráfico diferentes das demais similares, porém, usa-se coerentemente os tipos, cores e formas. Conteúdo: Seu conteúdo segue o padrão das similares do segmento.

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D+

Definição do objeto: Capa do jornal Inclusão.

PROJETO

Análise do objeto imediato: Fundo branco como plano de fundo. No topo da página encontra-se o logotipo em branco, aplicado numa tarja em vermelho, ocupando aproximadamente 1/4 da página. Há uma fotografia de uma mulher de muletas no centro da página. Há textos e chamadas distribuídos ao longo da página, encontrando-se com maior incidência na lateral esquerda e na base. Análise do objeto dinâmico: A mulher em questão trata-se de uma atleta paralímpica. Usando vestido vermelho e muletas. Há mais fotografias dispostas ao longo da página. Há um padrão de tipografia, tornando mais harmônica sua distribuição. Há tarjas com chamadas de matérias na cor verde, situadas na base da página. Não há simetria. O equilíbrio é oculto e seu agrupamento é por área. Tensão simples. O que o signo sugere: O nome do ítem a ser analisado é Jornal Inclusão, o que acredita-se ser um jornal com temas inclusivos. Também por conter uma mulher deficiente estampando sua capa.

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Capa - Revista D+

A Revista D+ é bimestral e trata sobre inclusão e diversidades. Abrange temas de trabalho, educação, lazer, esporte, moda, saúde e acessibilidade. Apresenta um site organizado, de fácil manuseio, o que facilita na localização das informações de interesse. A versão impressa, apresenta um design mais limpo em relação as

já citadas, porém não foge muito dos layouts das concorrentes. Os leitores tem como opção adquirir a assinatura completa com a versão impressa e digital, ou apenas uma das versões. Capa: Ao analisar as três versões mais recentes, pode-se dizer que as capas possuem pa-


O que o signo sugere: Sabe-se que o braille é a leitura para cegos, especificando através da imagem a inclusão que a revista propõe, como também na própria assinatura do logo, onde pode-se ler “Diversidade e Diferença”.

drão. O logo é posicionado a esquerda, três chamadas no canto superior direito e uma matéria em destaque centralizada no inferior da página relacionada a imagem utilizada como plano de fundo. Miolo: Assim como a capa, o miolo é bem organizado devido a padronização. Cores: Na capa, as cores utilizadas são equilibradas de forma a se destacarem da imagem do plano de fundo e ganhando legibilidade. No miolo, as cores são utilizadas em detalhes, como subtítulos e em palavras que ganham destaque. Tipografia: A cada edição as capas ganham novas fontes e novas cores, de acordo com o tema. No miolo a fonte utilizada é de boa legibilidade e padronizada, apenas em títulos ela é alterada. Design editorial: O design da capa é estruturado, dando conforto a leitura e chamando atenção pela organização e clareza. No miolo são utilizadas duas colunas e em algumas páginas apenas uma coluna mais larga, há muita utilização de imagens. Conteúdo: Seu conteúdo é diverso, apresenta temas de trabalho, esporte, moda, saúde e acessibilidade. Procuram atender em evidência temas de maior demanda que auxiliam na formação de opinião.

Definição do objeto: Capa de revista D+. Análise do objeto imediato: Plano de fundo com uma fotografia de uma mão e um papel com furos pequenos. Ao lado esquerdo superior há o logotipo inserido em tamanho médio, ocupando uma área de aproximadamente 1/4 da página. Há textos sobrepostos a imagem da mão, no canto direito superior da página estes encontram-se dentro de um bloco e justificados a direita. Há textos em destaque, centralizados que ocupam grande parte da página e, uma tarja na base em cor vinho com textos. Análise do objeto dinâmico: O papel com furos representa o braille, a mão simula a leitura do mesmo. O logotipo presente em todas edições ao lado esquerdo superior é colorido. Há equilíbrio tanto do conteúdo quanto das cores.

Quanto a Revista Acesso, citada como similiar na pesquisa realizada, trata-se apenas de uma revista digital, um site informativo sobre o tema, não há uma versão impressa. Apesar de digital, percebe-se uma poluição visual ainda maior do que nas demais. O site é confuso, os conteúdos são de difícil encontrabilidade e há poucas informações sobre a revista em si. Seus conteúdos variam entre notícias, famosos, moda, entrevistas, saúde, ensaios, entretenimento entre outros.

PROJETO

A partir das análises realizadas dos produtos acima citados, percebe-se que há uma grande lacuna de mercado, onde até existem revistas com o tema inclusivo, porém, além de haver grande pobreza visual, a maioria dos sites das respectivas revistas não funcionam corretamente ou são confusos demais. A partir daí, percebe-se uma oportunidade de mercado, havendo espaço para uma nova revista inclusiva, abordando de forma simples, correta, harmônica, possibilitando o acesso de todos com facilidade e inclusão.

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Fotografia de Amanda Pรกluzzi Modelo: Marinalva de Almeida

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Antes de iniciar a análise sobre moda inclusiva, cabe aqui um breve relato sobre moda, seus conceitos, utilidades e demais aspectos. Moda, substantivo feminino, do latim modus, significa: conjunto de opiniões, gostos, assim como modos de agir, viver e sentir coletivos (fonte Google). A abordagem inclusiva na moda é relativamente nova, pois em toda a história da moda, depara-se com a ideia de que o corpo tinha sempre que se adaptar às roupas. Depois de muito tempo, a partir do final no século XIX, os movimentos voltam-se para a ideia da roupa se adaptar às formas do corpo, proporcionando maior conforto ao usuário. Com o tempo, a moda foi sofrendo uma espécie de democratização, isso se deu graças ao movimento prêt-à-porter ou ready to wear, que teve início entre os anos 50 e 60, onde o conceito chefe eram as roupas prontas para vestir, vendidas em grandes magazines e lojas (AVELAR, 2011). Estilo e roupas, produzidos e vendidos em grande escala, em tamanhos predefinidos, onde surge o padrão P, M e G, usado até hoje. (PALOMINO, 2001).

Anos 60

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Anos 60

Fotos: Reprodução

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A partir disso, o mercado foi adotando um sistema de produção mais eficiente, onde o nicho se tornou o alvo, sendo assim, coleções menores foram criadas, justamente para se adequar às exigências do público (MATOS, et al., 2007). Porém, a maneira como a moda retratou o corpo nos últimos tempos é irreal, um tipo físico “ideal” que não condiz com a realidade. A partir daí, muitas pessoas, por não se enxergarem neste padrão, buscaram cirurgias plásticas procurando cada vez mais encontrar recursos para interferir na sua aparência a fim de se sentirem aceitas socialmente. A moda age trazendo e proporcionando conforto psicológico, e bem-estar.

Foto: Reprodução

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De acordo com Erika Palomino (2001, p.4), “A moda é um sistema que acompanha o vestuário e o tempo, que integra o simples uso das roupas no dia-a-dia a um contexto maior, político, social, sociológico”. Portanto, moda tem muito mais significado e importância do que se imagina. Através dela, é possível que um indivíduo se expresse, ideias e sentimentos e até mesmo inserir-se em um determinado grupo. Assim, moda é o cartão de visita de cada pessoa (PAMONINO, 2001) maneira que cada um se veste, distingue uma pessoa da outra, revela seu estilo de vida e personalidade. Tudo isso está intimamente ligado a questão de autoestima e autoconfiança. Ainda assim, há uma parcela enorme da população, um seg-

fotógrafo Jerome Abramovitch

Erika Palomino 36

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PROJETO

A mistura do corpo humano com o manequim deixa o trabalho do fotógrafo Jerome Abramovitch bem intrigante

mento de mercado que em sua grande maioria é esquecido, os deficientes físicos. A OMS – Organização Mundial de Saúde, conceitua deficiência como um termo ligado a toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função seja psicológica, fisio-

lógica ou anatômica. Perdas ou alterações que podem ser temporárias ou definitivas. Ou seja, essas pessoas que, representam 45,6 milhões de pessoas, 23,9% da população total no Brasil segundo IBGE (2010), e 610 milhões no mundo, entre 600 e 700 mi-

lhões de pessoas, segundo OMS (2011), possuem necessidades de vestuário como qualquer outra pessoa, são consumidoras de moda, porém não são representadas pelos padrões estabelecidos pela sociedade, gerando assim, baixa estima pessoal e dificuldade

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Fotos: Reprodução

cantora Viktoria Modesta

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cantora Viktoria Modesta

de auto-aceitação de sua própria imagem (MATOS, et al., 2007). Segundo Matos (2007, p.8), “Este público tão especial precisa ainda desfrutar de todos os componentes do produto moda. Este aspecto está intimamente ligado ao conforto psicológico”. Esta parcela da população, como qualquer outra, encontra necessidades e anseios no que se diz

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respeito a moda, precisam se sentir inseridos na sociedade e ter a capacidade de se comunicarem através da indumentária. Para Simone Thereza Alexandrino Maffei (2010, p.35), “Dentro do universo das deficiências, o portador de deficiência física motora é um dos indivíduos mais fortemente penalizados pela falta de acessibilidade do espaço urbano e edificado

[...]Eis aí a grande importância da moda inclusiva. Segundo Daniela Auler (2012, p.7), idealizadora e coordenadora do Projeto Moda Inclusiva na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo, moda inclusiva “[...] é uma proposta de moda que propõe incluir tipos de corpos que a indústria hoje não contempla”. A moda precisa ser democratizada e humanizada, para que todas as pessoas, deficientes ou não, possam fazer uso igualmente dela. A ergonomia das peças precisa ser pensada, tendo funcionalidade e mobilidade, para que seja funcional, prática e que comunique o que o individuo desejar.


quanto mais pessoas usarem o produto, mais produtos serão vendidos e maior será o lucro. Segundo Ana Margarida Almeida Machado (2006, p.1) design universal é “[...] o design para todos e tem por finalidade a concepção de produtos, de ambientes e de serviços usáveis por todos nós [...]”. O intuito desta ideia é não fazer um produto exclusivo, mas sim fazer algo que todos possam usar, sem descriminar nenhuma faixa da população. Assim, o benefício será para mais pessoas, fazendo com que elas se sintam inseridas na sociedade. Desta maneira, compreende-se a real necessidade e importância de se falar e pensar em moda inclusiva. Foi na década de 1980 que o processo de acessibilidade teve início, com movimentos liderados por deficientes em busca de inclusão (MACHADO, 2014).

PROJETO

Foto: Reprodução

Do ponto de vista mercadológico, quanto mais pessoas a moda atender, mais pessoas são incluídas no sistema e assim o mercado cresce. É preciso produzir roupas inteligentes, que supram as reais necessidades humanas gerais. Porém, a realidade encontrada não é esta, atualmente as roupas disponíveis não atendem quase nunca às demandas das pessoas com deficiência. Pensar e projetar para este público, denomina-se design universal ou inclusivo. Esta denominação surgiu para questionar o modo que o mercado produz para as pessoas. Segundo Clakson e Keates (apud MONGE, 2006, p.119) o chamado design inclusivo ou universal está ligado à maximização do potencial de mercado dos produtos. Ou seja, o produto deve ser feito de modo que o máximo de pessoas possam se beneficiar dele. Como já citado,

James Young

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Foto: Reprodução

Fotografias de Nadav Kander para The New York Times Magazine. Próteses desenvolvidas por Sophie de Oliveira Barata

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Os movimentos visavam principalmente uma revisão das obras arquitetônicas, pois encontrava-se barreiras físicas de acessibilidade. Seu foco era na superação de barreiras físicas para garantir a autonomia das pessoas com deficiência. Porém, foi apenas no final dos anos 90 que apareceu o termo “design inclusivo”. E hoje em dia, essa luta inclusiva enfatiza o direito de ingresso na sociedade, utilização de todos os bens e serviços sociais, por toda a população (MACHADO, 2014). Pensando na sustentabilidade social, a moda inclusiva propõe uma visão onde todos os tipos de corpos sejam pensados e contemplados. Em 2008 foi criada a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), em São Paulo, que tem como objetivo “[...]garantir que as pessoas com deficiência tenham seus direitos assegurados por

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meio de uma efetiva articulação com as demais pastas promovendo uma real melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. [...]” (Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência). Dentro da secretaria, há o PED – Plano Estadual de Direitos das Pessoas Com Deficiência, onde tem como objetivos: “(a) Garantir o acesso a todos aos recursos, direitos e serviços básicos, necessários à participação na sociedade, combatendo todas as discriminações conducentes à exclusão. (b) Garantir a inclusão social ativa de todos, por meio da promoção de ampla participação no mercado, no sistema educacional, na cultura, no lazer e no desporto. (c) Garantir que as políticas de defesa de direitos e de inclusão social sejam bem geridas e contem com o envolvimento de todas as instâncias do governo


e agentes pertinentes.” (site da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência – plano estadual). Portanto, instituiu-se essa missão e objetivo de pensar no inclusivo, para garantir, assim, acesso dos indivíduos com deficiência no Estado de São Paulo a todos os bens, produtos e serviços existentes na sociedade. Inserindo a moda que está contida dentro das categorias citadas (AULER, 2012). Isso não ocorre apenas no Estado de São Paulo, o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vem pensando e se projetando

para oferecer oportunidades de educação, trabalho e saúde para que essas pessoas sejam incluídas na sociedade, onde haja a possibilidade da independência, autoconfiança e inserção na sociedade. Para isso, a Secretaria possui parceria com ministérios, governos estaduais e locais (Cartilha Do Censo 2010, p.26). Em 2009, foi criado o 1º Concurso de Moda Inclusiva, pregando a disseminação da informação, fomentando e promovendo a criatividade e discussão sobre o tema. Este grande evento contou com parceria da Pensemoda e Vicunha. O Pensemoda é um evento de discussão e filosofia

de moda no Brasil. Vicunha é uma empresa têxtil renomada quefornece para grandes empresas brasileiras (AULER, 2012). Já no 2º Concurso de Moda Inclusiva, passou a receber a rede Globo como apoiador, atraindo atenção de escolas estrangeiras e brasileiras de design. Atualmente, o concurso está na sua 8ª edição, e conta também com uma versão internacional. Este tipo de ação faz os jovens estilistas pensarem e lançarem um novo olhar para criar soluções que facilitem o dia-a-dia da pessoa com deficiência. Assim, possibilita a entrada dos deficientes em passarelas, participando de desfiles de moda, e também PROJETO

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Próteses realistas desenvolvidas por Sophie de Oliveira Barata

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nas ruas, mostrando elegância e estilo. De acordo com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, este concurso foi o primeiro a ser realizado no Brasil, e segundo pesquisas, inédito no âmbito internacional nesse formato. Segundo Glória Lopes da Silva Dal Bosco, “O evento também pode ser responsabilizado pelo aumento da oferta no mercado de moda para pessoas com deficiência [...]”. Dito isso, sobre mercado, cabe aqui uma breve citação de algumas marcas que trabalham a inclusão no modo de vestir: Puket, QW Surf, Elo Avelar, Luy, Sweet Angels, Lado B, entre outras. Todos os indivíduos devem ser respeitados e aceitos, para que assim, se tenha uma sociedade igualitária e inclusiva, aberta a todos, estimulando a participação de cada um, reconhecendo o potencial de todos (FEBRABAN, 2006). Outro fator importante a ser levado em consideração é a abertura de mercado para os deficientes com a Lei de Cotas – 8.213/91, implantada em 1999 pelo Decreto 3.298. Esta lei garante uma reserva de vagas de emprego para pessoas com deficiência, mas seu cumprimento realmente ganhou forças deFotos: Reprodução

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Prótese desenvolvida por Sophie de Oliveira Barata

Fotografias de Nadav Kander para The New York Times Magazine. Prótese realista desenvolvida por Sophie de Oliveira Barata

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PROJETO Modelo e atleta paralímpica, Marinalva de Almeida

vido aos esforços do Ministério Público do Trabalho (MPT) e das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs). De acordo com a Federação Brasileira de Bancos, esta obrigação vale para empresas com 100 ou mais funcionários, e as cotas variam entre 2% e 5% das vagas de emprego oferecidas. Quando falamos de regionalidade, tratando-se da cidade de Campinas, a responsável pela secretaria municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida é Emmanuelle Garrido Alkmin. Forma-

da em direito, foi presidente da Pró-Visão, associação civil destinada à educação de crianças deficientes visuais de Campinas e frequentemente ministra palestras e seminários sobre Inclusão de Pessoas com Deficiências. Segundo a secretária, é necessário o empoderamento para que haja transformação, para que um deficiente que tem vergonha de se olhar no espelho e se aceitar, possa então, se inserir na sociedade com participação ativa. Contexto sempre ligado a autoconfiança e autoaceitação. Com o sucesso do concurso de moda inclusiva em

São Paulo, Emmanuelle Alkmin resolveu trazer o concurso para Campinas, que hoje, se encontra em sua 2ª edição. Importante para mudar conceitos e visões sobre o tema. Emmanuelle diz que “[...] vestir uma pessoa é dar-lhe o poder de se sentir inteira [...]” (Palestra Fashion Friday, 2016). Portanto, a moda inclusiva é, sem sombra de dúvidas, importante e necessária, para a promoção de uma sociedade mais inclusiva, onde é preciso quebrar barreiras não só arquitetônicas, mas também ambientais e estéticas.

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*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

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Somos Todos Paralímpicos A revista Vogue Brasil lançou em Agosto de 2016 a campanha Somos Todos Paralímpicos, criada pela agência África, com direção de arte de Clayton Carneiro e fotografia de André Passos, os anúncios retratam os artistas Paulinho Vilhena e Cleo Pires na pele de Renato Leite e Bruna Alexandre, atletas paralímpicos. As fotos simulam as deficiências dos mesmos, através de edição fotográfica. Os atores em questão foram escolhidos para serem embaixadores dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 e a campanha tinha como proposta frisar a importância de proporcionar visibilidade aos Jogos Paralímpicos. No entanto, a campanha foi massacrada nas redes sociais, levantando inúmeras questões e deixando clara a falta de tato das grandes revistas em lidar com esse público.

PROJETO

Campanha Vogue Paralimpíadas - Paulinho Vilhena e Cleo Pires

Dentre os comentários indignados, as principais colocações citavam que, da forma que foram trabalhadas as fotos, os paralímpicos e deficientes continuam invisíveis. Então a pergunta que ficou foi: porque eles não usaram as fotos dos atletas reais que os atores representavam?

A campanha ganhou repercução e foi citada como “uma imensa bola fora” por diversos sites especializados, como o Brainstorm9, falhando completamente com a proposta de representatividade, sendo totalmente desaprovada pelo público deficiente.

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Análise

S WO PROJETO

Para uma melhor análise dos problemas e das oportunidades, traçando um diagnóstico mais eficaz, é possível utilizar–se do estudo SWOT. A Análise SWOT, em que o termo SWOT é uma sigla inglesa para Forças ou Pontos Fortes (Strengths), Fraquezas ou Pontos Fracos (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats), cuja criação é atribuída a Kenneth Andrews e Roland Christensen, dois professores da Harvard Business School, consiste num modelo de avaliação da posição competitiva de uma organização no mercado. Essa avalia-

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ção da posição competitiva é efetuada através do recurso a uma matriz de dois eixos (o eixo das variáveis internas e o eixo das variáveis externas), cada um dos quais composto por duas variáveis: pontos fortes (Strenghts) e pontos fracos (Weaknesses) da organização; oportunidades (Opportunities) e ameaças (Threats) do meio envolvente. (Fonte: http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/analiseswot.htm)


T

Assim, pode-se dizer que neste caso, a análise SWOT estabelece-se da seguinte forma:

pontos positivos O conhecimento do Design e todas as suas vertentes trará um resultado mais eficaz e funcional, podendo atender e ajudar melhor esse público carente de opções informativas; Toda a revista será pensada, desde o começo, para atender as necessidades do público; A proposta para esse material é pioneira, pois, até então não existe nada parecido no mercado;

PROJETO

Diante da proposta da revista, que tem em sua essência uma causa social e necessária, a visibilidade fornecida por esses fatores torna-se um ponto positivo.

pontos negativos Não será possível atender todos os tipos de deficientes físicos de uma só vez, deficientes visuais, por exemplo, num primeiro momento não poderão ler a revista impressa.

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Os concorrentes estão há um tempo considerável no mercado, criando uma certa tradição e sendo reconhecidos pelo público; Algumas pessoas entendem, de forma errônea, que, uma revista exclusiva para deficientes é uma forma de discriminação aos mesmos.

PROJETO

Todos os concorrentes analisados, diretos ou indiretos, não utilizam o design como aliado. Contrário a isso, possuem estéticas com legibilidade prejudicada e informações de difícil encontrabilidade; Atualmente a inclusão é um tema em ascensão, muito discutido e foco de toda a sociedade; Existe uma grande parcela da população que se inclui no target, o que aumenta as chances de sucesso na inserção no mercado; Projetos com esse cunho, tem uma maior possibilidade de mídia espontânea e divulgações gratuitas, aumentando a facilidade de reconhecimento no mercado sem grandes esforços. Além disso, as próprias instituições da causa tornam-se, na maioria dos casos, aliadas a isto; Com os jogos paralímpicos acontecendo no Brasil, o público deficiente ganha visibilidade e atenção de maneira espontânea e natural. O desafio, nesta situação, está em minimizar as ameaças e pontos negativos, ampliando e divulgando as oportunidades e pontos positivos durante o processo.

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*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

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Pesquisa

Para resultados mais oportunos, um contato e reconhecimento do público de forma mais clara, foram realizados dois tipos de pesquisa, sendo elas pesquisa quantitativa e qualitativas. Abaixo, a análise obtida.

Pesquisa Quantitativa PESQUISA

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A pesquisa aplicada tem como objetivo principal conhecer o público a qual o projeto será desenvolvido e quais as necessidades em relação ao conteúdo que essas pessoas desejam encontrar na revista, além de saber como e quantas pessoas iriam adquirir este produto, caso estivesse disponível no mercado. Com a finalidade de obter estes resultados, a pesquisa foi estruturada de forma a abordar diretamente o público em questão através de um formulário com questões de múltipla escolha em sua maioria (anexo A). Para coletar estas informações foi utilizado o serviço de pesquisa do Google e as redes sociais, principalmente o Facebook, como meio de divulgação - especificamente grupos de pessoas deficientes e apoiadores da causa. Desta forma, foi possível realizar um contato direto com deficientes ou cuidadores, a fim de investigar o tema inclusivo, identificar padrões de comportamento, necessidades e anseios sobre a possível revista de moda inclusiva proposta neste trabalho. Além disso, o contato foi também realizado através de uma listagem com voluntários, disponível no site do evento “2º concurso de moda inclusiva” de toda a região metropolitana de Campinas.

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O formulário foi divulgado e preenchido durante quatro meses, tendo início em maio de 2016 e seguindo até agosto do mesmo ano, cabe aqui uma análise dos resultados para um norte mais preciso, continuidade e produção do projeto gráfico acerca do tema. Do público total participante, totalizando cerca de 115 pessoas, mais de 60% possuíam algum tipo de deficiência ou limitação física e puderam contribuir para o estudo, uma vez que para os não deficientes a pesquisa se encerra nessa primeira questão. Dentre as inúmeras deficiências citadas, destacam-se a paralisia infantil, amputações causadas por diversos tipos de acidentes, diversas doenças e até mesmo síndrome de down. O público, feminino em sua maioria, com aproximadamente 56%, contra 44% do sexo masculino, tem a maior fatia de faixa etária próxima aos 25 e 35 anos (mais de 30%), seguido pela faixa etária de 35 a 45 anos (26%). Em relação ao grau de escolaridade, as respostas foram bastante variadas, em sua maioria, quase 40% com Ensino Superior e 29% com Ensino Médio. De acordo com os resultados, percebe-se que, de maneira absoluta, a maior parte dos entrevistados


OUTROS

44% HOMENS

26% ENSINO

FUNDAMENTAL

29% ENSINO MÉDIO

56% MULHERES

39% ENSINO

SUPERIOR

(65,2%) não se sentem retratados em alguma revista de moda atual já existente. Este resultado aponta diretamente para a lacuna já sugestionada durante as pesquisas iniciais e é caracterizado como positivo para o avanço do projeto aqui proposto, uma vez que esse é o público a ser atingido e o ideal é justamente sanar essa necessidade. Através da pesquisa pode-se também constatar que mais da metade das pessoas entrevistadas (50,7%) já ouviu falar sobre moda inclusiva, porém não tem muito conhecimento a respeito. Isso mostra que mesmo com os esforços atuais para difundir a ideia, muitas pessoas do próprio meio não sabem do que se trata esse tipo de moda. Quando a pergunta foi em relação ao grau de conhecimento de alguma revista de moda neste segmento, a resposta foi quase unânime, cerca de 91% dos entrevistados desconheciam qualquer revista de moda inclusiva. Isso mostra que o empenho de divulgação sobre o tema ainda não é suficiente e que as revistas deste segmento são ainda bem menos divulgadas. O pouco menos de 10% que disse ter conhecimento de revistas desse tipo apontou as revistas Reação, Acesso e Incluir e o Jornal Inclusão - já analisados no capitulo 2 deste trabalho. Para apontar a importância do projeto, solicitou-se a classificação de 1 a 5, sendo 1 o nível de pouca importância e 5 o ní-

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vel de máxima importância, para uma revista totalmente voltada a moda inclusiva, e, a grande maioria, quase 70% assinalou o nível 5, apontando a grande relevância do tema. E, seguindo esse número direcionado, dentre os entrevistados que comprariam ou assinariam uma revista de moda inclusiva, obteve-se 42% dos entrevistados assinariam sem dúvida uma revista nestes moldes e 40,6% comprariam pelo menos uma vez para conhecer, somando um total de mais de 80% de aceitação e abertura para uma nova revista desse meio. Na intenção de saber o que os deficientes consideram que poderia melhorar em suas vidas ao existir uma revista desse tipo, mais de 60% destacou que teria mais informação, quase 50% disse que melhoraria a autoestima, e cerca de 35% o sentimento de aceitação pela sociedade, 27% apontou que o interesse pelo tema aumentaria de modo geral, sendo que apenas menos de 10% não acredita que algo mudaria. Para definir os conteúdos de maior conveniência neste material, foram sugeridos alguns temas, dos quais os entrevistados poderiam selecionar vários. O mais solicitado foi editorias de moda com modelos deficientes, que alcançou cerca de 60% das preferências, seguido pelas dicas e tendências de moda adaptadas ao público e informações para deficientes de modo geral,

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com 55%. Em seguida, ficaram os temas: entrevistas com estilistas e modelos do ramo, desfiles de moda do segmento, informações médicas do segmento e dicas e tendências de moda comuns, juntamente com espaço para o leitor se comunicar. A Revista receberá o nome de “Look In”, na pesquisa avaliouse a aceitação deste nome, pois, quase 60% gosta e disse que o termo aparentemente retrata a proposta da revista. Foram expostas duas marcas iniciais criadas para este projeto para a escolha dos possíveis leitores, pode-se ver as imagens abaixo, a marca 2 foi avaliada como melhor escolha por cerca de 60% das pessoas. As justificativas foram variadas, preferências em torno das cores, por considerarem mais chamativa e marcante, e principalmente por retratar melhor a proposta da revista, sendo mais legível segundo os pesquisados. Marca 01

Marca 02

60% da

preferência

Para finalizar a pesquisa, uma pergunta aberta foi feita, questionando se havia algo que a pessoa gostaria de acrescentar sobre o tema, a maioria preferiu não opinar, no entanto, outros acrescentaram:

“Minha dica vai para que não façam as mesmas reportagens ou/e não utilizem as mesmas figuras de sempre, renovem! Existem muitos deficientes esperando uma oportunidade e com ideias brilhantes.”

“É uma boa ideia, se realmente for acessível a todos, por um preço justo, tanto no conteúdo online e impresso.” Os resultados foram considerados amplamente positivos, do ponto de vista de validação da proposta deste projeto e continuidade do mesmo, uma vez que as respostas apontaram e segmentaram ainda mais as lacunas existentes no mercado.


24%

SE SENTE RETRATADO EM RARAS OCASIÕES

62%

50%

NUNCA SE SENTEM RETRATOS EM NENHUMA REVISTA EXISTENTE

DOS ESTREVISTADOS NÃO SABEM MUITO A RESPEITO DE MODA INCLUSIVA

APENAS UMA, A CADA 10 PESSOAS, CONHECE ALGUMA REVISTA INCLUSIVA

42%

COMPRARIA OU ASSINARIA, SEM DÚVIDAS

70%

CONSIDERA DE MÁXIMA IMPORTÂNCIA UMA REVISTA COMPLETAMENTE VOLTADA AO PÚBLICO DEFICIENTE.

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40% COMPRARIA

PELO MENOS UMA VEZ

O QUE MELHORARIA NA VIDA DOS DEFICIENTES UMA REVISTA DESSE TIPO?

TEMAS MAIS SOLICITADOS

45% 63% 27% 33% 8%

Editoriais de moda

AUTOESTIMA INFORMAÇÃO INTERESSE PELO TEMA SENTIMENTO DE ACEITAÇÃO NADA

Espaço para o leitor

Dicas de tendências de moda adaptada ao público Informações para deficientes de modo geral Dicas e tendências de moda comuns

Entrevistas com estilistas e modelos do ramo

Informações médicas do segmento

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ENTREVISTAS PESQUISA

Como forma de aprofundar os resultados já obtidos nas questões realizadas na pesquisa quantitativa, e para melhor conhecer o público-alvo e entender de maneira mais tangível suas reais necessidades, foram feitas entrevistas diretas com 10 pessoas. As perguntas foram realizadas de maneira aberta, estabelecendo um diálogo, por telefone, aplicativos de mensagens e pessoalmente. Abaixo estão as respostas obtidas:

VIVIAN, 22 ANOS, ATROFIA MUSCULAR NA PERNA ESQUERDA. Vivian é uma garota de 22 anos de idade, residente em Americana, São Paulo, que tornou-se deficiente por volta dos 20 anos. Perdeu o movimento das pernas por conta de uma doença degenerativa cujo o tratamento pode ou não ser eficaz - até agora as melhoras foram quase imperceptíveis. A partir de então ela passou a se locomover com ajuda de muletas. Ela faz faculdade de nutrição - já fazia quando descobriu a doença - sua rotina acadêmica quase não foi alterada, no entanto, sua vida pessoal ficou bastante abalada. Vivian passou por um período de depressão, se afastando bastante dos amigos e da vida social inclusive deletou todas as redes sociais. Não teve namorado, nem antes, nem depois do diagnóstico. Entre seus hobbies, está assistir séries e filmes e ler bastante, além disso ela toca violão.

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Atualmente ela não sai muito, mas quando o faz, sempre alguém da família a acompanha, normalmente a mãe ou a irmã mais velha e é essa pessoa que a leva de carro para os locais - inclusive faculdade. Estando com as muletas, ela se locomove sozinha, mas conta sempre com alguém para ajuda-la em casos de locais não acessíveis. Depois que passou a utilizar as muletas continuou comprando roupas nas mesmas lojas que antes, no entanto, começou a tomar cuidado com a maneira de vesti-las e se era confortáveis para uso. Ela não se sente bem com a deficiência, sente bastante vergonha e baixa estima, por isso não gosta muito de falar do assunto e nem de conhecer pessoas. Tem um grande sentimento de revolta pela sua doença.


Lenilson Tavares de Oliveira tem 42 anos e mora em Campinas, SP. Possui membro inferior abaixo do joelho amputado e faz uso de prótese. Atualmente trabalha como assistente administrativo na faculdade ESAMC de Campinas. É atleta paralímpico de esgrima. Sempre praticou esportes desde seus 12 anos de idade, tendo preferência pelas lutas. Trabalha durante o dia e treina a noite. Em relação a locomoção, ele utiliza seu carro para ir ao trabalho e fazer demais atividades, pois, por possuir a articulação do joelho preservada, ele consegue dirigir normalmente com a ajuda da prótese. Nos finais de semana costuma descansar em sua casa ou visitar sua mãe que mora em outra cidade. Não possui nenhuma limitação na hora de se vestir, apenas coloca a calça na perna da prótese primeiro. Não necessita de ajuda de terceiros, costuma fazer tudo sozinho em qualquer lugar. Nota referências de moda de acordo com seu gosto pessoal. Comenta que até hoje, nunca sofreu discriminação. Não se sente excluído da sociedade. Ele trabalhava na policia militar antes de seu acidente, na força tática. Se acidentou em 2009, e, com o dinheiro que recebeu do seguro de vida particular, comprou sua prótese. Em nenhum momento recebeu ajuda do Estado. Um certo dia, viu anúncios e reportagens sobre esportes adaptados voltado para o público deficiente, e coincidentemente encontrou uma pessoa no supermercado com uma camiseta divulgando o tema. Lá ele perguntou para ela sobre o assunto, que indicou seu atual treinador Gavião, professor da Unicamp, responsável por todas as áreas de lutas inclusivas da região. Foi lá que conheceu a esgrima. Depois disso começou a treinar todos os dias, disputar campeonatos, até que foi convocado para disputar na Seleção Brasileira, como atleta paralímpico de esgrima.

Foto - Amanda Paluzzi

LENILSON TAVARES DE OLIVEIRA, 42 ANOS, AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR

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MARINALVA, 38 ANOS, AMPUTAÇÃO DA PERNA ESQUERDA

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Com 15 anos de idade, Marinalva sofreu um acidente de carro, o que causou a amputação da sua perna esquerda. De início, sentia-se retraída na sociedade devido suas dificuldades, porém, após 8 anos do acidente, teve a iniciativa de realizar um ensaio fotográfico sensual, para ter uma visão mais positiva de si própria. Este ensaio a ajudou muito em relação a sua autoestima, as fotos fizeram com que ela se sentisse poderosa e bonita, mesmo com sua perna amputada. Aprendeu que, para ser aceita na sociedade, quem deve se aceitar antes de tudo é ela mesmo e, desde então, procura divulgar esse ensinamento as demais pessoas com deficiência. Hoje, com 38 anos de idade, Marinalva mora no Rio de Janeiro, é atleta paralímpica de vela do Brasil - Disputou também as Paralimpíadas 2016. Como hobby participa de maratonas, foi inclusive a primeira mulher amputada sem o uso de protése a correr a São Silvestre. Sua autoestima é muito boa, uma pessoa positiva e de alto-astral, procura transmitir aos demais deficientes sua força de vontade e mostrar a todos que são capazes de realizar aquilo que quiserem se tiverem coragem e vontade. Para ajudar na sua mobilidade, usa prótese ou muletas. Ao falar em se vestir, Marinalva apenas sente dificuldade na utilização de calças, devido ao uso da prótese, ou mesmo ao utilizar a mu-

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leta, pois sobra pano na perna que foi amputada. Assim, prefere vestir saias e vestidos, deixando a mostra a prótese. Opta por adquirir roupas sem adaptação, pois a maioria das confecções de roupas para deficientes oferecem roupas básicas, de pouco estilo. Para manter-se informada da moda, Marinalva acompanha revistas e jornais que retratam ou não, deficientes. E ressalta que, destes materiais que acompanha, alguns possuem apenas matérias direcionadas aos deficientes, não são exclusivamente realizados para este público. Em relação ao jornal, gosta das matérias que tragam orientações, cita como exemplo, o Jornal Inclusão, este que apresenta matérias como: “Como tirar carta de motorista?”, “Benefícios que uma pessoa com deficiência possui”, entre outras. Acredita e quer que o mercado atenda e ofereça mais material a este público, pois comenta das dificuldades que uma pessoa com deficiência possui, e que, além de sua mobilidade reduzida, a vida de um deficiente tem alto custo, pois cada deficiência tem uma necessidade específica, como no acessório que o auxilie e na manutenção do mesmo. Diz que é possível conseguir os acessórios através do governo, porém, como o processo é burocrático, leva-se muito tempo.


Foto - Amanda Paluzzi

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LIA, 29 ANOS, AMPUTADA Vítima de um acidente no trânsito, Lia foi atropelada a 11 anos atrás por um veículo o qual o condutor estava alcoolizado. Como consequência, precisou amputar sua perna direita, toda a parte abaixo do joelho. Hoje, com o auxílio da prótese, não necessita de ajuda para executar suas atividades. Assim que sofreu o acidente, Lia não conseguia sair de casa, se sentia extremamente constrangida e

não se adaptava a conviver em sociedade com sua deficiência. Porém, por incentivo de vizinhos, Lia foi apresentada ao basquete de rua e começou a praticar o esporte aos poucos, até que se encantou e se dedicou totalmente a ele. Hoje, ela faz parte da seleção brasileira de basquetebol. Para jogar, ela utiliza a cadeira de rodas como auxilio. Para se vestir, Lia não tem dificuldades, gosta de

roupas que mostrem sua prótese, como saias, shorts e vestidos - não tem mais vergonha disso. Ela acompanha as tendências de moda através de revistas e internet, gosta de seguir as páginas do Facebook e lojas no Instagram e Snapchat. No seu dia a dia, ela treina para os jogos, vai a academia e as vezes ao mercado, utiliza o ônibus como meio de transporte.

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MARCELO MANGABEIRA, 27 ANOS, ESCOLIOSE MÚLTIPLA Marcelo mora em São Paulo, capital. Nasceu com uma deficiência congênita, escoliose múltipla. Segundo ele, sua vida é completamente normal, frequentou a escola desde a infância e se formou em Marketing. Hoje trabalha como atendente comercial no banco Itaú e se locomove até lá através do transporte público, sozinho. De acordo com ele, a sua única limitação é em relação a sua altura, que é um pouco abaixo da média brasileira, 1,42m - e sua impossibilidade de carregar objetos pesados. Seu grande incomodo está nas pessoas que julgam a deficiência sem conhecimento prévio, o tratando como um doente ou infeliz.

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Além disso, não gosta de termos como “Aleijado” ou “incapaz”, pois se sente ofendido por essas palavras anularem seus esforços e conquistas. Marcelo também tem um canal no Youtube chamado “Inclusão com humor” que trata de aceitação e amor próprio no meio inclusivo e está escrevendo um livro chamado “Conheça o outro lado da história e entenda os porquês”, coisas as quais ele destina grande parte do seu tempo livre e tem como hobby. Além disso, ele toca pandeiro e compõe músicas com amigos. Ele acredita que serve como exemplo para pessoas, sua motivação e superação e vê isso como

o lado bom da sua deficiência. Segundo o mesmo, o Brasil tem muito o que evoluir em relação ao preconceito e possibilidades de acesso ao deficiente, pois além de situações desagradáveis que passou durante a vida, ele tem tentado comprar um carro adaptado com isenção impostos há quase um ano e enfrentado uma burocracia extrema, não obtendo sucesso. Tratando-se de consumo e roupas, nunca teve grandes dificuldades em encontrar roupas adequadas, escolhendo apenas algumas peças específicas, no entanto não tem conhecimento de moda inclusiva e de fornecedores dela.


Foto: Reprodução

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MARIA GOMES (PENÉLOPE), 50 ANOS, DISTROFIA MUSCULAR PROGRESSIVA Nascida e criada em Ourinhos, São Paulo, Maria possui uma deficiência irreversível, distrofia muscular progressiva, doença que se manifesta aos seis meses de idade e faz com que os músculos enfraqueçam com o passar dos anos. Devido a esta doença, passou por grandes dificuldades em sua gravidez, porém, hoje é mãe de um menino e avó de uma menina. Como auxílio, utiliza cadeira de rodas motorizada para se locomover fora de sua residência e a cadeira de rodas normal para se movimentar dentro de casa e realizar suas tarefas domésticas, mas já utilizou a bengala e o andador. Maria também é conhecida como Penélope por onde circula, pois gosta muito da cor rosa. Sua casa,

cadeira de rodas e demais acessórios são todos na sua cor favorita. Com alto astral, Penélope diz lidar muito bem com todos que fazem parte de sua rotina, e que não possui dificuldade em relação a sociedade. Lembra apenas de um fato, onde uma vendedora de uma loja de roupas, não quis a atender, mas diz que as demais pessoas ficam encantadas com ela, pelo modo de agir, se vestir e por ter muitas tatuagens. Para se vestir, adquire roupas comuns, sem adaptações, não possui dificuldades e, opta em utilizar vestidos longos. Frequenta as lojas da região, e quando a loja não tem acessibilidade ela pede para que a loja se adeque para atende-lá

e volta assim que possível. É atraída pelas vitrines, não tem o costume de seguir a moda ditada na imprensa, prefere passear no centro de sua cidade e olhar as lojas. Como hobby, adora comprar sapatos, ler romances, assistir filmes evangélicos e conversar com seus amigos do Egito pela internet, gosta muito de fazer amizades com estrangeiros. Hoje, com 50 anos de idade, Maria não trabalha, recebe pensão de seu esposo e como sempre trabalhou, controla sua reserva. Toda quarta-feira, ela frequenta a fisioterapia e utiliza do ônibus circular como meio de transporte, diz que eles estão adaptados com o elevador, então ela consegue se locomover sozinha.

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Foto: Reprodução

MILENE, 35 ANOS, POLINEUROPATIA HEREDITÁRIA SENSITIVO-MOTORA

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Milene reside em Neves Paulista, interior de São Paulo, junto com seus pais. Ela é portadora de polineuropatia hereditária sensitivo-motora, uma doença que se caracteriza pela perda da força muscular, a qual foi diagnosticada aos 10 anos. Desde então, passou a fazer uso da cadeira de rodas como forma de se locomover. Durante muito tempo, ela não exercia grande parte das atividades sozinha. Ela sofreu muitas quedas por não conseguir controlar exatamente seus músculos durante uma parada brusca com a cadeira - chegou a quebrar ossos durante essas quedas. No entanto, desde 2009, começou a se adaptar melhor com a situação. Cursou Tradução e interpretação na Unasp, onde também trabalhou. Durante uma viagem a Santa Catarina, sofreu uma queda que causou várias complicações e trouxe a necessidade de uma cirurgia, fazendo com que ela ficasse acamada por alguns meses. Depois de melhor, passou a trabalhar como agente administrativa. Por conta de sua deficiência, conseguiu redução de carga horária de 8 horas diárias pra 6 horas/dia. Trabalha hoje em uma cidade à 30 quilômetros de sua residência, Rio Preto. Vai até o trabalho de ônibus, pegando duas linhas, num trajeto de 40 minutos, tendo que se locomover nos locais de acesso a elas - percurso que ela faz sozinha, com a ajuda somente dos ônibus inclusivos. Sozinha também faz grande parte da sua rotina, nos finais de semana vai à igreja - onde canta desde criança - ao cinema, shopping. Todos esses locais ficam na cidade vizinha. Segundo ela, sua vida é 90% em Rio Preto o que a obriga a se locomover sempre. Com relação aos hábitos de consumo, costuma comprar roupas e produtos em lojas comuns, por falta de acesso e conhecimento em relação a moda inclusiva. Por passar muito tempo dentro de ônibus, ela costuma usar bastante o celular e acha que poderia ter mais conteúdo específico para o público deficiente.

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FERNANDO, 32 ANOS, VÉRTEBRA FATURADA

No ano de 2006, Fernando sofreu um acidente no trânsito, um carro ultrapassou o sinal vermelho e colidiu com a moto a qual ele conduzia, fraturou a coluna na vértebra T12 e tornou-se cadeirante. Por possuir o tronco preservado, FerNa época, eu recebia um nando executa benefício mensal pelo acidente todas as suas e toda vez que eu ia na lotérica, tarefas soziestava lotada, eu ia cortando nho, consegue transferir-se aquela fila imensa. Quando de sua cadeira a moça ia me pagar, ela para demais lugritava a contagem: CEM..., gares, como por DUZENTOS..., TREZENTOS..., exemplo, para a na terceira vez me senti obrigado cama ou para a a falar: ‘Moça, quebrei a coluna, cadeira de banhos e dirigir. mas o ouvido e a visão estão Ao questionar perfeitos, ninguém precisa sobre como saber quanto eu estou retirando Fernando se aqui’. Meio grosso, mas, as sente peranoutras vezes em que retornei, te a sociedaforam ótimas, me senti digno e, de, ele diz que acredita ser a ajudou com outras pessoas, a um problema ter mais noção e saber lidar”. mais cultural, pois percebe diferenças no tratamento das pessoas com ele quando sai do meio em que vive, não de forma preconceituosa, mas, por realmente as pessoas não saberem lidar com as pessoas com deficiência, pois, estas não possuem costume e aprendizado. Ressalta ter sempre dificuldades, por exemplo, na questão das vagas para estacionar, es-

tas que, muitos brasileiros não respeitam e de alguma forma aproveitam da situação. Conta também um momento no qual se sentiu constrangido. Com 32 anos de idade, Fernando mora em Rio Claro, trabalha no setor comercial da empresa Jumper Equipamentos, uma empresa de cadeira de rodas. Sua rotina é como de uma pessoa sem deficiência: vai à padaria, faz compras no mercado e a noite ele treina Crossfit. Em relação a se vestir, Fernando diz ser muito vaidoso e gostar muito de marcas, como, John John, Calvin Klein, Osklen, e por este motivo, não adquire roupas adaptadas e diz que estas são muito grotescas. Para ele, as roupas não precisam ser adaptas, porém, ele faz questão de prova-lás antes de efetuar a compra. Como a maioria das lojas não possuem acessibilidade aos cadeirantes, muitos oferecem o atendimento no carro, assim ele leva a mercadoria e prova em sua casa. Além de não ter acessibilidade, Fernando comenta que as lojas deixam as araras muito próximas, o que o impede de circular pelo local. Por isso, poucas vezes opta em ir aos shoppings. Para acompanhar a moda, ele gosta de seguir as lojas das marcas que ele gosta no Instagram e Facebook e ver os looks prontos.

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Foto: Reprodução

GIOVANNA, 19 ANOS, DEFICIÊNCIA CONGÊNITA.

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Giovanna possui uma deficiência congênita, seu membro inferior esquerdo é mais curto, seu pé fica na altura do joelho e sua bacia é levemente deslocada. Para sua mobilidade ela utiliza a prótese e ao sentir-se cansada, a muleta. Jovem e com muita disposição, Giovanna comenta sobre os olhares que recebe da sociedade, porém, complementa: “Entendi que todo mundo olha para tudo... Se é magra, gorda, alta, baixa...”. Acrescenta também sobre sua dificuldade ao pegar ônibus e em momentos que utiliza a fila preferencial, diz que as pessoas se irritam e questionam, assim, ela precisa ficar explicando que é deficiente e, muitas vezes, os idosos não entendem e sempre querem tira-la do assento preferencial. O dia a dia de Giovanna é bastante corrido, ela faz faculdade e de lá vai direto para o trabalho. Como transporte utiliza o ônibus ou o carro da família, mas ressalta que, para que ela consiga dirigir o carro precisa ser automático. Em relação a consumo de moda, Giovanna tem limitação apenas com as calças, pois precisa comprar tecidos que esticam para passar pela prótese com maior facilidade. Ela fica triste quando não consegue acompanhar a moda, como exemplo, no caso das botas over-knee. Geralmente compra suas roupas nas lojas: Forever 21, Renner ou em brechós. Adora acompanhar as tendências de moda através de blogs/vlogs estrangeiros e pelo Pinterest.


EVANDRO, 37 ANOS, TETRAPLÉGICO. Evandro José Nogueira tem 37 anos, e mora em São Bento do Sul, interior do estado de Santa Catarina. Ele é tetraplégico há 18 anos em virtude de um acidente automobilístico, o qual ocasionou uma lesão severa na medula da coluna cervical, vértebras C6 e C7. Na época do acidente ele tinha pouco mais de 18 anos. Passou por uma fase de adaptação bastante complicada até entender os sinais fisiológicos do próprio corpo, pois com a lesão medular as necessidades do organismo foram alteradas, e o corpo passou a responder de maneira diferente. Passado esse período, ele entende que começou uma nova vida, com maneiras diferentes de realizar simples atividades do dia a dia, adaptando-se as novas condições. Hoje, necessita de uma pessoa para o auxiliar em algumas atividades de rotina, como o banho, sendo que precisa de auxílio para se transferir da cadeira de rodas normal para a de banho. Já outras atividades, como refeições e utilização de utensílios domésticos, consegue fazer sozinho. Evandro é graduado e tem um carro adaptado, o que possibilita que ele possa dirigir ajudando bastante em seu deslocamento diário. Ele é casado há três anos e tem um filha de dois anos. Tem sua casa, onde reside com sua família - esposa e filha - trabalha na

casa do seu pai, onde eles têm um escritório de Contabilidade. Ele possui um pouco de dificuldade em montar e desmontar sua cadeira de rodas para colocá-la no carro, e normalmente as pessoas próximas o ajudam nesse momento. Durante a faculdade, nas primeiras semanas seu pai o acompanhava para montar a cadeira e depois ia buscá-lo para o mesmo fim. Com o passar do tempo fez amigos que passaram a o ajudar todas as noites. Em relação ao seu vestuário, as roupas que vestem a parte de cima do corpo ele consegue colocar sozinho sem nenhum problema, no entanto, quando trata-se de calças, bermudas, meias e calçados, precisa de ajuda. Durante um tempo, ele tentou se trocar completamente sozinho, mas acabava dependendo de um série de requisitos, como que as peças que ia usar estivessem ao alcance, por exemplo. Utiliza todos os tipos de roupas e tecidos, mas prefere roupas de tactel, pois facilitam na hora de realizar transferências da cadeira para o carro ou para a cama. Segundo ele, o jeans é o tecido mais complicado para a condição física dele, pois por não possuir os movimentos nos dedos e fazer uso de CAT (cateterismo vesical), para esvaziar a bexiga, o fato de ter que abrir um zíper complica a tarefa. Assim sendo, utiliza jeans

somente quando vai a lugares rápidos, como restaurantes e bares, e diminue a ingestão de líquidos para que não seja necessário realizar o CAT na situação. Já viajou de ônibus, avião, carro e trem e em todas as ocasiões utilizou calças de tactel ou outro tecido que a calça tenha elástico sempre facilitando a condição do CAT. No inverno, que costuma ser bem rigoroso no sul do Brasil, utiliza calças de moletom, pois além de serem mais quentes elas têm elástico e facilitam as funções. Dessa forma, ratifica que a sua maior dificuldade é em realizar o cateterismo e por isso precisa sempre pensar em usar roupas que o atendam de maneira mais adequada pois é necessário expor o pênis para a realização. Tratando-se de moda inclusiva, ele comenta que a cidade onde mora é completamente precária nesse quesito e que não existe nenhum tipo de mercado desse âmbito. Nunca comprou nenhuma peça que tenha sido elaborada com o objetivo de minimizar suas dificuldades. Ainda assim, ele acompanha o segmento através da internet, principalmente redes sociais e blogs, mas define o setor como limitado e escasso, pois conhece apenas uma loja virtual que vende moda inclusiva, a Lado B Moda Inclusiva.

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Análise dos resultados Grande parte dos entrevistados não compram moda inclusiva por não conhecerem fornecedores, não terem oportunidades ou acharem que a moda inclusiva tem poucas opções e é de mal gosto. Fazendo com que essas pessoas consumam em lojas comuns que não são adaptadas para atende-lás da melhor forma. As pessoas mais novas tem maior dificuldade de aceitação de si mesmas, o que melhora durante o tempo. Este público, em sua maioria, não dirige, o que possibilita a leitura durante a locomoção.

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Na maioria dos casos, a deficiência é tida como um fator motivador, fazendo com que as pessoas realizem tarefas desafiadoras Apesar das muitas dificuldades encontradas, as PcD tem uma vida normal, sonhos, desejos e hábitos comuns. Cada tipo de deficiência é muito específica e exige cuidados e necessidades próprias - o que, muitas vezes, as pessoas sequer imaginam, mesmo as do meio PcD. Os esportes são quase sempre um hobby importante, fazendo com que a estima e aceitação dessas pessoas melhore bastante. A situação financeira/classe social influencia diretamente na qualidade de vida dos deficientes, uma vez que conseguir ajuda do governo é bastante burocrático e demorado. Quase não existe conteúdo específico de qualidade para este público, e, é necessário sanar mais do que apenas a lacuna de moda inclusiva, é preciso atender à questões de saúde e cotidiano. A revista precisa ter, em algum aspecto, caráter informativo, pois esse é um elemento primordial para que as pessoas do próprio meio tenham uma consciência mais ampla.

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*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

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ERSONA PESQUISA

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Usuários são complicados e variados. É preciso grande esforço para compreender as suas necessidades, desejos, preferências e comportamentos.”

(PRUITT & ADLIN, 2010)

O conceito de personas foi criado por Alan Cooper e popularizado em seu livro “The Inmates Are Running the Asylum: Why High Tech Products Drive Us Crazy and How to Restore the Sanity”. A lógica dessa aplicação consiste basicamente em implementar rostos aos usuários, criar uma imagem memorável e envolvente que transmite informações sobre os usuários.

Uma persona é um arquétipo de um usuário que pode ajudar a decidir sobre as características do produto, navegação, interações e estética” (GOODWIN, 2002)

São descrições detalhadas de pessoas imaginárias, construídas a partir de dados sobre pessoas reais” (PRUITT & ADLIN, 2010)

Segundo Cooper, as personas devem ser criadas observando o mundo real, com dados em pesquisas de campo e dados recolhidos. Dessa forma, com base nas pesquisas e entrevistas realizadas, utilizando a metodologia de Design Estratégico/empatia técnica que consiste na necessidade de documentar ou montar uma hipótese de perfil de um público. Esse perfil pode ser utilizado para melhorar campanhas de marketing, aprimorar produtos ou auxiliar em outras decisões estratégicas sobre um negócio. Com base nisso, estabeleceram-se quatro tipo de personas, descritas a seguir:


Foto: Reprodução

SUPERATIVA &

ENGAJADA

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Entusiasta

Engajada

Grata

Autoconfiante

Vaidosa

Esportista

33 anos

Mulher

São basicamente pessoas que utilizam a sua deficiência como motivação e trampolim para viver uma vida de superação.

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NORMAL

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Gosta de esportes

Lê bastante

Técnico em informática

30 anos

Homem

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Gosta de filmes e séries

Pessoas que vivem a sua vida normalmente, fazendo o que fariam se não tivessem a deficiência. Não se limitam, nem se motivam com isso.


Questionador

Inseguro em alguns aspectos

Contador

27 anos

Homem

Gosta de ficar na dele Foto: Reprodução

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ACEITATIVO São pessoas que vivem a sua vida normalmente, mas limitam-se de acordo com a sua deficiência.

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São pessoas que não aceitam a sua condição, sofrem com a situação e não se aceitam.

OFENDIDA & DEPRESSIVA

Foto: Reprodução

Acredita que uma revista Inclusiva pode fomentar ainda mais o preconceito.

Mulher Estudante 24 anos Triste Depressiva Baixa estima Não gosta de sair Lê muito


*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

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Objeto

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OBJETO

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A Revista Inicialmente a proposta do projeto consistia basicamente em elaborar uma revista de moda inclusiva, no entanto, no decorrer das pesquisas e entrevistas o foco foi ampliado para melhor atender o target. A revista em si, denominada Look In - nome que remete diretamente ao universo da moda e acrescenta o prefixo de inclusivo - tem como proposta atender as necessidades dos PcDs, valorizando a figura do deficiente e elevando a autoestima do mesmo. A ideia é que a revista mantenha seu foco no universo fashion, contendo editoriais de moda, sempre tratando de moda inclusiva e/ ou de moda comum que pode ser utilizada pelo deficiente, mas que percorra diversos caminhos do universo inclusivo, passando por saúde, acesso, informações, e entrevistas com pessoas do

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meio, além de se transformar em um meio para que essas pessoas se comuniquem e divulguem suas ideias, com uma coluna do leitor. Esses pontos e necessidades puderam nitidamente ser identificados nas pesquisas. O principal aliado, nesse caso, é o design. A revista será completamente realizada para atender o público estudado, colocando em prática aspectos do design ainda inéditos em revistas desse tipo. A ideia é que a revista possa ser adquirida em bancas ou através de assinatura, por um preço acessível. A revista, como qualquer outro veículo similar, para manter sua circulação e rentabilidade contará com anúncios - no entanto, serão apenas segmentados, ou seja, divulgação de empresas que atendam direta ou indiretamente o meio inclusivo e os PcDs.


Projeto

Complementos do

Afim de dar mais tangibilidade e enriquecer um pouco mais o projeto, possibilitando que uma quantidade maior de pessoas sejam atingidas e de maneira mais eficaz, foram pensados alguns complementos para a revista, detalhados a seguir:

OBJETO

Aplicativo Só até o mês de setembro de 2010, segundo dados da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), chegou-se ao número de 12.145 milhões de usuários de smartphones (AMORIN, 2011). Por esta razão as pessoas passaram a ter acesso aos mais diversos tipos de informações a qualquer momento e em qualquer lugar, graças ao acesso móvel à internet disponível para esses dispositivos. O fato de haver cada vez mais pessoas conectadas a internet acaba aumentando o poder da inteligência

coletiva, uma vez que as pessoas podem trabalhar, socializar, relaxar, coordenar ações e colaborar enquanto estão em movimento (LYONS; JAIN; HOLLEY, 2007;BÜSCHER et al., 2009). A inteligência coletiva é uma inteligência distribuída por toda a parte, continuamente valorizada, coordenada em tempo real e que resulta na mobilização efetiva das competências. A base e o objetivo da inteligência coletiva é o enriquecimento mútuo das pessoas (LEVY, 2000).

12,145 MILHÕES

de usuários de smartphones OUTUBRO | 2016

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existentes no mercado - Pinterest, Chiq Feed, We heart it-, com o diferencial de possuir o mesmo público da revista. A ideia é bastante simples: um aplicativo no qual usuários possam criar seus perfis e salvar as próprias referências de notícias e fotos do meio inclusivo. O conteúdo do mesmo, seguirá, de maneira adaptada ao meio, o conteúdo e matérias presentes na revista, podendo também ser alimentado pelos usuários. Basicamente, uma rede social que permite o compartilhamento de fotos, vídeos e matérias em diferentes murais, de acordo com categorias determinadas ou buscadas pelo utilizador.

Com uma proposta totalmente inclusiva, ele terá aspectos diferenciais que vão desde suas cores - tons visíveis para daltônicos - até a possibilidade de ampliação das fontes e contraste, ajudando pessoas com baixa acuidade visual. O aplicativo contará também com navegação comandada por voz e facilidade de acesso ao conteúdo, com buscas em todas as telas. Por se tratar de uma ferramenta similar as existentes no mercado, porém, com um público especifico, o app seguirá padrões de navegação já estabelecidos como clicar duas vezes na tela, para curtir algo, por exemplo.

Foto: Reprodução

OBJETO

A tecnologia é o grande diferencial desta era, possibilitando que toda uma população tenha acesso a internet e ao compartilhamento de informações de todos os lugares. Com a implementação da internet móvel, nos dias atuais, é praticamente impossível que qualquer produto se distancie do online. Desta forma, com todo esse cenário em evidência, um aplicativo foi pensado para compor o universo do projeto possibilitando o enriquecimento informativo ao público através de mais um meio. O app em questão foi nomeado Look In e tem como proposta ser um aplicativo de moda como os demais similares

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Foto: Reprodução

O aplicativo estaria disponível para todos os sistemas operacionais de celular, de forma gratuita, no entanto teria conteúdo exclusivo, opções Premium, para assinantes da revista.

Encarte Anexo

OBJETO

(Fornecedores do Ramo) Através do contato com as pessoas com deficiência, familiares e cuidadores, foi possível identificar a dificuldade que elas possuem em localizar produtos, profissionais e lojas específicas que atendam suas necessidades de moda inclusiva. Os exemplos retratados nas entrevistas são inúmeros e a falta de conhecimento de fornecedores do ramo foi um dos pontos mais afirmados. Pensando nesta dificuldade e, em melhor atender o público consumidor da revista, será inserido um encarte avulso com o intuito de divulgar e pontuar fornecedores de moda inclusiva. Nele, será possível encontrar

todas informações de contato de fornecedores que atendam às necessidades de cada deficiência, separados por tipo, de maneira bastante intuitiva. A ideia de proporcionar um material avulso, é em facilitar o acesso às informações e deixar o leitor armazenar onde preferir, não precisando carregar sempre a revista inteira consigo. E também, com a finalidade de não poluir visualmente a revista, tratando-se de uma grande quantidade de informações e anúncios. Este encarte será distribuído para os assinantes da revista e não acompanhará todas as edi-

ções, apenas a primeira edição adquirida, sendo novamente enviado somente quando o conteúdo for atualizado, mais ou menos a cada um ano. Caso, o consumidor adquira a revista em bancas ou demais lojas fornecedoras, basta solicitar o encarte por e-mail, apenas enviando o comprovante da compra. Por se tratar de um material de uso duradouro, o mesmo será impresso em um papel mais rígido, seu tamanho será A5 para facilitar o armazenamento. Seu design será inspirado na revista, com todas as informações úteis de maneira leve e muito conteúdo visual.

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definições Revista - Marie Claire

Referências Visuais DEFINIÇÕES

Revista - Vogue

Revista - Harper’s Bazaar

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Por tratar-se de uma revista cujo o principal foco é o universo da moda, a ideia foi manter o estilo de design já consagrado e estabelecido no meio. Dessa forma o público pode, de fato, se sentir incluído, pois o design embora voltado para ele, é o mesmo das revistas consideradas “normais”. Este fator, além de proporcionar um sentimento maior de aceitação, ajuda no quesito encontrabilidade, afinal, durante anos as revistas desse tipo são lidas e escritas da mesma forma e manter isso proporciona ao leitor que se sinta familiarizado com a revista mais facilmente, mesmo ela sendo completamente nova. Como base principal, foram utilizados como referências a revista Vogue, Marie Claire, Harper’s Bazaar, seguida por diversas revistas de design encontradas na internet.


*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

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A seguir pode-se observar uma projeção resumida do espelho da revista:

Fixas Anúncios

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Editoriais de moda com modelos deficientes Dicas e tendências de moda adaptadas para o público Dicas e tendências de moda comuns Desfiles de moda do segmento Entrevistas com estilistas do ramo Entrevistas com modelos do ramo Espaço para o leitor se comunicar Informações para o deficiente de modo geral Informações médicas do segmento

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1ª Capa Índice 2ª Capa

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CRONOGRAMA

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A revista Look In trata-se de uma publicação sobre moda inclusiva. Por isso, é importante que na capa, o conteúdo se apresente de forma de fácil identificação e leitura. Como já citado, o estilo de design permanece semelhante das revistas de moda do mercado, para que haja fácil encontrabilidade e inserção no mercado. Se tratando do elemento capa, foi optado por trabalhar com um design limpo, ou seja, utilizar sempre a harmonia para que o visual não seja pesado e não cause cansaço ao leitor. Seguindo o padrão revista, o logo apresenta-se sempre em destaque na página, em aplicação que contraste com o fundo. Assim, a pessoa que olhar rapidamente, poderá encontrar facilmente a marca da revista em questão. A tipografia utilizada nas chamadas seguirá o padrão definido para a revista como um todo. Sempre seguindo o padrão da limpeza visual, com algumas chamadas do conteúdo da revista e utilizando uma proporção que não afete, nem pese a capa. Os elementos utilizados serão sempre vinculados com o conteúdo interno da revista e, serão dispostos de forma a facilitar o acesso às informações.


A linguagem visual, como todo fenômeno de linguagem, requer, entre outros, uma materialidade suscetível de afetar os órgãos sensoriais, registrar formas e projetar intenções.” (Campanhole,Sidney )

Tendo em vista que linguagem visual é todo tipo de comunicação que se dá através de imagens e símbolos, foi adotado para este projeto uma identidade que, perto das outras publicações de moda, seja semelhante, porém próprio. A intenção é que o leitor identifique facilmente a revista em questão em meio às demais, não só pelo logo, mas também pela qualidade gráfica, estética e fotográfica. Uma identidade que seja sutilmente na mesma linha das outras publicações, porém, contendo o diferencial da identidade criada. Para que essa distinção aconteça, o projeto foi pensado e desenvolvido nos mínimos detalhes. Um grid formulado a fim de organizar e estruturar os elementos, foram escolhidas tipografias que fossem de fácil leiturabilidade e visualmente agradáveis e imagens de qualidade que impactem o leitor positivamente foram aplicadas.

A ideia é que em cada edição, haja fotografias produzidas pela equipe da revista, trazendo mais credibilidade, liberdade artística e uma melhor direção de criação. Além também, de uma qualidade textual. Todos estes elementos, além do conteúdo disposto nas páginas, definem a identidade de uma revista. A ideia da revista é também que não haja um engesse que prenda negativamente. Os padrões estabelecidos são para estruturar positivamente, mas também há de existir liberdade criativa. Como o autor Timothy Samara diz, “Ordem e desordem unidas”. Como exemplo, alguns títulos de matéria do interior da revista são desconstruídos, possuindo um design único, formando assim uma composição ótica espontânea. Sendo assim, o intuito é ganhar o olhar e atenção do leitor através da disposição dos elementos gráficos, sem causar qualquer poluição visualmente falando.

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Defesa de

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A MARCA


criação “ Além da criação da identidade visual da revista, o desenvolvimento de uma marca para um projeto como esse é indispensável. Para Rafael Sampaio (2002, p. 25-26), seu significado vai além e possui duas definições distintas: uma a partir dos consumidores e outra a partir das empresas. A marca, do ponto de vista do consumidor, é a síntese das experiências reais e virtuais, objetivas e subjetivas, vividas em relação a um produto, serviço, empresa, instituição ou, mesmo, pessoa. Por outro lado, para as empresas e instituições – bem como para seus produtos e serviços – e incluindo mesmo muitas pessoas que disputam a atenção dos consumidores, a marca é a síntese da sua franquia junto ao mercado. Entretanto, as marcas não foram concebidas já com essa forma atual. Elas foram criadas ainda na antiguidade e desde então vêm mudando e evoluindo constantemente, se tornando cada vez mais importantes nas estratégias de marketing das empresas e organizações.

... uma marca é um nome, termo, signo, símbolo ou desenho, ou a combinação destes elementos, com a intenção de identificar os produtos e serviços de um vendedor, ou vendedores, e diferenciálos da concorrência.” (KOTLER, KELLER, 2011, p.269).

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Portanto, a marca criada para o projeto traduz, principalmente, os aspectos básicos da inclusão. A fonte escolhida, a Gotham, foi estilizada e alterada, ganhando “próteses” para se assemelhar ao público de maneira representativa. O quadrado em volta, por sua vez, traz aspectos de proteção e simetria, representando o universo inclusivo - por esse motivo ele tem uma lacuna, onde metaforicamente a inclusão se entrelaça e interage com o resto das pessoas. A assinatura “moda inclusiva” foi inserida para que não restassem dúvidas da intenção e proposta da revista no caso de alguém desconhecer completamente o produto. A mesma foi escolhida com base na pesquisa quantitativa realizada, tendo maior percentual de preferência do público, o que prova que as PcDs identificaram a proposta e se sentiram retratadas com ela.

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TIPOGRAFIA

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Analisando as fontes aplicadas no projeto, sabe-se que é preciso conhecimento para que haja impacto estético, funcional e psicológico correto desejado. As fontes, para Ellen Lupton, (2006, p.9) são “[...] recurso essencial empregado por designers gráficos, assim como vidro, pedra, ferro e inúmeros materiais são utilizados por arquitetos”. Através do tipo comunica-se uma ideia, intenção, se traz seriedade ou não a uma peça e possibilita dar forças ao projeto. Sendo assim, foram definidas três famílias tipográficas para compor este projeto, sendo elas: Butler, Museo e Tungsten. O tipo base da revista é a família Butler, que será aplicada na mancha textual. A família dessa fonte possui alta variedade de estilos, possibilitando uma maior facilidade de aplicação e variedade de uso, ajudando na composição do design. A Butler é uma fonte gratuita criada pelo designer belga Fabian De Smet, com objetivo de trazer um pouco de modernismo para as fontes serifadas existentes. Ela é é uma mistura de referências de tipografias serifadas, principalmente a Dala Floda e a família Bodoni. Segundo seu criador, ela foi criada pensando em corpo de texto e tem uma excelente legibilidade pelo seu contraste. “As serifas (ou patilhas) unem as letras, ajudando na formação de

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grupos nas palavras. Elas servem ainda para guiar o leitor ao longo de cada linha de um texto, sendo justamente por isto que são largamente empregadas na composição de livros, jornais e revistas.” (Sousa, Miguel, Guia de tipos, Outubro 2002) Sabe-se que as serifas ajudam a agrupar as letras de uma palavra, facilitando a leitura, pois suas astes prolongadas ajudam o leitor a não se perder no texto. Através de várias análises, foi comprovado que um leitor experiente não lê um texto letra por letra e sim lê palavra por palavra, portanto, todos os fatores que facilitam a percepção do olho humano a perceber uma palavra como um bloco ótico, melhoram a legibilidade. De maneira geral, as serifas facilitam a leitura, pois fazem o texto parecer contínuo aos olhos do leitor. Além disso, fontes desse tipo dão um ar clássico e requintado ao design, justamente a proposta procurada para a revista. A Tungsten, trata-se de um tipo bastante marcante e de personalidade, utilizada para títulos e detalhes, também possui uma vasta família de opções, com variedade de estilos e pesos. Desenvolvida pela foundry Hoefler & Co., tem um ar bastante moderno, contrabalanceando as serifas da fonte anterior e

Aa

A

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A BC D E FG HI J KL M N O PQ R S T U V W X Y Z ab c d e f g h i j k l m n o p q rs t u v wx y z 0123456789 ABC D E FGH IJ KL M N O P Q R ST U VW X Y Z a b c d e fghi j kl m n o p q r s tu v w xy z 012 3 4 5 6789

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proporcionando um design arrojado, bonito, contemporâneo e complementar. A Museo, também utilizada como uma fonte de apoio, criada por Jos Buivenga, foi listada como uma das 10 melhores fontes de 2008 pela MyFonts.com. Segundo seu criador, ela foi criada desde o início para ser uma fonte de exibição. Essa é a razão pelo qual ele escolheu alinhar os ascendentes com a altura das astes, para que um olhar mais harmonioso fosse possível quando títulos são usados, por exemplo. Por esse motivo, essa fonte foi escolhida para uso em detalhes e em complementos, possuindo também uma grande variedade de estilo e complementando a escolha das outras duas. Como trata-se de uma revista visando totalmente o design aplicado, existe uma liberdade na escolha de tipos para títulos e subtítulos ou qualquer outra aplicação, para que haja uma maior diversidade, sem perder a identidade.

A leitura se torna fácil e harmoniosa quando há contrastes de peso e cortes bem diferenciados. Portanto, é preciso que haja uma harmonia e ponderação dos pesos na hora de criar a mancha textual. Ainda, para que a leitura seja agradável, há de se pensar também na entrelinha, sendo que, se a mesma ficar muito justa cansará o leitor, dificultando a leitura. O olho humano não conseguirá focar a linha desejada, sem ler a linha de cima ou de baixo. O mesmo acontece quando a entrelinha é extremamente grande, o leitor se perde na sequência de linhas que estava lendo. De acordo com Brockmann (1982, p.35) “A entrelinha exerce uma influência fundamental sobre a legibilidade de um texto”. Tudo que atrapalhe a fluidez da leitura, tem que ser evitado. Portanto, os fatores que influenciam diretamente a legibilidade de um texto são extensão da tipografia, largura da coluna e entrelinha. Neste projeto, definiu-se que a entrelinha na mancha textual será de 12 pontos, tornando a leitura fácil.

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GRID

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Antes de fundamentar o uso e criação do grid neste projeto, cabe aqui uma breve descrição de como surgiu e porque é importante fazer uso do mesmo. De acordo com o livro Grid - Construção e Desconstrução, de Timothy Samara (2007, p.14), o grid é uma ferramenta usada há muito tempo, havendo vestígios de uso antes dos gregos e romanos. Porém, seu uso no design gráfico surgiu durante a Revolução Industrial. Segundo o autor “As vantagens de trabalhar com um grid são simples: clareza, eficiência, economia e identidade”. O grid serve para fazer a divisão do espaço em partes iguais e regulares (LUPTON, 2006). Deste modo, consegue-se uma uniformidade na disposição dos elementos visuais. Nele podemos estruturar e criar hierarquia, compor texto, organizar as imagens, dar rítmo, e por fim, apresentar o material de forma clara e objetiva (BROCKMANN, 1982). Cria-se uma ordem racional no design editorial, usado não só por designers gráficos, mas também por fotógrafos. O grid também é um facilitador, além de organizador, pois é possível um designer diagramar rapidamente uma grande quantidade de informação. Os materiais que são impressos são lidos geralmente de 30 a 35 cm de distância (distância entre o olho e o impresso). Para que a leitura seja agradável, não se pode construir linhas muito longas ou muito curtas, pois senão, irão cansar o leitor. Uma linha longa é vista como cansativa para o olho humano, já uma linha curta, o olho tem que saltar de linha com muita frequência, tornando a leitura cansativa também (BRO-

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CKMANN, 1982). Para que a leitura seja fácil e agradável, foi usado o grid de duas ou três colunas, bastante usados em revistas, permitindo que a disposição do conteúdo seja flexível. Para definir a largura da coluna, foi pensado para que contenha uma quantidade satisfatória de caracteres. Se a coluna for muito estreita, haverá muita quebra de palavras, tornando o texto sem uniformidade. Já se a coluna for muito larga, dificultará o encontro do começo das linhas para o leitor. Portanto, a largura da coluna definida para este projeto foi de 4,1cm, tendo 5mm de espaço entre cada coluna. Contendo uma média de 4 a 7 palavras por linha, em cada coluna. Para desenvolver o grid deste projeto, o método do designer argentino Raúl Rosarivo foi utilizado, onde divide-se tanto a largura como a altura por 9, chegando em uma grelha harmônica. O maior número de módulos facilita na aplicação do conteúdo, permitindo mais gradações e aplicação de imagens em vários tamanhos. Para definir a mancha textual, primeiramente define-se o formato da página e a largura das margens. Definiu-se que o tamanho da página simples será 18 x 24,3 cm, onde na divisão desses valores por 9 (método de Raúl Rosarivo), encontra-se os números 2 cm e 2,7 cm, usados na criação do grid. As margens, quanto mais largas forem, melhor a aparência da mancha textual será (BROCKMANN, 1982). Por isso, definiuse que a margem externa superior terá 4cm, externa inferior 2,7cm, externa esquerda 2,7 cm e a interna 2cm. Tendo o seguinte desenho:


4 cm

2,7 cm

Se as margens forem muito pequenas, o leitor terá a impressão que a página está muito cheia, causando cansaço visual. Porém, se a página for muito vazia, dará a impressão de desperdício ou falta de conteúdo. A margem superior encontra-se com o maior tamanho, para aplicar títulos com maior folga de espaço, deixando o visual mais agradável.

2,7 cm

DEFESA DE 2 cm CRIAÇÃO

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CORES

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Visando facilitar a visualização e leitura da revista, toda a identidade visual e elementos gráficos tem como principais cores o preto e o branco - o mais puro e melhor contraste tonal, também denominado contraste claro-escuro. Dessa forma, é possível melhorar a visibilidade para pessoas daltônicas e com uma acuidade visual um pouco alterada. Assim, além das particularidades de legibilidade, as cores monocromáticas reforçam ainda mais o aspecto de requinte e beleza da revista, trazendo um ar de modernidade e clássico. Outro fator que influenciou na escolha desses tons, foi o fato de, pelo projeto se tratar de uma revista, seu conteúdo possuirá uma imensa quantidade de fotos, dessa forma, tendo o preto e o branco como base, as imagens ganham ainda mais evidência e a identidade não rouba a atenção do leitor. Como tons secundários, foram escolhidas três tons: Amarelo, Azul e o Rosa. Essa paleta teve inspiração no movimento de moda Color block, uma tendência que mistura diferentes cores em um só look, com peças que contrastam tons frios com quentes ou harmonizam cores semelhantes. Essa tendência surgiu em meados dos anos 80 com o movimento New Wave mas ainda não possuía um nome e nem era muito popular. No entanto, em 2010, quando muitas grifes começaram a apostar nas

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Fotos: Reprodução

Editorial Color Block View of the Times

cores fortes, deu-se o nome Color block. Em 2011 a Gucci lançou uma coleção de verão totalmente voltada aos tons vibrantes e de lá pra cá a mistura de cores fortes caiu no gosto das pessoas, se mantendo até a data atual. Essa inspiração foi escolhida por se tratar de uma tendência de moda extremamente democrática, que deficientes de todos os tipos podem seguir. Nicky Szmala, diretor digital na Geometry Global, publicou um gráfico onde ele analisa os significados das cores básicas ba-

seado na interpretação delas ao redor do mundo. Tendo em vista seu estudo e utilizando, a América latina como base, podemos perceber que o amarelo é entendido como uma cor de luz, o rosa como uma cor feminina e de delicadeza e o azul, por sua vez, como uma cor agradável, de esperança e sensibilidade. Ainda, por se tratarem de cores de auto contraste entre si, são utilizadas em detalhes, possibilitando a maior vivacidade e beleza da revista, complementando a essência do design proposto.


Cantora Viktoria Modesta

Fotos: Reprodução

DESIGN APLICADO AO TEMA Tratando primeiramente e principalmente de deficientes físicos com dificuldades motoras, não existe muito a agregar no design editorial em si, afinal, essas pessoas conseguem ler uma revista normalmente. É importante frisar que num primeiro momento, pelo curto período de realização deste trabalho, será impossível atender todos os tipos de daltonismos e problemas visuais, pois atender a estas pessoas exige um estudo mais aprofundado. No entanto, a ideia é melhorar isso ao longo do tempo possibilitando o uso do braile para que todos os deficientes físicos consigam ler a revista. Apesar disso, o principal diferencial do design aplicado ao tema deste projeto, trata-se de incluir o deficiente em todos os detalhes da revista, tornando o objeto um verdadeiro universo familiar e acolhedor.

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Durante a criação do layout estabelecido, foram pensados diversos fatores, a fim de sempre posicionar e demonstrar o deficiente como pessoa ativa e independente - desde os ícones usados, as fotos aplicadas. As pesquisas e entrevistas apontaram que é dessa forma que eles preferem ser abordados e se sentem mais confortáveis. Assim, é possível atender todos os tipos de personas estabelecidos, até mesmo as pessoas que sentem que este tipo de iniciativa pode fomentar o preconceito, pois, com a aplicação das imagens cuidadosamente escolhidas, demonstrando sempre o empoderamento, as pessoas inconscientemente vão acabar se sentindo retratadas.

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A primeira coisa a saber sobre design em grande escala é que as pequenas coisas realmente importam” Margaret Gould Stewart

Diretora de design de produtos no Facebook

Ao lado das páginas o leitor consegue ter sempre a sua disposição em qual capítulo/ sessão da revista se encontra a página que ele está lendo, dessa forma ele pode escolher folhear a revista até encontrar facilmente a sessão que quer ler. DEFESA DE CRIAÇÃO

Mês e ano da revista também foram inseridos para que o leitor veja o quão recente é uma matéria no caso de uma folha ser destacada.

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O segmento de atuação da revista está presente em todas as páginas para reforçar o ambiente proposto e deixar claro do que se tratá a publicação.


ELEMENTOS GRÁFICOS Para ajudar a leitura, foram empregados no layout recursos com base no conceito de encontrabilidade, premissa a qual tem como origem os ambientes informacionais digitais, onde o usuário mede a facilidade que ele tem de encontrar alguma informação ou conteúdo desejado. Com o intuito de familiarizar o leitor, foram inseridos inúmeros indicadores e padrões, a fim de que o leitor tenha sempre referências, possibilitando que ele se localize na revista e saiba exatamente onde procurar as informações, criando um sistema de navegação próprio do projeto, com base no UX - User experience. Este indica onde consumidor está, de onde ele veio e quais são as possibilidades de para onde pode ir. Dessa forma, é possível dialogar e educar o público, ocasionando uma conversa direta e intuitiva com ele, identificando possíveis dúvidas e oferecendo respostas. Os padrões foram estabelecidos com base na maneira que uma pessoa lê o material, no caso, uma revista. A leitura desse objeto pode ser linear ou não, portanto a orientação precisa ser clara para que o usuário não precise pensar para ter as informações necessárias à sua disposição.

No final de cada capítulo/ sessão foi inserido um quadrado preto identificando ao leitor que aquele conteúdo acaba ali. Essa é uma prática comum em revistas, com o qual o leitor já está familiarizado.

O leitor consegue ter acesso ao número da página em toda a revista, a fim de que ele possa se orientar e ir direto a página desejada, no caso de uma leitura não linear.

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O logo foi inserido em uma versão simplificada para identificar a revista e reforçar a identidade visual.

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FORMATO E PÁGINAS PRODUÇÃO GRÁFICA

Foto: Reprodução

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A revista será impressa num formato similar ao formato americano, tendo 18 cm de largura por 24,3 cm de altura, formato que, por ser um pouco menor que as demais, oferece aos leitores maior portabilidade e manuseio mais fácil do impresso. O formato ainda é mais tangível para que os cadeirantes consigam ler sem um apoio extra e as pessoas possam manusear a revista somente com um braço. Além da praticidade, o tamanho também confere melhor aproveitamento de papel, e segundo as gráficas consultadas, reduções do tempo de utilização da máquina impressora e consumo de tinta, o que pode-se considerar como mais sustentável e ecologicamente correto. A expectativa é que cada revista tenha em média 120 páginas.


Foto: Reprodução

PAPEL E IMPRESSÃO Para a impressão, o papel escolhido foi o couchê, o qual em francês significa camada. Este é o papel mais usado para impressões no mercado, por possuir alta qualidade de reprodução. É um papel que tem como característica sua lisura e brilho e pela sua composição permite impressos com cores mais vivas. Trata-se de um offset com revestimento diferenciado, protegendo as fibras, fazendo com que a impressão fique mais lisa, absorvendo menos tinta. Para a impressão do miolo, o papel Couchê 110g foi escolhido, tendo em vista que a revista terá muitas imagens, utilizando muita carga de tinta, não seria adequado usar uma baixa gramatura, pois o papel seria um pouco transparente, atrapalhando a leitura e experiência do leitor. Já em sua capa, será usado também o papel Couchê, porém, com gramatura de 250g.

A impressão será CMKY, 4x4 cores, já que se trata de uma revista com muitas imagens necessariamente coloridas. Sua periodicidade será bimestral. Por trata-se de uma revista de moda, sendo bimestral, haveria tempo para desenvolver apropriadamente todo seu conteúdo. Além do fato que o leitor ficará com maior expectativa para a próxima edição.

Para a capa, além de sua gramatura ser de 250g, haverá laminação fosca, que traz uma diferenciação das demais revistas do segmento, tornando-se mais vistosa e bonita. A sugestão é que em edições especiais, como a de lançamento, possa ser utilizado hot stamp no logo da revista, trata-se de um sistema de impressão a fim de produzir um efeito metalizado na impressão.

ACABAMENTO

PROJEÇÃO DE INVESTIMENTOS

A lombada da revista será flexível, pensando nas pessoas que tem uma dificuldade motora maior, a fim de que elas consigam manipular a revista apenas com uma mão e mantê-la aberta sem dificuldade. Esta terá aproximadamente 10mm, confeccionada com a cola HotMelt, pois sua qualidade é superior do que a PUR.

Por se tratar de uma revista nova no mercado, seu valor inicial será de R$13,00, porém, a ideia é de que o preço aumente ao longo do tempo para melhor compensar os custos. De acordo com dados levantados de revistas similares, o público leitor estimado é de 50 mil. Para a inserção no mercado, a tiragem inicial seria de 10 mil exemplares.

PRODUÇÃO GRÁFICA

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Cronograma Desenvolvimento do Pré-Projeto Entrega do Pré-projeto Coleta de dados em geral CRONOGRAMA

Procura de pessoas para realizar a pesquisa Organização e seleção de participantes para realização das fotos Coleta de material e assessoria para as fotos Realização das fotos com a modelo Tratamento das fotos

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Elaboração das pesquisas Coleta de conteúdo para a revista Construção de toda parte textual Formatação do trabalho Pré definições para o desenvolvimento da Revista Desenvolvimento da Revista

CRONOGRAMA

Término trabalho editorial (Revista) Revisão geral (trabalho escrito e editorial) Envio do arquivo para impressão Entrega Final Trabalho escrito e impresso Apresentação

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RESULTADOS E TESTE

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A etapa onde se testa um plano projetual é uma parte muito importante de qualquer projeto, pois para que haja o conhecimento pontual e avaliação da efetividade do mesmo é indispensável que este seja colocado a prova juntamente com o público consumidor. A avaliação serve para provar o quanto uma proposta é eficaz, tal como quais são as melhorias necessárias. A melhor maneira de fazer testes é envolver de maneira aprofundada os principais interessados, afinal eles serão os únicos que vão decidir se está adequado às suas finalidades. Devido ao curto período para a realização de um projeto tão complexo, as etapas de testes não puderam ser concluídas, no entanto, frisa-se aqui a importância da mesma, colocando em pauta que esta ação deverá ser próxima a ser realizada, onde os PcDs poderão avaliar e decidir se a tangibilidade do projeto é concreta. A ideia é enviar um exemplar da revista impressa concluída para cada uma das pessoas entrevistadas e que participaram da pesquisa para que elas possam manifestar sua opinião e sugerir melhoras, pois só é possível prever e identificar alguns fatores com o projeto concluído.


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*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

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*Foram inseridos anúncios fakes durante o trabalho para proporcionar uma melhor visualização de como seria a revista.

ANUNCIO

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Este trabalho foi de grande valia teórica e pessoal, pois possibilitou ao grupo um olhar profundo e sensível sobre as pessoas com deficiência e suas vidas, mostrando realidades jamais pensadas. Diante disso, nem todas as ideias iniciais foram vistas como necessárias e viáveis no decorrer deste, tal como surgiram novas necessidades, provando a importância de conhecer o público para o qual se está projetando algo. A idealização inicial da revista e as necessidades sentidas durante o percurso realizado, tais como os passos para a criação de um material tão específico foram compreendidos pelo grupo que se empenhou ao máximo na realização de todas as etapas deste trabalho. Todos os detalhes que englobam a elaboração inicial de uma revista desse tipo foram vividos, revelando aspectos trabalhosos e desafiadores durante todo o período do projeto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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FOTOGRAFIA DE AMANDA PALUZZI

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FOTOGRAFIA AMANDA PALUZZI ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA LARISSA TIVELLI MAKE DANI FACANALLI ASSISTENTES LAÍS RAMOS RAQUEL CHIEA T R ATA M E N TO D E IMAGEM AMANDA PALUZZI MODELO M A R I N A LVA D E ALMEIDA AGRADECIMENTO CARMEN STEFFENS

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Ensaio fotográfico da modelo e atleta paralímpica Marinalva de Almeida FOTOGRAFIA DE AMANDA PALUZZI

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EDITORIAL

FOTOGRAFIA AMANDA PALUZZI ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA LARISSA TIVELLI MAKE DANI FACANALLI ASSISTENTES LAIS RAMOS RAQUEL CHIEA T R ATA M E N TO D E IMAGEM AMANDA PALUZZI MODELO M A R I N A LVA D E ALMEIDA AGRADECIMENTO CARMEN STEFFENS

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Pesquisa - PERGUNTAS Revista de Moda inclusiva

Fase 1

Fase 3

Você tem algum tipo de deficiência física? ( ) Sim ( ) Não Qual?_____________________________

Você se sente retratada(o) em alguma revista de moda atual, ja existente? ( ) Sim ( ) Não ( ) Em algumas ocasiões

ANEXO

Fase 2 Qual seu sexo? ( ) Feminino ( ) Masculino Qual a sua idade? ( ) abaixo dos 18 ( ) 18 a 25 ( ) 25 a 35 ( ) 35 a 45 ( ) acima dos 45 Grau de escolaridade ( ) Ensino Fundamental ( ) Ensino Médio ( ) Superior ( ) Especialização ( ) Mestrado/Doutorado

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ANEXO

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Você já ouviu falar sobre moda inclusiva? ( ) Sim ( ) Não Você conhece alguma revista de moda inclusiva? ( ) Sim ( ) Não Qual?_________________________________ De 0 a 5, sendo 0 nível mínimo e 5 o nível máximo, quanto você acha importante uma revista totalmente voltado à moda inclusiva? 0 ... 5 Você compraria/assinaria uma revista de moda inclusiva? ( ) Sim, sem dúvidas ( ) Acredito que sim, pelo menos uma vez pra conhecer ( ) Talvez eu comprasse ( ) Não compraria


Fase 4 Quais aspectos que você acredita que poderiam melhorar na sua vida, se houvesse uma revista de moda inclusiva? ( ) Autoestima ( ) Informação ( ) Interesse pelo tema ( ) Sentimento de aceitação pela sociedade ( ) Não acredito que mudaria alguma coisa

O que você acha do nome “Revista Look In” para uma revista de moda inclusiva? ( ) Acho bacana, pra mim retrata a proposta da revista ( ) Acho bacana, mas não me diz muita coisa ( ) Não gosto, Não me diz muita coisa ( ) Não gosto, mas me diz sobre a proposta da revista

Quais temas você acha interessante em uma revista de moda inclusiva? ( ) Editoriais de moda com modelos deficientes ( ) Dicas e tendências de moda adaptadas para o público ( ) Dicas e tendências de moda comuns ( ) Espaço para o(a) leitor(a) se comunicar ( ) Informações para deficientes de modo geral ( ) Desfiles de moda do segmento ( ) Entrevistas com estilistas do ramo ( ) Entrevistas com modelos do ramo ( ) Informações médicas do segmento

Qual dessas marcas você acha mais interessante para uma revista de moda inclusiva? ( ) Marca 01 ( ) Marca 02 Marca 01

ANEXO

Marca 02

Justifique sua escolha de maneira breve.

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Revista Look In - Moda Inclusiva  

Trabalho de Conclusão de Curso, SENAC, Campinas, Pós Graduação em Design Gráfico - 2016. Autores: Amanda Paluzzi, Laís Ramos e Raquel Chiea...

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