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Os avanços científicos nas diferentes áreas permitiram estocar alimentos para administrá-los em épocas de crise, uma vez que dispor de produtos alimentícios é capital para manter a estabilidade social e econômica, porque o controle do alimento também está relacionado ao poder, combinando ainda com processos que viriam a beneficiar a qualidade dos alimentos e a influenciar o bem-estar do homem (IBIDEM).

Segundo Monteiro (2009, p.29), o poeta grego Archestrate, foi o chefe pioneiro a atuar dentro da cozinha, que escreveu um pequeno guia culinário, a qual apelidou de gastronomia, alguns séculos antes de Cristo. O primeiro livro de receitas que se tem registrado surgiu em Roma, chamado de De re coquinaria, único dos tratados latinos sobre o tema que se sabe. “Ele foi escrito por Marcus Gavius Apicius” (30 a.C. – 37 d.C.) (IBIDEM). Do século V ao XI, as ordens religiosas foram as principais responsáveis pela disseminação de hábitos alimentares da Antiguidade. Foi um “exemplo disso, a difusão dos alimentos básicos dos romanos”, entre os seguidores da Regra de São Bento, com o pão, azeite, as leguminosas e vinho. Essa “Regra apresentava-se como um código de conduta para os homens que viviam nas comunidades” (MIYAZAKI, 2006, p.13). “Os mosteiros surgiram a partir do século IV no Oriente e expandiram-se para a Ásia Menor, Grécia e Itália” (FRANCO, 2001 apud MIYAZAKI, 2006, p.14). Os monges herdaram os conhecimentos da cozinha romana e foram responsáveis, na Idade Média, pela simplificação na preparação dos alimentos e pelo enriquecimento da qualidade dos produtos, tornando a vida monástica sinônimo de boa comida, luxo e fartura. (MONTEIRO, 2013, p.32).

Walker (2002 apud MONTEIRO, 2013, p.34) descreve a estruturação dos mosteiros: As acomodações dos mosteiros eram modestas, mas, com frequência, superiores a quaisquer outras existentes ao longo das estradas. Os monges geralmente tiravam suas provisões do próprio solo; suas cozinhas eram mais higiênicas, melhor organizadas e menos caóticas do que as cozinhas das residências privadas. Os religiosos divisaram até mesmo um rústico sistema de avaliação dos custos alimentares. Como

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resultado, os peregrinos e vagabundos frequentemente passavam melhor do que a nobreza.

Além da contemplação que faziam nos mosteiros, os monges plantavam em áreas não cultivadas, desenvolvendo técnicas de jardinagem e através do grande conhecimento sobre a fabricação de laticínios, trabalhavam no refinamento de queijos rústicos tradicionais (FRANCO, 2001 apud MIYAZAKI, 2006, p.14). Era nos mosteiros que armazenavam alimentos para a população e ofereciam teto e comida aos viajantes e peregrinos (MONTEIRO, 2013, p.34). ”Essa hospitalidade reforça o papel dos mosteiros como fonte de transmissão de tradição culinária” (FRANCO, 2001 apud MIYAZAKI, 2006, p.14). Desde a Idade Média, as estalagens eram locais rústicos, onde nem sempre se serviam refeições. Na maioria das vezes, eram oferecidas bebidas, pousada para viajantes e estrearia para os cavalos. Em suas cozinhas, o trabalho era direcionado à venda de pratos preparados para as residências, pois não vendiam comida para ser consumida no local (MONTEIRO, 2013, p.43).

Até o surgimento das primeiras universidades do século XI, os mosteiros eram os únicos centros de estudo e de saber, onde armazenavam as poucas bibliotecas existentes da época (MIYAZAKI, 2006, p.14). Segundo Miyazaki (2006, p.13-14), “além dos mosteiros, o conhecimento sobre as técnicas e produções culinárias foi transmitido de geração a geração verbalmente ou por meio de manuais e livros de receitas”. Para o preparo das refeições das famílias da realeza e da alta nobreza ocidental, eram contratados serviçais especializados para trabalharem nas cozinhas dos palácios e dos castelos, utilizando o fogão como principal ferramenta. “O forno, indispensável assim como a masseira para o farico do pão, tinha uso secundário na preparação dos alimentos”. É no século XIII que o forno, volta a ter sua importância como foi na Antiguidade, “proporcionando cocção mais lenta por meio do controle do calor”. Enquanto as cozinhas medievais mais antigas tinham alocado o fogão sob o centro da abóboda do teto, os mosteiros

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TFG | Amanda Tiemi Niiyama | Complexo Hotel-Escola  

Requalificação de vazio urbano (Antiga Companhia União dos Refinadores), inserido no município de Limeira (SP). Área do terreno: 47.378,78 m...

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