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Eu olhei para ele. Mesmo em meio a aquela multidão eu conseguia distinguir seus belos olhos azuis bebê. Ele me olhava daquela forma que derretia meus ossos e fazia meu sangue entrar em ebulição. E continuamos assim por horas, ou foram apenas alguns segundos? Ele me deu as costas, eu virei para o meu acompanhante. O momento se fora e todas as emoções turbulentas eu encobri com a expressão fria que aprendi com ele. Aquele não era ele. Não existe mais nós. E por mais que minha pele formigue, meu estômago embrulhe e meus olhos ardam toda vez que o veja, acabou. Acabou. Eu não sinto mais nada. Um dia, talvez eu pare de mentir para mim mesma. Ou talvez, essa horrível mentira se transforme em uma cruel verdade.


Há alguns anos, eu conheci um garoto. Era o último ano do colegial e ele era perfeito. Loiro de belos e incríveis olhos azuis e capitão do time de basquete. Todas as garotas morriam para estar em sua cama ou apenas para receber um olhar seu. Eu não era muito diferente, apesar de ter jurado de pés juntos na época que era. Então, em um belo dia ele me viu. A nerd que sentava na primeira fila e não falava com ninguém. E claro, a última garota do último ano que ele não conseguira arrastar para os armários do que sobrara do prédio de Química. Eu devia ter percebido que ele só queria brincar comigo. Ele mal sabia meu nome! Mas o que eu posso dizer? Dois beijos depois, algumas palavras e várias doses de tequila, eu era apenas mais uma das várias com quem ele transara naquele ano. Bem, porque eu deveria esperar que aquilo significasse algo para uma pessoa tão baixa? Porém, eu agradeço a ele. Eu não sou mais estúpida garota tímida. Eu agora ergo minha cabeça e não deixo que ninguém, absolutamente ninguém, me diga o que devo ou não fazer. Entretanto, eu também o odeio e realmente espero que ele esteja gordo, sem dentes e na sarjeta. Porque isso é o que ele merece por ter partido meu coração e o de várias outras garotas. Queime no inferno Naruto William Uzumaki.

Desceu do carro, um Audi Q7 branco completamente novo, carregando apenas uma pequena mochila. Não pretendia ficar ali mais tempo do que o realmente necessário. Na verdade, não teria posto os pés naquela cidade novamente se não fosse à morte de um amigo tão próximo de sua família. Apesar de tudo – de odiar e querer manter distância do que Konoha lhe representava –, aquela pessoa em especial fora uma das poucas a quem Hinata conseguira se abrir verdadeiramente e a única, única que lhe incentivou a seguir seu sonho o mais distante possível de sua cidade natal. Suspirou pesadamente, olhando para enorme mansão vitoriana, completamente pintada de branco, que parecia zombar de todos que passavam pelo luxuoso bairro. Era como se aquela casa, em toda a sua glória, deixasse claro que quem não estivesse do lado de dentro, nunca seria digno de colocar seus pés em seu belo e caro piso de madeira clara. Hinata nunca havia se sentindo realmente em casa ali. Aquela casa, que estava em sua família a gerações, não era um local ao qual podia chamar de lar. Nunca fora. A porta da frente se abriu e uma sorridente Hanabi correu para lhe dar um abraço apertado com lágrimas nos olhos. - Hina-chan! Eu estava com tanta saudade! Sorriu forçadamente. Hanabi não era mais uma criança, tinha completado dezesseis anos há alguns meses e Hinata lhe enviara um par de saltos da Lobotin como presente. A irmã mais nova sempre fora fútil.


- Eu também, Nabi. – A afastou, cansada daquele abraçado e tudo que ele representava. – Papai e Neji estão aqui, ou já foram para o enterro?

Eu olhei para ele  
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