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BtcAhHê / nº 1 Julho de 2013

A REVISTA DA ACEG

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BATCHE


CARTOLA de EDITORIA

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BATCHE


[ ÍNDICE ]

HUMANIZAR AS RELAÇÕES A BOLA TEM DONO REFERÊNCIAS DO RÁDIO GAÚCHO “ESTAMOS CHEGANDO...” POR QUE CHARMOSO? ARENA: A PRIMEIRA DA AMÉRICA LATINA COLORADOS DE FUTURO UNIÃO POR UMA NOVA ERA A BOLA QUE AFASTA TAMBÉM UNE DO PIONEIRISMO A EVOLUÇÃO ASSESSORES EM TEMPO INTEGRAL

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PÁGINA SOCIAL SEHBE ACEITOU O DESAFIO “RESSACA DE NÃO IR À COPA PASSA RÁPIDO”

JOÃO BOSCO VAZ O PATO VOLTOU! UM NARRADOR DE COPAS COPA IS BUSINESS AINDA MAIS GIGANTE TRANSMISSÃO EM PERFEITA SINTONIA ELES VIRAM A ACEG CRESCER A MERECIDA HOMENAGEM AOS PILARES DA ACEG

EDITORIAL e EXPEDIENTE


INSTITUCIONAL

HUMANIZAR AS RELAÇÕES [

Texto: ZECA FILHO Foto: GUILHERME TESTA

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]

Essa é a proposta da nova diretoria da ACEG para o Biênio 2013/2014

oi no Sindifisco, localizado na zona sul de Porto Alegre, que a Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos empossou não só seu presidente como também uma nova diretoria para o Biênio 2013/2014. Depois de passar por outras gestões como vice-presidente, o jornalista Haroldo Mendes dos Santos, de 44 anos, comentarista da Rádio Bandeirantes AM 640, foi o eleito para comandar a entidade dos cronistas esportivos gaúchos. Contando com autoridades como o Secretário Estadual de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, Kalil Sehbe, o presidente da ABRACE e também da ACEPPR Isaias Bessa, o vice-presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF-RS) Luciano Hocsmann, o Deputado Estadual Cassiá Carpes, do PTB, representando a Assembleia Legislativa, o secretário do Escritório de Engenharia e Arquitetura do município de Canoas, Carlos Todeschini, representando o prefeito Jairo Jorge, o presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Dr. Thiago Duarte,

dentre outras autoridades importantes do Rio Grande do Sul, a “passagem de tocha” de uma direção para outra teve como principal expressão a “Humanização” das relações entre os Jornalistas, fato este bastante salientado pelo atual presidente da entidade, Haroldo Santos em seu discurso de posse, pedindo que o chamado “disse que me disse” acabasse, fazendo com que as relações de agora em diante fossem mais abertas e transparentes.

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aroldo Mendes Santos foi eleito para comandar a equipe da ACEG neste ano e no próximo

Outro fato bastante salientado por Santos foi a importância das Rádios Webs no cenário atual da cobertura esportiva, lembrando que fora o fundador da primeira Rádio Web no Rio Grande do Sul, implantada no Grêmio, conhecida como Grêmio Rádio. O presidente ressaltou todo o apoio as Rádios, que estão em crescimento hoje no Rio Grande do Sul. Junto de Santos, foram empossados como primeiro vice -presidente a jornalista Christiane Matos, do Diário Gaúcho, sendo a primeira mulher a ser eleita pela ACEG e o segundo vice-presidente, o jornalista Edgar Vaz. Serão responsáveis pelo conselho fiscal, o jornalista e advogado José Aldo Pinheiro, da Rádio Bandeirantes, o operador de áudio Géder Fernando, da Rádio Gaúcha, e Márcio Beyer da Rádio Guaíba. Como secretário-geral, foi eleito o jornalista e Repórter da Rádio Grenal Rafael Pfeiffer. Ficará nas mãos de Eduardo Gabardo, repórter e apresentador da Rádio Gaúcha, a função de tesoureiro da entidade no biênio 2013-2014. O presidente eleito terá ao seu lado, como assessores especiais, os jornalistas Rogério Amaral e José Pessi. Já o comentarista João Gar4

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CARTOLA de EDITORIA

Registro da posse da nova diretoria da ACEG realizada no SINDIFISCO, localizado na Zona Sul de Porto Alegre

cia, da Rádio Bandeirantes, retorna à diretoria da ACEG, sendo o responsável pela vice-presidência de assuntos referentes à Copa do Mundo. Além do retorno de João Garcia, a chapa conta com o radialista Nélson Cerqueira que ficará a encargo da vice-presidência de Administração, Thiago Suman, narrador da Rádio Gre-Nal que será o responsável pela vice-presidência de Marketing, Rodrigo Fatturi, jornalista que trabalha hoje na Assessoria do Grêmio será o responsável pela vice-presidência de Comunicação, João Carvalho, operador da Rádio Bandeirantes, cuidará da vice-presi-

dência de R.A.C.E.E., cabendo a Carmelito Bifano, repórter do Site UOL a vice-presidência de Mídias, Cristiano Cardoso, operador da Rádio Gaúcha será o vice-presidente de Operações e Geraldo Andrade ficará ao encargo da vice-presidência Jurídica. O jornalista do site Globo. com Gabriel Cardoso, trabalhará junto do vice-presidente de mídias Carmelito Bifano, sendo o Diretor de Mídias. O apresentador da Rádio Bandeirantes, Milton Cardoso, será vice-presidente de Relações Nacionais e Internacionais da entidade. Júlio Sortica será o diretor de Marketing. Laerte

Santos é o vice-presidente da região do Vale dos Sinos. Além dos eleitos já citados, caberá a Rafael Copetti, jornalista do site RSESPORTE a direção da TV WEB da ACEG, preparando profissionais que desejam trabalhar no ramo de TV para o mercado e Fúlvio Lopes que será o diretor da nova Rádio WEB da ACEG e da Escola de Rádio da entidade que irá preparar novos profissionais de rádio para o futuro. Como delegados da ACEG pelo Rio Grande do Sul, ficaram responsáveis o jornalista Alex Frantz em Ijuí, André Prestes em Santa Maria e Eduardo Pires em Novo Hamburgo. 6

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TELEVISÃO

Donos da Bola trabalha com uma demanda antes reprimida, a interatividade usando a internet

A BOLA TEM DONO Band TV apresenta aos gaúchos o programa Donos da Bola, que promete promover um debate informativo e provocativo Texto: VINÍCIUS FERNANDES Foto: DIVULGAÇÃO/BAND

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s gaúchos ganharam um canal de debate interativo na TV desde o dia 29 de abril. Quem se acostumou a ligar na Band para ver o Jogo Aberto RS agora tem Os Donos da Bola como companhia na hora do almoço. Com nova roupagem, o programa acrescentou a participação do telespectador no formato, que também conta com quadros especiais. A chegada do Donos da Bola à Bandeirantes do Estado se-

gue o modelo de padronização a grade nacional do canal, que já abrigava o programa há dois anos em São Paulo, apresentado pelo ex-jogador de Seleção Brasileira e Corinthians, Neto. Além do Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais aderiram a novidade na programação. A distribuição de debatedores segue sendo a mesma já consagrada no Jogo Aberto RS e anteriormente em Toque de Bola Camisa 10. De segunda à sexta-feira, do meio-dia às 13 horas, quatro integrantes e o apresentador Leonardo Meneghetti abordam o dia a dia da dupla Gre-Nal e do que de mais

interessante ocorre no mundo do futebol. Além dos rostos conhecidos no antigo programa, como Chico Garcia, Ribeiro Neto, Homero Bellini Junior, Fabiano Baldasso e Vagner Martins, participam do debate vozes afamadas no AM 640. O narrador Daniel Oliveira e o comentarista Haroldo Santos se juntaram ao time. A grande novidade, porém, é a chegada da social media Mauren Freitas. A jovem jornalista intermedia a participação do internauta na conversa, grande diferencial dos Donos da Bola para os outros programas do gênero. Através de e-mails e men8

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sagens que chegam via Twitter e Facebook, Freitas filtra a tabela com o espectador. “Estamos apostando muito na interatividade. Contamos com uma social media e isso é nosso grande diferencial. O telespectador também pode ser um Dono da Bola”, conta o editor chefe do programa, Chico Garcia, que acredita na chegada de um marco para a emissora. “É um novo momento no esporte da Band. Entramos num processo de padronização”, completa. O cenário incrementou as novidades e também foi reformulado. A predominância do verde foi trocada pelo azul e, BAH TCHÊ!

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ao fundo dos debatedores, há uma imagem grande e horizontal das arquibancadas de um estádio direcionada ao gramado, para ambientar a atmosfera futebolística ao telespectador. O diretor-geral do Grupo Bandeirantes de Comunicação no Estado, Leonardo Meneghetti, também destaca a interatividade como um diferencial do programa. “Nosso time, nos Donos da Bola, é de craques. São profissionais com grande experiência e muito bem informados. E o telespectador faz o programa conosco, pelas redes sociais que significam um aspecto relevante do programa”, pontua.

SAIBA MAIS Quem quiser ser um dono da bola pode participar do programa enviando mensagens para o Twitter @donosdabolars ou no Facebook, através do www.facebook.com/ donosbola. Pelo e-mail também há interatividade no donosdabolars@band.com.br


RÁDIO

REFERÊNCIAS DO RÁDIO GAÚCHO Em horários e emissoras diferentes, o ouvinte tem diversos opções de qualidade para se entreter Texto: JORGE TUBINO Fotos: ARQUIVO PESSOAL

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Apito Final Rádio Bandeirantes, segunda a sexta, das 12h30 às 14 horas Apresentação: Daniel Oliveira Origem: Começou junto com o projeto de esportes da Band implantado em 1994. Quando Daniel Oliveira chegou na Band, em 2000, para colocar o novo narrador em evidência, Nando Gross sugeriu que ele apresentasse o programa no seu lugar. Características: É um programa essencialmente de debates que começa com boletins da dupla Gre-Nal. Cada debatedor dá seu destaque inicial que servirá de pauta para discussões. Diferencial: O Apito Final só fala de futebol, “ficou uma marca nos-

sa e buscamos sempre segui-la. Mesmo as discussões que saem das quatro linhas, estão ‘linkadas’ ao futebol”, relata Oliveira que utiliza muito a rede social durante o programa. Com esse ‘feedback’ instantâneo, vai conduzindo os debates da forma mais atrativa. Análise: “Dependemos do astral dos participantes. Se não está num dia legal, o programa dificilmente vai render. O bom é que temos uma bela mescla na bancada. O Garcia é muito experiente e tem histórias engraçadas. O Guimarães é muito bem informado. O José Aldo tem uma linha de analisar muito o outro lado. Eu sou muito crítico com a nossa postura como membros da imprensa. E o Haroldinho trouxe sua vivência de vestiário e notí-

cias de bastidores, além daquele jeito que chama a atenção, parece que está brigando”. Edição destaque: Oliveira refere uma edição em que Cláudio Cabral fez críticas muito duras à ação policial num jogo entre Inter e Fluminense, quando torcedores que não estavam envolvidos na confusão acabaram sofrendo conseqüências. Um representante da Brigada Militar entrou no ar e o Cabral bateu de frente. “Aquele foi um episódio tenso. Fora discussões fortes, mas que terminam no ar. Nós temos um diferencial, a turma se da muito bem. Então não fica nenhuma mágoa sobre algo que foi dito”, avisa Oliveira. Definição: “A melhor reunião para se debater futebol”


CARTOLA de EDITORIA

Ganhando

o Jogo Rádio Guaíba, segunda a sexta, das 11 às 13 horas Apresentação: Luis Carlos Reche Origem: Desde os anos 1960 já havia o programa, mas com o nome de Terceiro Tempo. Depois de 30 anos no ar, ficou algum tempo fora. Quando a Record se uniu à Guaíba, o programa voltou com o nome de Ganhando o Jogo, pois, o Milton Neves utiliza o nome Terceiro Tempo. “Assim evitamos problemas”, refere Reche. No atual formato, já são sete anos no ar.

Característica: O programa é de debates, mas possui informações dos estádios, entrevistas com convidados e bate-papo com jornalistas do Grupo Record. Diferencial: É um programa de debates que altera os debatedores com gente da casa e convidados. Alguns assíduos, mas sempre há novas vozes. “Ao longo do mês, passam cerca de 30 pessoas diferentes na bancada”, garante Reche. Análise: “São duas horas de debates, intercalando as opiniões com

boletins dos repórteres, o que movimenta a transmissão. Como sempre fui descontraído, fico muito a vontade nesse horário, e utilizo o conteúdo acumulado na apresentação do programa. Já vou para 30 anos de rádio...”. Edição destaque: Reche cita participações de Leão, Paulo Odone, discussões de política clubística e outras edições onde os ânimos se acirraram. Definição: “É um programa diferente, sem script fixo e irreverente”.

Hoje nos Esportes Rádio Gaúcha, segunda a sexta, das 17h30min às 18h50min Apresentação: Nando Gross Origem: O programa é apresentado por Nando Gross desde 2001. Antes, o Hoje dos Esportes já existia, mas num outro formato. O próprio Gross foi seu produtor nos anos 1990, antes de ir para a Bandeirantes. Quando retornou à Gaúcha, colocou seu es-

tilo próprio na atração ao assumir a apresentação. Recentemente, teve o horário aumentado em meia-hora. Características: O programa tem um roteiro dinâmico, aonde as atrações vão se sucedendo permeadas com trilhas musicais e descontração. Boletins da dupla Gre-Nal e da CBF, entrevistas, comentário de Ruy Carlos Ostermann e recado do ouvinte estão sempre presentes.

Diferencial: O programa entende e se adapta ao horário do ‘rush’: o ritmo é outro, menos veloz, inclusive no corte das trilhas. “A dinâmica toda da o contraste com o pessoal que está no engarrafamento, fim do dia... é para desacelerar”, diz Gross. Além das irreverentes participações do ET. Análise: “A ideia é ser atrativo, fazer com que o ouvinte tenha prazer 12

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Grenal Futebol Clube Rádio Grenal, segunda a sexta, das 20 às 22 horas Apresentação: Farid Germano Filho Origem: Criado por Farid Germano Filho e a direção da Pampa, o programa está completando um ano. No início, tinha quatro horas de duração. Agora, são duas.

sinta recompensado pelo trabalho. Nos últimos seis meses teve um crescimento absurdo de audiência para uma rádio tão recente. Temos a satisfação de sermos o segundo colocado no Ibope, perdendo apenas para a Gaúcha, mas na frente de emissoras tradicionais como Guaíba e Band”.

Diferencial: Da vez e voz ao ouvinte, prestigiando muito a interatividade. Isso faz com que o programa não seja engessado. Apesar de ter roteiro, ele é flexível, podendo ser derrubado a qualquer momento.

Edição destaque: Germano Filho cita a que noticiou a venda de Oscar, o que causou uma reação muito forte na diretoria do Inter. “Todos desmentiram, chegaram a me agredir com palavras, mas eu confio muito nas minhas fontes. E realmente ele foi para a Seleção e não voltou mais”, ressalta. As notícias de divergência de Kléber com Luxemburgo, e de que o técnico do Grêmio não trabalharia com Moreno e Kléber juntos, também repercutiram muito.

Análise: “É um programa muito prazeroso, talvez um dos mais bacanas que eu já apresentei, com um retorno ótimo do público, o que faz com que eu me

Definição: “Um programa muito parecido com o Gre-Nal q ue se joga em campo. Tem emoção, garra, vontade e quase sempre um vencedor”.

Características: Da prioridade às entrevistas ao vivo e matérias especiais, mas possui debates, boletins de repórteres e muita interatividade.

em ouvir o programa, é passar a informação entretendo. Para isto uso música, o ET, é a minha forma de fazer, mais descontraída, tranquila. A meia-hora a mais ajudou na produção de conteúdo, sem precisar ser tão corrido”. Edição destaque: Foram muitas notícias dadas. Não tem alguma em especial. BAH TCHÊ!

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Definição: “É um programa de informações esportivas e de entretenimento para a vida”.


RÁDIO

“ESTAMOS CHEGANDO...” [

Texto e Fotos: JORGE TUBINO

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O Pai do Plantão Esportivo, Antonio Augusto, fala sobre a sua dedicação e pioneirismo no trabalho do rádio gaúcho

oje não se imagina uma jornada esportiva sem a figura do Plantão Esportivo abastecendo a transmissão com informações de outros jogos, curiosidades, estatísticas. Quem criou esse segmento no Rádio gaúcho e, quiçá, no Brasil, foi Antonio Augusto dos Santos, mais conhecido apenas por Antonio Augusto, uma lenda dos microfones pela dedicação e pioneirismo do seu trabalho. Tudo começou durante a infância em Marcelino Ramos. Sem muito o que fazer, captar vozes no rádio tornou-se um gostoso hábito. De ouvinte para locutor foi um pulo. Aos 16 anos, começou numa emissora local fazendo um programa de esportes no método “tesoura press”: recortava notícias dos jornais e lia. Como na cidade as Rádios de Porto Alegre não chegavam, o pessoal sabia tudo dos campeonatos Carioca e Paulista. Antonio Augusto, então, teve o estalo: informações das equipes de fora do Estado seriam bem vindas. Em 1955, querendo Medicina, o jovem foi estudar na Capital. Interno do IPA, ali cursou o Científico. Fez o concorrido vestibular, mas não passou. Matriculou-se num pré-universitário que ficava no mesmo prédio da Rádio Difusora, na rua Uru-

guai. Acabou fazendo um teste para locutor e, em 1960, trocou o bisturi pelo microfone. Na função de repórter, Antônio Augusto sentia falta das notícias dos outros jogos durante as transmissões envolvendo a dupla Gre-Nal. Deu a sugestão e se prontificou a ficar no estúdio, abastecendo as jornadas. A direção, contudo, não aprovou. Achavam que não haveria interesse dos ouvintes. Até que em 11 de junho de 1961, o Grêmio, em excursão, jogou com a famosa Seleção da União Soviética. A Guaíba mandou um jornalista para transmitir ao vivo. No mesmo momento, nos Eucaliptos, o Inter enfrentava o Riograndense. Para que a Difusora não ficasse no escuro em relação ao Tricolor, Antonio Augusto novamente se candidatou a acompanhar pelo rádio, pois, sabia captar uma emissora de Moscou. O novato radialista deu os dois gols dos soviéticos, enquanto a concorrente anunciava a transmissão, mas não entrava no ar por problemas de áudio. “Quando descobriram que tinha um cara dando o resultado na Difusora, botaram o som de qualquer jeito, fora dos padrões Guaíba, já no segundo tempo. Foi uma revolução, pois, todos estavam cobrindo o Inter e não sabiam o resultado do Grêmio, só nós. No dia seguinte, todo mundo comentava o ocorrido. Graças a isso, assinaram a minha carteira”, relembra.

Oficialmente contratado, Antonio Augusto ainda precisou bater o pé para deixar de vez a reportagem e se dedicar ao plantão esportivo. Em novembro de 1961, às 23h15min, entrou no ar o Plantão Esportivo. Como não ocorriam tantos jogos e o único rádio da emissora era muito utilizado pelo Jornalismo, começou a dar notícias da Federação Gaúcha de Futebol, saciando a vontade do interior em saber escala de arbitragem e julgamentos de atletas. A ideia de dar estatísticas surgiu já na Farroupilha, em 1964, com o crescimento do Robertão, o antigo campeonato nacional. “Interessei-me por aquilo. Fiz pesquisas de jogos anteriores de Grêmio e Internacional com outros clubes, divulgando placares e gols. Ali começou tudo”, revela Antonio Augusto, agradecendo as cruciais ajudas de Carlinhos Duran, no Colorado, e Raimundo Bordin, no Tricolor. Em 1969, retornou à Guaíba e passou a divulgar seus dados também em jornais. Com o advento da loteria, em 1971, o Plantão ganhou força, pois, tentar enriquecer acertando os placares do futebol virou febre no país. Para conseguir acompanhar os 14 jogos do boleto, Antonio Augusto construiu uma rede de contatos com outros Estados que lhe permitiam divulgar os gols na hora em que eles ocorriam. Também criou o Guaíba na Esportiva, um pro14

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Antônio Augusto foi o pioneiro ao criar o Plantão Esportivo na Rádio AM grama onde fazia projeções, apontava zebras e dava os resultados da loteria. Baseados nos seus palpites, vários ouvintes foram contemplados e, como agradecimento, davam-lhe cheques polpudos. O próprio Antonio Augusto confessa: “Eu acertei muitas vezes, mas só ganhei prêmios pequenos... deu para tirar muitas vezes a barriga da miséria”. O trabalho de Plantão era feito sozinho. Começava cedo, preparando os dados que seriam utilizados. No estúdio, além dos contatos por telefone, ficava com três rádios, fora o sintonizado em casa, aos cuidados de Isolda, sua esposa, que lhe avisava quando saía gol. Tudo sem se distrair da jornada para atender aos chamados do narrador. “Era uma loucura o que eu fazia, um rádio em cada ouvido, muito cansativo. Se fosse para fazer tudo de novo, eu não faria. Plantão, naquela época, era no sacrifício. Tinha que gostar muito, ou não aguentava”, diz Antonio Augusto, constatando a mudança de realidade, “agora é barbada, com a internet, os sites trazem tudo na hora. As TVs passam tudo”. Por conta da atividade, não viu os dois filhos crescerem. “Nós nunca tivemos férias decentes. Tínhamos casa na praia, mas ele levava a máquina de escrever e ficava atualizando os arquivos”, queixa-se a esposa Isolda. O locutor sempre se dedicou às suas pesquisas, organizadas em fichas e pastas. Tudo escrito

à mão ou datilografado. A única vez que o computador passou perto dos seus alfarrábios foi na sua passagem pela Gaúcha. “Queriam que eu colocasse tudo ali. Não botei. O que é meu, é meu. Meu arquivo não tem preço”, enfatiza.

Agora é barbada, os sites trazem tudo na hora” ANTÔNIO AUGUSTO, radialista

Perguntado sobre o que fará com tanto material, Isolda logo intervém: “por mim, botava fogo”. Antonio Augusto dá uma risada e responde: “Não pensei sério sobre isso. A minha vida está aqui. Ainda vou escrever um livro com histórias da gente. Mas quando eu parar total, quem sabe não queimo tudo mesmo”, afirma, com um sorriso misterioso. Aos 75 anos, 53 deles no microfone, o pai dos plantonistas ainda apresenta o Plantão das Multidões na rádio Pampa, além de elucidar apostas e provas de gincanas com seus números preciosos. TEM GOL Dia 10 de Outubro de 1976, ro-

dada dupla do Brasileirão no Maracanã. Enquanto a Guaíba fazia a pré-jornada, aguardando Inter x Fluminense, já ocorria Olaria x Bangu, jogo também da loteria. Pela Tupi, Antonio Augusto captou gol do Olaria. A equipe na cabine, distraída, não viu nada. Foi quando entrou a voz do Plantão: “Tem gol! É aí no Maracanã, do Olaria, está dando coluna 1. Na volta, os caras queriam me matar, mas só fiz meu trabalho”, recorda. Com o tempo, Antonio Augusto percebeu que tinha gente se aproveitando do seu trabalho. “O cara era escalado para Plantão, cruzava os braços e ficava me escutando. Então, resolvi sacanear, dando gol falso de jogo da loteria. O concorrente repetiu a informação errada. Aí eu voltei ao ar e falei: atenção, fulano, o gol foi anulado no jogo dez, permanece dando coluna do meio”, diverte-se. DESMASCARANDO O GOLEADOR Em 1977, Flávio Minuano estava no Pelotas e organizava uma festa para o seu gol mil. Antonio Augusto, com dados do Inter, Corinthians, Fluminense e até do Porto de Portugal, seus ex-clubes, desmascarou o artilheiro, revelando que ainda faltariam uns 300 gols. “Bah, deu um reboliço, mas eu tinha os seus gols ano por ano, jogo por jogo. Aí ele disse que contou até os dos juvenis”. 16

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CARTOLA de EDITORIA

Paulo Brito está há 25 anos na função de comentarista do Gauchão

POR QUE CHARMOSO? Texto: MÁRCIA SILVA Foto: MARCELO CAMPOS

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rito, narrador da RBS TV, TVCOM, Rede Globo e SportTV, começou a carreira em sua cidade natal, Santa Cruz, como jogador profissional no Esporte Clube Avenida, mas optou em seguir a carreira de jornalista. Iniciou em 1980 na Rádio Santa Cruz, como repórter, depois ingressou na RBS em setembro de 1988, como narrador e apresentador e em 2002 na Rádio Cidade, além de trabalhar na área esportiva é um praticante diário. A sua marca é inconfundível: “Feito”, quando acontece um gol; “É bom BAH TCHÊ!

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esse fulano”, quando se refere a um jogador que lhe agrada; “Tudo belezinha”, durante o Jornal do Almoço. Em qualquer comentário que realiza sobre o “Campeonato Gaúcho”, refere-se a ele como o “charmoso”, característica pessoal, torcida vibrando, é acompanhado e apreciado o ano inteiro. A sua admiração é visível. O povo gaúcho encara como um espetáculo, um grande evento, que é detalhamente organizado, com faixas, bandeiras, onde famílias inteiras se reúnem em prol de um mesmo time, que muitas vezes é reverenciado por décadas. No interior do Estado a movimentação tem um toque especial, pois, a classificação de um time

Charmoso, é assim que Paulo Brito chama o Campeonato Gaúcho

local já se torna motivo de comemoração, mesmo não tendo o resultado final esperado. E nada melhor como o calor das torcidas para incendiar os 45 minutos de bola em campo, anima e incentiva. “São 25 anos trabalhando como comentarista no Gauchão, relatando suas particularidades, passando em tempo real emoções dos torcedores. Fiquei surpresso e muito satisfeito com a iniciativa da primeira edição da revista da ACEG, entidade que há 68 anos tem o objetivo de congregar os colunistas esportivos, aprimorando seu trabalho a qualidade dos profissional, na melhoria de estádios, clubes, realizando credenciamentos, com uma direção ativa”, declara Brito.


GRÊMIO

ARENA: A PRIMEIRA DA AMÉRICA LATINA A Arena do Grêmio foi o primeiro complexo multiuso a ser inaugurado no continente

Texto: LUÃ HERNANDEZ Fotos: WESLEY SANTOS

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naugurada em 08 de dezembro de 2012, na Zona Norte, de Porto Alegre, a casa do tricolor gaúcho abriu caminho para uma nova geração de estádios modernos que está sendo construída no Brasil. A Arena nasceu como uma referência para um segmento que está revolucionando a relação com o torcedor e com o público de grandes eventos. Com investimentos da ordem de R$ 540 milhões para sua construção, a previsão é de que a Arena fature entre R$ 110

milhões e R$ 120 milhões em seu primeiro ano de vida. A Arena do Grêmio é o primeiro empreendimento brasileiro concebido especificamente para abrigar, além de um complexo esportivo, uma estrutura completa de área comercial, de convívio e espaço para eventos de diversos portes, além de possibilitar o acesso a públicos com necessidades distintas. Cada evento pode ser customizado desde a concepção dos espaços, até a segurança, administração, serviços adicionais ou estacionamento. “O conceito da Arena é abrangente, vai muito além de ser apenas um estádio de fute-

bol. Teremos atividades e eventos todos os dias, sem nos fixarmos somente em datas de jogo”, explica Eduardo Pinto, presidente da Arena Porto-Alegrense. Outro destaque é a utilização dos camarotes, que podem ser usados como escritórios durante todos os dias e ainda como espaço para relacionamento com clientes ou fornecedores estratégicos em dias de jogos. Com uma parte estrutural totalmente planejada para receber múltiplas atividades – de festa particular de pequeno porte a convenções, jogos, espetáculos ou até mesmo incubadoras de negócios –, o desafio para os empreendedores foi adequar os modelos de gestão adotados ao redor do mundo ao perfil dos empresários e frequentadores gaúchos. Para isso, a Arena do Grêmio conta com a consultoria de empresas e instituições que já aplicam este modelo em diversas partes do mundo, como a Amsterdam Arena, presente desde o início do processo e que auxiliou na definição do modelo de novo estádio construído para o Grêmio.

O complexo multiuso tem capacidade para receber cerca de 57 mil pessoas e os mais diferentes tipos de eventos 18

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INTER

COLORADOS DE FUTURO O momento de transição vivido pelo Internacional com a reforma do Beira-Rio está trazendo novos nomes para a linha de frente do clube

Texto: JORGE TUBINO Fotos: JOÃO HENRIQUE ROSA ALEXANDRE LOPS LUIS ORTIZ

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advogado José Alfredo Amarante, 52 anos, é vice -presidente de Administração e tesoureiro da Fundação de Esporte e Cultura do clube. A sua primeira lembrança do Inter é apenas auditiva, de 1969, quando ainda morava em Alegrete e tentava sintonizar o rádio prendendo a antena numa árvore para acompanhar os lances de Dorinho. Em 1970, um dia após chegar à capital com seu irmão, Amarante foi ao Beira-Rio para ver o habilidoso meia. “Nunca me esqueci, linha 77 do ônibus Menino Deus. Imagina, dois garotos impressionados com o tamanho de Porto Alegre e indo àquele estádio gigantesco ver o ídolo. Foi uma experiência inexplicável”, recorda. Os anos passaram, mas as viagens pelo Colorado permanecem... Ele participa da redobrada engenharia por atuar sempre fora de casa. Para cada um dos seis estádios utilizados, muda a logística conforme a cidade, o tamanho e as dependências do local. “O bom é que pude ver perfeitamente como funciona essa preparação pré-jogo e como temos funcionários que não aparecem muito, mas que, além de cumprirem suas funções, são apaixonados pelo clube, pois se dedicam demais ao Inter”, diz, referindo que as jornadas a Caxias começam 11 horas da manhã e ter-

minam 3 da madrugada, “é desgastante e eles estão sempre prontos e dispostos”, salienta, lembrando que outra meta do seu setor é implantar de vez o plano de cargos e salários na agremiação. Conforme Amarante, a reforma da sede é um presente para o torcedor e a cidade: “4 bilhões estão sendo investidos, porque cedemos o estádio à Copa. Toda essa situação adversa cria uma força muito maior que se imagina. Os jogadores vão dar uma resposta positiva a esta dificuldade de não jogar no Beira-Rio, eles estão mobilizados, tanto que já ganhamos o Gauchão sem jogar uma partida em nossa casa. Tenho certeza que vamos ser campeões do Brasileiro ou Copa do Brasil, podem me cobrar”, sentencia, otimista. Atual Assessor de Futebol, o médico de 45 anos, Eduardo Hausen de Souza, começou a frequentar o vestiário com três anos. Pelo menos, é o que mostra uma foto onde está com seu pai, vice-presidente de Relações Públicas do clube em 1972, ao lado de Carlos Stechmann, passeando no local sagrado dos atletas. Claro que sua lembrança, realmente, é de alguns anos depois, já frequentando a Padre Cacique no período áureo da década de 1970. Hoje, enfrenta uma realidade diversa, de estádio fechado e menos receitas. “Estou há cinco meses no Futebol e posso dizer que estamos fazendo uma gestão de futuro, definindo cargos e salários, praticando uma gestão profissional. Trabalhamos em silêncio, com ações pró-ativas, sem

alarde. Evitamos falar em contratações, por exemplo, mas elas virão”, garante. Com a reinauguração do Beira-Rio prevista para abril de 2014, Souza afirma que até outubro o time deve, pelo menos, treinar no novo gramado. “O grande desafio é ser campeão brasileiro sem estádio. Fomos pioneiros em ganhar título – o Gauchão – sem uma casa. Não há relatos de algum outro clube ter conseguido isto. Claro que o nível de disputa é mais alto no Brasileiro. Se não der o título, queremos chegar entre os quatro da Libertadores para voltar ao Beira-Rio disputando esta importante competição”. O empresário Régis Shiba, 41 anos, é Diretor de Administração do clube e foi o primeiro cônsul do Inter no continente asiático em 1998. Filho de um japonês com uma tcheca, quando se fala em Colorado, vem-lhe a imagem de uma foto preto e branca de um nipônico com um nenê de colo nas arquibancadas dos Eucaliptos. O retrato foi tirado quando amigos levaram seu pai para ver o time rubro. Encantado, o estrangeiro adotou o Internacional e seguiu levando o herdeiro ao Beira -Rio. Hoje, Sihba participa do processo de reestruturação do estádio. “A transição do velho para o novo Beira-Rio será uma transformação cultural. Estamos alinhados com a Andrade Gutierrez para realizarmos isto de forma gradual e perfeita para melhor atender o associado”, avisa. Dentro de campo, sabe dos contratempos que o clube enfren20

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JOÃO HENRIQUE ROSA

ALEXANDRE LOPS

LUIS ORTIZ

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ta. “Não estamos jogando em casa, é difícil. Os mineiros sentiram isso com a ausência do Mineirão e temos este receio. Estamos trabalhando para suprir este obstáculo e fazer um grande Brasileirão”. O vice-presidente de Comunicação Social, Norberto Jacques Guimarães, é contador e possui 40 anos. A sua primeira lembrança da agremiação é da final do Brasileiro de 1975, quando esteve presente no Beira-Rio carregado pelos pais. “Era pequeno, mas lembro do agito, da alegria, daquela confusão”, conta. Na sua Pasta, mantém o bom trabalho anterior e realiza ações especíBAH TCHÊ!

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José Alfredo, advogado, Eduardo Hausen, médico, Norberto Guimarães, contador, e Regis Shiba, empresário, fazem parte da diretoria do Internacional ficas com os consulados para traçar objetivos e atingir metas. Em jogos fora, criou pontos de encontro para os colorados se reunirem. Quanto aos sócios, há uma permanente busca de novas vantagens, descontos e brindes. “Se o torcedor souber usar todas as facilidades que oferecemos, terá retorno financeiro em ser

associado”, garante. Guimarães encara o fechamento do Beira-Rio como uma oportunidade de levar o clube ao interior. “Nunca tínhamos jogado nessas praças como mandante. Com o apoio que temos da torcida, sentimo-nos em casa”, pondera, relatando que nada pode ser desculpa para que o time não mire a busca de taças, “tivemos 27 conquistas nos últimos 11 anos, ficamos ‘mal’ acostumados. Temos a obrigação de ganhar títulos. Apesar de tudo, temos que superar obstáculos e brigar pelas primeiras posições nas competições que disputarmos”, finaliza.


RÁDIO WEB

UNIÃO POR UMA NOVA ERA Texto: ZECA FILHO Foto: JOÃO HENRIQUE ROSA

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iz o velho provérbio que a “União faz a força”. E desde o dia 26 de Março de 2013, em evento celebrado na Churrascaria Garcias localizado na zona leste de Porto Alegre, os sócios Rodrigo Aliardi, Eduardo Souza e Jairo Kuba resolveram botar o provérbio em prática. A união dos três trouxe para o mercado das Webradios esportivas, uma nova era, a Rádio Galera da

Na cobertura de mais um jogo, à esquerda, Paulo Bizarro (antiga Rádio Galera) e à direita, Diego Macagnan (antiga Rádio Web RS)

Web, unindo a Rádio Web RS com a Rádio Galera, duas Rádios que eram administradas pelos três, mergindo elas em uma só. A nova era trouxe consigo também, um aumento na equipe de profissionais dispostos a colaborar para a Rádio, já que uns colaboravam para a Rádio Web RS e outros para Rádio Galera. Para chegar a esta “Nova era”, Rodrigo Aliardi e Eduardo Souza, em 2008, se conheceram através da WRI (Web Rádio Interativo), que era administrada pelo jornalista Maurício Freitas, hoje trabalhando na assessoria do Clube Atlético

Paranaense. Passados três anos na WRI, Aliardi e Eduardo, decidiram por consenso, montar uma nova web rádio, que desse aos ouvintes, uma informação mais atuante. Surgiu então, a Rádio Web RS, que inicialmente se focou apenas em jogos do Cruzeiro, um clube tradicional, porém antigo da capital Porto Alegre. Um ano após, buscando se consolidarem de vez no mercado com a Rádio Web RS, Aliardi e Eduardo resolveram encarar o desafio de ampliar sua área de atuação, pegando jogos, desde o Campeonato Gaúcho, até a Copa Federação


Rádio Web RS e Rádio Galera agora formam uma só rádio web, aumentando a equipe de profissionais e qualificando ainda mais a prestação de serviços

Gaúcha de Futebol Sub-17. Esta ideia deu certo até Agosto, quando por diferença de idéias, Rodrigo Aliardi acabou montando sua própria Rádio Web, a Rádio Galera, que além de futebol, apresentava também programas de pagode, funk e projetos humorísticos. Porém, mesmo com a separação de Rádios, a amizade entre Aliardi e Eduardo permaneceu afinada, ao ponto de ao final do ano, com a inclusão do jornalista Jairo Kuba, que também é assessor de imprensa do Aimoré, clube tradicional de São Leopoldo, unirem forças para fundar a Rádio

Galera da Web. Em sua estréia nas transmissões, a Rádio Galera da Web, cobriu o empate sem gols de São José e Canoas no Estádio Passo D’Areia, no dia 31 de Março. Desde então, com uma gama enorme de profissionais, puxados tanto da Rádio Web RS quanto da Rádio Galera, a “nova era da webrádio Gaúcha”, vem cobrindo, desde os jogos do Campeonato Gaúcho 2013, na Taça Farroupilha, a participação do Grêmio na Libertadores, a do Inter na Copa do Brasil, e acompanha também, partidas do

Aimoré, na Divisão de Acesso 2013, prometendo para o segundo semestre acompanhar toda a Copa Federação Gaúcha 2013, que neste ano se chamará Copa Wily Sanvito.

SAIBA MAIS Para acompanhar as diversas transmissões da Rádio Galera da Web, você pode acessar: www.galeradaweb.com


A BOLA QUE AFASTA, TAMBÉM UNE

Futebol que prejudicou relação familiar agora estreita vínculos afetivos

Texto: JORGE TUBINO Foto: ARQUIVO PESSOAL

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Coordenadora de Comunicação e Relações Públicas da Arena, Fernanda Denardin, 34 anos, foi corajosa para realizar o sonho de trabalhar no estádio gremista. Num even-

to, ao se deparar com Eduardo Pinto, presidente da Arena Porto Alegrense, simplesmente se apresentou e deixou seu currículo. Em julho de 2012, quando o empreendimento era apenas uma obra, foi contratada. Formada desde 2003 em Publicidade e Propaganda pela Ulbra, já passou por agências, setor de eventos do Grupo RBS e Assem-

bleia. Agora, deu um up-grade na carreira. “A partir daqui, posso trabalhar em qualquer lugar do mundo”, avalia Fernanda. O que ela não imaginava é que lidaria com futebol, segmento que tanto atrapalhou sua infância, já que seu pai, Pedro Ernesto Denardin, há 40 anos se dedica ao jornalismo esportivo. “Eu sempre fui muito comunicativa. Quando 24

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FAMÍLIA no ESPORTE criança, mal comia e já estava fazendo amizade com outras crianças. Meu perfil me levou para a comunicação, mas nunca cogitei atuar em estádio”, confessa ela. A guinada para o ramo da bola gerou, inclusive, um conflito com o narrador da Gaúcha. “Foi um parto dentro de casa. O meu pai não queria, pois, achava que seria difícil eu me integrar, falariam que eu estava lá por ser filha dele, ou que se eu estou na Arena é porque ele é gremista. A gente tinha medo de como seria isso, mas foi tranquilo”, relata Fernanda, aliviada. Feliz com o desafio profissional que encarou, Fernanda conta que a cada pedaço de concreto concluído, ia acreditando cada vez mais no projeto. Para o torcedor abraçar o estádio de vez, ela acha que é uma questão de tempo. Com a conclusão do Centro de Treinamento no Humaitá e as novas instalações da Arena, prevê que a partir de julho haverá a mesma efervescência que há no Olímpico. “Estamos elaborando um plano receptivo. As áreas de relacionamento e do Quadro Social estão quase prontas. A loja está sendo finalizada. O Museu já está em andamento. Aos poucos, o torcedor vai migrar para cá e começar a entender que isso aqui é realmente a casa deles”, projeta. Como boa profissional de Relações Públicas, Fernanda é uma espécie de faz tudo. Já atendeu desde reclamação de sócio, até achados e perdidos. Mas a sua principal função é intermediar a relação com os veículos de comunicação e organizar os credenciamentos. Também é ela que cuida das cabines e zona mista para que tudo esteja nos trinques. “Minha preocupação é que os profissionais possam utilizar a capacidade plena dos seus equipamentos. Quero que a mídia saiba que a Arena é de primeiro mundo”, preconiza Fernanda. BAH TCHÊ!

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Integrada ao mundo que prejudicava sua relação familiar, agora vê a bola aproximá-la ainda mais do seu pai. “O futebol não tem mais nos separado, tem nos unidos mais inclusive. Agora a gente comenta coisas que ocorreram no estádio, são mais assuntos em comum, novos elos, pessoas que conhecemos através do futebol”, relata Fernanda. “Ela vai entender o que é não ter domingo”, brinca Pedro Ernesto. O radialista admite que conciliar a profissão com a vida familiar não foi fácil. Foram 20 anos para conseguir uma tranquilidade financeira, quatro décadas sem finais de semana e inúmeras datas comemorativas ausentes. “A Fernanda pegou um período de maior correria. A relação com o Ricardo é bem melhor, eu tenho mais tempo e o cara vai ficando mais velho, vai entendendo melhor os filhos. Quando a gente é mais novo, não dá muita bola para a importância de ser pai. O Ricardinho levou vantagem nesse ponto”, analisa Pedro Ernesto, comparando a situação do caçula, fruto do segundo casamento, com a de Fernanda. A filha lembra que uma das coisas mais importantes em termos de família ocorreu no ano passado quando Pedro deixou o programa Show dos Esportes. “Ele convidou eu e meu irmão para jantar e disse: essa é a primeira vez que a gente janta num dia normal de semana. Lógico, aos sábados e domingos ele continua narrando, mas a gente otimiza mais o tempo agora. O meu irmão aproveita bem mais o pai do que eu, porque na minha época ele era repórter, setorista, depois narrador e apresentador. A pior parte ficou comigo”, concorda Fernanda, recordando da frustração dos aniversários sem o pai, “as datas festivas, dependia do jogo... muitas vezes chegava depois da comemoração. Mas não havia conflitos, nunca precisei psicólogo para

resolver isto. Sempre tive muito orgulho dele”. Com a filha trabalhando na Arena e o filho, hoje com 15 anos, dando indícios de que cursará jornalismo, Pedro conclui que “apesar de tudo, ficou uma imagem positiva da profissão. É legal ser jornalista, mas tem que gostar muito para suportar esses contras”, pondera, levantando uma ironia do destino, “o futebol que tanto nos separou, pode unir todo mundo. Tomara que eu esteja com saúde ao lado deles para ver isso”. Fernanda exalta que graças à atividade do pai, sempre frequentou estádios e conheceu muitos lugares. Durante coberturas de Copa América e Mundial, se era época de férias, Pedro lhe mandava passagem para que ficassem próximos. Aliás, viagens seguem sendo um dos lazeres preferidos da família, seja para repousar fora do país ou no sítio, o recanto preferido dos Denardin. Piscina e partidas de tênis, no condomínio onde mora, são outras opções do agrado do popular narrador. Mãe de João Pedro, seis anos, Fernanda se depara com o desafio de minimizar os problemas pelos quais passou na época de criança, quando não rolava os “findes” com churrasco em família. “Tem algo que está se repetindo... (risos). A gente tem que se desdobrar para não ser ausente. Em dias de jogo fica mais difícil. Mas ele entende bem. Quero ter outro filho, inclusive”, revela, afirmando que os domingos fora são a pior parte. No entanto, Fernanda não se arrepende, pois, mostra que suas decisões foram muito bem pensadas, “isto é uma semente que estou plantando e espero que cresça. Não sei quanto tempo ficarei aqui, espero que bastante, mas quando eu sair, quero ter um rumo a seguir e estes domingos e feriados que trabalhei vão ter valido a pena. A experiência acumulada é enorme”.


RÁDIO WEB

DO PIONEIRISMO A EVOLUÇÃO Rádios Web da dupla Gre-Nal são pioneiras no futebol brasileiro Texto: ZECA FILHO

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o campo, a dupla GreNal sempre rendeu ao público desportista, ótimos confrontos, disputados até o último minuto. Mas quando se trata de Web Rádios, os gaúchos podem dizer que tanto Grêmio, quanto Internacional foram pioneiros em questão de emissoras de clubes de futebol, principalmente o Grêmio. Quando de sua chegada em 2005, coube a Haroldo Mendes dos Santos, na época, assessor de imprensa do Grêmio, dar início a uma ideia que veio a se tornar realidade em 2007, a Rádio Grêmio. Mais precisamente no mês de setembro, no jogo contra o Náutico, pelo Brasileirão daquele ano, a Rádio Grêmio fez sua estréia com pé direito, narrando a vitória gremista e tendo como primeira “audiência”, 60 ouvintes. A partir daí,

todos os jogos do certame Brasileiro em Porto Alegre, foram transmitidos pela Web Rádio Gremista. Do ano de 2008 em diante, desde a narração de São Paulo 0 x 1 Grêmio direto do Morumbi, na abertura do Brasileirão, a emissora tricolor não deixou de acompanhar mais o clube, inclusive em viagens internacionais, na Libertadores 2009, chegando a ter até 1.500 ouvintes ao mesmo tempo. Hoje, a Rádio Grêmio, continua o projeto montado em 2007 por Haroldo Santos, que deu frutos, acompanhando todos os jogos do tricolor nas competições em que a equipe disputa, tendo sempre a sua disposição, estruturas montadas que possam favorecer aos profissionais, ótimas condições de transmissão das partidas gremistas neste ano de 2013. Se por um lado a Rádio Grê-

mio foi a pioneira em Web Rádios de clubes brasileiros, não podemos dizer que o Inter fica muito atrás não. Buscando reformular os seus canais de comunicação na época, o “clube do povo”, resolveu também criar além de uma TV, uma Web Rádio, onde fossem transmitidos todos os jogos do colorado, proporcionando para o torcedor, uma narração completamente diferente, de “Colorado para Colorado”. Criada no início de 2010, a Rádio Colorada transmitiu todos os jogos da equipe em suas respectivas competições, sendo chamada desde o dia 09 de Julho do mesmo ano de Rádio Inter, contando para o torcedor colorado, todas as emoções, conquistas, que o clube alcançou e futuramente poderá alcançar, acompanhando o clube do povo aonde ele estiver.


IMPRENSA

ASSESSORES EM TEMPO INTEGRAL Lidar com a imagem de jogadores de futebol e intermediar o relacionamento entre atletas e imprensa não é tarefa para amadores Texto: CRISTINA RISPOLI D’AZEVEDO

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ustamente por isso as assessorias em comunicação esportiva têm crescido cada vez mais nos últimos anos. Entre as funções desses profissionais está a de preparar os jogadores para conceder entrevistas, monitorar as notícias veiculadas na mídia, produzir e divulgar releases para a imprensa, organizar coletivas de imprensa, criar e desenvolver sites e campanhas de marketing. A ideia de assessorar jogadores de futebol surgiu para Rodrigo Russomano em 2006, depois de ler a coluna de Mário Marcos de Souza na Zero Hora, na qual o jornalista relatava ter tido uma conversa com Iarley, na época meia-atacante do Internacional, em que ele contava ter vontade de encontrar alguém para escrever um livro sobre a sua história. “Naquele dia mesmo eu pensei em propor uma assessoria para ele”, lembra Russomano, que elaborou e apresentou um projeto ao jogador que veio a se tornar seu primeiro cliente. Dali em diante, passou a assessorar outros atletas por indicação do próprio Iarley. Assim surgiu a Trato – Assessoria de Comunicação, que atende hoje mais de 20 jogadores de futebol em todo o Brasil, inclusive Iarley, atualmente no

Paysandu. Para Bruno Junqueira, a oportunidade surgiu em 2009 ao acompanhar a ida do goleiro Renan para a Espanha e fazer o trabalho de manutenção de mídia do jogador no Brasil. Quando voltou da Europa, resolveu que esse seria o caminho a seguir no jornalismo. “Pela satisfação pessoal que sentia ao realizar o trabalho e pelas possibilidades de mercado”, argumenta. Com o sócio Rafael Antoniutti, Junqueira abriu a TXT Assessoria em Comunicação, que conta também com o jornalista Guilherme Araújo na equipe. “Dividimos o trabalho de acordo com a demanda”, conta o empresário que atende atualmente uma carteira de 26 jogadores de futebol, além de técnicos e atletas de voleibol. “Acompanhamos os treinamentos, as entrevistas, os eventos. É importante estar sempre por perto”, relata. Nem teria como ser diferente. São esses profissionais os responsáveis por prevenir e gerenciar crises de imagem desses jogadores. Afinal, em uma partida eles têm excelente desempenho, em outra já não atuam tão bem, brigam em campo, cometem uma falta mais pesada e sofrem expulsão. O segredo para enfrentar tantos altos e baixos? “É o contato pessoal”, garante Junqueira. Ainda, para ele, “é preciso ter uma relação

de confiança com o seu cliente. Isso faz toda a diferença. Ter um bom relacionamento com a imprensa também é indispensável. Nem sempre os interesses serão os mesmos”. Russomano destaca que atuar nesse ramo é trabalhar com o imponderável. “Sempre existe a possibilidade das coisas mudarem de uma hora para outra”, pondera. “Trabalho com cada atleta como se fosse o único. Posso padronizar o meu trabalho, mas não o atleta. Acho que isso é o principal”. As estratégias de atendimento variam de acordo com os objetivos a serem atingidos. “É importante traçar o perfil do cliente e as metas a serem atingidas no início do trabalho para um melhor entendimento entre as partes”, enfatiza Junqueira. “Não tem como traçar uma rotina ao dia a dia do atleta. Todo dia é dia e toda hora é hora, pois o assessor vira uma referência para o jogador”, afirma Russomano, que aposta na personalização do trabalho como um importante diferencial de mercado. “Sou contra distribuir o mesmo release para toda a imprensa. Acho que o release tem que ser pontual, focado e bem direcionado. É preciso fazer uma avaliação diária de mercado, ver o que está sendo dito para, em cima disso, fazer um trabalho eficaz”, finaliza Russomano. 28

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13 1. Luciano Calheiros da Fox Sport durante link na chegada das equipes na Arena do Grêmio antes da partida entre Grêmio e Fluminense pela Copa Libertadores da América 2. Eduardo Sirotsky Melzer, presidente executivo do Grupo RBS, chega nos camarotes da Arena para acompanhar a partida da Copa Libertadores da América 3. Vagner Martins (Band), Hector Werlang (globoesporte. com) e Willian Lampert (Correio do Povo) na Zona Mista na Arena do Grêmio 4. Fernando Becker (RBS), Cristiano Silva (Rádio Gauiba), André Silva (Rádio Gaucha) e Rafael Copetti (RS Esportes) na Zona Mista na Arena do Grêmio

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5. Jardel se diverte ao relembrar as histórias do tempo em que era comandado por Felipão no Grêmio 6. Dep. Estadual Miki Breier, Presidente da Assembleia Legislativa do RS, Pedro Westphalen, torcedor do Grêmio e Pres. da Arena porto-alegrense Eduardo Pinto 7. Gaúcho da Copa chegando nos camarotes da Arena para acompanhar a partida de Grêmio e Fluminense 8. Presidente do Conselho Deliberativo Raul Régis de Freitas Lima, Jardel, Felipão, Eduardo Antonini e convidados

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9. Washington ex. atacante do Fluminense e Grêmio atual Sec. de Esportes Municipal de Esportes de Caxias do Sul e Eduardo Pinto Pres. Da Arena Porto Alegrense 10. Sec. de Eportes e Lazer Kalil Sehbe, Eduardo Antonini e Eduardo Pinto Pres. da Arena porto-Alegrense 11. Nelson Pacheco Sirotsky, presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS chegando nos camarotes da Arena 12. Profissionais de Imprensa durante entrevista Zona mista na Arena do Grêmio 13. Imprensa trabalhando na Zona Mista da Arena

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14. Alexandre Torres e Ricardo Rocha, ex-jogadores do Fluminense, chegando nos camarotes da Arena do Grêmio 15. Profissionais de Imprensa durante entrevista Zona mista na Arena do Grêmio 16. Ricardo Vontobel, presidente da Vonpar Coca-Cola, chegando nos camarotes da Arena 17. Eduardo Bier chegando nos camarotes da Arena 18. Equipe da RD Galera na ARENA do Grêmio 19. Empresário Ricardo Correa, entrega presente para Rafel Sóbis no saguão do Hotel Sheraton após entrevista coletiva do jogador

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20. Pres. Itamar Aguiar da ARFOC-RS, JB TELLES Pres. da ACEG-SC(c) e Presidente da ACEG - RS Haroldo Santos


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COPA

SEHBE ACEITOU O DESAFIO Segundo ele, “vivenciar a nova realidade do esporte e do lazer em nosso Estado, é um bom motivo para seguir em frente”

SAIBA MAIS Endereço: Av. Borges de Medeiros 1501, 4º andar Ala Norte, Centro, Porto Alegre - Telefone: (51) 3215 9400 Horário de atendimento: 8h30min às 12 horas e das 13h30min às 18 horas de segunda à sexta-feira

Texto: MÁRCIA SILVA Foto: ARQUIVO PESSOAL

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alil Sehbe é formado em Administração de Empresas, Pós-Graduado em Administração com Especialização em Marketing e Mestre em Ciências Sociais. Foi vereador, deputado estadual BAH TCHÊ!

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e atleta das seleções gaúchas e brasileira de handebol. Por sua identificação com esporte, foi convidado para o desafio de criar uma política estadual de esporte e lazer e coordenar o Comitê Gestor da Copa do Mundo de 2014. A criação da Secretaria Estadual de Esporte e do Lazer em 1° de janeiro de 2011, segundo ele, foi uma atitude arrojada do Governo do Rio

Grande do Sul, que acredita na importância e relevância social do ato. Essa estrutura teve início através do comitê, definindo assim plano de empregos e contratações emergenciais para a Fundação de Esporte e Lazer (FUNDERGS). “Consolidar o esporte e o lazer para educar, integrar socialmente e promover saúde, bem estar e melhoria da qualidade”, é a missão da pasta, relata. Para Sehbe, “estamos num momento especial de oportunidades e desafios para o Rio Grande do Sul, estruturar o esporte no Estado é o início dos preparativos para sediar um dos maiores eventos, a Copa do Mundo da FIFA 2014, e também das Olimpíadas de 2016. Dentro das preocupações em receber bem as grandes seleções e turistas, estão a segurança, a saúde pública, a estrutura das cidades e do Estado, com tecnologias e área ambiental”. A fim de qualificar profissionais de Educação Física, estão sendo realizados cursos de capacitação e qualificação, trazendo modernização à gestão, mas também melhorar a infraestrutura, promover a inclusão social e apoiar atletas para o rendimento.


COPA

“RESSACA DE NÃO IR À COPA PASSA RÁPIDO” [

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Macedo relata histórias de cinco coberturas e diz que repercussão do trabalho em Mundiais já foi bem maior

Texto: JORGE TUBINO Foto: ARQUIVO PESSOAL

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aproximação da Copa 2014 resgata o nome de um experto no assunto, Antônio Carlos Macedo. Com cinco Mundiais no currículo (1986, 1990, 1994, 1998 e 2002), acumulou enorme conhecimento de transmissões do torneio mais prestigiado da FIFA, além de muitas histórias... Aos 58 anos, 18 deles no Esporte, Macedo avalia que a cobertura desse tipo de evento está cada vez mais hermética, exigindo diversas credenciais. Sem essas, não se chega perto do hotel das seleções, quanto mais do vestiário. A sua primeira experiência foi em 1986, no México, quando a imprensa possuía bem mais liberdade. Na saída do treino, os atletas percorriam o mesmo caminho dos repórteres. Era só chamar o boleiro para fazer a entrevista. Gradativamente, essas facilidades foram eliminadas, transformando a cobertura num grande pool, aonde todas as emissoras têm os mesmos dias e horários para contatar jogadores e comissão técnica. Isso difi-

culta o “furo”, pois, todos recebem as mesmas declarações. “A FIFA tomou atitudes para que o evento fosse mais fechado em torno dos seus patrocinadores”, descreve Macedo. Para buscar algo diferente e mais interessante para o público daqui, evitando a concorrência do trabalho genérico da TV, regionaliza-se a cobertura. Na convocação, levanta-se entre atletas, comissão técnica e dirigentes, quem tem alguma ligação com os gaúchos. As pautas e entrevistas priorizam estes personagens. Fora as matérias que buscam descobrir torcedores ou moradores locais que possuem ligação com a terra gaúcha. Como a partir dos anos 1980 sempre houve a presença de conterrâneos na Seleção, a estratégia foi mantida. Macedo relata que é natural uma aproximação entre os gaudérios. “O Branco, na Copa de 1994, ia ao quarto onde estava eu e o Sílvio Benfica, mesmo nos dias em que não podia fazer entrevistas, só para tomar chimarrão e bater papo”, relembra, citando Taffarel e Gilmar como outros que estreitaram relações para buscar informações do Sul, sobre o clima ou a situação da dupla Gre-Nal.

Antes da internet se popularizar, os jornalistas eram as fontes mais acessíveis de notícias do Estado. Apesar da inevitável cumplicidade, Macedo não recorda de um privilégio de informação. Pelo contrário: relata um despiste que irritou um repórter daqui. “O Murtosa deixou um colega na mão ao dar indícios de uma escalação. Por conta disso, ele foi o único a apostar num certo jogador. Porém, o Felipão escalou outro. O cara ficou brabo, cobrou do Murtosa”, diverte-se Macedo. Se “barrigada” sempre irrita jornalista, imagina em Copa do Mundo. Contudo, Macedo afirma que a cobertura de Mundiais já deu bem mais repercussão: “Antes, era algo aguardado ansiosamente. Hoje, com a dinâmica do próprio calendário do futebol, não tem mais isso. O público vai se preocupar com a Copa 15 dias antes, pois, tem campeonato importante rolando. Está todo mundo focado nos seus times”, diz, convicto da mudança de panorama, “em 2002, o Brasil foi campeão num domingo e já na quarta tinha o Grêmio jogando fase decisiva da Libertadores. O espaço para se falar no assunto, mesmo com o título, ficou curto. O interesse do torcedor es34

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CARTOLA de EDITORIA

Natural de Esteio e jornalista há 35 anos, Macedo assina a coluna “Chamada das Ruas” desde a primeira edição

tava voltado para outro evento que recomeçava”. Da mesma forma, quem trabalha na mídia já valorizou mais o evento FIFA. “Obviamente, é uma referência ter no currículo uma Copa, mas o alcance disto está cada vez mais restrito. Claro que quem não vai, acha ruim. Mas a ressaca de não ter ido passa mais rápida do que antigamente, quando a repercussão durava mais e o pessoal se remoia o ano inteiro”, conclui. Apesar das cinco transmissões de Mundiais, o evento que mais lhe deu retorno profissional foi a Olimpíada de 1992. Afinal, foi a primeira vez que uma emissora do Rio Grande do Sul efetuou uma cobertura abrangendo todas as modalidades. Para a sorte de Macedo, ali saiu a primeira medalha de ouro de um esporte coletivo do Brasil, o vôlei masculino, com gaúchos na delegação. “Eu era o único radialista daqui transmitindo aqueles momentos ao vivo, deu uma baita repercussão. Aquele título foi muito comemorado, quase como no futebol. Pessoalmente, tive um retorno muito grande por ser o jornalista gaúcho que estava fazendo a coisa certa, na hora certa”, comemora o profissional do Grupo RBS. BAH TCHÊ!

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Entretanto, os grandes eventos não trazem só alegrias... Macedo recorda de um locutor que foi assaltado no Mundial de 1998, após ser ameaçado com faca. Na Copa da Ásia, em 2002, o perigo era a alimentação. “Ao contrário da ideia que passam aqui que sushi é a refeição mais comum no Japão, o normal são as massas com peixes e outras coisas que a gente nem sabe o que é. E lá não adianta o inglês. Era na mímica ou apontando para as fotos dos pratos. Na Coréia, a gente brincava que eles comiam tudo que se mexia. Seguramente, teve gente comendo gato por lebre, pois, muitos dos pedidos que fazíamos não era o que imaginávamos”. Por conta disso, Macedo virou fã das massas instantâneas e sopa de copo. Outro sofrimento foi o fuso-horário. “Quando era madrugada lá, chegava o horário de pico da programação aqui, quando mais passávamos matérias”, relembra, referindo as poucas horas de sono. A distância da família era outra agrura para Macedo. Quando envolvido pelo trabalho, desligava de tudo. Porém, nos deslocamentos e nas refeições, batia a saudade e a preocupação. “É xarope, você fica

sem saber o que está acontecendo com as crianças, a esposa. O filho adoece e você longe, desesperado. Sempre tive uma ligação muito forte com eles, sentia muito”, diz o radialista que mandava postais ou matava dez dólares da sua diária para comprar cartão telefônico e se inteirar das ocorrências caseiras. No final de 2002, deixou a editoria de Esportes. Hoje, seu deslocamento de trabalho vai do estúdio da Rádio Gaúcha até a redação do Diário Gaúcho. Externas, não quer mais. No entanto, segue atualizadíssimo no futebol, pois, os noticiários trazem constantes informações do mundo da bola. Macedo acredita que o Brasil dará conta do recado como sede da Copa. Os problemas, prevê, serão semelhantes aos da África do Sul – dificuldade para concluir estádios e obras de infra-estrutura – algo típico dos países em desenvolvimento: “estamos distantes do primeiro mundo na organização de grandes eventos, como nas questões da vida. Nós teremos um pouco de improvisação, mas acredito que faremos uma Copa sem grandes senões. Não sou pessimista nesse sentido”, finaliza.


EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DAS COPAS De 1986 a 2002, Macedo define: “peguei uma evolução tecnológica gigantesca”. Se por um lado as transmissões de áudio e imagens foram facilitadas, esse boom na comunicação originou a atual cobertura on-line: “você fica aprisionado 24 horas”, pondera.

1986

As matérias eram enviadas por telex, uma espécie de máquina de escrever atrelada à rede de telefone. Através de outro terminal, a emissora recebia o material. Macedo viu O Globo utilizar um computador que mostrava só as dez primeiras linhas digitadas. Depois, não tinha como conferir o texto. As fotografias eram passadas por telefoto: após ser revelada, era colocada num equipamento ligado ao telefone que a transmitia por pulsos. Na redação, uma máquina receptora imprimia a imagem.

1990

Era possível a transmissão de fotos coloridas.

1994

Ainda havia o telex, mas já apareciam os primeiros profissionais com laptops.

1998

Tanto as fotografias, como os textos eram enviados por computador. O acesso à internet era fácil, terminando com o isolamento dos jornalistas, comum nessas coberturas.

2002

Os profissionais já eram multi-mídias. Macedo, além da Rádio, produzia para jornal e fazia fotos para sua coluna no Diário Gaúcho. Levou uma máquina Mavica que utilizava disquete. Na época, tecnologia de ponta, com 1,6 megapixels. 36

BAH TCHÊ!


COPA

JOÃO BOSCO VAZ Na sua trajetória, acumula funções como jornalista, gestor e político Texto: MÁRCIA SILVA Foto: ARQUIVO PESSOAL

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creditando que o esporte é a porta de entrada para o desenvolvimento social, cultural e a forma de ascensão para a cidade de Porto Alegre, o jornalista João Bosco Granato Vaz, nascido em Bagé, graduado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL) fala um pouco sobre a sua trajetória e o seu trabalho na Secretaria Extraordinária da Copa 2014 (Secopa). Vaz iniciou a sua carreira na Empresa Jornalística Caldas, na sucursal de Pelotas, transferindo-se nos anos 1990 para a TV Guaíba, onde lançou o programa independente Encontro do Esporte, que está no ar até hoje pelo Canal 20. Vereador por cinco legislaturas, Vaz foi Secretário Municipal de Esporte, Recreação e Lazer de 2005 a 2010. E, nesse período

criou projetos como, por exemplo, o Projeto Social Futebol Clube, atendendo mais de 1,3 mil crianças carentes da periferia. Criou também o Projeto Bonde da Cidadania, que promove atividades a cerca de 300 crianças em situação de rua, e o Projeto Esporte dá Samba, uma escola mirim, pioneira no Brasil. Em 2011 assumiu a Secopa, onde recebeu a missão de preparar Porto Alegre para receber o grande evento mundial, dentro disso, desenvolver projetos há anos aguardados pela cidade: “Estamos bem adiantados na organização da Copa 14. Preparamos-nos agora para a montagem da Fan Fest (festa do torcedor) no Largo Glênio Peres nos dias dos jogos, onde durante os 30 dias de Copa teremos muitas atrações musicais, jogos, brincadeiras... funciona como um segundo estádio para ver os jogos em telões, gratuitamente. Temos outros grandes projetos que também estão sendo tocados...”, declarou.

A entidade também esteve presente na vida de Vaz: “A ACEG, teve grande importância na minha trajetória, tinha 25 anos, recém-formado em Jornalismo, pouco conhecia a categoria, mas foi um desafio. Ali descobri meu lado gestor, colaborando com minha projeção profissional, defini a entidade como minha profissão”. De acordo com Vaz, a entidade, que está prestes a completar 68 anos, tem grande representatividade, mas ainda precisa que seus componentes (cronistas) sejam mais unidos, podendo assim reivindicar a melhoria dos trabalhos e acessos aos estádios. Hoje, Vaz acredita que a ACEG, dentro dos preparativos para a Copa 2014, terá um papel importante no apoio aos jornalistas, embora a Federação Internacional de Futebol (FIFA) é quem irá credenciar os profissionais, porém, é em parceria com a entidade que tentarão sanar problemas que surgirão. Questionado sobre as novidades da Secopa estaria preparando para o grande evento esportivo, Vaz afirmou que não há, uma vez que: “nós trabalhamos com a maior transparência possível. Tudo é público. Quem quiser acompanhar nosso trabalho basta acompanhar nosso site www.secopapoa.com.br”, finalizou.

Vaz sempre apresentou uma preocupação com a área do esporte


IMPRENSA

O PATO VOLTOU! Gaúcho, brasileiro e italiano, Roberto Pato Moure está de volta ao jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul

Texto: RAFAEL PFEIFFER Foto: GUSTAVO VARA

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o deixar o Internacional, Paulo Roberto Falcão transferiu-se para a Roma, Itália, em 1980, e convidou o repórter da Rádio Gaúcha, Roberto Pato Moure, para ser uma espécie de assessor de imprensa no Velho Continente, algo incomum na época. O cronista deixou a vida que tinha em Porto Alegre e foi se aventurar com o amigo que viria a ser o Rei de Roma, principalmente depois do título nacional de 1982-1983, algo que Roma não conquistava desde a temporada 1941-1942. Na Itália, além de trabalhar com Falcão, Pato Moure passou pelos mais diversos meios de rádio e televisão esportivos. Em 1985, quando o craque deixou a Itália para jogar no São Paulo, Pato Moure decidiu que era seu momento de permanecer em solo italiano. Seguiu trabalhando em Roma, o que fez com que seu coração ganhasse completamente as cores da A.S. Roma até hoje. Trinta e três anos depois de desembarcar na Itália, Pato Moure voltou a trabalhar no Rio Grande do Sul no início de 2013. No mês de março, ele foi apresentado como novo comentarista da Rádio Grenal. Saudado pelos velhos amigos, o jornalista diz que a recepção pelo seu retorno foi muito positiva: “Tem muitas pessoas que podem não gostar de mim ou do

meu trabalho, mas eu me preocupo com aqueles que gostam de mim. Recebi muitos telefonemas desde que voltei para o rádio, o retorno está muito bom”, disse Pato Moure. Ele já havia retornado ao Brasil em 2009 por um problema de saúde na família e resolveu se afastar dos microfones por algum tempo, até receber o convite da Rádio Grenal. Na emissora da Rede Pampa, Pato Moure encontrou seu antigo companheiro de jornadas esportivas dos tempos da Rádio Gaúcha, Haroldo de Souza. Os dois participam diariamente no programa Dupla em Debate: “Foi um imenso prazer reencontrar o Haroldo na rádio. Ele é um cara fantástico e muito divertido. Ele fica brabo de vez em quando, mas acho que tenho o poder de ser a camomila do Magrão. Quando ele quer brigar com todo mundo, a gente dá uma conversada e ele se acalma”, diz Pato, que tenta se readaptar ao linguajar português do rádio esportivo. “Foram trinta anos de Itália. Ainda me comunico com meus colegas de lá. Por vezes, penso em italiano. As palavras ainda saem com alguma coisa de italiano, mas sempre peço para me corrigirem”, admite Pato. A Copa do Mundo também faz parte da carreira de Pato Moure. Ele cobriu vários mundiais, tanto pela Rádio Gaúcha quanto pelas emissoras da Itália. E ele guarda histórias curiosas. Em 1982, foi designa-

do para acompanhar os treinos da seleção italiana que enfrentaria o Brasil. Na véspera da partida, ele apostou um café da manhã com os jogadores Bruno Conti e Claudio Gentile que o Brasil passaria pela Azzurra. No dia seguinte à “Tragédia do Sarriá”, como ficou conhecida a eliminação brasileira para a Itália, Pato Moure foi à concentração italiana para cobrir os desdobramentos da classificação. Só conseguiu o material depois de pagar o café da manhã para Conti e Gentile. Pato Moure também foi assessor de imprensa de Emerson, ex-volante da Seleção Brasileira, quando o jogador atuou em Roma, entre 2000 e 2004. Foi ele quem recebeu um dos primeiros telefonemas de Emerson na véspera da Copa de 2002, quando o volante foi cortado do Mundial após se lesionar em um treino recreativo: “Aquele dia foi muito triste. Eu havia permanecido na Itália para trabalhar pela RAI e o Emerson me ligou da Coréia. Ele estava muito abatido”, revela Pato. Contar histórias e bater papo com os amigos que fez no futebol, esse é o principal objetivo de Pato Moure no seu programa “Bastidores do Futebol”, que vai ao ar diariamente na Rádio Grenal. Depois de contar muitas histórias sobre o futebol, Pato se despede do ouvinte com seu tradicional: “Até amanhã, se Deus quiser. E eu tenho certeza que Ele vai querer”. 38

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CARTOLA de EDITORIA

Pato faz parte da história da assessoria de comunicação para jogadores de futebol

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COPA

UM NARRADOR DE COPAS Onze Copas do Mundo, Haroldo de Souza é um narrador de milhões de gols

Texto: RAFAEL PFEIFFER Foto: ARQUIVO PESSOAL

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ara muitos cronistas esportivos do Brasil, acompanhar a Seleção Brasileira é um sonho. E de fato foi, durante muitos anos, o sonho de Haroldo de Souza. Tanto o jovem caminhoneiro criado em Castro, no interior do Paraná, que se imaginava narrador ouvindo Fiori Gigliotti, quanto o já consagrado cronista, com várias edições de Copa do Mundo no currículo. Às vésperas da edição de 2014, que será realizada no Brasil, esse não é mais o objetivo de Haroldo de Souza. O Magrão, como é conhecido por todos, já se aposentou da Seleção Brasileira. Foi no final da participação do Brasil na Copa da África do Sul, em 2010, que Haroldo de Souza se despediu da seleção verde e amarela. Ao encerrar a jornada pela Rádio Guaíba, ele informava ao seu grande público que aquela havia sido a sua última jornada esportiva com o Brasil. Foram 11 coberturas de Copa do Mundo desde a primeira, em 1970, quando trabalhava na Rádio Itatiaia de Belo Horizonte. Ele ainda narrou mundiais pelas rádios Gaúcha e Guaíba, nesse período. Desde então, Souza nunca mais narrou uma partida do selecionado brasileiro. No entanto, cada edição da Copa do Mundo reserva histórias tão emocionantes quando inusitadas no coração e da mente do narrador, que aos 68 anos caminha

para completar 50 anos de microfone. Uma das histórias que emociona Souza aconteceu na Copa dos Estados Unidos, em 1994. O narrador acompanhava todos os treinos do time de Carlos Alberto Parreira ao lado dos repórteres. Em determinado momento, Souza encontrou o lateral Branco e o entregou um bilhete, onde estava escrito que ele faria um dos gols importantes para o Brasil no Mundial. O lateral sorriu e respondeu: “Você só pode estar louco, Magrão. Eu sou reserva e ainda estou me recuperando de lesão”. Na partida seguinte, contra os Estados Unidos, o titular Leonardo acabou expulso. Chegou o jogo contra a Holanda. E Branco marcou, de falta, um dos gols mais importantes daquela campanha do tetra-campeonato mundial do Brasil. Aquele fato selou a amizade dos dois. Recentemente, Souza e Branco se reencontraram na Arena do Grêmio, por ocasião do confronto do time gaúcho contra o Fluminense pela Libertadores. Nos corredores das cabines de imprensa, Branco chamou Souza e o cumprimentou com um beijo no rosto. “É muito tempo fazendo rádio, e isso me deu muitos amigos. Não guardo mágoa de ninguém, resolvo as diferenças na hora e depois quero abraçar todo mundo. O que importa é o carinho que a gente leva dos amigos e dos ouvintes”, diz Souza, que até hoje leva o seu “Gente que se liga na gente” às jornadas da Rádio Grenal. Como narrador da rádio esportiva da Rede Pam-

pa de Comunicação, Souza afirma que vem aprendendo a cada dia com “a equipe mais jovem do rádio esportivo gaúcho”, como ele mesmo definiu: “Fazer futebol 24 horas por dia é coisa para maluco e só essa meninada seria capaz de fazer. Todos os dias aprendo uma coisa nova e me divirto, mesmo falando de coisa séria como o futebol”, afirma o Magrão. A Copa do Mundo no Brasil é assunto delicado para Souza. Quando os projetos de Porto Alegre para o Mundial tramitavam nos corredores da política gaúcha, Souza cumpria o seu terceiro mandato como vereador da capital. Ele foi uma das vozes contrárias à realização do Mundial no Brasil: “Depois de todos os problemas que nós vimos na África do Sul, achei que seria um erro fazer uma Copa aqui no Brasil. Muita coisa deve ser feita e muito dinheiro gasto para atender às exigências da FIFA. Mas como vamos sediar o Mundial, não há mais o que fazer. Tem que apoiar para que possamos fazer a melhor Copa do Mundo possível”, destaca Souza. Mesmo que esteja aposentado de jogos do Brasil, Souza ainda não pensa em pendurar o microfone: “Quando acertei com a Rádio Grenal, imaginava narrar futebol por, pelo menos, mais cinco anos. Mas o carinho que eu recebo do torcedor nos estádios e o retorno dos ouvintes me dá ânimo pra pensar em prorrogar esse prazo. Quem sabe mais uns oito anos, talvez dez...”, finaliza Souza. 40

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Souza diz que precisamos apoiar a realização da Copa do Mundo para que seja a melhor possível

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COPA

COPA IS BUSINESS Gaúcha gastará mais de R$ 2 milhões na cobertura, mas lucro está garantido Texto: JORGE TUBINO Foto: GUSTAVO VARA

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ara o narrador e Supervisor do Departamento de Esportes da Rádio Gaúcha, Pedro Ernesto Denardin, o Rádio esportivo, apesar de todo o romantismo que o envolve, é como uma empresa: precisa ter um balanço favorável. Como números e vendas lhe são familiares – quase cursou Matemática na PUCRS, foi comerciante de verduras e taxista – o locutor se especializou não apenas em gritar goool, mas também em fazer do seu Depar-

tamento um negócio. Ao lado de Cléber Grabauska, Rafael Sequim e Leonardo Acosta, Denardin faz uma gestão integrada do setor, realizando projetos, apresentando planilhas, levantando orçamentos, angariando clientes. “Nossa atividade gera custo. E onde tem custo, tem que ter receita, senão o patrão não concorda. Mesmo faturando bem, há restrições. Imagina se não arrecadasse?”, indaga. Essa visão ampla do processo, Denardin diz ter aprendido com Armindo Antônio Ranzolin, mas ressalta que a sua atuação vai até um certo ponto. Depois entra a Gerência, o Comercial, a Diretoria.

Para o Mundial 2014, o Grupo RBS criou o Comitê da Copa para obter o máximo de retorno com a transmissão do evento FIFA. A Rádio Gaúcha é quem atuará diretamente, já que os jornais serão abastecidos por agências de notícias, a RBS TV receberá imagens da TV Globo e a TVCOM não possui direitos de transmissão. Por isso, o planejamento da turma do microfone ganhou enorme importância. “Como você vai apresentar mais de 2 milhões de custo, sem um faturamento à altura?”, pergunta Denardin, revelando o preço estimado da cobertura, com Copa das Confederações incluída.

O narrador Denardin acumula em seu currículo nove copas


Para que o resultado da equação seja favorável, foram dois anos organizando as vendas. Embora o alto custo, Denardin afirma que a Copa é sempre viável: “Ela é muito cara para fazer, mas muito fácil de vender. Então, no fim das contas, a relação custo benefício é muito favorável”. Apesar de as cotas de patrocínio não aumentarem tanto, os anunciantes abundam. Com a competição sendo realizada no Brasil, a oferta de clientes interessados aumentou ainda mais. “Ainda que muita gente seja contra o país ser sede, está todo mundo empolgado. As empresas sabem que vão ter lucro, visibilidade.

Para nós, acho que vai ser a mais lucrativa de todas, pois as despesas são menores e foi fácil vender as cotas”, comemora. A preocupação financeira, contudo, já produziu um grande mico: em 2002, ao invés de contratarem uma van para deslocar o equipamento, optaram por levá-lo no trem bala. Porém, não se deram conta que o veículo fica parado apenas 90 segundos na estação. “Nós levamos dez minutos para colocar tudo dentro. Foi uma gritaria, um protesto bárbaro dos japoneses. Ali só da para viajar com uma mochilinha. Foi uma mancada internacional”, diverte-se Denardin.

Com a experiência de 63 anos e nove Copas “in loco”, o narrador acredita que o Mundial terá um grau médio de organização: “Os estádios da Copa das Confederações eram para serem entregues em dezembro. Estamos quase no meio do ano e não tem nada concluído... é o Brasil, fica tudo para a última hora. Como na Arena, vai haver dificuldades, mas tudo vai sair”. Já os gols, Denardin não tem tanta certeza... “Quando o Mano já estava formatando a equipe, demitiram-no. Foi um retrocesso, pois, o Felipão começou a montar tudo de novo. Com o time, estou preocupado”.


COPA

AINDA MAIS GIGANTE

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Eleito pelo canal de TV a cabo Discovery Channel como um dos cinco estádios mais imponentes do mundo, o Beira-Rio deve ter sua reforma concluída até o final de 2013

Texto: CRISTINA RISPOLI D’AZEVEDO Foto: MARCELO CAMPOS

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estágio atual da obra é de colocação dos módulos da cobertura do estádio, execução de alvenarias e acabamentos internos, construção dos mezaninos de estrutura metálica, construção das torres de circulação, finalização da etapa de recuperação do concreto na arquibancada inferior e plantio do gramado. “O estádio precisava de uma intervenção mais forte, que recuperasse depreciações e atualizasse os padrões de conforto e segurança em nível internacional”, afirma Diana Oliveira, segunda

vice-presidente do Sport Club Internacional. “O principal objetivo é oferecer aos torcedores e torcedoras melhores condições de desfrutar dos jogos e vivenciar o evento futebol”, pontua. Segundo ela, o maior desafio da obra tem sido a instalação dos módulos da cobertura, pela dimensão e complexidade da estrutura. A construção dos módulos de concreto da arquibancada inferior também exigiu muitos esforços, uma vez que o formato elíptico do estádio não forma um elemento absolutamente simétrico. “Não houve fabricação em série, cada peça foi feita especificamente para aquele local”, destaca Oliveira. As próximas etapas da reforma

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incluem a continuidade da execução da cobertura, a conclusão das alvenarias, dos acabamentos internos, dos mezaninos e das torres de circulação, a colocação de esquadrias e das novas cadeiras, os acabamentos de fachada e as instalações de elétrica, telefonia e tecnologia da informação. “O torcedor colorado poderá conferir no Beira-Rio o mais alto padrão de acabamentos, espaços, instalações e serviços”, resume Oliveira. “Certamente ele irá aprovar sua nova casa, onde viveu e ainda viverá grandes momentos, apoiando o time, como sempre fez”. Conforme palavras do presidente da Comissão de Obras, Maximiliano Carlomagno, “novo corpo, mesma alma”.

Bastidores das acomodações do gramado do estádio Beira-Rio, onde a equipe fazia a supervisão 44

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CONFIRA AS PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES

DO ESTÁDIO BEIRA-RIO

• Nova arquibancada inferior, mais próxima ao gramado; • Novos acessos à arquibancada inferior; • Criação de novos espaços sob a arquibancada, com circulação, sanitários, bares e áreas de apoio com reservatórios; • Criação de espaços com lojas no térreo; • Zona mista junto aos vestiários; • Gramado com drenagem a vácuo e alto padrão de eficiência.; • Cobertura total do estádio; • Dois novos telões; • Nova sala de imprensa, mais ampla e confortável; • Novas cabines de imprensa, no ponto mais alto da arquibancada superior, na área central; • Restaurante no nível 3; • Novas suítes no nível 4; • Mais bares e sanitários no nível 5, superando o número original do estádio; • Skyboxes construídas acima de onde originalmente existia a laje de cobertura das cadeiras perpétuas; • Novas cadeiras com assento retrátil em todo o estádio, mais confortáveis e com maior área de circulação; • Novos portões e 14 novas torres de circulação, complementando a vazão das rampas de acesso originais, que não serão desativadas, o que permitirá a evacuação do estádio em até oito minutos.

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BATCHE


INSTITUCIONAL

ELES VIRAM A ACEG CRESCER Quatro ex-presidentes relatam um pouco de suas vidas à frente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos

Texto: ZECA FILHO Foto: MÁRCIA SILVA

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oda estrutura consolidada com o tempo tem seus alicerces. No caso de uma entidade como a Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos, a ACEG, não é diferente. Perto de completar seus 68 anos de idade, o órgão máximo dos cronistas gaúchos teve em sua história, presidentes que marcaram história e buscaram valorizar em seus mandatos a figura do jornalista esportivo. Dos mais de 22 presidentes que estiveram à frente da ACEG, quatro deles contaram um pouco sobre suas histórias e principalmente o que a entidade representou, antes, durante e depois de seus mandatos. MARCO ANTÔNIO SCHUSTER ESTABILIDADE, CONSOLIDAÇÃO E PREOCUPAÇÃO Com 36 anos de Jornalismo, o filho do bancário Garter Schuster, teve seu mandato marcado por uma greve. Hoje como um dos principais editores da Revista Press, do Rio Grande do Sul, Marco Antônio Schuster esteve à frente da ACEG no ano de 1985, com um mandato marcado não só por greves, mas, principalmente, pela consolidação e a tomada do credenciamento dos jornalistas para a própria entidade. Schuster cita que antes mesmo de seu mandato, a ACEG já era importante, salientando o mandato

de Fernando Goulart, como uma presidência bastante marcante, sendo ali o marco principal para o credenciamento dos jornalistas. Para o ex-mandatário da ACEG, a principal importância da entidade era de representatividade dos cronistas esportivos, onde os mesmos se uniam e participavam mais ativamente das questões políticas. A mesma importância que Schuster cita antes do seu mandato, continuou quando o jornalista esteve presidindo a entidade máxima dos cronistas esportivos gaúchos. Para Schuster, mesmo diante de uma greve dos jornalistas na Caldas Junior (Hoje sede do Jornal Correio do Povo e da Rádio Guaíba) no ano de 1983, a ACEG conseguiu apresentar uma estabilidade frente aos jornalistas, sendo um espaço para reuniões dos grevistas, apesar de fora da crônica esportiva, mas, ao mesmo tempo, um ato de união de todos os jornalistas. Apesar de ter ressaltado a importância da união dos jornalistas, Schuster vê hoje, mesmo estando fora um bom tempo do mundo esportivo, após seu mandato, certo distanciamento dos profissionais de suas entidades. Para o ex-presidente, mesmo tendo uma visão mais de fora, ele detecta que os profissionais estão mais preocupados em fazer o seu trabalho do que participar das entidades. Preocupado, Schuster considera principalmente, que as entidades, não estão tendo o carinho que merecem, devendo haver um

maior engajamento dos jornalistas com suas entidades. JOSÉ CARLOS TORVES PRESERVAÇÃO DA IDENTIDADE DA ENTIDADE O jornalista José Carlos de Oliveira Torves sempre prezou o “pensamento coletivo”. Vindo de Livramento, Torves entrou no jornalismo, por influência do primo Kenny Braga, que ainda atua na mídia esportiva gaúcha. Ele teve seu primeiro emprego na editoria de polícia do jornal Zero Hora, passando também pelas editorias de Geral e Esportes, até chegar a RBS TV, onde foi repórter de esportes em Porto Alegre e chefe de jornalismo em Caxias do Sul, pela Rádio que viria a se tornar Atlântida. Torves teve não só em seu mandato, mas na vida em si, uma ligação muito forte com “sindicatos”. Filiou-se ao partido comunista, e esteve por três anos no comando do sindicato dos jornalistas. Uma de suas falas marcantes é que: “Desde a redemocratização, os sindicatos procuram uma nova razão de existir, uma forma de se manter útil aos trabalhadores, para que estes enxerguem a organização sindical como o grande negociador, o grande lutador pelos seus direitos. Eles ainda procuram descobrir uma forma de agregar os trabalhadores”. Antes mesmo do seu mandato a frente da entidade, o jornalista considerou que a ACEG representava o órgão que defende e organiza os cro50

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nistas esportivos. Quando esteve à frente da ACEG, Torves procurou prezar os valores, já citados por Schuster, de união e de consolidação, preservando a identidade da entidade máxima dos cronistas esportivos, considerando que após o seu mandato, a ACEG teve pessoas que procuraram dar prosseguimento ao que ele defendeu quando esteve a frente da Associação. Hoje, Torves mora em Brasília e atua como comentarista da TVE do Rio Grande do Sul e sempre será marcado pelo “pensamento coletivo” de sua presidência na ACEG. JOSÉ ALDO PINHEIRO O CORAÇÃO DA ACEG Quem conhecer José Odoraldo Mendes Pinheiro, ou simplesmente José Aldo Pinheiro, verá que o jornalista, narrador e também advogado, não pode ser considerado o “Coração da ACEG” por pouco. Conhecido não só por ser uma pessoa de ótimo trato, mas, ao mesmo tempo de seriedade e comprometimento, foi o presidente que antecedeu ao mandato de Marco Antônio Pereira. O jornalista que hoje trabalha no Grupo Bandeirantes de Comunicação, considerava, antes mesmo de seu mandato, a ACEG como sua principal entidade credenciadora, ressaltando a importância da credencial da entidade principalmente nas viagens não só pelo interior mas pelo Brasil em si, considerando a Carteirinha da ACEG e também da ABRACE, como habilitações ao trabalho. Quando de seu mandato, porém, Pinheiro teve uma visão completamente diferente da ACEG. Ao assumir, o jornalista teve noção da importância social que a instituição possuía, o papel que ela desempenhava em nome da categoria e o quanto a categoria era expressiva na época, fazendo o locutor, considerar que sua ideia sobre a ACEG estivesse subavaliada. Apesar de ter sentido o peso da responsabilidade de comandar uma grande entidade como a ACEG, Pinheiro fez questão BAH TCHÊ!

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de ressaltar a importância de parcerias, como a de Marco Antônio Pereira, que foi seu vice-presidente executivo, quando do seu mandato, sendo uma das pessoas importantes na condução dos assuntos relacionados, e, também o governador da época, Germano Rigotto, que cogitava uma candidatura à presidência da república, abraçando a ACEG, pois, a entidade funcionava como um elo de ligação entre o então governador e toda a imprensa brasileira, fazendo de Rigotto, um grande apoiador da entidade no mandato de José Aldo. Mesmo reconhecendo a grande responsabilidade que é lidar com a entidade máxima dos cronistas esportivos gaúchos, Pinheiro reconhece que o sentimento que ele teve logo após sua saída da entidade foi de saudade, mesmo tendo vivido um período tormentoso, buscando o melhor pela categoria, se considerando agradecido ao destino por ter presidido a associação, uma vez que teve a oportunidade de ter experiências nas quais jamais irá esquecer e pessoas maravilhosas. MARCO ANTÔNIO PEREIRA O ANTECESSOR Sucessor de José Aldo Pinheiro, o jornalista Marco Antônio Pereira, da Rádio Gaúcha, trouxe consigo certa experiência quando fez parte da gestão de Pinheiro, sendo vice-presidente executivo. Para Pereira, antes de seu man-

Da esquerda para a direita: Marco Antônio Pereira, José Aldo Pinheiro e Marco Antônio Schuster dato, a entidade foi sempre representativa, sendo importante para todos os cronistas, começando a ter uma participação mais efetiva nos domínios de atuação dos profissionais dessa área, sendo uma entidade reguladora, auxiliando os mesmos a terem um espaço maior dentro dos estádios. Segundo o jornalista, se não fosse a ACEG, o espaço dos profissionais seria bem reduzido. Pereira guarda grandes recordações das responsabilidades que se precisava ter para comandar e tornar uma entidade como a ACEG, respeitada. O principal objetivo no seu mandato era justamente trabalhar com as pessoas que “fazem o espetáculo”, fazendo com que a imprensa tivesse uma fatia de audiência muito grande, muito mais do que outros setores. Mesmo quando de sua saída da presidência, Pereira não mudou sua visão sobre a ACEG, ressaltando a importância que a entidade tem com esta função reguladora que ele já havia citado, considerando que agora no mandato do presidente Haroldo Mendes dos Santos, a ACEG está em boas mãos, pois, “o Haroldo é um empreendedor e já estava na hora dele assumir a entidade máxima dos cronistas esportivos gaúchos”.


BASTIDORES

TRANSMISSÃO EM PERFEITA SINTONIA Texto: CRISTINA RISPOLI D’AZEVEDO Fotos: JOÃO HENRIQUE ROSA E GEDER FERNANDO

ARQUIVO PESSOAL

Paulo Semensato

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les são os operadores de externas, profissionais que acompanham os jornalistas nos estádios durante as transmissões de futebol para garantir que tudo aconteça na mais perfeita sintonia. O primeiro trabalho dos operadores de externa inicia vários dias antes do evento. “A atividade é composta por 70% de planejamento, 25% de execução e 5% de correção de problemas”, define Geder Fernando Glitzenhirn, operador de externa da Rádio Gaúcha. E exemplifica: “Em um jogo de futebol no sábado à noite em Porto Alegre, já acertamos com a equipe de esporte da rádio as primeiras definições do que será feito logo na segundafeira para, em seguida, planejar os equipamentos

Fernando Geder

JOÃO HENRIQUE ROSA

GEDER FERNANDO

Cristiano Cardoso

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Pouca gente conhece e acompanha o trabalho deles, mas sem eles não há transmissão de jogo que funcione

que serão utilizados no dia da transmissão. Durante a semana, alinhamos algumas mudanças e, um dia antes do jogo, iniciamos a execução, com teste de todos os equipamentos. Dessa forma, evitamos grande parte dos problemas”. Glitzenhirn iniciou a sua trajetória profissional na Rádio Progresso de Ijuí, em 1994, como operador de mesa e central. “Nas rádios do interior geralmente se faz de tudo”, revela. Depois, ainda em Ijuí, atuou na Rádio Repórter. Em 2001, veio morar em Porto Alegre, onde trabalhou na Rádio Pampa, na Guaíba e, desde 2004, está na Gaúcha, sempre na área de Externas. “Fazemos toda a montagem: cabine, campo, zona mista e torcida ao redor do estádio. São cerca de 200 a 300 quilos de equipamentos, de 500 a 700 metros de cabo”, destaca. “Partimos do princípio que tudo pode dar errado. Assim, temos a solução no ato para garantir a transmissão ao ouvinte”. Paulo Semensato Filho, subchefe do departamento de Externas da Rádio Guaíba, sempre conviveu nesse meio. “Respiro rádio desde bebê, pois meu pai, hoje radialista aposentado, trabalhou de operador de mesa, central técnica e externas”, relata. “Foi com ele e o meu BAH TCHÊ!

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grande amigo João Carvalho, anos depois, na rádio Bandeirantes, que aprendi o que sei sobre rádio”. Semensato recorda quando tinha 15 anos e estava há apenas um mês na Bandeirantes, tendo feito transmissões apenas em Porto Alegre, e foi designado para ir a Curitiba fazer o jogo entre Coritiba e Internacional. “Tremia como uma vara verde”, confessa. “Ainda bem que a equipe escalada era excelente, não tinha como sair algo errado. Fizemos uma grande transmissão”. Para Semensato, não tem dia ruim para trabalhar. “Nossa tarefa é montar toda a estrutura necessária para a transmissão e prestar assistência aos colegas jornalistas. A maior responsabilidade é a do técnico de externas que fica na cabine, pois é ali que se concentra o coração da transmissão”, explica. Sobre o que mais gosta em sua função, ele não hesita em responder: “As viagens. Conhecer novas culturas e ampliar nossos conhecimentos nesse intercâmbio com profissionais de outras localidades não tem valor que pague”. Cristiano Clarel Cardoso de Mello, operador de externa da Rádio Gaúcha, aponta a falta de rotina como o principal ponto positivo da função de operador de externa. “Por mais que o trabalho seja quase sempre

em estádio de futebol, um jogo nunca é igual ao outro, e os lugares e as cidades são sempre diferentes”, ressalta. Mello havia recém começado em uma empresa de criação jingles quando foi fazer a entrega de um trabalho produzido a uma cliente no jornal Zero Hora. “Quando vi, estava pedindo informações na sala de transmissões de externas da Gaúcha”, conta. “Logo me interessei e conversei com o responsável para pedir para acompanhar o processo de instalação dos equipamentos em um jogo e ele aceitou. Dali em diante, passei a ir aos jogos, conclui dois cursos técnicos, em Eletrônica e Telecomunicações e, hoje, estou há 15 anos na Gaúcha”. Entre as principais dificuldades enfrentadas, Mello cita a questão do idioma e da cultura de transmissão em outros países. “Precisamos de tempo para realizar a montagem e os testes dos equipamentos, mas em alguns países o pessoal da telefonia do local chega a poucas horas do início do jogo”, exemplifica. Segundo ele, hoje em dia a qualidade de transmissão não é mais medida pela distância e, sim, pela estrutura e tecnologia do local. “Atualmente é mais fácil transmitir jogo do Japão do que de Uruguaiana”, garante.


INSTITUCIONAL

O “PONTO DO CRONISTA”

GRAZI LEITE

A sede da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos foi toda reformada no ano de 2013 Texto: DANIEL AITA Foto: GRAZI LEITE E JOÃO HENRIQUE ROSA

JOÃO HENRIQUE ROSA

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presidente da entidade, Haroldo Santos e seu vice, Nelson Cerqueira, comandaram a reforma que durou quase dois meses. A revitalização tem por objetivo principal que o espaço vire um ponto de encontro do cronista. O ponto do cronista será o lugar de encontro dos profissionais de imprensa que desejarem acompanhar as partidas num lugar diferente e confortável. O “Ponto do Cronista” será um espaço equipado com copa, televisão, poltronas e rede de internet sem fio. O espaço será utilizado também para realizar cursos para estudantes de comunicação. “Estamos trabalhando para deixar a entidade no melhor espaço possível. Abrimos espaços que entes estavam fechados, trocamos as luminárias e investimos no conforto do associado. Nossa preocupação é que o cronista se sinta em casa quando entra na sede. Nossa entidade será um ponto de encontro e de cursos para estudantes que queiram seguir na área esportiva”, disse o vice-presidente de administração, Nelson Cerqueira. Uma galeria com fotos dos ex-presidentes da ACEG também está no projeto. Um espaço especial será destinado para homenagear aqueles que comandaram a entidade ao longo de mais de seis décadas de história da entidade.

Reforma traz melhorias aos espaços de atendimento, convivência e cursos da Associação 2

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INSTITUCIONAL

ACEG ATUALIZA BANCO DE DADOS DOS ASSOCIADOS Associação inicia a atualização dos dados parar melhorar ainda mais o seu atendimento Texto: DANIEL AITA Foto: HAROLDO DOS SANTOS

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enhor associado, a Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos está fazendo o recadastramento dos seus associados. A entidade busca, além de completar e atualizar o cadastro de todos, dar início a um projeto de seguridade a aqueles que fazem parte da ACEG, como auxílio-funeral, seguro de vida, convênio médico

e odontológico. O projeto, pioneiro na entidade, é liderado pelo associado e radialista José Pessi, que tem vasta experiência na Associação Nacional dos Árbitros de Futebol. Segundo Pessi, esse é um processo fundamental para a modernização da entidade, que busca sempre as melhores condições para os associados. Pessi diz ainda que, com esse processo, a Associação dará um salto de qualidade no tratamento de seu associado.

Para fazer seu recadastramento é simples e você pode escolher entre três formas, preenchendo a ficha que é disponibilizada no balcão de credenciamento nos jogos onde a ACEG está presente, através do site da entidade – que terá uma seção especial exclusiva – ou através do e-mail aceg@ terra.com.br, respondendo os dados que estão abaixo. Os dados assinalados com ( * ) são de preenchimento obrigatório. Nome completo*: Nascimento*: Naturalidade*: Registro ACEG*: E-mail*: Telefone*: Endereço*: Dependentes*: Associado desde: Filiação: Formação: Trajetória profissional: Faça seu recadastramento e deixe a entidade mais forte a seu favor.

Pessi explica o projeto que faz parte de uma das ações da nova diretoria BAH TCHÊ!

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INSTITUCIONAL

A MERECIDA HOMENAGEM AOS PILARES DA ACEG

Toda grande empresa, construção, até time de futebol, tem em seus pilares pessoas responsáveis por serem a base de sustentação Texto: ZECA FILHO Fotos: ARQUIVO ACEG

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o caso de uma entidade que chega aos seus 68 anos em 2013 não será diferente. Desde quando assumiu a gestão da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG), Haroldo Mendes dos Santos, prometeu, não só uma gestão mais “humanista”, mas, também, homenagem a alguns dos presidentes que marcaram história na entidade. O primeiro deles foi Jorge Mendes. Jorginho, como era conhecido, nasceu no dia 24 de Outubro de 1922 em Porto Alegre, iniciando no jornalismo esportivo com 17 anos, no ano de 1939, na Rádio Farroupilha. Passou também pelas Rádios Itaí, por onde cobriu sua primeira Copa do Mundo, a do Brasil, pela Rádio Guaíba, pelo Correio do Povo e pela Folha Esportiva até chegar ao jornal Zero Hora em 1965. No jornal, ficou durante oito anos, de onde em saiu em 73 para o Diário de Notícias, ficando até o fechamento do jornal em 1978. A partir do fechamento do periódico, Jorginho chegou ao Jornal do Comércio, onde trabalhou até se aposentar em 2001.

Como repórter, Jorge Mendes, cobriu as copas de 62 no Chile, 66 na Inglaterra e 70 no México. Na ACEG, foi vice-presidente e Presidente da entidade entre os anos de 1968 e 1978. O decano do futebol gaúcho veio a falecer em Outubro, vítima de um infarto. Como homenagem aos grandes repórteres do ano de 2013, será entregue a eles o prêmio Jorge Mendes, que foi um dos grandes repórteres da mídia esportiva gaúcha do século XIX. Outro dos grandes pilares da entidade dos cronistas esportivos gaúchos foi Carlos Alberto Fruet. Natural da cidade de Rio Grande, Fruet nasceu em 3 de Outubro de 1951, trabalhando inicialmente no jornal Zero Hora em 1976, local onde trabalhou como repórter, sendo setorista de Grêmio e Inter e cuidando do espaço relacionado ao futebol do Interior do Estado. Fruet também trabalhou no jornal Correio do Povo e nas assessorias de imprensa da Sogipa, do Departamento de Desporto e no Governo do Estado, além da sucursal da Agência Estado em Porto Alegre. Foi presidente da ACEG durante os anos de 1987 e 1988, onde lutou muito por respeito a classe dos jornalistas esportivos. Era considerado por muitos, uma pessoa de ótimo relaciona-

mento, afável, e de fácil conversa com todos. Veio a falecer em Junho de 2012, devido a uma embolia pulmonar. Para aqueles “amigos” dos jornalistas, tal qual Carlos Alberto Fruet foi, durante toda sua vida, será destinado o Troféu Carlos Fruet. A história da ACEG também conta com o grande repórter, o amigo de todos, e também um dos maiores cronistas esportivos. Mesmo não sendo presidente da entidade, Cláudio Quintana Cabral, o “Mestre” como era conhecido por todos, foi filho de um dos primeiros presidentes da entidade dos cronistas gaúchos, Cid Pinheiro Cabral. Formou-se em Ciências Políticas e Econômicas, iniciando sua carreira na mídia esportiva gaúcha em 1962, como repórter esportivo na Rádio Guaiba. Cabral também prestou serviços à Agência France Press, Rádio Sucesso, Rádio Gaúcha até chegar à Rádio Bandeirantes, por onde ficou por muito tempo. Ao mesmo tempo em que fazia sua carreira na mídia esportiva, Cláudio Cabral foi dirigente do Internacional por mais de 20 anos, integrando o movimento dos “Mandarins” no final da década de 1960, que deu início a uma época gloriosa para o clube. Desde 1995 integrando a equipe da Rádio Bandeirantes, princi54

BAH TCHÊ!


palmente o programa Apito Final, Cabral, mesmo tendo em suas veias, o Sport Club Internacional, sempre se caracterizou por suas opiniões firmes, concisas, mais ao mesmo tempo com um pouco “sarcásticas”, que expunham as realidades da dupla Gre-Nal. Pelo seu profundo conhecimento de Futebol, ganhou o apelido carinhoso de “Mestre” por parte dos seus colegas, sendo uma figura muito querida com todos. Cabral veio a falecer em Abril de 2012, devido a uma parada cardiorrespiratória, no dia onde o Internacional enfrentaria o Cerâmica pelo Campeonato Gaúcho. A sua perda foi muito sentida por todos os colegas de emissora, que quase não participaram da Jornada Esportiva, mas como uma forma de homenagear o colega falecido, resolveram fazer a jornada, naquele dia gélido e chuvoso no estádio Beira Rio em reformas. Na partida, foi respeitado um minuto de silêncio em razão do falecimento do “Mestre” e as bandeiras da casa colorada estiveram hasteadas a meio palmo. Ele pode não ter sido um dos presidentes da entidade, mas por ter sido uma figura marcante entre os cronistas, devido ao seu carisma e opiniões fortes com aquela pitada de “sarcasmo”, os melhores cronistas de 2013, ganharão, o prêmio Cláudio Quintana Cabral, como uma forma de homenagem, daquele que foi um dos cronistas mais marcantes de toda a mídia esportiva para aqueles que surgem. Três figuras distintas, mas todas de um jeito ou de outro, marcaram a história da ACEG, que representam bem o jornalista esportivo (Como grandes repórteres, amigos e principalmente de opiniões fortes) e, nada mais justo do que homenagear aqueles que participaram da caminhada para que hoje a ACEG esteja do jeito que ela está. BAH TCHÊ!

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Carlos Alberto Fruet

Jorge Marimon Mendes

Cid Pinheiro Cabral


[ PA L AV R A D O P R E S I D E N T E ]

O

s meus espelhos estão sendo tirados da minha parede contra a minha vontade, pois eles chegaram a um nível profissional ou a uma idade em que os veículos colocam-os de lado. Falo de Edgar Shimidt, que vive um momento delicado e que está numa clínica. Homem que abriu portas para muitos que estão no rádio e no futebol. Um espelho que coloquei na parede para olhar e entender como se fazia o rádio esportivo no dia-a-dia. É Edgar que me fortalece para estar na ACEG com as minhas responsabilidades, os meus desafios, as minhas manias, as manias da minha diretoria, porque ele sempre foi uma voz forte e vibrante. Sofre um AVC e não consegue falar. Mas está ao lado de sua família e ela o ajudará e muito na sua recuperação. Vamos recuperar o homem porque ele foi o meu espelho e o de muitos cronistas esportivos do rádio, tevê e jornal. O que nós queremos na nossa nova entidade é a não-lavação de roupa suja. Chega de lavação de roupa e de colocá-la no varal. Vamos pensar no ser humano e vamos abraçar nossos amigos desse mundo chamado Terra. Vamos abraçar o homem que é político, porteiro da Arena, do novo Beira-Rio, do Centenário e do Alfredo Jaconi. Vamos abraçar os jogadores, que ganham mais, é verdade, mas qual é o problema? A minha gestão tem uma simples manchete: mais humanismo e menos cimento! Mais passagem de ensinamento e de derrotas, porque as vitórias, como foram conquistadas, que fiquem em casa junto às nossas depressões. O cimento do Beira-Rio e da Arena estão lá. E por lá ficarão eternamente. Mas os nossos companheiros e amigos terão vida numa faixa muito baixa para as nossas necessidades. Também falo do número de veículos, como rádio, tevê e site, que cresceram de forma monstruosa nos últimos anos. Somos obrigados a tomar a frente na organização antes que alguém queira nos organizar. Essa entidade, que tem mais de 67 anos, fundada antes da Copa do Mundo de 1950, tem uma Lei Federal que nos coloca na função de ser responsável pelo credenciamento, fiscalização e crescimento da categoria, antes que algum aventureiro possa achar que tenha força para executar a obrigação da ACEG. Eu espero muito dos cronistas esportivos que me trouxeram até a presidência, que pensem mais pelo lado da parceria e da cobrança. Vamos nos abraçar, porque para mim é muito difícil encontrar um espelho passando por este momento. Peço a união de todos. Vamos fazer uma gestão de trabalho, pois a festa quando é bonita triplica a responsabilidade, porque quando eu sair eu quero sair pela porta da frente e de cabeça erguida. Mais humanismo e menos cimento! HAROLDO MENDES DOS SANTOS


Presidente: Haroldo Mendes dos Santos. Primeiro Vice-Presidente: Christiane Matos. Segundo Vice-Presidente: Carlos Edgar Fontoura Vaz. Tesoureiro: Eduardo Vieira Gabardo. Conselho Fiscal: Titulares: José Aldo Pinheiro, Márcio Beyer, Geder Fernando. Suplentes: Marco Antônio Pereira, Sergio Augusto de Oliveira Cabral, José Carlos de Oliveira Torves. Vice-Presidente de Copa do Mundo: João Antonio Lopes Garcia. Vice-Presidente de Administração: Nelson Cerqueira.Vice-Presidente de Marketing: Thiago Suman. Vice-Presidente de Comunicação: Rodrigo Fatturi. Vice-Presidente de R.A.C.E.E: João Carvalho. Vice-Presidente de Mídias: Carmelito Bifano. Vice-Presidente de Operações: Cristiano Cardoso. Vice-Presidente Jurídico: Geraldo Andrade. Diretor de Marketing e Comunicação: Julio Sortica. Diretor de Mídias: Gabriel Cardoso. Assessor de WEB TV: Rafael Copetti. Assessor de Rádio WEB: Rafael Passos. Assessor CONCOPA: Fúlvio Lopes. Assessor Especial: Rogério Amaral. Secretário: Rafael Pfeiffer. Delegados: Alex Frantz, Eduardo Pires e André Prestes. Projeto Gráfico e Diagramação: Amanda Heredia Editora e Jornalista Responsável: Ana Paula Megiolaro (DRT: 11.419) Foto de capa: Guilherme Testa .Gráfica: Evangraf. Tiragem: 5 mil.


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