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P5 – 5.o ANO Português

caderno de apoio ao professor ANA SANTIAGO • SOFIA PAIXÃO

Proposta de anualização do 2.o Ciclo Dicionário Terminológico − principais alterações Acordo Ortográfico − por Paulo Feytor Pinto Guião de leitura de A menina do mar

9 www.leya.com

www.texto.pt

781111

128159


ÍNDICE APRESENTAÇÃO DO PROJETO.......................................................

3

RECURSOS MULTIMÉDIA ..............................................................

4

CRITÉRIOS DE ANUALIZAÇÃO .......................................................

5

PROPOSTA DE ANUALIZAÇÃO DO 2.O CICLO......................................

6

DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO – PRINCIPAIS ALTERAÇÕES .................

20

ACORDO ORTOGRÁFICO – POR PAULO FEYTOR PINTO ........................

40

GUIÃO DE LEITURA DE A MENINA DO MAR .......................................

44

SOLUÇÕES DO GUIÃO DE LEITURA .................................................

55

Nota: Este caderno foi redigido de acordo com o novo Acordo Ortográfico.


APRESENTAÇÃO DO PROJETO O projeto P propõe-se a dar resposta aos desafios impostos pela entrada em vigor do novo Programa de Português do Ensino Básico, a partir de uma análise atenta dos fundamentos que nortearam a distribuição de conteúdos e de descritores de desempenho, ao longo de todo o ensino básico. Trata-se de um projeto que pretende ser rigoroso, funcional e facilitador das aprendizagens. Para tal, com o objetivo de promover práticas de ensino de qualidade e aprendizagens significativas, o projeto P propõe: o desenvolvimento equilibrado e integrado das quatro competências específicas (oralidade, leitura, escrita e conhecimento explícito da língua); abordagens que assegurem o princípio da progressão (no ciclo, interciclos e ao longo do ano letivo); sequências de aprendizagem, caracterizadas pela diversidade textual, que garantam a construção de conhecimento, o treino, a consolidação e avaliação. Estas propostas concretizam-se nos elementos que integram o projeto: Manual Aposta numa organização por Unidades e Percursos, com uma identificação clara dos conhecimentos e das competências em desenvolvimento e propostas de resolução das atividades. Livro de Testes Seis testes de avaliação, estruturados por competências e a partir dos modelos das provas de aferição e dos exames nacionais, que incluem a avaliação da oralidade. Recursos multimédia Áudios, vídeos, imagens e gramática interativa, disponíveis na Aula Digital e no CD áudio (no caso particular dos recursos áudio). Caderno de Apoio ao Professor Apresentação dos recursos multimédia, proposta de anualização do programa, comparação entre os termos gramaticais da tradição e o Dicionário Terminológico, acordo ortográfico e guião de leitura de A menina do mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Planos de Aula Planificação das atividades, ao longo do ano letivo, que concilia as propostas do manual com os descritores de desempenho e os conteúdos do programa e apresenta sugestões de operacionalização. Caderno de Atividades Propostas de treino de conhecimento explícito da língua.

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RECURSOS MULTIMÉDIA A possibilita a fácil exploração do projeto P5, através das novas tecnologias em sala de aula. Utilize uma ferramenta inovadora, que lhe permitirá tirar o melhor partido do seu projeto escolar, simplificando o seu trabalho diário. Exploração Projete e explore as páginas do manual na sala de aula e aceda a um vasto conjunto de conteúdos multimédia integrados com o manual, para tornar a sua aula mais dinâmica: • Animações de textos – em cada unidade são apresentados textos com vocalização e ilustrações animadas, integrando também questões de interpretação. • Gramática interativa – animações que apresentam todos os tópicos gramaticais abordados ao longo do manual, acompanhadas de avaliação da informação apresentada. • Vídeos e áudios – recursos audiovisuais que complementam e enriquecem as atividades propostas ao longo do manual. • Apresentações em PowerPoint – apresentação, de forma sintetizada, de pontos importantes das matérias abordadas. • Jogos – atividades lúdicas que permitem a revisão da matéria, de forma mais apelativa, garantindo a componente didática. • Testes interativos – extenso banco de testes interativos, personalizáveis e organizados pelos diversos temas do manual. • Links internet – endereços para páginas na internet de apoio às matérias, para a obtenção de mais informação. Preparação de aulas • Aceda aos Planos de Aula disponíveis em papel e em formato Word e planifique as suas aulas de acordo com as características de cada turma. • Utilize as sequências de recursos digitais feitas de acordo com os Planos de Aula criados para si, que o apoiarão nas suas aulas, com recurso a um projetor ou um quadro interativo. • Personalize os Planos de Aula, com recursos do projeto ou com os materiais criados por si. Avaliação • Utilize os testes pré-definidos ou crie um à medida da sua turma, a partir de uma base de mais de 200 questões. • Imprima os testes para os distribuir, projete-os em sala de aula ou envie-os com correção automática aos seus alunos). • Acompanhe o progresso dos seus alunos, através de relatórios de avaliação detalhados. Comunicação e interação Tire partido das funcionalidades de comunicação e interação que lhe permitem a troca de mensagens e a partilha de recursos com os alunos.

4


CRITÉRIOS DE ANUALIZAÇÃO A anualização proposta nas páginas seguintes não pretende substituir-se à planificação anual, também disponibilizada pelo P5 e concretizada nos percursos do manual, mas apresentar uma visão global do trabalho a desenvolver, ao longo do 2.O Ciclo, em cada competência. Esta proposta foi elaborada a partir dos quadros de descritores de desempenho e conteúdos do programa e tendo em conta os critérios definidos pela DGIDC, disponíveis nos dossiês relativos à implementação do novo PPEB em www.dgidc.min-edu.pt. Desse documento1, elaborado pela equipa de autores do programa, salientamos os aspetos seguintes: – A anualização não pode perder de vista que o trabalho a desenvolver sobre cada competência, num determinado ano de escolaridade, parte dos resultados esperados na respetiva competência, no ciclo anterior e no ano de escolaridade anterior, e aponta para os resultados esperados nessa competência, no ciclo em que se está a trabalhar e no ano de escolaridade em que o trabalho se desenvolve. – Ao longo de cada ciclo, a progressão concretiza-se: (i) entre descritores de desempenho; (ii) na partição do descritor de desempenho; (iii) na distribuição de conteúdo(s) associado(s) ao(s) descritor(es) de desempenho; (iv) na ativação do descritor de desempenho e conteúdo associado em contextos de complexidade superior.

1

Programa de Português do Ensino Básico, Anualização: critérios e propostas, Equipa de autores, DGIDC, 2009

5


6 – indicar o significado global, a intenção do Ouvinte (DT C1.1.) locutor e o essencial da informação ouvida; – referir pormenores relevantes para a constru- Contexto ção do sentido global; Oralidade (DT C1.1.) – distinguir o que é objetivo do que é subjetivo, o que é essencial do que é acessório; – explicitar o significado de expressões de sentido figurado; – distinguir diferentes graus de formalidade em discursos ouvidos.

6.o

• Detetar aspetos de diferenciação e variação Texto oral e texto escrito (DT C1.1.) linguística, precisando o papel da língua padrão.

• Distinguir traços característicos específicos do oral.

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Manifestar a reação pessoal ao texto ouvido, tendo em conta a sua tipologia.

5.o

• Manifestar a reação pessoal ao texto ouvido.

• Utilizar procedimentos para reter e alargar a informação recebida: – registar tópicos, tomar notas; – registar relações de forma e de sentido com – preencher grelhas de registo; outros textos ouvidos, lidos ou vistos; – pedir informações e explicações complemen- – esquematizar relações. tares.

– reformular o enunciado ouvido; – cumprir instruções dadas; – responder a perguntas acerca do que ouviu; – explicitar o assunto, tema ou tópico; – fazer inferências e deduções; – distinguir facto de opinião; – relatar o essencial de uma história ouvida ou de uma ocorrência;

• Prestar atenção ao que ouve, de modo a tornar possível:

5.o

Descritores de desempenho

Compreensão do oral

PROPOSTA DE ANUALIZAÇÃO DO 2.O CICLO

6.o

Variação e normalização linguística: língua padrão (traços específicos) (DT A2.2.)

Processos interpretativos inferenciais

Discurso, universo de discurso (DT C1.1.) Figuras e tropos (DT C1.3.1.)

Conteúdos


7

6.o

– captar e manter a atenção de diferentes audiências; – apoiar-se em recursos audiovisuais, informáticos ou outros; – construir uma argumentação, através de um discurso convincente e com alguma complexidade.

– na apresentação de factos e opiniões;

Princípios de cooperação e cortesia (DT. C1.1.1.) Formas de tratamento

Locutor e interlocutor Diálogo (DT C1.1.)

Comunicação e interação discursivas (DT C1.1.) Registo de língua: formal e informal (DT C1.1.)

Progressão temática Recursos linguísticos e extralinguísticos Deixis (pessoal, temporal, espacial) Anáfora

Frase interrogativa – total – parcial

Frase interrogativa

Texto oral Sequência de enunciados (DT. C1.2.)

Princípio de pertinência (DT. C1.1.1.)

Princípio de cooperação (DT. C1.1.1.)

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Interagir com espontaneidade e à-vontade em situações informais de comunicação: – iniciar, manter e terminar conversas simples com diversos tipos de interlocutores; – respeitar os princípios adequados às convenções que regulam a interação verbal e não verbal.

• Ler em público, em coro ou individualmente.

– combinar com coerência uma sequência de enunciados; – distinguir com clareza uma introdução e um fecho; – exprimir o(s) conhecimento(s), emitir opiniões;

• Produzir textos orais:

– na produção de enunciados de resposta; – na colocação de perguntas; – na formulação de pedidos; – na justificação de pontos de vista.

• Respeitar princípios reguladores da atividade discursiva:

Enunciação e Enunciado (DT. C1.1.) Coesão (DT C1.2.) Coerência (DT C1.2.)

• Produzir enunciados, controlando com segurança as estruturas gramaticais correntes e algumas estruturas gramaticais complexas.

Articulação (DT B.1.)

6.o

Destinador e destinatário (DT C1.1.) Competência discursiva

Acento, entoação, pausa (DT B.1.)

5.o

Conteúdos

• Usar com precisão um repertório de termos relevantes para o assunto que está a ser tratado.

• Usar da palavra de modo audível, com boa dicção e num débito regular.

5.o

Descritores de desempenho

Expressão oral


8 6.o Tipologia textual: texto conversacional (DT. C1.2.)

5.o

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Fornecer um contributo eficaz para o trabalho coletivo, na turma ou grupo, em situações mais formais: – pedir oportunamente a palavra e esperar pela – relacionar os seus contributos com os dos sua vez; restantes participantes. – apresentar os seus pontos de vista e fundá-los em argumentos válidos; – facilitar o entendimento entre os participantes; – sintetizar o essencial.

5.o

Descritores de desempenho

Expressão oral

6.o Máximas conversacionais (DT. C1.1.1.) Atos de fala

Conteúdos


9

6.o

6.o

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

Plurisignificação, polissemia (DT C1.2.)

• Confrontar diferentes interpretações de um mesmo texto, sequência ou parágrafo.

Sequência textual Progressão temática Contexto e cotexto (DT C1.2.)

Texto multimodal

Contexto sociocultural, histórico, científico, artístico, ficcional (DT C1.1.). Intenção comunicativa Registo de língua (DT C1.1.); significação lexical (DT B5.2.) Informação (DT C1.1.) Valores semânticos – genérico – específico; (DT B6.1.) – tempo anterior-simultâneo-posterior; (DT B6.2.) Processos interpretativos inferenciais (DT C1.2.)

Texto (DT C1.2.) Descritor temático Configuração gráfica, produção de sentido Hipertexto (DT C1.2.) (DT C1.2.) Paratexto: Editor, data de edição Significado (para)linguístico, sentido textual

Leitor (DT C1.2.) Enunciado instrucional (DT C1.2.)

5.o

Conteúdos

• Explicitar processos de construção do sentido de um texto multimodal.

• Definir uma orientação de leitura e fixar-se nela. • Fazer uma leitura que possibilite: – confirmar hipóteses previstas; – detetar informação relevante factual e não – identificar o contexto a que o texto se reporta; factual; – explicitar a intenção comunicativa ou função – distinguir relações intratextuais e a sua ordem dominante e registo(s) utilizado(s); de relevância: parte-todo; causa-efeito; – demarcar diferentes unidades de forma-sentirazão-consequência. do; – identificar pelo contexto ou pela estrutura interna o sentido de palavras, expressões ou fraseologias desconhecidas; – detetar informação essencial e acessória; – captar sentidos implícitos, fazer inferências, deduções; – explicitar o sentido global de um texto.

• Antecipar o assunto de um texto, mobilizando conhecimentos anteriores.

• Utilizar técnicas adequadas ao tratamento da informação: – sublinhar; – tomar notas; – esquematizar; – preencher grelhas de registo; – sintetizar.

• Ler de modo autónomo, em diferentes suportes, as instruções de actividades ou tarefas. • Detetar o foco da pergunta ou instrução, de modo a concretizar a tarefa a realizar. • Localizar a informação a partir de palavra ou expressão chave e avaliar a sua pertinência.

5.o

Descritores de desempenho

Leitura


10

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Expor o sentido global de um texto narrativo ou de partes específicas do mesmo.

• Fazer a leitura integral de textos literários representativos dos três modos literários. • Expressar ideias e sentimentos provocados pela leitura de um texto literário.

• Selecionar, por sua iniciativa e de acordo com o seu gosto pessoal, obras de extensão e complexidade crescente.

Texto narrativo: – componentes – estrutura da narrativa

Recursos retóricos (DT C1.3.1.) Perífrase; hipérbato; – de natureza fonológica: assonância; alitera- antítese; ção; onomatopeia alusão; metonímia; hipérbole – de natureza sintática: enumeração; anáfora; apóstrofe – de natureza semântica: comparação; metáfora; personificação

• Manifestar-se em relação a aspetos da linguagem que conferem a um texto qualidade literária.

Polifonia (DT C1.2.)

Modos literários (DT C1.2.): narrativo, lírico, dramático

• Distinguir modos e géneros de textos literários a partir de critérios dados.

• Distinguir diferentes «vozes» (perspetivas) no interior de um mesmo texto e valores (socioculturais, éticos, estéticos ou outros) que veiculam.

Configuração textual; coerência (DT C1.2.); (DT C1.2.) Registo de língua, coesão; progressão temática Texto literário (DT C1.2.) em prosa em verso (prosa poética; verso livre)

• Fazer apreciações críticas sobre um texto, incidindo sobre o conteúdo e sobre a linguagem. • Identificar marcas de literariedade nos textos: mundos representados; utilização estética dos recursos verbais.

• Ler em voz alta com fluência e expressividade para partilhar informações e conhecimentos.

Tipologia de textos: narrativos, descritivos, expositivos argumentativos, instrucionais, conversacionais, preditivos (DT C1.2.)

• Detetar traços característicos de diferentes tipos de texto ou sequências textuais.

6.o

citação, paráfrase, paródia, plágio

Intertextualidade (DT C1.2.) Alusão

• Identificar relações, formais ou de sentido, em vários textos, abrindo redes intertextuais.

5.o Macro e microestruturas textuais (DT C1.2.) Reconto, síntese

6.o

Conteúdos

• Recontar e sintetizar textos.

5.o

Descritores de desempenho

Leitura


11

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

Texto dramático: – componentes – organização estrutural: ato, cena, fala, indicações cénicas

• Expor o sentido global de um texto dramático, estabelecendo relações entre o texto e o desenvolvimento cénico.

5.o Texto poético: – estrutura compositiva: tipos de estrofe, rima – plurissignificação (DT.C.1.2)

6.o

6.o Texto poético: – estrutura compositiva: sílaba métrica, rima (toante e consoante) esquema rimático

Conteúdos

• Explicitar os temas dominantes e características formais de poemas.

5.o

Descritores de desempenho

Leitura


12 6.o

– organizar e hierarquizar a informação.

– condensar, reordenar, reconfigurar.

Texto expositivo, preditivo

Ficha bibliográfica, lembrete, SMS,…

Margens, cabeçalho, rodapé, notas

Macro e microestruturas textuais (DT C1.2.) Progressão temática Coesão, Coerência Recursos linguísticos (lexicais, sintáticos Deixis, anáfora e semânticos discursivos e textuais) Configuração gráfica; pontuação e sinais auxiliares de escrita, ortografia

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

– acrescentar, apagar, substituir.

• Rever o texto, aplicando procedimentos de reformulação:

• Redigir o texto: – articular as diferentes partes planificadas; – selecionar o vocabulário ajustado ao conteúdo; – construir os dispositivos de encadeamento (crono)lógico, de retoma e de substituição que assegurem a coesão e a continuidade de sentido; – dar ao texto a estrutura compositiva e o formato adequados; – respeitar regras de utilização da pontuação; – adotar as convenções (orto)gráficas estabelecidas.

– estabelecer objetivos; – selecionar conteúdos;

• Fazer um plano, esboço prévio ou guião do texto:

Texto escrito Tipologia textual (DT C1.2.) Texto narrativo, descritivo, instrucional, conversacional

• Definir a temática, a intenção, o tipo de texto, o(s) destinatário(s) e o suporte em que o texto vai ser lido.

Recursos linguísticos: lexicais, sintáticos, semânticos, discursivos e textuais

6.o

Enunciação e enunciado Língua padrão (DT A.1.)

Conteúdos

Escrita (DT C.1.1.) Escrita compositiva (quem, o quê, quando, onde, como, porquê)

Recado, aviso

– usar com precisão o repertório de termos relevantes para o assunto que está a ser tratado; – controlar as estruturas gramaticais mais adequadas à resposta a fornecer.

5.o

• Utilizar técnicas específicas para selecionar, registar, organizar ou transmitir informação.

– organizar as respostas de acordo com o foco da pergunta ou pedido; – combinar os enunciados numa organização textual com coesão e coerência; – cuidar da apresentação final do texto escrito.

• Redigir com correção enunciados para responder a diferentes propostas de trabalho:

5.o

Descritores de desempenho

Escrita


13

6.o

– reformular, reinterpretar; – expor; – persuadir; – analisar, criticar.

Resumo Relato, descrição Receita, anúncio Comentário

5.o

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Escrever textos, experimentando novas configurações textuais, com marcas intencionais de lite- Texto narrativo: rariedade. – componentes – estrutura da narrativa Texto poético: – estrutura compositiva – plurissignificação Texto dramático: – componentes – organização estrutural Recursos expressivos

– participar em projetos de escrita colaborativa, – cooperar em espaços de partilha da escrita em grupo ou em rede alargada. relacionados com os seus interesses e necessidades.

• Intervir em rede, utilizando dispositivos tecnológicos adequados:

• Escrever textos, por sua iniciativa, para expressar conhecimentos, experiências, sensibilidade Retrato e imaginário. Poema História, diálogo…

– resumir; – relatar, descrever; – dar instruções; – comentar.

• Produzir textos que obrigam a uma organização discursiva bem planificada e estruturada, com a intenção de:

5.o

Descritores de desempenho

Escrita

Diário, autobiografia Autorretrato… Letra de música…

Paráfrase, reconto Notícia, exposição Artigo Texto de opinião

Conteúdos 6.o


Plano da língua, Variação e Mudança

Plano Fonológico

Plano Morfológico

14 6.o

5.o

Conteúdos

Flexão (DT B.2.2.1.): – Pronomes pessoais

• Explicitar categorias relevantes para a flexão das classes de palavras variáveis. • Sistematizar paradigmas flexionais regulares dos verbos. • Estabelecer grupos de verbos de conjugação • Identificar paradigmas flexionais irregulares incompleta. em verbos de uso muito frequente.

– Pronomes pessoais: caso

Sílaba métrica e sílaba gramatical (segmentação)

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

Verbo: Verbo regular – Formas verbais não finitas: gerúndio, parti– Vogal temática: paradigmas flexionais da 1.a, cípio, infinitivo pessoal Verbos defetivos: impessoais; unipessoais; 2.a e 3.a conjugação – Formas verbais finitas: mais-que-perfeito do forma supletiva indicativo; condicional (tempo e modo); presente, imperfeito e futuro do conjuntivo Verbo irregular

Morfologia flexional (DT B.2.2.) Palavras variáveis e invariáveis (DT B.2.2.)

Estrutura silábica

• Sistematizar as propriedades de distinção entre palavras variáveis e invariáveis.

• Distinguir sílaba gramatical de sílaba métrica.

• Identificar diferentes estruturas silábicas nas palavras.

Semivogal Ditongo: crescente e decrescente

Sons e fonemas (DT. B1.1.) Fonema Sequências de sons (DT. B1.1. 2.)

• Identificar unidades mínimas com valor distintivo nas palavras.

• Distinguir ditongos de sequências de duas • Distinguir ditongos crescentes e decrescentes. Ditongo vogais que não pertencem à mesma sílaba. Hiato

Dicionário monolingue, de sinónimos (DT D.1.) Glossário

Variação e normalização linguística: língua padrão (DT A.2.2.)

• Identificar propriedades da língua padrão.

• Consultar regularmente obras lexicográficas, mobilizando a informação na análise da receção e da produção no modo oral e escrito.

Variedades do português: africanas e brasileira (DT A.2.3.)

6.o

• Distinguir contextos geográficos e sociais que estão na origem de diferentes variedades do português.

• Identificar em enunciados orais e escritos a variação em vários planos (fonológico, lexical, sintá- Mudança linguística (DT A.4.) Fatores internos e externos e tipos de mudança (DT A.4.1.) tico, semântico e pragmático).

5.o

Descritores de desempenho

CEL


15

Plano das Classes de Palavras

• Sistematizar processos sintáticos.

Concordância (DT B4.5)

Frase e constituintes da frase (DT B4.1) Grupo nominal (GN) Grupo verbal (GV)

• Distinguir os constituintes principais da frase.

6.o

Nome: contável; não contável Adjetivo: relacional Determinante: indefinido; relativo Pronome: relativo; indefinido Verbo: copulativo; auxiliar (dos tempos compostos, da passiva, temporal, aspetual, modal) Locução prepositiva Advérbio de inclusão e exclusão, de frase; interrogativo; conectivo; locução adverbial Conjunção coordenativa: conclusiva, explicativa Conjunção subordinativa: completiva; final; condicional; comparativa, concessiva, consecutiva; locução conjuncional

Elipse

Grupo preposicional (GPrep) Grupo adverbial (GAdv)

Pronome: próclise, mesóclise, ênclise

• Utilizar o pronome pessoal átono (reflexo e não reflexo) em adjacência verbal.

• Explicitar propriedades distintivas de classes e subclasses de palavras. Nome • Sistematizar as propriedades na base das quais se pode distribuir o léxico do português em dez Adjetivo classes gramaticais. Determinante: interrogativo Pronome Quantificador: universal; existencial (DT B. 3.2.) Verbo principal: intransitivo; transitivo direto, indireto, direto e indireto; (DT B. 3.1.) Preposição Advérbio: de predicado (DT B.3.1.) Interjeição (DT B.3.1.) Conjunção coordenativa: copulativa, adversativa, disjuntiva Conjunção subordinativa: causal; temporal (DT B.3.2.)

Classe aberta e classe fechada de palavras (DT B.3.1; B.3.2.)

• Distinguir classes abertas e fechadas de palavras.

5.o Processos morfológicos de formação de pala- Derivação não afixal vras (DT B.2.3.) Palavras complexas Derivação (DT B.2.3.1.) Afixação Composição: morfológica; morfossintática (DT B.2.3.2.)

6.o

Conteúdos

• Explicitar padrões de formação de palavras complexas. • Distinguir regras de formação de palavras por composição de duas ou mais formas de base. • Deduzir o significado de palavras complexas a partir do valor de prefixos e sufixos nominais, adjetivais e verbais do português contemporâneo.

5.o

Descritores de desempenho

CEL

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

Plano Sintático


Plano Sintático

Plano Lexical e Semântico

16 Vocativo

Onomatopeia

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Detetar processos irregulares de formação de palavras e de inovação lexical.

– hierárquicas e de parte-todo. Extensão semântica, sigla, acrónimo, empréstimo, amálgama, truncação

Hiperonímia, hiponímia, meronímia, holonímia

• Explicitar relações semânticas de:

– semelhança e oposição.

Significação lexical (DT B.5.2.) Polissemia

Neologismo/ arcaísmo Expressão idiomática

Oração coordenada conclusiva, explicativa Subordinação: oração subordinante Oração subordinada substantiva completiva Oração subordinada adverbial: final; concessiva; condicional; comparativa; consecutiva Oração subordinada adjetiva (relativa restritiva e relativa explicativa)

Frase ativa, frase passiva

Predicativo do sujeito

• Identificar diferentes significados de uma mesma palavra ou expressão em distintos contextos de Relações semânticas entre palavras ocorrência.

• Identificar processos de enriquecimento lexical do português.

Coordenação entre frases: Oração coordenada copulativa, disjuntiva, adversativa Subordinação: Oração subordinada adverbial: causal; temporal (DT B.4.4.)

• Transformar frases ativas em frases passivas Tipos de frase (DT B.4.3.) e vice-versa.

• Explicitar processos sintáticos de articulação entre frases complexas.

• Explicitar as convenções do uso do vocativo em enunciados orais ou escritos.

• Identificar a função sintática do constituinte à direita do verbo copulativo e os grupos que o podem constituir.

• Complemento: direto; indireto

• Distinguir as funções sintáticas de constituintes selecionados e não selecionados pelo verbo.

Complemento: oblíquo; agente da passiva Modificador

Sujeito: nulo

Sujeito

6.o

• Identificar diferentes realizações da função sintática de sujeito.

5.o

GPrep e GAdv. Modificador de frase

6.o

Conteúdos

• Explicitar a relação entre constituintes principais de frases e as funções sintáticas por eles desem- Funções sintáticas (DT B4.2.) penhadas. GN\Sujeito GV\Predicado

5.o

Descritores de desempenho

CEL


17

Plano Lexical e Semântico

Monólogo Expressivos (agradecimentos, congratulações, condolências, desculpas); compromissivos (promessas, juramentos, avisos, ameaças); declarativos

Diálogo (DT C.1.1.) Atos de fala diretos e indiretos (DT C.1.1.) Assertivos (afirmações, descrições, constatações, explicações); directivos (ordens, pedidos, convites, sugestões);

Princípios reguladores da interação discur- Princípios reguladores da interação discursiva (DT C.1.1.1.) siva (DT C.1.1.1.) Cortesia (formas de tratamento) Cooperação Pertinência (qualidade, quantidade, relação, modo)

• Caracterizar modalidades discursivas e sua funcionalidade.

• Detetar, nas formas de realização de um enunciado, o objetivo do locutor, tendo em conta o contexto em que a interação ocorre.

• Explicitar princípios básicos reguladores da interação discursiva, aplicando-os eficazmente nos enunciados que produz.

• Explicitar relações pertinentes entre a sequência dos enunciados que constituem um discurso e … – … quem o produz; – … a quem se destina; – … a intenção e o efeito conseguido; – … a situação particular em que ocorre; – … o tema ou assunto; – … o registo (in)formal.

Aspeto: eventos não durativos, durativos; situações estativas (DT B.6.1.) Modalidade: apreciativa, epistémica, deôntica (DT B.6.1.)

6.o

Comunicação e interacção discursiva (DT C.1.) Contexto extraverbal, paraverbal, verbal Intenção comunicativa Universo do discurso (DT C.1.1.) Registo de língua – formal e informal (DT C.1.1.)

Tempo (DT B.6.2.) – anterior – simultâneo – posterior

• Distinguir recursos verbais que podem ser utilizados para localizar no tempo as situações descritas nos enunciados: – tempos verbais; – grupos preposicionais e adverbiais temporais; – orações temporais. • Estabelecer relações entre diferentes categorias, lexicais e gramaticais, para exprimir o aspecto e a modalidade.

Frase afirmativa e frase negativa (DT B.6.1.)

• Utilizar diferentes processos de negação em enunciados e frases.

5.o Valores semânticos da frase (DT B.6.) Significado Referência e predicação (DT B.6.1.)

6.o

Conteúdos

• Identificar duas funções básicas da linguagem verbal que dão origem ao significado das frases e dos enunciados: – referir entidades, localizações temporais e espaciais; – descrever situações e relações entre as entidades.

5.o

Descritores de desempenho

CEL

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

Plano Discursivo e Textual


18

Plano Discursivo e Textual

6.o

5.o

Conteúdos 6.o

– explicação e rectificação; – reforço argumentativo; – concretização; – marcação conversacional ou fáctica; – conexão entre enunciados.

Citação Discurso direto/indireto Discurso direto livre; discurso indireto livre

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

• Enunciar, por comparação, as principais diferenças entre texto realizado no modo oral e texto rea- Texto oral; texto escrito (DT C.1.1.) lizado no modo escrito, no que se refere a… – utilização de recursos extraverbais e verbais. – organização da informação.

• Detetar, em sequências de enunciados orais ou escritos, características inerentes à textualidade: Texto (DT C.1.2.) Tipologia de textos: expositivo, argumentaTipologia de textos: narrativo, descritivo, ins- tivo, preditivo (DT C.1.2.) progressão temática – autonomia (sequência de enunciados com um – unidade forma-sentido (sequência de enuncia- trucional, conversacional, preditivo (DT C.1.2.) Autor princípio e um fim delimitados); dos organizados de acordo com determinadas – autoria (sequência de enunciados produzida intenções, convenções e regras, de modo a pro- Sentido global; macro e microestruturas textuais; sequência textual; tipologia textual por um ou mais autores); duzir um sentido global); – atualização do sentido feita por um leitor/ Leitor; ouvinte /ouvinte intérprete.

• Distinguir modos de reprodução do discurso no discurso, quer no modo oral quer no modo escrito. Discurso direto

• Identificar informação não explicitada nos enunciados, recorrendo a processos interpretativos Pressuposição; implicação (não contradição) (DT C.1.1.3.) inferenciais.

• Identificar nos enunciados recebidos ou produzidos as unidades linguísticas que referenciam a sua Enunciação, enunciado, enunciador (quem), Referência deítica e anafórica; coesão; coeenunciação. lugar (onde) e tempo (quando) da enunciação rência. (DT C.1.1.)

– ordenação;

• Distinguir, na receção de enunciados, ou utilizar intencionalmente na sua produção, unidades Marcadores discursivos (DT C.1.1.); conectores conectores discursivos contrastivos linguísticas com diferentes funções na cadeia discursiva: discursivos aditivos ou sumativos; conclusi- ou contra-argumentativos vos e explicativos

5.o

Descritores de desempenho

CEL


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Plano da Representação Gráfica e Ortográfica

Relações entre palavras escritas e entre gra- Paronímia fia e fonia (DT E.5.)

• Desambiguar sentidos que decorrem de relações entre a grafia e a fonia de palavras.

Nota: A utilização da cor cinzenta significa que os conceitos subjacentes a determinado contéudo podem ser trabalhados sem explicitação terminológica.

Regras ortográficas, de acentuação gráfica e de translineação

6.o

• Explicitar regras: – ortográficas; – de acentuação gráfica; – de translineação.

Sinais auxiliares de escrita: aspas, parênteses curvos

Sinais de pontuação (DT E.2.)

5.o

Configuração gráfica (DT E.3.): alínea; marcas subscrito, sobrescrito e numerações

6.o

Conteúdos

• Aplicar regras de configuração gráfica dos textos, das unidades textuais ou das palavras.

• Explicitar regras de uso de sinais de pontuação para: – delimitar constituintes da frase; – representar tipos de frase. • Aplicar regras de uso de sinais auxiliares da escrita.

5.o

Descritores de desempenho

CEL


DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO – PRINCIPAIS ALTERAÇÕES Da nomenclatura gramatical portuguesa ao Dicionário Terminológico A Nomenclatura Gramatical Portuguesa (NGP) foi publicada em 1967 e revogada em 2004 com a publicação da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS). Ambas surgem como uma lista de termos a utilizar em contextos de ensino, de acordo com as orientações curriculares. Antes, como agora, uma lista de termos não é, por si só, ensinável, cabendo aos programas a definição clara dos conteúdos a trabalhar e/ou das competências a desenvolver. As conclusões da experiência pedagógica da TLEBS e os pareceres de especialistas motivaram a sua suspensão e consequente revisão, que se veio a concretizar no Dicionário Terminológico (DT), disponível em http://dt.dgidc.min-edu.pt/, instrumento a usar por professores dos ensinos básico e secundário, «com uma função reguladora de termos e conceitos sobre funcionamento da língua de forma a acabar com a deriva terminológica»1. O Dicionário Terminológico, resultante da revisão da TLEBS, por um lado, eliminou termos redundantes, inadequados ou pouco relevantes; por outro lado, acrescentou termos nos domínios da análise do discurso e da retórica. O novo Programa de Português do Ensino Básico (PPEB) recorre aos termos do DT nas listas de conteúdos de todas as competências. Nas tabelas de descritores de desempenho e de conteúdos do Conhecimento Explícito da Língua, a lógica de organização baseia-se no DT, mas não se limita a uma colagem, uma vez que alguns domínios se entrecruzam (é, por exemplo, o caso do domínio da Lexicologia, que surge integrado no Plano da Língua, Variação e Mudança). Assim, entender o DT e a tipologia das alterações não é, por si só, suficiente para uma real implementação do novo PPEB, mas ajudará a lidar com as novas abordagens e desafios.

Os domínios do Dicionário Terminológico A. Língua, comunidade linguística, variação e mudança A.1. Língua e comunidade linguística A.2. Variação e normalização linguística A.3. Contacto de línguas A.4. Mudança linguística

1

20

RELATÓRIO – Terminologia linguística: revisão e consulta pública, in http://www.dgidc.min-edu.pt/linguaportuguesa/Paginas/RELATORIOTLEBS.aspx


B. Linguística descritiva B.1. Fonética e Fonologia B.2. Morfologia B.3. Classes de palavras B.4. Sintaxe B.5. Lexicologia B.6. Semântica C. Análise do discurso, retórica, pragmática e linguística textual C.1. Análise do discurso e áreas disciplinares correlatas D. Lexicografia D.1. Obras lexicográficas D.2. Informação lexicográfica E. Representação gráfica E.1. Grafia E.2. Pontuação e sinais auxiliares de escrita E.3. Configuração gráfica E.4. Convenções e regras para a representação gráfica E.5. Relações entre palavras escritas e entre grafia e fonia

Tipologia das alterações Mais do que comparar a NGP com o DT, importa referir o tipo de alterações terminológicas em contexto de ensino do português. No fundo, trata-se de conhecer as diferenças entre a terminologia usada até agora, a que chamaremos tradição gramatical, por nem sempre corresponder a termos da NGP, e a que passará a figurar em todos os programas de Português, a partir de 2011/2012. Assim, podemos verificar quatro tipologias de alterações: – Os termos mudam e/ou estabilizam-se, mas os conceitos mantêm-se: por exemplo, nome e substantivo são sinónimos, mas o DT fixa o termo nome; – os termos mantêm-se, mas o conceito muda: por exemplo, o predicativo do sujeito continua a chamar-se predicativo do sujeito, mas a sua definição inclui constituintes que a tradição gramatical considerava complementos circunstanciais, como na frase: A Maria está em Lisboa ; – o Dicionário Terminológico apresenta novos termos que não faziam parte dos programas, nem da tradição gramatical, sobretudo nas áreas da semântica, da semântica lexical e da análise do discurso, retórica, pragmática e linguística lexical; – mudam os termos e os conceitos: por exemplo, o numeral ordinal dá lugar ao adjetivo numeral, por se considerar que possui características dessa classe de palavras.

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Procederemos, em seguida, à apresentação e exemplificação das principais diferenças entre a tradição gramatical e o Dicionário Terminológico. Serão abordadas algumas áreas que sofreram alterações e apresentados novos termos e conceitos linguísticos que não faziam parte da tradição gramatical. Os domínios e os termos comparados foram selecionados pela sua importância ao longo dos três ciclos do ensino básico, mas nem sempre reproduzem aqueles que figuram no novo PPEB nem estão distribuídos por anos de escolaridade. Para além disso, muitos dos termos apresentados não serão explicitados ao aluno, em contexto de sala de aula. Considerámos, no entanto, importante a sua integração, mas lembramos que os conteúdos do Conhecimento da Língua são os definidos pelo texto programático.

Níveis de língua e variedades do português Os termos relativos à Língua, Variação e Mudança não sofreram grandes alterações, destacam-se, no entanto, alguns termos que se encontram fortemente enraizados na metalinguagem da disciplina de Língua Portuguesa / Português e que sofreram alterações ou passaram a ser abordados de outra forma. Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

Distinguia-se:

O termo variação inclui:

• geografia da língua portuguesa / domínio atual da língua portuguesa;

• variedades geográficas: correspondem às variações que a língua apresenta ao longo do seu território. As variedades do português são: a variedade europeia, a variedade brasileira e as variedades africanas.

• níveis/ registos de língua: – língua cuidada – língua familiar – língua popular – calão – gíria – regionalismos – língua literária • história da língua portuguesa/ diacronia/ sincronia

• variedades situacionais: resultantes da capacidade de os falantes adaptarem o estilo de linguagem à situação de comunicação. • variedades sociais: também chamadas «socioletos» ou «dialetos sociais», usadas por falantes que pertencem à mesma classe social e ambiente socioeconómico ou educacional. • variedades históricas: resultantes da mudança linguística. Consistem no contraste entre a gramática antiga e a gramática posterior da língua.

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Formação de palavras O que mudou… Processos morfológicos de formação de palavras Nos processos de formação regular de palavras, as alterações mais importantes relacionam-se com a composição. Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

Derivação (processo de formação de novas palavras a partir de uma palavra primitiva):

Derivação (processo morfológico de formação de palavras que consiste, tipicamente, na associação de um afixo derivacional a uma forma de base):

• prefixação (associação de um prefixo a uma forma de base) – impossível;

• prefixação (sem alteração) – refazer, invisível, infeliz, descrente;

• sufixação (associação de um sufixo a uma forma de base) – possibilidade;

• sufixação (sem alteração) – simplesmente, ventoso;

• prefixação e sufixação (associação de um prefixo e de um sufixo) – impossibilidade;

• prefixação e sufixação (sem alteração) – imparcialmente;

• parassíntese (associação simultânea de um prefixo e de um sufixo a uma forma de base) – amanhecer;

• parassíntese (sem alteração) – renovar, aprofundar, enlouquecer;

• derivação imprópria (integração da palavra numa nova classe de palavras, sem que se verifique qualquer alteração na forma);

• conversão (corresponde à derivação imprópria da tradição gramatical) – (o) olhar, (o) saber, (o) comer;

• derivação regressiva (criação de nomes a partir de verbos).

• derivação não afixal (corresponde à derivação regressiva da tradição gramatical) – apelo (do verbo apelar); desabafo (do verbo desabafar).

Composição (processo de formação de novas palavras a partir de mais do que um radical ou palavra):

Composição (processo de formação de novas palavras a partir da união de duas formas de base):

• justaposição (formação de uma palavra a partir de duas ou mais palavras, que mantêm a acentuação) – obra-prima, vice-diretor.

• morfológica ( formação de uma palavra a partir de um radical e uma palavra ou de dois radicais) – agricultura, psicologia;

• aglutinação (formação de uma palavra a partir da união de palavras primitivas ou de radicais, em que apenas um mantém a acentuação) – girassol, multinacional.

• morfossintática (formação de uma palavra a partir de duas ou mais palavras) – couve-flor, guarda-chuva.

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Mais exemplos: Exemplos

Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

Facilitar

Derivação por sufixação

Derivação por sufixação

Amanhecer

Derivação por parassíntese

Derivação por parassíntese

Infelizmente

Derivação por prefixação e sufixação

Derivação por prefixação e sufixação

(o) comer

Derivação imprópria

Derivação por conversão

Guarda-roupa

Composição por justaposição

Composição morfossintática

Biblioteca

Composição erudita (aglutinação)

Composição morfológica

Arranha-céus

Composição por justaposição

Composição morfossintática

Ortografia

Composição erudita (aglutinação)

Composição morfológica

(a) pesca

Derivação regressiva

Derivação não afixal

Água-de-colónia

Composição por justaposição

Composição morfossintática

Democracia

Composição erudita (aglutinação)

Composição morfológica

O que há de novo… Processos irregulares de formação de palavras Estes processos são relativamente recentes no âmbito do ensino do português. Apenas o termo estrangeirismo, agora empréstimo, surge na NGP, ainda que outros, como sigla e acrónimo, façam parte da tradição gramatical. No DT surgem no domínio da Lexicologia. Terminologia

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Explicação

Exemplos

Empréstimo (antes estrangeirismo)

Transferência de uma palavra de uma língua para outra.

Futebol, scanner, surf

Extensão semântica

Alargamento do significado de uma palavra.

Navegar na Internet, portal

Amálgama

Criação de uma palavra a partir da junção de partes de duas ou mais palavras.

Informática (informação automática)

Truncação

Criação de uma palavra a partir do apagamento de uma parte da palavra de que deriva.

Moto(cicleta) Foto(grafia)

Sigla

Termo formado pelas iniciais das palavras que lhe deram origem que se pronuncia letra a letra

IRS (Imposto sobre o Rendimento Singular)

Acrónimo

Termo formado pela junção de sílabas ou letras iniciais. Lê-se como se fosse uma palavra.

Iva (Imposto sobre o Valor Acrescentado)


Classes e subclasses de palavras O que mudou… As classes e subclasses de palavras são um subdomínio da Morfologia. Podem ser abertas, quando possuem um número ilimitado de palavras (nome, adjetivo, verbo, advérbio, interjeição), ou fechadas, quando possuem um número limitado de palavras (determinante, pronome, quantificadores, preposição e conjunção). Nome Os nomes deixaram de ser classificados como concretos e abstratos e incluem uma nova subclasse, a dos nomes contáveis, que podem ser enumerados (um ovo, dois ovos) e não contáveis, que não podem ser enumerados (*uma saudade / *duas saudades; *um açúcar / *dois açúcares). Tradição gramatical Substantivo ou nome • próprio • comum • concreto e abstrato • coletivo

Dicionário Terminológico Nome • próprio • comum: – coletivo – contável/não contável1

Adjetivo Ao contrário do que acontecia tradicionalmente, os adjetivos distribuem-se agora por três subclasses e incluem a antiga classe dos numerais ordinais. Dicionário Terminológico Adjetivo • qualificativo: exprime uma qualidade, ou seja, atribui uma qualidade ao nome, pode variar em grau e pode surgir antes ou depois do verbo, ainda que com alteração de sentido: amigo rico/rico amigo. • numeral: tradicionalmente chamado numeral ordinal, este adjetivo estabelece uma ordem (primeiro mês, segundo mês, terceiro mês) e surge antes do nome, habitualmente, acompanhado por um determinante (o primeiro mês). • relacional: adjetivo que deriva de um nome, não ocorre em posição pré-nominal nem varia em grau: os jornais diários; as aves aquáticas; a crosta terrestre.

1

Os nomes coletivos podem ser contáveis (uma turma, duas turmas), ou não contáveis (*uma flora, *duas floras).

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Verbo Enquanto classe de palavras, o verbo surge no DT com classificações muito próximas da tradição gramatical. Destaca-se, porém, o facto de serem consideradas as classes do verbo determinadas em função dos seus complementos. As questões relacionadas com a flexão do verbo encontram-se no domínio da Morfologia e não sofreram alterações significativas. Dicionário Terminológico Verbo que, numa frase, determina a existência de sujeito e/ou de complemento(s): Os rapazes descobriram uma passagem secreta. Os verbos principais dividem-se em classes, em função da ausência ou presença de alguns complementos: • Intransitivo: verbo sem complementos (A criança adormeceu.). Verbo principal

• Transitivo direto: verbo com complemento direto (A criança comeu a sopa.). • Transitivo indireto: verbo com complemento indireto (O filho telefonou ao pai.), ou complemento oblíquo (O Pedro foi para Lisboa.). • Transitivo direto e indireto: verbo com complemento direto e indireto (A professora leu uma história aos alunos), ou complemento direto e complemento oblíquo (O Rui pôs o saco no chão.). • Transitivo-predicativo: verbo com complemento direto e predicativo do complemento direto (O professor considera o João muito responsável.).

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Verbo copulativo

Verbo que precisa de um predicativo do sujeito para que a frase tenha sentido completo. Consideram-se, habitualmente, como copulativos os verbos: ser, estar, permanecer; ficar; parecer; continuar (A Rita continua triste.).

Verbo auxiliar

Verbo que surge antes de um verbo principal ou copulativo, formando um complexo verbal (A Marta nunca tinha visto o mar.). Na mesma frase, pode haver mais do que um verbo auxiliar (A história poderia ter sido contada de outra forma).


Advérbio A classificação das subclasses do advérbio deixou de estar dependente de critérios meramente semânticos. Na maioria dos casos, o advérbio passou a ser classificado tendo em conta a relação que estabelece com os outros elementos da frase. Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

Advérbio

Advérbio

• tempo

• advérbio de predicado: pertence ao grupo verbal e pode ter vários valores semânticos (lugar, tempo, modo, etc.) – A Rita está aqui.

• lugar • modo • dúvida

• advérbio de frase: modifica toda a frase, ao contrário do advérbio de predicado – Infelizmente, estou constipado.

• designação

• conectivo: estabelece relações entre frases ou constituintes da frase – Tu pensas que tens razão, contudo, estás enganado.

• negação

• negação (sem alterações) – Eles não conseguiram chegar a tempo.

• afirmação

• afirmação (sem alterações) – Não gosto deste livro, mas sim daquele.

• intensidade ou quantidade

• quantidade e grau: – Pode intensificar o sentido de outros advérbios (Sinto-me muito mal.), de adjetivos (Estou muito satisfeito.), ou de grupos verbais (Ela trabalhou muito.).

• exclusão

• exclusão (sem alterações) – Só eu sabia a resposta.

• inclusão

• Inclusão (sem alterações) – Até eu sabia a resposta.

• interrogativo

• interrogativo (sem alterações) – Quando partes? • relativo: introduz uma oração relativa – Esta é a escola onde estudo.

Uma análise da tabela permite concluir que os tradicionais advérbios de tempo, lugar, modo, dúvida e designação estão distribuídos pelos advérbios de predicado, de frase e conectivo. Note-se que os advérbios continuam a possuir diferentes valores semânticos (tempo, modo, etc.), mas estes deixaram de ser contemplados na sua classificação, ainda que essa distinção seja importante em contextos didáticos. Determinante O determinante surge sempre antes do nome com o qual concorda em género e número. O Dicionário Terminológico mantém as subclasses já existentes (artigo definido e indefinido, possessivo, demonstrativo, indefinido interrogativo) e acrescenta a dos determinantes relativos: Dicionário Terminológico Determinante • relativo: acompanha um nome no início de uma oração relativa (Aquela é a Mariana cuja prima se chama Diana.).

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Quantificador Esta classe é nova na terminologia linguística do português. O quantificador serve para indicar o número, a quantidade; surge, habitualmente, antes de um grupo nominal e distribui-se por várias subclasses. Dicionário Terminológico Quantificador • numeral: refere-se a um número preciso (numeral cardinal: dois carros, três carros). • universal: refere-se a todos os elementos de um conjunto (todo, todos, toda, todas, ambos, cada, qualquer, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas) – todos os dias. • existencial: não se refere à totalidade dos elementos de um conjunto (algum, alguns, alguma, algumas, bastante, bastantes, muito, muitos, muita, muitas, pouco, poucos, pouca, poucos, tanto, tanta, tantos, tantas, vários, várias) – poucas vezes; algumas vezes.

Conjunção Esta classe não sofreu alterações significativas. Referimos, apenas, que as conjunções (subordinativas) integrantes são agora designadas por conjunções (subordinativas) completivas (O Pedro disse-me que hoje não vinha) e que as tradicionais conjunções coordenativas adversativas porém, todavia e contudo são, como já vimos, advérbios conectivos. Pronomes Os pronomes permitem evitar repetições e têm um papel importante na coesão textual. Mantém-se as subclasses tradicionais (pessoal, possessivo, demonstrativo, indefinido, relativo, interrogativo). Destacamos, apenas, algumas particularidades dos pronomes indefinidos e relativos. Dicionário Terminológico • Indefinido: corresponde ao uso pronominal dos quantificadores e dos determinantes indefinidos (Gostei de tudo; Estás à espera de alguém?). • Relativo: os pronomes relativos, além de evitarem a repetição de um nome, também servem para juntar orações (Dá-me o livro. / O livro está em cima da mesa. = Dá-me o livro que está em cima da mesa). Note-se que cujo, cuja, cujos, cujas são determinantes relativos; quanto, quanta, quantos, quantas são quantificadores relativos; onde é um advérbio relativo.

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Exemplos de classificação das palavras destacadas nas frases: Exemplo

Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

A Mariana já bebeu o leite.

Nome/substantivo comum, concreto

Nome comum, não contável

A Rita tem quatro anos.

Numeral cardinal

Quantificador numeral

O Pedro está a estudar num horário noturno.

Adjetivo

Adjetivo relacional

Todos os alunos realizaram a tarefa.

Determinante indefinido

Quantificador (universal)

O homem estava sentado no degrau da entrada.

Nome/substantivo comum, concreto

Nome comum, contável

Já é a terceira vez que vou a Paris.

Numeral ordinal

Adjetivo numeral

Esta é a escola cujo diretor apresentou a demissão.

Pronome relativo

Determinante relativo

Enviei a carta ontem.

Advérbio de tempo

Advérbio de predicado

Poucas pessoas assistiram ao espetáculo.

Determinante indefinido

Quantificador (existencial)

Esta é a casa onde eu moro.

Pronome relativo

Advérbio relativo

A Marta respondeu sinceramente.

Advérbio de modo

Advérbio de predicado

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Funções sintáticas O que mudou… Funções sintáticas ao nível da frase1 Mantêm-se as funções nucleares da frase, registando-se alterações apenas nos tipos de sujeito e nos complementos circunstanciais que passaram a chamar-se modificadores (de frase): Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

Sujeito:

Sujeito:

– simples

• Simples (sem alterações).

– composto

• Composto (sem alterações).

– subentendido

• Nulo (não surge na frase):

– indeterminado – inexistente

– subentendido: apesar de não aparecer na frase, a flexão verbal permite-nos identificar o seu referente: Estou cansado = [Eu] estou cansado; – indeterminado: não aparece na frase, porque não sabemos quem é, ou o que é, mas pode ser identificado através do teste de substituição por pronomes como alguém, quem: Dizem que a vida está difícil: – Alguém diz; – expletivo: tradicionalmente chamado sujeito inexistente; surge, habitualmente, com verbos meteorológicos (Nevou, choveu, trovejou) e em algumas frases com o verbo haver (Há muito tempo que não te via.).

1

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• Predicado

• Predicado: é constituído pelo verbo ou complexo verbal, ou por um verbo e pelos seus complementos e/ou modificadores (A Marta fez hoje um teste de Biologia).

• Complemento circunstancial

• Modificador (de frase): elemento acessório, que modifica o sentido da frase ( Infelizmente, está a chover muito.).

• Vocativo

• Vocativo (sem alterações).

A distribuição das funções sintáticas apresentada – ao nível da frase e dos grupos verbal, nominal, adjetival e adverbial – é utilizada no Dicionário Terminológico. Por uma questão de organização, optámos por fazer a sua adaptação aos termos da tradição gramatical.


Funções sintáticas internas ao predicado / grupo verbal Dicionário Terminológico

Tradição gramatical • Complemento direto

• Complemento direto (sem alterações).

• Complemento indireto

• Complemento indireto (sem alterações). • Complemento oblíquo: tal como os complementos direto e indireto, o complemento oblíquo é selecionado pelo verbo e, habitualmente, sem ele a frase não faz sentido (A Maria gosta de sopa.). Não pode ser substituído pelos pronomes pessoais o, a, os, as, como o direto, nem pelos pronomes lhe, lhes, como o indireto. O complemento oblíquo pode ter várias formas: – grupo preposicional: A Marta mora em Almada. – grupo adverbial: A Marta mora ali.

• Complemento agente da passiva

• Complemento agente da passiva (sem alterações).

• Predicativo do sujeito

• Predicativo do sujeito: elemento da frase selecionado, apenas, por verbos copulativos como ser, estar, continuar, parecer, permanecer, ficar. O predicativo do sujeito pode ter várias formas: – grupo nominal: O António é meu filho. – grupo adjetival: O António parece feliz. – grupo preposicional: O António está em Sintra. – grupo adverbial: O António está cá.

• Predicativo do complemento direto • Complemento circunstancial

• Predicativo do complemento direto (sem alterações). • Modificador do grupo verbal / predicado: elemento acessório, que modifica o sentido do predicado. Pode ter várias formas e surgir em várias posições: – grupo preposicional: A Marta viajou de madrugada. – grupo adverbial: A Marta viaja amanhã.

Funções sintáticas internas ao grupo nominal Tradição gramatical

Dicionário Terminológico • Complemento do nome: surge à direita do nome e é selecionado por ele. Pedem complemento:

• Complemento determinativo

• Atributo

– os nomes deverbais (relacionados com verbos) como destruição [da floresta]: substituição [do professor]; invasão [do território]; – os nomes relacionais como pai [da Maria], mãe [do João], irmã [da Ana], filho [do José]; – nomes epistémicos como certeza [de que consigo], hipótese [de começar de novo], ideia [de terminar os estudos], necessidade [de fazer este trabalho]; – nomes icónicos como fotografia [de turma], retrato [de família].

• Aposto

• Modificador do nome restritivo: elemento acessório, que modifica e restringe o nome a que se refere (O livro azul é meu. / O homem do chapéu não me deixa ver nada.). • Modificador do nome apositivo: elemento acessório, que modifica, mas não restringe, o nome a que se refere (D. Manuel, o Venturoso, mandou construir o mosteiro dos Jerónimos.).

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Em resumo, aqui ficam algumas respostas rápidas a perguntas frequentes sobre o que se alterou nas funções sintáticas: 1. O que aconteceu ao sujeito?

• O sujeito deixou de ser identificado como «aquele que pratica a ação», uma vez que em frases como «O João levou uma bofetada.» tal não se verificava.

• O sujeito não realizado chama-se sujeito nulo: subentendido (Estou atrasado.), indeterminado (Assaltaram a ourivesaria.) ou expletivo (em vez de inexistente – Choveu muito.). 2. O que aconteceu aos complementos circunstanciais? O tradicional complemento circunstancial pode ser classificado como:

• Predicativo do sujeito – O Luís está em Lisboa. / O Luís está aqui. • Complemento oblíquo – O Luís mora em Lisboa. / O Luís mora aqui. • Modificador – O Luís estuda em Lisboa. / O Luís estuda aqui. 3. O que aconteceu aos complementos determinativos? De um modo geral, os complementos determinativos são modificadores (restritivos) do grupo nominal – O rapaz de calções está à minha frente. Podem igualmente, nos casos já referidos anteriormente, ser complementos do nome – O pai da Marta. 4. O que aconteceu ao atributo? O tradicional atributo é um modificador (restritivo) do grupo nominal – A saia azul é bonita. 5. O que aconteceu ao aposto? O aposto é um modificador (apositivo) do grupo nominal – O Pedro, meu primo, chegou ontem. Exemplos de identificação das funções sintáticas 1. A Maria foi para a escola de autocarro. Tradiçao gramatical Sujeito: A Maria Predicado: foi para a escola de autocarro Complemento circunstancial de lugar: para a escola Complemento circunstancial de meio: de autocarro Dicionário Terminológico Sujeito: A Maria Predicado: foi para a escola de autocarro Complemento oblíquo: para a escola Modificador (do grupo verbal): de autocarro

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2. O Pedro está em Lisboa. Tradição gramatical Sujeito: O Pedro Predicado: está em Lisboa Complemento circunstancial de lugar: em Lisboa Dicionário Terminológico Sujeito: O Pedro Predicado: está em Lisboa Predicativo do sujeito: em Lisboa.

3. A Sofia adoeceu durante a noite. Tradição gramatical Sujeito: A Sofia Predicado: adoeceu durante a noite Complemento circunstancial de tempo: durante a noite Dicionário Terminológico Sujeito: A Sofia Predicado: adoeceu durante a noite Modificador (do grupo verbal): durante a noite

4. A Maria colocou o lenço azul na mala. Tradição gramatical Sujeito: A Maria Predicado: colocou o lenço azul na mala Complemento direto: o lenço azul Atributo: azul Complemento circunstancial de lugar: na mala Dicionário Terminológico Sujeito: A Maria Predicado: colocou o lenço azul na mala Complemento direto: o lenço azul Modificador (restritivo do nome): azul Complemento oblíquo: na mala

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Relações entre palavras O que mudou… Família de palavras, campo lexical e campo semântico Tradição gramatical

Dicionário Terminológico

• O conceito família de palavras surge associado à parte da gramática que se ocupa da «classe, estrutura e formação de palavras»1.

• O conceito família de palavras surge no domínio da Lexicologia, no subdomínio Léxico e vocabulário. O conceito não apresenta alterações. Entende-se por família de palavras o conjunto das palavras formadas por derivação ou composição a partir de um radical comum. Exemplos: mar, maremoto, amarar, marinheiro, marinha, marinho, maré...

• São usados os termos campo lexical e campo semântico, mas existe alguma instabilidade na sua definição em gramáticas escolares.

• Surge o novo domínio Semântica lexical: significação e relações semânticas entre as palavras. • Estes termos são definidos no subdomínio Relações semânticas entre palavras, em Estrutura lexical: – campo lexical: conjunto de palavras que, pelo seu significado, fazem parte de um determinada realidade e que podem pertencer a diferentes classes. Exemplos: âncora, vela, atracar, ré... fazem parte do campo lexical de navio. – campo semântico: conjunto dos significados que uma palavra pode ter nos diferentes contextos em que se encontra. Exemplos: campo semântico de peça – peça de automóvel, peça de teatro, peça de bronze, peça de carne, és uma boa peça, etc.

1

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Vd. Celso Cunha e Lindley Cintra, Breve Gramática do Português Contemporâneo.


Relações entre as palavras – Relações de hierarquia e relaçoes de parte-todo O que há de novo… No novo domínio Semântica lexical: significação e relações semânticas entre as palavras, o subdomínio Relações de semelhança/ oposição refere-se à sinonímia e antonímia, não havendo alterações no entendimento destes conceitos. Ainda neste domínio, mas em Relações de hierarquia, surgem como novos conceitos os termos hiperonímia e hiponímia. O termo jogo, por exemplo, é uma designação genérica de certas atividades cuja natureza ou finalidade é recreativa – de diversão, entretenimento, brincadeira. Assim, a palavra «jogo» é hiperónimo de «xadrez», «gamão», «damas»... Um hiperónimo é, portanto, um termo mais genérico que abrange vários termos específicos que dependem dele semanticamente. Exemplos: Talher é um hiperónimo de faca, garfo e colher. Escritor é hiperónimo de António Torrado, Cecília Meireles, José Saramago... Um hipónimo, ao invés, é uma palavra de sentido mais restrito em relação a outra de sentido mais geral. Exemplos: Morangos e bananas são hipónimos de fruta. Livro, revista, jornal são hipónimos de publicações. Ainda no subdomínio Relações semânticas entre as palavras, em Relações parte-todo, surgem outros dois novos conceitos: os de holonímia e de meronímia, referentes às relações semânticas entre palavras que representam o todo pela parte ou a parte relativamente ao todo. Assim, um holónimo é uma palavra que se refere a um todo, refletindo uma relação de hierarquia semântica em relação a outra, já que o seu significado refere o todo do qual a outra palavra (designada merónimo) é a parte. Exemplos: Casa é holónimo de quarto, sala, cozinha. Avião é holónimo de cockpit. Um merónimo é uma palavra que se refere uma parte, refletindo uma relação de hierarquia semântica em relação a outra, já que o seu significado remete para a parte constituinte (designada holónimo). Exemplos: Volante é merónimo de carro. Pétala é merónimo de flor.

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Sintaxe e Semântica O que mudou e o que há de novo... Tradição gramatical • Tipos e formas de frase – frase declarativa; – frase exclamativa;

Dicionário Terminológico • O dicionário terminológico refere a existência dos mesmos tipos de frase. Os tipos de frase são estudados no âmbito da Sintaxe.

– frase imperativa; – frase interrogativa. • Forma afirmativa e negativa

• Polaridade afirmativa e polaridade negativa A polaridade é estudada no âmbito da Semântica e do Conteúdo proposicional. O termo polaridade refere-se ao valor afirmativo ou negativo de um enunciado. A negação e a afirmação não são propriedades inerentes à frase; são valores que podem afetar o predicado ou apenas um sintagma. A polaridade negativa pode ser expressa através do advérbio de negação ou de outras palavras ou expressões com valor negativo, como não, nenhum, ninguém, nem, sem, nada. Exemplo: A Tânia gosta de gelados. A afirmação não exige a presença de nenhum operador específico. Diz-se então que a frase tem polaridade afirmativa. Exemplo: Ela nunca comeu gelados.

Princípios reguladores da interação discursiva O que há de novo... Na sequência das abordagens propostas pela Análise de Discurso, da Pragmática e da Linguística Textual, os princípios da cooperação, da cortesia e da pertinência surgem, juntamente com as máximas conversacionais e as formas de tratamento, como regras fundamentais que devem caracterizar a interação convencional. O princípio da cooperação baseia-se em máximas que os interlocutores deverão respeitar. Alguns comportamentos práticos a ter em conta na interação verbal e de acordo com as máximas expostas são os seguintes1:

1

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Inês Duarte, Língua Portuguesa – Instrumentos de Análise, Universidade Aberta, Lisboa, 2000, p. 357.


a) o discurso produzido deve conter a informação necessária (Máxima de quantidade ):

• Tornar a contribuição tão informativa quanto requerido (para o propósito em causa); • Não tornar contribuição mais informativa do que requerido (os enunciados repetitivos não respeitam esta máxima). b) o discurso não deve afirmar o que o locutor crê ser falso, nem o que carece de provas (Máxima de qualidade):

• Tentar que a contribuição seja verdadeira; • Não dizer o que crê ser falso; • Não dizer aquilo de que não se tem provas. c) o discurso deve ser pertinente ou relevante (Máxima de relação):

• Ser relevante. d) o discurso deve ser claro, breve e ordenado (Máxima de modo ou de modalidade):

• Ser claro(a); • Evitar a obscuridade da expressão; • Evita ambiguidades; • Ser breve (evitar falar/ escrever mais do que o necessário); • Ser metódico(a). O princípio da cortesia relaciona-se com o facto de usarmos diferentes estratégias para levar o nosso interlocutor a comportar-se de certa maneira, respeitando normas de comportamento social e linguístico no desenrolar da interação comunicativa. Algumas máximas a respeitar; – evitar o silêncio ostensivo; – não interromper o interlocutor; – não manifestar falta de atenção; – não proferir insultos, injúrias, acusações gratuitas, etc. O princípio da pertinência (ou da relevância) explica como os interlocutores interpretam os enunciados num ato de comunicação: através do reconhecimento do universo de referência, pela partilha dos saberes implicados no ato de linguagem – saberes sobre o mundo, sobre valores psicológicos e sociais, sobre comportamentos etc., que conferem aos parceiros credibilidade. De acordo com este princípio, os atos de linguagem devem ser apropriados ao seu contexto e à sua finalidade, contribuindo para o aspeto contratual da interação.

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Texto O que há de novo e o que mudou... Tipologias textuais No plano literário, mantém-se a tripartição de géneros, com as alterações e as inovações resultantes da evolução histórica da própria literatura: o género lírico, o género épico ou narrativo e o género dramático. Cada um compreende diversos subgéneros. Mas a maioria dos textos é constituída por numerosas sequências, que podem incluir diferentes tipologias textuais – num mesmo texto há sequências de diferentes tipos (por exemplo, num texto narrativo, é habitual haver sequências de tipo descritivo e de tipo conversacional). Cada tipologia textual possui determinadas características. Vejamos algumas das mais comuns: Textos conversacionais

Caracterizam-se por ter funções lúdicas, de intercâmbio de ideias, de comentário de acontecimentos, de agradecimento. Exemplo: conversa, entrevista...

Textos narrativos

Relatam eventos ou cadeias de eventos; apresentam verbos que indicam ações e tempos verbais como o pretérito perfeito e o pretérito imperfeito. Têm abundância de advérbios com valor temporal ou locativo. Exemplo: conto, romance, novela…

Textos argumentativos

Têm como funções persuadir, refutar, comprovar, debater uma causa, etc., estabelecendo relações entre factos, hipóteses, provas e refutações. Têm abundância de conectores discursivos, que articulam com rigor as partes do texto. O tempo dominante é o presente. Exemplo: publicidade, debates…

Textos descritivos

Caracterizam espaços, objetos, pessoas. Predominam o verbo ser e outros verbos caracterizadores de propriedades e qualidades de seres e coisas. Os tempos verbais dominantes são o presente e o pretérito imperfeito. Têm abundância de adjetivos qualificativos e de advérbios com valor locativo. Exemplo: descrição de paisagens, pessoas…

Textos expositivos

Apresentam a análise ou síntese de ideias, conceitos e teorias, com uma estrutura verbal em que predomina o verbo ser com um predicativo do sujeito nominal ou o verbo ter com complemento direto. Usam como tempo peculiar o presente. Exemplo: manuais escolares, relatos…

Textos instrucionais

Têm como função ensinar ou indicar como fazer algo, enumerando e caracterizando as sucessivas operações. A estrutura verbal dominante é o imperativo. Exemplo: regras, instruções, avisos, comunicados…

O termo paratexto é introduzido pelo dicionário terminológico e relaciona-se com o facto de os textos (obras literárias, obras científicas, etc.) surgirem sempre acompanhados de outros elementos textuais, de extensão variável, que enquadram o texto principal e que têm como função apresentá-lo, garantindo uma receção adequada. Esses elementos textuais ou textos secundários chamam-se paratextos. Exemplos: nome do autor, do editor, da coleção, título e subtítulo, desenho da capa, dedicatória(s), prefácio e posfácios, epígrafes, notas marginais, de rodapé e finais, bibliografia, índices, informações fornecidas nas badanas e na contracapa do livro, ilustrações, etc. 38


Obras lexicográficas O que há de novo... Um novo domínio do dicionário terminológico é o da lexicografia, apresentada como a disciplina que se ocupa da realização de dicionários, léxicos e terminologias, bem como da análise da sua estrutura e dos métodos para a sua elaboração. É no seu âmbito que são elencadas as obras lexicográficas. Para além do termo dicionário, i.e., a obra que apresenta o conjunto de palavras de uma língua, geralmente organizadas por ordem alfabética e acompanhadas de informações, são especificados:

• Os tipos de dicionários (alguns exemplos): Os dicionários podem ser: – monolingues (listagem e significados das palavras de uma língua); – bilingues (listagem e tradução das palavras de uma língua numa outra língua); – de aprendizagem (para o ensino do vocabulário da língua geral ou das línguas especializadas, com uma forte componente didática baseada em descrições, exemplos, exercícios de língua e imagens); – de sinónimos/antónimos.

• Outras obras lexicográficas: – enciclopédia: lista estruturada de palavras ou expressões, nem sempre organizada por ordem alfabética, contendo informação geral sobre cada entrada, como por exemplo o estado da arte do conhecimento de um tema ou conceito. – glossário: dicionário com palavras ou expressões pouco conhecidas ou raras e respetivos significados, ou traduções; – terminologia: lista organizada de termos de um determinado domínio (por exemplo, termos de informática, de medicina); – thesaurus : 1. dicionário alfabético que procura apresentar com exaustividade as palavras de uma língua; 2. conjunto de termos normalizados, organizados em função de uma classificação documental da informação.

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ACORDO ORTOGRÁFICO POR PAULO FEYTOR PINTO

O novo acordo ortográfico no sistema educativo português A ortografia da língua portuguesa, tal como a própria língua, tem sofrido alterações ao longo do tempo. Em 2011, com a entrada em vigor da nova ortografia que aqui se apresenta, chega ao fim um período de 100 anos durante o qual a língua portuguesa teve duas ortografias oficiais distintas. Este facto foi provocado pelos portugueses que, em 1911, adotaram uma nova ortografia, tornaram-na oficial e não consultaram os brasileiros. Apesar de a nova ortografia comum ter provocado alterações tanto na ortografia portuguesa como na brasileira, aqui apresentam-se apenas as regras que alteram a ortografia a utilizar no sistema educativo português. Todas as regras ortográficas que não são referidas mantêm-se, portanto, inalteradas. Também a terminologia utilizada nesta brochura é a adotada no ensino básico e secundário e não a do texto legal. As alterações introduzidas na ortografia são as seguintes: 1. Introdução das letras k, w e y no alfabeto (Base I). 2. Obrigatoriedade de inicial minúscula em alguns nomes próprios e formas de cortesia (Base XIX). 3. Supressão das letras c e p em sequências de consoantes (Base IV). 4. Supressão de acento em palavras graves (Base IX). 5. Supressão e/ou substituição do hífen em palavras compostas e derivadas, formas verbais e locuções (Bases XV-XVII). A consulta deste texto pode ser complementada com a leitura do diploma legal que aprova a nova ortografia, em especial das bases ou regras acima identificadas e das respetivas notas explicativas. A Resolução da Assembleia da República, de agosto de 1991, está permanentemente disponível em: http://dre.pt/pdf1sdip/1991/08/193A00/43704388.pdf A Resolução do Conselho de Ministros que determina a entrada em vigor da nova ortografia, de janeiro de 2011, adotou também o Vocabulário Ortográfico do Português e o conversor Lince desenvolvidos pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional, com financiamento público do Fundo da Língua Portuguesa. Uma vez que o texto legal que descreve a nova ortografia prevê exceções e não é exaustivo na exemplificação, estas duas ferramentas são muito úteis para esclarecer as inevitáveis dúvidas e estão disponíveis gratuitamente no sítio: www.portaldalinguaportuguesa.org

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1. Introdução das letras k, w e y no alfabeto (Base I) As letras k, w e y fazem parte do alfabeto da língua portuguesa. Apesar desta novidade, as regras de utilização mantêm-se as mesmas. Estas três letras podem, por exemplo, ser utilizadas em palavras originárias de outras línguas e seus derivados ou em siglas, símbolos e unidades internacionais de medida, como darwinismo, Kuwait, km ou watt. A posição destas três letras no alfabeto é a seguinte: …j, k, l… …v, w, x, y, z.

2. Obrigatoriedade de inicial minúscula em alguns nomes próprios e formas de cortesia (Base XIX) A letra minúscula inicial é obrigatória nos: – nomes dos dias: sábado, domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira… – nomes dos meses: agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro… – nomes das estações do ano: verão, outono, inverno, primavera… – nomes dos pontos cardeais ou equivalentes, mas não quando eles referem regiões: sul, leste, oriente e ocidente europeu, mas o Ocidente. A letra minúscula inicial é obrigatória também nas formas de tratamento ou cortesia: senhor Silva, cardeal Santos… A letra inicial tanto pode ser maiúscula como minúscula em: – títulos de livros, excepto na primeira palavra: Amor de perdição ou Amor de Perdição. – nomes que designam cursos e disciplinas: matemática ou Matemática. – designações de arruamentos: rua da Liberdade ou Rua da Liberdade. – designações de edifícios: igreja do Bonfim ou Igreja do Bonfim.

3. Supressão das letras c e p em sequências de consoantes (Base IV) As letras c e p são suprimidas sempre que não são pronunciadas pelos falantes mais instruídos, como acontece em algumas sequências de consoantes: ação, ótimo, ata, ator, adjetivo, antártico, atração, coletânea, conceção, letivo, noturno, perentório, sintático… As letras c e p mantêm-se apenas nos casos em que são pronunciadas: facto, apto, adepto, compacto, contacto, corrupção, estupefacto, eucalipto, faccioso, fricção, núpcias, pacto, sumptuoso… Assim, tal como na oralidade, na escrita temos Egito e egípcio. Aceita-se a dupla grafia quando se verifica oscilação na pronúncia culta, como em sector e setor. Já existiam em português outras palavras com mais de uma grafia, como febra, fevra e fêvera. 41


As letras b, g e m mantêm-se na escrita em português europeu padrão de sequências idênticas de consoantes: subtil, súbdito, amígdala, amnistia, omnipresente… A letra h mantém-se tanto no início e no fim de palavra como nos dígrafos ch, lh e nh: homem, oh, chega, mulher, vinho.

4. Supressão do acento em palavras graves (Base IX) O acento agudo é suprimido das palavras graves cuja sílaba tónica contém o ditongo oi. Generaliza-se portanto a regra já aplicada em dezoito e comboio. Assim, passamos a ter: joia, heroico, boia, lambisgoia, alcaloide, paranoico… O acento circunflexo é suprimido das formas verbais graves, da terceira pessoa do plural, terminadas em eem. Assim, passamos a ter: leem, veem, creem, deem, preveem… O acento gráfico, agudo ou circunflexo, é suprimido das palavras graves que não têm homógrafas da mesma classe de palavras. Assim, para pode ser uma preposição ou uma forma do verbo parar, tal como acordo já podia ser um nome ou uma forma do verbo acordar. Outros exemplos são: acerto (verbo ou nome), coro (verbo ou nome), fora (verbo ou advérbio)… O acento agudo mantém-se na escrita em português europeu padrão das formas verbais da primeira pessoa do plural, do pretérito perfeito do indicativo, dos verbos da primeira conjugação: gostámos, levámos, entregámos, andámos, comprámos…

5. Supressão e/ou substituição do hífen em palavras compostas e derivadas, formas verbais e locuções (Bases XV-XVII) O hífen é suprimido das palavras derivadas em que a última letra do primeiro elemento – o elemento não autónomo – é diferente da primeira letra do segundo elemento: autoavaliação, autoestrada, agroindústria, antiamericano, bioalimentar, extraescolar, neoidealismo… O hífen mantém-se nas derivadas começadas por ex, vice, pré, pós, pró, circum seguido de vogal ou n, pan seguido de vogal ou m, ou ab, ad, ob, sob ou sub seguido de consoante igual, b ou r. Assim, continuamos a ter: pós-graduação, pan-americano, sub-região… O hífen mantém-se nas derivadas em que o segundo elemento começa por h, r ou s. No primeiro caso, mantém-se a regra anteriormente em vigor: anti-herói, pan-helénico… O hífen é suprimido de palavras cuja noção de composição se perdeu, tal como já tinha acontecido com pontapé. Assim, passamos a ter: paraquedas, mandachuva…

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O hífen é substituído por r ou s , duplicando-o, nas palavras derivadas e compostas acima referidas em que a última letra do primeiro elemento é uma vogal e a primeira letra do segundo elemento é um r ou um s: semirrígido, suprassumo, antirroubo, antissemita, girassol, madressilva, ultrassecreto… O hífen é substituído por um espaço em branco nas locuções substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais: fim de semana, cão de guarda, cor de vinho… O hífen é substituído por um espaço em branco nas quatro formas monossilábicas do verbo haver seguidas da preposição de : hei de, hás de, há de e hão de. Mantém-se a ortografia em exceções pontuais tais como desumano, cor-de-rosa, coocorrência. O hífen mantém-se em todos os restantes casos: – generalidade das compostas: cobra-capelo, ervilha-de-cheiro, mal-estar, tenente-coronel… – derivadas em que a última letra do primeiro elemento é igual à primeira letra do segundo elemento: anti-ibérico, hiper-realista… – formas verbais seguidas de pronome pessoal dependente: disse-lhe, disse-o, dir-te-ei… – encadeamentos vocabulares: estrada Lisboa-Porto, ponte Rio-Niteroi…

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GUIÃO DE LEITURA A menina do mar Sophia de Mello Breyner Andresen1

Parte 1 Conheces bem esta narrativa de Sophia de Mello Breyner Andresen?

1. Completa os quadros com as personagens desta narrativa. Personagens principais

Figurantes

Mantêm uma amizade contra todas as ameaças

Surgem nas festas para compor o ambiente

Personagens secundárias a) Amigos b) Opõe-se da Menina do Mar aos desejos da Menina do Mar

c) Denunciam as conversas da Menina do Mar e impedem a sua fuga

d) Ajuda a Menina e) É enviada em do Mar nome da Menina do Mar

f) Serve de meio de transporte para o reencontro tão desejado

2. Para cada alínea, indica um espaço referido no texto. a) Local onde se deu o primeiro encontro da Menina do Mar com o rapaz. _____________________________________________________________________________________________________________________________________

b) Primeira habitação da Menina do Mar e dos seus amigos. _____________________________________________________________________________________________________________________________________

c) Lugar onde a menina dançava para a grande Raia e os seus convidados. _____________________________________________________________________________________________________________________________________ 1

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Sophia de Mello Breyner Andresen, A menina do mar, s.d., Figueirinhas


d) Espaço atravessado pelo rapaz para ir ao encontro da Menina do Mar. _____________________________________________________________________________________________________________________________________

e) Local onde o rapaz veio a reencontrar-se com a menina. _____________________________________________________________________________________________________________________________________

f) Lugar onde a menina dançou para o Rei do Mar. _____________________________________________________________________________________________________________________________________

3. Em cada série de referências ao tempo da ação, sublinha a que corresponde à indicação dada. a) O rapaz e a Menina do Mar conheceram-se nessa época do ano. Início do outono (equinócio)

Fim do inverno

Começo da primavera

b) O rapaz partiu à procura da Menina do Mar nessa altura. outono

inverno

primavera

c) Foi então que a menina dançou para o Rei do Mar. Depois da partida do rapaz

Antes da partida do rapaz

Antes do primeiro encontro entre a menina e o rapaz

4. As indicações seguintes dizem respeito à ação. Regista no quadro as alíneas correspondentes às ações principais das personagens, ou seja, as ações que contribuem para o avanço da narrativa. a) Os búzios contam à Raia as conversas da menina com o rapaz.

c) O caranguejo cozinha e o polvo põe a mesa.

b) Os polvos atacam. d) A menina dança para a grande Raia.

e) O rapaz, a menina e os seus amigos abraçam-se, muito felizes.

g) O rapaz bebe um filtro.

i) Uma gaivota traz a menina para a praia.

f) O Rei do Mar chama uma gaivota.

h) A Raia decide castigar a menina.

j) O rapaz e a menina nadam juntos e contam histórias.

Ações principais

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5. Completa cada afirmação sobre o narrador, selecionando a alínea correcta. 5.1 O narrador da história da Menina do Mar e do rapaz a) não participa nessa história, por isso é um narrador ausente. b) participa na história, por isso é um narrador presente na ação. c) só participa numa parte da história. d) também é o narrador do momento do texto em que ficamos a conhecer como é a vida da menina com os seus amigos e como bailarina da Raia.

5.2 O episódio do encontro da menina com o Rei do Mar é a) contado pelo mesmo narrador que conta a história da Menina do Mar e do rapaz. b) é narrado pela própria Menina do Mar. c) é narrado pelo próprio Rei do Mar. d) é contado pelo rapaz. 5.3 Em relação a esse episódio, podemos dizer que a) o narrador decide contá-lo aos poucos, interrompendo de vez em quando a história do encontro do rapaz com a Menina do Mar.

b) o narrador decide contar uma parte da história que não tem grande importância para a ação. c) há uma mudança de narrador, que contribui para o leitor ficar a saber o que ainda vai acontecer. d) há uma mudança de narrador, que permite ao leitor ficar a saber o que se passou antes. 6. Assinala a alínea correta para completar a frase. Esta narrativa é

a) uma narrativa aberta, porque não está concluída a história do encontro, da separação e do reencontro da Menina do Mar e do rapaz.

b) uma narrativa aberta, porque é possível começar a contar uma história sobre o Rei do Mar. c) uma narrativa fechada, porque está concluída a história do encontro, da separação e do reencontro da Menina do Mar e do rapaz.

d) uma narrativa fechada, porque não se sabe mais nada sobre a Raia.

Parte 2 Conheces os pormenores do texto? O início Antes da escrita Relê os versos iniciais e os cinco primeiros parágrafos de A Menina do Mar (pp. 5-7).

1. Que relação existe entre os versos e os dois primeiros parágrafos da narrativa? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ 46


2. No terceiro e no quarto parágrafos, faz-se a descrição da praia. Transcreve a frase que nos dá a visão geral da praia. _________________________________________________________________________________________________________________________________________

2.1 Completa o quadro com os elementos descritivos da praia. Maré alta

Maré vaza

2.2 Dá exemplos dos seguintes recursos expressivos usados na descrição da praia: a) Uso de adjetivos b) Enumeração c) Personificação

2.3 Na descrição da praia, são várias as passagens que nos transmitem sensações visuais, auditivas, olfativas ou táteis. Diz qual ou quais dessas sensações correspondem às passagens seguintes:

a) «[…] ondas que vinham crescendo do longe até quebrarem na areia com um barulho de palmas». ___________________________________________________________________________________________________________________________________

b) «Havia pedras de todas as cores e feitios, pequeninas e macias, polidas pelas ondas» ___________________________________________________________________________________________________________________________________

c) «E a água do mar era transparente e fria» ___________________________________________________________________________________________________________________________________

d) «[…] abrindo e fechando o seu manto roxo» ___________________________________________________________________________________________________________________________________

e) «[…] o verde das algas, o cheiro da maresia, a frescura transparente das águas» ___________________________________________________________________________________________________________________________________

3. Diz qual era o desejo do «rapazinho da casa branca». _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

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4. «Em setembro veio o equinócio.» A mudança de estação do ano trouxe mudanças na natureza. Descreve-as. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

4.1 Retira a passagem que te parece transmitir melhor a violência do mar na noite de temporal. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

O primeiro dia Relê o texto compreendido entre as passagens «De manhã, quando acordou, tudo estava calmo» e «Foi para casa muito espantado com o que tinha visto e durante esse dia não pensou noutra coisa» (pp. 7-12).

1. Seleciona, no texto, a passagem que indica um contraste entre o som do mar quando o rapazinho acordou e o som do vento e do mar na noite anterior. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

1.1 O mar e o vento surgem personificados nessa passagem. Explica porquê. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

2. «Pareciam castelos fantásticos, brancos mas cheio de reflexos de mil cores.» Que comparação é estabelecida nesta passagem? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

3. «Começou por seguir um fio de água muito claro […]». Reconstitui o percurso feito pelo rapaz até ao local onde se deitou a apanhar sol. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

4. Diz o que chamou a atenção do rapaz quando estava deitado na rocha. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ 48


5. A que se refere cada uma das interjeições e onomatopeias usadas no texto? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

5.1 Qual dos sons causou maior impressão no rapaz? Porquê? ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

6. «Com muito cuidado, para não fazer barulho, levantou-se e pôs-se a espreitar escondido entre duas pedras». Descreve o que o rapazinho viu. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

O segundo dia Relê o texto compreendido entre as passagens «Na manhã seguinte mal acordou foi a correr para a praia» e «E assim ficou combinado» (pp. 12-19).

1. Procura, no texto, as passagens seguintes: «—Ai, ai, ai! Que desgraça!» «— Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe, acudam-me, salvem-me […].»

1.1 Identifica nas passagens e regista no quadro os exemplos dos recursos indicados. a) Interjeições b) Vocativos c) Tipos de frase

1.2 Que nos transmitem essas passagens do texto? ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

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1.3 Por que razão a Menina do Mar reage mal ao gesto do rapaz? ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Localiza, no texto, o relato da Menina do Mar. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

2.1 Explica de que forma o aspeto físico do peixe permite que ele seja o melhor amigo da menina. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

2.2 «Tu nunca foste ao fundo do mar e não sabes como lá tudo é bonito.» Regista os elementos que a menina refere, para descrever o fundo do mar. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

2.3 Faz a caracterização da Grande Raia. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

3. O que combinam o rapaz e a menina? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ O terceiro, o quarto e o quinto dia Relê o texto compreendido entre as passagens «No dia seguinte, logo de manhã, o rapaz foi ao seu jardim […]» e «Até que a maré subiu e o rapaz foi-se embora» (pp. 19-26).

1. Explica os efeitos que a rosa causou na menina e a sua conclusão sobre a terra. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

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2. O que lhe ensinou o rapaz nesse dia? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

3. O segundo presente trazido pelo rapaz também serviu para explicar algo da terra. De que explicação se tratou? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

3.1 Seleciona a alínea correta para completar cada afirmação. • «– É um sol pequenino – disse a Menina do Mar.» Nesta passagem, encontramos uma a) personificação. b) comparação. c) metáfora. d) enumeração. • «[…] enlouquece e fica mais ávido, mais cruel e mais perigoso do que todos os animais ferozes». Nesta passagem, encontramos uma

a) personificação. b) comparação. c) metáfora. d) enumeração. 4. O rapaz e a menina desejavam mostrar os seus mundos, mas tal não é possível. O que fazem para os dar a conhecer um ao outro? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

5. «E a menina bebeu o vinho […]» 5.1 Faz o reconto da história do vinho. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ 51


5.2 O que aprendeu então a menina com a história do vinho? ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

5.3 Transcreve a passagem do texto que indica características do mar opostas ao que a menina aprendeu sobre a terra. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

5.4 Associa então cada uma das ideias seguintes a um dos espaços (o mar e a terra): variedade, eternidade, mudança, permanência. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

6. Como sabes, a Menina do Mar não podia conhecer a terra através da «visão», mas o rapaz trouxe-lhe presentes para lhe poder explicar como era o seu mundo. Quais dos cinco sentidos se relacionam com esses presentes e permitem à menina ir conhecendo as «coisas da terra», mesmo sem as ver? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

O sexto dia Relê o texto compreendido entre as passagens «No outro dia o rapaz veio para as rochas com o balde» e «Foi para casa devagar» (pp. 19-20).

1. Por que razão o rapaz trazia um balde? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Resume os acontecimentos desse dia. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

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3. Explica a razão por que o rapaz foi para casa «devagar». _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

Dias e dias Relê o texto compreendido entre as passagens «Passaram dias e dias» e «Aí estavam os antigos navios naufragados com os seus cofres carregados de oiro e os seus mastros quebrados cobertos de anémonas e conchas» (pp. 29-31).

1. Este momento do texto tem início com referências ao tempo cronológico e ao tempo meteorológico. Indica-as. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Como reage o rapaz à possibilidade de beber a «água muito clara e luminosa»? Justifica a tua resposta. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

2.1 Apresenta as razões que o levam a reagir dessa forma. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

3. Das «coisas da terra» explicadas pelo rapaz, a menina aprendera uma especial. Qual? _________________________________________________________________________________________________________________________________________

4. Na sua travessia do mar dos Sargaços, o rapaz pôde ver vários elementos. Enumera-os. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

Após sessenta dias e sessenta noites Relê o texto compreendido entre as passagens «depois de nadarem sessenta dias e sessenta noites» e o final da narrativa (pp. 32-36).

1. Descreve a morada da Menina do Mar. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Que sentimento dominava a menina e os seus companheiros antes da chegada do rapaz? _________________________________________________________________________________________________________________________________________

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2.1 Que comportamentos dessas personagens nos revelam esse sentimento? ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

3. Dá exemplos de frases exclamativas usadas no momento do reencontro e diz o que demonstram. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

4. Localiza, no texto, a narrativa da Menina do Mar. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

4.1 Diz qual é o seu assunto. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________

5. Se esta história fosse filmada, qual seria a última cena desse filme? _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________

6. Dá a tua opinião sobre A Menina do Mar, enquanto leitor desta obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, justificando. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________ 54


SOLUÇÕES DO GUIÃO DE LEITURA PARTE 1 1. Personagens principais: Menina do Mar e rapaz. Figurantes: tubarões, baleias, peixes, cavalos-marinhos, búzios e tartarugas. Personagens secundárias: a) Polvo, caranguejo e peixe. b) Grande Raia. c) Búzios e polvos. d) Rei do Mar. e) Gaivota. f) Golfinho. 2. a) Praia perto da casa onde o rapaz vivia. b) Gruta. c) Fundo do mar. d) Mar dos Sargaços. e) Gruta, numa ilha distante. f) Palácio. 3. a) Início do outono (equinócio); b) Inverno; c) Antes da partida do rapaz. 4. Acções principais: a), b), e), f), g), h), j). 5. 5.1. a). 5.2. b). 5.3. d). 6. b).

PARTE 2

O início 1. Ambos falam de uma casa branca em frente ao mar, rodeada por um jardim de areia, com flores. 2. A frase é a seguinte: «Era uma praia muito grande e quase deserta onde havia rochedos maravilhosos». 2.1. Maré alta: rochedos cobertos de água; ondas crescendo do longe e a quebrar na areia com um barulho de palmas. Maré vaza: rochas cobertas de limos, búzios, anémonas, lapas, algas e ouriços; poças de água, rios, caminhos, grutas, arcos, cascatas; pedras de todas as cores e feitios, pequeninas e macias, polidas; água do mar transparente e fria; passava um peixe; passavam vinagreiras e caranguejos. 2.2. a) «maravilhosos», «pequeninas e macias, polidas», «transparente e fria»… b) «Havia poças de água, rios, caminhos, grutas, arcos, cascatas»… c) «E os caranguejos corriam por todos os lados com uma cara furiosa e um ar muito apressado». 2.3. a) Visão e audição; b) Visão e tato; c) Visão e tato; d) Visão; e) Visão, olfato e tato. 3. O rapazinho desejava ser um peixe, para ir ao fundo do mar sem se afogar. 4. Com o equinócio, vieram «marés vivas, ventanias, nevoeiros, chuvas, temporais». O mar varria a praia e subia até à duna.

4.1. A passagem é a seguinte: «Parecia que as ondas iam cercar a casa e que o mar ia devorar o Mundo».

O primeiro dia 1. A passagem é a seguinte: «Já não se ouviam gemidos do vento, nem gritos do mar, mas só o doce murmúrio das ondas pequenas». 1.1. O vento e o mar surgem personificados, porque se usam os nomes «gemidos», «gritos» e «murmúrio» que se relacionam com a fala, própria dos humanos. 2. Nesta passagem, é estabelecida a comparação entre as «fileiras de espuma» e os «castelos». 3. O rapaz seguiu o fio de água e foi dar a uma grande poça de água. Depois, continuou o seu caminho através das rochas, para o lado sul da praia, que era uma zona onde nunca havia ninguém. 4. O que chamou a atenção do rapaz foi o som de gargalhadas. 5. As interjeições e as onomatopeias referem-se às gargalhadas do polvo («Oh! Oh! Oh!»), do caranguejo («Que! Que! Que!»), do peixe («Glu!Glu!Glu!») e da Menina do Mar (Ah! Ah! Ah!). 5.1. O som que causou maior impressão no rapaz foi o da gargalhada da Menina do Mar, porque era «como uma gargalhada humana, mas muito mais pequenina, muito mais fina e clara». O rapaz nunca tinha ouvido uma voz tão clara, «era como se a água ou o vidro se rissem». 6. O rapazinho viu um grande polvo, um caranguejo, um peixe e uma menina a rirem-se. Viu que a menina media um palmo de altura, tinha cabelos verdes, olhos roxos e um vestido feito de algas encarnadas. O rapaz viu-os a rir e a nadar numa poça. Depois, viu o peixe a bater palmas com as barbatanas na água, o caranguejo a tocar castanholas com as suas tenazes e o polvo a tocar guitarra com os seus braços, enquanto a menina dançava em cima de uma rocha. Finalmente, viu-os partir.

O segundo dia 1. 1.1. a) «Ai, ai, ai!»; b) «Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe»; c) tipo exclamativo: «– Ai, ai, ai! Que desgraça!» / tipo imperativo: «– Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe, acudam-me, salvem-me […].» 1.2. Essas passagens transmitem-nos a aflição da Menina do Mar. 1.3. A Menina do Mar reage mal ao gesto do rapaz, porque julga que ele a quer fritar. 2. O relato da Menina do mar localiza-se entre as passagens «— Eu sou uma menina do mar» e «E agora que já te contei a minha história leva-me outra vez para o pé dos meus amigos que devem estar aflitíssimos». 2.1. Como não tem braços, o peixe não pode trabalhar nem pôr a menina de castigo, por isso só brinca com ela. 2.2. A menina refere as «florestas de algas», os «jardins de anémonas», os «prados de conchas», os «cavalos-marinhos suspensos na água com um ar espantado, como pontos de interrogação»,

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SOLUÇÕES DO GUIÃO DE LEITURA as «flores que parecem animais», os «animais que parecem flores», as «grutas misteriosas, azuis escuras, roxas, verdes» e as «planícies sem fim de areia fina, branca, lisa». 2.3. A Grande Raia é enorme, sendo capaz de engolir barcos e homens, tem cara de má e está sempre com fome. Detesta os homens e os peixes. 3. O rapaz e a menina combinam que, no dia seguinte, o rapaz lhe traria uma «coisa da terra».

O terceiro, o quarto e o quinto dia 1. Ao cheirar a rosa, a menina ficou tonta e um pouco triste. A menina concluiu que, na terra, havia tristeza dentro das coisas bonitas. 2. O rapaz ensinou à menina que a saudade era a tristeza que ficava em nós, quando as coisas de que se gostávamos se iam embora. 3. O rapaz ensinou à menina o que era o fogo. Disse-lhe que era alegre, mas queimava. Explicou-lhe que, quando era pequeno, se apagava facilmente, mas quando era grande podia devorar florestas e cidades. Também lhe explicou que o fogo é útil ao homem, quando serve para o aquecer, para cozinhar e para iluminar, mas tornava-se muito perigoso quando crescia de mais. 3.1. c), b). 4. A menina e o rapaz contaram um ao outro as histórias do mar e as histórias da terra. 5. 5.1. No inverno, a videira parece morta, mas, na primavera, enche-se de folhas e, no verão, enche-se de cachos de uvas. No outono, os homens colhem os cachos de uvas, põem-nos em grandes tanques de pedras e pisam-nos para fazer escorrer o seu sumo. O vinho é feito do sumo dos frutos da videira. 5.2. A menina aprendeu o que eram o vinho, a videira, as uvas e os cachos. Ao provar o vinho, a menina soube o que era o sabor da primavera, do verão, do outono e dos frutos, e soube também o que era a frescura das árvores e como era o calor de uma montanha ao sol. 5.3. A passagem é a seguinte: «O mar é uma prisão transparente e gelada. No mar não há primavera nem outono. No mar o tempo não morre. As anémonas estão sempre em flor e a espuma é sempre branca». 5.4. Mar: eternidade, permanência. Terra: variedade, mudança. 6. Olfato: rosa. Tato: fogo. Paladar: vinho.

Dias e dias 1. Tempo cronológico: «Até que chegou o inverno», «numa manhã». Tempo meteorológico: «O tempo estava frio […] e chovia quase todos os dias», «nevoeiro». 2. O rapaz reage com muito entusiasmo à possibilidade de beber a água muito clara e luminosa, porque disse: «– Vou beber já». 2.1. O rapaz sente muitas saudades da Menina do Mar, por isso, está desejoso de ir ao seu encontro. Para além disso, o rapaz sempre desejou ser como um peixe. 3. A menina aprendera o que é a saudade. 4. O rapaz observou: as «grandes baleias», os «grandes vapores», os «icebergues», os «veleiros», os «marinheiros» e os «antigos navios naufragados».

Após sessenta dias e sessenta noites 1. A morada da Menina do Mar era uma gruta de coral, com o chão de areia branca e fina e um jardim de anémonas azuis à sua frente. Essa gruta ficava numa ilha distante. 2. A menina e os seus companheiros estavam tristes. 2.1. A menina, o polvo, o caranguejo e o peixe estavam a brincar quietos, tristes e calado, e de vez em quando a menina suspirava. 3. As frases exclamativas são as seguintes: «Estou aqui!», «Cheguei!», «Sou eu!» e «Estou tão feliz, tão feliz, tão feliz!». Estas frases demonstram a alegria das personagens. 4. A narrativa da Menina do mar localiza-se entre as passagens «– Estou tão feliz, tão feliz, tão feliz! Pensei que nunca mais te ia ver» e «E foi assim que eu consegui que tu voltasses». 4.1. A Menina do Mar conta ao rapaz que dançara mal numa festa do Rei do Mar, e este, ao perceber que ela estava triste, decidira enviar a gaivota com o filtro, para que o rapaz pudesse ir ter com ela. 5. Seria a cena da festa do Rei do Mar, que apareceria, no final, «sentado no seu trono de nácar, rodeado de cavalos-marinhos», com «o seu manto de púrpura» a flutuar «nas águas.»

1. O rapaz trazia o balde, porque, na véspera, tinha combinado com a menina levá-la a conhecer a terra. 2. O rapaz chegou à praia com o balde, mas a menina informou-o de que a Raia a proibira de ir com ele e que os polvos a levariam para uma praia distante. O rapaz sugeriu que fugissem juntos, mas os polvos atacaram-no e deixaram-no desmaiado. 3. O rapaz foi para casa «devagar», porque estava desanimado e triste com o desenrolar dos acontecimentos.

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P5 – Caderno de Apoio ao Professor

O sexto dia


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