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Foto de: Damaris de la Cueva Título: “Creación” © 2014 Todos os direitos reservados Damaris de la Cueva & Anima Mystica Revista Digital


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Índice dos Artigos 8

Hermes: O Deus de duas caras Valentina Ramos

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A geografia cósmica da Árvore na mitologia escandinava Valquíria Valhalladur

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Portugal desterra Samhain do Calendário Fernando González

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A luz do divino Entrevista realizada a Jean-Louis de Biasi, Grande Mestre da Aurum Solis Eduardo Puente e Valentina Ramos

Também, neste número: Uma invocação a Hermes, como Deus da mente boa Estado de Consciência Por Lurdes Neves

Hino aos Deuses


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Anima Mystica Revista Digital ISSN: 2182-7176 Editores:  Luís Miranda  Eduardo Puente  Valentina Ramos

Neste número colaboraram:

 Capítulo Rosacruz do

Porto  Fellowship of Isis-

Portugal

Editorial

 Silver Circle  Lurdes Neves

Olá a todos aqueles que nos seguem por todo o

 Céu Almeida

mundo! Um dos principais objetivos da Anima

 Maria Antónia

Mystica Revista Digital tem sido o de levar artigos

 Confesión Religiosa

sobre misticismo e esoterismo a toda a comunidade de

Wicca, Tradición Celtíbera

língua Português de forma online e gratuita. É o que

 Damaris de la Cueva

Ao mesmo tempo , temos tido uma grande variedade

 Orden Aurum Solis

de colaboradores e expandido através das redes

nos tem distinguido das outras publicações do género.

sociais. Este número conta novamente com o apoio de Anima Mystica Revista Digital, é uma publicação trimestral dirigida à divulgação e discussão de assuntos relacionados com o misticismo e o mundo esotérico (dentro e fora de Portugal), sob uma perspectiva que se estende desde as nossas raízes ancestrais até aos eventos de expressão pagã dos nossos dias.

todas as pessoas que nos leem e caracteriza-se por ser maioritariamente constituído por artigos escritos originalmente em outras línguas, pelo que neste número, mais do que qualquer outro, conta com as traduções feitas por nossos parceiros que tem contribuído com o seu tempo para o sucesso da revista. A Anima Mystica Revista Digital continua a crescer. Nós, como editores, estamos entusiasmados com boa receção da parte de todos. Sabemos que novos temas começam a surgir com novas colaborações e


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Contactos Anima Mystica Revista Digital Facebook: https://www.facebook.com/groups/ am.revistadigital/ E-mail: am.revistadigital@gmail.com Download gratuito dos números: http://issuu.com/am.revistadigital

amizades que foram moldadas ao longo deste tempo. A Revista Digital Anima Mystica vive os ciclos da natureza e sabe que todos os processos têm seus altos e baixos. Mas o nosso empenho e dedicação serão sempre orientados em para os nossos leitores, em ouvir as opiniões e experiências de quem vive e deseja compartilhar a magia da vida. Este número chega com a Primavera e pretende alimentar-se dos raios do sol que vai ganhando força e, assim, alimentar os nossos leitores com a luz do conhecimento e experiência. Juntos somos muito mais do que a soma dos indivíduos. Esperamos que esta comunidade cresça e se fortaleça unida, para que os mistérios se revelem e a vida se multiplique!

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Hermes : O Deus de duas caras * Valentina Ramos ** Hermes, Hermetismo, Hermético… Como evoluiu este Deus desde o seu mito até ao Misticismo? Confesso que não foi fácil quando me deparei com a tarefa de escrever sobre Hermes. Hermes que é a figura divina que todos conhecem e que, ao mesmo tempo, é um dos principais desconhecidos dentro do mundo esotérico. Em seguida, vieram ideias não só de falar sobre as Leis Herméticas mas também acerca de do deus Mercúrio, do Deus alado que guia os viajantes. Veio-me à mente falar de Thot, o sábio e de Hermes, o ladrão. À minha mente vieram palavras como comunicação e aprendizagem, e palavras como engano e roubo. Falar de Hermes foi, então, complicado, porque Hermes não é simples: Hermes é dual. "Hermes… profeta do discurso… De vários discursos, de quem a ajuda pode encontrar para o trabalho, e na necessidade para os mortais. Arma de língua terrível, reverenciada por homens, assiste e escuta esta súplica Hermes; observa o meu trabalho, conclui a minha vida em paz, provê discurso gracioso e acrescenta às memórias” Hino Órfico 28 a Hermes Contudo, não existe um consenso sobre se Hermes, três vezes grande, é uma derivação do deus grego, ou se ambos são entidades separadas. Existe, além disso, outros autores que falam de três entidades chamadas de Hermes: o Hermes “Tradicional”, o Hermes Egípcio na sua forma de Thot e que, mais

tarde, passou a ser chamado “Hermes Trimegistus”, e Hermes, o humano. Este último, também conhecido como pseudo-Hermes Trimegistus, foi o nome que foi dado tanto a um filósofo/religioso, como a um astrólogo/ alquimista/mágico [1]. No entanto, ainda que todas as forma de Hermes pareçam adotar uma identidade específica, continuam a ser formas que podemos relacionar com o Deus do Caduceu, com o mensageiro dos Deuses.

“Ainda que todas as forma de Hermes pareçam adotar uma identidade específica, continuam a ser formas que podemos relacionar com o Deus do Caduceu, com o mensageiro dos Deuses.” Se pensarmos em Hermes, o Deus, temos de fazer referência ao seu nascimento como o filho de Zeus e de Maia, de acordo com os relatos de Homero. Hermes cresceu, milagrosamente rápido, aprendeu a caçar, e faz uma lira a partir da carapaça de uma tartaruga. A esta lira faltavam-lhe as cordas e para isso utilizou as entranhas de umas vacas que roubou ao Deus Apolo [2]. Com a chegada dos gregos ao Egipto, Hermes fundiu-se com Thot, aumentou a sua popularidade e apareceu nos papiros mágicos [3]. Os gregos pouco a pouco adotaram o

* Traduzido por Maria Antónia. Revisto por Luís Miranda

** Sobre a autora: Valentina Ramos é Licenciada em Psicologia, Mestre em Comunicação e Doutora em Psicologia. É iniciada em varias escolas esotéricas e é membro da Fellowship of Isis, com sede em Portugal. A autora pode ser contactada através de seu email: valia.ramos@gmail.com


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costume egípcio de celebrar Thot, até ao ponto de fazer coincidir com as festas a Hermes, as Hermaea, com as festas ao Deus Egípcio.

“A pesar de ser um único Hermes Trimegistus, ou um conjunto de sábios com este nome, os seus relatos escritos deram origem à Tradição Hermética que chega até aos nossos dias .” Por sua vez, Hermes Trimegistus relacionouse com a linguagem, a escritura, a religião, a música, a astronomia e foi visto como o pai da sabedoria, da filosofia e da teologia. Este Hermes Trimegistus tinha forma humana e era o professor dos sacerdotes. A pesar de ser um único Hermes Trimegistus, ou um conjunto de sábios com este nome, os seus relatos escritos deram origem à Tradição Hermética que chega até aos nossos dias [4]. “Rogamos a dádiva da tua graça, a instrução, o dom de Hermes.” Calímaco, Fragmentos Iambi 21 A figura arquetípica de Hermes mostra-o como um Deus jovem, apesar deste Deus ter aparecido de forma tardia no panteão grego. No entanto, outras imagens de Hermes apresentam-no como um Deus barbudo e velho. Apresentava-se, habitualmente, envergando umas sandálias aladas e por segurar nas suas mãos uma varinha heráldica, conhecido como kerykeion pelos povos gregos e caduceu pelos povos romanos. Nos nossos dias, o símbolo do caduceu, ainda é reconhecido como o símbolo da medicina. No entanto, as suas origens não são muito claras. Por um lado, o caduceu estava relacionado mais intimamente com a sabedoria do que com o ato de curar. Por outro lado, fala-se da estreita relação entre a alquimia e

a medicina, onde um dos três elementos essenciais para o processo alquímico é o mercúrio, representado como o espírito. Era muito comum, então, encontrar o símbolo do planeta mercúrio, assim como o nome do Deus Hermes, como símbolo deste elementos nos relatos escritos dos alquimistas. Porém, não existe uma relação direta entre o caduceu, a medicina e Hermes [1]. O caduceu de Hermes, cuja tradução se relaciona com a palavra “heráldico”, é composto por duas serpentes entrelaçadas numa vara alada, como representação da harmonia da relação dos contrários. Conta a lenda, que Hermes viu duas serpentes a lutar entre si e, por isso, colocou a varinha que trazia sempre consigo no meio das duas serpentes que, assim se enroscaram em redor desta e, pararam de lutar [5]. Foi desta maneira, que o caduceu passou a ser o símbolo da Harmonia que se estabelecia a partir da existência de duas formas contrárias e uma terceira forma que atua como mediador entre ambas: energias passivas, ativas e neutras. Outro mito narra o intercâmbio que se produziu entre Hermes e Apolo, onde Hermes cedeu a sua lira a Apolo e este, em troca, oferece-lhe o seu caduceu. Isto é, de acordo com esta história, Apolo foi o primeiro dono do caduceu e o processo de intercâmbio entre ambos os Deuses, outorgou ao caduceu (e ao seu dono) o seu significado mercantil [6]. Ao mesmo tempo, as duas serpentes do caduceu aparecem olhando-se frente a frente, como no reflexo de um espelho, o que reforça a história de ser Apolo o primeiro dono do caduceu. Este olhar para um reflexo poderia ser a interpretação gráfica do “conhece-te a ti mesmo, do oráculo de Apolo.

“Desta maneira, o caduceu passou a ser o símbolo da Harmonia que se estabelecia a partir da existência de duas formas contrárias e uma terceira forma que atua como mediador entre ambas: energias passivas, ativas e neutras.”


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Hermes foi conhecido em Roma como Mercúrio, derivado do latim “merx”, que foi a raiz de palavras como mercador, mercado e comércio e de palavras como mercê e misericórdia. Neste sentido, Hermes-Mercúrio era visto como o Deus do comércio e como o Deus da comunicação. Os mercadores eram, não só aqueles que traziam os produtos, mas também aqueles que traziam notícias e informação. Eram os mensageiros, papel que é atribuído a Hermes, por excelência. Já que Hermes era o responsável por levar os homens de um estado ao outro: do dia à noite, da vida à morte. “Hermes, eu chamo-te, tu a quem o destino decreta viver perto de Kokytos, o renomado rio do Hades, e no temido caminho da necessidade, cuja fronteira a ninguém permite o regresso quando é alcançada.” Hino Órfico 57 a Hermes Ctoniano Esta característica era partilhada por Thot que também era o responsável por levar as almas ao Inframundo, no entanto, Hermes não levava apenas as almas até Hades, mas era igualmente responsável por trazer as almas de volta à vida. Por esta razão, foi denominado “psicopompos”: o guia das almas; e era o único deus (para além de Hades e Perséfone) que podia entrar e sair do Inframundo [7]. Hermes-Thot era o deus das fronteiras. Atravessava as fronteiras visíveis e as fronteiras invisíveis.

“Hermes não levava apenas as almas até Hades, mas era igualmente responsável por trazer as almas de volta à vida.”

Um dos elementos que se colocavam nas fronteiras físicas foram as hermas ou estátuas de Mercúrio, consagradas a Hermes. As

hermas eram pilares de pedra, geralmente, ornamentadas com cabeças humanas e símbolos fálicos que se colocavam para demarcar os lugares. Esta relação entre Hermes e os símbolos fálicos, fizeram deste Hermes um Deus da fertilidade. No entanto, alguns autores argumentam que os falos associados a Hermes, mais do que fertilidade, eram amuletos mágicos que podiam trazer bendições ou maldições, dependendo do seu uso [8]. Muitos pensavam que as estatuas eram homens que haviam sido amaldiçoados a permanecer imóveis, a olhar os que passavam de um lado para o outro, incapazes de poder prevenir, alertar ou guiar alguém. “Arauto supremo dos domínios acima e dos domínios em baixo, Ó Hermes Khthonios, vêm em meu auxílio, convoca a mim os espíritos sob a terra para que ouçam as minhas preces, espíritos que vigiam a casa de meu pai, e a própria Gaia, que dá à luz a todas as coisas, e que tendo o seu cuidado amoroso sobre elas recebe o seu incremento de volta. E, enquanto, se derramam estas ofertas purificadas para os mortos, eu invoco meu pai… E, pronuncio estas preces em nosso nome, mas peço que o teu vingador apareça aos nossos adversários, pai, e que os teus assassinos possam ser mortos em justa retribuição.” [7]. Ésquilo, A Libação dos Portadores A sua capacidade de cruzar as fronteiras entre os mundos humanos e divinos também o tornaram capaz de conjurar e usar a magia, e em muitas ocasiões, invocava-se o nome de Hermes para lançar maldições. De facto, existiam umas “tábuas de maldições”, onde se escrevia e enterrava o pedido de maldição aos Deuses, para que a pessoa amaldiçoada levasse consigo a maldição até o outro mundo [7]. Hermes também era invocado nos oráculos. Teve uma grande descendência e um dos seus filhos foi com Afrodite: Hermafrodito. Conta a lenda que Hermafrodito era realmente belo e que o seu amor pela ninfa Salmacis fez com que pedisse aos Deuses que nunca mais os separasse. Deste modo, ambos os


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corpos se fundiram num só, ao mesmo tempo homem e mulher [7]. Daqui se deriva a palavra hermafrodita.

“Hermes vêm recordar-nos que não somos um só, mas que somos duais.”

Referências bibliográficas: [1] Friedlander, Walter J. (1992).The Golden Wand of Medicine: A History of the Caduceus Symbol in Medicine [2] Kathleen N. Daly; Marian Rengel (2009) Greek and Roman Mythology, A to Z [3] Alexandra Lembert (2004).The Heritage of Hermes: Alchemy in Contemporary British Literature

Hermes vêm recordar-nos que não somos um só, mas que somos duais: somos homem e mulher, somos bons e maus, somos manipuladores e misericordiosos. Hermes falanos da magia e a magia não é boa nem má: tudo depende do uso que fazemos dela. Por isso, de todos os deuses do Olimpo, Hermes era o mais humano. O jovem e o velho. A inocência e a sabedoria entrelaçadas, trazendo harmonia às nossas vidas e à nossa obra.

[4] Florian Ebeling (2005). The Secret History of Hermes Trismegistus: Hermeticism from Ancient to Modern Times [5] Katherine Parker (2013). Resonance Alchemy: Awakening the Tree of Life [6] Frederick Turner (2006). Natural Religion [7] C. Scott Littleton (2005) Gods, goddesses, and mythology, Volume 10 [8] S. Montgomery Ewegen (2014) Plato's Cratylus: The Comedy of Language

Encontro de Pagãos Este encontro é para todos os interessados na Espiritualidade Pagã, Wicca, Druidismo, Bruxaria, Magia Celta e todos os "caminhos" que celebram o Paganismo. Todos são bem vindos e convidados a participar com opiniões e experiências e para um copo com pessoas que partilham interesses semelhantes. Mais informações em: portopagans@gmail.com ou através da página de Porto Pagans no Facebook o Google +

Neste momento encontramo-nos na 3ª Sexta-Feira de cada mês, por volta das 21.30,


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A geografia cósmica da Árvore na mitologia escandinava Valquíria Valhalladur * Carvalhos, sorveiras, faias, tílias, freixos, bétulas ou aveleiras compõem um complexo de árvores sagradas que assinalam uma cratofania e delimitam santuários abertos, protegidos naturalmente da manipulação profana onde o ser humano se entrega em comunhão com as divindades. Os povos escandinavos e germânicos, assim como os celtas, usavam representações anicónicas para honrarem os seus deuses, elegendo a árvore como figuração simbólica destes, de resto, os verdadeiros alvos de culto, ou então, plantavam postes-ídolos no centro dos templos criados no interior das habitações, como réplicas da Árvore Cósmica. A árvore era o melhor modelo do Cosmo vivo e um belo símbolo de vida em constante evolução, crescendo em direção ao céu, aludindo ao simbolismo do eixo, de verticalidade, servindo de elo de comunicação entre o firmamento (copa), a terra (tronco) e o submundo (raízes). A árvore como arquétipo de colunas sagradas ou eixo não é exclusivo às tradições germânicas e célticas. As Árvores nas Runas No FUTHARK encontramos três runas associadas, claramente, a árvores e cada uma delas encerra um patamar de vivência e de expansão consciencial diferentes. Em Ansuz, a quarta runa do primeiro Aett, reconhece-se a presença da divindade no domínio material, ao mesmo tempo estabelece uma relação entre a terra e o céu. Relacionada ao freixo,

por ser o veículo extático de Odin, no seu autossacrifício iniciático na ciência das runas, Ansuz é a coluna teofânica, a boca que manifesta os desígnios celestes, sustenta e dá vida a todo o edifício no qual prospera a comunidade, e centro eucarístico de agradecimento ou apelo pelas bênçãos dos deuses, potenciando, assim, o poder protetor do lugar. A etimologia de Ansuz vem do gótico anses, termo usado para pilar, viga ou coluna sagrada como personificações de uma força sobrenatural. Quer isto dizer que Ansuz agrega a simbologia de todos os simulacros dos deuses, seja ele Odin ou Thor. Esta runa encarna, simultaneamente, Yggdrassil, a árvore mítica da Sabedoria consagrada a Odin, ou o Irminsul, o grande pilar cósmico saxão que mantinha o centro da hierarquia cósmica, sendo representado por um tronco de árvore, em especial, de carvalho (sagrado a Thor), ou é ainda o pilar de madeira que os primeiros colonos da Islândia atiravam ao mar, já perto da costa, como bússola na procura do melhor pedaço de solo para aí se fixarem - o local onde o poste-ídolo aparecesse seria a escolha ideal da deidade. Os deuses comuni-

“A árvore era o melhor modelo do Cosmo vivo e um belo símbolo de vida em constante evolução, crescendo em direção ao céu”

* Sobre a autora: Valquíria Valhalladur é pseudónimo de Maria Cristina Ferreira Aguiar, nascida do Porto, e com o qual assina o seu primeiro livro “As Moradas Secretas de Odin”, publicado pela Madras Editora, em 2007, e desta forma deu conhecer os seus estudos em Mitologia Nórdica. A partir deste intróito, desenvolveu os conhecimentos em Posturas Rúnicas (Stadhagaldr) em workshops, e acrescentou mais uma criação, desta feita, “As Máscaras da Grande Deusa”, com a chancela da Zéfiro Editora, em 2011, mas já assinado com o nome de jornalista Cristina Aguiar. A autora pode ser contactada através de seu email: aguiar_cristina@hotmail.com


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cavam a sua Vontade através destes eixos simbólicos, daí que Ansuz signifique comunicação, linguagem e intelecto - expressões elevadas da consciência. Ansuz é a runadeus, o sopro divino que potencializa a existência e está, assim, permanentemente presente na esfera terrestre. O poder celeste que simboliza é o mais próximo do homem do que da esfera cósmica. Ansuz é, sobretudo, símbolo da génese da ciência. O freixo foi consagrado como Árvore do Conhecimento, pois foi "cavalgando" nele durante nove dias e nove noites que Odin desvelou o alfabeto rúnico e alcançou um alto nível de perceção da inteligência ao serviço da transformação e da elevação. Yggdrasil é o Portador do Deus, a montada selvagem nas noites de resgate dos espíritos e da viagem iniciática em busca do conhecimento mântico. Odin tornou-se mestre da sabedoria, da magia e da poesia, faculdades intelectuais que estão interligadas nas tradições indoeuropeias. Os três níveis universais (mundos superior, médio e inferior) que caracterizam Yggdrasil formam o caminho percorrido por espíritos, deuses, xamãs e buscadores da sapiência. É a porta da transformação ontológica. Odin superou-se a si mesmo, conheceu -se a si mesmo e extraiu de si mesmo a linguagem sagrada. A função de Yggdrasil é idêntica à da Árvore do Conhecimento do Rig Veda, cuja seiva gera inspiração poética e religiosa, pelo que, ao ficar próximo da sua folhagem, o individuo experimenta a anamnese das suas existências anteriores, como que recuperando muito do conhecimento que ficou sedimentado nas suas memórias atávicas. Do seu topo ressoa a voz celestial e a vontade dos deuses, sendo, o divino mensageiro, como o murmúrio da folhagem do carvalho de Dodona a entoar a voz profética do Senhor do Trovão. Em Eihwaz, 13ª runa do FUTHARK e a quinta do segundo Aett, Yggdrasil torna-se no ponto de fusão dos pares-opostos complementares: sintetiza a dualidade vida/morte, noite/

“A luz do espírito manifesta-se pela vivência na escuridão da morte ilusória”

luz. Esta runa pertence ao conjunto de runas sob a égide de Hagalaz, a Mãe Cósmica, fuso universal que faz girar o destino humano e dos deuses, e está entregue ao teixo, árvore do fogo que liberta um tóxico com propriedades alucinatórias que conduzem a um estado catatónico, de morte aparente, e simboliza a ressurreição e a perenidade. No autossacrifício na demandada pela revelação dos mistérios da linguagem na natureza e pela iluminação espiritual, Odin feriu-se com a sua lança (outro símbolo axial), de modo a recriar um estado de sofrimento que o conduzisse à morte iniciática para poder tornar-se em nãomorto, renascendo para a eternidade, ao fim de nove noites - número simbólico de culminar, de fim e de passagem para nova etapa evolutiva. A morte em Eihwaz é o desafio da superação dos limites inerciais dos sentidos físicos, e a oportunidade do mergulho profundo no subconsciente, o nosso submundo interno e a prova de que é possível quebrar as barreiras do imponderável, através da transgressão e experiência dos limites, para regressar do Mundo dos Mortos revificado por um Conhecimento Superior. A luz do espírito manifesta-se pela vivência na escuridão da morte ilusória. A runa Eihwaz transforma-se no eixo central, a Árvore do Mundo, no qual a pessoa entra em contacto com as forças bipolares da Yggdrasil representadas pela a águia, luminosidade, na copa, e pelo dragão Nidhoggr, as trevas, no submundo. A águia e o dragão vivem num eterno confronto, numa disputa necessária no ciclo contínuo da criação e regeneração do cosmo, e exemplifica o exercício que o Adepto deverá seguir no seu processo de transfiguração. O objetivo é conseguir o equilíbrio e a síntese destas forças


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aparentemente antagónicas na nossa composição espiritual (parte superior e parte inferior) de modo a avançar para um novo ciclo. Neste eixo iniciamos a síntese dos opostos num processo dinâmico e ininterrupto e sorvemos os fluídos dos três planos da existência: Asgard, mundo celeste e habitat da Águia (ser espiritual), em Midgard, o nosso corpo, e em Helheim, onde se esconde o tal Nidhoggr. Aqui pretende-se a união/fusão destes reinos. É o teste à natureza dual do Homem. Eihwaz é, neste sentido, a Árvore da Imortalidade, veículo iniciático onde Odin logra a omnisciência e omnipotência.

“A águia e o dragão vivem num eterno confronto, numa disputa necessária no ciclo contínuo da criação e regeneração do cosmo, e exemplifica o exercício que o Adepto deverá seguir no seu processo de transfiguração” Berkana é a terceira runa-árvore do FUTHARK. É a bétula, a teofania da DeusaMãe, o útero universal que acolhe os mortos para lhes restaurar a vida, figurando por isso o nascimento, a renovação periódica da vegetação e humana. É a primavera, a representação dos mistérios femininos da regeneração da Natureza e da mulher, e da noção de conceção de vida, da fecundidade e da renovação universal - qualidades que revemos em Istar, Astarte ou Tanit. Podemos comparar Berkana ao poste-ídolo consagrado à deus mãe cananita Aserá, essência do amor e da fertilidade. O brilho do seu tronco e o facto de ser a primeira árvore a florir após o degelo, torna-se no símbolo supremo de vida. As bétulas eram usadas como postes de maio, na celebração do apogeu da luz profícua, e podemos encontrar o seu exemplar cósmico da Grande Bétula dos Céus da visão do mundo proto-uruliano, que cresce junto à casa da Avó da Vida, Senhora do Sul, que ordena, desde o Mundo Superior, o regresso da fertilidade e da vitalidade à terra, mãe dos

deuses, e aponta o caminho de volta aos cisnes e aos gansos (aves solares) e envia os espíritos prestes a renascerem. É a Árvore da Vida. Yggdrasil: Árvore Soberana Yggdrasil é o símbolo máximo da Árvore Cósmica da mitologia escandinava. Um imponente freixo que se eleva no centro do mundo, cujo tronco é o pivô da revolução da morada dos astros e as suas raízes penetram no abismo, local das forças da morte e da transformação. Tudo o que possui vida e é consciente tem morada nesta Árvore Mítica, que cresce no Centro da Terra, lugar do seu “umbigo” e sobrevive às grandes mudanças cósmicas, servindo de refúgio e berço às novas formas de vida que repovoarão Midgard, após o Ragnarök. É equivalente à Árvore do Céu dos Gregos, o carvalho onde Zeus colocou o velo de ouro, símbolo de prosperidade, de glória e do qual se originou o mito do signo de carneiro, associado à primavera, ao início, à nova vida. O Grande Freixo é o Eixo do Mundo à volta do qual gira o mundo terreno, telúrico e estelar, como símbolo da universalidade. Uma das suas três raízes nutre-se da nascente de Urd, Senhora do destino, e daqui une-se a Asgard, reino dos deuses, a outra raiz alimenta-se do líquido do poço da cabeça de Mimir, Senhor das Memórias e da Sabedoria arcaicas, e cresce em direção a Jotunheim, Mundo dos Gigantes, dos seres primevos, e a terceira raiz bebe das águas do depósito do Mundo, Hvergelmir, em Niflheim, o região do gelo e das brumas.

“É a primavera, a representação dos mistérios femininos da regeneração da Natureza e da mulher, e da noção de conceção de vida, da fecundidade e da renovação universal ” O Grimnismál fala-nos de outra árvore: Laerads, localizada próxima do Valhalla. A origem etimológica desta árvore referida num dos


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principais poemas da Edda Poética tem deixado os mitólogos pouco firmes em relação ao seu significado, sobressaindo as propostas de "doadora de proteção" ou "doadora de humidade", atendendo, principalmente, à função de Eikthrynir, um veado de cujos cornos escorrem gotas de água que enchem Hvergelmir, “caldeirão borbulhante”, a principal fonte de todos os recursos hídricos do mundo. Eikthrynir (traduzido literalmente: espinho do carvalho) apresenta similitudes com Thor, o deus fazedor de chuva e regulador das condições atmosféricas, nesta qualidade é o fecundador da terra. As funções deste veado mágico recorda-nos a Árvore Meteorológica dos Vedas, por vezes descrita como a Árvore do Céu Estrelado e noutras como Árvore do Céu Nublado, cujas folhas destilam o elixir da vida, o soma celestial, as águas vivificantes produzidas por Mitra e Varuna. Heidrun, a cabra distribuidora de hidromel aos guerreiros einherjar, é a companheira de Eikthrynir na copa de Laerads. Estes animais que a povoam são descritos por George Dumézil como possíveis constelações, por se encontrarem dentro do mundo superior, junto aos domínios de Odin. Segundo Uno Holmberg, citado por George Dumézil, Eikthrynir representa a Ursa Maior, a constelação vizinha à Polaris, personificada pela águia situada no cume das Árvores Sagradas das culturas árticas. Os lapões/sami chamam à Ursa Maior de «Rena» ou «Alce», designação comum a muitos povos siberianos. No entender de Uno Holmberg, a cabra e o veado são braços do mesmo tronco estelar, figurando ambos duas constelações pouco móveis. A criação poética de Laerads decorre da já existente Árvore Soberana, Yggdrasil, também ela rodeada por animais agentes climatéricos: a águia, situada no topo da árvore, é uma ave de elevação que vê tudo como o sol, simbolizando a dimensão superior e luminosa. Nas tradições árticas, a águia é a Estrela Polar, o Ser Supremo de características solares. Entre os seus olhos vivia o falcão Vedhrfolnir, que lhe fornecia toda a informação do mundo terrestre e assumia o papel de vigilante, Vedhrfolnir quer dizer “aquele que empalidece pelo efeito da tempestade”, o que nos esclarece o por quê da função sentinela, que será mais um heliógrafo, oferecendo à águia o controle da sua própria luz ante as ameaças das nuvens negras provenientes do

dragão subterrâneo. O esquilo Ratatosk, "o que viaja", percorre o tronco acicatando a águia, em cima, e o dragão em baixo, mostrando que a polaridade oscila na perpétua tensão criativa da Luz e com a tensão destrutiva das Trevas, neste caso simbolizando as flutuações atmosféricas entre o céu irradiante e a nebulosidade. Os veados Daain, Dvalin, Duneyr e Durathror comem as folhagens e musgos que crescem no tronco num processo de regeneração constante da Árvore e da Natureza. Podem também simbolizar os quatro ventos ou os quatro pontos cardeais, embora Uno Holmberg os veja como significadores de constelações. Os dois cisnes que nadam no lago em torno de Yggdrasil simbolizam a entrada no Outro Mundo, uma espécie de mediadores entre o mundo terrestre e o mundo subterrâneo. O cisne é uma ave associada à primavera, aos nascimentos, por isso é uma ave solar e símbolo de vida garantida.

“O cisne é uma ave associada à primavera, aos nascimentos, por isso é uma ave solar e símbolo de vida garantida” Jormundgandr, a serpente gigante que vive nas águas profundas, por estar em volta de Midgard (Terra), como Ouroboros, simboliza o ciclo interminável da vida, e nesta posição é o elemento estruturante que mantém o equilíbrio terrestre. Jormundgandr desempenha o drama da destruição nos finais dos tempos e encarna um curioso confronto atmosférico com Thor, deus dos fenómenos meteorológicos. Na luta desesperada para aniquilar a serpente gigante, com golpes do martelo Mjolnir, Thor produz os temporais marítimos. A serpente é apontada como prosopopeia do relâmpago e dos raios (e até dos rios), pelo que podemos olhar para Jormundgandr como duplo do próprio Thor, o propiciador da chuva, mas num estado mais tumultuoso.


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O dragão Nidhoggr, “devorador de cadáveres”, é o guardião da nascente de Hvergelmir, no submundo, depósito colossal das águas doadas por Eikthrynir, estando, por isso associado à pluviosidade que ele mesmo provoca no seu conflito com a águia, cumprindo assim ao sua parte no processo dinâmico de fecundação dos solos. As serpentes Graback, Grafvolluth, Goin, Moin corroem as raízes de Yggdrasil, como que a testar a sua resistência e capacidade regenerativa. O suporte da Polaris Embora não esteja associada a uma árvore específica, Tiwaz representa um importante pilar ao qual o guerreiro recorre para amplificar a sua força e coragem. É equipolente à coluna na tradição céltica que povoa as metáforas que comparam um herói ou um guerreiro a pilares de combate. A conotação com a força, resistência levanos à etimologia do de carvalho no protoindoeuropeu *dorw usado como adjetivos para dureza e firmeza. Tiwaz suporta o firmamento, mantém a ordem cósmica e liga o centro da Terra ao centro do Céu, a estrela polar. Os Uralianos tinham também cultuavam um axis mundi que suportava o céu. A Árvore da Vida destes povos era o pivô da rotação dos corpos celeste a partir de um centro, a Polaris, o eixo dos polos, estando representada no topo da coluna sagrada como garante de que o universo estaria a salvo de desabar e que todas as estrelas não cairiam sobre o globo terrestre. A runa Tiwaz indica-nos a morada do deus absoluto, e representação pictórica de Irminsul, o Pilar do Mundo, suporte simbólico no plano terrestre do centro do céu. Modelos terrestres da Árvore do Mundo Yggdrasil tem o seu equivalente no plano mundano: Vardtrad é uma árvore enorme e frondosa que cresce no centro dos quintais e a sua copa desenvolve-se de maneira a que abrace as casas em volta. Podem ser freixos e ulmeiros, e são os guardiões do local famili-

ar e o seu carácter providencial realça-se por absorver o impacto dos relâmpagos das trovadas e deixar a salvo qualquer outro edifício da destruição. Acredita-se que por debaixo dela vivem pequenos seres também eles agentes de boa-venturança nos solos da localidade. Vardtrad é uma Árvore-santuário. O papel sagrado da árvore invadiu o imaginário mitológico também como alicerce na fundação de dinastias reais. Um desses exemplos, o grande carvalho, Barnstokkr. Árvore de verde e frondosa copa plantada pelo rei Volsung no seu salão real, apelidando-a de árvore de Odin, em cujo tronco o deus supremo espetou uma espada destinada a apenas aquele que a conseguisse retirar. Sigmund, pai de Sigurd, foi o herói que honrou a profecia, tal como Artur se tornou digno da espada "Excalibur" oferecida pela Dama do Lago. Com esta espada mágica, símbolo de bravura e poder, nada poderia ferir Sigmund até ao dia, já muito velho, em que Odin, disfarçado com o seu manto azul (céu), apontou-lhe a sua lança e logo a espada se partiu em dois pondo, assim, termo ao seu reinado. Pelo eixo, personificado pelo carvalho Barnstokkr, Sigmund conquistou o acesso à espada, pelo eixo, no caso simbolizado pela lança, a perdeu e os seus poderes reais desvaneceramse pelo fim da proteção cósmica. Bibliografia : DUMÉZIL, George, Mythes et Dieux de la Scandinavie Ancienne. Éditions Gallimard. GOBLET, count D' Alviela, Migration of Symbols. Kessinger Publishing. STURLOSON, Snorri, The Prose Edda: Norse Mythology. Peguin Books. THORPE, Benjamin tradutor da Poetic Edda.The Northvegr Foudation Press, Michigan.


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Próximos eventos no Porto, Espaço DanSer 29 de março, Posturas Rúnicas Por: Valquíria Valhalladur

Sobre o curso: A meditação através do uso de posturas psicodinâmicas corporais abre um novo horizonte no contato com as entidades numinosas que se “escondem” num simples símbolo rúnico, cujo significado se manifesta e se expande no subconsciente. O corpo transforma-se no melhor instrumento de captação de energias etéricas com as quais poderemos trabalhar num contexto divinatório e, ao mesmo tempo, ativarmos o processo de autodesenvolvimento. A proposta aqui apresentada visa criar um veículo de revelação dos Mistérios da Natureza a partir de dentro de cada indivíduo, usando para tal os 24 sigilos mágicos do FUTHARK – o sistema de ideogramas utilizado pelos povos antigos de expressão germânica como suporte adivinhatório e de comunicação. Através das experiências individuais, nestes exercícios, vai-se elaborando e enriquecendo um sistema complexo de caracteres de uma linguagem mágica, que se vai incorporando no quotidiano individual. As Runas vão revelando os seus segredos de acordo com as emoções e os sentidos de cada participante.

FELLOWSHIP OF ISIS PORTUGAL

Mais informações: aqui E-mail: fellowshipofisis.portugal@gmail.com


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Uma invocação a Hermes, como Deus da mente boa Traduzido ao português por Luís Miranda [Texto revisto, R. 15-18; Leemans (C.), Papyri Græc. Mus. Ant. Pub. Lug. Bat. (Leyden, 1885), II. 141, 14 ff., e V. 27, 27 ff.; Dieterich (A.), Abraxas (Leipzig, 1891), 195, 4 ff.; e Jahrbücher f. class. Phil., Suppl. XVI. 808 ff. (Papyrus Mag. Mus. Lug. Bat.).]

O local da tua eterna relevação é lá em cima. Tuas são as boas emanações das estrelas, - cujos daimons, fortunas, e destinos de todos a quem é concedida riqueza, boa interligação [com a natureza] e um bom enterro. Pois és o senhor de toda a vida,— Tu, que és senhor dos céus e da terra e de todos os que nela habitam; Cuja justiça nunca foi repudiada, e cujas Musas cantam o teu glorioso nome, a quem os oito guardiões guardam,- Tu o possuidor da Verdade, livre de tuda a mentira! O teu Nome e Espirito assentam em tudo o que é bom. Hermes Farnésio, Romano, S.I, D.C, British Museum

“Vinde a mim , ó tu, dos quatro ventos , todopoderoso , que sopraste o espírito para os homens e deste-lhes a vida; Cujo está escondido , e além da fala dos homens, nenhum profeta pode pronunciá-lo , sim, até mesmo daimons , quando ouvem teu nome, tremem com medo ! Ó tu , cujos incansáveis olhos são o sol e a lua, que brilham nas pupilas dos olhos dos homens! O tu , que tens o céu como cabeça, æ por corpo , a terra como pés e a água ao redor de ti profunda como o oceano! Tuas as artes de Bom Daimon , que são senhoras de todas as coisas boas, e cuidam do mundo inteiro .

O tu podes entrar na minha mente e coração todos os dias da minha vida, e trazer-lhes a realização de todas as coisas que minha alma deseja! Pois és eu e eu sou tu. Que o que eu digo seja para sempre, pois tenho o teu Nome a guardarme no meu coração. E cada serpente despertado não terá algum poder sobre mim, nem serei confrontado por algum espírito ou poder daimonial ou qualquer praga, ou qualquer um dos males do Mundo Invisível, porque que eu tenho o teu Nome dentro da minha alma. Eu te invoco, vinde a mim, Bom, completamente bom, [vem] para o bem,-tu, a quem nenhuma magia pode encantar, nenhuma magia pode controlar, que me dás boa saúde, segurança, boa loja, boa fama, vitória, força e semblante alegre! Carrega o semblante a todos que estão contra mim, e concede-me graça em todos os meus atos!”


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Estado de Consciência Artigo de Reflexão Por: Lurdes Neves * Diariamente é-nos oferecida a oportunidade de entrar em contacto com a Sabedoria Antiga e da nossa missão na Terra enquanto parte do Universo. Na nossa atual fase de desenvolvimento evolutivo, compete-nos cada vez mais sermos capazes de mais autocontrolo e autodomínio e a ajuda cada mais e melhor dos outros. O atraso do nosso desenvolvimento é ainda provocado pela influência maciça de forças involutivas e que existem duas forças opostas que agem no nosso mundo: uma força positiva que visa desenvolver o sentido da Compaixão e do Bem Comum e outra força destinada a criar e instigar a separatividade, o individualismo, o egoísmo e o impulso e a reatividade.

“Na nossa atual fase de desenvolvimento evolutivo, compete-nos cada vez mais sermos capazes de mais autocontrolo e autodomínio e a ajuda cada mais e melhor dos outros” E se observarmos uma inflação incontrolável de conflitos ou uma tendência para comportamentos licenciosos, devemos perceber que qualquer tipo de atenção dirigida para esses processos, tanto positiva como negativa, alimentá-los-á energeticamente. A ilusão da violência, da agressividade, da instrumentalidade leva-nos a estados inferio-

res de consciência, que nos conduzem, inevitavelmente, a intensificar a ilusão (desejos, vícios, conflitos…) produzida por essas emoções

“Tudo o que está presente na consciência manifesta-se e reflete-se automaticamente no nosso ambiente exterior” O nosso mundo é assim mundo refletido, um mundo ilusório e tudo no nosso mundo é construído de acordo com as vibrações médias da humanidade. Assim quando estamos constantemente imersos nesses estados inferiores de consciência estaremos ligados às ilusões exteriores por eles geradas. Tudo o que está presente na consciência manifesta-se e reflete-se automaticamente no nosso ambiente exterior. Assim, se estivermos sempre profundamente mergulhados no mundo das notícias, onde há violência, agressão, revoluções e distúrbios de massa, a consequência será a manifestação na vossa vida exterior. Por este motivo, e mais do que nunca, devemos disseminar a não-violência, não devemos alimentar a negatividade não obstante a necessidade de compreensão de que cada um se encontra no seu próprio estádio de desenvolvimento evolutivo.

* Sobre a autora: Lurdes Neves tem experiência em algumas terapias complementares que poderão complementar as terapias tradicionais no desenvolvimento individual.


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Portugal desterra Samhain do Calendário * Fernando González ** A Igreja Católica com a intervenção direta Do Vaticano e através da Conferência Episcopal Portuguesa, pactuou em 2012 a modificação do Calendário Laboral com o Governo de Portugal para a redução de Feriados como consequência da crise. Chama-me fortemente a atenção que nesta negociação se acorda a supressão do 1º de

“Por um lado parece-me estranho que a Igreja Católica tenha decidido eliminar das festividades portuguesas uma das celebrações religiosas, mais antigas, populares e multitudinárias.”

Novembro (Samhain), para eles o Dia de Todos os Santos, como uma das festas prejudicadas, especialmente tendo em conta que não previram sequer mudar a data do mesmo para nenhuma outra, como por exemplo fizeram com a festa do Corpo de Deus, mas diretamente o tenham eliminado. Neste contexto, diz o diário DN Portugal do Acordo que “Segundo o texto, o feriado do Corpo de Deus, assinalado numa quinta-feira 60 dias depois da Páscoa, vai ser “transferido para o domingo seguinte” e o de Todos os Santos ‘manter-se-á no dia 1 de Novembro mas sem o carácter de dia feriado civil’“. Isto leva-me a refletir sobre um facto inédito, mesmo fora do debate, que desde logo há que ter, quanto a quem tem o poder de decidir os feriados religiosos dos portugueses, e perfeitamente poderíamos entender que fosse negociado para além do Estado e dos interlocutores sociais, de fazê-lo algum repre-

* Artigo original publicado no Blog oficial da “Confesión Religiosa Wicca, Tradición Celtíbera”, datado de 23/10/2013. Traduzido para Anima Mystica Revista Digital por Céu Almeida. Revisto por Luís Miranda

** Sobre o autor: Fernando González é Sumo Sacerdote (terceiro grau) e fundador da Confesión Religiosa Wicca, Tradición Celtíbera. No inicio dos anos 80 do século passado foi iniciado num coven de Bruxaria Tradicional Ibérica e na segunda metade dessa mesma década fundou a “Tradición Wicca Celtíbera”. Desde então dedica-se à divulgação da Bruxaria e da Wicca enquanto Culto religioso pagão de origem indoeuropeia, seja escrevendo artigos ou colaborando na redação de revistas como Año 0 ou Karma-7, programas de radio e televisão. Em 1992 um Ayuntamiento de um povoado da região de Madrid (Pinto) pediu à Wicca Celtíbera para celebrar publicamente o Solstício de Verão, coisa que têm feito desde então, sendo a primeira festa municipal pagã (Wicca) com o estatuto de tradicional. Em 2011 o Estado Espanhol reconhece e inscreve como religião a Wicca na sua Tradição Celtíbera e em 2012 esta religião é também inscrita no Estado Português. Em 2012 participou na fundação da “Plataforma en favor de la Libertad Religiosa del Paganismo” (cofundador) onde é porta-voz da mesma e que é hoje composta por quatro Confissões religiosas pagãs reconhecidas pelo Estado Espanhol.


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sentante religioso, algo deveriam opinar, até mesmo ouvi-los, quanto menos os representantes de outras religiões, maioritárias ou não, porque acreditamos que é a imanência do direito e não o número de beneficiários, o que deve ter-se em conta no que diz respeito ao reconhecimento do mesmo. Mas por mais importantes que sejam não queria perder-me nas diversas ramas e centrar-me no que transparece deste acordo. Por um lado parece-me estranho que a Igreja Católica tenha decidido eliminar das festividades portuguesas uma das celebrações religiosas, não o esqueçamos - mais antigas, populares e multitudinárias. E por outro lado, creio chegar a entender o que fói que motivou esta decisão? … nunca foi o 1º de Novembro tão santo para eles como sagrado tem sido sempre para nós Não é de admirar que a Igreja Católica tenha clamado primeiro contra o paganismo das nossas festas, em seguida contra a banalização das já cristianizadas e finalmente contra ambos os pressupostos. Um argumento meio enganador e meio absurdo já que todas as efemérides remarcadas, e uma boa parte das menores do seu calendário religioso, são um plágio descarado do calendário festivo pagão. Podemos recordar as palavras do bispo católico de Sigüenza-Guadalajara, D. José Sánchez, tenor da voz de alarme que deu a Conferência Episcopal Espanhola em 2009 porque “Halloween não é uma festa inocente“, que veio a dizer que ”a impulsos do comércio, do consumo e da moda, costumes como estes, pagãos, importados, prevaleçam e até desloquem costumes cristãos como a devoção aos santos e a oração pelos defuntos“. Nem sequer me interessa hoje refutar pela enésima vez tais falácias, mas sim afirmar

que para esta Confissão religiosa a nossa festividade sagrada supõem um grave problema que procuram resolver de qualquer maneira, e não quero que nos desviem de que esta é uma estratégia que a Igreja Católica está a pôr em prática para tratar de abortar a restituição pagã desta celebração. De facto e vendo que nem tratando de reeducar, com planos especiais os seus batizados, para que se afastassem destas práticas pagãs, conseguiram travar o seu impulso natural, como as que promove o lobby fundamentalista católico ACIPRENSA através das suas páginas, o próximo passo para a frente na liderança da Conferência Episcopal Portuguesa, nesse país é claramente significativo. Perdendo a consideração de feriado no calendário laboral, a Igreja Católica reconhece estar a ceder abertamente a autoridade de uma festividade religiosa que nunca lhe pertenceu, aos seus verdadeiros depositários, os pagãos, embora como nos tem acostumados jogue sujo mais uma vez, ao desproteger e conseguir que se trabalhe nesse día, dificulta que se mantenha um seguimento igual ou maior e inclusivamente que muitos a entendam como o que é, religiosa e sagrada, e que seja mais difícil celebrá-la. Não é uma má estratégia mas temo muito relutantemente que esteja condenada ao fracasso, como foi inventar um homônimo para o 13 de Maio, como foi apropriar-se da data em sí sobrepondo os seus credos, como tem sido impedindo ou demonizando o seu aspeto mundano, como será retirá-lo do calendário. É de agradecer em todo o caso que corroborem o que de alguma forma todos sabíamos, que nunca fói o 1º de Novembro tão santo para eles como sagrado o tem sido sempre para nós. Sinceramente acredito que não importa o que façam, não importam as suas artimanhas nem os impedimentos que ponham no nosso caminho, porque a recuperação da nos-


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sa Festividade, do Samhain, a honra, lembrança e desfrute dos nossos Antepassados, nosso Culto aos Ancestrais, nosso Ano Novo e devoção aos nossos Deuses e Deusas que celebramos estes dias, não tem volta atrás nem Deus -o seu- que nos impeça. Os cornos fazem rugir o bosque nesta Noite e voltamos a prender as luminárias, a reunirmo-nos ao redor das nossas fogueiras, ao calor da irmandade, restituindo os velhos Pactos favorecidos por uns Deuses que nos reconhecem e respondem à nossa Chamada e já sejamos anfitriões ou convidados de honra na cena comunal, seja a Santa Deusa quem o decida, voltaremos a perpetuar com os nossos o Ciclo da Vida.


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A luz do divino Entrevista realizada a Jean-Louis de Biasi, Grande Mestre da Aurum Solis* por Eduardo Puente e Valentina Ramos Sobre Jean-Louis de Biasi: É um autor, orador e filósofo. Estudou muitos aspetos da tradição ocidental desde os anos 1970. Nasceu no sudoeste da França e tem uma ligação ancestral com a Itália, através de sua família paterna, levando a sua paixão pelas tradições iniciáticas e religiosas ocidentais e mediterrânicas e, quase inevitavelmente, a um interesse em aprofundar as várias correntes espirituais que foram passadas para nós da antiguidade. JL de Biasi tem o compromisso de conciliar as exigências da razão crítica com os ensinamentos tradicionais e históricos, e o trabalho prático que os envolvem. A sua análise didática torna possível que qualquer um entenda facilmente o funcionamento de cada um desses campos. O autor coordena vários ensinamentos e workshops internacionais. Mais informações sobre a Ordem Aurum Solis aqui

Anima Mystica Revista Digital: Quais são as bases da Aurum Solis e a quem se dirige? Jean-Louis de Biasi: A tradição da Aurum Solis é definida pelo que chamamos a “Corrente Dourada” (dos mestres). Esta linhagem tem suas raízes no hermetismo que, uma tradição associando práticas Teúrgicos com uma abordagem racional para os mistérios internos da vida. A tradição descreve primeiro as altas origens da alma humana e como ela desceu para a forma física e o que isso significa, e segundo revela o caminho pelo qual a alma pode novamente voltar ao Eterno e Supremo e o que isso envolve.

* Traduzido por Luís Miranda

Esta tradição pré-cristã nascida em Alexandria (Egipto), nos últimos séculos antes da era atual, tem dado à humanidade alguns dos seus maiores cientistas e filósofos humanistas. Politeísmo, a principal expressão religiosa deste tempo, a tradição de tolerância para qualquer prática e experiência espiritual. Muitos são os caminhos! Mas a organização, autodisciplina e prática conduzem-nos ao Próximo Passo! Estas manifestações progressivas de ciência não-teológica e espiritualidade humanista foram severamente atacadas durante a ascensão das religiões monoteístas institucionalizadas na Europa e no Oriente Médio, levando diretamente para a Idade das Trevas. No entanto, no século XV, a tradição Teúrgica


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Neoplatónica Ogdoádica reapareceu em Florença, Itália. O Renascimento foi realmente o renascimento universal da consciência humana acendendo o início da civilização moderna: quebrando o domínio religioso e monarquista do pensamento humano, a ciência e a filosofia e levando à idade industrial, tecnológica e da informação, à democracia e os direitos humanos e à abolição da escravatura, tolerância religiosa, educação universal e tradições metafísicas, etc. Deste este momento a Tradição Teúrgica / Hermética foi secretamente continuada na Europa até o seu renascimento em 1897. A Aurum Solis é exemplo único de uma organização iniciática e espiritual que permaneceu enraizada nos valores espirituais humanistas originais desenvolvidos pelos fundadores. Desde o início, a Aurum Solis opta por manter uma linhagem única e clara, trabalhando para melhorar a visibilidade da Tradição Ocidental original, destacando as caraterísticas únicas deste caminho espiritual, a Aurum Solis mostra a urgência de encarar a vida de forma diferente. Os dogmas são perigosos; o caos é arriscado, enquanto redescobrir um caminho tolerante e tradicional com o divino é primordial. Esta é a Renascença Moderna! Como você pode ver esta tradição tem uma história clara e reconhecível. A sua filosofia pode ser facilmente entendida. A teurgia é uma parte específica da tradição ocidental, que tem uma forte identidade e especificidade. Ao ler sobre esta tradição, quem sentir um forte apelo pode requerer a entrada no período preparatório chamado "Pronaos." Pode encontrar mais detalhes sobre isto no nosso site. AMRD: Que benefícios pode encontrar uma pessoa juntando-se à Ordem Aurum Solis? JLDB: Existem dois níveis para a sua pergunta. Há benefícios visíveis que são a consequência da adesão. Outros têm que ser considerados a um nível espiritual. Assim, em relação à sua primeira etapa enquanto membro Pronaos, ser-lhe-á possível experimentar vários elementos da tradição teúrgica com um sistema muito completo e gradual de práticas rituais. Irá ler ensinamen-

tos sobre a Tradição Hermética / Ogdoádica, os estudos filosóficos, e Fundamentos da Teurgia. Além disso o site irá permitir que compartilhe os seus pensamentos e experiências com os outros membros, diretores e Grandes Oficiais da Ordem. Ao nível espiritual, será colocado numa Ordem ansiosa para lhe dar a melhor formação possível na tradição ocidental Teúrgica. Temos dois objetivos muito simples: tornarmonos conscientes de quem realmente somos, e quando for a altura, ser capazes de cruzar o limiar da nossa morte com plena consciência! Isso não é algo que a religião pode oferecer. Para as religiões, tem apenas que acreditar. Ao contrário da tradição teúrgica que acredita que se podem aprender as técnicas e que podem ser ensinadas. O que precisa é de uma escola iniciática real e séria. E isso é algo raro.

“A teurgia é uma parte específica da tradição ocidental, que tem uma forte identidade e especificidade”

AMRD: O que diferencia a ordem Aurum Solis das outras ordens místicas e esotéricas existentes? JLDB: Claro que a resposta poderia ser longa, mas posso dizer que uma ordem tradicional e teúrgica iniciática como a Ordo Aurum Solis é definida por três princípios: 1 - Uma linhagem ininterrupta que constitui uma ligação direta entre cada Grão-Mestre e todos os grandes mestres que o precederam. É por esta ligação que cada novo GrãoMestre da tradição é empossado. 2 - O poder de transmitir e se relacionar com a egrégore da Ordem. A capacidade de executar rituais iniciáticos que envolvem os dois planos (visíveis e invisíveis) torna-se capaz de realmente provocar um despertar da consciência do Iniciado. Em seguida, a conexão com o egrégore assegura o treino individual.


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3 - A tradição de transmissão dos "objetos sagrados", ou mais exatamente a transmissão de "objetos consagrados," tradição segundo os ensinamentos claramente mencionados nos escritos de Jâmblico, Proclo, Apuleus e Marsilio Ficino.

“Você pode ser pagão, um crente de divindades, e não um teurgo. A teurgia é uma expressão específica do paganismo.” Todos estes aspetos são cuidadosamente mantidos na Aurum Solis. AMRD: Quais são as semelhanças entre os princípios da Aurum Solis e os do Paganismo? JLDB: A Ordo Aurum Solis é Pagã! Como disse na minha primeira resposta, a nossa tradição nasceu em Alexandria (Egipto) nos últimos séculos antes da nossa era. Nesta altura a tradição proveniente do colégio de sacerdotes de Hermópolis era associada ao nascimento do Hermetismo. Nessa altura existia uma total tolerância entre as religiões existentes. Os emigrantes gregos residiam em Alexandria, em egípcio. Era permitido a todos louvar aos Deuses ou Deusas que quisessem. Esta ainda é a definição perfeita do que a Aurum Solis é. No entanto o monoteísmo chegou e começou a perseguir os pagão, teurgistas, hermetistas, e todos aqueles leais às Divindades Imortais. Para descobrir alguns dos principais princípios da Aurum Solis e entender como eles estão perto do Paganismo sugiro que leia uma oração maravilhosa chamada o Hino aos deuses por Proclo. Pode encontrar o texto em anexo a esta entrevista. No meu próximo livro (Rediscover the Magick of the Gods and Goddesses, Llewellyn Publications), falo detalhadamente sobre o paganismo e a teurgia. Deve ter em mente que a que um teurgo é necessariamente um pagão. A sua tradição é pagã e um grande número de mestres desta tradição foram perseguidos

pelos monoteístas. No entanto, você pode ser pagão, um crente de divindades, e não um teurgo. A teurgia é uma expressão específica do paganismo. AMRD: Existem atividades da Ordem Aurum Solis para não-membros? JLDB: A Ordo Aurum Solis celebra o nascimento de Platão com um banquete ritual. Há um ritual específico e qualquer um pode ser convidado. A Eclésia Ogdoádica, que é a expressão religiosa da Aurum Solis, realiza vários rituais, todos bastante públicos. Outros rituais exteriores serão tornados públicos. No entanto, e como eu disse, a Aurum Solis é uma tradição iniciática e um lugar de formação psíquica através de rituais. Por isso, é lógico que muitas coisas não podem ser tornadas públicas. AMRD: Pode dizer-nos, em poucas palavras, o que as Tradições Hermética e Ogdoádica significam para si? JLDB: Duas coisas são importantes: primeiro cumprir o nosso propósito nesta vida e segundo encontrar a melhor forma de viver no nosso mundo moderno. A Tradição Hermética / Ogdoádica está a dar respostas a ambos. Esta Tradição dá-lhe as chaves práticas para dominar a sua própria vida e pós morte. Mas agora dá-lhe um ideal de tolerância em relação a outras crenças e uma forma de equilibrar a sua vida. O que me impressionou mais foi verificar que esta tradição muito antiga é capaz de nos dar importantes chaves que são hoje tão relevantes como eram à dois ou três mil anos antes. Esta é uma tradição em que se pode continuar a sentir a luz do divino e da presença viva dos mestres fundadores. A única coisa a fazer se estiver interessado é, como eu, dizer: vamos experimentar!


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Hino aos Deuses Enviado por Jean-Louis de Biasi Traduzido ao português por Luís Miranda

"Ouvi-me, ó Deuses, vós que segurais o leme da sabedoria sagrada. Guiai-nos, mortais, de volta para entre os imortais acendendo nas nossas almas a chama do regresso. Que as iniciações inefáveis de vossos hinos nos deem o poder para escapar da caverna escura das nossas vidas e nos purifiquem. Ouvi, poderosos libertadores! Dissipai a escuridão circundante, e concedei-me o poder de compreender os livros sagrados; de substituir a escuridão por uma luz pura e santa. Assim posso conhecer verdadeiramente o Deus incorruptível que eu sou. Que um espírito perverso nunca me possa manter, oprimido por males, submersos nas águas do esquecimento e longe dos Deuses e Deusas. Que a minha alma não possa ser agrilhoado nas prisões da vida onde sou deixado a sofrer uma expiação aterrorizante nos ciclos glaciais da geração. Eu não quero veranear mais. Ó, Deuses soberanos de sabedoria radiante, oiçam-me! Revelai a quem se apressa no Caminho de Retorno os êxtases sagrados e as iniciações guardadas no profundo de tuas palavras sagradas!”

Proclo


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Anima Mystica recomenda: “As vozes do Outro Lado de Midgard” O ponto de confluência entre Mitologia Nórdica e vida mundana

Acesso ao Blog

“Entre la psicología, el misticismo y la brujería” Psicologia e misticismo têm andado de mãos dadas desde que os grandes pensadores começaram a questionar o mundo ao seu redor e procurar uma explicação para suas ideias e as sinais da natureza e os deuses.

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Download de artigos originais Hermes : el Dios de las dos caras

Autor: Valentina Ramos Língua do texto original: ESPAÑOL Anima Mystica Revista Digital Vol. 3 No 1 pp 8-11 Download do artigo aqui

Portugal destierra Samhain del calendario Autor: Fernando González Língua do texto original: ESPAÑOL Anima Mystica Revista Digital Vol. 3 No 1 pp 21-23 Download do artigo aqui

The light of the divine Interview to Jean-Louis de Biasi, Grand Master of the Aurum Solis Língua do texto original: ENGLISH Anima Mystica Revista Digital Vol. 3 No 1 pp 24-26 Download do artigo aqui

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Anima Mystica Revista Digital Vol 3 No 1  

Anima Mystica Revista Digital, é uma publicação trimestral dirigida à divul-gação e discussão de as-suntos relacionados com o misticismo e o...