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Distribuição: Revisão Inicial:

Liz

Giuliana d’Eça, Michelle Reis e Carol

Sant’Anna, Eve, Le Dias Revisão Final:

Graciele Santos e Mariana B. Leitura Final: Formatação:

Nedi L.

Any Cunha


SINOPSE

De: LilyNBlack@Gmail.com Para: JosephineKeller@VogueMagazine.com Assunto: Você é uma baita idiota Bom dia minha querida, inocente, amiga, Espero que esteja desfrutando um café da manhã de pesar e tristeza. Por quê? Porque me mandou trabalhar para Dean Harper, também conhecido como um maníaco por controle em um terno feito sob medida. Claro que ele é o dono dos restaurantes mais elegantes em Nova York, mas vamos lá Jo, seu ego faz Kanye West se parecer com o Dalai Lama. Ele é do tipo que só ouve a palavra "não" quando é seguida por "não pare." Trabalhar para Dean Harper seria como vender minha alma ao diabo... E antes que diga algo, não me importa se ele tem olhos castanhos de socar-você-no-estômago além de um bumbum a altura. Minha alma não esta a venda.

Lamentavelmente sua, Lily


O fascínio de Dean Harper é um romance autônomo, contemporâneo da EUA TODAY Bestselling autor R.S. Grey com personagens sobrepostos de The Allure of Julian Lefray. Ambos os livros podem ser lidos separadamente.


CAPÍTULO 01

Lily Eu me orgulho de conhecer um bom garçom quando o vejo. Infelizmente, o cara do outro lado do balcão não é um. Já o vi estragar suas três últimas bebidas. Muito suco de laranja aqui, pouco gim ali. Os clientes levavam os drinks com grandes sorrisos e gorjetas ainda maiores, mas eu sabia melhor que ninguém. Era meu trabalho detectar a diferença entre uma bebida decente e uma que ganhou sua fama em um lugar como este. Bem, tecnicamente, ‘trabalho’ implicaria que eu estivesse sendo paga. “Vai pedir algo ou...” A garçonete propositadamente deixou sua pergunta no ar, mas ouvi a mensagem alta e clara: "Ou apenas vai sentar no bar por mais uma hora, olhando o menu como uma aberração." Olhei por cima do meu ombro e dei um sorriso apologético. "Eu vou precisar de mais um minuto para decidir." Ela soprou um hálito irritado e fechou seu bloco de notas. Tentei oferecer um pedido de desculpas, mas ela já tinha ido, com o rosto vermelho, foi andando em direção a uma mesa de homens de negócios cheios de dinheiro para gastar. Eles já estavam na quarta rodada de bebidas da noite. Um deles estendeu a mão para segurar a parte de trás de sua perna quando fez o pedido. Rolei os olhos e voltei para o meu menu de happy-hour. Já tinha praticamente memorizado, mas não estava nem perto de decidir o que pedir. Era minha primeira noite em Nova York e saí sozinha, com pouco dinheiro e muita fome. Convenci-me que não poderia


fazer muito alarde, mas os aperitivos a vinte e poucos dólares me fizeram perder a respiração. Que escolha eu tinha? Críticos criticam comida. Boa comida. Eles não classificam as 10 maiores redes de fast-food como a menos provável de se ter um ataque cardíaco. Se eu queria superar o Buzzfeed e realmente criar um nome para mim na cidade, tinha que avaliar os melhores restaurantes. Só não sabia como iria pagar por isso, ainda. O casal à minha direita foi servido de outra rodada de aperitivos: Mahi Mahi1 grelhado e rolinhos primavera. Eu os assisti comer, sem nem mesmo se preocuparem em experimentar o molho tailandês com manjericão. Bárbaros. “Posso te comprar uma bebida?” Tirei os olhos do casal à minha direita e olhei diretamente para o senhor careca que se sentou ao meu lado. Ele parecia ter a idade do meu pai, mas isso não o impediu de me olhar como se eu fosse a resposta para todas as suas orações. Mal sabia ele, mas estava prestes a ser a resposta para as minhas. Eu sorri e coloquei o menu no balcão. “Que tal o atum crocante em vez disso?” O sorriso dele caiu. “Sério?” Por que é costume dos homens comprar bebidas para as mulheres quando querem entrar em suas calças? Você sabe o que irá fazê-lo conseguir isso? Atum crocante. “Este restaurante é conhecido pela sua comida, não pela bebida.” Expliquei. O olhar dele escorregou do meu rosto para o menu e voltou novamente. 1

Tipo de peixe mais conhecido como Dourado.


“Mas, eu estava brincando,” falei para aliviar sua mente. Posso ter sido do Texas, mas até lá, presentes de estranhos raramente vem sem amarras. Eu estava desesperada, não estúpida. Ainda assim, ele ignorou o meu protesto e sinalizou para a garçonete trazer o pedido. Deveria ter me sentido culpada por pedir comida quando não tinha intenção de ir para casa com ele, mas não me senti. Depois que tirei uma foto do prato para o meu blog, deixei a comida para ele. Logo que o tempero picante do molho atingisse sua boca, estaria me agradecendo por sugerir isso. Ele arrastou seu olhar pelo meu corpo e estreitei meus olhos nele. Ele era mais alto, com um terno de risca de giz e suor cobrindo a sua testa. Eu o vi limpar a testa com um lenço antes de falar. “Então, você é daqui?” Ele perguntou. “Não. Você?” Eu não queria continuar, mas, como tinha uma foto do prato salvo no meu celular, seria bom continuar a conversa. “Sou de Staten Island2, nascido e criado,” gabou-se. “Eu trabalho com construção.” Concordei enquanto pegava o meu celular. Foi rude verificá-lo durante a conversa, mas não pude resistir. Enviei uma solicitação para um restaurante mais cedo e estava ansiosa pelo retorno deles. Eu duvidava que fossem entrar em contato comigo durante o happy-hour na sexta à noite, mas ainda queria verificar. Ele

deslizou

seu

banquinho

quase

imperceptivelmente

mais

próximo ao meu, deixou cair sua mão na minha perna e apertou. “Sabe alguma coisa sobre construção, querida?” Ele perguntou com um forte sotaque de Nova York. 2

Staten Island é um dos cinco distritos da cidade de Nova Iorque, sendo ligado ao Brooklyn pela Ponte Verrazano”Narrows e a Jersey pela Ponte Goethals.


Meu coração parou quando registrei a sensação da sua mão na minha pele nua. Foi por um, talvez dois segundos, antes de estender a mão e puxar fora. “Toque-me de novo e vou furar seus olhos com estes pauzinhos.” Seus olhos se abriram diante da minha ameaça — claramente, ele não estava acostumado a sua presa morder de volta. Já estava levantando do meu banquinho quando meu celular vibrou na minha mão. O que é uma saída perfeita. Eu queria ficar longe do Senhor Mãos-Bobas e tive que atender meu telefone. Ele torceu em seu banquinho e jogou as mãos para cima em derrota enquanto me afastava. “Oh, vamos lá. Fique! Eu estava só brincando.” “Bem, então você deveria melhorar a sua brincadeira, porque isso não foi muito engraçado.” Quando empurrei a porta do restaurante, não tive tempo para considerar o número desconhecido no meu celular. Estava prestes a parar de tocar e odiava retornar ligações de números estranhos. Essa conversa inevitável: "Sim, Oi, você me ligou — não, não conheço ninguém chamada

Lupita

—,

no

soy

Lupita,

lo

siento3."Aparentemente,

compartilhei meu número com uma idosa da República Dominicana. Quem diria? “Olá? Está me ouvindo?” Eu respondi quando coloquei o telefone no meu ouvido. O barulho da cidade tornou quase impossível ouvir a mulher do outro lado da linha. Agachei, coloquei o dedo no ouvido livre e apertei o telefone contra o outro tanto quanto possível. Se eu tivesse enfiado mais perto, provavelmente teria algum tipo de radiação no meu cérebro. “Olá! Está me ouvindo?” Perguntei novamente. 3

“não sou Lupita, sinto muito.” Achei melhor deixar em espanhol mesmo, dado que a personagem está conversando com alguém que fala espanhol.


“Sim. Ei. É Lily Black?” Eu cobri minha orelha e me inclinei contra o edifício, esperando que ajudasse a bloquear o ruído. “Sim. Quem é?” “Zoe, de Provisions.” Meu coração pulou com o nome do restaurante que eu esperava ter notícias. “Escute um minuto, sei isso é um pouco louco de perguntar, mas estamos realmente com falta de pessoal esta noite.” Sua voz é cortada e então ouço gritos abafados do outro lado da linha. Um segundo depois, ela falou através do telefone. “Lily, você ainda está aí?” Eu sorri. “Sim.” “Existe alguma maneira de você chegar aqui, tipo...” Ela parou novamente. “Agora?” Olhei para as placas com o nome das ruas ao meu redor, para me localizar. Ha. Eu passei 12 horas em Nova York. As únicas ruas que conhecia eram Broadway, 5º Avenida e Wall Street — nenhuma das quais me ajudaria nesta situação, mas não queria que Zoe soubesse disso. Você pode andar em qualquer lugar da cidade bem rápido, certo? É uma ilha, quão grande ela pode ser? “Uh, acho que posso estar aí em 10 minutos, mas eu não tive uma entrevista ou qualquer coisa.” Ela riu ao telefone, como se tivesse contado a piada mais engraçada que já tinha ouvido. “Onde você se vê daqui a dez anos?” “Eu... Uhh...” “Deus, isso foi uma piada. Vem logo.” A linha ficou muda e olhei para a tela preta do meu telefone em estado de choque. Eu tinha dez minutos. Bem, agora nove minutos e


cinquenta segundos. Merda. Digitei Provisions no Google Maps

4

e então

apareceu uma rota. De carro, poderia chegar lá em oito minutos. A pé, precisaria de pelo menos vinte anos. Eu não tinha dinheiro para gastar em um táxi e não era corajosa o suficiente para ir de metrô. Isso me deixou com uma opção. Amarrei meus cabelos em um rabo de cavalo, joguei minha bolsa por cima do meu ombro e decolei em uma corrida como se os mortos estivessem atrás de mim em direção a Provisions. Quando cheguei lá, o suor pingava da minha testa, tinha esfolado o joelho depois de tropeçar e cair em uma calçada, e tinha certeza que havia cerca de cinco tipos de chiclete grudados na sola do meu sapato. Apesar de tudo, não era minha melhor aparência. Grupos de pessoas lotavam a frente do restaurante, esperando para entrar. Segui meu caminho através deles, tentando recuperar o fôlego. Finalmente, cheguei à frente de uma enorme porta preta ladeada por dois holofotes redondos. Logo acima da porta, brilhando sob um holofote, ‘Provisions’ estava escrito em letras metálicas finas. Estendi a mão para a maçaneta da porta, respirando como uma mulher selvagem quando entrei na penumbra do hall de entrada do restaurante. O piso de mármore contrastava com as paredes cinzentas. Fotos em preto e branco foram posicionadas ao nível dos olhos em volta da pequena sala. Elas retratavam objetos do cotidiano: uma maçã, um arco íris, tijolos empilhados. Era a simplicidade das fotos que as transformava em algo intrigante. “Uhh posso te ajudar com alguma coisa?” Virei para a hostess posicionada atrás de um pódio preto. Uma lâmpada de ouro iluminava sua lista de clientes para o jantar daquela noite. A expressão azeda dela me disse que eu claramente não era um deles. 4

É um aplicativo lançado pelo Google, onde o principal objetivo é traçar rotas, visualizar cidades e até utilizar um navegador GPS.


“Estou aqui para ver Zoe.” Expliquei, tentando manter a exaustão da minha voz. A mulher arqueou uma sobrancelha para mim, baixou o olhar pelo meu corpo uma vez, antes de retornar o seu olhar afiado para os meus olhos. Sabia sem me olhar no espelho que parecia horrível. Uma parte dos meus cabelos loiros tinha saído do meu rabo de cavalo e definitivamente tinha sangue escorrendo no joelho. Ainda assim, o seu olhar de nojo não me afetava. Eu podia ver através do seu bronzeado e dos seus cílios falsos. Cílios tão grandes que fiquei surpresa dela poder levantar as pálpebras. Mulheres assim não me perturbam. Por quê? Porque elas eram previsíveis, quase como se estivessem fazendo um papel que tinham visto na TV. Fiquei firme e cruzei os braços. A mensagem era clara: sua vez. Eu teria ficado assim até ela chamar a Zoe, mas a sorte estava do meu lado. Um momento depois, uma mulher morena com um corte pixie5 dobrou a esquina do foyer como se estivesse em uma missão. Ela olhou da hostess para mim e depois de volta. “Crystal, o que diabos você está fazendo? Nós não te pagamos para ficar aí com cara de puta.” Eu resisti ao impulso de rir. Crystal revirou os olhos, mas ficou calada. Eu a vi pegar uma prancheta no pódio e então saiu irritada em uma nuvem de perfume e brilho. Quando não estava mais ao alcance dos olhos, a mulher morena voltou sua atenção para mim. “Por favor, não me diga que você é a Lily.” Minha confiança foi abalada.

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corte de cabelo curtinho


“Zoe?” Eu perguntei, limpando a palma da minha mão suada do lado do meu vestido. Ela correu a mão para baixo sua bochecha. “Não. Não. Isso não vai funcionar,” Disse ela, sacudindo a cabeça. “O que? Por quê?” Ela não tinha me dado cinco minutos. Ela olhou para mim, acenando com a mão na frente dela. “Porque a última coisa que precisamos neste restaurante é outra merda de boneca Barbie.”


CAPÍTULO 02

Lily Eu sabia o que Zoe viu quando olhou para mim. Podia sentir o seu desdém. Cinco segundos depois de me conhecer, pensou que sabia tudo sobre mim. Como ela estava errada. Ela cruzou os braços tonificados e olhei as tatuagens coloridas que iam dos ombros até os cotovelos. “Dê-me uma chance de provar as minhas habilidades,” Eu disse, me mantendo firme. Ela mordeu os lábios. “Escuta, você não é a primeira garota a entrar aqui com um rosto bonito de matar, apesar dos seus lábios parecerem os mais naturais que já vi na última década. O que você quer? Você quer ser uma atriz? Modelo? Você quer encontrar um paizinho para financiar sua estadia na cidade?” Deixei suas farpas de lado e estreitei meus olhos nela. Faz sentido, realmente. O trabalho da Zoe era gerenciar uma equipe de garçons, composta de sociopata egocêntricos. Por que ela iria querer acrescentar mais à mistura? Para sorte dela, eu não era uma, só, talvez, um pouco egocêntrica. “Onde está o seu bar?” Eu perguntei, ignorando sua linha de questionamento. Ela inclinou a cabeça, confusa. Tudo bem. Eu não precisava da sua ajuda. Já podia vislumbrar o bar principal no restaurante, ele estava posicionado contra a parede lateral. Tinha dois caras trabalhando por trás do balcão, movendo-se como ciclones tentando atender pedidos tão rápidos quanto possível. As instalações seriam simples — afinal, bares não são como ciência. Depois


que terminei a escola de culinária e um programa de bartender de dois semestres, tinha trabalhado em um bar perto da minha cidade. Nada demais, certo? Errado. Os Yuppies6 de Nova Iorque não eram nada como os Texanos. Eles queriam suas bebidas, e queriam para ontem. Eu passei por Zoe sem falar nada e fui direto para o bar. Era difícil andar através da multidão, especialmente com eles agrupados tentando chamar a atenção do barman. Então empurrei através deles, usando os cotovelos e pura força quando necessário. A bancada ficava na altura do meu estômago e não havia uma entrada à vista, mas não deixei isso me impedir. Lancei minha bolsa sobre ela e então me impulsionei. “O que você está fazendo?” Um dos garçons gritou quando passei minhas pernas por cima dela também. “Terminando a minha entrevista de emprego,” respondi, sem me preocupar em explicar. Meus pés caíram com um baque no tapete preto e então me virei para a multidão. Meia dúzia de pessoas estava me encarando com expressões chocadas. Deixei-os pensando enquanto lavava minhas mãos e pegava uma coqueteleira. O outro barman veio andando, seu olhar e sua aparência de modelo completamente desperdiçados em mim. Eu tinha uma coisa sobre caras que passavam mais tempo em frente ao espelho do que eu. “Você não pode estar aqui,” ele disse, tentando tirar a coqueteleira da minha mão. Eu puxei fora do seu alcance... E sorri. “Zoe me mandou aqui,” menti, só um pouco. Sua boca caiu aberta e me virei para a multidão, já estava entediada com ele. 6

Yuppies é uma expressão inglesa que significa "Young Urban Professional", ou seja, Jovem Profissional Urbano. É um termo usado para se referir a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta.


“Você.” Eu apontei para a menina baixinha na minha frente. Ela tinha uma nota de cinquenta dólares escondida na mão e estava sendo esmagada pela multidão empurrando atrás dela. “O que você está bebendo?” Ela olhou para trás e para frente entre mim e o outro barman, sem saber se estava autorizada a responder-me. O barman levantou as mãos dele e foi embora. “Não me pagam o suficiente para esta merda.” Eu sorri quando olhei para a menina, esperando a resposta. “Uh, ok. Quero dois Dirty Martini 7e um Gin,” ela gaguejou. Fácil. “Você tem preferência por alguma marca de gin?” Ela balançou a cabeça e me abaixei para verificar a oferta de bebidas atrás do bar. Eles tinham boas marcas de gin seco, mas eu preferia o sabor único do Hendricks8. Então estabeleci três copos de coquetel e comecei a fazer os Dirty Martini. Gelo, gin, salmoura de azeitonas e vermute extra seco foram adicionados a coqueteleira e depois coloquei a mistura nos dois primeiros copos de coquetel. Lavei a coqueteleira e peguei os limões, mas parei bruscamente quando não consegui encontrar qualquer xarope. Decidi que teria que trazer suprimentos para meu próximo turno, se durasse toda a noite. Em vez de incomodar o Capitão América e o boneco Ken, usei xarope simples e esperava que desse certo. Não havia tempo para perguntar onde cada ingrediente estava, não se eu quisesse realmente ajudar os outros garçons com toda a multidão. Mandei a mulher pagar com o outro garçom e minha atenção voltou para o próximo cliente. Embora ele provavelmente odiasse um dos 7

É um Martini clássico de gim e vodka que é feito com suco de azeitonas (também chamado de salmoura de azeitonas). 8 Marca de bebida.


bartenders chamado Brian, se juntou a mim e nós elaboramos um sistema de trabalho dentro de cinco minutos. Eu fazia as bebidas e ele recebia o pagamento ou entregava as bebidas em suas mesas. Eu tinha acabado de fazer dois White Russians9, um Sea Breeze10, um Screwdriver11, mais dois Dirty Martini e uma enorme quantidade de gin tônica antes de Zoe se juntar a mim atrás do balcão e agarrar meu braço. Abaixei a coqueteleira e virei a minha atenção para ela. “Entendi. A Barbie sabe trabalhar,” disse ela, me afastando do bar. “Brian, continue no bar. Lily vai voltar em alguns minutos.” Sorri e deixei ela me guiar. Se eu ia voltar, isso significava que tinha conseguido o trabalho. Segui Zoe através do restaurante, admirando por onde passávamos. Provisions continuava a me surpreender. O salão era espetacular, mas o pátio aberto no centro do restaurante tirou o meu fôlego. Eu não tinha visto nada assim antes. Os clientes estavam ao redor das mesas, comendo sob um bosque de árvores. Luzes penduradas nos galhos, clareando-os com uma luz suave. Circulamos o perímetro do pátio e então Zoe me levou a um corredor que tinha uma porta com o dizer: ‘Somente para funcionários.’ Quando passamos pela porta, a música calma do restaurante foi substituída pelo silencio. Nossos sapatos ecoavam pelo corredor e estendi a minha mão para tentar pará-la, então eu poderia me defender. “Honestamente, você não precisa se preocupar sobre as minhas intenções com este trabalho.” Ela se virou para me encarar. “Estou aqui porque preciso de um emprego em Nova York. Prefiro servir no bar, mas sou flexível. Tenho um curso de culinária e de bartender. Trabalhei com

9

É um clássico coquetel cremoso feito de vodka, licor de café e creme de leite, leite ou meio a meio. É geralmente servido num copo longo e com gelo. 10 Sea Breeze é feita com vodka, suco de laranja e suco de grapefruit. 11 Screwdriver é um coquetel feito a base de suco de laranja, vodka e gelo.


tudo que é possível imaginar, então, se há alguém qualificado para trabalhar aqui, sou eu.” Ela inclinou a cabeça e me estudou. “Parece que você poderia estar fazendo algo um pouco mais impressionante do que servir às mesas.” Dei de ombros. Ela não estava me dizendo nada que eu já não soubesse. “Eu quero trabalhar com restaurante, mas até achar meu lugar, só preciso pagar minhas contas.” “Que tal gestão?” Fiz uma careta. “Sem ofensa, mas não é a minha área.” Ela riu. “É justo. Geralmente tenho que esperar o Dean aprovar todos os novos contratados, mas ele está fora da cidade e preciso de você no bar hoje à noite.” Minhas costas se endireitaram na menção do seu nome. Ele era a razão pela qual mandei o meu currículo. “Minha melhor amiga está namorando um amigo do Dean, Julian. Foi como eu soube que estavam contratando.” Zoe assentiu. “É mesmo? Então já conheceu Dean?” Engoli. Seria um problema se eu não tivesse? “Não, mas tenho certeza que vamos nos dar bem.” Minha garganta apertou com a mentira. Quando minha melhor amiga Josephine me contou sobre o Dean e seus restaurantes, suas palavras exatas foram algo como "você e o Dean se darão tão bem como óleo e água," Mas o que importa? Ele seria o chefe do chefe do meu chefe. Nós realmente não vamos nos conhecer. Segui Zoe através dos gabinetes até o que parecia ser um vestiário para empregados. Uma fileira de cabines em uma parede, com pias em


frente a elas. Armários pretos estavam ao longo do lado direito, com roupas e mochilas derramando para fora delas. “Aqui, este deve servir,” Zoe disse, retirando uma peça de roupa roxa escura de um lugar acima dos armários. Desenrolei o pedaço de tecido e então olhei de relance para ela. “Você deve estar brincando comigo. São as roupas certas?” Ela sorriu. “Considere como um presente de Boas-vindas a Provisions, cortesia de Dean Harper.”


CAPÍTULO 03

Dean “Aonde vamos, Sr. Harper?” A resposta deveria ter sido uma só: casa. Eu estava viajando há nove horas e minha cama estava chamando meu nome. Infelizmente, meu dia estava longe de acabar. Já faz quase uma semana desde que coloquei o pé dentro do meu mais novo restaurante e minhas tendências de controle estavam começando a me incomodar. Nunca gostei de deixar um restaurante novo por muito tempo. A gerência e os funcionários precisavam de algumas semanas de supervisão antes que eu sentisse que estavam fluindo como uma máquina bem lubrificada. Minha equipe da Provisions, sem dúvida, teve alguma vantagem na minha ausência. Olhei para o motorista. “Provisions. Na...” “Eu sei onde fica, senhor.” Eu assenti e voltei a olhar pela janela, tentando forçar o meu foco de minha viagem de volta ao trabalho. O fato de que meu terno fedia um pouco aos animais da fazenda fez a tarefa quase impossível. Ir para o Iowa visitar a fazenda da minha família tinha sido muito esperado e altamente desnecessário. No primeiro dia, meus pais colocaram seus sorrisos falsos, mas logo as perguntas e opiniões estavam voando pior do que as moscas de cavalo. “Você tem trinta e três anos, Dean. Quando vai sossegar? Começar uma família?” Ah, nunca. É muito cedo? Que tal nunca mais ao infinito? “Você acha que essa vida vai te sustentar por muito tempo?”


O que acham que estou fazendo em Nova York? Roubando? Eu trabalho 12 horas por dia. “Parece muito solitário...” Não. Só na semana passada Kelly, Carmella e Svetlana mantiveramme bastante ocupado. Meus pais não poderia entender como eu poderia estar feliz como dono de restaurante em Nova York. Eles casaram com dezoito anos e me tiveram com vinte. Sua vida girava em torno da fazenda e da família. Não preciso dizer que eu queria algo muito diferente. E eu tinha. Eu era o dono dos melhores restaurantes de Nova York. Nos últimos anos, abri onze restaurantes ao redor da cidade. Este ano, planejei dobrar esse número. “Aqui estamos, Sr. Harper,” Meu motorista disse do banco da frente. “Devo esperar aqui até você terminar?” Deslizei uma gorjeta generosa sobre o console e balancei minha cabeça. Não sabia como estava o estado atual do restaurante. Provavelmente estaria lá por horas. “Vou chamar um táxi. Você pode levar minha bagagem de volta para minha casa e depois ir para sua.” Ele pegou a gorjeta com um sorriso largo. “Claro, senhor.” Balancei a cabeça e sai do carro, abotoando minha jaqueta preta o melhor que pude. Meu olhar deslizou sobre a fachada do edifício. A hera estava crescendo bem ao longo da parede exterior. Os holofotes sobre a porta iluminavam perfeitamente o nome do restaurante, assim como eu pretendia. Mesmo ás dez horas, havia grupos de pessoas esperando na calçada para entrar. Atravessei a multidão e entrei no restaurante, me preparando para o pior. Coloquei o meu melhor funcionário no comando, mas até mesmo Zoe poderia ter problemas sem a minha ajuda por uma semana. Uma


verificação rápida na entrada indicou que o lugar estava do jeito que havia deixado, embora uma das molduras das fotos estivesse torta, mas realmente não podia culpar Zoe por isso. Poderia? Não. Até eu tinha meus limites. “Sr. Harper! Está de volta!” Voltei minha atenção para a hostess, que estava me olhando com olhos de corça gigante atrás do pódio. Ela preencheu bem o uniforme e tinha o tipo de olhar que a clientela dos meus restaurantes esperava. “Não esperávamos vê-lo esta noite.” Dei de ombros. “Não deve ser um problema. Devem trabalhar como se eu estivesse presente todas as noites.” Ela deu uma risadinha, embora eu definitivamente não tivesse dito uma piada. “É claro. Falando em presentes, deixe-me pegar a sua jaqueta.” Ela deu a volta no pódio e pegou a minha jaqueta. O movimento fez com que a parte inferior do vestido levantasse, mas eu não estava perturbado. Quando estava no modo de trabalho, meus empregados eram números para mim. Sem nome, sem rosto, partes da minha máquina. Precisava deles para chegar a tempo, sorrir para os clientes e limpar as suas mesas antes de bater o ponto todas as noites. É isso. Seu dedo escovou a borda da minha gola e levantei a minha mão para detê-la. “Está bem. Onde está o Zoe?” Seu lábio inferior se projetava para fora e o braço dela caiu mole ao seu lado. “No escritório. Eu acho que ela tem tentado organizar a papelada, desde que contratou aquela garota nova.” Minhas costas enrijeceram. “Garota nova?” Eu tinha uma política rígida em cada um dos meus restaurantes: Eu tinha a palavra final para todos os novos contratados. Sempre tive


boa intuição e gostava de olhar cada empregado nos olhos pelo menos uma vez antes deles representarem a minha empresa. Zoe sabia dessa regra, e pela primeira vez, escolheu ignorá-la. A hostess franziu o cenho. “Sim, ela veio algumas noites atrás parecendo uma sem teto. Não acreditei que Zoe fosse realmente contratála. Pensei que ela ia chutá-la para a calçada.” “Obrigado,”

interrompi.

“Mas

não

é

da

sua

conta

quem

contratamos.” Odiava quando os funcionários agiam muito amigáveis. Eu não era um amigo do clube do livro. E sim seu chefe, e de Zoe também. Queria demiti-la por tentar jogar Zoe debaixo do ônibus, mas gritos animados vinham de um dos bares do restaurante, chamando a minha atenção. Dei um passo para frente e estreitei os olhos, curioso sobre a comoção. Os quatro bares que revestem o pátio inferior de Provisions ficavam cheios desde a noite de abertura, mas apenas um parecia que tinha um circo em volta dele. O que está acontecendo? Peguei trechos curtos de conversas quando fiz meu caminho mais perto do bar. “Estou enganado ou ela estava realmente quente?” “Cara. Eu comprei quatro bebidas. QUATRO. Por quê?” “Você olhou nos olhos dela. Você não deveria ter feito isso, cara.” “Ela é uma feiticeira!” Sorri. Não era a primeira vez que um dos meus empregados tinha estimulado a devoção dos clientes. É por isso que eu contratava gente bonita. Durante o processo de entrevista, minha equipe e eu avaliávamos os candidatos com base na sua aparência e sua experiência — nessa


ordem. O cliente não dá à mínima se sua costela sai um pouco mais tarde quando a mulher servindo-lhe parece boa o suficiente para comer. Empurrei a multidão para ver qual garçom estava superando o resto, e quando a vi, a presença dela me agarrou pelo pescoço e me puxou para mais perto. Meus olhos deslizaram para baixo de seu corpo por vontade própria e, pela primeira vez que conseguia me lembrar, eu não estava no controle. Ela tinha cabelo loiro selvagem com mechas cor de mel. Um punhado de sardas preenchia seu nariz e bochechas, apenas visíveis na penumbra atrás do bar. Seus lábios carnudos curvavam em um sorriso provocante e então se inclinou e deixou seu número riscado em um guardanapo. Sem tocá-lo. Ela estava muito ocupada, colocando uma bebida em um copo de coquetel. O dois bartenders andavam em torno dela, anotando os pedidos e recebendo dinheiro. Aparentemente, os clientes queriam suas bebidas feitas por ela e só ela. Eu a assisti voltar e pegar um licor no topo da prateleira. O decote do uniforme de Provisions deixava as suas costas bronzeadas a mostra. A saia abraçou seus quadris e agarrou logo abaixo de sua bunda. Nela, parecia lingerie. Deveria ter me afastado e procurado Zoe. Sabia o que atraia os clientes em direção ao bar e poderia passar para o próximo item na minha agenda. Deus sabe que eu tinha uma agenda cheia, e ainda, encontrei-me andando mais e mais perto do bar. Sentei em um banco livre posicionado em frente de onde ela estava fazendo as bebidas e esperei por toda a sua atenção. Porque ela era um nocaute completo? Não. Porque ela estava totalmente fodendo meu bar.


CAPÍTULO 04

Lily Nas últimas duas horas, o bar tinha se transformado em um circo. Eu tinha perdido o controle de quantas bebidas tinha feito. Meus pés doíam, minhas mãos doíam e tinha espremido tantos limões que poderia disputar com uma fábrica de torta de limão. O único lado positivo foi as gorjetas constantemente enchendo o pote na minha frente. Sempre que o cansaço começava a chegar, deixava meu olhar ficar lá por um segundo. Tenho que dividir tudo com Brian e Allen, mas ainda assim, a minha parte seria enorme. Entreguei duas bebidas, sacudi o excesso de refrigerante da minha mão e depois assisti quando um homem de terno sentou em um banco no bar. Ele não era o primeiro homem disponível, mas foi o primeiro que me fez olhar duas vezes. Eu tinha um tipo muito específico, e meninos bonitos estavam fora — não queria um cara com um cabelo melhor do que o meu. (Jared Leto12, estou olhando para você). O homem de terno não era bonito, ele era impressionante. Áspero em torno das bordas com um olhar castanho perigoso. Seu cabelo loiro sujo e bagunçado devido a algum mau hábito de passar as mãos por ele quando estava estressado. Eu abri minha boca para perguntar seu pedido, mas outro cliente falou em primeiro. “O que era aquela bebida que você me fez mais cedo?” Perguntou a jovem ao lado dele, balançando seu copo de coquetel vazio para frente e

12

É um ator, diretor, cantor e compositor americano. Vocalista da banda 30 Seconds to Mars.


para trás na sua frente como um metrônomo13 acelerado. Fiz a sua bebida horas atrás. Eu tinha uma memória boa, mas não tão boa. “Como era?” Eu disse, me inclinando para que pudesse ouvi-la sobre o som da multidão. O esforço aproximou-me mais do homem de terno e me incomodou que senti seu cheiro. Ou talvez esteja chateada porque gostei. “Você recomendou,” a menina falou com a voz arrastada. “Era de abacaxi com banana.” Pensei nas bebidas que eu tinha feito naquela noite que tinha abacaxi neles. Houve apenas alguns, e o copo de coquetel que ela estava mexendo ao redor me ajudou a lembrar. “É um Juliet,” Disse para a cliente, já pegando um novo copo de coquetel. “Tem tequila de ouro, licor de banana, suco de abacaxi e xarope de groselha.” Seus olhos se arregalaram. “Sim! Mais, por favor!” Eu sorri e virei para as prateleiras para alcançar a tequila de ouro. Quando o homem de terno falou atrás de mim e minhas costas enrijeceram. “Não vejo essa bebida no cardápio...” Sua voz era sexy, mas seu tom parecia seriamente irritado. Olhei por cima do ombro para ele. “Não. É só algo que eu gosto de fazer.” Suas sobrancelhas escuras arquearam quando ele avaliou a minha resposta. “O melhor mixologista14 da cidade passou semanas elaborando esta lista de bebida.” Melhor mixologista? Tinha olhado a lista antiga, era completamente sem inspiração e cheia de bebidas genéricas. Eu tinha pensado que 13

é um relógio que mede o tempo andamento musical É um profissional que aplica técnicas da gastronomia no preparo de bebidas, trazendo para a sua taça xaropes, caldas, espumas e o que mais ditar a criatividade do profissional. 14


quem fez a lista simplesmente pesquisou no Google ‘como fazer coquetéis hipster15’. Peguei a tequila de ouro e coloquei na minha estação e dei de ombros. “Eu gosto de jogar pelas minhas próprias regras.” Brian veio correndo atrás de mim, quase me tirando do caminho para falar com o homem de terno. “Senhor, eu não o vi aí. Quer que te sirva alguma coisa? O de sempre?” Eu sorri. O cara deve ser um inferno de figurão para ter Brian puxando o saco dele. “Não. Eu quero que ela me faça à bebida,” Ele disse com um tom escuro. Eu estava olhando para baixo, medindo a dose de tequila, ou ele teria visto meus olhos se estreitarem. Qual o seu objetivo? “Lily,” Brian sussurrou sob sua respiração, tentando chamar minha atenção. Olhei para ele por debaixo dos cílios. Seus olhos se arregalaram quando apontou para o homem de terno. A mensagem era clara: faça sua bebida. Agora. Infelizmente, eu nunca tinha sido muito boa em seguir ordens. Coloquei um sorriso falso e olhei para o homem de terno irritado. “Eu vou ser feliz em anotar o seu pedido logo depois que terminar com essas pessoas que estavam aqui antes de você.” Meu tom foi cortês e frio, ninguém pode me acusar de ser completamente rude. Era a voz adaptada por qualquer pessoa que teve um longo dia de trabalho e ainda tinha que continuar. O homem de terno se sentou e me assistiu preparar mais três bebidas. Eu era ainda mais rápida do que Brian, mas comparado a 15

O termo deriva de “hip”, um adjetivo inglês usado desde a década de 1940 com o significado de “descolado” ou “inovador”, designando os jovens brancos ricos que imitavam o estilo dos negros do jazz.


antes, estava tomando meu tempo. Seus olhos escuros ficaram fixos e sua raiva era palpável. Selecionei meus ingredientes e dosei com cuidado enquanto estava criando uma obra de arte. Eu vi como a sua compostura ia quebrando quando virei para o bar: a mandíbula bem barbeada e apertada; a linha da gola onde mostrava um peitoral bronzeado, subindo e descendo cada vez mais rápido; e os dedos fechados em cima da barra, ficando cada vez mais brancos. Por esta altura, a multidão em torno do pátio tinha diminuído, o que deixou Brian com nenhum outo pedido. “Senhor, tem certeza que não quer que eu pegue algo para você?” Perguntou Brian, sua voz um pouco mais estridente do que tinha sido apenas minutos antes. “Sério, Lily.” O homem de terno sacudiu sua cabeça, inclinou para frente e colocou os cotovelos na barra. “Brian, vá limpar o outro lado do bar,” Ele ordenou. O olhei e tirei meu sorriso amigável que geralmente usava para os clientes. Nossos olhares se encontraram com uma fúria silenciosa. Eu tinha estado em pé toda a noite, estava exausta, e agora tinha que lidar com um cliente do inferno. Ele não tinha ideia de com quem estava lidando. “Faça-me um Collins,” Ele disse por entre os lábios sedutores. Eles eram o tipo de lábios feitos para dar ordens e cumprir promessas. Ele não disse, por favor. Não, obrigado. Segurei seu olhar enquanto pegava um copo alto. Tinha orgulho de cada bebida que fazia, mas sabia que essa bebida seria horrível. Habilmente servi duas doses de gim seco pelo olho e em seguida, coloquei um toque a mais. Uma colher de chá de açúcar superfino e meia dose de suco de limão na coqueteleira. Agitei tudo e coloquei um toque


de soda. Ele pegou o copo da minha mão... Antes que eu pudesse passálo através da barra. O vi levá-lo a boca, segurando cada observação sarcástica que veio à mente. "Muito açúcar," ele disse, colocando o copo no balcão. "Faça outro." Ele mal tinha tomado um gole. Eu tive que morder minha língua até quase sangrar. O cliente tem sempre razão. Mesmo se o cliente está cheio de merda, está sempre certo. "Você é de verdade?" Um cliente nas proximidades falou em minha defesa, antes de virar para mim. "Não se preocupe menina, suas habilidades com bebidas estão no ponto. Não dê ouvidos a ele." Senhor Terno não falou nada e eu sabia que não tinha escolha. Tinha que fazer outra bebida. Medi os ingredientes em um vidro novo, minha mão tremeu de raiva. Estendi o copo novamente, ignorando o toque dos seus dedos quando puxou o copo fora do meu alcance. Suas sobrancelhas franziram quando tomou um gole da nova bebida. O olhei e esperei por ele reconhecer e agradecer-me pela segunda bebida. Ele balançou a cabeça. "Pouco limão." Podia contar com uma mão o número de vezes que um cliente me pediu para refazer uma bebida. Ele não sabia o que estava falando. Cheguei do outro lado do bar e peguei o copo da mão dele. Seu queixo caiu. "Lily! Jesus,” disse Brian, tentando puxar o copo da minha mão. Segurei o vidro e assisti as narinas do homem inflamarem quando tomei um gole da minha própria criação. Estava bom. Refrescante e saborosa. "Você é impossível," assobiei. "Desculpe, mas não precisamos do seu dinheiro aqui." Ele sorriu e balançou a cabeça, depois colocou a mão no bolso de trás. Então abriu a carteira de couro e tirou duas notas de cem dólares.


"Errado. Nós sempre queremos o dinheiro do cliente." Ele jogou as notas do outro lado do bar... E então se levantou do banco. "Você está demitida. Considere isso como sua indenização.” Meu coração pulou na minha garganta. Espere. O que? "Cara, você está ferrada," Brian gemeu. "Você sabe quem era?" Mal podia ouvir Brian através do salão. Eu estava muito concentrada no homem andando através da multidão. Ele era apenas mais um cliente... Certo? "Esse era Dean Harper." Ele riu, respondendo à sua própria pergunta. "Foi bom te conhecer."


CAPÍTULO 05

Dean Zoe: Você não demitiu a menina nova, demitiu? Diga que não é tão estúpido assim. Eu ignorei o texto da Zoe e calcei os meus tênis de corrida. Meu telefone tocou novamente e relutantemente li o texto. Zoe: O bar lucrou quatro vezes mais do que o normal na noite passada. APENAS FYI16. Zoe trabalha para mim há cinco anos. Nós trabalhamos bem juntos, porque ela era uma boa gerente e cem por cento desinteressada em mim — ou em qualquer outro homem. Resolvi trazê-la como gerente temporária no início de cada restaurante. Ela me ajudou a contratar e treinar os novos funcionários para as primeiras semanas e era muito boa no seu trabalho. Seu talento especial para brincadeiras chatas não era o porquê de eu contratá-la. Zoe: Por que você faria isso? Eu teria ignorado sua pergunta, mas algo me disse que ela não ia parar até que respondesse. Dean: Ela não é material para Provisions. Meu telefone zumbiu instantaneamente. Zoe: Sim, você está certo. Ganhar dinheiro é ultrapassado. Coloquei meu fone de ouvido e selecionei a playlist de treino. Zoe poderia machucar os dedos de tanto mandar mensagens, mas eu tinha que começar a minha corrida. Minhas panturrilhas estavam doloridas do meu treino de ontem, mas a tensão aliviaria até chegar ao parque.

16

For Your Information = Para Sua Informação.


Tranquei o apartamento e coloquei as chaves reservas dentro do meu tênis esquerdo. Então comecei a correr. Tinha que fazer algum exercício todos os dias, não tinha nada específico para isso. Corrida, ciclismo, remo, tudo que fizesse eu me mexer e domar o fogo que queimava dentro de mim. Corri mais rápido e comecei a sentir os pedaços da minha vida entrando no lugar. Pensei que ficaria feliz depois que fizesse meu primeiro milhão, meu décimo, meu vigésimo. Eu tinha pensado que quando tivesse um nome sólido na área de restaurantes em Nova York, ficaria satisfeito. Estava errado. O fogo nunca morreu e sempre quis mais. Qualquer calouro na faculdade com um punhado de créditos de psicologia poderia ligar os pontos que eu estava usando o trabalho para preencher um vazio emocional na minha vida, mas objetivamente falando, eles tinham que estar errado. Eu não tinha espaços vazios. Tinha mais do que a minha cota de mulheres e amei mesmo, verdadeiramente, uma ou duas ao longo do tempo. Não tinha anseio por nada, sem faltar coisa alguma, e ainda assim, empurrava mais. Por quê? Porque algumas pessoas gostam de um desafio. Eu estava correndo no Central Park quando meu telefone tocou. Verifiquei, preparado para ignorar Zoe novamente, mas o nome de Julian apareceu em vez disso. "Julian, o que se passa?" Perguntei, usando a oportunidade para recuperar o fôlego. Só tinha corrido a metade do trajeto, mas alonguei o meu tendão com cuidado para não lesionar o músculo. "Ei cara, está de volta?" Ele perguntou. "Cheguei ontem à noite." "Deixe-me adivinhar, você foi direto para o trabalho, quase não dormiu, e agora está o que — correndo?"


Eu sorri. Julian e eu somos amigos desde a faculdade. Ele conhecia melhor do que ninguém meus hábitos. "Touché, idiota. O que você quer?" Ele riu e então ouvi uma voz feminina em segundo plano. Provavelmente estava com a namorada, Josephine. "Estou no Central Park tirando fotos para o blog da Jo. Você deveria vir. Acho que nós vamos tomar café da manhã depois de tirarmos todas as fotos que ela precisa." Eu não podia tomar café da manhã, mas já estava no Central Park. Não dói nada parar por alguns minutos. Poderia terminar a outra metade da minha corrida depois. "Onde está?" "Lower East Side com à 72." Olhei a placa da rua. Eu estava na 66 com a Broadway, então se for em linha reta, estarei lá em um segundo. "Tudo bem, nos vemos em um segundo." O Central Park estava repleto de famílias e turistas tentando aproveitar ao máximo a sua manhã de sábado. Em poucas horas, o parque quase seria quente demais para ficar, mas com o sol escondido atrás das casas, a temperatura ainda era legal. Desacelerei para uma caminhada quando me aproximava da Rua 72 e procurei por Julian e Josephine. Passei pela Rumsey Playfield

17e

então continuei andando ao

longo da trilha. Eu estava chegando na 5ª Avenida, quando ouvi o riso. "Lily. Cale a boca! Não posso tirar fotos sérias se você está fazendo piadas o tempo todo." "O que devo fazer? Seu rosto parece estranho! Eu disse para olhar como um tigre, não um gato doméstico com prisão de ventre."

17

É uma área aberta dentro do Central Park, aonde as pessoas se reúnem para fazer pic”nic ou assistir algum show.


Fui em direção às vozes e examinei a trilha até vê-los ao lado, quase escondidos nas árvores. Josephine estava acima de uma rocha com a floresta como seu plano de fundo. Ela estava vestida a rigor para o seu blog de moda e uma loira desconhecida estava tirando fotos dela. Julian estava de lado, provavelmente tentando permanecer fora da área de fotos. "Tente fazer algo assim," disse a loira, dobrando o corpo em uma pose que vira celebridades fazerem mil vezes. A pose revelou um pouco da sua pele tentadora entre seus shorts jeans e sua camiseta branca. As roupas simples e seu tênis All-Star me lembraram das meninas em casa, em Iowa. Dei um passo mais perto, parei a minha música e desenrolei do pescoço meus fones de ouvido. Meu movimento chamou a atenção de Josephine. Ela sorriu e pulou fora da rocha. "O titã da indústria chegou!" "Ei Jo," Eu disse antes de lançar a Julian um aceno. A fotógrafa foi à última que virou para me cumprimentar. Ela estava mexendo com a câmera, olhando para baixo, fazendo com que o cabelo cobrisse quase metade do rosto. Concentrei-me na parte que poderia ser vista, suas maçãs do rosto e os lábios cor de rosa curvados em um sorriso. Dei um passo mais perto e ela olhou para cima, ociosamente, passando rapidamente o olhar dela por meus shorts de treino e tanquinho. A reconheci, um momento antes dela fazer a conexão. Quando descobriu a minha identidade, uma chama inflamou-se por trás de seus olhos brilhantes. "O que você faz aqui?" Ela perguntou.


CAPÍTULO 06

Lily DEAN HARPER tinha coragem. (E um físico perfeito, se você fosse alguém que prestasse atenção a esse tipo de coisa. Eu, claro, não poderia me importar menos.) Depois que ele tinha me despedido na noite passada... Sabia que estávamos destinados a ter um encontro em algum momento. Só não imaginava realmente que aconteceria na manhã seguinte. Eu ainda estava lambendo minhas feridas, pelo amor de Deus. Andei mais perto e apertei a câmera de Josephine com tanta fúria que podia tê-la transformado em pó. Ela tomou conhecimento e suavemente tirou de minhas mãos antes que se tornasse vítima da guerra que estava prestes a acontecer. Para o seu crédito, Dean parecia tão furioso quanto eu. Seus olhos escuros olharam-me de cima para baixo, aparentemente enojado a me ver ali de pé. "Você é a Lily?" "Lily Noelle Black," zombei. "Não se preocupe, não estou ofendida, deve ser tão difícil para você manter o controle de todas as pessoas com quem é um idiota." Julian se envolveu segurando as mãos entre nós. Com seu cabelo escuro acinzentado, ele geralmente parecia intimidante, mas na frente de Dean, não podia se comparar. Eles eram da mesma altura, mas Dean tinha mais músculos — músculos que provavelmente queria usar para me estrangular naquele momento. "Jesus. O que há com vocês?" Julian falou. "O que aconteceu ontem à noite?"


Cruzei os braços e inclinei meu quadril, dando a Dean um sorrido do tipo "Eu tenho você, cadela." "Vá em frente, diga a eles, Dean. Pela segunda vez em doze horas, eu deixo você falar." Dean passou as mãos pelo seu cabelo, confirmando minha suspeita sobre seu mau hábito. Então fixou seu olhar ao meu e depois em Julian. Para que? Servir de consolo? Apoio moral? Sim, certo, amigo. "Lily teve sua primeira noite na Provisions ontem e fez do meu bar uma imitação de Coyote Ugly18." Meus olhos se arregalaram. Literalmente. Eles devem ter saído do meu crânio em resposta à quantidade de besteira que ele tinha vomitado. Olhei para o chão para confirmar que meus olhos não estavam lá e então cheguei perto de Dean com meu dedo apontado para seu peito. Julian posicionou seus braços entre nós, preparando-se para nos manter separados se precisasse. "Eu não estraguei o seu bar. Fiz muito dinheiro, isso é ridículo!" Os olhos do Dean inflamaram-se com raiva. "Você insultou meu cardápio na frente dos clientes! Desrespeitou a mim e minha equipe.” "Oh, vá lá! Esse cardápio de bebidas é uma merda e você sabe disso! Bahama Mama19? Que inovador!" "Ok! Uau." Josephine agarrou meus braços e desviou minha visão do olhar de morte de Dean. Eu me concentrei nela e, pela primeira vez desde que ele tinha chegado, fui capaz de tomar uma respiração. "Lily. Você precisa se acalmar," Ela disse. "E Dean," Julian fala. "O que diabos deu em você?"

18

Filme lançado no Brasil com o nome de “Show Bar” no ano 2000. O filme conta a história de Violet Sanford, uma jovem de 21 anos, que segue para Nova York com um sonho: tornar-se uma grande compositora de sucesso. Mas ela deixa suas aspirações profissionais de lado quando recebe uma proposta para trabalhar num show bar chamado Coyote Ugly, localizado em Manhattan. Até que, juntamente com um grupo de jovens mulheres sensuais, irá atormentar os clientes do local com suas artimanhas e brincadeiras. 19 É um coquetel tropical com rum, rum aromatizado com coco, xarope de romã, seco de laranja, suco de abacaxi e gelo.


Nós dois resmungamos em aborrecimento, tão em sintonia que eu teria rido se não o desprezasse tanto. Jo virou para Julian e eles trocaram um olhar preocupado. "Por que não nos separamos um pouco," sugeriu Julian. Jo assentiu com a cabeça. "Eu estava pensando a mesma coisa." Odiava

ser

tratada

com

condescendência.

Dean

e

eu

não

precisávamos de mediadores. Nós poderíamos resolver nossos problemas sozinhos, mas Julian já tinha virado e levado Dean de volta para a trilha. Vi suas costas, esperando ele virar e atirar-me um último olhar de morte, mas ele nunca olhou e Josephine me puxou antes que eu pudesse pensar em lançar uma última obscenidade. Chutei a sujeira no caminho, ainda me recuperando do conflito. Josephine apertou meu ombro enquanto caminhávamos em direção a 5ª Avenida. "Wow. Então isso foi...” Olhei para ela, "Horrível." Ela estreitou os olhos. "Pitoresco." "Você devia ter visto como ele me tratou ontem à noite." Ela apertou os lábios e seu olhar verde virou para mim. "Bem, acho que não foi muito bom." "Ele fingiu ser um cliente de merda e depois me despediu. Na frente dos outros garçons." Ela parou de andar. "Sério?” Balancei a cabeça. "Você quer voltar? Eu seguro ele e você o chuta nas canelas." Eu sorri. A ideia de atacar Dean com Josephine como cúmplice parecia tentadora, mas tinha que haver uma maneira melhor de ficar sob sua pele. Acabei de pensar.


"Não, estou bem. Vamos para o apartamento. Preciso voltar a procurar um trabalho, de qualquer maneira." Vi sua carranca pelo canto do meu olho. "Sinto muito Lily, mas não posso. Julian e eu temos planos de almoçar com a irmã dele e depois ela quer me mostrar alguns dos projetos de sua próxima coleção." Eu estava em Nova York há dois dias e já senti que Josephine estava muito ocupada para mim. "Você terá um tempo para jantar?" "Alguns blogueiros vão se reunir para um happy hour," respondeu, olhando para o calendário do seu telefone. Balancei a cabeça. Perfeito. Eu também tinha planos muito importantes. Eles incluíam: enviar meu currículo para todos os restaurantes num raio de 160 km e assistir uma maratona de Pretty Little Liars20 para pensar que não estava sozinha.

20

Série americana de drama e mistério, criada por I. Marlene King e exibida pela ABC Family.


CAPÍTULO 07

Dean "DEAN, você tem que contratar Lily de volta.” Eu olhei para Julian e ele arqueou suas sobrancelhas para dar ênfase. "Sério." Eu tinha andado com ele através do parque, explicando o meu lado da história da noite anterior. Sabia que não estava cem por cento certo, mas

Lily

definitivamente

não

era

um

anjo.

Sua

atitude?

Sua

personalidade? Ela era como um gato encurralado: garras de fora, pronta para atacar. "Olha, eu sei que ela é sua amiga e não duvido que, provavelmente, é uma delícia estar ao redor dela todos os dias, mas empregados de cabeça quente não duram muito tempo. Por que acha que precisa trabalhar para mim?" Julian abanou a cabeça. "Ela acabou de se mudar do Texas há dois dias. Foi morar com Jo... e precisa de trabalho. Não vai quebrar você ou seus restaurantes. Isto é sobre ajudar um amigo." "Bem, você está pedindo muito de mim, cara. Josephine? Ela é como um doce pêssego do Sul. Se ela precisasse de um emprego, eu daria um em um segundo." Ele riu. "Não acho que ela iria abandonar a Vogue para limpar talheres para você." Bati palmas. "Bem, aí está! A feira de emprego está fechada." "Você está sendo um idiota."


Me virei para encará-lo. "Você não me ouviu? Eu-não-gosto-da-Lily. Não vou contratá-la para trabalhar no meu restaurante. Nem agora. Nem nunca." Ele cruzou os braços e me olhou. O que ele procurava? Eu não tinha ideia. "Comece do zero, dê-lhe mais uma chance. Vocês não se conheceram nas melhores circunstâncias. Vamos jantar para que possam fazer as pazes. Se ainda assim não funcionar, tudo bem, mas pelo menos você pode explicar para Josephine que tentou não uma, mas duas vezes ajudar Lily." Odiava que me dissessem o que fazer. Sempre odiei. Eu gostava de ouvir meus próprios instintos, especialmente quando se tratava dos meus restaurantes. Infelizmente, sabia que banir Lily de minha vida profissional não importaria, se ela já estava na minha vida pessoal. Considero Julian e Josephine meus amigos mais próximos. Por essa razão — e só essa—balancei e concordei em jantar. "19:00h, segunda-feira. Você escolhe um lugar neutro e quero que ela se acalme antes de eu chegar."


CAPÍTULO 08

Lily Noites que eu estava em Nova York: três. Noites que Josephine tinha ficado no apartamento de Julian: três. Quando pensei em minha mudança para a cidade de Nova York, imaginei eu e Josephine dominando o mundo. Tive sonhos de explorar a cidade com ela. Você sabe, experimentar nosso primeiro assalto juntas pagando dez dólares em Chinatown21 por nossos cabelos tingidos e rirmos dias depois quando tudo caísse. Vê? Divertido! Infelizmente, parecia que ia explorar a cidade sozinha. Infelizmente, tive a sensação de que sozinha não seria tão divertido. Josephine havia sido minha melhor amiga desde que tinha dentes de coelho e enfiávamos a Polly Pockets em nossos narizes. Eu resolvi mudar para Nova York, em parte por ela, mas, tendo um namorado filho de duas belas estrelas da televisão, eu já não era sua prioridade. Suspirei e enfiei minha mão de volta na caixa de cereais, apenas para encontrá-la vazia. Fantástico. Eu poderia ter me amontoado em auto piedade por mais trinta minutos pelo menos, mas não sem um constante fluxo de Cinnamon Toast Crunch22. Não tive escolha, precisava sair do apartamento. Arrastei-me até minha mala e peguei a primeira coisa que meus dedos tocaram. Era uma camiseta azul suave com um esboço branco do Texas na frente. No centro, em negrito, lia-se "Made23."

21

É uma área em Manhattan que abrange uns 12 quarteirões e é uma comunidade enorme de imigrantes chineses que foram para Nova Iorque e construíram sua vida por lá. 22 É um cereal de marca Produzido pela General Mills e Nestlé. O cereal consiste em pequenos quadrados ou retângulos de trigo e arroz coberto com canela e açúcar. 23 Algo como “Made in Texas”. Uma brincadeira, já que a personagem é do Texas.


Chorei quando agarrei a blusa na minha mão. As lágrimas me chocaram. Chorava alto o suficiente para que os vizinhos ouvissem, mas não consegui parar. Eu estava por minha conta. Tinha uma perspectiva de emprego na cidade de Nova York. Provisions deveria me fornecer uma renda provisória até que conseguisse algo permanente. Em vez disso, Dean Harper tinha andado por aí como um lobo irritado, bufando e soprando meus sonhos para longe antes que eu mesma pudesse começar a construí-los. Espera... isso faz de mim um dos porcos estúpidos com materiais de construção de merda. Chorei mais forte. Meu telefone tocou no chão ao meu lado e o rosto de Josephine apareceu na tela. Ela estava dormindo na foto. Seu cabelo escuro estava para cima em todas as direções e eu tinha desenhado um pênis do outro lado das bochechas dela. Era uma foto do nosso último ano do ensino médio e ainda me fazia rir. "O que você está fazendo?" Ela perguntou. Olhei para baixo para o ‘Made in Texas’. "Nada." Isso soou ridículo. "Fazendo exercício,” corrigi. "Oh, uau, bom para você. Cárdio? A cidade tem um monte de trilhas divertidas.” Rolei os olhos e olhei para o chão. Ela só estava me fazendo sentir pior. "Quais são seus planos para o dia?" Perguntei. "Eu tenho que fazer uma entrevista para minha coluna na Vogue e depois terminar de fazer as fotos das roupas de ontem para postar no meu blog. Quer sair mais tarde?" Finalmente! Luz no fim do túnel! "Soa bem."


"Ok. Eu te ligo." Ela desligou e olhei para o teto, percebendo, pela primeira, vez que me mudei para Nova York sem um plano sólido. Tinha deixado tudo para trás no Texas: meu trabalho fixo, porém terrível em Acapulco Tex-Mex Grill, minha pilha de projetos DIY Pinterest inacabados e um carro velho vermelho que carinhosamente apelidei de barril. Para quê? Para entrar na indústria do restaurante. E o que estava fazendo? Festa de auto piedade. Eu não podia desistir de meus sonhos em três dias, mesmo que Dean Harper fosse um idiota, e mesmo se Josephine estava muito ocupada para realmente ficar comigo. Encontraria um chefe mais legal do que ele e mais amigos além dela. Segurei esse pedacinho de esperança e olhei pra cima. Eu não podia sentar e esperar pelos meus sonhos. Tenho que levar a vida pelos chifres. Escovei meus dentes, meu cabelo e depois vesti uma roupa casual de negócios. Prática, calça reta azul marinho, sapatilhas e uma das blusas brancas de Josephine. Ela me devia pelo menos isso. Um pequeno corretivo sob os olhos escondeu meu colapso mental temporário e um pouco de rímel me trouxe de volta à terra dos vivos. Eu senti como se estivesse em um clip de música enquanto caminhava em direção à estação de metrô. ‘You Only Live Once’ dos The Strokes soava nos meus fones de ouvido, dando-me um pouco de animação. Estava indo para a estação de metrô pela primeira vez quando Josephine mandou uma mensagem. Eu não tinha certeza se poderia atender o celular nas profundezas da Terra média — ou para onde levam as escadas do metrô — então parei ao lado, me pressionado contra as traves do metrô, quando li o que ela havia enviado.


Josephine: Acabei de saber que Julian quer jantar esta noite. Encontre-nos no Gramercy Tavern em torno das 19:00? Vamos festejar! Lily: Tudo bem. Eu sorri. Poderia me gabar de tudo o que tinha conseguido fazer naquele dia. Oh... Eu? Só estou trabalhando no restaurante mais sofisticado da cidade e fui convidada para a festa de aniversário de Blue Ivy24. Então, sim, me mate. Fui descer as escadas e fiz uma pausa quando reparei no zoológico a minha volta. Estava confiante com o ritmo acelerado dos novaiorquinos e continuei andando sem esforço em torno da estação de metrô. Observei enquanto passavam através das catracas de metal querendo saber onde tinham adquirido o cartão de passe. Virei em um círculo, à procura de uma cabine de informações, mas era difícil enxergar além do bando de pessoas em preto, cinza e tons de marrom. Você pensaria que o estado tinha proibido outras cores. Quero dizer, sério, gente. Tentei chamar a atenção de alguém, assim poderia pedir ajuda, mas ninguém olhou para mim. Eu estava oficialmente por conta própria. Andei fora do caminho e estava prestes a pesquisar ‘como usar o sistema de metrô de NYC’ no meu celular quando notei um texto que Josephine havia enviado há alguns minutos. Josephine: Ah, e não é grande coisa, mas Dean vai se junta a nós. Ok, tchau. TTYL25. "Merda." "Senhora, você está bem?"

24 25

Filha dos Raps Jay’Z e Beyoncé. Talk To You Latter = Falo com você depois.


Olhei para longe do meu telefone para encontrar um mendigo sentado no chão ao meu lado. Sua barba branca áspera era muito grande e o cabelo dele era composto de dreadlocks bagunçados. Seus olhos cinzentos encontraram os meus e fiz uma careta. "Quer saber... Não mesmo,” admiti. Ele encolheu os ombros. "Minha mãe me disse que haveria dias assim." Balancei a cabeça. Sábias palavras de um homem vestindo uma camiseta que dizia ‘The Blue Bunny Strip Club XXX’. "Eu sou Lily," falei, estendendo minha mão. Ele concentrou seu olhar na palma da minha mão, aparentemente confuso sobre o que fazer com ela. Enrolei meus dedos de volta ao meu punho e deixei minha mão cair. "Nelson," Ele disse com um aceno de cabeça. "Já andou de metrô?" Eu perguntei antes de voltar a olhar para a multidão de pessoas. Ele falou com tanto sotaque que as palavras pareciam se misturar. "Que tipo de pergunta é essa? Você acha que eu fico aqui servindo de paisagem?" Tudo bem então. "Vou comprar um hambúrguer se você me ajudar a descobrir." "Com queijo?" Eu sorri. "É claro." E foi como o Nelson, o vagabundo, se tornou meu primeiro amigo em Nova York. Olá, calendário social pleno.


CAPÍTULO 09

Lily Após um dia inteiro tentando arrumar um emprego, virei à esquina da Rua 20 e imediatamente peguei os aromas tentadores enchendo o ar em torno do Gramercy Tavern. Uma dica de frango assado foi o suficiente para fazer meu estômago roncar pela milésima vez naquela noite. Em algum lugar entre o almoço e o jantar, eu deveria parar e me alimentar, mas não tive tempo. Em um momento de fraqueza, tinha parado para comprar um pretzel quente de um vendedor de rua, mas em outro momento de maior fraqueza, tropecei e ele caiu numa poça. FML26. Abri a porta de madeira pesada e quase desmaiei no local, o cheiro de alho e purê de batatas me bateu com força total. Meu coração. Havia uma dúzia de pessoas esperando para sentar, todos aglomerados juntos na sala de espera. Passei através deles para encontrar o stand da hostess e sorri para a pequena loira pronta para anotar meu nome na lista. "Oi, mesa para quantas pessoas?" "Ah, eu acho que deve haver uma reserva em nome do Sr. Lefr...” "Lily." Minhas costas enrijeceram ao som do meu nome proferido por uma voz familiar. Por favor, que seja Julian. Por favor, que seja Julian. Virei e fiquei cara a cara com Dean Harper encostado na parede da entrada com as mãos nos bolsos de sua calça social preta. Suas sobrancelhas estavam franzidas, seus lábios cheios foram definidos em uma linha fina e seus olhos castanhos estavam emitindo níveis que deveriam ter sido 26

Fuck My Life = Minha vida é fodida.


reservados para criminosos verdadeiramente hediondos. Ou você sabe, aquela pessoa chata que tenta cortar você na fila do mercado. Estou aqui, filho da puta. Isto não é cada um por si. Dei um passo em direção a ele e, em seguida, observei como a ruiva ao seu lado se inclinou para beijar sua bochecha. Ela era quase da sua altura, que a fez ser um pouco mais alta que eu, mas era o cabelo dela que tinha toda minha atenção. Os fios eram da cor de fogo, o mesmo tom que tinha usado para revestir os lábios. O vestido dela era apertado e preto, enrolado em seu corpo de uma forma que me fez puxar a blusa branca simples que coloquei naquela manhã. Corri ao redor da cidade nas últimas doze horas, então as chances eram que eu estava ostentando cerca de duas ou quatro manchas e bastantes rugas para fazê-la parecer como se apenas acabei de tirar do cesto. "Estamos esperando Julian e Jo," disse Dean, antes de falar qualquer tipo de saudação. Olhei para ele e peguei o final da sua leitura da minha roupa. Arqueei uma sobrancelha quando nossos olhos se encontraram. "Trouxe uma amiga," Eu disse com um sorriso educado destinado a mulher à sua esquerda. "Um encontro,” ele corrigiu. É claro. "Ah, bem, não sabia que estávamos trazendo encontros." Ele inclinou a cabeça para o lado e estreitou os olhos em mim. "Sinto muito, vou ter Jo esclarecendo isso para você na próxima vez. Já que estamos todos na mesma página." Ele falou com indiferença afetada. Abri minha boca para responder quando seu encontro se adiantou e tentou diminuir a tensão entre nós. "Eu sou a Casey," ela disse, oferecendo sua mão como uma oferta de paz. Seu sorriso era genuíno,


embora um pouco desesperado. Tenho certeza que ela sentiu o constrangimento tanto quanto eu. "Lily," eu disse, aceitando o seu aperto de mão e amaldiçoando os céus. Como é que alguém tem mãos tão macias? "Prazer em conhecê-la, Lily." Ela sorriu. Ela era linda e educada; o que diabos estava fazendo com Dean? "Como se conheceram?" Eu perguntei, focando minha atenção em Casey. Ela sorriu e pegou a mão dele para que pudesse enroscar seus dedos juntos. "É uma história engraçada. Eu estava em uma loja de café, você sabe, o local legal na 43ª?" Ela olhou para o Dean. "Como se chama?" Antes que ele pudesse responder, ela continuou a história 'engraçada' com um aceno de sua mão. "De qualquer forma, eu estava encomendando um bagel, mas queria com mirtilo e estavam sem, então...” Meu cérebro tinha se desligado em algum momento entre a primeira e a segunda frase, mas fingi que acompanhava. Eu não precisava saber a história da sua vida. Só queria saber se, de alguma forma, ela foi drogada para convencê-la a sair com ele. "E então, de qualquer forma, ele chega e pergunta 'É este o seu café?” Ainda chato. Mudem de canal. "Sim!" Ela disse, com um sorriso de covinhas e um encolher de ombros, encerrando a história dela. "Isso é tudo. Acho que este é nosso segundo encontro oficial." Eu sorri, maquinando um plano para atingir Dean na carteira. "Bem, é uma noite especial para vocês. Vamos comemorar. Dean, por que você

não pede uma boa garrafa de

esperamos?"

champanhe enquanto


"Eu amoooo champanhe!" Sussurrou Casey quando peguei a carta de vinhos da hostess. "Acho que deveríamos esperar por Jul..." "Absurdo! Casey, você diria que é uma garota de vinho encorpado?" Perguntei. "Meus favoritos são os champanhes realmente borbulhantes. Eu gosto do jeito que faz cócegas no meu nariz!" Ela adoravelmente gorjeou. “Champanhe borbulhante, entendi." Eu sorri largamente quando encontrei uma garrafa de US$600 no cardápio. "Acho que o Selosse seria perfeito, não concorda Dean?" Por um milésimo de segundo pensei que vi um sorriso atravessar os lábios de Dean, um reconhecimento dissimulado que sabia o jogo que eu estava jogando, mas quando olhei para trás, ele tinha ido embora. Determinação estoica revestiu suas feições, desenhando uma linha distinta entre onde ele estava e onde eu estava. Distantes. Separados. Éramos praticamente duas espécies diferentes. A porta do restaurante abriu e entrou uma trêmula Josephine seguida por Julian em seus calcanhares. Eles estavam com os rostos corados e sorrisos gigantes transbordando de amor. "Desculpa, desculpa, desculpa!" Josephine disse, apertando as palmas das mãos em uma prece silenciosa para eu perdoá-la por estar atrasada. "Ficamos presos no apartamento." Eu sorri. "Perdeu a chave das algemas de novo?" Casey gritou e inclinou-se para rebater o meu braço. "Você é tão má!" "Desculpe-me." A hostess andou até nosso grupo. "Todos da sua mesa estão presentes?" Dean se afastou da parede. "Sim. Vamos levar esse show para a mesa." Ele passou por mim, deixando seu encontro para trás em favor de


liderar o grupo para a nossa mesa. Eu o olhei andar, sinceramente perplexa com ele. A hostess tentou conversar, mas as respostas dele foram cortantes e desinteressadas. "Eu juro que ele nem sempre é assim," Josephine sussurrou enquanto caminhávamos lado a lado pelo restaurante. Deslizei meu olhar para o dela. "Quer dizer que ele nem sempre é um idiota total?" Ela franziu a testa. "Eu sabia que era um maníaco por controle, mas só estive perto dele quando está no modo festa." Dei de ombros olhando em sua direção. Ele já está a alguns passos na frente de nós... E já estava puxando uma cadeira. "Casey," ele disse abruptamente, dirigindo-a para o assento ao seu lado. Como polidamente controlado era. Ela sentou-se como um encontro obediente e eu ao seu lado para não separar os dois pombinhos. Julian puxou a cadeira de Josephine e então se inclinou para beijar seu cabelo. Ela sorriu para ele com adoração e meu estômago revirou no local. Inveja não era um sentimento familiar para mim e não sabia como lidar com a sensação. Eu queria um namorado? Não tinha pensado nisso. Estava muito ocupada tentando me concentrar na minha carreira. Adoraria um caso de uma noite? Algum sexo de arrebentar? Absolutamente. Infelizmente, o único solteiro que conheci em Nova York foi Nelson e algo me disse que eu deveria resistir a um homem que tinha, pelo menos, tomado banho no último mês. Sabe, traçar o limite em algum lugar... Nosso garçom apareceu em um terno de pinguim completo com uma gravata perfeitamente colocada. Ele inclinou-se para colocar nossos menus na nossa frente e então abriu os guardanapos com um floreio. Uma pressa familiar correu através de mim quando peguei o menu. Eu vivi por boa comida. Ler um novo menu era como mergulhar em um novo


livro. Um bom restaurante como o Gramercy Tavern, tem uma boa história para contar — uma em que a maioria das pessoas tende a ignorar, mas não eu. "Boa noite a todos. Nosso especial de hoje inclui uma carne de porco à bolonhesa com abobrinha e manjericão. Nós também temos truta com puré de Cipollini27 em conserva." "Ah, já ouvi coisas maravilhosas sobre a carne de porco à bolonhesa," Eu disse com um sorriso. O garçom olhou para mim com um aceno agradecido. "É um dos meus favoritos. Vou dar a todos alguns instantes para definirem seus pedidos de bebida e então estarei de volta." Uma vez que ele se foi, voltamos todos para folhear o menu. "O que é isso?" Josephine perguntou, inclinando-se para mim e apontando para o primeiro item do menu. "É como uma salada caprese, mas com pimentas doces. Você vai gostar." Ela assentiu com a cabeça e apontou para a próxima coisa. "E isso?" Eu ri e comecei a explicar os pratos para a mesa, ignorando os olhares de Dean. "Um restaurante como este é conhecido por seus itens especiais. Iria ignorar a salada de verão. É uma salada comum e você pode conseguir isso em qualquer lugar. Para o primeiro pedido eu iria com o tartare de carne ou salada de lagosta." "Oh meu Deus, isso parece tão bom." Julian gemeu e esfregou a mão sobre o estômago.

27

É uma cebola menor da que se usa nas cozinhas convencionais. A palavra Cipollini traduzida do italiano significa “pequena cebola”. AS cebolas Cipollini são usadas em uma variedade de cozinhas e pratos saborosos e comidas cruas em saladas ou cozidas lentamente para liberar sua doçura natural.


Josephine deixou cair o cardápio e olhou para mim. "Lily, você vai pedir para mim. Eu confio no seu julgamento." Julian sorriu. "Eu também." Casey olhou sobre o menu. "Acho que vou confiar em você também. Isso aqui poderia ser em francês e eu não saberia a diferença." Sorri. Pedir para outra pessoa era como dar-lhes um presente. Eu já admirava o menu quando estava esperando o metrô mais cedo, então sabia que pratos seria o melhor. Dean agarrou o seu mais apertado, correndo os olhos para baixo na lista de itens. "Prefiro pedir minha própria comida." Josephine e eu trocamos um olhar cúmplice e segurei uma risada. Ô, que pena, realmente. Teria sido divertido provar a ele que eu sabia o que estava fazendo. "Poderia começar com os pedidos de coquetel?" Perguntou o garçom, aparecendo à direita de Casey com seu bloco de notas e caneta na mão. "Eu gostaria de um Rickshaw," Eu disse com um sorriso, não me preocupando com o menu de coquetéis. "Oh! O que é isso?" Josephine pediu. "Gin, suco de limão e manjericão. É uma boa bebida para o início de uma refeição. Também não enche." Julian sorriu. "Vamos ter uma rodada dessas para a mesa." Dean falou, dirigindo seu olhar escuro ao garçom. "Eu vou ficar com Old Fashioned28." Josephine revirou os olhos. "Dean, você está sendo um estraga prazeres." Casey riu. "Sim, eu concordo. Vamos lá, querido. Vai ser divertido se todos tiverem a mesma bebida." 28

É o drink mais consumido no mundo todo, composto por casca de limão siciliano, água gelada, açúcar, Angostura bitter e Bourbon.


Ele balançou a cabeça e deixou cair seu menu na mesa, claramente lutando para manter seu temperamento sob controle. Era tão difícil ter um jantar com a gente? Éramos pessoas terríveis de se ter por perto? Ou era só eu? Inclinei minha cabeça e olhei para ele. "Não se preocupe, Dean. Peça o que você quiser." "Eu preciso da sua permissão ainda menos do que preciso de você para pedir para mim." O silêncio pairou ao redor da mesa enquanto olhávamos para baixo. O garçom limpou a garganta e falou. "Ok então, vou pegar quatro Rickshaw e um Old Fashioned." Levantei meu dedo. "Na verdade, vamos pedir cinco Rickshaw e um Old Fashioned. Para no caso...” O queixo de Dean endureceu quando o garçom se afastou para pegar as nossa bebida. "Há uma linha tênue entre a persistência e o aborrecimento." Minhas bochechas inflamaram com sua crítica, mas um fogo cresceu em minhas veias. Se ele queria levar este jantar de agradável a doloroso, por que eu deveria me preocupar em fazer alguma coisa de outra forma? "Que é a mesma linha que cai entre ser um maníaco por controle e um idiota?" "Ok!" Josephine interrompeu com uma voz estridente. "Vamos falar sobre outra coisa. Quem está assistindo Game of Thrones? Como é impressionante Daenerys e seus dragões?" Se eu tivesse dragões de estimação, Dean já teria sido queimado como uma batata frita há muito tempo. "Eu vou usar o banheiro," Disse Casey. Empurrei minha cadeira e me juntei a ela.


"Se importa se eu for junto?" Seu sorriso vacilou, mas ela assentiu com a cabeça. Segui atrás dela, tentando ignorar o olhar pesado de Dean nas minhas costas. Achei que meu ódio para o homem tinha chegado ao ponto mais alto quando ele tinha me despedido, mas, de alguma forma, tinha encontrado uma forma de garantir o seu lugar como número um na minha lista de inimigos. Eu estava lavando minhas mãos na pia quando encontrei os olhos da Casey no espelho. Honestamente, não conseguia descobrir o que ela estava fazendo com o Dean. Ela era bonita e agradável, ele iria sugar a vida dela. Ela me ofereceu um sorriso hesitante e, antes que eu percebesse, as mentiras engraçadas estavam começando a sair da minha boca. Dean tinha jogado as cartas na frente de toda a mesa e agora vou jogar as minhas. "É tão legal você estar disposta a sair com Dean mesmo com a, uh, você sabe..." Eu acenava em um círculo, abaixo da cintura. “…Situação lá em baixo." Ela inclinou a cabeça com os olhos apertados. "O quê?” Atirei-lhe um sorriso de pena. "Sim. É muito ruim. Ele quase perdeu tudo após o incidente com o barbeador elétrico no ano passado." Ela engoliu em seco e, em seguida, deixou cair o batom dentro da sua bolsa. Mesmo com a cabeça baixa eu podia ver seus olhos se arregalarem em estado de choque. "Você está falando sério?" "Oh, não." Bati minha mão sobre a minha boca como se só tivesse falado sem querer. "Tenho certeza de que ele ia dizer em breve," disse, apertando o ombro dela. "Acho que ele só queria conhecê-la primeiro."


Ela gemeu e jogou a cabeça para trás. "Por quanto tempo ele achou que poderia continuar sem me dizer? Caras como ele acham que podem fugir com coisas assim só porque são ricos." Concordei

como

se

entendesse

completamente.

"Eu

sei.

Pessoalmente, não me incomodaria. Exceto, bem, Julian deixou escapar que Dean se recusa a dar..." baixei minha voz. "...Oral. Mesmo agora." Uma das pálpebras de Casey contraiu ligeiramente. "Estou cheia dos homens desta cidade." "Tente dar-lhe um desconto. Acho que ele está se guardando desde que o noivado por correspondência com a russa fracassou no ano passado.” Eu suspirei. "Anastasya." Longe demais? Talvez. Ela soltou um suspiro e abanou a cabeça. "Tanto faz. Não preciso disso. Eu sou uma líder de torcida do Knicks29. Você sabe a quantidade de caras que me querem?" Concordei com um sorriso de compreensão. "Centenas, aposto." "Obrigada por ter me contado. Código de garotas, certo?" Eu sorri. "Exatamente." Terminamos de nos maquiar. Ela me emprestou seu batom vermelho e senti como se tivesse jogado a mão vencedora. Meu cabelo estava bom e havia um brilho rosado no meu rosto de andar ao redor da cidade o dia todo. Estava sendo desonesta sabotando o encontro do Dean? Sem dúvida. Senti-me culpada quando deixei o banheiro com Casey no meu calcanhar? Nunca me senti tão bem. Ser uma vilã diabólica definitivamente seria um bom estilo para mim. 29

Unidos.

O New York Knicks é um time de basquete da NBA. O time é tido como a franquia da NBA mais valiosa dos Estados


CAPÍTULO 10

Dean O jantar estava horrível. Honestamente, ‘Casamento Vermelho’ de George R.R. Martin30 tinha menos momentos estranhos do que naquela noite. Quando Casey e Lily voltaram do banheiro, Casey tirou o telefone da sua bolsa e ficou focada na tela como uma garota de dezesseis anos de idade no jantar com os pais dela. Tentei chamar sua atenção, mas ela me cortou enquanto seus dedos voavam sobre seu iPhone. Quando olhei para cima, ao redor da mesa, Lily estava tentando esconder um sorriso e fazendo um trabalho de merda. Josephine estava ocupada falando sobre o seu trabalho, mas eu sabia que Lily não estava ouvindo. Ela olhou para seus dedos torcendo o guardanapo. Eu sabia que tinha dito algo de Casey no banheiro, só não sabia o que. Ela olhou para cima e me viu olhando-a. Estreitei meus olhos e ela imitou minha expressão. Foi um duelo silencioso sem testemunhas e sem juízes, mas eu estaria ferrado se a deixasse ganhar. "Tudo bem, aqui estão às bebidas," o garçom anunciou, inclinandose sobre Lily para colocar a bebida ao lado do seu prato. Ele seguiu o padrão em torno da mesa, entregando-me meu pedido e então vacilante quando pegou o Rickshaw extra. Lily encontrou meus olhos e arqueou uma sobrancelha. Me recostei na cadeira e tomei um gole grande do meu Old Fashioned. Estava perfeito, familiar e o mais importante, era o que eu havia pedido. Lily lançou ao garçom um sorriso amável. "Você pode colocá-lo no meio da mesa. Tenho certeza que alguém vai bebê-lo." 30

Dean se refere ao 9º episódio da 3º temporada de Game Of Thrones.


Eu tinha estado em torno de Lily apenas três vezes, mas já poderia identificar o que me irritava nela: ela era teimosa e teimosa demais para seu próprio bem. "Sabe, acho que sua escolha de bebida diz muito sobre você," Lily disse do lado oposto da mesa. Casey colocou seu telefone em sua bolsa e olhou para cima, claramente consciente que ia ter uma cena. Eu conhecia Lily. Nós não nos damos bem, não seríamos amigos. A melhor coisa a fazer em um jantar como este seria ignorar um ao outro, mas Lily me irritava. "Como assim?" Casey pediu quando não mordi a isca. Eu rolei meus olhos. "Talvez o Dean seja um pouco antiquado? Gosta de fazer as coisas de modo antigo?" "Discordo. Eu diria que sou rápido para fazer alterações quando as coisas... Ou as pessoas... Só não estão funcionando. Na outra noite, por exemplo." Ela inclinou-se sobre a mesa. "Quanto dinheiro minha seção de trabalho lhe rendeu, Dean? Dois? Três vezes a quantidade que cada bar geralmente faz?” Eu tinha verificado os números na manhã seguinte depois de tê-la despedida, Zoe não estava exagerando. A seção de Lily tinha trazido quatro vezes a mais do que os outros bares e não tinha dúvidas que ela poderia ter conseguido ainda mais se não a tivesse despedido. "Diga-me, Lily. Você abriu quantos restaurantes?" Perguntei com um tom afiado. Os olhos dela se deslocaram para baixo em direção a toalha de mesa branca e depois retornou — um simples gesto para dizer que a confiança dela não era impenetrável. "Isso é..."


"Quantos bares? Salões?" Estreitei meus olhos. "Nunca conseguiu mais do que um punhado de colegiais chapados no Dairy Queen?" Suas bochechas ficaram vermelhas e minha consciência avisou-me para dar um passo atrás... Na maioria das vezes, Lily agia como se pudesse lutar com o melhor deles, mas eu sabia que sua armadura tinha pontos fracos. Ela era um filhote de cachorro desobediente, um cão que ladra e não morde. Respirei fundo. "A questão é, até que tente administrar um restaurante em Nova York, você não vai entender completamente todas as razões por que tive que demiti-la." Seus olhos queimaram uma linha de fogo do outro lado da mesa e observei seu peito subir e descer em sucessões rápidas. Eu tinha empurrado longe demais. "De repente perdi meu apetite." Ela raspou sua cadeira da mesa e levantou. O guardanapo caiu no chão quando puxou sua bolsa da parte de trás da cadeira. "Na verdade, acho que vou com você," Casey disse, levantando-se do meu lado. O que diabos está acontecendo? "Ah, eu..." Josephine congelou, não tendo certeza se deveria ir com a amiga ou ficar com Julian. Lily não se incomodou em esperar para descobrir. Ela virou e foi para a frente do restaurante com Josephine e Casey sobre seus saltos. Eu me senti como um bundão ao vê-las sair. Lily trouxe minhas piores qualidades. Não me lembro de ter feito alguém sair de um jantar, mas ela se foi e fiquei na mesa com aquele maldito Rickshaw me encarando. A condensação reunida no lado do vidro, zombando de mim até que peguei e tomei em um longo gole. Maldita.


Foi bom. Melhor que meu Old Fashioned. "Foi um desastre," Julian disse baixinho, esfregando os dedos do outro lado do queixo. Dei de ombros. "Não foi tão ruim." Ele resmungou. "Você não estava sentado no meu lugar. Ver você e Lily lutar daquele jeito não é divertido. Eu nunca te vi assim.” Eu vacilei. "Está brincando? Não ponha essa merda em mim.” Balancei a cabeça e me inclinei para colocar os cotovelos na mesa. Alcancei o Rickshaw inacabado de Casey e bebi também. Tive três copos vazios na minha frente, mas ainda não estava calmo. Julian e eu sentamos em silêncio por alguns minutos, e quando finalmente falei, levei a conversa a um território mais neutro. "Precisamos ter a nossa primeira reunião para o novo restaurante. Você sabe, começar a decidir as expectativas e cronogramas." Algumas semanas atrás Julian concordou em ser um grande investidor no meu próximo restaurante. Eu tinha lhe mostrado os números de meus últimos projetos e apresentei os passos básicos de abrir um novo restaurante. Só tinha levado alguns minutos para convencê-lo. Ele franziu a testa. "Você está me colocando numa posição difícil, homem. Olha, não estou na indústria do restaurante. Abrir um novo restaurante era suposto ser um projeto divertido. Eu queria trabalhar com você como amigo, mas já vou pegar merda de Jo sobre esta situação com Lily. E para mim não vale a pena se isso vai causar problemas entre Jo e Lily." "Você está falando sério?" Perguntei, segurando a borda da mesa. Ele ia sair e puxar seu financiamento, porque eu e Lily não nos dávamos bem? Isso atrasaria o projeto. Eu já tinha colocando 50% do capital. Teria de lutar para encontrar mais investidores.


Antes que pudesse argumentar o meu caso, nosso garçom se aproximou da mesa e começou a limpar os copos vazios. "Os senhores desejam mais alguma coisa?" "Só a conta," respondi, já tirando a minha carteira no bolso de trás. O sorriso dele caiu. "Uh, na verdade, senhor, a sua convidada, a mulher loira? Ela pagou a conta antes de sair." Eu fiz uma careta. "Com licença?” Ele engoliu e assentiu com a cabeça. "Ela... Ela disse para te dizer que foi pago com sua indenização." Ele sussurrou a última palavra como se fosse ofensivo. "Eu não ia falar isso, mas...” Levantei a minha mão para silenciá-lo. A noite precisava acabar. Levantei grato que tinha estacionado meu carro na esquina. Queria ficar atrás do volante e pressionar meu pé no acelerador até poder sentir o preenchimento do controle nas minhas veias mais uma vez. "Julian, você pode fazer o que quiser. Eu adoraria ter você a bordo deste projeto, mas não vou implorar. Os números estão lá. Você terá tudo o que investir até o final do ano. Depois disso? O céu é o limite." Ele levantou e deu de ombros, pegando sua jaqueta de couro. "Sim, você faria minha decisão muito mais fácil se contratasse Lily." Pensei no jeito que ela me olhou antes. Lábios carnudos formando uma carranca. Olhos brilhantes, estreitos, em fendas. Uma coloração avermelhada tomou conta do seu rosto bronzeado. "Isso nunca vai acontecer."


CAPÍTULO 11

Dean Eu estava trabalhando há dez horas era um dia longo, Zoe entrou no escritório da gerência de Provisions. "Claro, por favor, entre e comece a me perturbar. Eu estava esperando estender isso por toda noite." Minhas palavras pingavam sarcasmo, mas elas não dissuadiram Zoe. Sentou no banco de couro a minha frente e colocou seus pés sobre a mesa. "Não sei o que você está falando." Ela inclinou-se e agarrou o peso de papel que sempre gostava de brincar. "Só gosto de ver como o mestre trabalha." O ar condicionado fez com que as dezenas de papeis voassem para longe. Nem pisquei. "Peque os papeis e coloque o peso no lugar dele, e tire os pés da minha mesa. Eles estão fedendo." Ela resmungou quando se inclinou para recuperar as planilhas que eu tinha revisto. "Acho que esse cheiro é realmente sua atitude. Isso tem estado ruim desde que voltou de Nebraska." "Iowa," corrigi, lambendo meu dedo e folheando os currículos na minha frente. Ela franziu a testa. "Há uma diferença? Pensei que era tudo apenas campos de milho." Eu sorri. "Bom ponto." "Você sabe, Provisions tem feito muito bem para o seu primeiro mês. Melhor do que você havia previsto." Ela estava certa. O restaurante estava matando-o. O dinheiro que investimos em publicidade realmente fez valer a pena. "Como vai tudo? Os funcionários estão respondendo bem?" Perguntei.


Ela resmungou. “Oh, claro. Ótimo, exceto pelo fato de que eu tive que atender no bar nas últimas seis horas. Vou levar o prêmio de empregos que estou mais que qualificada.” Eu ri. "Agradeço a ajuda, mas você vai ficar feliz em saber que contratei dois garçons esta tarde. Precisarei de Brian para rever o básico com eles antes de serem colocados para trabalhar amanhã." Ela suspirou de alívio e afundou em sua cadeira. O cabelo dela parecia

ainda

mais

curto

do

que

o

habitual,

emoldurando

as

características femininas que tentou tanto esconder. "Você sabe, eu ainda não lhe perdoei pelo que fez na noite passada." Minhas sobrancelhas levantaram com curiosidade. "Com a Lily?" "Sim, com Lily! Ela era de ouro, meu amigo. Você devia ter falado comigo antes de ter seu pequeno chilique." Balancei minha cabeça. "Não, você também, Zoe. Estou seriamente doente de ser repreendido." Ela riu. "Então talvez pare de agir como uma criança." Nós nos sentamos em silêncio por um momento. Eu estava muito irritado para falar, e ela estava tentando lutar contra o sorriso se espalhando nos lábios. "Você acha ela atraente não é?" Eu suspirei, profunda e fortemente. "Vamos lá, admita," Ela incitou. "Na verdade, não pensei sobre isso." "Uh huh." Ela assentiu com a cabeça, chamando meu blefe. "Feche os olhos." "Zoe, saia do meu escritório. Eu tenho trabalho a fazer." Ela levantou e se inclinou sobre a mesa. "Por favor." Eu balancei minha cabeça. "Você está sendo ridícula."


Seus lábios finos enrolaram em um sorriso, mas ela segurou firme. Eu sabia por experiência que Zoe não ia sair. Ela uma vez me fez ficar fora de um restaurante durante trinta minutos porque pensou que tinha visto Lady Gaga. Spoiler: não era ela. Deixei escapar um suspiro e fechei meus olhos, esperando ela rir. Em vez disso, sua voz encheu meu escritório, lembrando-me da única pessoa que eu tinha tentado todos os dias esquecer. "Imagine Lily parada na porta do seu escritório. Ela está esperando pacientemente para você terminar sua papelada, então vocês podem sair para jantar. Ela está vestida para você, vestindo algo escuro, curto e tentador. O cabelo dela é selvagem. A loira que não pode ser comprada em uma farmácia. Seus olhos castanhos encontram com os seus atrás de sua mesa e ela sorri, sabendo que você estava esperando todo o dia para vê-la. Você arrasta os olhos para baixo de seu corpo...” "Zoe," interrompi, mantendo os olhos fechados. "Você acha que ela pode estar segurando comida? Estou realmente com fome e, na minha fantasia, eu adoraria um cheeseburguer." Ela gemeu e abri meus olhos para vê-la indo em direção à porta do meu escritório com os braços cruzados. "Não realmente, Zoe. Continue, mas agora você pode descrever o hambúrguer?" Ela abriu a porta e saiu do escritório. "Que tipo de queijo tem, porque realmente odeio americano!" Ri quando ela bateu a porta do escritório, mas não estava enganando ninguém. Claro, sabia que Lily era linda. Eu tinha memorizado cada contorno do seu rosto em forma de coração. O conjunto mais beijável de lábios que já vi e brilhantes olhos que viram através de minhas besteiras. Repassei a cena que Zoe havia criado para mim. Lily em pé na porta do meu escritório em um vestido preto era uma fantasia doce demais para compreender.


Se apenas ela e eu pudéssemos ficar quietos por dez minutos, o sexo seria o melhor de nossas vidas. Com raiva. Difícil. Rápido. Não é amor. Nem de perto. Merda.


CAPÍTULO 12

Dean Olhei por cima do currículo na minha mão para ver o candidato nervoso, sentado à minha frente. Ele estava no meu escritório há cinco minutos e minha paciência já estava esgotada. "Onde foi a escola de culinária?" "Que escola?" Ele falou, aparentemente confuso com a pergunta. "Escola de cu-li-ná-ria," repeti, salientando a fonética de uma palavra que não deveria ter sido. "Ah, sim. Bem não, não fui." "Trabalhou em algum restaurante chique antes?" Perguntei. Ele balançou a cabeça, tão confuso quanto antes. Eu suspirei e joguei o currículo na minha mesa. Ele liderou a lista de candidatos qualificados para o dia. "Perfeito, você pode ir." Seu lábio tremeu, mas não consegui reunir um pingo de compaixão. Eu estava procurando por um consultor para meu próximo restaurante e só passei a manhã entrevistando um monte de idiotas. "Tudo bem, amigo, vamos lá," disse Zoe, entrando no meu escritório. Ela tinha parado perto da porta nas últimas entrevistas. "A entrevista acabou?" Ele perguntou, olhando para frente e para trás entre nós. Não poderia dizer com confiança se sabia em que planeta estava. Ele levantou e saiu do escritório. Quando terminei de rasgar seu currículo, Zoe estava na porta do meu escritório, encostada no limiar até que a convidei para dentro. "Não posso acreditar que você chamou esse cara," disse.


Ela franziu a testa. "Para ser honesta, tivemos poucas pessoas enviando currículos, esperava que, por algum milagre, um deles pudesse ser qualificado." "Esse último cara tem quase trinta anos e nunca teve um emprego." Ela riu. "Está certo." Debrucei-me na cadeira e arrastei a mão pelo meu cabelo. "Eu preciso de uma cerveja." "Gostaria de te comprar uma, mas tenho um encontro mais tarde." Minhas sobrancelhas levantaram. "Você sabe, você poderia ter um também se apenas admitisse sua atração por uma certa loira." "Zoe." Ela riu. "Oh meu Deus, é muito fácil com você. Por que não admite que a acha atraente? Não conto a ninguém." Levantei e coloquei-a para fora do escritório, ignorando seus protestos. Fechei-me lá dentro, mas ela era persistente. "Você não me engana," ela disse. "Boa noite Zoe," gritei através da porta de madeira escura. Sua gargalhada desvaneceu-se para o corredor e me deixou sozinho com os pensamentos que tinha plantado na minha cabeça. Passaram-se três dias desde que Zoe tinha trazido Lily à minha atenção. Desde então, eu não conseguia parar de pensar em seus lábios carnudos em volta de mim. Não conseguia parar de sonhar acordado com ela. Não estava orgulhoso disso, acredite. Lily teria me comido vivo se soubesse que eu estava fantasiando sobre ela. Estendi a mão para o telefone na minha mesa, à procura de uma distração, mas não havia nada lá esperando por mim. Eu tinha convidado Julian para um bar perto da minha casa para jantar, mas ele ainda não me respondeu. Sabia que era porque estava andando em uma


linha fina. Lily me odiava, portanto, Josephine me odiava o que colocou ele entre a cruz e a espada. Joguei meu telefone na mesa e cerrei os dentes. Cada um dos problemas em minha vida estava sendo causado por uma mulher: Lily Black. Ela estava forçando Julian em um ultimato e eu estava no lado perdedor do negócio. Me inclinei na cadeira, colocando os dedos atrás da minha cabeça, e olhei ‘A Arte da Guerra’ de Sun Tzu na minha estante de livros. O livro destacou movimentos de tropas e estratégias de batalha, mas mais importante ainda, sublinhou uma ideia simples: "Conheça a si mesmo e conhecerá o teu inimigo.” Eu sorri. Tanto quanto odiava admitir, Lily sabia um inferno de muita coisa sobre alimentos e bebidas. Ela tinha me impressionado no Gramercy Tavern, e tinha duas vezes mais experiência que a maioria dos candidatos que enviaram seus currículos para a posição de consultoria. Além disso, eu precisava manter Julian como um investidor para o projeto. Andei até a estante de livros e peguei da prateleira ‘A Arte da Guerra’. Isso foi resolvido. Vou ter que convencer Lily a trabalhar para mim. Era hora de conhecer o inimigo.


CAPÍTULO 13

Lily "Não! NÃO! Você não pode morar aqui!” Eu gritei, correndo atrás da barata que tentava fixar residência em nosso apartamento. Corri para jogar um copo sobre ela, mas ela correu para baixo da nossa cômoda. "Não! Saia daí!" Havia uma polegada de sujeira embaixo do armário e no chão, então preferia cortar minha mão a colocá-la lá. Ela tinha vencido a batalha, mas eu iria ganhar a guerra. "Sim e fique aí!" Gritei, chutando a cômoda com meu pé. Que é bom. Intimide-a. Eu me virei para a pia cheia de pratos que ia limpar antes que meu amigo me interrompesse. Pratos e copos foram empilhados graças à confusão que Josephine e eu tínhamos criado na noite anterior. Julian tinha pedido uma refeição caseira, mas não fomos capazes de concordar sobre o que fazer, então cada uma preparou seu prato preferido (espaguete de frango para ela e mac‘n cheese31 para mim). Nós tínhamos ficado ao seu lado enquanto comia observando atentamente cada mordida sua. "Uh... Os dois estão ótimos?" Disse ele, mudando o seu olhar para frente e para trás entre nós. Bati minha mão para baixo em cima do balcão como um detetive descontente. "Você não minta para mim, Lefray!" Ele riu. "Eu juro, eles estão igualmente deliciosos." Balancei minha cabeça. "Isto não acabou. Estou te observando."

31

Macarrão com molho de queijo.


Josephine se inclinou e beijou sua bochecha. "Eu sei que você vai me dizer o verdadeiro vencedor mais tarde." "Oh meu Deus." Cobri os olhos e me afastei lentamente. "Vocês são como dois gnus32 babando de amor." Depois de mais dois episódios de The Office (primeira temporada, claro), eles foram embora. Não é como se nós três não pudéssemos compartilhar o sofá-cama, mas ainda fiquei triste de trancar a porta atrás deles. Corri para a janela e vi um táxi. Ele parou no meio fio e Julian abriu a porta para a Jo, dando-lhe um beijo em seus lábios antes de entrarem na parte de trás juntos. Eles não estavam babando como os gnus. Eles eram as pessoas mais bonitas do mundo inteiro e me faziam quase doente de inveja cada vez que os vi idolatrar um ao outro. Quando foi a última vez que tinha tido uma relação assim? Acho que eu tinha mostrado muito carinho à barra de sorvete de um Snicker uma vez, mas ele tinha sido um caso tragicamente unilateral. Nunca tinha amado um homem como ela amava Julian. Eu começo a limpar os restos de queijo de um prato quando percebo um movimento à minha direita. "Não! Você não pode sair!" Gritei com a barata. "Deus, espere pelo menos até eu sair." Uma forte batida soou na porta do apartamento e pulei, deixando cair o prato na pia cheia de espuma. Josephine esqueceu as chaves dela? "Lily! Abra a porta!" Oh merda. A polícia? "Lily!" Não foi até que meu nome foi gritado uma segunda vez que registei a voz profunda e familiar.

32

africano.

É um grande mamífero ungulado do gênero Connochaetes, que inclui duas espécies, ambas nativas do continente


Dean filho da puta Harper estava no meu apartamento. Eu teria preferido à polícia. Engoli e limpei minhas mãos com o pano de prato da pia. Ok. Ele estava no meu apartamento, o que significava que provavelmente queria falar comigo. Ou talvez só precisasse de um corte de cabelo para a boneca de voo doo que ele, sem dúvida fez, assim poderia continuar a torturar-me de longe. Fui até a porta enquanto ele continuava batendo no aglomerado fino. "O que você quer?" Perguntei, olhando pelo olho mágico. Ele estava encostado na porta com a cabeça para baixo. Seu cabelo loiro e sujo estava despenteado e ondulado nas pontas. Ele tinha trocado o seu uniforme normal para um short de corrida e camiseta. Parecia suado mesmo através do olho mágico. Meu Deus. Ele ia correr para o meu apartamento. "Deixe-me entrar. Precisamos conversar." Ele já parecia chateado e nem tínhamos nos visto ainda. "Sorry, no hablo ingles33." "Lily". "Não quero qualquer biscoitos de escoteiras. Vá embora." "Oh Olá!" Uma voz feminina chamou do fim do corredor. Fiquei na ponta dos pés novamente e olhei pelo olho mágico. Ah meu Deus, era MS.

Whittaker,

nossa

senhoria.

Josephine

tinha

me

avisado

imediatamente sobre ela após a minha chegada em Nova York. Ela parecia velha e cativante, mas então convidou Jo para uma festa. Ela tinha ido, assumindo que seria um bando de velhotes jogando Monopólio. Em vez disso, encontrou-se educadamente andando através de uma festa de swing. MS. Whittaker era uma velha pervertida. 33

Desculpe, não falo inglês.


"Olá," Dean respondeu com um aceno de cabeça. "Amigo de Josephine?" Ela perguntou, fazendo uma pausa e olhando-o da cabeça aos pés. Eu segurei uma risada. "Algo assim," respondeu. Ela sorriu e andou mais perto. "Bem, um amigo de Josie é um amigo meu. Eu vou ter uma festa no fim de semana em cima no...” "Ele não quer ir para suas festas estranhas, Sra. Whittaker!" Gritei através da porta. Ela deu de ombros e ofereceu-lhe um sorriso assustador antes de continuar descendo as escadas. "Hum, vou deixá-lo tomar essa decisão por conta própria. Estou no piso superior, docinho." Dean assentiu e deu um passo para trás abrindo caminho para ela. "Tenha um bom dia, Lily. Não se esqueça de que preciso que você e Josephine me paguem até o final da próxima semana." "Entendi," eu disse. Uma vez que ela estava fora de vista, me afastei um pouco da porta e destranquei, abrindo algumas polegadas. Pressionei o meu rosto entre a porta e o batente e esperei ele se explicar. O olhar dele escorregou para o que era visível do meu corpo, inspecionando a camisa larga que eu usava como camisola. "Você tem dez segundos," declarei. "Bonita camisa." "É do meu pai," expliquei, puxando a bainha. Se soubesse que ele estava vindo, teria colocado um capacete e uma armadura — qualquer coisa para me proteger da nossa batalha inevitável. O canto de sua boca curvou para cima e ele deu um passo em frente empurrando a porta. "Ei! Espere um segundo!" Gritei enquanto ele continuava a entrar no meu apartamento. "Eu não te convidei para entrar."


Fechei a porta e então virei para ele com um olhar acusador. "Lily, quanto mais cedo você me deixa falar, mais cedo vou sair daqui." Abri meus braços. "Oh bem, porque não consigo pensar em uma única razão para você" — enfiei meu dedo no peito dele — "estar aqui" — apontei o outro dedo no chão — "não faz qualquer sentido.” Ele virou-se para atravessar meu apartamento — que era uma caixa de sapatos glorificada — correndo o dedo sobre a bancada como se estivesse inspecionando. Está brincando comigo? Quem ele pensa que é? Ele voltou e olhou para o sofá-cama, ainda tirou sarro do meu travesseiro e cobertor de borboleta jogados em cima. Adicionar a lista de coisas que eu teria escondido se soubesse que Dean estava vindo. "Eu gostaria de contratá-la como uma consultora para meu novo restaurante." Ele falou com sinceridade absoluta. Mesmo assim, soltei uma risada. "Você está fumando crack?" Ele franziu a testa. "Estou falando sério. Não tenho outras opções e você também não." "O inferno que tenho! Só ontem fui entrevistada por quatro empregos diferentes." Dois dos quais estavam no metrô (locais diferentes), mas ele não precisa saber disso. Ele cruzou os braços, defendendo sua posição no nosso pequeno campo de batalha. Deus ele consumiu o espaço, tornando-o seu próprio. O cheiro do seu corpo encheu o ar, misturado com o suor de sua corrida. Quando ele saísse, eu teria que acender mil velas e convidar o xamã que viveu no fim do corredor para livrar o apartamento de sua aura. "Julian é o principal investidor do projeto e não quero que nossas diferenças comprometam isso. Nós não vamos aprender a conviver, mas pelo menos posso oferecer-lhe um emprego."


Wow. Muito nobre dele. "Foda-se. Espero que Julian saia e você perca dinheiro." Ele estreitou os olhos. "Olha, eu não vou implorar." Eu cruzei meus braços. "Então não." "O trabalho vem com um bônus de mil dólares, benefícios e um salário inicial de noventa mil. Se provar o seu valor, provavelmente vou considerar você para futuros projetos." Seus olhos castanhos estavam me encarando, me desafiando a recusar a oferta. "E quanto a nós?" Eu perguntei. "Como vamos trabalhar juntos?" Ele respirou fundo, seu peito largo subindo e descendo enquanto considerava a minha pergunta. "Você sabe, já lidei com vários empreiteiros idiotas e muitos garçons mal-intencionados. Você, Lily Black, não é nada que já não tenha lidado antes.” Um sorriso lento se espalhou pelos meus lábios. Ele achava que tinha me descoberto. Achava que tinha a mão superior. Que fofo. "Bem, já que você está sem opções, quero cem mil de salário inicial. E quero um por cento dos lucros para os projetos que nós trabalharmos. E antes que diga que estou apenas tirando vantagem de sua situação, é só esperar algumas semanas. Confie em mim — eu valho cada centavo.” Quanto mais eu o empurrava, mais ele apertava a mandíbula. "Combinado. Vou ter meu advogado redigindo o contrato amanhã. Entretanto, há uma reunião de equipe em Provisions amanhã ás 08:00 em ponto," declarou ele, andando em direção à porta com passos longos. Ele acabou por mim para o dia. Eu mantive meu foco na pequena janela sobre a lava-louças, me esforçando para controlar meu coração batendo. Quando pensei que ele ia abrir a porta e sair do meu apartamento, sua


mão puxa meu cotovelo. Ele agarrou a pele macia logo abaixo da manga da minha camiseta. Eu tremi com a sensação de sua boca atrás da minha orelha, muito perto para o meu conforto. "E só para que fique claro.” Ele falou quando uma ondulação indefesa passou na minha espinha. "Isto não é uma trégua."


CAPÍTULO 14

Lily Ser colega de quarto de Josephine tinha certas vantagens. Ela era alta o suficiente para alcançar as caixas de cereal na prateleira de cima da nossa despensa e tinha uma fonte interminável de roupas de grife. Como uma blogueira que trabalhava em casa para a Vogue, ela invadia seu armário para o seu blog semanalmente. Valentino na próxima temporada? Coleção especial Manolo Blahniks? Nada era proibido para ela, o que significava que nada era proibido para mim. "Que tal este vestido sem mangas com um casaco de lã, no caso de você ficar com frio?" Olhei de relance para ver Josephine segurando um vestido azul céu. O material de algodão parecia macio o suficiente para dormir, mas o corte e design eram chiques o suficiente para o trabalho. "É lindo, mas não vai ficar muito longo em mim?" "Não. É muito curto em mim. É por isso que eu não tinha usado ainda.” Segurei contra meu corpo e olhei na frente do nosso espelho até o chão. "Está nervosa?" Josephine perguntou, andando atrás de mim. "Um pouco," admiti. "Mas Julian vai estar lá para ajudar a aliviar a dor de trabalhar para Dean." Jo riu. "Ainda estou um pouco chocada que concordou." Eu levantei uma sobrancelha. "Não é como se os restaurantes estivessem batendo na minha porta. Se fosse de outro jeito, mas realmente não tenho escolha." Ela assentiu. "Ok, se troque rápido. Podemos dividir um Uber."


Franzi a testa. "O que é isso, algum tipo de bebida energética alemã?" Ela fechou os olhos, claramente envergonhada de me conhecer. "É um app que as pessoas usam para encontrar transporte. É muito mais rápido e mais barato do que usar um táxi." Franzi a testa. "Então você encontra alguém na app e confia que eles não vão matá-la imediatamente na parte de trás de seu carro?" "Eles não são pessoas aleatórias. A maioria são taxistas tentando fazer dinheiro extra." Claro. Motoristas de táxi de folga são as pessoas mais confiáveis do mundo. "Claro, parece bom. Mudando de assunto, você acha que essa bolsa fica boa com o vestido?" … Quando entrei em Provisions na manhã da minha primeira reunião de equipe, meus saltos ecoaram em torno do restaurante, anunciando a minha presença para a hostess. As luzes estavam meio apagadas e a sala calma, exceto para a tripulação da manhã trabalhando para tornar o restaurante impecável. Tomei o caminho mais longo em torno do pátio, admirando as árvores e, em seguida, entrei no corredor que levava aos escritórios. Tinha dado dois passos quando vozes foram derramadas para o corredor do escritório do gerente. "Espere, espere, espere. Ela realmente concordou em aceitar o emprego?" Perguntou uma mulher.


"Por que não. É uma grande oportunidade," Dean respondeu. Obviamente, eu rapidamente me pressionei contra a parede lateral e escutei. "Bem, sim, isso seria suficiente para alguém, mas não para alguém que você foi um babaca. Deixe-me adivinhar, você mencionou o fato de ter um baita tesão por ela?" "Zoe, corta essa merda. É sério." Zoe, a gerente de Provisions, que tinha me contratado para meu primeiro e último turno trabalhando no bar. "Sim, você está certo, não iria querer que ela soubesse que você realmente tem um coração de bebê chorão sob esse ato de Scrooge34." "Se quisesse mostrar a alguém meu coração, eu adotaria um cachorrinho." Ela resmungou. "A ideia de você com um cão é muito assustadora." "Perdida?” Quase morri de susto quando uma voz falou diretamente atrás de mim. Tinha estado tão focada na espionagem que não tinha notado Julian se aproximar. "Cristo, Julian! Faça algum barulho na próxima vez." Ele sorriu. "Lily, sou eu, Julian,” ele gritou. Estreitei meus olhos. "Inteligente. Muito inteligente." Peguei um movimento pelo canto do olho e virei para ver Zoe inclinando-se fora do escritório. "Entre aqui você dois," ela disse. Um olhar dela para Julian provou que eu estava cem por cento bem vestida para o meu primeiro dia no trabalho. Julian estava de jeans e camiseta e Zoe estava de macacão branco com um top roxo de seda por baixo. Suas tatuagens coloridas estavam em plena exibição... E ela tinha 34

É o personagem principal da história Um Conto de Natal. No inicio da história, Scrooge apresenta uma frieza desmedida no coração, além de ser ganancioso e avarento. Indiferente com o natal e tudo o que condiciona felicidade.


um anel de ouro adornando cada um de seus dedos. Ela parecia uma gêmea Olsen e eu parecia uma advogada corporativa estúpida. "Depois de você,” disse Julian, estendendo o braço para eu ir à frente. "Tendo um bom dia até agora?" Balancei a cabeça. "Sua namorada me ensinou a usar o Uber." Ele riu. "Ela disse que costumava pensar que era um app de namoro?" "Muito divertido ouvir vocês dois lá fora, quando era suposto começar este encontro há cinco minutos," Dean falou do seu escritório. Julian arqueou uma sobrancelha e tentei meu melhor para suprimir o meu riso. "Eu odeio dizer isso, mas duvido que qualquer um de nós vá ganhar o prêmio de empregado do mês," sussurrei. "Merda. Eu realmente queria aquele lugar de estacionamento e uma péssima imagem na parede," Julian disse com uma piscadela. Seu comentário me empurrou sobre a borda. Perdi para um ataque de riso quando entrávamos no escritório de Dean. Eu estava no meio da risada com minha boca aberta, segurando meu peito, quando meus olhos fixaram em Dean. Suas afiadas características estavam trancadas em uma carranca, provando ainda mais que o homem era uma bombarelógio ambulante. Seus olhos escuros me seguiram até o escritório dele e engoli até o último pedaço do meu riso. Qualquer humor que senti apenas momentos antes tinha sido sugado fora pelo Sr. Tightass. Alguma vez ele relaxa?


CAPÍTULO 15

Dean Eu tinha estado em um bom humor naquela manhã. Depois de uma corrida de onze quilômetros e um banho quente, tinha vestido com meu terno preto favorito. Minha camisa branca foi pressionada e livre de rugas e os meus sapatos brilhavam com perfeição. Estava tudo no controle até chegar a Provisions e Zoe começar com a porcaria de Lily novamente. Ela pensou que era engraçada, mas eu precisava de cada pingo de paciência se esperava lidar com Lily de forma profissional. Infelizmente, Zoe tinha apenas começado quando Lily chegou à porta do meu escritório com um vestido azul glamouroso, rindo de uma piada que Julian tinha sussurrado apenas para ela. No momento que a vi, adrenalina passou pelas minhas veias como se meu corpo estivesse se preparando para a batalha. Meu coração acelerou e comecei a suar. Não foi uma reação que estava acostumado, e como resultado, estava reagindo da pior maneira possível: com raiva. "Sente-se." Eu disse, apontando para as quatro cadeiras vagas espalhadas na frente da minha mesa. Das quatro cadeiras Lily se sentou na mais próxima de mim. O perfume dela era suave e floral, ficando no ar entre nós. "Estamos esperando outra pessoa?" Julian perguntou, chamando minha atenção pela primeira vez desde que tinha entrado no escritório. Lily tinha completamente eclipsado sua entrada. "Hunter," falei. Lily abriu a boca, eu sabia que ela estava prestes a perguntar. "Hunter e Zoe tem me ajudado com meus últimos dez restaurantes. Os


dois veteranos, juntamente com uma visão fresca sua e de Julian devem fazer uma boa equipe." "Qual é exatamente o papel do Hunter?” Julian perguntou, tomando o lugar vago ao lado de Lily. Zoe sentou-se em frente à Lily, deixando a cadeira ao lado da porta livre para Hunter, quando ele finalmente chegasse. "Ele vai ajudar a encontrar um local para o restaurante e então eu vou tê-lo como gerente de projeto durante a obra." "Então ele vai..." A pergunta da Lily foi cortada quando Hunter correu para o escritório com a testa revestida de suor. "Desculpa, desculpa, desculpa!" Ele falou, as mãos para cima em sinal de rendição. "Não consegui encontrar um lugar para estacionar." Seus olhos observaram a sala, parando nos dois novos membros da equipe. Julian recebeu uma olhada rápida, mas seus olhos quase saíram da cabeça quando viu Lily. "Oh merda, eu não pensei que você já tivesse começado. Quem são os novatos?" Lily e Julian trocaram um olhar antes de saudar o Hunter. "Julian Lefray, prazer em conhecê-lo." Eu os assisti apertarem as mãos e Hunter assentiu com a cabeça, reconhecendo claramente o nome. "Bem, Sr. Lefray. Bom ter você aqui, cara.” Sua mão voltou a seu lado... E então ele virou-se para Lily. Sua blusa de botão mal conseguia cobrir a sua barriga de cerveja. A camisa ficou apertada quando ele virou para apertar a mão de Lily, quase terminando com seu entusiasmo. "E quem é você, posso perguntar?" Lily se irritou com a sua tentativa de flertar. "Lily Black."


"Ela é a consultora contratada para ajudar a montar os menus de comida e bebida, conceito e ambiente," falei, só para voltar ao assunto anterior. "Isto foi estabelecido no e-mail de ontem, Hunter. Agora se sente, já estamos atrasados." Suas bochechas redondas se avermelharam com minha repreensão — ou foi por causa da corrida para chegar a tempo para a reunião. "Hoje não vai demorar muito. Precisamos verificar horários e confirmar um bom momento para nossas reuniões semanais. Eu também gostaria de finalizar um nome para o restaurante.” Lily franziu a testa. "Desculpe-me, pode voltar um pouco? Você não me disse sua visão para o restaurante ainda. Como posso ajudar com um nome se nem sei que tipos de comida estão servindo?" É justo. Inclinei-me em minha cadeira. "Eu quero fazer um bar de Tapas35 com preços em torno de quinze dólares por prato." "Preços acessíveis pelos padrões de Nova York," Zoe interrompeu. Lily cerrou os olhos. "Tudo bem. Já pensou se a cidade realmente precisa de outro bar de tapas? Você vai torná-lo exclusivo? Trazer sabores que nos separam de outros restaurantes espanhóis?" Ela não se preocupou em me deixar responder antes de continuar. "Eu acho que deveria ter outro cardápio, com opções para paella36 no menu para aqueles que querem algo maior." Ela tinha estado lá cinco minutos. Cinco minutos e já estava me dando uma dor de cabeça. O que no mundo tinha me possuído contratando-a para este projeto?

35

São aperitivos servidos em bares e restaurantes na Espanha, geralmente acompanhados por uma bebida, que pode ser alcoólica ou não. Os espanhóis preferem tapear a fazer suas refeições do modo “comum”. 36 A paella ou paelha é um prato à base de arroz, típico da gastronomia espanhola e que tem as suas raízes na comunidade de Valência – daí que em Portugal seja comumente conhecido como arroz à valenciana.


“Lily, por que não me deixa explicar o conceito inteiro antes de você começa a oferecer ideias? Esta reunião não vai levar muito tempo se você ouvir por alguns minutos.” Seu queixo caiu e seus olhos brilhantes se estreitaram em mim. Eu tinha chamado a atenção dela na frente de todos, mas ela mereceu. Ela era uma consultora. Eu era o chefe. "Por todos os meios, diga logo." Julian sussurrou algo para ela e ela sorriu. Outra piada às minhas custas. Por que foi tão irritante que ele a fez sorrir? Porque era às minhas custas? Ou porque eu queria trocar de lugar com ele?


CAPÍTULO 16

Lily Sai da posição do cachorro olhando para baixo e definitivamente senti minha perna entortando, como uma boneca Barbie de segunda mão sobrecarregada. “Merda. Eu estou caindo," sibilei, lentamente deslizei para baixo na minha esteira de ioga emprestada até minha cara fazer contato com a borracha suada. Josephine olhou sobre mim, suor escorregando em seu rosto. Ela estendeu a mão para me ajudar, mas não adiantou. Estávamos em uma aula quente de yoga. O termostato estava em 36 graus Celsius e íamos ter uma morte lenta. A última visão que eu ia ter era a bunda da velha hippie diretamente na minha frente. Ela tinha que usar bermuda? Elas tinham de ser tão altas? "Você não deveria ficar deitada," sussurrou Josephine. A instrutora mandou respirar profundamente através de nossos chacras e nos tornarmos como a terra quando muda para próxima rodada de saudações ao sol. Queria saudar o sol com meu dedo do meio. "Lily. Sem essa! Não podemos ir comer crepes depois disto, se você não fizer direito." Josephine fez a posição de cachorrinho e depois pulou para frente de seu tapete. Meus olhos seguiram os seus movimentos, mas meu corpo não tinha intenção de levantar-se. "Classe! Classe! Quero que todos respirem e olhem para essa aluna," disse a instrutora, soando perigosamente perto. Levantei meu olhar para encontrar seus olhos bulbosos pairando sobre mim, mãos apontando na direção de onde eu estava deitada no meu tapete, virada


para baixo, rabo no ar. Literalmente, desabei em um monte de pele e ossos. "Vê como ela ouve o corpo dela? Ela está aproveitando esta oportunidade para fazer a posição de criança. Enquanto outros se empurram em direção a metas inatingíveis, ela estabeleceu suas próprias intenções para sua prática hoje. Louvo o seu trabalho hoje, criança.” HAHAHA. Eu estava recebendo uma medalha de ouro por ser preguiçosa. Enviei um sorriso de compaixão em direção a Josephine e a velha Hippie começou a bater palmas, logo os outros alunos se juntaram. Oficialmente tinha ganhado no yoga. Depois da aula, limpei meu corpo com minha toalha e então limpei meu tapete. Eles provavelmente deveriam queimar a coisa, mas que seja. Josephine e eu pegamos nossas sandálias e saímos da classe antes de ficarmos presas falando com a instrutora. Ela estava encurralando os alunos na porta, perguntando como os seus corpos tinham respondido a terra. "Vá, vá, vá," Eu assobiei, empurrando-a através da porta, em cima da hora. Ela gritou atrás de nós. "Oh, meninas! Grande trabalho na aula de hoje. Não se esqueçam de tomar algum chá.” "Oh meu Deus, ela ainda está falando com a gente," disse Josephine, pegando minha mão e me puxando mais para a rua. Pegamos o ritmo e não paramos até que estávamos a poucas quadras do estúdio. "Por que no mundo acabamos de fazer isso?" Josephine perguntou. Tirei minha blusa do meu peito, longe do meu suor. O ar fresco da manhã estava muito melhor do que a temperatura do estúdio de yoga. "Josephine, você apenas não entendeu. Yoga é muito mais do que apenas exercício. Para pessoas como eu — você sabe experiente em ioga — é um modo de vida."


"Oh realmente? Nomeie uma pose de ioga." Ela desafiou-me com uma sobrancelha arqueada. "É fácil. Alta... raio de luar.” "Não". Ela balançou a cabeça. "Você é uma idiota." "Bem. Dumbledore para baixo." "Não há nenhuma pose de ioga em homenagem a personagens de Harry Potter." Franzi a testa. "Tem certeza?" Ela colocou o braço pegajoso em volta do meu ombro e me puxou para perto. "Vamos concordar em nunca mais voltar." Balancei a cabeça. "Nunca." "Talvez possamos escolher andar de bicicleta ou algo assim?" Eu gemia. "Não podemos ser como as mulheres francesas que ficam magras andando muito e fazendo uma limpeza profunda com pimenta caiena?" "Você percebe que, quando as pessoas fazem essa limpeza, eles não comem nem bebem nada mais do que suco por dias?" Parei de andar. "Oh Deus, não. Eu pensei que você só bebesse essa porcaria no lugar de comer o que quisesse." “Sim, Lily. Porque é assim que as dietas funcionam." Balancei minha cabeça. "Ok, ouça, vamos comer uns crepes e então, amanhã nos preocupamos com os efeitos em longo prazo de comer um crepe cheio de Nutella.” Abrimos a porta e entramos na creperia, ela me conduziu para dentro. "Combinado." O interior da loja cheirava como se um bolo tivesse explodido. Pequenas mesas estilo francesas foram montadas em ambos os lados do corredor central enquanto nós passávamos por outros clientes, avaliei suas escolhas de crepe. Havia uns salgados com ovos e bacon e os doces


com frutas e caldas de chocolate. Uma mulher tinha um crepe empilhado com canela e maçãs e minha mão coçou realmente para roubá-lo. A fila para pedir era longa, tinha cinco pessoas ainda decidindo o que iriam querer. Eu quero um pouco de tudo. "Então como foi o primeiro dia de trabalho? Foi bom ter Julian lá como seu apoio?" Fiquei irritada quando me lembrei do trabalho. Mal tinha conseguido sobreviver à reunião no dia anterior, com o ditador Dean pisando em torno como se fosse dono do lugar. Quer dizer, ele de fato era o dono, mas tinha que agir como tal todo o tempo? "Foi ok. Conheci o resto do pessoal com que vou trabalhar.” "Oh? Quem mais estava lá?" "Zoe, a gerente que te falei da minha primeira noite em Provisions. Ela é incrível." Josephine acenou com a cabeça. "E então este cara chamado Hunter que me deu olhares estranhos toda a reunião." Seus olhos se arregalaram. "Por quê?" "Ele era tão ordinário, como um vendedor de carros de Nova Jersey, ou algo assim. Estava coberto de suor quando chegou e seu terno mal cabia em sua barriga de cerveja. Ele me deu este sorriso sedutor quando me apresentei, ignorando completamente a gorda grande aliança na mão esquerda." "Nojento." Concordei, balançando a cabeça. "Sim. Eu estava preparada para dar-lhe o benefício da dúvida, mas depois que perguntou se queria almoçar com ele, sozinha, após a reunião.” Seus olhos se arregalaram. "O quê"? "Eu sei."


"O que você disse?" Balancei minha cabeça. "Nada. Dean o chamou de volta para o escritório antes que eu pudesse responder." Os clientes na nossa frente terminaram de fazer os pedidos e então era a nossa vez. "Oi, é a primeira vez em Crêperie Uptown?" perguntou a moça atrás da caixa registradora. "Sim, mas não sou nova com crepes. Gostaria de crepe de Nutella, crepe de caprese trufada e um crepe de maçã com canela e crème brûlée." "Lily"! Josephine riu. "Isso é comida suficiente para um exército." "O que? Vou analisá-los para o meu blog. Eu juro!" “Uh huh. Eu uso essa mesma lógica quando quero fazer alarde sobre uma bolsa de Rebecca Minkoff." Paguei com meu cartão e assinei o recibo, já animada para tirar fotos dos crepes para meu próximo post do blog. Eu ainda não tinha feito uma avaliação de uma creperia em Nova York. "Vamos pelo menos compartilhar aqueles?" Josephine pediu. Olhei para ela com os olhos apertados. "Jo, eu te amo. Amo mesmo, mas se tocar meus crepes, vou ter de te enfiar meu garfo.”


CAPÍTULO 17

Lily Me considero uma pessoa decente. Eu nunca roubaria doces de bulk

bins37

do

supermercado,

sempre

limpo

minha

mesa

em

restaurantes onde, é claro, você tem que fazer e sempre deixo o meu assento para as pessoas velhas no metrô quando está cheio. (Ok talvez eu apenas leve uma cotovelada de uma avó ríspida no Bronx, mas estou contando isso.) Todas as boas ações não ajudam no fato de que estava prestes a me tornar uma assassina. Era inevitável. “Você não está me ouvindo!” Eu disse. “Aqui estão todas as razões que o restaurante deve ter um nome em Espanhol.” Dean esfregou a mão no seu rosto, claramente cansado de discutir comigo. Estávamos de volta em seu escritório, todos os cinco integrantes da equipe amontoados em um espaço que parecia estar ficando menor a cada minuto. Julian mexeu nervosamente em seu assento dobrando seu corpo tão ligeiramente longe de onde eu estava. Zoe inclinou-se contra o batente, assistindo Dean e eu ir pra lá com um pequeno sorriso em seus lábios. Hunter não tinha falado nos últimos 15 minutos; ele estava muito ocupado com o seu telefone. A pequena tração no seu Blackberry fez um som apitando toda vez que seu dedo passava por cima e eu estava a cinco segundos de agarrar o telefone dele e jogá-lo do outro lado da sala.

37

a maiorias são uma forma de vender produtos de consumo em massa. O produto é armazenado em silos em uma seção do piso de varejo. Um cliente pode medir uma quantidade de produto dentro de um saco de plástico, para ser mais tarde pesou no ponto de venda. O produto é geralmente menos dispendioso por unidade em comparação com artigos pré”embalados. O cliente é capaz de escolher exatamente o quanto do produto que querem e irá para casa com menos embalagem.


“Lily. Você sabe por que meu restaurante tem sucesso?” Dean perguntou, inclinando para frente através da secretária. Revirei meus olhos e joguei minhas mãos para cima no ar. “Eu diria que

é

golpe

de

sorte,

mas

tenho

um

pressentimento

que

é,

provavelmente, graças a Zoe.” “Knucks38,” disse Zoe, estendendo a mão para que eu batesse. Ele ignorou meu sarcasmo. “É porque controlo cada detalhe, desde o preço do cardápio até os pregos usados durante a construção.” Ergui uma sobrancelha. “Esse estilo de liderança só funciona quando você é infalível e, da última vez que verifiquei, você não é um Deus, você tem que ser capaz de reconhecer quando outras pessoas só sabem melhor do que você.” “Desculpe-me?” Ele perguntou, suas sobrancelhas levantaram em descrença. Alguém já tinha falado com ele da maneira que fiz? Como não poderiam? “Ninguém gosta de um tirano! Especialmente um que está tão preso em seus caminhos que nem sequer percebe uma boa ideia quando está bem na sua frente.” Ele esfregou a mão sobre a boca dele, provavelmente tentando manter as palavras de maldição. Eu estava sendo rude, dura e profissional. Infelizmente, foi à única forma que consegui uma palavra em conversa com ele. Ele estouraria sobre mim se eu não falasse nada. “Vamos reiterar as funções rapidamente,” disse Dean, apontando para mim. “Você está aqui para me ajudar com a comida, bebidas e ambientação. Fim da história.” Ele apontou para si mesmo. “Eu vou lidar com todos os outros detalhes do restaurante, incluindo o nome.” Cruzei meus braços, sentindo meu rosto avermelhar com raiva. Desculpa, Mãe. 38

nesse caso ela usou uma expressão parecida como “toca aqui” ou “bate aqui”


Você criou uma assassina. Meus olhos procuraram de relance sobre sua mesa por um instrumento afiado para enfiar no seu coração, mas não havia nada, exceto uma caneta cara. “Você sabe o que eu acho que precisamos?” Zoe perguntou, empurrando a porta e rodeando a mesa do Dean. Sua cabeça mal veio até seus ombros, mas ele ainda olhou para baixo, com medo do que ela estava prestes a dizer. “Alguma ligação da equipe.” Hunter grunhiu e Julian riu. Fiquei em silêncio, esperando a reação do Dean. “Vamos lá,” disse Zoe. “Vamos pegar o seu barco este fim de semana e relaxar. Não se fala sobre o restaurante. Só diversão.” “Josephine tem me incomodado sobre sair de volta ao mar” Julian acrescentou. Antes que Dean pudesse rejeitar o plano, Zoe virou seu olhar em mim. “Você, aceita?” Se eu dissesse que sim, pareceria ansiosa demais. Se dissesse que não, seria como a idiota do grupo. Suspirei, peguei minha prancheta sobre a borda da mesa de Dean e, em seguida, sentei de volta. “Sim, tanto faz.” Ela bateu palmas, “Perfeito!” “Sábado de manhã?” Julian falou, já puxando seu telefone, sem dúvida no Snap com ela. Eca. Dean ofereceu a Julian um aceno rápido, e assim, de repente, a reunião foi encerrada. Nós tivemos zero de sucesso na tomada de decisões e estava mais perto de perder a voz de tanto gritar com Dean. Isso conta por algo, eu acho. Julian levantou-se e foi em direção ao corredor para ter mais uma conversa com Dean e Zoe, e eu me abaixei para pegar minha bolsa. Uma


sombra pairou sobre mim enquanto me sentava de volta, e percebi tarde demais que Hunter estava praticamente em cima de mim quando inclinou sobre minha cadeira. Seu perfume pesado quase me sufocou até a morte. “Oh, uau isso é próximo,” inclinei-me o mais longe dele que pude. O cara claramente não sabia o conceito de espaço pessoal. “Estou ansioso para vê-la no barco este fim de semana Lily,” ele disse, deixando cair à mão na parte de trás da minha cadeira. “Oh, sim, deve ser divertido,” respondi com um sorriso agradável. “Estou feliz que vamos ter algum tempo para conversar.” Ele ergueu uma sobrancelha. “Só você e eu.” Meu Deus. Como ninguém estava ouvindo essa merda? Estreitei meus olhos para ele e apontei onde a mão dele descansava. Sua fina aliança de ouro estava duas polegadas do meu ombro. “Que tipo de anel é esse no seu dedo?” Eu perguntei jogando o jogo não tão sutil de ‘foda-se’. Ele riu “O tipo escorregadio,” ele respondeu com um assobio de cobra. Eu levantei tão abruptamente que ele teve de recuar para evitar que minha cabeça colidisse com seu rosto. “Você é tão nojento.” “Ah. Vamos lá, não aguenta uma piada?” Passei por ele e entrei no corredor. Dean, Zoe e Julian ficaram em silêncio, quando passei por eles. Sabia que tinham ouvido a última parte da nossa conversa, mas não me incomodei em parar para corrigir suas suposições. Fui em direção à frente do restaurante e rezei para que houvesse um taxi esperando por mim. Eu estava em uma cidade diferente, mas ainda continuava lidando com a mesma merda. Hunter só viu o cabelo loiro e peitos. Ele não me viu como uma colega.


“Ei! Meu Deus. Pode esperar um segundo?” Ouvi a voz do Dean, chocada que ele se importou o bastante para me seguir até a calçada. Sua mão atingiu meu antebraço, centímetros da palma da minha mão e congelei surpresa com o conforto do seu aperto. “Você disse que a reunião acabou,” eu disse, olhando para ele e esperando uma confirmação. “Sim.” Dei de ombros, me afastando do seu toque, mas sua mão apertou meu braço. “Bem, estou saindo então. Vejo você no sábado.” “O que Hunter fez?” Ele perguntou, ignorando minha vergonha. Uma parte de mim queria encobrir a tentativa indiscreta do Hunter. Eu tinha lidado com essa situação muitas vezes antes. Um macho superior deu em cima de você? Você o tentou de alguma forma? Certamente, você o conduz. “Não foi grande coisa. Hunter veio até mim e eu disse a ele para cair fora. Fim da história.” Ele assentiu com a cabeça e juntou os lábios enquanto pensava como iria como proceder. “Vou cuidar disso.” Engoli. Ele parecia um mafioso. Será que tinha um soco Inglês39 escondido em um bolso desse terno de grife? Seus lábios se apertaram quando encontrou meus olhos. “Nada que vá deixar cicatrizes.” Meus olhos se arregalaram. Oh, merda. “Lily, estou brincando. Não vou bater em Hunter porque ele deu em cima de você.” Eu sorri. “Talvez só um chute nas bolas? Ou um golpe de karatê? Nada de mais.”

39

O soco inglês ou soqueira é uma arma branca de tipo soco, feita de metal, com quatro orifícios para se encaixar aos dedos como anéis, causando mais dano e ferimentos à vítima atingida pelo soco.


Ele revirou os olhos e deixou cair sua mão. Meu braço ficou instantaneamente mais leve, como se pudesse flutuar sem o peso da sua mão segurando a minha. “Até sábado,” disse ele, dando um passo para trás. Seus olhos digitalizando o meu rosto e minhas bochechas. “Não esqueça o protetor solar.” Inclinei minha cabeça e sorri. “Você sabe se eu não te conhecesse melhor diria que esta sendo bom pra mim agora.” Ele sorriu e então inclinou sua cabeça na direção do chão para escondê-lo. Quando olhou para cima, o sorriso tinha desaparecido, mas ainda havia humor em seus olhos. “Sim? Bem, não se acostume com isso.”


CAPITULO 18

Dean “Senhor, está tudo pronto. Assim que seus convidados chegarem, podemos ir.” Concordei com o Capitão. “Soa bem.” “Quanto tempo você gostaria de estar no mar?” Eu pensei em Lily, em quão instável ela me fazia sentir. “Vamos fazer uma pequena viagem. Apenas algumas horas.” Quanto menos tempo tiver que passar com ela, melhor. Cada minuto que passamos discutindo provavelmente levou um ano da minha vida. Ele assentiu com a cabeça e então se retirou para o leme. Me reclinei no sofá do terraço e tomei meu tempo para verificar meu e-mail uma última vez antes de todo mundo chegar. Tinha a porcaria de sempre entupindo minha caixa de entrada, mas o terceiro do topo era um que eu estava esperando para receber nos últimos dias. Passei pela introdução e sorri. Sr. Harper, eu ficaria feliz em encontrá-lo durante LV Restaurant Week. Tenho horários disponíveis durante todo o evento, então quando você e sua equipe resolverem suas agendas, favor entrar em contato comigo e poderemos dar um jeito. Entretanto, vou começar a preparar os pratos. Las Vegas Restaurant Week era um evento anual. Durante uma semana por ano, cada dono de restaurante de valor deixa toda a sua merda e vai para a cidade do pecado. LVRW era onde os negócios eram


feitos, chefes eram contratados, bebidas eram pensadas e novas modas inventadas. Eu tinha ficado em cima do muro sobre assistir novamente, mas o e-mail mudou tudo. Antônio Acosta foi o chefe executivo do mais famoso restaurante de tapas em Los Angeles. Por uma pequena fortuna, ele estava disposto a aconselhar-me sobre o menu para o novo restaurante e era uma oportunidade que não podia deixar passar. Fui até a cabine privativa para trocar meu telefone por meu laptop. Precisava do itinerário de voos de última hora para minha equipe e tentar encontrar um quarto de hotel. “Isto é fantástico!” Zoe disse, percorrendo a soleira vestindo top preto e short jeans. Ela tinha uma toalha dobrada em baixo do braço e uma bolsa pendurada por cima do ombro. “Você está no seu iate e está trabalhando.” Eu sorri e virei meu computador para que ela pudesse ver a Web site da companhia aérea. “Não há alternativa. Vamos a LVWR.” Seu queixo caiu. “O que? Pensei que íamos ignorá-lo este ano.” Expliquei a recente mudança de ideia. “Merda,” disse ela, deixando cair à toalha e a bolsa no chão da cabine. “Todo mundo está no terraço. Vou contar-lhes.” "Chame o Hunter também," gritei quando ela correu em direção as escadas. "Ele não esta vindo hoje.” Voltei para o meu computador e verifiquei os quartos disponíveis no Bellagio. Sabia que teríamos poucas opções. O hotel geralmente estava cheio em uma semana normal, e o fato de que também era a base para a Convenção me garantiu que teríamos sorte se encontrássemos um quarto dentro de um raio de cinco milhas. Fiz a varredura através da disponibilidade de quartos e suítes, e não fiquei chocado por encontrálos todos reservados.


Estava prestes a ligar para o hotel e reservar uma das suas Villas privadas, quando ouvi a voz de Lily na escada. “Ele acha que não temos vida? Eu não posso simplesmente largar tudo e sair da cidade sem um aviso prévio.” Revirei meus olhos. "Você terá que ir se planeja receber um salário este mês." Eu gritei. Ela apareceu na porta da minha suíte com os braços cruzados. Seus ombros bronzeados estavam nus e seu traje vermelho brilhante era apenas um vislumbre sob o tecido fino do vestido. Suas pernas longas estavam mais expostas do que nunca – uma vista tentadora que não me favorecia. Seu cabelo louro estava amarrado na base do pescoço, permitindo-me ver cada grama de raiva escrita em suas feições. Ela estava chateada. Fiquei intrigado. “Você não pode me obrigar a ir para Las Vegas,” ela respondeu. Eu sorri. “Antônio Acosta concordou em nos ajudar com o menu do restaurante novo.” Ela

pareceu

menos

tensa.

Ela

conhecia

esse

nome.

“Está

brincando?” Eu balancei minha cabeça. “Quando nós voamos?” Ela perguntou, seu tom ligeiramente menos abrasivo do que antes. “Quarta-feira, supondo que eu consiga reservar esta Villa a tempo.” Ela engoliu e assentiu com a cabeça. Eu podia ver a excitação crescendo através de seu olhar. O Las Vegas Restaurant Week era um evento só para convidados. Exclusivo só para elite. Eu sabia o quanto Lily queria assistir, e sabia que ela teria admitido seu desejo para qualquer um, menos para mim. Por quê? Porque nós estávamos ambos jogando o mesmo jogo.


“Julian disse que está disponível até sexta-feira,” explicou a Zoe, olhando entre eu e Lily. “Ele vai precisar voar para casa antes de nós.” Eu balancei a cabeça. “Ele vai estar lá por boa parte da semana, então ficará tudo bem.” “E o Hunter?” Lily perguntou, seu olhar focado em Zoe. “Ele estará lá, mas já foi avisado sobre seu comportamento. Não se preocupe.” Ela assentiu, parecendo aceitar minha resposta. Zoe aplaudiu, quebrando o silêncio. “Ok, bem, vamos misturar algumas bebidas no convés e deixar você terminar. Deixe-me saber se precisar de ajuda com alguma coisa.” Zoe puxou o braço da Lily e elas foram em direção à escada. Concentrei-me no corpo da Lily, enquanto ela ia embora, pensando se era uma boa ideia reservar uma Villa para todos os cinco membros da equipe. Haverá muito espaços, mas algo me dizia que ficar em um quarto de hotel – até mesmo um grande – com Lily Black seria tentação em sua forma mais extrema. --Quando eu terminei de reservar tudo, nós tínhamos ancorado em mar aberto. Sai da minha cabine com calor e irritado, fiz uma pausa no topo da escada. Zoe foi relaxar no terraço com seus óculos de sol cobrindo a maior parte do seu rosto. Julian e Josephine estavam sentados no sofá sob a cobertura do terraço. Julian se inclinou e beijou a bochecha dela. Olhei para fora e meu olhar seguiu a linha do terraço até que avistei Lily atrás do meu bar, vestindo nada além de seu biquíni vermelho e um dos meus velhos bonés amassado. Ficou torto na cabeça dela, aba larga, cobrindo a testa inteira.


“Onde você encontrou isso?” Eu perguntei, chegando mais perto. Um homem mais inteligente tinha pisado na direção oposta. Ela olhou para cima, parecendo envergonhada. “Foi em um armário na cozinha. Esqueci um chapéu e tenho muitas sardas, preciso manter minhas bochechas cobertas do sol.” Inclinei a cabeça, olhando suas feições delicadas sob a aba do meu chapéu. Ela já tinha sardas em seu rosto, mas gostei delas. “Eu posso guardar.” Balancei minha cabeça e me abaixei para pegar alguns limões de uma tigela por atrás do bar. “Continue.” Propositadamente não olhei para ver sua reação. “O que você vai fazer?” Perguntou ela, dando um passo hesitante mais perto. Ela cheirava a verão. Aquele cheiro tropical que aquece seu estômago. “Uma margarita,” disse, olhando para ela do canto do meu olho. Seu biquíni vermelho ficou apertado e teve o efeito de atrair-me como uma mariposa até as chamas. “É minha bebida preferida,” ela disse, e um pequeno sorriso se estendeu através de seus lábios. Cortei dois limões, espremendo o suco na coqueteleira e alcancei para triplicar. “Eu geralmente gosto de usar suco de laranja, mas isso vai funcionar.” Puxei a rolha do meu Patrón e derramei dois tiros. Um pouco de gelo o néctar foi o próximo, e então sacudi a bebida enquanto Lily me olhava em silêncio. “Tente,” disse.


Sua mão roçou na minha quando pegou o copo. Ela levou aos lábios e tomou um pequeno gole. Seus olhos brilhantes encontraram os meus sobre a borda do copo e eu sabia que tinha sido aprovado. Ela era uma barwoman melhor do que eu, mas tenho vindo aperfeiçoando margaridas desde os 16 anos. “É bom.” “Você pode ficar com ela,” eu disse, pegando mais dois limões. “Você está sendo gentil novamente hoje,” brincou ela, pressionando seu quadril contra o bar e me enfrentando. Atirei-lhe um olhar escuro. “Você não vai dizer o mesmo em poucos minutos.” Ela estreitou os olhos dela. "Por quê?" "Você irá descobrir assim que terminar a bebida.”


CAPITULO 19

Dean Durante os meses de verão, quando o terraço está quente e a água é muito tentadora para ignorar, gosto de pular e dar alguns mergulhos. Não é perigoso se você fizer isso direito, mas quando abordei o assunto com o grupo, todos, menos Julian reagiu como se eu fosse louco. "Não!" Josephine gritou, se inclinando sobre a borda do parapeito. "Isso é como as pessoas são comidas por tubarões." "Não há nenhum tubarão," falei, alcançando a bainha da minha camisa. Puxei-a fora e joguei de volta para o chão do deck principal. Quando me virei em direção à grade, Lily estava me observando. Os olhos dela arrastaram-se em meu peito, minha pele se aqueceu. Limpei minha garganta e ela sorriu, encontrando meu olhar por apenas um momento antes de desviar o seu. Ela não estava com vergonha de ter sido pega. Estava muito segura de si para se incomodar com fato de que eu sabia que estava me olhando. "Acho que devíamos fazê-lo," disse Zoe, jogando os óculos de lado. "Vai ser um exercício de ligação." Lily resmungou. "A parte de ligação virá quando estivermos todos na enfermaria do hospital com ossos quebrados?” Eu sorri e balancei minha cabeça. Ela e Josephine veriam por si. Todos fizeram. “Eu fiz isso um milhão de vezes.” Os olhos arregalados de Lily encontraram os meus. "É tão fácil de fazer?” Josephine bateu a palma da mão contra a sua testa. “Isto é estúpido. Nós não deveríamos fazer isso.”


Zoe estava à frente de todos. Ela já tinha uma das pernas em cima do trilho de metal, equilibrando-se na borda que se estendia algumas polegadas do outro lado. Fiquei perto até ela jogar a outra perna e se manter firme no parapeito. Julian ajudou a levantar Josephine por cima da grade, mesmo enquanto ela protestava. "Como você está, confiante sobre os tubarões?” Ela riu da sua pergunta e então se balançou por cima da grade. Zoe, Julian e Josephine espalharam-se ao longo do barco, um pouco mais distantes. Lily continuou no mesmo lugar, seus pés plantados no lado seguro do trilho. "Você vai amarelar?" Eu perguntei, me aproximando dela. Sorri e estendi a mão para tirar o chapéu de sua cabeça. "Ainda não decidi," ela respondeu, deslizando seu olhar para mim. "Ei, eu não disse que ia fazer isso," ela protestou, tentando em vão manter seu cabelo loiro para baixo. Era cacheado e estava selvagem por causa do ar salgado. "Não há nenhum tubarão," garanti a ela. Ela estreitou os olhos em mim. "Talvez não seja dos tubarões que estou com medo..." "O que é então?" Eu perguntei. Ela respirou fundo e virou-se para enfrentar o corrimão. "Apenas me segure enquanto eu estiver subindo." Me estiquei e deslizei minhas mãos ao redor de sua cintura fina. Sua pele estava tão quente do sol e agarrei firme o suficiente, que mesmo se ela tropeçasse, não cairia. A parte inferior do seu biquíni saiu do lugar, revelando um pedaço de pele pálida. Fiquei tenso com a ideia de poder ver as partes que o sol não podia alcançar. "Ok, eu só vou passar minha perna aí..."


Balancei a cabeça em resposta, sabendo que se falasse, minha voz provavelmente revelaria o desejo que estava tentando manter escondido. Ela passou a perna esquerda por cima da grade e então esticou o corpo como se fosse saltar. Eu a levantei e a manteve firme, e quando estava do lado oposto, os dois pés sobre plataforma, ela olhou pra mim. Eu podia sentir a adrenalina correndo em suas veias. Nossos batimentos cardíacos estavam acelerados e, por dois segundos, pensei que iriamos nos beijar. Mesmo com todos vendo. "Pode soltar agora," ela disse, desviando seu olhar dos meus lábios e olhando-me nos olhos. Voltei a realidade como em um passe de mágica, soltei sua cintura e dei dois passos para trás. Um só não teria sido suficiente. Só ia parecer como se ainda pudesse me inclinar e beijá-la. Sim, dois passos devolveram-me o controle. "Vamos lá Dean! Vou pular com ou sem você!" Zoe gritou. Eu ri e pulei a grade. "Ok, salto em," Julian gritou. "Três." Inclinei meu corpo em direção à água verde azulada e respirei. "Dois!” "Oh Jesus, isto é estúpido," Lily sussurrou ao meu lado. Meu coração estava acelerado, correndo como se estivesse tentando sair do meu peito. "Um"! Julian gritou. Dobrei meus joelhos e estendi a mão para Lily, puxando-a para fora da borda comigo. Ela soltou um grito selvagem quando voamos através do ar. A água correu ao nosso encontro e segurei minha respiração antes de cairmos no mar. A água fria tomou conta de nós e soltei sua mão, assim eu


poderia voltar à superfície. Endorfinas correram pelo meu sangue, misturando-se com a adrenalina de poucos segundos antes. Eu havia saltado centenas de vezes, mas nunca enquanto segurava a mão de outra pessoa. Voltei à superfície e dei uma respiração profunda. Julian e Josephine estavam indo na direção das escadas de mergulho, Zoe foi em direção à plataforma. Lily estava longe de ser encontrada. Dei um giro, amaldiçoando o fato de que estávamos nadando na costa de Nova York e não no Caribe. A água estava muito escura para ver direito, e por alguns momentos eu temia que não fosse capaz de encontrá-la

se

tivesse

se

machucado

durante

o

salto.

Respirei

profundamente, me preparando para voltar e procurá-la, quando seu cabelo loiro apareceu na superfície. Ela tossiu como se estivesse engasgada com a água e afastou os cabelos para fora do seu rosto, estava, aparentemente, ilesa. "Você está ok?" Eu perguntei, chegando mais perto. Seus olhos arregalados se voltaram para mim e ela estendeu uma mão, usando a outra para nadar. "Não venha mais perto." Ela enunciou cada palavra como se fosse cortar minha cabeça caso não acatasse seu aviso. "O que está errado?” Eu cheguei mais perto e seus olhos brilharam em advertência. "DEAN. Não chegue mais perto." Foi quando notei o que ela estava tentando desesperadamente esconder. Oh merda. "Meu top saiu quando caímos na água." Ela examinou a água em volta dela, frenética. E eu?


Eu tentei de tudo para esconder o sorriso no meu rosto.


CAPITULO 20

Lily "Todo mundo se vire!" Eu gritei. "Deus me ajude!" Julian ajudou a puxar Jo fora da água e ela entrou em colapso tendo um ataque de riso na plataforma de mergulho. Julian cobriu os olhos com uma mão curvando-se para puxá-la com a outra. "Não consigo ver nada! Eu juro. Só vou voltar para a cozinha." Josephine ficava uivando com riso, não é possível mesmo recuperar o fôlego. Iria matá-la assim que encontrasse o top do meu biquíni. Diabos, talvez eu tivesse apenas que estrangulá-la com isso. Zoe era à única pessoa do meu lado. Tanto quanto eu estava preocupada, Jo estava morta para mim. Ela e Dean, ambos. Quando me virei de volta, ele ainda estava pisando molhado alguns metros longe de mim, completamente imperturbável pelas minhas ameaças de morte. “Eu te odeio." Ele inclinou sua cabeça e um pequeno sorriso estendeu através de seus lábios. “Não vejo nada." “Você está mentindo," disse, olhando para baixo para confirmar que meus seios estavam abaixo da superfície. Cada vez que a corrente oceânica me batia acima e para baixo, temia que fosse o suficiente, para o deleite do Dean. Ele balançou a cabeça. “Não adianta procurar seu top. Você vai se afogar tentando encontrá-lo." Eu gemi e olhei de relance para o barco. "Josephine! Jo! Você pode parar de rir por dois segundos e me ajudar?"


Ela era absolutamente inútil. "Lily." Ela respirava através do riso. "Eu vou ajudar, deixe-me..." Ela não podia nem se mexer sem que tivesse outro ataque de risos. A sensação de queimação nos meus braços estava se tornando mais difícil de ignorar; Não podia nadar por muito mais tempo. “Josephine! Isso não tem graça! Um tubarão está provavelmente cheirando meu top de biquíni e decidindo que quer me comer no almoço!" Dean gemeu. “Pela última vez, não há tubarões." Eu me virei e... DEUS MALDITO. Ele estava mais perto do que nunca. Não tive escolha. Tive que nadar até o barco e sair do jeito que estava. Josephine não ia tirar sua bunda ossuda e ajudar-me. Eu sucumbiria ao meu destino, também poderia me afogar ou sair e deixar Dean ver meu corpo, arruinando-o assim para todas as futuras mulheres dali em diante. (Ok, talvez eu estivesse exagerando um pouco.) Comecei a remar para o barco, já respirando pesadamente por estar nadando há bastante tempo. Dean nadou passando por mim, alcançou a escada se inclinando para subir, tudo antes de eu chegar perto do barco. Já estava fora. Seu bronzeado e liso peito brilhava no sol quando ele se esticou para me dar a mão. “Consigo sair sozinha," disse, cobrindo meu peito com um braço e usando o outro braço para nadar cachorrinho e chegar mais perto da escada. Foi devagar, mas achei que chegaria lá. “A escada não é estável. Deixa de ser difícil e só deixe-me ajudá-la,” argumentou. Eu? DIFÍCIL? Que Deus me ajude, ele ia comer suas palavras quando estivesse naquela plataforma. “Eu tenho braços fortes. Vire-se e me deixe levantar você." “Lily." Basta.


O fogo nas minhas veias não teve nada a ver com a água e tudo com minha raiva em direção a Dean. Eu estava encostada na escada, logo abaixo de onde ele estava pairando sobre a plataforma. Tinha um braço precariamente enrolado no meu peito e o outro desesperadamente tentando me manter nadando... Que me deixou com zero arma para alcançar a escada. Fode-me. Tive que aguentar e esperar ele sair. Eventualmente, ele ficaria entediado e iria para dentro, e eu poderia levantar-me para fora em seguida. Os músculos do meu braço começaram a doer mais do que nunca, já sentia cãibras, como se tivessem ouvido meus pensamentos e estivessem desesperadamente tentando convencer-me a desistir do meu plano. Minha dor deve ter se mostrado em meu rosto porque Dean se inclinou mais baixo, muito irritado em lidar com meus disparates por mais tempo. “Lily, vou ajudá-la. Você pode xingar o quanto quiser, mas não vou deixar você se matar, porque tem medo que eu veja seus seios." Tentei alcançar a escada com o meu braço que estava usando para me equilibrar na água, foi quando senti suas mãos segurando meu bíceps. Ele puxou meu braço longe de onde cobria meus seios e içou-me fora da água, como se fosse levantar um saco de gomas. Nem tive tempo para compreender plenamente o fato de que meus seios estavam em plena exibição antes de sentir um pé tocar a borda da plataforma. Estava na terra novamente! Eu não ia morrer! Infelizmente, excitação não ajudou muito. Quando tentei firmar meu outro pé na plataforma, o chão saiu debaixo de mim. Dean tentou segurar-me, mas eu já estava tremendo para frente como um peixe. Não me separei dele, porque ele ainda estava me prendendo com seus braços. Caí em câmera lenta, confiante que minha cara estava prestes a fazer


contato com a plataforma dura, quando em vez disso, enterrei meu rosto contra a virilha de Dean. Espere. Deixe-me esclarecer. Eu tinha ido da borda da plataforma de mergulho em Dean, segurando-me como uma boneca de pano, e quando escorreguei, minha cara tinha atingido sua virilha com força suficiente para tirar a tinta do seu arco, se você me entende. Eu tinha certeza que tinha quebrado o pênis do Dean. Olá Deus? Sou eu, Lily. Se não for muito incômodo, teria um tubarão para saltar fora da água e me comer? Eu realmente gostaria de ter uma morte rápida e indolor, de preferência uma que não envolva minha cara colidindo mais uma vez com a virilha do Dean. Dean deu um gemido gutural, soltou os braços e desabou sobre a plataforma de mergulho. Ele apertou os olhos fechando e estremecendo de lado a lado com os joelhos dobrados. Levantei-me e me inclinei sobre ele, segurando os ombros em minhas mãos. “Oh meu Deus. Eu sinto muito! Desculpe-me!" Um de seus olhos estava aberto e ele balançou a cabeça, incapaz de falar. Claramente, eu tinha causado sérios danos. “Precisa de um pouco de gelo? Devo soprar nele?" Ele riu e então gemeu novamente. A piada foi grosseira, na melhor das hipóteses, mas eu precisava de uma maneira de medir o quanto ele foi ferido. “Ok bom, se você pode rir então não vai morrer." Ouvi passos na escada e olhei para ver Josephine. Com toda a emoção, eu nem tinha notado que ela tinha deixado a plataforma de mergulho. “Eu tenho isso! Aqui, Lily, tenho algo para você vestir!” Olhei de relance para o meu peito, lembrando que estava nua e então pulei de Dean. Jesus, eu tinha apenas o papel de enfermeira vadia,


que ótimo. Por favor, deixe-me ajudá-lo enquanto coloco meus seios no seu rosto. “Seu pervertido! Você poderia ter me avisado que estava de topless," eu disse, segurando meus braços sobre os seios. Dean abriu os olhos e olhou para mim. “Sim, desculpe, eu estava um pouco ocupado tentando não vomitar de dor." Josephine empurrou uma coisa vermelha brilhante na minha frente. “Aqui, coloque isso." Uma pessoa normal poderia ter pegado uma camisa ou uma toalha. O que deu em Josephine? Um colete salva-vidas gigante, largo — o tipo que você encontra nos pedalinhos baratos. Ele cobriria meus seios, com certeza. “Sério Jo? É sério?” Ela olhou para mim, esperando eu me levantar. “O quê? Foi à única coisa que encontrei. Coloque." Eu suspirava. Isso não me cobre completamente, mas foi melhor do que nada. Me afastei do Dean e puxei-o rapidamente sobre minha cabeça. Arrumei as fivelas na frente do meu peito e apertei o cinto preto tão apertado como pude. Quando me virei, Dean estava olhando para mim com uma expressão vazia. “O quê?” Perguntei, olhando para baixo, para confirmar que o colete salva-vidas estava cobrindo-me. Josephine riu. “Ele está provavelmente apenas recordando suas fantasias da Playboy na infância." Ele balançou a cabeça olhando pra cima. Ele se elevou sobre mim, alto e magro. Senti o cheiro do oceano misturado com a lavagem do corpo. “Mais como ver o compartimento,” ele corrigiu com um pequeno sorriso.


Eu gemia com embaraço. “Podemos apenas fingir que não viu nada disso?" Implorei. Ele arqueou uma sobrancelha e encontrou meus olhos. Havia uma emoção escondida atrás de seu olhar que eu não tinha visto antes, pelo menos não por ele. “Não é possível," disse ele, balançando a cabeça. Assisti-o pelas escadas até o convés e percebi que a tensão entre nós dois não havia desaparecido. Nosso tempo juntos no barco tinha transformado isso em algo muito mais difícil de controlar...


CAPITULO 21

Lily Depois do barco do inferno, sabia que seria difícil ver o rosto Dean no trabalho. Fiquei na cama até tarde no domingo, tentando recriar a memória dos acontecimentos do dia anterior. Às vezes, podia convencerme que eu tinha estado legal e sexy com meu colete salva-vidas, e então, outras vezes, que meu cérebro repetia o momento que meu rosto colidiu com a virilha do Dean repetidamente como um vídeo perfeitamente em câmera lenta que parecia nunca acabar. Quando chequei meu e-mail naquela noite e vi o nome do Dean, meio que esperava ler na linha de assunto "Obviamente, você está demitida.” De: Dean Harper Para: Lily Black, Julian Lefray, Zoe Davis, Hunter Smith Assunto: LVRW

Como vocês sabem, nós temos uma semana muito ocupada chegando. Partimos para LVRW na quarta-feira, então eu gostaria de ter uma reunião na minha casa amanhã de manhã. Abordaremos o voo, acomodações e nossos horários nos dias que ficaremos em Las Vegas. Meu endereço está abaixo. Vamos começar às 09:30. D. Harper


Não há Nenhuma menção de como a região da virilha estava cicatrizando. Aceito isso como um bom sinal. --Eu fiquei na porta do Dean e bati, mas ninguém atendeu. Toquei a campainha, mas parecia inútil. Sua porta era preta, brilhante e sólida. Não havia janelas para que eu pudesse investigar, e as que tinham ao longo do foyer eram escuras. Girei em círculo, tentando decidir se estava na casa certa. Sua casa na Upper West Side era localizada em uma fileira de sobrados majestosos. No fim do quarteirão, eu tinha passado uma delicatessen de bairro com mesas francesas modernas e videiras de hera que pareciam estar crescendo nos últimos cem anos. Quase entrei para um café com leite, mas não queria me atrasar. Agora, no entanto, parecia que teria sido muito útil. Bocejei e tentei cobri-lo, dizendo a mim mesma que não estava realmente tão cansada como me sentia. O sono tinha sido difícil nas últimas duas noites. Eu tinha enchido meus dias de trabalho, mas à noite, quando minha cabeça batia meu travesseiro e tinha um momento a sós com os meus pensamentos, repetia meus encontros com Dean. A maneira que nós lutamos, como ele me enfurece, e a forma como me deixa intrigada. Eu não conseguia decidir onde ele se encaixa no diagrama da minha mente. No lado esquerdo, tinha gente que odiava, e à direita, tinha as pessoas que amava. Bem no meio, em uma categoria de sua própria atitude, havia Dean Harper. Tentei a campainha pela segunda vez e, então, cheguei para a maçaneta da porta. Estava destrancada. Empurrei a porta e pisei em seu Hall de entrada. “Olá?”


Eu levei um passo hesitante para frente e falei. "Dean?” Meus sapatos ecoaram através do assoalho de mármore preto e branco. Sua casa, pelo que pude ver, era imaculada e projetada para um T. À porta de entrada era uma sala circular redonda com um candelabro preto pendurado acima de uma mesa laqueada preta. Havia elementos formais, como o lustre e bancas, intercaladas com detalhes masculinos. A bicicleta dele estava pendurada no corredor da porta de entrada para uma grande escadaria esculpida à mão. Fotos espalhadas na parede perto da porta de entrada; versões de Dean como um bebê chamou minha atenção. Escorreguei meus saltos — imaginei que Dean, provavelmente, tinha uma política de não sapatos em casa — e cheguei mais perto da primeira foto à minha esquerda. Dean era jovem, talvez um ou dois anos, sentado num cavalo de balanço, usando uma fralda, botas de cowboy e um chapéu. Sua barriga gordinha me fez sorrir quando mudei para a próxima foto. Dean era mais velho, com dentes de coelho segurando uma vasilha. Seu cabelo loiro era brilhante, quase branco, tinha suco de picolé espalhado em seu rosto, enquanto estava sentado ao lado de um homem velho em um trator. O velho estava acenando para a câmera e Dean estava olhando para ele, encantado. Continuei vendo o resto das fotos na parede, Dean segurando os suspensórios no dia da graduação da faculdade, cercado por seus entes queridos. Andei de volta para o hall de entrada e circulei a mesa, seria muita intimidade me aventurar em qualquer um dos outros quartos no primeiro andar. Havia uma pilha de correspondência sobre a mesa, principalmente de contas e catálogos que ele ainda tinha que se atualizar, mas deixou tudo empilhado, havia um postal colorido com uma foto de uma enorme caverna abaixo as palavras "Maquoketa Caves


Park

40

de estado." Olhei para o andar de cima, ouvindo passos e então

virei o cartão postal. “Dean.” Eu sei que você acabou de nos visitar, mas não resisti a enviar-te um cartão postal de seu parque favorito. Fiz seu pai ir até a caverna mais cedo. Ele fingiu odiar, mas sei que se divertiu. Talvez da próxima vez que você estiver vindo nos visitar poderemos voltar e acampar aqui, como nos velhos tempos. Te amo “Mamãe.” "É um habito texano invadir a casa de seus amigos e bisbilhotar sua correspondência?” Engoli em seco e olhei de relance para ver Dean em pé no topo da escada. Seu maxilar era um paraíso limpo e seu cabelo estava brilhando, momentaneamente,

persuadindo

os

fios

ondulados

em

sua

apresentação. Sua gravata vermelha estava no centro da camisa branca pressionando e seu terno da Marinha lhe caiu como uma luva. Parecia que ele tinha o mundo inteiro sob seu comando... Começando por mim. “Eu toquei a campainha," expliquei-lhe com uma voz trêmula. Ele começou a descer as escadas, arrastando a mão ao longo do trilho liso. Seus olhos escuros fixados em mim. “E então eu chamei seu nome." Ele arqueou uma sobrancelha, mas ficou em silêncio. “A porta estava destrancada," disse, apontando como se ele fosse para cima e confirmar minha história.

40

É um parque para acampar.


Ele desceu da escada para o piso de mármore, arrastando seus olhos sobre minha roupa. Olhei para baixo. Meu vestido era preto e justo com um decote em forma de coração. Eu tinha enfiado um casaco de lã na minha bolsa com planos de colocá-lo antes de chegar aqui. Sem ele, o vestido parecia um pouco inconveniente para o trabalho. Havia muita pele exposta em meu pescoço e seios se, Hunter estivesse por perto. “A reunião não começa até 09:30. Eu estava tomando banho,” ele explicou, chamando minha atenção de volta até ele. Cheguei para o casaco de lã creme. Seu olhar seguindo o tecido quando o coloquei sobre meus ombros. “Então eu acho que li seu e-mail errado." Ele bateu os dedos contra a mesa duas vezes e depois recuou. “Vamos lá. Vamos esperar pelos outros na cozinha. Preciso de um café.” Eu segui atrás dele, concentrando-me no piso de madeira preta que começava perto da porta de entrada. Passamos por sua bicicleta pendurada na parede como uma instalação de arte moderna e então viramos a esquina para a cozinha, à esquerda da escada principal. Os assoalhos de madeira escuros estenderam-se até o quarto, mas foram equilibrado pelos armários cinza claro e bancadas em mármore de Carrara. Cada um dos aparelhos domésticos que eu sonhava ter em minha futura cozinha estavam aqui, todos em exibição na de Dean. Um frigorífico de restaurante estava ao lado de uma máquina de café expresso embutido em juro por Deus, meu coração vibrou um pouco com a visão da batedeira auxiliar de cozinha preta. “Expresso?" Ele perguntou. Enruguei meu nariz. “Café com leite?” Ele assentiu quando andei ao redor da ilha, dando-lhe espaço para se mover. Parecia não haver nenhum limite para seus talentos. Barman,


barista, velejador, dono do restaurante — o talento tinha que acabar em algum lugar, certo? Provavelmente no quarto. Puxei um dos bancos que ficavam abaixo da ilha e me sentei, enquanto assistia-o trabalhar, deixando minha pergunta enraizar-se em minha mente. Dean tinha todas as coisas que deveria ter para ser um bom amante. Ele mudou-se e falou com total confiança. Tinha um corpo de matar de trabalhar fora, que também ajudaria com a resistência no quarto. Ele se inclinou para ver na parte de trás da geladeira dele e sorri olhando sua bunda. Ainda outro bônus. Experiência no quarto importava também, mas isso não era algo que eu pudesse descobrir olhando para ele. “Você vai a muitos encontros, Dean?" Eu perguntei, deixando meus pensamentos escoarem para fora antes que pudesse detê-los. Ele olhou para longe de sua geladeira. Seu corpo rígido e armado em seu terno marinha deu lugar ao um sorriso e olhos curiosos. “Terei que colocar você ao lado de Hunter por assédio sexual?” Eu ri. “Essa pergunta dificilmente é assédio." Ele tirou a caixa de leite da sua geladeira e colocou na ilha à minha frente, precisa e pensativamente. Eu podia ver as veias em suas mãos, evidência de um treino de manhã cedo, sem dúvida. “Não é como se você tivesse que provar algo para mim," continuei. “Eu só estava pensando...” Parei na metade da frase, de repente, me sentindo muito nervosa para expor meus pensamentos. “Pensando o que?” Seus olhos me desafiaram a ser honesta e eu nunca tinha sido boa em recusar um desafio.


“Parece que caras como você — os poderosos idiotas do mundo — são suposto serem muito bom na cama." Seus olhos se arregalaram ligeiramente e jurei que vi apertar os músculos em sua mandíbula. Ele apertou as mãos na borda da ilha e inclinou-se, seu olhar fixo no meu. "E qual foi sua experiência?” Eu balancei minha cabeça. "Eu só estive com rapazes da minha idade." “Então?" Dei de ombros. “Na faculdade, qualquer um pode ser um garoto rico com um grande ego e talão de cheques do papai. Outra coisa é inteiramente ser poderoso por conta própria." Suas narinas alargaram-se e então ele empurrou para trás do balcão. “Bem, se alguma vez quiser pôr a prova a sua teoria, sabe onde me encontrar." Eu ri. Ele estava brincando. Ele tinha que estar brincando. Certo? Abri minha boca para esclarecer, mas a campainha tocou antes que eu pudesse. Alta, desagradável e irritantemente cronometrada.


CAPITULO 22

Dean Dei a volta na esquina para minha casa, mas em vez de parar, passei minha varanda e continuei. Minha corrida tinha acabado, mas o fogo dentro de mim não diminuiu nada. Meu problema com Lily não estava nem perto de ser resolvido. A reunião na minha casa no dia anterior tinha ido à merda dentro dos primeiros cinco minutos. A equipe reuniu-se em torno de minha cozinha, então revemos os itens finais para Las Vegas, mas o tempo todo, eu podia sentir o olhar curioso de Lily em mim. Ela tinha sentado na minha mesa da cozinha, acabando com as minhas palavras em sua cabeça e fazendo-as parecer mais do que tinham sido. O desafio que tinha feito antes de todo mundo chegar era uma piada. Nada mais. Eu poderia ter esclarecido isso, mas em vez disso, iria deixá-la ficar entre nós, sufocando a sala com perguntas. Ainda poderia chegar até ela e poupá-la do convite. Eu tinha o endereço dela, seu número de telefone celular e e-mail, mas algo me segurou. Era algo que me fez querer continuar correndo.


CAPITULO 23

Lily Fui até a frente da casa do Dean, sabendo muito bem que não deveria estar do outro lado da rua da casa dele. Uma noite antes que era suposto irmos para Las Vegas. Eu tinha um voo às 08:00, algumas coisas para arrumar e pelo menos mais cem razões do porque eu não deveria ter ido olhar a porta preta e envernizada do Dean. Todo o dia, eu tinha repetido suas palavras em minha mente. Todo o dia, tinha me recusado a ler nas entrelinhas. Corri pelo Central Park com meu Ipod estridente e ainda as palavras do Dean tocavam mais alto. Fiquei na fila em uma loja de café e tentei encontrar um cara solteiro que fosse tão atraente como Dean. Tão irritante. Como mandão. Como um desafio. Comi em um restaurante recém-inaugurado para o almoço, na esperança de escrever para meu blog, mas tinha acabado meu sanduíche sem registrar um único sabor. Dean tinha me enrolado em torno dele com uma única frase. “Bem, se alguma vez quiser pôr a prova a tua teoria, sabe onde me encontrar.” Foda-se ele. Eu puxei meu telefone da minha bolsa e enviei uma mensagem para Jo. Lily: Estou prestes a fazer sexo em Nova York pela primeira vez.. Jo: Uau! Por favor, diga-me que não vai ser com Nelson Hobo. Lily: Dean. Jo: Espere. Espere. Espere. ABORTAR. Atenda o telefone.


Ela ligou no mesmo instante, iluminando a minha tela com sua foto. Eu a ignorei. Não estava à procura de sua bênção; só queria que ela soubesse onde encontrar-me no caso de Dean e eu acidentalmente matarmos um ao outro. Coloquei meu telefone de volta na bolsa quando continuou a tocar. Chamada de telefone. Correio de voz. Chamada de telefone. Correio de voz. Jo não pararia até que eu atendesse. Em vez disso, tomei meu primeiro passo em frente quando meu coração começou a batida no peito, muito difícil de passar despercebido. As luzes estavam apagadas na casa dele. Pelo que sei, ele não estava em casa. Ainda assim, eu tinha que tentar. Em uma experiência fora do corpo, assisti meus calcanhares chegarem ao topo da sua varanda, estava na porta dele e não tinha para onde ir mais, a não ser para frente. Estendi a mão e toquei a campainha. Podia ouvi-la badalar dentro, ecoando em todo o piso de mármore. Meu estômago embrulhado, de repente senti medo e não tinha mais certeza de que isto era uma boa ideia. Eu segurava meu estômago. Meu telefone ficou vibrando com avisos de Josephine e senti-me como se fosse vomitar. Dei um passo atrás, preparando-me para o choque. Minha garganta se apertou e minhas pernas estavam fracas. Eu só precisava sair de sua varanda então poderia sentar e respirar e repreender-me por ser tão monumentalmente idiota. Então a porta se abriu lentamente e Dean estava ali através da pouca luz de sua casa, e fiquei totalmente sem fala. Ele não disse uma palavra, apenas ficou lá, sem camisa, bronzeado e surpreso em me ver. As calças de cordão preto estavam frouxas, segurando seus quadris e desafiando a lei da gravidade. Eu podia ver um pedaço de sua cueca Calvin Klein logo abaixo um V de Adônis afiado que


cortaria seus abdominais tanto que parecia quase doloroso. Seu cabelo era ondulado e rebelde, assim como o meu... E de repente não me senti doente, de repente eu tinha certeza que isso foi uma boa ideia. “Lily?” Ele falou meu nome como se fosse uma pergunta. Eu sabia a resposta. Balancei minha cabeça e adiantei-me, pressionando as mãos no peito dele e empurrando-o de volta para sua casa. As mãos dele encontraram meus quadris. Ele agarrou meu top de treino e amassou o material em suas mãos para que pudesse sentir minha pele por baixo. Não pensei em mudar antes de vir; Eu estava um caco, suada do meu treino e de correr ao redor da cidade todos os dias. Meu collant estava manchado com café e teria tomado banho se tivesse sequer pensado na verdade que poderia estar lá, na frente de Dean e aceitar o seu desafio. Havia dois segundos onde tinha o controle. Eu o havia pego de surpresa, aparecendo em sua porta, mas ele se recuperou rapidamente, puxando-me mais profundo em sua casa e tornando muito mais difícil de adivinhar a minha decisão. “Bem, se alguma vez quiser pôr a prova a tua teoria, sabe onde me encontrar.”


CAPITULO 24

Dean Eu sabia que isso ia acontecer. Sabia que, ao jogar com Lily, testando ela e provocando-a, eventualmente, ela morderia de volta. Sua mordida não era dolorosa. Foi um sonho maroto que sangrou em horas de vigília. A parte superior do top e seu legging foram arrancados de sua pele para que eu pudesse ver cada curva que se escondiam por baixo. No segundo que suas mãos bateram no meu peito, sabia o que ela queria. Eu tinha estado realmente brincando no dia anterior, mas deveria saber que Lily iria aceitar um desafio jogado. Ela era um pouco mal humorada. Ela pensou que sabia tudo do mundo e que assim poderia aparecer à porta de um homem à noite. Uma ingênua. Ela arrastou as unhas no meu peito e agarrei seus quadris, espremendo-a através do material fino. Chegaríamos até ao meu quarto, mas parecia meio mundo de distância e eu precisava dela ali. No Hall de entrada, sobre o mármore frio. Chutei a porta fechada e arranquei seu top preto do corpo. Seus olhos brilhantes eram do tamanho de um pires. Seus lábios estavam gordos e rosados. Nós não tínhamos sequer nos beijado ainda, mas pela manhã, aqueles lábios seriam vermelhos e inchados. Ela teria que colocar protetor labial sobre eles por dois dias seguidos e toda vez que fizesse, lembraria quando eu tinha me colocado para baixo e roubado um primeiro beijo, segurando seus quadris e puxando-a em minha direção. Quando nossas bocas se conectaram, ela gemeu e igualei seus quadris contra o meu. A língua dela passou por meus lábios e inclinei minha cabeça, trazendo-a mais perto. Ela tinha um gosto bom, como


chiclete de canela. Eu sorri. Ela tinha planejado isso. Tinha mastigado o chiclete no caminho. Pensando em mim todo o dia. Ela queria que eu usasse minha mão ao longo do cós de suas calças, assim como eu estava fazendo — para baixo através de seu estômago, quadril e voltando novamente. O estômago dela tremia sob meu toque e sua boca caiu aberta para que ela pudesse arrastar os dentes ao longo do meu ombro. Ela queria que eu soubesse que ela gostou. Claro que sim, Lily. Você me disse que nunca foi fodida por alguém que soubesse o que estava fazendo. Escorreguei minha mão abaixo da cintura de suas calças e então mais baixa, à direita de meu dedo ao longo do exterior da calcinha dela. Eu a tive em minhas mãos, completamente aberta para mim. Ela suspirou contra mim, mantendo seu foco no meu ombro. Tímida. Ela não conseguia me olhar nos olhos quando deslizei meu dedo pela bainha de sua calcinha. Ela mordeu mais forte no meu ombro e levantei seu peso. Ela ficou era uma massa... E se eu a soltasse, ela cairia uma pilha no chão. Apoie-a contra a parede, mesmo entre minhas fotos emolduradas. Escorreguei minha mão fora de suas calças e puxeias para baixo, tendo a visão do seu corpo nu. Ela era pequena, com seios rosados e esbeltos e os quadris que não deveriam ter sido visíveis. Ela parecia tão jovem ali que dei um passo para trás, sentindo-me laçado. Fiz a varredura em toda a sua pele bronzeada, memorizando a sarda duas polegadas acima do seu mamilo esquerdo. Agora era a minha sarda. Uma parte secreta de pele que não tive tempo para notar no iate. “Dean?” Ela falou com uma voz trêmula. “Estou tomando a pílula. Se isso é o que você está preocupado...” Ela pensou que eu não a queria. Ela pensou que estava afastando-a para sempre.


“Quantos anos você tem Lily?" Era parte do interrogatório, declaração de partes. “Vinte e três." Dez anos de diferença. “Com quantos homens você esteve?” Ela estendeu a mão e agarrou a minha calça, usando-a para puxarme em sua direção. Ela era um lobo em pele de cordeiro. “O suficiente para saber como isso funciona. Você vai tirar as calças e colocar-me contra a parede. Talvez vá segurar minhas mãos acima da cabeça, ou talvez vá segurar o meu peito. Sei que você me quer Dean.” Ela escorregou a mão por baixo do cós da minha calça e agarroume, com força. “Pare de me fazer esperar." Foda-se. Eu havia planejado prendê-la na parede, mas não mais. Ela não estava no controle; Ela pode ser uma leoa jovem e mal-humorada, mas eu era um leão. Subi minha calça, agarrei suas mãos e arranquei-as de mim. Sua boca caiu aberta em estado de choque, mas não houve tempo para ela questionar minhas ações. Eu já estava levantando ela, forçando suas pernas em volta da minha cintura. Tive que lutar contra a vontade de gemer. Ela pareceu como o céu e ainda não estava nem mesmo dentro dela. Nós andamos até as escadas, em direção a meu quarto, mas não foi por motivos românticos. Eu precisava de vantagem. Precisava da minha cama para poder prender meu corpo sobre ela e estar dentro dela tão profundo que sua cabeça fosse jogada para trás e ela teria que morder o lábio para não gritar. O último pensamento coerente que tive naquela noite foi quando estava no final da minha cama, encarando a propagação da Lily através


de meus lençóis. Ela era um mar de cabelos loiros e os lábios cheios e rosa. Eu ia me perder nela, mais do que me perdi em alguém antes. Ela sorriu e arqueou uma sobrancelha. “Precisa de ajuda com isso?" Estava segurando a camisinha na minha mão e olhando para ela. Balancei minha cabeça. Dizem que se, você não tiver certeza se uma amora é venenosa, deveria tocá-la primeiro, esfregá-la na sua pele e ver se você tem uma reação física. Depois disso, pega uma lambida e espera um dia. Ainda respirando? Dê uma pequena mordida. Se você não esta morto, então, a amora é provavelmente segura para comer. Eu temia que Lily fosse venenosa. Temia que ela fosse fazer meu coração parar, mas em vez de testar seu toque e degustá-la lentamente, escorreguei nela até suas unhas escavarem minhas costas. Mordi o lábio tão difícil quando ela veio que provei o sangue na minha boca. Pelo que sabia, eu tinha horas de vida. Pelo que sabia, Lily seria a minha morte. Eu sorri para o pensamento. O que é um caminho a percorrer...


CAPITULO 25

Lily Acordei em um quarto escuro, deitada sobre os lençóis mais macios que já senti na minha vida. Estou morta? Isto é uma nuvem? Inalei uma respiração profunda e olhei à minha direita. Dean estava deitado ao meu lado. Seu rosto estava inclinado na minha direção e metade no travesseiro dele, mas ele ainda era a coisa mais pitoresca que já tinha visto. O luar iluminou um conjunto de marcas de dentes em seu ombro. O meu. Eu sorri para a memória, escorreguei o lençol das minhas pernas e pressionei acima da sua cama. Um rápido olhar sobre o relógio de cabeceira anunciou o tempo em números vermelhos brilhantes: 04:30. Na ponta dos pés em seu quarto, plenamente ciente da minha nudez. Minhas pernas doíam e houve uma leve contusão no lado esquerdo de minhas costelas. Dean tinha sido difícil às vezes, apenas o suficiente para me emocionar, mas mesmo assim, se soubesse que eu sentiria os efeitos colaterais de manhã. Tremi só de pensar. Abri sua porta o mais silenciosamente possível e não me incomodei em olhar para trás. O veria no aeroporto dentro de algumas horas, de qualquer maneira. Minha leggin e regata ainda estavam no chão de mármore da porta de entrada, emitindo julgamentos sobre mim enquanto descia a escada. Tive sexo casual antes, mas nada sobre a noite passada tinha sido casual. Coloquei minha roupa, aguardando qualquer sinal de Dean. Não é que eu não queria vê-lo, só precisava de cinco minutos para organizar meus pensamentos. Vim para essa casa por um capricho, supondo que


teria realmente bom sexo e então estaria no meu caminho. Em vez disso, Dean tinha alcançado dentro e espalhados pedaços de mim em toda a sua casa. Minha sanidade, sentada na varanda da frente, meu autocontrole foi espalhado através de sua porta de entrada, e meu coração estava ali na cama dele, também presa em lençóis dispersos para encontrar. Andar pelas ruas de Nova York às 04:30 não estava na minha lista, mas não tive escolha. Não havia nenhum táxi perambulando pelas ruas de Upper West Side e tinha muito medo de descer para as estações de metrô. Eu já tinha andado duas milhas ao sul antes que me lembrei do Uber. Uber! Porra. Pedi uma carona no app e alguns minutos depois, uma pequena mulher romena com um embrulho na cabeça parou na minha frente em um carro branco. “Você é Lily?” Ela perguntou com um forte sotaque. Assenti com a cabeça, entrando em seu banco de trás e digitado o meu endereço. Ela olhou em volta digitalizando a minha roupa. “Você sempre corre assim tão cedo?” “Não.” Ela se desviou para fora em um tráfego sem olhar — e estava tudo bem, desde que nós éramos o único carro na estrada — e então olhou para mim. “Bom. É ruim para os joelhos. Correr." Olhei pela janela. Você sabe o que é ruim para os joelhos? Envolvêlos em torno de quadris de Dean Harper. Quando cheguei ao meu apartamento, estava pronta para uma noite inteira de sono. Eu queria rastejar para meu futon41 e entocar-me debaixo dos lençóis até que nunca despertaria novamente. Infelizmente,

41

É um modelo de colchão


quando empurrei a porta aberta, fui cumprimentada por uma Josephine bem acordada e frenética. “Sua idiota! Sua idiota!” Ela disse, acenando uma espátula no ar como se fosse me acertar com isso. Ela nem tinha dormido? Ou ela ficou acordada a noite toda porque não atendi as ligações dela? Deixei minha bolsa na mesa perto da porta e balancei minha cabeça. “Não pode estar com raiva de mim por ter dormido com o Dean”. Seus olhos se arregalaram. “Eu não estou louca por isso! Estou zangada porque você acabou de entrar em casa sozinha às 04:30. Dean me chamou há vinte minutos atrás exigindo saber onde você estava.” Meu coração parou. “Ele chamou? Esta manhã?” Ela estreitou os olhos e me estudou. “É claro. Você saiu e ele não tinha ideia de onde você foi. Isso foi uma estupidez, Lily.” Saber que ele tinha acordado, sabendo que se importava que saí sozinha fez algo estranho ao meu coração. A parte doente e egoísta de mim queria que ele se preocupasse comigo. Josephine suspirava e voltou para a cozinha, e finalmente registrei o cheiro das panquecas frescas. Isso explica a espátula. “Não é como se eu pudesse sair procurando por você,” ela disse, respondendo a minha pergunta não dita. “Então decidi fazer o café da manhã enquanto esperava você chegar aqui.” Eu sorri e caminhei mais perto, para a cozinha. “Poderia ter sido morta nas ruas e você estaria aqui, apreciando suas panquecas fofas." Ela olhou para mim, ainda chateada. “Panquecas acalmam-me.” Contornei o balcão, deixei cair minha cabeça no ombro dela e ela piscou minha melhor tentativa de olhos de cachorrinho. “Lembra quando eu cuidei de você naquela noite que você estava super bêbada no mês passado? Quando caiu numa vala e não conseguiu sair?" Ela gemeu. “Por favor, nunca mais me lembre disso”.


“Bem, agora estamos quites, ok?” Ela apontou para o prato de panquecas quentes ao lado do fogão. “Bem. Coma e avise Dean que você está em casa.” Meu estômago apertou no lembrete de Dean. Eu sabia que tinha que mandar um texto, só um verdadeiro psicopata deixaria ele se preocupar com nada. Fui recuperar meu celular da minha bolsa e achei a prova de sua preocupação: duas chamadas perdidas e três mensagens de textos. Dean: Você me deixou? Dean: Eu só olhei minha casa inteira à sua procura. Dean: Ligue quando chegar em casa. Eu pulei a chamada e, em vez disso, enviei-lhe um texto rápido. Lily: Casa. Uma palavra. Uma palavra que guarda meu coração e torna impossível para ele saber como estava afetada pelas últimas doze horas. “De qualquer forma, como foi? Ontem à noite?" Jo perguntou atrás de mim. Engoli e olhei para baixo, para meu celular. A resposta a fingir, a resposta que alimentei Josephine e ficava repetindo para mim mesma foi que a noite foi divertida, simples, “nada sério.” A verdadeira resposta, a resposta que nunca iria proferir em voz alta foi que tinha sido uma mudança de vida. Eu tinha ficado na cama do Dean, olhando para o teto com a cabeça entre as pernas e tinha implorado ao universo para congelar. Eu tinha agarrado a mão de Deus e implorado por mais um segundo, mais uma hora, mais uma noite. Mas então eu tinha acordado algumas horas mais tarde, tristes ao descobrir que o universo não parou... Nem mesmo para mim.


CAPITULO 26

Lily A mala que tinha pego emprestado da Jo tinha uma roda que sacudia sem parar. Poderia ter conferido na entrada, Dean não tinha explicitamente nos proibido de fazê-lo. "Não temos tempo para esperar por

malas

quando

chegarmos

a

Vegas.

Leve

pouca

bagagem."

Amaldiçoei-o na minha cabeça, quando a roda ficou presa pela quinta vez desde que entrei no aeroporto. Eu chutava de volta ao alinhamento e, em seguida, trocava olhares com a garota de pé na minha frente na fila no aeroporto no Starbucks. Ela estava vestindo shorts Uggs e jeans e revirou os olhos com a audácia da minha roda estridente. Ela voltou para a amiga e inclinou-se um pouco. "Catraca assim.” Ela achou que ela estava sussurrando? Eu podia ouvir cada palavra que ela disse e desesperadamente queria dizer-lhe que ‘catraca’ era uma palavra real — a não ser que ela estivesse trabalhando do dicionário Kardashian Webster. “Oh meu Deus, ela é tão básica,” disse a amiga, olhando de volta para obter uma boa olhada em mim. Eu inclinei a cabeça e tiraram sarro. Sabia que essas garotas eram do tipo que sentam atrás de seus IPhones e twittam merda insignificante ao mundo. Quando elas foram para frente da linha, escutei como elas ordenaram dois macchiatos caramelo com leite desnatado e avisaram o barista atrás do balcão, “Não seja mesquinho com o molho de caramelo.” Ele assentiu com a cabeça e aceitou o seu dinheiro, ao mesmo tempo, provavelmente, amaldiçoando-as para o inferno ao meu lado. Quando era minha vez de pedir, eu teria um café e então inclinei-me


mais perto. “Se eu te pagar cinco dólares, você fará seus macchiatos com leite integral ao invés de desnatado?” Ele sorriu. “Senhora, você não precisa nem me pagar. Eu já fiz isso.” Rindo, deixei cinco dólares no seu frasco de gorjeta e me senti muito melhor sobre o mundo, enquanto me afastava, rangendo a roda e tudo. Quando cheguei em nosso portão — cinco minutos atrasada — o resto da equipe já estava sentada com seus laptops e Ipads em seus colos. Hunter e Zoe estavam em um lado do corredor e Julian e Dean sentados em frente a eles. Hunter atirou-me um olhar estreito quando me avistou, mas não me importava. Os olhos apertados vencem comentários em qualquer dia. Julian estava ocupado em seu telefone, então passei apenas sorrindo e enrolada. Quando registrei a expressão do Dean, sabia que tinha cometido um erro. Tinha escorregado em um vestido de verão e Converse antes de ir para o aeroporto. Dean estava vestindo um terno completo, sapatos engraxados e uma expressão que me avisou para ir embora. A única prova que ele estava menos preparado do que o normal era a barba curta em seu queixo. Eu gostei. “Bom que você pode se juntar a nós,” ele disse. Sua voz grave me lembrou de como ele tinha soado na noite anterior, quando ele tinha puxado meu cabelo para trás e sussurrou pensamentos sujos no meu ouvido. Zoe acariciou o assento de couro ao lado dela e pulei ligeiramente. “Lily, venha sentar-se e me diga se você gosta desses sapatos. Eu estive olhando-os nas últimas semanas.” Olhei de relance em Dean, para ver se talvez ele prefira que sentasse com ele, mas ele estava concentrado em seu laptop. Eu tinha


estado menos de doze horas antes na cama dele e ele já estava me ignorando. Rodei minha mala para Zoe e sentei-me. O couro estava frio sobre as costas das coxas e não conseguia me concentrar em qualquer coisa que ela disse. Ela estava falando sobre sapatos e apontando diferentes combinações de cores. O tempo todo, eu estava perfeitamente ciente do Dean. Toda vez que ele se moveu, meu olhar caiu sobre ele. Quando ele levou uma chamada de telefone, ouvi com ouvidos atentos. Quando ele inclina a cabeça de um lado para o outro, esticando o pescoço dele, perguntei-me se ele estava dolorido da nossa noite. Quando embarcamos no avião, Zoe deslizou para o lugar vago ao lado do meu, e Dean e Julian levaram os assentos na diagonal no corredor. Eu não podia vê-lo sem sentar nos meus calcanhares. “O que você está fazendo?” Ela perguntou. Eu bati meu olhar longe para tirar da cabeça que pude ver e senteime mais baixo no meu lugar. “Nada,” eu disse, alcançando em minha bolsa... O que? Qualquer coisa, seu idiota. Tirei minha carteira, fingi que estava contando as minhas contas e então enfiei para dentro de minha bolsa. O tempo todo Zoe olhou para mim como se eu fosse uma pessoa louca. “Tem tudo que precisa?” Eu sorrio nervosamente. “Sim, tudo.” Ela arqueou uma sobrancelha. “Eu acho que você precisa relaxar.” Abri minha boca para responder, mas ela já estava virando em direção ao corredor em busca da comissária de bordo. Muito ruim para ela, a atendente — uma linda morena com um lindo par de asas posicionado junto ao decote — já estava inclinada para baixo e flertando com o Dean. “Não. Estou bem. Acho que vou com uma água.” Disse ele, sorrindo para ela.


Ele nunca sorriu para mim. “Tem certeza?”

Ela piscou o olho. "Você está indo para Vegas,

afinal." Ele balançou a cabeça. “Que tal trazer uma água e mais alguma coisa?" Ela insistiu. "De mim?" O que, como sua vagina em um copo? Jesus. "Olá," disse Zoe, acenando com a mão no ar e cortando o flerte da comissária de bordo. Ela virou-se para nós e vi o crachá preso ao seu topo: Beatrice. “Sim, oi, Beatrice. Desculpe interromper, mas acho que o Dean está bem com a água, e minha amiga e eu realmente amaríamos vodka com cranberry." Eu afundei-me mais baixo no meu lugar e tentei esconder meu corar. “Zoe, comporte-se. Esta é uma viagem de trabalho,” disse Dean, condenando a sua escolha de bebida. Rolei meus olhos, embora ele não podia ver atrás do encosto de cabeça. “Eu não tenho quaisquer reuniões hoje. Posso beber uma vodka cranberry.” “Você não pode ter quaisquer reuniões, mas Lily e eu temos uma, assim que aterrissarmos.” Eu pulei da minha cadeira. “O quê?” No último itinerário, vi listados eventos começando no dia seguinte. O olhar de Dean cortou para cima em mim. Que o maxilar foi definido e seus penetrantes olhos castanhos não tinham espaço para o amor neles quando estavam tão cheios de ódio. “Eu diria a você se tivesse me dado à chance.”


Engoli e olhei para fora. Nós poderíamos ter facilmente referenciado um tópico diferente todos juntos, mas com o Dean, eu nunca poderia dizer. “Basta enviar-me o novo itinerário, então estamos todos na mesma página.” “Já fiz,” ele disse, dando a volta no seu lugar e efetivamente me despedindo. “Verifique sua caixa de entrada.” De: Zoe Davis Para: Lily Black Assunto: FWD: atualização de itinerário LVRW Iniciada, transmitida à mensagem: De: Dean Harper Para: Zoe Davis Assunto: LVRW Update itinerário Anexei um itinerário atualizado para Lily. Certifique-se que ela entendeu. D. harper O babaca não tinha sequer me mandado e-mail ele mesmo.


CAPITULO 27

Dean Lily era um veneno, tal como temia que fosse. Eu tinha acordado em minha cama para encontrá-la vazia, ela tinha ido, nenhum sinal dela em qualquer lugar, exceto o persistente aroma de seu cabelo no meu travesseiro. Senti-me como um idiota, caçando um fantasma perto da minha casa às 04:30. Ela, pelo menos, poderia ter tido a decência de me deixar um bilhete, mas em vez disso desapareceu, ignorou minhas ligações e atirou-me um texto de uma só palavra: ‘Casa’. Quando primeiro vi ela no aeroporto, me senti como se tivesse sido socado no estômago. Lily em um vestido de verão, bronzeada e brilhante foi um espetáculo que não pertence a uma viagem de negócios. Considerando que me senti como merda por minha falta de sono, Lily estava radiante. Seu cabelo louro foi torcido acima em um coque, revelando parte delgada do seu pescoço. Se ela não tivesse saído da minha casa no meio da noite, talvez tivesse dado a ela uma recepção calorosa, mas fiquei chateado. Minha paciência com ela levou um tiro e foi só o primeiro dia da nossa Convenção em Las Vegas. Trabalhei a viagem inteira, fazendo o meu melhor para bloquear o riso dela e o riso da Zoe. Eventualmente, a aeromoça me trouxe um par de fones de ouvido com uma piscada. Ela provavelmente não deixaria minha casa às quatro da manhã, pensei, quando peguei o fone e bloqueei o som de Lily. Quando chegamos ao Bellagio, estava exausto.


“Oh, check in VIP? Muito chique,” Zoe brincou quando conduzi o grupo para a frente do lobby. O Bellagio estava repleto de pessoas esperando para começar suas férias em Las Vegas. Turistas suados em camisas havaianas nervosamente em seus pés, ansiosos e impacientes. “Aluguei uma das suas Villas privadas por alguns dias. Foi à única coisa disponível.” Todo mundo acenou com a cabeça, aparentemente impressionado. “Infelizmente, só tem três quarto.” Julian arqueou uma sobrancelha. "Eu poderia fazer arranjos em um hotel diferente." Os olhos de Lily se arregalaram. “Não. Você tem que ficar com a gente.” Eu sabia que ela estava nervosa. Esta foi à primeira viagem de trabalho grande e ela pensou que Julian era seu único aliado. Poderia ter sido seu aliado se ela não tivesse me deixado às 04:00. “Não seja ridículo,” Eu disse para Julian. “Você pode ter seu próprio quarto. Vou ficar com o Hunter e as meninas podem levar o último quarto.” Zoe tossiu. “Não posso fazer. Eu ronco. Tipo muito ruim.” Lily riu. “Há um sofá? Eu posso ficar nele.” Eu assenti com a cabeça e girei ao redor antes de Lily pudesse ver meu rosto chocado. A maioria das mulheres que eu tinha saído cortaria meu saco se tivesse sugerido que dormisse no sofá. “Tenho tempo para mudar de roupa antes da reunião?" Lily perguntou furtivamente, ao meu lado no balcão de check in. Isso era suposto para ser VIP, mas não havia ninguém cuidando da mesa. Empurrei o sino mais duas vezes e, finalmente, deslizei meu olhar para Lily. “Na verdade, eu não preciso de você na reunião mais.”


O rosto dela caiu. “O que você quer dizer?” “O encontro com Antônio Acosta é amanhã. Isso é o que quero que você se concentre. A reunião de hoje é apenas com um designer gráfico que posso contratar.” Ela mordiscou o lábio inferior e então os olhos dela subiram com emoção. “Ainda poderia ir com você. Eu gostaria de ver os tipos de gráficos —" Eu a corto com uma agitação afiada da minha cabeça. “Não precisa.” Finalmente um garoto magro em um terno de dois tamanhos muito grandes para ele abriu a porta por trás da recepção. Ele parecia confuso e o suor revestindo sua sobrancelha me avisou para não repreender-lhe por nos fazer esperar. “Olá, me desculpe. Eu estava ajudando outro convidado com a, er, situação do banheiro.” Ele vacilou no final de sua sentença e Zoe começou a rir. Claramente uma merda bizarra estava acontecendo nos quartos do Bellagio. A cara dele ficou beterraba vermelha e ele começou a digitar no seu computador. “A reserva está em nome de quem”? “ Dean Harper.” O tempo todo que ele nos verificou, tentei ignorar a presença de Lily ao meu lado. Ela parecia magoada que não a queria na reunião, mas isso não faz sentido. Foi ela quem queria deixar a minha casa antes de amanhecer. Ela não podia fugir de mim rápido o suficiente. Olhei para baixo, para as mãos cruzadas na frente do seu vestido. Ela foi buscar na sua unha, focando toda a atenção em uma cutícula. Essas mãos tinham estado em meu pescoço, segurando em mim pelo resto da vida só umas horas antes.


“Lily," disse hesitante, incerto de onde levaria minha sentença. O olhar dela mudou para mim e ofereceu-me um sorriso falso, plano. “Divirta-se na sua reunião. Zoe falou sobre cair na piscina, então acho que vou me juntar a ela.” “Woohoo! Vamos agora, Lil.” Lily voltou para ela e riu. “Acho que o pessoal pode levar nossas malas para a Villa." Julian assentiu com a cabeça. “Vá em frente. Eu tenho o seu material.” Ela agradeceu-lhe e inclinou-se para recuperar seu biquíni de sua mala. Foi uma coisinha branca de sequência de caracteres e, de repente, não tinha certeza se ela queria ir para a piscina. “Senhor. Senhor?” O garoto estava tentando chamar minha atenção, então poderia explicar as condições, mas eu estava assistindo a Lily andar se afastado com Zoe. Zoe, porra. Ela era uma má influência. Julian me cutucou no ombro. “Você pode assinar os papéis para que possamos ir ao nosso quarto agora? Preciso chamar Jo.” Balancei minha cabeça e voltei-me para a recepção. Uma vez que os papéis foram assinados e tive cinco chaves na mão, Hunter e Julian partiram para encontrar as casas de campo. Hunter assumiu a liderança com o atendente do hotel, ajudando a garantir que nenhum dos sacos caiu do carrinho. “Você quer me contar sobre ontem à noite?” Julian pediu, me surpreendendo. Eu deslizei meu olhar para ele. “Foi rápido.” Julian estreitou os olhos. “As notícias correm. Você percebe quão terrivelmente isto pode acabar, certo?" “Não vai. Nada vai mudar.”


Ele riu da descrença. “Parecem algumas famosas últimas palavras que já ouvi antes.” Eu o ignorei e verifiquei meu relógio. Meu encontro foi marcado para começar em trinta minutos e ainda precisava confirmar o local. “Eu vou voltar para o lobby. Pode garantir que as malas de Lily vão ser colocadas no terceiro quarto? Eu vou levar o sofá.” Julian riu. “Espere, o que é isso? É Dean Harper realmente colocando necessidades de alguém antes dele próprio?” Eu olhei para ele. “Espere, o que é isso? Só ofereceu a sua cama para mim? O que é um bom amigo." Ele riu e começou a andar para trás, para alcançar Hunter e o atendente do hotel. “Desculpe cara, não ouviu a última parte. Tenho certeza de que aquele sofá será muito confortável!"


CAPITULO 28

Lily Se ver mais uns caça-níqueis ou daiquiri congelados, vou enlouquecer. Tinha estado em Las Vegas por vinte e quatro horas, preparada para trabalhar, e em vez disso, tinha ficado à beira da piscina e trabalhei no meu bronzeado. Eu deveria ter sido envolvido na reunião de design gráfico na véspera, mas Dean estava me mantendo de fora de propósito. Felizmente, isso estava prestes a mudar. “Que horas a reunião com Antônio Acosta é suposta terminar?" Zoe perguntou da porta do banheiro. Eu faço uma pausa com no uso do meu rímel algumas polegadas do meu rosto e encontro seus olhos no espelho. “Provavelmente em torno das cinco." Ela assentiu com a cabeça. "Ok, legal. Acho que todos nós vamos jantar e, em seguida, a Convenção está realizando este encontro no Banco mais tarde." “O banco?” Eu perguntei, estreitando meus olhos. Ela riu. “É um clube dentro do cassino." Balanço a cabeça. “Você provavelmente vai ter tempo para se trocar antes disso," ela disse olhando para baixo, examinando minha roupa. Eu estava usando uma blusa de botão branca por dentro de uma saia lápis vermelha escura. Meus pés em sandálias de uma altura razoável e minha maquiagem foi mínima. Ao todo, parecia que estava indo trabalhar para o Congresso. “Você não gosta da minha roupa?" Perguntei.


Ela estreitou os olhos, fingindo estudar meu traje formal e adequado. "Quero dizer, acho que você poderia desabotoar a camisa um pouco, mas se você está indo para parecer mais velha, também é legal." Eu ri. Estava querendo isso. Queria parecer mais velha do que vinte e três. Precisava que Antônio e o Dean me levem a sério na reunião, especialmente depois da forma que Dean me tratou no dia anterior. “Lily, você está pronta?" A voz do Dean cresceu através da Villa. "Precisamos cair fora." Zoe aproveitando o pulso como se estivesse usando um relógio imaginário. "Sr. Pontual está pronto para você!" Eu escondi minha risada. “Sim!" Gritei de volta. “Só dois segundos mais." Acabei de passar meu rímel e depois esfreguei o brilho bálsamo em meus lábios. Zoe fez o seu melhor para me distrair, mas ignorei seu reflexo no espelho. “Não tem uma reunião ou algo assim?" Perguntei quando ajustei meu relógio. Ela sorriu. “Tive duas esta manhã enquanto você estava ficando com seu sono de beleza." Ah, sim. Eu tinha começado o sono de beleza — em uma cama que deveria ter sido de Dean. Quando eu e a Zoe tínhamos retornado a nossa Villa na noite anterior, encontrei minhas malas aqui dentro no terceiro quarto. Julian insistiu nisso. Sai do quarto e o vi em seus sapatos de couro marrom escuro combinando com seu cinto de couro. A onda no cabelo foi domada longe do seu rosto e a mandíbula estava barbeada novamente. Ele parecia tão afável como Cary Grant e, por um momento, eu supus uma segunda vez tirar minha roupa. Puxou me antes de abrir a porta. “Vamos lá. A reunião é do outro lado do hotel.”


Ele estava sendo impaciente comigo sem motivo. Estávamos trinta minutos adiantados e tinha passado a manhã revisando a lista de perguntas que tinha para Antônio. Eu estava mais do que preparada. “Teve um dia produtivo ontem?” Perguntei quando nós batemos a porta dos fundos do hotel. “Não foi uma perda total de tempo.” Ele respondeu enquanto seus dedos trabalhando fora em seu telefone. “Eu e Zoe corremos o hotel fazendo topless ontem," disse, para ver se ele estava prestando atenção. “Foi muito divertido.” Seus olhos castanhos cortaram sobre mim sem um traço de humor. "Espero que você tenha gastado o seu tempo fora de uma maneira um pouco mais produtiva do que isso." Meu Deus. Eu queria estrangulá-lo. Onde estava o seu senso de humor? Onde estava seu lado divertido? “Bem, bem, olha quem é.” Virei em direção à voz e encontro Antônio Acosta em pé perto da entrada do salão. Ele estava vestindo o casaco de um chef sobre calças pretas e mostrou-me um sorriso amigável quando nos aproximamos. Ele era mais novo do que eu esperava, talvez trinta. Depois de cumprimentar Dean, ele voltou sua atenção para mim. “Ah, não sabia que Dean estaria levando uma mulher bonita como seu encontro para a reunião.” Eu sorri e estendi minha mão. "Lily Black. Sou consultora de cardápio para o novo restaurante do Dean." Seus olhos brilhantes, quase âmbar iluminando-se. “E ela está familiarizada com as artes? Onde você achou essa, Dean?” Dean sorriu, mas não chegou a seus olhos. “Venha, venha. O hotel dividiu uma pequena seção deste salão de festas para nós,” disse Antônio, pressionando a mão na parte baixa de


nossas costas e introduzindo-nos para a sala. Salão de festas expansivo era muito grande para o que precisávamos. Os tetos foram quase seis metros de altura e muito ornamentadas com cortinas desenhadas para manter para fora o sol da tarde. Havia uma pequena mesa redonda, configurada no canto mais próximo da porta. Uma fileira de velas alinhadas ao centro e uma toalha de mesa branca envolta sobre os lados. Antônio puxou uma das duas cadeiras para fora para mim e sorri-lhe em agradecimento. “O hotel permite que eu use a cozinha anexada a este salão de festas. Passei a manhã criando os pratos que tinha em mente para seu restaurante.” Sorri quando ele pegou meu guardanapo ao lado do meu prato. Ele levantou abrindo com um movimento do pulso e então colocou sobre meu colo. Eu podia sentir os olhos do Dean sobre nós, mas ele segurou sua língua até que Antônio tinha dispensado o mesmo para obter o primeiro prato. “Por favor, não encoraje-o.” Peguei as anotações de minha bolsa e balancei minha cabeça. "Eu não estou.” Ele grunhiu e embolsou o telefone dele. Aparentemente, esta reunião foi digna de toda a sua atenção. Um momento depois, Antônio apareceu da porta de balanço com dois pequenos pratos na mão. Um sabor de alho rico flutuava pela sala quando ele pisou mais perto e estabeleceu um prato na frente de cada um de nós. Meu sorriso caiu quando registrei o prato. “Estou começando com um simples prato chamado gambas al ajillo. É camarão fresco salteado em azeite com alho. Também acrescentei um toque de colorau espanhol e conhaque."


Antônio Acosta foi o mais procurado chef espanhol nos Estados Unidos e estava começando com isso? Antes que a mordida do Dean atingiu sua boca, balancei minha cabeça. “Me desculpe, mas indo direto ao assunto. Não há nada único nesta receita." Apontei para o prato onde quatro camarões moles sentaram-se em um banho de azeite. O olhar do Dean encontrou o meu e podia ver o aviso lá. Ele queria que eu procedesse com cautela, mas não consegui. Passei um semestre inteiro na cozinha espanhola, e pelo tempo que tinha terminado, conhecia meus tapas. Para a ímpia soma de dinheiro que Antônio estava sendo pago para esta degustação, abriu apenas com o equivalente de tapas de PB & J. Ele devia ter feito melhor. Antônio engoliu e assentiu lentamente. “Eu vejo. Como um chef, gostaria de honrar a tradição culinária enquanto se esforça para medir a quantidade de singularidade,” ele explicou habilmente. “Mas não vamos nos debruçar sobre isso, vamos avançar para o próximo prato.” Ele chegou para a frente e tirou os pratos da mesa antes que Dean pudesse estabelecer sua colher. Claramente, eu o tinha ofendido. Dean arqueou uma sobrancelha para mim depois que Antônio tinha desaparecido de volta para a cozinha. “Da próxima vez deixe-me provar o prato antes de ultrapassar seus limites e insultar o chefe.” Estreitei meus olhos inquisitivamente para ele. Ele tinha me trazido lá como consultora, então eu estava consultando. Nós nos sentamos em silêncio até que Antônio trouxe para fora o prato seguinte. Foi uma pequena alteração de outro prato de tapas padrão: batatas bravas. Em vez de usar o molho de Tabasco, ele tinha trocado em uma maionese de chipotle para nós mergulharmos as batatas. O prato estava bom. Era digno de estar no nosso cardápio? Numerando cada crítica de restaurante em Nova York seria para nós.


E foi assim durante toda degustação. Os pratos de Antônio caíram planos de cada vez. Os ingredientes eram esperados. Os sabores eram padrão. Não havia nada original sobre sua apresentação e duvidei que Antônio tivesse mesmo passado mais de cinco minutos com receitas para o nosso restaurante. Ele era preguiçoso, ou propositadamente sabotou nosso cardápio. Eu balancei minha cabeça. “Este prato é servido em todos os restaurantes de tapas na América," disse, apontando para a costela à minha frente. "Onde está a criatividade? Onde está o esforço?" “Com licença?” Antônio perguntou virando de volta como se tivesse o atingido. Durante vinte minutos, ele tinha trazido pratos para amostra, e por vinte minutos tinha segurado minha língua da melhor forma possível. “Lily, é suficiente," Dean falou com uma língua afiada. Eu vacilei. “Você está falando sério?” Dean jogou seu guardanapo sobre a mesa e sacudiu a cabeça. “Vamos lá. Está dispensada do resto da reunião.” Minhas bochechas inflamaram quando ele empurrou sua cadeira de volta e ultrapassou ao redor para me escoltar da sala. Vi vermelho quando busquei minha bolsa. Ele estava sendo passado para trás e agora estava me punindo por me levantar por ele? Dean empurrou a porta de salão aberta tanto que balançou para trás e bateu na parede. “Isso foi completamente profissional.” “O quê?” Ele murmurou algo, alcançando para segurar meu braço para que eu não pudesse cair fora. “Você está delirando. Esse homem está se aproveitando de você e só você não vê isso, você é cego."


“Ele é um dos chefs mais influentes na América. Se seus pratos não são ruins, você come-os e discute o resto comigo, depois que a reunião acabar. Este é o meu negócio, o meu nome que você está manchando por agir como uma criança exigente.” Eu pisei mais perto. “Ele só nos serviu batatas fritas. Quanto você pagou-lhe por essa reunião, Dean? Dez mil dólares? Quinze mil?” “Não me importo se ele raspou o lamaçal do seu sapato e passou-o como escargot. Você tem que entender como este mundo funciona. Até lá, pode ir para casa. Faça as malas. Não preciso de você em Las Vegas mais.” Eu podia sentir a propagação nivelada de minhas bochechas, para baixo no meu peito. Ele poderia ter me apunhalou no coração e magoaria menos que essas oito palavras. Eu não preciso mais de você em Las Vegas. Eu tinha dormido com ele menos de quarenta e oito horas antes e desde então ele tinha me ignorado, castigando-me, e agora ele despediume como se fosse lixo na última semana. “Foda-se, Dean," murmurei, enfiando o dedo no peito dele. “Me demita se você acha que é o melhor, mas não pense que pode apenas aconchegar-me depois, quando é conveniente para o seu ego.” “Não me teste Lily,” ele disse baixo, se dobrando para que seus lábios estivessem alinhados com os meus. Dei-lhe um sorriso sarcástico, escuro, arranhando junto meu último pedaço de autoconfiança. "Tenha um grande final de sua reunião. Eu vejo você no Banco e cumprimento-o mais tarde." “Lily!" Eu o ignorei... E fui embora.


CAPITULO 29

Lily Minha confiança quebrou em algum lugar no meio do átrio do Bellagio. Eu tinha lágrimas a correr pelo meu rosto e todo mundo sutilmente estava ficando fora do meu caminho, puxando seus filhos longe de mim, como se eu estivesse perturbada. Não vou atacar seu filho só porque estou chorando. Meu Deus. Passei pela piscina, lembrando como tinha sido ingênua no dia anterior. Eu tinha ficado sobre as cadeiras e assegurando-me que Dean tinha me trazido para Vegas porque ele me respeitava e valorizava a minha opinião, não importa o quão forte possa ser. Talvez tivesse ultrapassado meus limites nessa reunião, mas que não havia nenhuma razão para me mandar para casa. Ele só tinha me tratado como lixo e pensou que eu me ia esconder e lamber minhas feridas? Se ele achou que era uma possibilidade, então realmente não me conhecia, em tudo. Empurrei a porta até nossa Villa privada e agradeci a todos os deuses dos momentos estranhos que estava vazia. Odiava ter que estar lá. Se poderia ter, teria pego minhas malas e encontrado o meu próprio quarto, mas o hotel estava completamente lotado e vamos enfrentá-lo, não poderia ter conseguido meu quarto, de qualquer maneira. A sala de estar secional que Dean tinha dormido na noite anterior estava quieta e vazia. O pátio com árvores de fruto e videiras de Hera permaneceu intocado. Ignorei o mini bar, a cozinha gigante e o ginásio. Quem precisa de um ginásio? Não estou malhando em uma viagem de trabalho. Aplicaremos as mesmas regras de férias. Fechei-me no meu quarto e


olhei para a decoração opulenta. Eu tinha gostado no dia anterior, mas agora só deu-me vontade de vomitar. Esta é a Villa do Dean e eu odiava. Cheguei para o telefone ao lado da minha cama e disquei o número de Jo, ela responderia rezei. “Você está ligando para fofocas? O que aconteceu com 'blá, blá, blá, fica em Vegas?” Ela perguntou assim que a chamada foi conectada. Eu sorri, mas senti-me mal. "Como sabe que sou eu?” “Dei sorte. O que é que está fazendo? Você não está ocupada? Julian disse que ia explorar o casino antes do encontro e cumprimentar mais tarde.” “Eu só fui expulsa da reunião, então parece que tenho o resto da tarde para mim.” “O que quer dizer? Quem você insultou?” “Dean.” “Você está falando sério?" Concordei, embora ela não pudesse me ver. “Ele não é como Julian. Nem sei como eles podem ser amigos. Eles são tão diferentes.” “Me desculpe Lily.” “Estou tentada a olhar um vôo mais cedo e voltar para casa. Não interessa o que me custar.” “O que? É sério? Você vai jogar a toalha e voltar para casa? Quem é você e o que fez com Lily Black?” “Ha ha." “Eu acho que você deveria ficar e dar a Dean um pouco do seu próprio remédio. Você nunca deixou escaparem por tratá-la assim. Lembra na terceira série quando cortou fora as tranças de Betsy Higgins porque ela roubou sua pasta Lisa Frank?" Eu ri.


“A sério. Leve aquele vestido preto da sua mala, adicione um pouco de esfumaçado nos olhos e vá até o clube.” Olhei para baixo, para o vestido de renda preta de Josephine no topo de minha bagagem. Quando tinha experimentado em casa, o material no corpete tinha curvas perfeitamente ao redor de meus seios e inclinadas até uma corda fina que abotoava por trás do meu pescoço. Eu sabia que se o vestisse, ganharia de volta uma lasca da confiança que Dean tinha roubado mais cedo naquele dia. “Como você sabe que tenho esse vestido?" “Porque tenho um cabide vazio no meu armário onde ele deveria estar. Aquela coisa e é melhor não ficar em Las Vegas." Caramba, ela era boa. “Eu prometo que não vai conseguir nada com isso," disse, pisando mais perto e correndo os dedos sobre o laço. “Não se preocupe com isso. Mande-me uma foto de você depois que preparar-se. Eu vou viver através de você.” Olhei para mim mesma no espelho. Meu cabelo estava liso e meu rímel estava manchado debaixo de meus olhos. Precisaria de uma reformulação profunda se tinha a intenção de ir a reunião do grupo no clube lá em baixo em poucas horas. “Eu vou fazer você orgulhosa," disse, puxando o vestido da mala e então combnando com um par de saltos pretos que tinha pego também. “PS, eu também tenho seus Manolos pretos. Ok, amo você. Bye.” Amontoei todas as palavras juntas e desliguei antes que ela pudesse me repreender por roubar os sapatos dela também. Ela imediatamente atirou-me um texto. Josephine: Não deixe as lágrimas do Dean estragarem os sapatos.


Não queria que o Dean chorasse; queria que ele percebesse como estava errado. Ele não me levava a sério como uma amiga ou uma colega de trabalho. Ele subestimou a mim como todas as outras pessoas, e naquela noite, eu planejava provar que estava errado. Peguei o telefone do hotel, ligo para a recepção e peço para ser conectada ao salão de beleza. Após ter agendado um compromisso de cabelo e maquiagem, desliguei, peguei tudo que precisava para a noite e me dirigi para o salão. Estava de pé no banco central do elevador, esperando por uma carona, quando uma família se juntou a mim. Olhei para ver uma menina olhando para mim, confusa com a máscara no meu rosto. Eu tinha esquecido de lavá-la antes de deixar o meu quarto. “Mamãe, eu consigo meu rosto pintado como um monstro também?" A garota sussurrou em voz alta. Eu sorri e voltei-me para os números iluminados acima do elevador. Não é um monstro. Uma fênix.


CAPITULO 30

Dean “Você é um idiota?" Zoe falou. “Pediu a ela para ir para casa?" Julian estava em completa descrença. Minhas explicações caíram em ouvidos surdos: ela tinha sido desrespeitosa, ela tinha posto em risco um relacionamento que me tinha levado anos para cultivar e era uma ameaça constante ao meu autocontrole. Não lhes disse a última razão, claro. Eles teriam um dia de campo com esse conhecimento, especialmente porque foi o único motivo que realmente importava. Ela tinha sido jogada fora de linha na reunião com o Antônio, mas dificilmente terrível o suficiente para mandar para casa. Não, queria que ela se fosse porque tê-la em Las Vegas foi um lembrete constante da minha luta. Eu podia olhar, mas não tocar. Poderia repreendê-la por estragar uma reunião, mas não podia beijá-la. Dormi no sofá, a três metros dela, e tinha ficado acordado à noite inteira, ouvindo qualquer som vindo do quarto dela, algum tipo de convite a rezar. Nada tinha chegado e estava cansado pra caralho. Precisava ir. Era a única maneira de me concentrar para a segunda metade da semana. Ainda, uma parte de mim esperava que ela quisesse dizer o que tinha dito quando saiu mais cedo. Eu vou até o Banco cumprimentá-lo mais tarde. ---


O Banco estava cheio até a borda com pessoas da indústria. Reconheci metade, do ano passado, e a outra metade li nas seções de jornais e revistas de alimentos. Os chefs celebridade já tinham multidões em torno deles e me orientei claro, optando por uma mesa do outro lado da sala. Hunter, Zoe e Julian me seguiram, tomando a cena em silêncio. Eu pedi o serviço de garrafa e joguei a Zoe um olhar de súplica. Ela deu de ombros e olhou para baixo, para o telefone dela. Bom o suficiente. Não suportaria mais uma hora de raiva dela. Nosso garçom retornou com garrafas do Hendrick, Gin e Vodka profunda de Eddy. Eu o vi estabelecido de gelo, copos e uma enorme quantidade de misturadores. Uma vez que ele se foi, acenei para que fizessem suas bebidas primeiro e virei-me para varrer a sala. Eu não podia admitir para mim mesmo que estava procurando Lily até que a encontrei. Seu longo cabelo loiro foi enrolado e deslizando para baixo em toda a sua volta. Seu vestido preto foi apertado e curto. Digitalizei para baixo de suas pernas bronzeadas e em seguida, demoreime nela, também ciente da bateria no meu peito. Ela riu e estendeu a mão para tocar o braço do cara em frente a ela. Não era nada mais do que um gesto inofensivo, mas o sorriso do cara quase partiu a cara em dois. Não podia culpá-lo; Eu sabia o que se sentia com o toque. Hunter, Julian e Zoe estavam falando atrás de mim, trazendo em uma conversa inteira que ignorei. Alguém tocou o meu ombro, mas estava muito interessado em Lily, também consciente dos seus movimentos naquele vestido preto. Ela virou em minha direção e encontrou-me nos olhos. Eu não desvie o olhar. Foi um desafio, como sempre. Uma sobrancelha delgada arqueada em reconhecimento e, em seguida, ela desculpou-se do grupo. Seus rostos caíram e o homem que


ela tinha tocado levantou-se atrás dela, como se ele não estava preparado para soltá-la ainda. Muito ruim idiota. Você nunca a teve. Vi-a caminhar em direção à mesa como uma miragem. Se num piscar de olhos, se eu mandasse embora, ela desaparecia. “Lily!” Zoe gritou, pulando para saudá-la. Lily sorriu, mas seu foco era ainda em mim. Ela parecia diferente, como se, pela primeira vez, ela não estava se afastando de sua beleza absoluta. Ela estava fazendo um show, como se soubesse exatamente o tipo de poder que exercia. Seus lábios manchados de vermelho enrolaram em um sorriso e ela apertou um pedaço de papel no meu peito. Cheguei para ele, segurando a mão dela junto com o pedaço de papel. Ela balançou a cabeça e afastou a mão. Este é um jogo e as regras eram claras: ela não era minha para a noite. Eu não a merecia. “Essa folha de papel tem os nomes e e-mails de três blogueiros de comida proeminentes que gostariam de ser convidados para nossa grande inauguração." Eu sorri. “Jessica Kepner escreve uma coluna semanal para o Times. Ela é uma fanática de tapas e quer fazer uma entrevista em profundidade com você e a equipe. A informação está na parte de trás. Ela está esperando você ligar na próxima semana." Eu pensei que poderia ter me apaixonado por Lily naquele momento. Ela inclinou-se mais perto para que seus lábios estivessem próximos do meu rosto. Concentrei-me lá, em como ela mordeu a


últimas poucas palavras. “Posso não saber sobre este mundo tanto quanto você, mas mereço sua melhor aparência de respeito. Você não vai me mandar para casa porque não beijei a bunda do chef. Este é o meu trabalho e é hora de perceber que sou boa nisso.” Ela foi embora antes que eu pudesse pegar meu queixo no chão. Ela não ia me deixar ganhar isso facilmente. Diabos, ela provavelmente não vai deixar-me vencer, em tudo. Eu fiquei e sorri. O Jogo começou. --Encontrei a Lily no bar, à espera de uma bebida. “Podemos falar por um segundo?” Eu sussurrei contra a orelha dela. “Sozinhos?” Ela me ignorou, dobrando-se para frente para tentar chamar a atenção do barman. Felizmente para mim, ele tinha cem outros clientes que vieram para uma bebida. Estendi a mão e agarrei o braço dela. Sua pele era tão macia sob os meus dedos, eu queria traçar a curva do braço até o pescoço e além. Ela estremeceu e tentou puxar o braço para trás. “Deixe-me ir, Dean." “Vem falar comigo.” Ela inclinou a cabeça e estreitou os olhos esfumaçados para mim. "Sabe, acho que prefiro ficar aqui. Talvez outra hora.” Ela torceu por aí, tentando ir embora, mas ainda tinha um aperto no braço dela. Ela estremeceu e eu sabia que iria machucá-la, mas não conseguia largar. Meus dedos estavam embrulhados em torno do braço dela e se a deixasse ir, ela escorregaria e voltaria para a luz ofuscante do clube, livre para fazer o que quisesse.


“Lily, você está bem?" O cara de antes que tinha odiado vê-la ir embora estava prestes a encontrar o meu último nervo. A camisa apertada foi enfiada na calça jeans e a cor salmão brilhante confirmou o fato de que ele não saberia o que fazer com uma mulher como Lily, se ele estivesse a sorte de tê-la. Quem é esse? Ele bateu em você?” Ela riu e me cortou o som oco. “Não. Esse é meu chefe.” O tom dela era frio e distante. Quando ela voltou a olhar para mim, eu sabia que tinha perdido qualquer aperto que uma vez estava nela. Meus dedos deslizaram do braço dela e olhei para baixo, para a marca vermelha

que

eu

tinha

causado.

Desvaneceu-se

quase

que

instantaneamente, o bronzeado dela irresistível a vermelhidão quando ela deixava o cara levá-la para um canto escuro do clube. Fiquei imóvel, deixando a multidão pressionar-me, empurrões e gritaria em ordens que não conseguia ouvir.


CAPITULO 31

Lily Foi doloroso se livrar de Dean. Tinha pensado que seria bom seguir o Conselho de Jo e lhe dar um pouco do seu próprio remédio, mas deixou-me na borda. E foi só isso? Eu queria empurrar um pouco, mas e se tivesse empurrado para sempre? Estava disposta a vê-lo com outra mulher? Disposta a não compartilhar nunca mais uma noite com ele? Peguei uma toalha de papel de linho da pia do banheiro do clube e limpei minhas mãos, meu olhar na direção do espelho. Sabia que se olhar lá seria mais difícil ignorar meu verdadeiro desejo. A maquiagem, o vestido? Foi tudo para ele. Disse-me que era para o trabalho, que eu precisava estar no meu melhor para o encontro e cumprimentar, mas principalmente só queria Dean para comer suas palavras. Queria que ele me visse como um ativo, que imploraria por mais uma noite comigo. Balancei minha cabeça livre desses pensamentos e empurrei pela porta do banheiro. Senti o cheiro da colônia de Hunter antes de vê-lo. Era um aroma pesado, temperado, que parecia o mesmo que o fumo passivo quando atingia minhas narinas. “Aí está você, Lily,” ele murmurou, praticamente lambendo os lábios. Eu zombei. Ele foi um dos poucos que fez meu cabelo em pé quando estava perto e tomei isso como um sinal para ficar longe dele. “O que você precisa Hunter?” Dirigiu-se para frente e parte da bebida dele escorregou para fora ao longo da borda. Foi quando peguei em suas pálpebras pesadas e camisa metade desabotoada — o homem estava além de bêbado.


“Lily. Lily. Lily. Você é tão bonita. É muito doloroso trabalhar com você todos os dias." Engoli e entrei para o lado, no final do corredor. O clube estava lotado, mas o nicho com a casa de banho estava irritantemente vazio. Eu não acho que Hunter tinha intenção para atacar, mas mesmo assim, queria ficar longe dele e suas palavras alagadas logo que possível. “Hunter, obrigada," Eu disse com um tom liso. “Eu vou lá fora agora.” Ele franziu a testa e enfiou a mão no bolso da camisa. “Espere. Espere. Lily, aqui. Leve isto.” Enfiou um pedaço de papel na minha mão... Antes que eu pudesse vacilar de volta. “É o quarto que aluguei para nós. Ninguém precisa saber. Venha me encontrar depois, querida,” ele disse, tentando seu melhor sorriso. Na melhor das hipóteses, parecia algum tipo de careta. Na pior das hipóteses, parecia que seus lábios estavam caindo. Balancei a cabeça e olhei para baixo, para o pedaço de papel na minha mão. De um lado dele havia um logotipo para Ivy & Wine,, o nome do restaurante não reconheci, mas quando virei, vi os números que ele tinha escrito. Parecia dois 8 e um 4. Ou talvez um 6... Ah, Hunter. Joguei o papel no lixo e parti para encontrar Nick. Ou foi Rick? Merda. Era um crítico de alimentos de San Francisco e eu tinha aturado por seu hálito terrível nas últimas duas horas na esperança de que ele seria um dos restaurantes de característica do Dean em seu site. Procurei através do clube sem sucesso. Nick-Rick tinha sumido e precisava de outra bebida se ia passar o resto da noite conhecendo e cumprimentando. Eu já tinha entregue a Dean nomes mais do que suficientes, mas queria ir muito além do que ele poderia imaginar. Precisava dele para saber o quão importante era.


As luzes no clube mudaram as cores a cada poucos segundos, piscando dentro e fora em um efeito de arco-íris. Azul, verde, amarelo, vermelho. Cada momento passado pintou em minha pele uma tonalidade diferente. O que fazia Dean? Com quem ele estava falando? Eu estava presa contra a barra e estava à espera de atenção do garçom quando senti sua mão no meu quadril. Não Nick-Rick. Dean. A mão dele agarrou minha cintura, marcando-me através do meu vestido. Olhei para baixo e sua mão estava uma polegada mais baixa. Eu odiava como fiquei feliz que ele voltou. Ele não pasrtiu. Eu poderia empurrar e empurrar e empurrar e ele puxava e puxava e puxava-me de volta. “Você já provou seu ponto de vista," ele sussurrou no meu ouvido. “Com licença?” Eu perguntei, mal saindo as palavras sem gaguejar. “Você está me punindo,” ele disse, apertando meu quadril com a mão dele. "Basta." O barman imita sua toalha para baixo na barra e encontra meu olho. “Você vai pedir ou o quê?" Ele perguntou. “Ela vai querer uma margarita de suco de limão." “Errado. Eu quero um Martini sujo.” O barman abanou a cabeça, irritado com nós dois. Ele inclinou-se para recuperar um copo e eu estava sozinha com o Dean mais uma vez. “Deixe-me ir,” eu suspirava por cima do meu ombro. “Nick vai voltar em breve." “Foda-se o Nick.”


Eu inalava um sopro afiado, registrando sua raiva. Ele era um 9 na escala de Richter e sabia que se o empurrasse mais ainda, meu mundo daria um aperto por causa disso. “Nós não somos nada, Dean. Fizemos sexo.” “Sexo alucinante," ele corrigiu. Engoli e, por acaso, dei um rápido olhar sobre meu ombro. Ele estava bem ali. O queixo, os lábios, o cheiro de sua lavagem do corpo, eu queria tudo. “Mas como você mostrou claramente, seguimos adiante," continuei. Ele deu um passo mais perto, fixando-me ao bar com seus quadris. Pude senti-lo contra mim enquanto ele pressionava um pé entre minhas pernas. “Eu ainda não terminei," ele disse. “Eu sim.” O barman pousa a minha bebida. “Aqui vamos nós. Você tem uma guia?" Dean jogou algumas contas na barra e alcançou a bebida. Eu giro ao redor e vejo como ele engole minha bebida rapidamente. Ele entregou o copo e encontrou meu olhar enquanto trouxe a bebida para os meus lábios. Eu experimentei-o no vidro; o Martini não era nada comparado a ele. Ele projetava o seu queixo acima. “Prove.” “Provar o quê?” Eu perguntei. “Se foi apenas sexo, então me deixe te levar de volta para a Villa. Não faz mal uma segunda rodada, certo?” Tomei mais um gole da bebida e seus dedos deslizaram sob a bainha do meu vestido. Ele dobrou-se, trazendo sua boca paralela a minha.


“Responda-me,"

ele

exigiu

quando

seus

olhos

castanhos

procuravam meu rosto, pousando em meus lábios com um apelo. Ele queria me testar? Ele pensou que poderia lidar com a segunda rodada? Tudo bem. Baixei, agarrei a mão na minha coxa e arranquei. Com força. “Vamos,” eu disse, minha bebida esquecida ficando para trás na barra. Eu não quero mais. Dean tinha arruinado, tal como ele tinha me arruinado. Ele espelhou meus passos, mantendo o controle do meu corpo. Pode ter sido eu levando-nos para fora do bar, mas estava claro quem era o fantoche. Ele chegou para frente e empurrou a porta aberta, roubando um beijo ao longo do meu pescoço antes de voltar de sua altura total. Arrepios que floresceram sob seu beijo trair minha atração por ele. Endireitei meus ombros quando as portas foram abertas e dei um passo para fora, corrigindo a missão em minha cabeça. Mais uma vez, ele estava tentando tirar o volante fora das minhas mãos. Eu tinha que fazer algo. Tenho que ficar por cima.


CAPITULO 32

Dean Nossa Villa era enfiada num canto tranquilo da propriedade. Para acessá-la, tivemos de tomar um caminho privado que serpenteava passando as piscinas e os salões de baile. Segurei a mão de Lily quando a levei para o caminho e podia sentir o corpo dela zumbindo como um fio. Quando estávamos quase na entrada para a nossa vila, fiz uma pausa e virei-me na direção dela. “Fui duro. Após a reunião.” Ela não me deixou terminar o meu pedido de desculpas. Deu dois passos para fechar a lacuna entre nós e jogou seu corpo contra o meu. Não estava à espera de sua agressão e meu corpo caiu contra a parede antes que pudesse parar com isso. Peguei-a cintura dela, equilibrando nós dois antes de cairmos. Ela agarrou meu rosto e me beijou como se sua vida dependesse disso. “Cristo,” sibilei quando ela mordeu meu lábio inferior. Eu agarrei seus braços tentando recuar, mas ela não me deixou. Ela queria tirar sangue. Eu rosnei e dinamizei, empurrando as costas contra a parede. Prendi-a contra o concreto e limpei o sangue do meu lábio. “Você quer jogar duro, Lily?” Os olhos dela pareciam perversos ao luar. Brilhantes, selvagens e com raiva. “Eu te odeio,” ela disse com os dentes cerrados. Sorri sarcasticamente. "Você traz à tona o pior de mim, você sabe disso? Eu sou apenas um idiota em torno de você."


Antes que ela pudesse responder, agarro o queixo dela e a beijo. Minha língua entrou em sua boca e ela não briga comigo. Seu corpo estava lutando contra mim, às palavras dela podem lutar contra mim, mas essa boca? Ela era tão receptiva que, por um momento pensei que teríamos sexo ali na parede do caminho privado. Ou seja, até que ela quase me dá uma joelhada no saco. “Foda-se, Lily," ofego, por pouco, bloqueando o ataque. Ela estreitou os olhos e arrancou fora da minha espera. Seu cartão foi para fora e ela estava empurrando através da porta para a Villa antes que eu pudesse pegar ela. As luzes estavam apagadas e as cortinas estavam fechadas. Por um momento, não queria entrar atrás dela. Nada de bom viria de gente brigando quando ambos estávamos aquecidos, mas ela segurou a porta aberta. O corpo dela foi mostrado em silhueta pelas luzes no caminho. Seu corpo era um convite. O pescoço, a pequena cintura, pernas longas apoiadas contra a porta. “Eu pensei que você disse que não havia nenhum dano no segundo round?" Ela perguntou da porta. Ela era como um vilão, deixando um rastro de sangue e dicas para me atrair para uma armadilha. Um homem com uma mente de autopreservação viraria e correria. Em vez disso, empurrei a porta e tranquei atrás de mim. Ela chegou para o interruptor de luz e peguei a mão dela, segurando-a firme. A escuridão nos encaixa. Essa coisa entre nós foi feita para as sombras. “Você me disse para ir para casa," ela disse com um passo à frente, pressionando seu corpo contra o meu. “É mais fácil quando você não está por aí," sussurrei, pegando a parte de trás do pescoço dela. “Por quê? Porque você nunca esteve com uma mulher como eu?"


Eu sorri, mas ela não podia vê-lo na escuridão. “Nunca desejei uma mulher como você." “Por que isso?” Eu beijei sua bochecha. “Eu quero uma mulher que me faça sentir importante. Quero alguém que aprecia o que faço." “Ninguém pode te fazer sentir importante, Dean. É por isso que nunca ficará satisfeito. Quer dizer que você é sucesso? Você quer me dar os parabéns?” Não consegui encontrar as palavras para responder. “Oh, Dean, que braços fortes você tem." Eu sorri. “Bom?" Ela perguntou. “Terrível," eu disse, levando seu lóbulo da orelha entre meus dentes. “Você iria odiar uma mulher assim," ela disse, deslizando a mão por baixo do cós das calças. Busquei o zíper do vestido e puxei-o lentamente para baixo, dividindo a renda separando-a para expor sua pele macia. Mergulhei minha mão por baixo do tecido e empurrei o zíper inferior, seguindo a curva da sua coluna. Eu apertava seu vestido para baixo e ela vivia escorregando a mão mais baixo. Que jogo enlouquecedor. “Esta é a única coisa que somos bons," ela disse, acariciando-me. Eu não poderia discordar. Se não queria matá-la, queria possuí-la. Eu queria seduzi-la para a beira da loucura, para que, por trinta minutos, ela nada pudesse fazer senão gemer nos meus braços, também perdendo o momento de me odiar. “Leve-me para o meu quarto," ela implorou.


Empurrei o vestido no chão e chutei de lado. Ela agarrou minha gravata na mão e puxou-me para frente. Estávamos perdidos nas trevas, tropeçando em mesas, sofás e lâmpadas. Nós caímos em seu quarto e fechando a porta atrás de nós. O quarto era tão sombrio quanto o resto da Villa, mas nós encontramos a cama e ela caiu. Os membros enrolados, mas eu a empurrei mais elevada contra os travesseiros. Ela era suave em todos os lugares, mas a pele entre as coxas dela era puro veludo. Tirei-lhe tudo e ela puxou o laço do meu pescoço, quase me sufocando, antes de finalmente tirá-lo. Acho que ela gostou da linha entre magoar alguém e amá-los. Acho que isso é o que ela sentia por mim. “Deite,” disse ela, empurrando minha mão para o estômago e mantendo-a alinhada com a cama. “Eu ainda não te perdoo pelo que você fez anteriormente.” Sorri e dobrei-me, arrastando a minha língua até o interior de seu joelho esquerdo. “Talvez você encontrará perdão depois que eu acabar com você.” Ela arqueou suas costas, empurrando contra a minha mão. “Nunca.”


CAPITULO 33

Dean Lily ficou na porta depois de seu banho. Ela estava nua e usando uma das toalhas do hotel superdimensionada para secar as pernas dela. Sentei-me na cama e observei-a, momentaneamente saciada. Nós não falamos nada pelo que parecia durar horas, mas eu sabia que a trégua não duraria muito tempo. “Você me disse para prová-lo, e eu fiz.” Franzi a testa, tentando entender as palavras dela. “Nós,” disse ela, envolvendo a toalha em torno de seu peito. “É só sexo." Ela sorriu. “Fumo escuro, mas não há fogo.” Ela se virou e fechou a porta do banheiro sem mais uma palavra. Ela tinha jogado a faca e tinha encontrado sua marca; a única coisa que eu poderia fazer era deixar antes que ela jogasse a outra. Eu estava exausto, especialmente após as últimas horas, mas não consegui encontrar um lugar confortável. Inclinei meu corpo de uma forma e, em seguida, outra, então levantei e tentei uma direção diferente. Senti o sofá irregular em lugares que não senti na noite anterior. Eu olhava acima no teto da Villa e tentei ignorar a dor no estômago. Ouvia as palavras de meus pais de volta pela minha mente. “Você acha que a vida rápida te sustentará por muito tempo?" “Não percebe?” Suas perguntas tinham sido sempre fáceis de desviar. Eu tinha mudado para Nova Iorque para me tornar um império de homem e não tinha nenhuma intenção de parar a qualquer momento em breve. Tinha sido feliz com essa vida.


Um dia, eu estava contente, e o próximo, estava deitado num sofá em Las Vegas com caroços de indecisão perturbando meu sono. Eu não queria isso. Não queria mudar. Não

queria

acordar

com

uma

barriga

oca

e

o

gosto

do

arrependimento na minha boca. Não podia construir um império se perdesse o foco. Tinha afastado cada distração que tinha vindo no caminho nos últimos dois anos, no entanto, de alguma forma, Lily tinha escoado através das rachaduras como um veneno. Acabei de encontrar o antídoto.


CAPITULO 34

Lily Alguma coisa sobre Dean me manteve voltando para mais. Tinha sido errado dormir com ele na primeira vez e simplesmente idiota concordar com o segundo round. Dean tinha despindo-me naquela cama de hotel... E então me deixou pendurada. Bem, tecnicamente, ele me deixou depois que o tinha empurrado para fora, mas essa era a maneira que nós éramos. Ele empurrou, forçando para trás. Ele não queria uma Barbie insípida. Ele queria um desafio, mas se manteve negando, assim, as coisas entre nós nunca mudariam. Era um ciclo vicioso. Eu precisava de uma intervenção. Precisava tirar Dean da minha vida pessoal. Friamente. “Ficar sentada num café em frente a uma contagem de estúdio de bicicleta conta como exercício?" Josephine perguntou quando se sentou com seu café com leite. Eu pisquei, afastando meus pensamentos e assenti com a cabeça. "Transferindo as calorias. Como osmose.” Ela sorriu. “Então nós deveríamos dividir esse bolinho de banana?” Não virei para inspecionar o caso de pastelaria atrás de mim. Eu não tinha nenhum apetite. “Estou bem. Vá em frente.” Ela franziu a testa. “Desculpe-me, o que? A última vez que você recusou um bom cozido foi porque achou que o glúten era venenoso.” “Esse artigo de revista fez parecer que era veneno de rato!" Contestei. Ela balançou a cabeça e tomou um gole de seu café com leite. Eu tinha chegado ao café mais cedo do que ela, na esperança de provar alguns dos bolos para o meu blog. Em vez disso, tinha sentado numa


mesa sozinha, tomando meu café e observando as pessoas através das janelas da frente. “Você voltou de Las Vegas há uma semana e já pronunciou umas quatro palavras desde então." Eu levantei minhas sobrancelhas. "Não é verdade." “Pedir a Siri para tocar James Blunt não conta.” Sabia que ela estava certa, mas não tive energia para lutar com ela. “Vou juntá-la com este tipo que estou trabalhando na Vogue." Eu amassei meu nariz. “Eu não estou muito interessada no tipo modelos masculinos.” “Não, ele trabalha no departamento gráfico. Ele tem uma barba e óculos, e, às vezes, no ângulo certo, se parece com Bradley Cooper.” Eu cantarolava. “Bradley Cooper de ressaca ou Silver Linings desempenhando Bradley Cooper?” Ela parecia confusa com minha pergunta. “Existe uma diferença?” "Grandes tempos." Ela rolou a questão ao redor em sua mente e então assentiu com a cabeça. "Eu diria Silver Linings desempenhando Bradley." “Então ele é bonito, mas um pouco psicótico?” “Oh meu Deus, esquece.” Dei de ombros. Por mim tudo bem. Ela me deu alguns minutos, tempo suficiente para começar a observar as pessoas pela janela novamente antes que decidiu jogar a próxima bomba em mim. "Julian diz que Dean tem sido difícil de trabalhar ultimamente.” Meu estômago apertou com a menção do seu nome. “Pior do que o habitual," acrescentou. Tomei um gole do meu café e, propositadamente, encarei a rua acima do ombro de Jo.


“Você não saberia nada sobre isso, né?” Foda-se os curiosos. Forcei

meu

olhar

para

ela.

“Jo,

você

e

o

Julian

são

impressionantes.” Os dois se amam e vocês nunca lutam, você é a coisa mais fofa desde pão fatiado.” “Não acho que o ditado é assim.” “Eu adoraria uma relação igual a que vocês têm, mas infelizmente eu e o Dean nunca seriamos assim.” “Por quê?" Eu ri. “Por onde começo? Para começar, não acho que ele e eu já tivemos uma conversa sem um de nós gritando. Ele é rude e opinativo e um viciado em trabalho. Ele tem o ego maior do que do Kanye West e o odeio.” Ela contou as razões em seus dedos enquanto eu falava. "Isso é apenas seis coisas! Pfft, podíamos totalmente trabalhar sobre isso.” Balancei minha cabeça. “E o fato dele não ter me ligado ou mandado uma mensagem de texto desde que voltamos de Las Vegas.” Ela franziu a testa. “Você já tentou falar com ele?” Atirei um olhar cerrado “Você está louca.” Ela levantou as mãos em sinal de rendição. “Talvez tenha razão. Vocês dois são assustadoramente teimosos.” Nós éramos teimosos e eu deveria odiar, mas não. Eu adorei. Ansiava por um relacionamento com ele. Facilmente poderia imaginar como seria na minha cabeça. Dean acordaria e faria o café da manhã? Ia me servi café? Nunca. Ele reclamaria que fiz errado e eu provavelmente acabaria por colocá-lo para fora por seu rosto presunçoso. Deus, nós acabaríamos empurrando um ao outro para a beira da insanidade.


Eu sabia que não era saudável. Sabia que um relacionamento não deveria ser sobre duas pessoas tentando ganhar a mão superior. Alguém tinha que dar. Certo? “Qual é o nome do cara da Vogue?” Pedi gentilmente. Jo olhava para mim de cima da sua caneca de café com leite. Carson.” Carson. Isso não é um mau nome. “Diga a Carson que estou livre na próxima semana se ele quiser sair para comer nuggets de frango ou algo assim.” Suas sobrancelhas subiram. “É sério?" Bebi o resto do meu café antes de responder. “Eu não brinco com nuggets de frango.” Ela agarrou meus ombros. “Não é sobre o nuggets, sua esquisita. Estou perguntando sobre o encontro!” “Tenho certeza. Por que não? Afinal de contas, sou solteira.”


CAPITULO 35

Dean Depois de Vegas, esperei duas semanas antes de agendar outra reunião de equipe. Eu me concentrei em meus outros restaurantes e trabalhei no escritório atrás do Provisions, dizendo a mim mesmo que era necessário. Mandei trabalho para Hunter, Zoe e Lily em e-mails de grupos formais. De: Dean Harper Para: Lily Black, Julian Lefray, Zoe Davis, Hunter Smith Assunto: LVRW Na semana passada correu tudo bem. Vou tomar os próximos dias para jogar com funcionários do Provisions e da propaganda. Zoe, preciso de você para agir como gerente pelas próximas noites, A disposição foi uma merda enquanto estávamos fora. Hunter, entre em contato com Mark e comece a mostrar-lhe as listagens de propriedades potenciais. Precisamos fazer a bola rolar. Quero uma lista de propriedades até o final da semana. D.Harper

De: Lily Black Para: Dean Harper Assunto: Re: LVRW


Acabei de ler seu último e-mail e você não falou comigo. Em que você gostaria que eu fosse trabalhar? Cardápio? Bebidas? Nomes? Marcando? Lily

De: Dean Harper Para: Lily Black Assunto: Re: Re: LVRW Comece a montar uma lista de blogueiros que precisamos convidar para a inauguração. D. Harper

De: Lily Black Para: Dean Harper Assunto:Re: Re: Re: LVRW Você não acha que isso é um pouco prematuro? Nós nem sequer temos uma localização ainda... Lily

De: Dean Harper Para: Lily Black


Assunto: Re: Re: Re: Re: LVRW Veja o último e-mail.

De: Lily Black Para: Dean Harper Assunto:Re: Re: Re: Re: Re: LVRW Tudo bem, vou trabalhar na lista. Lily --Me levei a pensar que a comunicação de e-mail com Lily era inofensiva, apesar de que todo o tempo que o nome dela batia em minha caixa de entrada, sentia uma familiar onda de adrenalina. Em seguida, duas semanas depois de voltar para Nova York, Antônio Acosta me enviou um e-mail e relutantemente agendei uma reunião da equipe. Teria que enfrentá-la querendo ou não. Quando eu dobrava a esquina para o corredor somente para empregados, podia ouvir a equipe conversando em volta do escritório e aumentei o aperto em torno dos papéis em minhas mãos ao som da voz de Lily. "Eu me sinto como se não tivesse te visto nunca mais," disse ela. "Eu sei. Nada de novo com você?” Perguntou Zoe. Dobrei a esquina do meu escritório e olhei para a parte de trás de cabelo loiro de Lily. "Oh Deus, Jo me colocou num encontro às cegas


para o final dessa semana. Preciso de algum conselho.” Entrei no escritório e fechei a porta com um estrondo alto. Ouvir Lily discutir um encontro às cegas foi como obter um tratamento de canal. Ela atirou punhas com seu olhar em minha direção, mas fingi não perceber. Fui em torno do grupo e entreguei a cada um deles uma cópia impressa do email que recebi do Antônio na noite anterior. Depois que todo mundo tinha uma cópia, tomei um assento na borda da minha mesa e assisti-os ler. Julian terminou em primeiro lugar, as sobrancelhas em arco para a linha do cabelo. "Uau. Eu não estava esperando isso." Disse ele. Balancei a cabeça e, propositadamente, foquei em qualquer lugar menos Lily. Eu não era bom em reconhecer o erro dos meus caminhos, e se a conhecesse tão bem quanto pensava, ela não iria deixar esse e-mail deslizar sem entusiasmo. "Sinto muito, talvez eu esteja confusa" disse ela, olhando para mim. "Você poderia explicar o que significa este email? Apenas no caso de eu estar lendo errado?" Zoe riu. Ela não estava lendo errado. Ela queria me ouvir explicar isso em voz alta, porque era irritante. Cruzei os braços e, finalmente, me permite olhar para ela. Seus lábios cheios foram torcidos em um sorriso e o brilho nos olhos provou que ela sabia o que estava fazendo. Ela estava usando um vestido azul sem mangas que deixava suas pernas longas em exibição. Seu cabelo foi puxado por cima do ombro direito para que eu pudesse admirar a curva de seu pescoço. Ela bateu o dedo contra o e-mail com impaciência. Ela era exigente e de tirar o folego. Limpei a garganta. "Antônio Acosta enviou-nos uma lista revista de pratos para o nosso menu. Ele pediu desculpas por sua falta de preparação em Las Vegas. Eu não acho que ele deu uma desculpa válida a respeito de porque suas sugestões


originais eram uma merda. Independentemente disso, os novos pratos estão ótimos e nós definitivamente estaremos voando em breve para outra degustação." Seu sorriso se alargou. "Só para que fique claro, Antônio nos enviou pratos revistos por nenhuma razão qualquer? Fora a bondade em seu coração?" Agarrei a borda da mesa e balancei a cabeça. "Você quer que eu elogie seu comportamento nessa reunião, Lily, mas não vou. Você foi rude e desrespeitosa. Em qualquer outro dia, um chef tão impetuoso como Antônio teria nos manchado na imprensa. Temos sorte que ele estava se sentindo generoso." Ela xingou fora uma lufada de ar e cruzou os braços. "Nós não definimos um nome ainda?" Perguntou Julian, mudando de assunto antes que Lily e eu dominássemos o resto da reunião com nosso debate. "Eu ainda estou trabalhando nisso. Tenho alguns em mente." "Eu estive em coordenação com o designer gráfico que você contratou em Las Vegas," disse Zoe, dirigindo a reunião em direção a seu trabalho. "Obviamente, não podemos fazer muito sem um nome, mas começamos a trabalhar em uma marca básica. Você nos contou qual estética gostaria para o restaurante, por isso, uma vez que tivermos um nome na casa, o logotipo funcionará melhor." "Você me enviou esse progresso?" Perguntei. Ela assentiu com a cabeça. "Todos devem tê-lo em sua caixa de entrada" "Bom." Virei para Hunter e seus olhos se arregalaram. "Como é que vai a pesquisa para o espaço do restaurante?" Ele engoliu em seco e puxou a gola da camisa, tentando afrouxar seu aperto ao redor de seu pescoço. "Hum, sim. Eu tenho procurado, mas não há muito lá fora. Todos muito ruins, não muito polidos."


Apertei os olhos. Isso não é o que eu queria ouvir. "Eu não quero nada polido, apenas algo com que se possa trabalhar. Você está me dizendo que não há concessões disponíveis em Manhattan?" Essa era uma tentativa de piada de mau gosto? Suas bochechas inflamaram. "É apenas um mercado difícil agora e eu acho que... é só que..." Ele estava divagando e não fazia sentido. Hunter tinha me ajudado a encontrar os espaços para os meus últimos quatro restaurantes e nunca teve nenhum problema. "Eu vou ajudar," Lily ofereceu gentilmente. "Eu posso pesquisar online quando chegar em casa." Hunter lançou-lhe um olhar afiado. Ele claramente não queria que ela ajudasse, mas puta merda. Ele precisava. "Seria ótimo. Obrigado." Ela sorriu e o impacto dele me bateu fora de meu equilíbrio. "Na verdade, Lily, você poderia ficar após a reunião por um segundo?" Seu sorriso vacilou. "Oh, uh... posso. OK." Ela também foi surpreendida pela minha pergunta tanto quanto eu estava. O plano era ter uma reunião em grupo e, em seguida, enviar a todos em seu caminho, juntos. Eu deveria ter percebido que iria ceder assim que a visse. Duas semanas de intervalo significava que ela era mais tentadora do que nunca. O desejo que deveria ter desaparecido era muito agudo para ignorar. Tinha negócios nada relacionados para discutir com ela; simplesmente não estava pronto para ela ir embora ainda.


CAPITULO 36

Lily Zoe foi a última a deixar a sala de Dean. Ela virou e atirou-me um sorriso maroto apenas quando fechei a porta para ela. Dean ficou atrás de sua mesa, tirando o paletó. Seus músculos dos braços flexionando enquanto ele o atirava para parte de trás da cadeira. Quando sua atenção se voltou para mim, molhei meu lábio inferior e tentei sorrir. Ele parecia fraco. "Eu lhe pedi para ficar para que pudéssemos ter um momento a sós para falar sobre a situação entre nós." Ele estava colocando nossa relação em termos de negócio. O movimento inicial de Dean era sempre tratar a questão como se fosse apenas mais um perigo para a sua linha de fundo, mas eu sabia melhor. Podia ver a forma como sua respiração tinha mudado quando virei para ele. Estávamos sozinhos em seu escritório. Estava a poucos passos de distância e ele já estava sonhando nas maneiras que poderia me comer em sua mesa. Dei um passo para frente. "Eu sou completamente capaz de ser profissional ao seu redor." Minhas palavras disseram uma coisa mas meu tom sugeria o oposto. Sua boca se contorceu e ele inclinou a cabeça para esconder o sorriso que não queria que eu visse. "Eu concordo. Dormir um com o outro não tem que interferir com a nossa relação comercial." "Exatamente." "Ouvi que você tem um encontro às cegas essa semana?" Ele perguntou, arqueando a sobrancelha para mim. "Uhun. Tenho certeza que você vai se manter ocupado também." Eu me aproximei e chutei um sapato e depois o outro. Ele afrouxou a gravata. "Muito ocupado."


"Quando é sua próxima reunião?" Perguntei quando bati na borda de sua mesa. Ele desabotoou o cinto. "Eu tenho que estar do outro lado da cidade em uma hora." Eu assenti. "Você?" Eu sorri. "Estou livre durante toda a tarde. Só tenho que procurar uma propriedade." Ele balançou a cabeça, em seguida, seus olhos castanhos encontraram os meus, e em menos de um segundo, a faísca entre nós estava em chamas. Deixei minha bolsa no chão e rastejei sobre sua mesa, A caneta esferográfica caiu e rolou pelo chão enquanto suas mãos agarraram minha cintura e ele me puxou todo o caminho. Fazia duas semanas que suas mãos tinham estado em mim. Quatorze dias para ficar insana. Certo, com Dean nunca foi realmente uma opção. Eu sabia que tinha que ser confuso. Queria que Dean me beijasse como se ele estivesse me beijando só naquele momento. Queria suas mãos queimando através da minha pele. Sua língua deslizou na minha boca e seu dedo escorregou em minha calcinha. Segurei seu cabelo e espalhei minhas pernas na borda de sua mesa. Ele estava entre elas, puxando meu vestido ao longo de minhas coxas quando o tecido rasgou. "Eu nunca vou ter o suficiente," ele falou, quando abri o zíper de suas calças. Balancei com adrenalina quando ele empurrou suas calças e cuecas boxer para baixo e chutou para o lado. Ele me tinha ali na beirada da mesa, completamente de acordo com seu querer. "Você ama isso, tanto quanto eu," disse ele, deslizando as mãos para cima em minhas coxas. Ele sorriu com satisfação quando deslizou para dentro de mim. Arrastei minhas unhas para baixo na parte de trás do seu pescoço, tentando passar um pouco da mesma sensação para ele. Eu não queria isso. Não havia pedido para ter o coração dividido em dois. Ele estava errado; não amava tanto quanto ele. Eu amava mais.


CAPITULO 37

Lily Lily: Eu estou indo ao meu encontro às cegas agora... Dean: Onde vai encontra-lo? Não deixe ele te atrair para o seu apartamento. Jo provavelmente arrumou um caçador. Sorrio e empurro para o lado do vagão do metrô para que as pessoas tivessem espaço para sair. A cada parada que nós enviávamos, o carro esvaziava um pouco mais, finalmente, deixando alguns assentos vazios. Peguei um e voltei para meu telefone. Lily: Nós apenas estamos indo comer em algum lugar na parte alta da cidade. Vou me encontrar com ele em um parque primeiro. Dean: Romântico. Lily: Você está saindo com alguém está noite? Dean: Ainda não tenho certeza. Lily: Não faça sexo com ela. Dean: Lily... Lily: Muito bem. Tanto faz. Durma com quem quiser. Só não estrague seu apetite. Dean: Eu não sou o único indo em um encontro agora. Ele tinha um ponto, mas eu estava indo por uma razão muito, muito nobre: tinha estado ocupada sonhando em fazer sexo com Dean e, em seguida, na verdade, tenfo relações sexuais com Dean, que não me lembrei de cancelar com Carson. Viu? Tenho certeza que esse tipo de coisa acontece com Dalai Lama o tempo todo. Tanto faz. Jo disse que não o suportaria e eu não poderia cancelar de última hora porque foi quase tão ruim quanto o status. Em vez disso, nós concordamos que eu iria a um encontro e iria dar-lhe uma chance. Ela disse que eu precisava, para


testar as águas com os outros caras. Talvez estivesse fixada em Dean porque estava sozinha numa cidade nova e não havia quaisquer outros caras em minha vida. Eu sabia melhor, mas ela era irritante e meio que lhe devia pelo menos um encontro com um cara aleatório depois de submeter ela a duas semanas de amor de verdade. (Sim, você realmente pode exagerar na dose de admitir amor). Dean: Sabe, esse cara provavelmente poderia fazer melhor. Será que ele sabe o quão teimosa você é? Lily: Eu tenho certeza que ele vai se apaixonar à primeira vista e vamos fugir juntos. Dean: Hunter vai ficar tão decepcionado... Eu digitei de volta ‘vai se ferrar’, mas o meu dedo pairou sobre o botão enviar. Sabia que não poderia realmente enviá-lo. Dean e eu estávamos em um limbo confortável; tinha que pisar levemente. O vagão do metrô gritou uma parada e, na próxima estação, meu destino foi anunciado nos alto falantes. Apaguei o texto e guardei meu telefone enquanto esperava pra sair. Toda a caminhada em direção ao parque tentei evocar alguma emoção para meu encontro com Carson. Não havia nenhuma. Absolutamente nada. Bem, senti um cheiro de pretzel, o que me fez salivar, mas não poderia dizer pelos atributos de Carson. Estava quase no parque, quando vi um sinal para abertura de um novo restaurante do outro lado da rua. Tinha alguns minutos de sobra, então, em vez de virar a direita e seguir em direção ao parque, esperei o sinal abrir e corri através da rua para investigar. Com alguma sorte, eu teria um novo restaurante para rever em breve. Por favor, seja outra creperia, por favor, seja mais uma creperia. O restaurante ainda estava em fase de construção, mas os ossos já insinuando o quão incrível seria uma vez que ficasse pronto.


Mudei para a frente do edifício para tentar encontrar mais detalhes quando o nome me chamou atenção. Ivy & Wine estava pintado em branco através do tijolo, com as palavras ‘abriremos brevemente’ abaixo dela. Eu olhava e lia novamente, tentando lembrar porque o nome parecia tão familiar. Me aproximei, inspecionando o cartaz impresso que tinham colado na porta da frente. Os proprietários do restaurante tinham imprimido um menu detalhado para que os pedestres pudessem começar a ter uma sensação do lugar. Eles se gabavam dos sabores frescos e pratos sazonais, mas quando comecei a realmente ler o menu, podia sentir a cor sendo drenada do meu rosto. Era cem por cento idêntico ao menu que Antônio Acosta tinha nos enviado apenas alguns dias antes. Cada detalhe, ingrediente e o sabor paralelo ao nosso, e quando fiz a varredura para o fundo onde ele listava o nome do gerente geral, eu sabia que tinha culpa. Hunter foi um pequeno rato.


CAPITULO 38

Dean Empurrei minha bicicleta pela porta de trás e soltei meu capacete na hora em que a campainha na frente tocou. "Estou indo," gritei, irritado com quem continuou tocando a campainha. Era 20:00 de uma sexta; as chances eram que eu estava prestes a encontrar com um missionário mórmon. Apoiei minha bicicleta no corredor e tirei o suor da minha testa, assim que Lily gritou pela porta. "Dean apresse-se! Eu sei que está em casa!" Lily?

Abri a porta para encontrar Lily se preparando para bater

novamente. "Calma, você vai..." Ela gemeu e passou por mim, quase me derrubando. "Por que você não atende esse telefone?! Chamei-lhe dez vezes nos últimos vinte minutos!" Ela estava respirando com dificuldade. Seu casaco de lã estava amarrado em sua cintura e seu vestido de algodão estava amassado. Ela se inclinou e apoiou as mãos nos joelhos, tentando recuperar o fôlego. "Veio correndo até aqui?" perguntei, franzindo a testa. Seus olhos brilhantes pousaram em mim com fúria. "Claro que eu corri até aqui! Hunter precisa ser demitido imediatamente!" Eu levantei minhas mãos. "Desacelere. Desacelere. O que está acontecendo? Ele fez alguma coisa para você? Por que não está em seu encontro?" Ela revirou os olhos e se virou para a mesa de entrada. Ela largou seu cardigã e sua bolsa lá e, em seguida, colocou seu telefone. "Eu tinha que te mostrar! Estava no meu caminho para meu encontro quando notei um restaurante em construção." Abriu seu telefone e rolou através


de fotos até que parou em uma que estava satisfeita. "Este é o menu que foi colocado do lado de fora do edifício," disse ela empurrando o telefone na minha mão. Eu abri e fechei os olhos, tentando ler as letras pequenas. "Reconhece alguma coisa? Ou, não sei, a coisa toda?!" Eu balancei a cabeça. "Você tem certeza? Talvez seja só parecido." ela riu claramente, além do ponto da razão. “Role para baixo e veja quem está listado como gerente geral. Dê uma olhada em quão leal seu funcionário é." Ela jogou as mãos para o ar e pisou em torno da entrada. "Eu vou matá-lo. Estou indo para afogá-lo no prato de paella que roubou de nós!" Minha mão apertou em torno de seu telefone enquanto processava a informação que ela tinha acabado de despejar em mim. Hunter estava trabalhando com outra equipe no desenvolvimento de um outro restaurante em toda a cidade com o menu e a visão que eu tinha trabalhado tão duro pra criar. Tinha sido muito fácil para ele me trair. Ele tinha resumos detalhados de tudo, desde opções de menu até esquemas de cores. Ele tinha

informações

de

contato

com

cada

um

dos

empreiteiros,

fornecedores e recrutadores. Meu sangue começou a ferver. Ele pensou que poderia ir longe com isso? Pensou que poderia sentar no meu escritório e me alimentar com a besteira sobre o mercado imobiliário estar difícil e esperar que eu não fosse descobrir o que ele realmente estava fazendo? A mão de Lily entrou na minha linha de visão e percebi que ela estava tentando pegar seu telefone antes que esmagasse ele. "O que você vai fazer sobre isso?" Ela perguntou, sua voz muito mais calma agora que eu era o único perdendo a paciência. "Eu vou lidar com isso," disse com um aceno de cabeça. Ela franziu a testa. "O que você quer dizer com isso?"


Eu já estava me movendo em direção à cozinha, me dirigindo para o telefone pendurado na parede ao lado da porta. "Vou ligar para meu advogado." O queixo dela caiu. "Só isso?" Eu já estava discando o número dele. "A propriedade intelectual é complicada quando se trata de restaurantes que ainda nem abriram. Ele não tem realmente quebrado uma lei. Âmbito de um processo civil é a única maneira de lidar com isso. Apenas me dê cinco minutos." Ela sentou-se à mesa da cozinha e cruzou os braços, claramente irritada com minha falta de retribuição. "Ele é uma bola de merda. Sabe que ele me assediou novamente em Las Vegas também. Ele tentou me levar para fora do hotel com ele. Deus, eu gostaria de ter lhe dado um soco no rosto." "Lily, acalme-se. Nós vamos resolver isso." Ela mordeu seu lábio inferior, também trabalhando para se manter quieta. "Dean," disse Mitch, respondendo apenas antes da chamada ir para caixa postal. "É melhor que seja malditamente importante. Eu estava prestes a desfrutar de uma refeição num de seus malditos restaurantes." "Nós temos uma situação." Ele suspirou. "Ah. inferno. Espere, deixe-me ir para fora."


CAPITULO 39

Lily Eu andava para frente e para trás na sala do meu apartamento. Era um pequeno espaço, mas podia ver quando Jo me olhou bufando com irritação. Podia sentir seus olhos tentando me acompanhar por toda sala. "Se Dean disse que vai lidar com isso, você deve confiar nele." Disse Jo. Balancei minha cabeça. "Não. Seu advogado disse que não havia muito o que se fazer, Dean não tinha esse menu no direito autoral. Tentar processar Hunter custaria a Dean uma fortuna em taxas legais e provavelmente não resultaria em qualquer tipo de solução." "Talvez Dean poderia enfrentar Hunter por si mesmo?" Atirei-lhe um olhar. "O que? Como um duelo à moda antiga?" Eu estava muito além desse ponto. Queria fazer Hunter pagar. Eu poderia lidar com sua paquera e incompetência geral, mas isso? Ele mostrou que era que mais que apenas um idiota. Ele tinha brincado conosco o tempo todo. Jo cruzou os braços. "Tanto faz se seu advogado disse que não há nada que se possa fazer, então você tem que seguir em frente. Vocês podem apenas chegar num menu melhor ou algo assim." Fiz uma pausa e me virei pra ela. “Doce e ingênua Jo. isSo não é assim, onde se muda tudo durante uma noite." Ela levantou as mãos pra eu parar. "Oh Deus!" "Você é louca se acha que vou deixar Hunter conseguir acabar com isso." "Lily..." ela advertiu.


Se nós não poderíamos processá-lo, eu tinha que descobrir como convencer Hunter A deixar a lista sobre Ivy & Wine de outra forma. Dean já tinha falado com ele, durante o encerramento inevitável do caçador de emprego. Ele não se importava que Dean tinha ajudado a construir sua carreira. Ele não se importava que Dean tinha lhe ensinado tudo que sabia. Durante o confronto, Hunter não demonstrou nenhum remorso e não admitiu nada. Ele continuou chamando de ‘desavença’, o que só mostrava que estava completamente alheio ao ridículo de tal declaração, ou de ostentar o fato de não poder tocar nele legalmente. Felizmente para Dean, eu não ia deixá-lo fugir com isso. --Procurei on-line quaisquer detalhes sobre Ivy & Wine. Um blog pequeno de NY tinha postado um curto trecho, mas não houve menção dos investidores ou Hunter. Fora isso, não há outros blogs com quaisquer detalhes sobre o restaurante. Verifiquei sites imobiliários e desenvolvimentos sem sucesso. Não foi até que procurei na Base de dados do Estado de Nova York que u tive minha primeira pausa. Havia um agente registrado listado em Ivy & Wine, LLC, uma que eu não estava à espera de encontrar: a esposa de Hunter, Colette. A mulher que ele ama e oh, respeita tanto. Procurei em torno do facebook, twitter e instagram por qualquer informação que pude sobre Colette. Do pouco que eu poderia reunir a partir de persegui-la digitalmente, ela era uma mulher doce do norte de Nova York, cujo grande bisavô havia criado o avião ou algo assim. (ok, claramente não li o artigo todo). Todas as suas fotos no facebook eram dela e Hunter de férias no Hamptons e Cape Cod. Ela tinha dinheiro e Hunter devia cada polegada de seu novo restaurante


a ela. Enquanto isso, ele estava passeando em torno de NY transando com qualquer coisa que tenha pernas. Eu só preciso de uma prova... Sentei ao lado de Josephine no futon e virei meu corpo para ela. "acho que tenho um plano, mas preciso de sua ajuda." Ela arqueou a sobrancelha. "Com o que?" "Como você se sente sobre se disfarçar?" Ela deixou a cabeça cair em suas mãos e gemeu. "Por favor, não me obrigue a fazer algo que vá me arrepender..." A presença na mídia social de Hunter era nada, se não previsível. Se havia algo legal acontecendo na cidade, ele tinha que twitar, blogar e postar como se, de alguma forma, ele estivesse envolvido. Ele era um ‘vip’ em todos os clubes na cidade, ele tinha ido a cada abertura deste lado do rio Mississipi. Felizmente pra mim, sua necessidade irritante de se gabar de suas aventuras significava que eu sabia exatamente o que ele planejou para a festa de sexta-feira à noite, enquanto sua esposa estava fora da cidade. Seus tweets que antecederam o evento foram como este: @BigGameHUNTER12334: mal posso esperar para a festa nesta sexta-feira. #quandoaesposaestalongeosratosbrincam @BigGameHUNTER12334: VIP segunda noite @OakBar: #serviçodegarrafa #quandoemroma @BigGameHUNTER12334:

#nósvamosduro

#préjogo

#enchendoacara E depois, claro, sua esposa teve que falar @Colletteinthecity: Não tenha muita diversão sem mim! ;) @BigGameHUNTER12334: :*


Senhor nos ajude. É claro que ele tinha o feed de uma menina de catorze anos de idade e o corpo de um homem de meia idade com excesso de peso. Ele estava basicamente pedindo para o Karma mordê-lo na bunda. Fechei o twitter e deslizei meu telefone para minha mochila preta que tinha escolhido para a ocasião. Que, em cima do meu gorro preto, jeans preto e uma camisa de manga comprida preta, me fez parecer mais como um criminoso e menos como qualquer garota na cidade saindo em uma sexta-feira à noite. Realmente a moda hipster levou por um fio a minha vibração. "Jo, você está pronta?" Gritei em todo o apartamento. Ela estava lutando contra mim na ‘operação caçador se torna a caça42’, durante os últimos dois dias, mas não havia maneira de contornar isso. Não poderia ser isca para Hunter, porque ele sabia que eu o odiava. Ele veria através do plano. Jo era minha única opção. "Por que tenho que usar essa peruca loira? Eu pareço com a Shakira." A peruca loira foi em parte para efeito dramático e em parte porque sabia que Hunter gostava de loiras. Revirei os olhos. "Não vamos fingir que sua bunda magra tem pelo menos a metade da ação que a da Shakira tem. Vamos lá. Deixe-me ver." A porta do banheiro se abriu e Jo saiu vestindo nossa roupa préplanejada: um vestido vermelho furtivo com saltos correspondentes. Ela estava sexy, e apenas um pouco perfeita demais para sacanear Hunter. Jo apoiou a mão no quadril e sacudiu a cabeça. "Esta é uma ideia tão terrível." "Não! É brilhante. Vai fazer o trabalho." Fiz uma pausa. "Espere, você não disse a Julian, certo?" 42

Trocadilho com o nome do personagem Hunter, que em português quer dizer caçador


"Não, mas sinto que deveria. Não é isso tecnicamente trapacear?" Joguei minhas mãos para cima. "Não! Não é como se você está indo para ter relações sexuais com ele ou qualquer coisa." Ela corou. "Eu não sei! Você não tem sido exatamente próxima comigo sobre tudo isso." "Ok. Você está certa. Tudo o que espero que você faça é seduzir Hunter e levá-lo a admitir todos os seus segredos para que possamos chantageá-lo." Ela riu. "Oh, isso é tudo?" Eu dei de ombros. "Vamos fazer doer."


CAPITULO 40

Lily Nos filmes, eles fazem a arte da sedução parecer simples. Uma mulher bonita caminha para o alvo no bar, ele esbarra nela, lança um olhar, o FBI pula pra dentro e desativa a bomba, poupando o mundo. Na realidade, Jo não era um agente secreto. Nem mesmo perto disso. O mundo teria explodido em trinta minutos se o FBI estivesse contando com ela. "Eu não sei. Ele parece ocupado. Talvez devêssemos dar-lhe mais alguns minutos?" Ela perguntou, olhando por cima do ombro para Hunter pela milésima vez. Eu balancei a cabeça e tomei outro gole da minha água. Fiquei propositadamente longe do álcool para me manter no meu juízo perfeito, mas Jo estava prestes a me dirigir para um licor forte. "Nós estamos aqui a uma hora. Eventualmente, você vai ter que ir falar com ele." "Ou talvez nós podemos desfazer o plano e chegar a algo melhor. Talvez ele não pagou seus impostos ano passado. Nós poderíamos fingir que somos o IRS." Deixei minha testa cair no bar enquanto ela continuava a divagar. "Nós dizemos que vamos auditar ele e então o sequestramos. Julian tem esse quarto de reposição onde poderíamos mantê-lo." "Jo. Jo. Jo," eu gemi, balançando minha cabeça para trás e para frente ao longo do balcão. Isso foi um completo desperdício de tempo e dinheiro. "Eu não sou boa nesse tipo de coisa. Lembra quando o professor de teatro, o Sr. Finch, me expulsou de O Mágico de Oz na sétima série, porque não agi com alma suficiente?" Oh Jesus. Sentei-me e fiz um sinal


para o barman, preparando para acabar com o plano todo, mas depois senti o cheiro da colônia picante de Hunter. Ele se aproximou da cadeira vazia ao lado de Jo e u congelei. "O que uma garota como você está fazendo sentada aqui sozinha em uma noite como está em um bar?" Perguntou. Tive que morder o lábio inferior para não rir. Ele tinha acabado de confundir as catorze linhas na questão de captação, achando que alguma iria funcionar. Enfiei a mão no bolso do meu casaco e pressionei play no meu gravador. "Oh, uh..." Josephine remexia na cadeira, incapaz de pensar em algo encantador pra dizer. Eu chutei ela e ela riu. "Apenas desfrutando de uma bebida." "Esta é sua amiga?" Ele perguntou, apontando pra mim. Afastei-me tão rápido que quase quebrei meu pescoço. Meu cabelo loiro estava enfiado debaixo no meu gorro, mas se ele visse meu rosto, me reconheceria imediatamente. "Oh, ela?" Perguntou Jo com uma voz estridente. "Ela é apenas uma, uh, uma... uma daquelas senhoras do convento local ou alguma coisa. Ela dá uma volta nos bares para tentar salvar as almas." "É mesmo? Bem, eu espero que não a veja no meu bar, no restaurante que tenho." "Uau, você possui um restaurante? Isso é tão emocionante!" "Com certeza é querida. Hunter Smith, legal te conhecer," ele falou. "O que você está bebendo?" Ela se encolheu para trás e seu cotovelo colidiu com minha espinha. "Ai," eu assobiei, apenas alto o suficiente para ela ouvir. "Só um Martini. Nada especial."


"Bem, eu acho que uma senhora especial como você merece atenção especial. Por que você não vem até a cabine comigo e com alguns amigos? Temos serviço de garrafa.” Sim. SIM. Isto é o que eu precisava. Ela hesitou, tentando encontrar uma desculpa para não segui-lo, mas então entreguei uma mensagem altamente discreta através de série de tosses, espirros e coriza. "Vá." Tosse. "Com." Tosse. "Ele" "O quê? Será que a freira quer dizer alguma coisa?" Perguntou Hunter. Jo arrastou a banqueta de volta. "Ela está dizendo toda noite 'vá com ele', ou seja, Jesus, eu acho. Vamos ficar longe dela." Olhei por cima do meu ombro bem a tempo de vê-lo levá-la de volta para seu canto do bar. Ele colocou a mão em sua parte inferior das costas e ela desviou para longe dele com uma risada. Oh Deus. Eu só podia imaginar o tipo de asneiras que sai de sua boca. Esperemos que ela tivesse conseguido ligar seu gravador antes dele a arrastar para fora. "Você se parece com o presidente da sociedade dos poetas mortos." Merda fudida. Eu teria reconhecido essa voz profunda em qualquer lugar. Virei-me para minha esquerda, assim como Dean sentou-se no bar ao meu lado. "O que diabos você está fazendo aqui?" Perguntei olhando para trás para Julian. Se ele chegasse antes e visse Hunter flertando com Jo, lhe daria um soco, estragando todo meu plano. "Josephine não pode guardar um segredo," disse ele, acenando para o barman para que ele pudesse lhe pegar uma bebida. Essa puta, ela merece ser a isca de Hunter a noite toda. "E?" eu perguntei, fugindo para mais perto dele. Seus olhos castanhos focaram cortados até mim e seus lábios se enrolaram em um sorriso. "E eu vou ajudar,"


Meu queixo caiu. "Espera. Espera. Você não vai me fazer sentar-me com algum discurso, me castigando sobre como eu deveria te deixar cuidar disso?" Ele riu e se virou pra mim. Seu joelho esfregando em mim e sua mão caiu em minha coxa. Olhei lá enquanto ele continuou, "Eu estive pensando muito sobre o que você me disse outro dia. Tentei lidar com isso do meu jeito e não funcionou. Estou disposto a tentar da sua maneira agora." Balancei a cabeça, completamente em estado de choque que ele estava a bordo com meu plano. Se eu fosse uma pessoa de apostar, teria colocado um milhão de dólares em Dean tentando sabotar meu plano. "Então, onde está o seu disfarce?" Perguntei com um sorriso. "Ah," disse ele, mergulhando a mão livre no bolso interno do paletó para tirar um pequeno bigode castanho. Comecei a rir quando ele o pressionou em cima do lábio superior. Abaixo dele, ele ainda era tão suave como sempre: liso, cabelo ondulado, um maxilar bem barbeado e um terno preto equipado. No entanto, com o bigode no lugar, era completamente impossível levá-lo a sério. "Como estou?" perguntou. Eu ri. "Você se parece com Tom Selleck." Ele sorriu, fazendo com que o adesivo barato do bigode saísse de um lado. "Será que você vem com código para uma noite?" "Hum, que poderia ser Bonnie e Clyde." Sugeri. "Um pouco óbvio demais." Eu bati meu dedo no bar. "E sobre Sam e Frodo?" Ele riu. "Você é Sam." Eu sorri. "Você sabe, algumas pessoas pensam que Sam e Frodo tinham uma pequena coisa acontecendo enquanto estavam subindo


aquelas montanhas. Havia um monte de noites solitárias no caminho para a Montanha da perdição." Ele curvou seu braço ao longo das costas da minha cadeira e inclinou-se para que o bigode torto roçasse ao lado do meu rosto. "Frodo definitivamente tinha uma coisa com Sam." Eu tremi e virei-me para beijá-lo, bigode e tudo, mas então notei um movimento perto da mesa de Hunter com o canto do olho. Virei minha cabeça em sua direção, quase caindo da minha banqueta. "Merda. Eles estão saindo." Eu assobiei, estendendo a mão para que pudesse fechar nossa guia. Dean soltou minha perna e virou-se para o bar. "Continue. Siga-os e vou pagar." Balancei a cabeça e voei em direção à entrada do bar. "Vamos nos encontrar de novo, Frodo!"


CAPITULO 41

Dean No momento em que paguei e saí do Oak Bar, Lily, Hunter e Josephine estavam longe da vista. Verifiquei meu telefone e tentei ligar para Lily, mas ela não respondeu. Fiz uma varredura descendo a rua em ambas as direções, mas eles tinham desaparecido. Rasguei o bigode barato do meu lábio superior e empurrei-o para o bolso assim que o meu telefone vibrou com um texto. Lily: Não posso falar. Correndo na fuga. Dean: Lily, onde vocês estão?? Lily: NOME DE CÓDIGO. Rosnei, mesmo que ela não pudesse ouvir. Dean: SAM, de que maneira você está? Você está em um carro ou está andando? Lily: Ah, não... Dean: O que??? Um segundo depois, meu telefone tocou com a ligação de Lily. "Você pode me ouvir?" Ela sussurrou. "Dificilmente. Onde você está?" Eu me senti impotente, de pé no meio da calçada sem ter para onde ir. Eles poderiam estar do outro lado da cidade. "Hunter e seus amigos entraram em um lugar chamado Tease." Eu gemi e saí correndo. Tease era apenas duas quadras ao longo do Oak Bar. Se corresse, poderia chegar lá antes de Lily entrar. "Lily, espere eu chegar até aí. Tease é um clube de strip e um bem desprezível para isso."


"O quê?" Ela gritou. "Josephine está lá com eles!" "Lily. Me ouviu? Não entre sem mim." Quando ela não respondeu, olhei para o meu telefone e encontrei a chamada terminada. Porra. Acelerei o passo e rodeei o quarteirão. Ela não ia me ouvir e agora ela e Josephine estavam dentro de um clube de strip suspeito, com tudo isso, Lily poderia levar a cabo seu plano mal planejado, que é a ruína do restaurante, o casamento de Hunter, ou ambos. A única razão que concordei em ajudar era porque sabia que Lily não iria parar até que Hunter pagasse. Eu deveria ter sabido que ela não ia deixar isso fácil. Ela nunca deixava. O segurança vigiando a porta na Tease tinha braços musculosos e uma pequena cabeça. A combinação era inquietante, e quando tentei correr pra ele, ele estendeu o gancho de carne para me parar. "Qual a pressa, amigo?" Perguntou. Olhei para a mão no meu peito e depois estreitei os olhos pra ele. "Minha amiga está lá. Eu preciso tirá-la." Ele apertou os lábios e balançou a cabeça. "Melhor que não tenha discussão, ataque a uma dançarina. Nós não precisamos de um marido ciumento indo lá e destruindo o 'negócio'.” "Ela não é uma dançarina." Zombei, recuando assim que sua mão caiu do meu peito. Ele me estudou por mais um segundo e cerrei os punhos. Quanto mais tempo eu estava aqui fora falando com a cabeça pequena de ombros grandes, e mais Josephine e Lily teriam que cuidar de si mesmas. "Há uma maneira," disse ele de uma forma que estava me dando nos nervos. Peguei minha carteira. "Ótimo. O que é isso?" Ele estalou os dedos de gordura.


"Para você?" Ele avaliou meu terno. "Trinta dólares". É isso aí? Ele sabia que eu precisava entrar, ele poderia ter solicitado qualquer quantia e vinha com trinta dólares? "Tudo bem, amigo," eu disse, jogando a palavra de volta pra ele e entregando-lhe quarenta dólares. "Fique com o troco." Ele sorriu enquanto eu caminhava através da porta. Olhando para os quarenta dólares como se tivesse acabado de ganhar na loteria. O club de strip estava nublado com fumaça de cigarro e móveis que vieram direto dos anos 80. Cadeiras de vinil vermelhas com aros três fases distintas, uma grande no centro e duas menores que ladeavam em ambos os lados. Luzes vermelhas e amarelas tremulavam em cima, iluminando as meninas dançando em cada lado. Eles eram o pessoal da tarde, os retardatários, as dançarinas que não tinham a dança nelas. Elas pareciam como se precisassem de uma semana de férias e alguns dias passados dentro de um câmara de bronzeamento. "Awww sim. Sim. Sim. Isto é certo caras, hoje à noite no Teeeeeease." O locutor gritou ao longo do alto falante. “Preparem-se, vou dar o sinal verde para a próxima dançarina. A próxima aqui no palco principal é Dusty Roooooose. Dusty Rose é uma favorita dos fãs, então você vai querer vir aqui perto, mas não tão perto! Ela é conhecida por morder." Eu resisti à vontade de revirar os olhos. " Por favor, levantem suas mãos e deem boas-vindas à Sra Dusty Rose!" Música pop começou a tocar pelos alto falantes quando Dusty Rose subiu ao palco com uma camisa rosa brilhante e uma saia xadrez curta. Ela parecia estar em seus quarentas anos, bronzeada e cansada, mas ela estava usando o seu cabelo descolorido em tranças curtas e dançando a música de Britney Spears como se tivesse vinte e pouco. Fiz uma varredura da multidão procurando Lily, mas ela era impossível de encontrar na iluminação fraca. Uma garçonete em um vestido curto


brilhante esgueirou-se ao meu lado, passando a mão até meu lado. "Menino muito sedento?” Ela balbuciou. Balancei minha cabeça. "Você viu duas meninas que passaram apenas uns segundos atrás? Duas loiras?" Ela sorriu pra mim, amarrando um dedo através de seu cabelo e torcendo ao redor. "Tem certeza que eu não sou uma delas?" Claramente, ela ia ajudar. Fiz ela rodar e ela estendeu a mão para meu braço. "Bem. Puxa, você não é divertido. Tenho certeza que uma delas está do outro lado do bar." "Do outro?" Perguntei. Ela inclinou a cabeça para Dusty Rose. "Ela está nos bastidores."


CAPITULO 42

Lily Eu tinha assumido que NY me ofereceria algumas experiências bonitas de arregalar os olhos. Tinha planejado visitar os grandes museus e vasculhar livrarias no Brooklyn. Tinha esperanças de provar o melhor da cozinha que a cidade tinha a me oferecer e, em seguida, encontrarme sob as árvores de carvalho no Central Park, sonhando com a sofisticada culinária que ia devorar no dia seguinte. Em vez disso, me encontrei nos bastidores de um club de strip esquálido, tecendo dentro e fora de dançarinos. Na minha vida imaginária, meu cabelo soprava a brisa na Baía de Hudson. Na vida real, ele fedia a fumaça de cigarro. Na minha vida imaginária, eu me misturava com agitadores da capital gastronômica do mundo. Na vida real, estava colidindo com mulheres que ficavam me rodando e sem opções de sair. Quando entrei no club, Hunter tinha chegado perto da entrada, tentando encontrar um local para perguntar. Ele tinha girado em um círculo com Josephine por seu lado, inspecionando o espaço para as portas abertas. Ele estava a segundos de chegar no local onde eu estava congelada e reagi a tempo, deslizando por trás da cortina preta com esperanças que me levasse a um banheiro ou um armário de armazenamento. Em vez disso, encontrei-me nos bastidores. Tossi e acenei minha mão na frente do meu rosto, na esperança de limpar o ar. Não adiantava. Fumaça, spray de cabelo, perfume, tudo ao mesmo tempo numa nuvem aguada. Pisquei para longe a nuvem e olhei para o meu telefone. Jo estava me ignorando, muito provavelmente decidindo se estava indo para me sufocar ou me jogar para fora da janela mais tarde. Eu disse a ela que tinha que seguir Hunter em um bar, não em um club


de strip. Eu estava descobrindo junto com ela a grande diferença que havia. Lily: Jo, você está bem? ME RESPONDA. Tentei novamente. Lily: Você quer sair? Isso é estúpido. Vamos! Eu estava prestes a voltar para fora através da porta e quebrar nossa cobertura quando ela finalmente me mandou uma mensagem de volta. Jo: Ele está bêbado e sei que quase o tenho! Basta ficar escondida. "O que você está fazendo aqui, querida?" Me virei para encontrar uma dançarina seminua puxando seu uniforme em cima da cabeça. Parecia um traje barato do Dia das Bruxas. Ela era pra ser uma policial com crachá que dizia: 'Sargento sexy' em letras brilhantes. Sua pele escura estava revestida com loção brilhante e seu cabelo estava torcido em cachos apertados. Ela tinha o maior par de seios que eu já tinha visto na vida real e, por um momento, não conseguia nem responder sua pergunta, porque estava muito encantada com a visão deles. "Docinho?" Ela perguntou novamente. Olhei em seus olhos castanhos mel. "Eu estou espionando." Ela riu. "O seu bebê ou papai? Isso nunca acaba bem." Ela estalou a língua e se virou. "Feche-me, sim?" Ela puxou tanto ar quanto possível e avancei para o seu zíper. O vestido era tão apertado que ela teria que se cortar fora dele, no final da noite. "Eu não estou espionando um homem. Estou aqui por um amigo." Ela se virou e me deu uma olhada. Algo me disse que ela não acreditou em mim sobre a espionagem para um amigo, mas deu de ombros, de qualquer maneira. "Há um ponto entre o palco principal e o palco do lado esquerdo onde você pode puxar a cortina para trás e


espreitar. Não seja estúpida sobre isso, embora. Big Ronnie'll mastiga-me se te encontrar lá." Antes que pudesse dizer obrigada, ela girou para longe, dançando a música que eu não podia ouvir. Seus quadris balançavam de um lado pro outro e ela arqueou as costas, arrastando a mão esquerda para baixo. Era uma rotina, a sua rotina. Andei mais perto da cortina e comecei puxando delicadamente para trás das seções, procurando uma abertura. Fiquei esperando que uma das outras dançarinas me parassem, mas todo mundo estava muito ocupado se preparando para notar a garota estranha do gorro. Antes que pudesse encontrar uma brecha na cortina, meu telefone tocou com duas mensagens de texto. Dean: Você está nos bastidores?? Jo: Eu o tenho. Ele só cantou como um canário e gravei tudo. Ele está vomitando no banheiro. Encontre-me na porta da frente. Bombeio meu punho no ar. Nós fizemos isso! Hunter estava indo para baixo e eu não tinha submetido Jo por um club de strip para nada. Uh Uh!! Estava indo para comemorar com Dean e relaxar sob seus cumprimentos de quão boa detetive era. "Ei! Passa fora, cadela." Disse uma dançarina, interrompendo a festa na minha cabeça. Eu tinha sido muito preocupada para vê-la sair do palco e, quando bombeei meu punho, por pouco não soquei seu rosto. Ela recuou e me empurrou antes que pudesse me desculpar. Perdi o equilíbrio e caí para trás, agarrando a cortina preta quando estava tentando me segurar da minha queda. Na realidade, o material fino cedeu sob meu peso e minha bunda caiu para o palco com muita força para parar. Rolei como uma ginasta, graças a umas aulas que tive na idade de cinco anos e pousei no meu estômago, plana no centro do palco com luz vermelho brilhante direto em mim. Ah merda!


"Parece que temos uma convidada surpresa no palco, gente." Disse o locutor, protelando. "Gato de quimono era suposto ser ao lado, mas vamos ver onde isso vai dar." Peguei o movimento com o canto do olho e vi quando dois seguranças fizeram o seu caminho em direção ao palco com carrancas irritadas destinadas a mim. Examinei a multidão em volta de mim. Eles não estavam com raiva, estavam confusos. Eu empurrei para os saltos dos meus pés e tentei recuperar o equilíbrio. Um dos seguranças alcançou o palco e se inclinou para agarrar meu braço. "Deixe-a dançar!" Gritou um cliente. "Sim! Deixe-a dançar! Deixe-a dançar!" Outro gritou. Eles querem que eu dance. Eles me querem dançando. "Senhoras e senhores, nós temos uma nova dançarina na marca do palco essa noite!" O apresentador começou, tentando fazer sentido a situação. Ah não. Não, não, não. Levantei-me e tentei chamar atenção do locutor. Acenei minhas mãos para trás e para frente em meu peito em um sinal universal de 'PARE. ME DEIXE FORA DESSA PARTE DO CLUB DE STRIP!!!' "Parece que temos um... ninja sexy," ele falou, interpretando errado meus movimentos. "Talvez um samurai da sacanagem, mostrando seus movimeeeeentos eróticos! Ou então, uh..." "Peituda Black Belt!" Josephine gritou de algum lugar na parte de trás da multidão. "Peeeeituda Black Belt!" Ele repetiu, mudando a música para T’Pain ‘I love with a stripper’. Sorri e estendi a mão sobre a testa para encontrar Josephine, mas as luzes foram ofuscantes. Eu só podia ver a primeira fileira de homens sorrindo e incitando-me para dançar. "Mostre-nos o que você tem, querida," um cara gritou da primeira fila. Eu estava no centro do palco, completamente congelada. Tinha duas opções: poderia


dançar ou poderia deixar os seguranças me arrastarem para longe. "Trabalhe com isso, baby," outro cara gritou. Minhas bochechas inflamaram enquanto eu lutava com a indecisão, mas no final, meu corpo fez a minha mente para mim. Ele começou a se mover para a batida, lentamente no início, apenas minha cabeça e ombros balançando para frente e para trás. A fila de homens aplaudiu e eu sorri. Isso não é tão ruim. O locutor chutou a música para outro patamar, alto o suficiente para abafar os sons do club. Tentei mexer para esquerda e para direita, mas não conseguia descobrir como coordenar meu peito, ombros e pés. "Sexy, docinho!" Eles queriam sexy? Eu mostraria para eles. Minha agenda estava cheia dos mais sensuais movimentos de dança: mexendo a panela, compras, molhando o gramado, tem nome. Reguei o gramado como se minha vida dependesse daquilo e a multidão ficou atordoada, assistindo em absoluto silêncio. Tirei o gorro da cabeça e atirei para fora na multidão. Isso me rendeu alguns assobios e é aí que vi Dean em pé no final do estádio com os braços cruzados. Suas características foram lançadas nas sombras, mas podia ver o sorriso incrédulo esticado em seus lábios enquanto me observava. Mordi o lábio inferior para não rir, e a multidão foi à loucura. "Siiiiim, docinho!!!" "Mantenha-se mordendo o lábio!" Dean inclinou a cabeça para a direita e olhei para ver o pole dance brilhando sob as luzes de néon. Eu não tinha tocado ainda, mas iria antes da música acabar. Deslizei para a parte de trás do palco e tentei recordar como as dançarinas geralmente faziam nos poles em filmes. Será que elas simplesmente pegam, ou correm para começar primeiro? Parecia que eu precisava de um de uma corrida, então deixei as sábias palavras de afinadas de P’Tain lavar sobre mim enquanto corria direto para ele. Meu corpo colidiu com o metal e me agarrei nele como um macaco bebê agarrada a um galho de árvore.


Normalmente, as dançarinas saltam e começam a girar, mas eu só deslizei lentamente para baixo do pole gorduroso até minha bunda bater no chão. Nada aconteceu. A música acabou e fiquei em silêncio absoluto. Um aplauso lento começou perto das costas e, em seguida, o apresentador falou sem entusiasmo: "Bem, pelo esforço, certo gente?" Josephine gritou ao lado de Dean, jogando dólares para o palco. "Essa é minha melhor amiga!" Ela gritava. Os dois seguranças que estavam do lado durante a minha 'performance' deram um passo à frente enquanto eu desenrolava as pernas da base do poste, mas Dean me pegou antes que eles fizessem. Ele estendeu a mão para me ajudar a sair do palco. "Isso foi incrível, eu ca..." ele começou. Hunter surgiu por entre a multidão, tendo deixado o banheiro em algum momento durante meu desempenho. Ele mancou através da multidão, claramente andando pior para o desastre. "Hey!" Ele gritou, apertando os olhos interrogativamente em direção ao

palco.

Todos

nós

congelamos,

ficando

prontos

para

sermos

descobertos no caso dele nos identificar através da névoa fraca. "Por que diabos a freira está dançando no palco?"


CAPITULO 43

Dean "Vocês fizeram tudo isso hoje à noite? Enquanto eu estava num jantar com minha irmã?" Perguntou Julian, com o meu bigode inerte na mão e olhando para nós três com um queixo caído. Lily deu de ombros. "Quero dizer, isso levou algum planejamento." Josephine tentou andar mais perto ao lado dele, mas ele atirou-lhe um olhar de advertência com os olhos apertados. "E você nem sequer pensa em me dizer?" Ela mordeu o lábio inferior, tentando chegar a uma desculpa. "Eu sabia que você não ia ficar bem com isso." Ele resmungou. "Bem, sim, você não sabe o que um cara como ele poderia ter feito se tivesse encontrado você lá fora." "Eu estava lá," eu disse, entregando a Julian os três dedos de bourbon que tinha acabado de colocar pra ele. "Hunter era um bêbado inofensivo e eu estava segura o tempo todo." Era uma mentira branca. Uma mentira inofensiva. Estávamos todos na segurança da minha casa, então o que importa se uma hora mais cedo Josephine estava num club de strip? Julian não precisava saber de todos os detalhes corajosos. Julian olhou para a peruca loira que estava no colo de Josephine. "Então, isso funcionou?" Eu sorri e apontei para o gravador "Bote a gravação para ele." Tivemos mais de uma hora de divagações bêbadas de Hunter no clube de strip. Nós tínhamos ouvido tudo isso antes, mas só colocamos os destaques para Julian.


Aos cinco minutos de gravação, Hunter começou comentando sobre seu novo restaurante: "Vai ser o mais quente em NY." Em seguida, houve mais dez minutos dele se vangloriando de sua 'brilhante' ideia. Jo rapidamente passou para chegar nas partes boas: "Você não está casado?" "Apenas no papel, baby." "O que significa isso?" "Isso significa que quando ela está fora da cidade, eu faço o que quiser, e hoje à noite, acho que vai ser você." Julian levantou a mão e Josephine bateu no pausa. "Tudo bem, tudo bem, eu entendo. Você tem alguma sujeira sobre ele. O que fará agora?" "Só deixei uma mensagem para ele me encontrar aqui amanhã. Vou confrontá-lo com a gravação e deixá-lo decidir seu próprio destino," eu disse. "E se ele não cair nessa? E se ele não se preocupar com sua esposa te ouvindo?" Perguntou Jo. Dei de ombros. "Essa é a beleza do plano de Lily. É irrelevante o que ele pensa, porque nós sempre podemos enviar a gravação para a esposa. Eu não acho que a Sra Moneybags vai ser tão indulgente. Assim, ele faz o que dissermos e mata o restaurante por si mesmo, ou perde-o completamente." Julian bebeu o resto de seu bourbon e colocou o copo na mesa de café na frente de Lily. "Brilhante, mas isso é o suficiente de contraataque pra mim por uma noite. Jo, você está pronta para ir? Estou exausto." Ela se empurrou do sofá e pegou sua mão. "Você ainda cheira a Hunter," ele disse, envolvendo um braço ao redor dela.


"Ele nem sequer me tocou. Eu só cheiro como fumaça do club de strip." Ele parou "Espere, vocês estavam num club de strip?" Lily pulou em seus pés e os conduziu para fora do foyer. "Tudo bem, sim, tenham uma boa noite pessoal! Julian, você deve saber que ela só foi nisso para fazer um favor para mim." Ela levantou a peruca loira. "Como reembolso, vou deixar vocês manterem isso. Tenho certeza de que vocês podem encontrar algum uso para ela." No começo, ele manteve o rosto em linha reta, ignorando Lily, e conduziu Jo sobre o limiar. A porta estava quase se fechando atrás deles quando houve uma pausa. A mão de Julian escorregou de volta através do buraco e Lily deu a peruca para ele. Então, sem uma palavra, ele fechou a porta. "Sabia que ele ia querer." Lily fechou a porta atrás deles e apoiou as costas contra ela. Ela tinha deixado o gorro preto no club. Seu cabelo loiro foi repartido ao meio, caindo sobre seus ombros. Sua camisa preta apertada tinha levantado no lado esquerdo, revelando uma pequena lasca de pele bronzeada acima de seu jeans. Esse pedaço de pele me chamou. Deixei meu copo sobre a mesa no foyer e me aproximei. "Eu ainda cheiro a fumaça também?" Ela perguntou quando envolvi minhas mãos em volta de sua cintura. Mergulhei para baixo e enterrei meu rosto em seu cabelo. Cheirava como seu xampu, um aroma tropical preenchido com cocos e brisa do mar. "Você cheira a Lily." Ela sorriu contra meu pescoço, e em seguida sua língua deslizou para fora e lambeu a minha pele. "Você tem gosto de Dean." Eu ri e dei um passo atrás, forçando-a junto comigo. Fizemos isso devagar até meu quarto, parando ao longo do caminho para que ela pudesse arrancar minha camisa no corredor. Tirei a calça jeans na


escada e ela montou em mim na porta do meu quarto, curvando seus quadris contra mim até que perdi a noção de onde estava indo. Nós deveríamos ir para o banheiro lavar o club de strip fora de nós, mas, ao invés disso, fomos para cama e caímos no edredom. Ninguém tinha controle de mim do jeito que Lily tinha. Coloquei-a de volta na minha cama enquanto ela rolou pra cima de mim, seu cabelo fazendo cócegas no meu peito. Ela era uma força da natureza, um tornado, um turbilhão que me fez sentir leve e livre em um minuto e me bate em um tronco de árvore a 130 milhas por hora. Deixei-a segurar minhas mãos para o lado. Deixei-a pensar que tinha o controle pela primeira vez. Eu tinha um sorriso estúpido no rosto enquanto ela beijava seu caminho pelo meu peito. No interior, o meu coração se revirou, me avisando para proceder com cautela. Isso era perigoso. Ela era perigosa. "Dean?" Ela perguntou, olhando pra mim com seus olhos castanho mel. "Eu estou realmente feliz que você estava lá me ajudando essa noite." Ela estava se abrindo pra mim, confirmando com suas palavras o que estava me mostrando com seu corpo. "Nós somos a equipe perfeita," ela disse suavemente. Eu poderia lidar com o tigre Lily, a feroz mulher independente que lutou comigo cada polegada do caminho, mas isso? A menina vulnerável se abrindo enquanto deitava nua em meu peito? Ela assustou a merda fora de mim. Eu tinha objetivos. Tinha restaurantes para abrir. Tinha listas do que fazer, e Lily iria ficar no caminho disso. Lily não seria uma adição fácil para a minha vida. Ela não iria apreciar o tempo que lhe daria. Ela exige tudo de mim, cada onça, sugando meu foco longe do meu trabalho até eu me sentir mal por isso. O amor muda uma pessoa. Eu não podia deixar Lily entra na minha vida e mudar o centro de mim. A necessidade de mais estava


sempre lá, pendurada na borda da minha mente. Quando tinha um longo almoço ou dormia quinze minutos a mais depois do alarme tocar, me empurrava para conquistar mais para compensar o tempo perdido. Eu tinha o mundo pra conquistar e Lily só ia ficar no caminho disso... Levei meu tempo para tomar banho, tentando reunir a inteligência que Lily tinha roubado durante a última hora e meia. A água quente queimava a pele em meus ombros, mas apreciava a sensação até que a água veio fria. Só então saí e enrolei a toalha em volta da minha cintura. Passei minha mão através do vidro embaçado e encontrei o olhar de Lily no espelho. Eu queria mais tempo longe dela, mais tempo para me reagrupar. Ela estava em pé na porta do banheiro, segurando um convite folheado a ouro com uma mão e a toalha sobre seu corpo com a outra. "O que é isso?" Ela perguntou, virando-o em sua mão. Era um convite para Beard Awards, essencialmente, o Oscar do mundo dos alimentos. Eu tinha trabalhado pra caramba durante anos para ser notado na comunidade e, finalmente, pela primeira vez, estava nomeado para um prêmio: Outstanding restaurateur. Só para ser nomeado era uma honra além de qualquer coisa que pudesse compreender, mas tinha segurado a realização perto do meu coração. A nomeação não foi uma vitória. "É um convite para o Beard Awards," eu disse, estendendo a mão para a minha escova de dentes. Os olhos dela se arregalaram em sua compreensão sobre o convite. Ela sabe o quão importante a cerimônia é. "É na próxima semana e você não retornou do seu RSVP." Dei de ombros. "Eu não acho que eles vão se importar. Sou um convidado de honra." Ela levou o convite e o colocou no balcão do banheiro, encontrando meus olhos no espelho.


"Você quer que eu preencha para nós e os envie?" Para nós. Lily tomou esse cartão em branco como se fosse para preencher para si mesma. Ela achava que eu iria levá-la porque pensou que éramos uma equipe; ela disse isso a si mesma. Olhei no espelho e vi seus olhos transbordando de esperança por nós; eu não poderia imitar seu sentimento. Onde ela sentiu esperança, só senti medo. "Eu estou indo sozinho."


CAPITULO 44

Lily Minha cara ardeu como se tivesse levado um tapa. Estendi a mão para meu rosto, apenas para verificar, mas não havia nenhum dor, só calor, brasa. O rubor espalhou-se de meu rosto para baixo sobre meu pescoço enquanto Dean estava de costas pra mim, encontrando meus olhos no espelho e me desafiando a empurrar seu comentário. Fiquei ali, em sua toalha, em seu piso de ladrilho frio. Eu estava nua com o aroma de seu banho girando em torno de mim. Virei-me no meu calcanhar e encontrei meu jeans, puxando antes de encontrar o resto da roupa. Escorreguei em meu sutiã e puxei minha camisa de volta no lugar. Meu cabelo ainda estava encharcado e escoou para baixo na parte de trás da minha camisa preta, congelando meus ossos. Dean chegou a ficar na porta do banheiro com a toalha pendurada baixo em seus quadris. Ele cruzou os braços e virou seus olhos escuros em mim. Na luz, quando o sol pega neles, seus olhos se tornam marrom dourados, tão brilhante que eu tinha que desviar os olhos. Nesse momento, na penumbra de seu quarto, eles eram pretos assustadores, sem emoção, e frios. "Lily, nós estamos inventando à medida que avançamos. Eu nunca fiz nenhuma promessa. Você mesma disse, essa coisa entre nós era só sexo." Sua voz soava morta e meus olhos ardiam com lágrimas não derramadas. Eu não queria que ele falasse e, certo como a merda, não queria ouvir suas explicações. "Você vai encontrar um homem melhor do que eu." Olhei para o chão e pisquei as lágrimas ameaçando derramar. "Você acha que esta é


uma vida, Dean? Você acha que esses restaurantes vão fazer você feliz? Um dia você vai acordar e perceber que está completamente sozinho, e seu interior vai torcer com pesar. Nenhum homem é uma ilha. Nem mesmo você." Dei um passo em direção a ele e apontei o dedo para seu peito. Sua mandíbula apertada, mas ele se manteve firme, comprometido com sua decisão. "E sabe de uma coisa? Vou mudar. Não estou esperando por você, Dean Harper. Não estou implorando para mudar ou ficar em pé esperando enquanto você finge que as últimas semanas não têm sido as melhores semanas da sua vida. Desafiador, sim, mas não me diga que você trocaria. Então divirta-se em sua cerimônia de premiação. Tenho certeza que você vai se sentir bem em estar no palco sozinho com um bando de estranhos batendo palmas para você." Eu me virei e ele ficou naquela porta. Saí de seu quarto, desci as escadas e saí pela porta da frente, e ele ficou parado, observando-me sair de sua vida como se fosse a coisa mais fácil que já tinha feito. Segurei o fato de que eu não tinha chorado na frente dele. Me convenci de que os insultos que tinha arremessado tinham sido bem redigidos. Eu queria que minhas palavras farpadas fossem afundar e apodrecer dentro dele. Ainda tinha mil coisas que queria gritar, mas terminou. Dean estava em sua casa e eu estava andando sozinha pra casa com os cabelos e rosto molhados. Saltei do metrô e ignorei os táxis. Andei até que meus pés doessem e usei a queimadura em minhas pernas para me distrair da queimadura em meu coração. Meu telefone ficou em silêncio todo o caminho de casa. Não há mensagens de texto, sem telefonemas. Dean não saiu atrás de mim e não se importava o suficiente para saber se cheguei em casa bem.


Fiquei aliviada ao encontrar o apartamento vazio. Rasguei minhas roupas, joguei-as no lixo no caminho para o banheiro. Elas estavam suadas e cheias de memórias que eu queria apagar pela manhã. Liguei o chuveiro e entrei. Apertei xampu sobre meu couro cabeludo uma vez, e em seguida, novamente, tentando eliminar o cheiro de Dean. Eu me ensaboava na lavagem do corpo a partir do topo da cabeça até as pontas dos meus dedos dos pés e deixei isso se prolongar antes de me afastar da água fervente. Trouxe meu braço para meu nariz e cheirei, sentindo meu coração quebrar quando ainda o sentia lá. Seu perfume masculino dominando minha lavagem com o floral. Chorei e raspei minha pele, deslizando até o chão do chuveiro. Meus dedos esfregaram furiosamente enquanto deixava suas palavras me assombrar. 'Eu nunca te fiz nenhuma promessa.' Apesar de todo progresso que tinha feito, ele ainda nos tratou como um contrato que não tinha sido assinado. Chorei e deixei misturar a água com minha lágrimas. A mistura salgada desapareceu pelos meus lábios enquanto estava enrolada como uma bola. Eu só queria tirar seu cheiro de cima de mim. Queria tirá-lo de cima de mim. Queria que ele se fosse.


CAPITULO 45 Dean Eu deixei Lily sair do meu apartamento e fiquei ali congelado. Estava empurrando-a para longe; eu sabia, e não conseguia parar. Lily era uma distração no melhor e um passivo, na pior. Teria pego pistas de que algo estava errado com Hunter, se Lily não tivesse absorvido a minha atenção durante as reuniões de equipe. Olhando para trás, tinha havido muitos sinais de que Hunter não tinha sido bom. Ele tinha trabalhado no final, mas eu não iria cometer o mesmo erro duas vezes. Por enquanto, meu foco permaneceria no trabalho. --Lily tinha saído da minha vida a semana antes e eu tinha trabalhado mais esses sete dias do que tinha em meses. Tinha trabalhado até tarde todas as noites e teria continuado assim para sempre, mas o prêmio não era um evento para pular. Cada chef superior, restaurador, crítico de comida e jornalista estava presente, amontoados em pequenos assentos de veludo vermelho aguardando o momento em que a cerimônia de premiação desse lugar à hora do coquetel. Nós todos ficamos por uma ou duas horas beijando o inferno fora de qualquer pessoa que conseguisse prender por minuto, mas espero que esteja vestindo uma medalha James Beard em volta do pescoço por isso. Nós já tínhamos sofrido com a maioria dos prêmios, merda como Outstanding Baker e do programa de vinhos. Eu mexia na minha cadeira e ignorei as duas pessoas sentadas ao meu lado. De acordo com o programa, o meu prêmio seria o próximo, e, de repente, era impossível


ficar parado. Uma mulher bonita com escuros traços exóticos saiu para o palco para anunciar os nomeados. A reconheci vagamente de um programa de culinária, mas havia muitos para manter o controle de saber com certeza. Ela ficou atrás do microfone com um envelope folheado a ouro segurando debaixo de suas unhas vermelhas. "Os nomeados para o prêmio James Beard de melhor restaurante são três indivíduos que, cada um, tem um dedo no pulso da cozinha americana. Estes três indicados estabeleceram alta nacional nos padrões em operações de restaurantes e empreendedorismo." Arrumei minha gravata borboleta e inclinei-me no meu lugar. Sabia que o câmera man estava com o flash no meu rosto através dos ecrãs gigantes que ladeiam o palco, mas não colei um sorriso falso. Estava muito focado nas palavras do locutor. "Nosso primeiro candidato é Rob Villarreal. Rob abriu inúmeros restaurantes bem sucedidos no coração de Seattle. Seus restaurantes são jovens e cheio do espírito da cidade." Rob Villarreal tinha investido em Starbucks cedo e usou seu dinheiro para abrir restaurantes de merda. Se vencesse, eu nunca beberia Starbucks novamente. "Nosso segundo candidato, Victor Keller, estabeleceu-se como o deus do restaurantes de Las Vegas. Ele opera cinco restaurantes ao longo da strip, uma das quais, La viva, o colocou no top 50 dos restaurantes no mundo três anos consecutivos." Victor Keller foi um Hack. Ele tem o nariz tão longe no cu do mundo dos restaurantes, era uma maravilha que ele não tivesse aparecido na premiação com o olho de rosa. "Nosso indicado final, Dean Harper, é um restaurador para frente e subindo, deixando sua marca em NY em um restaurante inventivo de cada vez. Em um clima onde a maioria dos restaurantes contam com


sufocar tradições ou truques chamativos, ele se concentra em sabores inovadores,

frescos

e

design

contemporâneo

para

definir

seus

restaurantes para além da concorrência." Meu coração estava batendo no meu peito enquanto ela rasgou o envelope. Queria apertar a mão de alguém, mas a mãe asiática à minha esquerda estava olhando para seu programa e o homem à minha direita estava muito ocupado verificando seu Iphone para notar os meus nervos. "E o vencedor do James Beard Award para Outstanding Restaurateur vai para..." Ela sorriu e fez uma pausa para fazer contato visual com o público. Eu ia ter um ataque cardíaco se ela não dissesse o nome em breve. "Dean Harper! O mais jovem vencedor do prêmio Oststanding Restaurateur na história!" Pisquei. E pisquei novamente. Apertei minhas mãos em punhos e sentei congelado. A câmera deu um zoom em meu rosto para que todos na casa de ópera tivessem uma visão de perto dos meus olhos arregalados. Eu estava atordoado e não havia ninguém para me empurrar para fora do meu assento ou beijar minha bochecha quando fiz o meu caminho para o palco. Levantei-me e passei pelos participantes na minha linha. Alguns deles me deram um tapinha no ombro, mas ninguém ofereceu palavras de encorajamento reais. Subi as escadas do lado do palco e fui recebido por um jovem esperando para colocar a medalha de prata pesada ao redor do meu pescoço. Minhas mãos tremiam e minha testa estava coberta de suor quando a magnitude da realização bateu. Eu era o mais jovem vencedor do prêmio. Sou o mais jovem dono de restaurante de maior sucesso nos Estados Unidos. Engoli esse pedaço de sucesso. O


prêmio era tudo que tinha trabalhado desde que deixei minha família em Iowa. Era o auge do sucesso e, quando inclinei para me abaixar para deixar o jovem deslizar a medalha no meu pescoço, olhava para o palco preto e centrei na emoção dominando todos os outros: arrependimento. Limpei a garganta e falei no microfone, olhando o brilho das luzes que irradiavam para baixo de mim. "Este prêmio é um reconhecimento de realização culinária, não habilidade em discursos, por isso vou manter isso curto." A multidão riu, bem humorada. "Eu nunca pensei que iria encontrar grande sucesso em um mercado como a cidade de NY. Lutei com unhas e dentes para os melhores chefs e as melhores pessoas. No final, olho para trás, nas longas noites e fins de semana perdidos e posso dizer, honestamente..." Fiz uma pausa e olhei para minha medalha brilhando nas luzes da casa de ópera, e senti a minha voz começar a tremer. Tentei limpar a minha garganta novamente. "Posso dizer honestamente..." Não valia a pena. Nada disso valeu a pena. Dei um passo para trás, encontrei o olhar da multidão e deixei a minha sentença em suspensão. "Obrigado." A multidão não bateu palmas de imediato; eles estavam esperando para a segunda metade da minha frase, mas ela nunca veio. Eventualmente, depois de uma longa pausa, a orquestra começou a tocar e a casa de ópera se encheu de luz e música feliz. Virei-me e deixei a apresentadora me levar pros bastidores. Ela estava ocupada me felicitando e jorrando sobre o quão animado devia estar me sentindo. Eu queria me livrar do aperto que ela tinha em meu ombro. Queria que ela me deixasse em paz para que pudesse ter um segundo para perceber que, onde deveria ter sentido a felicidade absoluta, só senti tristeza. Parecia que eu tinha levado um soco no estômago e o sentimento não estava desaparecendo. A ameaça de


lágrimas me forçou ir ao banheiro atrás do palco. Botei pra fora como estava sobrecarregado com o prêmio e ninguém me incomodou. Ninguém pensou duas vezes sobre o homem emocional com sua medalha estupida brilhante e sua garganta se fechando rapidamente. Apoiei minhas mãos no balcão do banheiro e a medalha ressoou contra o granito. Nada disso fazia sentido. O sentimento fora de controle que eu tinha na última noite que estava com Lily era suposto ter desaparecido no momento em que a empurrei para fora da minha vida. A ideia era simples: senti como se estivesse no banco do motorista antes dela, então, quando a empurrei para longe e ela se foi, eu recuperaria esse controle. "Sensação louca, não é?" Olhei para cima para ver um homem mais velho em um smoking equipado lavando as mãos na pia ao meu lado. Ele também usava uma medalha de James Beard em volta do pescoço e o reconheci como o vencedor do prêmio Oststanding chef. "Sim, louco." Ele sorriu "Sua família está aqui esta noite?" Perguntei. Sua testa franziu por um momento e então ele encontrou meu olhar no espelho. "Não. Eles ficaram para trás, na Inglaterra, quando me mudei para os Estados Unidos para o trabalho a alguns anos atrás.” "Você não sente falta deles?" "Tenho certeza que você me entende melhor do que ninguém," respondeu ele. "O mundo da culinária não é um campo para aqueles que querem uma cerca de piquete e crianças de dois anos e meio. Trabalhamos noites e fins de semana e os nossos dias são passados sonhando com a próxima grande ideia. Não há tempo para muito mais." Ele sorriu como se estivesse orgulhoso do homem que era, o homem que iria deixar sua família para perseguir seus próprios sonhos egoístas. Eu pensava que queria ser um homem como ele, mas minha vida não


seria desperdiçada nos escritórios de trás de um movimentado restaurante. Não mais. Quando saí do banheiro alguns minutos depois, me senti mais leve do que tive em anos. Eu tinha deixado o peso da medalha na pia do banheiro, e o peso de antigos sonhos ao lado dela.


CAPITULO 46 Lily Eu tinha muito orgulho para chamar Dean, mas o amava o suficiente para enganar o meu caminho, para ir a sua cerimônia de entrega de prêmios. Debrucei-me contra a parede traseira, fora do caminho de todos quando a cadela magra no palco lia as descrições para os três indicados. Pensei que ela sorriu extra largo enquanto lia as realizações de Dean, mas estava longe demais para saber com certeza. Com um movimento de seu pulso, ela rasgou o envelope e prendi a respiração. Eu queria que ele ganhasse. O odiava com cada osso do meu corpo, mas queria que ele ganhasse. "Dean Harper! O mais jovem vencedor do prêmio Outstanding Restaurateur na história!" Ele estava tão chocado, tão bonito e tão sozinho quando tomou essa fase. Meu coração afundou quando ele agarrou a medalha na mão. Ele deveria estar exaltado, mas sua voz soou plana sobre o microfone como se estivesse lendo fora de um discurso de despedida em um funeral. Mordi meu lábio inferior. Eu não queria estar certa sobre o que disse, Dean estaria sozinho, que ninguém estaria lá para felicitá-lo ou segurar sua mão. Falei para ele num momento de fúria, mas agora as minhas palavras estavam se tornando realidade. Dean não tinha ninguém para parabenizá-lo. Ninguém que importava. Ele ofereceu à multidão um sorriso pequeno e apertado e, em seguida, saiu do palco após o discurso mais curto da noite. O locutor consideravelmente o seguiu, tentando manter-se num ritmo rápido. Ele desapareceu por trás do palco e me mudei para segui-lo. Estava em um longo vestido que peguei emprestado de Jo, e tinha poupado o tempo para fazer meu cabelo e maquiagem. Ninguém virou o olho pra mim


enquanto eu varria a cortina e entrava nas profundezas da casa de ópera. A barriga do edifico era nada comparado com o ornamentado detalhamento no auditório. O backstage consistia de um corredor preto e estreito ramificando-se para quartos separados a cada poucos pés. Um sinal apontou na direção do palco e outro a sala de mudança das mulheres. Passei algumas portas pretas indescritíveis e, em seguida, ouvi a voz de Dean sobre o som de água corrente. Outra voz atravessou a porta, mas não conseguia entender a conversa. Empurrei o ouvido na porta e tentei em vão ouvir através da madeira grossa. Era inútil, a não ser, é claro, que eles tivessem realmente dizendo "geri ggfffnj hrjt hempjhr". Nesse caso, eu poderia ouvi-los perfeitamente. Um momento depois a água foi cortada e passos ecoaram no outro lado da porta. A alça se virou e a porta se abriu. Eu pulei, girei e tentei alisar meu corpo contra a parede como uma panqueca, mas a porta veio direto para mim. Coloquei meu pé e segurei antes de quebrar meu rosto. A colônia de Dean me bateu primeiro, rolando uma onda de nostalgia sobre mim. A última noite que dormi com ele, ele me prendeu a sua cama com o rosto pressionado contra a curva do meu pescoço. Estávamos tão perto que era sufocante e respirei fundo, enchendo os pulmões com o cheiro dele até que tomou conta de mim. Talvez, se eu soubesse que seria a última noite em sua cama, teria respirado um pouco

mais

profundo,

tentando

encher

meus

pulmões

até

eles

queimarem. Seu perfil passou por mim e avistei sua forte mandíbula, nariz reto e sobrancelhas franzidas. Ele era uma visão em seu smoking preto. Seus ombros largos preenchendo o casaco e as calças pretas afuniladas para baixo em suas longas pernas. Ele não me viu quando passou. Ele já


estava a meio caminho do corredor quando a porta se fechou com um baque pesado. Passaram-se alguns minutos mais tarde, quando eu disse a mim mesma que tinha que passar, que percebi que o peito estava descoberto. Ele tinha deixado a medalha no banheiro. Por quĂŞ?


CAPITULO 47 De: Dean Harper Para: Lily Black, Julian Lefray, Zoe Davis Assunto: IvY & Wine Parece que Hunter aposentou o mundo dos restaurantes para seu bem. Coloquei uma oferta sobre o edifício onde ele estava planejando abrir Ivy & Wine. A equipe de construção já está a meio caminha através da construção do restaurante que nós projetamos. Talvez devêssemos enviar-lhe um obrigado? D. Harper

De: Julian Lefray Para: Lily Black, Dean Harper, Zoe Davis Assunto:Re: Ivy & Wine ;) Uau. O plano de Lily efetivamente funcionou. E bastou a minha namorada virar acompanhante! J

De: Zoe Davis Para: Lily Black, Dean Harper, Julian Lefray Assunto: Re:Re: Ivy& Wine


Eu

fui

pela

construção!!!

Hunter

realmente

acabou

ajudando-nos uma tonelada. Esse espaço será concluído em poucos meses. Se der tudo certo, podemos abrir no início do próximo ano. Zoe

De: Dean Harper Para: Lily Black, Julian Lefray, Zoe Davis Assunto: Re: Re: Re:Ivy & Wine Estão todos disponíveis para reunião essa semana? Eu tenho uma lista de duas milhas de comprimento de merda que precisa ser feita. D.Harper

De: Lily Black Para: Julian Lefray, Zoe Davis, Dean Harper Assunto:Re:Re:Re:Re: Ivy & Wine Fico feliz que deram o espaço. Estou com tempo apertado, assim, alguém poderia tomar notas e enviar por e-mail o que vocês discutirem na reunião? Obrigada. Lily Black ---


Lily "Fingir que está doente para que não tenha que ver Dean irá funcionar apenas por alguns dias." Josephine disse quando me empurra para fora da parte de trás do futon. Bato meu laptop fechado e lanço-lhe um olhar. "Eita. Foi muito?" Ela deu de ombros e voltou para a cozinha, onde estava a meio caminho de terminar de fazer manteiga de amendoim e geleia para um sanduíche. Aparentemente minha digitação tinha distraído ela de seu almoço. "Julian disse que Dean..." Levantei minha mão para silenciá-la. "Não ligo para o que Julian diz que Dean está fazendo. Não me importo se Dean está namorando Miley Cyrus ou pulando de um arranha céus porque quer me ganhar de volta. Eu não me importo. Obrigada." Ela sorriu e me olhou sobre o pote de manteiga de amendoim. "Eu não acho que o suicídio é o melhor caminho para recuperar a sua afeição. É uma espécie de contraproducente, você não acha?" Eu gemi e deslizei para baixo para que pudesse enfiar minha cabeça debaixo das almofadas. "Por favor, pare de falar sobre Dean! Preciso lembrá-la sobre a jarro Dean de novo?" Ela riu e eu sabia que ela estava olhando de relance para o recipiente de queijo vazio gigante que eu tinha identificado como 'JARRO DEAN' há poucos dias. Ele funcionava como um cofrinho: $1: referindo-se a falar da semelhança de Dean em uma maneira. $2: discutindo Dean nesse apartamento. $5: assistir qualquer programa de tv que tenha ator remotamente parecido com Dean. Os exemplos incluem: Homens com cabelos loiros.


Homens que vestem ternos. Homens que vivem em NY. Homens que são amáveis em um jeito áspero e arrogante. $1.000.000: Dizer merda como ‘Deixe lhe apresentar alguém'. Não quero um encontro. Quero apunhalar alguém. Se você me ver com um homem, vou esfaqueá-lo. O seu sangue estará sobre minhas mãos. Eu estava pensando em usar o dinheiro para comprar uma piscina cheia de sorvete. "Vejo que você adicionou um novo para lista hoje." Disse ela, caminhando ao redor do futon e empurrando minhas pernas para o lado para que pudesse sentar. $0,50: usar qualquer palavra que comece com 'D'. "Sim e você já quebrou algumas vezes," gemi, pegando sua bolsa. "Não é tão difícil, Jo." "Você não acha que está pedindo um pouco demais de mim?" "Jo,

eu

não

espero

que

você

entenda.

Você

está

vivendo

basicamente em um filme de conto de fadas com Julian. Você vive em um mundo de conto de fadas mágico onde não existem problemas reais." "Isso não é verdade. Ainda está manhã, um bug voou no meu nariz quando estava andando para o trabalho." "Você acabou de fazer?" "Quer uma mordida do meu sanduíche?" Ela perguntou, mudando de assunto. "Sim." "Devo apenas enfiá-lo debaixo do travesseiro e assumir que você vai encontrar?" "Sim." Mordi um pedaço do sanduíche que ela deslizou por baixo do travesseiro pra mim. Era suave e macio e me fez lembrar da minha


infância. Depois de escorregar outra mordida, Jo falou. "Você ainda está usando sua medalha?" A almofada do futon estava precionando a medalha fria contra meu peito. Era pesada e usava todos os dias, como um albatroz. Eu tinha pegado do banheiro da casa de ópera com a intenção de devolvê-la, certamente, ele não tinha a intenção de deixar isso pra trás, mas então deslizei em meu pescoço e o peso me fez sentir bem. A medalha representava tudo que Dean tinha lutado na vida e quando usava, fingia que estava incluída. "Não estou usando sua medalha, se é isso que você quer saber". "Lil, precisamos que você fique com alguém já, apenas para você se focar de novo." "SIM!" Eu gritei. "Sério, você quer encontrar com alguém?" "Claro que não, mas eu finalmente posso pagar minha piscina!"


CAPITULO 48

Dean Julian e eu estávamos no meio de um passeio de bicicleta na manhã de sábado, quando seu telefone tocou. Ele acenou para o lado da estrada. Nós pulamos para cima da calçada e retirei minha garrafa de água, engoli para baixo metade dela enquanto ele falava ao telefone. "Sim, eu posso estar lá em um segundo." disse ele. "Na verdade, estou de bicicleta bem ao seu lado agora." Ele piscou um sorriso de desculpas, mas dei de ombros. Se não fosse por Julian, eu teria vindo a trabalhar o meu caminho através de um monte de planos de construção. "Nós precisamos fazer uma pausa no passeio?" Perguntei quando ele desligou. Ele assentiu. "Josephine quer que eu vá dar uma olhada em sua máquina de lavar louça antes que ela chame a manutenção." Eu ri. "Você já fixou uma máquina de lavar louça antes?" Ele riu e pulou de volta em sua bicicleta. "Nunca. Meu plano é mexer nela algumas vezes e, em seguida, lhe dizer para fazer o pedido." Balancei minha cabeça e puxei para a estrada atrás dele. Ele se levanta e pedala rápido para definir o nosso ritmo e corri atrás dele, apreciando a falta de tráfego nos dias úteis. No momento em que cheguei ao complexo de apartamentos de Josephine, minhas pernas estavam em chamas. Tranquei minha bicicleta ao lado da de Julian e pensei em Lily. Foi um jogo alucinante, tentando me convencer de que eu e ela tínhamos acabado. Eu sabia que tinha arruinado. Tinha levado tanto tempo para descascar todas as camadas irritantes dela, controlando mais difícil para que pudesse pegar até mesmo um único vislumbre de seu lado


vulnerável, e nessa mesma noite, eu tinha tomado qualquer que seja desprezível quantidade de confiança que tinha ganhado e joguei pela janela. Ela não me daria uma segunda chance. Lily era inteligente demais para perder tempo com um cara que não têm suas prioridades em ordem. Segui Julian subindo as escadas até seu apartamento e debati se devia ou não esperar por ele lá fora. Eu não tinha visto Lily em duas semanas e ela deixou perfeitamente claro que não queria me ver. Seus emails sobre estar doente eram, obviamente, uma manobra para sair de ter de suportar uma estranha situação. Julian bateu à sua porta e respirei fundo. Meu coração estava disparado do meu passeio de bicicleta. Eu tinha pedalado rápido e é por isso que era difícil respirar. É por isso. Josephine abriu a porta e cumprimentou-nos com um sorriso que vacilou apenas por um momento quando me viu. "Dean! Eu não sabia que você estava com Julian." Julian mergulhou para baixo, lhe deu um beijo e entramos pela porta da frente. "Nós estávamos em um passeio de bicicleta quando você ligou," expliquei, examinando o apartamento de Lily. Era um pequeno espaço e levou apenas um segundo para perceber que ela não estava ali. Eu não tinha considerado o fato de que ela não estaria em casa e odiava as ideias que surgiram na minha cabeça do porquê ela não estava lá. Se ela tivesse passado a noite fora em algum lugar? Com o cara do encontro às cegas? Dei um passo mais para dentro do apartamento e vi um enorme frasco vazio com meu nome na bancada. Josephine pegou


minha linha de visão e correu em direção a ela, tirando dali antes que eu pudesse por fora todas as palavras. Eu sorri. Ela limpou a garganta e o escondeu da melhor forma que pôde. "Aquilo não foi nada. Apenas um... jogo mudo que estávamos jogando." Abri minha boca para tranquilizar a ela que não tinha visto tudo isso quando a porta da frente se abriu atrás de nós. "Jo, sei que eu disse que estava indo para executar recados, mas a padaria no andar térreo tinha uma venda de croissants, então tive que parar e conseguir alguma coisa." Nós três voltamos para a porta para ver Lily entrar no apartamento com um saco marrom cheio de croissants em seus braços. "E então eu não poderia continuar andando por aí com um saco de croissants, certo?” Ela deixou cair às chaves em uma pequena tigela pela porta, deixou cair o saco de padaria na mesa da cozinha, e em seguida congelou no lugar quando seu olhar encontrou o meu. "Que porra você está fazendo aqui?" Ela perguntou, estreitando os olhos com uma ferocidade que não tinha visto nas últimas semanas. Esqueci o quão rapidamente suas garras podem sair. Eu ri e então rapidamente roubei o som. Rir não iria fazê-la menos irritada, mesmo que ela tinha acabado de dizer algo engraçado. "Ele veio comigo,” Julian começou, pensando que poderia me jogar uma tábua de salvação. "E vim para ajudar a corrigir sua máquina de lavar louça," eu disse, cruzando os braços. Ela balançou a cabeça. "Nós não precisamos de sua ajuda." Fiquei olhando enquanto ela dançou até a máquina de lavar louça para provar sua afirmação. Ela trancou a porta, apertou alguns botões, e, em seguida, a máquina emitiu um ruído que parecia nitidamente como


a raspagem de metal contra metal. Eu me encolhi, uma vez que ecoou em todo o apartamento. Ela sorriu e me lançou um olhar. "É suposto fazer esse barulho." Ela faz uma pausa no ciclo, abre a porta e vira um garfo em três direções diferentes. "Viu? Está limpo." Segurei meu sorriso. Perdi tanto. Ela. A mulher de fogo que não tinha medo de me desafiar a cada passo do caminho. Ela me enfureceu, mas eu trocaria tudo para ter mais uma luta com ela, um brilho mais indignado de seus olhos castanhos brilhantes. "Lily, quer, ah, venha comigo para o banheiro rapidamente?" Falou Josephine com uma urgência clara na voz. Lily inclinou a cabeça, tentando juntar o que ela queria dizer. Josephine limpou a garganta e envolveu a mão em seu pescoço, esfregando pra frente e pra trás algumas vezes. Quando olhei de volta para Lily, seus olhos estavam arregalados. O aviso de Josephine clicou para ela ao mesmo tempo que notei uma fita familiar pendurada no pescoço dela. Ele mergulhou em seu top preto, escondendo de modo que não podia ver o fundo. Eu não precisava; reconheci a medalha de imediato. "Como

você...?"

Perguntei,

dando

um

passo

para

frente

e

estendendo a mão para ela. Lily deu um passo atrás. "Eu fui. Estava lá na cerimônia. Não para você especificamente," ela disse, engolindo seus nervos e tentando uma nova abordagem. "Vi você deixar a medalha." Eu sorri. "Você estava no banheiro?" Ela fechou os olhos e sacudiu a cabeça. "Não. Não é assim." Era isso, a única segunda chance que já comecei. Lily ainda se importava comigo. Ela se importava o suficiente para usar a minha medalha no pescoço.


A medalha e o jarro ridĂ­culo me disseram tudo o que eu precisava saber. Ela nĂŁo tinha acabado.


CAPITULO 49

Lily Eu estava fazendo o meu melhor para devorar o saco inteiro de croissants enquanto Josephine definia duas xícaras de café em nossa mesa da cozinha. "Será que você verificou com o convento na Suécia para ver se eles têm quaisquer abertura?" Perguntei, empurrando mais da massa folhada em minha boca antes de terminar a minha pergunta. Ela me estudou sobre sua xícara de café. "Você não é religiosa." "Eu poderia ser, Jo. Depois dessa tarde, estou disposta a tentar qualquer coisa." Balancei a cabeça. "Não foi tão ruim assim." HA. Eu olhei para ela. "Ele viu o JARRO. Ele me viu usando sua medalha como uma pessoa louca e em pânico!" "Ele não viu tecnicamente a medalha, somente a fita..." Baixei a cabeça para que minha testa descansasse contra a borda da mesa. "Jo. Ele correu para fora do apartamento tão rápido que pensei que haveria um buraco em forma de Dean na porta." Ela fez uma careta. "Eu não estou indo para dourar a pílula. Foi ruim, muito ruim, mas você ainda tem um trilhão de caras da cidade para um encontro. Só porque Dean acha que você é psicótica não significa que cada indivíduo vai achar." "Eu não quero até agora quaisquer outros caras." Doeu pior a cada vez que repetia na minha cabeça. Eu queria Dean. Queria um homem que agora, definitivamente, queria me trancar em uma instituição mental. Adorável.


--Em uma situação normal, eu iria através das fases de separação, dor e seguir em frente como se tivesse outro homem na minha vida. Primeira fase: comer um saco de croissants. Feito. Segunda fase: Tentar conseguir o papel de Bachelorette da próxima temporada. Os produtores nunca me encaminharam de volta. Terceira fase: Considere, mas na verdade não faça, uma grande mudança de vida... como uma argola no umbigo ou uma tatuagem. No final, me separei do meu cabelo um pouco mais para esquerda. Todos os três estágios foram completos, tinha sido três semanas desde que Dean tinha vindo e corrido para fora do meu apartamento, e eu ainda não conseguia parar de pensar nele. Já não usava a medalha, mas dormia com ela debaixo do travesseiro. Toquei todas as noites antes de ir dormir, apenas para confirmar que ainda estava lá. Como um rompimento de costume nos parte de várias maneiras, então se pararde ver um ao outro. Com Dean, não era possível. Ele ainda era meu chefe e eu ainda tinha que ver seu nome aparecer em meu e-mail todas as manhãs. Suas mensagens sempre pertenciam ao trabalho e sempre faziam meu coração afundar. Eu prendia a respiração, lia e, em seguida, passava meia hora para construir uma única frase que pensava que saía como partes iguais, mal intencionadas e distantes. Vê-lo em pessoa era o perigo real, algo que tentei o meu melhor para evitar, mas não podia mais adiar. Ele tinha agendado uma reunião para a manhã de segunda-feira. Zoe, Julian e eu estávamos sentados em seu escritório na parte de trás do Provisions, esperando por ele chegar e jurei que meus pulmões não estavam funcionando. "Está muito quente aqui para qualquer outra pessoa?" Perguntei, acenando com a mão na frente do meu rosto para obter algum fluxo de ar. Por que era tão difícil respirar?


Zoe olhou pra mim. "Você está meio estranha." "Não estou." Julian disparou um e-mail que estava digitando em seu telefone e angulou seu corpo em direção a mim. "Você está bem, Lil?" Não olhei em seus olhos. Eu não podia. Seria como olhar meu pai nos olhos quando estava à beira das lágrimas. As comportas abririam querendo ou não. "Sim, estou bem." O ar condicionado ligou e suspirei de alívio. Pelo menos eu não estaria suando baldes quando Dean chegasse. "Jo disse que ainda pode estar se sentindo doente," ele ofereceu. Nós dois sabíamos que doente era eufemismo. Dei de ombros. "Eu acho que vou ficar doente por um tempo." Zoe empalideceu. "Que diabos você tem? Ebola?" Eu ri. "Não." Comecei a esclarecer, e, em seguida, a porta do escritório de Dean abriu, então parei. Ele entrou... e eu podia ouvir meu coração batendo em meus ouvidos... e agarrei o braço da minha cadeira... e inalei seu perfume. Fazia três semanas desde que tinha sentido seu cheiro e nenhuma amostra de loja de departamento poderia comparar. Sabia que não iria durar mais um dia de trabalho com ele. Trabalhar com Dean tinha sido um sonho, mas agora parecia viver num pesadelo. Sua intensidade nunca o faria sem brilho. Seus olhos escuros nunca iriam clarear. Sua boca afiada nunca deixa de me surpreender. Tinha sido uma luta tola desde o início. "Lily," disse ele. Queria tanto não me apaixonar por ele. Queria tanto que não tivesse ignorado os sinais de alerta. Eu era a menina ingênua do Texas, varrida por um homem que nunca tinha pensado nela como um trampolim ao longo do caminho para o sucesso.


"Lily," Julian disse, apertando a minha mão na minha cadeira. Pisquei e olhei pra ele. "Dean está tentando chamar sua atenção e você está completamente alheia," ele disse com uma risada. "Já colocou o ebola pra fora?" Eu sorri sem entusiasmo e olhei para Dean, tentando proteger meu coração da melhor forma que pude. "Me desculpe por isso." Seu olhar escuro segurou o meu quando ele se inclinou sobre a mesa. Sua boca foi puxada numa linha fina. Ele era uma estátua de um homem, inflexível em seu núcleo. "Eu só preciso de você para ficar para trás após a reunião por alguns minutos. Tudo bem?" Balancei a cabeça, não porque apreciava a ideia de ter um tempo sozinha com ele, mas porque ele me daria a oportunidade perfeita para colocar no meu aviso de demissão de duas semanas de antecedência.


CAPITULO 50 Dean Lily fechou a porta atrás de Julian e Zoe, mas não se virou para me encarar. Nós estivemos lá antes, sozinhos no meu escritório. Era uma receita para o desastre, e nós dois sabíamos disso. Ela girou para mim lentamente, mantendo a preensão da maçaneta da porta atrás dela como uma tábua de salvação. Ela revirou os olhos e abri a boca para falar em primeiro lugar, mas ela me parou com um soco. "Eu gostaria de me colocar no meu aviso de duas semanas de antecedência." Eu respirei fundo, processando seu pedido. Ela quer sair? Eu balancei minha cabeça, apenas uma vez. "Não." Seus olhos brilhavam com uma nova fúria. "Não?" Olhei para baixo e comecei a percorrer o calendário no meu telefone. Tentei me concentrar numa data específica, mas continuei a percorrer os meses para o próximo ano. "Precisamos planejar um tempo para conhecer. A cozinha será concluída na próxima semana e estou trazendo Antônio." "Você não está me escutando," argumentou, liberando a maçaneta e se aproximando. Meu olhar subiu pra ela e seus olhos estavam focados, estreitando até que eu sabia que tinha sua atenção. "Sim, estou. Só estou te ignorando." Olhei de volta para meu telefone. "Eu não aceito sua demissão." "Que diabos” "Agora, que dia você pode encontrar para a amostra do menu? Segunda-feira?"


Ela parou do outro lado da minha mesa e colocou a mão sobre o meu telefone, bloqueando o calendário do próximo ano da minha vista. "Dean. Deixe-me ir." "Não." "Me despeça." Balancei a cabeça e apertei meu queixo para não dizer algo muito cedo. Ela deu um passo para trás e jogou as mãos em derrota. "Qual é o ponto disso? Você realmente me quer trabalhando para você ainda?" "Sim. Eu quero." Ela colocou o rosto entre as mãos e balançou pra frente e pra trás, tão derrotada. O que ela pensa? Que eu iria deixá-la se afastar de mim? Depois de tudo? Ela manteve minha maldita medalha em seu pescoço e vai desistir tão facilmente? "Segunda-feira às 17:00, me encontre no edifício onde Hunter ia abrir Ivy & Wine." Ela franziu as sobrancelhas, tentando mais duro para manter as lágrima na baía. "Por favor, não faça isso." Duas batidas soaram na porta fechada e um momento depois, a cabeça de Zoe entrou com a abertura. "Chefe, o encontro com o pessoal do Disposicion começa em dez minutos." Seu olhar desviou de mim para Lily, e então seu sorriso desapareceu. "Devo adiá-la?" Balancei a cabeça e virei a mesa, parando quando meu ombro roçou Lily. "Se você ainda quiser sair depois de segunda-feira, então vou respeitar sua decisão." Seus olhos castanhos de fogo se viraram para mim. Seus lábios estavam o mais próximo que tinham estado em semanas, vermelhos e inchados dela esfregá-los juntos. Foi doloroso manter a minha distância,


mas não ia reconquistá-la com um discurso meia boca no meu escritório. Ela merecia mais, e eu estava preparado para dar-lhe tudo o que tinha. "Eu não vou," disse ela, tão suavemente que Zoe não podia ouvir. Inclinei-me para ela, roçando a minha mão contra a dela e apertando uma vez antes de deixar ir. "Por favor."


CAPITULO 51 Lily Passei a semana inteira recebendo meus patos em uma fileira. Dean teria que me substituir e não queria torná-lo mais difícil para ele do que tinha que ser. Tudo o que estava trabalhando ‘menus sazonais, cocktail, listas de vinhos, menus de ideias e possíveis emparelhamentos’ agora eram ordenadamente digitadoS e salvoS em um pen drive. Eu não estava quase terminando com nada disso, mas tentei condensar as minhas ideias da forma mais sensata possível para que o seu próximo consultor pudesse pegar exatamente onde parei. Não tinha ideia o que faria para trabalhar. Teria gostado de encontrar outro trabalho de consultoria, mas sabia que não seria possível sem mais experiência. Eu poderia ter solicitado a Dean uma carta de recomendação, mas sou muito orgulhosa. Eu ia economizar, poupar e focar minha energia no meu blog um pouco. Se o tráfego da web para os comentários começassem a decolar, geraria um pouco de renda, e, entretanto, há sempre o bartender. Não ia estimular o trabalho, mas as dicas que ajudam a sustentar até eu descobrir o que faria. "Então o que você vai fazer essa noite?" Josephine perguntou quando saiu do banheiro, decorada em um vestido assassino. O material liso foi arejado e oscilou de um lado para outro enquanto ela caminhava em direção à mesa da cozinha. Ela pegou um par de brincos, deslizando o primeiro enquanto me avaliava do futon. Levantei meu laptop. "Trabalhando." Ela arqueou uma sobrancelha escura e em seguida, assentiu. "Revisões do restaurante?" Balancei a cabeça, olhando para baixo, para o cursor a piscar do meu laptop. Comecei a escrever uma sentença trinta minutos atrás e


ainda tinha que terminar. La Patisserie é... é o quê? Um bom restaurante? Um mau restaurante? Aparentemente, eu não poderia mesmo chegar tão longe. "Está indo muito bem," menti. Ela assentiu com a cabeça, me entregando. "Então, você não está indo?" Ela nem sequer precisa esclarecer onde. Na noite anterior, ela tinha falado na minha orelha sobre o porquê deveria dar a Dean outra chance. Não concordo. Dean e eu não éramos um casal. Eu tinha usado o meu coração na manga e tinha terminado queimada. Fim da história. Sem epílogo, sem encore, sem segundas chances. "Eu te amo, mas acho que você está cometendo um grande erro," disse ela, colocando sua bolsa debaixo do braço. Deixei minha cabeça cair para trás contra o futon. "Você está muito bonita." Ela revirou os olhos, irritada comigo por ignorar seus protestos. Não faria nenhum bem para ela se manter me atormentando. Quanto mais ela me dissesse para ir, mais queria ficar. "Não importa, de qualquer maneira. Já são 19:00. Ele não está mais lá." "Então você esqueceu-o?" Perguntou ela, uma expressão azeda estragando suas feições bonitas. "Não o torne mais dramático do que é, Jo." Ela balançou a cabeça, mas eu podia ver a tristeza lá. Poderia dizer que ela queria perguntar mais, me empurrar a lutar por ele, mas ficou quieta quando se arrumou. Ela estava indo para a porta, indo ver Julian para um encontro, quando percebi uma coisa. "Você sabe, Jo, sempre pensei que quisesse um relacionamento como você e Julian, mas não. Não quero que seja assim tão fácil. Eu odiava Dean tanto quanto o amava. Quão torcido é isso?"


Ela apertou os lábios e seu olhar triste bateu no chão antes de olhar para mim. "No início, eu pensei que vocês dois queriam destruir um ao outro." Olhei para onde sua medalha estava na nossa mesa de café. Estava sempre perto de mim, sempre me lembrando do que quase tive. "Eu acho que não foi muito longe." Nunca respondi e ela foi para seu encontro. A porta se fechou, deixando-me em silêncio, e me acomodei no futon. Não havia nenhum ponto de em na segunda, adivinhando a minha decisão. Eu não tinha mentido para Josephine. Dean tinha me pedido para encontrá-lo duas horas mais cedo, não fui, e era isso. Peguei uma revista e cobri sua medalha, colocando a fita por baixo para que estivesse completamente fora de vista. Peguei meu laptop e puxei o meu blog de restaurante favorito. Era inútil tentar me forçar a trabalhar. Só queria me distrair até que estivesse cansada o suficiente para dormir. O blog, Novo em Nova York, destacou restaurantes e notícias de última hora antes de mais ninguém. Normalmente, as mensagens me interessavam, mas eu estava quase no meio da página da frente quando um post me chamou a atenção. Mais especificamente, uma foto chamou minha atenção. Era uma imagem vista da rua do edifício que Dean tinha comprado de Hunter. A construção estava mais a frente, mas era definitivamente o mesmo lugar. Rolei de volta para o topo do post e comecei desde o início. Melhor grupo de Manhattan vai abrir Lírio Fresco nos altos de ganhar o prêmio James Beard de Melhor Restaurateur, Dean Harper está programando abrir seu novo restaurante, Lírio, no próximo mês. Nós não temos sido capazes de definir detalhes sobre o menu ainda, mas, com um nome desses, só podemos esperar que terá um alargamento espanhol. Tapas e margaritas, alguém?!


Conseguimos tirar essa foto da parte externa do restaurante, mas as janelas estão tapadas durante a fase de construção do interior. Sorrateiro, sorrateiro. Assim que tivermos mais detalhes, vamos ter certeza de passálos! Além disso, para ajudar-lhes a pesquisa do Google, Lírio traduzido para Inglês significa Lily. Dean Harper é um solteirão notório, por isso não temos ideia de onde veio o nome. Sua avó? Uma amiga? Por favor, não me diga que é sua NAMO” Comecei o artigo novamente, desta vez li cada palavra o mais lentamente possível. Dean estava abrindo um restaurante e estava colocando meu nome. Ele estava colocando meu nome. Bati meu laptop fechado e atirei-me para o futon. Girei em um círculo, tentando pensar no que fazer primeiro. Eu estava vestindo uma camisa sem sutiã. Merda. Joguei meu pijama e vasculhei meu armário, tentando encontrar uma única camisa limpa. Não tinha tido energia para lavar as roupas. Peguei um vestido preto e puxei pela minha cabeça, em seguida, o puxei para botar um sutiã. Eu tinha minhas chaves nas mãos e minha bolsa sobre meu ombro quando voei pela porta da frente. Não foi até que estava no meio da escada que percebi que não estava usando sapatos. "Merda!!!" Gritei, virando e correndo de volta para meu apartamento. Isso foi o mais próximo de Dean ter um compromisso, e eu não tinha sapatos. Precisava encontrá-lo. Precisava pedir desculpas por tudo e precisava encontrar alguns sapatos malditos! Já era 19:30. Dean definitivamente não estava mais no restaurante, por isso, fui na direção de sua casa. Não quero esperar um táxi, então fui a pé, meus sapatos dando tapas no concreto quando fiz uma corrida para ele. Virei a esquina e saí pela calçada, quase batendo em uma menina e estragando sua casquinha de sorvete. "Cuidado!" Ela cuspiu quando passei por ela.


"Cuidado você!" Eu gritei de volta. Não estava tomando merda de ninguém. Tinha que atravessar a cidade e não podia perder um único segundo. Correr era uma terrível escolha para Manhattan. Sabia que ia ter curativos em bolhas para os próximos dois anos. "Oh Deus, eu não vou conseguir fazer isso," assobiei, encostando a uma parede de tijolo e tentando recuperar o folego. Eu estava quase lá, mas meu coração estava indo para parar se continuasse correndo. Virei-me para o lado e vi meu reflexo na janela do edifício. Puta merda. Não é bom. Eu não tinha colocado maquiagem naquela manhã ou lavado meu cabelo na noite anterior. Não que isso realmente importasse; a maioria dos fios loiros estavam pegajosos de suor e presos na minha testa em uma espécie suja de se olhar. Minhas bochechas estavam vermelhas e meus olhos estavam arregalados, isto pode soar bonito, mas não era. Meu vestido preto estava preso ao meu peito com suor, mas, felizmente, o tipo de cor escura escondia minha falta geral de higiene. Obriguei-me a ignorar minha aparência e continuei. Empurrei para fora da parede e respirei fundo. A casa de Dean era apenas algumas quadras de distância. Estou quase lá.


CAPITULO 52 Lily Toquei a campainha duas vezes e, em seguida, bati com meu punho. A luz ligou no foyer e, em seguida, a porta laqueada preta se abriu. Ele estava do outro lado, sem camisa e em silhueta pela luz atrás dele. Seus cordões da calça preta foram desamarrados e solto em torno de seus quadris, claramente, ele não sabia o protocolo apropriado de como responder a uma porta. "Você chegou tarde," disse ele, tomando cuidado para manter a emoção para fora de sua voz. Dei um passo para trás antes de encontrar seu olhar. o vi zangado antes, em várias ocasiões, mas nunca o tinha visto derrotado. Seus olhos eram suaves, seus lábios estavam inchados e suas sobrancelhas estavam franzidas não com raiva, mas com dor. "Você nomeou-O com meu nome," eu disse, quase um sussurro. Ele engoliu em seco lentamente e então assentiu. "E cada prato único foi inspirado por você, e cada vinho tem o seu gosto, e todos os quadros pendurados nas paredes foram encomendados em sua honra." "Dean” "Pena que você perdeu." "Mostre-me," eu implorei. Ele deu um passo para trás. "Eu acho que ficou bom." "Dean. Mostre-me." Ele riu, mas era um som oco, algo que eu nunca queria ouvir novamente. "Antônio está desaparecido. A comida está na cozinha do restaurante, fria e esquecida." Mudou-se para fechar a porta, mas coloquei minha mão para bloquear seu caminho. Se ele fechasse, cortava minha mão. Eu não ia


me colocar contra ele, mas tinha que tentar, pelo menos tentar impedilo. "Dean. Por favor, me leve para Lírio." Uma pequena faísca iluminou por trás de seus olhos tristes. "Eu esperei lá por duas horas. Sentei-me no restaurante sozinho, esperando que a porta se abrisse. Você nunca apareceu e é tarde demais pra voltar atrás agora." Eu podia ver perfeitamente o vislumbre de esperança em seus olhos. Ele pensou que iria me mostrar. Qual era a sensação de colocar a comida fora da geladeira depois de esperar lá sozinho durante duas horas? Eu queria envolver meus braços em torno dele e fazer as pazes, mas sabia que ele iria se afastar. Nós não funcionamos como pessoas normais. Éramos teimosos e orgulhosos. Sabia que tinha de trabalhar para seu perdão, então dei um passo para trás e, em seguida, estiquei a mão para o corrimão em seu alpendre. Usei-o para me guiar para baixo nos passos para trás. Todo o tempo, ele estava em sua porta, à beira de me excluir de sua vida para sempre. Continuei andando para trás, mantendo os olhos sobre ele até que estava no meio da calçada. Então, atirei meus braços ao meu lado e gritei no topo dos meus pulmões, "Sinto muito! Eu sinto muito! Você me ouve NEW YORK CITY?!" Eu me virei em um círculo e gritei para as casas em volta de mim. "Errei com um homem maravilhoso e eu peço DESCULPA!" Um alarme de carro saiu algumas ruas mais e juro que ouvi um grito de gato com aborrecimento para baixo no bloco. Parei de girar e caí minhas mãos de volta para meus lados, de frente para Dean com absoluto abandono. "Sinto muito," eu disse mais um vez, só para ele. Foi sincero e real e foi o melhor que pude fazer. Nós ficamos congelados, olhando um para o outro. Ele manteve sua posição na porta e fiquei fora, dando-lhe espaço. Pensei que ele iria se


virar e ir. Depois de tudo o que colocar um através do outros as chances de ele me amar do jeito que o amava não estavam ao meu favor. "Por favor," eu disse tentando convencê-lo. Ele inalou uma respiração profunda, balançou a cabeça e então levantou um dedo. "Lírio está fechado, mas felizmente, sei quem é o proprietário." --Nós não falamos por toda a caminhada até o restaurante e tentamos o nosso melhor para não olhar para o outro. De vez em quando, sentia seus olhos em mim e virava o rosto para ele. Ele tinha o olhar de distância e eu ficava com a visão de seu perfil, tão dolorosamente belo que não podia deixar de olhar por um momento. No meio do caminho, eu não podia aguentar mais. "Eu vejo você me olhando," disse ele. "Olha, eu sei que ainda estamos testando as águas aqui e você está me fazendo um grande favor ao concordar em ir comigo, mas... corri todo o caminho até seu apartamento em sapatos trocados e meus pés são, basicamente, duas bolhas gigantes agora. Importa se me der um passeio nas costas?" Ele riu e se virou para que pudesse pular em suas costas. Meus pés agradeceram no segundo que eu estava fora do chão. "Melhor?" Perguntou.


EPILOGO

Dean Me reclinei no banco de trás do carro, deixei as luzes da cidade aliviar a minha crescente dor de cabeça. Meu voo de Iowa tinha aterrissado uma hora antes da programação, mas o tráfego do aeroporto para o Lírio estava prestes a me enlouquecer. A voz do motorista me tirou da minha neblina. "Como foi a sua viagem, senhor?" Virei-me para o banco da frente e encontrei seus olhos no espelho retrovisor. "O usual." Meus pais tinham me atormentado com o mesmo de sempre, mas desta vez Lily tinha sido o tema da discussão. "Quando é que vamos ter um neto? Nós estamos ficando velhos." "Tem certeza de que quer ficar em NY? Isso é realmente onde você quer aumentar sua família?" "Você não está pronto para fazer dela uma mulher honesta?" Jurei que eles ainda estariam vivos em 1800, mas tentei o meu melhor para satisfazê-los. Eu tinha um anel queimando um buraco no meu bolso nos últimos dois meses. Tinha escolhido um anel que era grande, mas de bom gosto. Julian erguei a caixa alguns meses antes, o bastardo, mas eu tinha ficado feliz que Lily não viu. Ela virou quando o viu. Se é que viu. Nossas vidas tinham estado tão ocupadas nos últimos meses. Abrir Lírio tinha tomado um monte de trabalho e o restaurante ainda não estava funcionando sem problemas. Na maioria das noites, Lily e eu estávamos trabalhando como cães. "Aqui está, senhor. Você gostaria que eu esperasse?" Balancei a cabeça e ofereci um trocado. A noite ainda era jovem e sabia que Lily e eu ficaríamos no restaurante por um bom tempo.


"Vá em frente e deixe minha bagagem em casa. Vamos pegar um táxi depois." "Parece bom, senhor." Lírio estava lotado quando entrei, mais ocupado que o habitual para uma noite de quarta-feira. O New York Times tinha avaliado o nosso restaurante na semana anterior e já estávamos começando a ver os efeitos do artigo. "Oi, Sr. Harper," disse a anfitriã, acenando para mim quando entrei e pendurei meu casaco no cabide perto da porta. "Hey, Sarah. O que está acontecendo hoje à noite?" "Temos mais de uma centena de reservas e não contei as esperas ainda. Há duas partes que ocorrem nas salas dos fundos no momento." Balancei a cabeça. "Boa. Onde está Lily?" Ela sorriu e inclinou a cabeça para a bar central. "Mais uma vez?" "Sim, Todd está doente." Essa era a quarta vez que ele dizia que estava doente em duas semanas e eu sabia que. Para um fato, estavam chamando para que ele pudesse fazer testes de última hora. "Tudo bem, obrigado," eu disse a ela, movendo-me para que pudesse encontrar Lily. Nós tínhamos projetado Lírio para ser muito menor do que a Disposicion. Queríamos a experiência de ser íntimo. As mesas foram cobertas com toalhas de mesa brancas com flores frescas e velas de chá. A sobrecarga de iluminação era suave e feita para ser esquecida. Pinturas abstratas bonitas penduradas com moderação nas paredes, mas a verdadeira arte foi a comida. Antônio tinha criado pratos para nós que foram repletos de cor e sabor. "Duas margaritas jalapeño!" Lily chamou, deslizando duas bebidas em frente ao bar. Havia uma pequena multidão ao seu redor, observando


seu trabalho e esperando ansiosamente pela sua vez para conseguir sua bebida. Havia outro bar do outro lado do restaurante, mas, como sempre, as pessoas foram atraídas para ela. Ela tinha o cabelo loiro torcido em um coque no alto da cabeça, mas algumas mechas tinham escapado. Ela deixou escapar um suspiro quando tentou tirar os fios de seus olhos enquanto enxugou as mãos no avental preto. Ela não estava com o uniforme preto padrão que os outros empregados usavam; ela nunca usou. Assim como a comida, ela era uma fonte constante de cor no restaurante. Ela usava um vestido azul real envolto em torno dela, completamente modesto, mas ainda acende um fogo dentro de mim. Ela era linda. Horas de trabalho atrás de um bar nunca iriam diminuir seu brilho. Andei até a borda do bar, a poucos passos de distância de onde ela estava parada. Ela se inclinou para frente para um Senhor para ouvir sua ordem sobre o zumbido da multidão. Quando ela se inclinou para trás e pegou a shaker, falei. "Você me disse que estava indo para pegar no material administrativo esta noite." Seus olhos brilhantes deslizaram agitados até mim e ela gritou. "Dean!" Ela deu dois passos mais perto e se inclinou sobre o balcão para dar um beijo direto em meus lábios. Passei a mão em volta do pescoço, segurando-a contra mim. "Eu senti sua falta," respirei contra seus lábios. "Eu preciso fazer esta bebida," ela riu, de gozação da minha espera. Lamentei ter que deixá-la ir, mas havia clientes esperando para bebidas. "Você quer minha ajuda?" Perguntei. Tinha havido algumas noites no mês passado, quando Lily e eu tivemos que enfrentar o dever do bar juntos. Ela pegou um pouco de gelo no shaker e sacudiu a cabeça. "Nah, há muito o que fazer no escritório e não quero ficar aqui até às 3:00 novamente."


Seu sorriso travesso confirmou que ela estava se referindo a uma semana antes, quando tinha trabalhado até tarde e compartilhado comida chinesa no escritório. Ela se inclinou para limpar alguma coisa da borda da minha boca, lambi seu dedo, e nós tínhamos acabado no chão em uma pilha confusa de amor. Bati minha junta contra o bar. "Venha me encontrar quando ficar mais lento." --Houve uma batida na porta do escritório e olhei para cima enquanto Lily passeava, chutando a porta para se fechar atrás dela. Ela segurava uma garrafa de champanhe gelada em uma mão e duas taças de vidro na outra. "Como foi com seus pais?" Perguntou. Debrucei-me na minha cadeira e fiz um gesto para frente. "Bom, mas eles estavam tristes que você não poderia ir. Por que o champanhe?" Ela deslizou para o meu colo e envolvi minhas mãos em volta da sua cintura. Ela esfregou o lado do meu pescoço e inalei seu perfume doce. "É pra comemorar." "Comemorar o que?" Perguntei, puxando para trás para que pudesse olhar em seus olhos. Ela sorriu. "Este lugar está aberto por quase seis meses. Esse artigo no Times levou o nosso negócio a um novo nível. Acho que temos 250 reservas para sexta-feira à noite." Eu tirei uma mecha de cabelo de sua bochecha. "Você está feliz com isso? As horas e o trabalho?" Ela me lançou um olhar de soslaio. "Você está brincando comigo?" O artigo do Times tinha sido um pedaço de interesse humano mais do que uma crítica de alimentos. A jornalista saiu logo depois que falei que abri o restaurante em homenagem a Lily. Os pratos e os seus nomes


foram todos encantadoramente nomeado para ela. Ela se tornou uma espécie de celebridade no mundo do alimento do dia pra noite, mas não havia tempo para se deliciar com a popularidade, exceto nos momentos roubados em nosso escritório, com champanhe roubado. "E você?" Ela perguntou. "Estou feliz se você está feliz." Ela revirou os olhos para meu comentário clichê e, em seguida, mostrando o champanhe. "Devo abrir?" "Eu tenho uma coisa pra lhe perguntar em primeiro lugar," disse, sentindo o peso do anel no meu bolso. Ela esfregou os lábios para conter o sorriso. "Eu acho que já sei o que é." "E você?" Ela assentiu com a cabeça. "Encontrei algo em suas calças na outra semana quando estava lavando roupa." "Lily." Ela sorriu e me beijou. "E adivinha o que?" Ela continuou. "O que?" "Eu já o testei." Balancei a cabeça, surpreso de que ela tinha sido capaz de manter o segredo, desde que ela tinha visto. "Você fez?" Ela assentiu com a cabeça, nem um pouco envergonhada. "E eu poderia também ter enviado uma foto dele para Jo." Eu ri. Não deveria estar surpreendido. Esta era Lily, depois de tudo. "Bem, então acho que não tenho que sequer lhe pedir, não é?" Seus olhos se arregalaram com o fogo que aprendi a amar. "É melhor você me perguntar, Dean Harper."


Dei de ombros, tentando jogá-los fora. "Nah. Acho que vou esperar por um momento melhor. Talvez eu vá planejar algo para o próximo mês? Ou talvez na próxima primavera, quando as árvores estiverem mais agradáveis no Central Park?" Ela se irritou com a ideia de esperar tanto tempo. "Por favor, não me faça esperar." Balancei minha cabeça. "Isso não pode ser a nossa história. Não podemos ficar noivos na parte de trás do nosso restaurante." Sua cabeça caiu para meu peito e ela balançou para frente e para trás. "Não! Eu quero esta história. Isso, bem aqui." Eu já tinha o anel na palma da minha mão. Não havia nenhuma maneira que esperaria mais um minuto. "Lily Noelle Black." Ela sorriu e eu podia sentir seu corpo tremer de emoção. "Você me faria a honra..." Seus grandes olhos olharam pra mim com expectativa ousada. "... De abrir esse champanhe? Estou ressequido da minha viagem de avião." "DEAN!" Ela bateu no meu peito e tentou se mover do meu colo. Brincava com ela demais e ela não ia me deixar ir embora com esse. Muito ruim pra ela, eu já tinha sua mão na minha e o anel estava pronto no final de seu dedo, pronto para descansar no seu devido lugar. "Case-se comigo, Lily. Case comigo. Não há ninguém no mundo mais adequado do que nós dois. Não posso prometer que não vamos brigar, você sabe que eu estaria mentindo se fizesse, mas prometo que ninguém vai te amar mais do que eu." Ela riu e acenou com a cabeça uma e outra vez quando deslizei o anel em seu dedo. "Você sabe me deixar louca, já sei," disse ela. Eu sorri. "Você sabe... A maioria das pessoas apenas diz sim."


Ela estreitou os olhos e colocou as mãos nos lados do meu rosto. Eu sabia que estava prestes a me beijar e respirei fundo antes de seus lábios roçarem os meus. "Sim, bem, nós não somos a maioria das pessoas."

FIM


AGRADECIMENTOS Este livro é para os meus fiéis leitores, os poucos corajosos que têm estado comigo desde o início. Ao longo dos últimos dois anos, todos vocês mudaram

completamente

minha

suficiente. Todo o meu amor, Rachel.

vida.

Não

consigo

agradecer

o


OUTROS LIVROS DE R. S. GREY: Leia sobre a história de amor Josephine e Julian: The Allure of Julian Lefray. Romance adulto: De: JosephineKeller@lldesigns.com Para: LilyBlack@gmail.com Assunto: Justin Timberlake nu! Lily, sua pervertida previsível. Sabia que você iria abrir este email mais rápido se eu colocasse um vislumbre do 'PP' do JT. Bem, coloque suas calças de volta e pegue um pouco de champanhe, porque tenho uma notícia muito melhor para compartilhar. EU CONSEGUI UM EMPREGO! A partir de amanhã, vou ser a mais nova assistente executiva na Lorena Lefray Designs. Estou tão animada, mas há um problema pequenino: não vou ser assistente de Lorena. Vou trabalhar para seu irmão mais velho, Julian. Eu sei o que você vai pensar, “Mas Jo, qual o problema?" Procure no google. Agora. Ele é o homem de terno azul marinho equipado cujo rosto lembra que ainda há esperança pra esse mundo feio e cruel. Mantenha a rolagem... Você vê aquelas covinhas? Sim. Esse é Julian Lefray. Estarei relatando mais amanhã de manhã. Senhor nos ajude... :x , Jo

The allure of dean harper r s grey  
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