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DISPONIBILIZAÇÃO: Lizze. TRADUÇÃO E REVISÃO: Lelena Dias e Evelyn Arruda. REVISÃO INICIAL: Cristina Martins. REVISÃO FINAL: Ana Rosa / Simone. LEITURA FINAL: Nedi L. FORMATAÇÃO: Any Cunha.


PROLOGO Josephine

“Você pode tirar a garota do interior, mas não pode tirar o interior da garota.” Quem no mundo viria com essa frase de merda? É a citação que menos gosto de todos os tempos. Passei toda a minha infância desejando ter um lugar melhor que a minha cidadezinha natal. No lugar onde cresci, o futebol reinava e ser vegetariano era igual a ser um Satanista. Felizmente, eu não estava tão mal. Tenho dois pais amorosos e Sally’Thrift Shop. Sally’s é a minha versão de igreja, porque aqui encontrei a minha bíblia: Moda 101- Guia de como deixar uma Garota Fabulosa. Eu me lembro de um sábado em particular, quando convenci minha mãe, depois do meu jogo de futebol. Implorei para ela parar na Sally’s por um minuto, e, finalmente, ela cedeu e parou em um estacionamento gratuito à direita, em frente à loja. Saltei antes dela terminar de estacionar, abri minha porta e voei pela porta da frente ao som da sua voz me repreendendo pela janela do carro. Cada viagem a Sally's era a mesma coisa. Eu tinha dez minutos para percorrer os corredores - quinze se minha mãe se sentisse animada para


conversar com o funcionário de plantão - enquanto isso eu iria reunir o maior número de coisas possíveis dentro de uma pequena cesta. A regra era sempre a mesma: só poderia levar uma coisa, e era isso. Sem se, e, ou, mas, minha mãe adorava dizer isso. Mesmo assim à testava todo dia, e naquele não seria diferente. Quando encontrei minha mãe na porta da frente, eu tinha duas bolsas penduradas sobre meus ombros. Tinha um chapéu de feltro no topo da minha cabeça, dois lenços e um cesto

cheio

de

roupas.

Minha

mãe

tomou

a

cesta

de

mim,

preventivamente se desculpando com o empregado por ter que devolver todas as mercadorias não comparadas para as prateleiras. “Mãe, por favor! DUAS COISAS, POR FAVOR!” Eu implorava enquanto ela colocava o cesto no balcão. Meu top reluzente saindo em uma triste exibição. “Josie Ann, é melhor você escolher uma coisa agora ou vamos embora sem nada.” Ela disse com uma voz severa e as mãos no quadril. Eu conhecia aquele olhar. Sabia que não sairia dali com duas peças. E então os vi. Juro que um feixe de luz brilhou do céu enquanto eu olhava para baixo, um par de sapatilhas com estampa de onça em exibição sob o balcão de vidro. Pareciam ser dez números maiores, mas tinha que tê-las. Fiquei de joelhos, pressionei minhas mãos no balcão e embacei o vidro com o meu bafo fedorento de criança.

Depois de ter aprendido

minha lição, prendi minha respiração e olhei paras as sapatilhas como se elas tivessem vida e fossem me atacar. “Eu quero...aquelas,” declaro com determinação absoluta. “Jo, elas não servem em você. Elas são do meu tamanho, provavelmente,” minha mãe protestou, flexionando para se juntar a mim.


“Elas são muito caras também,” o empregado disse. “Vintage Chanel.” Meus olhos se arregalaram. Chanel - uma marca que aprendi com Moda 101. Eu não sabia sobre um monte de coisas (na verdade tinha pronunciado ‘canal’ na minha cabeça), mas sabia que essas sapatilhas seriam minhas um dia. Olhei para ele enquanto minha mãe me arrastava para fora da loja. Arrastei minhas mãos pelo tapete em protesto. “Guarde-as para mim! Não deixe ninguém compra-las!” Implorei. “Por favor!” Chorei todo o caminho para casa com minha mãe me repreendendo por não perceber a vida que eu tinha. Não me importava com o teto que tínhamos sobre nossas cabeças e comida na mesa todas as noites. Como as necessidades básicas humanas podem valer sem um par de sapatilhas de pele artificiais? Eu queria aqueles sapatos mais que qualquer outra coisa. Assim que cheguei em casa corri para o meu cofrinho e contei todo dinheiro que tinha: doze dólares e dezessete centavos. Os sapatos custavam $150,00. No próximo ano e meio guardei tudo que tinha. Dinheiro do aniversário, mesada, dinheiro do Natal, (tentativa de virar judia e ganhar dinheiro com o Hanukkah não funcionou com meus pais) e tudo foi para o cofrinho até o dia em que pude finalmente entrar na loja, martelar meu cofrinho e sair com um par de sapatilhas número 37 Vintage Channel embrulhadas como ovos Fabergé1.

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Essas sapatilhas foram minha primeira compra de designer, e elas foram os sapatos que usei aos vinte e três anos quando deixei minha pequena vida no Texas com esperança de enfrentar o mundo da moda na cidade de Nova York.


CAPITULO 01 Josephine “Para onde?” Olhei para cima a tempo de ver o motorista atirar uma bituca de cigarro escondido pela janela e se encolher. Eu sabia que o cheiro do cigarro de segunda grudaria no meu vestido de camadas, mas já estava dez minutos atrasada e as chances de encontrar outro taxi eram quase nulas.“Upper East Side,” respondi deslizando para o banco traseiro. “Carlyle Hotel.” Ele saiu para o tráfego e tentei me olhar no seu espelho retrovisor. Nossos olhos se encontraram, eu corei e me recostei no assento. O que isso importa? É tarde para corrigir alguma coisa, de qualquer jeito. “Ah, o Carlyle,” repetiu com um sotaque italiano. “Deve ser uma festa chique.” Chique não dá nem para começar. “É a Festa de Moda de Nova York,” comentei, não tenho certeza se ele estava realmente interessado ou só queria me distrair. “Soa como uma festa e estou feliz por escapar,” disse, voltando-se preguiçosamente para checar se a esquerda estava livre para desviar acentuadamente. Caí contra a janela antes que pudesse me segurar e franzi o nariz para aliviar a dor de ter colidido com a maçaneta da porta. “Você parece bem, contudo. Bonito vestido,” disse com um tom mais claro do que tinha usado antes. Talvez ele tenha se sentido mal por ter insultado a festa, ou talvez eu realmente pareça bem no meu vestido Dolce e Gabbana alugado. De qualquer maneira, fiquei feliz de ouvir o elogio. Precisava de toda confiança que poderia reunir.


Ainda não conseguia acreditar que estava a caminho da festa. Quando chegou meu convite chegou (um envelope dourado cheirando nada menos que anjinhos), gritei com entusiasmo por dois minutos antes de me dar conta do estresse por participar de um evento tão ilustre. A festa era o evento de moda do ano. Cada grande estilista, modelo, socialite e blogueiro compareceriam. Normalmente ,eu lia os detalhes suculentos sobre o evento em blogs e sites de celebridades no dia seguinte, mas pela primeira estava indo para experimentar tudo em primeira mão. “Então por que você está indo para a festa? Você é uma das modelos ou coisa assim?” O taxista perguntou, olhando-me no espelho retrovisor avaliando se eu iria ou não interrompê-lo. Bufei. “Não. Eu sou blogueira de moda.” “Meu amigo Geno começou um blog, mas é principalmente sobre os melhores sanduíches gigantes de Long Island. Como você é conhecida? Vou falar para minha filha procurar você,” disse, tentando achar alguma coisa no painel e desviando em direção ao carro do lado. Hesitei e puxei a maçaneta da porta, pronta para saltar fora da sua armadilha da morte. Apenas pegar e girar. Você vai sobreviver. “Opa,” ele disse, nos endireitando na estrada e voltando só para me dar um papel e caneta. Ah, cara. Ele quase me matou, mas foi porque queria passar meu blog para a filha dele. Estou preparada para morrer em nome do meu blog? Oh inferno. Anotei a URL e passei o papel para ele. “O que Jo usa,” ele disse lendo o nome do meu blog com um forte sotaque. “Esperta. Você é a Jo?” Ouvi-lo dizer o nome do meu blog com seu forte sotaque me fez rir. “Josephine.”


Ele levantou para o lado e deslizou o pedaço de papel no bolso de trás da calça. Posso afirmar com segurança que isso foi o mais perto que meu nome chegou do traseiro de um taxista. “Bem, Josephine, vou ter certeza de dizer a minha filha que dei uma carona para uma famosa dama da moda. Ela vai ficar impressionada.” Balancei a cabeça sem me preocupar em corrigi-lo. Posso ser uma ‘dama da moda,’ mas estou longe de ser famosa. Por enquanto. --Quando chegamos havia uma fila de carros em volta do Hotel Carlyle. Olhei pela janela, um monte de elegantes limusines e alguns Maseratis fazendo um bom volume. Atendentes do hotel correram para as portas das limusines para levar os participantes da festa um por um. Enquanto isso meu taxista tentou acender outro cigarro discretamente e, em seguida, passou cada motorista de limusine que tentou cortá-lo. Pura classe. Deveria tê-lo feito me deixar na rua, mas agora já era tarde. Um atendente do hotel abriu a porta de trás do taxi, para eu pagar o taxi o mais rápido possível e não atrapalhar a fila. “Merda, não tenho nenhum dinheiro,” disse, vasculhando minha bolsa e me odiando por não estar preparada. “Aceito cartão senhora,” disse o taxista, apontando para a máquina de cartões de crédito no centro do painel. “Eu aceito números também,” disse com uma piscadela. O atendente do hotel limpou a garganta e joguei-lhe um sorriso desajeitado, procurando o cartão.


“Só um segundo,” disse para o atendente, fingindo não ouvir a última frase do motorista. “É claro,” respondeu o atendente com um sorriso lacônico. Se não tivesse prestes a fazer minha estreia em uma pomposa festa, teria dito a ele exatamente o que pensava dele. Você é um empregado do hotel e não o rei da Inglaterra, agora fique quieto e pegue logo a minha mão para eu descer desse taxi fedendo a cigarro antes do cheiro grudar no meu vestido de grife. O taxista me deu o recibo. E pegou meu olhar. “Bem, boa sorte, de qualquer jeito, Jo.” E me deu um rápido aceno. Dei um sorriso fraco e um aceno. Posso totalmente fazer isso. Um taxista italiano acredita em mim, e isso conta alguma coisa. Saio da parte de trás do carro com a minha cabeça erguida deixando, cair ao meu redor meu vestido de grife vermelho brilhante. O corpete apertava muito enquanto estava sentada e era difícil respirar, mas de pé parecia melhor.

Ajustei meu top tomara que caia para que o

restante do vestido se arrumasse. Vermelho foi uma escolha corajosa por ser minha primeira festa. Não teria como me misturar com a multidão, mas foi dessa maneira que planejei. Não haveria presença de figurões da moda e queria causar uma impressão memorável. Fui para a fila no tapete vermelho e tirei meu convite, caso eles pedissem para vê-lo, mas percebi que ninguém mais tinha o convite em mãos. Erro terrível. Rapidamente enrolei e o apertei, tentando esconder. A maioria das pessoas parecia estar em casais ou grupos, mas eu estava indo sozinha. O convite não trazia nada especificado sobre poder levar um acompanhante e não quis assumir que estaria tudo bem se


levasse alguém. Também, quem estava enganando? Eu não tinha ninguém para levar. “Nome?” A coordenadora do evento perguntou em um tom cortante em frente à fila. “Josephine Keller.” Ela digitou na sua área de transferência iluminando com uma lanterna uma extensa lista de nomes, vi alguns sobrenomes começando com K, mas ela passou por eles, uma página, e virou outra, depois voltou para frente. “Eu não estou encontrando, próximo, por favor,” disse, usando as mesmas palavras que foram meu pior pesadelo dias antes do evento. Comecei imediatamente a suar frio. “Isso deve ser um engano,” eu disse, segurando meu convite que agora parecia ter sido tirado do lixo. Droga. Eu ouvia as pessoas resmungando atrás de mim na fila, mas não me atrevi a virar e mostrar o rosto. “Fique aqui ao lado por um momento,” a coordenadora disse, usando um rádio fixado em seu ombro para chamar um assistente na entrada. Esta era a minha sorte. Eu estava realmente perto de levar minha carreira para o próximo nível e então a vida resolve me dar um tapa ‘não tão rápido, irmã’ bem na minha cara. A vida, às vezes, é uma vadia malvada. Por dez minutos fiquei ao lado da fila em baixo do toldo do hotel, de um calcanhar para o outro, enquanto os outros convidados eram levados para dentro sem problemas. Mais cinco minutos e vou embora. Cinco minutos se passaram e fiquei mais mortificada a cada segundo. Onde no inferno se meteu o assistente? Dei um jeito de esconder


meu rosto para as pessoas não me reconhecerem como ‘a pobre garota que estava do lado de fora’. Finalmente uma pequena loira vestida com uma calça preta e uma blusa de abotoar veio pela porta da frente com uma prancheta, os olhos arregalados e aparência cansada. “Madaline!” A coordenadora falou logo que viu a loira vir para fora. “Verifique se a...” - a coordenadora fez uma pausa e virou para me achar parada a alguns passos. “Como é mesmo seu nome?.” “Josephine Keller,” respondi, tentando muito não olhar atravessado para a coordenadora. Todo mundo da fila se virou para trás para ver do que se tratava toda essa comoção. “Desculpe-me.

Eu

não

consegui

ouvir,”

Madeline

retrucou,

parecendo que estava à beira das lágrimas. Por favor, pare de chamar atenção para mim. Tossi e dei um passo para frente. “Josephine Keller.” Madeline assentiu e começou o trabalho, verificando suas notas. “Só um segundo,” disse. Eu estava cruzando meus dedos nas minhas costas, repetindo a frase ‘Por favor, encontre meu nome’ várias vezes na minha cabeça, quando olhei para cima e encontrei os olhos de um homem parado na fila. Meu estômago virou. MEU BOM DEUS. Ele era o terceiro da fila e me olhava com um sorriso de admiração. Os outros olhares foram fáceis de ignorar, mas ele devorava a minha atenção desconfortavelmente. Engoli em seco enquanto lhe dava uma checada. Bonito de aparência limpa. Ele era uma visão em preto.


Ele tinha um formato de T: um smoking bem alinhado, abotoaduras de prata e impecáveis sapatos de grife. Seus braços estavam cruzados no peito e seus ombros largos bloqueavam a iluminação da rua atrás dele, então parecia que ele se sobressaia no pano de fundo de limusines e atendentes de hotel. Eu me deixei olhar intensamente para ele por três segundos e depois me forcei a desviar os olhos. Chega. Eu olhei por muito tempo. Mas ele estava olhando para trás. Me obriguei a ver Madeline percorrer sua lista e voltar para frente de novo. Olhei para cima por entre meus cílios tendo a oportunidade de olhar para ele uma última vez antes dele entrar e desaparecer para sempre. Tentei memorizar tudo que pude o mais rápido possível. Seus cabelos pretos eram espessos e impecáveis, um pouco mais curto dos lados e levemente ondulado em cima. Suas maçãs do rosto eram tão definidas que a Webster’s teria um lugar para ele. Um par de covinhas aparecia enquanto ele falava com as pessoas a sua frente. Seu queixo era pontudo e perfeitamente barbeado, e inexplicavelmente sedutor. Olhei para ele mais um pouco antes dele detectar o meu olhar perseguidor e me pegar. Seus olhos castanhos trancaram com os meus e congelei, como se meu mundo caísse bem do meu lado. “Ah! Josephine Keller! Finalmente achei você,” Madeline exclamou. “Alguém colocou seu nome como Josephine Geller.” Típico. “Tudo bem,” ela disse, me oferecendo um sorriso aliviado.


“Por aqui.” A segui em direção as portas do hotel. Sabia que o olhar daquele homem me seguiu quando passei por ele. Eu conseguia sentir seus olhos em mim, aquecendo cruelmente meu rosto agora rosado que rezei para ele não ter visto. “A sala de fotos é à esquerda,” disse, apontando para uma pequena parte do lobby do hotel onde algumas celebridades tiravam suas fotos e falavam com os paparazzi. “E o salão de baile é logo depois do lobby.” Olhei para onde ela apontava passando pelo mármore preto. Consegui ter um vislumbre da festa, ouvir a batida da música e sentir os cheiros dos deliciosos canapés varrendo a sala. Para o melhor ou para o pior, eu tinha chegado.


CAPITULO 02 Josephine Depois de pegar uma taça de champanhe, derramei um pouco na frente do vestido, corri para o banheiro para me limpar e comi alguns canapés de caranguejo, eu estava oficialmente pronta para a festa. Oh, e falando de festa, quero dizer ficar em pé, sozinha, no canto do salão de baile, fingindo pertencer ao lugar. Estava rezando para a iluminação fraca me fazer parecer uma estátua, assim as pessoas não ficariam com pena de mim. Isso, ou o sexy homem da fila viria e me diria: ’ Ninguém a coloca em um canto Baby.’ E então nós dançaríamos a famosa dança de Dirty Dancing, todos iriam bater palmas e a Vogue iria me oferecer um emprego por estarem super impressionados com o meu jogo de cintura. Peguei meu telefone e mandei um texto para Lily, minha melhor amiga no Texas. Josephine: Eu estou no canto igual ao garoto que fez xixi nas calças e está tentando se esconder. Lily: Chegue e troque ideias! Você precisa de trabalho!! Lily: Também… ninguém coloca a Baby em um canto. Josephine: Já tive essa imagem na minha cabeça. Lily: Clássico. Mas sério, quanto mais você ficar no canto mais parecerá com o menino do xixi. Josephine: Tá, tá, tá. A propósito, mandei meu currículo para Lorena Lefray hoje. Lily: Para a posição de assistente executiva? Josephine: Sim, é apenas algo temporário, enquanto continuo construindo meu blog. NY não é barata.


Lily: Eu vou me mudar para aí em breve, não se preocupe. Terminei minha taça de champanhe e me encolhi. Josephine: Oh Deus, estou sem bebida. O que eu faço com minhas mãos agora? Lily: Balance junto com a música. Lily: Não, espere. Continue a tocar ou apontar assim os caras terão a ideia de que você é fácil. Josephine: Eu te odeio. Até mais, idiota. Os salgadinhos de caranguejo estão voltando para mim. Lily: Pare de comer salgadinhos. Você está em uma festa. É por isso que você não tem nenhum amigo em Nova York. Revirei os olhos para a resposta de Lily e guardei meu telefone na minha bolsa brilhante que garimpei há alguns anos atrás. Sinto falta da Lily, mas realmente precisava encontrar novos amigos na cidade. Nas duas semanas em que estive aqui só fiz dois, isso porque estava contando com o velho judeu do meu prédio e a minha senhoria. Depois de pegar uma nova taça de champanhe para segurar em frente da mancha que consegui com a minha taça anterior, me aventurei para fora do meu confortável canto e caminhei

pela festa. Os

organizadores da festa não tinham mudado muito a decoração estilo Art Deco original do hotel. Arandelas ornamentadas de ouro e uma extravagante coroa pendurada em volta na parte de cima. Mesas de coquetel estavam espalhadas por todo salão com pequenos grupos de pessoas aglomeradas em volta. Estava intimidada para entrar no meio das conversas, até que avistei algumas mulheres que conhecia da blogosfera. Eu só as vi uma vez, em uma conferência de blogger, e elas não eram as


mais legais do mundo, mas uma vadia em uma necessidade poderia ser uma amiga. Ou alguma coisa do tipo… Eu estava quase chegando nelas, havia trabalhado meus nervos para me apresentar quando uma mão se estendeu para tocar meu ombro. Parei para ver uma senhora olhando e sorrindo atrás de mim. Ela tinha um Bob cinza chique, camadas de joias coloridas e segurava uma bolsa da moda Hermès. E tive de me segurar para não a pegar e sair correndo. “Desculpa você não é Josephine do ‘O que Jo usa’? O blog?” Praticamente fiquei boquiaberta para ela, quem é essa mulher, fiquei pasma, completamente boba que essa mulher super bem vestida poderia conhecer meu blog e me reconhecer dos meus posts. “Sou eu,” disse, colocando a mão no meu peito antes de lhe estender a mão. “Sinto muito, não acho que fomos apresentadas?” Ela deu um largo sorriso deixando aparecer algumas linhas de expressão perto dos olhos, denunciando sua idade. “Sou Maxine Belafonte, diretora de operações da US House of Herrera.” Eu ri. Ri porque estava atordoada demais para fazer qualquer outra coisa. Estava a dois segundos de dizer, ‘Você está falando sério?‘ Quando me lembrei de onde estava. É claro que ela era Maxine Belafonte e esse era o sonho que eu estava prestes a acordar. “É uma honra conhecê-la,” me recuperei rapidamente, orgulhosa do meu cérebro por ter adquirido habilidades sociais adequadas em algum momento da minha vida. “Da mesma forma,” disse Maxine, sorrindo largamente e apertando minha mão. “Eu venho acompanhando seu blog há alguns meses e acho


que tem um bom olho para moda.” Eu estava lá, inapropriadamente segurando sua mão por um longo tempo, então finalmente falei. “Desculpe-me. Acho que meu cérebro simplesmente parou de funcionar. Você poderia repetir o que a acabou de falar?” Maxine riu, bateu no meu ombro e delicadamente extraiu sua mão do meu forte aperto. “Agora, falando sério, adoraria ouvir mais das suas histórias. Você tem um tempinho para conversarmos?“ Falou, apontando para uma mesa vazia a poucos passos de nós. Balancei a cabeça. “Para você, estou livre a noite toda.” Ela sorriu. “Veja! Por isso que queria conhecê-la. Eu amo seu humor. Ele realmente completa sua mensagem. Acho que um monte de blogueiros de moda se levam muito a sério. Mas você não.” Balancei a cabeça, sem saber o que dizer. Depois de me esforçar a noite toda só para me misturar com o rebanho, esse pedido me pegou de surpresa. “Há quanto tempo você começou seu blog?” Ela perguntou, depois de ficarmos uma de frente para outra na mesa. “Já se passaram cinco anos.” Encolhi-me pensando que ela iria pesquisar minhas primeiras postagens. “Mas meus primeiros anos foram difíceis. Eu estava apenas começando a faculdade.” “NYU?” “Hum, não, uma pequena escola de moda no Texas.” Ela sorriu, e corri para mudar de assunto para longe do fato que meu diploma não era de uma grande faculdade de moda em NY. “Sinto muito, mas como você conheceu meu blog em primeiro lugar?“ Perguntei antes de tomar um pequeno gole do meu champanhe.


Ela sorriu mais amplamente, mas antes que pudesse me responder, um par de sapatos atingiu o chão bem atrás de mim e senti o cheiro de colônia apimentada. Havia um toque cítrico com uma mistura única de canela e gerânio. A combinação era inebriante. “Ah, aí está você Maxine,” disse uma voz profunda atrás de mim. A frase mais sexy que já ouvi e não me deu outra escolha senão dar um rosto a voz. Virei para olhar por cima do ombro, tentando ser o mais indiferente possível, e depois de ficar de boca aberta estando cara a cara com o estranho de mais cedo. Seus olhos se voltaram para mim e ele acenou com a cabeça, a ponta da sua boca se levantou em um reconhecimento silencioso de que havia me reconhecido também. “Julian! Eu não tinha certeza se você viria. As coisas estão muito agitadas para a sua família agora.” “Foi uma decisão de última hora. Você sabe como eu gosto de voar com essas calças.” Se eu fosse uma mulher sedutora e provocativa dos filmes do James Bond, teria levantado meu champanhe, olhado em seus olhos enquanto tomava um gole, e depois sussurrar sedutoramente, ‘Há espaço para dois no seu voo?’ Ou você sabe, alguma coisa igualmente sedutora. Mas como sou Josephine, uma garota estranha do interior, fiquei em silencio e tomei outro gole de champanhe. Maxine limpou a garganta e, em seguid,a estendeu a mão para nos apresentar. “Josephine, esse é Julian Lefray.” Meus olhos se arregalaram enquanto tentava não me sufocar com o champanhe.


Julian Lefray, o irmão de Lorena Lefray, a estilista para qual me candidatei esta tarde. Ele era o parceiro silencioso da marca, herdeiro de uma fortuna construída por gerações e, aparentemente, o proprietário dos meus sonhos e esperanças. Recompus-me e estendi minha mão. “Você não se parece nada com sua irmã,” falei, tentando conciliar o fato de que eles eram parentes. Lorena era uma mulher pálida, ágil, só pele e osso. Julian era… o oposto: alto, bronzeado, com um sorriso cativante e aqueles olhos brilhantes cor de avelã. “Eu tenho mais do sangue espanhol,” disse, enquanto pegava minha mão. “Ela se parece mais com minha mãe.” Concordei e deixei sua forte mão apertar a minha. Seu toque era difícil de conciliar e, por um momento, olhei para onde nossas mãos estavam, surpresa com a ligação. “Você tem um sobrenome Josephine?” Ele perguntou, e soltou minha mão. Puxei meu punho depois de perder o seu contato, tentando manter o calor da sua palma na minha pelo máximo de tempo. “Keller.” “Josephine Keller,” repetiu, provando na sua língua. “Bem, foi um prazer,” Ele disse, apontando para a sala. “Infelizmente tenho que continuar a rodar.” Em seu benefício, ele não parecia muito contente com isso, mas antes que eu pudesse responder, pediu desculpas e foi cumprimentar outros convidados. Fiquei olhando para suas costas, tentando entender como alguém poderia ser tão lindo.


“Ele é muito para se ter não é?” Perguntou Maxine depois de estarmos novamente sozinhas. Eu ri e desconsiderei sua pergunta, tomando cuidado para manter meus bobos sentimentos em segredo. “Então, acredito que você estava dizendo algo sobre o quão incrível meu blog era…” Brinquei, deixando o riso me resgatar da inebriante presença de Julian. Somente depois, quando estava no banheiro retocando meu batom vermelho que percebi meu erro. Eu tive Julian Lefray bem na minha frente e não tinha sequer mencionado meu desejo de trabalhar para sua irmã. Ele provavelmente não teria muito a dizer sobre as contratações, mas fui uma tola por não mencionar isso. Não era desse jeito que funcionava? Conseguia emprego quem estava mais disposto a ir mais longe, que se colocava em evidência. Aperto minhas unhas e dou uma olhada na minha aparência. O vestido alugado só tinha disponível em um número menor que o meu, significava que meu peito estava um pouco mais a mostra do que eu gostaria. Muito obrigada pelos peitos, mãe. Puxei meu corpete e tentei diminuir meu decote. Sim. Não. Não vai dar certo. Eles tinham mentes próprias. Bufei, notando que não tinha nenhum batom vermelho em meus dentes, em seguida, finalmente, sai do banheiro. Depois de buscar por alguns segundos, finalmente avistei Julian no meio de uma discussão com um grupo de homens no bar. Eles eram mais velhos, com barbas espessas e duras linhas em seus rostos. Pareciam como grandes investidores, mas não poderia deixar que me parassem, eu só precisava de um momento com Julian. Controlei meus nervos e me juntei ao grupo. Inalei seu perfume quando me aproximei; era tão cativante como da primeira vez. Ele estava


no meio de uma conversa, eu não poderia perder a chance e perdê-lo novamente. Ignorei os olhares curiosos dos outros homens e limpei minha garganta. “Senhor Lefray, você tem um segundo para falar comigo?” Perguntei, tocando seu ombro. Um homem deu um passo adiante, derramando sua bebida sobre o copo. “Eu estou disponível para falar querida, se Julian estiver muito ocupado,” disse com um sorriso malicioso e um olhar me percorrendo e nunca encontrando meus olhos.


CAPITULO 03 Julian Meu olhar foi de Patrick para a moça que conheci mais cedo, no início da noite. Ela estava deslumbrante com seu vestido vermelho, um fato que rapidamente percebi que os outros homens também perceberam. “Isso não será necessário, Patrick,” respondi. Ela me laçou um sorriso agradecido. Balancei a cabeça e me afastei do grupo, agarrando seu braço logo acima do cotovelo. Seu braço era magro e tonificado, e achei muito fácil leva-la para longe dos investidores. Um momento só com ela superava fáceis cinco minutos de sofrimento com esses velhos e suas heranças. Levei Josephine em direção a um canto privado no salão, consumido pelo aroma sutil de gardênia que seguiu seu rastro. “Não vou demorar muito,” ela promete, seus brilhantes olhos verdes encontraram o meu, meu alarme soou alto e claro, mas o acalmei. Nem todas garotas querem transar com você, seu idiota. “Tudo bem. Você me salvou de mais dez minutos de conversa chata,” respondi, deslizando minhas mãos nos bolsos e fazendo meu melhor para não olhar para os seus peitos. Eu não sou nenhum santo, e ela tem um corpo inacreditável, nada como as meninas que vejo geralmente no escritório de Lorena. Magérrima parecia ser o look desejado, mas Josephine tinha curvas. “Oh merda, você estava fazendo um discurso?” Seus olhos se arregalaram e então ela cobriu a boca. “Ignore o fato de que acabei de dizer merda.” Eu sorri. “Duas vezes,” disse descobrindo sua boca e se


reagrupando. Ela revirou os ombros para trás e me olhou nos olhos. Ela parecia tão jovem, jovem demais para mim. Ri. “Tudo bem.” “Todo esse evento está me deixando um pouco nervosa, para ser sincera,” ela explicou, olhando para mim por debaixo dos seus longos cílios. Corou, deixando uma coloração rosada nas suas bochechas - o mesmo rubor que apreciei antes, do lado de fora. “Este é o seu primeiro grande evento?” Perguntei, inclinado a cabeça para baixo com um sorriso curioso. “É obvio?“ Perguntou, tocando conscientemente seu cabelo enrolado. Balancei minha cabeça. “Não. Os coordenadores do evento tendem a memorizar rostos depois de um tempo, sendo a lista de convidados apenas uma formalidade.” Ela riu, interpretando a minha referência sutil à sua entrada atrasada mais cedo. “Bom, meu rosto está longe de ser memorável.” Eu resisti à vontade de insistir no contrário. “Devemos conseguir uma bebida?” Ofereci, tentando descobrir qual era seu jogo. A maioria das mulheres eram um pouco mais direta, mas Josephine parecia estar trabalhando os nervos para me perguntar alguma coisa. Pensei que talvez eu pudesse fazer isso mais fácil para ela. Ela ergueu as mãos para me impedir. “Não, obrigada. Nenhuma bebida.” Seu olhar se desviou para a festa, ela respirou fundo e, em seguida, encontrou meus olhos com uma recém adquirida convicção. “Queria falar com você porque eu gostaria de trabalhar na Lorena Lefray Designs. Na verdade, me candidatei essa tarde, antes de vir para


esse evento, e estava esperando que, já que tive a oportunidade de conversar com você, talvez pudesse falar bem de mim.” Filha da puta. Ela queria um emprego, não uma noite no meu quarto de hotel. Apertei meus olhos e a estudei: características delicadas, lábios grossos. Ela era praticamente letal. “Que posição você se candidatou?” Suas

costas

se

endireitaram

quando

respondeu:

“Assistente

executiva. Eu achei que seria para Lorena, mas a descrição não especificou.” Claro. Olhei para fora da festa, tentando me recompor por um momento antes de olhar para ela. Esse era um território perigoso. A sensação de estar perto dela em público era tentador o suficiente; eu iria realmente querer trabalhar com ela ao meu lado todos os dias? Quando olhei para trás, o vislumbre da sua esperança não havia desaparecido dos seus olhos. Deus, ela era tão jovem. Não poderia ter mais que vinte e cinco. Eu seria capaz de estragar seus sonhos só por que a achei atraente? Limpei a garganta. “Na verdade, a posição não é com Lorena. É comigo. Lorena está doente e estou precisando ajudá-la com a empresa no momento. Estou contratando uma assistente para me ajudar por algumas semanas.” Eu estava dizendo uma mentira, mas lhe dizer a verdade era muito pessoal no momento. Os paparazzi já estavam perseguindo Lorena a cada movimento, era meu trabalho protegê-la, tanto quanto possível. Os lábios vermelhos de Josephine formaram um pequeno ’o’. “Sinto muito por ouvir isso.” Disse, balançando a cabeça e pegando uma mecha de cabelo castanho claro longe do seu rosto.


Ela estava desapontada porque não estaria trabalhando com Lorena? Eu não poderia dizer. “Você pode retirar seu pedido se mudou de ideia,” ofereci com uma sobrancelha arqueada. Seus olhos se arregalaram e ela estendeu a mão para tocar meu braço. Eu ignorei o desejo de envolver minha mão em volta dela. “Não! Não. Eu ainda gostaria de ser considerada para a posição,” reiterou. Ela olhou para sua mão no meu braço e retirou rapidamente, agarrando a outra mão em frente a sua cintura. “Mas é que agora essa conversa parece apenas…” Ela hesitou e eu sorri. “Um pouco estranha?” Ela riu. “Bem, sim.” Observei-a tentar reorganizar seus pensamentos. A luz estava cobrindo sua pele clara fazendo seus verdes olhos brilharem ainda mais. Assim como as sardas que pontilhavam o topo das suas bochechas, era uma visão refrescante. Sorri. “Não se preocupe com isso. Eu não posso culpar alguém por ter iniciativa quando tem a oportunidade.” “Está bem, hum, espero ouvir sobre uma entrevista sua,” sorriu. “Mas não sinta como se tivesse obrigação só porque eu estava quase lhe implorando hoje à noite.” Eu segurei uma risada. Seus olhos se arregalaram.


“Isso não soou bem, admito,” ela riu e cobriu o rosto por um momento. Eu queria socorrer e ajuda-la a sair do buraco que estava cavando, mas era muito bonitinho vê-la se contorcer. “Vamos ignorar o fato de que fiz papel de boba, tudo bem? Só vou embora e você pode fingir que eu era muito charmosa e educada.” Inclinei para olhar em seus olhos e sorri. “Eu te asseguro que não haverá qualquer favoritismo durante a entrevista. Vou avaliar todos de forma justa.” Ela sorriu. “Bom, tudo bem!” Seu olhar foi para a festa e depois de volta para mim. “Bem, foi um prazer conhecê-lo, Sr. Lefray, e espero realmente que sua irmã fique bem.” Ela recuou um passo, levando seu perfume doce com ela. “Estou ansiosa com a possibilidade de talvez poder ouvir de você sobre a entrevista,” disse timidamente. Com isso, ela balançou a cabeça e girou os calcanhares. Sendo engolida pela multidão em pouco tempo, até que desapareceu totalmente, percebi que estava olhando ela ir embora, me concentrando nas curvas do seu quadril em seu vestido vermelho.


CAPITULO 04 Josephine Uma hora depois que voltei para o meu apartamento, ainda estava usando o vestido de grife alugado e consultei o Facebook do meu computador. Meu cabelo já tinha se desprendido em sua maior parte do meu penteado, e meus sapatos Jimmy Choo estavam jogados no chão ao lado da minha mesa de café, eu os havia chutado assim que cheguei em casa. Josephine: Eu me fiz de tola esta noite. Lily: DespejE. Provavelmente é pior do que você pensa que é. Josephine: falei com o meu provável futuro chefe que ele não tinha que me dar uma entrevista só porque eu estava ‘praticamente implorando para ele’. Lily: Então. Você foi até ele. Movimento corajoso, Casanova. Me lembrei de como Julian havia tentado esconder o sorriso. Não tinha funcionado. Suas covinhas estavam lá e eu sabia que ele havia pegado uma insinuação não intencional. Josephine: oh Deus, eu não quero mais falar sobre isso, vou para minha cama. Fui para minha rotina noturna. Finalmente tirando meu vestido vermelho e colocando uma camisola. Mantive minha maquiagem e escovei meus dentes, admirando como a menina da Nodstrom tinha aplicado a minha sombra no início da noite. O tom dourado deixou lindos meus olhos verdes, uma pena ter que limpá-los. Depois de verificar que a minha pequena janela e a porta do apartamento estavam fechadas e trancadas, fui para minha cama e


peguei meu telefone. Eu tinha deixado carregando. Já sabia que havia duas chamadas de voz me esperando e esperava que elas tivessem sumido ao longo do dia. Infelizmente, ainda estavam as duas lá, esperando por mim. A primeira era de Janine, minha conselheira financeira e minha pessoa menos favorita do mundo. Eu aperto o botão e olho para o teto. “Olá, senhorita Keller, aqui é Janine Buchanan, da financeira Forest. Estou ligando porque não recebemos seu pagamento do empréstimo estudantil no mês passado. Esse é o segundo mês consecutivo que não recebemos seu pagamento e quero lembrá-la que mais um mês e você será colocada como inadimplente. Além disso, informamos que depois do terceiro mês sem pagamento seremos obrigados a contratar uma agência de cobranças.” Desliguei. Sra Buchanan não estava me dizendo nada que eu já não tivesse ouvido antes. Sim,

meus

pagamentos

estavam

atrasados,

sim,

eu

estava

perigosamente perto do calote nos meus empréstimos, mas a menos que pudesse pagar com dinheiro do Monopólio, estava sem sorte. Eu poderia escolher entre pagar meu aluguel ou pagar o empréstimo, e ser sem teto em NY não era legal. Meu

telefone

começou

a

tocar

automaticamente

a

segunda

mensagem do correio de voz, e por mais que a de Janine tenha sido horrível, a outra seria muito pior. “Josephine, é sua mãe,” Como se eu não fosse reconhecer sua voz. “Escute, sei que você não vai achar isso legal, mas só vou te dizer isso mais uma vez. É o meu trabalho de mãe me certificar que você está tomando boas decisões, não posso ajudar, mas acho que você está indo pelo caminho errado. Seu pai e eu conversamos e achamos que você deve


voltar rapidamente para o Texas. Você só está em Nova York há duas semanas. E ninguém sabe sobre isso. Nós vamos te ajudar com os empréstimos e você pode conseguir um emprego aqui na cidade. Não tenho certeza do que você poderia fazer com o diploma de moda que tem, mas nós iremos descobrir. Conversei com a Beatrice quando fui fazer comparas e ela disse que é gerente do TJ Maxx.” Pressionei o botão depois que a última mensagem acabou e deixei meu telefone cair na minha cama. Durante todo o colegial ouvi essa mesma conversa sendo sussurrada pelos meus pais muitas e muitas vezes e segue o mesmo padrão: meu pai estava se preocupando que eu seria intimidada pela forma que me vestia, em seguida, minha mãe faria o melhor para acalmar seus nervos, mas nada ajudava. “Por que ela não pode ser como as outras meninas?” Isso nunca foi dito em voz alta, mas era como parecia na maior parte da minha adolescência. Meus pais tinham uma maneira muito fácil de me intimidar, tão rapidamente que por algumas vezes pensei em viver com as enguias, agora imagine como seria fácil para ter eles me ajudando com os meus empréstimos escolares? Como seria fácil desistir de viver meu sonho em NY e ir para Dullsville no Texas? Claro, eu vivia em um apartamento minúsculo, mas até quando seria capaz de pagar meu aluguel? Até quando poderia fingir e não admitir que nada estava indo de acordo com o plano? Deixei minhas dúvidas crescerem dentro de mim. Se meus pais não acreditam em mim, então como poderia acreditar em mim mesma? Afinal de contas, Nova York não era para todos. Certo? Mas aí me lembrei de Julian e que ele tinha me prometido uma entrevista de emprego. E decidi que a primeira coisa que faria na manhã


seguinte seria ir até o escritório de Lorena Lefray e exigir uma entrevista. Não tinha nada a perder e não conhecia mais ninguém que precisasse tanto dessa posição quanto eu.


CAPITULO 05 Julian Assim que voltei da festa, arranquei minha gravata borboleta e o paletó do smoking e joguei na mesa ao lado do meu computador. Meu quarto de hotel estava escuro, mas não me incomodei em acender a luz. Eu estava no trigésimo andar e tinha luz suficiente vindo da cidade para enxergar muito bem. Peguei uma bebida no minibar e fui até a janela, olhando o Central Park. Odiava quartos de hotel por anos. Tive que viajar muito durante meus vinte anos, ajudando a expandir as empresas da família Lefray à escala mundialmente apreciada. Aos trinta e um, tudo que queria era estar de volta à minha casa em Boston, na cama que tinha escolhido e longe, muito longe da realidade que enfrentava agora. Na semana anterior minha irmãzinha finalmente havia entrado em uma clínica de reabilitação, depois de um ano tentando lutar contra seus vícios sozinha. Uma jogada ousada, que os meios de comunicação já estavam suspeitando, mas se ela queria ver seus trinta anos, essa era sua única opção. Prometi a ela que manteria o navio em curso no momento. Ela tinha planos detalhados de reformar o lugar e se livrar de maus funcionários e caloteiros enquanto tinha forças para fazê-lo. Foi aí que entrei. Infelizmente, isso significava que estava em uma cobertura de hotel qualquer, sozinho e cansado. Eu amava o poder e a responsabilidade,


mas me ressentia sobre a política corporativa da monotonia. Isso me lembrava muito da minha família. Meu pai morreu jovem em um acidente de caminhão, e nem minha irmã e nem eu confiávamos em minha mãe sobre a responsabilidade de gerir as empresas de Lorena, que convenientemente deixou tudo em meus ombros. Tomei um gole da minha bebida e refleti sobre a lista de pessoas que conhecia na cidade que não eram da minha família. Tinha Dean, um velho amigo da faculdade que tinha se estabelecido em Nova York depois da escola, mas eu não poderia chama-lo no meio da noite, só para dizer que estava de volta à cidade. Fiz uma nota mental de que deveria ligar para ele no dia seguinte, virei para minha mesa totalmente acordado. Abrir meu laptop a meia noite era um declínio - como qualquer viciado em trabalho, - mas estava muito longe de fingir que não tinha nenhum equilíbrio na minha vida. Responder emails me ajuda a botar meu trabalho em ordem, e se não ajudasse, eu dormiria melhor sabendo que o meu trabalho de amanhã estava adiantado. Sentei na cadeira em frente à mesa do hotel. Tinha vinte e dois emails não abertos, a maioria era resumos de documentos e currículos para a vaga de assistente executivo que eu tinha postado na web mais cedo. Havia colocado em páginas de alunos do Columbia e NYU, sabia que havia um número de candidatos mais que interessados no emprego. E uma imagem de Josephine passou pela minha cabeça. Havia prometido a ela que todos os candidatos seriam avaliados justamente, mas a imagem dela naquele vestido vermelho era difícil de esquecer.


Ainda

assim,

eu

sabia

como

conduzir

uma

entrevista

profissionalmente. Não era só porque ela era linda que seria a mais qualificada para o trabalho. Além do mais, facilitaria muito a minha vida se ela não fosse. Curiosamente, rolei para baixo nos e-mails até achar um mandado por jbkeller@gmail.com. Ela mandou o currículo uma hora depois do meu post sobre o trabalho. Abri seu currículo, tentando ficar o mais imparcial possível. Ela cursou uma pequena escola de moda no Texas com ênfase em propaganda e marketing. Estagiou para algumas marcas locais enquanto estudava e começou um blog alguns anos depois e o blog se tornou seu único trabalho. Cliquei no link do seu site e ri com o nome. O que Jo usa era um site simples. De uso amigável, com um layout simples e gráfico profissional. Meu interesse foi despertado quando vi que seu último post foi sobre a festa. O que Jo usa Post #1248: Você não conseguirá nada ficando em sua zona de conforto. Comentários: 34 Likes: 309 Essa noite, moças e rapazes, compareci ao New York Fashion Gala. Isso mesmo, Josephine Keller, caipira de lá debaixo no Texas (que é bem no meio oeste selvagem, para vocês que nunca se arriscaram além da quinta avenida) estava se acotovelando com a elite nova-iorquina. Eu aluguei um vestido da renttherunway.com.


Recomendo, no caso de você ser como eu, com gosto para grife, mas um orçamento barato. Prometo a vocês todos os detalhes suculentos, assim que acordar amanhã cedo, mas nesse meio tempo, aqui vão três tendências que reparei sobre Nova York nesta tarde: - Macacões robustos. Estou falando sério, gente. Mães de todos os lugares estão se emparelhando com bolsas Berlin e tênis converse branco. Estive vendo alguns pares por aí. CUIDADO: com essas tendências, elas podem não durar. Certifique-se de não estar combinando seus macacões com nenhum dos itens a seguir: grandes tênis, camisetas enormes, ou proibidíssimo - pochetes. - Pinte seus lábios com cores brilhantes. (Eu estava usando um vermelho escuro essa noite. Foi um pouco ousado, mas eu queria me sobressair.). - Grandes e espalhafatosos colares. Combine ele com um vestido de malha ou coloque-o sobre um J. Crew. Esses colares são tendência para várias temporadas. Eu garanto. Tudo bem, tenho que ficar produzida para uma festa! Já estou nervosa, mas vou pensar sobre mudar o título desse blog, toda vez que eu quiser desistir: Você nunca vai conseguir nada, ficando na sua zona de conforto!!!! Até amanhã, Xo Jo

Eu estava bastante impressionado com ela para passar por outras páginas do arquivo que ela postou.


Sua escrita era reconfortante e real. A maioria das mulheres que trabalham com moda em NY não admitiria que comprava em brechós, mas Josephine tem um frescor com relação a ela, que faz seus leitores a apreciarem e se conectarem. Após passar por algumas páginas voltei para o meu e-mail e me aventurei por outros currículos. Havia vários bem qualificados para o trabalho, muitos graduados em Parson e Fit. Havia candidatos que estagiaram com Tommy Hilfiger e com outras grandes marcas, mas no final da minha bebida, ainda pensava em Josephine. Ela tinha quase a metade da experiência de trabalho dos outros candidatos, mas me peguei já imaginando ela no cargo, eu e ela poderíamos trabalhar bem em conjunto. Ela me fez sorrir. Isso não era importante? E com certeza estava tendo outro vislumbre daqueles lábios. Todo homem tem seu ponto fraco. Antes de fechar meu computador por essa noite, abri outra janela de e-mail e comecei a digitar, mesmo sem muito bom senso definido. Assunto: solicitação de entrevista de Julian Lefray.


CAPITULO 06 Josephine Acordei bem cedo na manhã seguinte a festa, pronta para um copo de café repleto de falso otimismo. Estava planejando verificar meu e-mail, achar minha roupa mais profissional, e depois rodopiar até o escritório de Lorena para uma entrevista. O fato de eu não ter a mínima ideia de onde era o escritório dela era só um detalhe. Infelizmente, minha grande atitude de descobrir o endereço não foi necessária. O primeiro e-mail, bem no topo da minha negligenciada caixa de mensagem era do Sr. Foda-me em pessoa. Err, quero dizer, Julian Lefray. E ele foi enviado a 1:14 da madrugada, o que me fez imediatamente pensar se ele ficou acordado pensando em mim, mas entendi. Nãooo. Não. Não vá lá. Você precisa de um trabalho e ele procura uma assistente. Nem mais, nem menos. Ignore a alta, escura e linda vibração. Namorados saídos de livros existem por alguma razão. Julian precisava de uma assistente e ser organizada não era realmente meu forte, eu precisava tanto desse emprego que fingiria ser. Uma olhar para a montanha de contas empilhadas no balcão da minha cozinha levava para esse fato. Imediatamente

respondi

ao

seu

e-mail

dizendo

da

minha

disponibilidade, em seguida, arrastei meu laptop de volta para minha cama para digitar meu próximo post no blog. O que Jo usa


Post #1250: Vestuário para entrevista de trabalho (ou fingir ser mais profissional do que realmente sou...) Comentários: 55 Likes: 513 Amanhã terei uma super, mega importante entrevista de emprego. Eu sei, AHHHH. Mandem-me algumas vibrações boas no meu caminho! Vocês estão sempre me pedindo para postar sobre trajes para o trabalho, então pensei em compartilhar com vocês três dos meus trajes favoritos para uma entrevista. A maioria dos itens é de brechó ou de alguma outra estação, mas alguns dos itens você ainda pode achar pela web. Além disso, uma retratação: tirei essas fotos usando o timer da minha câmera, então me desculpem pela produção pobre. Ainda não achei ninguém em NY para me ajudar com as fotos. Estava acostumada a subornar minha melhor amiga Lily para tirar minhas fotos lá no Texas. Vamos esperar pelo bem de vocês que encontre logo alguém! Por agora, vamos apenas fingir que essas fotos são impressionantes! Até amanhã, XO JO --No dia da minha entrevista, acordei muito mais cedo e vesti uma calça azul marinho com uma blusa creme de manga comprida por dentro. No dia anterior, pesquisei sobre a companhia de Lorena enquanto assistia a uma maratona de assassinatos misteriosos na tv. Claro, agora eu estava


muito paranoica sobre ser sequestrada, mas pelo menos estava preparada para minha entrevista. Julian quis que o encontrasse no Blacksmith Café as 9:00, astuto. Mais uma vez, tentei não esperar muito sobre o local da sua escolha. Emails de madrugada, entrevistas em cafés… sei, a maioria das entrevistas são feitas em salas de reunião abafadas, chatos homens de negócios, mas talvez Julian goste de esticar as pernas. Eu estava me aproximando da cafeteria, tentando me dar um estimulo quando meu telefone tocou na minha mão. Lily: Boa sorte com o seu encontro no café. Ah, me desculpe, ‘entrevista’. ;) Josephine: PARA. Sério. Não tem nada acontecendo. Eu sou uma mulher profissional. Lily: Eu dei uma olhada nele pelo seu e-mail ontem… você sabe, talvez devesse ter mencionado o fato dele ser cem por cento gostoso nos padrões Josephine? Ele é? Josephine: não tinha notado. Lily: Isso me soa como bobagem. Josephine: lalalalalala. Não consigo te ouvir, o som do meu futuro está chamando. Oh, e é a Vogue. É melhor eu atender. Lily: Você é tão baixa. Guardei meu telefone, puxei meus ombros para trás e levantei minha cabeça enquanto abria a porta do café. Eu não poderia deixar Lily mexer com a minha cabeça. Precisava entrar em ‘modo de negócios’. E eu sou Josephine, ouça-me rugir. O aroma do café tomou conta de mim quando entrei na loja. Era um espaço pequeno e íntimo. Uma das paredes era de tijolos vermelhos, a outra foi coberta com madeira. Lustres Mercury de vidro estavam


pendurados em cima de dois sofás antigos de veludo verde, disposto para as pessoas sentarem, enquanto esperam seus cafés. Continuei andando, passando pela fila do café, olhando a sala a procura de Julian. Havia uma pequena e isolada sala na parte de trás e, quando fui à frente do arco de tijolos central, avistei Julian em uma mesa contra a parede, senti um frio no estômago quando o vi. Ele não estava vestido como na festa. Usava uma camisa branca, sem gravata. O botão de cima da camisa estava desfeito e ele havia erguido as mangas até o cotovelo. Ele se ajustou na cadeira e estendeu a mão para alisar suas calças. Estudei suas mãos, estavam descansando sobre sua coxa antes dele olhar para cima, para a menina a sua frente que se aproximava da sua mesa. Ela riu enquanto se sentava, dizendo algo irritantemente bonitinho, tenho certeza. Eu estava quinze minutos adiantada para o nosso compromisso e, claramente, ele não tinha acabado a entrevista antes da minha. Por que isso me incomodou tanto? Eu estava pronta para voltar, me sentindo uma voyeur ali parada, olhando, quando Julian levantou a mão. “Basta nos dar apenas mais dez minutos, Josephine,” disse com um sorriso, se desculpando. Deus, ele me viu aqui parada. Forcei um aceno e fui para a fila do café. O tempo todo que esperei meu Latte de baunilha considerei o quanto Julian poderia fugir com aquele sorriso de desculpas. E aquelas covinhas. O olhar genuíno dos seus olhos castanhos. O homem não deve ter ouvido ‘não’ desde que tinha cinco anos.


Eu tinha minha bebida em mãos, a cadeira em frente a Julian estava vazia e fiz meu caminho de volta. Seria a garota antes de mim qualificada para o trabalho? Mais do que eu? Julian estava escrevendo alguma coisa em seu Iphone quando me aproximei, mas quando me viu com o canto do olho, guardou seu telefone e puxou a cadeira para mim. “Ora, muito obrigada,” brinquei. Ele sorriu. “Desculpa, a entrevista demorou um pouco mais. Espero que você não tenha esperado muito,” ele disse, inclinando-se um pouco para que eu pudesse ouvi-lo melhor por causa do ruído em volta. Meu corpo interpretou a situação totalmente errado. O jeito que ele puxou minha cadeira e se inclinou, ficando a uma pequena mesa de distância. O jeito que ele me examinou antes de tomar um pequeno gole do seu café. Meu coração pensou, ‘Wow, esse encontro está indo bem!’ Enquanto meu cérebro berrava para mim que isso era uma entrevista de emprego. “Eu admito que pensei ser a única candidata a encontra-lo aqui hoje,” disse, não sabendo de onde veio tanta honestidade. “Por que você pensou isso?” Ele perguntou com um sorriso confuso. Dei de ombros, olhando para uma mesa ao lado enquanto processava minha resposta. “Acho que porque talvez esse seja um local estranho para uma entrevista.” Julian franziu a testa, olhando pela loja. “Ah, admito que foi minha culpa, Lorena vinha trabalhando em um armazém em ruínas no Brooklyn. Tive que escolher entre ter todos vocês


indo até lá e pegando tétano de algum prego ou fazer uma fila com vocês na porta do meu quarto de hotel.” A imagem dele em seu quarto de hotel, na sua suíte, imediatamente veio a minha mente. Deixei o pensamento de lado e tentei ignorar o rubor que sabia ter surgido em todo meu rosto. “Bem, para registro, tomei minha vacina antitetânica,” disse com um sorriso, tentando sufocar os pensamentos de Julian nu. Ele riu e não perdi a oportunidade de lhe mostrar meu currículo e deslizar para ele. “Eu li um pouco dos seus posts no blog ontem à noite,” ofereceu antes de se recostar em sua cadeira, me estudando, ignorando completamente meu currículo. “Serio?” Perguntei, chocada com sua admissão. Ele notou. “Eles são charmosos. Muito reais. Gostei deles.” Não acho que meus olhos poderiam estar mais abertos. “Uau.” Balancei a cabeça, guardando suas palavras em minha cabeça para poder usá-las mais tarde quando precisasse de um incentivo. “Obrigada.” “Você acha que seu blog atrapalharia seu trabalho?” O que? “Ah, Não! Não. Eu escrevo a noite e tiro minhas fotos nas manhãs de sábado. Sou bastante flexível.” Ele balançou a cabeça, aparentemente satisfeito com a minha resposta. “Conte-me um pouco sobre a sua história.” Eu sorri. Adorava falar da minha casa. Cresci em uma cidade pequena no Texas. Tinha algumas histórias interessantes. Decidi deixar de fora as vacas e fogueiras, falando da minha família e meus anos de colégio.


“Eu amava, mas assim que pude vim para cá.” “Então, você veio para cá a alguns anos?” Entrelacei minhas mãos sobre a mesa. “Hum, na verdade, foi há duas semanas.” “Uau, então sua mudança é recente,” ele disse. “Muito recente,” admiti. Ainda estava aprendendo como lidar com a cidade grande. Assim que me dei conta que não tinha visto de tudo ainda, pisei fora do metrô e andei por três quarteirões, vi algumas lutas, separações e até noivados. Em um determinado dia, metade dos vagões do metrô cheirava a urina, e tentar chegar a qualquer lugar na hora era impossível. Era estressante viver na cidade e ainda não tinha encontrado meu ninho, mas tinha sonhos. Um dia, quando conseguir pagar minha pilha enorme de empréstimos estudantis e estiver trabalhando para Vogue, me mudarei para Upper East Side e experimentarei a cidade sobre uma nova luz. “Então você fez faculdade de moda no Texas?” Ele estava fazendo seu melhor para não julgar, mas eu poderia dizer que ele não estava impressionado pela minha falta de experiência. “Eu te asseguro que tive uma boa educação lá. Muitas aulas práticas e estagiei com Kendra Scott na escola. Ela tem uma joalheria no Texas.” “Eu sei quem ela é,” Julian lançou um olhar para o meu currículo. “Posso parecer não ser tão qualificada quanto alguns dos outros candidatos, mas o que não tenho em experiência compenso em comprometimento e trabalho ético.” Ele me estudou atentamente enquanto eu discursava e alguma coisa em seu olhar me forçou a olhar para baixo, para o meu café, e me recompor. Tendo sua atenção em mim, seus olhos em mim, foi difícil ter estômago. Parecia um tratamento raro, algumas mulheres não tiveram


sorte o suficiente na sua vida. Queria saborear sua atenção um pouco mais enquanto a tinha. “Eu gostaria de lhe oferecer o emprego.” Atirei meu olhar de volta para ele, para ver se não estava brincando. Suas covinhas estavam lá, mas o sorriso tinha ido. Seus olhos estavam claros e brilhantes. Sua feição era relaxada e focada. Ele não estava brincando. Quantas pessoas ele deve ter entrevistado antes de mim? Duas? Três, no máximo? Minha boca abriu alguns segundos antes das palavras finalmente saírem. “Você está me oferecendo o trabalho agora? E se aparecer alguém melhor ao longo da tarde?” CALADA. Ele está te dando o emprego. “Meu instinto me diz para dá-lo a você, e ele dificilmente falha.” Ele sorriu, limpando minhas preocupações facilmente. Bem, deve ser porque seus instintos são feitos de um abdômen duro como pedra; ele não falharia com ninguém. “Tenho uma condição,” eu disse. Sua sobrancelha arqueou. “Acho que posso usar minhas habilidades como blogger para rejuvenescer a imagem da sua marca. Por muitos anos Lorena focou somente em seus projetos, não no lado da marca. Ela não usa a mídia social como outras marcas. Quero dizer, Rachel Zoe e Diane Von Furstenberg tem câmeras seguindo seus passos 24/7 em reality shows. Nós temos que colocar Lorena Lefray aos olhos do público.” “E você acha que consegue fazer isso?” Endireitei minhas costas.


“Eu tenho um grande número de seguidores no YouTube e twitter. Sei que posso fazer isso.” “Desculpe-me,” uma voz doce veio de trás de mim. Virei em minha cadeira para ver uma mulher mais ou menos da minha idade, parada com um portfólio em seus braços. Ela era bonita, angelical realmente. “Vocês já acabaram?” Perguntou, olhando entre nós dois. “Não quero ser rude. É que as outras entrevistas duraram cerca de cinco minutos e tenho que correr pela cidade para um compromisso em quinze minutos.” Julian mexeu suas mãos, silenciando ela e ficando de pé ao mesmo tempo. Ele pegou seu casaco e olhou para os outros poucos candidatos que estavam na sala sem me avisar. “Eu acho que já acabamos aqui.” Ele parou e olhou para mim. “Isso, se você aceitar?” Eu tinha dois segundos para tomar uma decisão. Dois segundos com Julian foda-me Lefray - e decidir se queria um trabalho onde poderia olhá-lo o dia inteiro, todo dia. A decisão mais fácil da minha vida. Eu balancei a cabeça e estendi a mão para apertar a sua. “Eu aceito.” Tentei não sorrir muito com a sensação da sua mão na minha de novo. Ele balançou a cabeça e se dirigiu ao pequeno grupo de candidatos. “Obrigado a todos por terem vindo hoje, mas a vaga já foi preenchida.” Eu sorri. Agora, se somente ele pudesse sentir algo mais... E as fantasias sexuais começaram. Encantador.


CAPITULO 07 Julian “Eu acho que eles estão tentando me envenenar aqui.” O que? dei uma olhada para Lorena, para ver se ela falava sério. Minha irmã, a artista excêntrica da família, sentou em sua cama e cruzou os braços. Ela apontou para a comida na sua frente. Parecia bastante decente para mim, só um pouco insossa. “Relaxe, Lorena. Você está na melhor clínica de reabilitação da costa leste, não com a enfermeira Ratchet2.” Ela zombou. “Bem, parece que estou em um manicômio. Olhe para isso, parece alface, mas com uma péssima aparência!” Revirei os olhos. “Isso é brócolis, Lorena.” Ela me olhou como se nada fizesse sentido. “Não

consigo

entrar

nas

minhas

roupas

antigas,”

disse,

redirecionando sua atenção para o seu exuberante closet, fazendo uma careta para a pilha de roupas que fez depois de ter provado sem guardar. “Isso é uma coisa boa,” assegurei a ela. “Você estava muito magra antes. Um pouco de peso significa que está ficando saudável.” Minha família não falava sobre o vício em drogas de Lorena por muito tempo. As dicas e sinais de alerta foram varridos para debaixo do tapete, junto com as outras carcaças que minha mãe acreditava dever

2

Enfermeira Mildred Ratched é a principal antagonista no filme de Miloš Forman "Um Estranho no Ninho". Ela é uma sociopata, tirana, cruel e sádica mulher que controla seus pacientes com punho de ferro. Ao ser contrariada por algum deles, de forma sutil usa seus métodos de humilhação como punição.


manter

trancadas

em

um

armário.

Lorena,

provavelmente,

teria

procurado ajuda anos antes se pudesse falar do seu problema. “Eu te trouxe uma coisa,” disse, me virando para a bolsa marrom atrás da minha cadeira. eus olhos castanhos brilharam e soube na hora que fiz a coisa certa lhe trazendo um presente. Ela estendeu as mãos para pegar o grande pacote. Abriu sem hesitação e tirou um quadro preto que peguei no caminho. Havia três fotos enquadradas lado a lado. Uma foto era de nós dois quando pequenos, com dentes grandes e caras sujas. A segunda foto era de nós dois no ano anterior, no Natal. E a terceira era de nós juntos com nosso pai, antes dele morrer. Eu não havia colocado fotos da minha mãe de propósito. “Haaa, eu amei!” Ela disse, segurando o quadro na sua frente para poder ver melhor. fiquei ao seu lado por um momento. Ela estava em reabilitação só A algumas semanas, mas já parecia melhor que em anos. Suas bochechas estavam coradas com uma cor saudável e ela estava um pouco mais ‘gordinha’. Prometi pendurar o quadro em sua parede antes de ir, sabendo que isso daria alguma personalidade ao seu quarto. Cada ‘convidado’ da clínica The White Dunes tinha seu próprio pequeno quarto. Era a mais cara clínica de reabilitação de Long Island, mas mesmo seu luxuoso quarto parecia uma cela, mas sabia que aquilo era para o bem de Lorena. As paredes eram brancas. Os lençóis eram brancos. A mesa, as portas e o vestíbulo, tudo branco. A falta de cor não era seu estilo e eu a ajudaria a redecorar o máximo que pudesse. “Chega de enrolação, como anda minha empresa?” Ela perguntou, colocando o quadro no seu colo e olhando com expectativa para mim.


“Estou ‘limpando a casa’,” declarei, sem enrolação. No último ano, ela fez tudo que pôde para fortalecer sua empresa. Se há alguma esperança de revitalização, será preciso uma inspeção, começando com os funcionários. “Geoff? E a Gina?” Perguntou com esperanças nos olhos. “Todos serão substituídos.” Eu

não

tinha

nenhum

remorso

de

ter

dispensado

alguns

empregados. Não havia muitos, mas todos sem qualificações, todos facilitadores no vicio de Lorena. A expulsão deles já era para ter sido feita a um longo tempo e ela sabia disso. Lorena revirou os olhos e começou a enrolar o cabelo em um coque no topo da sua cabeça. Ela havia descolorido o cabelo marrom que compartilhávamos para loiro, quase branco há algum tempo atrás. As raízes já mostravam que ela estava há algum tempo na reabilitação, mas sei que ela os arrumaria assim que pudesse. “E o meu lugar no Brooklyn? Esta nos seus planos ou você vai dispensá-lo também?” Franzi as sobrancelhas, pensando no quanto ela realmente queria que fosse honesto. Eu tinha planos para reerguer sua empresa, para me livrar dos empregados e limpar suas despensas. Teria feito anos atrás, mas esse era o bebê de Lorena e respeitei sua necessidade de tomar suas próprias decisões. Eu tinha 49% da empresa e esses 49% não seriam nada se nenhuma atitude fosse tomada. “O armazém no Brooklyn está alugado pelos próximos dois meses, mas eu gostaria de mudar a empresa para o centro de Manhattan.” Ela gemeu, mas fingi que não percebi.


“Enquanto eu estiver na empresa, não irei viajar para o Brooklyn todas as manhãs. Achei um lugar em Manhattan e vou montar uma loja lá.” “E você será o único empregado? Que maravilhoso.” Ela jogou as mãos para o alto em derrota. “Na realidade, não. Contratei alguém essa manhã.” Ela fixou seu olhar em mim, curiosidade e ceticismo lutavam para tomar conta de suas feições. “E quem, em nome de Deus, você contratou para gerenciar minha empresa? Algum idiota recém-saído da escola de moda? Então Deus me ajude se pensam que podem vir e pegar meus projetos.” “Relaxe. Eu contratei alguém que você irá gostar. O nome dela é Josephine Keller.” “Espere. Josephine do blog ‘O que Jo usa’?” “Você a conhece?” Lorena assentiu. “Eu não vivo debaixo da terra. Ela é aquela bonita blogger do Texas, certo?” Hesitei e balancei a cabeça antes de dizer a mim mesmo que só estava confirmando que ela veio do Texas, não que ela fosse bonita, mesmo que fosse. Maravilhosa na verdade, mas deixei para lá. “Ela será minha assistente, mas também vai me ajudar com a marca e a propaganda.” “Onde vocês dois irão trabalhar enquanto você procura um novo lugar?” Suspirei antes de responder. “Meu hotel.” Lorena consentiu arqueando uma sobrancelha. “Interessante. Quero dizer, conveniente.”


“O que?” Perguntei. “Nada,” ela sacudiu a cabeça. “Você não tem nenhum escritório para eu dar uma olhada?” “Irei me encontrar com um corretor amanhã de manhã. Vou te trazer os prospectos das propriedades depois disso.” “Assumindo que ainda estarei viva amanhã.” Lorena franziu as sobrancelhas, justamente quando bateram na porta. Um pouco depois, ‘um assistente de recuperação e bem-estar’ colocou sua cabeça para dentro e sorriu. “As atividades em grupo irão começar na sala principal em quinze minutos. Estaremos fazendo a triagem com Dezesseis Velas enquanto dezesseis lâmpadas serão acesas com diferentes óleos terapêuticos e aromáticos.” Ela sorriu e fechou a porta depois do seu anúncio e os olhos de Lorena se arregalaram em horror. “Você vê o que eu digo? Eles estão me envenenando com filmes dos anos 80 e alfaces nojentas.” Eu ri e me levantei para sair. Minha irmãzinha havia feito sua cama, e agora teria que deitar nela.


CAPITULO 08 Josephine Acabei de mastigar o último pedaço de donuts quando o meu telefone começou a tocar na minha mão. Limpei o glacê de chocolate da minha boca e joguei a caixa do donuts no lixo. Tomei um cuidado maior para me livrar de todos os doces e deliciosas evidências porque era assim que funcionava a negação. Sem provas, sem calorias. Ha! Depois de limpar minhas mãos, deslizei meu dedo pela tela e atendi. “Alô?” Sim, minha boca ainda continuava bem bonita. Atraente, eu sei. “Josephine?“ A profunda voz enviou um arrepio pela minha espinha. Engoli devagar. “Julian?” Perguntei, colocando o telefone na minha frente para poder ver o número. Não reconheci o código de área. “Sim, desculpa por ligar tão cedo. Só queria te avisar que não estaremos nos encontrando no meu quarto de hotel como havíamos combinado.” “Oh.” Eu soei triste. Por que havia soado triste? Estaria querendo dar uma olhada no quarto do Julian? Queria eu algum tempo a sós com ele? “Esta tudo bem?“ Ele perguntou, parecendo preocupado. “Claro! Sim. Onde nos encontraremos então?“ “Meu corretor agendou alguns lugares pra gente dar uma olhada. Mandarei uma mensagem com o endereço depois que desligar.”


“Está bem. Legal. Eu adoraria dar uma olhada nos imóveis.” Ele riu. “Sério?” “Sim.” “Eu não consigo dizer se você está brincando.” Eu ri. “Sou meio viciada nesses programas de vendas de imóveis na TV. Não é muito saudável.” “Ah entendo. Bem, estamos indo para alguns lugares inacabados, então tenha certeza de calçar sapatos fechados.” “Ah, não se preocupe. Eu os calçarei,” garanti. “Você está se arrumando enquanto nos falamos? Eu já estou indo para o primeiro endereço.” Ah, merda. “Deixe-me ir, assim posso fazer um mapa.” “Tudo bem, boa sorte.” Guardei meu telefone e fui terminar de me arrumar. Ontem à noite Julian havia me mandado um e-mail com detalhes do meu primeiro dia. Planejava o encontrar no hotel - onde estaríamos trabalhando até acharmos um lugar em Manhattan - mas se iríamos correr pela cidade o dia todo, eu precisaria mudar de sapatos. Meus pés estariam gritando no segundo endereço da lista. Deslizei para uma sapatilha preta e me olhei no espelho atrás da porta. Farelos de chocolate estavam no canto da minha boca dos donuts que comi alguns minutos antes. Limpei e ajeitei a maquiagem. Nada mal. Nada mal mesmo. O tempo estava começando a esquentar em Nova York, mas ainda havia um vento fresco pela manhã, então fui para o primeiro endereço de metrô.


Julian estava em pé de frente à entrada do prédio, conversando com um homem baixo, vestindo um terno de três peças. O homem tinha uma gravata azul combinando com uma pasta e uma coisa de Bluetooth saindo do seu ouvido. Ah, ele definitivamente era o corretor. “Josephine,” Julian disse com um sorriso, se aproximando. Dei uma olhada em sua roupa rapidamente, tentando afastar a luxúria que apareceu com sua visão.

Calças pretas - horrível. Camisa

branca desabotoada em cima - horrível. Jaqueta preta - quem acha braços definidos e peitorais largo atraentes? Ninguém. Ele estendeu a mão e agarrou meu braço logo acima do cotovelo, se inclinando para beijar minha bochecha. JESUS CRISTO. Ele cheirava divinamente, como se tivesse passado a manhã na floresta construindo uma cabana. Odeio-o. Depois de me beijar, continuou com sua mão em meu braço, me apresentando a Sergio, seu corretor. Pegando como dica, Sergio veio me beijar na outra bochecha. Me assustei, batendo meu nariz em sua ‘coisa’ de ouvido derrubando a ‘coisa’. “Oh, me desculpe, deixe-me pegar para você!” Cantei, tentando disfarçar o constrangimento. Eu me abaixei e peguei o negócio antes que um dos dois pudesse pegar, depois entreguei a Sergio com um sorriso, me desculpando. “Só me deixe pegar a chave e então poderemos entrar,” Sergio explicou. Balancei a cabeça e molhei meus lábios, tentando, de verdade, acalmar meus nervos enquanto olhava de relance para Julian. Me senti tão confiante no telefone, mas, pessoalmente, minha coragem havia desaparecido como se nunca tivesse existido.


“Sem macacão, estou um pouco desapontado,” Julian brincou quando se virou para mim. Eu ri e dei uma olhada na minha roupa. Ele leu meu blog! “Eu imaginei que macacões eram mais um look para o segundo dia de trabalho.” Disse com um sorriso. Julian sorriu. “Como seria um look para o terceiro dia de trabalho, então?” “Jorts3.” Ele riu, mas franziu as sobrancelhas. “Jorts?” Meu sorriso sumiu. “Ah qual é? Você não sabe o que é um short jeans?” Ele balançou a cabeça assombrado. “São calças cortadas, para servirem de shorts.” Fingi cortar ao longo das minhas coxas. “Usados principalmente por hipsters com bigode.” “Eu imagino que os verei na quinta-feira,” ele riu. “Achei!” Sergio exclamou, apontando para frente e abrindo a porta com tanto brilho, digno de Vanna White. E então começou o nosso tour por péssimos imóveis em Nova York. Julian e eu rapidamente aprendemos sobre a lei de propriedade. Qualquer pequeno ponto custa o equivalente a uma pequena ilha no Mediterrâneo, e se a propriedade tivesse um preço razoável, bem, sempre tinha uma razão. Ratos, tubulação exposta, sem janelas - era uma lista interminável. Mais ou menos no sexto endereço, nós dois já estávamos perdendo a esperança de achar algo rápido. Nós estávamos no ultimo endereço do dia, um apartamento que estava listado como um espaço comercial, mas não era nada diferente dos outros. O apartamento não tinha mais que 400 metros quadrados e a 3

Uma combinação das palavras "jean" e "shorts" usado para descrever o traje.


planta incrivelmente singular. Logo que entramos, fomos deixados em um pequeno quarto com três cadeiras encostadas na parede. Um lustre ornamentado preto pendurado no teto. Mas não havia nada nas paredes. Parecia com uma sala de espera. “O espaço está desocupado?” Eu perguntei ao corretor. “Sim. Eles deixarão o local em duas semanas e o dono quer ocupá-lo logo.” Balancei a cabeça e continuei andando, cética com o que encontraríamos. Havia uma cozinha a esquerda e ao lado havia duas pequenas portas destacadas no fim do corredor, “Como alguém pode classificar isso como um espaço comercial?” Julian perguntou, seguindo depois de mim. Ele parecia tão desapontado quanto eu. Fui até a primeira porta e girei a maçaneta para ver dentro. O quarto era pequeno e escuro, parecia um armário. Deus. “A gente poderia cada um pegar um armário e fingir ser um escritório,” brinquei. Julian parou atrás de mim para que pudesse ver o quarto. Fui para frente, acendendo as luzes, mas estava fora do meu alcance. Mesmo assim, pude ver que as paredes estavam cobertas com um papel de parede vermelho com uma impressão em damasco. Primeiro o lustre preto, agora paredes vermelhas? Eu acabei de entrar no covil do Drácula? “Não, claramente essa será a sala de descanso dos funcionários,” disse secamente. “Acho que a falta de janelas é um bônus.” Sorri e dei outro passo para dentro do cômodo, curiosa para saber para que esse espaço era usado. Certamente isso não era o escritório de alguém, certo? Conforme meus olhos se ajustaram a falta de luz, vi que através das paredes do meu lado tinham sido instaladas barras na horizontal. Pareciam ser usados


como prateleiras de roupas, mas numa altura muito estranha, muito alta para a maioria das pessoas. Então vi bem no centro, perto da parte de trás, tinha um poste do teto até o chão, parecia um poste de bombeiro, mas não fazia sentido… E então eu entendi. Puta merda. Visualizei a sala e vi que todos os meus pesadelos se tornaram realidade. No chão, perto do poste, havia camisinhas e um par de algemas de couro e tudo. “Julian.” “Isso é um poste para strippers?” Perguntou, ficando mais perto. Pobre homem ingênuo. “Acho que estamos dentro de uma masmorra do sexo,” eu disse. Ele soltou uma risada e ficou mais perto. “Como você sabe a aparência de uma?” Perguntou, parando atrás de mim e pressionando a mão nas minhas costas, tentando ter uma visão melhor do lugar. Eu corei, embora ele não pudesse ver. “Eu li sobre isso,” me virei, vendo suas sobrancelhas arqueadas com interesse e seus olhos castanhos encontrando os meus na escuridão. “Por razões cientificas, é claro,” eu disse, segurando minhas mãos. “Oh,

tenho

certeza,”

ele

balançou

a

cabeça,

garantindo

sarcasticamente. “Por que você acha que estamos em um calabouço do sexo? Por causa do poste?” Apontei para a pilha de itens esquecidos no chão. Ele chegou mais perto para poder ver melhor e então ouvi um barulho de algo sendo esmagado, seguido de Julian perder momentaneamente seu equilíbrio.


Fechei meus olhos bem apertados para poder manter minha compostura, pois sabia que estava a segundos de cair na gargalhada histericamente. “Mas o que é isso?” Perguntou. Ele levantou o pé e olhou para baixo. “Julian, tenho quase certeza que você pisou em uma esfera anal.”


CAPITULO 09 Julian “Espere. Espere. Espere. Você esta me dizendo que passou o dia fazendo turismo em masmorras do sexo enquanto o resto de nós trabalhava?” Dean gemeu enquanto acenava para a garçonete voltar para nós. “Eu posso ajudá-los?” Ela perguntou, olhando para Dean com um interesse ruidoso. “Sim.” Dean apontou para mim e olhei a garçonete ficar entre ele e eu, sem saber em quem prestar atenção. “Esse bastardo aqui gostaria de me pagar outra cerveja.” Disse, colocando sua mão no meu ombro e apertando forte. Revirei meus olhos, mas acenei para ela ir em frente com o pedido. Após dias bancando o educado com Dean ao telefone, finalmente combinamos de nos encontrar depois do trabalho, no bar do meu hotel. Eu não o via há anos, não desde o casamento de um antigo colega da escola, então o mínimo que poderia fazer por ele era lhe comprar outra cerveja. “Então, nenhuma garota na sua vida? Ninguém que você possa levar para a masmorra do sexo que descobriu?” Dean perguntou com um sorriso atrevido. Pensei em como o trabalho me dominou ultimamente - e então, do nada, Josephine surgiu no meu pensamento. Balancei minha cabeça para limpar as memórias dela em pé, parada, no quarto escuro, dela rindo e de fugirmos do apartamento o mais rápido possível. Percebi que Dean ainda esperava uma resposta.


“Não, eu as deixei em Boston,” disse, dando de ombros. Um jogo de basquete passava atrás da cabeça de Dean e dei uma rápida olhada no placar, antes de encontrar seus olhos. Seu olhar cético me disse que ele não acreditou em mim. “Julian comedor Lefray não tem uma garota seguindo ele por ai como uma cadelinha no cio?” Dean perguntou, apertando suas mãos no peito como se estivesse tendo um ataque cardíaco. “No que o mundo se transformou?” Eu sorri. “As coisas mudam.” Ele sorriu preguiçosamente, mas não me desafiou. “E quanto a você? Como vão os negócios?” Perguntei, esperando levar a conversa para outro rumo, bem longe de mim. Aos trinta e dois anos Dean Harper era um bem sucedido dono de restaurantes em Nova York. Ele já tinha aberto cinco restaurantes bem sucedidos, um deles - uma hamburgueria comum - se tornou uma franquia que se expandiu do Brooklyn para Upper West Side. Ele tinha um dom quando se tratava de proporcionar experiências gastronômicas únicas. Comida era seu forte e sabia que ele provavelmente já estava trabalhando duro em um novo projeto. “Os negócios estão bem,” assentiu. “Vou fazer uma pequena inauguração do Provisions essa semana.” “Já? Eu juro que me lembrava de você falando sobre esse lugar a uma semana,” disse. Ele sorriu - um movimento clássico de Dean - e depois se recostou em sua cadeira.


“Bem, as coisas acontecem rápido no mundo dos restaurantes. Parece que assim que começo a trabalhar em uma ideia, outra logo aparece.” Nossa garçonete reapareceu com as bebidas e se inclinou, nos entregando nossas cervejas geladas. “Posso fazer mais alguma coisa por vocês, garotos?” Disse, com um pequeno sorriso para Dean. Dei risada. “A gente está bem,” eu disse, me salvando de ter que ver Dean flertar com ela pela próxima meia hora. Ele deu um sorriso para ela enquanto saia e pude dar mais uma olhada no jogo de basquete. “De qualquer jeito,” Dean disse, despenteando seu cabelo loiro. “Esse novo lugar é bem legal. A gente tentou fazer um pequeno oásis no meio da cidade. Tem um pátio bem no meio com um pequeno arvoredo. Vai ficar bem onde a ação acontece.” “Deixe-me adivinhar o que os empregados irão usar,” falei. Ele sorriu. “Nós estamos na cidade meu amigo, pele vende.” “Você sabe o que mais vende?” Disse, estreitando meus olhos. “Boa comida.” Dean sorriu. “Por que não os dois?” Sorri e tomei mais um gole da minha cerveja. Nós vimos os últimos minutos do jogo e terminamos nossa cerveja. Dean me contou mais um pouco sobre seu novo restaurante e tentei fazer o possível para não pensar em Josephine. “Eu odeio ter que terminar a noite, mas tenho que trabalhar amanhã cedo,” disse, terminando minha cerveja com uma golada. “Serio?” Dean protestou. “Você trabalha para si mesmo cara, qual é. Toma só mais uma bebida. Ninguém vai notar se você chegar atrasado.”


Sorri. “Na verdade, eles irão.” “O que? Você já contratou alguém?” Dei de ombros, tentando minimizar a situação. “Faz dois dias.” “Onde você o achou?” Decidi não corrigir a sua escolha de pronome. “Na internet.” “Ele é tipo um amigo de Lorena?” perguntou. Inferno, por que ele se importava com meus empregados? Mantive minha atenção na TV e dei a ele a resposta mais curta possível. “Não. Ela não conhece a Lorena.” “Ela?” Ergui minhas mãos em defesa. “É a indústria da moda, o que você esperava? A maioria dos candidatos são mulheres.” Dean se recostou na cadeira com um sorriso de merda. “Acho que essa é a resposta real da minha pergunta de antes.” “O que?” Disparei nele. “Que pergunta?” “Quem o todo poderoso Lefray está comendo.” “Ela é minha empregada!” Argumentei. “Mal a conheço.” “O que ela vestiu para o trabalho hoje? Qual a cor dos seus olhos? Quantas vezes você ficou de olho na bunda dela?” Ignorei suas perguntas, coloquei algum dinheiro na mesa para pagar nossa conta e fui em direção à porta. “Vejo você na minha inauguração esse fim de semana,” Dean gritou. “E tenha certeza de convidar a garota que você não está dormindo! Eu ainda não tenho um par!” Mostrei-lhe o dedo enquanto saia do bar.


CAPITULO 10 Josephine Após nosso dia procurando em meio a propriedades confusas, Julian e eu decidimos que precisávamos nos recuperar e trabalhar em seu hotel. Trabalhar com ele em seu quarto foi, no mínimo, estranho, e quando bati na sua porta na quinta de manhã, tentei acalmar o frio no meu estômago. Ele não me convidou para brincar em sua cama. Isso é trabalho. Mexi-me

em

meus

calcanhares,

esperando

inevitavelmente

a

maçaneta da porta girar, mas não obtive resposta. Aproximei-me e encostei meu ouvido na porta, procurando qualquer tipo de som que pudesse indicar vida. Nada. Cantarolei e me virei, imaginando se, talvez, houvesse batido na porta errada. Dei uma rápida olhada no meu telefone confirmando que estava no número certo, então bati de novo e esperei. Ainda sem resposta. Estava pensando se voltava ou não ao lobby do hotel quando a moça da limpeza virou a esquina empurrando seu carrinho. Ela estava cantando junto com a música que ouvia em seus fones e balançava a cabeça para frente e para trás. Seu cabelo castanho escuro tinha tons de cinza em torno das suas têmporas e seu uniforme se esticava em seu quadril quando andava. Quando ela olhou para cima e me viu ali parada, parou e estreitou seus olhos. Seu olhar foi da cabeça aos pés e então sacudiu a cabeça e continuou empurrando seu carrinho passando por mim.


“Haaaaa.” Gemeu, enquanto se aproximava de mim. ”Essas putas pensam que conseguem pescar um cara rico em quartos de hotel. Bolas, ainda é cedo, nem mesmo meio dia.” “Humm, senhora?” Disse timidamente, tentando a fazer perceber que eu conseguia ouvir cada palavra que ela dizia. Quando nossos olhos se encontraram, ela serrou seus lábios e colocou suas mãos no quadril. “Você é melhor que isso, querida. Volte lá para baixo no lobby e pegue um pouco de café. Vá encontrar Jesus.” Meus olhos se arregalaram. O que ela pensava que tinha acontecido Oh. Oh. Ela realmente pensou que eu era uma prostituta. Olhei para o meu vestido e meu salto. Claro, o meu decote não era exatamente de freira, mas eu também não era uma. Podia mostrar minha clavícula, santo Deus. “Eu estou aqui para encontrar o senhor Lefray a trabalho,” expliquei, sorrindo para dizer a ela que não me ofendi com seu julgamento. “Ah, eu tenho bastante certeza que é um trabalho. O mais velho de todos os tempos.” ela atacou de novo, andando pelo corredor, me passando. Abri minha boca para lhe devolver com força, quando ouvi Julian gritando de dentro do seu quarto. “Já vou, já vou! Desculpe!” Ele disse. O quarto se abriu e fui agraciada com a mais bela visão de toda a minha vida: Julian Lefray pelado. Bem, exceto por uma maldita toalha de hotel enrolada na sua cintura. Ele poderia ser a oitava maravilha do


mundo. Cada polegada dos seus braços definidos, peito, e abdômen estavam lá para eu ver. Bronzeado, tonificado e ainda molhado do banho. Minha boca se abriu. “Você está adiantada,” disse, seus olhos de avelã se arregalaram. “E você esta pelado,” falei. Corando no momento em que as palavras saíram da minha boca. Dando uma rápida olhada para minha esquerda e confirmando que a moça da limpeza tinha parado e estava olhando para nós dois. “Ah, desculpe-me,” Julian disse com um sorriso confuso destinado a empregada. Ele nem imagina o efeito desses sorrisos nas minhas partes de baixo. Uma palavra: acabeideengravidar.

Sim, isso é uma única

palavra. “Bem, está claro que vocês têm negócios pendentes,” ela disse, abanando o dedo na direção dele e se aproximando. “Oh meu Deus,” bufei respirando e Julian me puxou para o seu quarto antes que a mulher começasse a me dar panfletos de igreja. Nossos ombros se esbarraram quando passei por Julian e inalei o cheiro do seu corpo lavado: limpo, masculino, fresco. Era exatamente o que eu esperava e a última coisa que precisava enquanto tentava me recompor. “Eu juro que não era para ter sido assim,” ele disse, fechando a porta atrás dele e erguendo as mãos em um gesto inocente. Larguei minha bolsa com meu laptop em uma cadeira na sala da suíte e me virei para olhar para ele. Abortar! Abortar! Olhar para ele enquanto estava vestindo só uma toalha não era bom para minha sensibilidade.


Antes que pudesse me ajudar, meu olhar seguiu o contorno do seu torso, descendo até seu abdômen, até achar sua mão prendendo a toalha em frente da sua virilha. Bemmm, eu apenas encarei a virilha do meu chefe por mais de dez segundos. Isso vai ajudar na situação. Engoli em seco e olhei para o outro lado. “Realmente penso que deveríamos ter um escritório agora,” ele disse. “Não se preocupe com isso, eu entendo,” disse, admirando a fina arte nas paredes do quarto. Sim, como são boas. Eu amo barcos. Eles são muito mais bonitos do que o torso nu de Julian. Vi pelo canto dos meus olhos ele passando a mão pelo cabelo molhado e então dei um passo para frente. “Estou trabalhando um pouco mais que o normal, então estou correndo um pouco mais tarde.” Fechei meus olhos. “Tudo bem…” ergui minha mão para o silenciar. Estava a dois segundos de me embaraçar, e precisava me prevenir disso acontecer. “Isso já foi estranho antes, mas agora nós estamos parados aqui em pé e você esta usando nada além de uma toalha, então, talvez você devesse ir se vestir agora.” “Certo.” ele riu, virando para o seu quarto. “Sinta-se em casa!” Disse e se trancou no quarto. Só depois dele fechar a porta dei uma olhada no lugar. Era muito arrumado para um quarto de hotel de um cara solteiro. Sem caixas de pizza ou latas de cerveja no chão. O New York Times meio lido do lado de um copo de café vazio em cima da mesa. Ele levou até um tempo para redobrar seu jornal o melhor possível.


“A mulher lá fora achou que você era um prostituta?” Julian gritou através da porta. Eu sorri. “Sim, ela costuma ver uma fila em frente ao quarto 3002?” “Ha ha. Infelizmente, meu único visitante é o Gary do serviço de quarto.” Eu sorri e parei em frente à janela para admirar a vista. “Tudo bem, então suponho que eu só tenha que olhar para o lado errado.” Brinquei quando a porta do quarto se abriu. Ele saiu vestindo uma calça cinza e uma camisa branca de botão. Ele ainda não tinha acabado de abotoar a camisa, então fui agraciada com um flash do seu peito. Pele - checada. Bronzeado - checado; Apenas alguns pelinhos no peito só para me deixar com água na boca - checado. Olhei para cima para ver ele me olhando com curiosidade. Fez a barba que estava lá antes e penteou o cabelo enquanto se vestia. Ele se vestia como um homem de negócios. Pena que o resto dele não. Ficou bronzeado por conta do tempo que passamos olhando propriedades, o que só fazia sua aparência mais atraente. Ele tinha um brilho torturante em seus olhos enquanto me observava pelo quarto, mas apaguei meus pensamentos e empurrei para longe antes que meu silêncio se tornasse muito perceptível. Julian riu. “Com você e minha irmã eu não conseguiria lidar com mais nenhuma mulher na minha vida no momento.” Sentei no sofá e peguei meu computador. “Vou levar isso como um elogio.”


“Deveria mesmo,” ele disse, encontrando meu olhar antes de pegar o telefone do hotel. “Você já comeu?” “Algumas torradas antes de vir para cá.” “Que refeição inspiradora,” disse sarcasticamente, quando uma voz atendeu do outro lado. “Haa!” Argumentei, tentando defender meu amor por torradas, mas ele ergueu a mão para que eu ficasse quieta e sorriu. “Aqui é Julian Lefray da suíte 3002. Gostaria de pedir torradas francesas com linguiça.” “Ah, nojento, todo mundo sabe que bacon é melhor que linguiça,” sussurrei do outro lado do sofá. “E outra com bacon,” disse com uma voz divertida. Ele tampou o telefone e se virou para mim. “Como você prefere seu café?” “Com um pouco de leite de amêndoa, por favor.” “Sim. Dois copos de café, e você poderia trazer um pouco de leite de amêndoas do lado? Isso é tudo. Obrigado.” Ele desligou o telefone e olhou meu laptop enquanto eu digitava minha senha. Pelo canto dos meus olhos vi seus pés descalços e dei um sorriso. Ele penteou o cabelo, se barbeou e colocou uma roupa de negócios, mas, aparentemente, calçar sapatos é pedir muito. “Imagino que se vou força-la a trabalhar em um quarto de hotel, tenho que, pelo menos, alimenta-la,” disse, pegando seu laptop da mesa e se juntando a mim na sala da suíte. Havia dois pequenos sofás, um de frente para o outro e uma poltrona moderna que parecia tão confortável quanto uma rocha. Ele sentou no sofá de frente ao meu e me olhou.


“Tudo bem?” Perguntou, com um tom um pouco mais vulnerável do que estava acostumado. Claro que a situação não era muito normal e eu tinha acabado de ver meu chefe só de toalha, mas nada com Julian parecia estranho ou tenso. Trabalhar de frente para ele e brincar sobre ele contratar garotas da noite parece normal para mim. “Perfeito,” disse, vendo se meu laptop já tinha iniciado. Eu precisava de alguns minutos ainda. “Agora me diga como foi sua noite de meninos antes de eu começar a trabalhar.” Ele olhou para mim. “Oh! Isso me lembra.” Eu inclinei a cabeça e esperei ele continuar. “Tenho um pedido incomum,” ele disse, com um sorriso nervoso. “Oh?” Perguntei, com interesse. Seu olhar encontrou o meu e ele hesitou um momento, decidindo se devia ou não continuar. “Como você se sente com relação a inaugurações?”


CAPITULO 11 Julian Na verdade, eu já sabia que meus sentimentos por Josephine não eram 100% platônicos; a lembrança dela naquele vestido vermelho que usou na festa me assegurou isso. Ela tinha curvas e graça, um rosto clássico, tão lindo que me peguei na última semana tentando memorizar cada detalhe. Além disso, era também genuína e humilde, uma contradição que me fazia pensar se ela sabia o efeito que tinha nos homens ou se passou a vida inteira sem saber disso ainda. Eu disse a mim mesmo que observava todos esses detalhes não por que queria dormir com ela, mas porque nós nos tornamos amigos. Além de Lorena e Dean, Josephine era minha única amiga em Nova York. Porém, depois de apenas uma semana trabalhando com ela, estava bastante certo que gostava mais da companhia dela que dos outros. Ela era esperta e espirituosa, diferente das mulheres que me cercavam em Boston. Minha vida estava congelada, uma rotina chata que tentava pensar ser mais do que era. Eu não tinha percebido isso antes, mas havia realmente um vazio na minha vida na época. Sim, já tinha alcançado bastante: tinha investido todo o meu dinheiro, o que me garantia não precisar trabalhar nem mais um dia na minha vida, três carros, e uma casa na parte mais cara da cidade, mas daí pensava no sorriso de Josephine, e tudo que construí antes parecia... oco. Como? Como ela pode fazer isso comigo tão rápido? “Jesus! Parece o apocalipse zumbi ali no bar,” Josephine disse atrás de mim enquanto rondava nossa mesa, equilibrando quatro bebidas nas


mãos. Estendi a mão para ajudá-la, mas ela tinha que manter seu equilíbrio. “Eu recomendo você bebericar sua bebida pelo maior tempo possível. As chances de conseguir outra são quase nulas.” Depois de chegar ao Provisions, Josephine e eu decidimos dividir e conquistar. Achei a mesa que Dean tinha nos prometido e ela foi pegar as bebidas no bar. Olhei a tequila que ela colocou ao lado da nossa sangria. “Doses?” Perguntei com um sorriso afetuoso. Josephine sorriu para mim e senti como se tivesse recebido um soco no estômago. Ela era tão fodidamente linda. Seu vestido era curto e preto, a alça quase não existia e a linha do pescoço era um território perigoso para mim. Quando ela entrou no carro mais cedo, tive vontade de lhe dar um amasso. Ainda bem que o motorista estava lá. “E sangria! Imaginei que, já que tem um pouco de sangue espanhol, você aprovaria,” ela disse com uma piscadela. Sorri, “Meu avô era espanhol.” Seus olhos se iluminaram. “É dai que você herdou toda essa coisa de ‘amante latino’. Estou entendendo.” Disse, acenando para o meu corpo de cima a baixo. “Você poderia facilmente estar em uma novela.” Eu sorri. “Obrigado?” “Isso é uma coisa boa! Sério, toda garota gosta desse tipo.” Queria saber se ‘toda garota’ a incluía. Ao invés de responder, lambi entre o meu dedo indicador e o meu polegar e depois coloquei um pouco de sal. Josephine fez o mesmo, mas antes que ela pudesse alcançar a sua dose, agarrei sua mão e segurei em frente da minha boca. Seus olhos se arregalaram enquanto ela olhava para mim.


“É desse jeito que os espanhóis fazem isso?” Ela perguntou, um sorriso preguiçoso surgindo nos seus lábios. Eu podia sentir seu braço tremendo em minhas mãos e, ao invés de responder, me curvei e lambi o sal da pele dela. Suas narinas se alargaram enquanto me olhava e então ela achou que devia fazer o mesmo. Ela se inclinou e lambeu a minha mão. Parecia que ela tinha me dado um boquete pelo jeito que meu pau ficou nas minhas calças. Seus lábios eram tão macios quanto eu imaginava e tive que resistir para não colocar minha boca na dela. Liberei sua mão, pegamos nossas doses e as tomamos de uma vez. Seguido das fatias de limão e dei risada de como as feições de Josephine se contorceram com a ardência do álcool. “Jesus, isso é forte!” Disse, pegando a sangria. Eu observei seus lábios em volta do copo de vidro antes de ouvir meu nome pelo bar. “Julian!” Uma voz chamou atrás de mim. “Eu estive procurando por você cara.” Olhei para minha direita, vendo Dean se aproximando da nossa mesa, olhando Josephine com curiosidade. Havia outro cara com ele que não reconheci. “E ai, Dean? Você acabou de perder a dose de tequila,” disse, segurando os copos de tequila vazios. Ele sorriu. “Teremos muitos deles, tenho certeza,” ele disse, fixando seu olhar em Josephine e depois em mim com uma pergunta surgindo em seu olhar. “Você deve ser a nova assistente de Julian,” disse, dando um passo à frente e erguendo a mão. “Eu sou Dean, e esse é meu amigo, Lucas.”


Acenei para o recém-chegado e depois olhei de volta para Josephine. Seu olhar se iluminou e uma pontada de ciúmes passou por mim quando suas mãos se tocaram. “Dean, como Dean Harper?” Ela perguntou. “Esse restaurante é seu?” Dean sorriu, obviamente satisfeito que uma mulher bonita o conhecia. Resisti ao impulso de quebrar esse encanto. Eu explicaria quem estava no caminho. “O que me diz do lugar até agora?” Ele perguntou, dando um passo à frente, meu punho se fechou embaixo da mesa. “É maravilhoso,” ela disse, acenando com a mão acima da cabeça. “O jardim é lindo.” Dean encontrou meu olhar e arqueou a sobrancelha. Encolhi os ombros. Comunicamo-nos sem palavras em um segundo. “Deixe-me te mostrar em volta. Tem outro jardim depois desse, aposto que você vai amar,”

Dean disse, estendendo seu braço para que

ela pegasse. “Você não estar em cima da hora hoje, está?” Minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu. O que eu poderia fazer? Proibir ela de ir com ele? Ela me olhou, sob seus cílios, um pequeno silencio sobre nós. Minhas sobrancelhas ergueram enquanto eu tomava um gole da minha bebida. De todo jeito, estou deixando Dean me tirar do eixo. Eles passearam juntos e resisti ao impulso de olhar para ela indo embora em seu pequeno vestido preto. Eu tinha essa imagem queimando na minha cabeça, de qualquer jeito. Sua cintura pequena e suas curvas eram impossíveis de esquecer. Porra.


“Então ela é sua amiga?” Lucas perguntou, pegando o lugar de Josephine. Eu realmente não queria me explicar para um estranho, mas era melhor que ficar sentado sozinho. Josephine tinha me dito para não beber toda a minha bebida, mas não tinha como isso não acontecer agora. “Ela é maravilhosa,” ele disse, me esperando contradizer. Estreitei meus olhos e encarei Lucas. “Ela é minha assistente.” Ele riu e concordou. “Claro. Claro.” Eu o ignorei e terminei minha bebida. “Você acha que pode falar bem de mim para ela?” Ele me perguntou com um sorriso torto. “Isso se Dean não ficar com ela primeiro.” Deslizei minha cadeira para trás e o ignorei. Preferia esperar Josephine no bar a ter que aguentar essa conversa. Achei Josephine e Dean no fim do jardim sob um dossel de árvores. Ele apontava para várias características do restaurante, apontando com a mão para várias árvores e fontes. Ela tinha um sorriso em seus lábios e o ouvia, por um momento mantive distância deles, olhando-os juntos. Ela tinha amarrado seu cabelo, revelando suas costas em seu vestido preto. Eu não podia vê-las, mas sabia que ela tinha sardas em ambos os ombros. Eram fracas, difíceis de ver, a menos que estivesse perto. Não sabia como separar esse desejo. Eu parecia nunca ter trabalhado com uma mulher bonita antes. Tinha uma vasta experiência com mulheres tentadoras desde o colégio e meus primeiros anos trabalhando em firmas de investimento. Então porque estava encostado no jardim principal estudando Josephine à distância ao invés de aproveitar a festa, procurando uma mulher bonita para levar para casa hoje?


Josephine espreitou pelos ombros até seu olhar encontrar o meu. Meu estômago apertou vendo seu sorriso se espalhar ainda mais. Ela acenou para eu me aproximar e resisti, no começo. Meu corpo me alertou para manter distância dela. Essa angustia em meu peito? Meu estômago revirando quando ela focava em mim? Todos esses ingredientes resultariam na minha morte se não fosse cuidadoso.


CAPITULO 12 O que Jo usa Post #1254: Revelação do apartamento! Comentários: 66 Likes: 789 Olá gente bonita! Muitos de vocês ficam me perguntando coisas sobre apartamentos desde que me mudei para Nova York a algumas semanas. Estive pensando se faria ou não, porque bem… Serei honesta. Minha vida em Nova York não é tão glamorosa como a maioria de vocês imagina. Eu ainda nem pedi uma comida chinesa. O preço do aluguel é insano (sério, eu poderia vender todos meus órgãos e ainda não conseguir o suficiente para o aluguel do mês que vem), mas pensei que seria importante vocês saberem da minha vida honestamente. 98% do tempo, não estou parada em frente de alguma rua adorável, vestindo uma roupa bonita, posando para fotos. Minha vida é cheia de insetos, roupas pequenas e vizinhos estranhos. Então, me esforçando para ser transparente, vou postar algumas fotos do meu apartamento. Sim, a cozinha, o banheiro e a sala são exatamente conjugados, mas como vocês podem ver, estou tentando decorar da melhor forma possível. Deixem-me saber o que acharam. Até manhã. Xo JO ---


Josephine Uma ou duas vezes no mês a voz dentro da minha cabeça me convence a deixar minha preguiça e fazer algum tipo de exercício. Dessa forma meus shorts Nike e minhas polainas são originalmente para malhar, não para ir até a loja de cupcake. Estava em uma meia tentativa de me exercitar quando tropecei em um espaço para locação que seria perfeito para nova sede da Lorena Lefray. Andei adiante, tentando decidir se já tinha queimado o bastante para mais um donut quando vi o espaço. A frente da loja tinha acesso à calçada, e quando pressionei meu rosto no vidro, parecia que o lugar se estendia por quilômetros. Nós teríamos uma abundância de espaço na frente para a loja da Lorena e daria para construir escritórios no fundo para a equipe. Continuei com o rosto no vidro, discando o número de Julian. “Alô?” Um Julian adormecido murmurou ao telefone. Olhei o celular. Ops. Eram 6:45 da manhã de domingo e nós ficamos acordados até tarde por causa da inauguração do Dean. “Ah, Deus, desculpa te acordar. Eu não percebi que era tão cedo.” Ele gemeu. “Mas agora você já acordou mesmo. Se vista e me encontre no endereço que te passarei por mensagem.” Ele gemeu de novo, mais alto dessa vez, e então ouvi o som de algo batendo na madeira. “6:45? Você tem noção que dormi só quatro horas?”


Nós ficamos no Provisions juntos até fechar e depois Julian chamou um taxi para mim. Presumi que ele também tinha voltado para o hotel, mas, aparentemente, ele não terminou a noite junto comigo. “O que exatamente você fez depois de me deixar no taxi? Já era bem tarde.” Ah Deus. Eu sabia a resposta para essa pergunta. Burra, burra, burra. Definitivamente tinha uma garota deitada ao seu lado na sua cama, provavelmente se espreguiçando agora mesmo. Ai que nojo. “Espera. Não responda a pergunta. Isso é invasão de privacidade, apenas acorde a garota e lhe dê algum café e mova essa bunda para cá. Achei uma propriedade muito boa e quero que dê uma olhada.” Ouvi ele se atrapalhando pelo quarto, no telefone. Gavetas sendo abertas e fechadas e então ouvi o som distante da pia do banheiro. “Não tem nenhuma garota. Dean quis jantar depois que você saiu.” Eu franzi minhas sobrancelhas. “Mas a gente comeu no Provisions. Você comeu um hambúrguer gigante e depois pegou metade das minhas fritas." “Sim, mas Dean e eu ficamos com fome de novo depois que o restaurante fechou. Você não tem amigos homens? Você deveria saber que devemos ser constantemente alimentados.” Ponderei sobre a questão. Eu tinha Lily e, às vezes, ela era um saco sem fundo. Parecia muito com isso. “Não, Só você.” Respondi. Um silêncio se instalou entre a gente por tempo suficiente para eu imaginar se talvez tivesse feito errado em chamá-lo de amigo. Nós éramos amigos? Ou ele me via só como sua


funcionária? Quero dizer, ele lambeu o sal da minha mão na noite passada. Claramente, não éramos só conhecidos. “Só me dê um segundo para eu tomar um banho e então te encontrarei aí..” “Tudo bem.” Sorri. “Você me deve um café da manhã também,” ele adicionou com um tom divertido. Eu ri. “Tudo bem.” Desliguei e mandei a mensagem com o endereço, então percebi que estava ali parada, sorrindo para o meu telefone. Estranho. Ele não iria demorar para chegar, mas ainda tinha algum tempo para gastar. Caminhei pelo quarteirão procurando na rua algum vendedor de pretzel quente, mas a área estava deserta. As pessoas estavam dormindo e aproveitando a manhã de domingo. Enquanto isso eu andava por aí com meu estômago roncando e desejando alguma massa quente. Voltei para o prédio e me sentei na calçada usando a parede como encosto. A cidade estava quieta, me deixando ir muito longe com meus pensamentos. Geralmente eu adorava dormir nos fins de semana, mas acordei cedo com uma excitação na boca do estômago. O pensamento em Julian voltando a minha mente enquanto tentava voltar a dormir. Gostei de sair a noite passada com ele e seus amigos. Não tenho ideia do que Dean pensou de mim, mas o achei bem legal e assustadoramente lindo. Ele e Julian faziam um par e tanto, Dean era um pouco intimidante com seu próprio conjunto de características marcantes. Seu cabelo era loiro e curto, emoldurando suas feições perfeitas e olhos castanhos escuros. Ele era bem sucedido e direto. Mostrou-me seu restaurante e me prendi em cada palavra sua.


Estive pensando se Dean e Julian eram melhores amigos porque eram extremamente bonitos ou se isso era só uma feliz coincidência. Falando em melhores amigos… Olhei meu celular e revi a minha conversa com Lilly. Josephine: Você está acordada? Não havia falado com ela fazia dois dias e sabia que estava louca, esperando no Texas. Ou talvez, eu estivesse enlouquecendo esperando por ela? Josephine: Acorda. Acorda. Ela não estava me respondendo, a vadia. Então, finalmente, meu telefone vibrou na minha mão. Lilly: Você está de brincadeira? Você. Está. De. Brincadeira? Você está uma hora na minha frente e é cedo mesmo em NYC!!! Josephine: Lil, eu estava agora vendo o nascer do sol pelo Hudson e isso me lembrou de como você é bonita. Lilly: Chega dessa sua falsa bajulação, Vagaranha, Se você continuar a me mandar mensagens, vou te matar estrangulada... ME DEIXE DORMIR. Josephine: A noite passada foi divertida. Lilly: Noite passada? Ainda é noite. Não ligo. Não ligo. ZZZZzzzzzzzz…. Revirei meus olhos. Lilly: Tudo bem... você pegou seu chefe ou vocês ainda fingem serem amigos? Estreitei meus olhos para sua mensagem, não tinha contado muito para ela sobre Julian, quero dizer, disse para procurar no Google, então ela sabia pelo que eu tinha que passar todos os dias, mas não disse a ela que tinha uma pequena quedinha por ele.


Sério, isso era coisa de colegial. Eu não tinha intenção de fazer nada. Josephine: Não tem fingimento. Nós SOMOS amigos. Lilly: Tudo bem, então eu vou voltar a dormir. “Acordando a cidade inteira?” Uma voz me perguntou pelo canto da rua. “Você sabia que algumas pessoas realmente gostam de dormir.” Olhei para cima e vi Julian vindo em minha direção com dois copos de café, um em cada mão. Amigos. Eeeee, tudo bem só amigos. Ele estava calçando Nike, shorts de malhar e uma velha camiseta de colégio. Eu sorri; tinha ganhado uma aposta comigo mesma (coloquei um milhão de dólares no fato de que ele pareceria sexy em qualquer coisa). Olhei para suas pernas. Elas eram tonificadas, longas e bronzeadas com o mesmo cabelo escuro que tinha em seu peito. Apenas amigos. “Josephine?” “Ahh!” parei de olhar. “Sim, achei que seria justo eu acordar minha amiga no Texas também.” Ele veio para o meu lado da calçada e esperei para cumprimentá-lo. “Café?” Perguntei esperançosa. Ele concordou e me entregou. O copo estava quente contra a palma da minha mão e o cheiro que subia parecia divino. “A primeira loja que fui não tinha leite de amêndoa,” ele disse. A luz da manhã penetrou em seus olhos amendoados e, por um momento, fui capturada por essa fascinação. As sobrancelhas escuras, a pele bronzeada. Qualquer outra mulher já teria se jogado em cima dele há muito tempo. Eu? Eu tinha metas. Metas que não incluíam seduzir Julian Lefray, meu primeiro e único amigo em NYC.


“Tudo bem, eu tomo preto, às vezes,” disse antes de tomar meu primeiro gole. Preparei-me para um gosto amargo, mas fui surpreendida ao encontrar o café levemente adocicado. “Eu achei em outro lugar,” ele esclareceu com um pequeno sorriso. Calor se espalhou pela minha barriga, subindo para o meu peito, envolvendo meu coração em um aperto. Ele teve todo esse trabalho por mim? “Esse é o prédio?” Perguntou, ficando do meu lado. “Sim! Olhe para ele!” Exclamei, apontado minha mão para a frente da loja. Ele chegou mais perto, olhando pelo vidro e estudando o espaço como eu fiz antes. A calçada já estava ficando cheia das pessoas da cidade que acordavam. Pessoas que saiam dos seus apartamentos a procura de café da manhã. Era uma rua animada. Perfeita para uma loja de roupas. “A localização é ótima.” Julian assentiu, tirando o rosto do vidro. Eu assenti. “Nós poderíamos usar a frente para a loja da Lorena e depois, todo o fundo para fazer escritórios,” eu disse, apontando para o fundo. Com as luzes apagadas era difícil ver o tamanho, mas parecia ter muito espaço. “Eu gostei muito,” afirmou. “Como você o achou?” “Eu estava correndo de manhã e aconteceu de passar por ele.” Julian arqueou uma sobrancelha. “Você nunca mencionou que era uma corredora.” Eu sorri. “Corredora é uma palavra muito forte. Ocasionalmente, me movo mais rápido que uma caminhada, mas não é frequente.” Um lado da sua boca se levantou. “Eu geralmente corro pelo Central Park. Você nunca fez esse caminho?”


Eu ri. “Você teria que me carregar por quase todo o caminho.” Ele sorriu. “Não, você consegue. Nós poderíamos andar em algumas partes. Pense nisso como um exercício de equipe.” Eu estava indo correr só para passar algum tempo com ele? Escolhi não pensar muito sobre esse fato. Ele apontou para a entrada do metrô a alguns metros dali. “Vamos lá, espairecer antes do café da manhã.” Minha cara caiu. “E quanto à propriedade?” “Vou pedir para o meu agente ver isso,” prometeu, andando para a entrada do metrô. Quando eu não o segui, ele parou. “É isso? Sinto-me muito mal por ter te acordado,” eu disse, indo para junto dele. “Sua resposta não foi tão legal quanto pensei que seria.” “Eu gostei,” ele disse com um aceno tranquilizador. “Isso não soou muito convincente.” Ele riu e veio parar na minha frente. “Jo, adorei. Obrigado por me acordar tão cedo para eu ver isso. Não saberia o que fazer sem uma funcionária tão dedicada quanto você.” O bastardo estava me enrolando. “Eu te odeio,” disse, batendo em seu ombro de brincadeira. “Não.” Sorriu, fingindo massagear onde eu tinha acabado de atingir. “Você não pode odiar o único amigo que tem em NY.” Apertei meus olhos. “Eu tenho muitos amigos além de você.” Ele arqueou a sobrancelha; claramente não acreditava em mim. “Como Dean,” disse com um sorriso triunfante. Eu o conheci na noite passada, mas isso não quer dizer que não poderíamos ser amigos. Ele revirou os olhos. “Certo.”


“Ele é bem bonito.” Disse isso para ser engraçado – parcialmente mas Julian obviamente não achou muita graça. Sua risada morreu e seu olhar veio até mim. “Dean tem uma namorada por semana. Ele não é o tipo que se aquieta.” Eu ergui minha mão livre. “Ei. Não é como se eu quisesse sair com ele.” Ele não parecia convencido, então adicionei. “Além do que, eu não namoro. Nunca.” Isso. Julian tinha a verdade e poderia lidar com ela como quisesse. Passei por ele, indo para a entrada do metrô, ignorando minhas bochechas pegando fogo. Ele correu para me alcançar e pude senti-lo me estudando, claramente lutando com o que queria dizer. Nós descemos as escadas em silêncio. Peguei meu cartão do metrô, passei pela catraca, e segui para o embarque, ao mesmo tempo muito consciente da presença de Julian ao meu lado. “Por que não?” Ele finamente perguntou, enquanto nos sentávamos um ao lado do outro no metrô. Inclinei a cabeça. “Por que não, o quê?” “Por que você não namora?” Sua voz era gentil, presumi que ele não estava me julgando, estava só curioso. “Eu preciso de uma desculpa?” Ri. Ele sorriu. “Você faz isso parecer pior que arrancar dentes.” Para mim, era. “A última vez em que estive em um bom encontro, estava na sétima série e Hunter Buchanan me convidou para jogar Mario Kart com ele por três horas.” Julian começou a gargalhar. “Você está brincando comigo.”


Encolhi meus ombros. “Quem dera.” “Você é virgem?” Perguntou. Desse jeito. À queima roupa. Fiquei com a boca tão aberta que meu queixo ficou desengonçado. Jesus. A única coisa boa era que o metrô estava praticamente vazio. “Não!” Eu disse, olhando para ele. “Eu não sou virgem. O quão estranha você acha que sou?” Ele levantou a mão em defesa. “O que? Você deu a entender que era esse o caso. Achei que teria que te fazer um favor.” Minhas bochechas queimaram. Eu sabia que estava tão corada que os astronautas no espaço poderiam detectar. “Deflorar-me?! Meu Deus, Julian, você está sendo um idiota agora.” “Não! Não,” disse, pegando meu braço para que não pudesse ir longe dele. “Não foi isso que eu quis dizer.” Ele tentou me olhar nos olhos, mas fixei meu olhar em cima no vagão do metrô. Lá tinha um anúncio de serviços de corretores na borda do teto do outro lado; foquei nele como se minha vida dependesse disso. Sei que ele estava brincando, mas toda essa conversa foi muito embaraçosa. Minha autoconfiança estava deitada em uma poça no chão e meu ego estava lá misturado com ela. Eu não precisava de Julian para tornar tudo pior. “Jo -” Eu balancei minha cabeça. Essa conversa precisava acabar. Agora. “Sabe de uma coisa? Nada disso importa mais, porque tenho um encontro.” Me forcei a olhar para ele e continuar, “Amanhã à noite, na verdade.” Seu aperto no meu braço foi perdendo a força, até ele parar completamente.


“Sério?” Suas sobrancelhas se juntaram, mas eu não fiz nada para aliviar sua confusão. “Sério,” concordei, e uma mentira já estava se elaborando na minha cabeça. “Um amigo de Dean me pediu para tomar uma bebida com ele ontem no restaurante e eu disse a ele que pensaria no caso.” Hummm. Isso parecia ter bastante lógica. Mesmo estando com Julian a maior parte do tempo ontem a noite, não quer dizer que não tinha

passado

um tempo

sozinha, alguns

minutos

para alguém

hipoteticamente vir até mim. “E você vai aceitar?” Ele perguntou com um tom cortante. Eu concordei, irritada com a sua linha de questionamento. “Sim. Acho que já está na hora de finalmente sair da minha zona de conforto, fazer mais alguns amigos em NY além de você.”


CAPITULO 13 Josephine Eu tinha um encontro hoje à noite? Claro. Era com uma pessoa real? Tecnicamente, não. (A menos que fantasmas do passado contassem). Estava calçando saltos nove, indo a um bar e me sentando sozinha? Sim. Por quê? Porque o estúpido do Julian com a sua estúpida boa aparência chuparia isso. Na verdade, eu não tinha pensado muito na minha vida amorosa nos últimos anos. Quando você vai para uma escola só de garotas e cursa um programa de moda, suas chances de achar um cara bonito, aceitável e interessante eram quase nulas. Saí com alguns caras no Texas, mas nada sério, e nenhum que valesse a pena lembrar. Esperava que a mudança para NY revertesse isso, mas não tenho muito tempo para abrir minhas asas (ou minhas pernas). Então passei todo meu tempo trabalhando com Julian, saindo com Julian, mandando mensagens para Julian, e esse era o porquê de eu estar tendo uma noite longe dele, ou pelo menos algumas horas. Procurei por bons bares perto do meu apartamento. Sabia que podia ir num desses sites de encontro ou baixar um aplicativo desses qualquer, mas queria fazer isso do jeito antigo. Rezando e com esperanças de que alguém gostaria de mim. Então decidi ir até um bar de cocktail perto do meu apartamento, no décimo andar. (Sim, outra razão para não precisar me exercitar, dez lances de escadas são um exercício do inferno). Era chamado Merchant e


atendia uma galera de jovens profissionais. As 5:45 da tarde, ele já estava lotado e tive que passar por grupos de amigos para achar o bar. Minha pele se arrepiou de nervoso enquanto fiz meu caminho na multidão. Parecia que todo mundo estava pelo menos com uma pessoa, mas tinha esperança de não ficar deslocada se sentasse sozinha no bar. A música estava alta e as conversas fluíam ao meu redor. Estava esperando alguém me notar, mas não recebi sequer uma olhada de relance enquanto me sentei no bar e olhei o menu de bebida. De alguma forma, parecia que NY era a terra da solidão. “O que eu posso te trazer?” O bartender me perguntou com um pesado sotaque de NY. Seu cabelo loiro era curto e uma barba por fazer em seu rosto de bebê. Sorri e olhei o menu de bebidas. “Posso demorar só mais um segundo?” Ele assentiu. “Fique à vontade.” Tinha um monte de bebidas caras com ingredientes que eu não conseguiria nem pronunciar o nome, mas não tinha muito para gastar, tinha que seguir o orçamento que tinha elaborado para mim. “Você tem algum vinho branco?” Perguntei ao bartender, com um sorriso amigável. Uma taça de vinho não poderia custar muito. Ele franziu as sobrancelhas. “Deixe-me ver,” andou até o fim do bar e virou para conferir os outros clientes ao meu lado. Eu estava espremida entre dois casais. Os dois a minha esquerda tinham um forte sotaque estrangeiro e usavam as mãos espalhafatosamente gritando enquanto falavam. Eles nem me notaram olhando enquanto conversavam. E mesmo se eu conseguisse entender o que diziam, não imaginava como conseguiria acompanhar.


“Aqui está,” o bartender disse, colocando uma taça de vinho na minha frente. Encontrei seus olhos e sorri. “Aqui entre nós, você não deveria vir a um bar e pedir vinho,” disse com um sorriso, flertando. “Ahh, sério?” Perguntei, arqueando uma sobrancelha enquanto tomava um gole. “Para mim parece muito bom.” Ele riu e limpou o balcão na minha frente. Talvez estivesse só limpando, ou talvez estivesse enrolando para podermos continuar a conversar. “É um desperdício do meu talento de mixologista. Se eu não estiver usando o misturador, sou, basicamente, um abridor de garrafas,” ele disse sorrindo. Eu gargalhei. “Oh, sério? Bem, qual drink você mais gosta de fazer?” Ele baixou sua sobrancelha direita, insinuando um desafio. “Que tal eu fazer para você?” Perguntou, já pegando o misturador e uma garrafa de Vodka Tito’s. “Por conta da casa, claro.” Sorri. Nós estávamos flertando. Isso era flertar e eu estava fazendo um bom trabalho. Pelo menos acho que estava. Abri a boca para falar, quando alguém falou atrás de mim. “Owen, nós nunca obteremos lucro se você oferecer uma bebida grátis para toda mulher bonita.” Achei ter reconhecido a voz. Sombria, profunda e confidencial. Eu me virei na cadeira e sorri ao ver Dean parado ali, mãos nos bolsos do casaco e um sorriso fraco brilhando diabolicamente. “Dean! O que você faz aqui?” Perguntei, me inclinado e aceitando um beijo na bochecha. Sua barba por fazer roçou em mim quando tocou minha bochecha e percebi que não tinha sido 100% honesta com Julian. Dean sem dúvida


era um partidão, e se não fosse amigo de Julian, eu passaria muito mal ficando em volta dele. “Esse bar é meu,” admitiu timidamente. “O que a traz aqui? Saindo com amigos?” Dean

acenou

para

Owen,

o

barman,

e,

como

anfitrião,

cumprimentou o casal atrás de mim. A mesa deles ficou pronta no salão, o que significava que Dean poderia sentar ao meu lado antes que alguém ocupasse o lugar. Ele se sentou e voltou sua atenção para mim. “Não. Estou aqui sozinha.” Segurei meu copo. “Uma garota precisa de um copo de vinho de vez em quando.” Ele sorriu. “Na verdade, esse é o primeiro bar que venho desde que cheguei a NY,” admiti. Seus olhos se abriram e ele colocou suas mãos no peito como se estivesse honrado. “Então você ainda não teve um guia adequado para te mostrar NY.” Isso era verdade? Pensei no dia anterior, quando eu e Julian exploramos o Central Park e depois comemos nosso café da manhã nos degraus do Museu da Historia Natural. Depois que estávamos bastante estufados, o forcei a ir em um mercadinho e roubamos cada amostra grátis dentro do departamento de padaria da Whole Foods até um funcionário pedir gentilmente que comprássemos algo ou fossemos embora. Por tudo isso, eu tive um dia maravilhoso. “Julian mantém você trabalhando até tarde da noite? É por isso que você não sai muito?” Balancei minha cabeça. “Não. Não mesmo. Sou caseira por natureza. Essa cidade pode ser intimidante.”


Ele se voltou para o bar e Owen lhe deu uma bebida. Sorri para ele, mas o cara flertando que estava ali antes tinha sumido, provavelmente intimidado pelo fato do seu chefe estar ali agora, observando. “Aos amigos,” Dean disse segurando seu copo no alto junto com o meu. “Aos amigos,” eu disse brindando com ele. “Agora me diz, como é trabalhar com Julian?” Julian, Julian, Julian. Mesmo quando não estava com ele, ele parecia arrumar um jeito de ser o tópico das minhas conversas e dos meus pensamentos. “É divertido,” respondi. Sabia que tinha sido vaga, mas não tinha certeza do quanto queria divulgar. “Vocês dois já acharam um lugar para trabalhar?” Balancei a cabeça. “Então vocês trabalham em cafeterias ou coisas assim?” Olhei para minha bebida. “Ah, não. Nós trabalhamos no seu quarto de hotel.” Ele resmungou incrédulo. “Acho que isso explica o seu relacionamento com ele.” “Nosso relacionamento?” Ele concordou. “É estritamente profissional com a gente.” Comecei a esclarecer. “Bem, quero dizer a gente sai e conversa fora do trabalho, mas é estritamente…” “Profissional?”

Dean

desafiando a ser honesta. Assenti.

perguntou,

com

um

olhar

sombrio

me


“Já que vocês são assim tão amigáveis, você deveria vir com a gente no barco esse fim de semana.” Minhas sobrancelhas se levantaram em surpresa. “Você tem um barco?” Ele assentiu e rolou o copo entre as mãos. “Esse será o primeiro fim de semana quente do ano e alguns amigos e eu vamos celebrar na água.” Ele deve ter percebido minha excitação. “Tenho certeza que Julian poderia passar e te pegar no caminho para a marina.” Por que eu sentia que Dean estava bancando o casamenteiro? Julian gostaria que estivesse no barco ou eu o atrapalharia? Tenho certeza que Dean levaria garotas para o barco, garotas que Julian gostaria de conversar. “Terra para Josephine? E aí, o que me diz?” Ele perguntou, me dando um sorriso persuasivo. Bem, quando você coloca dessa maneira… “Eu vou,” sorri.


CAPITULO 14 Julian Cai de costas na grama e abri minhas pernas na minha frente sacudindo como se fossem macarrão. Minhas pernas protestaram quando as estiquei, mas forcei contra o choque inicial, sabendo que elas me agradeceriam mais tarde. Dean e eu tínhamos acabado de terminar de correr quarenta quilômetros de bicicleta e paramos em um pequeno parque no Brooklyn. O sol brilhava sobre nossas cabeças e podíamos ouvir crianças brincando no parquinho à frente. Atirei meu capacete ao meu lado e me encostei sobre minha palma para que pudesse começar a respirar. “Tive uma conversa bem interessante com Josephine ontem à noite.” Dean disse, me jogando uma garrafa d’água. Pensei rápido para pegar antes que ela batesse em meu peito e tirei a tampa com um giro. Estava gelada e tomei metade com um só gole. Depois de engolir, finalmente registrei o que Dean tinha acabado de dizer. “Conversando com quem?” Perguntei, apertando os olhos para poder enxergar contra a claridade. “Josephine,” ele respondeu, simplesmente. “Quando foi isso?” Perguntei, irritado com a minha incapacidade de parecer casual. Claro, que meus pulmões estavam queimando da corrida, mas a ideia de Dean e Josephine juntos os fazia arderem muito mais. Dean me encarou e sabia que ele havia capturado a tensão na minha voz. “Noite passada. Ela foi até meu bar,” disse, dando de ombros. A mensagem era clara: não mate o mensageiro, idiota.


“Provisions?” Ele negou com a cabeça enquanto girava seu pneu a procura de danos ocorridos na corrida. “Não, Merch.” Era para Josephine estar supostamente em um encontro na noite anterior; será que Dean viu o cara que ela estava? “Quem...” “E antes que você pergunte,” ele me interrompeu. “Ela estava sozinha.” Olhei, franzindo as sobrancelhas. “O que você disse? Era para ela estar em um encontro.” Dean colocou seu pé atrás da sua perna, se alongando. “Não sei cara. Quando a vi, ela estava sentada sozinha no bar, fiz companhia para ela por uns minutos e depois tive que voltar a trabalhar.” Interessante. “E convidei-a para sair de barco com a gente esse fim de semana.” Meu olhar voltou para ele. O idiota. “Era para eu ir ver algumas propriedades com meu corretor nesse sábado.” Ele sorriu para mim como um gato que captura um canário. “É melhor você reagendar. Quero dizer, a menos que você não se importe de eu levar Josephine sem você.” Eu sabia o que ele estava fazendo. Ele sabia o que estava fazendo. Dean não estava interessado em Jo. Ele estava interessado em me pegar na porra do meu blefe. “Verei o que posso fazer,” disse, já pegando o telefone para poder reagendar com meu corretor. “Tenho que ir agora.” “Indo visitar sua irmã?” Perguntou.


Concordei. “Sim, já faz algumas semanas que ela está em recuperação e esta entediada como o inferno. Tenho tentado passar por lá o máximo que consigo.” Ele alongou sua outra perna. “Os tabloides não estão cercando ela, estão?” “Graças a Deus, não.” Ele balançou a cabeça. “Tenho certeza que sua mãe tem tudo sob controle.” Dean e eu éramos amigos há muito tempo, então ele sabia como funcionava minha família. Arqueei minha sobrancelha. “Lucy Lefray? Claro que sim, ela até já tem um plano reserva, caso a mídia descubra.” “Você está falando sério?” Perguntou. “Nós devemos dizer que ela está doente, em tratamento para exaustão.” A mentira vaga fedia a Lucy Lefray. “Mas Lorena não se importaria se alguém descobrisse que ela está em tratamento por uso de drogas. Talvez ela fique mais embaraçada de admitir exaustão do que uso de drogas. Infelizmente, minha mãe não concorda.” “Acho que esse é o preço que se paga quando se tem sangue azul.” --No outro dia, Josephine e eu estávamos trabalhando no meu quarto, digitando tranquilamente nossas atribuições separadamente. Ela estava no sofá na minha frente e me peguei tentando estudá-la furtivamente. Nossa manhã seguia a mesma rotina nas últimas três semanas: pedia nosso café da manhã, ela servia o café enquanto eu passava um pouco de manteiga em nossas torradas, e assim que estávamos prontos para


trabalhar, ela tirava seus saltos e colocava os pés embaixo dela no sofá. Não era a melhor situação de trabalho, mas ela se comportava como um soldado em relação a isso. “Prometo que acharei um escritório logo,” disse quando ela se ajeitou pela milésima vez na manhã. Ela olhou por cima do laptop e sorriu. “Está tudo bem, eu juro.” Por um segundo parecia que ela queria elaborar alguma coisa, então peguei um brilho malicioso em seus olhos. “Outro dia te peguei usando seu pijama, mas ultimamente não tem sido tão estranho.” Eu ri. “Sim, continuo esperando um processo por isso.” Desde nossa primeira manhã, eu sempre deixava pronto e separado minhas calças, camisa e gravata bem antes dela chegar. Acontecer uma vez pode-se dizer que foi um erro. Mas duas ela me descreveria como um cretino estranho. “Não se preocupe, eu não te reportei para o RH ou nada disso,” ela brincou. Eu sorri. “Devemos contratar alguém para o RH então?” Ela franziu o nariz em aversão e negou com a cabeça. “Que tal se a gente contratar um chef pessoal, ao invés disso?” “Eu gosto da sua atitude. Você está contratada. Vá e nos faça alguma coisa.” Ela limpou suas unhas em sua blusa, brincando. “Você não poderia me pagar.” Eu ri e ela se inclinou para pegar seu café na mesa. Um pedaço da sua blusa caiu em frente da tela do seu computador. A parte de cima parecia seda de cor creme, mostrando seu bronzeado recente. Por um momento me deixei seguir a elegante curva do seu pescoço, até sua clavícula, e depois mais para baixo.


O botão de cima da sua blusa estava aberto e os pequenos flashes da sua pele deixaram bem claro para mim porque Josephine se tornou tão rapidamente minha maior fantasia. Desviei meu olhar quando o telefone dela vibrou na mesa ao meu lado. Olhei para ele e li o nome da chamada na tela antes dela pegar: Forest Financeira. “Fique a vontade para atender,” ofereci. Ela negou com a cabeça e largou o telefone no sofá, bem longe do seu alcance. “Tudo bem. Estou no meio da configuração da página do Facebook para a marca e quero terminar antes do almoço.” “Eu achei que Lorena já tivesse uma,” protestei. Ela virou seu computador para que eu pudesse ver. “Ela tinha, mas não acabou de configura-la e mal postou alguma coisa. Ninguém sabe que ela existe. Quero consertar isso e depois postar algum conteúdo promocional e daí poderemos começar a construir sua presença. Reeditei a faixa superior e adicionei algumas fotos profissionais na sua linha do tempo. Nós devemos postar todo dia então todo mundo ficará por dentro da sua marca.” Mentalmente me dei os parabéns por ter contratado Jo. Claro, ela era engraçada, interessante e maravilhosa, mas em apenas três semanas gerenciou a marca de Lorena on line. Sabia o lado dos negócios, mas a parte criativa da empresa fugia do meu conhecimento. Nós teríamos que contratar um time inteiro para fazer a propaganda, mas por agora Jo estava dando conta. Além disso, eu meio que gostava de sermos apenas nós dois. “O que você achou?” Perguntou, com um olhar cheio de esperança.


“Parece muito bom,” disse, querendo realmente dizer isso. A versão antiga e a versão nova pareciam como dia e noite. A versão atual parecia mais como uma marca profissional. “Você que faz os gráficos para o seu blog também?” Ela sorriu e depois olhou para o seu computador. “Sim, eu tive aulas sobre isso no colégio. Não sou designer gráfico, nem nada disso, mas consigo me virar.” Assenti, “Seu blog parece bem profissional.” Ela levantou seus olhos para mim e depois me ofereceu um sorriso. Esse era o tipo de sorriso que eu dava para minha mãe quando queria pedir alguma coisa. “O que é?” Perguntei. “Tenho um favor para te pedir.” Inclinei minha cabeça, interessado no que ela iria me pedir. A última vez que mencionei ‘um favor’ para ela, eu não tinha ido bem. Dessa vez iria esperar ela falar primeiro. “Você se importaria de me ajudar a tirar algumas fotos para o meu blog? Queria fazer algumas fotos no Central Park.” Ah. Era isso? Abri minha boca para concordar, mas ela falou primeiro. “Prometo que se me ajudar, te trarei outro sorvete de casquinha lá do metrô.” Seus olhos verdes claros me olharam com tanta honestidade. Eu não seria um tonto de dizer não. “Claro.” Ela sorriu. “Sério? Isso vai ser de grande ajuda.”


Ela não conseguiu terminar de falar, porque seu telefone começou a tocar no sofá. Fiquei imaginando se era a Financeira de novo, mas estava muito longe para poder ver quem era. Ela amaldiçoou sob sua respiração, jogou seu laptop de lado e levantou para pegar o telefone. “Acho que devo atender,” disse, balançando a cabeça para o meu quarto. A porta se fechou atrás dela e fiz uma anotação mental das coisas embaraçosas que ela iria achar lá dentro. Acho que tinha pegado minhas roupas sujas de manhã, mas não conseguia me lembrar. Sem falar que tinha uma chance de cinquenta por cento de ter uma caixa de camisinha na cômoda ao lado da cama. Sim, isso mesmo. Novas. Porra. Não consegui me lembrar de uma seca tão longa assim. De volta a Boston, isso nunca aconteceria. Meu ‘livro preto’- meu iphone- estava recheado com mulheres que seria o bastante para uma noite. Agora? Agora eu tinha Josephine tomando conta do meu pensamento, então não havia lugar para qualquer outra mulher. Ouvi a voz de Josephine através da porta do quarto e fiz o meu melhor para ignorar. Ela merecia alguma privacidade. “Olá senhora Buchanan. Sim, eu recebi sua mensagem.” Lá, lá, lá, sem ouvir. “Não, não. Pagarei em dois dias e darei todo o dinheiro desse mês. Isso é o melhor que posso fazer no momento.” Parei de digitar, muito curioso para fingir que não estava ouvindo. Josephine estaria com algum tipo de problema financeiro? Tentei ouvir o restante da sua conversa para decifrar se ela estava falando com o locatário ou outra pessoa, mas ela deve ter ido para longe da porta. Não importava, eu já tinha ouvido o suficiente.


Quando ela saiu alguns minutos depois, seu cheque estava dentro de um envelope perto da sua bolsa. Ela acharia enquanto estava arrumando suas coisas, então daria alguma desculpa sobre ter que pagála mais cedo. Ela fechou a porta e respirou fundo, tentando se acalmar. Mesmo assim, parecia desgastada. Ela tirou o cabelo do rosto e depois colocou seu telefone dentro da bolsa com muita força. “Está

tudo

bem?”

Perguntei,

fazendo

o

possível

para

não

transparecer ter ouvido alguma coisa. Uma parte de mim queria perguntar para ela se estava tendo problemas com dinheiro. Queria ajudar se ela precisasse, mas não queria ofende-la. “Sim,” replicou com um sorriso falso. “Bem.” Eu estava pronto para questionar quando ela me olhou. As emoções que estavam lá me disseram para não forçar. “Sobre o fim de semana,” ela começou. “O que tem ele?” Disse. Ela voltou para o sofá com um sorriso rastejando em seu rosto. “Dean não teria uma máquina de margaritas nesse barco louco, ou a gente vai ter que alugar uma no caminho?” Eu comecei a rir. Mesmo em meio a uma manhã cheia de estresse, Jo sempre me surpreendia. “Bebidas em abundância,” garanti. “Prometo.”


CAPITULO 15 O que Jo usa Post#1257: Uma pequena ajuda dos amigos… Comentários: 120 Likes 1130 Hoje vou fazer um post um pouco diferente. Eu não quero postar nenhuma roupa ou acessórios para vocês. Ao invés disso, vou fazer uma confissão. Minha mudança para NY tem sido bem difícil. Meus pais não estão de acordo com minha decisão de deixar o Texas (colocando de uma forma leve), e por causa disso, minha mãe e eu não nos falamos por semanas. Isso nunca havia acontecido antes. Fica muito difícil não pensar que minha decisão de vir para cá, talvez, tenha sido errada, principalmente sabendo como eles estão nervosos por causa disso. Serei honesta, essa cidade NÃO é só flores e rosas. É estressante e intimidante. Seria muito mais fácil se eu tivesse algum familiar por aqui, mas não tenho. Eles estão há um bilhão de distância. Nova York era o meu sonho, e ainda é. Ainda não estou pronta para desistir. Nesse meio tempo, será que algum de vocês tem qualquer conselho para me dar de como convencer meus pais de que estou fazendo a coisa certa? De que talvez eu saiba o que estou fazendo? Deixem-me saber o que vocês pensam. Até amanhã


XO JO --Josephine No topo da ‘minha lista do que fazer logo ou então virar uma sem teto’, tinha outro problema passando pela minha cabeça desde que me mudei para NY: não falava com a minha mãe há semanas. Nenhuma vez. Ela se recusava a aceitar a minha decisão de me mudar para cá e sabia que se ligasse, ela tentaria me fazer mudar de opinião, dizendo que eu havia cometido um grande erro saindo do Texas. Acho que ela ou meu pai poderiam ter feito um esforço maior para manter contato. Penso que eles acham que fiz minha cama então tenho que deitar nela. Bem, eu estaria muito ferrada se falasse para eles que minha cama atual é um futon usado com uma pedra em cima tentando se passar por um colchão. Toda noite adormeço com os sons suaves dos meus vizinhos de cima que parecem como uma manada de elefantes. Não era perfeito, mas eu estava em Nova York e precisaria de mais que uma merda de cama para me convencer a voltar para casa. Tipo como, ah, não sei… minha montanha de débitos escolares. Joguei esse pensamento fora e comecei a me arrumar para um dia no barco. Não tinha como duelar com isso. Eu ficaria bem por um tempo. Julian me pagou mais cedo e ainda tinha a maioria das minhas dividas para saldar. Tinha começado a procurar outro trabalho, alguma coisa que pudesse fazer à noite. Na noite anterior, depois de um copo de vinho de


5,00 dólares, percorri as páginas do Craigslist, tentando ficar longe de anúncios para meninas, procurando algo mais para o meu nível. Tinha tido muito trabalho para conseguir minha posição com Julian. As chances de achar algum trabalho que me desse flexibilidade de horário para continuar em tempo integral com Lorena Lefray eram nulas. Mesmo assim, fiz uma nota mental para procurar emprego assim que chegasse em casa a noite. Sonhos são muito legais, mas não tinha o luxo de viver em Nova York e perseguir minha liberdade. Quando fiz minhas malas e deixei a segurança dos meus pais, sabia que minha decisão viria como cordas me atacando... Infelizmente, essas cordas agora pareciam mais como correntes.


CAPITULO 16 Josephine No momento em que cheguei à marina, percebi que tinha cometido um erro gigante. Julian colocou o código de acesso privado e dois portões de ferro forjado vieram à vida. Uma rua pavimentada com tijolos cercada por roseiras nos levava ao estacionamento de hóspedes. Funcionários vestidos de branco e com calças engomadas chegavam em carrinhos de golfe, ajudando os convidados até a marina e assegurando que tudo correria como deveria ser. Olhei para fora da janela enquanto tirava meu cinto. Pavor estava agora nadando no meu estômago. “Ahhhh, achei que íamos velejar.” Disse, focada em um grupo de garotas maravilhosas saindo de uma Mercedes SUV a poucos metros da gente. Comparadas comigo, elas pareciam ter saído de um baile de gala. Julian olhou sobre meus ombros e me virei para encará-lo. Enquanto eu parecia ter visto fantasmas, Julian parecia calmo e senhor de si. “Nós vamos,” ele disse. “Não. Nós vamos andar de iate,” eu disse, apontando para a fileira de botes alinhados na marina. “Essas garotas estão vestindo vestidos de grife e saltos.” Eu vestia um shorts colorido cobrindo um biquíni azul royal. Calçava uma sandália dourada de amarrar e estava bonitinha pra caralho. Será


que estava parecendo que ia navegar de iate com a elite de Nova York? Não. Me encaixaria melhor entre Jersey Shore e Snooki e JWoww4. Julian me olhou polegada por polegada, e depois sorriu encontrando meu olhar novamente. “Eu acho que você está ótima.” Revirei os olhos. “Ah, por favor.” De onde estávamos, podia ver os convidados que já tinham chegado antes de nós. As mulheres eram definitivamente as da SUV ao lado da nossa, e eu já conseguia enxergar as camadas de joias e lenços vintage a metros de distância. Amordacem-me. Eu não sabia que passaria a manhã com as futuras rainhas da Inglaterra. “Normalmente no Texas, velejar significa pegar um bote de merda e colocá-lo na água o mais longe possível e flutuar pela água tomando cerveja.” Julian sorriu. “Estou entendendo. Deveria ter mencionado que Dean tem um iate.” “Sim. Eu consigo ver agora, obviamente. Estou tão deslocada com essa roupa. Aparentemente, devia vestir alguma coisa engomada.” Julian se exaltou. “Você está linda, eu juro.” “Nós dois sabemos o porquê de você estar dizendo isso,” eu disse com um olhar aguçado. Eu não era idiota. Era peituda desde os meus treze anos. Meu peito tinha o poder de fazer o homem mais respeitoso babar por eles. Ele mordeu o seu lábio superior por um segundo e depois pegou a bainha da sua camisa. “Tudo bem, vamos trocar de roupa.” Fechei os olhos e dei risada. 4

Jersey Shore foi um reality show produzido pela MTV norte-americana que segue oito pessoas que moram em uma mesma casa, seguindo seus afazeres diários na costa da Nova Jersey americana. Snooki e JWoww spin-off de Jersey Shore.


“Eu tenho certeza que você não vai caber nesse biquíni, mas obrigada pela oferta.” Ergui minhas mãos suplicando para ele parar. Os convidados provavelmente nos tinham visto agora. E provavelmente parecíamos esquisitos sentados no carro. Respirei profundamente e coloquei minhas inseguranças de lado. “Tudo bem. Quero dizer, você está vestindo calções de banho, então não vou parecer tão ruim assim de biquíni.” Julian concordou e saiu do carro para abrir minha porta. Ele me deu um sorriso tranquilizador antes de pegar minha bolsa dos meus ombros. Coloquei uma toalha e alguns salgadinhos no caso de Dean não ter comida. Não tinha como eu ficar o dia todo fora em um barco sem uns salgadinhos. Nós continuamos indo para o barco de Dean. Quanto mais perto a gente chegava, mais eu tinha noção de como ele era grande. Uma família de dez pessoas poderia viver nele tranquilamente e apostaria que Dean não o usava mais que cinco vezes no ano, no máximo. Jesus. Julian me levou até a ponte que conectava a doca até o iate, mas antes que pudesse dar mais um passo, ele me tocou no cotovelo para me parar. Olhei para sua mão e depois olhei para vê-lo esconder um sorriso. “Serei honesto,” ele disse com um sorriso. “Eu sabia que você não estava vestida adequadamente assim que fui te pegar.” Estreitei meus olhos. “E não me disse para trocar ?” Perguntei. “Decidi ser egoísta,” ele respondeu, finalmente liberando o sorriso travesso que se esforçava para esconder. Julian queria me ver de biquíni. Que merda estúpida.


“Você é um idiota, Julian,” eu disse, me virando tão rapidamente que quase bati no peito de Dean. Eu não tinha visto que ele estava tão perto. “Aqui, aqui,” Dean disse, segurando sua cerveja no ar para nos mostrar sua satisfação. Julian riu e continuou a segurar meu cotovelo enquanto entrava no barco. Quando tive confiança em mim mesma, saí do seu aperto e dei uma olhada em Dean, e instantaneamente me senti melhor sobre minha roupa. As garotas que vi poderiam estar vestidas para o baile, mas Dean estava pronto para festejar. Ele tinha um chapéu de capitão, uma camisa havaiana e uma sunga preta. Ele parecia bobo e ainda assim era devastadoramente lindo. Sua camisa havaiana estava desabotoada e seu peito bronzeado estava à vista. Claramente, mesmo abrindo e administrando múltiplos restaurantes ainda sobrava tempo para malhar. “Finalmente uma garota que sabe se vestir para um dia na água!” Dean disse, pegando minha mão e me forçando a dar um giro. Eu rodei e dei risada. Normalmente ficaria tímida com uma brincadeira assim, mas queria aproveitar qualquer chance de provocar Julian. “Calma,” Julian avisou atrás de mim, seu tom um pouco mais duro que um segundo antes. Olhei,

franzindo

minhas

sobrancelhas

e

virei

pronta

para

argumentar, mas Julian estava olhando pelo barco como se não tivesse acabado de bancar o namorado ciumento. Dean largou minha mão e deu um passo para trás. “Bem, então,” Dean disse, estendendo o braço para nos mostrar ainda mais seu barco. “Que as festividades comecem.”


CAPITULO 17 Josephine A escolha de Dean para beber? Épica. A música que Dean escolheu para festa? Maravilhosa. Sua escolha para amigas? Embaraçosa. As garotas a bordo do iate eram orgulhosas e arrogantes como imaginei que seriam. O fato do meu biquíni ter sido comprado na Target provavelmente deve tê-las feito ter um ataque de raiva. Elas estavam vestindo marcas que a pessoa menos fashionista do mundo reconheceria; bolsas Berkin (porque, ora, essa era a melhor opção para velejar), sandálias Michael Kors, óculos de sol Chloé, lenços Channel, e vestidos que custava quatro vezes meu aluguel. Eu sei apenas roupas casuais para o alto mar… Nem todas elas eram más, pensei. Tinha uma garota, alta, negra e maravilhosa, chamada Nadine. Ela e sua amiga Kelly, ambas trabalhavam em uma empresa de relações públicas na cidade. Tive um bom pressentimento sobre essas duas. Pensei honestamente que era mais porque elas me cobriram de elogios. Então tinha Kensington Beatrice Waldorf III. (Quem tem um nome desses?) Quando brinquei com ela sobre um apelido, ela, muito relutantemente, me deu Kenzie. Ela era assessora de edição da Revista Wardrobe e zombou muito ativamente quando eu disse que era do Texas. “Então, você ia de cavalo para escola e tudo?” Perguntou, me olhando horrorizada. Por dois segundos não consegui dizer se ela estava falando sério.


“Unicórnios, atualmente,” Julian ofereceu de onde estava a alguns passos de distância. Ele e Dean estavam ocupados tirando as tampas das cervejas para que pudessem passar para os outros do grupo. Nadine e Kelly riram, mas Kenzie encolheu os ombros e olhou o celular, claramente chateada. Tudo bem então… Depois de ter uma cerveja gelada na mão, fui explorar o convés. Estive em alguns barcos na minha vida, mas nenhum deles se comparava ao gigante que Dean tinha. Tive que apertar os olhos para poder ver a vela principal; era alta assim. O convés era coberto de madeira polida com alinhadas almofadas limpas e brancas para relaxar. Na frente do iate tinha uma sala de estar em forma de U cercada por refrigeradores, atualmente recheados de vinho e cerveja. Uma passagem plana levava a um sofá em U, desse jeito as pessoas poderiam tomar sol perto da curva do barco. Alguma coisa me dizia que essas garotas de Nova York não iriam arruinar suas peles perfeitas com um dia debaixo do sol e eu adoraria ter esse espaço só para mim mais tarde. “Josephine!” Dean me chamou de trás do barco onde estava com Julian e algumas pessoas novas. Acho que eles devem ter embarcado quando eu estava olhando o espaço de tomar sol. “O que foi?” Perguntei quando voltei para eles. “Julian me disse que você queria margaritas,” senti minhas bochechas ficarem vermelhas quando olhei para Julian. Eu tinha muita etiqueta sulista entranhada em mim para saber que seria rude ficar exigindo bebidas em uma festa. “Não, não. Já tenho cerveja e é mais que perfeito,” assegurei, segurando a garrafa para provar.


Dean sorriu. “Tarde demais. George já desceu a máquina de margaritas e agora eu também quero uma.” Ele ergueu os ombros de forma brincalhona. “Além disso, estou aqui para satisfazer necessidades.” Abri minha boca para protestar, mas Dean já estava falando com outro convidado e não queria ser ainda mais rude. Julian veio parando ao meu lado e pegou a cerveja da minha mão. Olhei fixamente para ele. “Você não deveria ter dito nada,” reclamei sob minha respiração. “Você merecia uma margarita,” Julian disse, dando de ombros. “Só não quero ser rude,” disse, olhando ele beber minha cerveja e engolindo metade dela rapidamente. Achei que ele presumiu que eu não precisava mais dela agora que teria minha mais que merecida margarita. “Você não poderia ser rude nem se quisesse,” ele argumentou com um sorriso de conhecimento, “Agora, o que a gente pode fazer? A gente tem mais quinze minutos até começarmos a navegar.” Olhei o barco. As garotas estavam paradas em grupos perto da proa, refletindo sobre as opções de vinho. Atrás da gente, novos convidados estavam empilhados, cumprimentando Dean como se fossem velhos amigos. Já tinha dez ou quinze pessoas no barco e eu só conhecia duas delas. Senti-me como um peixe fora d’água. “Você conhece muitas dessas pessoas?” Perguntei. Julian olhou o grupo. “Eu reconheço alguns rostos, mas estive muito tempo longe de Nova York.” “Parece que somos só eu e você então,” eu disse, olhando em seus olhos. Ele sorriu e estudei-o por um momento. Ele colocou um boné quando entrou no barco. A sombra do boné fazia o que podia para


esconder seus olhos amendoados, mas eles permaneciam brilhantes e fascinantes como sempre. “Quer que eu tire algumas fotos para o seu blog? Você vai postar sobre isso?” “Você está falando sério? Sim!” Eu queria tirar fotos no minuto que pisei no barco. Sabia que meus leitores morreriam ao ver o iate de Dean, mas estava muito envergonhada de pedir. Não queria que Julian pensasse que era uma boba. “Não trouxe minha câmera,” lamentei, abrindo minha bolsa para confirmar o que já sabia ser verdade, tinha medo que pudesse molhar. Se isso acontecesse levariam meses para poder substitui-la. Julian ergueu seu Iphone. “Usarei meu telefone. Elas não ficarão perfeitas, mas tenho certeza que você pode dar um jeito quando chegar em casa.” Concordei e larguei minha bolsa em uma espreguiçadeira próxima. Estava parada contra a grade, a maior parte da marina se escondia à esquerda. A água e o céu poderiam fazer um perfeito fundo para as primeiras fotos. “Quem geralmente tira suas fotos?” Julian perguntou, e tentei fazer uma pose que não ficasse muito desagradável. Costumava tirar fotos quando ninguém estava em volta; realmente não precisava da audiência das namoradas de Dean. “Antes do dia que te ajudei,” ele esclareceu. “Minha senhoria,” admiti com um sorriso acanhado. Ele tirou duas fotos e depois tentei uma pose diferente. Estiquei os braços contra a grade e sorri para a câmera, percebi mais cedo que minhas fotos no blog ficavam melhores quando não fingia saber modelar. Havia um padrão de poses; foco na parte de cima para


acessórios de roupas, olhar sutil sobre os ombros, interesse súbito por algo no chão, e então um súbito sorriso que parecia misterioso em outro blogger, mas só me fazia ficar com cara de constipada. “Mas eu quase coloquei um anúncio na Craigslist outro dia,” mencionei. “Para um fotógrafo?” Perguntou, claramente impressionado. Ele baixou seu Iphone esperando minha resposta. “Sim,” encolhi os ombros, “mas depois percebi que acabaria em alguns sites de fetiche pornô ou algo parecido.” Julian riu e balançou a cabeça. “Ah, sim, Jo, não contrate um fotógrafo da Craigslist.” Claramente ele não compreendia como era difícil achar um fotógrafo que tirasse fotos de graça. “Eu só precisava de alguém que tirasse fotos melhor que minha senhoria. Ela tira fotos muito chatas e depois tenho que escapar da sua conversa. Semana passada tive que ouvi-la falar das suas histórias por duas horas antes dela concordar. Trinta minutos depois tinha três fotos do meu rosto borradas e trinta dos dedos dela na lente.” Julian riu, suas covinhas me deixando insana como sempre. Ele tirou mais algumas fotos, enquanto eu tentava focando em alguma coisa que não fosse sua aparência. Seu rosto já era muito para lidar, mas, de alguma forma, o boné de baseball lhe deu um brilho a mais. “Posso te ajudar sempre, você sabe,” ele ofereceu, segurando seu telefone para eu ver as fotos que acabou de tirar. Cheguei mais perto e olhei ele passar por elas, ignorando a animação de ficar perto dele. “Você diz isso agora,” brinquei, “mas vai perceber logo que esse trabalho voluntário tem poucos benefícios. Você terá que me seguir por aí e tirar o máximo de fotos que conseguir.”


“Eu consigo pensar em alguns benefícios,” ele ofereceu, com uma luxúria incontestável em seu tom. Encarei sua boca, quando seus lábios acabaram de dizer essas palavras sedutoras. Eles estavam bem ali, tão perto que eu poderia me inclinar e lhe roubar um beijo. Inalei uma vez, devagar, e depois me convenci de que tinha ouvido mais do que deveria em sua declaração. “Julian, menos brincadeira de flerte e mais fotos,” disse, esperançosa em não o deixar ver o sorriso que espreitava meu rosto quando me afastei para a grade. Olhei-o por debaixo dos meus cílios e esperei ele começar a tirar fotos. Ele não começou. Ele me olhou diretamente com os olhos cheios de perguntas e seus lábios cheios de desejos não falados. “Quem estava brincando?” Finalmente disse. Uma sobrancelha se levantou até a aba do seu boné de baseball e meu estômago se revirou. Estávamos entrando em território perigoso.


CAPITULO 18 Julian Fiz o melhor para dar espaço para Josephine com o passar das semanas. Cada desejo que não era estritamente saudável eu ignorava. A maioria. Nós dançamos juntos, flertando e provocando, assumindo que tudo era diversão. Agora. Enquanto a via aceitando a margarita das mãos de Dean e rindo de qualquer coisa que ele falava, lutei com o desejo de chegar mais perto, deslizar minha mão embaixo dela e correr minha mão ao longo da curva do seu traseiro e por cima do seu quadril. O biquíni não oferecia nada perto da sua pele macia e estava pronto para explorá-la. Uma vez que ela tinha pegado sua margarita, olhou pelo ombro e me achou sentado contra a beirada do barco. Não desviei os olhos e ela inclinou a cabeça em questionamento. Ergui minha cerveja e sorri. Ela sorriu e seguiu ternamente erguendo sua margarita em uma saudação à distância. Meu olhar viajou por ela tomando o primeiro gole da sua bebida. O sol brilhava pelo algodão fino e fui agraciado com sua forma de ampulheta. Ela estava usando essa roupa sabendo que me deixaria insano? Ela tinha amarrado esse cordão no pescoço pensando que eu seria o único a desamarrá-lo no final do dia? Tomei outro gole da minha cerveja e encarei o horizonte, tentando dominar a parte do meu cérebro de homem das cavernas. A cerveja fez muito pouco para acalmar a dor que Josephine causou. Porra. Por mais que queira Josephine, tenho que me lembrar de que ela é minha funcionária.


Eu preciso transar. Preciso de uma noite com alguém menos vulnerável, menos minha funcionária. Josephine havia se mudado para NY há um mês. Ela não tinha amigos, não tinha conexões. Se alguma coisa acontecesse, eu poderia ser, no máximo, seu contato de emergência. Esse conhecimento vinha com muita responsabilidade. Enfiar o meu pau nela poderia ser coisa de amador, coisa que teria feito nos meus vinte anos, muito preocupado com a aflição nas minhas calças para me importar com as consequências das minhas ações. Eu poderia imaginar a conversa que ela teria com seus pais. “Sim, meu trabalho é bom. Meu chefe tentou me foder em um barco ontem.” “Como você está se segurando, campeão? Você parece que quer esmagar a cerveja com suas mãos,” Dean disse, batendo no meu ombro e depois sentando do meu lado. “Ótimo,” resmunguei, olhando para o oceano. “Você está puto porque convidei Jo?” Perguntou, deitando contra uma almofada. Eu pensei em como responder essa pergunta e depois fui pego pela risada dela. Puta merda. Puta merda. “Acho que estou com problemas com essa situação,” ofereci, sem me virar para ele. Dean era o tipo que encarava. Não havia necessidade de alimentar seu ego. Ele riu e levou as mãos à cabeça. “Você levou três semanas para perceber uma coisa que notei depois de cinco segundos com vocês dois.” “Talvez

você

seja

a

porra

de

sarcasticamente, bravo com a pessoa errada. Ele bateu em meus ombros.

um

vidente,”

resmunguei


“Você precisa relaxar. Nós estamos em um barco, meu amigo. Sem mencionar que temos pelo menos uma dúzia de garotas a bordo que adorariam cuidar desse pequeno problema que Jo causou em suas calças.” “O que foi que eu causei?” Jo perguntou, a alguns metros de distância. Apertei meus olhos e esperei ela ir embora. “Julian?” Ela perguntou. Ignorei-a. Dean balançou a cabeça e saiu, “Vamos, Jo. Eu te farei outra margarita. Julian está tendo um ataque de raiva.” Agarrei minha cerveja e olhei para baixo no rótulo com toda a força de vontade que tinha. “Por quê?” Ela perguntou enquanto Dean a pegava pelos ombros e a levava para longe. Graças a Deus Josephine teve o bom senso de segui-lo. Eu ficaria bem aqui onde estava e terminaria a cerveja que roubei com determinação de Josephine. E quando terminasse, pegaria outra. Beber por causa dos meus problemas era uma coisa nova para mim, uma que eu sabia que não funcionaria em longo prazo. Por agora, minha única preocupação era com as próximas seis horas (estava preso na porra de um barco com Josephine, enquanto meus hormônios fluíam como os de um garoto de quatorze anos). Meu plano era beber cerveja até que minha visão ficasse turva e meu membro entorpecido. Desse jeito não teria qualquer oportunidade de fazer algo estúpido com Jo. Estava comprometido com o plano de um coma induzido pela bebida, quando uma das amigas de Dean, Kiki ou Kenzie, ou alguma coisa, veio ficar ao meu lado no topo do convés.


“Uma é para mim?” Ela perguntou, olhando para cerveja ao lado do meu pé no chão. Olhei para ela e depois para cerveja embaixo e dei de ombros. Queria ter dito para ela ir achar a sua própria cerveja. Não tinha ideia de quanto tempo estávamos navegando e tinha uma quantidade infinita de álcool, mas se ela queria roubar minha cerveja, então que seja. Não era um imbecil. “Tudo bem então,” ela disse com uma risada, como se eu estivesse sendo engraçado. Eu não estava. “Você é sempre tão quieto?” Perguntou, virando para mim e roçando seu joelho no meu. Estudei a aproximação, pensando se poderia ter tido alguma faísca entre nós antes de Josephine tomar conta da minha vida, porque tinha certeza que não tinha uma agora. Respirei profundamente e lhe disse alguma coisa sem importância. “Não. Estou em um humor mais quieto hoje,” resmunguei. “Tipo forte e silencioso, né?” Ignorei o instinto de virar e achar Josephine, ver se ela estava por ai com Dean ou se tinha achado outro cara para passar o tempo. Tinha muitos caras no barco. Muitos deles espertos o suficiente para perceberem que Josephine era a melhor opção, a única opção, para passar o tempo durante a viagem. Até… Onde? O porto de Nova York? “Onde diabos estamos indo?” A garota do meu lado riu de novo. “Para o mar aberto! Como verdadeiros navegantes!”


Olhei para ela. Navegantes não usavam salto alto, mas decidi não dizer isso a ela. “Quer saber? Pensando bem, acho que preciso dessa cerveja de volta.” Ela franziu a sobrancelha, confusa. Apontei para a bebida na mão dela. “Isso é uma brincadeira do caralho?” Isso praticamente selou o meu destino. Ela resmungou alguma coisa sobre eu ser um imbecil, quando saiu de lá, mas só inclinei minha garrafa para ela e tomei outro gole da minha agora cerveja morna. Saúde, imbecis. Depois da minha quinta cerveja, percebi que tinha cometido um erro. Precisava me acalmar. Estávamos em alto mar, longe o bastante para o caso de eu decidir que já tinha tido o suficiente e pular do navio, estava pensando em como nadar de volta sem ser comido por tubarões. Encolhi-me com esse pensamento. Devia ser uma experiência terrível, mas pelo menos, terminaria com o meu sofrimento. Estaria longe de Josephine e o seu canto de sereia. “Qual é o seu plano Julian? Beber toda a minha excelente cerveja até só sobrarem as merdas que as meninas bebem?” Dean perguntou, se inclinando contra o parapeito perto de mim. Ignorei sua linha de pensamento e olhei sobre meu ombro para ver que Josephine estava conversando com um cara perto da proa do navio. “Quem é esse que ela está falando?” Perguntei com a minha falta de sutileza habitual. “Esse ai é o Eric, meu gerente no The Merchant.” Ele olhava para Jo como se ela fosse água no deserto. “Ele gosta de mulheres?” Perguntei.


Dean balançou sua cerveja. “Não tenho certeza. Quer que eu lhe pergunte se ele estaria interessado em você?” Resisti ao meu instinto de socá-lo na cara. “Porque você não vai lá e diz para ele que se continuar falando com Jo, nós iremos ter um grande problema.” Mesmo para os meus ouvidos bêbados, sabia que tinha soado como um imbecil, e nem era um imbecil intimidante. “Ora. Você quer que eu diga a ele para te esperar debaixo do mastro principal?” Dean estava rindo, mas não achei graça na situação. Estava frustrado a ponto de ebulição. Alguma coisa estava prestes a acontecer e, se não tomasse cuidado, faria alguma coisa que arruinaria meu relacionamento com Jo. “Bem, se você não gostou de vê-los conversando, acho melhor não virar agora,” ele disse. Claro que, como a porra de um idiota, me virei, olhando sobre meus ombros e vendo Eric passando protetor solar em Josephine. Ela deixou seus ombros e costas descobertos e Eric olhava como se tivesse achado um tesouro no fim do arco íris. “Você só pode estar brincando comigo.” Dean negou com a cabeça. “Não é nada cara. Eles não estão trepando.” “Ainda.” Disse, segurando minha garrafa de cerveja vazia e saindo do parapeito. “Aonde você vai?” Dean perguntou quando me afastei, indo direto para a morte. “Pegar Josephine.”


Ele riu. “Tente não derramar sangue no meu barco enquanto faz isso.” Eu não lhe prometeria nada.


CAPITULO 19 Josephine O nome do jogo era evitar. Estava evitando Julian me encarando a manhã toda. Estava evitando olhar em sua direção para conferir se as garotas o estavam deixando sozinho. Ele manteve distância, mas seu olhar fixo tinha um jeito de me lembrar constantemente de que estava aqui, no barco, tão sexy e inalcançável como sempre. Depois que ele terminou de tirar minhas fotos, tentei me manter o mais longe possível dele. Parecia fácil manter minha compostura com ele do outro lado do barco. Infelizmente, nenhuma garota do barco se voluntariou em ser minha amiga (chocada), o que significava que estava à mercê dos amigos de Dean se não quisesse ficar sozinha. Um deles em particular se ligou rapidamente em mim. Eric era gerente de um dos restaurantes de Dean, e embora seu visual robusto não fosse minha praia, mendigos não tinham direito a escolha. Ele era legal e não disparou o meu alarme ‘SE AFASTE, ESSE CARA É ESTRANHO’. “Acho que a gente precisa de outra bebida,” Eric disse, erguendo suas sobrancelhas de forma brincalhona. “Mais bebidas?” Perguntei, tentado medir o quanto estava bêbada. Nós ainda tínhamos algumas horas no barco e, se não me policiasse, sei que ficaria com problemas. Já tinha tomado três margaritas, o que era mais álcool do que tinha tomado em meses. Outra bebida e eu seria como folha ao vento. “Só uma dose,” Eric disse. “Vamos.”


A música alta saia dos alto falantes do barco de Dean, então mal podia ouvir meus pensamentos, quanto mais escutar minha lógica. Por que eu não poderia tomar outra dose? Era grátis, e estava na porra de um barco. “Sim, Jo, porque você não toma outra dose com Eric.” Julian disse à minha direita. Eu nunca o ouvi tão bravo. Abracei-me antes de me virar, mas não ajudou. Meu estômago caiu quando o vi. Ele estava bem aqui, a menos de um pé de distância, depois de passar a manhã toda longe de mim. Segurei minha respiração quando ele chegou mais perto, sua respiração atingindo minha bochecha quando tentou sussurrar no meu ouvido. “Ele quer te deixar bêbada para te foder.” Seu sussurro foi alto. Alto o suficiente para saber que Eric tinha ouvido. “Julian!” Fui para trás e serrei meus olhos, chateada com ele por agir como um idiota bêbado. Encolhi-me e pedi desculpas com os lábios a Eric. Ele deu de ombros e sorriu, nem mesmo negando a acusação. Bem então… “Você é provocante. Tão fodidamente provocante.” Julian disse, balançando enquanto falava. Ele agarrou meu braço para se equilibrar, apertando mais que o necessário. Eric veio para frente, mas neguei com a cabeça. “Tudo bem. Ele é meu amigo,” disse a Eric, tentando não fazer a situação ficar ainda pior. “Um amigo? Ah!” Julian riu como se eu tivesse dito a coisa mais engraçada do mundo.


“Ah, vou pegar nossas doses,” Eric falou, se afastando e percebendo que ele não queria lidar com nenhuma das minhas loucuras. “Pegue uma para todos nós, Eric. Vamos todos tomar uma dose. Você, eu e Jo. Oh, desculpa, você provavelmente não sabe o nome dela. Josephine. J-O-S-E-P-H-I-N-E.” “Julian,” sussurrei, estendendo meu braço para segurar o dele firme. “Você está sendo ridículo.” Ele olhou para onde eu estava segurando seu braço, como se hipnotizado pela conexão “O que diabos deu em você? Você está sendo um idiota,” assobiei, olhando para baixo para que ninguém pudesse me ouvir... “O que está acontecendo comigo, Jo?” Perguntou com um tom incrédulo. Ele chegou mais perto de mim, deixando meu corpo nivelado com o dele, suas mãos agarraram meus braços e sua boca encontrou meu cabelo, um pouco acima da minha orelha. Seu peito pressionado contra o meu para que eu pudesse sentir seus batimentos cardíacos selvagens martelando em um ritmo louco. “Você,” ele botou para fora. Nunca ouvi uma palavra ser pronunciada com tanta raiva. Inclineime, tentando pegar seus olhos para ver se ele falava sério, mas ele se moveu ao mesmo tempo, derrubando a garrafa de cerveja da sua mão que escorregava entre nós dois, aterrissando com uma batida no meio do meu dedão. MERDA “Ahh! Porra, Julian,” gritei, brava que a maldita coisa pegou o meu pé e não no dele. Levantei meu pé para aliviar a dor, mas isso não me fez nenhum bem. Quando olhei para baixo, vi um fio de sangue escorrendo para o convés de onde o vidro havia cortado minha pele. Eu não podia


dizer que o corte era fundo, mas continuava com meus olhos fechados, tentando me acalmar. Odiava ver sangue. “Jo, você está bem?” Ele perguntou, se abaixando para tocar meu pé. “A gente precisa colocar um band-aid nisso.” Balancei minha cabeça, muito irritada para escutá-lo. Saí do seu alcance e fui pela porta da cabine, rezando para que Dean tivesse algum kit de primeiros socorros guardado aqui embaixo. Mesmo um pouco de água seria melhor do que nada. Eu mancava pela escada, agradecida que ninguém parecia ter percebido a nossa pequena discussão. O corte era o suficiente. Não precisava de mais constrangimento. Abri a porta e deslizei pela escada abaixo, cuidando para não deixar cair sangue em nada. Graças a Deus a cabine estava vazia

e fui capaz de achar um

banheiro na sala principal à esquerda. Era pequeno, mas funcional. Armários escuros escondiam produtos de higiene pessoal e toalhas. Embaixo disso, achei um pequeno kit de primeiros socorros. Estava abrindo quando uma mão pegou a minha, parando meu movimento. Olhei em volta e vi Julian pairando sobre mim com uma intenção bem clara. “Eu cuido disso. Não preciso da sua ajuda.” “Pare.” Estreitei meus olhos. “Você está sendo ridícula. Sente-se na pia e me deixe cuidar de você,” disse, pegando o kit da minha mão antes que pudesse protestar. Meu sangue ainda estava fervendo. Quem ele pensa que é? Ele causou o maldito corte e agora tem a audácia de ficar mandando em mim como se eu fosse uma criança? Abri minha boca, pronta para argumentar, mas alguma coisa em seu olhar me fez recuar. Respirei fundo, pelo nariz e pela boca, e depois fui para a pia e cruzei meus braços. Deixaria que ele limpasse meu corte e


depois sairia dali. Preferia me sentar sozinha no terraço a ter que lidar com as merdas dele. Ele se ajoelhou no chão e tirou meu pé da minha sandália. Eu olhava a parede atrás da sua cabeça enquanto ele limpava minha ferida e usava o kit de primeiro socorros. “Não parece tão ruim assim,” disse, abrindo um band-aid. Apertei meus braços através do meu peito e o ignorei. Então, minha mente correu pelos fatos que tinham acontecido há poucos minutos atrás. “O que deu em mim? Você.” Você. A tensão que me apertava o estômago se desenrolou. E se transformou em algo mais sombrio, mais sexy, necessitado. Julian me queria. Ele tinha acabado de admitir. Mordisquei meu lábio inferior enquanto ele cobria a ferida do meu dedo com o band-aid. Ele jogou o pacote no lixo, fechando o kit e jogando na pia atrás de mim. Quando finalmente se levantou, cobriu a minha visão da parede, então fui obrigada a encarar seu peito. Estava rosado e parecia ter o mesmo ritmo de antes. Minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu. Em questão de segundos, milionésimos de segundos ele bateu a porta, nos confinando nesse espaço pequeno. Teria sido difícil me mover antes dele ter entrado e agora eu estava presa. Presa, sentada em cima da pia com Julian bloqueando minha única rota de fuga. Lutei para respirar, lutei para ver além desses poucos momentos. Era impossível; eu não conseguia enxergar além dessas quatro paredes. Não conseguia ver além desse pequeno espaço. Me virei para alcançar a maçaneta da porta, para abrir e conseguir um pouco de ar, mas Julian foi mais rápido.


Ele pegou a minha mão na dele e colocou na pia. Não conseguia mexer meus dedos por causa da sua força. “Julian...” Você esta bêbado. Você é meu chefe. Você é muito sexy, muito velho, muito tudo. Qualquer possibilidade de terminar minha sentença parecia pequena quando encontrei seus olhos e um olhar de desejo ardente me rendendo sem palavras. “Peça-me para sair, Jo,” ele insistiu. Não pude. “Eu sairei e depois você pode ir direto para lá e flertar com aqueles caras lá em cima,” ele disse, se inclinando para frente e agarrando minha cintura. “Todos ele pensam que você é sexy. Eles acham que podem ter você.” Seus dedos apertaram minha cintura e apertei meus dentes juntos. Um turbilhão de sentimentos me atingiu. Por um lado, minha raiva fervia pronta para mordê-lo por ter agido como meu dono. O outro lado que sabia que estava no limite - era o meu desejo de finalmente saber como seria sucumbir a Julian. Um segundo atrás éramos duas pessoas com vidas separadas e desejos separados, e no segundo seguinte estávamos juntos, uma dolorosa necessidade um do outro que pensei em gritar até minha voz acabar. Ele me pegou da pia e nós colidimos com a parede do banheiro. Respirei com dificuldade, com medo das pessoas saberem o que estávamos fazendo. Seus dedos cavaram no meu quadril, raspando minha pele e me fazendo choramingar.


“Você está sendo um imbecil,” reclamei. Ele dobrou minhas pernas separadas e coloquei uma perna em volta do seu quadril, puxando ele para perto. “Você parece tão fodidamente boa. Estava me deixando insano.” Puxei seus cabelos. Forte. Ele foi para trás e me encarou. Aquelas íris avelã nubladas com luxuria, tão escuras e tentadoras que temia o que aconteceria comigo se as deixasse. O desafio estava ali, escrito com a nossa linguagem corporal. Ele se enterrou contra mim e apertei minhas pernas em volta da sua cintura. Seus dedos deslizaram sobre a parte inferior do meu biquíni e deixei meus dedos deslizarem pelo seu pescoço. “Faça,” falei para ele, encarando duramente seus olhos. “Apenas faça, para a gente saber.” Eu vi seu peito subir e descer. Uma vez. Duas vezes. E então seus lábios estavam nos meus, me colocando contra a parede. Machucava pra caralho bater na lateral do barco. Puxei seu cabelo e inclinei minha cabeça, tentando duramente nos manter assim, sabendo muito bem que não conseguiria. A combinação estava feita e as chamas que cresceram entre nós dois se espalharam para além do nosso controle. Minha pele queimava enquanto ele desatava o nó atrás do meu pescoço. O fino material do top do meu biquíni deslizou fora, e assim, estava nua para ele. Tão exposta que queria me esquivar do seu olhar. Isso era demais. Eu sabia que ele seria demais. Um gemido profundo seguiu quando ele pegou meu peito espalhando calor por todo meu corpo. Sua boca mergulhou na minha pele, beijando por todo o centro do meu peito, e em cada seio.


Agarrei seu ombro e deixei minha cabeça se inclinar para trás, muito fraca para me importar com alguma coisa por muito tempo. Ele me colocou na pia e envolvi minhas pernas ao seu redor. Puxei sua camiseta, tentando passar pela sua cabeça. Ele resistiu, não querendo me deixar por um segundo. “Julian,” reclamei, frustrada por ele não me dar acesso a ele como queria. Ele rosnou e arrancou a camiseta pela cabeça, praticamente a rasgando pelo meio. Desatei o nó do seu calção e o material caiu. O cabelo escuro que tinha espalhado por todo seu peito descia pelo centro da sua cueca, para baixo de onde eu mais almejava. Ele nem mesmo pareceu notar. Estava encantado por mim, espalhando seu toque por cada pedaço de pele que pudesse encontrar. Eu estava tão pronta, quase brava por estar tão pronta como estava para ele. A provocação constante de estar em volta dele nas últimas semanas tinha construído o desejo nas minhas veias. Cada dia a paixão crescia sem lugar para fuga. Agora, nós finalmente tínhamos a chance de fazer alguma coisa a esse respeito - nessa porra de banheiro. Eu sabia que finalmente podia aliviar o sofrimento. Deslizei minha mão, passando pela cintura da sua cueca e o agarrei em minha mão. “Porra,” ele gemeu, inclinando a cabeça contra o vidro atrás dos meus ombros. Deslizei minha mão para cima e para baixo devagar, sentindo seu comprimento. Ele me encheria, saciaria meu desejo e me deixaria com o sentimento de satisfação absoluta. Eu sabia disso… agora queria sentir em primeira mão. “Julian...” ofeguei, preparada para implorar se fosse necessário.


Justamente quando um punho bateu contra a porta do banheiro, praticamente sacudindo as dobradiças fora. “Com licença! Alguns de nós precisamos usar a droga do banheiro!” Pulei um metro no ar tirando minha mão da cueca de Julian e me cobrindo caso eles abrissem a porta como estavam ameaçando fazer. “Serio, eu preciso fazer xixi!” A garota gritou de novo, tão puta quanto antes. Ela continuou batendo na porta, atingindo as dobradiças da madeira. “Merda,” Julian rosnou, passando as mãos pelo cabelo e dando um passo para trás. Eu estava ali sentada, com as minhas pernas abertas e meus seios mal se escondendo atrás dos meus braços. Sei como eu parecia. Porque ele não conseguia olhar para o outro lado. Seu olhar passou pelo meu corpo e suas narinas se alargaram. “Dê-me minhas roupas, seu idiota,” eu disse, apontando para onde ela estava no chão. Ele passou as mãos pelo cabelo e depois se abaixou para pegar. Respirei profundamente e tentei acalmar meus nervos. Outra rodada de batidas começou na porta, mais altas e longas dessa vez. “Pare de bater nessa porra. Nós já estamos indo,” Julian gritou. “Julian...” Ele balançou a cabeça e olhou longe de mim. “Se você tivesse alguma ideia de como estou me controlando nesse momento, você colocaria esse biquíni de volta e o seu vestido.” Seus olhos de avelã deslizaram por mim. “Estou a dois segundos de te foder enquanto ela ouve lá fora.” Minha boca caiu. “A escolha é sua.”


CAPITULO 20 Julian Alguém pode morrer de dor nas bolas? Será que eu seria o primeiro? Estava indo visitar Lorena no domingo à tarde. Nós tínhamos um monte de coisas para tratar, ela havia me mandando por e-mail na noite anterior. (Aparentemente, você tem um bocado de tempo para criar planilhas no Excel quando se está na reabilitação.) Eu tinha que ter minha cabeça no jogo, mas mal tinha conseguido sair da minha ressaca do dia anterior. Sempre que dava um passo parecia que um burro estava chutando a parte de trás da minha cabeça, e ainda carregava o peso pelo que podia ter acontecido, graças à ‘viagem ao inferno de barco’ no dia anterior. A próxima vez que Dean me convidar para o seu barco, vou estar preparado com uma caixa de camisinhas, um cadeado, e um penico para colocar no convés. Pelo amor de Deus, estive a dois segundos de atingir o apogeu do nirvana, e Wendy ‘vinho branco’ não conseguiu segurar seu xixi por um minuto a mais. NÓS ESTÁVAMOS EM UM BARCO. Mije do lado de fora cacete. “Julian! Meu lindo e irritante irmão mais velho,” Lorena cantou assim que abri a porta do seu quarto. Ela estava sentada na mesa da cozinha com papéis pairando ao seu redor, claramente pronta para conduzir os negócios. Eu? Estava pronto para colocar minha cabeça entre meus joelhos e rezar pelo apocalipse. O abismo do inferno batia atrás dos meus olhos me dando uma terrível dor de cabeça. “Vamos. Você está andando como um caracol. Nós temos muito o que fazer e tenho uma cerimônia de renascimento mais tarde.” Arqueei uma sobrancelha.


“Cerimônia de renascimento?” Ela encolheu os ombros. “Eles te dão biscoitos. É o único momento em que te dão açúcar de verdade nesse lugar. Isso não faz sentido nenhum. Eu era viciada em cocaína, não em doces. Por que tenho que fingir ‘nascer de novo’ para ter algum tipo de doce?” “Eu trarei algumas guloseimas da próxima vez que vier te visitar,” prometi, pegando a cadeira ao lado dela. O som das pernas de metal raspando contra o chão parecia como punhais esfaqueando a minha cabeça. Inclinei-me na cadeira e esperei o quarto parar de girar. Quando parou, encontrei uma Lorena sorridente, claramente satisfeita em ver eu me sentindo como merda. Ela parecia mais com ela mesma do que havia parecido em anos. Braceletes de ouro encaixado no seu pulso direito se agitando toda vez que se mexia. Ela usava óculos verdes claros e seu cabelo estava trançado na coroa da sua cabeça. Sua camisa tinha escrito ‘ Preto é o novo preto’ que achei engraçado mesmo em meu estado atual. Ela parecia com a Lorena que tinha crescido comigo, o gênio criativo que ninguém nunca entendeu. “Você tem algum espaço novo para eu dar uma olhada?” Perguntou, voltando o assunto para o trabalho. Resmunguei e forcei a me recompor. Tinha prometido a Lorena que tomaria conta dos seus negócios enquanto ela estivesse em reabilitação, e não queria deixá-la na mão. Josephine e eu tínhamos reduzido nossas escolhas para sua loja em três. Passei para Lorena uma pasta com fotos e plantas dos três lugares. Ela vetou os dois primeiros logo de cara, amaldiçoando sua localização


insolente. O terceiro - o local que Jo tinha achado naquele dia da caminhada- Lorena amou. “E está dentro do nosso orçamento?” Perguntou, olhando pelas fotos que tinha trazido comigo. “Está no nosso máximo, mas o tráfego de pessoas pode assegurar que a loja na frente se pagará sozinha. Podemos converter o espaço de trás em escritórios, acho que as pessoas gostarão da ideia de comprar em sua loja sabendo que tem a chance de a conhecer enquanto estão lá.” Ela concordou, namorando as fotos. “Eu concordo plenamente. Não posso competir com Michael Kors, mas tem coisas sobre estilistas que você quer saber. Todo mundo quer ser amigo deles, comprar um vestido desenhado por eles.” “Exatamente.” “Quando podemos nos mudar?” Perguntou, me olhando com seus olhos de avelã brilhantes. Sorri. “Essa semana, se incentivarmos o proprietário. Pode levar alguns meses para reformarmos, então quanto antes melhor,” eu disse. “Vamos fazer isso então.” Ela soltou a pasta e me olhou, suas feições cheias de excitação pela primeira vez em meses. “Próximo tópico.” Quase dormi com a nossa única funcionária e agora estou preocupado se ela vai desistir e nos deixar na mão. “Julian?” Lorena perguntou, me olhando com suspeita. “Ah, hum,” olhei para a nossa lista abaixo, incapaz de focar em nenhum item. “Você tem falado com a mamãe? É por isso que esta aéreo?” Meu olhar voltou para ela. “Não?” “Você ainda não viu ela desde que voltou para a cidade?”


Ela parecia surpresa. “Por que eu veria nossa mãe?” Lorena colocou as mãos sobre a borda da mesa, coletando seus pensamentos. Arrumei-me na cadeira, preparado para um sermão. Quando ela colocou seus óculos no topo da sua cabeça, eu sabia que estava tendo isso. “Sou a primeira pessoa a colocar a mamãe de fora. Acredite em mim, mal gosto dela agora.” Com boas razões. Lucy Lefray era da realeza de Nova York. Ela cresceu ao redor dos Vanderbilts e dos Rockefellers no escalão da riqueza, vivendo a vida reservada para o topo de um por cento do um por cento. Quando mais novo, ela me preparou para cuidar de uma fortuna de 500 empresas e me casar com alguma socialite de uns vinte e cinco anos. Lorena? Minha mãe mal conseguia olhar para ela. Uma estilista? Lorena parecia uma prostituta, pelo jeito que minha mãe olhava para ela. Consigo me lembrar do dia que Lorena tingiu o cabelo pela primeira vez. Minha mãe não a deixou sair do quarto por uma semana. Ela agia como se Lorena tivesse assassinado uma família de cachorrinhos. Lorena tinha feito luzes castanhas nos cabelos. O horror. “Entã, se nós dois não gostamos dela, está decidido,” sorri e olhei minha lista deixando o discurso de lado. Lorena limpou sua garganta até eu finalmente a olhar. “Ela está velha agora, Julian. Sua crista está começando a amolecer e acho que significaria muito você passar para dar uma olhada nela, ou pelo menos deixá-la saber que está na cidade. Irá quebrar o coração dela se souber que esta na cidade e não se importou de ir vê-la.” “Irei mandar uma mensagem curta.” “Julian,” Lorena bateu.


Ergui minhas mãos. “Tudo bem. Vou pensar nisso, Lorena. Tenho muita coisa na minha cabeça, o mínimo que posso fazer é tentar agendar um chá com a mamãe.” Lorena sorriu e pegou o seu itinerário. “Perfeito. Tudo bem, vamos para o segundo tópico. Acho que está na hora de eu conhecer nossa funcionária do mês!” Jesus Cristo. Alguém me arrume uma cerveja.


CAPITULO 21 Josephine Era segunda-feira depois do ‘incidente do barco’ onde quase deixei Julian me possuir embaixo do convés - sem trocadilhos - e não estava preparada para ir trabalhar. Tinha o mesmo tipo de pavor no meu estômago de quando tinha que me depilar com cera antes da temporada de praia. Tomei meu tempo passando maquiagem, tentando relaxar. Tinha ligado para Lily na noite anterior para saber sua opinião, mas ela só me fez sentir pior. Acho que ela ficou chocada por eu ter deixado ele ir tão longe. “O plano era você se mudar para Nova York, daí você poderia arrumar um emprego e um apartamento antes de eu me mudar em poucos meses. Esse plano não incluía você dormir com seu chefe. Você não consegue ver que isso pode prejudicar sua carreira na Lorena Lefray Designs, mas também COM TANTOS CARAS na cidade inteira? Sério, Jo, o pênis dele é feito de ouro? Marfim? Ele brilha? Porque dormir com ele não pode ser mais importante do que sua carreira na moda. Pense nisso.” “Eu sei disso! Você não precisa me dizer,” bufei pelo telefone. “Você não acha que já estou em pânico o suficiente? Ele estava bêbado e quase tirei vantagem dele!” Lily não acreditou nisso nem por um segundo. “Vocês dois têm se cercado como se fossem um casal de tubarões com sede de sangue. Você não tirou vantagem dele.” Gemi.


“Apenas foque no que é importante, Jo. Eu me mudarei em um mês e daí você não vai mais precisar sair com Julian. Você terá a mim.” Apenas ouvir ela me assegurar de que estava pronta para se mudar para Nova York derreteu a maior parte da minha ansiedade. Eu precisava dela em Nova York. Precisava de reforço. Se Lily estivesse comigo no barco, nunca teria ido tão longe com Julian. “Uma vez que tiver o dinheiro do ônibus e o primeiro mês de aluguel, estarei aí,” Lily disse. Eu a fiz prometer isso. Depois de desligar o telefone, me fiz prometer não estragar a oportunidade que tinha caído no meu colo. Havia inúmeros resultados que poderiam acontecer se eu e Julian decidirmos continuar em algum tipo de relacionamento. Mas apenas um não terminaria com um rompimento e eu ter que sair da empresa. Verdadeiramente, sabia que só tinha uma opção: continuaria sendo funcionária de Julian e sua amiga, nada mais. Nós seriamos cordiais, eu faria meu trabalho, impressionaria ele e pegaria meu caminho pelo mundo. Não poderia deixar escapar esse trabalho por entre meus dedos. Tinha cobradores em minha porta, o próximo mês de aluguel para me preocupar e Lily não poderia se mudar para Nova York se eu estivesse desempregada. Devia isso a ela, me comprometendo com minha posição, mesmo que isso incluísse colocar minha vida amorosa em banho-maria por enquanto. Isso significava que tinha que ser aberta com Julian. Bufei e abri a gaveta para pegar a roupa mais conservadora que conseguisse achar. Decidi por calças largas e entediantes, uma blusa cinza que escondia todo o meu decote. Deixei meu cabelo em um coque baixo e um par de sapatilhas, esperançosa de que a mensagem que mandaria seria alta e clara. Eu = funcionaria. Você = chefe. Até um homem das cavernas poderia entender isso.


Quando comecei meu caminho para o trabalho, ainda estava tentando deixar de lado as memórias do barco. Uma em particular Julian segurando minhas mãos em algum lugar acima da minha cabeça tinha começado a parecer na minha mente quando meu telefone vibrou no meu bolso. Minhas mãos tremiam enquanto procurava na minha bolsa, assumindo que poderia ser Julian ligando. Não era. Minha mãe apareceu na pequena tela e meu estomago revirou. Eu não falava com ela em semanas e esse era o momento que ela tinha escolhido para me ligar? Desviei para o canto da calçada e me encostei do lado de um edifício tentando abafar um pouco o barulho. “Alô?” Perguntei depois de atender a ligação. “Josie. É a mamãe. Você pode falar agora?” Encarei através da calçada. Tecnicamente tinha dez minutos para estar no trabalho e já estava quase a um quarteirão do hotel de Julian. Não tinha desculpa. “Sim. Sim, você pode me ouvir bem?” A rua de manhã era cheia de táxis buzinando e pedestres falando o mais rápido que podiam. As chances eram de que ia parecer que eu estava no meio de um circo. “Sim. Estou com você no viva voz para o seu pai poder ouvir também.” Sorri. “Oi pai.” “Oi Jos,” ele falou. Eu não ouvi nenhum deles por um mês e agora eles estavam me ligando juntos? Alguma coisa está acontecendo. “Como você está se saindo em Nova York?” Ela perguntou. “Bem,” repliquei, pisando leve.


“Nós escutamos as notícias todos os dias. Parece como se alguém fosse assassinado ou morresse todas as noites por aí.” E eles não acharam que era necessário me checar até agora… “Sim, mas não fico andando por ai à noite e sempre carrego spray de pimenta comigo.” “Você sabe que não precisaria de spray de pimenta se voltasse para casa…” minha mãe resmungou. Você está certa. Por que eu teria que me jogar de uma ponte de tanto tédio antes de ter a chance de usá-lo. “Como vão as coisas na loja, pai?” Perguntei, ignorando a pequena ironia da minha mãe. “Oh, o mesmo de sempre. Devagar, mas em pé.” Devagar, mas em pé poderia ser o lema da minha cidade natal inteira. Sério. “Bem, eu só queria checar você. Sei que você anda ocupada com todo esse sonho de Nova York… você vem para casa em algum momento desses? Talvez para o aniversário do seu pai de sessenta anos no mês que vem?” Culpa arranhou as minhas cordas vocais até eu ter que limpar minha garganta só para ter certeza que conseguiria falar. “Vou tentar. Realmente.” Sabia que estava fazendo falsas promessas, mas não poderia contar a eles a verdade. Tinha tanta gente me olhando e esperando pela minha queda. Tenho certeza que cada pessoa da minha cidade natal tinha feito uma aposta de quanto tempo eu aguentaria ficar em Nova York antes de ter que voltar para casa. Era como se eles tivessem tomado como pessoal o fato de eu ter saído e tentado fazer alguma coisa da minha vida. Eles


dormiriam um pouco melhor a noite sabendo que eu tinha saído para realizar meus sonhos e dado de cara na lama. Por quê? Porque isso significava que toda vez que eles tiveram o instinto de alcançar mais, eles recuaram, e poderiam descansar facilmente em sua casa de rancho, com seus 2 acres de terra e seus dois filhos, achando que tomaram a decisão certa - a decisão adequada - enquanto ‘aquela tal Josephine Keller perdeu sua juventude com sonhos tolos’. Estaria condenada se eles vissem minha queda. “Ouça mãe. Tenho que ir. Preciso trabalhar. Avisarei você se vou ser capaz de ir para casa no mês que vem.” Antes que ela pudesse falar alguma coisa, desliguei o telefone e guardei na minha bolsa. Uma feroz determinação passou por minhas veias. Todas as memórias do barco foram empacotadas e deixadas de lado. Por enquanto, eu precisava focar em mim mesma.


CAPITULO 22 Josephine Abrir o laptop, ler e-mails, pedir o café da manhã, derramar café, evitar contato visual, ficar pelo menos a dois metros de Julian, e pelo amor de Deus, parar de relembrar como você se sentiu quando era beijada por ele. Estava trabalhando no hotel do Julian há quinze minutos e minha decisão estava desmoronando. Senti-me confiante quando parei em sua porta e bati duas vezes. Meus ombros estavam para trás e minha cabeça estava erguida. Então, Julian abriu a porta do seu quarto e sugou a minha confiança bem longe de mim sem nenhum esforço. Ele usava um terno azul marinho bem ajustado, cinto marrom e sapatos marrons. O botão de cima da sua camisa branca estava desfeito e seu cabelo preto estava suavemente úmido, como se ele tivesse acabado de sair do banho. Murmurei uma saudação, evitando seus olhos assim poderia continuar segurando a pequena determinação que me restava. Nos primeiros quinze minutos que estive lá, nenhum de nós disse uma única palavra. “Mais café?” Ele perguntou, quebrando o silêncio com uma oferta que não poderia recusar. Concordei e ele rodeou o sofá para colocar mais na minha caneca enquanto eu a erguia para ele. Seus sapatos atingiram o chão de madeira a cada passo, eu sentia meus nervos à flor da pele. Encarei minha tela de computador, ao mesmo tempo que tentava adivinhar o quanto ele estava perto de mim. Ele estava se ocupando com


alguma coisa atrás de mim e eu estava pensando em como seria uma vida no trabalho normal. Normalmente, teria me virado e perguntado sobre seu fim de semana, como tinha sido o seu domingo, mas não tinha como entrar nessa linha de discussão. “Você está quieta essa manhã,” disse, saindo de trás do sofá e sentando na minha frente. “Estou?” Perguntei, sem encontrar seus olhos. “Só estava pensando no trabalho,” murmurei. Ele concordou ,me estudando de um jeito que dava calafrios na minha espinha. “Então a gente vai falar sobre...” “Julian.” Ergui minha mão, o interrompendo antes que pudesse falar alguma coisa. “Vamos nos concentrar no trabalho e falaremos disso outra hora, talvez quando eu não estiver em expediente.” Ele sorriu. Claramente, não esperava essa resposta. “Mesmo a gente quase tendo...” Trinquei o queixo e me agarrei às bordas do meu laptop. “Julian, por favor. É complicado.” Seus olhos calmos, os olhos que me cumprimentaram na porta há quinze minutos tinham desaparecido, substituídos por uma tempestade atrás da sua sobrancelha. Pensei que ele ia forçar o assunto, elaborando as memórias que queria deixar de lado pelas próximas oito horas, mas não. Ele abriu seu laptop em silêncio e a gente começou a trabalhar. Por horas enviamos emails e lemos contratos do espaço que queríamos alugar. Estive ligando para empresas de arquitetura por toda a cidade, explicando nosso projeto e agendando encontros para o planejamento inicial.


Nós não nos dirigimos à palavra a não ser que fosse sobre o trabalho. Seu tom era distante e frio. Mal podia olhá-lo nos olhos, mesmo quando ele só estava me mostrando os nomes das firmas que gostaria que eu entrasse em contato. Odiei cada minuto disso, mas era desse jeito que tinha que ser. Depois do almoço, me ajeitei no meu lugar e voltei ao esboço do email que tinha começado antes de ir arrumar alguma coisa para comer. “Outra noite, fui até essa sorveteria na rua de baixo do meu hotel,” ele começou, puxando minha atenção do meu computador. “O que?” Perguntei confusa. “Você nunca quis muito um sorvete?” Perguntou, um sorriso cobrindo seus lábios. De que porra ele estava falando? “Ah, claro, eu acho.” “Bem, realmente queria sorvete na outra noite, então fui até essa loja e esperei na fila. Levou uma eternidade para chegar a minha vez de ser atendido. Era como se eu estivesse esperando meu sorvete por semanas.” Arqueei uma sobrancelha. “Acho que você deveria ter pegado um sorvete de qualquer lugar.” Ele sorriu. “Não poderia, tinha que ser este sorvete.” Apertei meus olhos, confusa, mas segurei minha língua. “De qualquer jeito,” ele continuou, “era minha vez na fila e pedi uma amostra do sabor que estava querendo - você sabe, só para saborear um pouquinho.” “Hummm,” murmurei. “Você está sendo muito detalhista com esse sorvete.” Ele me ignorou.


“E depois de ter essa pequena amostra, eu sabia que queria mais. O gosto era maravilhoso, do jeito que sabia que seria. Então pedi por duas bolas perfeitas em cima de uma casquinha.” “Tudo bem. Essa foi a descrição mais estranha que já ouvi...” “Mas você sabe o que aconteceu logo depois de eu ter pagado pelo sorvete e andando para fora da loja?” “Você percebeu que estava sendo muito estranho em relação ao sorvete?” Brinquei. Ele riu. “Não. Fui dar minha primeira mordida, tropecei, e o sorvete inteiro caiu no chão. Você acredita nisso? Bem quando eu ia realmente apreciar.” Eu o encarei, minha boca em uma fina linha, aborrecimento crescendo dentro de mim. “Eu sei o que você está fazendo,” disse. “Isso nunca aconteceu com você antes?” Seu olhar encontrou o meu, me provocando. “Você nunca esteve tão perto de conseguir alguma coisa que realmente queria, apenas para ter isso tirado de você antes de poder aproveitar de verdade?” Levantei-me e carreguei meu laptop para o banheiro. “Pedi para você não falar sobre isso, Julian. Não durante o trabalho. Tenho que levar esse trabalho a sério. E você?” “Jo...” “Esse trabalho significa tudo para mim. Você não consegue entender?” Antes que ele pudesse responder, continuei. “Não posso te culpar por estar confuso com as minhas prioridades. Nós dois cruzamos a linha desde o começo. Assumo que tenho minha parcela de culpa também, mas agora a escolha esta bem na minha frente,


sei que tenho que escolher o meu trabalho em vez de você. Não posso ser demitida.” A possibilidade de ter que voltar para casa e ir trabalhar em Dairy Queen eram o suficiente para me colocar na linha. A brincadeira acabou. Ele parou e levantou as mãos. “Você está certa. Desculpe-me. Tudo bem? Desculpe-me. Eu tenho que cuidar de algumas coisas, de qualquer jeito, então não fique aí no banheiro, você pode ficar bem aqui. Prometo que quando voltar, me comportarei muito melhor.” Ele chegou mais perto e se inclinou para encontrar meus olhos. “Tudo bem?” Perguntou. Odiei que podia sentir o cheiro do seu banho. Odiei ter que mentir para ele quando por dentro, bem no fundo, queria continuar de onde paramos no barco. Ser um adulto é um saco. Fiquei bem onde estava quando ele saiu do quarto, fechando a porta atrás de si com força. Quando ele se foi e tive o quarto do hotel só para mim, finalmente pude respirar de novo. Voltei ao meu calendário de trabalho e passei por cada item. De agora em diante, iria impressionar Julian com minha ética de trabalho, não pelo tamanho do meu sutiã. Julian ainda estava fora quando o telefone do seu hotel tocou à tarde. Eu tinha mandado seu número para algumas firmas de arquitetura por e-mail, então não hesitei em atender ao telefone. Talvez eles já estivessem nos respondendo, e isso era um bom sinal de que queriam o trabalho. “Alô, quem fala é Josephine Keller,” falei com uma caneta na mão pronta para fazer anotações. “Josephine?” Uma voz perspicaz perguntou do outro lado da linha. “Quem é você? Namorada do meu filho?”


Quase deixei cair o telefone. Uma voz feminina perfeitamente clara e confiante, com um ar de aristocracia passando por cada sílaba. Puta merda. Era a mãe do Julian... “Ah. não. Não,” esclareci. “Sou sua assistente.” Ela limpou a garganta, claramente aborrecida. “E já está em seu quarto de hotel respondendo ao seu telefone?” Seu tom disse tudo. Nervosamente me mexi no meu lugar como se ela estivesse aqui, me encarando. “Ah, sim, é que nós estamos… eu e ele temos trabalhado em seu quarto de hotel enquanto não encontramos um escritório.” Nada nessa situação era suspeita e até para os meus ouvidos soei culpada. “Claro. Muito… ortodoxo.” Limpei o suor das minhas palmas na minha calça antes de trocar o telefone de mão para poder escutar com a minha outra orelha. Onde Julian estava, porra? “Você quer que eu dê algum recado para o seu filho. Ele deu uma saída, mas posso pedir para te ligar de volta...” Ela não me deixou terminar. “Na verdade, não importa. Isso vai funcionar melhor. Tenho algumas coisas para discutir com ele e é melhor se ele não puder argumentar os meus pedidos.” Esfreguei atrás do meu pescoço enquanto tentava entender o que ela dizia. “Então você gostaria que eu lhe passasse o recado?” Ela respirou profundamente como se quisesse se acalmar. “Estou confusa, você não é sua assistente? Esse não é seu trabalho? Ou ele te empregou por outras razões?”


Ela tinha acabado de sugerir que eu era a prostituta de Julian? Jesus. Conseguia sentir o calor crescendo no meu peito. “Claro que posso anotar o recado, senhora,” falei com um tom açucarado. “Deixe-me pegar uma caneta.” Eu morreria antes de deixá-la saber que estava ganhando. Esforçando-me para encontrar uma página limpa em meu bloco de anotações, mas ela não esperou. Ela disparou detalhes antes de achar uma página. “Tenho um evento beneficente no hotel Four Seasons as 8:00 da noite na quarta-feira. Desde que meu filho voltou para Nova York, arranjei um encontro para ele. Seu nome é Priscilla Kinkaid e sua mãe é uma amiga querida. Eu apreciaria se ele mandasse seu motorista pegá-la para que eles pudessem ir juntos. Seria muito rude eles irem separadamente.” Parei de escrever. “Priscilla Kinkaid?” Perguntei. Todo mundo com um computador e uma internet meio descente sabia quem era Priscilla Kinkaid. Ela era a Paris Hilton dessa década, exceto pela falta de uma fita de sexo e de um cachorro minúsculo. Ela era tudo no mundo da moda, e era uma blogueira de moda, eu sabia como estilosa e linda era. A mãe de Julian suspirou. “Sim. Por favor, preste atenção. Eu não tenho o dia todo.” Encarei o meu bloco. “Pode continuar,” murmurei com um tom gelado. “Vou te mandar um e-mail com o endereço da Priscilla. Preciso que você diga a Julian que esse evento é de suma importância para mim, especialmente agora com sua irmã doente.”


Julian havia me dito há algumas semanas que Lorena não estava em um hospital, que ela estava em reabilitação por alguma coisa. Então, o jeito que a senhora Lefray falou da sua única filha me deu um arrepio na espinha. “Tudo bem,” disse, depois de passar meu e-mail para ela. “Você pode mandar todos esses detalhes para esse endereço.” Ela anotou meu e-mail e me perguntei se Julian realmente aceitava algo assim. Ele ainda deixa a sua mãe ficar mandando em sua vida como se ele fosse criança? “Você poderia escrever um e-mail em nome de Julian dizendo a Priscila o quão satisfeito ele está por levá-la ao evento? Não tem que ser longo, mas gostaria que ele mandasse algo.” Minha boca caiu. “Não posso entrar em sua conta de e-mail,” argumentei. “Não seja ridícula,” ela falou ofendida por eu não querer fazer o que ela queria. “Você só precisa escrever e depois ele mesmo envia.” Antes de poder responder ela continuou. “De qualquer jeito, tenho que ir, mas preciso que você deixe isso pronto hoje.” Desculpa, não sabia que estava trabalhando para todos os três Lefrays… Ela desligou e coloquei o telefone no lugar olhando para ele. Deitado do lado da secretaria eletrônica estava o meu bloco de anotações, tinha uma lista de coisas que ela tinha me mandado fazer. Cada item escrito fazia meu estômago revirar de desgosto. Eu não tinha só que ignorar meus sentimentos por Julian, agora também tinha que arrumar as coisas para ele se encontrar com outra mulher? Queria rasgar a lista em pedaços e depois dar descarga no banheiro. Queria


deletar o e-mail que sua mãe havia me mandado nesse exato momento, detalhando cada item sobre o encontro quente. Queria ter amnésia sobre todo esse assunto. Não havia decidido o que faria sobre tudo isso, quando a porta se abriu e Julian entrou. Estava sentada no sofá, com a lista na minha mão e o e-mail da sua mãe aberto em meu laptop. Não olhei para ele quando foi para trás do sofá, mas podia ouvir o som dos seus sapatos no piso e senti o cheiro da sua loção pós-barba quando ele se aproximou. “Bolo italiano de creme,” ele disse, segurando um pacote de plástico na minha frente. “Uma oferta de paz.” Por dois segundos, não consegui responder, muito chocada com o peso da minha indecisão. Por que a mãe dele teve que ligar enquanto ele estava fora de casa? Por que eu tinha que saber o quanto Priscilla era maravilhosa? Ela não poderia ter pegado um pouco mais leve? “Jo? Você continua brava comigo?” Olhei para ele, seus olhos estavam sérios. Sorri e neguei com a cabeça, rendida por seu gesto doce para ignorá-lo, peguei o bolo e sorri. No canto da caixa tinha um pouco mais de glacê. “Você me trouxe glacê extra?” Ele sorriu. “Você me disse que prefere desse jeito. Imaginei que não seria uma oferta de paz sem ele.” Ele colocou suas mãos dentro dos bolsos do seu terno e deu um passo para trás enquanto eu colocava o bolo em cima da mesa na minha frente. Que merda, ele tinha que agir como minha alma gêmea nesse exato momento? Segurei o nome do seu encontro muito quente, muito solteira, muito loira na minha mão e ele estava me trazendo bolo.


“O que eu perdi enquanto estava fora?” Perguntou, desabotoando seu terno e se sentando na minha frente. A trituradora estava a alguns passos de distância. Eu poderia apenas pegar as anotações e… “Jo?” Suspirei. A verdade. Eu tinha que lhe contar a verdade. “Sua mãe ligou.” Seus olhos se alargaram. “Você falou com ela?” “Não. Eu disse a ela que não estava autorizada a falar com estranhos.” Ele me olhou verdadeiramente horrorizado. “Sério, o que ela queria?” Eu lhe entreguei as anotações e olhei os seus dedos longos pegarem o papel e puxá-lo de mim. “Ela queria que eu te desse esse recado,” disse. Suas sobrancelhas franziram enquanto ele lia minhas anotações e, em seguida, sua mandíbula se apertou. Assisti a mudança dos músculos da sua bochecha e me virei para olhar para fora da janela, desejando nunca ter atendido aquele maldito telefone. “Você que pegou o recado?” Perguntou, me olhando confuso. “Cada palavra,” disse com um sorriso fraco, finalmente me virando para olhar para ele. “Parece que você tem um encontro quente na quartafeira.”


CAPITULO 23 Julian Tirei o paletó do meu smoking do cabide e deslizei meus braços dentro dele. Arrumei a lapela para que ele caísse plenamente sobre meu peito e depois tirei minhas abotoaduras de uma pequena caixinha de couro. Meu pai havia me dado no meu aniversário de quatorze anos e cada uma delas tinha gravado em letra cursiva um L. Uma vez que estavam no lugar, parei e encarei meu reflexo no espelho do hotel. Minha gravata preta pendia ao redor do meu pescoço, esperando para ser presa. Meu cabelo continuava espalhado por todos os lados. Precisaria arrumar eles antes de ir para o evento da minha mãe, mas estava enrolando, levando um tempo para ficar pronto. Verdadeiramente, não queria ir a esse evento, principalmente por minha mãe ter me arranjado um encontro. No começo, estava me lixando para esse evento, mas depois que falei com Lorena, ela plantou uma semente de culpa na minha cabeça. Não falava ou via minha mãe há meses. Mudei-me para Nova York sem nem mesmo dizer a ela, e agora que ela já sabia que eu estava aqui e que nem me importei em ir vê-la. Minha mãe tinha uma camada desagradável, mas isso não me fazia dormir nem um pouco melhor à noite, sabendo que poderia ter tentado um pouco mais. Então me inclinei para frente e atei minha gravata, resolvido a estar em seu evento por alguns minutos. Isso não me mataria. Na minha saída do hotel, meu humor não tinha melhorado em nada. Estava irritado em ter que passar uma noite interagindo com os


convidados do evento dos quais não dava a mínima, e sabendo o tempo todo que Josephine não estaria lá. Eu

tinha

escolha,

poderia

ter

convidado

ela

como

minha

acompanhante para o evento, mas sabia que não seria uma boa ideia. Não estava indo ao evento para irritar minha mãe, e queria dar algum espaço para Josephine. No espaço de algumas semanas fomos de estranhos, para colegas de trabalho, para amigos, e depois a forcei muito, muito rápido e fodi tudo. O que aconteceu no barco do Dean era resultado de tudo o que eu estava reprimindo nas últimas semanas, todo tempo me pegava observando Jo trabalhando, todo o tempo pensava em como ela pareceria espalhada na minha cama. Fui egoísta em tê-la beijado enquanto estava bêbado. Para Josephine parecia que eu estava brincando com a vida dela, como se tudo para mim fosse brincadeira. Não tinha beijado ela só para me divertir. Beijei-a porque queria muito e agora tinha que considerar as reais implicações de me apaixonar por minha funcionária. Amarrei meus sapatos bem apertados, tentando encontrar o melhor jeito de lidar com a situação de Josephine. Meu telefone zumbiu na minha mesa no outro quarto, mas não me importei em checar até estar saindo pela porta alguns minutos mais tarde. Chamei o elevador e passei meu dedo sobre a tela, surpreso em receber uma mensagem de Josephine. Josephine: Esqueci-me de te dizer que mandei flores para Priscilla. Arrepiei-me com o pensamento. Mas por que diabos ela fez isso? Julian: Você não precisava fazer isso.


O elevador chegou e as portas se abriram enquanto meu telefone vibrava na minha mão. Josephine: sua mãe me pediu... não queria colocar você em problemas. Apertei o botão para o térreo, surpreso por não ter quebrado o painel do elevador devido à força que coloquei. Eu nunca teria a audácia de pedir para Josephine me ajudar a me preparar para um encontro com outra mulher. Mesmo assim, lá estava ela, comprando a porra das flores para o meu encontro. Fechei minha mão em um punho, tentando acalmar a raiva que crescia pela minha mãe e a sua necessidade de exceder o seu limite toda vez. Olhei as luzes no painel, tentando me decidir como explicar tudo para Josephine sem fazer ela se sentir desconfortável de novo. Julian: queria que você fosse comigo. Ótimo, imbecil. Esse é o tipo de mensagem que você manda para uma funcionária. Sabia que estava errado e mesmo assim não conseguia apagar a ideia de estar com Josephine, realmente estar com ela. Daria qualquer coisa para poder tê-la comigo em meus braços no evento. Ao invés disso, eu tinha Priscilla. Tinha que fazer isso pela minha mãe, ela sabia como conseguir as coisas. Cresci no mesmo círculo de Priscilla. Nós saímos brevemente no começo da faculdade e levei uma semana inteira para saber como ela realmente era. O spray para o cabelo, a maquiagem e o perfume não teria ido muito longe. Não tinha substância nenhuma ali, nada para me puxar para perto, nada que me fizesse querer me inclinar e ouvir, só para ter certeza de ter ouvido cada palavra que dizia.


Josephine: Obviamente. Sorri. Julian: Então prove. Josephine: Julian. PARE. Toda vez que você flerta comigo, vou fazer você colocar 5 dólares em uma jarra. Julian: Eu tenho dinheiro para gastar. Josephine: Você está certo. Vamos deixar a ideia da jarra de lado. Um colar de choque seria mais efetivo? Estremeci com esse pensamento. Julian: Entendi seu ponto. Julian: Planos para hoje à noite? Imaginei-a indo para um bar, sentando sozinha, brincando com um guardanapo enquanto esperava algum cara se aproximar dela. Ele iria. Ela se sentaria lá por alguns minutos e um bastardo idiota de sorte passaria um tempo com ela. Encarei meu telefone enquanto ela digitava, esperando que ela me respondesse com alguma coisa chata, como comer de pijama. Josephine: Não, as minhas orgias deram errado. Sorri e balancei a cabeça. Julian: Múltiplos? Josephine: Reservado das 8:00 da noite as 8:00 da manhã. Julian: Como se preparar para uma orgia de doze horas? Josephine: Três dias de suco detox… carboidratos na noite anterior, o de sempre. Sorri alto no lobby do hotel, sem me importando para onde estava indo se ainda continuasse com as mensagens. Julian: O suco detox e os carboidratos não se contrastam?


Josephine: Você vai se atrasar para o seu evento. Falo com você mais tarde. Meu sorriso foi embora e meus dedos pairaram sobre o teclado do telefone. Sabia que Josephine não entenderia minhas razões para ir a esse

evento.

Ela

não

conhecia

minha

mãe

ou

entendia

nosso

relacionamento. Eu não tinha tempo de explicar isso para ela, mas sabia, pelas brincadeiras, que ela estava me avisando do único jeito que sabia, que estava chateada. Tinha que achar um jeito de provar a ela que ir ao evento era como se fosse um negócio para mim. Não prestei atenção se meu motorista ia em direção ao apartamento de Priscilla. Não prestei atenção quando ela sentou ao meu lado e lhe cumprimentei tranquilamente. Não prestei atenção quando passamos devagar posando para as câmeras e os flashes piscando na minha cara. Se, depois do evento, alguém me perguntasse que cor Priscilla usou ou o que ela fez com o seu cabelo, não saberia responder. Verde? Coque? Algo escuro. Quem sabe. Fiz meu caminho pelo evento e respondi as perguntas que eram dirigidas a mim. Continuei procurando pela minha mãe, tentando achá-la para que pudesse ver que eu tinha feito o que ela queria e vim ao evento. Coloquei uma mão em meu bolso, enganchada no meu telefone, rezando para ele vibrar com uma mensagem de Josephine. Duas horas no evento e estava ansioso e entediado. A hora do coquetel estava acabando para dar lugar ao jantar e a ideia de me sentar para um jantar de quatro pratos estava me fazendo sentir como se fosse minha sentença de morte. Desculpei-me durante uma conversa e fui encontrar minha mãe.


Passei pelo prefeito e sua esposa, algumas celebridades que conhecia de eventos passados e alguns camaradas da escola particular. Acenei e me esquivei para passar, e então, finalmente, achei minha mãe de frente para a sala, perto do palco com um microfone na mão. Ela estava usando um vestido dourado com um laço enorme do lado do quadril. Seu cabelo marrom estava preso em um coque apertado do lado da nuca e sua pele estava bronzeada. Sabia que era falso porque eu e minha irmã éramos bronzeados por causa da pele do meu pai, enquanto minha mãe era a pálida de nós quatro. Quando saíamos de férias, Lorena, papai e eu podíamos queimar no sol. Minha mãe tinha que se sentar embaixo de um guarda sol com um protetor fator 90 sobre a pele. Ela se preparava para sair e ir para o palco, mas capturei sua atenção antes dela conseguir. “Julian!” Murmurou me olhando. “Eu estava indo fazer um brinde.” Inclinei-me e ela me deu dois beijos sem tocar meu rosto. Não conseguia me lembrar da última vez que ela realmente me abraçou. “Oi mãe. Eu já estava de saída, mas estou contente que consegui vêla. O evento parece ótimo.” Pronto, isso foi agradável. Lorena não poderia ficar brava comigo. Eu fui ao evento. Não tinha nenhuma lei que dizia que tinha que ficar até as duas da madrugada. A cara da minha mãe se fechou - mais ou menos - o Botox assegurou que a maioria dos seus músculos não pudessem se mexer mais que uma fração de centímetros. “Mas já?” Ela me pegou pelo braço e me colocou do lado do palco, longe dos ouvidos dos amigos que ela estava falando antes.


“Não. Não. Isso não vai acontecer Julian. Você vai ficar para o meu brinde e depois eu vou te apresentar a alguns convidados.” Eu estava quase pegando minha carteira para me certificar que tinha trinta e um anos e era capaz de tomar minhas próprias decisões. “O evento parece ótimo e você também. Dê um alô para os seus amigos por mim.” “E quanto a Priscilla?” Perguntou, colocando seus lábios juntos, aborrecida. “Seria extremamente rude você a deixar em seu encontro desse jeito. É por isso que você ainda está solteiro na sua idade.” Eba. Talvez, mãe. Enfiei minhas mãos no bolso. “Ela pode ir com o carro quando quiser. Ela está cheia de amigos por aqui e nenhum deles a quer em um encontro. Tenho certeza de que ela ficará bem.” “Não acredito que você está fazendo isso comigo,” sua voz oscilou. “Depois de tudo que sua irmã tem feito eu passar nesse último ano. Você não pode pelo menos comparecer em um evento e fazer sua mãe feliz? É muito para você?” Dei um passo para trás e a encarei. Estava perplexo que ela podia dizer tanta bobagem e conviver consigo mesma depois. “O que Lorena te fez passar?” Perguntei, percebendo a raiva tomando conta da minha voz. Ela olhou para seus amigos nervosamente, mas eu não pude parar. “Quantas vezes você visitou Lorena na reabilitação? Quantos dos seus amigos sabem que ela está doente em tratamento para drogas e que não está em férias na Europa?” Ela respirou e ergueu seu queixo como se estivesse na presença de alguém difícil de lidar.


“Como eu decido conduzir minha relação com a minha filha não é da conta de ninguém. Você não sabe o que tive que fazer para manter essa família unida.” Empurrei minhas mãos no bolso e dei de ombros. “Caso você se importe, ela está indo muito bem no tratamento e será liberada em algumas semanas. Talvez você possa listá-la no seu cronograma social então,” disse, olhando a saída mais rápida. Precisava sair da porra da vila maluca. “Onde você está indo? O que pode ser mais importante que esse evento?” Ela perguntou, com um tom incrédulo quando comecei a sair pela multidão. Não é o que, é quem.


CAPITULO 24 Josephine O mundo não é justo e odeio isso. Tenho procurado por empregos noturnos implacavelmente ao longo da última semana ou mais e volto com exatamente zero entrevistas e zero ligações retornando. Você sabe quem consegue empregos na indústria da moda? Filhos e filhas de pessoas da indústria da moda. Achei que eles me dariam uma chance. Achei que poderia provar meu valor e começar por baixo. Acontece que até ‘começar por baixo’ estava reservado para esses nascidos na Upper West Side. A menos que seu sobrenome esteja estampado em uma livraria pública ou gravado em bronze em alguma ala de hospital, as chances são de você não ter conexão suficiente para ter um trabalho decente em Nova York. Eu definitivamente não era considerada boa o suficiente. Depois de dois meses vivendo em Nova York, estava tão quebrada quanto antes, quando entrei no ônibus de Greyhound. Cada pagamento de Julian ia direto para pagar meu aluguel e meus débitos estudantis, mas não era o bastante. Nem mesmo perto. Estive procurando por alguma coisa em todo lugar. O ideal era eu continuar na moda, mas trabalhar no varejo significaria que, pelo menos, estaria em volta de roupas. Deixei meu currículo em todo canto: J. Crew, Madewell, Kate Spade, H&M nenhum deles precisava de alguém que só poderia trabalhar a noite e nos fins de semana. (As damas da Baby Gap riram quando perguntei se podia trabalhar em cima do meu cronograma. Imbecis cruéis). Tinha quinze dólares sobrando na minha conta bancaria. Meu aluguel venceria em três dias. Meu financiamento em quatro, e passei por uma deliciosa comida chinesa a caminho para o metrô e tive que passar


direto. (Comida chinesa por $15? As pessoas estão cagando dinheiro hoje em dia? Quem pode pagar isso?) “AH, nossa, que vestidos bonitos.” Olhei para a mulher sentada ao meu lado no metrô. Seu cabelo grisalho vinha curto até o pescoço. Seus olhos eram profundos e rodeados de rugas, mas seus lábios estavam pintados em um vermelho brilhante. Ela ajeitou seus óculos em seu nariz e encarou o meu saco de lavagem a seco no meu colo. Segui seu olhar e franzi minhas sobrancelhas. Sim, eles são vestidos bonitos. Os meus favoritos. Estava agarrada a cinco vestidos de estilistas que havia colecionado pelos últimos anos na esperança de um dia ter razão para usá-los. O dourado brilhante no topo da pilha estava praticamente começando a me fazer reconsiderar minha decisão. Eu nunca tinha vestido eles. “Você é estilista de alguém?” Ela perguntou. ”É por isso que você tem tantos vestidos?” Balancei a cabeça, encarando duramente o material brilhante sob o saco. “Não. Vou vendê-los.” Ela ficou de boca aberta. “Por que você vai fazer isso? Eles são tão bonitos.” Meu peito se apertou e, por um momento, pensei que iria despejar em uma estranha todos os meus problemas. Eu não iria chorar. Eu não iria chorar. Eu não iria chorar no meio de um metrô fedorento. “Sem espaço no meu armário,” menti, sentindo que estava lutando para não me deixar despedaçar. Ela riu e balançou a cabeça. “HA. A vida de rico, eu suponho.” Não me importei em corrigi-la.


Quando o metrô chegou a minha parada, peguei os vestidos nos meus braços, tendo certeza que eles não estavam raspando no concreto. Fui até uma loja de consignação que achei onde se encontravam peças vintage. Esperava que eles reconhecessem a beleza dos vestidos e oferecessem um preço decente. A loja era escondida no primeiro andar de um velho prédio de tijolos. Não tinha janela na frente da loja e só tinha um pequeno sinal na porta. Eu poderia ter passado direto por ela. Abri a porta cuidadosamente para não deixar os vestidos caírem no processo, e um pequeno sino soou, anunciando minha chegada. Passei pela porta, respirando um ar perfumado. Um olhar em volta do lugar e tive certeza que estava no lugar certo. Do

mesmo

jeito

que

uma

loja

de

doces

transborda

guloseimas

açucaradas, a loja de consignação estava praticamente transbordando com achados de brechó. Uma parede inteira estava coberta de lenços e bijuterias vintage. Do outro lado do quarto havia cinco prateleiras do chão até o teto, completamente lotadas com bolsas de grife. Hermes, Channel, Rebecca Minkoff, Gucci, eles estavam todos ali, me fazendo salivar. “Posso te ajudar?” Uma voz fraca me perguntou, tirando a minha atenção das prateleiras de bolsas. Olhei para ver uma pequena mulher empoleirada atrás do balcão em um banquinho de madeira. Seu cabelo vermelho e brilhante estava por todos os lados e ela tinha um colar azul em volta do pescoço. Seu vestido preto fazia pouco para esconder sua figura frágil e, quando cheguei mais perto, meu olhar foi para suas mãos enrugadas e desgastadas, cruzadas em seu colo. De frente para ela ao lado da caixa registradora tinha uma máquina de costura velha, não podia culpa-la pela forma que suas mãos pareciam. “Vendendo esses?” Perguntou gentilmente.


Eu tirei meu olhar das suas mãos, direto para seu sorriso gentil, e concordei. “Bem, traga-os aqui e me deixe dar uma olhada neles. Vamos ver o quanto valem.” “O dourado é adorável,” ela disse enquanto tirava o plástico em cima do balcão, ao lado da sua máquina de costura. Ela deslizou pensativa da sua cadeira e estendeu a mão no balcão para se equilibrar. Estudei seus movimentos com cuidado, imaginando quantos anos ela tinha. Seu cabelo brilhante e olhos bondosos pareciam esconder sua idade. “Posso?” Ela perguntou, apontando para parte superior do plástico. “Sim,” respondi, enquanto ela abria uma gaveta. Ela tirou uma pequena tesoura e agarrou o fim do saco. Meu estômago afundou e a olhei cortar o plástico, do topo até o fim, praticamente cortando meu coração junto com ele. “Sim. Eu sabia que esse seria adorável,” disse, pegando o vestido dourado e deixando de lado a tesoura no balcão. “É um Monique Lhuillier,” disse, apontando a etiqueta. Ela cantarolava tirando o vestido para inspeciona-lo. “Sim. É lindo, mas não nas melhores condições.” O topo do corpete tinha trincado apesar dos meus esforços para conservá-lo ao longo dos anos. Já não estava em muito boas condições quando o comprei, mas nunca tive tempo de remendá-lo. Ela cantarolou enquanto sentia o vestido em suas mãos, sentindo o tecido em seus dedos e inspecionando cuidadosamente. A observei, rezando para ela ver a beleza do vestido tanto quanto eu via. Quando ela terminou, colocou o vestido de volta na pilha com uma mão gentil e me olhou.


“Você não quer dar uma olhada por aí enquanto termino esses aqui, e depois te direi o quanto posso pagar por eles,” disse com um sorriso. Engoli devagar e concordei, mesmo odiando estar onde estava, olhando ela lidar com minhas coisas mais preciosas. “Essas sapatilhas são uma Channel vintage?” A mulher perguntou do outro lado do balcão. Eu olhei para os meus sapatos e sorri. “Sim.” “Alguma chance de você vende-las?” Endireitei

minhas

costas.

Minhas

sapatilhas

Channel

nunca

poderiam ser vendidas. Mesmo se precisasse viver nas ruas, seria a única sem teto de Nova York calçando um Channel vintage. Porque eu tinha prioridades. Neguei com a cabeça. “Hoje não.” Só a ideia de me separar delas fez meu estômago se revirar em ansiedade. Enfiei minhas mãos no meu bolso e dei um passo para trás, me conformando em não tocar em nenhuma coisa da loja enquanto esperava ela terminar, teria a chance de quebrar alguma coisa. Eu teria de vender um órgão para poder cobrir o custo. Andei pela loja enquanto ela inspecionava os vestidos, vendo o pôr do sol pela janela da porta da loja, sabia que Julian estaria em um encontro logo. Priscilla Kinkaid. Eu tinha procurado ela no Google na noite anterior, só para esfregar sal na ferida. Ela era bonita e tinha muitas conexões, pelo que me lembrava. A maioria das fotos que apareceram era dela sentada em vários desfiles de moda, sorrindo próxima a todo mundo da moda. Aparentemente, ela tinha passado as férias de junho com Karl Lagerfeld, por Deus.


Ela e Julian fariam um bonito casal. Seus filhos poderiam ser modelos de J. Crew. Amordace-me. Eu não queria pensar em Julian sorrindo para outra mulher. Não queria pensar no jeito que ele ficava de smoking, fazendo sua beleza impossível de não ser notada. Ele era um perfeito cavalheiro, engraçado e charmoso. Priscilla teria que ser uma pateta para não apreciar tudo que ele tem a oferecer. “Querida, estou pronta para você,” a mulher me chamou do balcão. Tomei fôlego e me preparei para o resultado. Com sorte, eu seria capaz de pagar meu aluguel por mais alguns meses com o dinheiro dos vestidos. Vendendo eles teria mais tempo para achar outro emprego e tirar o escritório de finanças das minhas costas. Ela colocou cada um dos vestidos em uma arara de vestuário atrás do balcão, Dourado, preto, vermelho, azul e branco. Eles eram todos lindos do seu próprio jeito, e era quase cruel vê-los suspensos desse jeito, bem na minha frente, mas prontos para me deixar. “Eu poderei te dar 500,00 dólares pelo Monique Lhuillier e 200,00 dólares pelos outros,” ela disse, apontando para os outros vestidos. Meu olhar congelou no colorido dos vestidos enquanto minha mente tentava processar as palavras. Eu estava esperando muito mais. Esse tanto mal cobriria o meu aluguel desse mês. Minhas sobrancelhas se juntaram e meu olhar ia dela para os vestidos. “Você quer dizer US$200,00 por cada?” Ela negou. ”Não. US$ 200,00 por todos eles,” ela gesticulou para os quatro vestidos. “Eles não são itens que minhas clientes pagariam muito. São de outras estações, mas não chegam a ser vintage. A maioria deles precisa de reparo antes de poder revendê-los.”


Eu queria vomitar. Podia sentir minha ansiedade crescendo, passando pelo meu corpo e manchando cada pedacinho de esperança que me restava. Foda-se esse dia. Foda-se meus vestidos antigos. Foda-se meus débitos escolares. Eu esperava receber dez vezes mais. Inferno, talvez até vinte. Ela parecia não ter me oferecido nada pelo jeito que me sentia. Parei de frente para o balcão dela, tentando decidir o que fazer, sabendo que a minha cabeça já tinha se decidido. Tinha que vendê-los. Não tinha escolha. Senti-me como uma puta barata quando saí da loja e fiz meu caminho de volta para a rua. Claro, eu tinha US$700,00 em dinheiro estufado na minha carteira, mas me senti usada e vazia, nem um pouco melhor do que me senti quando vinha. Vendendo aqueles vestidos eu deveria ter meus problemas resolvidos, mas ao invés disso, só tinha outro bem no topo, bem no centro do meu coração. Estava muito perto de me dar por vencida. Podia sentir a pressão em meu peito, sentindo cada parte de mim até eu me despedaçar bem aqui, no meio da calçada. Eu não podia me despedaçar; tinha coisas para fazer, precisava tirar fotos para um post que fiz dois dias antes. Tinha que mandar por e-mail mais currículos e implorar por um trabalho. Irei expandir minha procura por escolas de moda de varejo. Eles têm Dairy Queens em Nova York? Vou servir fritas e sorvete por toda a noite se isso significar mais um dia sem me preocupar se tenho dinheiro para o aluguel. “Sai da frente moça!” Um garoto de entrega gritou atrás de mim antes de eu sentir uma dor excruciante vinda do meu pé. “Merda,” falei enquanto sentia uma dor no meu pé como se milhares de pequenas facas espetassem meu osso.


“Merda, merda, merda.” O idiota tinha passado em cima do meu pé, esmagando todos os ossos. Pulei para cima e para baixo, tentando acalmar a dor, mas não ajudou. “Você está de brincadeira?” Gritei enquanto ele continuou a andar, nem mesmo se importando com o fato de poder ter quebrado todos os ossos do meu pé. “Quem faz isso??!” Gritei. “E nem pede desculpas?!” Ele não se virou nenhuma vez. Caminhou com seu carrinho cheio com sete caixas empilhadas na borda com minúsculos elefantes e pesos de papel de chumbo. Nesse meio tempo, todos que estavam em volta na calçada me olharam como se eu fosse a doida. Parecia que a cidade de Nova York estava tentando me matar. Quero dizer, literalmente me batendo com caixas e com alugueis caros e pessoas rudes. Tentei mexer meus dedos, aliviada por eles não terem sido quebrados, depois olhei para ver o estrago. Naquele momento senti uma pequena pontada no coração, bem no fundo, O IDIOTA TINHA ARRUINADO MINHA SAPATILHA CHANNEL. Uma camada gordurosa de graxa estava em cima da estampa de leopardo, bem onde o carrinho passou. O ‘CC’ duplo que a marca Channel era conhecida tinha sido arrancado e estava solitário e esquecido na calçada perto do meu pé. Eu sabia que estava sendo ridícula. Sabia que pessoas morriam todos os dias por não terem o que comer. Sabia que as pessoas tinham problemas reais que não incluíam graxa em seus sapatos chiques. Sabia de tudo isso, e mesmo assim não pude parar as minhas lágrimas que estavam escorrendo pelas minhas bochechas enquanto me


abaixava para pegar o ‘CC’. Não pude parar todas as emoções que me bateram. Esse era o ato final. Não conseguia lidar com isso. Nova York não era minha cidade. Não estava pronta para a agitação e não estava pronta para o mundo da moda. Pronto. VOCÊ ESTÁ FELIZ AGORA, UNIVERSO DO CARALHO?! “Querida, pare com isso você está se envergonhando,” uma voz gentil disse atrás de mim. Senti uma mão pequena passar em volta da minha cintura puxando minha camiseta e tentando me colocar de volta na calçada. “Pare de chorar.” Olhei para trás, para ver a dona da loja fazendo seu melhor para me levar para dentro da sua loja. Balancei minha cabeça e ergui minhas mãos com se fosse para ela me deixar sozinha. Sabia que se falasse, minhas palavras sairiam bagunçadas. “Entre por um momento. Entre e a gente dá um jeito nisso,” ela insistiu tentando me passar pela porta da loja. “Você está chateada por causa da sua sapatilha?” Para uma velha senhora, ela era bem forte. Não acho que conseguiria lutar com ela se tentasse. Outra razão de que Nova York não era para mim. Eu não conseguia nem fugir do ataque de uma velhinha. O sino soou quando voltamos para dentro, mas mal pude ouvi-lo por causa de como eu mesma soava. “Pare com essa choradeira. Eu posso consertar essas sapatilhas. Não é nada. Com o solvente certo essa graxa já vai sair,” ela disse.


Limpei minha cara, tentando dar um jeito em minhas lágrimas. Seus olhos castanhos bondosos buscaram minhas feições, mais para tentar encontrar a origem da minha loucura. Continue procurando, moça. Está aí. “Isso te faz se sentir melhor? Era só isso o que estava errado?” Ela disse. Neguei com a cabeça. “O que mais eu posso fazer por você?” Perguntou. “Não posso pagar mais por seus vestidos, mas posso consertar seus sapatos de graça.” Encarei seus olhos gentis, respirei profundamente e perguntei. “Você está contratando?” “O que?” Ela foi para trás serrando os olhos, obviamente pensando na pergunta. “Prometo que serei uma ótima funcionaria,” jurei. “Apesar do que toda essa situação sugere.” Ela sorriu. “Você acabou de ter um colapso público na calçada e espera que eu te arrume um emprego?” Senti meus lábios tremerem. Ela levantou as mãos e balançou a cabeça. “Tudo bem. Jesus, se recomponha. Não posso te dar trabalho. A loja mal dá para uma pessoa trabalhar, mas tenho uma amiga que pode te ajudar. Você pode trabalhar a noite?” “Sim. Sim! Com certeza,” ela largou meu cotovelo e se virou para o balcão. Fiquei colada no meu lugar, olhando ela pegar uma maleta cinza antiga e tirar o pó de cima dela com a mão. A coisa parecia não ser usada desde os anos 80. Ela ficou um tempo procurando até que tirou de dentro um cartão.


Ela me olhava enquanto discava o número e me ofereceu um sorriso tranquilizador. “Tudo vai dar certo,” ela disse. “Todo mundo tem dias como esse. Você nunca ouviu o ditado: ‘Quando alguém arruína sua sapatilha Channel, você faz uma limonada’?” Comecei a rir, pega totalmente de guarda baixa com o senso de humor dela. “Não acho que o ditado seja assim,” disse, limpando meu nariz e finalmente contendo minhas lágrimas. Ela ia me responder, quando ouvi um chiado do outro lado da linha. Ela ergueu o dedo para me silenciar e depois falou. “Oi Margery. Aqui é Beth. Beth Montgomery - sim, sim. Estou bem.” Ouvi mais alguns chiados do outro lado da linha e Beth e Magery passaram pelos cumprimentos. Então finalmente, ela sorriu para mim. “Fico feliz que tudo esteja bem. Temos que marcar um jantar,” ela disse. “Na verdade, estou ligando para você porque tenho um favor para te pedir.”


CAPITULO 25 Julian Assim que saí do evento de caridade, tirei a gravata que estava em volta do meu pescoço e guardei no meu bolso. A maldita coisa estava me estrangulando por mais de três horas e me sentia bem em poder ter um pouco de ar. Um funcionário do hotel se apressou em me cumprimentar. “Senhor, gostaria que ligasse pedindo um taxi ou o senhor tem um motorista?” Ergui minha mão e balancei minha cabeça. Eu precisava andar. Precisava clarear minha cabeça andando os dez quarteirões que me levavam até em casa. Não me sinto melhor em ter dispensado minha mãe. Ela não era uma pessoa maliciosa, era só uma mulher entediada com muita saúde e ainda mais inseguranças. Para ela, ser uma boa mãe significava dar a seus filhos um sobrenome influente e o significado do sucesso. Que bem faz um abraço ou um beijo? Para ela, apertos de mãos e beijos no ar era o cumprimento apropriado vindo dos almoços em grupos de damas para seus filhos. Meu pai era o afetuoso para nós. Ele era romântico até os ossos. Ele tinha um jeito de amolecer minha mãe, aparando as arestas. Nos quinze anos desde que ele morreu, ela regrediu lentamente a sua verdadeira natureza e meu relacionamento com ela se tornou pior. Agora, vendo o jeito que ela escolheu lidar com os problemas de Lorena, não tinha mais o que fazer com ela. Uma buzina de bicicleta soou atrás de mim, fora do caminho, passando voando por mim na beira da rua. As luzes neon em suas rodas brilhavam na noite, iluminando uma garota na garupa da sua bicicleta.


Ela tinha um cabelo escuro, longo que voava no vento enquanto o cara pedalava mais rápido e rápido. Ela me lembrou de Josephine e imediatamente desejei estar com ela, assim poderia falar com ela sobre minha mãe e ela poderia me dizer que eu estava fazendo a coisa certa. Continuei andando em direção ao meu hotel, ficando longe da beirada da rua, com minhas mãos dentro do bolso do meu terno. Estava a apenas algumas quadras. Eu poderia deitar na minha cama com um copo de uísque. Ao invés disso, virei à direita e fui em direção a Greenwich Village, para Josephine. Não sabia seu endereço exatamente, mas isso parecia ser trivial no momento. Só queria estar perto, dela mesmo que isso significasse estar pelo seu bairro. Perseguindo mulheres, espreitando em seus apartamentos era uma coisa nova para mim. Nunca estive em uma situação parecida antes. Tudo antes de Josephine parece ter sido preto e branco. Também só tinha estado em relacionamentos com uma mulher em um período curto de tempo, coisa de uma noite. Estabelecíamos as coisas desde o início e as expectativas eram sempre perfeitas para ambas as partes. Esse pântano tenebroso para o qual estava caminhando com Josephine era sinônimo de problema. Mas Josephine era diferente. Ela era minha amiga. Ela era minha amiga gostosa. Ela era minha amiga gostosa e inalcançável. Continuei andando pelas ruas de Nova York com nenhuma meta especifica na cabeça e sem destino certo. Quando cheguei a uma antiga pizzaria no centro do coração de Greenwich Village, ainda não tinha decidido se ligava ou não para


Josephine. Parei na calçada da pizzaria e apertei o telefone na minha mão quando um jovem casal saiu. Eles estavam se abraçando e, no final da calçada, a garota ficou nas pontas dos pés e deu um beijo na bochecha do cara. O namorado dela passou os braços ao redor das suas costas e mergulhou devagar. Olhei-os como se fosse um pervertido do caralho; eles estavam tão apaixonados e felizes. Sem pensar em mais nada, peguei meu telefone e disquei o número de Josephine. Ele chamou dolorosamente três vezes, e depois ouvi a sua voz doce do outro lado da linha. “Senhor Lefray, você está me ligando do banheiro do evento?” Ela perguntou com um tom divertido. Sorri e o aperto no meu peito se afrouxou. Ela me tinha nas pontas dos seus dedos. “Escapei,” respondi simplesmente, encostei-me à parede da pizzaria, assim não ficaria atrapalhando os outros pedestres. “Com o seu par?” Perguntou. Arrepiei-me com o pensamento. “Não. Só eu.” “Bem, Hans Solo, você ganhou oficialmente o prêmio de encontro mais curto.” Sorri. “Já tem pelo menos uma hora. Talvez duas.” “Você deu um novo significado a palavra rápido,” ela brincou. Sorri e balancei a cabeça. “Tenho certeza que ela se divertirá mais sem mim.” Ela murmurou e encarei o outro lado da rua, assistindo taxi, após taxi passar em um borrão amarelo. “Então, por que você me ligou?” Ela perguntou.


Respirei e encarei acima de mim um anuncio vermelho e branco. Tempo de atirar. “Estou parado em frente a Ray’s Pizzaria.” “Onde?” “Ray’s Pizzaria...” “Humm, isso é só a uma quadra daqui. Por que você está aí?” “Eu estava passando pelo bairro,” menti. “Sei. Tente de novo.” Fiquei batendo meus dedos contra o tijolo, tentando pensar em outra desculpa. “Eu realmente gosto da pizza deles. Ray é meu padrinho.” Ela riu. “Claro. Claro. Por que você não teria um padrinho que viveria em Greenwich Village?” Fingi um suspiro. “Eu sei, mundo pequeno, né? Alguns chamam de destino.” Ela riu e me envolvi em seu som. Luminoso, fácil, despreocupado. Eu queria ter seu sorriso só para mim. Era um imbecil ganancioso em se tratando de Jo. Fez-se um silêncio entre nós dois e esperei ela me convidar para ir em sua casa e ela esperou eu ultrapassar o limite que ela havia colocado. Eu sabia que ela não queria sair com seu chefe. Sabia que deveria deixala sozinha. E mesmo assim liguei. “Você é implacável,” ela disse depois de um momento. “Devia ter encomendado esse colar de choque.” Não argumentei.


“Compre-me uma pizza e me encontre do lado de fora do meu apartamento na rua Grove. Te deixarei entrar se você me trouxer pepperoni.” Virei para entrar na loja, rezando para que eles não demorassem muito. “O que mais você quer?” Perguntei. “O que parecer ser bom. Agora desligue, assim posso limpar antes de você chegar. Tenho, tipo, coisas imencionáveis na minha sala. Sei que pareço muito organizada no trabalho. Mas meio que sou bagunceira.” Jo não estava brincando. Ela realmente vivia a uma quadra da pizzaria e quando me aproximei do seu prédio com uma pizza na mão, a vi parada do lado de fora. Ela estava no último degrau da varanda, vestindo calça de pijamas de bolinhas brancas e vermelhas e uma camiseta da universidade do Texas. Seu cabelo estava em um coque bagunçado no topo da cabeça e ela estava com uns óculos de armação preta. “Nós temos que parar de ficar nos encontrando assim,” brincou enquanto me aproximava. “Sinto-me tão mal vestido em meu smoking. Você deveria ter me dito que o tema da noite era ‘a moça excêntrica dos gatos’.” Sorri e entreguei para ela a caixa de pizza. Ela olhou para seu peito e depois para mim. “Você está de brincadeira? Essa é uma camiseta chique. Só uso quando estou esperando a realeza e tal...” Sorri, reparando em como ela era refrescante. Eu já sabia isso, mas ter vindo do evento direto para sua casa tornou isso mais evidente. O contraste de uma mulher como Priscilla e Jo era como noite e dia. “Pare de me encarar e vamos para dentro,” disse com um sorriso esquisito.


Eu estava encarando? “Então, aqui é sua casa?” Perguntei, olhando atrás dela. Ela vivia em um prédio grande, de tijolos vermelhos com barras de ferro nas janelas do primeiro andar. Era um dos prédios mais desgastados da rua, mas sabia que o aluguel não refletia isso. Nada nessa área da cidade era barato. Ela abriu a porta da frente, revelando um vestíbulo escuro que dava para uma escada estreita bem no centro. “Sim, é minha casa por enquanto,” respondeu, dando de ombros. Um cara baixo e mais velho estava verificando sua caixa de correio ao lado do vestíbulo. Uma faixa marrom estava no topo da sua cabeça e ele se mexeu em um ritmo frio enquanto retirava suas cartas da sua caixa. “Oi Isaac,” Josephine chamou quando íamos para o início da escada. “Oh! Olá Josephine!” Ele respondeu virando para nos ver. “Quem é o cara com a pizza?” Ele sussurrou ruidosamente no ouvido dela. “Só um amigo, Issac. Boa Noite!” “Seu amigo?” Perguntei, subindo para o segundo andar e encarei o próximo lance de escadas. Jo olhou por seus ombros e sorriu. “Ele é rabino e, às vezes, ajudo a dar comida para o seu peixe dourado quando chega tarde. Você sabia que ele tem comida de peixe kosher?” Depois de mais três andares de escadas, tirei meu paletó e segui Josephine até o fim do corredor. Ela colocou sua chave na fechadura, se virou e depois me encarou. Eu vi seus olhos verdes por detrás dos óculos. De repente, ela parecia insegura consigo mesma. “Uma vez que te deixar entrar, você não vai mais me ver com os mesmos olhos.” Franzi as sobrancelhas. “O que? Por quê?”


Ela sorriu. “É que meus ratos estão muito sensíveis hoje e não quero que você insulte a casa deles.” Ergui minhas mãos em uma seriedade fingida. “Porque você acha que pedi mais queijo?” Ela riu e abriu a porta, então pude ter minha primeira visão de dentro. Era um estúdio apartamento modesto. Não tinha mais que 100 metros quadrados, incluindo a pequena varanda fora da sala. “Tudo bem, bom, porque eu e os ratos temos um acordo. Eles não pagam aluguel enquanto vemos Ratatouille toda noite. Eles adoram a cena do queijo.” “Serio Jo, não é tão ruim assim.” Era bem ruim. Pior do que quando eu vivia na faculdade, mas ela fez o que pôde para adicionar seu charme ao lugar. Uma das paredes da sala estava coberta com uma tapeçaria brilhante. Ela colocou plantas pelas janelas e tapetes listrados cobrindo a maior parte das portas de madeira. “Eu gostei. Você tem jeito para fazer o melhor sair de qualquer coisa,” disse, dando uma volta para dar uma olhada melhor. “Pelo menos me deixe te mostrar o lugar” ela disse, pegando a minha mão. Tentei agir normalmente sobre o fato de seus dedos estarem entrelaçados com os meus, mas tenho certeza que ela percebeu o choque na minha cara. “Aqui é a cozinha,” disse, dando um passo para a esquerda. Dei um passo também, direcionando meu corpo para a pequena área da cozinha. “E aqui temos banheiro, quarto, sala e hall de entrada,” ela listou, dando um passo para a direita e gesticulando para o resto do quarto.


“Droga, depois de toda essa caminhada, acho que preciso de pizza.” Eu disse. “Definitivamente,” confirmou com a cabeça. A gente sentou no sofá. Nos encostamos nas almofadas, quadril com quadril e com a caixa em cima das nossas coxas. Abri a caixa para ela poder pegar o primeiro pedaço. O pepperoni era do tamanho da minha cabeça e podia dizer pelo cheiro do molho que eles usaram alho e manjericão. Eu poderia comer a caixa toda sozinho. Nós dois pegamos um pedaço e dobramos no meio para que o queijo não caísse pela borda. “Eu gosto da sua casa,” disse. Ela deu uma olhada pelo lugar, mastigando. Estudei seu perfil enquanto ela processava meu elogio. “Sim. Realmente não é tão ruim. Meus vizinhos são bem legais.” Concordei, feliz por ela ter gente legal em seu prédio. “É um bônus: tecnicamente, tenho que comer todas as minhas refeições na cama,” ela brincou, dando tapinhas em seu futon preto embaixo de nós. Parei no meio da mordida e processei a piada dela. “Você dorme aqui?” Perguntei, olhando para o tecido preto com uma fatia de pepperoni presa na minha garganta. “Sim, dá para puxar uma coisa para fora e parece um colchão duplo.” Antes que eu pudesse me conter, meu cérebro pegou seu comentário e transportou para as minhas fantasias. É aqui que ela dorme. É aqui que ela faz sexo. “De que jeito você dorme?” Perguntei. “Por quê?”


“Orgulho, sobre minhas fantasias estarem...� Mal terminei a palavra antes de sentir uma fatia de pepperoni deslizar pela minha cara.


CAPITULO 26 Josephine No momento em que joguei a fatia de pepperoni em Julian, me arrependi, e não porque tinha molho em sua bochecha. Não, era porque eu realmente gostava de pepperoni e as pizzarias eram muito mesquinhas quando colocavam nas pizzas (Quatro pedaços em cada fatia? Era melhor ter pedido comida chinesa). “Espere, me dê isso de volta,” disse, alcançando o pepperoni. Ele escapou do meu ataque. “Achado não é roubado.” Assisti ele colocar em sua boca e comer como um presunçoso idiota. Você pode pensar que o molho em sua bochecha o fez parecer bobo, mas ele parecia mais sexy do que nunca, apenas com um pouquinho mais de alho para realçar seu bronzeado. Seus olhos escuros ainda estavam focados em mim, olhando-me olhar ele, e antes que pudesse pensar nas milhares de razões para não fazer, me inclinei e lambi o molho que estava bem na sua bochecha. Pensei que ia ser bonitinho e inteligente, lamber o molho da sua bochecha como se não fosse nada. Mas não foi. A tensão no quarto mudou em um instante. Ele prendeu a respiração e percebi que fui longe demais. Antes que pudesse voltar, ele virou sua cabeça e seus lábios estavam nos meus em uma confusão de molho e lábios, alho e doce luxuria deliciosa. Ele me puxou pelo braço, agarrando meu cotovelo, então não pude sair. No primeiro momento eu estava muito atordoada para fazer alguma


coisa. Meu coração martelava no meu peito e minha mão balançava, tentando segurar meu pedaço de pizza. Finalmente, meu cérebro reagiu. Julian está te beijando. BEIJE ELE DE VOLTA, SUA TONTA. E então, como se fosse mágica, minha hesitação desapareceu. A caixa de pizza, com nossos pedaços meio comidos foram jogados no chão como se fosse notícia velha. Meus olhos se fecharam e passei minhas mãos pelo seu ombro, agarrando o seu pescoço como se minha vida dependesse disso. Ele colocou sua língua dentro da minha boca e girou meu corpo para eu ficar ainda mais perto dele. Ele estava controlando tanto o beijo, muito melhor do que eu que me sentia como se mal pudesse me manter. Sabia que queria o impressionar. Queria seduzir ele com meu beijo, mas ele estava muito ocupado me seduzindo com o dele. Seus dedos contornaram a borda da minha camiseta até ele encontrar um pedaço de pele nua acima da calça do meu pijama. Estremeci quando sua mão pressionou contra a minha espinha, me puxando para perto até estarmos peito com peito, coração com coração. Ele levantou minha camiseta expondo meu estômago. Hesitei um momento antes de colocar minhas mãos para cima, o deixando tirar minha camiseta fora. Não estava usando nada além de um sutiã creme. Não tinha nenhuma renda, nenhum adorno. Ele era um pouco pequeno, o que significava que Julian tinha um tremendo espetáculo. Não consegui nem olhar para baixo. Sabia quão rebeldes meus peitos estavam naquele momento. Eles eram muito bons em hipnotizar homens quando estavam devidamente controlados. Pelo menos Julian parecia gostar deles.


Seus dedos se arrastaram ao longo da linha do meu sutiã, traçando cada um o mais demoradamente possível. Estremeci com a sensação e agarrei seu pescoço, dando-lhe minha aprovação sem dizer nada. De que? Não estava nem aí. Ele poderia ter tudo. Eu só queria que ele continuasse. Queria que ele desabotoasse meu sutiã e continuasse com isso. Ele foi para trás, me dando um tempo para tomar fôlego, e deixei uma mão cair em sua coxa, deslizando sobre a seda da sua calça. Era macia, tão macia que senti como se mal tivesse uma barreira entre a tensão em sua coxa e minha mão. Quanto mais longe ia, mais obvio seu desejo ficava. “Puta merda,” engasguei, me distanciando um pouco dele e encontrando seus olhos. Ele parecia como se tivesse corrido uma longa distância. Suas bochechas estavam coradas, suas pupilas dilatadas e seus cabelos estavam por todos os lados, graças as minhas mãos. “O que?” Ele perguntou, sem fôlego. “Você está duro,” disse com olhos arregalados e com uma expressão chocada. As pontas da sua boca se ergueram. “Sim, geralmente é desse jeito que funciona.” Neguei com a cabeça. “Não. Você parece realmente duro, e…” não consegui deixar a próxima palavra sair da minha boca, ao invés disso lhe dei uma visão do que estava me referindo. Ergui minhas mãos e as deixei a mais ou menos uns vinte e cinco centímetros de distância uma da outra e o encarei de forma acusadora.


Julian tinha muito mais do que um tanquinho. Eu estava muito presa no momento para notar esse fato no iate do Dean, mas agora? Não conseguia deixar de notá-lo. Ele revirou os olhos e colocou minhas mãos para baixo; juro que suas bochechas estavam mais coradas do que antes. “Você sempre carrega um taco dentro das suas calças?” Perguntei, sem poder conter minha risada. “Jesus, Jo. Podemos não falar sobre esportes juvenis quando estou excitado?” Ele perguntou, massageando atrás do seu pescoço. Estendi a mão para tocar na sua protuberância de novo. Sim. Ele precisa do seu próprio tempo. “Jo?” Ele perguntou de forma gentil. “Sim?” Respondi. Sua mão caiu sobre a minha em cima das suas calças, em seguida ele agarrou meus dedos e os puxou para fora. “Você não pode segurá-lo desse jeito.” Ah. Ah! Certo. Meu Deus. Eu estava tocando no pênis do meu chefe, como se não fosse nada. Meu Deus. Que diabos estou fazendo? Minha visão se abriu para além de Julian, para a extensão do meu apartamento, para a pilha de contas que estava embaixo de uma revista no balcão da cozinha. E assim, o jogo tinha acabado. Minhas responsabilidades me inundaram como se fosse um viciado deixando de ficar alto. Os sinais estavam lá também: sentia-me arrependida, culpada e brava comigo mesma, e - pior de tudo - queria mais.


“Maldição!” Pulei para fora do sofá e passei as mãos pelo meu cabelo. “A gente se agarrou Julian, e...” Parei quando senti um vento passar pelo meu peito. “Você me viu de sutiã!” Olhei acusadoramente e ele teve a ousadia de piscar para mim com aqueles olhos de avelã. “Não tinha percebido,” disse, mostrando o seu ponto e mantendo seu olhar acima do meu pescoço. Mesmo assim, ele sorriu. Comecei a andar para lá e para cá pelo meu apartamento, que era bem pequeno. Para lá e para cá, para lá e para cá para o meu cérebro poder bolar um plano. Primeiro, precisava de uma piada para quebrar a tensão entre nós dois. Por que a galinha cruzou o corpo musculoso de Julian Lefray? Para poder transar. O que veio primeiro? A galinha ou eu? Merda. Estava com problemas para pensar em uma piada sem ter sexo com Julian. Eu o culpo. Não era para Julian estar em meu apartamento. Quem deu a ele o direito de aparecer em Greenwich Village, a uma quadra do meu apartamento, enquanto era para ele estar em um encontro com outra mulher? Ele não podia esperar que o mandasse embora quando ele, literalmente, aparece no meu apartamento vestindo um smoking e segurando uma caixa de pizza. Quero dizer, isso não é jogar de acordo com as regras. “Tudo bem, me escute,” disse girando nas pontas dos meus pés e encontrando seus olhos. Ele se recostou contra o futon e abriu os braços atrás das costas. Perfeito. Ele parecia comestível.


“Você não pode me trazer pizza tarde da noite,” disse, tentando fazer meu cérebro focar. “Pepperoni são como preliminares para mim.” Ele sorriu. “Bom saber.” “Também, acho que devemos ter novas regras.” “Regras?” Ele perguntou, com uma sobrancelha erguida em desconfiança. “Para prevenir que problemas futuros como esse não aconteçam.” Apontei para suas calças. “Prova A.” Depois apontei para o meu peito. “Prova B.” “Acho que temos que discutir a prova B primeiro. Talvez deixar o júri fazer um exame mais detalhado,” ele disse, se inclinando para frente com um sorriso diabólico. “Julian! Vamos, isso é sério. Jogue a minha maldita camiseta.” Ele riu e negou com a cabeça, claramente discordando. Não dei chance de ele expressar sua opinião. Peguei minha camiseta e passei pela cabeça o mais rápido que pude. Quando terminei. Ergui minha mão e comecei a contar as regras com meus dedos. “Regra número um: sem pizza.” Seu cabelo castanho estava bagunçado por causa da nossa pegação e sua camisa estava com um ou dois botões desabotoados. Mas que inferno? “Regra número dois: nós não podemos ficar sozinhos no meu apartamento. É muito tentador.” “Eu posso opinar nessas regras?” Ele perguntou. “Não,” respondi rapidamente e continuei a andar pelo lugar. “Só para deixar claro, para que essas regras em primeiro lugar?” Ele perguntou, tentando pegar meu olhar enquanto eu continuava a me mover.


“Para evitar a morte da nossa amizade,” disse. “E para assegurar que vou continuar a ter um trabalho quando, depois de algumas semanas saindo comigo, você se entediar.” “E por que isso aconteceria?” Parei e olhei diretamente para ele para ver se estava falando sério. Ele parecia esperançoso e inocente, com seus olhos luminosos em cima de mim esperando que eu acreditasse que ele realmente queria algo sério comigo. Ele nem mesmo me chamou para um encontro de verdade. Ele nem sequer insinuou isso. Nós éramos amigos que tinham passado dos limites quando foi conveniente. Nada mais. Gemi. “As probabilidades não estão a nosso favor. Essa situação é parecida com Jogos Vorazes. Preciso manter meu trabalho com você e prefiro manter nosso relacionamento platônico.” Ele ergueu a sobrancelha. “Você não acha que esse barco já partiu?” Neguei com a cabeça. Não, o barco não podia ter partido. Se tivesse partido significava que eu estava muito, muito ferrada. “Não. Esse barco está voltando para a marina, para um ponto calmo e tranquilo.” Ele me olhou com as sobrancelhas franzidas. “Honestamente, o que você acha que minha mãe e meu pai irão dizer quando explicar para eles que estou transando com meu chefe em Nova York? Eu deveria me mudar para cá e começar uma vida por mim mesma, e não me esfregar com o primeiro cara que é amigável comigo.” Para dar ênfase ao meu argumento, coloquei meu moletom com capuz e o puxei para baixo até ele encontrar as calças do meu pijama. “Você e eu somos amigos, Julian. Amigos que não se beijam mais.”


Mesmo enquanto eu falava, estudei seu rosto para decifrar suas reações as minhas regras. Suas covinhas estavam escondidas atrás de uma carranca confusa. Seus lábios estavam quase fazendo beicinho, só o suficiente para eu me desligar por um momento e encontrar seus olhos. Por alguns minutos nenhum de nós disse uma palavra. Esperei, tentando me preparar para sua reação e, em seguida, ele acenou com a cabeça uma vez e se inclinou para frente. Cruzou as mãos entre as pernas e apoiou os cotovelos sobre os joelhos. “Tudo bem. Amigos podem sair para jantar?” Ele perguntou com um tom curioso. “O que? A gente acabou de comer.” Apontei para caixa de pizza no chão. Nossos pedaços de pizza meio comidos espalhados no chão, provavelmente manchando meu tapete de gordura. Classe. “Estou falando de algum dia na semana que vem. Eu e Dean vamos sair na quarta feira e você poderia vir com a gente. Como amigos.” Ah. Jantar com os caras. Certo, talvez eu possa. Talvez seja bom estar com Julian com uma terceira pessoa por perto, alguém para amortecer a tensão sexual. Pensando bem, Dean seria a pessoa certa para isso? Talvez alguém menos parecido com Ryan Gosling. E aí me lembrei do meu novo trabalho e meu coração afundou. Se tudo der certo, vou trabalhar quarta-feira à noite. Não vou ter tempo para jantar com ou sem Julian. “Acho que não vou poder,” respondi. “Por que não?” Ele perguntou, me perfurando com seu olhar duro. Por que não? Por que não?


Não esperava que ele fosse me perguntar isso e não tinha decidido se estava ou não preparada para contar para ele sobre meu segundo emprego, especialmente não tendo a mínima ideia de qual seria o trabalho. A amiga de Beth estava ajudando a coordenar a semana de moda de Nova York; imaginei que isso era um bom sinal, mas tenho tentado não manter minhas expectativas altas. De agora em diante, meu lema era ‘menos é mais’, pelo menos até saber o que estaria fazendo. “Compromisso,” disse, desviando meus olhos para a caixa de pizza de novo. Pude vê-lo franzindo a testa pelo canto do meu olho e queria muito mandar as regras para o inferno e terminar o que a gente tinha começado. Sei que ele seria facilmente a melhor transa da minha vida - ele já tinha ganhado o melhor beijo. Sabia que Julian tinha a habilidade de destruir qualquer cara que veio antes dele. Rapidamente, todo sexo ruim, os beijos ruins, encontros ruins que tive na faculdade - não se comparam a uma noite com ele. Estudei-o enquanto pegava suas coisas. Ele pegou o paletó do seu smoking sem dizer uma palavra, colocou os pedaços de pizza dentro da caixa em sua mão. Ele parecia devastadoramente bonito, e ainda assim, tão derrotado. Suas covinhas deram lugar a um olhar severo e reservado. Seus olhos estavam abatidos, focando no chão perto dos seus pés. Ele esfregou seu queixo enquanto andava até a porta e fui atrás dele. Ele parou no corredor e me olhou nos olhos. Achei que meu coração fosse ser arrancado do meu peito, rasgando de dentro de mim. “Te vejo no trabalho,” disse, me dando um pequeno sorriso antes de seguir pelo corredor.


Minha boca abriu, mas não tinha nada que pudesse dizer para deixar a situação melhor. Minhas palavras estavam se misturando na minha cabeça, perdidas entre ‘Eu quero você, por favor, fique’ e ‘Desculpe, você tem que ir’.


CAPITULO 27 Josephine Vou ser honesta, presumi que o emprego que Beth tinha arrumado para mim iria envolver ser acompanhante de alta classe… ou baixando muito o nível, acompanhante de baixa classe, baseada na mesquinharia que ela demonstrou com meus vestidos. Por sorte, o trabalho acabou sendo muito, muito mais legal do que esperava, e o bônus: eu não tinha que vestir roupas de strippers. Embora, calças pretas e camiseta não sejam alta costura, mas por duas semanas, ficaria nos bastidores do New York Fashion Week. Eu ficaria perto e próxima das tops models, estilistas e bloggers. O único problema? Eu teria que estar segurando uma vassoura ou um esfregão a todo momento. Sim. Isso mesmo. Josie Keller, de agora em diante seria conhecida como zeladora noturna. Ainda com inveja? Por dez dias, eu teria que ir do hotel do Julian as 5:00 da tarde em ponto direto para Lincoln Center. Tenho que entrar pela porta traseira com o resto do pessoal e mudar para o meu álter ego, estilo Clark Kent. Havia um pequeno vestiário para os funcionários onde expulsaria meus saltos e deslizaria para um converse, colocaria um chapéu escrito ‘NYFW STAFF’ na frente, e pegaria minha vassoura, no mínimo, querendo quebra-la em mim. O pagamento era terrível, mas não me importava. Poderia usar o dinheiro

extra

enquanto

procurava

um

emprego

noturno

mais

permanente. Guardaria todo o pagamento exceto os US$5,00 que usava


em um delicioso e refrescante smoothie toda tarde no caminho do hotel do Julian até Lincoln Center. (E com suco refrescante, quero dizer cup cake de chocolate.) “Meninas! Meninas, em fila, o desfile começa em dez minutos!” Um estagiário veio batendo as mãos, tentando chamar a atenção de alguém um feito quase impossível. Parei de varrer e andei para trás da porta dando espaço para as modelos passarem por mim. Era só o meu quarto dia no trabalho e já tinha aprendido um bocado. Não importava o quanto os organizadores pensassem que eram organizados, sempre tinha uma correria nos últimos dez minutos

antes

dos desfiles

começarem, cílios

postiços, fitas

prendendo os peitos, saltos altos - tudo voando pelos ares, tentando chegar ao seu destino final. Fui atingida na cabeça por sutiãs o suficiente para perceber que precisava ficar o mais longe possível da loucura. E mesmo assim, estava amando cada segundo disso. Assistia a estilista valsar pelo quarto com suas narinas dilatadas. Ela parou no centro, colocando suas mãos na boca, e gritando, quase colocando os pulmões para fora. “Modelos. Fiquem em fila agora ou vou arrancar seus apliques de cabelo. Então Deus me ajude!” Alguns estilistas eram um pouco mais agradáveis do que outros… “Você!” O estagiário apontou para mim e depois girou suas mãos para a fila de cadeiras no salão perto da parede de trás. Tinha uma bagunça de cabelos por todo o chão embaixo das cadeiras. Minutos antes, uma equipe de cabeleireiros saiu picotando os cabelos para deixar as modelos com um estilo similar.


“Você pode varrer esse cabelo todo agora? Eu quase quebrei meu pescoço agora a pouco.” Concordei e fui para ação, puxando minha vassoura na minha frente. Trabalhei rapidamente, tirando os cabelos multicoloridos deixando em

uma

pequena

pilha,

fazendo

a

minha

mágica

na

bagunça.

Infelizmente, bem quando estava pronta para colocar meu primeiro monte de cabelo na lixeira, uma modelo passou correndo por mim indo para passarela e espalhou cabelo por todos os lados. Ela parecia uma força da natureza passando pelo meu monte de cabelo. “Maldição!” Resmunguei para a modelo passando como se nada no mundo importasse. Ela nem notou. Eu tinha o trabalho menos glamoroso no cenário mais glamoroso do mundo e ainda sim tinha problemas ao meu redor. No momento era arrastada pela excitação do desfile, como se de alguma forma fosse parte deles. Depois de ter juntado todo o cabelo de novo, coloquei tudo dentro de uma lixeira próxima e tentei terminar o resto dos meus deveres o mais rápido possível. Quanto antes terminasse, mais cedo poderia espiar e ter um vislumbre do fim do desfile - quando todas as modelos desfilavam pela passarela uma após a outra com seus vestidos deslumbrantes e rostos maravilhosos. Toda vez que eu sorrateiramente tinha um vislumbre do desfile por trás das cenas, queria me beliscar. As próximas tendências de moda estavam bem debaixo do meu nariz. Admito, meu nariz estava embaixo de uma vassoura pegajosa, mas mesmo assim, isso era o mais próximo que já tinha chegado do meu sonho.


Queria compartilhar minha experiência em O que Jo Usa, mas não sabia como dividir minha experiência sem admitir para os meus leitores como realmente estava conseguindo as minhas informações. Isso era constrangedor, para dizer o mínimo. A apenas alguns meses atrás, havia comparecido a uma enorme festa de moda. As pessoas glamorosas que estavam lá naquela noite estavam por todos os lados no NYFW, e onde eu estava? Varrendo cabelo. Achei uma pequena abertura na cortina do lado do salão e a afastei apenas um centímetro. Espiei e segurei minha respiração, completamente admirada com o desfile. Luzes dançavam acima, iluminando cada modelo enquanto elas desfilavam pela passarela. Tirei meu telefone do meu bolso de trás e tirei uma pequena foto para poder mandar para Lily. Josephine: está é minha vista atual. Apertei minha vassoura e espiei de novo pela cortina, os fotógrafos no fim da passarela estavam disparando, tirando milhares de fotos por minuto. Olhei de volta para o meu celular depois dele vibrar. Lily: O que é isso? Parece um gato com um chapéu. Sorri. Josephine: Coloque seus óculos. É um desfile de moda. Você realmente não consegue ver porque as luzes estão ofuscando. Lily: Humm estou vendo um gato. Josephine: Não é. Você está cega. Procure um médico. Lily: Como você conseguiu ser convidada para um desfile? Josephine: Acontece que faxineiras tem acesso aos bastidores. Lily: Ah sim, esqueci-me desse emprego.


Josephine: Mesmo assim continua sendo bem legal, devo admitir. Lily: Algum cara gostoso? Josephine: Só vadias magras. Lily: E mesmo assim você quer que eu me mude para aí. Josephine: SIM. Tenho que ir. Eles estão voltando. Guardei meu telefone e voltei ou trabalho. Os desfiles não eram longos – quinze, vinte minutos no máximo. Eu conseguia assistir aos cinco minutos finais sem que ninguém percebesse. Depois que a bagunça de cabelo foi varrida, voltei a minha lista de afazeres de toda a noite. Se as modelos não voltassem e bagunçassem tudo depois do desfile, poderia terminar meu trabalho uma hora depois de tudo ter terminado. Aquela noite, não tive tanta sorte. Os maquiadores usaram uma sombra brilhante em cada uma das vinte e quatro modelos. Isso queria dizer que vinte e quatro olhos deixaram uma bagunça brilhante em todo o chão dos bastidores. C’est la vie5. --Na manhã seguinte, me peguei pescando, tentando me manter acordada. Já estava no meu terceiro copo de café e encarando um e-mail que havia aberto há dez minutos. Continuava completamente em branco e o cursor estava me desafiando. Eu deveria mandar um e-mail para o engenheiro geral, arranjando um encontro entre ele e Julian. O que tinha

5

Esta é a vida.


feito? Tentei muito, muito mesmo não cair no sono e ficar com meus olhos abertos. “Como você está indo, campeã?” Julian brincou. Pisquei e olhei para ver ele me olhando com um sorriso. Claramente, a minha falta de digitação deve tê-lo alertado que alguma coisa estava errada. “Você acha que já inventaram uma super cafeína?” Perguntei, batendo no meio do meu cotovelo como uma viciada. Ele riu. “Por que está tão cansada? Você tem saído sem mim?” Bocejei e então pisquei meus olhos algumas vezes, tentando mantêlos aberto. “Quem dera,” disse com um pouco de amargura. Tinha deixado Lincoln Center depois da 1:00 da madrugada na noite passada. A funcionária que deveria ter limpado a frente do lugar tinha fugido e me ofereci para ficar e ajudar a limpar. O pagamento extra não estava valendo a pena com a minha dor nas costas essa manhã, e o melhor de tudo, tinha que voltar a noite. Eba. “Você parece deplorável,” Julian disse, puxando minha atenção para o seu sorriso preguiçoso. Ele não estava vestido como sempre hoje, seus pés estavam descalços. Jeans escuros e camisa branca de botão. Seu cabelo ainda estava impecável, penteado de lado e fora do seu rosto. Só um pouquinho de gel e eles ficavam no lugar o dia inteiro. Não que eu prestasse atenção ou nada disso. Quero dizer, esse homem era perceptível até em um dia de folga, mas agora? Tudo o que queria era minha cama e um dia a mais na semana chamado ‘Deixe Josephine Dormir’. Poderia ser entre quarta-feira e o dia


dos donuts grátis. (Esses dias seriam de verdade se eu fosse Presidente. Só dizendo.). “Tudo bem, levante-se. Isso é inaceitável.” Disse, colocando seu laptop no sofá ao seu lado e se levantando. “Não! Não me demita. Olhe, estou digitando agora mesmo.” Comecei a digitar no meu teclado, criando sentenças que se liam assim: Ermmmmjdkgkdkjkjhjufusjdsjgfheg. Julian balançou a cabeça e ergueu as mãos para eu parar. “Não vou te despedir. Por que eu faria isso?” “Porque não deixei você dormir comigo,” respondi, dando de ombros. Ele fechou os olhos, claramente tentando conter sua risada. “Sim, bem. Eu realmente posso te demitir por isso.” “Olha Julian, eu gosto muito de você. Acho que isso está bem óbvio para nós dois. Mas tenho muita coisa que dependem desse emprego e, se as coisas não dessem certo com a gente, você teria que procurar outra pessoa para me substituir.” “Josephine, não é isso...” “Jul...” Ele acenou com a mão em frente do seu corpo para que, desse jeito, a gente parasse de se interromper. “Ok. Sim. Eu entendi isso. Não estou te demitindo por você ter desprezado meus avanços. Nós vamos ver minha irmã.” “Sua irmã?” Perguntei. “Sim. Ela quer te conhecer e você, claramente, não consegue se concentrar no trabalho agora. Considere isso como uma pequena viagem remunerada.”


CAPITULO 28 Julian Enquanto nós andávamos por algumas quadras do centro de reabilitação da Lorena, ocupei Josephine o máximo que pude. “Quanto tempo ela ainda vai ficar em reabilitação?” Josephine perguntou. “Um pouco mais de uma semana.” “Nossa. Nem acredito que ela já esta quase saindo.” Concordei. Estava orgulhoso de Lorena estar terminando sua reabilitação sem nenhuma recaída. Ela lutava com problemas de abuso de substâncias sua vida toda. No colégio ela se envolveu com drogas baratas para poder passar um tempo com as crianças ricas. Na faculdade e depois, isso foi ficando gradualmente pior. Ela mentiu sobre isso durante muito tempo, tentando se convencer de que não precisava de ajuda. Então uma noite, me ligou chorando depois de ter visto um dos seus amigos ter uma overdose. Isso foi como um despertar para Lorena. Ela foi para a reabilitação dois dias depois e me mudei para Nova York para ajudá-la. “Ela sempre foi mais avoada, diferente do resto da gente,” expliquei. “Mas esse programa tem realmente ajudado ela a focar em sua carreira. Não tinha visto essa paixão com sua linha de roupas em anos.” Nem mesmo quando ela lançou sua marca, seu vício parecia ter pegado carona nisso, mas as coisas estavam mudando. Eu acordava de manhã com a minha caixa de e-mail cheia de mensagens de Lorena. Ela queria saber de tudo, desde como estava indo a locação da propriedade até se sabíamos o custo dos materiais para próxima estação de roupas.


A última vez que fui visita-la, ela tinha um livro de esboço cheio de desenhos de roupas. Ela estava com uma comichão para dar o fora da reabilitação e voltar ao trabalho. Enquanto isso, eu estava tentando manter minhas reservas por baixo dos panos. Estava preocupado de ela voltasse ao mundo real de novo. Claro, eu tinha demitido todos os seus empregados nocivos, mas ela ainda continuava tendo amigos e más influências em sua vida. Não conseguiria ficar de olho nela o dia inteiro todos os dias, quem dera pudesse. “Fico feliz por ela ter pedido ajuda quando precisou. Só consigo ficar pensando em como podemos ser grandes, agora que ela está focando mais energia em seus desenhos.” Josephine disse. Deslizei meu olhar para ela e recebi em sorriso verdadeiro. Eu sabia que tinha tomado a decisão certa em trazê-la para conhecer Lorena. Minha irmã precisava saber que havia outras pessoas que ainda acreditavam nela. Quando chegamos de frente para o centro, abri a porta de vidro pesada e entramos no luxuoso salão. “Jesus. Talvez eu precise ir para reabilitação,” Josephine gracejou enquanto passávamos pela sala de yoga e a cafeteria estava abastecida de chás e café de graça toda a manhã. Supus que isso parecia mais um SPA para os seus olhos destreinados. “Não deixe a tentação do café grátis levá-la as drogas pesadas,” eu disse, mantendo minha mão pressionada em suas costas para leva-la em direção ao elevador. “Não, sério. Estou considerando essa possibilidade,” ela brincou, aceitando alegremente um biscoito quente que estava na mesa da recepção quando passamos.


“Esse lugar custa mais que muitos colégios particulares,” mencionei com um sorriso. Josephine parou de comer e me encarou com seus grandes olhos verdes. “Você acha que tenho que pagar por isso?” Mal pude entender sua pergunta com um monte de lasca de chocolate enfiados em sua boca. “Definitivamente,” zombei. Ela serrou seus olhos e socou meu braço. “Continue assim e não lhe darei metade.” Pegamos o elevador, fomos para o décimo primeiro andar e depois levei Josephine em direção ao quarto de Lorena. Nós estávamos na metade do corredor quando senti o forte cheiro de perfume floral. O perfume preferido da minha mãe. Era praticamente o perfume da minha infância. Porra. “Nossa, alguém deve ter prendido um balde cheio de essência de flores perto da abertura da ventilação ou algo parecido.” Josephine disse, enrugando seu nariz em desgosto. “Como sua irmã aguenta isso?” Neguei com a cabeça, “Não acho que isso tenha sido colocado aqui. Tenho medo que esse cheiro seja um pouco mais ameaçador.” “O que você quer dizer?” Antes que pudesse responder, minha mãe saiu do quarto da minha irmã vestindo um cachecol de seda preto e uma expressão azeda em suas feições delicadas. “Enfermeira! Nós estamos esperando por nossas bebidas por muito tempo. Minha filha e eu estamos...” Ela parou de gritar quando me viu andando em sua direção com Josephine ao meu lado. Sua expressão azeda relaxou e depois ficou com


uma expressão confusa olhando para nós dois. Josephine engoliu o biscoito e alisou por cima da sua saia lápis já perfeita. Apertei um pouco mais sua cintura trazendo ela mais para perto. “Mãe,” Falei. “Julian! Veja como você está bonito em suas roupas casuais. Você está vindo do parque ou algo parecido?” Ela perguntou, olhando meus jeans como se fossem moletons manchados. “Mãe, não esperava vê-la aqui,” disse, ignorando sua pergunta e me inclinado para beija-la na bochecha. Seu perfume era nauseante, mas lhe dei um sorriso falso e apontei para Josephine. Ela continuava com uma expressão calorosa normal e seus olhos estavam mais verdes que antes, mas alguma coisa estava errada. Ela não estava mais sorrindo e balançou suas mãos, se apresentando. “Oi, senhora Lefray. Eu sou Josephine Keller.” A boca da minha mãe ficou em linha, um sorriso plano. “Que… encantador que meu filho incluiu você em nosso momento familiar...” “CALA A PORRA DESSA BOCA,” minha irmã gritou de dentro do seu quarto. “É a Josephine que está aí fora? Traga ela aqui!” Minha mãe colocou a palma da sua mão na testa, claramente embaraçada por Lorena ter falado palavrão. “Querida, você se importaria de falar como a mulher educada que é e não como um marinheiro?” Balancei minha cabeça, tentando muito não sorrir enquanto entrava no quarto de Lorena. “Você não tem pernas, Lorena? Venha vê-la você mesma.” Ela estava apoiada em travesseiros no centro da sua cama. Suas pernas estavam cruzadas e estava completamente cercada de recortes de


revistas. Ela estava recortando outra foto quando me viu parado na sua porta. “Não posso levantar agora ou todo meu meticuloso trabalho terá sido por nada!” Ela disse melodramaticamente, apontando para a bagunça em volta dela. Josephine sorriu e parou atrás de mim, espiando pelo meu ombro o quarto da minha irmã. “Oi Lorena,” disse, oferecendo um pequeno sorriso. Não a culpava por estar com receio de se aproximar da minha irmã. O cabelo platinado de Lorena havia crescido nas semanas em que esteve em reabilitação, então seu cabelo castanho estava aparecendo e ela abandonou a maquiagem e adotou um visual mais natural. Achei ela linda, um pouco maluca com todas aquelas revistas cobrindo a maior parte do seu corpo. Ela olhou em direção ao som da voz de Josephine e deu um sorriso brilhante de boas-vindas. “Eu iria te apertar tanto se pudesse me levantar nesse momento. Você tem noção do quanto ouvi falar de você?” Lorena disse. “E merda, você é maravilhosa. Meu irmão insiste em dizer que esse não é o motivo dele ter te contratado. Se não conhecesse seu blog não acreditaria nele.” Josephine corou. “Nossa, você conhece meu blog?” Perguntou. Minha mãe limpou a garganta no corredor e nós três olhamos para ela. Seus olhos azuis brilhantes estavam trancados em Josephine. Como se estivesse esperando lhe dar toda a atenção que ela achava que merecia. “Então eu acho que você é a razão do meu filho sair do meu evento tão cedo na outra noite?” Minha mãe perguntou com um tom altivo. Seus braços estavam cruzados e tentando deixar seu ponto alto e claro. Josephine se virou e sorriu. “Você sabia que eu estava querendo muito te conhecer, senhora Lefray. A senhora criou um filho maravilhoso.


Ele mencionou que tem sido o meu único amigo desde que me mudei para Nova York? Bem, além da minha senhoria. O conheci há algumas semanas depois de ter me mudado e estava tão sozinha. Se não fosse por ele, provavelmente estaria em meu apartamento tricotando ou algo do tipo.” Observei o rosto da minha mãe todo o tempo enquanto Josephine falava. Ela usava sua carranca como uma armadura, mas assim que Josephine começou a elogiar suas qualidades como mãe, ela começou a quebrar. Seus olhos se suavizaram e seus braços se descruzaram do seu peito. “Hum. Você é de onde Josephine?” Minha mãe perguntou, dando um passo hesitante para dentro do quarto. Josephine sorriu. “De uma pequena cidadezinha no Texas da qual definitivamente a senhora nunca ouviu falar. A nossa única coisa famosa foi ter conseguido colocar no Guinness Book a abóbora maior do mundo ou algo assim.” Minha mãe sorriu. “Meu, que… singular. Sem raízes nova-iorquinas então?” Essa pergunta era o jeito da minha mãe saber o pedigree, como se estivéssemos no século dezoito e Josephine precisasse provar sua virgindade. “Quem dera,” Josephine respondeu. “Quero dizer, olhe seu cachecol. Não acho que a minha cidadezinha saberia lidar com uma mulher chique como a senhora. Eles provavelmente assumiriam que você é alguma celebridade saída de um filme.” Depois disso, minha mãe sorriu. Um verdadeiro, alto sorriso. Não ouvia esse som em anos. Eu sabia que Josephine estava enchendo a bola dela, mas ela era muito esperta por fazê-lo. Ter alguém como minha mãe


como inimiga não faria bem a ninguém. Além disso, se minha mãe gostasse da mulher que eu amava, tornaria tudo mais fácil. Tive um frio na barriga com o pensamento. Amor? Você é um maluco do caralho? “Tudo bem, pare de monopolizar, mamãe. Ela é minha funcionaria!” Lorena provocou da sua cama. “Jo, venha até aqui e me ajude a planejar o caimento da minha próxima coleção para o ano que vem. Tenho pensado que verde e o azul serão minhas cores. Quero ficar longe do preto por enquanto.” Josephine observou admirada as fotos espalhadas por todo o colo de Lorena. Nesse meio tempo, fiquei parado no canto do quarto, tentando descobrir o momento exato em que me apaixonei por Jo. Quando exatamente meu coração ganhou da minha cabeça. Assisti ela se inclinar na cama de Lorena. Estudei seu sorriso enquanto elas falavam, e entendendo quando isso tinha se aprofundado em cada fibra da minha felicidade. Aquele sorriso estava diretamente relacionado a mim. Quando Josephine estava feliz, eu estava feliz. Senti minha mãe me encarando e olhei para ela. Ela sabia. Mães sempre sabem. Ela provavelmente ficou sabendo no momento em que saímos do elevador. Eu tinha meus braços envolta de Josephine. Meu Deus. Ela não disse uma palavra sobre isso. Só ficou batendo no topo da sua boca com a sobrancelha levantada. Uma pergunta não falada pairava sobre nós.


‘Bem? O que você vai fazer sobre tudo isso?’


CAPITULO 29 Julian Depois de correr 9 km pela trilha do Central Park e esfriado com uma caminhada até meu hotel. O ar da manhã ainda conservava um frescor que eu sabia que o sol levaria embora em questão de horas. Amava Nova York, mas o sol batia como uma vadia. Passei por uma loja de bagels já cheia de clientes e comprei uma dúzia para Jo e eu repartirmos ao longo da semana. Meu telefone vibrou no meu bolso de trás e parei meu toque, deslizei meu dedo para atender a chamada de Josephine. “Você conseguiu sentir o cheiro do bagel pelo telefone?” Perguntei depois de ter atendido. Ela gemeu fingindo prazer, mas meu pau respondeu como se ela estivesse tendo um orgasmo do outro lado da linha. Sério? As 6:00 da manhã na calçada do lado de fora da loja de bagel? Há uma criança olhando para você por detrás da janela com baba escorrendo pelo seu rosto. Foco cara. “Você foi até a Hot Bagel?” Perguntou. “Como você sabe?” “Porque hoje é sábado e isso significa que você correu seus 9 km pelo Central Park.” Cristo, eu era previsível. “Sim, sim. Quanto antes você me deixar sozinho, antes saio para nos comprar mais bagels para a próxima semana.”


“Tudo bem. Primeiro de tudo, tenha certeza de pegar alguns de passas com canela. Não só um monte de sementes de gergelim. Segundo, o que você vai fazer hoje à noite?” Levantei minha mão até meu braço que segurava o telefone e me dei um tempo para me acalmar. Ela não está te pedindo para ir para cima dela, Romeo. Ela está te fazendo uma pergunta simples. “Eu vou encontrar Dean para beber. Por quê?” Estava tentando não parecer muito ansioso, mas, na realidade, soei grosso. Nunca tive que me esforçar tanto com uma mulher antes. Ela hesitou antes de continuar. “Você pode cancelar?” “Depende do que você vai me pedir para fazer.” “Você pode, por favor, por favor, ir a uma festa comigo?” Ela estava usando um tom melado, aquele que tinha uma ligação direta com as minhas calças. “Festa de quem? Achei que eu era seu único amigo.” Se ela estava me convidando para ir à festa de algum cara, passaria essa. Eu sabia que era só uma questão de tempo para algum cara notar ela no metrô ou em alguma loja onde ela comprava seus sanduíches. Ela era muito bonita para ficar longe do radar dos outros homens e teria de passar uma noite tendo de assistir algum baterista vindo do Brooklyn tentar seus movimentos para cima dela. Ah legal, me fale mais sobre sua banda indie. “Bem...minha senhoria vai dar uma festa hoje a noite e prometi a ela que ia aparecer. Eu meio que devo isso a ela, considerando como me ajudou com as minhas fotos para o meu blog.” Sua senhoria? “Eu disse que te ajudaria com as fotos,” protestei, irritado por ela não ter considerado minha oferta.


Ela gemeu. “Eu sei. Eu sei. Me sinto mal por te pedir favores. Você já faz tanto por mim e não quero que você se canse de mim.” “Você não está me pedido um favor nesse momento?” Ela riu. “É diferente. Isso é para ser divertido!” “Sua senhoria é muito velha?” “Eu diria que ela está mais para o setenta do que para os cinquenta.” “Jo…” “Tá bom. Você está certo. Te compro uma cerveja depois.” Continuou antes de eu poder falar, “Não, espere. Não posso pagar por uma, te compro uma coca de uma dessas máquinas.” Sorri. “Tudo bem. A que horas devo te encontrar?” “Oito.” Oito? Que tipo de idosa começa uma festa às oito da noite? --As 8:05 da noite. Josephine e eu subimos os quatro andares de escada que separava o apartamento dela do da senhoria no último andar. Já tinha memorizado o que ela estava usando: jeans, sandálias e um top branco. O material parecia macio e as alças eram finas, mal dava para notá-las. O fato de eu não poder ver as alças do sutiã fez isso ficar ainda mais doloroso. “Minha senhoria é um pouco conservadora então apenas diga que nós somos amigos. Não quero que ela fique pensando que a gente vive em pecado ou algo do tipo.” Josephine disse. “Não é isso que nós somos?” Ela me lançou um olhar de lado. “Ela realmente se importaria com isso?” Perguntei, deixando de lado nosso tópico ‘nós somos ou não somos’.


“Sim. Ela me perguntou especificamente antes de assinar o contrato se ia receber visitas masculinas.” “Sério? Eu achei que era contra a lei.” Ela concordou. “Sim, apenas não diga nada que possa a aborrecer. Não quero ser uma moradora de rua.” Ergui minhas mãos defensivamente. “Juro solenemente que não farei você ser expulsa do seu apartamento.” Quando chegamos ao último andar do prédio, Jo bateu na porta da sua senhoria e depois me deu um sorriso gentil. “Obrigada por ter vindo comigo,” ela disse, apertando minha mão. Antes que pudesse responder, a porta de madeira se abriu na nossa frente e dei de cara com um velhinho muito doce e muito bêbado. “Novatos! Bem vindos!” Disse com um sorriso largo e olhando para gente. Josephine hesitou antes de dar para ele o prato com cupcakes que tinha feito mais cedo. “Barney, não assuste eles! Deixe-me atender, deixe-me atender,” uma velhinha se apressou quando viu Jo do outro lado da porta. “Minha pequena Josephine!” A mulher falou, envolvendo Jo em um abraço que tirou seu equilíbrio e a permitiu arrastar-se para dentro do apartamento com força total. Entrei depois dela, tentando me manter perto. Por que esse cara era tão doce? E aonde ele ia com esses cupcakes? “Ah? Você trouxe um amigo?” A mulher perguntou com uma sobrancelha arqueada. Ela usava um batom vermelho que ficava incrustado nos cantos da sua boca. Seu vestido de algodão era curto, com uma blusinha amarrada no pescoço. Isso ficaria bonito em alguém de uns


vinte dois anos. Na senhoria de Jo, senti que deveria olhar para outro lado. Tinha muitas rugas e pele bronzeada em exposição. Jo sorriu. “Sim. Esse é Julian. Ele é só um amigo.” Estendi a mão para cumprimenta-la, mas ela deu um passo à frente e me deu um abraço estranho. Claramente, essa mulher era do tipo que tocava. “Sou Holly, a senhoria de Josephine,” ela disse sorrindo. “Muito prazer em te conhecer,” disse, saindo dos seus braços. Seu apartamento era muito maior do que o de Jo. Pegava quase todo o último andar do prédio, o que significava que tinha uma sala específica para festa, por que eu não tinha visto mais ninguém além de Barney e Holly. Barney desapareceu pelo corredor, e Holly nos deixou passar para uma cozinha vazia. Uma variedade enorme de bebidas estava disposta sobre a ilha e parecia pronta para que um monte de pessoas as pegasse. Onde estavam eles? “Peguem uma bebida e depois me encontrem na sala de estar. É só seguir o corredor até o final.” Holly disse sorrindo e tremendo seus ombros em excitação. Barney entrou pela porta atrás dela agarrando sua cintura. Ela se esquivou e fingiu tentar fugir dele, ao mesmo tempo permitindo que a levasse para dentro do quarto. “Vamos lá. Gerald quer brincar,” Barney disse, com alguma coisa a mais em sua voz. O que diabos isso significava? Olhei para Jo para ver se ela estava sentindo a mesma vibração estranha que eu estava.


“Isso definitivamente não é o que eu esperava,” disse, indo para as bebidas. Jo deu de ombros, “É só um pouco diferente, mas eles são gente boa, tenho certeza.” Não, ela não tinha sacado. Realmente tinha algo mais sobre essa festa. “Acho que a gente devia ir embora,” disse. Meus instintos estavam gritando para a gente sair dali enquanto podíamos. Josephine franziu as sobrancelhas. “O que? Sério? A gente acabou de chegar e não quero ofender a Holly.” Concordei e tentei dizer para os meus instintos se calarem. Claro, Barney e Holly estavam meio altos, mas talvez eles fossem apenas velhinhos estranhos. Nova York era cheia deles. “Tá bom, sim. Vamos ficar mais um pouco,” disse. Josephine ergueu uma garrafa de Jack Daniels. “Olhe! Eles até têm sua bebida favorita. Não pode ser tão ruim assim.” Enchemos nossos copos com Jack Daniels e Coca-Cola e depois brindamos juntos. “Saúde,” Jo disse, sorrindo para mim. “Saúde.” “Vamos lá, vocês dois! Nós já vamos começar,” Holly chamou do outro quarto. Eu segui relutantemente Josephine pelo corredor, querendo uma noite estranha cheia de jogos de Monopólio. Se tivesse que me sentar junto do doce Barney, não duraria cinco minutos. “O que você acha que eles estão jogando lá dentro?” Josephine perguntou enquanto passávamos pela porta da sala e encontramos uma visão que nenhuma terapia no mundo poderia apagar.


Puta merda. Puta que pariu. A cena que encontramos parecia ter saído de 50 tons de cinza edição geriátrica. “JESUS!” Jo gritou, deixando seu copo cair das suas mãos. Consegui pegá-lo antes de cair no chão, mas o Jack e a Coca se espalharam pela minha camisa e meu jeans. Olhei e pisquei para confirmar se meus olhos não haviam me traído. Não. Era de verdade e era muito tarde para sair sem ser notado. Nós estávamos na porta e meia dúzia de pessoas estava nos olhando… Meia dúzia de pessoas peladas, pessoas velhas. Tão pelados e tão velhos. Velas estavam acesas por todo o quarto. Rock pesado tocando no fundo. Uma mulher vestida de dominatrix estralava o chicote barato no canto e me encolhi como se fosse me atingir. Duas pessoas velhas estavam mandando ver no sofá enquanto outras estavam de pé assistindo. Vi bundas flácidas e velhas e dezenas de peitos que já tinham passados por muitos presidentes. “Julian,” Josephine sussurrou, “Eu estou sonhando?” Peguei a mão dela. “Não. Nós estamos definitivamente em uma festa de swing de velhinhos agora mesmo.” “Josephine,” Holly chamou do outro lado da sala. “Venha para cá, a gente não morde!” Claro que vocês não mordem, a maioria nem tem dentes. “Eu... hum, acho que eu. Tenho que ir. Sim, agora.”


As palavras dela saíram bagunçadas como se seu cérebro estivesse em curto circuito. Agarrei sua mão, pronto para levá-la para fora do apartamento, e então Barney ergueu o prato dela de cupcakes. Ele estava sentado no sofá com o prato em seu colo. “Eles estão ótimos!” Ele disse, segurando um antes de colocar metade dele na boca. O fato de ele estar completamente pelado enquanto colocava os cupcakes de baunilha de Josephine na boca era apenas o espetáculo mais difícil para o estômago. Eu estava a segundos de dar risada até que mijasse em minhas calças. “Estou tão feliz que você…”

Josephine murmurou com uma voz

fraca. “Estou indo…” Ela deixou sua frase desaparecer enquanto encarava o teto, pretendendo estudar as pinturas de pipocas como se fossem as coisas mais interessantes do mundo. “Nós precisamos sair devagar…” “Devagar e firmes.” Josephine sussurrou do canto da sua boca. Todos os olhos estavam em nós. Era esperado que nós gostássemos disso. Inferno. A senhoria de Josephine tinha convidado ela para uma festa de troca-troca. Em que merda esse mundo se transformou? Eu vi a dominatrix serpentear seu chicote pelo canto do meu olho e sabia que ela vinha nos dar boas-vindas em questão de segundos. “Quando eu contar até três a gente corre,” sussurrei. “Holly! Venha lamber esse sorvete de baunilha em cima de mim!”


Barney disse, passando o cupcake de Josephine por todo seu peito nu; Josephine choramingou, respirando, e me perdi. Não pude conter minha risada por mais tempo. A dominatrix bateu seu chicote e puxei Josephine pelo corredor, morrendo de rir. A gente saiu correndo e Josephine chorou atrás de mim. “Você não ia contar até três!” Ela gritou. “Não tem importância. Apenas corra!” A gente correu para fora do apartamento e fugimos pela escada. Segurei o corrimão com uma mão e agarrei a mão de Josephine com a outra. Nós chegamos a seu apartamento em tempo recorde. Ela destrancou a porta, eu a abri e entramos ao mesmo tempo. Ela trancou e a gente se escorou na porta com um baque. Ficamos parados ali, recuperando o fôlego e ela desviou seu olhar para mim. Vireime para vê-la sorrindo de orelha a orelha com seu peito subindo e descendo. Suas bochechas estavam coradas e seus olhos estavam arregalados e espantados. Eu nunca tinha visto ela tão bonita quanto agora. “Então era por isso que ela queria saber se você tinha visitantes masculinos ou não,” eu disse. Dei risada e apertei sua mão. Não tinha percebido que ainda estava segurando ela.


CAPITULO 30 Josephine Foi-me dada uma noite de folga no meio do meu trabalho na NYFW, gastei ela com velhinhos pelados. Não era só isso, arrastei Julian comigo. Não havia colírio suficiente no mundo para limpar as memórias da minha cabeça e sabia que tinha feito isso com Julian também. “Preciso que você dê uma lida nesse contrato que o corretor mandou na noite passada,” Julian me instruiu, da mesa da sala de jantar do quarto do hotel na segunda feira de manhã. Papéis

estavam

espalhados

ao

redor

dele

e

nós

estávamos

mergulhados no trabalho todo o dia. Não tínhamos discutido ainda o que tinha acontecido no sábado à noite e não sabia como tocar no assunto. Talvez eu devesse me desculpar mandando para ele um delicioso bolo de sorvete. ‘Desculpe por submetê-lo a tetas velhas. Sua melhor amiga Jo’. “Jo?” Ele chamou. Olhei para cima e forcei meu cérebro para tarefa que ele tinha acabado de passar. Ah, sim, o contrato. “Eu li ele essa manhã e sublinhei as sessões que acho que você deve dar uma olhada,” respondi. “Bom,” concordou digitando. “E nós temos um encontro com o arquiteto geral da loja da Lorena amanhã.” Eu acenei. Talvez o tenha submetido a uma terrível festa, mas era uma excelente assistente pessoal. "Tenho agendado um carro para nos pegar às 9:00. Vamos ter uma reunião com a empresa contratada em um café no Soho."


"Viu o e-mail da Lorena enviado na última noite?" Perguntou, olhando para mim sobre o seu laptop. Eu sorri. "Respondi esta manhã." “Parece que você está com tudo nesse jogo, Keller,” ele disse com um sorriso sedutor. Eu o encarei por um momento antes de voltar a olhar o meu teclado. Ei vagina, vamos focar em outras coisas nesse momento. Como, ah não sei, TRABALHO. A culpa era dele, contudo. Por outro lado, eu poderia ter adicionado mais uma regra na outra noite: sem sorrisos com covinhas. Carrancudo e sorrisos sem graça estavam valendo. Nada mais ou não serei responsável pelas minhas mãos ou minha ‘amiguinha’. “Você não viu nada de interessante saindo da casa da sua senhoria ontem de manhã?” Julian perguntou, sem disfarçar seu divertimento pela minha vida ridícula. Fechei meus olhos e respondi. “Não, mas Holly deixou meu prato de cupcake na minha porta com uma nota dizendo ‘Obrigada pelo tratamento especial’. Ela lavou o prato, mas acho que ele nunca vai estar realmente limpo.” Ele engasgou com o café. “Nunca,” ele concordou. Ele se levantou para pegar um guardanapo e peguei a minha caneca de café da mesa para ele encher já que estava de pé. (A gente havia estabelecido um sistema: se um de nós se levantasse, a pessoa era responsável por encher de café nas duas canecas. Sem se, e, ou, mas.) Aproveitei por ele estar preocupado para estudar; esses momentos faziam parte da minha rotina. Enquanto ele estava digitando um e-mail ou


fazendo um telefonema, sempre tirava um tempo para discretamente olhar para ele. Ele sempre tinha uma aparência calorosa, mas seu bronzeado estava mais forte devido as suas corridas da manhã. Ele enrolou suas mangas até seu cotovelo e as veias sutis do seu antebraço já eram o suficiente para fazer desmaiar. Tem alguma coisa sobre um cara com braços fortes e definidos. Ou apenas seja só com Julian. “Você tem que se mudar,” disse, se virando e disparando um sorriso com covinhas para mim. Por um segundo, por um minuto, não entendi o que ele queria dizer. Tipo, me mudar para o seu sofá? Maldição é por isso que não devo vê-lo fora do trabalho. “Sair do seu apartamento,” esclareceu quando não respondi imediatamente. Ah, claro. “Acredite em mim, quem dera eu pudesse. Infelizmente não consigo achar um aluguel mais barato a menos que me mude para Nova Jersey ou algo parecido.” Julian me olhou, franzindo as sobrancelhas por cima do seu café, e entendi o que ele estava pensando. “Você não ganha o suficiente aqui?” Engoli e pensei em como melhor lhe responder. Julian não sabia nada sobre os empréstimos que estava devendo. Claro, esse trabalho era descente, mas entre alugueis em Nova York, docerias, empréstimos escolares e cartões de credito que usei para comprar livros e coisas para faculdade, precisava de muito mais que um salário de assistente executiva para pagar tudo. Não queria que Julian soubesse sobre meus problemas com dinheiro. Não era da conta dele e duvido que compreendesse.


Ele era bem nascido e tinha conseguido muito por si mesmo. Não queria que ele me olhasse diferente. “Mais do que se eu estivesse dançando break na plataforma do metrô,” disse com um sorriso falso. Julian deu risada e me entregou minha caneca cheia de café. “Você sempre pode se mudar para cá,” Julian disse apontando para o quarto principal depois da sala de estar da suíte. Revirei meus olhos. “Só te darei uma frase hoje. Colar de Choque.” Ele esfregou o pescoço com uma careta fingida. “Sim, sim. Era só uma oferta. Eu sou um desses caras nobres.” “Claro que você é.” “Tipo como quando te resgatei da festa de swing.” Deu risada e cobri meus olhos, eliminando as imagens que apareciam na minha cabeça. “Vamos fazer um pacto de sangue para nunca mais falar sobre isso de novo.” “Tá bom, mas só depois de contarmos para o Dean essa noite.” Olhei para cima e encontrei seus olhos. “Essa noite?” “Sim.” Ele franziu as sobrancelhas. “Não mencionei que íamos tomar algumas bebidas com ele hoje? Eu desmarquei com ele por causa daquela festa que a gente combinou de não falar mais.” Tentei me lembrar dele ter mencionado alguma coisa sobre isso. A única coisa no meu cronograma naquele dia era trabalho, trabalho e mais trabalho. Das 9:00 da manhã até as 5:00 da tarde. “Acho que você nunca me falou sobre isso.” Ele deu de ombros. “Bem, a gente vai até o The Merchant às nove da noite. Você está interessada em se juntar a nós?”


deveria ter dito não. Deus, sabia que estaria exausta depois do Lincoln Center, mas só a ideia de Dean e Julian sozinhos em um bar juntos foi o bastante para me convencer. Os dois podiam atrair mulheres como moscas, e mesmo eu tendo dito que ele não poderia sair comigo, não significava que queria mulheres flertando com ele em um bar. Não, comigo lá, as espantaria e ele teria muito trabalho para pegar mulheres. Eu me certificaria disso.


CAPITULO 31 Josephine Assim que terminei no Lincoln Center, achei o primeiro banheiro vago e parei em frente de um espelho mal iluminado. Minha aparência não estava nada decente. Se eu perguntasse para o espelho quem ele considerava a mais bela de todas, ele me responderia com, ‘Maldição garota, não é você. Você está uma bagunça’. Tirei meu boné da NYFW e inspecionei os caminhos de ratos na minha cabeça. Não pensei quando dei um nó frouxo nele durante minha merda, só queria tirar ele da minha cara. De algum jeito, 90% dele estava fora do meu rabo de cavalo e espetado sobre a minha cabeça. Meu rímel estava manchado pelos meus olhos e eu tinha algum tipo de substância preta pela minha bochecha esquerda. Ei Deus, se você está aí em cima, agora é um excelente momento para fazer milagres. Tipo, talvez você possa transformar essa barra de sabão em uma chapinha. A máquina de respostas de Deus devia estar cheia de coisas porque a barra de sabão não se transformou e fui deixada com meu pequeno suprimento de maquiagem dentro da minha bolsa. No total, tinha um pente preto pequeno, delineador preto e um batom vermelho. Desfiz meu rabo de cavalo e passei o pente pelo meu cabelo. Nada mal, nada mal. Começando a parecer mais humana. Depois, usei um lenço para tirar a máscara debaixo dos meus olhos e o risco da minha bochecha. Usei o delineador nos meus olhos e agradeci as estrelas por minhas feições estarem limpas por si mesmas. Passei batom em meus lábios e


então trancei meu cabelo para ele cair pelo meu ombro. Em questão de cinco minutos, fui de 1.5 para 5. Tinha que servir. Tirei meu telefone da minha bolsa e andei até a saída do Lincoln Center para pegar um taxi. Tinha recebido algumas mensagens de Lily que iria ver mais tarde e Julian havia mandado uma mensagem dizendo que ele e Dean estavam no bar, à última mensagem era da minha mãe e me pegou desprevenida. Minha mãe preferia sempre ligar e me deixar um recado de voz. Eles eram sempre curtos e doces, e tinham um jeito de me fazer sentir como um punhal no meu coração. Abri a mensagem e me abracei, esperando qualquer pedra e flechas que ela me mandasse naquele dia. Mãe: Josephine, o aniversário do seu pai é daqui a duas semanas e ele realmente gostaria que você viesse para cá. Sei que você tem uma vida muito ocupada em Nova York, portanto, não espero que fique por muito tempo. Talvez você possa vir para o fim de semana? Toda vez que minha mãe mencionava o aniversário do meu pai, a culpa por saber que estaria perdendo isso estava me comendo por dentro. Pensei sobre isso deitada na cama a noite, tentando achar um jeito de ir visita-los. Não queria perder seu aniversário, mas ainda não tinha descoberto como isso seria possível. Depois da última semana, meu emprego temporário na NYFW estaria acabado, o que significava que teria que arrumar outro trabalho. Sem mencionar que Lorena sairia da reabilitação logo e não tinha ideia do que ela iria fazer comigo quando voltasse. Julian tinha me contratado, não ela. Será que ela precisava de uma assistente? Ela iria querer que fosse eu?


Se não, isso significava estar completamente desempregada em menos de uma semana. Perfeito. Estava no meio da minha maior chance, o que significava que deveria ter guardado cada centavo que ganhei e não viajar pelo país para um fim de semana fora. Infelizmente, não acho que minha mãe via dessa forma. A situação era simples para ela: estava lá para o aniversário de sessenta anos do seu pai ou deixar ele chateado. Simples como torta de pêssegos, como diz o povo do sul. Fui em direção à entrada do metrô mais próximo ligando para Lily, rezando para ela atender. “JOSIE. Finalmente!” Ela gritou no telefone depois da ligação ser completada. Não estava esperando um cumprimento tão exuberante, “Oi Lil. E ai?” Ela suspirou, exasperada pela minha falta de entusiasmo. “Hum, claramente você não leu as mensagens que mandei para você.” Gemi. “Não, desculpa. Estava trabalhando. Por quê?” “Adivinha quem terminou suas duas semanas de trabalho?” Parei de andar no meio da escada, desse jeito a pessoa atrás de mim ficou completamente presa. Eu nem vacilei quando eles me amaldiçoaram e me mandaram sair do seu caminho. Quem se importava? Estava completamente chocada enquanto processava o fato de que MINHA MELHOR AMIGA ESTAVA SE MUDANDO PARA NOVA YORK. “É uma piada? Que Deus me ajude, porque você tem noção que vou te matar se você estiver brincando?”


Lily deu risada. “Não é uma brincadeira, minha amiga. Está acontecendo. Estou prestes a comprar uma passagem de Greyhound e tudo.” “Lily, você acabou de salvar meu dia!” Sim. Sim. Sim. As coisas vão se acertar. Se Lily estava se mudando para Nova York, isso significava que ela podia pagar metade do aluguel. Terei menos despesas quando ela se mudar para cidade e talvez, apenas talvez, poderei ter meu pedaço de torta de pêssegos e come-lo. Em duas semanas, irei para o Texas visitar meus pais e depois correr de volta de ônibus com Lily. Vou leva-la por aí e mostrar tudo que aprendi. Nós iremos à cidade juntas e vou ensinar a ela todas as linhas de metrô evitando que ela pise em alguma poça de urina, qual vendedor de rua tinha o mais saboroso pretzels, e quais apartamentos evitar caso ela não queria se deparar com uma festa de swing. Mal podia esperar. “Nós temos tanto para planejar Lil,” disse, incapaz de conter um sorriso gigante no meu rosto. Ela deu risada. “Sim, começando por como no inferno a gente vai dividir esse seu futon.”


CAPITULO 32 Julian Não estava nem ligando por Josephine estar atrasada. Não tinha olhado para a porta do bar do Dean esperando ela aparecer a qualquer minuto e definitivamente não prendia a minha respiração toda vez que uma morena passava pela porta. Essas seriam atitudes de um homem apaixonado. Eu? Eu era um cara normal, tomando uma bebida normal, com um amigo normal. “Você está sendo paranoico. Você precisa de outra bebida?” Dean perguntou, puxando minha atenção de volta para nossa mesa. Ergui meu uísque, ainda meio cheio. Ele sorriu e balançou cabeça. “Estamos esperando mais alguém?” “Jo,” respondi. “Ah, a adorável Josephine.” Olhei para ele pelo aro do meu uísque. “Achei que essa era para ser a noite dos caras.” Ele serrou seus olhos, claramente me jogando merdas. “Tenho plena convicção que você está muito apaixonado o que fez desse o comentário mais estúpido que já ouvi.” Balancei minha cabeça e tomei outro gole do meu uísque. Concordando que beber com Dean foi uma péssima ideia. Ele adorava me botar pilha, mesmo quando eu queria varrer tudo para debaixo do tapete. Acho que a maçã não cai muito longe da árvore. Minha mãe deve ter uns dez tapetes em sua suntuosa casa na cidade, todos com segredos e mentiras varridos tão para baixo que nunca veriam a luz do dia novamente.


“Sim, bem, hoje a noite ela é só uma amiga,” disse, colocando um ponto final no assunto. Ele concordou devagar, me olhando com um ceticismo mal velado. “Você já pensou no que vai fazer depois que sua irmã se recuperar? Você ainda vai ajudar ela com a empresa?” Perguntou, mudando para outro assunto que não queria pensar, quem diria discutir. “Não tenho certeza. Nós estamos no estágio inicial da construção da sua loja. Posso ficar por aqui por enquanto e depois ver se outras oportunidades aparecem no meu caminho.” “Em Boston?” Olhei a minha bebida embaixo e dei de ombros. “Bem, se você está pensando em ficar em Nova York por um longo tempo, eu adoraria sua ajuda em alguns projetos. Tenho pensado em expandir um restaurante, mas preciso de um sócio antes de pensar nisso.” Minhas sobrancelhas se ergueram com a ideia. Poderia estender minha permanência em Nova York e ver em que tipo de problema Dean e eu poderíamos nos meter? A ideia soava muito tentadora. “Aí está ela,” Dean disse sorrindo e erguendo sua bebida em um cumprimento. Virei para a porta e assisti Jo entrar no bar, roubando a atenção de cada cara em um raio de dez metros. Eu sorria largamente em meu rosto antes mesmo de perceber o quanto estava feliz em vê-la. Ela estava vestida diferente do normal em uma camisa e uma calça preta apertada. Parecia um tipo de uniforme de trabalho, mas não me importava com o seu visual escuro. No meio tempo em que ela andou até nós, eu já tinha esquecido a promessa que tinha feito a Dean de que Jo era só uma amiga essa noite.


“Desculpa, estou atrasada, gente!” Disse, ficando ao lado da minha cadeira e colocando a sua bolsa em cima da mesa. Ela parecia acalorada, mas estava ótima. Seus lábios vermelhos brilhantes se sobressaiam sob as luzes do bar. “Dia longo?” Dean perguntou. Jo deu risada e enrugou seu nariz. “Sim, sim. Desculpa, estava ocupada.” “Com outro de seus compromissos prioritários?” Perguntei com uma sobrancelha arqueada. Jo deu um sorriso vacilante enquanto desviava sua atenção para o bar, estrategicamente ignorando minha pergunta. “O

que

vocês,

homens

viris

estão

bebendo?”

Perguntou

rapidamente, acenando para um garçom que estava perto. Eu podia sentir Dean encarando o meu perfil, mas o ignorei. O bastardo poderia guardar seus julgamentos para outra pessoa. “Oi. O que posso trazer para você?” O garçom perguntou, olhando para Jo com mais que apenas um simples sorriso. Interesse estava escrito em seu rosto claro como o dia. “Ela vai querer um Gin Fizz,” disse rapidamente. Jo olhou para mim. “Foi isso que tomei outro dia?” Concordei. Ela se dirigiu ao garçom. “Então é isso que você vai me trazer!” “A maioria das mulheres me repreenderiam se pedisse por elas,” Dean disse, assistindo Jo cuidadosamente. Ela encolheu os ombros descartando seu comentário. “Julian é muito bom em saber o que quero.”


Assisti quando ela percebeu o que o seu comentário poderia significar e depois sorriu enquanto suas bochechas ficavam coradas. “Tudo bem, vamos em frente,” Jo disse, agitando suas mãos para mudar de assunto. “Do que vocês dois estavam falando antes de eu chegar aqui?” “Eu estava brincando com Julian aqui, na verdade. Talvez arrumar alguém para ele transar pela primeira vez em meses.” Chutei a canela dele sob a mesa, mas seu rosto nem mesmo mudou. Jo levantou a sobrancelhas. “Ah sério? Meses?” Encolhi meus ombros e olhei o espanto em seus olhos. “Se importa em ajudar um amigo? Tenho certeza que tem um banheiro que podemos achar.” Eu disse, com um sorriso confidente. “Ei, ei. No meu bar não. Acabei de refazer o piso,” Dean disse, erguendo as mãos em protesto. Dei risada. “Dificilmente seria a primeira vez que esse banheiro seria usado para atividades nefastas.” Jo engoliu e olhou para longe. “Tenho certeza que alguma mulher adoraria aceitar sua oferta, Julian. A gente só precisa achar a certa,” ela disse. “Acho que prefiro a que está nessa mesa,” disse, já sentindo o efeito da minha segunda dose. Ela olhou o salão atrás de mulheres atraentes e tentou esconder seu sorriso. Ela adorava quando eu flertava com ela e depois fingia me ignorar. “Estou honrado.” Dean brincou, colocando uma mão sobre o peito. “Mas você não é meu tipo.” Dei risada e balancei a cabeça.


“E aquela ali?” Jo perguntou, apontando para o lado esquerdo do bar. Olhei para onde ela apontava. Lá estava uma loira empoleirada em um banco, sozinha, tomando uma bebida. Ela olhou por cima do ombro enquanto a observava, sorriu e mordeu o lábio inferior - código de garotas para ‘venha até aqui’. Ela era bonita, Jo tinha razão, seu vestido vermelho não deixava muita coisa para a imaginação, mas ela não era meu tipo. Preferia morenas que jogava duro. “Não, não estou sentindo nada,” disse. “Tudoooo bem,” Jo disse olhando pelo outro ombro, “Ela?” Ela acenou a cabeça para direita, mas não pude saber de quem falava. Ali tinha um mar de pessoas, muitas mulheres eu escolheria se ainda estivesse em Boston. Onde meu gosto não era tão específico. Loiras, ruivas, morenas, altas, baixas… não importava. “Quem?” Perguntei, olhando a multidão. “A garota com porte de fada sentada com os amigos. Ela parece com a Tinkerbell ou algo assim.” Ah, sabia de quem ela falava. A garota era, sem dúvida, maravilhosa. Ela tinha um quê de Emma Watson. Eu gostava da Hermione tanto quanto qualquer cara, mas não essa noite. Neguei com a cabeça e Dean riu. “Escolhe, escolhe. Tenho certeza que alguém ficará muito feliz com a sua atenção se você lhe der uma chance.” Fiz careta para ele. “E quanto a você, Dean? Por que não arrumamos alguém para você?” “Hoje a noite é sobre você, meu amigo. Além do que, sou um homem ocupado. Não posso me dar ao luxo de namorar, no momento.”


“Uau, isso significa que você está prestes a achar o amor da sua vida,” Jo disse. Dean estremeceu. “O que te faz pensar isso?” Ela riu justo quando o garçom colocou sua bebida na mesa. Ela agradeceu a ele, tomou um gole e olhou para Dean. “Todo mundo sabe que, quando você não está procurando por amor, é quando o acha.” Dean olhou para o bar, batendo as duas mãos sobre seus olhos e falando, “Não estou procurando por amor!” Fingindo estar beijando alguém. Nós rimos e Josephine agarrou seu braço antes que as pessoas ficassem mais confusas no bar. “E quanto a você, Jo?” Perguntei. Ela deu um gole, me olhando por entre o copo. “O que tem eu?” “Você está a procura de um amor?” Ela riu e revirou os olhos. “Não vou responder.” “Por quê?” “Porque se eu disser que estou, o seu flerte incessante irá se tornar ainda mais implacável.” “E se você não estiver?” Perguntei. “Irá acontecer a mesma coisa, provavelmente.” Ri e bebi meu uísque. Ela estava certa? Ela tinha me sacado? Ela claramente tinha a vantagem: eu a queria e ela não me queria. Talvez estivesse na hora de misturar as coisas, deixa-la sentir como é não me ter em suas mãos, pronto e esperando o sinal verde. Tomei minha bebida e olhei o bar, tentando olhar na multidão uma mulher que me agradasse. E então a vi, lá atrás: uma garota com cabelos


castanhos brilhosos, pele bronzeada e um sorriso matador. Ela estava sentada com os amigos rindo. Para ser honesto, poderia parecer a irmĂŁ de Josephine. Eba. Ela era Ăłtima.


CAPITULO 33 Josephine A maioria das pessoas pensam que a vida é um carrossel, com altos, baixos e pequenos buracos no caminho. No fim do dia, você está montando um pônei, o que tem de tão ruim assim? Minha vida parecia com um chapéu mexicano. Ela me girava, girava e girava até que eu arruinasse tudo, daí as pessoas do parquinho só ficavam dando risada e esperando outra rachadura. Eu tive trinta minutos, talvez uma hora no máximo, onde achei que as coisas estavam começando a se ajeitar para mim. Minha melhor amiga estava vindo para Nova Iorque. Nós viveríamos juntas e ela iria me ajudar a pagar o aluguel. A vida seria boa, certo? Não. A vida era um poço cheio de cobras. Julian teria um encontro com uma garota adorável. Como isso pode ter acontecido você pode estar se perguntando? Dean. Tudo que acontece de ruim na minha vida é culpa do Dean. Ele sugeriu que Julian achasse uma garota para um encontro. Ele o incentivou a ir em frente e conversar com ela. Eu odeio o Dean. A garota era adorável, claro. Seu nome era Molly e ela tinha se mudado da Califórnia um ano antes. Ela tinha essa irritante voz fofa e grandes olhos verdes. Não tinha notado isso antes, mas poderia jurar que ela e eu éramos parentes. Quero dizer, ela seria a irmã bonita e eu a estranha palhaça como um camaleão, mesmo assim as similaridades eram evidentes.


Não poderia dizer que Julian tinha escolhido ela de propósito. Ela não parecia do tipo que fazia joguinhos e sabia que tinha dito inúmeras vezes a ele que não estava interessada antes dele realmente acreditar em mim. A parte triste era que eu não queria que ele acreditasse. Era egoísta e queria ele flertando comigo, mesmo que nunca desse em nada. Por quê? Porque eu era imatura e estava apaixonada pelo meu chefe inalcançável, é por isso. No dia seguinte, Julian e eu estávamos no banco de trás de um carro, correndo de compromisso para compromisso. Já tínhamos nos encontrado com duas firmas de designes de interiores e estávamos a caminho da terceira. Quantos antes escolhêssemos uma, poderíamos começar com a construção da loja da Lorena. Ele estava vestido com um terno azul marinho e uma gravata azul clara. Eu amava como ele ficava de azul e amava como ele ficava de terno. A combinação era muito para lidar de uma só vez. Ele estava olhando pela janela, seu perfil era o complemento perfeito para o seu terno azul: queixo esculpido, maçãs do rosto rígidas, olhos de avelã olhando longe. “Então, quando você vai sair com a Molly?” Perguntei, espiando ele por debaixo dos meus cílios. O canto da sua boca caiu e ele continuou olhando pela janela. “Logo,” respondeu com um tom indeciso. Nunca tinha visto ele tão distante. “Logo, quando?” Forcei. “Por que você se importa?” Perguntou, me dando um olhar sério. Desviei os olhos e engoli em seco, irritada por ele estar sendo grosseiro comigo.


“Porque você é meu amigo e quero que seja feliz.” Ele gemeu e tirou um bloco de notas da sua maleta. Claramente, a conversa a respeito de Molly tinha acabado. Ele segurou a caneta com a boca e depois começou a escrever na primeira folha em branco, não tinha ideia sobre o que ele estava escrevendo, mas não ousaria interrompe-lo. Se esse era Julian de mau humor, não tinha gostado. “Sabe o que mais me deixa puto da vida?” Perguntou, tampando sua caneta e esperando que me virasse para ele. “O que?” “Que você finja não se importar por eu estar saindo com ela.” Revirei meus olhos. A gente estava tendo essa discussão? Agora? No meio do trabalho, entre compromissos, com um motorista na frente ouvindo cada palavra? “Estou fazendo o que posso com uma situação de merda,” respondi, tentando ser o mais honesta possível. “Quero que você seja feliz e acho Molly uma garota legal.” “Bobagem,” ele disse, me cortando antes de poder continuar. “Ah, sério?” Disse, me sentando direito para poder olhar para ele. “Você acha que sabe de tudo, Julian?” “Eu acho que você está mentindo para si mesma e para mim.” Senti meu rosto esquentar. Estava brava e estava a dois segundos de deixar meu temperamento levar a melhor sobre mim. “Você acha que tem sido fácil para mim? Mudei-me para Nova Iorque por minha conta e você é meu único amigo aqui. percebe o quanto tenho medo de nós termos alguma coisa e você se mudar de novo para Boston e sua irmã me despedir e daí ficarei sem você e completamente quebrada? Você não tem ideia sobre o que estou passando então não me dê sermão.”


“Jo...” Ergui minha mão para parar ele. “Agora não.” Protestei. Lágrimas já estavam se acumulando no canto dos meus olhos e estávamos a poucos minutos de chegar ao nosso compromisso. Não queria parecer antiprofissional andando com a cara manchada e a voz rouca. Julian estendeu a mão e agarrou um pedaço de pele abaixo da minha saia lápis. Ele apertou meu joelho duas vezes, em algum tipo de pedido de desculpas. Cruzei meus braços e mantive meu olhar preso na porta. Não estava pronta para desculpa-lo ainda. Ele aceitou o aviso e tirou sua mão, escovando minha pele com a ponta dos seus dedos. Meu estômago caiu com a perda do seu toque, mas não tinha nada a fazer. Eu o tinha afastado e agora tinha que viver com a minha decisão. Ainda tinha um tempo para me recompor antes do motorista chegar ao destino. Ele saiu do banco da frente para abrir a porta para mim. Respirei e limpei embaixo dos meus olhos. “Desculpe-me,” ele sussurrou. “E respondendo a sua pergunta, não vou sair com a Molly. Não me pareceu certo leva-la para sair quando estou interessado em outra pessoa.” Congelei, absorvendo suas palavras e tudo o que elas implicavam. Quando me virei, de boca aberta, pronta para responder, ele já tinha aberto a porta e saído do carro. Eu queria pegar ele e colocá-lo de volta no carro. Se fosse mais imprudente ou se não tivesse apostado todas as minhas fichas nesse trabalho na Lorena Lefray Designs já teria me jogado em cima dele. Prendido ele no banco de trás do carro, pulado em seu colo, tirado minha camisa e feito meu caminho para cima dele. Se apenas…


“Você vai vir, Jo?” Julian perguntou, se abaixando e dando uma olhadinha na minha porta aberta. Eu poderia dizer tudo isso para ele. Isso seria tão fácil de esclarecer. Ao invés disso, aceitei sua mão estendida e empurrei meus sentimentos para dentro, bem para dentro do meu peito, onde poderia botá-lo para fora a noite, deitada na minha cama, sozinha, pensando em quanto tempo mais conseguiria fingir que não estava perdidamente apaixonada por ele.


CAPITULO 34 Julian Não falava com Jo há dois dias. Tinha completado trinta e um anos sem nem mesmo a conhecer, ainda assim, agora, me parecia errado passar um fim de semana sem falar com ela. As coisas ficaram estranhas entre a gente desde que a convidei para beber comigo e com Dean. Eu devia ter percebido que seria errado logo de cara. Tentar pegar garotas na frente de Jo era um jeito bem idiota de tentar fazê-la admitir seus sentimentos por mim. No fim, só consegui afastá-la mais. No trabalho a gente mal se falava. Nossa conversa era tensa e estranha. Mesmo se não conseguisse fazer ela me amar, queria que as coisas voltassem a ser como era antes. Sermos amigos era melhor que nada. “Irmão! TERRA PARA JULIAN!” Lorena bateu os dedos na frente do meu rosto e me inclinei para trás, para poder olhá-la. Ela colocou suas mãos no quadril e me apunhalou com os olhos. “Tenho chamado seu nome por cinco minutos e você está em outro mundo.” Olhei pelo quarto da minha irmã, as caixas prontas para serem levadas para o carro lá fora. Nós passamos a manhã toda arrumando a saída dela da reabilitação e já era hora de levá-la para o seu apartamento no Brooklyn. Nossa mãe passou os últimos dias enfeitando o lugar e deixando pronto para quando ela saísse. Eu já tinha passado lá um mês antes e jogado fora tudo o que pudesse fazê-la lembrar da sua vida antiga,


caçando em seus armários e gavetas e pegando tudo o que pudesse levala a uma recaída. “Está pronta?” Perguntei, passando meus braços pelos seus ombros e trazendo-a para um abraço. Ela encolheu os ombros. “É estranho o quanto esse lugar me fez sentir em casa.” “Você está nervosa em sair?” Ela serrou seus olhos e olhou a janela na parede adjacente. “Para ser honesta, estou pronta para testar minha força de vontade no mundo real. Não foi difícil me manter limpa aqui, mas sei que meus amigos vão saber que voltei para casa e nem todos eles irão me apoiar.” Apertei seus ombros. “Eles são abutres, Lorena. Deixe-os circulando sobre sua cabeça enquanto você coloca sua vida nos trilhos.” Ela estremeceu e concordou. “Sei disso, mas é difícil cortar as pessoas da sua vida assim. Nem tudo é tão simples.” “Bem, não estou pretendendo voltar para Boston tão cedo. Posso passar lá e te pegar para sair.” Ela gemeu. “Porque sair com meu irmão mais velho é tãooooo legal.” “Ei! Eu vou te levar para o desfile final da NYFW hoje. Isso não conta para nada?” “Ei, você vai me levar como meu acompanhante!” Disse rindo. “Olhem todos, Lorena Lefray, a fênix, nascendo das cinzas com seu irmão idiota.” Não estava muito entusiasmado em ir com Lorena ao desfile. Pensei em pedir para Josephine ir em meu lugar, mas seria a primeira noite da minha irmã de volta ao mundo real e achei melhor ficar ao lado


dela. Ela foi convidada para sentar na primeira fila e eu estaria ali, sentado ao seu lado. Sorri. “Mesmo assim conta. Agora, vamos. Vamos carregar essas coisas. O carro está esperando e, como seu encontro, mereço pelo menos um jantar antes.” “E eu pensei que você fosse fácil,” ela me deu um sorriso.


CAPITULO 35 Josephine Minha última noite trabalhando na NYFW tinha finalmente chegado e fui para a entrada de trás do Lincoln Center com emoções misturadas. O trabalho tinha realmente seus momentos ruins, mas eu amava ficar nos bastidores dos desfiles e ia perder minha renda extra. Com Lily se mudando para Nova York em breve, conseguiria pagar as contas só com um trabalho, mas ainda teria que ajudá-la até ela arrumar um emprego. Ela tinha trabalhado em restaurantes a sua vida inteira e tinha um blog de comida. Ela não era tão boa chef quanto crítica. Ela amava comer boa comida e se orgulhava de saber quais eram os melhores restaurantes da cidade. Nova York seria a cidade perfeita para ela, se viesse logo. Entrei no vestiário para o desfile final da estação. Marc Jacobs. Todo mundo que era alguém estaria sentado na plateia e eu estava trabalhando nos bastidores como zeladora. Uma zeladora cercada de alta costura e vestindo calça preta, uma camiseta e um boné de baseball escrito ‘NYFW STAFF’ na frente. Deus, por que você me abandonou? Modelos, cabeleireiros, maquiadores, estilistas estavam andando em volta como abelhas trabalhadoras no centro da colmeia. Cotovelos, joelhos, braços, punhos - a qualquer momento, várias partes de corpos estavam colidindo comigo enquanto pessoas se apressavam para terminar seu trabalho. Voltei para esvaziar minha lixeira no canto do salão e ouvi alguém começar a gritar em frente ao salão. “Onde está Gillian Grace?” Um homem cuspiu, girando e agitando seus braços descontroladamente.


“Essas modelos pensam que contrato é brincadeira?!” Ele era baixo e completamente careca com óculos redondos em seu nariz. Ele estava todo de preto, como eu, exceto que sua roupa deveria custar mais que todos meus órgãos no mercado negro. Ele bateu palmas e começou a gritar de novo. “Deus me ajude se ela não chegar em três segundos, matarei a sua família toda.” Agarrei minha vassoura e dei um passo para trás antes que ele percebesse a minha presença e começasse a me atacar. Movimento errado. Ele girou e espremeu os olhos para mim. Congelei, como se tentasse me esconder de um urso. Não deixe que ele sinta o cheiro do seu medo! Ele me deu uma olhada, para cima e para baixo e depois chegou mais perto. “Você,” ele gritou, apontando em minha direção. Todo mundo do salão parou e me olhou. Olhei em volta para ver se tinha alguém atrás de mim; não, tinha apenas a parede de concreto preta e o serviço de alimentação. (O qual fiquei beliscando nos últimos dias. O que? Não é como se as modelos os tivessem tocado). “Não banque a estúpida, estou falando com você,” ele disse, chegando um pouco mais perto. Apertei minha vassoura mais apertada e tentei sorrir. “Ah, sim?” “Quem é você?” Sua pergunta pareceu filosófica, como se eu tivesse que responder com alguma coisa existencialista. Mas o invés disso, só disse meu nome. “Josephine.”


Ele acenou com a mão com pouca paciência. Claramente, meu nome não era o que ele estava querendo. “Quais são as suas medidas?” Olhei para todas as pessoas que estavam em volta dele me olhando e me esperando responder. Era para eu dizer meu tamanho em um quarto cheio de modelos? Não devia ter comido aquele burrito noite passada. “Ahhh, isso depende do que estou vestindo. Normalmente consigo usar algo menor...” Sua paciência deve ter se acabado entre o A e o h no Ahh. “Você está literalmente me aborrecendo até a morte. Chega, preciso que você desfile, tire esse uniforme horrível e diga a Nikki seu tamanho. Diga a ela que você vai substituir Gillian Grace.” Dei risada. Gargalhei, na verdade. Opa, esse reality show é muito ruim. Ele queria que eu desfilasse para o Marc Jacobs no último dia do NYFW? Não sabia nem por onde começar a argumentar, então ao invés disso, fiquei quieta. Ele não ficou satisfeito com a minha reação. “Eu sei. Acredite em mim, queria estar brincando. Agora pare de suar e vá se trocar. Não tenho tempo para isso.” Com isso, ele se virou e foi embora. Sua equipe avançou no quarto. No minuto que ele saiu, o quarto voltou ao caos e minha vida tinha tomado um navio direto para malucolândia. Ainda estava segurando minha vassoura quando uma mulher latina e baixa de cabelo roxo e olhos pretos parou na minha frente e franziu seus lábios. “Eu sou Nikki,” ela disse, me dando uma checadinha, mais ou menos como o outro cara tinha acabado de fazer. “Josephine,” disse, pressionando minha mão no meu peito.


“Você está sob custódia ou algo assim? E esse chapéu?” Eu o peguei para sentir a borda. Sabia que as letras brancas NYFW iluminavam o meu status de classe média. “Sim. Ah, eu trabalho aqui, e não estou entendendo o que está acontecendo.” Ela empinou seu quadril com atitude. “Martin está com uma modelo faltando, então ele precisa da sua ajuda. Nós vamos te vestir e fazer sua maquiagem e cabelo o mais rápido possível.” “Não. Não. Não acho que seja uma boa ideia.” “Então você está dispensando US$3000,00 e a chance de desfilar no NYFW? Você ama tanto a sua vassoura assim?” Segurem o telefone. Ninguém tinha dito nada sobre três mil! Eu faria um monte de coisa por três mil e a maioria não era legal no Texas e Nova York. Desfilar por dinheiro não me parecia uma opção. “Você recebera um cheque antes de ir embora hoje à noite. Eles pagam depois da festa. Tenho certeza que alguém vai te explicar tudo, mas não tenho tempo para isso agora.” Nada do que ela estava falando fazia sentido para mim e o pior de tudo, não tive tempo para argumentar. Em um instante, dez coisas aconteciam ao meu redor de uma só vez: alguém tirou a vassoura da minha mão, outra pessoa tirou minha camiseta pela minha cabeça. Uma fita métrica foi colocada nos meus peitos, e duas mulheres se abaixaram entre minhas pernas. EPA. “Belos peitos,” uma assistente disse depois de medir meus seios. “Ahhh, obrigada,” respondi. enquanto ela corria em outra direção, depois de ter conseguido as medidas que precisava.


“Essa cor é natural?” O cabeleireiro perguntou tirando o meu chapéu e o rabo de cavalo. “Sim.” Disse, ficando vesga de dor. Bem, era minha cor natural antes de você arrancar tudo. Ela passou os dedos pelo cabelo emaranhado, arrancando enquanto fazia. “É lindo. Sim, vamos deixar essa cor. Não temos tempo para mudar isso. Vou lhe dar um corte novo enquanto eles fazem a maquiagem. Vamos lá.” Ela agarrou meus bíceps e me colocou na sua frente. “Espere!” A mulher entre minhas pernas protestou. ”Estou costurando.” As mãos dela estavam a dois milímetros da minha vagina e nunca tinha visto ela na minha vida. “O que eu vou usar?” Perguntei para um monte de pessoas me arrumando. Ninguém pareceu me ouvir. Em dez segundos fui de Josephine para Cinderela. Exceto por Cinderela ter irmãs más e uma fada madrinha, eu tinha Martin e quinze vadias voando em cima de mim. Não tive tempo para refletir ou considerar o turbilhão de eventos que minha vida tinha tomado. Enquanto uma mulher fazia minha maquiagem, outra pegava minhas unhas. Eu tinha uma mulher medindo meus pés enquanto outra me colocava em um vestido azul escuro. “Eu não sei como andar pela passarela,” admiti, depois de ter colocado o vestido. Serei honesta, uma parte de mim esperou até eles terem terminado de colocar o vestido para admitir isso.


“Querida, quantos anos você tem?” A maquiadora perguntou. “Vinte e quatro.” “Então você tem andado por aí a vinte e três anos. Deixe sua cabeça erguida, tome passos confiantes e vá onde tem que ir. Não olhe para baixo, você vai andar sozinha.” Ela me olhou nos olhos pelo espelho e balançou a cabeça. “Eles ajustaram esse vestido especificamente para o seu corpo. Deixado exatamente para você poder andar tranquilamente. Agora, pare de reclamar.” Tudo bem então. É o que é. Eu ficarei quieta, tentando acalmar meus nervos enquanto eles acabavam de arrumar meu rosto. Quando abri meus olhos depois deles terem terminado com a maquiagem, Nikki parou atrás de mim no espelho. Encontrei seus olhos e ela sorriu, parecia impressionada com a minha aparência. “Está na hora de ficar na fila, vamos.” Tentei falar mais alguma coisa para conseguir mais tempo. “Você tem certeza que não tem como conseguirem uma modelo de verdade para isso? Eu sou a pessoa menos qualificada no lugar.” Ela deu risada. “Sim, bem, quando você está maravilhosa as pessoas te perdoam. Eles tendo certeza ou não, colaria a minha bunda aqui.” Ela me arrancou do lugar quase me fazendo cair dos meus saltos. “Esse é o seu lugar.” Olhei para onde ela estava apontando e meu coração deu um salto no meu peito. Estava posicionada ao lado de doze supermodelos que espiava pelo Instagram pelo menos uma vez por dia. Charlie Whitlock parada na frente de Gigi Hadid, Cara e Gisele estavam tirando uma self


rápida. Eu? Olhei de volta para Nikki para perceber que estava completamente sozinha; eu queria um lugar para vomitar. “Nos lugares, todo mundo! O desfile já vai começar!” Martin gritou na frente da fila. “Ande devagar. NÃO SORRIA. Pertençam a essa passarela e depois se alinhem para o final. Não temos tempo para atrasos.” Ele olhou para sua prancheta e tomei um fôlego extra quando uma bateria começou a soar pelas caixas de som. Amei a música. “Oh!” Martin gritou, chamando nossa atenção mais uma vez. “E acima de tudo, lembre-se que vocês são todas supermodelos fodidas.” Senti o vômito na minha garganta. Não tinha como isso acabar bem.


CAPITULO 36 Julian Deslizei minha mão dentro do bolso do meu terno, bem onde meu telefone estava escondido. Eu sabia que, no minuto em que o tirasse para fora, o desfile podia começar. Mesmo assim, me coçava para pegá-lo e checar Josephine. O dia todo tentei mandar algum tipo de mensagem curta para ela: Como foi o seu sábado? Ei, aquela música que você gosta acabou de tocar na rádio. O que acontece com essa agitação no Oriente Médio? Graças ao meu melhor julgamento, não tinha mandado nenhuma dessas mensagens para ela durante o dia. Ela, com certeza, veria a minha tentativa de trazê-la de volta para mim. Eu tinha que dar para ela algum espaço e esperar que segunda-feira ela estivesse pronta para voltar ao que éramos antes. (Isso era, nós fingindo sermos amigos enquanto, na realidade, queríamos foder um com o outro.) Minha irmã e eu estávamos na fileira da frente do desfile de Marc Jacobs. Estava bem fora da minha praia, mas estava vestindo um terno azul marinho novo e Lorena me assegurou que me encaixava muito bem. Ela esqueceu, convenientemente, de me dizer que eu seria apenas mais um homem no meio a comparecer. Havia muitas mulheres lindas ao meu redor, celebridades que reconhecia dos seus últimos hits de sucesso, estrelas pops e outros rostos que mal podia reconhecer da TV, mas tudo com que me importava era com o telefone no meu bolso e a sua falta de mensagens.


“Você está muito bonito,” minha irmã disse na cadeira ao meu lado, me batendo com seu ombro. Olhei por cima e sorri. Preferia estar assistindo a um jogo de basquete, mas pelo menos estava em boa companhia. Minha irmã parecia mais com ela mesma. Ela passou a manhã toda com pessoas arrumandoa em meu hotel. Fiquei no bar do hotel, bem longe do cheiro de spray de cabelo e esmalte de unha. Eles entregaram uma dúzia de vestidos no meu quarto e ela escolheu um lindo vestido longo verde que parecia único, assim como ela. “Você está linda,” disse passando meu braço por trás da cadeira dela e beijando sua testa. Talvez eu tivesse cometido um erro ficando tão longe em Boston. Lorena precisava do suporte da família, e enquanto minha mãe aparecia muito vagamente, não tinha substituto para o seu irmão mais velho. “Obrigada,” ela sorriu. “Você vai me acompanhar na festa depois?” Franzi a testa, pensando em quanto álcool e outras substâncias teria em abundância em um evento como esse. “Você acha que isso é uma boa ideia para sua primeira noite?” Ela pressionou sua mão no meu braço e me garantiu. “Não ficarei muito. Só quero dizer oi para os estilistas e depois pegarei um taxi de volta para o meu apartamento. Só acho que fiquei afastada por um tempo do mundo da moda e não quero que as pessoas me esqueçam.” Concordei. Eu podia ver porque ela não poderia deixar isso passar. Era uma ótima fonte de contatos de trabalho para ela, especialmente em um mundo que prosperou com relevância, mas definitivamente não era minha ideia de diversão em um sábado à noite. Podia imaginar alguém me perguntando sobre meu visual favorito do desfile e eu ter que descrever


algum tipo de roupa chique. O que exatamente era uma blusa? Uma camisa chique? “Nós podemos dar uma passada,” disse. Ela sorriu e depois seu olhar foi para a passarela. “O desfile deve começar logo!” Ela disse, batendo palmas de excitação. Recostei-me na minha cadeira e dei uma olhada pelo salão. As primeiras fileiras estavam dominadas por jovens mulheres, algumas deveriam ser bloggers igual à Josephine. Elas estavam vestidas na moda, algumas com roupas excêntricas e não pude olhar muito tempo. A mulher ao meu lado era mais velha e estava usando óculos escuros. Lorena tinha sussurrado sobre ela ser editora de uma revista famosa. E todos pareciam impressionados com ela - algumas mulheres mais novas estavam pedindo fotos com ela - mas a única coisa que me importava era o tanto de perfume que ela parecia ter passado. Estava começando a ficar com dor de cabeça pelo cheiro forte de essência de rosas. Tinha um monte de fotógrafos no fim da passarela, tirando fotos sobre fotos. No mínimo uma dúzia de lentes estavam acima da minha cabeça, todos alinhados para tirar a melhor foto possível da passarela. Eu ainda estava observando eles quando as luzes baixaram e uma música alta começou a tocar pelas caixas de som. Não houve nenhuma introdução antes da primeira modelo começar a desfilar pela passarela com uma expressão raivosa em seu rosto. Ela parecia esquelética em um vestido branco. Talvez ela estivesse tão carrancuda por causa do vestido muito apertado. Sério mesmo, ela não parecia pesar mais que vinte quilos.


Os fotógrafos ficaram doidos, disparando fotos enquanto ela se aproximava do fim da passarela. As outras modelos que passaram depois dela eram um pouco mais ágeis, com maçãs do rosto definidas e andares confiantes. Algumas das suas roupas eram muito sexys, mas não conseguia entender a maioria delas. Algumas vestiam capuzes que não estavam ligados a nada. Qual era o objetivo disso? Todos em volta de mim estavam adorando, inclusive Lorena, mas eu só ajustei o paletó do meu terno e tentei parecer interessado. Lorena ficaria me devendo uma depois dessa. E então Josephine saiu de trás dos bastidores. Espere. Minha boca ficou aberta. Mas que porra era essa? Josephine. Por que Josephine estava desfilando na passarela? Pisquei e depois serrei os olhos para confirmar que não estava tendo algum tipo de miragem. Ela parecia diferente, mais preparada que de costume, com um pouco mais de maquiagem do que sua aparência de todo dia. Ela estava vestida em um vestido sem alças azul muito curto. Ela tinha saltos que se prendiam em seu tornozelo e faziam suas longas pernas bronzeadas não terem fim. Talvez

para

todo

mundo

ela

parecesse

com

uma

modelo

profissional, mas eu conseguia perceber seu nervosismo por debaixo da superfície. Ela abria e fechava seus punhos enquanto andava e a cada passo, olhava para o final da passarela como se para se assegurar de não acabar em baixo dela.


Quando ela passou na minha frente, resisti ao meu instinto de ir pegá-la, puxá-la para perto e perguntar por que ela estava desfilando. Ela nenhuma vez mencionou o fato de ser modelo. Mas ao invés disso, fiquei em choque, seguindo-a desfilar até o final da passarela superando o medo. Meu coração estava batendo junto com a bateria da música. Ela andou até o fim da passarela e colocou as mãos no quadril, se virando para as câmeras e depois voltando tão rápido quanto tinha ido. Ela ficou no palco por menos de um minuto, mas tive tempo suficiente para colocar tudo junto. Lorena inclinou a cabeça e sussurrou, “Aquela modelo parece com a sua assistente!” Concordei e assisti Josephine sair do palco. “Parecia mesmo.” Aparentemente, parecia que eu tinha um bom motivo para acompanhar Lorena para a festa.


CAPITULO 37 Josephine Desfilei pela minha primeira - e provavelmente última - NYFW e mal conseguia controlar minha cabeça com toda a loucura disso. Eu estava em um vestido, com a minha maquiagem feita e meu cabelo feito por profissionais, e eles me jogaram no palco como uma mãe de passarinho joga seus filhotes do ninho… e EU VOEI. Não tropecei nenhuma vez, posei para as fotos no fim da passarela e um monte de fotógrafos de grandes revistas tiravam fotos minhas como se realmente fossem usá-las. (Eu provavelmente dividiria a capa da US Weekly com a Katy Middleton e seu bebê.) Senti-me como se as modelos tivessem me adotado em seu grupo e fiz questão de tirar uma tonelada de fotos com elas para postar em meu blog. Meus leitores não iriam acreditar na histeria quando finalmente contasse os detalhes suculentos sobre essa noite. Claro, provavelmente dedicaria um mês inteiro postando coisas sobre o desfile. Oh, aquela foto? Sou só eu e Gisele, posando em roupas de grife como se fosse à coisa mais normal do mundo. E o vestido? Nunca vou tirar. Nunca. O resistente material azul foi estruturado e adaptado para o meu corpo enfatizando minhas curvas. Acentuava meus seios sem precisar de um sutiã (o que, para mulheres peitudas, era um milagre). O tecido apertava a minha cintura e tinha uma fenda que corria pelo centro da minha coxa esquerda. Eu estava sedutora e linda, e fui para a festa me sentindo como se pertencesse ao lugar.


Segui o grupo de modelos até uma mesa vazia, como se a festa fosse minha. Bebidas à vontade e garçons carregando bandejas de prata com canapés que olhei de longe, mas não me atrevi a tocar. Nós fomos até uma pequena mesa de coquetel e escutei as modelos discutindo as suas próprias versões da semana da moda. Elas compararam até os desfiles delas e as roupas que agora estavam empilhadas em seus apartamentos. Eu as ouvi de olhos arregalados, praticamente babando. Até considerei me gabar da montanha de pó que tirei na minha primeira experiência no NYFW, mas acho que a maioria das modelos não iria compartilhar do mesmo senso de humor que eu. Estava queimando de tanta grandiosidade pela noite quando senti uma mão pegar meu cotovelo. Eu conhecia a pegada, sabia como me sentia com aqueles dedos na minha pele. Dei um passo para trás quando uma voz sedutora sussurrou em meu ouvido. “Não sabia que você desfilava à noite.” Arrepios desceram pelo meu braço quando registrei a voz familiar. Respirei, olhei sobre meu ombro e encontrei Julian me encarando. Um bem alinhado terno azul marinho se esticava pelos seus ombros e peito. Cabelo preto emoldurava suas feições penetrantes e seus olhos pareciam duas brasas ardentes sob a iluminação do clube. Desejo invadiu minhas veias enquanto meus olhos deslizaram nele. Como não respondi ao seu comentário, ele arqueou uma sobrancelha escura. “Jo?” Engoli e molhei meus lábios. Ele não tinha largado meu braço e, quando me virei, meu corpo se esfregou no dele.


Seus dedos apertaram meu braço quando meu quadril roçou o dele. “É uma longa história,” dei de ombros, tentando fazer as últimas quatro horas parecerem mais distantes do que realmente tinham sido. Ele olhou para os meus lábios vermelhos e depois seu olhar foi mais para baixo. O tomara que caia do meu vestido parecia ter sido a parte que mais gostou da minha roupa. Quando encontrou meus olhos novamente, ele tinha um leve sorriso que não estava lá antes. “O que você está fazendo aqui?” Perguntei, tentando desacelerar meu coração. Ter ele ali tão perto de mim parecia demais para aguentar. Geralmente eu estava com ele em ambientes controláveis. Aqui? Comigo em um vestido feito para o pecado e ele em um terno que eu queria arrancar logo? Ele era a personificação da tentação. “Lorena me arrastou para o desfile” ele explicou. “Nós também fomos convidados para a festa. Quando vi você desfilando, não pude deixar passar.” Sorri e olhei pelos seus ombros para ver se ela estava por ali. “Ela acabou de pegar um taxi para o apartamento dela,” ele disse, respondendo a minha pergunta sem eu precisar ter feito. Olhei de volta para ele e engoli devagar. Então aqui estávamos. Sozinhos. Com ele parecendo divino em seu terno azul marinho. Que era o complemento perfeito para sua estrutura óssea. Ele tinha linhas fortes, bordas duras, lábios sutis e olhos convidativos. Tudo misturado em uma combinação fascinante, uma que se tornou um mal habito meu. “Então agora você está sozinho?” Perguntei, só para confirmar minhas suspeitas.


Ele sorriu. “Se você não quiser tomar uma bebida comigo, suponho que esteja então.” Dei mais uma olhada nele como um adiantamento. Verdade seja dita, beber com um homem vestido como James Bond era muito bom para deixar passar. “Adoraria.” Ele me levou para o bar com muita confiança: uma mão firme nas minhas costas, seu quadril tocando o meu enquanto esperávamos na fila. Mordi meus lábios para não virar para ele e dizer alguma coisa da qual fosse me arrepender. Ele não se parecia com meu amigo, Julian. Ele parecia o diabo disfarçado. “O que você gostaria de provar?” Ele perguntou fazendo um pequeno círculo nas minhas costas. Sorri, compreendendo. “O que você estiver bebendo.” Ele concordou e se virou para o barman. “Dois gins com tônica.” Ele deu um passo para o lado para deixar o próximo cliente pedir, mas Julian continuou perto. “Não te disse como você está bonita ainda.” Corei com o peso do seu elogio e olhei para frente. “Você não precisa fazer isso, é só muita maquiagem e tudo que eles colocaram em mim antes do desfile.” Seus dedos roçaram pelo meu ombro, até o meu braço. Meu estômago se apertou em resposta e por um breve momento fechei os olhos, deixando seu toque me consumir. “Sei que é mais do que isso.” Ele disse, assim que ouvi nossas bebidas serem colocadas na nossa frente. Dei um gole na minha como se fosse um homem morrendo de sede, torcendo pela queimação do álcool acalmar meus nervos.


“O que você achou do desfile?” Perguntei, tentando manter meu foco em qualquer coisa que não fosse ele. Não que isso importasse; todas as suas aparências estavam cravadas em minha memória. Seu cabelo preto penteado para trás, sua pele bronzeada, mandíbula definida. Não havia porque ficar me lembrando de negar meu desejo por ele. “O desfile foi adorável, mas não me importei em olhar ninguém além de você,” ele respondeu antes de tomar um longo gole da sua bebida. Olhei sobre meus ombros cuidadosamente, para ver se alguém estava nos observando. A gente estava no canto do local, de longe os menos interessantes do salão, mas ainda assim sentia como se estivéssemos em evidência. “Julian, isso é uma boa ideia?” Ele arqueou uma sobrancelha. “O que é uma boa ideia?” “Você e eu testando os limites desse jeito? As coisas vão melhor quando a gente mantém tudo platônico. Não seria mais fácil desse jeito?” Seu queixo estalou em aborrecimento pelo meu questionamento e, ao invés de responder minha pergunta, ele terminou sua bebida, pegou a minha e largou em cima de uma mesa vazia ao nosso lado. “Quer saber de uma coisa?” Ele perguntou, roçando suas mãos pelo meu braço até seus dedos estarem enlaçados com os meus. “Não acho que me importe mais com isso.” Ele agarrou minha mão e me arrastou pelo salão depois dele, quase rápido demais para me manter em pé. Tive que manter meu passo mesmo com ele não querendo desacelerar. “Julian. Mais devagar. Sério.” Ele fingiu que não me ouviu.


“Onde estamos indo?” Perguntei. Ele não me respondeu e não largou a minha mão. Nós passamos pela porta do clube e encontrei o ar fresco da noite. Cruzei meu braço livre sobre meu peito, tentando cobrir o máximo de pele que conseguia do frio. Julian foi até a fila de táxis, pegou o primeiro e abriu a porta para mim. “Você vai entrar?” Ele perguntou com um brilho sombrio em seus olhos. Não houve nenhum, por favor, por gentileza. Ele não queria dizer aonde iria me levar e não estava prometendo ser um cavalheiro quando chegássemos lá. Eu poderia entrar no taxi e ver aonde ele me levaria ou voltar para a festa, e talvez afastar Julian de vez. O canto da sua boca se curvou enquanto observava minha indecisão. Acho que ele já sabia que eu já estava decidida. O que tinha para decidir, de qualquer jeito? Quantas vezes você poderia negar para si mesma uma fantasia que tinha todos os dias? Por que me importava em manter minha vida em linha reta quando curvas selvagens vinham para mim? Ao invés de lhe dar uma resposta, cheguei mais perto passei minhas mãos pelo seu pescoço, e o beijei. Forte. Inclinei minha cabeça e mordi seu lábio inferior. Ele passou seus braços ao redor dos meus bíceps e me puxou para ele. Sua língua entrou na minha boca e gemi. Conseguia sentir seu coração batendo junto com o meu. Era isso. Eu entraria nesse taxi e descobriria se Julian Lefray tinha valido os dias e dias de agonia que passei. “Vocês dois vão entrar ou o que?” O taxista perguntou.


Fui para trás, fora do alcance de Julian e pressionei as costas da minha mão na minha boca. Julian sorriu pedindo desculpas para o motorista, me levando para trás no banco. Ele segurou minha mão, me assistindo deslizar pelo lado oposto e entrou depois de mim. O aroma do seu perfume encheu o lugar e tive que cruzar minhas mãos em meu colo para não agarrá-lo. Meu vestido subiu nas minhas coxas, só a alguns centímetros de mostrar demais. Julian disse ao motorista para ir para o seu hotel e rocei meu dedo pela bainha, pensando em quanto tempo a gente se conteria no banco de trás do carro. Então de novo, por que a gente teria que se conter? Eu não queria parar. Quem saberia quanto tempo a gente poderia demorar para chegar ao hotel. Tinha acabado de ter o melhor beijo da minha vida e queria mais. Sabia que não poderíamos transar no banco traseiro do taxi, mas o taxista estava muito ocupado com seus olhos na estrada. Desde que eu não tirasse meu vestido, acho que ele não notaria o que estávamos fazendo. Poderia provocar Julian um pouquinho, só o suficiente para deixá-lo doido. Assim que pegamos o tráfego, deixei minha mão cair em seu joelho. Ele se mexeu um pouco e encontrou meus olhos. Ele não falou, mas a pergunta estava em seus olhos do mesmo jeito. ‘O que você pensa que está fazendo?’ Sorri e subi minha mão um pouco. Ele agarrou meu pulso para me parar, mas forcei e passei minhas unhas pela costura da sua calça. “Tiveram uma noite divertida?” O taxista perguntou. Julian limpou sua garganta e concordou.


Sorri e fui mais para cima da sua perna. Não podia desabotoar suas calças - seria muito barulhento - mas ainda poderia deixá-lo louco pelo fino tecido. “Qual foi a sua parte favorita?” Perguntei, querendo ouvir a luxuria em sua voz de novo. Ele me olhou e cerrou seus olhos. Desfazendo o aperto no meu pulso, mas eu ainda conseguia sentir minha pulsação contra seus dedos. Essa era a minha deixa. Deixá-lo saber o quanto o desejava. Meu coração batia freneticamente por causa dele. “Não acho que tenha acontecido ainda, na verdade,” Julian respondeu, me olhando interessado. “Ah, vocês ainda têm outra festa?” O taxista perguntou. Sorri e subi minha mão mais um pouco. “Alguma coisa parecida,” Julian disse, pegando meu pulso assim que atingi meu objetivo. Sorri. Ele estava tão duro quanto eu havia imaginado, mas não podia mover minha mão com ele apertando meu pulso como estava. Fiz beicinho. Bastardo. “Esta tudo bem?” O taxista perguntou. Olhei para fora e percebi que havíamos chegado ao hotel de Julian. Não estava pronta para a corrida ter acabado, queria continuar provocando ele. Queria deixá-lo louco com as minhas mãos para depois ele me retribuir o favor mais tarde. Julian pegou sua carteira para pagar o motorista, mas ele não desgrudou do meu pulso. Não sei se ele estava consciente ou não, mas parecia que estava me segurando para eu não desistir no último minuto. Nós já estivemos nesse ponto antes, mas dessa vez teria um resultado diferente.


NĂŁo tinha caminho de volta agora.


CAPITULO 38 Julian Nós fomos civilizados enquanto andamos pelo lobby. Segurei a mão dela e andamos rápido de olho nos elevadores no fim do lobby. A moça atrás da recepção nos cumprimentou e lhe dei um aceno sem perder o passo. Apertei o botão para chamar o elevador enquanto Josephine me olhava, me dando um sorriso íntimo. Apertei a mão dela quando o elevador chegou e entramos. No momento em que as portas fecharam, empurrei Jo contra a parede. E toda a civilidade se perdeu. Ela mordeu meus lábios e prendi suas mãos na parede em cima da sua cabeça e ela pressionou seu quadril contra o meu. Eu estava traçando o topo do seu vestido quando o elevador se abriu vinte andares antes do nosso destino. Pulei para trás, nos dando espaço para respirar enquanto um casal vestido com botas de vaqueiro e chapéu de diamantes falsos entrou no elevador. Jesus Cristo. O peito de Jo estava subindo e descendo como se tivesse acabado de correr uma maratona. Suas bochechas estavam coradas e ela estava pressionando o estômago com a mão, tentando se acalmar. O casal nem notou. A mulher olhou dela para mim e depois sorriu. “Vocês dois são nova-iorquinos de verdade?” Perguntou com os olhos arregalados e curiosos. Uma pergunta estranha para um elevador de hotel. Jo sorriu e assentiu. “Nós parecemos como nova-iorquinos?”


A mulher colocou sua bolsa no ombro e fuçou lá dentro. “Vocês dois estão tão glamorosos. Posso tirar uma foto de vocês?” Jo me olhou e arqueei uma sobrancelha. “Só de nós dois?” Perguntou para mulher. A mulher parou de procurar e tirou uma câmera gigante da bolsa. Ela entregou para o seu marido - que não parecia chateado pelo pedido da mulher - e parou do outro lado de Jo. “Eu estarei nela também,” ela respondeu jovialmente. Dei risada. Só em Nova York. Fui mais perto de Jo e passei sua mão em volta do meu estômago. Ainda conseguia sentir o seu excitamento. O corpo dela praticamente martelava de desejo. Eu tinha minha mão em seu quadril enquanto o homem posicionava a câmera em frente dos seus olhos. Então, quando ele estava para tirar a foto deslizei minha mão para a bunda de Jo, perigosamente baixa. Ela me beliscou do lado para me parar, mas já era tarde demais. O homem disparou a foto e Jo praticamente se desfez na minha mão. Eles nos agradeceram pela foto e saíram depois de mais alguns andares, e então Jo me olhou zangada. “Muito bonito Julian. Eles sabiam muito bem o que você estava fazendo.” Eu sorri. “Não, eles não sabiam. Eu estava olhando a cara do marido dela. Ele estava distraído, inclusive pelo fato de terem vindo do Texas tirar fotos de uma texana.” Ela cruzou os braços e se recostou na parede do elevador. “Além do mais, foi o seu troco pelo que me fez no táxi.”


Ela arqueou a sobrancelha e me observou no espaço confinado. Tinha um ar de guerra não declarado entre a gente - e eu não tinha certeza se podia ganhar. Achei que ela estava prestes a argumentar comigo quando se inclinou para frente e colocou suas mãos debaixo do seu vestido.

A fenda em sua perna esquerda se abriu e apertei meu

punho para bater no botão de emergência no painel do elevador. Ela estendeu a mão, segurando sua calcinha preta e deslizou pela perna. Olhei o tecido descendo pela sua perna e o meu sangue começou a correr mais rápido. Ela segurou a calcinha com as pontas dos dedos e sorriu. “Você queria sentir tanto isso quando a gente estava tirando a foto, então aqui está ela.” Disse, jogando para mim. Eu peguei com a minha mão direita e cheirei. Ela cruzou seus braços sobre seu peito, empurrando sua respiração ainda mais rápida. Tirei minha gravata e deslizei meu paletó pelos meus ombros. Ela me observava começando a me despir quando o elevador parou no meu andar. A porta se abriu e apontei para Josephine sair primeiro. Ela cerrou seus olhos, claramente desconfiada das minhas motivações. “Eu posso ser um cavalheiro às vezes.” Sorri. Ela sorriu e acenou com a cabeça em direção ao meu quarto de hotel. Tirei minha chave cartão da minha carteira e parei ao seu lado. “Achei que você preferia quando eu não era,” disse enquanto destrancava a porta. Ela se virou, pegando as duas pontas da minha gravata e me colocando para dentro da suíte. As luzes estavam apagadas, a cidade era nossa luz, quando ela deslizou minha gravata pelo meu colarinho e jogou em cima do sofá.


Minha jaqueta foi à próxima e então ela parou ali, me olhando de cima a baixo com excitação. Ela alcançou o zíper do vestido em suas costas. Aproximei-me e tirei suas mãos para pará-la. Eu queria tirar isso dela. O tecido azul era a única coisa entre ela e eu. Os seios dela pressionaram contra mim a cada respiração, e ela segurou sua respiração me esperando para tirar seu vestido e deixá-lo cair no chão. Passei uma mão em volta do seu pescoço, na base da sua cabeça. Inclinei sua cabeça para trás e a encarei, procurando por qualquer resquício de insegurança. “Você vai ser honesta com o quanto me quer agora, ou vou ter que deslizar minhas mãos por entre suas pernas para descobrir a verdade?” O rosado do seu peito subiu para suas bochechas. Ela passou a sua perna esquerda em volta de mim e a fenda do seu vestido ficou aberta igual no elevador. Deixei minha mão passar pelo seu joelho, subindo pela sua coxa. Sua respiração acelerou e rocei mais alto, onde sua calcinha deveria estar. Olhei suas feições enquanto deslizava meus dedos por entre suas coxas. Ela estava completamente perdida no momento. Seus olhos se fecharam e ela mordeu o seu lábio inferior. Apertei um dedo dentro dela, vendo suas bochechas coraram, e depois contemplei levá-la ali mesmo, em pé contra a parede do meu quarto de hotel. Deslizei outro dedo dentro dela e gemi sentindo como era maravilhoso ter tudo dela. Eu poderia ficar em pé ali a noite inteira, provocando ela com meus dedos, mas queria que nossa primeira vez fosse diferente. Queria que ela se lembrasse disso como o melhor sexo da sua vida. Fui para trás e tirei sua perna da minha cintura. Ela abriu os olhos e me olhou, surpresa com o meu afastamento rápido.


“Ah, você tem que fazer melhor que isso. Não estava nem perto.” Dei risada e fui para trás. “Tire o vestido, Jo.” Ela colocou suas mãos na cintura e cerrou seus olhos. “Tenho que fazer tudo por você. Isso é a única coisa que você tem para tirar.” “Seu sutiã?” Perguntei; Ela riu. “Não estou usando um.” Ignorei o choque de adrenalina que acompanhou essa conversa. “E quanto aos seus sapatos?” Perguntei. Eles estavam enlaçados como sandálias de gladiador e pareciam levar uma hora só para tirá-los. “Achei que você me pediria para ficar com eles.” Sorri, mas não confirmei as suspeitas dela. “Tenho a impressão que isso vai ser um pouco duro e não quero cicatrizes nas minhas costas desses saltos.” Ela deu um sorriso largo. “Oh, você vai ser duro?” Balancei a cabeça para o incessante questionamento dela. “Jo, deite-se na cama.” Ela olhou para a cama king size do hotel, perfeitamente arrumada pela manhã. “Mas ainda estou de vestido.” Passei minhas mãos pelos meus cabelos e chutei meus sapatos. “Tire ele.” “Chefe mandão.” Fui para frente alcançando o zíper do vestido atrás dela. “Eles costuraram ele em mim,” ela disse ficando na ponta dos pés para beijar meu queixo. “Você vai ter que...” As palavras dela se perderam com o som de tecido rasgado. “Julian!”


“Eu pago para concertá-lo,” assegurei a ela antes de dar chilique. Seus olhos verdes se prenderam aos meus, tomando uma atitude e então ela agarrou o colarinho da minha camisa. Ela fechou seus punhos e puxou com toda a força que tinha. O primeiro botão da minha camisa voou pelo quarto, mas ainda havia nove deles. “Isso foi menos dramático do que achei que seria.” Riu. O vestido dela escorregou enquanto ela ria, expondo mais um pouco da sua pele maleável. Agarrei o tecido da sua cintura e puxei o tecido ainda mais para baixo agradecendo aos Deuses do sutiã pela sua ausência. Ela trabalhava nos botões da minha camisa enquanto eu corria minhas mãos pelo seu peito, embaixo em seu estômago liso. Meus olhos passaram por sua pele, seguindo o caminho das minhas mãos. Nem notei quando ela deslizou minha camisa pelos meus ombros, mas assim que estava fora, empurrei ela para a beirada da cama e me inclinei em cima dela. Seu cabelo se espalhou ao redor da sua cabeça. Seus lábios se separaram e seu peito subia e descia rapidamente. Quanto mais eu olhava, mais cavava em suas curvas, marcando sua pele com meu toque. Deslizei minhas mãos na curva do seu quadril, por entre suas pernas. Ela arqueou suas costas e arranhou meus braços. “Julian,” gemeu. Separei as pernas dela com meu joelho e assisti seus olhos verdes se fecharem. “Você está nervosa?” Perguntei, curioso com a sua reação. Ela segurou os lençóis em suas mãos, abriu os olhos e encarou o teto.


“Um pouquinho. Já faz um tempo e a última vez que fiz isso, estava escuro e estava um pouco bêbada e ele definitivamente não me tocou do jeito que você está me tocando agora.” Sorri e olhei o seu corpo embaixo, assistindo meu dedo deslizar no meio das suas coxas. “Assim?” Perguntei. Ela se contorceu sob meu toque e segurou firme nos lençóis. “Eu estou a ponto de entrar em combustão se você não…” Eu sorri. “Se não o que?” Ela se ergueu com o cotovelo e seus olhos iam e vinham para os meus olhos. “Julian Lefray, por favor, me tire da minha miséria. Você tem ideia do quanto esperei por isso?” Dei risada e pressionei minha mão no centro do seu peito, empurrando ela na cama. “Eu também esperei muito, Jo, mas você tem que relaxar. Você tem o corpo mais bonito que já vi. Apenas me deixe tocar você.” Ela gemeu e deixou o seu corpo cair na cama. Agarrei seu quadril e empurrei-a mais para cima na cama. A cabeça dela atingiu os travesseiros e ela me olhou curiosa. Deslizei para baixo e rocei minha mão pelo seu peito e estômago até conseguir agarrar suas coxas e abrir as suas pernas ainda mais. “Ah, Jesus,” sussurrou, jogando seus braços sobre seus olhos. “Relaxe Jo,” falei, pressionando uma mão em seu estômago para segurá-la na cama e usando a outra para manter as pernas abertas. Se eu iria colocar minha boca entre as suas pernas, não queria que ela se animasse e quebrasse meu nariz.


“Tá bom, tá bom.” Ela disse, respirando para se acalmar. “Estou relaxada, prometo.” Mentirosa. O corpo dela estava transbordando energia nervosa, mas eu amava o jeito que ela se sentia. Ela era tão fácil de tocar, tão cheia das curvas que fiquei fantasiando durante os últimos meses. Estava hipnotizado por cada parte dela. A pele macia por cima dos ossos do seu quadril, seu umbigo fundo, o arco das suas costas enquanto arrastava minha mão pela sua coxa e pressionava um dedo dentro dela. Seus lábios se separaram e dei um momento para ela, depois segui o caminho do meu dedo com a minha boca. Não tinha por que mantê-la esperando mais. Jo sorriu e falou a noite toda. Sempre que a pressionava um pouco mais, ela tentava escapulir e fazer uma piada, tentando aliviar o momento. Ela me olhava com olhos curiosos quando tirei minhas calças e minha boxer. Foi a primeira vez que ela ficou em silêncio em toda a noite. Engatinhei de volta em cima dela e beijei seu peito, seus seios fartos e em cima do seu pescoço. “Não estou mais nervosa.” Sussurrou enquanto passava seus dedos pelo meu cabelo. “Eu quero tanto isso.” Inclinei-me para trás para pegar seu olhar e nos encaramos em silêncio. Se parássemos ali, segunda-feira seria muito estranho. Nós já tínhamos ido longe demais. Já tinha visto cada pedaço da pele dela e já tinha ouvido uma sinfonia de gemidos saídos dos seus lábios. Não teria tempo para apagar essas memórias. Eu sabia disso, mas deslizei para dentro dela e ela tremeu embaixo de mim, percebi que nós tínhamos tanta coisa pendente entre a gente. Ela estava completamente aberta para mim. Pela primeira vez não tinha fingimento ou expectativas. Ela não estava me


afastando e eu não fingia que ela era só uma amiga. Acabaram-se as brincadeiras, a paquera espirituosa. Apenas luxúria, destilada.

Josephine Ele me deu seu tempo, enrolando seus dedos nos meus e os empurrando para o lado. Ele bateu seu quadril contra o meu, assistindo e estudando minhas reações para descobrir o que realmente me deixava louca. Devo ter sido tão fácil de ler, porque ele não fez nada errado. Quando roçou o topo dos meus seios, apertei suas mãos com força. Quando ele segurava a ponta das minhas orelhas entre os dentes, eu gemia sutilmente contra sua bochecha. Quando me desmanchei embaixo dele, meu corpo todo tremeu. Meus olhos se fecharam e minhas unhas apertaram sua pele tão forte que tenho certeza de ter arrancado sangue. Nesse momento... Eu sabia que era dele.


CAPITULO 39 Josephine Segunda de manhã foi monumental por duas razões. Primeiro, nós já tínhamos nos decidido com qual firma de arquitetura ficar para o novo escritório de Lorena. Isso era uma grande coisa e acabaria determinando o projeto inteiro da sua loja. Segundo, tinha o pequeno fato de Julian e eu termos transado sábado à noite e agora termos que trabalhar juntos. Nada grandioso. Levantei cedo na segunda, parei em frente ao espelho e passei uma fina camada de maquiagem - máscara para esconder meus olhos nervosos, batom vermelho para me dar uma falsa confiança. O tempo inteiro em que estive me aprontando, relembrei meu dia anterior e percebi o quão fácil tinha sido acordar na cama de Julian. “Cara, você esta praticamente me esmagando agora,” eu disse, empurrando ele de cima de mim ao amanhecer. Julian gostava de agarrar, um agarrador sufocante. Acordei com metade do seu corpo em cima de mim. Estava praticamente sufocando e rolei para o lado, meus pulmões me agradeceram o ar extra. “Hum...de novo,” ele sussurrou, ainda meio adormecido. Sua mão encontrou meu peito esquerdo e revirei meus olhos. “Você não irá transar antes de eu tomar café. Agora levante-se e vá encontrar algum bagel.” “É difícil manter você.” Ele sorriu e rolou, esticando seus braços sobre sua cabeça. OLÁ, JULIAN PELADO.


O homem estava todo tonificado, pele bronzeada e tanquinho. Eu queria lamber ele do dedão do pé até sua testa, mas mais que isso, queria um bagel de queijo quente cremoso. “Vamos, vamos, vamos. Estou com fome.” Ele gemeu e tirou os cobertores e meus olhos saltaram um pouquinho da minha cabeça. O homem precisava avisar as pessoas antes de ficar exposto assim. Fiquei momentaneamente perdida no contorno do seu corpo e tudo o que tinha para baixo. “Jo, meus olhos estão em cima,” ele brincou. Meu rosto ficou da cor de um sorvete de cereja e desviei os olhos dele para examinar seu armário no hotel. “Estou roubando uma camiseta e depois vou sair desse quarto para procurar comida. Meu estômago está se comendo enquanto falo.” Julian passou suas mãos pelo meu quadril e depois me puxou contra seu peito. A palma da sua mão foi para o meu estômago e depois desceu mais. Meu estômago caiu e meus joelhos fraquejaram. Corpo traidor. “Não.

Não.”

Disse,

resistindo

a

tentação

de

lhe

dar

meu

consentimento. “Se sua mão descer mais um pouco, vou ter que te atingir com um golpe de karatê.” Ela se moveu mais para baixo e meu corpo me traiu. Meu estômago estava tipo, ‘Ei, não posso esperar para comer,’ e minhas partes femininas estavam, ‘Que inferno, isso é uma ótima ideia’. E essa é a história de como Julian me comeu no chão do seu closet com seus ternos e gravatas nos julgando. Nosso café da manhã se transformou em um passeio pelo Central Park e depois em um almoço. Eventualmente inventei uma desculpa sobre


ter que lavar roupa (sim, tá bom) e limpeza (ha ha) e nós nos separamos depois de uns beijos de tirar o fôlego. Assim que fui para longe dele em direção ao metrô, as últimas vinte e quatro horas me atingiram. As mesmas partes do meu cérebro que me fizeram ficar com ele estavam agora explodindo com insegurança e preocupações em um ritmo de 1000 pensamentos por segundo. Você transou o suficiente? Você fez ruídos sexys o suficiente? Você fez muitos ruídos sexys, parecendo uma atriz pornô doida? Dei-lhe um boquete quente e legal ou parecia desesperada? Parecia muito carente ou tranquila e casual? Garotas legais de Nova York tinham sexo sem ter emoção. Elas eram confiantes e fortes. Elas não se arrependiam de suas decisões e não questionavam sobre o que os homens queriam. SIM. Essa sou eu! Tranquila e confiante! Andei mais rápido pelo metrô depois de erguer minha cabeça e colocar meus ombros para trás. Poderia quebrar em uma rotina coreografada se eu tivesse só dançarinos comigo. Infelizmente, essa confiança estava duelando com meus ciclos de humor porque, na segunda-feira de manhã, minha atitude confiante tinha ido embora. Depois de terminar de me aprontar, enchi uma garrafa de café e enfiei uma maçã em minha bolsa, abri meu laptop para checar meu email. Ainda tinha quinze minutos para sair para o hotel de Julian, e definitivamente não queria aparecer mais cedo. Não tive tempo de checar meu e-mail no fim de semana e, definitivamente, deveria ter checado. Minha caixa de mensagens estava abarrotada de e-mails de bancos e vários cupons dos quais nunca tinha ouvido falar. Alguns e-mails eram


mais importantes. Os subtítulos todos a respeito do desfile de Marc Jacobs e pedidos de entrevistas. Continuei vendo e perdendo a conta de quantos eram. ABC News, The Tonight Show com Jimmy Fallon e a revista People estavam no topo da minha caixa de e-mail. Minha primeira impressão era que todos eram contas de spam. Como poderiam não ser? Não poderia ser um e-mail da Vogue na caixa de mensagens. Minha mão tremeu quando passei o mouse sobre a linha do assunto. No tempo que estava carregando, achei que meu coração iria sair do meu peito. Chequei o endereço do e-mail para ver se não era algo como voguemagazineeditoriswear@gmail.com.

Não.

O

e-mail

era

de

elizabethphope@vogue.com. Puta merda. Eu abri e comecei a ler, tentando ficar o mais calma possível. Querida senhorita Keller, Meu nome é Elizabeth Hope e sou líder de mídia social da Vogue. Primeiro de tudo, parabéns pelo seu primeiro desfile semana passada. Você se tornou o assunto do desfile no fim das contas. Tenho certeza que você já viu as notícias que circulam por aí na internet, mas queria te alcançar e te contatar pessoalmente. A Vogue está querendo contratar uma blogger, alguém que adicione aos nossos leitores da nova geração. Nossa candidata ideal teria que ser um novo rosto, alguém novo na cena da moda, e alguém com disposição para trazer novos leitores para o time da Vogue. Fiquei atordoada depois disso. Verdadeiramente despedaçada no meio do meu apartamento. Achei que meu cérebro havia entrado em curto circuito no meio do e-mail dela. Dei um passo para trás e reli o que ela


havia digitado. Eu tinha sido o assunto do desfile? Notícias na internet? Verdade seja dita, não tinha verificado meu blog, YouTube ou twitter desde sábado de manhã, Julian tinha me distraído… Parei de ler seu e-mail no meio e puxei para ver minhas notificações no YouTube. A última vez que tinha visto eu tinha uns dez mil inscritos. Agora? Passava dos duzentos mil. Mas que porra? Em vinte e quatro horas? Minhas mãos tremeram quando atualizei o website só para confirmar que meus olhos não estavam me enganando. Não. Sem erro. Meu twitter estava igual e depois entrei para verificar meu blog. Eu tinha milhares e milhares de novos leitores. Como? Como esses novos leitores haviam me achado tão rápido? Entrei de novo no meu Twitter e procurei pelas minhas tags. O culpado pelo meu estrelato não foi difícil de achar. Uma foto em particular do desfile chamava a atenção, era uma foto em que estava parada no final da passarela com a mão no quadril e um sorriso nos lábios. Eu parecia mais sexy do que nunca, cheia de brilho e vestida, tenho certeza. Marc Jacobs tinha postado a foto do antes e depois em cada grande revista de moda

e

tinha

respondido

a

isso

com

#fashionworldsCinderella.

Aparentemente, alguém deve ter se ligado de que eu não era uma modelo de verdade, e pessoas de todos os lugares gostaram da minha história, tanto que a Vogue estava me oferecendo um trabalho. O barulho de que outro e-mail havia chegado me tirou dos meus pensamentos e meus olhos encararam o micro-ondas. Merda. Vou me atrasar. Fechei meu laptop e agarrei minha bolsa com as pernas tremendo. Não tive tempo de terminar de ler o e-mail de Elizabeth, mas eu já sabia que minha vida tinha mudado. Pedidos de entrevistas? Um possível trabalho no blog na Vogue?


Esse tinha sido meu sonho desde que me lembro. Eu queria ser uma blogger de moda e queria ganhar o bastante com o blog para não precisar trabalhar de zeladora a noite. Ainda não tinha processado todo o turbilhão de eventos na minha vida quando bati na porta do quarto de Julian quinze minutos depois. “Já vai!” Uma voz feminina falou do outro lado da porta. Deixei minha mão cair para o lado e encarei o número do quarto do hotel, completamente confusa. Por que tinha uma mulher atendendo a porta de Julian a menos de vinte e quatro horas de termos transado? Que Deus me ajude.


CAPITULO 40 Josephine A porta do quarto de hotel do Julian se abriu e fui recebida com um sorriso brilhante e um cabelo louro platinado enrolado em um coque elegante. A irmã de Julian estava parada do outro lado da porta e meu coração já não estava mais correndo o risco de saltar para fora do meu peito. Nossa, meus órgãos não aguentariam muito mais excitação no início da manhã. "Cinderela!” Ela sorriu, dando um passo à frente para bater no meu nariz como se estivesse com uma varinha mágica imaginaria. "Lorena, é tão bom ver você," disse quando a abracei antes de olhar de cima a baixo para obter uma boa olhada em sua roupa. Eu estava acostumada a vê-la em roupas casuais, mas agora que ela estava fora da reabilitação e de volta no mundo real, parecia muito mais glamorosa, com um lado ligeiramente boêmio. Seus braços estavam cobertos de pulseiras e tinha um colar dourado tribal que inspirava confiança caindo contra seu vestido branco simples. Seus saltos Valentino eram tão bonitos que tive que apertar minhas mãos para me impedir de abaixar e roubá-los dos seus pés. "É bom te ver também. Julian disse que vou trabalhar com vocês a partir de hoje?" Eu balancei minha cabeça. "Ele não falou, mas eu devia ter percebido que você iria." Falando no diabo...


Julian saiu do seu quarto com a barba recém feita, com cabelo molhado e um sorriso diabólico. Ele estava dando os últimos retoques na sua gravata vermelha e evocando memórias que desejei não estar pensando na frente da sua irmã. "Bom dia Jo," ele disse, chegando mais perto e se inclinando para beijar minha bochecha. Inalei seu perfume antes que ele se afastasse e deixando de lado a onda de desejo que veio com ele. "Ah, agora você beija bochecha, Julian? Quando se tornou um almofadinha europeu?" Lorena perguntou, olhando para frente e para trás entre nós. "Jo tem uma maneira de trazer para fora o cavalheiro em mim,” ele disse com um sorriso largo. Eu resmunguei. "Não acredite nisso, Lorena. Na semana passada, nós saímos para almoçar e ele quase deixou a porta do restaurante fechar em mim.” Julian levantou as mãos. "Não! Eu pensei que você tinha parado lá atrás para olhar revistas, então não pode me responsabilizar. Sem mencionar que a porta estava realmente pesada." Eu ri e balancei a cabeça. "Isto é o que vai ser trabalhar com vocês dois? Como é mesmo que você consegue fazer alguma coisa?" Ela questionou. "Geralmente nós instituímos um tempo de silêncio," Ofereci. "Não podemos falar até que tenhamos verificado pelo menos três itens em nossas listas de tarefas." Soou como uma piada, mas é verdade. Se Julian e eu estivéssemos no mesmo lugar, poderíamos nos distrair com fotos de cães e vídeos do YouTube o dia todo. Obviamente, as coisas mudariam agora que Lorena


estava de volta. Tínhamos que nos ajustar a uma terceira pessoa, e algo me dizia que Lorena não ligaria tanto para vídeos de gato dançando como Julian e eu fazíamos. Quando eu caminhava mais para dentro do quarto do hotel, vi que Lorena já tinha se acomodado no meu lugar normal, no sofá grande. O laptop de Julian estava em frente a ela, que significava que fui deixada com a mesa do hotel. Isto não foi uma coisa ruim — na verdade, as pessoas normais trabalham em mesas — foi só que sabia que não teria como espiar Julian como eu fazia o dia todo. As coisas já estavam mudando. Lorena tomou seu lugar no sofá e atirou-se para o trabalho. Seu entusiasmo era contagioso e sabia que ela esteve esperando meses para finalmente voltar para sua empresa. Tínhamos uma reunião com uma equipe de design a tarde e precisava terminar algumas coisas antes disso. Abri meu laptop e coloquei para fora a minha caneta, telefone e o bloco de notas em uma linha pura. A instalação não era tão confortável como o sofá, mas servia. Eu tinha uma vista do Central Park fora da janela. Claro, preferia minha visualização padrão do Julian, mas talvez a nova configuração ajudasse a minha produtividade. Meu computador estava ainda iniciando quando Julian colocou uma xícara de café quente na minha frente. Não tinha nem ouvido ele se aproximar, estive perdida na loucura da manhã. Estendi a mão para pegá-la e em seguida ele apertou meu ombro, um pequeno gesto de confiança. "Obrigada,” eu disse sobre o meu ombro. Ele me deu um sorriso e então voltou para seu lugar no sofá. Se Lorena percebeu a troca, não disse nada sobre isso.


"Jo! Você tem que me dar todos os detalhes sobre a noite de sábado. Esta manhã vi sua foto em todos os lugares! Você esta seriamente famosa agora,” disse Lorena, batendo as mãos na excitação. Olhei para Julian e ele sorriu. "Por favor, conte a ela sobre o desfile de moda ou nós nunca vamos ter qualquer trabalho feito hoje." Eu ri e comecei a lhe dei todos os detalhes suculentos do show. Afinal de contas, poderia lhe dizer a insanidade da primeira metade da minha noite sem incluir os detalhes do que aconteceu depois. Com o irmão dela neste quarto de hotel. Ela tinha me incomodado com perguntas, mas não me importei. Era no meio da manhã o momento em que Julian sugeriu que realmente começássemos a trabalhar, mas mesmo assim, tive que prometer dizer mais durante o almoço. Quando todos tínhamos nos acalmado para trabalhar, tive muitos pensamentos conflitantes rodando em torno da minha cabeça para realmente me concentrar. Eu mesma não conseguia decidir o que deveria ter prioridade: o fato que a Vogue tinha me mandado um e-mail sobre um emprego ou o fato de que queria pular em Julian naquele momento. Olhei por cima do meu ombro e dei uma espiada em Julian. Ele estava disparando em seu teclado com suas sobrancelhas sutilmente puxadas juntas, um sinal de concentração. Adorava vê-lo enquanto trabalhava. Ele clicou enter em tudo o que estava escrevendo, inclinou-se de volta para o sofá e pegou meu olhar. Um terremoto teria tomado conta da cadeira com esse olhar. Meu coração pulou no meu peito como um lento sorriso sedutor espalhado em seus lábios. O ar dos meus pulmões, a batida do meu coração, a capacidade básica de puxar meu olhar longe dele — eles estavam todos


sob seu controle. A conexão entre nós era mais forte que a força de vontade que eu poderia ter reunido. "Julian, qual é o site da empresa de arquitetura que estamos encontrando esta tarde?" Lorena perguntou, interrompendo

nosso

momento. Oh certo, talvez deva parar de olhar para fodido-Julian enquanto a irmã dele está por perto. Eu fechei os olhos, respirei fundo e voltei ao bom e velho Central Park. Concentre-se. Abra seu e-mail. Finja digitar algo. Pode ser bobagem, basta parar de ficar sentada como se estivesse congelada. Eu tinha conseguido ultrapassar metade de um e-mail quando Lorena levantou-se para ir ao banheiro alguns minutos depois. Meus dedos se congelaram nas teclas do meu computador enquanto processei que ela iria ficar fora por alguns minutos. Absolutamente não havia como eu deixar passar por mim a oportunidade. No segundo que a porta do banheiro se fechou, empurrei minha cadeira e corri para Julian o mais silenciosamente possível. Ele empurrou seu laptop de lado, levantou e estendeu a mão para meu rosto. Ele segurou meu rosto em suas mãos quando nossos lábios se encontraram. Aquele beijo. Aquele beijo foi um soco ao meu estômago. Aquele beijo foi Julian reivindicando minha alma. Estava na margem da insanidade, arrebatada pela sensação dele. Eu sinceramente estava convencida de que podíamos ter uma rapidinha enquanto Lorena estava no banheiro, e então ouvi a descarga do banheiro.


Julian e eu fomos separados como se tivéssemos sido pegos em flagrante. Meu coração martelando em meu peito... quando olhei de relance para o banheiro e depois voltei para Julian. Seu sorriso diabólico não ajudou. Eu ri e balancei minha cabeça, dando mais um passo de distância entre nós. Droga. Mataria a Lorena levar mais tempo no banheiro? Fique à vontade aí dentro. Leia um livro! "Vou pedir para ela buscar o almoço para nós,” disse Julian, correndo a mão no comprimento do meu braço antes de afastá-la e a colocar no bolso. Inclinei a cabeça. "Por quê?" "Porque eu quero 15 minutos sozinho com você antes da reunião com a empresa de arquitetura esta tarde," ele disse, se inclinando para roubar um último beijo antes da porta do banheiro se abrir. Tudo bem então. "Vocês estão bem?" Lorena perguntou com um tom cético. Quando ela

tinha

ido

ao

banheiro,

estávamos

sentados

e

trabalhando

tranquilamente. Agora, estávamos juntos no centro da sala, ofegantes, como se nós tivéssemos acabado de terminar um triatlon. "Sim," concordei. "Julian e eu estamos fazendo yoga no trabalho.” O que? Ela arqueou uma sobrancelha. "O que é isso?" Eu ri como se fosse louca, meu cérebro trabalhando horas extras para chegar a uma resposta. "Oh. Uh, você apenas pausa a cada hora e faz cinco minutos de alongamento.” Eu me virei para Julian. “Vá em frente, Julian, abaixe e mostre a posição do cachorrinho.”


CAPITULO 41 Josephine Olhei meu laptop aberto na minha frente, me perguntando como tinha conseguido sentar no balcão da cozinha por uma hora e não digitar uma única palavra. Tinha três posts para escrever para a semana que vem, uma passagem para comprar para Greyhound, um cheque gigante para depositar na minha conta e uma centena de e-mails para responder, um dos quais era da Vogue. Eu ainda tinha que dizer a Julian que estava indo para casa no Texas por alguns dias. Não que estivesse escondendo as coisas dele de propósito, só não tivemos um momento a sós para conversar, onde não estávamos atacando um ao outro. Desde sábado, eu tinha pedido após pedido de entrevistas de blogs e canais de notícias querendo informações privilegiadas sobre a ‘Cinderela da New York Fashion Week’. Foi tudo um pouco surreal, mas a cada dia que passava meus seguidores de mídia social continuavam a dobrar. Era para eu jantar com Julian na noite anterior, mas tive que cancelar de última hora para fazer uma entrevista com a revista People. Era só uma pequena matéria, não era a primeira página ou qualquer coisa, mas mesmo assim! Muito bem, não pude dizer não para a revista People. Sabia que a hora de tudo acontecer era terrível. Julian e eu tínhamos decidido finalmente dormir juntos, e no dia seguinte, a minha vida tinha explodido no caos. Peguei o meu telefone, sabendo que teria uma chance melhor de consertar tudo se mandasse uma mensagem para ele. Elaborei uma mensagem curta e doce e apertei 'enviar' antes que pudesse me distrair com outro e-mail da caixa de entrada. Ela estava atualmente com cerca


de 132 mensagens não lidas, tudo de pessoas importantes, todos competindo pela minha atenção. Josephine: Ei, meu pai está fazendo 60 anos na próxima semana, então tenho que ir ao Texas para comemorar com ele. Não será por muito tempo. Julian: O que? Quando você parte? Olhei no meu calendário pendurado na frente da minha geladeira. Josephine: Três dias. Como os dias tinham desaparecido de mim? Julian: Maneira de me avisar... Josephine: Você é louco? Julian: Não. Por que estaria? Só queria que seu pai morasse em Nova York. A imagem do meu pai vagando pelas ruas de Nova York era quase muito cômica para considerar. Josephine: Acredite você não o quer vivendo aqui. Julian: Quanto tempo ficará fora? Josephine: Só por alguns dias, mas vou trazer Lily comigo. Ela vai se mudar para o meu apartamento. Julian: Parece problema. Eu sorri. Com Lily morando comigo, com certeza estaríamos em apuros... Só esperava que fosse do tipo bom.


CAPITULO 42 Julian "Julian, como meu sapato ficou preso na lâmpada?" Josephine perguntou enquanto eu fechava minhas calças. Eu me virei para olhar por cima do meu ombro. Com certeza o salto alto de Josephine estava firmado entre a parede do iate do Dean e o abajur. Algumas polegadas para a esquerda e eu iria ter pego a lâmpada. "Acho que eu só estava arrancando coisas fora de você.” Expliquei. "Não tenho grandes objetivos quando você está sem camisa." Ela olhou para mim e então se inclinou para recuperar sua camisa do chão. Eu queria apenas jogá-la ao mar... Mas sabia que ela teria me matado. Mesmo assim, enquanto ela abotoava a blusa dela, aproveitei todas as oportunidades para me satisfazer com ela enquanto pudesse. "Eles são só seios, Julian," ela riu. "Você pode literalmente digitar ‘peitos' no Google e ver um meio milhão deles." Eu sorri. "Embora nenhum seja tão perfeito quanto o seu. Eu sei, tentei encontrá-los." Ela chegou a lançar uma das almofadas do Dean na minha cabeça e percebi que tinha subestimado sua capacidade quando ela bateu na lateral do meu rosto. "Oh meu Deus, sinto muito!" Disse, correndo em minha direção. "Era para você ter desviado." Eu ri. "Não doeu, Jo. É um travesseiro.” Ela segurou minhas mãos para que conseguisse dar uma boa olhada no lado do meu rosto e eu fiz a careta mais nojenta que poderia imaginar.


"Está tudo bem, certo?" Eu brinquei. Ela revirou os olhos. "Mesmo com cara de travesseiro, você ainda é o cara mais gostoso que conheço." Eu sorri. "É por isso que você me deixou entrar aqui?" Ambos tivemos à tarde de sábado livre e acabei com a brilhante ideia de entrar no iate do Dean para terminar o que começamos a semanas. Felizmente, eu sabia onde Dean escondia as chaves da cabine. Tínhamos decidido pular para a cama do barco; lavagem de chão não é o meu forte. Em vez disso, começamos na cabine e então fizemos o nosso caminho para o banheiro e além. O iate de Dean tinha sido batizado oficialmente. Ela soltou minhas mãos e voltou para recuperar as calças do chão. "Para ser honesta, tenho zero vontade de preocupar você," admitiu. Eu sorri. "Bom. Isso funciona a meu favor." Passamos alguns minutos limpando o iate e garantindo que o deixamos no mesmo estado que encontramos. Dean era um defensor da ordem. Cada pedaço de mobília tinha que ser em um local exato. Seu comportamento obsessivo estendia-se em todas as áreas da sua vida, que é provavelmente porque seus negócios foram tão bem sucedidos. "Sério, os armários aqui são rotulados," Jo gritou do banheiro. "Ele tem pequenas etiquetas que dizem 'Toalhas' e 'papel higiênico'." Eu ri. "Tenho pena da garota que acabar com ele," ela disse. "Imagina viver com ele?!" Tentei recordar de uma das namoradas de Dean. Havia estado com garotas em alguns encontros, mas não me lembro de uma única mulher


que conseguiu prender sua atenção ou conheceu seus padrões por mais de algumas semanas. "Não acho que ele planeje se estabelecer tão cedo, de qualquer maneira. Ele está muito ocupado tomando conta dos seus negócios.” Eu disse. Ela saiu do banheiro alguns minutos mais tarde, após declará-lo limpo. "E você?" Ela perguntou. "Se estou muito ocupado para sossegar?" Ela assentiu com a cabeça e me olhou atentamente. Sorri. "Eu ligo mais para desfrutar os prazeres. Você pode colocar as toalhas e papel higiênico onde quiser, contanto que continue fazendo aquilo com a língua." Ela se aproximou e me beijou. Estendi a mão para segurá-la contra mim para prolongar o beijo enquanto possível, mas ela foi mais rápida. "Por que eu não estou surpresa com essa resposta?" Perguntou. Dei de ombros e tentei me concentrar em assuntos mais urgentes, como meu estômago. "Estou morrendo de fome. Está com fome?" O sorriso dela foi abalado. "Eu tenho que ir para casa e fazer as malas.” "Malas para quê?" Eu perguntei, forçando uma atitude calma. Na realidade, parecia que alguém tinha me batido no estômago com toda força que podia. Ela cruzou os braços. "Vou para casa por uma semana para visitar meu pai, seu aniversário de 60 anos, lembra? Pare de me olhar desse jeito!"


Imediatamente mudei minha cara. O que? Estava franzindo a testa ou algo assim? "Já?" Perguntei, confuso por quão rápido o tempo tinha passado nos últimos dias. Ela assentiu com a cabeça. Outro soco em meu estômago, desta vez um pouco mais sobre sua marca. Puxei minhas mãos pelo meu cabelo, tentando me acalmar. Por que parece que ela ia embora para sempre? Talvez porque nos últimos sete dias ela dificilmente tinha tido tempo para mim. Parte da razão que tinha lhe roubado ao iate de Dean foi porque sabia que ela não seria capaz de ter sinal de celular na marina. "Parto amanhã.” O QUE? Acalme-se idiota. São apenas alguns dias. Não é nada. "Quem me dera que não partisse amanhã." Você deveria me acalmar antes de falar... Ela franziu as sobrancelhas e cruzou os braços mais apertados. Seus olhos verdes, geralmente claros e convidativos, foram me avisando para relaxar. "Peço desculpa,” disse, mas ela não parecia como se realmente sentisse. "Achei que não seria um problema." Merda. Merda. Merda. Eu estava fodendo tudo isso. Não era grande coisa. Eu pisei mais perto, estendendo as mãos para suas mãos, ela as manteve envolvidas em torno da cintura, até que as agarrei para fora e segurei firmemente.


"E se eu pedir comida e for para a sua casa para ajudá-la a fazer as malas?" Perguntei. Não me importava em parecer desesperado. Fiquei um pouco desesperado, e o que importava desde que Dean não estivesse por perto para me ouvir soar como um cara triste? Seu rosto suavizou. "Chinês?” Eu sorri. "O que quiser.” Ela assentiu com a cabeça. "Está bem, mas é sério, tenho que fazer as malas. Saio às 06:00 da manhã e ainda não imprimi o meu bilhete." Levantei minhas mãos como um sinal de inocência. Ela arqueou a sobrancelha e sorriu. Me conhecia melhor do que isso. "Tudo bem, vou ser sincero. Eu tinha planos de tirar vantagem de você quando estivesse induzida em uma névoa de comida chinesa, mas agora, prometo que vou manter minhas mãos para mim."


CAPITULO 43 O que Jo usava Post #1270: Bem-vindo! Comentários: 1.340 Likes: 23.009 Olá a todos os meus novos seguidores! Muitos de vocês me acharam no show Marc Jacobs, mas eu gostaria de convidá-los a relaxar e ficar mais um pouco. Espero que você descubra que meu blog está cheio de bons conselhos para a beleza por alguém obcecado em um orçamento. Você pode conferir meus últimos guias de beleza, lugares da moda e guias de estilo de cabelo na seção de arquivos do site. Quando terminarem com isso, postei um novo vídeo no YouTube destacando alguns dos meus batons líquidos caseiros favoritos. Sou uma grande fã de batons líquidos! Eles têm o mesmo efeito dramático de batom sem a sujeira. Sem mencionar que aprendi, por experiência própria, que resiste até as sessões de amasso mais quentes. Entretanto, falo mais sobre isso mais tarde. ;) Por enquanto, confira o meu vídeo abaixo. Até amanhã, XO JO --Josephine


Disse a mim mesma que não podia perder Julian enquanto estivesse no Texas, porque realmente não estamos namorando, mas meu cérebro não quis ouvir. Transamos onze vezes. (Doze se contar o tempo que ele me chupou no meu sofá. Que tinha sido uma experiência fora do corpo. Coordenação de boca-dedos era um dos seus fortes.) Em cima disso, ele me levou para fora para exatamente três iogurtes congelados e cinco refeições pré-coito. O que estávamos fazendo se não namorando? Recusei-me a pensar nisso como amigos com benefícios —tenho um vibrador para isso. Chama-se Larry e tem uma manutenção muito menor do que Julian. Eu estava nervosa sobre a minha viagem ao Texas, não só porque estava deixando as coisas com Julian um pouco no ar, mas também porque os últimos meses tinham sido apenas um punhado de dias que não nos víamos. Uma semana seria um novo teste — eu sabia que não passaria facilmente. Encarei o terminal de ônibus pela minha janela minúscula e desejei poder avançar sete dias à frente. Desejei que, em vez de sentada no ônibus esperando para iniciar a minha viagem ao Texas, já estivesse prestes a me encontrar com Julian para alguma reunião de sexo cheia de vapor. (Porque, duh, isso vai ser incrível). "Senhora, este lugar está ocupado?" Olhei por cima do ombro para encontrar uma mulher mais velha, usando um vestido amarelo e segurando um saco de tecido gigante que me lembrou das cortinas velhas da minha avó. Ela cheirava a fumaça de cigarro e o que só poderia assumir ser um fraco cheiro de xixi de gato. Ah não. Não, não, não, não. Isto não está acontecendo.


Olhei ao redor do ônibus para ver se havia lugares ainda vagos. Havia muitos, pelo menos, dez ou doze, mas ela quis se sentar bem ao meu lado. O que eu ia fazer? Mentir? Tinha dois dias de viagem de ônibus com ela. Ela claramente descobriria que menti, e então eu teria que sofrer com olhares de morte para o resto da viagem. Não, obrigada. Não queria ser encontrada morta ao lado de uma estrada. Assenti com a cabeça e sorri timidamente, garantindo que minha bolsa carryon³ estivesse entre minhas pernas para que ela tivesse muito espaço. Ela sentou ao meu lado e segurei minha respiração, imaginando quanto tempo poderia ir longe com a respiração pela boca. "Eu trouxe um sanduíche de atum para o almoço," ela disse. "Eles nunca param o suficiente e meu médico diz que tenho que ficar de olho no açúcar no sangue como um falcão.” Eu juro, meu olho se contorceu enquanto tentava me impedir de dizer algo obviamente rude em resposta. Ela não percebeu meu silêncio e manteve o direito a falar. Foram quinze minutos registrando as pessoas do ônibus e suas frases continuaram vindo. "Tenho problemas de hérnia de disco no meu pescoço, então eu gostaria de descansar minha cabeça na minha vizinha para que possa tirar uma soneca boa. Não se preocupe você pode fazer o mesmo comigo, não me importo." Incrível. "Se eu soltar gases enquanto estou dormindo só me empurre para acordar. Acho que deixei este sanduíche ficar fora um pouco demais de tempo esta manhã." Perfeito.


"Não se importa se eu tirar o braço do meio, certo? Meu cotovelo tem artrite." Ótimo. Eu só vou me enfiar contra o vidro e rezar pela morte. Com cada palavra que passava, eu deslizava para baixo, mais baixo e mais baixo na minha cadeira. Eu tinha andado na passarela do NYFW uma semana antes e ainda não posso pagar um bilhete de avião para casa. Em vez disso, teria que gastar 46 horas ao lado deste saco de ossos enquanto ela peida na minha cara? Como isso se tornou minha vida!? Não me dei outro segundo para me sentir em auto piedade. Arranquei o meu laptop, conectado ao wi-fi do Greyhound (graças a Deus por isso) e puxei para cima o e-mail da ‘Vogue’ — o e-mail que eu tinha evitado a semana passada. Sabia que Elizabeth estava à espera da minha resposta e tinha elaborado uma imediatamente. Eu ,na verdade, tinha elaborado quinze, só não pensei que elas eram boas o suficiente para serem enviadas ainda. Reli a primeira parte do e-mail e, em seguida, verifiquei através dos artigos que ela tinha solicitado para enviar: currículo, carta de apresentação e um portfólio repleto dos meus melhores posts do blog, fotos do Instagram e posts no Twitter. Eles queriam a prova de que eu poderia criar conteúdo novo e interessante para seus leitores, então também tive que incluir uma breve apresentação do que poderia oferecer à equipe Vogue e como seria diferente de outros candidatos. Apesar de tudo, não parecia tão ruim. Anotei uma lista de coisas para fazer durante a viagem de ônibus, rezar que meu laptop ficasse carregado tempo suficiente para terminar. Então, fiz a varredura para baixo do e-mail e congelei quando avistei duas palavras: Assinatura.


Bônus. Meu estômago caiu. MS. Keller, eu também gostaria de informar que você receberá um bônus de assinatura único. Isto não é um protocolo padrão, mas nossa equipe de mídia social realmente está de olho em você e nós viemos com um número que esperamos adequadamente refletir nosso interesse. Olhei para a soma listada na parte inferior do e-mail, contando os zeros, três ou quatro vezes antes que decidisse que eles estavam realmente lá. O bônus de assinatura que ela tinha listado foi mais dinheiro do que tinha em minha conta bancária de uma só vez. Era mais dinheiro do que eu esperava guardar nos próximos cinco anos. Poderia cobrir o resto do meu empréstimo de estudante e em seguida, me deixar com alguns mil de sobra. Mais importante, era muito dinheiro para ignorar. Quando o ônibus Greyhound afastou-se do terminal, comecei digitando sobre os itens que Elizabeth tinha solicitado. Quando eu tinha anexado a minha carta de apresentação, o horizonte da cidade já estava longe e estávamos a caminho do Texas. Heehaw6.

6

Uma imitação ou representação do barulho de um burro


CAPITULO 44 Julian Dean e eu tínhamos uma reunião no almoço programada no dia que Jo partiu para o Texas. Queria ligar e cancelar, mas depois percebi que seria uma distração bem-vinda. Ele e eu poderíamos falar sobre negócios, e eu podia fingir que não estava tendo recaídas por Jo em menos de doze horas depois que ela tinha ido embora. A apresentação que ele me mostrou levou cinco minutos. Ele estava abrindo um novo restaurante servindo produtos de alta qualidade, blá, blá, blá. Boa comida e tudo que Dean toca parece se transformar em ouro. Ele me mostrou os números dos seus restaurantes anteriores (que eram ridículos para a indústria alimentar) e lhe dei um cheque. Eu tinha ido o suficiente aos restaurantes de Dean para confiar em seu julgamento. O homem era um feiticeiro de restaurante e fiquei feliz em investir em sua próxima aventura. Ergui meu copo meio vazio de Bourbon. "Você está prestes a se tornar um bastardo rico de meia idade." Ele riu e brindou junto comigo. "Saúde. Estou ansioso para fazer negócios com você." Reclinei na minha cadeira e olhei para a TV acima do bar do restaurante. Os playoffs da NBA estavam em pleno andamento, mas eu tinha perdido a maioria dos jogos até agora, graças à incrível capacidade de Jo para me distrair. Sinceramente, quando ela tirou a blusa, foi um longo jogo, literalmente. "Onde está sua namorada?" Dean perguntou com um sorriso.


Olhei para longe da TV. "Minha o quê?” Ele balançou a cabeça. "Josephine.” Não queria que ele falasse sobre ela. Mal se passaram doze horas sem ela. Quantas mais me restavam? Mais de cem. Porra. "Ela está no Texas." Ele endireitou a gravata, desabotoou seu paletó e então relaxou para imitar a minha pose. Ele foi um garoto surfista na faculdade, então ainda me sentia estranho ao vê-lo vestindo terno todos os dias. Seu cabelo loiro era cortado curto agora, mas antigamente ele os deixava cair pela testa. As meninas na faculdade corriam a ele como se ele fosse sua força vital. Chato desgraçado. "Eu assumo pela sua atitude de merda que as coisas não vão bem com Sra. Keller?" Ele perguntou com um sorriso. Lá estavam elas novamente: memórias de Jo e eu transando no meu hotel. Pensei no sexo que Jo e eu tivemos depois que ela tinha acabado de fazer as malas. Eu sei. Sou um bastardo. Tinha prometido a ela que ia guardar minhas mãos para mim, mas depois que ela chupou um macarrão através dos seus lábios- venha me foder - eu era um caso perdido. Ela montou em mim no chão e quase engasguei com meu rolo de ovo. E isso não é um eufemismo. Eu podia sentir o sorriso de comedor de merda se espalhar em meu rosto. "As coisas estão indo muito bem." "Então, você está namorando?" Namorando? Meu sorriso foi abalado. Era como se ele tivesse me perguntado se eu acreditava na vida após a morte. Namorando? Jo e eu não falamos sobre isso.


Por que não falamos sobre isso? Definitivamente estávamos namorando. Certo? Adultos oficializam como o que mais? Como uma cobra rastejante, lenta, a dúvida começou a afundar. Ela tinha sido realmente tranquila na noite anterior e parecia ter muito em que pensar. Ela quase não tinha me dado nenhum aviso sobre o Texas e nunca tinha me dado um dia definitivo de quando estaria voltando... "Eu acho.” Respondi. Ele inclinou sua cabeça e arqueou uma sobrancelha. "Você acha? Isso não é realmente uma opção. É sim ou não. Especialmente para as mulheres." "Oh, realmente? Quando foi a última vez que você realmente saiu com uma mulher? O que o faz a autoridade sobre o assunto?" Sim. Ele estava certo sobre a minha atitude de merda. Todas, mas eu estava gritando com ele. Ele sorriu e tomou um gole da sua bebida. "Deixo o namoro para pobres coitados como você." Ele apontou do outro lado da mesa para mim. "Mesmo assim, sei que até que os dois o discutam, tudo o que você está fazendo não é uma coisa real. Ela provavelmente acha que você vai sair pela cidade em pleno jogo." Eu balancei minha cabeça e ri. "De jeito nenhum.” Olhei para a TV e tomei mais um gole da minha bebida, fingindo assistir os clipes da noite anterior. A tela ficou nebulosa quando percebi que não tinha absolutamente nenhum indício do que Jo estava pensando. Ela achou que isso era apenas uma aventura? Ela realmente achou que eu estava dormindo por aí? Quando eu teria tempo para isso? Estava com ela todos os dias, todos os dias.


"Aposto que você não sabia que estava vindo para um almoço de negócios e uma sessão de terapia,” disse Dean, tentando alegrar o ambiente. Resmunguei. Ele tinha acabado de jogar uma bomba em mim e eu não tinha ideia como limpar a bagunça. Eu precisava falar com Jo.


CAPITULO 45 Josephine Meu computador tinha 2% de bateria quando finalmente deixei anexados todos os documentos no e-mail para Elizabeth. Bati no meu teclado

impacientemente,

assistindo

a

barra

de

carregamento

se

enchendo à medida que os arquivos eram carregados. Vamos lá Greyhound wi-fi, não falhe comigo agora. Minha bateria atingiu 1% e praticamente gritei com frenesi. Já passou uma semana desde que Elizabeth me mandou o primeiro e-mail. Provavelmente, ela tinha dado o trabalho à outra pessoa. Não podia ficar mais um dia sem responder a ela, e provavelmente não seria capaz de carregar meu computador novamente até chegar ao Texas no dia seguinte. Meu olhar ia para frente e para trás entre a porcentagem da bateria e a barra de carregamento então rezei para a bateria aguentar só mais um pouquinho. Bem quando o documento final terminou de carregar, bati enviar no e-mail e vi a tela do meu computador ficar preta. Morto. Bem no meio do envio do e-mail. "Foda-se!" Gritei, batendo repetidamente o botão ligar, exigindo que o computador magicamente voltasse à vida. "Com muito prazer!" Alguém falou da parte de trás do ônibus. Virei para Gladys e a sacudi acordando. Como a mulher ainda estava viva depois de todo aquele ronco eu não entendia. Ela piscou os olhos abertos e olhei de relance. "Você tem um celular que pudesse usar para verificar meu e-mail?" Perguntei com um sorriso amável. Meu telefone de merda não conecta a internet, porque não podia gastar tanto em um telefone, quando quase


não podia pagar meu aluguel. Claro, nesse momento desejei que tivesse brotado um maldito Iphone. Ela balançou a cabeça. "Nunca fui para aquelas caixas de câncer. Você não pode ser muito cuidadoso com sua saúde," ela disse enquanto cravou a mão em um saco cheio de Cheetos. Olhei para ela por um momento e, em seguida, tive o impulso irresistível de gritar. Estava doze horas presa em um ônibus e ainda tinha outras vinte e quatro para passar. Meu pescoço doía, meu traseiro estava dormente e meu estômago estava roncando como um leão faminto, desde que eu não tinha saído do ônibus para o jantar, então eu poderia terminar o e-mail para Vogue. "Tudo bem, obrigada de qualquer forma," Eu disse, voltando para o meu computador e o fechando. O que aconteceu, aconteceu. Não havia mais nada que pudesse fazer enquanto estivesse presa naquele ônibus. Virei para a ampla janela pressionando o lado da minha cabeça contra ela. O sol tinha se posto há pouco tempo, mas o crepúsculo ainda iluminava a paisagem monótona. Assisti as cidades passarem por mim enquanto tentei encontrar o lado positivo do meu dia. Estaria em casa logo, e em casa quis dizer, conseguindo ver Lily. Sabia que me sentiria melhor se apenas pudesse entrar em contato com Julian. Puxei meu telefone fora do bolso da frente da minha bolsa e olhei para a falta de barras no canto superior esquerdo da tela. Nada. Nada. Onde quer que estivéssemos, não havia nenhum sinal de celular. O sinal do celular não significava que não podia falar com Julian. Em vez de mensagens de texto, imaginei o que ele provavelmente estava fazendo em Nova York. Domingo, o que significava que ele tinha ido a uma corrida da manhã, talvez depois parasse em algum lugar para o café. Imaginei a atenção que ele provavelmente recebia das mulheres


diariamente. Um cara bonito como ele comer sozinho em uma loja de café? Basta lhe entregar um filhote de cachorrinho adorável e chamá-lo um dia. O homem era um bom partido. Só podia imaginar uma mulher sentando para um bate-papo com ele, admirando suas covinhas da mesma maneira que fiz todas as manhãs. Que pensariam que eles tinham marcado o grande momento; não, há muitos homens mais atraentes que Julian. Mas então ele abriria a boca e as faria rir e elas se encontrariam hipnotizadas por ele, como eu tinha sido nos últimos meses. Fechei os olhos. Bem feito, Jo. Você deveria imaginar coisas esperançosas. Em vez disso, você imaginou Julian num encontro com outra mulher. Cruzei meus braços, mantendo os olhos fechados e tentei me distrair com ideias para o meu blog. Não funcionou. Com uma hora na primeira etapa da minha viagem de ônibus, Gladys puxou seu sanduíche de atum e eu contemplava verdadeiramente como seria me lançar para fora da janela de um ônibus em movimento. Ali estava minha fresta de esperança.


CAPITULO 46 Julian "Você ligou para Josephine Keller. Desculpe, não posso falar ao telefone. Deixe uma mensagem após o sinal.” desliguei e joguei meu telefone no sofá. Estou ficando louco. Nunca fui louco por uma mulher, e lá estava eu, na idade madura de trinta e um, finalmente tendo minha bunda entregue a Josephine Ann Keller. Sabia que estava ficando louco porque é a única desculpa que tinha para chamar Josephine dez vezes nas últimas três horas. Eu já tinha deixado duas mensagens de voz. A primeira foi calma e normal. A outra? Eu tinha certeza que tinha soado um pouco fora do meu juízo. Deixei o almoço com Dean sentindo que o chão tinha sido arrancado debaixo de mim. Pensei que Jo e eu estávamos na mesma página. Sabia que ela era louca por mim, mas agora, de repente, precisava ouvi-la dizer isso e queria dizê-lo de volta. Precisava dizer que a amava e queria um relacionamento sério. Como tinha sorte, Dean foi dar sentido em mim durante um dia que Josephine estava fora, no meio do Texas e, portanto, incomunicável. Eles têm serviço de celular no Texas? Meu telefone vibrou no sofá e corri para ele. O nome da Lorena brilhou em toda a tela e resisti ao impulso de gemer. "Ei Lorena." "Bom dia para você também, luz do sol. Que tal um pouco de emoção quando sua irmã mais nova chama você?" Forcei um sorriso, mesmo que ela não pudesse vê-lo. "Estou animado que você está me chamando. Que se passa?"


"Tenho algo importante para lhe perguntar." Eu afundei para baixo no sofá. "O quê é?” "O que diria se te pedisse para permanecer na minha empresa e assumisse como CEO oficial?" "Mas...” "Escute-me primeiro. Você já possui quase metade da empresa e é muito melhor no lado comercial das coisas que eu. Devia ter pedido sua ajuda anos atrás, mas estava muito orgulhosa." "Tem certeza?" Ela riu. "Acredite em mim, não vai ser fácil trabalhar com sua irmã caçula todos os dias, mas prometo te dar muito espaço." Inclinei a cabeça para trás e olhei para o teto. Alguns meses atrás, quando tinha recebido a mensagem que Lorena precisava de mim para intervir e ajudar sua empresa, estava menos interessado em entrar no mundo da moda. Não era minha casa, mas tinha gostado do meu tempo em Nova York, mais do que pensava que iria. Eu gostei de ajudá-la a encontrar um novo espaço de escritório e entrevistar os escritórios de arquitetura. Gostei de ajudá-la a reconstruir sua empresa a partir do zero. Obviamente, acima de tudo, gostei de trabalhar ao lado de Josephine. O que me fez considerar a ideia de que se Lorena ainda precisava de mim, que ela ainda precisaria de Josephine também? "E quanto a Jo?" Ela cantarolou, refletindo sobre a minha pergunta. "Eu amo a Jo e acho que ela realmente tem sido de grande valor ao longo dos últimos meses." "Então você vai ficar com ela?" Falei.


"Sim, se ela quiser continuar a trabalhar para mim. Ela realmente explodiu desde aquele desfile na semana passada. Mesmo se a pagar apenas para vestir meus desenhos, seria muito bom para a marca." "Para que outra posição está pensando em contratar outras pessoas?" Eu perguntei. "Idealmente, gostaria de encontrar dois bons estagiários e um designer assistente. Obviamente, preciso realmente vetar todos os candidatos, mas se espero criar uma nova linha para a próxima temporada preciso de mais mão de obra." "Sim, eu concordo." "Podemos começar a abordar isso na segunda-feira. Eu só queria te ligar e ter a sua opinião sobre ficar enquanto crio coragem o suficiente para fazer." Eu ri. "Acha que você vai ter saudades de viver em Boston?" Ela perguntou. Estreitei meus olhos enquanto pensava sobre sua pergunta. "Foi muito bom ter alguma distância da mãe." Ela riu. "Sim, eu aposto. Recebeu o convite para jantar amanhã à noite?" Minha mãe tinha nos enviado dois convites formais para um jantar em família. O cartão tinha uma polegada de espessura e em alto-relevo, com o brasão da família. Foi tudo muito pretensioso para mim, mas se ele fez minha mãe feliz em cortar árvores para jantares, então tanto faz. "Sim e tenho que ir, ou vou parecer um idiota." "Você é o filho pródigo que finalmente está de volta à Nova York! Ela provavelmente vai desfilar uma linha de fêmeas férteis para a seleção."


Eu me encolhi. "Você faz parecer como se ela fosse dona de um bordel." Ela riu. "Sim, acho que tem razão. Isso é muito nojento." "Você sabe que, entretanto, fiquei surpreso que ela foi te visitar na reabilitação." Ela tinha tomado coragem com minha mãe de encarar a música. Ela sempre viveu em eterna fantasia de que a única coisa que poderia dar errado era que iria chegar cinco minutos após uma venda da Bergdorf7 terminar. "Sim. Eu sei. Ela também chamou e me verificou todos os dias desde então. Realmente não acho que ela esta vindo por aí. Precisamos ir ao jantar de amanhã." Eu gemi. "Bem. Vou começar a engomar meu terno de três peças agora." "Esse é o espírito!" --Na manhã seguinte, Josephine ainda não tinha me ligado de volta. Dez chamadas, duas mensagens de voz e ainda não me ligou. Ela também estava me evitando ou foi sequestrada no meio do Texas. Eu segurava meu telefone e resisti ao impulso de chamá-la pela décima primeira vez. Em vez disso, coloquei minha roupa de treino e corri a longa trilha ao redor do Central Park. Exercício sempre limpou minha cabeça e pensei que quando acabasse, Jo teria finalmente chamado. Deixei meu telefone no sofá do hotel e fui para a trilha.

7

Bergdorf – Loja de departamento luxuosa nos Estados Unidos.


Enquanto corria, pensei no que faria se me mudasse para Nova York em tempo integral. Ajudar Dean com seu novo restaurante não ocuparia todo o meu tempo, quase nenhum, na verdade, considerando que ele tinha uma equipe criada em torno dele para fazer a maior parte do trabalho de campo. Ele só precisava de mim como um investidor, o que significava que eu teria muito tempo em minhas mãos. Definitivamente queria continuar com Lorena. Gostei de trabalhar com a família e tinha boas ideias sobre como tornar seu negócio lucrativo. Eu poderia encontrar um novo lugar para viver perto da sua loja nova e começar realmente a estabelecer raízes na cidade. Quando finalmente cheguei ao meu quarto do hotel, meus pulmões estavam queimando e minhas pernas estavam ameaçando a desistir. Tirei minha camiseta fora e caminhei direto para o meu telefone. Não havia nenhuma chamada de Jo, mas tinha uma mensagem de voz esperando por mim de um número desconhecido. Carreguei no play sobre o correio de voz, tirando meus sapatos e me dirigindo para o chuveiro. "Olá Sr. Lefray. Aqui quem fala é Elizabeth Hope das mídias sociais na Vogue. Só tenho algumas perguntas pertinentes a sua experiência de trabalho com Josephine Keller, já que estamos considerando ela para uma posição em nossos escritórios da Vogue. Pode me chamar de volta o mais cedo possível? Obrigada." Que porra é essa? Eu repassei a mensagem duas vezes, tentando entender se tinha ouvido certo. Jo se candidatou para uma posição na Vogue? Ela queria deixar Lorena Lefray Designs?


Eu olhava para baixo no meu telefone e rolava para o nome Josephine na minha lista de contatos. Sabia que, se a chamasse, ela não responderia; já tinha tentado entrar em contato com ela de todas as formas que sabia. Dúvida estabeleceu no meu estômago como uma pedra pesada. Foda-se. Dean tinha razão. Devia ter dito a Jo que a queria desde o início. Não assumir que ela pudesse ler minha mente. Se estivéssemos juntos, juntos de verdade, não teria que me preocupar se ela estava ficando com medo e se afastando, procurando emprego em outro lugar e indo para o Texas para colocar alguma distância entre nós. Eu precisava ligar para Elizabeth, mas me dei um tempo para processar a mensagem dela primeiro. Entrei no chuveiro e a água correu até que fosse quente como o inferno, mergulhando minha cabeça debaixo dela e fechando meus olhos. Eu poderia contar o número de vezes em minha vida que me senti fora de controle: 1. Quando Jimmy Sanders derrubou meu cachorro-quente no chão da escola primária e também fui covarde para me defender sozinho. 2. Logo antes que pulei fora do avião à primeira vez que fui saltar de paraquedas. 3. Quando tive uma noitada com uma mulher que apareceu em minha casa no dia seguinte com uma mala a tiracolo. Ela pensava que estava se mudando. Depois de uma noite juntos. 4. Porra, e agora. Era para eu sair do chuveiro, colocar meu terno, ir ao jantar da minha mãe e sentar à mesa em frente dela enquanto ela divagava sobre uma coisa que não poderia me importar menos. Entretanto, a primeira mulher

que

verdadeiramente

viria

a

amar

estava

no

Texas,

completamente fora do alcance do telefone celular e completamente inconsciente dos meus sentimentos por ela.


Desligo a água, enrolo na minha cintura uma toalha, limpo o nevoeiro do espelho e encaro meu reflexo bom e forte. Meus olhos me olham de volta, me desafiando. É isso. Ela não sabe o quão sério você está sobre o relacionamento e não sabe quão valiosa é para a empresa. Você quer crescer, vá buscá-la, ou quer se arrepender para o resto da sua vida. Quando saí do banheiro, estava pronto para ligar para Elizabeth. Ou seja, logo depois liguei para minha irmã. Disquei o número dela e em seguida, puxei minha mala do armário do hotel. "Ei, eu não posso falar agora," respondeu com uma voz frenética. "Estou lutando para me preparar para o jantar. Voltei ao meu apartamento." "Tudo bem. Eu só estou ligando para avisar que não estarei no jantar. Diga à mãe que vou compensá-la." Puxei, abrindo minhas gavetas da cômoda, alcançado alguns pares de cuecas boxer e meias. "O que? Não! Por que diabo vai cancelar de última hora?" Coloquei meus tênis de corrida em minha mala, me endireitei e respondi. "Porque estou indo para o Texas."


CAPITULO 47 Josephine O tempo que pisei fora do último ônibus, me senti como uma girafa bebê aprendendo a andar pela primeira vez. Meus joelhos estavam vacilantes e meus pés tinham perdido todo o sentimento nas últimas 20 horas da minha viagem de 36 horas. Eu precisava carregar meu telefone e verificar meu e-mail, mas primeiro precisava recuperar minha mala da pilha crescente ao lado do ônibus. tinha perdido a Gladys em algum lugar ao redor de Lubbock, mas não se preocupe, ela me deixou instruções claras para encontrá-la no ‘Anuário internet’. Tinha garantido a ela que iria encontrá-la no Facebook e seguimos caminhos diferentes. Para as próximas horas gloriosas, tive dois lugares só para mim. Eu tinha esticado e olhado para fora para um monte de Texas, imaginando o que Julian pensaria em todo este espaço aberto. Nova York pode ser esmagadora; a selva de concreto parece nunca acabar. Estava começando a pensar que uma semana no Texas iria me fazer bem. "Oh meu Deus. Meu Deus. Oh meu Deus!" Virei em direção à voz gritando bem na hora de pegar minha melhor amiga quando ela atracou em mim seu peso do corpo inteiro. Lily envolveu seus braços em volta do meu pescoço e suas pernas ao redor da minha cintura, quase me derrubando. Eu recuei e peguei meu equilíbrio, mas ela ainda se agarrava com sua força total. "Você é como um esquilo voador." Ri. Ela soltou o braço em volta do meu pescoço e recuou, agitando seus braços.


"Não acredito que você está aqui agora," disse, sorrindo de orelha a orelha. Dando uma boa olhada nela me fez querer chorar. tinha sentido tanto a falta dela nos últimos meses — especialmente nos últimos dias — e agora lá estava ela, diante de mim em toda a sua glória. Lily tinha sido claramente exposta ao sol do Texas. Um punhado de sardas surgiu ao longo da ponte do seu nariz e bochechas bronzeadas. Seu cabelo louro estava listado com destaques de mel. Considerando que eu era alta e magra, (daí porque Marc Jacobs tinha me levado para cima da passarela), Lily tinha sido adorável crescendo. Sempre invejei o rosto em forma de coração e lábios carnudos. Na nossa cidade pequena os garotos nunca tinham certeza Do que fazer com minha altura, mas Lily sempre foi o centro do coração de cada adolescente. "Você entende como estou feliz de ver você?" Perguntou. "Esta cidade está lentamente esmagando a minha alma." Ri e entreguei minha mochila para que pudesse pegar a minha mala do topo da pilha perto do ônibus. "Tenho certeza de que não é tão ruim assim," contestei, embora soubesse que ela realmente não estava exagerando. Ela me atirou um olhar aguçado. Eu ri e me arrastei atrás dela para o estacionamento. Seu carro velho e batido estava estacionado na última linha, apoiado no ponto, no caso de não ligar e ser necessário ser guinchado. Nossos anos no colégio e faculdade tinham sido marcados pelas contínuas falhas por parte do seu carro antigo. Mesmo assim, fiquei feliz em vê-lo. Joguei minha bagagem na parte de trás e deslizei no banco do passageiro. Ainda cheirava o purificador de ar que ela pendurava no retrovisor e o estofado descascado grudou na minha pele quando me sentei.


"Foi a mais longa viagem de ônibus da minha vida,” disse, quando ela saiu do estacionamento para a estrada de cascalho. "Bem, pelo menos você me terá ao seu lado no caminho de volta." Eu sorri. "Nós teremos que encontrar alguém para nos levar embora. Estou vendendo esse bad boy amanhã à tarde." Olhei para trás. "O que? Realmente?" Ela deslizou as mãos do outro lado do volante e assentiu com a cabeça. "Sim. Só vou ganhar algumas centenas de dólares por ele, mas é melhor do que nada." Franzi a testa e olhei ao redor do carro. O painel estava rachado e descascando perto dos cantos. Os números no rádio tinham lascado há anos e o CD player nunca tinha funcionado. O pano cobrindo o teto havia perdido a cor há um tempo e tinha baixado em algumas partes. Mesmo assim, tinha beijado meu primeiro menino na traseira deste carro. Lily e eu tínhamos fugido do colégio usando esta lata velha como o veículo de fuga. "Estou triste em ver esta banheira velha ir,” admiti. Ela resmungou. "Pelo menos uma de nós. Não posso esperar para me livrar disso." "Obrigada por me pegar. Eu estava com medo de que não iria aparecer desde que não podia ligar e lembrá-la." Ela virou para fora da rodovia e para uma estrada de terra em direção a nossa pequena cidade. Ainda tínhamos milhas a percorrer antes de estarmos em casa. "Sim, eu tentei te ligar hoje de manhã, mas achei que não tinha sinal." Balançou a cabeça.


"Estou supondo que você tem que jantar com sua família hoje?" Ela perguntou. Balancei a cabeça. "Sim. Hoje é aniversário do meu pai, então não posso perder isso. Eu vou ajudar minha mãe com o bolo e outras coisas." Os olhos dela se iluminaram. "Apenas juntei um monte de receitas de bolo para o meu blog. Você deve testar uma delas." Eu sorri. A típica Lily. "Tenho certeza que minha mãe vai fazer um bolo de caixa. Nós não somos chiques como você." Ela encolheu. "Por que as pessoas têm tão pouca criatividade na cozinha?" Estendi a mão e agarrei o ombro dela. "Não tenha medo, Lil. Em breve você estará em New York City e haverá restaurantes loucos em abundância. Você vai ter tantos restaurantes para visitar para o seu blog que não saberá nem por onde começar." Ela sorriu. "Se ao menos eu pudesse me dar ao luxo de comer em um deles." Deixei minha mão cair no console do carro e olhei pela janela da frente. Éramos duas putas falidas, mas não seria o caso para sempre. Lily era tão talentosa e sabia sobre comida. Ela tinha ido à escola de culinária em vez de uma faculdade padrão. Ela não queria ser uma chef. Ela queria ser umA críticA de restaurante para as massas, uma versão confiável do Yelp8 com leitura fácil e opiniões postadas semanalmente com fotos e dicas interessantes. "Nós vamos descobrir," prometi, oferecendo-lhe um sorriso. Até o momento que ela parou seu carro na garagem para me deixar, estava totalmente confusa sobre o que deveria fazer a respeito da posição da Vogue. Uma parte de mim não queria contar a Lily até que 8

Yelp – site que permite fazer avaliação de serviços de restaurantes, lojas, bares, etc.


fosse uma coisa segura. Já estaria chateada o bastante se não conseguisse, talvez fosse melhor se não espalhasse a má notícia ao redor. "Liga-me amanhã e iremos ver os planos para Nova York," ela disse quando me inclinei para fechar a porta do lado do passageiro. "Parece bom. Obrigada pela carona!" Ela saiu da garagem e voltei para a casa. Nada mudou nos meses que tinha estado fora. Minha mãe ainda tinha rosas em frente nos canteiros de flores e o meu pai estava alguns dias atrasados para cortar a grama, como de costume. Eu sorri e fui para a porta da frente, assim, quando se abriu e minha mãe apareceu. Ela limpou as mãos no seu avental e saiu para a varanda. Deus, nós éramos tão parecidas. Seu cabelo castanho estava curto e sem corte e ela estava usando um vestido de verão que foi um marco familiar da minha infância. Seu rosto estava livre de maquiagem, como de costume, mas ela não precisava. Seus olhos verdes eram destacados com cílios escuros, como os meus, e o sorriso dela era contagioso o suficiente para não precisar de qualquer batom. "Minha Josie," ela sorriu, me puxando para um abraço apertado. Inalei o cheiro dela e envolvi meus braços ao seu redor, a deixando me envolver num abraço tão necessário. "Oi mãe," disse, quando ela me lançou para segurar meus ombros obtendo uma boa olhada em mim. O sorriso dela foi abalado. "Você está comendo lá em Nova York? Você está muito magra, querida." Eu resisti ao impulso de virar meus olhos. "Prometo que vou comer mais. Só ando por todo o lado."


Ela mordeu os lábios, não tenho certeza se queria confiar na minha resposta ou não. Tenho certeza que quando a deixar na sexta-feira terei uma baciada de comida para levar comigo, ‘apenas no caso de...’ "Cadê o papai?" Perguntei, largando minhas malas no hall de entrada e entrando mais para dentro de casa. Meu pai ergueu a cabeça sobre a poltrona de couro na sala de estar, balançando o controle remoto na saudação. "Ei, querida!" Eu sorri e inclinei sobre a cadeira para lhe dar um abraço. "Feliz aniversário, pai." "Oh, obrigado. Não é todo dia que seu velho faz quarenta anos." Eu ri e beijei sua bochecha. "Se é isso que você diz papai.” "Vamos, Josephine. Você pode me ajudar com o jantar enquanto seu pai termina de assistir o golfe." Quando ela se virou, fiz um movimento de engasgos em direção ao meu pai. Ele riu e balançou a cabeça. "Vá ajudá-la. Ela sente falta de você, sabia.” "Sim, sim.” Eu deixei minha bagagem no corredor e segui minha mãe na cozinha. "Aposto que você não fez muitas refeições caseiras em Nova York,” disse, me entregando um avental extra que estava na parte de trás da porta da despensa. Nossa cozinha não tinha mudado nada nos últimos vinte anos. Papel de parede floral ainda cobria as paredes. Armários de madeira escura acima de bancadas desgastadas pelo tempo. A geladeira ainda estava coberta com desenhos e fotos minhas de quando era mais jovem. Eu sorri para a vista.


"Na verdade, preparei espaguete para um amigo na semana passada." Julian tinha se queixado que o macarrão tinha ficado tão al dente que quebrou um dente, então o joguei fora e fomos comer comida chinesa. Mas, tecnicamente, eu cozinhei. "Ah, então você está encontrando amigos? Já ouvi que pode ser muito difícil conhecer as pessoas lá em cima." Ela me passou o moedor de pimenta e, juntas, adicionamos sal e pimenta para o prato de frango que estava prestes a ir para o forno. Cenouras, ervilhas e cebolas foram colocadas em torno da galinha dentro da caçarola. Minha boca já estava molhada. "Sim. Tenho alguns amigos.” "Onde você os encontrou?” Perguntou ela, olhando para cima, para mim, sobre o frango. "Trabalho,” respondi, soltando o moedor de pimenta de volta no balcão. Ela começou a trabalhar cortando feijão verde e fiquei ao lado, tentando ficar fora do caminho dela. "E eles são pessoas boas?" Eu ri. "Pelo que eu vi até agora." Ela mordeu os lábios. "Bem. Só quero que tenha cuidado. Não se varra fora de seus pés por um cara. Você precisa se concentrar no que é importante." Rolei meus olhos quando ela se virou para jogar o feijão verde em uma panela grande para ferver, decidindo que era melhor ficar em silêncio. Ela cantarolava quando acrescentou especiarias para o feijão verde e se sentou em um dos bancos do bar.


"Você se lembra de Sonya Foster?” Perguntou, olhando por cima do ombro para mim. Eu arqueei uma sobrancelha. "Ela era da minha turma. Por quê?" Ela se virou de volta e deu de ombros. "Ela realmente fez algo nesse pequeno salão no centro da cidade. As pessoas viajam de todo o lado para cortar o cabelo com ela. Os pais dela estavam se gabando durante o jantar na noite passada." Ela acenou com a colher no ar e falava sem parar. "Eu acho que é ótimo que ela trouxe algo assim para a nossa comunidade." Agarrei as bordas do meu banco. "Você mencionou minha carreira no jantar?" Ela virou-se para alcançar o sal e encontrou meus olhos por um momento. Pena queimando atrás do seu olhar, à vista. "Seu pai e eu dissemos que estava em Nova York, mas não lembrava o que era seu cargo exato e não queria errar." Ela balançou a cabeça. "Os Fosters não sabem nada sobre esse tipo de coisa, de qualquer maneira." Claro, porque o povo do sul do país é incapaz de aprender coisas. Certo. "Você sabe que, se você quiser vir para casa, acho que você poderia fazer algo como Sonya tem feito. Você poderia talvez até trabalhar com ela um pouco e se orientar novamente." Empurrei meu banquinho para trás e ele raspou contra o piso de madeira. "Jo?” Eu balancei minha cabeça. "Querida?”


Talvez se não tivesse apenas me sentado num ônibus por 36 horas e não estivesse cheirando a atum, iria ter ignorado os comentários da minha mãe, mas tinha e fiz e não aguentava mais. Já não aguentava mais sua vergonha. "Você e o pai não entendem. Você sabe como é difícil para entrar na indústria da moda? Eu tenho estado ralando todos os dias e finalmente estou começando a prosperar em Nova York. Vogue — Revista de moda — quer me contratar para um trabalho. Meu blog começou a decolar e tenho milhares de pessoas o lendo todos os dias. Mais pessoas do que Sonya nunca vai encontrar em sua vida! Mais leitores significa mais anunciantes. Eu poderia realmente fazer um nome para mim, mas você e o papai não conseguem acreditar em mim por cinco segundos. Quer que eu jogue as cartas e volte para cá? Para fazer o quê? Cortar cabelo?" Eu me afastei do balcão e segurei o seu olhar. Esta era a última vez que falaria sobre isso e, se ela quisesse me ouvir ou não, ela iria. Se não, eu tinha dito a minha parte e poderia seguir em frente.


CAPITULO 48 Julian Josephine vivia no meio do nada. 452 cherry Street em Nowheresville, Texas. Eu descobri isso logo que pisei fora do avião. Como estava alugando um carro no aeroporto de Dallas, tinha perguntado as duas mulheres mais velhas no balcão se elas ouviram de sua cidade. A da esquerda com o cabelo estilo anos 70 tinha torcido o nariz. "Loretta, é onde filmaram Fridee Night Lights9?" Loretta sacudiu a cabeça. "Não, isso foi fora, perto de Austin. Esta é outra cidade pequena. Eu poderia procurar no Bing se quiser.” Eu disse não, obrigado e dei de ombros, ela me entregou as chaves do meu carro alugado e me indicou o caminho. Eu tinha jogado minha bolsa por cima do meu ombro e me dirigi com a ideia de que ia chegar em algumas horas. Isso foi uma péssima ideia. Já tinha sentado através de um voo tarde da noite de Nova Iorque, portanto, quando cheguei aos arredores de Dallas, estava tendo problemas para manter meus olhos abertos. Encontrando o primeiro hotel do lado direito da rodovia, entrei e passei a noite. Esse foi meu primeiro erro. Blue Star Hotel iria ser classificado em 0,5 na escala de 5 estrelas. Eu tinha o colchão de molas machucando minhas costas por metade da noite e a outra metade da noite o vizinho ao lado gritando, era impossível

9

Fridee Night Lights – (Friday Night Lights) série de televisão norte-americana.


de abafar. Tinha esquecido de configurar o alarme, e às 10:49, sentei na cama com uma pergunta: onde diabos estou? Minha desorientação diminuiu quando reconheci a mobília do hotel em ruínas e o teto de pipoca que estava lascando e o tapete com manchas brancas. Ah, certo. Bom e velho Blue Star. Joguei os cobertores do hotel e entrei no chuveiro. (Quase arranquei o chuveiro enquanto tentava direcionar para a minha altura). Sentei-me no estacionamento do hotel decadente, olhando para o endereço de Josephine. Não tinha ideia de quanto tempo teria que andar antes que chegasse à cidade natal de Josephine, mas queria pegar a estrada logo que possível. Inseri seu endereço no GPS e coloquei o carro em marcha ré. O GPS disse que tinha quase três horas e meia de carro. Escorreguei meu Ray Ban, selecionei uma playlist de Willie Nelson e parti para pastos mais verdes. E pastos mais verdes... E pastos mais verdes. A única coisa que continuou a me chocar sobre o Texas era o quão grande de merda era. Se conduzisse um carro em Nova York, acabaria em outro Estado, em pouco tempo. Diabos, poderia passar por três ou quatro Estados em uma manhã. No Texas? Eu poderia dirigir por um dia inteiro e ainda não chegar ao outro lado. Quando a minha playlist reproduziu de novo pela terceira vez, estava pronto para encerrar o dia. Já tinha parado para abastecer em algum lugar no meio do nada, tinha perdido um desvio da estrada que levou mais de uma hora na direção errada. Tinha amaldiçoado os céus, parando o carro ao lado da estrada numa vala, quase acabando com meu carro alugado preso e então finalmente fui à direção certa.


Quando cheguei nos limites da cidade de Josephine, eu tinha conseguido transformar uma viagem de três horas e meia hora de carro em uma viagem de seis horas. Meu estômago estava gritando comigo por comida e meus ossos doíam de ficar sentado por tanto tempo. Ignorei o fato de que estava prestes a mijar nas calças e continuei na estrada após o sinal de ‘Bem-vindo,’ que, a propósito, nota-se que a população da cidade flutuava em algum lugar ao redor de 300. Sim. Como em menos pessoas do que a turma da minha escola. Continuei dirigindo até que a rodovia deu lugar a uma rua de duas faixas que levava a praça da cidade. Um Tribunal de calcário estava no centro da cidade, com negócios em torno dele em todos os lados. A maioria deles tinha suas luzes apagadas, então presumi que já foram fechados para o dia. Virei para o lado da rua na frente de um açougue escuro e verifiquei a direção para a casa de Josephine. Ela não podia estar longe da rua principal. Certo? Atualizei o mapa e uma tela apareceu, "Sem conexão à rede, tente novamente." Eu fiz. Tentei três vezes mais, com o mesmo resultado e então joguei meu celular no banco do passageiro. Bem, é impressionante. Não tinha ideia de onde encontrar a casa de Josephine, tinha que mijar e estava com fome como o caralho. As coisas que as pessoas fazem por amor... Depois que dei a meu telefone mais 10 minutos para me provar que ele definitivamente não ia encontrar sinal, voltei para a estrada e procurei o primeiro posto de gasolina aberto. Passei uma dúzia de igrejas — pelo menos — antes de encontrar um posto de gasolina algumas milhas abaixo da estrada, saindo da


cidade. O estacionamento estava vazio, exceto um Bronco preto estacionado ao lado na grama. Todas, com exceção de uma das bombas estavam cobertas com um sinal de ‘fora de serviço’. Fui até a bomba, desliguei o motor e corri para dentro como se minha vida dependesse disso. Um garoto que parecia ter entre 13 ou 14 anos no máximo sentou no balcão comendo um cachorro-quente. Corri por ele em direção ao banheiro, e então ele gritou com a boca cheia. "Você precisa da chave!" Eu dei a volta ao redor e segurei minha mão para fora, mas o garoto balançou a cabeça. "Pague, apenas clientes." Ele deu outra mordida no cachorro-quente e mastigou lentamente, me observando. Bati em minha mão para o pote de doce na minha frente e joguei três Snickers10 e um Butterfinger em cima do balcão. "Aqui,” disse, puxando minha carteira e entregando meu cartão. "Me dá a chave do banheiro agora?" Ele balançou a cabeça. "Há um mínimo de cinco dólares em cartões.” Resisti à vontade de estrangulá-lo e, em vez disso, enfiei minha mão de volta no pote de doces. Depois que ele tocou meu pedido com preguiça excruciante, estendi minha mão para a chave. "Você vai pegar gás também?" Ele perguntou, apontando para onde meu carro estava estacionado ao acaso no lugar. Eu acenei minha mão. "Depois. Só preciso mijar." 10

Snickers e Butterfinger – são marcas de chocolates.


Ele deu de ombros, deslizou para fora do seu banquinho e inclinou para recuperar uma minúscula chave pendurada num chaveiro de plástico gigante. Peguei dele e corri para a porta. Eu teria me importado, contemplando as origens pegajosas revestindo o chaveiro de plástico, mas sinceramente não dei à mínima. Uma vez que tinha ido fazer xixi, encontrei comida de merda o suficiente para me encher por um tempo e paguei por um tanque cheio de gasolina, acenei para garoto atrás do balcão. "Você sabe onde fica a rua Cherry?" Ele riu. "Parece o nome de um filme pornô." Eu resisti ao impulso de perguntar a sua idade. "Isso é um sim?" Ele balançou a cabeça. "Eu sou mais perto de Whitewater. Eu não sei nada dessa ' tal rua Cherry’.” Eu assumi que Whitewater era uma cidade vizinha. "Você tem algum mapa por aqui?" Ele apontou para um rack de papelão perto da porta que estava praticamente vazio exceto por um panfleto do parque estadual do Texas que parecia ter sido usado algumas vezes, se desintegrado e colocado de volta. Perfeito. Vou acampar no caminho através da região montanhosa do Texas em vez de encontrar Josephine. "Obrigado." Concordei e empurrei a porta aberta. "Eu tentaria o bar do McAllister,” ele gritou. Me virei e ele apontou na direção que eu tinha acabado de chegar. "É uma quadra da Main Street, logo atrás do tribunal. Quase todas as noites há uns caras lá. Um deles deve ser capaz de ajudá-lo."


CAPITULO 49 Josephine

Tinha meu rosto esmagado contra a janela, me contorcendo para não vomitar. Cada curva que fizemos com a caminhonete fez o conteúdo do meu estômago revirar da pior maneira possível. Estava a dois segundos de vomitar em todo o estofamento do meu pai. "Você tem que dirigir como uma selvagem?" Eu gemia, segurando meu estômago. Lily olhou mais para mim. "Estou, literalmente, indo a dez por hora, Alteza." Olhei para fora da janela, desejando que estivesse de volta em casa, na minha cama, dormindo, depois das cervejas que eu tinha bebido como se não houvesse amanhã. Era o dia após o aniversário do meu pai e eu precisava de um pouco de espaço da minha família. Tnha pegado Lily, uma caixa de cerveja de um posto de gasolina na cidade, e juntas tínhamos ido para fora no meio do nada para que pudesse beber todas com ela. "Se você vai vomitar, pelo menos me dê seu telefone primeiro," ela disse. Ainda estava segurando-o contra o meu estômago. Não tinha deixado ele fora da minha vista desde que cheguei ao Texas, na esperança de que ele iria pegar um sinal. A coisa não tinha funcionado em dias. "Bem. Pegue-o. Não tenho serviço neste deserto esquecido por Deus." Suspirei e joguei o telefone no porta-copo.


"Eu só quero chamar Julian! Não falo com ele há dois dias. DOIS DIAS!" Passamos a placa ‘Bem-vindo’ e continuamos em direção a Main Street. Lily virou para a direita e fomos para a rua lateral, passando pelo bar do McAllister. Havia dois ou três carros na frente, não muitos. Perto da porta, sob uma lâmpada de rua, notei dois caras conversando. Um era Louis Calhoun, o gerente do bar, e o outro era alto e vestido de calça preta e uma camisa de botão. Ele tinha que ser de fora da cidade. Eu olhava quando Lily passou de carro, tentando fazer seu caminho, e então de repente, o reconheci. "Julian!” Gritei tão alto que nem meus ouvidos começaram a tocar. "Este é Julian!" Lily pisou nos freios. "O que? Onde?” "No McAllister! Volte!" Ela balançou a cabeça. "Se você acha que o Julian está no McAllister então realmente está um lixo. Eu vou levar você para casa." "Mas se Julian está aqui, isso significa que... onde é Nova Iorque?" Eu perguntei, voltando para a janela e começando a baixar o vidro, empurrando mais para baixo com ambas as mãos. "Eu vou chamar." "JULIAN"! Eu gritei, praticamente jogando a parte superior do meu corpo fora da caminhonete. "JULIAN! Lily não vai voltar!" Lily parou o caminhão na beira da estrada e me arrastou para longe da janela. "Cara, Cala a boca. As pessoas estão dormindo e você está gritando como uma louca." Não me importava. Abri a porta do passageiro e pulei para fora, pronta para correr. Em vez de encontrar a base do chão liso, continuei


caindo até meus pés pararam numa vala enlameada. Tentei erguer meus pés, mas eles estavam presos sob a água barrenta. Eu tinha, de alguma forma, atolado e não conseguia sair. "Lily! Ajuda! Estou presa!" Tentei tirar meus pés e chutar para fora da lama, não consegui. Era como areia movediça e precisava de Lily para me ajudar a sair sem ficar mais suja. "Jesus Cristo. Não acredito que fez isso," ela disse, pulando fora da caminhonete e batendo a porta atrás dela. "Eu deveria te deixar aí depois do jeito que você agiu hoje à noite." Golpeei os mosquitos fervilhando meu rosto e jurei que dois ou três deles realmente fizeram isso na minha boca. tentei cuspir para fora, mas havia muitos para acompanhar. "Não! Por favor, você tem que me salvar.” Implorei, lágrimas de sentimento enchendo o canto dos meus olhos. Estava tão perto de ver Julian. Ele estava no McAllister e eu ia morrer em uma vala antes de chegar a ele. "Julian!” Gritei novamente. Um cão começou a latir e, em seguida, as luzes de uma varanda acenderam atrás de mim. Virei-me para ver isso enquanto Lily deslizou abaixo da vala, tomando cuidado para não ser apanhada na mesma lama. "Se não se calar, vou te deixar aqui. Você acordou os Jensen e realmente não me sinto com vontade de explicar esta situação para Randy agora. Aquele homem é mau." Na hora certa, Randy colocou a cabeça para fora pela porta da frente com uma carranca zangada estragando suas feições. "Depressa! Depressa!" Eu disse, segurando suas mãos para que ela pudesse ajudar a me puxar para fora.


"Josephine? O que, é você?" Olhei para cima em direção à voz profunda e meu coração se afundou. Julian estava de pé na rua, logo atrás do para-choque da caminhonete do meu pai. A luz de um poste distante envolto em cima dele. Seu cabelo estava despenteado e a camisa dele estava meio para fora da calça. Ele parecia um pouco pior, desgastado, mas estava lá, parado a menos de cinco passos longe de mim. "Julian?" Perguntei, segurando a minha mão sobre os meus olhos para ter uma melhor visão dele. "O que faz aqui?" Lily olhou para frente e para trás entre nós. "Espera. Está brincando? Julian estava no McAllister? Você é Julian?" Ele assentiu com a cabeça, não tirando os olhos de mim. "Estou presa em uma vala," Eu disse. O canto da sua boca puxou para cima em um adorável sorriso. "Estou vendo.” "Saia do meu gramado agora!" Randy Jensen gritou da porta dele. "Está me ouvindo? Eu vou pegar minha espingarda!" Lily e eu, ambas gritamos e Julian escorregou para o lado da vala agarrando a minha mão. Entre ele e Lily, só levei um segundo para rastejar meu caminho de volta até a rua. Subimos até o carro, atirando a lama para trás de onde estávamos. Lily voou ao redor da porta do motorista e Julian e eu subimos no lado do passageiro. Segurei minha respiração o tempo todo, esperando o som de uma explosão de chumbinhos. "Vai, vai, vai!" Gritei, batendo no painel.


Lily pisou no acelerador e os pneus da caminhonete guincharam contra o concreto quando fizemos a nossa fuga. "Ele realmente tinha uma espingarda?" Julian perguntou, virando para olhar para trás. Comecei a rir, e depois não conseguia parar. Lily voou no fim da rua, colocando a maior distância possível entre nós e a casa do Randy. Sentei-me no centro do assento do banco com Lily de um lado e Julian do outro, perdida em um ataque de riso. Os últimos vinte minutos tinham sido muito engraçados para ser real. Randy Jensen tinha quase atirado em mim. O que é um caminho a percorrer. "Você pode acreditar que isso aconteceu?" Perguntei, tentando recuperar o fôlego. "Sua idiota, você tem noção que quase nos matou," Lily disse, sacudindo a cabeça. "Eu?!” Ela me lançou um olhar mal. "Sim, você!" Risos deram lugar a um sorriso de merda enquanto eu olhava pela janela da frente. O céu era expansivo, nos cercando de todos os ângulos. Luzes passavam, passavam por nós como estrelas cadentes, uma após a outra, realizando meus desejos, um por um. Caí de volta contra o assento e virei para encontrar Julian me olhando com seu olhar firme. Encontrei a mão no assento e entrelacei meus dedos através dos dele. Não tinha nem dez minutos, tinha sonhando com ele, desejando que pudesse de alguma forma falar com ele e, de repente, lá estava. Ele estava sentado ao meu lado, me estudando com um sorriso de admiração. Antes que tivesse terminado meu pensamento, estava me inclinando mais perto, inalando seu perfume e pressionando meus lábios


nos dele. Caímos um no outro, como uma pessoa cai na cama após um longo dia: com um suspiro pesado, feliz. Agarrei a frente da sua camisa e o puxei para mim. Ele respirou fundo. O beijo era macio e doce. Ele inclinou sua cabeça e se apoderou da minha nuca, me segurando firme. Eu queria subir para o seu colo e enrolar meus dedos pelo seu cabelo. De que outra forma poderia chegar mais perto? Queria tocá-lo em todos os lugares, colocar todas as peças juntas e provar a mim mesma que ele realmente estava ali ao meu lado, que ele veio ao Texas por mim. Ele agarrou meus ombros e me puxou para trás, quebrando o beijo e me encarando. Eu podia sentir o bater do meu coração no meu estômago. Não podia ignorar o batuque do tambor da excitação em tê-lo ali na minha frente. Olhei para seus olhos cor de avelã e sussurrei, "Você é meu cavaleiro de armadura brilhante. Eu te amo.” E então, prontamente agarrei meu estômago, me inclinando para frente e vomitando em cima do seu colo.


CAPITULO 50 Julian Vou ser sincero, não imaginei que minha viagem ao Texas iria ser marcada por tanto vômito. Quer dizer, claro, alguns vômitos são parte da vida. No entanto, a quantidade de vômito que Jo poderia produzir, aparentemente, parecia desproporcional ao seu tamanho. Eu também imaginei conhecer os pais de Jo em um jantar tranquilo, não entregar sua filha em casa bêbada depois de uma noite louca. Sim. É isso mesmo. Tive o prazer de levar Jo de volta para casa, completamente bêbada, só metade lúcida. Fiquei na varanda do seu pai e bati, agradecido por ter Lily em pé ao meu lado, por segurança. Meu instinto se apertou quando a luz da varanda se acendeu e uma mulher muito cansada abriu a porta com uma expressão confusa. "Lily? Está tudo bem?” Perguntou a mulher, atirando um olhar na minha direção. "Quem é você?" Apertei os olhos fechados, tentando compreender como a situação possivelmente poderia parecer pior. Ah, certo. Eu estava coberto de vômito e cheirava a lixo da semana passada. A mãe dela ainda estava olhando para mim, esperando por uma resposta. "Oh, Oi. Sou Julian. Trabalho com sua filha." Sua sobrancelha arqueou em curiosidade, mas ela não me pediu para explicar melhor.


"Ela está bêbada?" Sra. Keller perguntou, olhando para mim como se eu fosse o único que poderia colocá-la nesse estado. Por sua vez, olhei para Lily. Agora seria uma grande ajuda ela falar. "Nós duas saímos e ela tomou cervejas demais. Julian nos encontrou e me ajudou a trazê-la para casa." Sra. Keller encarou Jo com desdém claro e, em seguida, puxou a porta aberta para carregá-la para dentro. "Vamos,” a mãe dela disse, me acenando pelo corredor. Mergulhei, passando pela porta e dei uma olhada rápida na casa de infância de Jo. Minha mãe teria odiado. A menos que uma casa tivesse curadoria de antiguidades do chão ao teto, ela pensaria que era brega. Eu não concordo. Claro, a mobília era velha, mas havia fotos de Jo cobrindo todas as superfícies livres. Ela foi enquadrada ao redor da sala, em vários estágios da vida. Quando segui pelo corredor depois da Sra. Keller, vi uma valiosa foto onde Jo estava usando aparelhos e tranças tortas. Segurei meu sorriso, guardando a imagem para fins de chantagem. "Lily, você

pode

ir," Sra.

Keller disse com um tom que

definitivamente advertia que não tinha argumentação. Olhei para trás e encontrei os seus olhos. Não me deixe com ela, implorei com meu olhar. "Uhh.” Ela parou e me atirou um olhar de desculpas. "Está bem.” Balancei minha cabeça. Não. Ela tinha feito essa bagunça e estava prestes a me deixar sozinho limpando tudo. "Bem, eu vou voltar e vê-la de manhã então..." Eu respondi, "Não vá.” "Julian? Você vem?" Sra. Keller perguntou, claramente irritada.


Apertei meus olhos fechados, trabalhando minha coragem e então voltando para continuar carregando Jo agora dormindo para o seu quarto de infância. Virei à esquina no quarto de Jo para encontrar a Sra. Keller retirando um pijama para Jo. Caminhei em direção a sua cama e a coloquei lá. Ela se mexeu quando a coloquei contra seus travesseiros, mas ficou dormindo. "Que sorte que minha filha teve ajuda para trazê-la para casa," a Sra. Keller disse com um tom que dizia exatamente o oposto. "A encontrei quando ela já estava bêbada com Lily, mas sim, estou feliz que estava lá também." Ela perguntou e sacudiu a cabeça. "Esse é um comportamento normal para ela em Nova York? Ela nunca agiu assim quando morava aqui." Eu cruzei meus braços. "Ela nunca esteve bêbada comigo." Ela levantou suas sobrancelhas. "Oh, e ela está muito com você?" "Quase todos os dias." Ela olhou para mim e sabia que ela queria uma explicação. "Trabalhamos juntos. Contratei Josephine quando ela se mudou para Nova York." Ela resmungou e deixou cair o pijama de Jo no canto da cama. "Então por que está no Texas? Você regularmente segue seus funcionários quando viajam para o interior?" "Carrie, tudo bem aí dentro?" Uma voz rouca chamou da parte de trás da casa. Merda. Estava prestes a ter que me explicar para o pai da Jo também? Lily vai ficar me devendo tanto. "Sim. Volte para a cama, Rick."


Ela olhou para mim e cruzou os braços. "Por que não me deixa saber o que realmente está acontecendo entre vocês dois? Você tem vômito em cima de você, minha filha foi demitida ou está apaixonada. O que é?" Eu tinha que lhe dizer isso, estive em reuniões com caras mais duros de negociar e não suei tanto quanto estava suando naquele momento. Dei uma espiada em Jo e assisti seu peito subir e descer suavemente.

Ela

parecia

tão

angelical

dormindo,

completamente

inconsciente do estrago que tinha causado. "Estou apaixonado por ela,” disse. Houve uma longa pausa, enquanto a mãe dela ficou processando a minha declaração. Anda não tinha admitido meus sentimentos em voz alta para ninguém, nem mesmo para Dean. De repente, o meu amor tinha raízes. Não havia como voltar atrás. Quando olhei de relance para sua mãe, ela me observava com um sorriso melancólico. "Tudo bem então, vou pegar uma camiseta nova para você e então pode me ajudar a limpá-la. Acho que é hora de experimentar todas as alegrias de amar minha filha: o bom, o mau e o feio.”


CAPITULO 51 Josephine Bati na porta do quarto 208 e inalei o aroma de café e rosquinhas. Foi uma combinação vencedora pelos meus padrões, mas demoraria muito mais do que o café da manhã da cabana Suzie’s Sweet Shack para ganhar o perdão de Julian. Minha mãe tinha me entregado a versão em notas da noite assim que eu tinha despertado do meu sono induzido por cerveja. Tentei ignorar a marreta batendo contra meu cérebro quando ela falou, mas assim que tinha soltado a notícia do que fiz Julian passar, soube que tinha que compensá-lo antes que fosse tarde demais, mesmo que ainda não pudesse andar em linha reta. Eu tinha tomado dois Advil, duas xícaras de café e dois copos de água e então finalmente me senti semi-humana outra vez. Depois de um banho e um pouco de maquiagem, me senti bem, quase como nova. Bati na porta do hotel novamente e então ouvi alguém mexer no quarto. Poucos segundos depois, a porta se abriu para revelar Julian: sem camisa, despenteado e apertando os olhos para evitar o brilho duro do sol. Sorri e ergui os suprimentos em cada mão. "Venho trazendo presentes," disse, inclinando o saco de donuts da esquerda para a direita, para que ele sentisse o aroma. Quem resiste a rosquinhas? Sério. Ele correu a mão pelo cabelo, grunhiu alguma forma de saudação e, em seguida, abriu a porta para mim. Pisei em seu quarto de hotel e olhei ao redor. A cama estava uma bagunça, com lençóis jogados para o lado e travesseiros espalhados em


direções aleatórias. Ele deve ter tomado banho na noite anterior porque senti o cheiro do seu corpo lavado sobre o fedor normal do hotel. "Noite de sono intermitente?" Perguntei, com uma sobrancelha erguendo. Ele me lançou um olhar e, em seguida, tomou o café da minha mão. "Tudo bem, aqui." Larguei o saco de donuts sobre o suporte da Tv e puxei uma rosquinha de chocolate com um guardanapo. Ele estava sentado na beirada da cama, me observando enquanto virei e entreguei a ele. "Você sente-se lá, bebe o seu café e come seu donut enquanto eu falo. Está bem?" A borda da sua boca se levantou em um meio-sorriso quando ele olhou para o café. Definitivamente eu estava vencendo, mas ele não ia tornar mais fácil para mim. "Tudo bem, primeiro de tudo,” disse, endireitando as costas e me preparando para o discurso que tinha ensaiado na caminhonete do meu pai no caminho. "Sinto muito que eu, uhh, vomitei em você ontem à noite." Olhei seu peito nu. Era bronzeado, largo e tonificado sem vestígios de vômito em qualquer lugar. Ainda que a memória iria me assombrar para o resto da minha vida. "É certo que não foi um dos meus melhores momentos." Ele assentiu com a cabeça e ficou em silêncio, me dando claramente o direito de falar. "Está bem, eu também sinto que você teve que me levar de volta para a casa dos meus pais depois que Lily abandonou você. É muito difícil


conhecer alguém da família pela primeira vez, mesmo sob as melhores circunstâncias." Suas sobrancelhas se animaram quando ele arrancou um pedaço gigante do donut. Bom, deixe a bondade açucarada fazer seu trabalho. "Pelo lado positivo, minha mãe realmente gosta de você. Ela disse que a maioria dos homens não teria bolas para me levar para casa assim." Ele riu. "Sua mãe disse 'bolas'?" Eu sorri. "Não. Não exatamente." Ele assentiu com a cabeça e acabou com sua rosquinha. "Está bem, já me desculpei sobre o vômito e a minha mãe," Eu disse em voz alta, tentando pensar do que mais o tinha submetido ele na noite anterior. "Ah e desculpa pelo Sr. Jensen quase te matar." "Só isso?" Perguntou, inclinando a cabeça e olhando para mim. "Não é tudo o que tenho que pedir desculpa?" "Não," ele disse, balançando a cabeça. Ele levantou da cama e veio mais perto de mim. Eu o vi se aproximar, curiosa com o que estava prestes a fazer. Ele inclinou e deixou cair seu café e rosquinhas sobre o suporte da Tv atrás de mim. Seu peito encostando contra o meu quando se moveu e pressionei meus lábios para ficar quieta. Ele escorregou a mão por trás do meu braço e então lentamente a arrastou em torno dos meu bíceps. "Isso é tudo o que você tem a dizer." Eu

engoli,

recordando

a

declaração

que

tinha

feito

na

caminhonete, na noite anterior. Estava bêbada e empolgada pelo fato de que Julian tinha voado para o Texas por mim. Eu poderia ser culpada por lhe dizer a verdade sobre como me senti?


Julian e eu poderíamos voltar a ser amigos, assim como antes. Teremos sexo incrível sem os rótulos e as responsabilidades. Isso não precisa acabar só porque acidentalmente disse que o amava. Poderia retirar o que disse. Ele inclinou e passou ambas as mãos em volta dos meus braços, me puxando contra o peito. Sua boca encontrou a minha orelha e sussurrou poucas palavras contra a minha pele. "Diga-me novamente o que falou no carro ontem à noite." Fechei meus olhos e imaginei dois cenários: um onde Julian e eu estávamos juntos e felizes e outro onde lhe disse meus sentimentos e ele se afastava, lentamente no início e então, depois, de uma vez. Foi. “Jo, me diga,” disse beijando o lado da minha bochecha. Eu queria lhe contar a verdade. Queria me jogar no destino e viver com as consequências, se ele decidir que não me quer mais. Minha voz tremeu quando falei. "Eu acho que devemos ser mais que amigos.” Meu coração pulou no meu peito. Ha. Eu disse isso. "Mhm," ele sussurrou. Eu sorri. "E acho que deveria me levar em um encontro num restaurante e vamos pedir um aperitivo e sobremesa. Não, duas sobremesas.” Ele riu. "Concordo, mas porque temos que fazer isso?" Mantive meus olhos fechados, focando na sensação dos lábios dele contra minha bochecha, o aperto das mãos no meu braço. Eu sabia que ele estava jogando. Sabia que ele estava chamando meu blefe e não estava pronta para ceder ainda. "Porque você é muito engraçado," sussurrei.


"E?" Ele perguntou, embora descascando as camadas da minha determinação. "E você é muito bom por tomar conta de mim enquanto estava bêbada.” "E?" "Você tem um bumbum bonito." Eu podia sentir o sorriso dele contra minha bochecha. "Jo..." "E eu te amo." Ele inclinou para trás e olhou nos meus olhos. Um sorriso triunfante revestia seus lábios e resisti ao impulso de beijá-lo. "Eu te amo muito," Ele disse. Calor espalhou através de mim enquanto segurava seu olhar. "É por isso que você veio para o Texas?" Perguntei. Ele olhou para o lado, reunindo seus pensamentos antes de pegar meu olhar mais uma vez. "Agora parece bobo, mas Dean me borrou de medo depois que você saiu. Pensei que você estava se afastando e então recebi a ligação de Elizabeth sobre a posição da Vogue. Achei que você não me contou sobre isso porque seria mais fácil me deixar." Eu vacilei de volta. Vogue? Ele sabia sobre a Vogue? "Elizabeth me contatou para uma referência,” explicou. "Ela fez?" Eu perguntei. "Sim," ele disse, inclinando-se de volta para dar uma olhada para mim. "Disse-lhe que ela teria que discutir sua recomendação com Lorena, desde que, obviamente, posso ser tendencioso, mas também lhe disse que você

foi

uma

funcionária

maravilhosa.

Confiável,

organizada

trabalhadora. Eu lhe disse que ela era louca se não te contratasse."

e


Meus olhos se arregalaram em estado de choque. "Você não fez. Fez?" Ele sorriu e seu olhar caiu para os meus lábios. "Claro que sim. É a verdade." "O que ela disse?" Perguntei, sinos de alarme na minha cabeça. "Ela disse que iria notificá-la sobre a posição logo após o seu regresso a Nova Iorque, mas que se eu falasse com você primeiro, estava autorizado a felicitá-la primeiro." Eu cobri minha boca em estado de choque. "Julian! ESTÁ BRINCANDO COMIGO?!" Ele riu e balançou a cabeça. "Parece que não vou mais ser seu chefe." Olhei para seu peito, contemplando suas palavras. Eu tinha conseguido o trabalho na Vogue. Vou trabalhar na Vogue. Vogue seria meu empregador. Não importa de que maneira eu girei, não me pareceu certo. Como isso foi possível? E por que eu estava um pouco triste por causa disso? Gostava do meu trabalho na Lorena Lefray Designs. Eu adorava estar com Julian todo o dia, todos os dias. "Jo"? "Sim?" Perguntei, mantendo meu olhar em seu peito. "Isso é uma coisa boa." Eu mordi meu lábio inferior, recolhendo os meus pensamentos. "Sei disso. Eu faço. Quero o emprego, é só... a razão pela qual não te contei sobre a posição anteriormente era porque não tinha certeza se queria. Eu realmente gosto de trabalhar com você e se eu deixar..." "Vamos ainda nos ver todos os dias," ele disse.


Eu bati meu olhar para ele e sorri. "Porque você e eu estamos namorando," ele disse. "Juntos. Apaixonados." Eu sorri e deixei suas palavras afundarem. "Você sabe o que isso significa?" Perguntei. "Nós vamos ter um encontro e vou deixar uma escova de dente na sua casa e vamos discutir sobre coisas como onde queremos comer, e então vamos jogar a toalha, pedir pizza e fazer sexo no sofá." Ele sorriu. "Eu tenho que dizer que parece muito bom, na verdade." "Você sabe o que isso significa?" disse. "O quê"? "Você definitivamente tem que dividir metade desse donut comigo agora."


CAPITULO 52 Josephine Eu carregava minha mala pela casa dos meus pais, confusa sobre como estava, de alguma forma, deixando o Texas com cinquenta quilos de bagagem. Tinha feito uma viagem à loja Sally’s Thrift Shop no dia anterior e tinha comprado um par de botas de cowboy por 5,00, mas eles não eram tão pesados. Foi provavelmente as cinco caixas de biscoitos caseiros que minha mãe insistiu para que levasse para Nova York comigo. Dei o braço a torcer, por que não? "Josie? Vai sair?" Minha mãe perguntou, colocando a cabeça dela para fora da cozinha. Olhei de relance acima da minha mala para vê-la fazendo uma varredura por cima de mim, preocupação nublando o seu olhar. Tivemos uma longa conversa sobre a minha escolha de beber na outra noite. Tinha garantido a ela que não era uma alcoólatra louca, e ela tinha me obrigado a prometer que seria honesta com ela, se já tivesse um problema. Eu tinha prometido tudo, até mesmo lhe fornecer exames de sangue semanais só para assegurar que estava bem. Mesmo assim, sabia que ela não estava plenamente convencida que deveria estar voltando para Nova Iorque. "Julian vai passar e me pegar depois que pegar Lily." Ela assentiu com a cabeç,a agarrando um guardanapo entre as mãos, olhando duro no meu tronco. Inclinei minha mala contra a parede e fui para lhe dar um abraço. Eu já tinha me despedido do meu pai na noite anterior. Ele não suportava me ver saindo. Era mais fácil para ele fingir que só estou indo para uma


festa do pijama ou algo de quando ainda estava no colegial. Muito molenga. Minha mãe agarrou a parte de trás da minha camisa e pressionei meu rosto na dobra do seu pescoço. Inclinei meu rosto no ombro dela e inalei seu cheiro. "Se cuida, está bem?" Ela disse. Balancei a cabeça e recuei, tentando manter meus sentimentos. "Vai ser melhor agora que a Lily esta vindo comigo. Vamos ter uma pequena família em Nova York." Ela sorriu, mas não alcançou seus olhos. Eu sabia que ela estava colocando uma cara brava. "Vou tentar visitar mais vezes. Talvez possa voltar para o Natal?" Ela fungou e desviou o olhar. "Isso seria ótimo." Ouvi um carro entrar na rua de cascalho e espiei pela porta da frente para ver o carro alugado de Julian. Abaixei para pegar minha mala e dei um abraço rápido em minha mãe. "Eu te telefono quando chegarmos à Nova Iorque," prometi, começando a caminhar para a porta. "Jos —" voltei por cima do meu ombro. Ela torcia o guardanapo através das suas mãos e engoliu seco. "Quero que saiba que seu pai e eu estamos muito orgulhosos de você. Muitas pessoas daqui não estão dispostas a ir atrás dos seus sonhos, da maneira que você fez." Ela encontrou meu olhar e sorriu. "Acho que, no começo, nós levamos um pouco para o lado pessoal — o fato de que você queria tanto sair dessa cidade. Era tudo o que você costumava falar, mas agora, finalmente entendo que esse lugar nunca foi grande o suficiente para você."


Meus dedos afrouxaram a pressão na minha mala e a soltei no chão. "Só me prometa que você manterá sua cabeça no lugar. Como uma garota do Texas." Ela apontou para o peito dela. "Certifique-se de manter isso sempre no seu coração." Mordi meu lábio inferior, confusa pelas lágrimas nublando os cantos dos meus olhos. Cerrei os dentes e pisquei, considerando quão profundamente suas palavras tinham me batido. No fundo da minha mente, estava esperando por sua aceitação e bênção pelos os últimos anos. Sabia que estava tomando o caminho menos comum, mas ainda tinha esperado o dia que minha mãe finalmente entenderia. "Só quero que seja feliz," ela disse quando se adiantou e me envolveu em outro abraço. "Eu sei disso. Prometo que não vou te decepcionar." Sussurrei contra seu peito quando lágrimas deslizaram pelo meu rosto. A campainha tocou três vezes em sucessão rápida, e então ouvi a voz de Lily do outro lado da porta. "Vamos, Jos! O avião parte em quatro horas e vamos levar pelo menos duas horas só para chegar até o aeroporto." Seu grito foi pontuado por batidas e, quando me virei, vi seu rosto esmagado contra o vidro, tentando ver o interior. Muito cara de pau. Minha mãe riu e segurou no comprimento do meu braço. "É melhor você ir," disse. Eu assenti com a cabeça e tentei me recompor da melhor forma possível. Não tinha esperado aquele discurso da minha mãe. Preparei-me para sair sem a benção dos meus pais mais uma vez, mas me senti muito melhor ao atravessar a porta da frente sabendo que os estava deixando orgulhosos.


Caminhei até a beira da varanda e apertei os olhos para bloquear o sol brilhando forte. O jasmim ao redor da cerca da casa dos meus pais estava balançando na brisa, enchendo o ar com um aroma doce. Lily correu para o carro, abriu a porta do passageiro para mim e então abriu o porta-malas. Julian saiu do carro e ergueu sua mão até a testa para proteger o rosto do sol. Quando nossos olhos se encontraram, ele sorriu e balançou a cabeça. A mensagem era clara: sua melhor amiga é uma maníaca. Lily correu em direção à varanda, me amaldiçoou por ser tão lenta e pegou a mala da minha mão, então ela poderia levar para o carro. "Você não percebe que estou quase, finalmente, me mudando para Nova Iorque?" Ela perguntou. "Apresse sua bunda!" Eu ri quando ela jogou minha bagagem no porta-malas. Julian contornou a traseira do carro e se abaixou para me dar um beijo rápido. O perfume do seu corpo lavado momentaneamente mascarou o jasmim conforme ele envolveu o braço em torno das minhas costas. Envolvi meu braço em volta do pescoço e me agarrei contra ele por um momento, imersa na sensação de estar com ele. "Não acredito que você nos comprou bilhetes de avião," sussurrei, antes de pisar para trás. "Considere um presente de despedida da Lorena Lefray Designs. Além disso, comprei com pontos. Não é grande coisa." Nosso plano original tinha sido ir de Greyhound para Nova York, mas Julian tinha rapidamente dito que era idiotice nossa ideia. (Contar a ele sobre Gladys poderia ter tido algo a ver com isso). Uma buzina alta me tirou do meu momento com Julian. Quando me virei em direção ao carro, Lily estava encostada do outro lado do banco da frente com a mão preparada sobre o centro do volante.


"Vamos, pombinhos apaixonados. Estou prestes a deixar os dois para trás!" Ela bateu a mão na buzina novamente, desta vez para um som sólido de dez segundos. "Pare com isso! Estamos indo," gritei. Antes que ela pudesse buzinar novamente, fui para frente do carro e a empurrei para o banco de trás, longe da buzina. Ela teve a audácia de me dar um sorriso insolente. Julian sentou no banco do motorista e puxou o carro para fora da estrada de cascalho. Eu vi minha mãe em pé na janela da cozinha, nos observando. Acenei quando atingimos o fim da rua e ela acenou de volta, oferecendo um último adeus. "Tenho que comprar uma passagem para o metrô ou você paga em cada bairro o tempo todo?" Perguntou ela, inclinando-se para frente. "Tenho um cartão recarregável. Definitivamente não pago ao redor dos bairros como você," disse, visualizando Lily puxando montanhas de moedas do seu bolso toda vez que pegamos o metrô juntas. "Oh bem. Isso faz sentido." "Você está pensando em trabalhar em que?" Julian perguntou, olhando para ela no espelho retrovisor. Ela escolheu se virar e olhar pela janela com os olhos apertados. "Eventualmente, quero que meu blog seja capaz de me sustentar, mas sei que vou ter que arranjar um emprego nesse momento." Julian olhou em minha direção. "Blog?” Eu sorri. "Sim, Lily também tem um blog, mas é tudo sobre comida." Ela sorriu no banco de trás. "É um blog de comentários sobre alimentos para pessoas comuns. Eu posto listas como 'Onde conseguir o


melhor hambúrguer no Texas' e coisas assim, mas quero mudar o foco quando chegar a Nova York e realmente começar a visitar mais restaurantes.” "Você contou a ela sobre Dean?" Julian perguntou. Lily se inclinou para frente. "Quem é Dean?" "Um dos meus amigos da faculdade. Ele é dono de alguns restaurantes em Nova York e tenho certeza de que teria espaço para você em um dos seus restaurantes se não se importar em servir." Lily beliscou a parte de trás do meu braço. "Como você pode ter mantido essa informação de mim." "Ai!" Puxei meu braço fora e lhe dei um olhar de morte. "Para ser honesta, fiz isso de propósito. Você e o Dean vão ser como óleo e água. Eu já sei que seria um desastre se trabalhasse para ele." Julian riu. "Não posso dizer que não concordo. O Dean é muito cabeça dura." "Sim? E daí? Eu também sou." Julian e eu trocamos um olhar. Ambos sabíamos os fatos: Dean e Lily eram irritantemente bonitos e irritantemente teimosos. As chances deles se entenderem eram, no mínimo, a melhor das hipóteses. As chances deles arrancando as roupas um do outro à primeira vista eram muito mais prováveis. "Honestamente, parece que é destino você ter um amigo na indústria dos restaurantes. Prometa-me que vai falar bem de mim?" Julian assentiu com a cabeça. "Vou ver o que posso fazer, mas você deve saber que Dean é um idiota." Olhei para Lily pelo canto do meu olho. Ela não estava nem um pouco intimidada pelo aviso de Julian. Pelo contrário. Estava encostada no banco de trás com os braços


cruzados e com um sorriso confiante em seus lábios. Parecia que ela estava tramando algo diabólico e eu não queria saber nada disso. "Tenho certeza de que sou capaz de lidar com ele," ela disse. "Além disso, a maioria dos caras só latem e não mordem."


BLOG DA VOGUE

Experiente Designer retorna ao centro das atenções 28 de junho de 2015 Por Josephine Keller de O que Jo usa Comentários: 3.008 Likes: 55.434 Esqueça tudo o que você achava que sabe sobre Lorena Lefray Designs. No passado, ela era conhecida por tons escuros, estilos sujos com o melhor e desgastado batom vermelho, combinando com uma atitude séria gótica. Na próxima temporada, ela está levando a coleção — e sua marca — em uma direção totalmente nova. Eu já fui privilegiada com uma prévia dos desenhos que estarão nas passarelas em setembro. Três palavras: tribal, colorido, ousado. Esta coleção não será para os fracos de coração. Não há nenhum tom neutro. Ela quer que suas roupas falem por si, e elas falam. Em sincronia com sua primeira estreia na passarela em dois anos, ela estará abrindo sua primeira loja em Chelsea no outono. Fiz parte dos estágios iniciais do projeto e tenho que dizer, você nunca viu uma loja assim. Imagine andar na Chanel tendo Karl Lagerfeld escolhendo um vestido para você. Agora imagine que você está ouvindo música boa e bebendo champanhe (cortesia) incrível enquanto ele faz isso. Vai ser épico. Eu vou estar com a designer para uma entrevista quando estiver mais perto da inauguração da sua loja, mas por agora, vou deixar você com um primeiro olhar para a coleção de outono Lorena Lefray Designs 2015. (Eu recomendaria que você começasse a economizar para isso agora!).

Até amanhã, XO, Jo.

Ok the allure of julian lefray r s grey411 desconhecido  
Ok the allure of julian lefray r s grey411 desconhecido  
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