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Unexpected Reality- Kaylee Rayn


Unexpected Reality- Kaylee Rayn

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Se você pagou por esta obra, VOCÊ FOI ROUBADO.

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qualquer uso comercial.


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PRÓLOGO

MELISSA Este bar parece um bom lugar para descansar um pouco. Estive dirigindo por horas sem destino. Eu não tenho nenhum lugar para ir, nenhum para ficar e ninguém que ficará de olho em mim. Essa é a minha realidade. Sempre tentei ser muito positiva sobre a vida que tive. Sempre tive três refeições quentes e um lugar seguro para dormir à noite. Sou daquelas sortudas que desembarcam no sistema que não tinha que dormir com um olho aberto. Jeff e Maggie eram ótimos pais adotivos, senão os melhores. Eles me cercaram de tudo que eu precisava, e eu em troca, fiz de tudo para poder atender às expectativas deles. Fiz minhas tarefas, meus deveres de casa e nunca quebrei nenhuma regra. Rebelde, eu sei. Meu peito literalmente dói só de pensar em Jeff e Maggie. Será que eu os agradeci o suficiente, demonstrando a gratidão que eu sentia por terem me levado para casa deles? Meus olhos começam a queimar com as lágrimas. Eu perdi a única família que conheci na vida. Eu estava muito feliz, uma semana depois de me formar na faculdade, mudei-me de volta para casa, para ajudar Jeff e Maggie com o escritório de advocacia deles. Eu escolhi a mediação por causa deles. Já se passou um mês desde que recebi aquela ligação. Trinta dias se passaram desde

“Invasão domiciliar.”

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que meu mundo veio abaixo.


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“Duas fatalidades.” “Você precisa voltar para casa.” Esses são os detalhes da ligação que recebi. A noite em que perdi a família que me escolheu. A família de Jeff e Maggie não eram tão receptivos a mim como eles eram. Eles achavam que era uma tolice terem seus próprios filhos, mas mesmo assim, me adotaram. Eu fui a escolhida. Eles diziam que não queriam dividir o amor deles. Eles estão perdoados, já se foram mesmo, e agora sou só eu. Estou mais uma vez sozinha nesse mundo, sem família e nem amigos próximos. Eu tinha conhecidos, mas eu passava todo meu tempo livre na biblioteca. Eu não ia a festas ou a jogos de futebol. Eu estudava. Eu queria fazer isso por eles e mostrar a eles o quanto eu era agradecida a eles por terem me dado tudo. Tudo o que fazia na minha vida era por eles. Agora eles se foram. Para onde vou a partir daqui? O letreiro de neon na vitrine anunciava diversos tipos de cervejas. Eu não ligava qual tipo eles vendiam; eu só queria algo para me ajudar a mandar a dor embora. Do outro lado da rua tinha um motel. “Ótimo. Agora posso beber até cair e esquecer tudo o que aconteceu.” Rapidamente, eu cruzo a rua e reservo um quarto. Na verdade, é muito bom não ter que dirigir. Eu pego meu cartão de débito e o entrego para a recepcionista. Eu tinha dinheiro. O suficiente. Jeff e Maggie me deixaram tudo o que tinham, mas seus parentes não concordaram muito com isso. Eu estava prestes a devolver tudo e dizer a eles para enfiarem tudo no cu deles. Aquele dinheiro não ia trazer de volta os únicos pais que conheci. Não ia trazer minha família de volta. Isso até o advogado me entregar uma carta que meus pais escreveram, e isso me fez mudar de ideia. A carta dizia que eu trouxe alegria pra vida deles, que eu fui sua maior

Viva sua vida e siga seus sonhos. Viva por você mesma, docinho. Só você e mais ninguém.”

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“Aqui está, Melissa. Queremos que você saiba que alguém sempre vai cuidar de você.

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realização. Eu decorei a carta de cor e salteado.


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Eles sempre me diziam isso. “Escolha a carreira que você ama, Melissa. Não por nós, mas por você.” Eu vivia por eles, e por causa deles, minha vida se tornou um verdadeiro inferno. Como eu aprenderia a viver sem eles? Viver a vida por mim? — Assine aqui. - A recepcionista me entregou uma caneta. Eu rabisquei meu nome no recibo, peguei minha chave, e saí. Eu não queria mais sentir essa dor. Só quero que essa dor desapareça. O letreiro de neon estava me chamando. Talvez eu possa beber até que isso desapareça. Abrindo a porta, o cheiro de cigarro e álcool invadiu minhas narinas. O lugar – Danny’s, de acordo com o letreiro, abre a partir de quinta à noite. Caminhei em direção ao bar e achei um banco vago no final do balcão. Ótimo, é tudo que preciso. É bom ficar escondida, enquanto o barman continuava abastecendo as bebidas. Meu traseiro mal tocou o assento quando uma mulher de quase cinqüenta anos ou mais perguntou o que eu ia querer. Não sou muito de beber, mas Maggie costumava beber cranberry com vodca, então eu pedi o mesmo. — É pra já. - Ela sorri fazendo suas linhas de expressão, em torno dos seus olhos, ficarem mais visíveis. — Aqui está, docinho. Você quer começar uma rodada? - ela pergunta, dando a volta no balcão. — Aham, manda bala. - Eu bato com o copo que ela colocou na minha frente e tomo num gole só. Ela me estuda. — Está dirigindo?

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Ela assente, aceitando minha resposta, e volta a preparar outro drinque pra mim.

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— Não. Eu tenho um quarto do outro lado da rua.


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Vou com calma dessa vez. Não tenho que ir a lugar nenhum mesmo. Eu perdi a noção de quanto tempo fiquei aqui, perdida nos meus pensamentos, esperando que o álcool anestesiasse a dor. Eu não sei quantos drinques eu tomei, porque também perdi a conta disso, mas finalmente minha mente estava começando a desligar. — Posso pedir uma rodada pra nós? - uma voz profunda disse ao meu lado. Olhando em volta, eu olhei pra ele. Alto, cabelo escuro, tatuado. Não era do tipo de pessoa que uma garota boa deveria se sentir atraída, mas estou. Ele está vestindo uma camiseta tão apertada que mostra os gominhos do seu abdômen definido. Puta que pariu! Ele é gostoso pra caralho. Virando meu drinque, eu tento dispersar esse pensamento. Quando ele pega sua carteira no bolso traseiro, seu cotovelo esbarra no meu. — Nada como encostar cotovelos com uma linda mulher. - Ele pisca. Eu sorrio timidamente. — Sorte minha. - Eu digo encarando-o e volto a beber meu drinque. Não posso acreditar que esse cara está mesmo me azarando. Tenho certeza absoluta de que ele está apenas sendo amigável. Estou um tanto surpresa de que o azarei de volta. Isso é um tipo de coisa que eu nunca fazia. — O que uma coisinha tão lindinha como você está fazendo aqui completamente sozinha? - ele pergunta. — Apenas de passagem. - Eu respondo. Mais uma vez, eu o encaro. Tô com medo de começar a babar em cima desse cara. Estou totalmente fora do meu elemento aqui. — Foi o que pensei. Eu teria me lembrado de você. - Ele pisca de novo. — Viemos muitas vezes aqui nos últimos meses.

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minhas mãos suadas no meu jeans.

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— Você acha? - puta merda! Eu lutei contra o meu impulso de secar as palmas das


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— Definitivamente. - Ele analisa meu corpo calmamente com aqueles olhos castanhos que pareciam chocolate. — Escuta, por que você não se junta comigo e meus amigos? Não tem sentido beber sozinha. A Melissa sóbria recusaria uma proposta tão tentadora. A Melissa altinha não quer ficar sozinha. Esse cara parece interessante; que mal poderia acontecer por sentar com eles? Isso vai me servir como outra distração e vai me ajudar a esquecer.

— Claro. - Eu pego meu drinque

e minha bolsa, deslizo da banqueta. Eu tropeço no estranho sexy, que me segura. — Obrigada... - eu sequer sei o nome do cara. — Ridge. - Ele pega meu braço pra me segurar. — Tá tudo bem...? — Melissa. - Eu me afasto dele. — Estive sentada aqui faz um tempinho, foi mal. - Eu coro de vergonha. Não estou tão bêbada, então tem que ser ele; ele me deixa desnorteada. Eu não sei dizer por que nunca conversei com alguém como ele antes. Na faculdade, eu ficava na minha e os caras nem ligavam. Por que ir atrás do que você tem que batalhar o que quer quando outros estão dispostos a dar o que quero de graça? Eu já tive dois peguetes. O primeiro peguete era do tipo apressadinho. Bem do tipo “vamos acabar logo com isso.” O segundo peguete era um amigo da minha colega de quarto. Eles foram os primeiros e únicos. Nunca fui uma bêbada inveterada. Eu nem sequer me lembro disso direito, sem zoeira. Patético, eu sei, mas essa é a minha vida. A ironia é que não quero me perder esta noite, eu quero, sim, ficar bêbada de novo, se não mais ainda. Eu quero esquecer a dor, a perda, o sentimento de estar sozinha. Pra minha sorte, meu novo amigo Ridge parece estar disposto a me ajudar. — Caras, essa aqui é a Melissa. Eu a encontrei bebendo sozinha, então pedi pra ela se juntar a nós. - Ele disse uma vez que chegamos à mesa.

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cumprimentaram. Senti meu rosto esquentar com tantos olhares em cima de mim. Ser o centro

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Os quatro caras, todos eram tão gostosos quanto meu novo amigo Ridge, me


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das atenções não era o meu forte. Todos eles me cumprimentaram de um jeito diferente e eu estupidamente apenas acenei de volta. — Você pode se sentar do meu lado. - Ridge diz no meu ouvido. O calor da sua respiração na minha pele envia ondas de arrepio coluna abaixo. Estranhamente, eu tomo o assento que ele puxou para mim, colocando minhas mãos juntas sobre a mesa. — Beleza, então estes são Seth, Tyler, Mark e Kent. - Ridge aponta para cada cara enquanto ele diz seus nomes. — É um prazer conhecer vocês. - Eu digo educadamente, mal olhando pra cada um deles, ainda envergonhada por ter a atenção deles. — Então, mocinha, você mora pelas redondezas? - o cara à minha direita pergunta – Kent... eu acho. — Não, tô só de passagem. E quanto a vocês cinco? São daqui mesmo? - eu dou um gole no meu drinque fresquinho que acabou de ser colocado na mesa à minha frente. — Não. - Ridge diz, passando seu braço por cima do encosto da minha cadeira. — Estamos na cidade a trabalho. Eu percebi que nas camisetas que eles estavam vestindo estava escrito “Beckett Construções”. “Construções.” Eu digo parecendo uma idiota. Esses homens são gostosos e intimidadores. — Aham. - Ridge toma um gole da sua cerveja, e esqueço tudo a minha volta quando assisto seu pomo-de-adão se movimentar enquanto ele engole. Como eu disse antes, ele é

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— Nós crescemos juntos. - Um dos caras diz.

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muito gostoso.


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Não consigo me lembrar qual o nome dele quando Ridge me disse. Talvez seja Mark? — Então, estão apenas relaxando depois de uma semana árdua de trabalho? - eu me pergunto como seria ter amizade como essas que se formam desde o ensino fundamental. Eu sinto uma pontada de inveja e tristeza no meu peito, então eu pego meu copo e volto a drenálo, querendo me esquecer disso tudo. Os cinco riem. — Algo parecido com isso. - Um deles com cabelos compridos responde. E assim a noite segue. Os caras são divertidos, encantadores e charmosos. Algumas mulheres se juntam a nós, mas Ridge continua do meu lado, pedindo mais drinques pra mim. Eu sequer paguei por uma ou duas rodadas, relaxo com seus toques. Coisas simples como acariciar meu ombro, sua mão no meu braço e é claro, sussurrar no meu ouvido. Eu parei de tentar esconder os arrepios que isso me causa há uns três drinques atrás. Eu estou atraída por ele, e ele sabe disso. Um por um, os caras saíram aos pares, restando apenas Ridge e eu. — Onde vai passar a noite? - ele pousa sua mão na minha coxa. — Eu... eu... hã, tenho um quarto vago do outro lado da rua. — Hmmmm, é onde estamos hospedados também. - Inclinando-se mais perto de mim, sua respiração se mistura com a minha quando o barman anuncia que está fechando. — Vou te levar pra casa. Ridge fica de pé e oferece sua mão e eu aceito sem hesitar. Há algo nos olhos, o modo como ele ficou do meu lado a noite toda. Eu confio nele. Eu não sei como isso começou, mas eu o queria comigo, no meu quarto. Eu não estava pronta pra deixá-lo ir, não depois de me deixar

minha rodada, depois dele protestar muito.

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Ridge mantém seu braço na minha cintura enquanto saímos do bar. Eu pago pela

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nesse estado.


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O ar frio da noite fez bem pra pele quente do meu peito. Ele me puxa contra seu peito e novamente, vou de bom grado. — Qual é o seu quarto? - ele pergunta. — 119. - Eu digo tão suavemente que fico surpresa por ele ter escutado. Seu toque faz com que meu corpo o deseje tanto. Chegamos à minha porta e eu tiro o cartão-chave do meu bolso. — Gostaria de entrar? - eu olho pros meus pés, de costas pra ele. Eu pego na maçaneta da porta, preparando-me pra sua rejeição. Aproximando-se mais de mim, ele alinha seu corpo no meu. Uma das suas mãos repousa no meu quadril enquanto que a outra tira o cabelo de cima do meu ombro. — Eu não sei se isso é uma boa ideia. - Ele beija minha nuca. — Ah. - Eu digo, desapontada. — Não sei se serei capaz de manter minhas mãos longe de você. - Ele continua, pressionando sua ereção na minha bunda. Ah, minha nossa! O tesão toma conta de mim. Eu vou mesmo fazer isso! Eu saí da minha zona de conforto horas atrás, e isso é assustador, mas meus instintos me dizem que Ridge é um cara legal. Que, pra uma foda casual, eu não teria escolhido outro melhor. Bem, exceto talvez pelos seus quatro amigos. Todos eles pareciam ser caras muito legais. — E se... e se eu quiser que você ponha suas mãos em mim? Seus lábios tracejam meu pescoço. — Abra a porta Melissa. Atrapalhando-me com a chave, eu faço o que ele diz. De repente, o torpor do álcool passou e dá lugar a pura luxúria. Eu quero isso. Eu quero uma noite com ele. Uma noite pra me

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sentir desejada por esse Adônis.


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Uma vez dentro do quarto. Ridge arranca sua camiseta e joga em cima da cadeira. Eu toco no... Seu abdômen extremamente definido e nas tatuagens que quero traçá-las com minha língua. — Continue olhando assim pra mim e isso vai terminar antes mesmo de começar. - Ele me avisa. Eu desvio meu olhar para o chão, envergonhada por ter sido pega no flagra babando nele. — Ei. - Ele se aproxima de mim, levantando meu queixo com seu dedo indicador para encará-lo. — Você não fez nada de errado; eu apenas quis dizer que aquele olhar que você me deu me deixou prestes a gozar nas calças. - Ele estuda minhas expressões uma vez que ele disse essas palavras. — Você já fez isso antes, Melissa? Merda. Não era esse tipo de conversa casual que eu tinha em mente. — Duas vezes. Eu deixo escapar. Ridge fecha os olhos e respira fundo. — Você quer isso? “Mais do que eu jamais poderia explicar’’ Suas mãos pousam no meu quadril e me puxam pra mais perto dele. — Vou cuidar de você. - Seu quadril suavemente cobre o meu. E assim ele cuidou. Ele me mostra a paixão que nunca senti. Não demorou muito pra ele fazer meu corpo rezar as orações dele, e grito seu nome o mais alto que consigo. Mais tarde, ele não me diz se devo esperar por ele ou não. Em vez disso, ele se enrola do meu lado e adormece. Eu fico deitada ali por horas até que a realidade do que acabamos de

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entanto, eu não gosto de fazer a caminhada da vergonha. A estranha manhã seguinte que já li

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fazer me acerta. Eu tive uma noite de sexo casual sem arrependimentos. Eu quis. Eu o quis. No


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varias vezes. Não quero isso. Não quero dar a ele a chance de arruinar esse momento legal. Não vou dar a ele a chance de me rejeitar. Silenciosamente, eu deslizo da cama, junto minhas coisas e abro a porta silenciosamente. Não tirei sequer minhas malas do carro. Só aluguei o quarto e fui direto pro bar. Ridge me deu uma noite pra recordar e uma noite pra esquecer. Serei eternamente

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grata a ele.


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CAPITULO UM

RIDGE — Outra rodada? - a garçonete pergunta. — Manda bala, docinho. - Kent pisca. Eu vejo seu rosto ficar avermelhado e ela vai embora. Os caras e eu estávamos tendo um merecido drinque depois da longa jornada de trabalho semanal. Tem alguns anos que freqüentamos o Bottom’s Up. É um lugarzinho pequeno, com um jukebox cheio de clássicos. A atmosfera aqui é descontraída e as garçonetes são sempre uma excelente distração. Não que eu queira tirar vantagem; eu estava passando por maus bocados nos últimos meses. Meus olhos grudaram numa dançarina na pista de dança improvisada quando Seth disse. — Já tá escolhendo a diversão da noite? - ele ri pra mim. — E você já escolheu, não é? — Como se você ainda precisasse perguntar. - Mark cantarola. — O que quero mesmo saber é por que você ainda não se decidiu. - Tyler complementa. Dei de ombros. — Só não tô com vontade. - Eu disse com sinceridade. — Quem é você e o que fez com o Ridge? - Kent comenta.

— Ridgezinho tem se sentido negligenciado. Por uns... quatro ou cinco meses? - Seth pergunta.

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olhar de não se intrometa no que não é da sua conta.

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— Preocupe-se com o seu pau que eu me preocupo com o meu. - Eu dei a ele meu


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Mas que porra! Isso que é estar cercado de amigos que te conhecem a vida inteira; eles não escondem nada e podem te ler como um livro aberto. — Quanto a isso, - eu falei, pegando a garrafa de cerveja que a gracinha da garçonete acabou de colocar na minha frente e acabo com ela. — Não desde, qual o nome dela mesmo... - Tyler bate seu dedo no queixo. — Merda. Exatamente, o trabalho que fizemos fora da cidade. Aquela gracinha linda. Como era o nome dela mesmo? - Mark diz. — Melissa. - Eu resmungo. — Isso! - os quatro dizem em uníssono. — Foi bom? - Kent pergunta. Sim. Era justamente sobre ela, como ela parecia desesperada pela conexão. Ela definitivamente não era do tipo que eu sempre pegava, mas sair de fininho no meio da noite? Bom, isso é mais coisa de homem fazer. Estou acostumado a um esquema de cinco fases: aquele em que você implora pra ficar juntos de novo choraminga pelo seu telefone. Aquele em que você freqüenta o Bottom’s Up só pra ter uma chance de ir pra casa com você. Aquele em que você laça alguém e finge que dorme só pra poder passar a noite. É nessa fase que estou acostumado. Acordar sozinho num quarto de hotel? Isso não acontece. Pelo menos comigo. Sem bilhete, nem sequer uma peça de roupa como prova de que ela esteve aqui. É quase como se ela fosse coisa da minha imaginação.

— Estamos com você nessa. - Mark cantarola.

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isso. - Ele estava tentando muito em não rir.

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— Sem crise, mano. - Seth coloca sua mão no meu ombro. — Temos a noite toda pra


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— Nós vamos alegrar sua noite. E vamos deixá-la no ponto para que ela queira ficar com você. - Tyler diz. — Mas é claro, nós vamos conseguir convencê-la. - Kent complementa. — Vão se foder. — Oooh, acho que cutucamos a ferida. - Seth provoca. — Não preciso de ajuda pra conseguir uma mulher disponível. - Eu resmungo. — É mesmo? - Kent pergunta. — Cavalheiros, acho que temos um desafio em nossas mãos. - Tyler esfrega animadamente suas mãos juntas. — Aham, vamos escolher a garota. - Mark sorri Eu agarro minha cerveja e a levo para meus lábios, apenas os deixo conversarem. Nunca tive problemas com as moças. É o cabelo escuro e as tatuagens. Eles compõem a fantasia de ser o bad boy, o rebelde que as farão se sentir vivas e perigosas. O cara que suas mães aconselham a evitar. E mesmo assim, ainda existem mulheres que simplesmente me veem e querem experimentar essas sensações. Elas acham que sou eu, mas as aparências enganam. Pois é, eu tenho uma aparência sinistra, sombria – cabelos negros, olhos castanhos escuros, a tinta. Não que isso signifique que eu seja um cara mal. Claro, eu já tive minha cota de mulheres, mas sou jovem, solteiro. Ninguém saiu prejudicado nisso. — Alguma exigência? - Seth pergunta. Eu olho para os quatro em volta da mesa. — Nenhuma. - Eu estalo, inclinando minha

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— Hora de estabelecer as regras. - Mark diz.

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cerveja nos meus lábios.


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— Não tem necessidade. Escolha a garota, e eu vou fechar o negócio. - Eu digo confiante a eles. — Ora, ora, não se acha muito pretensioso? - Tyler acusa. — Amiguinhos, eu tô falando pra adoçarmos as moças. O Senhor Pretensioso acha que pode fechar o negócio, por isso só precisamos definir os termos. - Kent senta na sua cadeira, inclinando seus cotovelos na mesa. Eu não falei nada, apenas fiquei aqui sentado e os observei. Praticamente consigo ver as pequenas engrenagens nas suas cabeças trabalhando, decidindo meu destino. Sempre fomos assim, nunca dando as costas pra um desafio. — Já sei! - Mark exclama. — Três meses. Escolhemos a garota e você a mantém por perto por três meses. - Ele senta de volta na sua cadeira, sorrindo feito louco. Porra! Três meses. É quase um namoro, com direito a sentimentos iguais e o drama do término. Às vezes, os encontros de uma noite são bem difíceis de se livrar, mesmo que ambas as partes saibam disso. Três malditos meses. O quê? Só pra ter o direito de me gabar? — Tô nessa. - Seth concorda. Um coro de — Eu também - e — Porra, claro que sim. - Alcançaram meus ouvidos. — Quais são os termos? - eu pergunto. — Três meses é quase um namoro. Vou precisar de algo a mais do que só me gabar. — Valendo cem dólares de cada. - Kent sugere. — E você só pode ficar com ela, mais ninguém.

rodada.

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— Não preciso de dinheiro. - Eu digo, sinalizando pra garçonete nos trazer outra

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Tá de brincadeira?


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— Não, mas se você ganhar, nós teríamos que pagá-lo de alguma forma. A menos, claro, que você esteja dando pra trás? - Seth caçoa de mim. Quatrocentos dólares e o direito de me gabar. Será que isso vale a pena? Quatro pares de olhos cheios de escárnio me encaram, na expectativa de que eu vá desistir. Que homem concordaria em manter uma mulher qualquer, escolhida a dedo por seus amigos em um bar enfumaçado por três meses? Isso seria tipo, muita doideira, certo? — Medinho? - Mark interroga. — Façam suas escolhas, rapazes. - Eu sorrio. Que se foda! São três meses, e eles não me disseram quanto tempo eu tenho que passar com ela, eu só tinha que mantê-la por perto por três meses. Eu já tô há três meses sem transar, então isso não será um problema. Mark e Kent imediatamente começam a procurar suas escolhas no meio da multidão. Seth parece confuso, como se ele ainda não acreditasse que eu concordei com isso. Tyler está sorrindo. O revide é uma cadela, meninos. — Certo, então temos que consultar. Ridge, meu rapaz, estaremos de volta. - Tyler diz. Eu observo os quatro ficarem de pé e irem pra dentro do bar. Mas em que porra eu acabei de me meter? A gracinha da garçonete me traz outra rodada, mesmo com os caras de pé lá no bar. Eu rapidamente agarro minha bebida e devolvo, batendo a garrafa vazia em cima da mesa.

assentos. Virando pra encarar a música, eu vejo uma loira com pernas compridas e peitos deliciosos olhando de volta pra mim. Eu prefiro as loiras.

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— Ridge, esta é a Stephanie. - Mark diz enquanto o resto dos caras tomam seus

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Que comecem os jogos.


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Talvez isso não vá ser tão ruim quanto eu pensei que seria. Levantando da minha cadeira, eu alcanço sua mão e a coloco nos meus lábios. — Prazer em conhecê-la, Stephanie. Posso te pagar uma bebida? — Oi. - Ela cora. — Na verdade, minhas amigas estão no bar. - Ela aponta por cima do seu ombro. Eu não desvio meus olhos dela, dando a ela minha total atenção. — Você pode se sentar comigo. - Eu pisco e puxo uma cadeira pra ela. — Obrigada. - ela sorri. Pelo resto da noite, concentro-me nela. Ela parece... Normal, não é uma daquelas malucas. Suas amigas são legais, e então estão ocupadas com os meus. Todo mundo está se divertindo, e sinto um pouco do meu temor escapar. Talvez, apenas talvez, seja porque passei por três meses infernais sem transar. Enquanto a noite segue, meus amigos continuam bebendo, mas eu já passei pra água. É hora de ir, então preciso manter meus atrativos, manter a senhorita Stephanie interessada. Como se ela pudesse ler meus pensamentos, ela boceja. — Desculpa. - Ela esconde a boca com as mãos. — Estou de pé desde às cinco da manhã, e eu tô exausta. — O que você faz? — Trabalho com design de interiores. Hoje fizemos as últimas reformas em uma casa que acabamos de terminar.

olha para suas mãos repousadas no seu colo.

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— E-eu... hã, adoraria, mas tenho que levantar bem cedo amanhã. - Ela diz enquanto

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Linda e com emprego. — Deixa eu te levar pra casa. - Sussurro no seu ouvido.


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— Tanto quanto eu adoraria dividir a cama com você essa noite, não foi isso o que quis dizer. Você está cansada e andou bebendo. Deixa eu dirigir pra te levar pra casa, pra ter certeza de que está em segurança. Ela hesita. Tenho certeza de que ela está tentando medir sua confiança em mim. Ela olha para suas amigas, que obviamente estão emparelhadas. — Steph, Mark vai voltar pra casa comigo. Está pronta pra ir? - sua amiga pergunta pra ela. Eu sequer tentei aprender o nome delas. Isso não poderia ter dado mais certo. Eu trouxe Mark, sua amiga a trouxe. Ela precisava de uma carona. — É só uma carona. - Eu sussurro no ouvido dela. Ela assente. — Ridge disse que pode me levar. - Ela diz pra sua amiga, que está caída em cima do Mark. Mark sorri ironicamente. Eu luto contra a necessidade de dar um chute no rabo dele. Ao invés disso, eu me levanto e ofereço à Stephanie minha mão. Ela pega, qualquer hesitação que ela tinha agora desapareceu. Eu me despeço de todos que ainda estão na mesa e a levo para minha caminhonete. Ajudando ela a entrar, eu espero até que ela afivele o cinto pra eu fechar a porta, e então eu paro atrás da camionete e respiro fundo. Ela parece legal, mas quem sabe o que pode acontecer nos próximos três meses. Essa pode ser a primeira aposta que perderei. Balançando minha cabeça pra afastar esse pensamento, puxo minha boxer para cima e vou até o lado do

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— Na verdade, não é muito longe daqui.

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motorista. — Então, pra onde vamos?


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Eu escuto enquanto ela me dá as orientações gerais antes de entrar na quadra dela. — Você mora aqui? - eu pergunto. — Não, as meninas e eu nos mudamos pra cá há cerca de três meses. Os pais de Carla são donos do escritório que trabalhamos. Eles estavam planejando expandir os negócios, então quando nos formamos, eles o fizeram. Nós três conseguimos empregos assim que saímos da faculdade. — Isso foi um excelente negócio. — Na verdade, tivemos foi é muita sorte, isso sim. A cabine da caminhonete ficou em silêncio. Eu estava com o que concordei com ela... bem, não tenho certeza do que se passa na mente dela agora. — Segunda casa à direita. - Ela instrui, quebrando o silêncio. Parando na frente da casa, eu estaciono a caminhonete, mas não desligo o motor. — Obrigada. - ela alcança a porta. Merda! Eu preciso continuar com a porra da programação aqui. — Stephanie. - Eu a alcanço e pego seu braço. — Posso te ver de novo? - minha voz está suave; não quero que ela pense que sou um tipo de pervertido tarado. — Ah, hã, claro. — Passa seu telefone pra mim, docinho. Ela hesita antes de tirá-lo da bolsa e me dar. Eu rapidamente digito meu numero nele e

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princípios. Eu não quero envolver – tanto drama, tanto... Do mesmo.

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envio uma mensagem de texto pra mim mesmo. Este ato tão simples vai contra todos meus


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Eu devolvo o telefone pra ela e sorrio quando o meu toca, avisando-me que a mensagem que enviei acabou de chegar. Stephanie assente, então abre a porta da caminhonete e pula pra sair. Eu rapidamente faço a mesma coisa e a sigo até a porta. Eu deveria tentar fechar o negócio aqui, mas porra, eu não posso esta noite. Eu preciso enfiar na porra da minha cabeça que fizemos um acordo aqui. Esse é o acordo mais estúpido que já fiz na minha vida. Enquanto ela chega ao último degrau e para na soleira da porta, eu sei que meu tempo está acabando. Tenho que dizer algo, mas ela é direta comigo. — Você quer entrar? Se eu quero? É claro que quero. Ela é observadora. Na minha mente, eu tenho que fazer esses três meses passarem o mais rápido possível. Talvez se eu a manter como uma transa casual, eu consiga superar. Sem amarras. Caralho, nos piores dos cenários, eu vou ganhar quatrocentos dólares. No entanto, não é essa parte que me incomoda. É o direito de me gabar e não ter que ouvir zoação dos meus amigos pelos próximos vinte anos – ou pelo menos até aparecer outra aposta, melhor do que essa, que com certeza vai ter.

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— Primeiros as damas, docinho.


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CAPÍTULO 2

RIDGE Acontece que, Stephanie estava bem com o plano de sermos “amigos com benefícios” . Ela afirma que seu trabalho a mantém ocupada e ela não tem tempo para nada mais sério, por isso, concordou em ligar quando nós dois tivermos o desejo e o tempo, sem expectativas. Ela também insistiu em nós não dormirmos com outras pessoas durante esse tempo. Eu estou bem com isso. Hoje faz dois meses que estamos nos encontrando. Nós nos ligamos uma vez por semana, e até agora está funcionando muito bem. Eu me vejo ficando quatro centenas de dólares mais rico muito em breve. Os caras não poderiam ter escolhido uma menina melhor; ela é tão desapegada quanto eu sou. Além disso, o sexo é bom, por isso é favorável para ambas as partes. — Você vai jogar hoje à noite? - Pergunta Kent. — Esta noite é minha noite com Steph. - Digo a ele. — Oh, sim, sua namorada. Ela tem você numa coleira, irmão? - Tyler entra na conversa. — Foda-se. Sem coleira, nós dois estivemos ocupados esta semana. Esta é a nossa única noite para nos encontrarmos. - Preciso de algum alívio, mas eu não digo isso a eles. Por que alimentar o fogo?

funcionar. Nós precisamos jantar, passar algumas horas com os caras, e ainda encontrar tempo para emaranhar os lençóis.

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— Talvez. – Digo, não me comprometendo. Estou pensando em como fazer isso

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— Traga ela com você. - Mark sugere.


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— Já faz o que... cinco, seis semanas? Ela já te pegou pelas bolas. - Ri Seth. — Oito. Riam, rapazes, mas eu sei que a minha noite está acabando com meu pinto ficando molhado. Vocês podem dizer o mesmo? – Sorrio. — Ridge, vamos lá, homem. É a noite das cartas. Basta trazê-la. - Diz Kent, exasperado. A noite das cartas tem sido a nossa tradição nos últimos anos. Nós nos revezamos indo para a casa uns dos outros, levando lanches e cerveja gelada. Não ir é algo que nenhum de nós jamais fez a não ser por uma emergência familiar, e certamente não por causa de um caso/aposta. — Tudo bem, nós estaremos lá. Agora, voltem ao trabalho.

XXX

Paro na entrada de Stephanie exatamente às seis horas. Corri para casa do trabalho, tomei um banho rápido e vim direto para cá. — Ei. - Diz ela, abrindo a porta. — Querida. – Inclino-me e a beijo. — Você está pronta? — Sim. - Ela pega sua bolsa e as chaves e nós estamos fora da porta. — Como tem sido sua semana?

Ela continua a me falar sobre o seu dia, e eu escuto enquanto dirijo até a loja.

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amarrar algumas pontas soltas. E a sua?

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— Ocupada, como sempre. Terminando o trabalho de Allen amanhã, eu espero. Basta


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— Uh, o que estamos fazendo aqui? — Noite das cartas. Eu preciso comprar alguns petiscos. Eu não estava planejando ir, mas os caras insistiram. Eu já volto. - Rapidamente saio da minha caminhonete e faço meu caminho para dentro. Pego algumas batatas fritas, molho e uma dessas bandejas de carne e biscoitos, em seguida, vou para o caixa. Em cinco minutos estou de volta na caminhonete. — Noite das cartas? - Ela pergunta, uma vez que estamos de volta na estrada. Seus braços estão cruzados sobre o peito, e eu posso dizer que ela não está impressionada. Eu deveria me sentir mal ou algo do tipo, certo? Então por que é que eu não estou? — Sim, é algo que fazemos uma vez por mês. Há anos. - Explico. — E de todas as noites, você escolheu esta noite para que possamos ficar juntos? — Eu te disse, eu não ia, mas eles me convenceram. Qual é o grande negócio? Vamos parar no Kent, jogar algumas mãos, comer uma pizza e lanches, e depois ir embora. - Estendo a mão e agarro a mão dela. — Então vamos ver o que podemos fazer para aliviar o stress da sua semana. – Pisco. Ela não está impressionada. — Ridge. – Ela geme. Mas que inferno? Isso é novo. Eu não tinha visto esse lado dela. Claro, normalmente somos só nós dois tendo um jantar e queimando os lençóis. Eu tenho evitado sair com as amigas dela ou os meus, até agora. Essa é a primeira vez.

— Ugh! Tudo bem, mas eu não quero demorar muito.

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Se ela quer transar, ela vai ter que aguentar a noite de cartas. Simples assim.

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— Você quer que eu te leve de volta para casa? – Eu não vou lidar com esses gemidos.


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Agarro o volante com força. Eu nunca tive uma garota me dizendo o que fazer. Claro, nunca fico tempo suficiente para que isso aconteça também. Ela está delirando se acha que só porque ela é a única que eu estou fodendo agora ela pode dizer o que eu faço. Isso não vai acontecer, querida. Parando na garagem de Kent, pego o saco de lanches e espero na frente da minha caminhonete por Stephanie. Eu não sou um total idiota. Bato uma vez na porta e entro, é assim na casa de todos. Nós somos uma família. — Hey, hey! - Grito. Um coro de saudações nos cumprimenta enquanto caminhamos para a cozinha. — Stephanie, certo? – Mark pergunta. Ela parece surpresa que ele se lembra. — Sim. — Bem-vinda. Você joga pôquer? – Kent cumprimenta. Porra, ele sabe que ela não joga. Mordo meus lábios para não rir. — Não. O olhar em seu rosto não tem preço. Ela olha como se nós apenas tivéssemos pedido para dormir com todos os cinco ou algo assim. Isso é outra coisa que eu tenho começado a notar sobre ela. Ela é muito formal e correta, não tem tempo para apenas relaxar, isto é, é claro, a menos que estejamos no quarto. Todas as outras vezes, ela é tão tensa. Ela precisa aprender a se soltar de vez em quando; a vida é muito malditamente curta para ser tão séria o tempo todo.

Ela olha para mim, pra quê, eu não sei.

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dos ombros dela.

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— Não se preocupe, querida. Podemos te ensinar. - Seth diz, jogando o braço por cima


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— Eu estou bem. - Diz ela, encolhendo os ombros longe do braço dele. — Sirvam-se. Estamos todos prontos? - Pergunto. — Sim. - Tyler confirma, pegando uma taça de batata-frita e colocando-a sobre a mesa. — Puxe uma cadeira, ou vá para a sala de estar se você quiser assistir à TV. - Digo a ela. A boca dela cai aberta. O que ela esperava? Eu não vou mimá-la. Ela não é minha namorada, e francamente, eu não gosto deste lado dela. Ela revira os olhos e vai em direção à sala de estar. — Qual o negócio? – Pego um lugar na mesa. — Problemas no paraíso? – Mark pergunta. — Paraíso? Você sabe a contagem, irmão. Reparta as cartas. - Passamos as próximas duas horas jogando cartas, comendo e falando merda. Não é até que ouço Stephanie limpar sua garganta que eu me lembro que eu a trouxe. Merda! — Você está pronto? - Ela pergunta. Seus braços estão cruzados sobre o peito e ela está batendo o pé, uma careta no rosto. Tudo bem, foi idiotice esquecer que ela estava aqui, mas vamos lá. Ela quem escolheu ficar separada da gente. Olhando para a hora, vejo que já são quase nove. — Sim. Esta é a última mão. Ela parece irritada que eu não tenha simplesmente levantado e saído, mas nós estamos no meio de uma mão. Que acaba muito rápido, com Seth arrecadando os ganhos.

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senhoras. - Olho para Stephanie. — Pronta?

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— Nós estamos fora. - Digo, de pé e me alongando. — Vejo vocês amanhã de manhã,


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Ela não responde, apenas se vira e sai pela porta da frente. Os caras riem, e eu não posso ajudar, mas rio com eles. Ela está sendo uma diva. Eu aceno por cima do meu ombro enquanto eu a sigo para a minha caminhonete. — Apenas me leve para casa, Ridge. - Ela late. Eu não me dignifico a responder seu chilique, apenas coloco a caminhonete na estrada e a levo para casa. Paro em sua garagem e não me incomodo de desligar o motor. Ela está chateada, e honestamente, eu não me importo. — Eu queria te perguntar uma coisa, mas você estava muito preso com os meninos para passar algum tempo comigo. Essa é uma bandeira vermelha. Nós realmente não chamamos de “passar o tempo juntos”, comemos e transamos, é isso. — Bem? - Digo, levando-a a continuar. Ela sopra o cabelo do rosto e respira fundo. — Há um baile de gala na próxima semana. É um grande negócio, mostrando meus projetos. Eu não quero ir sozinha. Bem, foda-se. — Que dia? — Sexta-feira.

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— Nós precisamos sair daqui às sete. Começa às oito, mas eu quero chegar cedo.

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— Que horas?


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Penso sobre a aposta. Merda, é o mínimo que posso fazer. Estou na reta final, e logo nosso tempo vai acabar de qualquer maneira. — Sim, o que eu preciso vestir? Seu rosto se ilumina. — Um terno? - Pergunta. — Entendi. Vejo você então. Ela hesita. — Você quer sair neste fim de semana? Não. — Eu tenho muita coisa acontecendo terminando o trabalho de Allen. Eu não acho que terei tempo. Vou buscá-la às sete na sexta-feira. Ela não se incomoda com uma resposta quando ela sai da minha caminhonete. Eu mantenho meus faróis em sua porta e espero até que ela esteja dentro para ir embora.

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Mais quatro semanas.


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CAPITULO TRÊS

RIDGE Hoje tem sido um desastre atrás do outro. Em primeiro lugar, o trabalho da Avenida Sul que participamos da licitação ligou para me dizer que teríamos que oferecer um preço mais baixo. Eu estou cheio de trabalho, mas ainda assim odeio perder. Embora, com aquele trabalho em particular, eu fui o mais baixo que consegui. Não tenho certeza como o empreiteiro vencedor vai ganhar dinheiro sem cortar gastos. Outra coisa que odeio. Quando cheguei ao meu local de trabalho atual, encontrei os materiais errados entregues. The Lumber Yard misturava as tarefas de Jefferson e Williams. Isso me custou duas horas no telefone para que trouxessem um caminhão para cada lugar para trocar tudo. Sua confusão custou a mim e a meus homens um dia de trabalho, deixando-nos um dia atrasados, e deixando-me a tarefa de chamar o cliente para explicar tudo. O que levou à minha situação atual. Já disse que odeio estar fora do programado? Passei a tarde no local de trabalho Jefferson, o último caminhão tinha acabado de deixar os suprimentos corretos. Sra. Jefferson estava preocupada que os materiais estariam errados novamente, mas garanti a ela que estariam corretos. Em outras palavras, ela insinuou que era melhor que estivessem. Ela é um osso duro de roer e insistiu para que o trabalho esteja concluído antes de visitarem sua irmã e cunhado na Califórnia no próximo mês. Para satisfazêla, fiquei até o caminhão chegar, e verifiquei o conteúdo do pedido eu mesmo. O risco do negócio é manter os clientes felizes. Era para eu estar 'off', — se isso é realmente possível para um proprietário de negócios

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cancelar, mas dei a minha palavra, e isso é algo que levo a sério. Em vez disso, aqui estou saindo

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— às cinco, porque tenho a noite de gala com Stephanie. Várias vezes hoje, pensei em ligar para


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do local do Jefferson às 06:30, e para terminar este dia fodástico, o céu se abre e começa a cair chuva. Os limpadores estão à toda enquanto deslizam pelo pára-brisa. Eu diminuo a velocidade quando vejo um carro no acostamento da estrada à frente. Quando chego mais perto, vejo uma mulher chutando o que parece ser seu pneu murcho. Merda. Não posso em sã consciência não parar e ajudá-la. Duvido que ela saiba como trocar um pneu. Ligando meu sinal, saio para o acostamento da estrada, estacionando atrás dela. Ela está usando o que parece ser um uniforme de enfermagem e o cabelo dela estava encharcado. Alcançando o porta luvas, pego duas capas que tenho sempre à mão; você nunca sabe quando a mãe natureza vai decidir abrir as comportas. Trabalhando na construção, meu suprimento tem que estar à mão mais vezes do que posso contar. Rasgando um pacote para abri-lo, deslizo a capa sobre minha cabeça. Segurando a que peguei pra ela, saio da caminhonete. Ela está me vigiando, braços cruzados sobre o peito dela. Vejo as chaves do carro dela saindo entre os dedos, como se ela estivesse preparada para usálas contra mim. Garota esperta. — Oi, - eu grito sob a chuva. — Parece que você precisa de alguma ajuda. - Entrego-lhe a capa. Ela hesita, mas a chuva aperta e ela cede, lentamente alcançando a oferta. Vejo como ela rapidamente desdobra a capa e a desliza pela sua cabeça. — Eu sou Ridge. - Aponto para minha caminhonete marcada com o logotipo da Construção Beckett. — Acabei de deixar meu local de trabalho e vi que você parecia precisar de

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Ela ainda parece hesitante; novamente, acho que ela está sendo inteligente.

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alguma ajuda. Você tem um estepe? - Pergunto.


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— Eu vou alcançar meu bolso e pegar minha carteira, - eu a aviso. Lentamente, chego ao meu bolso de trás e a retiro. Abro-a, puxo para fora um cartão que tem meu nome completo e informações de contato e entrego-o a ela. A chuva continua a cair forte, e eu espero ela decidir se vai confiar em mim para que possamos acabar esse show na estrada. Eu já estou atrasado... e já posso ouvir Stephanie lamentar-se. Ela estuda o cartão, depois muito lentamente levanta a cabeça e sorri calorosamente. Segurando a mão para fora, ela se apresenta. — Dawn Miller. Obrigado por parar. Não faço ideia do que estou fazendo. — Entendi. - Pisco para ela. Mesmo encharcada, ela é linda, com olhos azuis e longos cabelos loiros. — Abra o porta mala e entre no carro. Não há nenhuma necessidade de ambos ficarmos aqui e se molhar. Ela acena fora minha preocupação. — Não vou derreter. Não podia me sentar no carro enquanto você fica aqui fora, eu me sentiria culpada. Eu realmente agradeço isso, mais do que imagina. Ela abre o porta-malas e eu faço o trabalho rápido de liberar o pneu sobressalente e o macaco. Assim que eu pego o macaco, a chuva cessa. Eu me ocupo em tirar o pneu e rapidamente, o substituo com a versão donut1. — Você vai ter que cuidar disso. Espero que você não tenha que ir muito longe. Não é seguro dirigir esta coisa nestas estradas molhadas. Apontei para o pneu menor. — Não está longe. Vou cuidar disso amanhã, - ela promete. Depois de certificar-me de que as porcas estão apertadas, coloco o pneu murcho e as ferramentas de volta no porta-malas. — Está tudo pronto, - digo a ela, fechando a tampa do

1

Pneu versão donut – pneu menor, de uso limitado, para reduzir custo, diminuir o peso do veículo, e/ou aumentar o espaço do porta malas.

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— Muito obrigado. Quanto devo?

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porta-malas.


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— Nada, só dirija com cuidado. Foi bom te conhecer, Dawn. - Ofereço-lhe minha mão. Ela desliza a dela contra a minha e as apertamos. — Foi muito bom conhecer você , Ridge. Obrigado mais uma vez, muito obrigado. Com um aceno de cabeça, soltei a mão dela e corri para o minha caminhonete. Vejo como ela se senta atrás do volante e dirige para fora. Pegando o meu telefone, mando um texto rápido para Steph.

Eu: Atrasado, foi um dia infernal. Stephanie: Sério, Ridge? Você prometeu. Eu: Não pôde ser evitado. Eu estarei aí em breve.

Jogo meu celular no porta-copo e volto para a estrada. A Mãe natureza decide que ela não tinha acabado de me torturar hoje, então a chuva mais uma vez desencadeia. Grandes e pesadas gotas batem no para-brisa e eu tenho que ir devagar como um verme, com a visibilidade praticamente inexistente. Espero que a Dawn faça isso para onde ela vai. Uma rajada de vento atinge a caminhonete e eu tenho que lutar para mantê-la na estrada. Esta tempestade surgiu do nada. Reajusto a minha posição, aperto o volante e me inclino, mantendo meus olhos colados à estrada. Meu telefone me alerta para uma nova mensagem, mas isso vai ter que esperar. Meu instinto me diz que é Stephanie querendo me dar uma bronca pelo atraso. Se fosse Stephanie ou minha irmã Reagan no acostamento da estrada, eu iria querer que um cara decente como eu parasse e as ajudasse. Há um monte de pervertidos

árvores caídos — inferno, nem um outro carro, se é que isso importa. Há destroços por todo o

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Os olhos colados na estrada, olhar duro, certificando-me de não bater em galhos de

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por aí, e não é seguro. Ela vai superar isso e se não... Oh bem.


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caminho, então eu vou devagar, sabendo que as curvas do The Jacksons estão só lá na frente. O Velho Jackson mora bem no meio de um conjunto infernal de curvas, e eu vi mais acidentes neste trecho de estrada que nem sei contar. Assim que eu passo lentamente pelo primeiro conjunto, vejo luzes. Luzes que são provenientes do outro lado de um pequeno aterro. Porra! Isso não é um bom sinal. Hoje não é meu dia. Encosto minha caminhonete ao lado da estrada. Alcançando o porta-luvas, pego uma lanterna. Ainda estou usando minha capa, não tendo tido tempo para removê-la, sabendo que Stephanie já ia ficar brava. Não sabendo o que eu vou encontrar do outro lado do aterro, eu pego o meu telefone e o enfio no meu bolso. Assim que eu abro a porta, o vento explode em mim e quase me derruba. Eu luto contra as rajadas para fechar a porta, em seguida, ligo a lanterna e verifico os dois lados antes de cruzar a estrada. É perigoso como inferno, mas meu instinto me diz que o tempo é essencial nesta situação. Faço uma prece silenciosa para estar errado. O que eu acho me faz correr em ação. Uma caminhonete está ligada neste lado. Andando pelo aterro enlameado, perco o pé. Escorregando e deslizando, eu me esforço para encontrar meu equilíbrio. Finalmente chego à frente do veículo, mas os faróis estão me cegando, tornando impossível de ver se alguém ainda está lá dentro. Estou atento para não me inclinar sobre o carro, não estando disposto a correr o risco de incliná-lo e rolar abaixo da colina. Está muito escuro para avaliar a situação e a chuva ainda está caindo em cântaros. Seguro morreu de velho. Com muito cuidado, vou até a porta do lado do motorista. Jogo a luz através da janela e posso ver uma mulher deitada de lado. Seus olhos estão fechados. Merda! Eu sei o suficiente

— 911, qual é sua emergência?

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Demora três tentativas, enquanto minhas mãos estão tremendo e molhadas da chuva.

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que não devia tentar movê-la. Mão no meu bolso, retiro meu telefone e disco para ajuda.


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— Houve um acidente, - eu grito sob a chuva batendo. — Estou na Anderson Drive, nas curvas de Jackson. — Senhor, está machucado? — Não, eu não. Vi os faróis, então parei. Há uma mulher presa. Eu sei que provavelmente não estou fazendo sentido, mas minha cabeça está muito confusa. Preciso ajudá-la. — Fique com ela, a ajuda está a caminho. Tenho uma equipe na rota, a menos de cinco minutos. — O que posso fazer? - Pergunto a ela. Estou apertando o telefone no meu ouvido, assim posso ouvi-la. A chuva torna isso uma tarefa quase impossível. — Aguente firme, a ajuda está a caminho. Não tente movê-la, a menos que você sinta que ela está em grande perigo, - ela grita sobre a linha, fria como um pepino de merda. Eu acho que é por isso que ela está nessa posição. Depois do que tenho certeza que foram os cinco minutos mais longos da minha vida inteira, eu ouvi as sirenes. — Eles estão aqui, - Eu disse à telefonista. — Bom, por favor lembre-se de permitir que eles façam o trabalho deles. Que diabo? Essa garota é de verdade? — Entendi, - eu digo e termino a chamada. Enfio meu telefone de volta no meu bolso, aceno meus braços no ar. — Aqui! - Eu chamo. Os dois paramédicos cuidadosamente deslizam para baixo da colina, carregando uma placa. Assim que eles me alcançam, um caminhão de bombeiros e um xerife encostam no lado da estrada. A cavalaria chegou.

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— Senhor, está machucado?

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Graças a Deus. Espero que esta mulher esteja bem.


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— Não, eu estava passando e vi os faróis. Estou aqui há pouco mais de cinco minutos. Eu não toquei no carro, só iluminei a janela com a minha lanterna. A mulher ao volante parece estar inconsciente. Pelo que sei, ela é a única passageira. Eu tive medo de movê-la ou o carro, eu divago sob o barulho da chuva, que ainda cai do céu em baldes. — Fez bem, - ele grita de volta. Eu saio do caminho e deixo-os ir para o trabalho. Meu celular vibra no bolso. Stephanie. Ela só vai ter que esperar. Eu fico enraizado no lugar, na encosta, no caso de precisarem de outra mão. Assisto como os bombeiros se juntam a nós e vistoriam o carro, avaliando o risco, enquanto acenam e usam sinais de mão. Eles devem achar que tudo está seguro, porque imediatamente começam a trabalhar na tentativa de abrir a porta. Os paramédicos estão perto, à espera para chegar ao seu paciente. Eu não mexo um músculo; estou no meu lugar, todo molhado e espero para ver se ela está bem. Gostaria de poder ter feito mais. Eu faço um voto para obter pelo menos a minha certificação de CPR2. O que eu realmente faria se ela estivesse acordada, ou se eu tivesse que tentar arrastá-la fora do carro, se houvesse perigo mais iminente? Meu celular vibra novamente, e eu continuo a ignorá-lo. Meus olhos estão colados à cena na minha frente. Vejo como a porta — que só abre uma fração — é cortada do carro. Os bombeiros estão trabalhando com cuidado e ainda diligentemente. Assim que a porta é removida, um dos homens a pega e joga para trás do carro. Tenho certeza que eles estão

CPR é o ato de realizar a técnica de emergência de ressuscitação cardiopulmonar. Obter uma certificação Cruz Vermelha CPR seria necessário para os profissionais da área da saúde; outros profissionais também devem ter esta certificação, de acordo com a exigência da profissão, exemplo: professores, treinadores, bombeiros, seguranças e guardas de vida.

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operando na adrenalina pura; é seu trabalho, para chegar até ela o mais rapidamente possível.


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Você vê isso em filmes, ouve sobre isso no noticiário, mas estar aqui e presenciar a determinação e dedicação que esses homens e mulheres têm é inspirador. Os paramédicos se aprofundam e verificam a motorista. Agora vejo que um deles está no banco do passageiro. Acho que aquela porta se abriu bem. Todos trabalham juntos, avaliando a situação. Quando eles gritam pela maca, meu batimento cardíaco acelera. Ela vai ficar bem? Eles podem levá-la? É preciso cortá-la? Um milhão de perguntas estão passando pela minha cabeça, mas eu ainda mantenho meus olhos colados ao carro. Para ela. Eu preciso ver se ela está bem. Minutos, horas — já perdi noção do tempo. E fico assim até vê-los lenta e delicadamente levantá-la do carro e colocá-la na maca, quando então tomo uma respiração profunda. A dor no meu peito, era como se fosse a primeira vez em um tempo. Os paramédicos prenderam-na com cintas na maca. Um bombeiro lança um cobertor grande sobre seu corpo, seguido pelo que parece ser uma lona, uma tentativa de mantê-la seca nesta chuva torrencial. Esta noite, a mãe natureza é implacável. Lágrimas do céu, como minha mãe sempre diz. Quatro deles cercavam cada canto da maca e começaram a caminhada lenta, escorregadia até a colina para a ambulância. No escuro da noite, eu perco a visão deles até que eles atinjam as luzes do farol. — Ei, cara, você está bem? Você se machucou? - Um dos caras encostara a mão hesitante no meu ombro. Eu balanço a cabeça. — Não, eu só parei para ajudar, - Tento explicar. Ele acena, deixando-me saber que ele ouviu. Esta chuva dificulta muito ter uma

sacola.

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Virando, ele vai em direção ao carro. Chegando lá dentro, ele puxa para fora de uma

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conversa normal.


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A bolsa dela. E se ela acordar no hospital sozinha? Quanto tempo vai demorar sua família para chegar até aqui? Ela vai ficar com medo. É esse pensamento que me toma ao subir a colina. Eu vou para o hospital e certificar-me que ela está bem, que ela não está sozinha. Eu vou esperar até que a família dela chegue. Talvez eu possa responder qualquer dúvida que ela possa ter. Posso pelo menos esclarecer as coisas do ponto que a encontrei no carro dela. No topo da colina, eles já a têm carregada na ambulância. Eu vou para lá quando o xerife me impede. — Desculpe-me, senhor, conhece a vítima? - ele questiona. — Não. Eu estava passando e vi os faróis ao longo do barranco, - eu explico. Ele concorda. — Eu vou fazer algumas perguntas. - Ele olha para a chuva que ainda cai do céu. — Pode vir até a delegacia? — Não. Estou seguindo-os para o hospital. Inclinando a cabeça para o lado, ele me estuda. — Eu pensei que você não conhecia ela? — Eu não conheço. No entanto, eu sei o que aconteceu aqui esta noite — depois que eu a encontrei, pelo menos. Não quero que ela acorde sozinha. Eu vou ficar até a família dela chegar. - Dei a ele os detalhes do que decidi apenas alguns minutos antes. Compreensão atravessa seu rosto. — Vou encontrá-lo lá.

Stephanie: não acredito que você me deu um bolo.

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aquecedor, puxo o meu celular. Várias chamadas perdidas e um texto de Stephanie.

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Eu lhe dou um rápido aceno e me apresso ao cruzar a estrada para o carro. Ligo o


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Sério ela não me conhece melhor que isso? Eu: Passei por um acidente. Parei para ajudar. Estou indo para o hospital agora. Eu vou compensar você por isso. Depois que eu apertei ' enviar ', coloquei o telefone no porta-copo e puxei meu cinto de segurança, fixando-o firmemente. Eu espero a ambulância sair, porque vou seguir eles, não sabendo ao certo para onde vão levá-la. Não tenho que esperar muito tempo antes da sirene tocar e eles estão se movendo. O xerife vai atrás deles, e põe a mão para fora da janela para eu seguir. Grato pela escolta, coloco a caminhonete em movimento e sigo de perto por trás. No caminho, eu rezo para que ela esteja bem. Eu não sou realmente um homem de oração; fiz isso,

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mas não tenho esse hábito. Mas algo dentro de mim precisa saber que ela está bem.


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CAPITULO QUATRO

RIDGE O caminho até o hospital é um borrão. Seguro o volante tão apertado que meus dedos começam a doer. Felizmente, a chuva começou a diminuir um pouco; no entanto, isso não faz nada para acalmar meus nervos. Eu sigo o xerife para o estacionamento da sala de emergência e ele estaciona por trás da ambulância. Acho a primeira vaga disponível, jogando minha caminhonete em uma parada. Eu arranco o poncho e jogo-o no banco de trás da caminhonete, em seguida, pego o meu telefone e as chaves e vou para a entrada. Até o momento que eu os alcanço, eles já foram para uma sala de exames. O xerife está esperando por mim perto da porta. — Simpson. - Ele estende a mão para mim. Eu a aperto. — Ridge Beckett. – Apresento-me. — Eles tem uma sala que podemos usar. Procurei seus pertences, então eles estão indo tentar contato com a família dela. — Sabemos quem ela é? Ele me dá um olhar triste. — Sua identidade estava na carteira. Infelizmente, eu não posso divulgar essa

direitos, confidencialidade e tudo isso, mas eu só... Ela precisa ficar bem.

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Passo a mão pelo meu cabelo, frustrado com a situação. Eu entendo que ela tem

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informação.


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— Sim. - Finalmente digo, seguindo-o até a sala que ele acabou de mencionar. — Sente-se. - Ele aponta para a fileira de cadeiras no que parece ser uma sala de espera privada. — Agora, diga-me o que aconteceu esta noite. Passo os próximos minutos explicando os acontecimentos da noite. Inferno, comecei até mesmo falando que tinha parado para trocar os pneus da Dawn. Ele não disse uma palavra, apenas escutou e tomou notas. — Então, você não conhece nenhum deles? - Ele pergunta. Balanço minha cabeça, assim que o meu telefone vibra no meu bolso. Eu tenho certeza que é Stephanie. Preciso explicar a ela o que está acontecendo. Olho para a tela, é um número local, mas um que eu não reconheço. Aponto para o telefone, deixando-o saber que eu vou atender antes de deslizar a tela e segurá-lo no meu ouvido. — Alô. — Oi, é o Sr. Beckett? Sr. Ridge Beckett? - A senhora pergunta. — Sim, quem é? — Sr. Beckett, meu nome é Alice e eu estou ligando do Mercy General. Senhor, precisamos que você venha aqui imediatamente. Meu coração para. Algo está errado. — Quem? – Pergunto, minha mente correndo. Mamãe e papai estão em casa, ou deveriam estar. Reagan, ela estaria no seu caminho do trabalho para casa. Um dos caras? Porra! — Sr. Beckett, seria melhor se você viesse. Venha para a emergência e pergunte por

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Engolindo o nó na garganta e tomando uma respiração profunda, eu respondo-lhe.

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mim, Alice. Eu vou estar na recepção.


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— Eu já estou aqui. Eu estava... Estarei aí. – Desligo e seguro o telefone apertado em minhas mãos. — Sr. Beckett? – Xerife Simpson está me observando de perto. — Era da emergência. - Digo a ele. — Eles precisam que eu esteja lá imediatamente. Seu rosto empalidece com o significado desse simples pedido. Tenho certeza que ele vê muito isso em sua profissão. — Eu irei com você. De pé com as pernas tremendo, eu o deixo mostrar o caminho de volta para a recepção. Eu estou paralisado de medo e completamente cheio desse dia. Faço outra oração silenciosa para quem quer que seja, eles vão ficar bem. — Este é o Sr. Beckett. - Simpson aponta por cima do ombro. — Ele foi o Bom Samaritano que parou para ajudar um acidente hoje à noite. Alguém acabou de ligar para ele, afirmando que ele precisava estar aqui imediatamente, mas ele já estava aqui. - Ele passa a explicar. Alice levanta-se de sua cadeira, uma pasta em seus braços. — Fui eu quem ligou. Nós podemos ir de volta para sala que você estava e conversar. Ela não disse mais nada, simplesmente começou a andar. Xerife Simpson dá um aperto em meu ombro antes de segui-la. É como se meu corpo estivesse em piloto automático, minhas pernas me levando pelo corredor com vontade própria. Alice segura a porta aberta para nós.

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— Quem? - Pergunto novamente. Eu estou cansado de esperar que ela me diga.

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— Sente-se. - Disse ela calmamente.


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— Sr. Beckett, eu estou um pouco confusa com isso, então talvez você possa me ajudar a entender. - Ela abre a pasta em suas mãos. — A vítima no carro que você parou para ajudar esta noite, ela tem você, Ridge Beckett da Anderson County, listado como seu parente mais próximo. Minha boca cai aberta. — Como isso é possível? Quem é ela? - Estava escuro e a chuva estava caindo. O carro... Eu não reconheci o carro. Tem que haver algum tipo de erro. — O nome dela é Melissa. Melissa Knox. Minha mente corre. Melissa Knox. Eu conheço uma Melissa Knox? Poderia ser Melissa de alguns meses atrás? Aquela que correu para longe de mim no meio da noite? Ela é a única Melissa que eu posso lembrar. — Eu conheço uma Melissa, a conheci há alguns meses. Eu não sei o sobrenome dela, porém. Não faz nenhum sentido. Tem que haver algum tipo de erro. — Está tudo aqui em seus registros. Ela listou você: Ridge Beckett, da Beckett Construções. Minha nossa! Isto é real? Há tantas emoções rolando através de mim agora. Alívio que não é ninguém da minha família ou amigos, confusão a respeito de porquê Melissa, se ela for a mesma Melissa, me listou como seu parente mais próximo, medo de que ela não vá ficar bem. Independentemente do fato de que eu agora poderia ter uma conexão com ela, eu ainda tenho essa vontade forte, um sentimento profundo na boca do meu intestino, que eu preciso que ela fique bem.

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pessoa? – Disparo perguntas uma após a outra.

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— O que isso significa? Será que ela vai ficar bem? Eu posso vê-la? Ver se é a mesma


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— Sim, você pode vê-la, mas apenas por alguns minutos. Ela ainda está em estado crítico. E sendo você seu parente mais próximo significa que você vai ser o único a tomar decisões médicas para ela até que ela acorde. De jeito nenhum. — Eu preciso vê-la, ver se eu a conheço. Isso tem de ser um engano. — Claro, mas, como eu disse, só por alguns minutos. Nós a estamos monitorando de perto. — Tudo bem, só preciso... – Engulo em seco. — Preciso ver se é ela, se é a mesma Melissa. — Claro, por aqui. — Esperarei aqui. – Disse Xerife Simpson. — Há alguém que você queira que eu ligue? — Ainda não. Não sei se... Ainda não. – Levantei-me e segui Alice para fora da sala. Os corredores estão movimentados - médicos, enfermeiros, mesmo os pacientes que andam ao redor. Alice nos leva ao fim do corredor e através de um conjunto de portas duplas com o nome Unidade de Terapia Intensiva. Há leitos cercados por vidros e portas, ao contrário dos outros que estão apenas separados por cortinas. Paramos em frente ao quarto 3, Alice se vira para mim. — Ela ainda não acordou. Vou deixar você, mas só por alguns minutos. – Observo-a caminhar até o pequeno posto de enfermagem, aparentemente para me dar alguma privacidade.

libero o ar dos meus pulmões, desejando que o meu coração abrande o seu ritmo. Repito isso

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pelo menos três vezes, provavelmente mais, antes de apertar a maçaneta da porta e entrar no

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Aperto os olhos fechados, tomo uma respiração profunda e a seguro. Lentamente,


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quarto dela. A cortina de privacidade está puxada ao redor da cama. Quando eu lentamente ando em torno dela, congelo. É ela. Melissa. A Melissa do bar, de meses atrás, que me deixou em sua cama em seu quarto de hotel depois da nossa noite de sexo quente. A Melissa em quem pensei muitas vezes e que me perguntei o que a fez fugir no meio da noite. O que teria acontecido se eu tivesse acordado com ela deitada ao meu lado? Será que ela estaria aqui agora? Deitada na cama do hospital lutando por sua vida? Volto a pensar naquela noite, ela disse que ela estava apenas de passagem. O que ela está fazendo aqui agora, tão perto de mim e da minha companhia? Por que ela me listou como seu parente mais próximo? Seu rosto está machucado e ela tem um curativo sobre um olho. Seus olhos estão fechados, e ela parece estar dormindo pacificamente. Só que não é o caso. Ela ainda tem de acordar. Ela vai acordar? — Oh, desculpe-me, eu não sabia que ela tinha companhia. Sou o Dr. Ellis. Apenas vim checar os sinais vitais do bebê. Espere? O que ele acabou de dizer? — Hummm, bebê? — Sim, aparentemente a Srta. Knox está com oito meses de gestação. – Ele me deu um olhar como se eu estivesse louco. Por que eu não estaria? Quem lista alguém que conheceu

pode ser. Tento respirar, mas eu não posso puxar nenhum ar.

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É quando isso me bate. Oito meses atrás. Eu faço as contas na minha cabeça. Não. Não

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brevemente, teve sexo quente e fugiu dele como seu parente mais próximo?


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— Senhor, você está bem? Curvando-me, coloco minhas mãos sobre os joelhos e luto como o inferno para recuperar o fôlego. Isso está mesmo acontecendo? — Senhor? – O médico tenta de novo. — Por que você não se senta? – Uma voz feminina suave diz ao meu lado. Eu não sei quem é ela ou de onde ela veio, mas quando ela e o médico me pegaram cada um por um braço e me levaram até a cadeira ao lado da cama, eu não lutei. — Respirações lentas e profundas. Assim, inspira e expira. – Ela me guia. Concentro-me na voz dela, bloqueando o ruído saltando em torno da minha cabeça. Outra respiração lenta e profunda e sinto um pouco da pressão liberando meu peito. — Bom. – A mulher diz. Olhando para cima, vejo que é Alice. – Imagino que você não sabia que ela estava grávida? – Pergunta. Não diga, Sherlock. — Não, eu a encontrei uma vez. Rapidamente. – Eu mal sou capaz de dizer as palavras por causa do nó na minha garganta. Confusão cruza o rosto dela. — O bebê... está bem? – Posso me ouvir dizendo, mas não soa como eu.

isso. Por que eu? A menos que... Esse bebê é meu? É por isso que ela estava aqui, para me dizer

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Caindo para trás na cadeira, olho para Melissa, tentando encontrar sentido em tudo

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— Estive monitorando o bebê de perto e tudo está bem. – Responde o Dr. Ellis.


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que eu vou ser pai? Minha mente corre por diferentes cenários, e essa é a única coisa que faz sentido. — Encontrei isso em seus pertences. – Alice mantém sua voz suave e calma. Olhando para cima, vejo-a segurando um envelope com meu nome rabiscado na frente. Porra! — Vou te dar alguns minutos. – Dr. Ellis diz. Pego a carta em minhas mãos, olhando para o meu nome. Eu quero abri-la, ver o que ela diz, mas depois, eu não quero. Eu só quero acordar deste pesadelo. Quero fazer tudo de novo hoje. Apertando meus olhos fechados, inclino minha cabeça para trás contra a cadeira. Sinto no fundo da minha alma que estas palavras, neste dia, vão mudar o resto da minha vida. Espere o inesperado, não é isso que eles dizem? Seguro da minha decisão, rasgo o envelope e começo a ler. Ridge, Se você está lendo isso, significa que eu me acovardei. Esse é um caminho covarde, eu sei. Eu tenho uma tendência a fugir, mas você já sabe disso. Primeiro, deixe-me começar dizendo o quanto eu lamento ter deixado você daquela maneira. Nenhuma desculpa é boa o suficiente, mas aqui está a minha. Algumas semanas antes de te conhecer eu perdi meus pais. Meus pais adotivos. Enquanto eu crescia, eu estive em vários lares adotivos até eu conhecer o Senhor e a Senhora

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estava grata, então eu estudei muito, mantive meu nariz enterrado em um livro e sem causar

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Knox. Eles me adotaram e me deram meu primeiro lar. Eu queria mostrar a eles o quanto eu


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problemas. Eles perderam minha formatura da faculdade. Eu escolhi ser uma paralegal 3para trabalhar no escritório de advocacia deles. Desnecessário dizer que o dia que eu os perdi foi o dia que eu perdi todo o meu mundo. A noite que eu conheci você, eu só queria esquecer. Eu não sou uma bêbada, mas eu estava disposta a fazer qualquer coisa para anestesiar a dor. Então eu conheci você e os caras. Foi legal ser incluída na conversa, senti como se eu fosse parte de mais alguma coisa. Eu estava instantaneamente atraída por você e não tenho nenhum arrependimento da nossa noite juntos. Você foi a primeira coisa real que eu fiz por mim mesma. Eu queria saber como era ser espontânea e se sentir querida. Você me deu ambos. Quando acordei, eu estava com vergonha. Não por causa de você, mas pelos sentimentos que você trouxe para fora. Eu ainda repito cada minuto daquela noite na minha cabeça. Apesar do meu estado embriagado, lembro de tudo como se fosse ontem. Por muitas razões, esse foi o melhor encontro, a melhor noite da minha vida. Eu finalmente vivi para mim mesma, sem arrependimentos. Agora, aqui é quando as coisas ficam interessantes. Você não só me deu a melhor noite da minha vida, mas você me deu meu próprio pequeno milagre. Nem mesmo um mês depois eu comecei a me sentir mal. Simplesmente não melhorava, então naturalmente eu cedi e fui ao médico. Acontece que eu não estava doente, eu estava grávida. Eu estou grávida. Eu sei que usamos proteção, mas você ainda foi capaz de me dar o meu pequeno milagre. Recuso-me a chamar de acidente. Eu acredito em destino, Ridge, e eu acredito que nossa noite juntos tinha que acontecer. Em alguns meses eu vou dar à luz a um garotinho, a quem eu já amo de uma maneira que as palavras não podem expressar. Você me deu uma família de verdade, algo que eu tive por pouco tempo antes de ser tirado de mim. Eu estava perdida no mundo, até o minuto que eu ouvi aquelas palavras: “Você está grávida”. Já que você está lendo isto, você sabe que eu, mais uma vez, estou pegando o caminho

Seria um técnico jurídico. É o profissional com conhecimento jurídico que ajuda um advogado no seu trabalho diário. Esta ajuda pode ser dada tanto na pesquisa como na compilação de informações de âmbito forense que possam facilitar o trabalho do advogado.

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mais fácil. Eu sei que você tem o direito de saber sobre o seu filho, mas eu estou morrendo de


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medo que você o rejeite, ou pior, tire-o de mim. Você parece ser um ótimo cara mas, honestamente, eu realmente não conheço você. Eu sei que ainda é possível, mas de novo, eu vou amarelar e não mandar esta carta? Espero que não. Você merece saber. Eu quero que você saiba que eu não espero nada de você. Meus pais me deixaram com uma vida tranquila, então dinheiro não é um problema. Eu não espero que você seja presente na vida dele, a menos que você queira. Tudo que eu peço a você é que você tenha certeza de que é isso que você quer. Eu não quero nunca que meu filho conheça a rejeição de um pai como eu conheci. Ao menos essa é a minha esperança. Eu planejo registrar você como pai dele porque se alguma coisa acontecer comigo, você será tudo que ele tem. Então será a sua decisão a tomar. Eu rezo que você não rejeite nosso filho. Eu tenho um seguro para ele também, como eu disse, meus pais me deixaram financeiramente estável, eu tentei me preparar para todos os cenários. Eu tive que colocar um contato de emergência nos meus registros médicos. Depois de discutir isso com meu obstetra, ele sugeriu que, já que eu iria colocar você na certidão de nascimento dele, que eu colocasse você nos meus contatos também. Assim, se alguma coisa der errado no parto, eles irão saber como achar você. Então eu fiz isso. Eu não espero que você seja chamado, mas me senti na obrigação de dizer a você. Eu amo esse bebê, Ridge. Eu vou dar a ele uma vida cheia de amor e felicidade. Eu vou deixar a bola com você sobre o quanto você quer estar envolvido. Abaixo você irá encontrar os meus contatos. Espero notícias suas em breve. Cumprimentos, Melissa. Minhas mãos estão tremendo. Eu vou ser pai. Lanço meu olhar sobre Melissa, que

inchada. Eu tenho um filho.

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ainda parece que está apenas dormindo profundamente. Olho-a até chegar à sua barriga


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Medo como eu nunca senti antes corre pelas minhas veias. Ele está bem? O que a condição de Melissa significa para ele? E se ela nunca acordar? Posso criá-lo? Lentamente, levanto-me e ando até o lado da cama. Descanso minha mão tremendo na cama para me segurar e gentilmente ponho a outra em sua barriga inchada. Lágrimas picam meus olhos. Essa situação é muito fodida. Eu quero estar com raiva dela, mas ela estava vindo me dizer. Pelo menos, eu espero que ela fizesse isso; ela estava perto, alguns quilômetros da loja. Estou perdido em meus pensamentos quando sinto um movimento contra minha mão. Afasto-me rapidamente assim que Alice e Dr. Ellis entram de volta para o quarto. — Tudo bem. – Alice diz em sua voz calma e suave. — O bebê chutou. – Ela me dá um sorriso gentil. — Você é a enfermeira dela? — Sim, eu estive com ela desde que trouxeram ela. — E você? – Aponto para o Dr. Ellis. — Você é o médico dela? — Eu sou o obstetra de plantão. O bebê é meu paciente e Sra. Knox está sendo tratada pelo médico de plantão. Ele e eu estamos trabalhando juntos para obter o melhor resultado possível para ambos. — O bebê... ele está bem? Quer dizer, o que acontece se ela não acordar? Você tem certeza que ele está bem? — Tenho certeza. Tenho observado seus sinais vitais e fiz um ultrassom assim que os trouxeram. Acho que você pode falar com o médico dela sobre seu estado.

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diz, que eu sou o pai do bebê.

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— Eu sou o pai. – Aponto para a carta que deixei ao pé da cama. — Isso é o que a carta


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— Que tal fazer um outro ultrassom? Assim você pode ver seu bebê, ver você mesmo que ele está bem. – Dr. Ellis sugeriu. Aquele nó está de volta. — Por favor. – Falo. — Eu também gostaria de falar com você e o médico dela, se possível. Eu só... preciso saber o que esperar. — Posso bipá-lo enquanto você faz o ultrassom. – Alice oferece. — Obrigado, Alice. – Dr. Ellis diz. Observo quando ela sai do quarto e volta logo depois puxando uma máquina. Ela a coloca perto da cama, dá-me um sorriso gentil e sai de novo pela porta. Observo com muita atenção quando Dr. Ellis cuidadosamente puxa o cobertor que está cobrindo o corpo de Melissa e levanta seu vestido. — Espere, o que você está fazendo? – Pergunto. — Preciso descobrir a barriga. Eu ponho esse gel no abdômen dela e isso... – Ele segura um pequeno pedaço do equipamento que parece estar ligado à tela. — vai nos permitir ver seu bebê. Eu já vi isso na TV, então eu tenho uma ideia. Mas ela simplesmente deitada lá, incapaz de falar por si mesma. Eu preciso protegê-la, esse é meu trabalho, certo? Como seu contato de emergência, é meu dever cuidar dela, e como... pai. Engulo com força. Eu vou ser pai.

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— Observe a tela. – Diz ele.

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Dr. Ellis continua espalhando o gel em sua barriga inchada e a pequena alça.


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Pisando tão perto da cama quanto eu consigo, meus olhos fixam na pequena tela preta. Estou prestes a perguntar o que eu estou procurando quando a tela se transforma em preto e branco. E lá, em uma pequena bola apertada, está o meu filho. Eu tenho um filho. — Dez dedos nas mãos. – O médico aponta para a tela. — Dez dedos nos pés. – Ele aponta de novo. — Essa é a batida do coração dele, forte e estável. Ele é um lutador. Agarro o lado da cama para não cair. É muita coisa para absorver. Lá está, uma pequena parte de mim, naquela minúscula tela em preto e branco. Tenho tantas emoções correndo através de mim que eu não posso sequer identificar todas. Sem pensar, abaixo e sussurro no ouvido dela. — Ei, Melissa. Você precisa ser forte, lutar. Ele precisa de você. Dr. Ellis toma algumas medidas e assinala coisas diferentes. O bebê começa a chupar o seu polegar, então ele amplia isso. Estou encantado em observá-lo. Logo, a tela fica preta e Dr. Ellis está limpando a barriga dela. — Aqui. - Ele me entrega um CD. — Eu gravei para você. Também tenho isto. Alcançando em baixo da máquina, ele arranca uma tira longa e fina de papel. Fotos. Do meu filho. — Obrigado. – Sussurro. Ele sai do quarto levando a máquina com ele, assim que meu telefone vibra no meu

postal e saio do quarto.

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telefone aqui; isso vai interferir em todas essas máquinas? Deixo a chamada ir para a caixa

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bolso. Puxo-o para fora, vejo "pai" escrito na tela. Eu não sei nem se eu posso atender o


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— Preciso fazer uma ligação. Estou autorizado a usar isso aqui? – Pergunto a Alice assim que chego ao posto de enfermagem. — Sim, nós só pedimos que deixe no silencioso e, claro, desligue assim que o médico entrar no quarto. – Ela me diz. — Obrigado. Posso ficar? – Aponto sobre meu ombro. — Sim, ela está estável agora. Mas se alguém perguntar, eu disse que não. – Ela pisca para mim. Aceno já que rir de volta exigiria muito esforço nesse momento. Ando de volta para o quarto dela e sento na cadeira perto da cama, deslizando a tela para ligar de volta para o meu pai. — Ridge, como foi o baile de gala? – Ele ri. Papai sabe que essa não é a minha. — Eu não fui. Esta noite tem sido... inesperada. – Confesso. — O que está acontecendo, filho? Meus pais são incríveis, sempre presentes para Reagan e eu enquanto crescíamos, mesmo agora quando adultos. Eu sei que posso contar com eles para tudo. Olhando para meu relógio vejo que é depois das dez da noite. — É uma longa história. Eu não estou ferido, mas eu ainda estou no hospital. — Hospital? Eu posso ouvir a preocupação na voz dele.

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— Estou à caminho. E sua mãe?

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— Sim, você poderia...?


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Eu amo que ele tenha perguntado. Ele quer saber se deveria trazer mamãe ou se isso é uma conversa “de caras”. Nesse momento, eu preciso de todo o apoio que puder. — Sim, se ela não já estiver dormindo. Só pergunte por mim à enfermeira na recepção. Eu vou informa-las que estou esperando vocês. — Estamos saindo agora. Simples assim, sem perguntas. Eu provavelmente deveria ligar para Reagan e para os caras, mas eu só não consigo achar forças para isso. Eu também vou ter que lidar com Stephanie em algum momento. Ela está obviamente chateada, essa é a razão pela qual eu não tenho notícias dela desde que eu disse a ela que eu não estava indo leva-la para o baile de gala. Há coisas mais importantes na vida. Quando Alice vem para checar os sinais vitais de Melissa eu aviso a ela que estou esperando minha família. — Eu vou informar na recepção onde eles podem te encontrar. — Obrigado. – Passo os próximos quinze minutos olhando as fotos do meu filho. Estou feliz que as tenho; torna isso mais real. Vai ser mais fácil explicar com uma prova. Um pouco depois Alice coloca sua cabeça na porta. — Sua família chegou. Pedi para Kate levá-los até a sala privada que você esteve antes. — Obrigado. – Fico de pé, pego a carta e, com um último olhar de despedida em

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Melissa, saio do quarto para informar à minha família sobre os acontecimentos da noite.


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CAPITULO CINCO

RIDGE “Toc, toc.” Doutor Ellis põe sua cabeça dentro da sala particular de espera. Eu tinha acabado de dar uma versão resumida dos fatos do meu dia para meus pais e Reagan. Dizer a eles que eu ia ser pai foi a parte mais difícil. Assim que terminei, havia muitas lágrimas por Melissa, pelo bebê e a coisa toda. — Ridge, este é o doutor Robbins. É ele que está cuidando da Melissa. - Ele o apresenta para nós. — Então, como ela está? Como está o bebê? O que acontece agora? - eu fiz tantas perguntas que fiquei tonto desde que a encontrei. — O bebê está bem, os sinais vitais estão estáveis. - Doutor Ellis afirma, olhando para a prancheta em suas mãos. — Os sinais vitais dela estão bons, agora só teremos que esperar que seu corpo decida acordar. A medicina não é uma ciência exata. Temos que deixar o corpo dela se curar e decida quando acordar; temos que ter paciência. — Por ora, a mãe está estável. O corpo dela está protegendo-a dos ferimentos. Agora temos que ter paciência pra ver se e quando ela vai acordar. - Doutor Robbins me diz. — Se? Ele assente lentamente. — Se. A medicina não é uma ciência exata, e é muito difícil

— E o bebê? O que tudo isso significa pra ele? O que acontece se a Melissa não acordar? - eu perguntei, mesmo temeroso com a resposta.

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nessas condições por um longo tempo.

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saber como o corpo dela vai reagir a esse trauma. Estamos esperançosos, mas ela pode ficar


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— Em situações como essa, continuaremos monitorando o bebê e faremos a cesariana quando chegar a hora. - Doutor Ellis responde. — Isso é seguro pra Melissa? Como isso vai afetá-la? — Será tão seguro quanto pode ser. Vamos aplicar nela a mesma anestesia que aplicaríamos nessa situação. — Então, só esperamos? - eu zombo. — Por ora, sim. É tudo que podemos fazer. Doutor Ellis monitorará o bebê bem de perto, e se tiver algum sinal de sofrimento fetal, vamos fazer a cesariana sem pensar duas vezes. - Doutor Robbins afirma. Repousando meus cotovelos em cima dos meus joelhos, eu enterro meu rosto em minhas mãos. Eu odeio o fato de não conseguir consertar isso. Não posso ajudar a Melissa e não posso fazer mais nada a não ser esperar e rezar para que o bebê esteja bem. Mais orações. Ultimamente andei fazendo muitas nas últimas horas. — Vamos mantê-lo informado caso as coisas mudem. Os dois se viraram e saíram da sala, deixando-me com “tudo o que podemos fazer é esperar.” — Ridge, tem alguma chance... - Reagan interrompe-se. Eu sei o que ela vai me perguntar. — Não a conheço muito bem, eu já disse isso, mas essa carta e algumas horas que passei com ela... ela não é do tipo pilantra. Pelo menos, eu acho que não.

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termos certeza. - Minha mamãe me tranquiliza.

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— Tenho certeza de que o hospital fará o teste uma vez que o bebê nascer, só pra


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— Pois é, mas ainda assim não posso deixá-los. Se o bebê for meu – e eu sinto como se fosse – não posso deixá-los simplesmente aqui. Ela não tem família. E se algo der errado? — Você faz o que precisa fazer. Eu cuido do escritório. - Meu pai diz, colocando sua mão no meu ombro. — A aposentadoria está ficando chata mesmo. - Ele pisca pra mim, tentando amenizar meu humor sombrio. — Você nos diz o que precisa e faremos. Estamos aqui por você. - Minha mãe completa. — Obrigado. Reagan, você pode chamar os caras e dizer a eles o que está acontecendo? Isso vai poupar o papai de ir aos locais das obras amanhã. — Considere feito, irmãozão. Precisa que eu traga algo? — Seria bom se eu tivesse umas mudas de roupas secas e talvez o carregador do meu celular. — Ei, por que você não dá um pulo em casa, tome um bom banho quente, se troca e pega o que você precisa? Ficarei aqui caso ela acorde. Se acontecer qualquer coisa, eu te ligo, prometo. - Reagan sugere. — Hoje à noite não, mas talvez amanhã. Eu só... quero ficar aqui. Não consigo explicar, mas sinto que é onde eu preciso estar. — Tá bom então, a oferta fica de pé caso precise. Vou dar um pulo na sua casa e pegar umas mudas de roupa, o seu carregador e volto rapidinho. Eu fico de pé e puxo minha irmãzinha pra um abraço bem apertado. — Obrigado. Por

— Vamos ficar aqui um pouco com você. - Minha mãe diz.

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— Sempre. - Ela diz com os olhos cintilantes. — Eu te vejo daqui a pouco.

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favor, tome cuidado. Sem pressa. - Eu enfatizo.


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— Não, vocês dois vão pra casa. Vou ficar aqui com ela. Eles vão levá-la da emergência pra UTI. Ligarei pra vocês amanhã. Pai, obrigado por cuidar das coisas na loja. — Não se preocupe com nada. Cuidarei de tudo. Se tiver algo que precisar, eu te ligo. Lembre-se de fazer o mesmo. - Ele me perfura com o seu olhar de ‘escuta que sou seu pai’ que costumava levar quando era adolescente. Eu assinto, o abraço e volto para ver Melissa. Já passa da meia noite a tempo de vê-los levarem a Melissa para a UTI. As enfermeiras deram um jeitinho quando eu disse que ficaria no quarto dela – aparentemente, acompanhantes não são permitidos pra ficar durante a noite. Eu não sei o que ela disse para as outras, mas Alice conversou com as enfermeiras e os médicos. Eu tenho regras restritas pra ficar fora do caminho, mas foi me permitido ficar. Eu me estabeleço na poltrona que foi transformada em uma cama-não-muitoconfortável. O travesseiro que Alice me deu era tão fino que é uma ofensa chamá-lo disso. O sono desaparece. Minha mente está muito acelerada e assim que eu começo a adormecer, alguém entra na sala, verificando a Melissa. Adormeço de novo e eles estão verificando o bebê. Não estou reclamando, jamais; tranquiliza-me saber que eles estão sendo bem cuidados. Finalmente desisto de dormir por volta das seis da manhã, quando doutor Ellis traz a máquina de ultra-som. — Algo errado? - eu pergunto, tentando não aparentar o pânico na minha voz. — Não, mas eu quero ter certeza de dar uma boa olhada nesse rapazinho pelo menos uma vez por dia.

— Ela está medindo trinta e sete semanas.

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cima do abdômen da Melissa. Ele fica em silêncio enquanto ele toma suas medições.

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Eu me sento e o observo enquanto ele prepara a máquina e depois espalha o gel por


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— Eu não sei o que isso significa. - Eu confesso. — Uma gravidez completa é de quarenta semanas. Se tivermos que fazer o parto de hoje em diante, sinto-me mais confiante em fazê-lo. Ela tem recebido soro com esteróides, que vão ajudar a fortalecer os pulmões desse rapazinho. — Isso vai machucá-la? — Não, é seguro pros dois. — Que bom. A enfermeira do turno da manhã vem para trocá-la e eu saio, indo até a máquina de vendas para comprar um café e um pacote de rosquinhas. Eu não como desde o almoço de ontem. Eu dou uma caminhada pelo jardim que fica no centro do hospital. É um lugar seguro para os pacientes que não estão na UTI para darem uma caminhada e respirar um pouco de ar fresco. O ar fresco da manhã é perceptível e eu quero saboreá-lo respirando longo e profundamente, pensando até em tirar um cochilo rápido. Meu telefone vibra. Não poderia ser menos inoportuno.

Stephanie: Onde você está? Eu: No hospital. Stephanie: Ligue-me.

— Ei, sou eu.

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— Alô?

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Aqui vamos nós. Eu pressiono em cima do contato dela pra ligar.


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— Está tudo bem? — Não. — Tááááá bom. Você se machucou? — Não. — Por que não me ligou avisando? — Eu não queria mesmo fazer isso pelo telefone. - Eu digo a ela. — Estou com o dia muito corrido hoje, Ridge, só diz logo o que está acontecendo. E assim eu digo, dando a ela a versão resumida dos fatos. Só deixei de fora o fato de que a Melissa foi apenas uma transa casual e porque, esse é o problema, não é nem um pouco relevante. Depois de explicar o pneu furado da garota e o acidente, eu paro. Eu sei que ela não vai levar isso numa boa. — E... hã, a Melissa... Ela está grávida. — Que bom pra ela. O que você tem a ver com isso? Como que eu consegui aguentá-la esse tempo todo? — O filho é meu. Estivemos juntos antes de eu te conhecer. A última vez que a vi foi há uns oito meses. - Eu não sei por que eu não queria que ela soubesse, apenas não queria. — Então, você vai ter um filho? — Sim. Ele nasce daqui umas três semanas. — Ele? Acho que vocês serão uma família muito feliz, certo?

— Olha só, tenho que ir. Podemos conversar sobre isso mais tarde?

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ralho.

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Vadia! — Qual a parte de que ‘ela ainda está em coma’ que você não entendeu? - eu


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— Que seja. - Eu encerro a ligação. Não tenho tempo e nem energia pra lidar com esses draminhas bobos. Eu tenho um filho que ainda não nasceu e sua mãe, que está lutando por sua

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vida que preciso cuidar.


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CAPITULO SEIS

RIDGE Já se passaram três dias, sem mudanças. Melissa ainda continua adormecida, mas os sinais vitais dela permanecem fortes e o médico está esperançoso. O bebê tem provado ser um lutador. Os sinais vitais dele são fortes, assim como os seus batimentos cardíacos, os quais consigo escutar alguns minutos por dia. Esse é o som que mais desejo ouvir. — Bom dia. - Lisa, a enfermeira do turno diurno me cumprimenta. — Dia. - Eu resmungo, sentado na minha poltrona. — Vou tomar um pouco de café. Eu digo a ela e então saio do quarto. Sinto como se tivesse que dar a ela um pouco de privacidade para que a enfermeira troque suas roupas. Decido ir até a lanchonete do hospital pra pegar um lanche e o maior café que eles tem para oferecer. Não posso mais ficar comprando comida naquela máquina de vendas; com toda certeza isso aqui tem que ser melhor. Eu sento em uma mesa pequena no canto e mexo no meu celular. Tenho mensagens de textos dos caras, Reagan e dos meus pais. Todos eles são pessoas maravilhosas e estão vindo me ver, pra me fazer companhia e me trazer roupas limpas e um pouco de comida de verdade. Ainda tenho que dar um pulo em casa pra tomar um banho, ao invés de usar o do quarto da Melissa. Quando volto pro quarto dela, os dois médicos, doutor Ellis e doutor Robbins. Essa é a primeira vez que vejo os dois juntos desde a primeira noite. — Algo errado? - meu coração despenca quando vejo as expressões tensas nos rostos

Doutor Ellis diz.

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— Ridge, os sinais vitais do bebê estão caindo. Acho melhor fazermos o parto hoje. -

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deles.


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— Hoje?! - eu repito. — Sim. — Ele está bem? Não é muito cedo? — Ele está bem, mas não quero esperar até que tenhamos uma chance que ele não esteja. Melissa tem tomado os esteróides, e tenho muita fé de que ele não terá complicações. Bebês nascem por volta das trinta e sete semanas e meia nascem todos os dias. Eu ainda acho que essa é a melhor decisão a ser tomada. — O que você acha? - eu pergunto pro doutor Robbins. — Eu concordo com o doutor Ellis. Vai ser melhor pro bebê. — E quanto a Melissa? — Os sinais vitais dela estão fortes, e estou confiante de que a cesariana será tranquila. — Tá, então quando será feito? - eu pergunto. — Agora. Como eu disse, não quero deixar que seus sinais vitais cheguem a nível critico. Quanto mais cedo fizermos o parto, menores serão as chances de algo dar errado. Doutor Ellis explica. — O-o que eu faço então? — As enfermeiras o ajudarão a se preparar. Fique pronto pra conhecer seu filho. — Eu sei que ela diz que é meu e não estou discutindo isso, mas eu não a vejo há mais de oito meses. Podemos fazer um teste? Sabe, só pra ter certeza. Sinto como se fosse meu, mas

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isso, mas preciso fazer algo pra ter paz de espírito.

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você sabe, eu só... será que podemos fazer? Eu sinto como se tivesse traindo-a por sequer pedir


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— Claro. Vai levar de dois a cinco dias pra chegar o resultado, mas vou fazer o possível pra acelerá-lo. — Obrigado. — Vamos levá-la para o centro cirúrgico. Avise sua família e depois Lisa vai levá-lo e ajudá-lo a se preparar. Eu assinto enquanto eu os vejo carregarem ela pra fora do quarto. Acho melhor fazer o que eles falaram; não quero que eles percam o nascimento dele. Eu decido fazer um grupo de mensagens com eles.

Eu: Os sinais vitais do bebê estão caindo. O parto vai ser feito hoje. Agora. Mandarei mais mensagens quando eu tiver mais informações. Mãe: Estamos a caminho. Pai: Como ela disse. Seja forte, filho. Mark: Estamos com você. Seth: Boa sorte, papai. Kent: Estamos fechando a loja mais cedo. Tyler: Você consegue.

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Reagan: Eu te amo, irmãozão.


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Suas palavras são um apoio muito importante pra mim. Tenho que ser forte pelo meu filho. Sim, meu filho. Eu sinto no fundo da minha alma que ele é meu, e nesse momento, ele precisa de mim. É hora de honrar as calças que visto e ser o que ele precisa. Um pai. Eu desligo meu telefone e o guardo dentro do meu bolso assim que a Lisa abre a porta. — Está pronto? — Como nunca estive antes. Ela sorri. — Siga-me. Eu faço como me é dito, e depois de um passeio de elevador e por vários corredores, fazemos nosso caminho depois de passar pelas portas duplas que estava escrito em cima “Centro Cirúrgico”. Paramos em uma sala ampla e muito bem esterilizada com várias pias. — Você precisa colocar esse avental por cima das suas roupas e essa sapatilha por cima dos seus sapatos. Depois que fizer isso, vamos esfregar bem suas mãos e colocar as luvas em você, assim como essa máscara no seu rosto. Você precisa estar tão esterilizado quanto a equipe médica no centro cirúrgico. - Ela explica. Depois de me preparar, Lisa abre a porta para o que sei agora como é um centro cirúrgico de verdade. — Ali tem uma cadeira pra você se sentar ao lado da Melissa. Segure a mão dela e converse com ela. Dizem que mesmo quando eles não estão acordados, eles podem nos ouvir. Alguns pacientes dizem que se lembram do que foi dito a eles. — Você acredita nisso? Lisa dá de ombros. — Sou enfermeira há vinte anos, e já vi muita coisa. Não posso dizer

essas palavras tocantes, ela fecha a porta, aproximando-se de mim.

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Talvez ela se lembre, talvez não, mas de qualquer forma, você não terá arrependimentos. - Com

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que acredito, mas acho que no seu lugar, eu acreditaria. Ajude-a a estar aqui neste momento.


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— Você deve ser o pai. - A enfermeira ruiva me cumprimenta. — Temos um assento pra você, bem do lado da mamãe. Vou ajudar a responder quaisquer perguntas que você tenha durante os procedimentos. Engolindo com dificuldade, eu assinto e tomo o assento ao lado de Melissa. Eu pego sua mão e entrelaço meus dedos nos dela, tomando cuidado com a agulha do soro preso nela. — Oi Melissa. Então, nosso homenzinho está com alguns probleminhas. Não é nada sério, segundo me disseram, mas os sinais vitais dele estão caindo. Os médicos acham que é melhor trazer ele ao mundo hoje. Estamos aqui agora no centro cirúrgico. Estou aqui com você e não vou a lugar nenhum. - Eu continuo divagando, enquanto o nervoso toma conta de mim. Eu continuo dizendo a ela sobre os ultrassons diários e como ele sugava o dedão dele. Eu conto pra ela que minha família toda está aqui por nós três, esperando pra conhecer nosso filho. Eu digo para ela que está indo muito bem, dando conta de tudo sozinha, e como eu sinto muito por ela estar perdendo esse momento. — Ele nasceu. - O médico diz, mas sua voz está tensa. O centro está quieto, sem choro. Ele não deveria chorar? Vamos lá, filho, respire. Respire uma vez. Então eu o escuto. — Ele está...? - estou dominado completamente pelo som do seu primeiro choro. Eu sou pai agora. — Elas vão limpá-lo, fazer alguns exames para recém-nascidos e depois você poderá segurá-lo. - A enfermeira ruiva explica.

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então a mandaremos pra sala de recuperação.

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— Ela se saiu muito bem, Ridge. - O doutor Ellis me tranquiliza. — Vamos fechá-la e


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— Ouviu isso, Melissa? Você o ouviu? Os pulmões dele parecem fortes e saudáveis. Eles estão verificando se está tudo realmente bem com ele e depois vou segurá-lo. Abra seus olhos pra mim. Eu odeio o fato que você esteja perdendo isso. Ele é a sua família. - Minha voz se quebra quando as últimas palavras saem dos meus lábios. O choro dele para de repente, fazendo-me erguer minha cabeça. Ali, bem atrás de mim, a enfermeira ruiva está segurando ele. Ele está todo enrolado em um cobertor. Minhas mãos começam a tremer e meu coração começa a bater feito louco no meu peito. — Ele se saiu muito bem. Ele já tomou seu banho e nós já tiramos a amostra para o teste de paternidade. Ele está prontinho pra comer. O que você diz? Eu olhei de novo pra Melissa, desejando que ela acordasse. Ela está perdendo isso. Virei-me de novo pra enfermeira, e eu respondi com: — E-eu não sei o que fazer. Ela sorri. — Que tal eu levá-lo pra enfermaria enquanto você tira o avental e você pode me encontrar lá? A mamãe estará recuperada em algumas horas e poderemos levá-la de volta para seu quarto. — Tudo bem. - Eu fico de pé e me inclino, beijando Melissa na testa. — Vou cuidar muito bem dele, e nos veremos em breve. Lute Melissa. Precisamos de você. - Ficando de pé novamente, esperei enquanto a enfermeira coloca meu filho numa engenhoca que parecia ser uma incubadora e fez menção para segui-la. Na enfermaria, sou empurrado para o lado e diz que preciso ir para o laboratório e dar minha amostra pro teste de paternidade. Com as instruções nas mãos, eu sigo até lá. Dou passadas rápidas, porque quero voltar logo para ele. Meu coração me diz que ele é meu filho, eu apenas quero encerrar logo esse assunto, então poderemos ter logo os resultados e

fizeram assinar um formulário pra confirmar que fiz um teste paternidade e inseriram no

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O teste era um simples passar um cotonete na bochecha. Eles passaram e tiraram. Eles

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continuar em frente.


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sistema. Eu assino o mais rápido que posso e volto para a enfermaria. A mesma enfermeira que estava no centro cirúrgico me saúda com um sorriso. — Serei sua enfermeira até que chegue o turno da noite. Sente-se em uma daquelas cadeiras de balanço para que você possa segurar e alimentar seu filho. Meu filho. Com as pernas tremendo, eu tomo meu assento na cadeira de balanço, secando as palmas das minhas mãos suadas nas pernas da minha calça jeans. Estou morrendo de medo de deixá-lo cair, machucá-lo ou... eu não sei mais o quê, mas estou nervoso pra caralho. — Aqui vamos nós, papai. - A enfermeira diz. — Pegue-o como se fosse aninhá-lo nos seus braços. Lá vai. - Ela comemora e o coloca tão gentilmente nos meus braços. Ele está dormindo, todo enrolado no corbertozinho. De repente meu nervoso desaparece e a necessidade de ter certeza de que ele está bem toma conta de mim. — Posso tirar o cobertor dele? - eu pergunto. — Claro! Na verdade sempre sugerimos o contato pele com pele, especialmente para os casos dos bebês que nascem antes do tempo. Isso ajuda a regular sua respiração. - Ela explica. Contato pele com pele? — Hã, o que isso significa exatamente? — Tire sua camiseta e tiraremos o cobertor dele. Você vai deitá-lo no seu peito, pele com pele. — Tá bom. - Eu digo hesitante. No entanto, se isso for ajudá-lo, estou dentro. — Agora vamos tentar alimentá-lo. - Ela me passa uma mamadeira minúscula e com

pouco teimosos, mas parece que esse rapazinho aqui é natural. - Ela sorri pra ele.

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coloque o bico nos lábios dele. É instintivo na maioria dos bebês. Alguns deles podem ser um

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uma forma estranha. — Segure-o um pouquinho, assim. - Ela demonstra. — Ótimo, agora


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E ele é assim mesmo. Logo que o bico toca os lábios deles, ele sabe muito bem o que fazer. — Quanto ele precisa mamar por dia? — Começaremos com alguns mililitros com intervalos de algumas horas. Você tem que ter certeza de fazê-lo arrotar após cada mamada. O intervalo aumenta conforme ele fica mais velho. É extremamente importante durante os primeiros dias de vida que ele arrote várias vezes entre as mamadas. Mentalmente anoto tudo o que ela está dizendo. Desejo muito que Melissa estivesse aqui, ou minha mãe. Merda! Esqueci de ligar pra eles. Tenho certeza de que eles já estão aqui. Mandarei uma mensagem pra eles assim que ele mamar. — Pai, agora vamos tentar fazê-lo arrotar. Eu tiro a mamadeira da boca dele e ele choraminga. Na mesma hora eu começo devolver a mamadeira pra ele. — Não, ele tem que arrotar primeiro. Você logo aprenderá diferenciar os choramingos dos choros. Ele só está com fome, mas este passo é muito importante. Eu assinto e presto atenção nas instruções enquanto ela me diz como preciso cuidar do meu filho. Se eu não estivesse tão encantado por ele, eu me sentiria como uma ferramenta. Quem não saberia como cuidar do seu próprio filho? Talvez alguém que não tenha se preparado nove meses como a maioria dos pais. Eu volto à realidade. Não posso culpá-la, não quando ela está deitada em uma cama de hospital lutando pela sua vida. Além disso, ela estava vindo me ver.

— Parece que ele terminou. Quer tentar o pele com pele? - ela pergunta.

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queixo. É surreal demais.

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Não consigo tirar meus olhos dele enquanto ele mama. Ele tem meu nariz e meu


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— Aham, mas preciso avisar minha família primeiro. Tenho certeza de que eles estão ficando loucos. - Ela pega meu filho dos meus braços para que eu possa sair do berçário e fazer algumas ligações. — Ridge. - Minha mãe diz. — Oi, ele nasceu. Um menininho, lindo pra caramba. - Eu disparo. — Quanto ele pesa? Quantos centímetros ele tem? Preciso de detalhes! Droga, eu deveria saber de tudo isso! — Então, eu não sei exatamente. Tem sido uma loucura. Estou me preparando pra um procedimento que se chama contato pele com pele. Por que vocês não dão um pulo aqui no berçário? — Estamos a caminho. Estávamos aqui no andar da UTI, não temos certeza exatamente pra onde ir nesses casos. Óbvio, esta não é uma circunstancia normal, claro. — Vejo vocês em breve. De volta pro berçário, a enfermeira aponta pra uma poltrona bem larga e pede pra eu sentar e tirar minha camiseta. Bem, até agora tudo bem. Eu obedeço e ela assente em aprovação. Eu observo enquanto ela desembrulha e o coloca gentilmente nos meus braços. — Só mantenha a cabeça dele apoiada e o abrace bem pertinho de você. - Ela instrui. Eu faço o que ela diz, e o meu homenzinho inspira e exala profundamente, parecendo quase relaxado. Meu coração derrete de vez. Como pode um ser humano tão minúsculo trazer e causar tanta emoção? — Desculpem interromper, mas tem uma família aqui procurando por um bebê

— Aqui diz que ele é bebê Knox. - Ela me diz.

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— Sou eu, quer dizer, é ele. - Eu aponto meu queixo pro meu filho.

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Beckett? - outra enfermeira pergunta.


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— Sim, mas esse é o nome da mãe dele, mas meu sobrenome é Beckett. Não somos casados. - Eu explico. — Entendi. Bem, teremos que manter nos registros como bebê Knox até que chegue o resultado dos exames. - Ela diz, franzindo a testa. Tenho certeza de que ela está com medo de eu surtar com ela – e se fosse qualquer outra situação, eu teria. Mas nesse momento, tudo que importa pra mim é a saúde desse rapazinho aqui e fazer sua mãe abrir seus olhos. — Tudo bem. - Eu digo pra ela. — É a minha família, eles poderão entrar? — Não, mas você pode trazê-lo até a janela. Você pode carregá-lo e continuar a carregá-lo com você ou podemos enrolá-lo no cobertozinho dele e colocá-lo no berço e empurrá-lo até a janela. - Ela aponta pro berço de rodinhas. Eu percebo que tem uma etiqueta azul que diz ‘bebê Knox’ e só seus familiares podem entrar. Sua pulseirinha diz o mesmo. Eu sinto uma pontada de tristeza por Melissa estar perdendo isso. Ser mãe era o sonho dela – ele é o sonho dela. — Eu vou carregá-lo. - Eu digo a ela. Ela assente e se afasta, me permitindo ficar em pé. Eu caminho tão lentamente, sem nunca tirar os olhos dele. Um tapinha no vidro chama minha atenção. Minha família. Mãe, pai, Reagan e os caras estavam vendo atentamente a mim e ao meu filho. Eu sorrio pra eles e assinto em direção ao bebê adormecido nos meus braços. Minha mãe e Reagan estão com os olhos marejados enquanto meu pai está sorrindo de orelha a orelha. Os caras estão todos parecendo não acreditar na cena. Eu sei como eles se sentem; essa noite tem sido surreal pra mim. Perdi a noção de quanto tempo fiquei em pé segurando meu filho no meu peito nu,

família? - a enfermeira sugere.

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— Senhor Beckett, por que eu não pego ele um pouquinho para que você possa ver sua

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deixando meus amigos e minha família pegar ele. Ele é minúsculo pra caralho.


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Quero discutir com ela – eu não to pronto pra soltá-lo ainda – mas sei que minha família está cheia de perguntas. Porra, eu estou cheio de perguntas. Claro, a carta responde a maioria delas, mas eu preciso mesmo que ela acorde. Eu assinto e lentamente o passo para os braços da enfermeira. — Estaremos bem aqui. Por que não vai falar com eles e talvez depois vá ver como está a mamãe, se está tudo bem com ela? - ela diz. Eu pego minha camiseta e a jogo por cima da minha cabeça. Dou uma última olhada no meu filho na... Porra, eu nem sei como chamar esse negócio – sua cama, talvez? A plaquinha acima dele, ‘Bebê Knox’, me diz que realmente é dele.

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Meu filho.


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CAPITULO SETE

RIDGE Assim que eu saio do berçário, Reagan corre na minha direção e joga seus braços em volta da minha cintura. Eu a abraço bem apertado. Tentei não demonstrar a ela como eu estou assustado e confuso pra caralho, mas essa é a minha irmãzinha. Ela me conhece muito bem. — Você consegue, Ridge. O que você precisar. - Ela me diz suavemente, só para eu ouvir. — Como você está, filho? - meu pai pergunta, fazendo Reagan me soltar do seu abraço. Eu olho pro meu pai e vejo o homem que me ensinou como jogar futebol, conversou comigo sobre as garotas, ensinou-me a construir coisas, que me direcionou na minha profissão atual e a gerenciar os negócios da família. Eu jurei pra mim mesmo que eu serei esse tipo de pai. — E-eu não sei de verdade... quero dizer, é muita coisa pra eu assimilar. - Eu digo com sinceridade. Ele assente. — Ele se parece com você. - Ele me diz. Eu sorrio, porque também já percebi isso. — Verdade. — Ele é perfeito, Ridge. - Minha mãe diz. É isso que nos faz uma família de verdade – é muito amor e apoio. Eles não perguntam

Eu me viro pra olhar pra ele. — Ele é muito pequeno. Isso é muito doido, cara. Sinto como se eu fosse quebrá-lo ou algo parecido.

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— Ele some nos seus braços quando você o segura. - Seth diz atrás do meu lado.

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se ele é meu filho mesmo. Eles estão comigo e estão aqui para o que eu precisar.


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Os caras riram disso. — Precisa que façamos algo pra você, mano? - Tyler pergunta. Os outros assentem como se dissessem que posso contar com eles pra tudo. — Preciso sim. O canteiro de obras do Allen? - eu pergunto a eles. — Todos nós cuidamos disso. Fizemos a última vistoria ontem, limpamos tudo e já está tudo pronto pra irmos pro canteiro de obras do Williams. - Mark explica. É nesse momento que percebo que todos estão usando suas botinas de trabalho e camisetas das Construções Beckett. Eles devem ter vindo da obra direto pra cá. — Obrigado. A-acho que vou ver como a Melissa está. Ela já deve estar de volta na UTI. — Trouxemos um pouco de comida pra você. - Minha mãe dá um passo pra me abraçar. Eu envolvo meus braços nela e a abraço bem apertado e luto contra a emoção que ameaça desabar em mim. Uma vez mãe de menino, pra sempre será mãe de menino. E nesse momento eu penso em Melissa. Ela tem que acordar. Ele precisa dela. Eu preciso dela. Não consigo fazer isso sozinho. Podemos não estar juntos agora, mas quem sabe o que o futuro reserva. Meu pai me passa a sacola com comida. Eu a pego e assinto em agradecimento. — Vamos ficar por aqui mais um pouco. - Minha mãe olha pro meu filho e sorri. — Vamos dar uma saída e tomar um banho, mas voltaremos. - Kent diz apontando pra suas botinas e jeans sujo. — Vocês não precisam voltar. Não há mais nada a fazer, a não ser esperar.

faça bem. - Tyler cantarola.

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— Vem dá uma volta com a gente. Talvez um pouco de ar fresco por alguns minutos te

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— Então vamos esperar. - Seth dá de ombros.


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Eu me despeço rapidamente dos meus pais e da minha irmã e sigo os caras até o lado de fora. Respiro fundo, segurando um pouco antes de expirar lentamente. — Que doideira do caralho, cara. - Mark diz, quebrando o silêncio. — E eu não sei. - É como se eu estivesse em um daqueles filmes que minha mãe e minha irmã gostam de assistir no canal Lifetime. — Se precisar de qualquer coisa é só falar, cara. - Kent oferta. — Só cuidem do escritório. Não consigo nem pensar nisso agora. — Pode deixar. Vou trazer um baralho ou outra coisa quando voltarmos. - Seth diz. — Caras, na boa, vocês não precisam esperar sentados aqui. Não nós cinco sentados e olhando pra ela. — Tá bom, faremos turnos então. Voltarei mais tarde. - Tyler diz. — Vocês três... ele aponta para os nossos outros três amigos. — ...Poderão pegar o próximo. - Finalmente ele olha pra mim. — Eu te vejo daqui a pouco. Eu concordo assentindo pra ele. Cada um deles se vira e me dão um abraço rápido e um tapa nas costas. Eu fico aqui na calçada, de olhos fechados, apenas tomando alguns minutos pra pensar e refletir em tudo o que aconteceu até agora, quando ouço meu nome ser chamado. Lentamente abro meus olhos e vejo Stephanie. — Você está bem? - ela pergunta. Três dias. Já se passaram três dias desde que falei pra ela que eu estava aqui. Não sei o

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— Estou bem. - Não me preocupo em dar mais detalhes.

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que estava acontecendo entre nós, mas três dias?!


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Ela vem até mim e vendo que estou de fato fisicamente bem. — Você não retornou mais minhas ligações e nem minhas mensagens. — Estive ocupado. — O que está acontecendo, Ridge? Você acredita mesmo que ele é seu? Eu digo a ela sobre Melissa, sobre nossa noite juntos. Eu digo a ela o que aconteceu na noite do baile e encerro dizendo a ela que hoje mais cedo meu filho tinha nascido. Eu dei a ela a versão bem resumida mesmo, mas não escondi nada. — Então quer dizer que você está mesmo caindo na conversinha dessa garota? Tem certeza mesmo que essa criança é sua? Quero dizer, qual é, Ridge. Pensa direito. Quantas mulheres não dão o golpe da barriga pra tentar segurar homem? Pensei que você fosse mais esperto que isso. Mas. Que. Porra! — Ele é meu sim. - Eu ranjo os dentes. Claro, ainda estamos aguardando o resultado do teste de paternidade, mas ele se parece demais comigo e eu simplesmente sei que é meu filho. Ela olha pra mim como se tentasse adivinhar o que estou pensando. Ela não vai conseguir encontrar nada do que está procurando. Ele é meu filho; meu instinto nunca me enganou antes. — Então quer dizer que agora vai bancar o papaizinho, querido? Eu respiro bem fundo, tentando me acalmar. Ela está me testando. — Não tem ninguém brincando aqui com isso, Stephanie. Eu sou pai. Eu tenho um filho.

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mesmo ter laços com uma criança gerada numa foda de uma noite?

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— Não consigo acreditar que você está mesmo acreditando nessa merda! Você quer


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— Sim! - eu rosno. — Ele é meu! Eu estarei presente na vida dele, independente da minha relação com a mãe dele! A mãe dele que, a propósito, está nesse momento deitada numa cama de hospital, lutando pela porra da vida dela! Stephanie balança sua cabeça como se minhas palavras fossem as coisas mais loucas que ela já ouviu. — Boa sorte, então. Ligue-me quando cair na real e possamos ficar juntos de novo. Vai sonhando. — Isso não vai acontecer. — Quê, só porque agora você tem um filho não podemos transar mais? Ela dá um passo pra frente e passa seu dedo pelo peito. — Tem certeza disso? É por que sou a única pra quem você continua sempre voltando? Foda-se! — Você foi uma aposta. - Eu disparo. — Os caras me fizeram apostar que eu não conseguiria ficar com a mesma pessoa por três meses. Claro, a gente se divertiu, mas não se engane que vai ter mais que isso. Você foi a escolhida. - Dou de ombro, fazendo com que ela saiba que não dou a mínima por ela. — Uma aposta? - ela pergunta empalidecida. — Aham. Então, agora você pode ir embora com seu ar de ‘eu sou melhor do que ela’ e desaparecer da minha vida. Mesmo se tivéssemos algo a mais, não tem a menor chance de eu ficar com alguém que sequer aceita meu filho. — Você nem sabe se ele é seu filho mesmo! - ela berra — Some da minha frente! - minha voz está baixa e ameaçadora. — Não quero te ver

filho.

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Eu me viro e acelero meus passos, preciso ver como Melissa está e depois ver meu

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nunca mais. Ele é meu filho e você não é nada pra mim, e vê se esquece que eu existo.


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— Você vai se arrepender disso, Ridge Beckett! - ela grita atrás de mim. — Não vou ficar esperando por você quando a realidade bater na sua cara! — Graças a Deus por isso. - Eu murmuro soltando minha respiração. Eu nem sequer me preocupo em saber o que ela está fazendo, apenas continuo andando e nem presto atenção quando ela vai embora cantando pneus. Eu pego o elevador para ir ao andar de Melissa. O quarto dela está silencioso, a não ser pelo som dos bips das máquinas. Puxando uma cadeira próxima a ela, eu gentilmente seguro sua mão com a minha. Ela não tem ninguém, só eu e nosso filho. Penso na minha família, meus amigos que estavam aqui hoje, que estiveram aqui nos últimos três dias. Não tem ninguém da parte dela. Como ela deve ser tão solitária. — Oi, Melissa. - Eu digo com a voz bem baixinha. — Você se saiu muito bem hoje. Ele é perfeito e tão pequenininho. - Eu rio. — Quando eu o segurei, ele praticamente desapareceu nos meus braços. Tive tanto medo de que eu pudesse quebrá-lo, mas as enfermeiras me garantiram que eu não o quebraria. - Gentilmente eu acaricio seu pulso com meu dedão. — Você precisa acordar agora. Você precisa lutar para voltar pra ele. É nessa hora que tenho a ideia de que preciso trazê-lo aqui. Talvez ele estando no mesmo quarto ou deitado em cima do peito dela, possa trazê-la de volta. Mas que droga, eu nem tenho mais ideia sobre o que estou falando. Eu só sei que eles disseram que poderia ter a possibilidade de que ela ainda conseguisse ouvir tudo. Se esse é o caso, quero que ela saiba que ele está aqui. Dar a ela uma razão, uma motivação pra abrir seus olhos. — Eu vou lá embaixo, ao berçário, e trazer nosso menino. Ele precisa da sua mamãe, mesmo que ela seja a Bela Adormecida. Eu volto já. - Ficando de pé, eu beijo sua testa antes de

muito tempo para achar o berço escrito ‘Bebê Knox’ onde meu filho dorme pacificamente. Por mais que isso me assuste pra caralho, mal posso esperar pra segurá-lo de novo.

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Uma vez que chego ao berçário, eu paro na janela e olho para ele. Não preciso de

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sair do quarto.


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Eu pego minha pulseira, que me dá acesso à sala de espera do berçário. Eu informo a garota na recepção de que estou aqui pra levar meu filho pra ver a mãe dele. Ela não me pergunta nada exceto ver minha pulseira. Presumo que a história da Melissa, seu coma e eu não saber nada sobre bebês já correu rapidamente por todo o hospital. Todo mundo ama uma boa história. — Oi papai. - Uma enfermeira que nunca vi antes me cumprimenta, trazendo o berço de rodinhas com meu filho dentro com ela. — É hora de alimentar esse menininho lindo. Você pode dar de mamar a ele aqui ou posso ir com você até o quarto da mamãe. Tenho a impressão de que isso não faz parte do protocolo do hospital; é evidente que eles veem que não tenho experiência nenhuma com bebês ou não tenho a menor ideia de como cuidar de um bebê. Eles estão com pena de mim, mas estou imensamente agradecido por isso. — Podemos fazer isso lá com ela? Só quero que ele esteja perto dela. Pensei que isso talvez pudesse ajudá-la. - Eu passo meus dedos pelo meu cabelo. Eu sei que isso é arriscado, mas preciso ajudá-la de alguma forma a acordar. — Claro que sim. - Ela me dá um sorriso triste. Eu a observo quando ela olha pra ele e diz para as outras enfermeiras onde ela estará. Enquanto seguro a porta aberta para ela, vemos Reagan e Tyler correndo na nossa direção. — Tive que brigar com a mamãe. Ela queria voltar pra cá primeiro, mas o papai me ajudou a convencê-la de que ela precisar ter uma boa noite de sono porque quando levar o bebê pra casa, você precisará de toda a ajuda que conseguir. Trazê-lo pra casa? Eu olho pra enfermeira. — O estado de saúde dele é muito bom. Se ele continuar assim, poderemos liberá-lo no mais tardar amanhã cedo. No entanto, o resultado

Eu assinto, esperando que esse resultado chegue bem rápido.

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casa. Isso pode levar mais um ou dois dias. - Ela explica.

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do teste de paternidade será necessário pra provar que você é o pai antes de levá-lo pra sua


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— Vocês podem mantê-lo aqui por todo esse tempo? Quero dizer, vocês não vão mandá-lo pra algum lar adotivo ou algo parecido, certo? - Reagan pergunta. Suas palavras me cortam como faca. A carta da Melissa, suas palavras estão brotando na minha mente. — Não, faça o que for necessário pra acelerar esse teste. Não me importa quanto vá custar, mas ele não vai entrar pra porra do sistema de adoção. - Eu rosno. Reagan repousa sua mão no meu ombro. — Desculpa, eu não deveria ter dito nada. — Está tudo bem, normalmente nós chamamos o Conselho Tutelar e a criança é colocada em um lar adotivo. No entanto, esse caso é uma exceção. Os médicos já pediram pelo resultado do teste de paternidade, e como a mãe dele continua aqui, conseguiremos segurá-lo por aqui mais alguns dias. - Ela me tranquiliza. — Viu? - Tyler diz. — Está tudo bem, meu camaradinha. Pra onde vocês iam? Eu sei que ele está tentando me distrair do fato de que meu filho possa entrar no sistema de adoção. Mesmo alguns dias parecem longos pra caralho quando ele tem uma família que o quer. Eu, seu pai – eu o quero pra mim. — Ahn... estávamos indo levar o bebê pra ver a Melissa. - Eu digo a ele. — Ela acordou?! - os olhos de Reagan se iluminam. — Não, mas eles disseram que mesmo em coma, ela pode ouvir tudo o que está acontecendo em volta dela, então eu pensei que... — Ótima ideia. Vamos com você. Tyler e eu paramos em uma loja e compramos algumas coisinhas pro bebê, como cobertores, uma sacola de fraldas, – coisas assim. - Ela

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— Nós três podemos ir? - eu pergunto pra enfermeira.

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segura uma sacola enorme que está pendurada no seu ombro.


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Ela pisca, sorrindo. — Eu só vejo duas pessoas aqui, você não? Duas pessoas que vão ficar quietinhas, calminhas e que não vão perturbar a paciente. Eu não sei de mais nada. — Você é muito gentil. - Tyler pisca pra ela. Em outra época, eu acharia isso encantador. O bebê começa a choramingar. — Ele precisa comer. Vamos levá-lo pra ver sua mamãe? - A enfermeira pergunta educadamente.

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Eu assinto e nós três a seguimos para o elevador.


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CAPITULO OITO

RIDGE A enfermeira permanece do meu lado o tempo suficiente pra que eu o alimente e depois nos deixa sozinhos. Eu luto contra o pânico que ameaça tomar conta de mim. Nunca cuidei de uma criança antes. Minha única salvação é minha irmã e o Tyler que estão comigo; Reagan costumava ser babá das crianças da vizinhança. — Posso segurá-lo agora? - ela pergunta pra mim. Eu assinto, e ela pula da sua poltrona e vem na minha direção. Como ela já tinha feito milhares de vezes, ela se inclina e o pega dos meus braços. — Cuidado com a cabecinha dele. Eu a lembro. — Calma, papai. Já o peguei. Papai. Tyler ri. — Soa perfeito pra você, não soa? - ele pergunta. — Acho que sim. Quero dizer, as enfermeiras me chamam assim o tempo todo, mas com a Reagan dizendo isso... é... caramba. — Ele é tão lindo. – Reagan o leva aos seus lábios e beija sua bochechinha. Eu me inclino, descansando meus cotovelos nos meus joelhos, meus olhos nunca

— Quer ajudar a criar? - Eu pergunto pra ele.

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— Esse garoto promete. - Tyler brinca. Eu sei que ele está tentando aliviar meu humor.

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deixando de ver minha irmã e meu filho.


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Ele dá de ombros. — Você é o pai dele e nós somos os seus quatro tios gostosões. Como você não quer que ele seja? — Ah, sim. Esse rapazinho vai fazer as mocinhas comerem na mão dele, mas ele será um cavalheiro; eu cuidarei disso e tenho certeza que a mamãe também vai. - Reagan caçoa dele. — O-o que t-tem a-a-a m-ã-ã-e-e de-dele? - uma voz falhando diz. Eu dou um pulo. — Oi. - Eu digo suavemente, pegando sua mão. — R-Ridge? - ela esforça pra dizer. — Shhh, está tudo bem. - Eu sussurro pra ela. — Vou chamar a enfermeira. - Tyler fica de pé e sai correndo pela porta. — Está tudo bem. Você sofreu um acidente quando estava vindo me ver. Eles encontraram sua carta e me deram. - Eu disse a ela. Ela assente. Nosso filho grunhe e seus olhos em pânico, procuram por ele. — Ele está aqui, saudável e perfeito. - Eu a tranquilizo. — Reagan. Ela fica de pé e vai pro outro lado da cama. — Oi, Melissa. Sou a Reagan, irmã do Ridge. Acho que esse rapazinho gostaria muito de te conhecer. - Ela segura meu filho para que Melissa possa vê-lo. Um dos seus braços está numa tipóia e o outro está com o soro preso nele. Lágrimas caem dos olhos da Melissa, e um sorriso desponta nos seus lábios. — Olhe pra você. - A enfermeira diz, entrando no quarto. — Fico muito feliz por saber

Melissa parece estar apavorada de novo.

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examino.

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que você está entre nós novamente. Preciso que aguardem do lado de fora enquanto eu a


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— Está tudo bem. Vamos só dar uma saidinha. Eles precisam examinar você. - Eu murmuro. Ela fecha seus olhos, piscando para que as lágrimas caiam. Quando ela os abre novamente, ela aparenta estar mais calma. — Prometo que estaremos de volta. - Eu dou um aperto gentil na mão dela e sigo minha irmã e Tyler na sala de espera. — Boas notícias, não? - Tyler pergunta. — É. - Eu concordo, olhando para o meu filho. — Vou ligar pra mamãe e pro papai e dizer a eles que ela acordou. Reagan desaparece nos corredores. — Já mandei uma mensagem para os caras. Você está bem? - Tyler pergunta. — Eu tô bem. Aliviado. Eu não sei como criar uma criança, deixar uma sozinha comigo. Ela e eu teremos muito que conversar. — Vocês já podem entrar. - A enfermeira nos informa. — Escuta cara. Vou dar a vocês três um tempo sozinhos. Vou ficar aqui na sala de espera se você precisar de algo. Vou ver se Reagan quer dar um pulo na lanchonete e pegar alguma coisa pra comer. Você quer alguma coisa de lá? — Não, eu tô bem. Valeu cara. Eu encontro Melissa sentada na cama. — Oi. - Eu digo, mantendo minha voz baixa.

— Como se eu tivesse perdido muita coisa. - Ela olha pro nosso filho.

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— Como está se sentindo?

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— Oi. - Ela responde com a voz rouca.


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— Acho que alguém quer te conhecer. - Eu gentilmente o tiro do seu berço e o entrego pra ela. As lágrimas estão escorrendo pelo seu rosto quando eu o coloco nos seus braços. — Aqui está, rapazinho. Esta aqui é a sua mamãe. Um soluço escapa da garganta dela. Eu admito que tive que piscar várias vezes para manter minhas emoções sob controle. — Oi, lindinho. - Ela murmura. — Eu te amo tanto. Ele está dormindo, não está nem aí pro mundo. Eu consigo ver o amor transbordando pelos olhos dela e qualquer raiva que eu tinha dela por não ter me dito nada todo esse tempo simplesmente desaparece. Ela estava vindo me ver e agora não tenho a menor dúvida de que ela será a melhor mãe do mundo para o nosso filho. Melissa se inclina um pouco para a frente e beija a testa dele, deixando seus lábios nele por um longo tempo. Essa imagem dela com nosso filho é a certeza de que eles se amarão pra sempre. Eu pego meu telefone no meu bolso e tiro uma foto, o flash chama a atenção dela. Ela não chia pelo fato do cabelo dela estar bagunçado ou que ela não estivesse pronta pra fotos. Não, Melissa me dá o sorriso mais-brilhante-que-o-sol e com lágrimas nos seus olhos. — Posso ver? - ela pergunta. Eu sento do lado da cama dela e mostro meu telefone pra ela. — Tirei algumas hoje. Rolo lentamente as fotos para que ela possa ver todas. — Quando que ele nasceu? — Hoje, meio dia e um. Ele pesa dois quilos e duzentos e vinte seis gramas e mede quarenta e oito vírgula vinte e seis centímetros. Eles dizem que ele é perfeitamente saudável.

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— Ele é prematuro.


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— Sim, os médicos colocaram alguma coisa no seu soro pra fortalecer os pulmões dele. Os batimentos cardíacos dele começaram a cair então eles decidiram fazer a cesárea. Você está aqui tem mais de três dias. — Eu sinto muito, Ridge. Eu estava vindo pra cá pra te contar. Queria que você soubesse, mas eu estava com muito medo de que... você pudesse rejeitá-lo e não quisesse nada disso. Eu não sabia como você reagiria quando soubesse dele. Eu levo um minuto para processar o que ela disse. — Não estou mais bravo com você. Como eu poderia estar quando você me deu ele? Foi um choque, mas ele é sangue do meu sangue. Eu sei que temos muito que conversar, mas quero estar presente na vida dele. - Eu paro e espero pra ver qual é sua reação. Ela assente e mais lágrimas caem dos seus olhos. - Quero dar a ele meu nome. - Eu confesso. — Tudo bem. - Ela concorda, olhando pro nosso filho. — Ele é perfeito, Ridge. Nunca tive uma família. Ele é a minha família. - Sua voz falha. — Ei, que tal outra foto? Dessa vez com nós três? Ela sorri entre as lágrimas, assentindo. Eu dou um passo para fora do quarto e chamo uma enfermeira. — Pode tirar uma foto de nós três? - Eu peço pra ela. — Claro! Eu entrego pra ela meu telefone e me empoleiro no outro lado da cama. Eu passo meus braços nos ombros de Melissa e sorrimos para a câmera.

— Você já tem alguns nomes em mente pra ele? - pergunto pra Melissa.

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— De nada. - Ela diz e então sai silenciosamente, deixando-nos sozinhos.

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— Obrigado. - Eu digo pra enfermeira, pegando meu telefone de volta.


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— Não, queria conhecê-lo primeiro, conhecer um pouco da personalidade dele. Tem alguma ideia? — Contanto que o sobrenome dele termine com Beckett, você pode dar o nome que quiser pra ele que ficarei feliz. Um riso suave escapa dos lábios dela. Obrigada, Ridge. — Sei que você deve estar me odiando agora. Você poderia ter tornado tudo isso mais difícil, pelo contrário. — Não tem necessidade disso. Ele é meu filho e quero fazer parte da vida dele. Não tem porque dificultar as coisas. Cedo ou tarde, eu não teria que saber dele? Pois então, mas no final do dia, o resultado é o mesmo. Temos um filho pra criar. Ela geme e eu vejo que ela está brigando para manter seus olhos aberto. — Ei, por que eu não o levo de volta pro berçário pra que você possa descansar um pouco? Não temos mais nada pra fazer hoje. Você precisa descansar pra ter alta. — Sim, tô com um pouco de dor de cabeça também. Você vai ficar com ele? — Não tem outro lugar que eu queira estar agora. - Eu digo com sinceridade pra ela, pegando-o dos braços dela e colocando-o de volta no berço. — Descanse um pouco. Estaremos de volta assim que você acordar. - Inclinei-me sobre ela e beijei sua testa. — Obrigada, Ridge. Obrigada por me dar nosso filho. - Ela sussurra enquanto fecha seus olhos. Tão silenciosamente quanto pude ser eu saio do quarto e levo meu homenzinho de volta para o berçário. Depois de voltar lá para ver como ele estava, eu decido ir para a

— Sim, a Melissa está descansando e levei o rapazinho de volta pro berçário.

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— Está tudo bem? - Reagan me pergunta quando aproximo da mesa deles.

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lanchonete pra me juntar a Reagan e Tyler.


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— Sente-se, vou buscar alguma coisa para você comer. - Ela fica de pé, me dá um abraço e depois vai fazer o que me disse. — Como ela está? - Tyler pergunta. Eu passo meus dedos pelos meus cabelos. — Ela está bem. Quero dizer, é o mínimo que posso dizer. Ela estava muito emotiva, mas muito feliz também. Ela passou por muita coisa e temos muito que conversar, mas nada precisa ser decidido hoje. — Isso é verdade. Eu falei pros caras ficarem em casa. Eles podem vir pra cá amanhã depois do trabalho. — Ah, sim, valeu cara. — Então, já escolheram um nome? - Reagan pergunta colocando uma bandeja com cheeseburguers e batatas fritas na minha frente. — Ainda não, ela disse que queria conhecê-lo primeiro. Eu disse pra ela que não importo qual nome ela escolha, desde que ele tenha meu sobrenome. — O que ela disse sobre isso? - ela perguntou. — Nada, o que mais ela poderia dizer? Ele é meu filho. Ela pareceu muito bem com isso. Quase que... aliviada. — Ótimo, agora coma rápido para que eu possa babar e amar meu sobrinho mais um pouquinho. Não posso ir até lá sem você. — Sim, senhora. - Eu digo e faço que ela mandou. Depois de praticamente engolir minha comida, voltamos para o berçário. A enfermeira

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fora da porta da sala de espera. Quando uma das enfermeiras nos viu, seu rosto empalideceu.

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do turno diurno, junto com outra e o que parecia ser o médico da Melissa estavam do lado de


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Meu coração começou a martelar furiosamente no meu peito. Rapidamente eu encurto minha distância entre nós e paro do lado deles. — O que foi? O que aconteceu? Ele está bem? eu mal consigo registrar as mãos que estão em meus ombros; nesse momento, não tenho certeza de que eles me apoiarão ou impedirão minha entrada. Eu olho pra janela do berçário e não o vejo. — Onde está meu filho? É melhor alguém começar a falar agora! - eu exijo. — Senhor Beckett, vamos entrar. - O médico aponta para a sala de espera. — Fala agora! Onde está meu filho?! — Ridge. - Reagan segura meu braço. — Vamos entrar e sentar. Tenho certeza de que assim que fizermos isso, esse médico gentil aqui vai nos dizer o que está acontecendo. O médico assente concordando. Uma vez que entramos na sala de espera, a enfermeira traz meu filho no berço de rodinhas para nós. Eu não hesito dessa vez, eu o pego nos meus braços e o seguro bem apertado. — Fala! Ele está bem?! Que porra está acontecendo aqui?! — Senhor Beckett, sinto em lhe informar isso, mas a Melissa... bom, ela se foi. — Se foi? Como assim se foi? Não tem nem vinte minutos que a deixei sozinha. Ela está dormindo. — Não, quero dizer que ela morreu. Fizemos tudo o que pudemos. - Ele me diz. — Espera, o quê?! — Ridge, você precisa se sentar. - Tyler pousa pesadamente suas mãos nos meus ombros, forçando-me a sentar.

vezes, não sabemos até que seja muito tarde. Sinto muito pela sua perda.

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— Achamos que foi um aneurisma cerebral. Quando há traumatismo craniano, às

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— Explique-se.


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— Minha perda?! E quanto ao meu filho? Aquela é a mãe dele! Reagan tenta tirá-lo dos meus braços, mas eu o aperto mais ainda. — Ridge, deixe-me segurá-lo, por favor. Você está muito bravo e ele pode sentir isso. Estarei bem aqui do seu lado. Eu prometo. — Deixa ela pegar ele. - Tyler me encoraja. Relutantemente, eu passo meu filho pra ela. — Como isso pôde acontecer? Eu estava com ela. Se eu tivesse ficado lá, ela ainda estaria aqui. — Não, senhor Beckett, isso não é verdade. Quando se trata de um aneurisma, é muito rápido. Esses que ficam no cérebro são mais frequentes, mas não menos fatais. Não há nada que poderíamos ter feito. Eu desabo, minha cabeça em minhas mãos. Ela se foi. Meu filho nunca mais vai conhecer sua mãe. Ele nunca mais vai ver aquele amor em seus olhos que ela tinha por ele. Ele nunca vai ver que ele é tudo o que ela sempre quis. Ele nunca vai vivenciar a infância que eu tive, com ambos os pais amando-o e apoiando-o. Como vou fazer isso sem ela? O que sei sobre criar um filho? Eu esperava que ela pudesse me guiar. Ela estava acordada e íamos conseguir. Estávamos planejando isso. E agora ela se foi. — Senhor Beckett, sinto muito pela sua perda. - O médico diz antes de deixar a sala. Sinto uma mão forte no meu ombro, é Tyler me dando apoio em silêncio. Como as coisas foram de boas pra horríveis em questão de minutos?

Meu filho.

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Eu mantenho minha cabeça em minhas mãos até que escuto seu choro.

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— Ridge. - Reagan diz hesitantemente.


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Olhando pra cima, eu vejo Reagan tentar acalmá-lo. — Ele está chorando, e eu não sei o que tem de errado com ele. Eu não sei como cuidar dele. Era pra ela está acordada e me guiar. Como vou cuidar de um bebê? Eu não sei o que fazer. Reagan o balança em seus braços. — Você vai ser o melhor pai que esse garoto teve na vida. Você não está sozinho nessa, Ridge. Você tem a mim, a mamãe e o papai e os caras. Você não está sozinho. Ele precisa de você. Você é o pai dele. — E se eu não conseguir? - porra, eu sei pareço um bebê chorão que não sabe se virar sozinho, mas todos os meus medos estão aflorados e não queria ter chegado a esse ponto. — Vai desistir, Beckett? - Tyler pergunta. — Você não é assim, cara. Ele é sangue do seu sangue. Ele é uma parte de você. Você vai ser homem o suficiente para ser o que ele precisa. Você vai aprendendo com o tempo. Você acha que é a primeira pessoa a passar por isso sozinho? — Você vai cometer erros, Ridge. A vida é assim. Mas você vai aprender com eles e seguir em frente. Vai ser difícil, mas você tem muita gente te apoiando e estamos prontos pra percorrer esse caminho junto com você e esse rapazinho. Uma enfermeira entra na sala. — É hora da mamadeira. Eu assinto e o pego dos braços de Reagan antes de eu sentar de volta na cadeira. A enfermeira me passa a mamadeira e encosto o bico na sua boca. Ele começa a sugar imediatamente, sorvendo-a. Ninguém diz nada enquanto o assistimos mamar. Quando vejo que ele mamou quase tudo, eu tiro a mamadeira da boca dele e o coloco por cima do meu ombro

— Elas me ensinaram hoje, mais cedo.

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— Você se sai muito bem com ele. - Reagan comenta.

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para fazê-lo arrotar. Ele arrota bem rapidinho e volto a repetir os procedimentos.


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— E olha pra você, já está profissional nisso. Será um caminho tortuoso, mas você vai se sair muito bem. Eu olho para o meu filho, que está sugando a mamadeira, com os olhos levemente fechados. Ele não tem ideia do que está acontecendo. Que sua mãe acabou de morrer. Sinto uma dor tão profunda no meu peito, por nós dois. Faço uma oração silenciosa para que eu consiga ser tudo o que ele precisa. E que, de alguma forma, possa dar a ele o amor de dois pais. — É só você e eu, rapazinho. - Eu sussurro no ouvidinho dele. — Vou ligar pros caras e pros seus pais. - Tyler sai da sala. — Como ele está? - a enfermeira pergunta. — Ele está bem, já terminou de mamar. Você precisa preencher alguma papelada ou algo assim, certo? - Eu pergunto. — Sim, preciso. Você se saiu muito bem, papai. - Ela faz uma anotação na prancheta nas mãos dela. — Senhor Beckett, sei que este momento não é o mais apropriado pra termos essa conversa, mas preciso que o senhor preencha algumas papeladas. O rapazinho aqui vai ter alta amanhã e ainda precisamos do nome dele. O quê?! Ele está tendo alta?! — Ele não pode. Pensei que ele poderia ficar aqui até que tivéssemos os resultados. Com quem eu deveria falar? Eu me recuso a deixar que meu filho vá pra adoção. — Senhor Beckett, o resultado está aqui. Seus DNAs combinam em 99,99%. Ele é seu filho.

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— Respire, Ridge. - Reagan ri do meu lado.

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Meu coração fica em silêncio dentro do meu peito.


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Eu respiro. Ele é meu. Eu sabia – meu coração, meus instintos me diziam. Mas agora tenho a confirmação, sei que ele vai vir comigo e não vai pra nenhum lar adotivo e pra adoção. Melissa odiaria isso. — Beckett. - Eu digo automaticamente. Reagan ri de novo. — Ela já sabe essa parte, dãããã. Ela precisa de um nome e de um nome do meio. Eu sei que você disse que Melissa ainda não tinha um nome em mente. Você tem? - ela pergunta gentilmente. Eu tenho? Não, eu não tenho. Estive muito ocupado desejando que sua mãe acordasse. Eu olho para ele no seu berço, o nome ‘Bebê Knox’ afixado com sua data de nascimento olhando de volta pra mim. Knox Beckett. Ele sempre carregaria um pedaço da sua mãe – seu sobrenome. — Knox Beckett. - Eu digo bem alto. — Ah, Ridge, eu amei. - Reagan diz suavemente. — E quanto ao nome do meio? Eu pensei nisso. Meu nome do meio é Alexander, assim como o do meu pai. Parece perfeito. Espero ser metade de um pai pra Knox como o meu foi comigo. — Knox Alexander Beckett. — Aqui está a papelada que você precisa preencher. Uma vez que esteja completamente registrada no sistema, ela vai para o Estado e eles vão emitir a certidão de nascimento dele. Você o receberá pelo correio em algumas semanas. Eu passo Knox para Reagan e preencho a papelada, interrompendo quando chego na parte de preencher os dados da mãe. Engulo o caroço que se formou na minha garganta

queria dar para o nosso filho. Preciso preencher o número do meu seguro social, então eu pego

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meu celular onde eu salvei o número. Quando toco na tela, a foto que a enfermeira tirou de nós

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enquanto eu escrevo a palavra ‘falecida’. Tão jovem e cheia de esperanças para a vida que ela


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três olha de volta pra mim. Sinto como se um elefante estivesse sentado no meu peito. O sorriso dela... Ela estava feliz pra caralho segurando nosso filho e agora ela se foi. Depois de tudo o que ela passou. — Não é justo. - Eu explodo. — Por que ela?! Depois da vida que ela teve? Por que ela não podia ser feliz?! Criar nosso filho e ter uma família de verdade, uma parte dela? Não é justo p-porra. - Minha voz quebra na última palavra. Tyler entra bem nesse momento. — É todo seu. Tio Tyler. - Reagan diz, passando Knox pra ele. Ela não diz mais nada, apenas cai de joelhos na minha frente e enrola seus braços em mim. Aquilo me quebra e soluço nos ombros dela, o estresse dos últimos três dias – especialmente hoje – sobrecarregou-me. Eu desabo; eu não conseguiria parar mesmo se eu tentasse. Estive lutando contra minhas emoções desde que parei na estrada e vi seu carro capotado. — Não é justo. - Reagan concorda. — É como se eu estivesse chupando seu pau. Eu rio disso; não deu pra aguentar. — Meu trabalho aqui está feito. - ela diz entre suas lágrimas. — Ãnh, pessoas... acho que o rapazinho aqui tem um presentinho para sua Tia Reagan. - Tyler diz, ele parece que está prendendo a respiração. Isso só me faz rir mais ainda. Ele pode não ter mais sua mãe, mas farei de tudo pra que ele saiba o quanto ela o amava. O quanto ela queria fazer parte da vida dele. Ele pode não ter um dos pais, mas ele terá a mim, sua tia e meus quatro melhores amigos – o que os torna seus tios também e por direito – e meus pais.

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E eu farei questão de que seja assim.

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Ele será amado todo santo dia.


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CAPITULO NOVE

RIDGE Três dias. Estou em casa com meu filho há três dias. Não precisa dizer que meu mundo foi revolvido. Não que eu esteja reclamando. Eu amo mimar meu rapazinho. Minha mãe e Reagan ficam comigo e meu pai passa a noite aqui também, dizendo que se sente como se tivesse perdendo algo. Pra minha sorte, eu tenho espaço de sobra aqui. Mamãe e Reagan cuidam do básico. Elas quiseram ter certeza de que eu providenciei a cadeirinha para trazê-lo pra casa, e além disso, elas compraram cobertores e roupinhas. Quando cheguei em casa, meus amigos adiantaram as coisas; não só decoraram minha sacada com balões azul e um banner escrito ‘É um menino!’ como eles também transformaram um quarto vazio – o mais próximo do meu – em um quarto reformado e mobiliado pro meu rapazinho. O que era um quarto vazio agora está pronto e mobiliado com um berço, guarda-roupa e um trocador – pelo menos é como minha mãe chama essa coisa. Tenho tanta coisa para aprender. Eu não sei o que faria sem elas. Elas me ajudam tanto e sei que nunca terei como pagálas por tudo o que fazem por mim. Hoje é o dia da primeira consulta de Knox. É o mesmo consultório que Reagan e eu íamos quando éramos crianças. O nosso médico já se aposentou, mas o consultório é muito bom e é perto pra mim. Pedi pra Reagan ir comigo. Minha mãe tinha se oferecido, mas eu disse pra ela que ela precisava descansar um pouco. Ela fica com o Knox durante o dia enquanto

pai foram fazer compras hoje; minha mãe insiste que Knox tenha o mesmo conforto que ele tem em casa na casa deles.

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dele. E ela talvez tenha cutucado a Reagan porque ela precisava lhe dar mais netos. Ela e meu

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estou trabalhando – ela mesma me tranquilizou dizendo que era uma honra e um prazer cuidar


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— Muito bem, rapazinho, acho que já estamos prontos pra ir. - Eu digo pro meu filho depois de amarrá-lo na cadeirinha. Ele só dorme. Eu verifiquei a sacola de fraldas duas vezes: fraldas, lenços, roupas, cobertor, mamadeiras e os brinquedos. Não que ele brinque com eles, mas e daí, você nunca sabe quando você vai precisar deles. — Pronto? - Reagan pergunta. — Aham, acho que já peguei tudo. - Eu pego o envelope que contém toda a papelada preenchida em cima do balcão. Tenho que amar a Internet. Reagan carrega a sacola de fraldas dele enquanto eu levo o Knox na cadeirinha e o prendo no banco da caminhonete. Nos últimos três dias, eu nunca fiquei tão aliviado por ter comprado uma caminhonete com cabine dupla. Não ter o banco traseiro significaria que teria que comprar um carro novo e isso não é algo que eu tenha que me preocupar agora. Ele é uma mão na roda e tanto. Reagan pula no banco do passageiro, com seu sorriso mais largo. Knox tem recebido muita atenção desde que chegou em casa. Eu li na Internet que se você os carrega muito no colo, você os deixa mimado, mas quando contei isso pra minha mãe e pra Reagan, elas zombaram de mim. Acredito que as palavras exatas que minha mãe falou foram: — Você os ama, Ridge, você nunca conseguirá dar todo amor do mundo pra eles. - Desencanei depois dessa. O passeio até a clínica foi rápido. A moça na recepção pareceu impressionada que a papelada estava toda preenchida e pronta. Eu gerencio meu próprio negócio: você não pode ter sucesso por fazer as coisas pela metade. — Como... - ela olha o formulário — ... Knox tem menos de três meses, vamos levá-lo

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necessidade.

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pra dentro do consultório. Não queremos que bebês tão novinhos fiquem doentes sem


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Ótimas políticas. Ela nos encontra na porta e nos leva pra sala de exame. — Eles precisarão despi-lo, inclusive tirar a fralda. - Ela nos diz e depois fecha a porta. Colocando seu cobertor sobre a mesa de exame, eu o tiro da sua cadeirinha e ele espreguiça. Eu o deixo olhar em volta por conta da sua curiosidade antes de deitá-lo na mesa em cima do seu cobertor para despi-lo. Isso é algo que ainda preciso de tempo pra aprender pra não correr o risco de machucá-lo, mesmo que minha mãe me assegure de que eu faça isso da forma mais gentil possível e tome cuidado com sua cabeça, ficarei bem. Uma vez que ele só está com suas fraldas, eu o envolvo com o cobertor pra mantê-lo aquecido. — Esse lugar não mudou nem um pouquinho. - Reagan comenta. Eu aninho Knox nos meus braços e observo a sala. — Nem um pouquinho mesmo. - Eu concordo. — Toc, toc. - Uma voz feminina diz antes de entrar na sala. — Kendall? - Reagan a cumprimenta. — Eu não sabia que você trabalhava aqui. Pensei que você estivesse trabalhando em Mason? Como tem passado? — Pois é, eu fui transferida pra cá tem uns seis meses. Achei que era tempo pra mudar e já era hora de eu voltar pra casa. Contudo, assim que me mudei, meus pais empacotaram tudo e se mudaram pra Flórida. E você, como está? — Estou muito bem, só estou trazendo meu sobrinho pra sua primeira consulta com o pediatra. - Ela aponta pro Knox. — Você se lembra do Ridge, né? — Ridge, que bom te ver. Que menininho mais fofo que você tem.

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— Tudo bem então, vamos levá-lo pra balança e depois o médico vai vir examiná-lo.

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— Obrigado.


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Eu a sigo para fora da sala de exame e pelo corredor. — Muito bem, papai, preciso apenas que você o deite aqui na balança. Eu olho pra pequena balança branca que é curvada em ambos os lados – presumo que sirva pra evitar que as crianças rolem. Há uma tira azul que parece mais uma fralda que mal o cobre. — Você quer que eu o coloque aí? Sério mesmo? E se ele cair disso? - Eu pergunto. "Ele não vai. Eu estarei ao seu lado o tempo todo. Precisamos obter o seu peso." Reagan me acotovela com o braço, e a contragosto, eu o desembrulho do seu cobertor e o deito na balança. Eu permaneço do lado, pronto para pegá-lo, se necessário. Kendall sorri e começa a tirar sua fralda. Que diabos? — O que você está fazendo? - Por que ela está deixando-o nu? — Precisamos ter o peso exato dele. É crucial quando eles são muito jovens pra assegurarmos de que ele esteja ganhando peso. Ele tem que ganhar peso a cada consulta. Não podemos deixar que a fralda interfira na pesagem dele. - Kendall explica. Eu aceno, mordendo meu lábio. Eu observo quando Kendall remove experientemente sua fralda, pesa-o e coloca sua fralda de volta. Se eu tivesse piscado, teria perdido isso. O pequeno lábio de Knox começa a tremer antes que ele comece a chorar. — Muito bem, papai, agora você pode enrolá-lo no cobertor. Ela nem precisou dizer duas vezes, eu o aninho nos meus braços e o cubro com o cobertor. Ele se acalma na mesma hora. Eu sei que é só porque ele está aquecido, mas é uma grande massagem no meu ego que nessa altura do campeonato eu consiga dar a ele o que ele

— Calma aí, papai. - Reagan me zoa.

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— Muito bem, rapazes, o médico irá vê-los em breve.

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precisa. Sendo esse o meu maior medo e tudo.


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Eu zombo dela, — Calma aí, meu rabo. Ela estava deixando ele pelado. Ela ri. — Relaxa, ela só está fazendo o trabalho dela. Ele não está em perigo, papai urso. Não pude fazer nada a não ser rir. Mesmo eu estando exausto e só se passaram três

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dias, eu me sinto como se estivesse começando a tomar jeito pela coisa.


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CAPITULO DEZ

KENDALL Ridge Beckett. Ele está melhor do que no ensino médio. A tinta que cobre sua pele, o abdômen esculpido que sua camiseta mega apertada orgulhosamente exibe. O tempo definitivamente fez muito bem pra ele. Todos eles – Seth, Mark, Kent, Tyler e ele – foram o sonho de toda adolescente. A escola inteira babava neles. Eles eram inatingíveis. Independente disso, com certeza eles eram um colírio para os olhos. Só pelo fato de ter uma chance de passar por eles pelos corredores já era motivação suficiente para as garotas irem pra escola. E caramba, alguns caras também. Eu sento na frente do meu computador e começo a inserir o peso do bebê no sistema. Quando clico pra verificar os dados do seguro social, eu vejo um campo. Como quero ter certeza de que não seja algo pertinente a consulta de hoje, eu me encontro colada na frente do monitor. Quando termino, eu só fico olhando pra tela. Meu coração se parte por Ridge e Knox. Aparentemente, a mãe dele sofreu um acidente grave e morreu depois de dar a luz. Eu clico no aviso e verifico se a mãe dele foi marcada como falecida. Como deve ser embaraçoso e doloroso pra ele quando todo mundo pergunta sobre ela. O campo não foi marcado, então eu sinalizo e envio uma mensagem pré-consulta pro doutor Harris, advertindo-o a ler o campo como prévia ao entrar na sala de exame. Forçando-me a continuar, eu finalizo meu cadastro e passo para o próximo paciente.

— Kendall, você pode dar ao pai da sala dois o guia do primeiro ano do bebê?

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estava com o Bebê Knox.

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Logo que saí da sala de exame, o doutor Harris sai da sala que fica do meu lado. Ele


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Eu acenoo e vou até a dispensa onde guardamos as amostras e kits informativos. Pegando o guia do primeiro ano, eu vejo uma pequena bolsa de fraldas, uma daquelas que ganhamos dos representantes farmacêuticos para darmos aos novos pacientes. A situação da família Beckett não saía da minha cabeça, então eu pego uma. Nela já contém fórmula, daquelas que normalmente já indicamos, e também coloquei mais algumas amostras de sabonete líquido infantil e outras coisinhas antes de eu ir para a sala de exame. — Muito bem, temos umas coisinhas pra vocês. Gostamos de dar esses kits para os pais de primeira viagem. São só algumas amostras. O doutor Harris já assinou a receita, então vocês estão liberados. Foi bom ver vocês de novo. - eu sei que estou apressando as coisas para eles poderem ir embora rápido, mas meu coração está partido por eles e é difícil pra eu manter minha fachada profissional, ainda mais quando eu os conheço. Já se passou alguns anos, mas isso não faz meu coração doer menos por eles. Curvando-me, gentilmente passo meu dedo no pezinho de Knox. — Até a próxima, lindinho. - Eu arrulho. — Então, o que vai acontecer na próxima consulta? Ele precisará tomar as vacinas, certo? - Ridge pergunta. Eu respiro fundo, fico de pé e o encaro. — Sim, ele receberá várias vacinas durante seu primeiro ano de vida. Esse kit – eu aponto a bolsa do lado dele. — vai agendar cada consulta. Ele também vai registrar o peso que ele vai ganhando a cada mês. Ridge respira fundo e expira lentamente. — Ótimo. Obrigado, Kendall. — De nada. Nesse kit você também vai encontrar nossos números pra casos de emergência. Não hesite em nos chamar caso você tenha dúvidas ou preocupações. É pra isso

me concentrar, mas continuo pensando pelo que eles estavam passando, como aquele

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Eu os deixo a sós com suas coisas e começo a me ocupar com o resto do meu dia. Tento

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que estamos aqui. - Eu digo antes de sair da sala.


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menininho é adorável e que nunca vai conhecer sua mãe. A porta do consultório abre e meus olhos fixam neles. — Obrigada, Kendall. - Reagan diz sorrindo e acenando. — Até mais. - Eu respondo. — Mais uma vez, obrigado. - Ridge diz com sua voz profunda. — Olá, meu cavaleiro de armadura brilhante. - Dawn aparece. Isso faz com que Ridge e Reagan parem de andar. Eu giro minha cabeça pra ver minha colega de trabalho e minha melhor amiga. Ela ficou doida?! Ela aponta para si mesma. — Eu sou a garota do pneu furado. Você parou pra me ajudar semana passada. - Ela sorri. — Mais uma vez, obrigada. Ridge fica visivelmente enrijecido por um segundo; se meus olhos não estivessem grudados nele, eu não teria percebido isso. Eu observo quando um sorriso começa a pintar no seu rosto. — Quando precisar. Fico feliz por ter ajudado. - Ele não se prolonga na conversa; ele se vira e vai embora pelo corredor, desaparecendo pela porta da sala de espera. Reagan se joga na mesa da recepção com a promessa de que eles ligarão para marcar a próxima consulta. — Que diabos foi aquilo? - eu sibilo para Dawn. Estou consciente do tom da minha voz, as paredes têm ouvidos. — O quê? Ele é o cara que te falei. A noite que meu pneu furou quando eu estava a caminho de casa. Ele parou naquela tempestade pra me ajudar. Você o conhece?

— Caralho, eles não tinham caras iguais a ele no meu ensino médio. Por favor, me diga que ele era um nerd com a cara cheia de espinha.

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escola.

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— Sim. Eu me formei junto com a sua irmã. Ele estava dois anos a minha frente na


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Pensar em Ridge e nos seus amigos. Nenhum deles sequer tinha espinhas ou eram nerds – mesmo agora, disso eu tinha certeza. — Foi mal, mas não tinham. — Você teve foi é sorte. - Ela choraminga. — Escuta, ele está passando por muita coisa. A família toda dele está, portanto, não precisa que você dê em cima dele agora. Além disso, isso não é nada profissional. - Eu a censuro. — Eu não estava dando em cima dele. Eu simplesmente estava mostrando minha gratidão por ele ter me ajudado. — Aham, sei. - Eu dou risada e então a encaro. — Volta ao trabalho. Ela resmunga alguma coisa sobre sermos amigas do chefe e eu sorrio mais ainda. Dawn e eu nos conhecemos no curso de enfermagem, e depois que nos formamos, dividimos um apartamento em Mason, uma cidade um pouco longe daqui. E foi na mesma cidade que conheci Cal. Ele era residente do terceiro ano no hospital onde eu e Dawn trabalhávamos. Ele era encantador, educado e de boa aparência. De um lado, tínhamos várias coisas em comum. Em suma, éramos perfeitos um para o outro. Mas por outro lado... nem tanto. Eu me apaixonei muito rápido, pensávamos que estávamos apaixonados, até que fosse óbvio que não estávamos. Levou um ano para eu perceber, reconhecer os indícios. Mas aí então, já era tarde demais. Ele morava do outro lado do corredor, então não importa quantas vezes eu tentei terminar as coisas com ele, ele sempre estava lá, à espreita. Quando minha mãe me ligou e disse que o doutor Harris estava procurando por uma nova coordenadora de enfermaria, eu não hesitei em me candidatar. Eu sentia falta de morar perto dos meus pais.

fixa. A equipe era a mesma desde que eu era pequena, mas agora eles estavam aposentando,

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minha entrevista. Para minha surpresa, o doutor Harris também precisava de uma enfermeira

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Dawn também começou a procurar emprego, e aconteceu de eu mencionar isso na


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incluindo os médicos. Isso não poderia estar acontecendo na melhor hora. Eu precisava me afastar de Cal, e Dawn queria mais do que tudo se juntar comigo nessa aventura. Depois que fomos admitidas nas posições oferecidas, começamos a nos mudar aos poucos, fazendo viagens nos finais de semana para a casa de meus pais, assim tivemos duas semanas de antecedência para dar o comunicado e eu não queria lidar com o drama que Cal certamente causaria por nos mudarmos. Sorte nossa que ele foi embora para um final de semana com os amigos e tínhamos ido antes dele chegar em casa. Não dei a ele meu novo endereço. Ele sabe que sou de Jackson, mas nós não estamos sozinhas aqui. Dawn e eu temos meus pais e meus avós, e isso me ajuda a dormir à noite. Eu balanço minha cabeça para afastar essas lembranças e me focar nas minhas tarefas

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em minhas mãos. Temos um dia cheio de pacientes que precisam da minha total atenção.


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CAPITULO ONZE

RIDGE Ele está crescendo, ganhando peso como deveria estar, e tudo está bem de acordo com o Dr. Harris. Ele só foi para casa depois de alguns dias, mas é um alívio saber que eu estou fazendo algo certo. Estou totalmente fazendo as coisas por instinto com ele. Não sei o que eu faria sem minha mãe e Reagan. Uma, se não as duas, tem estado comigo desde o momento em que eu o trouxe para casa. Eu agradeço muito às duas, mas ao mesmo tempo eu me sinto como se estivessem rondando. Eu tenho que aprender a fazer isso por conta própria, como um pai solteiro. Esse é um título ao qual nunca imaginei estar associado, mas a vida muitas vezes é inesperada. — Ei, você está me ouvindo? - Reagan pergunta. Eu não tiro os olhos da estrada - carga preciosa e tudo mais. — Desculpe, muita coisa na minha mente, - Eu confesso. — O que se passa? Eu ri. — Tudo. — Ridge, - ela disse suavemente. — Estou bem, sério. Só pensando em quanto você e a mamãe me ajudaram com o homenzinho. - Eu olho para ela pelo espelho retrovisor. — Acho que preciso tentar fazer isso

Talvez ela pense que não sou capaz.

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Ela fica quieta durante vários minutos. Eu não olho para ela, com medo do que vou ver.

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por conta própria, sabe?


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— Você está bem com ele, - ela finalmente disse. — Só queremos que saiba que não está sozinho. Estamos com você em cada passo do caminho. Tomo um minuto para deixar suas palavras afundarem. — Eu sei e amo vocês duas por isso, mas tenho que fazer isso. Tenho que aprender a cuidar dele. Você e a mamãe não podem estar lá todos os dias pelo resto de suas vidas. Eu tenho que aprender a ser a mãe e o pai dele. Silêncio me cumprimenta. Eu olho no espelho e vejo que ela está limpando uma lágrima de seus olhos. O quê? Lágrimas? Eu odeio as lágrimas. — Reagan? — Estou tão orgulhosa de você, irmãozão. Knox é um sortudo de ter você como pai. Não conheço muitos homens que fossem lançados em sua posição inesperadamente e lidassem com isso como você tem feito. Como você está. Eu aceno, engasgado um pouco com seu elogio. Nós dirigimos o resto do caminho para minha casa em silêncio. Até que eu estaciono e quebro isso. — Eu preciso correr para a loja e passar no escritório. Você se importa em cuidar dele? - Viro-me para encará-la. — Eu vou voltar em tempo integral na segunda-feira. Só preciso estocar algumas coisas para a próxima semana. — Ninar um tempo o meu sobrinho adorável? Lógico, irmão. — Obrigado, irmã.

isso sempre foi assim. É coisa nossa, eu acho.

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Reagan. Quando ela teve idade suficiente para falar, chamou-me de 'irmão'. Ao longo dos anos,

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Ela sorri. Quando éramos pequenos, eu insistia em chamar ela de 'irmã', em vez de


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Eu levo meu pequeno homem para dentro da casa e desamarro-o da sua cadeira. Segurando-o perto, respiro seu perfume de bebê. Em apenas poucos dias, tornei-me viciado nisso. Viciado em meu filho. Tenho um filho. Esse conhecimento ainda me balança por dentro. Melissa e sua surpresa não era uma coisa que eu esperava. Perdê-la depois dela acordar? Bem, meu mundo foi abalado mais uma vez, em alguns poucos dias. Estou chateado. Como pode alguém que teve o sonho de sua vida ao seu alcance, alguém que viveu tantas dificuldades e obstáculos, ser tirado deste mundo quando consegue o que ela sempre sonhou? Eu estou com raiva e se eu estou sendo honesto, com um medo louco. Tudo o que ele precisa depende de mim. Esses são sapatos grandes para calçar. — Tudo bem, homenzinho. Eu vou fazer algumas coisas, mas tia Reagan vai mantê-lo acompanhado. Você está no comando, - Digo-lhe. — Ei! - Reagan disse. As mãos dela descansam sobre os seus quadris ao tentar me encarar, mas posso ver o divertimento nos olhos dela. — Dê-me o meu sobrinho e suma. Temos desenhos animados para assistir. Beijo meu filho na testa e entrego-o à minha irmã, fazendo o mesmo nela quando ele está acomodado em seus braços. — Obrigado. Vou me apressar. — Não. Não tenho nada para fazer hoje. Vou voltar ao trabalho na segunda-feira. — Obrigado, Reagan. Por tudo. - Ela sorri e me dá um aceno.

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-- XXXXX –


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Minha primeira parada é na loja. Papai tem estado aqui todos os dias para manter as coisas andando — era seu negócio, afinal de contas. Eu parei em um estacionamento no local e olhei para o edifício na minha frente. Beckett Construção. No ano passado, papai decidiu que era hora de se aposentar. Mamãe sempre foi uma dona de casa, e o negócio tinha corrido bem ao longo dos anos. Papai ralou muito para torná-lo um sucesso enquanto investia em seu futuro. Aposentar-se cedo e financeiramente poder fazer as coisas que sempre quis fazer é o Sonho Americano. Ao olhar para o edifício, pergunto-me se meu filho vai querer um dia trabalhar para a Beckett Construção. Ele vai querer continuar o legado que meu pai construiu? Não serei aquele pai que insiste que ele faça isso. Meus pais deixaram Reagan e eu fazer nossas próprias escolhas de carreira, e pretendo fazer o mesmo com meu filho. Meu filho. Ainda é tão novo, como se eu pudesse acordar do sonho a qualquer momento. Então eu me lembro da dor de cabeça, a dor de perder a Melissa, a dor que meu filho nunca vai conhecer a mãe dele. Algumas fotos rápidas do meu celular é tudo que nós vamos ter, a não ser o último nome dela como seu primeiro. Pareceu-me apropriado — e vamos ser honestos, Knox é um puta nome para meu pequeno.

Descendo da caminhonete, vou para dentro para

encontrar papai, sentado a minha mesa. Seus óculos estão acomodados à beira de seu nariz enquanto ele lê algo no computador na frente dele. — O que deixa você tão encantado?

— É bom ouvir isso. Obrigado, pai.

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reforma de Robinson na segunda-feira.

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— Só dando uma olhada por cima de algumas faturas. Tudo está bem para começar a


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Ele acena a mão no ar. — Esqueceu que comecei este negócio, - ele me lembra. — Não. Também não esqueço que você se aposentou para passar mais tempo com a mamãe, no entanto, está aqui. — Filho, substitui-lo uma ou duas semanas não é uma dificuldade para sua mãe e para mim. Você tem nosso novo neto em casa para cuidar. Claro, isso foi tudo o que nos contou, mas se fosse casado e estivesse esperando, eu teria feito a mesma coisa, então pare de me agradecer. Agora, como está o meu neto? Ele tinha um compromisso hoje, certo? — Ele está crescendo. Dr. Harris diz que está tudo bem. Ele tem que voltar em um mês. — Bom saber. — Sim, é um alívio. — Você não está sozinho nisso, filho. Você precisa confiar em nós. Eu amo este homem. — Obrigado, pai. Eu sei disso, só sinto que preciso começar a fazê-lo por conta própria. Quer dizer, mamãe e Reagan foram lá todas as noites e agradeço, mas eu tenho que fazer isso. Você sabe o que quero dizer? Ele concorda. — Eu sei. Respeito muito isso em você, Ridge, e estou muito orgulhoso de ser seu pai. Apenas lembre-se de que você não precisa fazer isso por conta própria. Entendo que você precisa de tempo para se acomodar e colocar você e seu filho em uma rotina. Eu entendo. Eu também entendo que é normal pedir ajuda. Caramba, sua mãe e eu dependíamos de seus avós, ambos, quando vocês eram pequenos. Os pais precisam ter uma vida também. Você precisa encontrar o equilíbrio, e nós estaremos aqui para ajudá-lo a fazer isso.

— Vou lidar com a sua mãe, mas Reagan é toda sua. - Ele pisca o olho.

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algum tempo com meu filho, para deixar tudo acalmar.

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— Eu sei. Só preciso que seja eu e ele por um tempo. Tem sido um turbilhão e só quero


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— Ela está com ele agora. Já mencionei isso mais cedo, então acho que ela vai entender. — Apenas lembre-se, a qualquer momento — dia ou noite — nós estaremos lá. Eu aceno, com medo de falar. Medo que a emoção do momento irá se mostrar na minha voz. Eu não sou um cara excessivamente emocional, mas quem me viu na semana passada nunca acreditaria nessa afirmação. — Agora, o trabalho de Robinson. - Papai, graças a Deus, muda de assunto. Ele sabe, mas não menciona isso. Eu engulo duro. — Sim, a reforma. — Sim. Sr. e Sra. Robinson estão viajando para procurar uma casa na Flórida, em duas semanas. Seu plano é vender a casa aqui e comprar um apartamento, pois isso requer menos manutenção, e também comprar um apartamento na Flórida. Falei com o Sr. Robinson esta manhã, e ele me garantiu que sua filha e genro estarão aqui e poderão tomar as decisões necessárias. — Bom. Parece que está tudo sob controle. Precisa de mais alguma coisa de mim? Eu estarei de volta ao batente na segunda-feira. — Não. Tenho tudo sob controle, filho. Provavelmente vou sair na próxima semana e informo qualquer coisa que eu possa ter esquecido. Sua mãe estará no céu estragando o seu filho. - Ele sorri. Ele age como se só a mamãe é quem vai fazer todo o mimo. Eu deixo ele fingir, mas ambos sabemos a verdade. Em vez disso, eu apenas sorrio para ele e aceno em sinal de

Reagan têm cozinhado e trazem as refeições, mas ainda quero estocar alguns alimentos fáceis.

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Depois de responder alguns e-mails, digo adeus ao meu pai e saio da loja. Mamãe e

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concordância.


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Eu também quero verificar a seção de bebê. Meus pais e amigos, juntamente com Reagan, escolheram tudo para o quarto de Knox, e só quero comprar algo para meu filho, pela primeira vez. Não faço ideia do que ele precisa ou o que eu deveria comprar mesmo, mas sinto essa necessidade de dar-lhe algo. Eu sei que roupas são sempre uma coisa boa, mas não sei qual é o tamanho. Eu: Oi, eu estou na loja. Que tamanho de roupa que ele usa? Patético, eu sei. Tento enviar um texto para minha irmã para descobrir qual é o tamanho de roupa para comprar para o meu filho. Recém-nascido, presumo? Não quero ser aquele pai; quero saber como cuidar do meu filho por conta própria. Ainda tenho muito o que aprender. Reagan: 0 – 3 meses agora. Elas são um pouco grandes, mas ele vai crescer. Não compre recém-nascido. Bem, que merda. Ainda bem que eu perguntei a ela. Eu: Obrigado. Deslizo o meu celular em meu bolso, pego um carro e vou em direção aos produtos de higiene. Pego sabonete, desodorante, lâminas de barbear, creme de barbear e xampu. A partir daí, vou para a seção de bebê. Posso honestamente dizer, que este é um primeiro de todos os tempos para mim. Puxando meu telefone do meu bolso, olho minha galeria de fotos, pois tirei uma foto de suas fraldas e leite antes de sair hoje. Eu pego três pacotes de fraldas, já que o rapaz parece passar por elas como um louco. Eu também pego uma caixa de lenços, porque eu não quero essa merda em mim — literalmente. A próxima parada é o leite. Coloco três latas no meu carrinho e passo os olhos sobre todos os outros itens. Comida para bebê, cereal, biscoitos

Meu pequenino gosta delas, e tem sido um salva-vidas nas vezes quando eu não consegui que a mamadeira dele ficasse pronto rápido o suficiente. Eu jogo outro maço no carrinho; são as

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mamãe e Reagan já teriam feito uma provisão. O próximo corredor é de brinquedos e chupetas.

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para dentição. Estou maravilhado, mas suponho que ele não é velho o suficiente para isto ou


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mesmas que ele tem agora, por isso deve ser bom levá-las. Pensando bem, pego o pacote e leio a parte de trás. Recém-nascido. Perfeito. Jogo de volta no carrinho e rodo um pouco mais pelo corredor de brinquedos. Encontro um conjunto de chaves de carro felpudo. O pacote diz que eles são macios, que presumo que seja uma coisa boa, então eu pego mais algumas, além de alguns outros brinquedos que as embalagens asseguram que são bons para o desenvolvimento do meu bebê. Eu pego mais um par de pacotes de mamadeiras, porque essas coisas são uma merda para limpar; além disso, quanto mais você tem, melhor, certo? Também há essa coisa de cesta para a lava-louças — que é um artigo obrigatório. Jogo-a no carrinho também. O próximo corredor é de cobertores e toalhas, e pego um pouco de cada, juntamente com um pacote de toalhas, panos de boca e cueiros. Fraldas de pano? Não, obrigado. Estou fora destas. Onesies4? Não sabia que era assim que eles eram chamados, mas ele usa. Pego um maço de oito brancos lisos 0-3 meses e lanço-os no carrinho, adicionando algumas meias também. Elas são tão pequenas. Virando a esquina, vejo as roupas. Eu não tenho nenhuma pista sobre o que eu preciso mesmo, então eu só estou jogando merda aleatória para o carrinho. Macacões. Eu sei que são fáceis de vestir nele, e quem não quer ficar largado de pijama todo o dia? Escolho uns e adiciono-os ao carrinho. Deparo-me com o que parece ser a versão bebê de moletom; eles são tão pequenos que não posso evitar o sorriso que surge em meus lábios. Eu pego uns pares,

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pensando que ele pode usá-los com aquelas coisas — onesies, acho que é isso?


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Alguns itens de vestuário mais aleatórios e o carrinho está enchendo. Estou agora na mobília, onde vejo uma coisa que se chama um Pack ' n Play5. Pego meu telefone para fazer uma pesquisa. Parece que é usado para viajar, com um lugar seguro para ele dormir. Pode ser útil para a sala de estar, ou mesmo o escritório quando preciso fazer as coisas. Pego um na prateleira e deslizo-o sob o carrinho. A próxima coisa que captura meus olhos é um assento saltitante. A caixa diz que é relaxante, e novamente puxo meu telefone e pesquiso. Todas boas críticas. Pego aquele que tem todos os sinos e assobios — literalmente, pois tem brinquedos. Deslizo-o sob o carrinho ao lado do Pack ' n Play. O próximo corredor é de livros, e eu pego um sobre o que esperar durante o primeiro ano de vida. Vejo que meu carrinho está carregado com coisas para o meu filho. Um sentimento de orgulho me enche, de que eu posso fazer isso por ele, para lhe dar as coisas que ele precisa. Com um último relance rápido, deixo a seção de bebê para trás e vou em direção aos mantimentos, pegando leite, ovos, pão, frios, batatas fritas e pizza congelada. Detergente para a minha roupa e mais para a de Knox. Mamãe trouxe alguns, mas nunca se sabe quando você vai precisar deles, e não quero correr risco. Essas adições finais deixam meu carrinho transbordando — pela primeira vez para mim. Sigo em direção à frente da loja, querendo chegar em casa.

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Berço portátil

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Eu sinto falta do meu pequeno.


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CAPITULO DOZE

KENDALL A minha menstruação decidiu vir alguns dias mais cedo. Eu fico toda chorona e irritável, e a última coisa que eu queria fazer é ir ao supermercado. Mas não tenho escolha, embora. Já que Dawn está trabalhando até tarde hoje. Pensei até em mandar mensagens de texto para ela trazer alguns suprimentos para casa, e já procurei pela casa de cima a baixo e não temos nada. Como é possível que nenhuma de nós tenha um absorvente nessa casa? Tiro o meu uniforme e visto uma calça de ioga e uma blusa do show de Sam Hunt, e amarro o meu cabelo em um nó no topo da minha cabeça. Bom o suficiente. Não como se eu tivesse alguém para impressionar. No supermercado nem me incomodo com um carrinho, já vou direto para a seção de higiene feminina. Pego duas caixas de absorventes e duas de absorventes diários, esperando que seja o suficiente, e vou direto para a fila do primeiro caixa. Não consigo deixar de notar o cara na minha frente. Ele veste um jeans que molda perfeitamente a sua bunda, não deixando nada para a imaginação, e uma camiseta preta apertada que se encaixa em torno de seus braços musculosos. Tatuagens espreitam através da manga da camiseta correndo pelo seu braço. Espere, essas tatuagens me parecem familiares. Alto, moreno, tatuado... Por favor, não deixe que seja ele. Merda! Nunca que vou deixar ele me ver assim. Estou parecendo o inferno, além de todo o arsenal de absorventes nos meus braços.

— Desculpe. - A senhora que lembra a minha vó fala.

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com um carrinho de compra atrás de mim. Droga, por que tem que estar tão perto?

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Viro rapidamente, como se eu tivesse esquecido alguma coisa, e acabo me chocando


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Como posso ficar braba com isso? — Sem problemas, só me esqueci... — Kendall - Sua voz profunda ressoa atrás de mim. Merda. Merda. Merda. A velhinha pisca para mim. Sério isso? Sinto meu rosto corar, mas sei que tenho que me virar. Puxo uma respiração profunda e lentamente solto o ar assim que me viro. Ridge Fodido Beckett, assim como eu pensava. Olhando diretamente para mim e sorrindo. — Hey, Ridge. - Quase ranjo para fora. Minhas mãos ficam puxando a minha camiseta, desejando que fosse mais longa. Sinto-me inchada e suja e eu só quero acordar deste pesadelo. Nenhuma mulher quer ser vista assim por um homem que se parece com Ridge. — Hey. - Seus olhos vagueiam sobre o meu corpo da cabeça aos pés, e voltam para os meus. — Já acordada? - ele pergunta. — Sim, só parando para pegar algumas coisas. - Eu levanto os meus braços e imediatamente abaixo eles. Que diabos estou fazendo? Tenho certeza de que durante a sua avaliação do meu corpo eles já viu, mas não, eu tenho que oferecer os meus absorventes numa porra de bandeja de prata. — Yeah. - Ele sorri. — Eu também. - Ele dá um passo para o lado para que eu possa ver o seu carrinho, que está transbordando com suprimentos para bebê, além de alguns outros itens empilhados em cima.

— Yeah, eu só... só não tinha certeza do que ele precisava e já peguei tudo - Admite. A partir do que olhei no carrinho tem o básico mesmo.

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Ele cora. Ridge Fodido Beckett corando. Eu fiz ele ficar vermelho!

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— Você sabe o que quer dizer “alguns” certo? - Eu provoco ele.


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— Tem um pouco de tudo, eu vejo. Uma das meninas no trabalho tem o mesmo problema, exagero. - Agora sou eu que fico divagando. Podia esse momento ser mais embaraçoso? — Yeah, eu li alguns comentários. São muito bons. Espero que ele goste. - Um suave sorriso ilumina o seu rosto já bonito. — Tenho certeza que ele vai. - Sei que não é da minha conta, mas essa sua situação me intriga. — Senhor? - Diz o caixa. — Desculpe. - Ridge responde antes de virar para mim. — Você quer ir primeiro? - Ele olha para as quatro pequenas caixas nos meus braços. — Não, vá em frente. - Eu quero cobiçar você sem você saber. Ele começa colocando seus itens no caixa, e eu presto atenção em cada movimento que ele faz, flexionando os seus músculos, a maneira como ele empilha cada item como se fosse o seu precioso menino. Eu vejo como ele levanta um pequeno urso azul do carrinho, colocandoo debaixo do braço, enquanto ele coloca tudo no caixa. O urso fica por último, fora as outras coisas no fundo do carrinho. Isso me enche de emoção, sabe, aquele que faz o seu corpo inteiro se derreter numa pilha de gosma, enfim, ver esse homem tratar com delicadeza um pequeno urso de pelúcia para o seu filho recém-nascido, como se fosse a coisa mais importante do mundo. Esse monte de gostosura era um frescor aqui na fila do Walmart. Nenhuma mulher viva poderia resistir aos efeitos que a cena diante de mim criava. Ridge coloca as sacolas no carrinho e paga. Enquanto ele espera o troco, vira-se para mim. — Foi bom ver você de novo, Kendall. Acho que o meu pequeno homem vai ver você daqui a um mês. - Meu cérebro leva um minuto para recuperar o atraso, ainda estou babando

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— Mais ou menos um mês, certo. Vejo você depois, então. - Sorrio educadamente.

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em cima dele.


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Ridge acena e em seguida vai embora. Coloco as minhas quatro caixas no balcão do caixa e a moça sorri para mim. — Ele é quente. - diz ela sem rodeios. Oh, querida, você não tem ideia. Eu não respondo, apenas sorrio para ela e retiro o meu cartão de débito. Procuro ele pela bolsa, pego o recibo e vou para a saída. Já tive vergonha o suficiente por um dia. Pelo menos era o que eu pensava. No estacionamento, reparo na grande caminhonete preta ao lado do meu carro, acho que pertence a ele. E ele está de pé na porta do bagageiro com um carrinho ainda cheio conversando com um cara em outra caminhonete. Assim que chego mais perto, vejo que há um logotipo da Construção Beckett ao lado. — Kendall, hey, você se lembra de Seth, certo? - diz enquanto me aproximo do meu carro. — Seth, hey. Bom te ver. - eu respondo educadamente, tentando como o inferno esconder o meu embaraço. — Kendall? - Pergunta Seth. — Ela estava na aula de Reagan. — Sim! - Exclama Seth. — Desculpe, querida, já se passaram alguns anos. Bom te ver. Ele diz dando uma piscada.

meu carro. Para a minha sorte a vaga atrás de mim está vazia, então dou ré e dirijo para fora do estacionamento, deixando o gostoso do Ridge para trás de mim.

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Ele acena, e eu não lhe dou tempo para dizer mais alguma coisa e já vou entrando no

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— Você também. Bom, é melhor eu ir. Ridge, vejo você em breve.


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CAPITULO TREZE

RIDGE Seth e eu conversamos por mais alguns minutos. Eu tento me concentrar no que ele está dizendo, mas a adorável Kendall parece ter a sua residência em minha mente. Ela é linda e doce como o inferno. Porra de vida por não ser capaz de persegui-la. Eu amo meu filho, mas porra. Eu afasto meus pensamentos sobre ela e me concentro em Seth. Ele e os caras virão hoje à noite. Disse-lhes que estava bem, mas eles precisavam trazer comida. Aparentemente, as mães deles compraram algumas coisas para Knox. Eu nunca estive mais grato por nosso grupo ser tão próximo. É bom saber que eu tenho tantas pessoas comigo. Uma vez em casa, descarrego todos os sacos, separo os alimentos, e vou em busca de minha irmã e meu filho. Eu os encontro fora, no deck traseiro, Knox dormindo profundamente em um braço enquanto Reagan prende seu Kindle com o outro. Ela está tão absorta no livro que está lendo que nem percebe que eu estou olhando para ela. — Você deve estar mais alerta quando está com o meu filho. - Digo. Minha voz a assusta e ela salta, fazendo com que Knox abra os olhos antes de fechá-los novamente muito rapidamente. Pisando para fora, fecho a porta do pátio e caminho em direção a eles. Abaixando-me, pego-o dela. Ela faz beicinho em protesto, mas eu preciso segurá-lo.

Ela sorri, segurando seu Kindle.

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— Estive fora por quatro horas, irmã. – Rio.

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— Você não demorou. – Comenta.


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— É muito bom. - Defende. Apenas balanço a cabeça. Ela sempre gostou de ler. — Passei no escritório, conversei com o pai, respondi alguns e-mails, em seguida, fui para o Walmart. — Como estava o papai? — Bem. Ele vai falar com a mãe. Eu só preciso de algum tempo com ele, sabe? — Sim, nós estamos a apenas um telefonema de distância. Você tem isso, irmão. — Hey, eu encontrei Kendall. — Mesmo? — Sim, ela estava atrás de mim na fila. Falando nisso, eu tenho uma tonelada de merda. - Olho para o meu filho dormindo em meus braços. — Quero dizer, coisas que eu preciso desempacotar para ele. Você pode ajudar? — Claro, eu amo todas as coisas pequenas de bebê. Eu tive uma explosão quando mamãe e eu fomos fazer compras para ele. - Admite. Sigo e lidero o caminho para a sala, onde deixei as bolsas restantes. — Puta merda, Ridge. Você comprou a loja inteira? - Ela ri. — Não, mas ele precisa de coisas, e eu sou o pai dele. É o meu trabalho provê-lo. Eu só trouxe um pouco de tudo, mais roupas e cobertores e toalhas e outras coisas.

— Minúsculo. – Respondo.

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moletons, segurando-os. — Malditamente adorável.

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— Eu posso ver isso. - Ela começa a descarregar as bolsas e se depara com os pequenos


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— Você fez bem. Eu vou desempacotar essas roupas e jogá-las na máquina de lavar. — Obrigado. Eu preciso montar o cercadinho e a cadeirinha. Você poderia ficar um tempo? Eu gostaria de ter isso feito antes de me preparar para a minha noite sozinho. — Claro. Está quase na hora dele comer de qualquer maneira. — Eu vou fazer isso. Então vou começar. - Preciso praticar tanto quanto puder; dessa forma, quando estiver somente ele e eu, eu vou me sentir mais confortável. Coloco Knox em seu assento de carro, não me arrisco em levá-lo para a cozinha. Misturo rapidamente uma mamadeira, algo que eu já dominava em apenas poucos dias. O homenzinho está cochilando, então coloco sua mamadeira ao lado de seu assento na mesa e faço um sanduíche para Reagan e eu. Engulo o meu, apenas empurrando a última mordida quando ele começa a se mexer. Timing perfeito. Eu domino essa coisa de paizinho. Knox toma a mamadeira como um campeão. Eu o irrito quando o coloco para arrotar, mas é para o próprio bem dele. Odeio ouvi-lo chorar, mas eu sei que isso é importante ou ele vai ter uma dor de barriga depois; os enfermeiros do hospital salientaram isso, assim como a minha mãe e Reagan. Eu ainda não sei como Reagan sabe tanto sobre crianças. Acho que é apenas uma coisa de mulher. Ela brincou de casinha enquanto crescia, alimentando e cuidando de suas bonecas enquanto eu brincava de bang bang com cowboys e índios. Uma mamadeira, dois arrotos, e uma troca de fraldas mais tarde, meu pequeno homem está satisfeito e cochilando. Dobro uma colcha velha e faço um pequeno quadrado no chão ao meu lado, gentilmente, colocando-o lá para dormir.

próximo?

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— Ei, todas as roupas e cobertores e tudo mais estão na máquina de lavar. Qual é o

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Reagan entra na sala.


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— Vou começar a juntar as coisas. Você pode apenas relaxar a menos que ele precise de algo. — Você não tem que me dizer duas vezes. - Ela estatela-se no sofá e cruza as pernas. — Continue. - Ela acena com a mão para mim. Rio com ela. Eu amo minha irmã. Surpreendentemente, a cadeirinha tem muito pouco para montar; eu só encaixo as pernas e a barra de brinquedos, e está pronta para usar. Acrescento as quatro baterias, conforme necessário, e ela ruge para a vida. Reagan pula para fora do sofá e pega Knox do chão. Ele sacode seus bracinhos e perninhas e grunhe; ele estava dormindo bem. — Você não vai dormir esta noite, você é um osso duro de roer. - Diz a ele enquanto gentilmente coloca-o na cadeirinha e o prende. Ela o balança e ele cai para a direita e volta a dormir. — Ele gosta disso. - Ela sorri. Ele parece gostar. Abro o cercadinho6 e para minha surpresa, também não tem muito o que montar. Ele vem em um estojo de transporte para viagens - que é uma vantagem. Ele se dobra aberto, e eu o travo no lugar. Há um tampo que se encaixa na parte superior. — É assim que você pode trocá-lo. Digamos que você está no escritório. Você não tem que deitá-lo no chão, ou na sua mesa, e você não terá que se inclinar por todo lado. Isso seria estranho. - Explica Reagan. — Isso é tão útil. Pelo menos, eu acho que vai ser. — Sim, vai ser perfeito para uma noite de pôquer com os caras. Você vai saber que ele

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No original ele chama de Pack ‘n Play que seria a marca do cercadinho.

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tem um lugar seguro para brincar e dormir.


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— Eu duvido que haverá muitas noites de pôker no meu futuro. — Por que não? — Eu tenho um bebê, Reagan. — E? Você é um pai, Ridge, mas você ainda é você. Você precisa ter uma vida também. — Ele é minha vida. — Eu entendo isso, realmente, mas você tem que viver para você também. Você tem que encontrar o equilíbrio. Não há nada de errado com a noite de pôker. Você só vai levá-lo com você, e levar isso. - ela aponta para o cercadinho — embalar um saco de fraldas e você está pronto para ir. Você sabe que os caras vão estar bem com isso. — Sim, só vai levar algum tempo para que eu comece uma rotina. Para me sentir confortável saindo com ele sozinho. — Você tem os caras. - Ela dispara de volta. Olho para ela. — Realmente, Reagan? Quantas vezes você já os viu em torno de bebês? — Kent tem uma sobrinha, e a irmã de Mark está grávida de gêmeos. - Ela me lembra. — Eu acho. — Ouça, eu sei que você precisa de tempo para se adaptar, mas não se perca no processo.

ser o pai dele e ainda ter uma vida. Um dia, você vai encontrar uma mulher que ame vocês dois. Como você vai fazer isso, se você ficar fechado? Você é um pai fodão, Ridge. Basta olhar para

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— Eu entendo isso, irmão, entendo. Você tem que encontrar um equilíbrio. Você pode

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— É diferente agora, sabe?


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tudo isso. - Ela acena sua mão ao redor da sala. — Você vai fazer de tudo para dar-lhe o que ele precisa. Basta lembrar que você tem necessidades também. Sorrio para ela e ela joga um travesseiro na minha cabeça. — Você está bem aqui? – Pergunta. — Sim, os caras estão vindo mais tarde, trazendo o jantar. Você pode ficar ou voltar, tanto faz. — Eu acho que estou indo para casa e lavar algumas roupas. Fazer umas compras e pagar algumas contas, em seguida, enroscar-me com o meu Kindle e terminar meu livro. Vocês, meninos, divirtam-se. Paro e dou um abraço. — Amo você, irmã. - Digo, quando beijo o topo da cabeça dela. — Sim, sim. - Ela sorri. — Até logo. — Até. A casa está tranquila, exceto pelo zumbido suave do assento que tem mantido meu filho em um sono profundo. Pego algumas almofadas do sofá e deito no chão ao lado dele. "Durma quando ele dorme." Minha mãe disse isso mais vezes do que posso contar. Coloco

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minha mão em sua perninha e me permito dormir.


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CAPITULO QUATORZE

KEDALL Meu telefone toca, fazendo-me acordar na marra. Dando uma olhada rápida no relógio, vejo que ainda são só oito da manhã. É sábado, meu dia de folga e quero voltar a dormir. Adeus ao plano de dormir até tarde. Alcançando meu telefone, eu deslizo a tela e o coloco no meu ouvido. — Alô? - eu murmuro. — Bom dia, minha querida. - A voz do meu pai tagarela me saúda. — Oi, pai, tudo bem? — Sim, por que não estaria? - ele pergunta — Está muito cedo, hoje é sábado. É meu dia de folga. - Eu resmungo no telefone. Meu pai ri. — Você está desperdiçando um dia maravilhoso, Kendall. Preciso te pedir um favor. — Está tudo bem? — Bom, seus avós estão reformando a casa deles. Eles foram pra Flórida hoje cedo pra uma casa de campo e eles esqueceram que sua mãe e eu iremos estar num cruzeiro no México.

Eu? — Pai, eu odeio te desapontar, mas eu não sei nada sobre construções.

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ser feito, mas se eles tiverem dúvidas ou empacarem, você pode cuidar de tudo?

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Você pode conferir o andamento da reforma com os empreiteiros? Eles sabem o que precisam


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Ele ri. — Eu sei disso, querida, e você não precisa saber. A empresa tem reputação e eles sabem o que esperamos deles. Só queremos mesmo que você acompanhe com eles. Se eles tiverem dúvidas, você pode ligar pro seu avô. Aff. — Claro, não tem problema. Com que freqüência eu devo ir lá? — Não precisa ser todos os dias, pode ser umas duas vezes na semana. Sua mãe e eu ficaremos em cruzeiro por duas semanas, como você já sabe, e é só até voltarmos. — Você tem sorte por eu te amar. - Eu apenas sorrio. — Vou te recompensar, eu prometo. — Vou pensar no seu caso. - Eu sei o que aquilo significa. Ele cuida da manutenção do meu carro – troca o óleo, encera, lava e todas essas coisas. Ele é um engenheiro químico de carreira e ele sempre diz que fazer essas coisas o ajuda relaxar. Eu não o questiono, mas eu tiro vantagem disso. Sou a filhinha do papai e não tenho vergonha disso. Eu admito que a decisão de mudar de volta pra casa não era só para eu me afastar do Cal – eu também sentia muita saudades deles. Claro, eram só duas horas de viagem de carro, mas sabe como são essas coisas; correria diária e viagens bem-intencionadas eu acabo empurrando com a barriga. Estou feliz por estar em casa. Por mais que eu queira dormir, estou feliz que estou perto deles o suficiente para que eles ainda dependam de mim. Eu sentia falta disso. — Então, o que você vai fazer hoje? — Jardim e terminar de fazer as malas. Vamos nos ver antes de viajarmos? - ele

— Ótimo. Vejo vocês duas lá. Obrigado, querida.

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— Aham, mamãe convidou Dawn e eu para jantarmos hoje à noite.

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pergunta.


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— De nada. Dê um abraço na mamãe por mim. — Sempre dou. - Ele diz, e assim encerra a ligação. Eu jogo meu telefone e me enterro nas cobertas, mas não adianta; já estou acordada e não vou mais conseguir dormir. Eu decido então começar meu dia, esperando que Dawn queira ir ao Shopping. O clima quente de maio já me deixou preparada pra comprar mais roupas de verão pro meu guarda-roupa. Eu tomo banho no meu tempo antes de ir pra cozinha, colocando um pão de forma na torradeira bem na hora quando Dawn emerge na cozinha. — Caiu da cama. - Ela diz, percebendo que já comecei meu dia. — Pois é, meu pai ligou pra mim eram oito horas. Você tem planos pra hoje? — Acho que vou dar um pulo no shopping. — Sim! Terapia com compras! Preciso atualizar meu guarda-roupa pro verão. É por isso que somos melhores amigas. Às vezes dividimos pensamentos – pelo menos, é o que parece. — Parece uma excelente ideia. Eles não abrem antes das dez, então temos tempo para nos arrumar. Dawn coloca seu próprio pão de forma na torradeira. — Precisamos almoçar no Cheesecacke Factory. A comida de lá é tãããããão boa. — Feito. - Eu dou aquela mordido no meu pão e mentalmente penso que vou estourar

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minhas finanças, planejando como será minha aventura de compras no shopping.


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Cinco horas depois, Dawn e eu estamos exaustas com nosso dia repleto de compras. As promoções da véspera do Memorial Day7 foram cansativas, mas conseguimos ótimos descontos. — Alimente-me, mulher. - Dawn diz dramaticamente. — Estou faminta também. O efeito daquele pão já passou faz tempo. - Eu admito. Deixamos nossas sacolas no meu carro e depois fomos em direção ao Chessecake Factory. Aguardávamos na fila esperando por uma mesa quando ouço meu nome ser chamado. — Kendall. Eu me viro e vejo Reagan na mesma fila com sua mãe. — Olá, estranha. - Eu a cumprimento. — Dawn, esta é a Reagan, uma amiga do ensino médio, Reagan, essa é minha melhor amiga e colega de apartamento, Dawn. - Eu as apresento. — A garota do pneu furado. - Reagan sorri. Dawn ri. — Aham, essa sou eu. Ele me salvou de verdade. - Ela insiste. — Mãe, essa é a garota que Ridge parou pra ajudar naquela noite. A noite do acidente. - Ela diz a última parte bem suavemente. Os olhos castanhos da sua mãe demonstram reconhecimento. — Que bom finalmente conhecer vocês, senhoritas. — Oi, mesa pra quantas? - a hostess pergunta. — Gostariam de se juntar conosco? - eu oferto. Esse lugar está lotado, do contrário,

Memorial Day não tem tradução, o mais equivalente seria Dia da Lembrança. É o feriado nacional americano que homenageia aqueles que morreram em combate, antes conhecido como Decoration Day (Dia da Condecoração)

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teríamos que aguardar mais ainda na fila.


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— Bom, se não for incomodo. - Reagan diz. — Imagina. - Dawn as tranquiliza. — Além disso, Kendall me disse que seu irmão tem amigos muito interessantes, então teremos assunto para conversar. - Ela passa seu braço no de Reagan e seguimos a hostess pra nossa mesa. Eu olho pra sua mãe. — Desculpa por isso, ela realmente não tem filtro. — Não precisa. Você conheceu meus filhos, certo? Sem mencionar de que ela está certa – ou você está, se preferir. Aqueles meninos, todos eles, são mais bonitos do que deveria ser permitido. São bons garotos também. - Ela completa. — Eu tenho que te mostrar essas roupas. - Reagan diz logo que sentamos. Ela alcança e fuça nas sacolas que estão nos seus pés. — Olha pra isso! - ela segura uma calça minúscula de jeans Levi que nunca vi antes. Com uma camisa xadrez de manga curta. — Não é lindo? — Realmente linda. Esses jeans são mais lindos ainda. - Eu concordo. — O que você faz? - Dawn pergunta pra ela. — Sou proprietária do meu próprio salão da Rua Principal, chama-se Reagan’s. - ela sorri. — Faz tanto tempo que não vou em um. - Eu digo pra ela. — Acho que não corto meu cabelo desde que mudei pra cá, há seis meses. Está no topo da minha lista. — Seis meses? Eu não diria; seu cabelo está mais bonito do que nunca. Sempre quis ter seu cabelo.

lo de lado. Topa o desafio? - Dawn pergunta pra ela.

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Salão da Marcy’s, mas não fiquei impressionada com a forma que ela cortou. Não consigo deixá-

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— São as ondas. Ela consegue escondê-las. Agora eu, por outro lado, nem tanto. Fui ao


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— Você sabe que sim. Ligue na semana que vem e verei o que posso fazer por vocês duas. Melhor ainda, o que vocês farão hoje à noite? Podemos nos encontrar no shopping mais tarde. — Não precisa se incomodar. - Eu digo a ela. Ela acena em desdém. — Imagina, não é incomodo nenhum. Passei vários dias ajudando Ridge a se acomodar, e no mais, vai ser bom pra eu voltar a pegar o ritmo de trabalho antes da segunda. — Eu tô dentro. — Tudo bem, se você tem certeza. — Claro que sim. Qual é a graça de ser proprietária de um salão se você não pode usálo quando quiser? Encontrem-me às seis? Dê-me seu número que vou mandar o endereço por mensagem. Eu passo meu número e nem um minuto depois meu telefone alerta com a mensagem dela. Passamos o resto do nosso almoço jogando conversa fora, ela e sua mãe nos contam como é a rotina do Bebê Knox. Ele já está sendo muito mimado. Depois dividimos a conta, seguimos nossos caminhos com a promessa de encontrar Reagan no salão às seis. Isso nos dá tempo suficiente pra ir em casa, descarregar nossas compras e nos trocar antes de sairmos de novo.

xxx

Encontramos o salão de Reagan sem dificuldade. Passamos por ele várias vezes, nunca

preocupada no rosto. — Entrem. - Ela diz, segurando a porta pra nós. — Droga. - Ela encerra a ligação e depois volta a ligar de novo.

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Ela nos cumprimenta na porta, com o seu telefone no ouvido e com uma expressão

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imaginei que ela pudesse ser a dona dele. Como o mundo é pequeno.


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Dawn e eu ficamos de pé na porta, observando-a. Para quem quer que seja que ela esteja ligando, essa pessoa não quer atender. — Desculpem meninas. Passei a última hora tentando ligar para o Ridge. Ele está nessa de ‘Preciso aprender a me virar sozinho’, mas quando sua irmã liga, você precisa atender a porra do telefone. - Ela reclama. — Tenho certeza de que está tudo bem com ele. - Eu tento acamá-la. — Mas e se não estiver? Ele é pai novo, novo em tudo! - Ela disca de novo, colocando a ligação no viva-voz. O tom de chamada ecoa alto pelo salão. Dessa vez, ela encerra e passa a mão pelo cabelo. — Por que simplesmente não damos um pulo lá? É muito longe daqui? - Dawn pergunta. — Uns quinze minutos, quase isso. Vocês não se incomodam? — Nem um pouco. Tenho certeza de que está tudo bem, e você vai ver isso por si mesma, vai te ajudar a acalmar. - Eu digo. — Eu dirijo. - Reagan declara, pegando sua bolsa e chaves que estavam numa bancada próxima. Dawn e eu a seguimos e aguardamos enquanto ela tranca o salão. Dentro de alguns minutos, estamos a caminho pra saber se está tudo bem com Ridge. Ele com certeza vai ter

uma linda vista e parece com uma casa onde mora mesmo uma família. — Venham. - Ela diz, saindo do carro.

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Reagan estaciona na frente de uma casa estilo fazenda com uma muretinha de tijolos. É

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desejado ter atendido ao telefone assim que ele ver nós três à sua porta.


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Nem eu e nem Dawn discutimos, apenas a seguimos até a sacada. Ela não parece estar trancada. Mesmo assim, ela verifica a porta e de fato ela está destrancada, então ela entra e nos diz pra fazer o mesmo. — Por que você não está atendendo ao telefone? - ela sibila com a voz baixa. — Está no modo vibrar. Ele está muito irritado esses dias, e agora finalmente consegui fazê-lo dormir. - A voz profunda de Ridge está baixa quando sibila sua resposta. — Nós interrompemos tudo o que estávamos fazemos pra vir aqui pra ver o que estava acontecendo. Eu fiquei preocupada. - Reagan sussurra. — Nós? É então que Reagan dá um passo para o lado e revela nossa presença atrás dela. Nem a pau que eu estava preparada para o que acabei de ver. Minha boca ficou aguada e eu sei que estou olhando, mas neste ponto da minha vida, eu estou pouco me lixando. Ridge esta sentado no sofá, sem camisa e vestindo um jeans gasto cheio de buracos, parecendo sexy pra caralho com os pés descalços e suas tatuagens totalmente a mostra. Tudo o que mais quero nesse momento é lamber cada traço dela com minha língua. Mas não é isso que está me deixando alvoroçada. O que está fazendo meu corpo querer gritar o nome dele é o menino aninhado nos seus braços. Esse homem – alto, moreno, gostoso, parecendo a personificação do sexo – está segurando seu filho em cima do seu peito. Explosão de ovário! — Oi. - Ele diz suavemente, seus olhos capturando os meus. — É bom ver vocês de

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É justo ele ser tão gostoso?

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novo. - Ele dá uma olhada rápida na Dawn, mas depois seus olhos estão de volta em mim.


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CAPITULO QUINZE

RIDGE Reagan trouxe a cavalaria – uma delas é a mais bonita de todas. Estou me esforçando muito pra não ficar puto com ela. Eu sei que ela se preocupa comigo e que esteja tudo bem aqui em casa, mas ela acha que não posso cuidar sozinho do meu filho? — O que você está fazendo? - ela pergunta mágoa na voz dela. Minha raiva na mesma hora desapareceu. — Eu li que os bebês podem sentir a tensão, então eu o desliguei e me desliguei do mundo. Meu filho precisava de mim. - Eu explico. Eu estava prestes a dizer “Knox vem sempre em primeiro lugar”, mas eu não queria magoá-la ainda mais do que ela já estava. Eu amo minha irmã, mas esse rapazinho é parte de mim. O que ele precisar, não importa o que. — Eu entendi, mas puta que pariu, Ridge. Eu fiquei assustada que algo pudesse ter acontecido. — Estamos bem, Reagan. De onde vocês três vieram? - eu perguntei mantendo minha voz baixa. — Eu pedi pra elas me encontrarem no shopping hoje. Eu ia encontrá-las no salão para cortar o cabelo delas e elas chegaram bem no momento em que eu estava surtando. Eu estive tentando falar com você por mais de uma hora.

solteiro e seus amigos. Dawn ri. Kendall tem um belo sorriso que enfeita aqueles seus lábios carnudos.

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Teremos pizza, cerveja, filmes – sabe, só coisas normais pra uma noite de sábado de um pai

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— Entendi. Bom, vocês podem ficar à vontade. Os rapazes chegarão daqui uma hora.


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— O que vocês acham, meninas? Kendall? Tudo bem pra você conhecer alguns rapazes? - Reagan pergunta pra ela. — Eu estou dentro. - Dawn fala. — Vou dar um pulo em casa e trazer mais salgadinhos e bebidas. Reagan olha pra Dawn e Kendall. — Querem alguma coisa? — Vou com você, se não se importar? Ridge, você liga se eu usar sua cozinha? Estou com uma vontade enorme de comer asinha de frango. - Dawn diz. — Claro, fica à vontade. — Ótimo, daqui a pouco estaremos de volta. - Reagan pisca pra mim, agarra Dawn pelo braço e a puxa com ela. — Acho que vou ficar por aqui mesmo. - Kendall diz quando as garotas passam correndo pela porta. Knox se remexe nos meus braços, e faço uma anotação mental pra esmurrar minha irmã. — Ele não tem dormido? - Kendall pergunta, com a voz suave e baixa. — Não, ele tem, mas não hoje. Ele passou o dia todo irritado. — Provavelmente são gases. É comum nos bebês. Eu ficaria feliz se eu pudesse pegá-lo, se você tem coisas que precisam ser feitas. - Ela oferece. — Na verdade, eu adoraria tomar um banho. Tem certeza que você não se incomoda?

você não começa a cheirar a bunda suja. Todo mundo sai ganhando. - Ela pisca pra mim.

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— Por favor, não é sacrifício nenhum segurar esse menininho lindo. Eu cuido dele e

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Eu sei que você não está aqui pra ser babá dele.


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Ela é adorável pra caralho. Eu levanto do sofá e vou até ela que está de pé na porta. Cuidadosamente, tentando não acordá-lo. Eu transfiro meu filho para os braços dela. Seu cheiro me invade – doce, assim como ela. — Shhh. - Eu digo suavemente pro Knox quando ele se mexe. Pobrezinho, ele teve mesmo um dia muito duro. — Está tudo bem, querido. Eu peguei você. - Ela o nina. Inclinando-me, eu beijo o topo da sua cabeça, o seu cheiro de bebê misturado com o dela, eu aproximo meus lábios no ouvido dela. — Obrigado, doce menina. - Eu sussurro. Ficando completamente de pé, eu disparo em direção ao meu quarto, necessitado por um banho gelado pra caralho pra me acalmar. Eu não posso ter nada em mente com a linda Kendall; minha vida é dez tons de loucura nesse momento. Preciso aprender a ser um pai, cuidar do meu filho, cuidar dos meus negócios e cuidá-los bem. Não tenho tempo pra distrações. Tenho que permanecer limpo. Esse é meu mantra. Tomo meu banho com calma, tentando acalmar meu desejo por Kendall. Ela é linda e hoje quando ela entrou... tem algo nela, algo que eu teria explorado duas semanas atrás. Mas hoje, eu tenho mais o que fazer do que pensar em mim mesmo. A vida é engraçada nisso; as coisas mudam quando você menos espera. Preciso aprender a viver nesta nova realidade. Eu sei o que tenho que fazer, mas a linda mulher que está no andar de baixo tomando conta do meu filho, ela de repente, se tornou o centro da minha cabeça. Eu sei que preciso me vigiar, mas parece que do nada não consigo parar de pensar nela. Penso que encontraria alguém que me interessaria em algum momento da minha vida quando as distrações simplesmente não são possíveis. Eu termino de me vestir rapidamente para que eu possa voltar pra eles, pros dois.

Kendall alimentando Knox, como se ela já tivesse feito isso milhares de vezes e Tyler, que está

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Eu escuto vozes vindas da sala de estar. Quando chego no final do corredor, eu vejo

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Talvez eu não possa tocá-la, mas estou morrendo de vontade de olhar nos olhos dela de novo.


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sentado próximo a ela no sofá – muito próximo. Seu braço está repousando no encosto do sofá, atrás dela enquanto ele se inclina pra ver meu filho mamar. Isso me deixa puto. — Tyler. - Eu rosno. Mas que porra há de errado comigo? — E aí, cara, ele tem um apetite e tanto. - Ele aponta com sua cabeça pro Knox. — Claro, se eu tivesse uma linda mulher me segurando e me alimentando, eu comeria como um campeão também. - Ele pisca pra Kendall. Raiva. Por um dos meus melhores amigos, eu sinto raiva. — Ty, você não quer dar a eles um pouco de espaço? - eu estou sendo um cretino, mas foda-se, estou nem aí. A cabeça dele vira na minha direção e ele franze suas sobrancelhas. Eu ergo as minhas pra ele. Ele sabe o que estou tentando dizer. Você vai sair daí ou não, filho da puta? Posso dizer pelo olhar no rosto dele que ele está confuso. Junte-se ao clube, meu camarada. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas sei que não o quero perto ou flertando com ela. Que droga, apenas não o quero perto dela. Ponto. Fim de assunto. — Tem descansado o bastante, cara? - ele pergunta. Ele ainda não saiu de perto o bastante dela. — O suficiente. - Eu estalo, então tento outra tática. Ele obviamente não pegou a dica. — Pode me ajudar na cozinha? — Claro, cara. Kendall, você precisa de alguma coisa? Mas que porra! Ela não precisa que ele cuide dela.

finalmente fica em pé e me segue até a cozinha. Eu me viro e o encaro. — Qual foi? - ele diz, tomando um assento na ilha da cozinha.

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Eu o observo remover o braço do encosto do sofá, dar tapinhas no joelho dela e então

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— Estou bem, Tyler. Mas obrigada. - ela diz com sua voz doce como o pecado.


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— Ela não. - Eu digo terminantemente. — Como é? — Ela não. Você não pode pegar ela pra você. O cretino ri — Ela é sua? Sim. — Não. — Ela já é de algum dos caras? — Não. - Eu digo trincando os dentes. Ele dá de ombros. — Joga limpo então, mano. Caralho... Inacreditável. — Ela não, Ty. - Minha voz está apertada enquanto eu agarro o balcão. — O que está pegando, então? - ele pergunta, olhando para minhas mãos e depois para encontrar meu olhar. Eu fecho meus olhos e respiro fundo. — O que está pegando? - Eu rio sem humor. — O que está pegando é que estou perdendo a porra da cabeça. É o que está pegando. — Vou precisar mais do que isso. - Ele se intromete. — Esquece. — Nem vem. Desembucha. - Ele dispara de volta, com um sorriso divertido no rosto.

Eu olhei pra ele.

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— Sério mesmo? É assim que vai ser então?

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— Vai se foder.


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— Estou com tempo de sobra. - Ele inclina-se no encosto da cadeira e cruza seus braços. O som da porta da frente abrindo. Eu relaxo quando escuto a voz de Reagan. — Oi pra vocês. - Reagan beija a bochecha do Tyler e coloca as sacolas do mercado em cima do balcão. Dawn a segue e coloca mais duas do lado que Reagan havia colocado. — Oi, sou o Tyler. - Ele estende sua mão pra Dawn. — Dawn. Prazer em conhecê-lo. - Ela sorri pra ele. Eu respiro fundo e relaxo meu aperto. Talvez agora ele deixe Kendall em paz agora. — Toc, toc. - A voz de Seth, apesar de ele tentar falar baixo, ela ecoa pela casa. — Bom, olá, linda. - Eu o ouço dizer. — Filho da puta! - eu irrompo pela sala de estar. Meus quatro melhores amigos ficam no cio só de olhar pra ela? — Esteve esperando por nós? - Kent diz, sem tirar seus olhos da Kendall. — Cozinha. Agora! - eu exijo. Cinco pares de olhos – quatro largos e um pequeno – olham pra mim. Eu dou um dos meus olhares que diz ‘façam o que estou mandando agora’. uma vez que eles deixam a sala de estar, eu vou até Kendall e sento na outra ponta do sofá. — Como vocês estão? - eu pergunto a ela. — Quer que eu o segure?

beijar sua bochechinha.

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eu não os seguro na clínica, mas esse rapazinho é tão gostoso de segurar. - Ela o ergue para

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— Não. Quero dizer, não a menos que você precise. Eu amo segurá-lo. Normalmente


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Eu deveria estar pensando nos germes, sobre essa garota que não vi tantas vezes desde o ensino médio que ama estar com meu filho. Ao invés disso, eu penso em como esse rapazinho é sortudo por sentir seus lábios suaves na sua pele. Eu estou realmente fodido! Preciso dormir uma noite inteira ou algo assim. Esse não sou eu. Eu estou completamente louco! — Não, deixa ele com você. Eu só não quero me aproveitar disso. Afinal de contas, você é minha convidada. - Eu pego e enrolo uma mecha do seu cabelo encaracolado e o coloco atrás da sua orelha. O cabelo dela parece seda. — Não, imagina. Eu gosto de segurá-lo, se estiver tudo bem pra você. — Claro que está, doce menina. Pra mim está mais do que bem. — Então, o que estamos assistindo? - Tyler pergunta Ele está deixando o pacote na sala de estar. Porra, eu esqueci que preciso avisar a todos eles pra ficarem longe da Kendall. Eu arranco o controle remoto da mão do Tyler e o passo pra Kendall. Eu posso usar a desculpa de que ela está segurando o Knox. Pelo menos, é isso que estou dizendo pra mim mesmo – e pra eles – caso perguntem. — Acho que as damas deveriam escolher. - Reagan cantarola. — Eu concordo. - Dawn complementa. Tyler sorri. — E você, Kendall?

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— Você vai estragar meu sobrinho de tanto mimá-lo. - Reagan olha zombando dela.

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Ela olha pra mim e depois pro Knox. — Pra mim tanto faz.


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— Ei, foram vocês que me deixaram aqui sozinha, a culpa é só sua. Não vou largá-lo até que o papai aqui diga que é hora de ele ir dormir. — Ele é irresistível demais. - Reagan diz. — Vamos lá, primeiro as damas e essas coisas. - Ela diz pro Tyler. Ele toma o assento próximo a ela no sofá menor e dá tapinhas na cabeça dela, tomando o controle dela. Seth e Kent se sentam no chão, empurrando a cadeira que eles insistiram pra que Dawn se sentasse. Essa é a deixa pro Mark se sentar ao meu lado. Eu relaxo visivelmente sabendo que eles não estarão perto de Kendall. É irracional, eu sei, mas que se foda, já que

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não consigo me controlar.


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CAPITULO DEZESSEIS

KENDALL O bebê Knox dorme sonoramente nos meus braços. De vez em quando seus pequenos lábios fazem biquinho e essa é a coisa mais adorável que já vi. Tento manter minha atenção nele e no filme, mas não tenho muita certeza do que está acontecendo. Eu posso estar olhando pra tela, mas na verdade eu estou pensando no Ridge. Em como ele está sentado perto de mim. Em como suas coxas encostam na minha. Em como ele cheira incrivelmente bem. Em como, pela primeira vez em meses, meu corpo reage a um homem. Eu lembro em como Cal acabou comigo, destruiu meu desejo em nunca mais seguir o caminho para namorar de novo. — Você se dá bem com ele. - Ridge diz alto o suficiente pra que só eu pudesse ouvir. Eu sinto luxúria por ele e sinto uma pontada de culpa. Ele acabou de perder sua... Namorada? Esposa? Noiva? E eu aqui tendo pensamentos inapropriados só de ele estar ao meu lado. Ele deve estat pensando em como vai viver sem ela, em como vai criar seu filho sem ela. Tem algo de muito errado comigo. — Ele que é um bebê muito bonzinho. — É o que todos me dizem, mas não tenho nada a ver com isso. - ele ri. — Pra mim ele é. Ele dificilmente chora. Ele estava muito irritado hoje, mas era como se ele não estivesse sentindo isso, sabe?

Aparentemente não estávamos falando tão baixo quanto pensávamos.

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— Estou orgulhosa de você, irmão. - Reagan diz.

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Eu assinto. Todos nós temos esses dias, até mesmo os bebês.


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— Você que o conhece bem demais. Você é um bom pai, Ridge. - Ela diz, com um sorriso triste nos lábios. — Você vai segurá-lo a noite toda? Posso pegá-lo agora? - Mark me pergunta. Eu olho pro Ridge pedindo por permissão. Não que ele ligasse se seus amigos segurassem seu filho, mas essa não é minha casa. Além disso, eu tinha jurado pra ele que não o largaria até que fosse a hora de ele ir dormir. Ele assente. — Não corrompa meu filho. - Ele ri. Lentamente, eu vou até a ponta do sofá e me levanto. Eu sinto a mão do Ridge na base das minhas costas pra me ajudar a ficar de pé. Eu não olho para ele, com medo de ele ver que enquanto os segundos passam, minha atração por ele cresce cada vez mais. Ao invés disso, eu paro na frente de Mark, inclino-me e passo Knox para os braços dele. Eu volto pro meu assento ao lado de Ridge, meu corpo ainda mais consciente dele agora que não tenho mais o bebê pra mimar, pra me distrair. Eu me concentro no filme e tento como nunca bloquear a sensação da coxa dele encostada na minha. A noite segue, comemos, assistimos filmes e ainda brincamos de Batalha dos Sexos. Todos os caras seguram Knox a cada rodada, e vou te contar uma coisa, é uma vista e tanta. Não tem nada mais lindo do que ver um homem mimando um bebê tão pequeno. Isso faz com que você tenha todos os tipos de pensamentos. Todos eles que formigam ‘quero ter seus filhos, vamos começar a praticar.’ E tudo que posso dizer é que Dawn e Reagan estavam tão afetadas quanto eu. Apesar disso, Reagan parece não tirar seus olhos de cima de Tyler na maior parte do tempo. Preciso perguntar depois a ela sobre isso.

enquanto Knox também descansa.

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nas últimas semanas e aqui estamos nós, invadindo sua casa. Ele deveria estar descansando

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Ridge boceja e eu imediatamente me sinto culpada. Ele tem passado por tanta coisa


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— Acho que já vamos indo. - Reagan diz. Ela também deve ter percebido. Eu fico de pé. — Obrigada por ter nos recebido. - Eu digo a Ridge. Ele fica de pé, assim como todos os outros, espreguiçando depois de ficar muito tempo sentado assistindo filmes. — Foi bom ter uma noite de folga e ter uma conversa de adultos. Isso fez todo mundo rir. — Eu acompanho vocês até a porta. - Eu o vejo colocar Knox no balancinho e nos seguir até a porta. — Dirijam com cuidado. - Ele grita pra nós, que já estávamos entrando no que parecia ser o Jeep do Kent. Todos eles, exceto Tyler. — Kendall, foi um prazer. - Tyler me diz com uma piscadinha. — Sempre. - Eu digo sorrindo. — Meninas, perdoem-me pela mudança inesperada de planos. Liguem-me essa semana pra que possamos marcar outra visita ao salão. - Reagan diz. — Definitivamente não foi uma mudança tão ruim assim. - Dawn se abana com suas mãos. Ela é um tanto dramática às vezes. — Irmão, vejo-o mais tarde. - Reagan fica na ponta dos pés e beija a bochecha dele antes de acompanhar Dawn em direção ao carro. Eu fico na varanda para segui-las quando Ridge pega minha mão. Eu paro e olho para ele por cima do meu ombro. — Obrigado, Kendall, por hoje à noite... quero dizer, por me ajudar com o Knox. - Ele

por nos deixar invadir sua casa.

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Eu sorrio. — Não fiz nada além de mimá-lo. Não foi trabalho algum, acredite. Obrigada

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divaga.


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Ele assente, mas não solta minha mão. Eu giro meu corpo para encarar a calçada e olhar onde seus dedos largos estão agarrando meu pulso. Meu pulso está disparado por causa do seu toque. Pergunto-me se consegue senti-lo acelerado. Com um aperto gentil, ele me solta e não fico por perto. Assim que ele me solta, eu dou passadas rápidas e pulo no banco traseiro do carro. Pra minha sorte, Tyler estava conversando com as meninas na sua caminhonete, e eles parecem não ter notado que eu não estava atrás deles. Enquanto eu tento acalmar meu coração acelerado, eu percebo como esses sentimentos estão errados. Ele está de luto. E vou fazer de tudo pra tirar Ridge Beckett dos meus pensamentos

xxx

O ressoar do meu alarme me acorda muito cedo. Eu não dormi bem na noite passada, meus pensamentos em Ridge mantiveram-me acordada. Num minuto eu me sentia culpada por ter pensamentos eróticos com ele, considerando sua situação atual, e no outro, eu estava imaginando como seria sentir aquelas mãos grande por todo meu corpo. Eu tenho que dar uma passada na casa dos meus avós antes de ir trabalhar. Eles saíram da Flórida ontem e a reforma da casa deles começa hoje. O que meu pai tinha na cabeça por achar que eu tenho alguma noção do que uma empreiteira possa precisar, estava além da minha compreensão, mas ele acha que é necessário, então estarei lá. Ontem, Dawn e eu passamos a maior parte do dia com meus pais. Nós fizemos

Assim que dou um passo pra fora da porta, ela emerge do quarto dela. Minha melhor amiga não era uma dessas pessoas que acordam cedo.

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convite meu pra ir lá, ela está sempre aceitando. Estou feliz por eles a acolherem tão bem.

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grelhado ao ar livre e ficamos por lá. Dawn não era próxima a sua família, então qualquer


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— Tenha um bom dia, querida. - Eu digo por cima do ombro. Não prolongo a conversa por muito tempo pra não dar chance a ela de arremessar alguma coisa na minha cabeça. É uma manhã quente de maio, então abro o teto solar do meu carro, coloco meus óculos de sol e ligo o rádio. Chego uns vinte minutos mais cedo do que meu pai disse que eu levaria para chegar na casa, engolindo o muffin que trouxe de casa. É um lugar tão calmo e pacífico. Odeio o fato de eles estarem vendendo, mas eu compreendo; eles precisam pagar uma taxa de condomínio para manter uma manutenção mínima, que os permitirá que eles viagem sem tanta preocupação. As sete e trinta em ponto, eu ouço um motor a diesel. Bem na hora. Dou um passo na varanda pra cumprimentá-los e paro. Na garagem estão estacionados duas caminhonetes com o logo da Beckett Construções em cada lado. Ridge. O homem dos meus sonhos – literalmente – salta do banco do motorista, segurando uma prancheta em uma das mãos. Tyler, vindo atrás dele, olha e percebe que estou aqui. — Kendall! - Ele grita meu nome. Isso faz com que Ridge pare de caminhar e olhe para mim. Tyler passa por ele e continua vindo na minha direção. — Você mora aqui? - Tyler pergunta, inclinando-se pra beijar minha bochecha. — Ahn... não. Meus... meus avós moram aqui.

seu braço nos meus ombros. — Essa é a casa dos seus avós. Mundo pequeno, não é? - ele diz pro Ridge.

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Olhando pra ele, eu vejo aqueles olhos escuros que estão travados em mim. Tyler lança

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— Kendall. - A voz profunda de Ridge me saúda.


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— Tyler. - Ridge rosna. Ele não parece tão feliz com ele nesse momento. Tyler apenas ri e tira seu braço. — Dia. - Eu aceno de um jeito estranho pra ele, e um pequeno sorriso destoa nos lábios dele. É realmente muito cedo pra ser submetida a um homem com covinhas. O resto dos caras agora estão reunidos a nossa volta, então eu sorrio e aceno pra eles também. — Então, meus avós estão fora da cidade, assim como meus pais. Meu pai me enviou – não que eu possa ajudar muito. - Eu explico rapidamente. — Sem problemas, nós sabemos o que ele quer que seja feito. Digo, seu avô. Apesar disso, precisamos das cópias das chaves. - Ridge diz. — Certo, desculpem, estou com elas. Vamos, entrem. - Eu abro a porta e entro. Pegando o envelope que está sobre a mesa com as chaves, eu as entrego pro Ridge, que está agora do meu lado. — Aqui estão. — Obrigado. Então, se surgir alguma dúvida, nós te ligamos? - ele pergunta. — Sim, pelo menos nas próximas semanas. Meus avós demorarão para voltar, mas meu pai estará de volta na semana que vem. Ridge tira seu telefone do bolso. — Qual seu número? - ele pergunta. Ele não está perguntando porque está interessando em você, é pra questões de trabalho. Eu passo meu número e ele digita no seu telefone. — Obrigado, linda. - Tyler diz, guardando seu telefone no bolso.

irritação perceptível na sua voz.

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respira fundo. — Não estou te pagando pra você ficar a toa, sem fazer nada. - Ele diz, com a

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Eu apenas sorrio e rio das suas palhaçadas. Ridge, no entanto, fecha seus olhos e


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Tyler dá um tapa no ombro dele, rindo enquanto o resto dos caras – onde até então,

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estavam em silêncio – voltaram pro lado de fora.


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CAPITULO DEZESSETE

RIDGE Passo o resto do meu final de semana tentando trabalhar minhas reações quando estou com a Kendall. Por que de repente esse sentimento brota quando estou com ela? Ela é linda, com um longo cabelo escuro e grandes olhos azuis. Há algo sobre ela, algo que não consigo descobrir, mas seja o que for, ele me puxa para ela. E agora ela está aqui. — Mundo pequeno. - Eu digo de novo, uma vez que os outros estão fora de alcance. — Pois é. - Ela prende uma mecha encaracolada do seu cabelo atrás da orelha. — Como está o Knox? Posso sentir o sorriso quando abro meus lábios. — Ele está bem. Está com minha mãe. Ela toma conta dele por mim durante o dia. - Agora eu desconverso. — Você tem sorte por ele estar com sua família. A maioria não tem essa sorte. — Pois é, mas mesmo assim, sinto-me mal por isso. Não tem muitos anos que meu pai se aposentou e sinto que estou forçando eles a fazerem isso. — Duvido. Primeiro de tudo, ele é adorável, e da forma que sua mãe estava falando, ela está amando ser avó. Seu pai também parece estar amando isso.

— Pois é, Dawn e eu almoçamos com ela e Reagan no shopping. Pensei que elas tivessem te falado.

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disso?

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— Você conversou com minha mãe? - Quando foi isso? Como que não fiquei sabendo


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Bom, merda, Reagan disse que elas almoçaram juntas, mas ela não mencionou que minha mãe havia conversado com ela. Por que odeio o fato de ela ter conhecido minha mãe, mas eu não estava lá? Não é como se minha mãe nunca a tivesse conhecido – ela e Reagan se formaram juntas e essa é uma cidade pequena – mas mesmo assim, eu sinto como se eu devesse estar lá com ela, deveria ser eu ter apresentado as duas uma pra outra, não Reagan. — Então, foi o que elas me disseram. — Bom, se perguntar pelos meus pais, essa é a questão de se aposentarem. No entanto, parece que estou arruinando os planos deles. - Ela ri. — Não estão prontos pra sossegarem? - eu pergunto. Mas que porra? Por que estuo me intrometendo na vida dela? Não é da porra da minha conta, mas quero a resposta. — Não é isso. Só pra evitar separações. Os olhos dela parecem perder um pouco do brilho. Agora quero saber a que – ou quem – se refere. Ou se referia. Não importa. Ela está saindo com alguém? Por que só o pensamento dela estar saindo com outra pessoa me incomoda? — Separações? Ela ri. — É, sabe, namorar um perdedor atrás do outro. Sair dos trilhos, finalmente vendo a fumaça através dos espelhos. — Tem namorado? - Tenho que saber. — Não.

Ela cora. Doce menina.

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verdadeiras, mas eu ainda deveria ter mantido minha boca fechada.

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— Ele é um idiota. - Eu solto as palavras sem pensar. Não que não sejam palavras


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— Eu teria que concordar, apesar de eu ter certeza que seja por razões diferentes. — Independentemente, isso não muda o fato de ele ser um idiota. - Eu digo de novo. — Então, Ridge, vamos trabalhar? - Kent grita porta adentro. — Eu deveria ter começado. Estamos bem aqui, mas te ligarei caso surja alguma dúvida. — Pra mim está tudo bem. - Ela olha pro seu relógio. — Merda, preciso ir logo pro trabalho. Tenha um bom dia, Ridge. Eu a vejo pegar sua bolsa e correr pra fora da casa e fico olhando pra porta por vários minutos, paralisado por causa dela. Isso até Seth surgir no meu campo de visão, o que me faz sair do meu transe da Kendall. — Você está bem? - ele pergunta. — Estou. Já descarregou tudo? Ele assente. — Ela é uma graça. - Ele indica com a cabeça em direção à porta. — Ela é. - Eu concordo. Ela é mais do que uma graça – Ela é linda pra caralho, e doce pra porra. — Acha que pode me passar o número dela? Mas. Que. Porra! — Não. - Eu rosno.

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— Por que as moças estão demorando tanto? - Mark pergunta.

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— Cara, qual é. Isso não vai interferir no meu trabalho. Eu juro.


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— Estou tentando convencer o Ridge a me passar o número da Kendall. - Seth diz pra ele. — Porra, aí sim! - Kent bate seu punho no do Seth. — Nem fodendo que isso vai acontecer. - Eu digo, minha voz baixa e ameaçadora. — Qual é, cara. Por que está sendo tão pau no cu? - Tyler pergunta. Eu olhei bem pra ele. — A menos... - Mark bate seu dedo no queixo. — Você a quer para você? Sim. Ao invés disso eu digo. — Ela é a neta do nosso cliente. — Para de besteira. - Seth atiça mais ainda e o resto do bando concorda com ele. — Do que me adiantaria agora entrar em um relacionamento? Meu filho precisa de mim. Eu tenho que ser seu pai e mãe ao mesmo tempo, e isso em tempo integral. Não tenho tempo pra mais nada agora. Kent cruza seu braço por cima do peito. — Quem disse alguma coisa sobre relacionamentos? Porra! — Cara, isso não é você. — Como eu disse antes, é tudo besteira. - Seth ri. — Estamos perdendo tempo. - Eu digo, tentando mudar do assunto Kendall. De mim e

— Temos um prazo a cumprir. - Eu digo, ignorando sua piadinha.

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— Ridge e Kendall sentados numa arvore, se B-E-I-J-A-N-D-O... - Tyler cantarola.

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Kendall.


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Dou um soco no ombro dele, cortando-o efetivamente antes de terminar sua musiquinha. — Ao trabalho! - eu grito. Eu não fico mais por perto pra não ouvir mais provocações deles, irrompo para fora da casa e vou até minha caminhonete. Eu pego a pasta que contem os detalhes da reforma e tento como nunca me prender no que precisa ser feito. O aqui e agora – é nisso que tenho que me concentrar, Kendall é linda, mas eu estava falando sério quando eu disse que preciso aprender como criar meu filho. Claro, eu estou me saindo bem até agora, mas só se passou uma semana. Uma semana inteira, e só três destes dias que eu cuido dele sozinho. Estou cansado e assustado pra caralho. Mas sou homem o suficiente pra admitir isso. Preciso aprender a cuidar dele, ter certeza de que ele tem o que ele precisa, talvez

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então eu possa viver um pouco para mim. Agora, porém, eu vivo para ele – meu homenzinho.


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CAPITULO DEZOITO

KENDALL Tenho evitado ir a casa dos meus avós a semana toda. Depois da segunda e ter visto Ridge, decidi deixá-los fazerem seu trabalho. Meu pai queria que eu fosse lá conferir o andamento da reforma com eles, mas eu confio em Ridge e sua equipe. Em minha defesa, na quarta eu tinha boas intenções quando fui lá, mas Reagan ligou e mencionou que ela estava indo na casa do Ridge mais tarde naquela noite pra ver o Knox. Eu perguntei pra ela se ele precisava de alguma coisa. Ela me mandou uma mensagem algumas horas depois; ele, claro, disse não. E assim, eu cumpri com sucesso minha obrigação com meu pai, sem na verdade olhar pro Ridge. Ponto! Hoje, no entanto, tenho que ir lá. Meu avô me ligou logo cedo e pediu pra enviar a ele fotos. Tenho certeza que é apenas uma demolição, mas ele ainda assim quer vê-las. Minha mãe deu a ele e a minha avó um smartphone de natal, e acredite ou não, eles mexem muito melhor neles do que jamais imaginei que eles seriam capazes. Estou de folga hoje, já que trabalhei no sábado essa semana, o que significa que não tenho o trabalho como desculpa. Eu ainda estou no meu quarto até que escuto a Dawn sair pra trabalhar. Assim que escuto a porta se fechar, eu tiro minha bunda preguiçosa da cama e vou tomar uma chuveirada. Tomo banho sem pressa, entretendo-me com o jato quente, e não saio até a água ficar fria. Visto calça jeans capri e uma camiseta velha do show do Def Leppard e prendo meu cabelo úmido em um nó bagunçado. Eu não quero aparentar ser tão certinha.

minhas sandálias de dedo, pego minha bolsa, chaves, celular e caio na estrada. Durante o percurso, eu me preparo mentalmente pra ver Ridge. Tenho que continuar me lembrando de

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Depois de tomar um café rápido, que consistiu em um bagel e cream cheese, calço

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Mesmo com todas minhas curvas, o estilo ficou fofo, mas nunca admitirei isso.


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que ele está de luto e sua vida está um caos nesse momento; eu deveria estar oferecendo meu apoio, não pensando em maneiras de levá-lo pra minha cama. Sem mencionar que aqueles pensamentos não são meus... bem, nem sempre. Pelo Ridge, posso fazer uma exceção. Estacionando na garagem dos meus avós, eu vejo as duas caminhonetes da Construções Beckett. Não vejo nenhum dos rapazes, mas os sons das ferramentas poderosas indicam que eles estão dentro da casa. Estou ansiosa pra ver como eles estão se saindo. Vovó insistiu que a casa fosse ‘modernizada antes que eles a colocassem à venda. Meus pais concordam que se ela estiver ‘pronta pra morar’, eles pagarão um preço muito bom por ela. Entrando na casa, eu sigo o barulho até a cozinha e vejo Kent, Mark e Tyler. Os três estão sem camisa enquanto trabalham juntos pra colocar o chão com madeira de lei. A cozinha está sem os armários e pisos, mas a imagem dos três rapazes gostosos curvados me distrai da tristeza do fato que meus avós estão fazendo isso pra vendê-la e mudarem pra outro estado. Eu fico parada na porta e os observo descaradamente. A música está tão alta que eles não percebem que estou aqui adorando a vista. Eu caminho pela cozinha, preparando-me para alertá-los de minha presença quando Kent fica de pé e pega outro pedaço de piso. Ele o apóia em seus ombros, balançando-o. Eu sinto duas mãos largas agarrarem meu quadril e me tirar do caminho. Eu paro soltando uma lufada de ar contra um peito duro. — Cuidado, doce menina. - Uma voz profunda sussurra no meu ouvido. Eu arrepio, apesar de não estar com frio... não, seu corpo firme pressionando o meu me assegura disso. Isso tudo é que Ridge faz ao meu corpo ao reagir assim. — Ridge. - Seu nome escapa pelos meus lábios como um gemido suspirado. Tudo o que

preciso que se machuque.

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Seu aperto no meu quadril fica mais forte. — Você precisa ter cuidado aqui. Não

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me preparei antes de chegar aqui foi para o espaço.


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Eu engulo seco, tentando controlar a reação do meu corpo. — Vocês estão bem ocupados. - Eu digo, minha voz não é nada mais além de um sussurro. Ele sorri quando pega minha mão, dando um puxão suave. Ridge está dois passos à frente dele, seu aperto firme impede que meu corpo se mova. Seth joga a cabeça pra trás rindo. — Mas que...? Ah, oi, Kendall. - Mark diz. Isso faz com que Kent e Tyler se virem e meu rosto ruboriza quando seus olhos vagueiam por mim sendo segurada possessivamente por Ridge. Eu tento me mover, mas ele não deixa, ainda me segurando. — Não. - Sua voz áspera sussurra. — O que a traz aqui? Sentiu minha falta? - Tyler pergunta, caminhando a nossa volta. — Eu... hum... Meu, hã, avô queria que eu enviasse algumas fotos da reforma pra ele. Ele me pediu pra dar uma passada aqui. - Eu seguro meu telefone pra provar a eles minha verdadeira motivação pra estar aqui. — Aqui, deixa comigo. - Tyler me alcança e pega o telefone das minhas mãos. Eu o observo rolar a tela e me arrependo de não ter colocado uma senha pra travar o telefone. Eu permaneço congelada no meu lugar com o gostoso do Ridge Beckett me segurando por trás, enquanto um dos seus melhores amigos e empregados gostosos ficam à vontade enquanto fuçam no meu telefone. Um sorriso lento aponta em seu rosto. — Você nunca sabe quando pode precisar de alguma companhia para o jantar. Eu odeio comer sozinho. - Ele morde seu lábio pra não rir.

graus de temperatura. Ele não faz meus joelhos travarem e não quererem se mover pra me afastar do aperto no meu quadril. Claro, Ridge me aperta com força, mas eu não faço muita

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gostoso, mas não o suficiente ao ponto de me fazer ter arrepios, mesmo fazendo vinte e seis

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Ele enviou uma mensagem pra si mesmo pra que pudesse salvar meu número. Tyler é


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força para me soltar. É tudo pra se mostrar. Ficarei aqui o tempo que ele quiser, afogando-me em seu calor, sentindo suas mãos na minha cintura. A maneira como seus dedos deslizam por debaixo da minha camiseta, seu dedão acariciando levemente minha pele nua. Então é isso, estou muito bem aqui. — Mas que porra é essa? - Ridge rosna. — Você mandou uma mensagem pra si mesmo do telefone dela? O sorriso de Tyler aumenta mais ainda. — Legal, né? - Ele pergunta. — Filho da puta. - Ele diz sem fôlego. Posso sentir a tensão rolando no ar. Desta vez, quando tento me afastar, ele solta um suspiro pesado e me solta. — Posso tirar as fotos. - Eu digo a Tyler, estendendo minha mão para ele me passar meu telefone. Ele pisca e o devolve. Eu o pego rapidamente e abro o aplicativo da câmera. Afasto-me mais ainda de Ridge, e é como se meu corpo sentisse a separação. Morro de vontade de voltar aos braços dele. Poupando-me de ser atingida na cabeça, segurando-me pra valer... a essa altura, eu farei o que for possível pra conseguir. — Olha por onde anda. - Ridge me diz. Olhando pra baixo, eu vejo que o terreno está desnivelado. No máximo um pouco mais de dois centímetros. Eu levanto o olhar e encontro seus olhos travados em mim. Seu olhar é intenso e um pouco intimidante. Não tão intimidante quanto o do Cal, não. O olhar do Ridge é

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intenso... sexy e me consome. No melhor dos sentidos.


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CAPITULO DEZENOVE

RIDGE O que a Kendall tem que não consigo pensar em mais nada a não ser ela? Quando ela está perto de mim, o caos que está instalado na minha cabeça se acalma. O estresse de criar Knox sozinho, a preocupação constante de não ser capaz de dar a ele o que ele precisa, o amor de ambos os pais – tudo isso parece ficar em segundo plano quando eu estou na presença de Kendall Dawson. E não é só isso; também pareço esquecer em como agir quando ela está por perto. Apesar de não conhecer nenhum homem que, dada a oportunidade de colocar as mãos em suas curvas, seja capaz de traçar sua pele nua, não teria reagido da mesma forma. Eu não queria deixá-la ir. Mas o dever me chama, o que me traz de volta a realidade. — Hora de descansar. - Eu digo a eles, sem tirar meus olhos da Kendall. Eu não consigo ouvi-los rindo enquanto eles dão passadas pesadas com suas botas de trabalho saindo pela porta. Não acho que nenhum de nós queira descansar, então eu os aguardo sair. — Como foi sua semana? - ela pergunta, quebrando o contato visual, olhando para o telefone em suas mãos. Eu pensei em você a semana toda. — Foi boa. Corrida. Estou levando um dia de cada vez. - Eu não sei se ela quer mesmo estar aqui na casa dos seus avós ou em casa com o Knox, mas dei a ela as duas opções. Estou morto por causa das mamadeiras no meio da noite e o trabalho está tão estressante que parece que todo o peso do mundo está nos meus ombros. — E a sua? Não pensei que te veria tão cedo. - Eu esperava mais do que isso. Eu fiquei

uma mensagem e exigir que ela falasse mais sobre si mesma para mim, dizendo para mim mesmo que não é porque eu queria ouvir a voz dela ou ler suas palavras.

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lhe pediu para acompanhar o andamento da reforma comigo. Eu queria ligar pra ela, mandar

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desapontado quando Reagan disse que ela conversou com a Kendall mais cedo na quarta e ela


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— Na mesma de sempre. — Você tem planos para hoje à noite? - Mas que porra eu estou dizendo? — Não, amanhã eu trabalho. Vai ser uma noite bem tranquila pra mim. Eu rio. — Eu também. O rapazinho ultimamente não está muito afim de conversa esses dias. Ela sorri. — Ele é adorável. Não se preocupe, não vai demorar muito para ele começar a conversar com você, ao ponto de ele não querer mais parar. — É o que venho escutando. Segundo meus pais, num piscar de olhos, ele já estará crescido. — Também já ouvi isso. - Ela olha em volta da cozinha demolida. — Então, como vão as coisas aqui? Precisa de mim pra alguma coisa? Não, só você. — Estamos bem. Parece uma zona agora, mas prometo que quando estiver tudo pronto, vai estar digna pra ser capa de revista. Um sorriso triste aparece no seu rosto. — Eu amo essa casa. O quintal grande. Tenho tantas lembranças da minha infância aqui. Minha mãe e meu pai trabalharam tanto, então acabei passando muito tempo com meus avós. Estou triste por eles estarem vendendo. — Tem uma ótima vista mesmo. - Eu digo, comentando sobre o quintal que captou sua atenção pela janela da cozinha. — Eu vou sair do seu pé. Tenho alguns pacientes agendados pra hoje, e depois vou

que ela fique aqui e converse comigo. Eu empunho minhas mãos com força pra me impedir de fazer isso. Eu me viro e a sigo como um filhotinho sendo expulso de casa, sem me incomodar

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Ela olha em direção a porta e quero alcançá-la antes que ela passe pela porta e exigir

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passar o resto do meu dia no sofá lendo um livro.


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para os caras olhando para mim enquanto vamos em direção ao carro dela. Ao invés disso, eu mantenho meus olhos mirados no traseiro dela, com aquelas pernas longas e o balançar suave do seu quadril. Eu deveria ter prestado atenção por onde eu estava andando, porque ela parou de repente e esbarrei nela. Minhas mãos pousam no seu quadril, evitando que ela caia. Mantendoa por perto. Ela tem um cheiro incrível, doce como mel. Eu descanso meu queixo no topo da sua cabeça e me embriago pela sensação de tê-la nos meus braços. Tenho certeza de que a qualquer minuto ela se afaste de mim. — Ridge. - Ela sussurra. Na mesma hora, meu pau fica duro. Seu traseiro delicado encostado em mim, meu nome saindo dos lábios dela – como caralhos eu devo resistir a ela?

— Kendall. - Eu rosno,

totalmente cheio de tesão. — E-eu devo ir. Porra. Eu sei que ela tem razão; e mais, eu tenho trabalho a fazer. Não estou sendo pago pra tentar e comer a neta do proprietário da casa, mas eu quero. Ah, como eu quero. Mas ao invés disso, eu levo minha boca próximo ao ouvido dela. — Dirija com cuidado, doce menina. - Meus lábios pousam na bochecha dela e me afasto. Eu tenho que me obrigar a soltá-la. Ela não se solta como eu esperava, apenas fica no mesmo lugar. O único movimento rápido dela é o subir e descer do peito dela. Ela está tão afetada quanto eu; seu corpo confirmou isso. Eu a vejo respirar fundo e expirar lentamente. Virando pra olhar por cima do seu ombro, com aqueles olhos azul bebê travados nos meus. — Tchau, Ridge. - Ela murmura.

embora. — Hora de voltar ao trabalho. - Um dos caras grita – acho que foi o Mark.

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para entrar no carro dela. Eu fico parado como um idiota perdidamente apaixonado e a vejo ir

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Não tenho tempo de responder quando ela rapidamente se vira e dá os últimos passos


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Não estou no espírito de ser zoado por eles. Eles não vão me dar sossego pelo resto do dia. Eu sei disso, mas isso não é o bastante para me impedir. Tem algo nela que me deixa louco. Eu me viro lentamente e caminho de volta para casa, não que andar mais devagar evite que eu seja zoado pelos meus amigos. — Você está bem, cara? Precisa de um lenço ou algo parecido? - Kent pergunta. Ele está tentando manter um semblante sério. — Problemas no paraíso? - Seth cantarola. — Aposto que consigo ouvi-la dizer ‘sim’ para um encontro antes mesmo que você peça. - Tyler diz, sacando seu telefone do bolso. — Nem ouse pensar em fazer essa porra. - Eu o advirto. — Ela é jogo limpo mano. A menos que você a reivindique. - Ele dispara. Sim, eu estou reivindicando ela, porra! — Vamos só concordar que ela não está disponível? — Que porra, cara. Você já olhou bem pra ela? Por que caralhos você não a deixa em paz? Um de nós... - Mark aponta pro grupo. — ... precisa tentar também poxa. — Nem fodendo que isso vai acontecer. - Minha voz é baixa e firme. Não que meus amigos sejam sequer afetados. Não, aqueles cuzões riem de mim. — Um de nós pode reivindicá-la pro resto ficar longe dela. - Kent afirma, nos lembrando do pacto que fizemos anos atrás.

é muito doce pra eles. Mais doce ainda pra mim. Eles me forçaram a isso, mas não significa que

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— Minha! - eu cuspo, interrompendo-o. Nem fodendo que eu vou deixá-la pra eles; ela

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Mark abre a boca. — Eu...


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eu não queira entrar na dança também. Eu a reivindico, o que significa que eles não podem dar em cima dela. — Lembre-se, você não pode sair com mais ninguém depois de reivindicá-la pra si. Se isso acontecer, ela está automaticamente disponível e vamos dar em cima dela. E ela não é nem uma ex, então... - Seth deixa no ar, mas sei o que vem a seguir. Filho da puta! Eu esqueci completamente desse pequeno detalhe de se estar em grupo. Respirando fundo, fecho meus olhos e tento não pensar nisso. Não é como estar fora do circuito do namoro nesse momento, e não vai ser difícil ficar longe das outras mulheres. Tenho um filho recém-nascido pra criar. Estou com a porra da cabeça tão longe que não é nem um pouco engraçado. Tenho muito que aprender para deixar que uma mulher me distraia. Ele depende de mim. — Já entendi. - Eu finalmente digo. Os quatro estão sorrindo. Filhos da puta, eles sabem o que estão fazendo. - Levem seus rabos preguiçosos de volta ao trabalho. Eles me obedecem, mas não sem me zoar com minha namorada.

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Mas que caralho estou fazendo comigo mesmo?


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CAPITULO VINTE

KENDALL Que porra foi aquilo? Eu ainda posso sentir seu corpo junto ao meu, a sensação de seus lábios contra a minha pele. O toque foi leve como uma pluma, mas o impacto que teve sobre meu corpo era aparentemente uma impressão duradoura. Acabei de terminar meus últimos afazeres, já fui ao banco, aos correios, e à mercearia. É o meio da tarde e meu corpo ainda está pedindo pelo dele. Como isso é possível? E aquela voz, o timbre profundo ao lado da minha orelha. A maneira como ele me chama de "menina doce." Aparentemente, meu corpo está me dizendo que dar um tempo aos homens não é o que ele quer. Eu tenho que ter essa atração por ele sob controle. Pego um saco de batatas fritas e uma garrafa de água, sento no sofá com o controle remoto. Eu ia ler, mas acho que é mais sábio assistir alguns programas de TV; esses meus namorados de livros me lembram muito do Ridge. Eu preciso aprender a lidar com isso. . . antes de adicionar mais fantasias na minha cabeça. Além disso, quem precisa da fantasia quando ainda me lembro da sensação de seu queixo descansando em minha cabeça, as mãos sobre meus quadris. . . Sim, a TV é uma opção muito melhor. Resolvo assistir alguns episódios de Lip Sync Battle8 no meu DVR. Sem nenhum romance, apenas rir ridiculamente alto. Eu amo isso. Horas mais tarde, o meu estômago ronca. Minha seleção de DVR serviu ao seu propósito de me distrair do Ridge; sinto que tenho um melhor controle sobre isso do que antes.

intervalo. Ridge precisa de um também. 8

Lip Sync Battle", "Batalha de Lip Sync" . É um programa de televisão estadunidense do gênero comédia e musical, estreou no dia 2 de abril de 2015 pelo canal de assinatura Spike TV. (Wikipédia)

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eu preciso manter isso. Depois da minha relação desastrosa com Cal, eu preciso de um

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Ele é quente como o inferno e um cara legal, mas eu jurei ficar fora de homens por um tempo, e


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Eu estou na cozinha fazendo um sanduíche de peru quando meu celular toca. Corro para a sala para pegá-lo. — Ei, eu não estou indo direto para casa, - a voz de Dawn me cumprimenta. — Algumas das meninas e eu vamos pegar algo para comer. Quer ir ao nosso encontro? " — Não, eu estou bem. Na verdade, estou fazendo um sanduíche agora. — Tem certeza? — Positivo. Acho que eu vou apagar no início da noite de qualquer maneira. Estou tendo um dia de descanso. — OK. Bem, se você mudar de ideia, nós estamos indo para aquele lugar mexicano, na mesma rua do escritório. — Eu estou bem. — Tudo bem, vejo você mais tarde. Volto para o meu sanduiche, acrescentando alface e tomate. Fico com água na boca e meu estômago ronca novamente, lembrando-me que eu não tinha comido nada, só porcarias hoje. Pego meu prato, uma garrafa de água, e mais alguns chips e volto para a sala de estar. Assim que eu me instalo no sofá, meu telefone toca novamente, e eu amaldiçoo o fato de que o deixei na cozinha. Coloco meu prato sobre a mesa, corro de volta para a cozinha e deslizo a tela, sem sequer olhar. — Olá, - eu digo sem fôlego.

Ela ri. — Nada de novo. Assim, a razão pela qual eu estou ligando - Não, espere, estou no telefone, - ela diz para alguém. — Desculpe-me por isso. Ridge está aqui para pegar Knox.

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— Sim, desculpe-me. Eu tive que correr para chegar ao meu telefone. E aí?

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— Kendall? - A voz de Reagan vem pelo telefone. Ela parece confusa.


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Enfim, eu queria convidar você e Dawn para a reunião do Memorial Day que meus pais fazem todo ano. É bem gostoso. Papai normalmente solta fogos de artifício, porque ele ama isso. - Ela ri. — De qualquer forma, há sempre uma tonelada de pessoas aqui, e isso nos daria a chance estarmos juntas novamente. Ridge vai estar lá. Conte comigo! — Claro, isso parece divertido. Vou passar isso para Dawn, mas pelo que eu sei nós não temos nada marcado. Obrigada pelo convite. O que devemos levar? — Nada. Mamãe exagera a cada ano, por isso há sempre muita comida sobrando. Somente tragam seus trajes de banho para a piscina ou banheira de hidromassagem. Fora isso, a menos que tenha uma bebida específica que você queira tomar, basta trazê-la. — Parece bom, obrigado. — Sem problemas. Ok, é melhor eu sair daqui. Ridge já está levando Knox para a caminhonete, e eu esqueci de dizer-lhe que as mamadeiras estavam na máquina de lavar louça. Falo com você em breve. - Com isso, ela desliga. Eu não deveria ser tão feliz ou animada que uma velha amiga de escola me convidou para um churrasco no feriado. Tenho duas semanas para aprender a lidar com a reação do meu corpo em relação a Ridge. Agora, preciso apenas descobrir como fazer isso. Tomo meu assento no sofá e mergulho no meu jantar. A TV está ligada, mas não tenho ideia do que estou assistindo, minha mente vagando para hoje cedo. Talvez não seja Ridge que está fazendo o meu corpo me trair. Talvez eu só precise me colocar para fora, ir em um encontro.

celular me alerta para uma mensagem de texto. Eu imagino que é Dawn, deixando-me saber que ela está a caminho de casa.

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uma hora desisto e decido ir para a cama. Assim que eu deslizo para baixo das cobertas, meu

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Termino meu sanduíche e luto para manter meu foco no canal Lifetime, mas depois de


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Não é. É Ridge. Eu fico olhando para o nome dele na tela até que ela fica escura, em seguida, aperto o botão Início novamente, apenas para que eu possa garantir que a minha mente não está pregando peças em mim. Uma foto em anexo. Que diabos? Deslizo o dedo na tela para abrir a mensagem. É uma imagem da cozinha. O piso está completamente terminado, e parece realmente bom. Salvo a imagem e faço uma nota mental para enviá-la para meus avós na parte da manhã. Ping. Outra mensagem. Ridge: Pensei que você poderia querer enviar-lhes uma atualização. Eu: Eu quero. Parece ótimo. Ridge: Obrigado. Eu: Obrigada pela imagem. Eles vão adorar. Ridge: Não há de que. Eu: Boa noite, Ridge.

texto vindo da gostosura que é Ridge Beckett? Coloco meu telefone na mesa de cabeceira e caio no sono com pensamentos dele e de suas mãos sobre mim.

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O sorriso no meu rosto é enorme. Quem não gostaria de estar sorrindo recebendo um

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Ridge: Boa noite, menina doce.


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xxx

Estou no escritório uma hora mais cedo. Como estive fora ontem, queria ser capaz de verificar os meus e-mails e acabar com a pilha que está sempre esperando por mim, na minha mesa, depois de um dia de folga. Eu me perco na labuta diária que me pega. E até eu ouvir vozes no corredor que percebo que é hora de começar realmente o dia. Eu estou cobrindo hoje a falta de uma das meninas. Ela trabalha todos os sábados, mas esta semana, seu filho tinha alguma coisa acontecendo, então eu disse para ela que a cobriria. Deu-me uma folga ontem, o que foi bom. A agenda está enchendo rapidamente enquanto eu trabalho em manter os pacientes acomodados. Isso mantém os médicos felizes, o que torna todo mundo feliz. Há uma pequena pausa na agenda. Isso me dá tempo para dar uma olhada no resto do dia. Depois de percorrer a lista de pacientes, eu paro quando vejo o nome dele. Knox Beckett. Abro seu prontuário para ver a queixa principal. Parece que ele tem estado inquieto durante alguns dias. Pobre garoto. No último fim de semana, Ridge tinha dito que tinha estado fora durante todo o dia. Ele é meu último paciente antes do almoço, o que vai me dar a oportunidade de tomar meu tempo. Patética, certo? Animada por atrasar a sua visita apenas para estar com ele, ambos realmente. Porque o bebê na verdade é muito precioso. O resto do meu dia pareceu arrastar-se. Continuo olhando para o relógio desejando que a hora passasse mais rápido.

— Knox, - eu digo na sala de espera.

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chegaram. Eu não perco tempo.

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Finalmente, a pequena bolha verde ao lado de seu nome, deixa-me saber que eles


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Ridge levanta. Seus braços tatuados seguram o bebê conforto enquanto ele caminha em direção a mim. — Kendall, - diz ele. É quase como se eu ouvisse o alívio em sua voz. — Hey. - Minha voz está ofegante, e posso sentir meu rosto corar de vergonha. Tome sua linha, Dawson! — Nós vamos ficar na sala quatro, - digo, caminhando atrás deles. Uma vez na sala, fecho a porta para a confidencialidade do paciente e puxo o prontuário de Knox no computador. — Então o que está acontecendo com esse rapaz? - Eu pergunto, tentando como o inferno parecer profissional. Ridge corre uma mão pelo cabelo, enquanto a outra repousa sobre o assento de Knox, que está na mesa de exame. — Ele tem estado muito inquieto. Pensei que talvez fosse só comigo e que ele poderia dizer que eu estava nervoso, você sabe? Mas, então, a mamãe disse que ele tem estado assim para ela também. — Alguma alteração em casa? Fraldas molhadas? Evacuações? - Eu disparo uma rodada de questões. Ridge responde a todas elas e assim que nós terminamos, Knox começa a se mexer. Vejo como Ridge cuidadosamente levanta ele do seu assento e o coloca contra o peito. Ele dá tapinhas em suas costas e o embala um pouco em seus braços para tentar acalmálo. Seus esforços são desperdiçados quando Knox começa a chorar. Eu posso ver que Ridge está esgotado, então vou em frente. — Posso segurá-lo? Você parece precisar de uma pausa. Ele me dá um pequeno sorriso. — Está na sua descrição do trabalho? Merda. — Eu Ridge ri baixinho. — Eu estou brincando, Kendall. Tem certeza de que não vai ficar em apuros?

treinados em Knox. — Ei, bonitão. - Eu mantenho minha voz baixa e constante. — Sinto muito que você não está se sentindo bem. - Knox choraminga, mas seus gritos se acalmaram.

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mão roçar nos meus peitos. Não me atrevo a olhar para cima, apenas mantenho meus olhos

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— Nunca, dê-me. - Estendo meus braços. Ele o transfere para mim, não antes de sua


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— Ele me odeia, - diz Ridge, sua voz derrotada. — Ele não odeia você. Os bebês podem sentir suas emoções. Ele sabe que você está exausto. Ele não sabe como lidar com isso. Isso o deixa irritado. Além disso, você disse que ele estava enjoado com a sua mãe também. - eu indico. Ele não diz nada, então eu também não, pelo menos não para ele. Falo baixinho para Knox, deixando minha voz ajudar a acalmá-lo. — Você é boa com ele, - Ridge finalmente diz. — Você também é. Não se esqueça que eu vi você no modo pai cheio de força. Todos nós temos dias bons e ruins, Ridge. Especialmente para este rapaz que não pode contar o que está errado. — Sim, - ele concorda. — Knock, Knock, - diz o Dr. Harris, entrando na sala. Ele olha me segurando Knox. — Desculpe, eu só— Não, fique. - O pedido de Ridge não deixa espaço para negociação. — Vocês dois se conhecem? - pergunta o Dr. Harris. — Sim. Eu me formei com a irmã dele, Reagan. Ele balança a cabeça. — Certo, bem o que parece estar acontecendo com o Sr. Knox nos dias de hoje? - Ele pergunta, lavando as mãos.

cantarolo baixinho para Knox, esfregando suas costas. — Kendall, - diz o Dr. Harris.

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última semana. E ele acha que ele é mau nesta coisa de pai. Eu me desligo deles enquanto

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Ridge diz-lhe como Knox tem estado inquieto, e, basicamente, todos os detalhes da


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Viro-me para encará-lo. Ele está usando uma expressão estranha, mas Ridge está usando um sorriso. Ele é tão malditamente sexy. Concentre-se, Kendall. — Sim, - Eu lhe respondo. — Posso examinar o meu paciente agora? - Dr. Harris sorri. Merda. Eu aceno e entrego Knox para ele. Decido que deveria deixá-los e atinjo a maçaneta. Ridge, que está sentado na cadeira ao lado da porta, me alcança e pega meu braço. Ele não diz uma palavra, mas o olhar em seus olhos está pedindo. Ele tem dito a sua mãe e Reagan que pode fazer isso por conta própria e ele pode, mas eu posso ver claro como o dia que ele não quer ficar sozinho. Eu sorrio, deixando-o saber que estamos na mesma página. Em vez de tomar o assento ao lado dele, encosto no balcão e vejo como o Dr. Harris examina Knox e faz a Ridge mais algumas perguntas. — Então, acho que nós deveríamos mudar sua fórmula. Ouço algumas bolhas lá dentro. - Ele gentilmente acaricia a barriga de Knox. — É comum em crianças. Vamos tentar esta fórmula mais sensível. - Ele puxa um bloco de papel de seu bolso. — Aqui está o nome. Em todos os grandes varejistas deve ter isso. Kendall, por que não verifica no nosso armário para ver se temos uma amostra que possamos lhe dar até que ele possa chegar à loja. Eu aceno em concordância e em silêncio saio da sala. Ouço Ridge perguntar: — Então ele está bem? - logo que eu fecho a porta. Ele é um bom homem. Um homem que está lidando em ser pai pela primeira vez, tudo por conta própria, e ama seu filho. Se eu não fosse já super atraída por ele, isso teria me levado ao extremo. Encontro o Dr. Harris saindo da sala. — Ele está pronto desde que você lhe dê a amostra. Estou saindo para almoçar com Helen. Volto em uma hora.

o seu problema antes de investir muito dinheiro na compra de uma que não funciona muito

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temos uma tonelada desse ali atrás. Isso também vai dar-lhe algum tempo para ver se isso ajuda

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Bato levemente e empurro a porta para abrir. — Aqui está. Trouxe duas latas. Nós


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bem com o seu sistema. Se esta não funcionar, não se desencoraje. Há muito mais que podemos tentar. — Obrigado. - Ele acaba de prender Knox em seu assento antes de olhar para mim. — É hora do almoço? - Ele pergunta. Olho para o meu relógio. Por que, não tenho ideia. Claro que sei que é hora do almoço. — Sim, a manhã está quase no fim. Ele levanta o assento de Knox da mesa de exame. — Você pode se juntar a nós? pergunta, acenando com a cabeça para baixo para seu filho adormecido. Eu? Passar mais tempo com ele seria uma boa ideia? Eu já penso sobre ele mais do que devia. — Sim - sai de meus lábios antes que eu possa pensar mais. Acho que isso resolve tudo. — O que acha de um drive-thru? Tenho algumas coisas que vou precisar terminar antes de começarmos com os pacientes da tarde. Tenho cerca de trinta minutos. - Eu passei minha manhã pensando em vocês dois e tive o retorno. — Qualquer coisa que você quiser. Podemos pegar minha caminhonete já que eu tenho o assento do carro. — OK. Apenas deixe-me pegar minha bolsa. — Não precisa. — Uh, sim, preciso. - Eu rio. — Quer dizer, a menos que você tenha mudado de ideia. — Não. Eu não mudei e você não precisa. Eu lhe convidei para o almoço. É por minha conta. Então, a menos que haja algo mais em sua bolsa que você tenha que ter nos próximos

ao lado da minha orelha.

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pressionado na parte inferior das minhas costas. — Desperdício de tempo, menina doce - diz ele

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trinta minutos, nós estamos bem em ir. - Com um braço dobrado para carregar Knox, o outro


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Eu luto contra o raio de eletricidade que partiu do calor do toque dele e deixo ele nos guiar para fora do prédio e para sua caminhonete. — Para onde? — Estou pensando . . . Taco Bell, - sugiro. — Parece bom para mim. Então, como foi seu dia? — Por enquanto, tudo bem. Embora, eu vou admitir que desde que vi que Knox estava na agenda, começou a se arrastar. - Por que disse isso a ele, eu não sei. É como se os meus nervos estivessem me causando a derramar minhas tripas. — Como assim? Ótimo. Agora eu tenho que explicar isso. — Só animada para ver vocês, - eu digo honestamente. Ele não diz nada, apenas se estica e descansa a mão na minha coxa. Meu jaleco é fino e o calor do seu toque é escaldante. Ele deixa a sua mão lá enquanto ele faz o pedido, só a removendo para pagar, em seguida, rapidamente a coloca no mesmo ponto. Ele nos leva ao lado de um estacionamento da igreja onde nós tiramos os cintos de segurança e devoramos nosso almoço. — Então, quaisquer grandes planos para o fim de semana? - Ele pergunta. — Não. Dawn e eu vamos ficar em casa e ter uma noite de cinema. Você? — Nah, com o pequeno homem tão inquieto, nós realmente só precisamos do sono.

— Eu não posso fazer isso, - diz ele com firmeza.

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você tira uma soneca.

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— Por que você não vê se sua mãe ou Reagan vão vê-lo por algumas horas enquanto


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Coloco minha mão em seu braço. Espero ele olhar para mim antes de falar. — Claro que você pode. Você é um pai incrível, Ridge. Ninguém iria criticá-lo pela necessidade de um pouco de ajuda agora e depois. Eu até podia. . . . — Obrigado, mas nós estamos bem com isso. - ele responde, olhando para o banco de trás, onde Knox agora dorme pacificamente. — Então, como a casa está indo? - mudo de assunto, não querendo deixá-lo chateado comigo ou apenas agitado em geral. Ele parece calmo e tanto ele como Knox precisam disso agora. Nós conversamos por mais dez minutos sobre coisas aleatórias. Não é nada e é tudo. — Eu acho que eu preciso levar você de volta. — Sim. - Eu suspiro. — O dever me chama e tudo mais. - Ele ri. Eu recolho o nosso lixo e coloco tudo em um saco, para que possa jogá-lo fora no escritório. Ridge liga a caminhonete, dirige para fora do estacionamento e sua mão, tão logo ele tem a caminhonete em marcha, repousa sobre minha coxa. É confuso e estressante, e eu nunca quero deixar esta caminhonete. — Obrigada pelo almoço, - eu digo, saindo. — Sempre, menina doce. - Ele pisca. Dou-lhe um sorriso brilhante. — Dê-lhe um beijo por mim, - digo e fecho a porta silenciosamente. Viro-me e vou embora antes que eu não me permita. Ridge Beckett o homem é tentador como o inferno. Ridge Beckett é o único pai que é quase impossível resistir.

Nós tínhamos nossos dias selvagens na faculdade; agora é Netflix e Ben e Jerry's, pelo menos é

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O resto do meu fim de semana flui. Dawn e eu só saímos de casa no sábado à noite.

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xxx


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assim que tem sido desde que nos mudamos para cá. Temos muitas vezes que ir para os meus pais para o jantar de domingo, mas eles ainda estão fora da cidade até sexta-feira. Eu não falei com eles, mas minha mãe me mandou um e-mail com algumas fotos. Eles parecem que estão tendo um grande momento. Hoje começa a semana de trabalho. Tenho ido para frente e para trás mil vezes sobre se vou ou não dar uma passada nos meus avós no caminho para o trabalho. Considerando que estive lá na sexta-feira, e passei um tempo com eles no sábado, vou esperar até amanhã. Vou visitá-los na terça e na quinta-feira. Papai vai estar de volta na sexta-feira, e então eu estou liberada. Eu tenho que admitir que isso me deixa um pouco triste. — Nós vamos de carona juntas hoje? - pergunto a Dawn. — Tudo bem para mim. Estamos no mesmo plantão, certo? Inferno, eu nunca consigo lembrar. - Ela caminha até a geladeira e verifica a programação da equipe que mantemos lá. — Sim, nós duas estamos das oito às cinco hoje. — Melhor ainda. Você está quase pronta para ir? — Sim, apenas me deixa colocar o meu relógio e os sapatos, e estou pronta, -diz ela, enxaguando o copo de suco. O trabalho é corriqueiro, apenas a rotina diária. Isto é, até o meu telefone me alertar para uma mensagem de texto quando estou sentada na minha mesa, trabalhando no cronograma da equipe para o próximo mês. Pego o telefone da minha bolsa, e vejo que é de Ridge. Ridge: Entrega.

Eu: Certo. Eu deveria saber disso. Parece um dia agitado.

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Ridge: Armários, menina doce.

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Em anexo está um retrato de várias caixas empilhadas na sala de estar.


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Ridge: Agitado é bom. Mantém a mente ocupada. Eu: Minha mente está muito ocupada. Cronograma da equipe. Não tenho certeza por que eu lhe digo o que estou fazendo. Não parece que ele se preocupa com a minha agenda pessoal. Ridge: Ahh. Boa sorte. Eu: Obrigada. Deslizo o telefone de volta na minha bolsa e tento me concentrar na programação.

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Homem sexy perturbador.


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CAPITULO VINTE E UM

RIDGE Eu acordo sobressaltado com o som do meu filho chorando. Eu olho pro despertador, calculo que ele dormiu por umas seis horas seguidas. Meu despertador está programado pra despertar daqui a dez minutos. Vou até ele e o desligo. Sinto-me como um novo homem. Pulando da cama, saio sem me vestir e vou direto pro quarto do Knox só de boxer. Quanto mais me aproximo do quarto dele, mais o choro dele fica alto; quando abro a porta, ele é ensurdecedor. Vou até o berço dele e o pego. — E aí, carinha. Sua barriguinha está melhor? Está com fome? - ele continua chorando, o que não é seu choro normal; normalmente ele para quando eu o pego no colo. Eu o deito no trocador, e assim que eu tiro seu mijão, eu posso sentir o cheiro do porque de tanto choro. Pelo menos eu acho que é por causa disso. Eu tenho que adivinhar... E vamos ser sinceros aqui... Eu não tenho a menor ideia. Eu o dispo do seu mijão e vejo que sua fralda está vazando. Ele está todo cagado até as pernas. Maravilha. — Não tem como você não ficar puto, amigão. Vamos te limpar. - Eu abro sua fralda e ele dá chutinhos com suas perninhas, cobrindo-as mais ainda com merda. Tudo bem então, parece que ele precisa mesmo tomar um bom banho. Eu tiro sua fralda toda cheia de merda e a jogo dentro do... Balde... essa coisa que a Reagan disse que eu tinha que ter que me ajudaria a

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aliviar o cheiro.


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Não sei se essa coisa vai ser capaz de aliviar o impacto dessa bomba que acabei de jogar dentro dela. Uma vez que o lençol do trocador está salpicado de merda, eu a retiro e a envolvo nele e vou em direção ao banheiro. Embora não esteja chorando tão alto quanto antes, o garotinho ainda está muito irritado. Não posso culpá-lo; eu também ficaria puto se eu estivesse coberto de merda. Uma vez dentro do banheiro, eu ligo o chuveiro pra aquecer a água, depois eu pego sua banheirinha e o patinho amarelo que informa quando a água está na temperatura certa. Eu o pego e o coloco debaixo da água pra saber se já está quase no ponto. Ela ainda está um pouco fria. — Shhh, está tudo bem, papai está com você. Vamos te deixar limpinho e depois encher sua barriguinha, eu prometo. - Tentei consolá-lo. Eu o balanço suavemente em meus braços quando sinto um jato de água quente no meu peito. — Mas que...? - afastando-o do meu corpo, eu percebo que ele mijou em mim, em nós dois. Olhando pro meu filho, que está com o rosto enrugado e vermelho de raiva quando ele choraminga, eu quero chorar junto com ele. Mas ao invés disso, eu inspiro profundamente e expiro lentamente. — Você está comigo, amigão, shhh. Eu tiro sua banheirinha de debaixo do chuveiro e a coloco em cima do tapetinho do banheiro. Checando a temperatura com o patinho. Eu noto que a água já está na temperatura certa. Eu deito Knox em sua banheirinha, onde ele mija mais uma vez. Rapidamente me livro da minha boxer, o desembrulho do seu lençol, o seguro contra meu peito, o ergo um pouquinho pra ligar o chuveiro e vou para debaixo do jato de água. Segurando Knox com um braço, eu uso o chuveirinho com a outra mão. Eu coloco na opção de jato mais suave possível. Uma vez que consegui o jato que queria, eu nos lavo lentamente. Uma vez que estamos livre de todo mijo e bosta que estávamos cobertos, eu pego

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Eu digo pra ele.

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o sabonete para bebê. — Parece que o papai vai ficar com cheiro fresco de talco o dia inteiro. -


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Seu pequeno lábio treme, e não tenho certeza se é de frio ou se é o resultado depois de tanta choradeira. De qualquer forma, eu acelero meus trabalhos, nos ensaboando o melhor que consigo com uma única mão. Eu até consigo lavar meu cabelo com uma mão só. Quando estamos ensaboados, eu nos enxáguo rapidamente e saio do chuveiro. A tremedeira no lábio fica pior, então eu o embrulho numa toalha e o levo pro seu quarto. Estou todo molhado, mas esqueci de trazer uma fralda e o garotinho está com frio. Tenho que secá-lo e colocar sua fralda sem perder mais tempo com percalços. Eu o visto com outro mijão porque eles são mais fáceis de vestir e uso sua toalha pra secar meu cabelo e corpo. — Muito bem, carinha. O papai precisa vestir uma cueca e depois vamos te alimentar. No meu quarto, eu o deito no meio da minha cama, visto rapidamente uma nova boxer e jogo a toalha no cesto. — Vamos tomar um pouco de café. - Eu digo pra ele quando o pego no colo. Ainda consigo perceber que seu pequeno lábio treme ligeiramente, então o seguro mais apertado, sem ter certeza se treme de frio ou tristeza. Estou me tornando muito bom em fazer mamadeira com uma mão só, então não vejo necessidade de deitá-lo; eu odeio quando ele chora e agora mesmo está contente. Eu ouço a cafeteira ligar assim que tiro a jarra pra verificar a temperatura. Perfeito. Minha bebida vai ficar pronta assim que ele terminar de mamar. Eu me estabeleço no sofá e o carinha começa a devorar a mamadeira. — Vai com calma, amigão. Você não quer ter uma dor de barriga. Vai por mim, essa merda não é nada engraçada. Se minha mãe ou Reagan estivessem aqui, elas torrariam minha paciência por xingar na frente dele, mas qual é, ele não consegue repetir isso. Eu olho pra ele enquanto mama. Eu nunca vou conseguir descrever essa sensação no meu coração, a maneira como ela cresce toda vez que olho pra ele. Amar seu filho é um sentimento desconhecido até que você tenha o seu.

inesperado, meu homenzinho e eu aprenderemos a viver com nossa nova realidade.

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essa manhã, onde eu e ele passamos por isso juntos, que me faz pensar que, apesar de ser tudo

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Você nunca vai conseguir compreender o real significado. São momentos como esses, como


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Assim que percebo que ele terminou sua mamadeira, ele parece estar adormecido. Eu o levo pro seu quarto e o coloco de volta no seu berço pra que eu possa nos preparar pro dia de hoje. No meu quarto, eu pego o monitor de bebê e o carrego comigo enquanto me visto, depois vou pra cozinha e pra pegar suas mamadeiras prontas pra minha mãe dar a ele. Uma vez que está tudo pronto, eu volto pro seu quarto e o mais silencioso que posso, pego sua bolsa, fraldas, lenços, brinquedos – não que ele brinque com eles – roupinhas e só por precaução eu coloco o extra dessas coisas dentro da bolsa. Seguro morreu de velho. Eu passo a alça da bolsa por cima do meu ombro e o pego gentilmente do berço. No andar de baixo, eu o prendo no bebêconforto e depois pego sua fralda e mamadeiras. Verifico meus bolsos traseiros pra ter certeza que peguei minha carteira e depois verifico meus bolsos frontais pra ter certeza que guardei minhas chaves e meu celular. Eu paro e respiro fundo, e é nesse momento que o cheiro do café me acerta. Eu fuço no armário e encontro a maior caneca térmica de viagem que consigo achar e a encho. Não quero deixá-lo em casa sozinho, portanto eu passo as alças das duas bolsas por cima do meu ombro, pego a alça do bebê-conforto com o mesmo braço. Pego minhas chaves do meu bolso e minha caneca térmica. É um tanto desafiador trancar a porta, então eu coloco o bebê-conforto do Knox no chão da varanda para que eu possa fechá-la. Colocando meu café no painel da caminhonete, eu prendo o bebê-conforto no banco e jogo as bolsas no chão. Verifico o assento só pra ter certeza de que está bem seguro, eu pego meu café e sigo caminho pra casa da vovó.

Eu chego no trabalho quinze minutos mais tarde. Normalmente não é grande coisa, mas hoje está sendo. É um problema do tamanho do mundo. Quando eu chego à obra, eu estaciono atrás do carro da Kendall. Ela está aqui com eles! Eles estão dando em cima dela

A cena que encontrei fez com que eu cerrasse os punhos em cada lado do meu corpo. Tenho que lembrar a mim mesmo de que esses caras são meus melhores amigos e que ela não

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a caminhonete de qualquer jeito, arranco as chaves da ignição e invado a casa.

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mesmo depois de eu reinvidicá-la?! Eles passaram por cima do meu direito? Porra! Eu estaciono


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é minha. Kendall joga sua cabeça pra trás rindo e sendo observada por eles como se ela fosse a estrela principal de todos os sonhos molhados que eles já tiveram. Ela está com sua mão no ombro do Tyler como se ela precisasse de apoio para segurá-la. Mas que porra, eu deveria ser o único que ela precisa para apoiá-la. Eu invado a sala e paro atrás dela. — Dia. - Eu digo. A voz está mais concisa do que eu queria, mas é assim que as coisas são. Ela para de rir e vira sua cabeça ao ouvir o som da minha voz. — Ridge. - Ela suspira meu nome como se fosse a porra de uma carícia. — Não sabia que você daria uma passada aqui hoje. - Apesar de que eu estaria aguardando por isso. — Pois é, quis ver como estão as coisas. — Cara, você está cheirando a bebê. - Kent se inclina e me cheira. — Pois é, tivemos um problema com uma fralda defeituosa, portando foi necessário tomarmos um banho quando ele mijou em nós dois, então eu entrei com ele no chuveiro. Acabei por usar o sabonete dele também, uma vez que não poderia usar o meu nele. - Dei de ombros. — Eu amo cheiro de bebê. - Kendall cora. — Porra, essa coisa de criança é mágica. A gente precisa de um pouco disso também. Seth diz. — Boa sorte com isso então. - Eu digo suspirando. Kendall presta atenção em mim,

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pra caralho.

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porque seus olhos brilham com uma risada. Aqueles seus olhos azuis iluminam a sala. Ela é linda


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— Nós temos mesmo que levá-lo pra sair conosco uma noite dessas. Se essa parada de cheiro dá certo, tendo a fonte verdadeira conosco? Gatinhas garantidas, meu chapa. - Mark sugestiona. Vou até ele e dou-lhe um tapa atrás da cabeça ao mesmo tempo em que Kendall engasga. — Você não pode fazer isso. - ela me encara. — Se você precisar de uma babá, ligueme antes de levá-lo com você. - Sua mão no quadril e ela fica tão sexy quando está mandona. — Quero dizer. Você não pode deixar que eles o usem pra levar mulheres pra cama deles. - Assim que as palavras saem da boca dela, ela fica mais corada ainda. — E-eu quero dizer, se você quiser usar seu filho pra isso, eu não posso impedi-lo, mas eu ficaria feliz em cuidar dele... - ela olha pro chão. Ela está envergonhada. Mas desta vez, eu fico do lado dela e viro seu rosto para encará-la, seus olhos ainda olham pro chão. Com meu dedo indicador, eu ergo seu queixo para que ela me encare. Somente a mim. — Eu nunca faria isso. - mantenho meus olhos fixados nela, querendo que ela acredite em mim. Ela assente sutilmente pra mim, e passo meu dedão pelo seu lábio inferior. Eu daria qualquer coisa pra beijá-la agora mesmo. — Está legal, vamos descarregar as caminhonetes. - Kent diz. Eu não tomo conhecimento deles, apenas o som das passadas pesadas nos deixando sozinhos. Meus olhos permanecem nos olhos dela. Posso senti-la respirando pesadamente na minha mão. Aqueles lábios carnudos que estou morrendo de vontade de beijá-los. — Quero sentir o sabor destes lábios, menina doce. - Eu sussurro.

— Eu não sei se esta é uma boa ideia. Você está de luto, e eu não posso...

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Eu me aproximo mais ainda.

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Um som quase parecido com um gemido escapa dela. — Ridge. - Ela murmura.


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Puta que pariu! Ela não sabe sobre a Melissa. Pra ela, parece que sou algum tipo de desesperado que acabou de perder o amor da sua vida e já está dando em cima de outra pessoa. Eu ouço os caras entrando, então ao invés de beijá-la como eu queria, eu passo meu dedão no lábio inferior dela uma última vez antes de soltá-la e me afastar. — Não é como você está pensando, Kendall. Mas agora não é o momento dessa conversa, mas eu quero conversar com você sobre isso. Quero te contar tudo sobre a mãe do Knox. - Eu falo pra ela com sinceridade. Tem algo na Kendall que me atrai muito. Ela faz com que eu queira contar minha vida toda pra ela, se isso for preciso pra ter meus lábios nos dela. — Sim. - Ela limpa a garganta. — Estou sempre aqui pra te ouvir quando você precisar, não importa o momento. Os caras estão fazendo muito barulho agora, nos alertando da presença deles antes da porta abrir lentamente e eles voltarem pra dentro da casa. Alcançando-a, eu pego sua mão e dou um aperto rápido e gentil antes de soltá-la completamente. — Em breve. — A encomenda acabou de chegar. - Tyler diz, observando-me bem de perto. — É melhor eu ir. Você tem meu número se acontecer qualquer coisa. Meu pai estará

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de volta a cidade na sexta. - Ela acena pra cada um de nós antes de sair correndo porta afora.


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CAPITULO VINTE E DOIS

KENDALL Mas que diabos acabou de acontecer? eu quase o beijei. Eu queria beijá-lo. Eu ainda consigo sentir o rastro rude do seu dedão enquanto traçava meu lábio inferior. Ele está de luto e solitário, eu quase tirei vantagem disso. Mesmo sabendo que ele está sofrendo, eu ainda queria isso. Eu ainda quero beijá-lo. Eu vou pro inferno. Cheguei ao trabalho às oito em ponto e já estava uma loucura. O primeiro horário de consultas tomou conta do lugar todo ao mesmo tempo. Na verdade isso foi um verdadeiro alívio pra mim, ajudou-me a manter meus pés no chão e concentrada... Bem, seria mais do que isso se eu estivesse apenas sentada no meu escritório. A manhã passou voando, o qual fiquei imensamente grata. — Oi, você trouxe almoço? - Dawn pergunta. — Não, saí correndo pra dar uma passada na reforma. Ela ri. — Posso afirmar isso pelo corar nas suas bochechas que você viu os rapazes. Um deles em especial? — Todos estavam lá. - Eu disse a ela.

— E você não estaria corada só por vê-los. Pega sua bolsa, vamos almoçar fora. - Ela manda

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— E o que?

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— E?


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Eu faço o que ela diz, na esperança que o ar fresco me faça algum bem. Caminhamos até o restaurante na rua de baixo. O lugar está lotado, mas conseguimos encontrar uma mesinha perto da porta. Assim que a garçonete anota nossos pedidos, Dawn vem pra cima de mim. — Desembucha. - Ela cruza os braços no peito e encosta na cadeira. — Todos eles estavam lá. A casa está ficando bonita, está dando tudo certo. — Kendall. - Ela diz me advertindo. Eu bufo. — Está legal! Quase o beijei. - Eu sibilo. Um sorriso iluminado aparece no seu rosto. — Você quase o beijou?! — Sim, não. Quero dizer, eu não sei. Quase nos beijamos. Ele está de luto, criando um filho sozinho, vulnerável e eu tirei vantagem de tudo isso! - eu meio que sussurro gritando pra ela. — Está legal. Primeiramente, ele é adulto. Sim, agora é um pai solteiro, mas você sabe da história toda? Como você sabe que ele está de luto? Pra mim, ele não parece alguém que acabou de perder o amor da sua vida. — Ele tem que ser forte pelo filho dele. - Eu digo exasperada. Ela olha por cima do meu ombro e depois se inclina pra frente. — Você quis beijá-lo. Isso não é uma pergunta, é uma afirmação. — Sim! Sim, eu queria beijá-lo! - eu digo mais alto do que o intencional.

Ridge.

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próximo ao meu ouvido. — Eu também queria te beijar, doce menina.

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E é nesse momento que sinto mãos fortes nos meus ombros e um hálito quente


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Eu olho do outro lado da mesa na direção de Dawn e ela está com um sorriso enorme estampado na cara. Cadela! Ela sabia que ele estava atrás de mim. Ridge massageia meus ombros gentilmente enquanto ele e os rapazes dizem ‘olá’ pra Dawn. — Vocês querem se juntar conosco? - Dawn pergunta. Fechei meus olhos e rezei pra que eles dissessem não. Sem mencionar que estamos em uma mesa pra quatro pessoas. Estamos em sete agora, e esses caras são enormes – de jeito nenhum que eles caberiam aqui. — Não, estamos bem, docinho. - Mark responde. — Podemos... - eu a chuto por debaixo da mesa. — Ai! - ela olha bem pra mim e todos os rapazes riem. Sinto minhas bochechas queimarem de vergonha pela segunda vez na presença deles. — Acho que vamos pegar alguma coisa pra comer e sentar no balcão. - Ridge diz. Dawn e os rapazes dizem “tchau” e “bom te ver” e essas coisas todas. Ridge ainda está com suas mãos nos meus ombros. Eu arrepio quando sinto seu hálito quente no meu ouvido. — Chegaremos lá, você e eu. Isso ainda vai acontecer, Kendall. - Ele beija minha bochecha e depois vai embora. O calor das suas mãos, o calor do seu hálito, o timbre profundo da sua voz, o aroma amadeirado da sua colônia – se foram. Sem conseguir me parar, eu o observo andando em direção ao balcão. Eu não me viro até que ele esteja sentado. Quando finalmente tiro meus olhos dele, Dawn está sorrindo

— Somos apenas amigos. - Eu faço beicinho.

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— Tem alguma coisinha, bem aqui. - Ela aponta com seu queixo.

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quando ela joga um guardanapo em cima de mim. Eu ergo minhas sobrancelhas em indagação.


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Ela joga sua cabeça pra trás rindo. — Coma. - Eu resmungo enquanto eu mordo um pedaço do meu cheeseburger e mastigo. Perdi meu apetite, mas se estivermos comendo, eu espero que possamos evitar mais qualquer tipo de conversa sobre Ridge e evitar futuros embaraços de minha parte. Já atingi minha cota diária. Nossa garçonete aparece cerca de dez minutos depois, perguntando se precisamos de mais alguma coisa. — Só a conta. - Eu digo pra ela. Ela sorri. — Aqueles cavalheiros já cuidaram disso. - ela aponta por cima do seu ombro. — Obrigada. Dawn e eu deixamos a gorjeta sobre a mesa e nos levantamos. — Temos que agradecêlos. - Ela me diz. Eu assinto, sabemos que temos mesmo que agradecê-los. Seria rude se não fizéssemos isso e isso foi legal da parte deles. Andamos na direção onde eles estão sentados e Dawn se pendura do lado do Mark de um lado. Ridge está sentado no lado oposto. Dou um passo atrás dele e admiro como a camiseta da Beckett Construções se ajusta aos seus músculos. Sem pensar, eu estico o braço e coloco minha mão abaixo das suas omoplatas. Ele vira sua cabeça. Estamos tão próximos um do outro. É tão... íntimo. — Oi, menina doce. - Ele diz suavemente. — Obrigada, pelo almoço. Você não precisava ter feito isso. - As palavras saem de uma

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— De nada.

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vez da minha boca.


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Nenhum de nós se mexe. Seus olhos são tão escuros, como chocolate. Eu me encontro facilmente perdida neles. Eu deslizo minha mão por suas costas e de volta para onde eu estava com minhas mãos nos seus ombros. Ele me surpreende quando ele vira sua cabeça e beija meus dedos. — Pronta pra voltarmos? - a voz de Dawn cantarola atrás de mim. Não. Eu não quero ir. Quero ficar presa neste momento. Só preciso de mais um minuto. Mais um minuto pra ficar perdida nele. — Estou. - Eu digo. Assim que me afasto, Ridge coloca suas mãos sobre as minhas. — A gente se vê. - Sua voz está baixa, só pra eu ouvir. Eu não respondo, apenas puxo minhas mãos do ombro dele, me despeço dos rapazes que estavam nos observando bem de pertinho, depois me viro e caminho rapidamente para fora do restaurante. Dawn lança seus braços por cima dos meus ombros. — Aquele lugar estava quente pra inferno. Eu olho para ela como se ela tivesse ficado louca. — A tensão sexual estava no pico. A propósito, acho que você está enganada. — Como assim? — Sobre o lance do ‘luto’. Você precisa conversar com ele sobre isso. Seja direta com ele, fazê-lo desembuchar sobre tudo o que aconteceu.

Dawn tem um horário marcado no salão da Reagan pra fazer manicure. — Tem certeza de que não quer vir comigo?

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surpresa, durante a tarde toda também.

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Eu penso nisso durante nosso curto caminho de volta pro consultório, e pra minha


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— Tenho, o dia foi muito cansativo, só quero relaxar. Dê um ‘oi’ pra Reagan por mim. — Tá bom então, vejo-a mais tarde. Eu suspiro de alívio assim que a porta se fecha atrás dela. Durante o dia inteiro, eu tentei me focar no trabalho, mas foi uma tarefa árdua. Agora que estou sozinha, posso deixar minha mente reviver tudo o que aconteceu, em câmera lenta. Cada toque, cada palavra, cada palavra sussurrada entre nós. Penso no que Dawn me disse, ele não parecia mesmo que estivesse de luto. Mas então o que dizer sobre ele? Ridge é um cara legal, e não parece ser do caráter dele fingir. As palavras da Dawn se infiltram na minha cabeça. Você não conhece a história completa. Mas eu quero. Quero saber o que aconteceu, quero saber o que se esconde por trás de tudo isso. Quero estar lá com ele por razões egoístas e altruístas. Sou tão hipócrita. Quero ser alguém que ele possa contar porque ele precisa disso. Também quero ser aquela pessoa que está do lado dele. Ping. Eu dou um pulo no sofá e saio correndo para a cozinha e rezando pra que seja ele. Ridge: Como foi seu dia?

Tenho certeza de que meu sorriso está cegante, só por causa de uma mensagem de texto.

do normal.

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O dia de hoje foi tranqüilo. Graças a Deus. Tínhamos uma agenda lotada, mas nada fora

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Eu: Sem complicações.


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Eu: E o seu? Ridge: Na verdade foi muito bom. Eu: Ótimo.

Podre, eu sei. O que mais posso dizer? “Diga-me, posso ouvir cada segundo do seu dia?”

Ridge: Foi mesmo. Quer ouvir?

Se eu quero? Porra, claro que sim. Eu digito uma resposta, mas espero para enviá-la, lentamente contando um minuto. Não quero parecer desesperada...Quando, na verdade, é exatamente como estou agora. Desesperada por qualquer pedacinho de interação com esse homem.

Eu: Sim.

Eu grudo meu celular em minhas mãos, esperando pela sua própria mensagem. O tempo parece rastejar enquanto eu espero, olhando pra tela. Quando ele toca, eu pulo e meu

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Ridge chamando.

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telefone voa longe. Quando finalmente consigo pegá-lo, eu olho pra tela.


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CAPITULO VINTE E TRÊS

RIDGE Esperei uma eternidade pra ela atender e quando finalmente atendeu eu sorri. Aquelas três letrinhas – SIM. Knox está adormecido nos meus braços; ele está com a barriguinha cheia e não consegui resistir de pegá-lo no colo. Eu sei que deveria ter deixado ele no berço, que ele vai ficar querendo colo o tempo todo – pelo menos é o que a minha mãe me diz – mas ele está tão calminho, e pra ser sincero, eu simplesmente amo ficar agarrado com esse carinha. É chocante pra mim, mas ele é meu, ele é uma parte de mim. E isso faz toda a diferença. Tenho usado um aplicativo de mensagens para conversar; é muito mais rápido digitar com uma mão. Quando estou prestes a responder, eu decido que preciso ouvir a voz dela. Eu busco o nome dela na minha agenda e aperto em “ligar”. Toca mais vezes do que eu gostaria, e quando estou prestes a desligar e mandar outra mensagem pra ela e perguntar pra ela por que ela não quer falar comigo, ela atende. — Alô? - sua voz macia vem do outro lado da linha. Fecho meus olhos e deixo o som da voz dela retumbar nos meus ouvidos, relaxo no sofá. — Oi, menina doce. - Eu respondo a ela suavemente. Knox está dormindo. Essa é a minha desculpa e estou cagando pra isso. — Então, diga-me como foi seu dia? - ela diz, mantendo sua voz macia.

— Foi muito bom. - Eu digo pra ela. — Sabe, aquela garota, ela meio que está me perseguindo, e hoje tive que vê-la – na verdade, duas vezes.

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— Umhum.

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— Você quer saber? - eu pergunto.


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— É mesmo? - Ela responde. Algo na voz dela indica que não entendeu que é dela que estou falando. Será que ela poderia estar com ciúmes? — Pois é, ela é tão linda e doce pra caralho. Eu digo pra ela, esperando que ela entenda a dica. — Legal. — Eu quase a beijei. Eu estava com as mãos nela e quase a beijei. Ela fica em silêncio. — Acho que a assustei, por que ela fugiu. — Você quis beijá-la? - ela pergunta. Finalmente ela entendeu. — Mais do que tudo. Ela fica em silêncio, mas eu consigo ouvi-la respirando suavemente. — Eu não quero ser seu consolo, Ridge. Assim como ela começou, ela terminou a brincadeira e nos trouxe de volta a realidade. — Eu sei que você está sofrendo e sozinho, mas não posso ser esse tipo de pessoa pra você. Não levo jeito pra isso. Passei muito tempo da minha vida ficando com homens que só me queriam por perto quando era conveniente pra eles. Não posso mais fazer isso e não farei mais isso. — Kendall, você não é um consolo. - Eu respondi enfaticamente.

Que porra! — O que preciso fazer? Como posso te provar que isso não é coisa que sua linda cabecinha pensou?

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tornaria e eu quero isso. Eu quero te beijar. Quero dizer, eu quis.

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— Você passou por muita coisa. Você talvez não pense assim agora, mas é o que isso se


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— Eu não sei. Knox se contorce e começa a ficar irritado. — Ele precisa trocar a fralda. Ele fica sempre assim quando está com fome ou precisa ser trocado. Ele já mamou. – Eu não sei porque estou falando isso pra ela. — Como está o rapazinho? - ela pergunta, eu posso ter certeza de que está sinceramente querendo saber. — Ótimo. Estamos vivendo um dia de cada vez. Preciso trocá-lo, eu só... não quero desligar. - Estou literalmente de quatro por essa garota. Nunca na minha vida deixei essas palavras saírem da minha boca. Ela me transformou na merda de um poeta. — Ele precisa do seu papai. - Ela diz. Posso ouvir o sorriso na voz dela. — É, ele precisa. — Vou ficar em casa essa noite... quero dizer, se você quiser conversar mais. Sim! — Claro que sim, deixa eu só trocá-lo e fazê-lo dormir de novo. tenho que preparar o malão dele pra amanhã, mas eu quero sim. Ligo daqui a pouco. — Dê a ele um beijo de boa noite por mim. — Pode deixar. Ligo daqui a pouco. - Desligo. — Carinha, vamos te trocar. - Eu digo pro meu filho. Pelo tempo que levei pra dar um banho no Knox, arrumar sua bolsa pra amanhã, jogar toda a roupa suja na máquina de lavar, colocar a louça suja na máquina de lavar louça e levar

Kendall. - E beijando sua outra bochechinha, — E esse é do seu pai. Eu te amo, carinha. - Eu o ajeito, ligo seu monitor e saio lentamente do seu quarto antes de sair correndo pelo corredor até o meu quarto, arranco minhas roupas e pulo pra dentro do chuveiro. Depois do banho mais

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Já passa das dez quando ele finalmente adormece. Eu beijo sua bochechinha. — Esse é o da

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tudo pra sala de estar, já está na hora da outra mamadeira do rapazinho e colocá-lo pra dormir.


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rápido já visto na história dos banhos, eu rastejo até minha cama e pego meu telefone que está carregando no criado-mudo. Já são dez e quinze. Eu hesito, não querendo acordá-la, mas eu disse a ela que ligaria. Só de pensar na voz sonolenta dela atendendo faz-me selecionar o contato dela e o coloco próximo ao meu ouvido. — Oi, - sua voz grogue me cumprimenta. Exatamente como imaginei. — Foi mal. Não queria te acordar. — Tudo bem, mas se tivesse ligado dez minutos mais tarde você teria. - Ela ri. — Está tudo bem? Ela é doce pra caralho. E não é só o gosto da sua pele – que tive o prazer de ter uma amostrinha – mas seu coração. Ela realmente se importa. Ela é tão diferente das outras garotas que já saí no passado. Ela é a primeira que me faz sentir assim. Sim, eu estou caidinho por ela. Confesso que estou muito, mas muito caído por ela. Eu quero que o que eu disse pros caras seja verdade. Quero que ela seja minha. — Está sim, é só muita coisa pra fazer, arrumando a mala dele pra amanhã, colocar as roupas pra lavar, aí deu hora da mamadeira da noite. - Eu resmungo sobre tudo o que fiz desde a última vez que falei com ela. — Bebês dão um bocado de trabalho. — Pois é, dão mesmo. Então, como foi o resto da sua noite? - eu mudo de assunto, sem

— Ótima. Apenas relaxei, li um livro.

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há para saber.

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querer ser aquele cara que choraminga pra sua garota. Quero saber tudo sobre ela – tudo o que


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— Você também lê? Reagan parece estar sempre com um livro nas mãos. — Leio sim. Amo ler. — O que mais você faz? Como passa seu tempo livre? — Você não quer mesmo saber sobre minha vida entediante. — Quero sim. Quero saber tudo sobre você. - Merda! Minha boca simplesmente cuspe as palavras pra ela. Ela pensa que sou um perseguidor. — Dawn e eu somos colegas de quarto. Como trabalhamos juntas, então fazemos muitas coisas juntas. Boa parte dessas coisas é fazendo compra, e ela também lê, e por causa disso, nós conversamos sobre nossos namorados literários. Fictícios, mas não gostei disso. — O que mais? — Passamos a maior parte do tempo na casa dos meus pais. Mudei-me pra cá há seis meses, e Dawn veio comigo. Estive afastada deles desde que terminei a faculdade, então eu acho bem legal passar algum tempo com eles. Acho que estou tentando recuperar o tempo perdido. — Vocês são próximos? — Somos sim, senti muitas saudades deles quando fui embora. Isso tornou minha decisão de voltar pra casa bem mais fácil. — Por que foi embora?

ela, deixá-la perceber que ela não é um consolo pra mim. Estou arrasado pelo fato da Melissa ter perdido sua vida, e de coração partido pelo fato que meu filho nunca vai conhecer sua mãe, mas não estou procurando um consolo nela.

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Não quero pressioná-la pra dizer seus motivos. Ainda não. Preciso aprender mais sobre

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— Nada demais. Eu simplesmente estava pronta pra uma mudança.


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— Então, além destes namorados literários que você falou, eu tenho qualquer outra competição? - Poderia muito bem deixá-la ciente do rumo que quero levar essa conversa. Não gosto de brincadeiras. Meus pensamentos viajam para Stephanie. Aquela encenação toda dos diabos não passou de uma brincadeira, uma que odiei e jurei nunca mais brincar de novo. Não me importa se era uma aposta; se essas são as regras, estou fora. Nunca mais. — Não mais. Ótimo. Não que isso fizesse diferença, já que ele teria que provar para mim que ele era o melhor homem antes de eu me afastar dela. Ela me consome. " Quer conversar? Ela hesita. Vamos lá, querida, desabafe pra mim. — Cal e eu namoramos por quase dois anos. Ele era ótimo no início, legal, gentil e atencioso. Sabe, tudo o que uma garota quer. - Ela ri sem humor. — Até que ele deixou de ser assim. Meu coração para por algumas batidas ao ouvir essas palavras. Se ele encostou um dedo nela, eu acabo com ele. — Como assim? - eu exijo, tentando me manter calmo e meu tom de voz controlado. — Ele se envolveu com as pessoas erradas. Ele começou em um emprego novo numa fábrica, e os caras com que ele saia estavam envolvidos com drogas bem pesadas. Pensando bem, não sei como eles conseguiam manter seus empregos. Enfim, ele mudou. As drogas o mudaram. Eu não sabia que era por causa disso no início, mas quando eu descobri, eu terminei com tudo. Bom, pelo menos eu tentei. Ele se tornou uma pessoa muito ruim e ficou furioso por

Eu travo minha mandíbula. — Ele encostou as mãos em você?

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do meu, do outro lado do corredor. Era como se eu não conseguisse escapar da sua fúria.

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eu tê-lo deixado. Para tornar as coisas ainda bem piores, ele morava no apartamento na frente


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— Não, não pra valer. Quero dizer, ele me deu alguns empurrões algumas vezes, mas nada tão grave. Ele nunca me bateu pra valer. - Ela para e suspira pesadamente pelo telefone. — Você não vai querer ouvir tudo isso. Nem consigo acreditar que estou te contando essas coisas. — Desembucha. - Eu deixo escapar. — Como é? — Preciso saber, Kendall. Então dê-me uma luz, porque se você não terminar de me contar, meu rabo vai estar na sua porta não importa o tempo que leve pra eu estar aí na sua casa e aí sim você vai ter que me dizer. — Ridge. - Ela parece chocada. — Kendall. - Eu respondo no mesmo tom. — Acho que isso não é da sua conta. Tenho que ir. — Deixa eu só te contar uma coisinha – você é da minha conta sim. Existe algo entre nós, e quero entender o que isso significa. Toda vez que você está perto de mim, eu vou em sua direção. - Eu respiro bem fundo e suavizo minha voz. — E não vou conseguir dormir até eu saber tudo. — Uma vez. Ele me bateu uma vez. E aquela foi a última vez. Ele tinha saído pra fora da cidade no final de semana seguinte, Dawn e eu empacotamos nossas coisas e nos mudamos de lá. Ele me ligou algumas vezes, mas eu o evito a qualquer custo. Não passou de um tapa, mas aquela foi a última vez que ele tocou em mim. Eu sabia que precisava dar o fora de lá antes que as coisas ficassem pior. Dawn não é próxima da família dela e disse que não tinha nada que a

trabalho no mesmo lugar. E desde então moramos juntas.

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até conseguirmos alugar uma casa. Tivemos muita sorte por conseguirmos encontrar um

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prendesse lá, então ela se mudou comigo. Ficamos na casa dos meus pais por algumas semanas


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Aquele filho da puta bateu nela! Eu me concentro na minha respiração pra me acalmar. Só consigo ver vermelho e sinto a fúria me consumir de um jeito como nunca me senti assim antes. — Se ele chegar perto de você, se ele te importunar, você me fala. Sem exceções, sem desculpas – você vem até mim. Entendeu? — Ridge, isso é loucura, você não pode... Eu a interrompo. — Eu posso e eu vou. Preciso te ouvir prometer pra mim que vai fazer isso, Kendall. Se ele aparecer, você vem até mim. Você me liga, manda a porra de uma mensagem ou manda um pombo-correio, mas você vem até mim. — Tudo bem. - Ela diz, tão calma que quase não percebi. E então ela boceja. — Quero mesmo fazer isso, Kendall. Quero ver onde isso vai dar. — Ridge, eu... — Sei que precisamos conversar. Preciso te contar sobre a mãe do Knox e eu vou e será logo, mas quero falar sobre isso pessoalmente, não pelo telefone. Quero que você saiba que possa ver que minhas atitudes e minhas palavras são verdadeiras. — Tudo bem. - Ela diz novamente. — Boa noite, menina doce. Ela hesita. — Bons sonhos. - Ela diz e então a linha fica muda.

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Na verdade, bons sonhos pra caralho.


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CAPITULO VINTE E QUATRO

KENDALL Não vi Ridge ontem, mas trocamos mensagens de texto o dia todo. Ele me mandou uma foto do Knox dormindo em cima do peito dele ontem à noite. Ele reclamou que está tão exausto que mal dormiu na noite anterior. Conheço bem isso. Ainda continuo repassando mentalmente a nossa conversa. Não consigo acreditar que simplesmente despejei minhas angústias nele sobre o Cal, que confessei que ele me bateu. Dawn foi a única pessoa a qual contei sobre isso. Nunca quis contar pra mais ninguém, mas Ridge tem um jeito de mandar que me fez cantar como a droga de um canário. Meu pai e minha mãe voltam pra casa amanhã, e minha ideia a princípio seria de fazer uma parada na casa essa manhã no meu caminho ao trabalho. Estou hesitante; quero vê-lo, mas será que vai ser diferente? Ele disse que me queria, mas o que isso quer dizer exatamente? Essa questão me fez ficar acordada a noite toda ontem. Rastejei pra fora da cama e tomei um banho, mesmo sabendo que eu ainda tinha mais duas horas de sono. Só que isso não aconteceu. Depois do meu banho, vesti-me para o trabalho e fui até a cozinha, decidida a fazer algumas rabanadas com canela. Assim que terminei minha terceira xícara de café e limpar tudo, Dawn vem marchando direto pra cozinha. — Quanto tempo até estarem prontos? - ela pergunta. Eu rio. Eu sei que assim que o cheiro invadiu o quarto dela, já estaria acordada. Minha rabanada com canela caseira é a fraqueza dela. Mas na verdade é uma receita do meu pai. Nós

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minutos. - Eu respondo, passando uma xícara de café pra ela pelo balcão.

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fazíamos todos os anos no Dia das Mães e no aniversário da minha mãe. — Mais uns cinco


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— Deus te abençoe. - Ela geme enquanto toma seu primeiro gole. — Por que caiu da cama tão cedo? — Só uma chance. - Eu digo pra ela. — Ridge Gostoso Pra Caralho Beckett. - Ela ri. — Até o nome dele é gostoso pra caralho. Eu assinto, porque ela tem razão. — Tem ouvido falar dele? — Conversamos por mensagem de texto ontem à noite. Ele me mandou a foto mais fofa do Knox. - Eu pego o telefone e rolo as mensagens até achar a foto pra mostrar a ela. — Pois é, né, o bebê é muito fofo mesmo, mas dá uma olhada no pai dele. Eu coro, porque sim, eu também olhei. Knox não está vestindo nada além de uma fralda, empoleirado, suas mãozinhas embaixo do queixo enquanto dorme em cima do peito nu de Ridge. Seus braços duros, sua tatuagem, o bebê minúsculo, que está com a sua mão enorme apoiando as costas dele, segurando tão pertinho... — Uma explosão ovariana do caralho. - Dawn diz. — Certeza? — Então, você vai lá hoje? — A intenção é essa, mas eu não sei. Eu não falei nada pra ele que eu iria lá.

que ele está na sua. — Espera um pouco. Ela disse isso? Quando? E por que não me falou isso?

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que quer você – não que isso seja surpresa pra alguém. Poxa vida, até a Reagan disse que acha

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— Faz isso, boba. Veja como ele reage. Quero dizer, caramba, Kendall. Ele já te falou


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Ela ri. — Na mesma noite do seu telefonema épico. Ela fez minha manicure, que eu não esperava e nós conversamos horas. — O que ela disse... Exatamente? — Apenas que ela acha que o irmão dela está na sua. Ela queria ver se vocês estão saindo com outras pessoas e se eu também achava que você está na dele. — E você disse o que pra ela? - era quase como arrancar uma confissão dela. — Que você estava disponível e que ambos estão interessados um no outro. — Dawn! Caramba! Você acha mesmo que aquele telefonema era sobre isso? — Não, definitivamente não. Ela e eu fomos jantar depois de fecharmos o salão. Já passava das onze assim que saímos do estacionamento do restaurante. Você disse que conversou com ele até um pouco antes das onze, certo? — Aham. — Viu só, é tudo sobre ele. Sem influência externa, mas de verdade, quero que seja feliz, então espero que ela diga isso pra ele também. — Aff. — Relaxa. Você está interessada nele, certo? Caralho, claro que sim! Ao invés disso eu digo. — Estou. Mas não posso ser o consolo dele. E não serei isso.

Eu a estudo. — O que você sabe?

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coloque a carroça na frente dos bois, Kendall.

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— Conversa com ele. Ele disse que queria te contar sobre a mãe do Knox, certo? Não


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Ela dá de ombros. — Quero jogar verde pra colher maduro, mas estou tomando cuidado pra não me precipitar. Você tem que conversar com ele. Conte tudo, inclusive conte a ele sobre o Cal. — Na verdade eu já contei pra ele. - Eu digo, chocando-a. Ela fica boquiaberta, mas se recupera do choque rapidamente. — Ótimo, agora você precisa deixar que ele conte a história dele. Quando ambos tiverem conhecimento do passado um do outro, vocês podem decidir ficar juntos e seguir em frente. Só não o afaste até conhecer a história toda. Eu não respondo, porque não há nada mesmo pra responder. Era isso exatamente o que eu estava tentando fazer. Ela me conhece como ninguém. — O que você vai fazer com o resto das rabanadas? Se eu comê-las, vou ser obrigada a morar na academia até o mês que vem. Eu olho pras duas carreiras de rabanadas com canela. — Acho que vou ver se os meninos da Beckett Construções estão com fome. — Meninos? - ela zomba. — Ali não tem nada de meninos. Todos eles são homens muito bem crescidos. - Ela pisca. — Espero que você as embrulhe e vá agarrar seu homem. — Ele não é meu. — Ainda não. - Ela sorri. Vinte minutos depois, estou estacionando na garagem da casa dos meus avós. Os rapazes ainda não chegaram. Eu pego a bandeja com a rabanada, um garrafão de leite e copos

da conversa entre mim e Ridge. Eu salvo a foto dele e Knox e uso essa foto como imagem de

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mesa preparada no deck. Uma vez pronta, eu me sento na espreguiçadeira e rolo as mensagens

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descartáveis que comprei antes de vir pra cá. É uma manhã agradável, então eu deixei uma


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contato do Ridge. Assim toda vez que ele me ligar ou mandar mensagens, essa imagem vai me fazer sorrir. — Esse sorriso é o melhor motivo pra começar bem o dia. - A voz profunda do Ridge retumba em mim. — Oi. - Eu digo, pulando do meu assento. Ele me surpreende parando na minha frente e envolvendo seus braços na minha cintura, fazendo com que eu o abrace. E é desse jeito que o resto do pessoal nos encontra. — Já não era sem tempo mano. Fiquei preocupado que você esqueceria o que é isso. Tyler diz sorrindo. Esperei que Ridge o retaliasse, mas não. Ao invés disso, ele se inclina e beija minha têmpora. Se o braço dele não estivesse me segurando tão forte, eu teria virado uma poça de pudim no meio do deck. — O que é tudo isso? - Seth pergunta. — Eu... hã... não conseguia dormir, então fiz rabanadas com canela. Isso é mais do que eu e Dawn poderíamos comer, então pensei que poderia fazer essa surpresa pra vocês. — Você está bem? - Kent pergunta pro Ridge, que o olha com o olhar indagador. — Porque se não estiver, eu pego ela pra mim, meu camarada. O aperto do Ridge na minha cintura fica mais forte ainda. — Minha! - é tudo o que ele responde, mas os rapazes parecem compreender o que isso significa. Mark, Tyler e Seth estão

Ele me abraça o máximo que ele pode, mas eu tenho que colocar uma certa distância entre nós, finalmente me libertando dos braços dele.

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— Obrigado. - Ridge me diz, com seus lábios pertinho do meu ouvido.

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sorrindo, enquanto Kent parece um pouco desanimado e possivelmente desapontado.


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Minha. Eu presumo que ele quis dizer isso mesmo, mas ainda não chegamos nesse ponto... ou já chegamos? Quero dizer, só começamos a conversar, e eu realmente preciso muito saber sobre a mãe do Knox antes de eu me entregar e investir nesse futuro com ele. Preciso saber que o que ele me diz é verdade, que não sou apenas um consolo pra ele.

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Eu espero mesmo que eu não seja isso.


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CAPITULO VINTE E CINCO

RIDGE Assim que saímos da caminhonete e vi o carro dela estacionado na garagem, eu sabia. Eu sabia naquele momento que ela estava comigo nessa. Quando a vi de costas no deck, eu só tinha que tocá-la. É uma necessidade nova pra mim. Sim, necessidade. Sim, eu queria tocá-la, mas essa necessidade era tão grande que me pressionava a envolvê-la nos meus braços, e fodase se alguém vai ser testemunha disso. Eu a observo enquanto ela conversa com os caras. Kent me fez mostrar o meu lado, mas não tem problema; eu ia fazer isso de qualquer maneira. Quanto mais eu conversava com ela, tocá-la, passar o tempo com ela, mais a necessidade crescia. Eu não compreendia isso; é rápido demais, e isso... Não é normal. Tive tantas viradas na minha vida no mês passado, que eu não estava conseguindo lidar com isso. Meu pai sempre diz “Confie nos seus instintos, filho. Quando você encontrar a mulher certa, a vida vai te dizer. Não lute contra; isso só lhe trará mais sofrimento.” Essa era a parte do discurso do meu décimo sexto aniversário. É nisso que me agarro com unhas e dentes. Meu filho é a prova de que quando você menos esperar, as coisas podem acontecer. — Tenho que ir ou vou acabar me atrasando para o trabalho. Eu a vejo quando ela começa a limpar a mesa depois que comemos. — Cuidaremos disso, Kendall. - Seth diz a ela. — É o mínimo que podemos fazer por você. — Eu te acompanho até seu carro. - Eu digo, estendendo minha mão pra ela. Ela hesita

— Obrigado pelo café da manhã.

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enquanto a guio de volta pra fora da casa em direção ao carro dela.

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por alguns segundos antes de unir seus dedos com os meus. Ela acena por cima do seu ombro


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— Como eu disse, eu não conseguia dormir, e Dawn estava reclamando por ter que passar o próximo mês na academia. - Ela ri. Ela para e apóia-se no seu carro. Eu fico na frente dela, aproximando-me ainda mais, fechando a distância entre nós. — Estou feliz por você ter vindo. — Eu também. - Ela cora. Essa garota. Doce pra caralho. — Quando você acha que podemos fazer isso de novo? Ela dá de ombros. — Não tenho certeza. Tenho planos de visitar meus pais neste final de semana. Eles ficaram fora da cidade por duas semanas. — Posso te ligar pelo menos? — Adoraria. - Ela sorri pra mim. Eu sei que ela tem que ir trabalhar, mas preciso só de mais um segundo com ela. Cada segundo conta – pelo menos com ela. Eu solto minha mão e a puxo pra um abraço, respirando-a. Ela derrete no meu abraço. É perfeito. Relutantemente, eu a solto, mesmo que eu pudesse ficar assim com ela o dia inteiro. Vou pensar nisso depois. Ao invés disso, eu freio esses sentimentos que ela evoca em mim e beijo sua testa. — Tenha um dia maravilhoso, menina doce. Ela me surpreende quando fica nas pontas dos pés e beija minha bochecha. — Você também. - Ela diz suavemente. Eu me afasto, dando a volta pra abrir a porta pra ela. Eu espero até que ela tenha prendido o cinto de segurança antes de fechar a porta. Observando-a sair com o carro até não conseguir vê-la mais. É o toque do meu celular que me faz sair do transe.

— Só queria ter certeza de que você não saiu correndo em direção ao pôr-do-sol. - Ele brinca.

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— Sim. - Eu digo, virando-me pra entrar de novo na casa.

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Tyler.


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— Ainda não, cara, ainda não. — Uou, tá bom então. Essa não era a resposta que eu esperava. - Consigo ouvir os outros ao fundo esperando pra saber o que eu disse. — Voltem ao trabalho. - Eu rio. Como eu não riria? A vida tem um jeito de balançar as coisas até que você sinta como se não conseguisse respirar, mas quando tudo acalma é como que se toda a dor que você sentiu te trouxesse até esse ponto. Talvez seja por causa da Melissa – porra, eu não sei nem se eu acredito nessa coisa toda – mas eu sei que está vindo tudo assim de uma vez e por alguma razão, eu não quero que isso pare, eu quero isso, quero isso tudo... tudo dela. Quero ver até onde essa realidade inesperada vai me levar dessa vez. Eu vivi isso no último mês. Ela me trouxe meu filho e isso eu não mudaria por nada. Talvez, só talvez, ela possa também me trazer Kendall. Um homem pode ter esperanças. Os caras já estão trabalhando no acabamento em torno dos armários no momento que entro. — Sem brincadeira? - Mark pergunta. Tyler deve tê-lo deixado a par. Dou de ombros em resposta. O que posso dizer? Eu a quero. Não consigo explicar por que, e sinceramente, eu não quero explicar. — Quais são os planos pra este final de semana? - Kent pergunta. — Tem uma luta no sábado à noite. - Seth sugere.

Tyler diz. Está na ponta da minha língua pra dizer a ele pra convidar a Kendall e Dawn, mas não falo nada. Mantenho minha boca fechada. Chegaremos lá; com toda a certeza, eu sinto isso.

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Todos eles assentiram em acordo. — Vou ligar pra Reagan, precisaremos de comida. -

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— Para mim está ótimo. Na minha casa. Não quero ter que sair com o Knox tão tarde.


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— Vocês terão que se comportar ou vou chutar o rabo de cada um de vocês. Vocês não poderão acordar meu filho. - Eu os aviso. Isso ainda é estranho pra mim, mas novamente ao mesmo tempo não é. Parecemos chegar num acordo. Acho que é como minha mãe sempre diz: “Deus não te dá um fardo maior do que você consegue suportar.” Acho que tive minha cota por enquanto, menos com Kendall. Ele pode me dar Kendall. Eu tiro Kendall dos meus pensamentos e mergulho no trabalho. Não dura tanto tempo até os caras começarem a reclamar que estão famintos que percebo que o tempo passou voando. Sugiro irmos almoçar no restaurante, esperando encontrá-la novamente. De um dia pro outro, eu me tornei o cara que escolhe um restaurante só pra ter a chance de ter um vislumbre da garota. Eu deixo isso se aprofundar, e me surpreendo quando me dou conta que estou ficando bom nisso. — Você só quer ver sua garota. - Seth provoca. — Aham. - Não nego, nem pra eles. — Puta merda. - Kent diz. — Você está apaixonado, mano. - Tyler ri. Eu assinto. — Pois é, acho que você tem razão. — Puta que pariu, que doideira, Beckett. - Mark cantarola. — É mesmo. - Eu concordo. Esse não sou eu – caralho, nenhum de nós é assim de verdade. Estávamos bem em encontros casuais, sossegar o facho não é nossa cara.

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— Eu aposto... - Kent mal começa a dizer essas palavras antes que eu o cortasse.

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Espera, sossegar o facho? É isso o que quero?


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— Nem começa. - Eu ralho. — Sem apostas. Stephanie foi um puta de um erro, e só... não. Não quero mais saber de apostas que envolvam qualquer coisa com Kendall. Estou fora dessa merda. Ele ergue suas mãos em sinal de rendição. — Saquei. — Almoço. - Mark resmunga. Estou totalmente de acordo. Só posso esperar que possamos encontrar minha garota.

Chegamos ao restaurante ao mesmo tempo, e rapidamente vasculho pelo salão. Elas não estão aqui. Eu disfarço meu desapontamento e pego meu celular no meu bolso e mando uma mensagem pra ela.

Eu: Estou no restaurante. Eu esperava encontrar minha garota. Kendall: Sua garota? Eu: Sim. Ela é linda. O nome dela é Kendall, você a conhece? Kendall: Você parece bem seguro de si. Eu: Estou mesmo.

Kendall.

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Eu peço um hambúrguer e fritas acompanhado com chá doce e volto a conversar com

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— Cara, você vai pedir?


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Kendall: Estou muito atarefada hoje. Eu: Como está sendo seu dia? Kendall: Até agora muito bem. Eu: Knox vai te ver na semana que vem. Kendall: Terei que ver minha escala e darei uma pausa pra dizer ‘oi’ pra ele. Eu: Só pra ele? Kendall: Bom...

Estou sorrindo feito um bocó apaixonado. Consigo sentir isso e também posso sentir os olhares dos meus amigos, mas estou pouco me fodendo pra eles nesse momento.

Eu: Eu te ligo mais tarde. Kendall: Bom apetite. Eu: Você também, amor.

— Elas estão vindo? - Mark pergunta.

Eu me viro pra encará-lo, uma vez que ele está do meu lado. — O quê?

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— Estavam conversando sacanagem então? - Tyler sorri.

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— Não, elas vão almoçar no consultório mesmo.


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Ele aponta pra minha cara. — Esse sorrisinho na sua cara... vocês tão falando sacanagem ou o quê? — Nada. - Eu não dou trela. — Mariquinha. - Mark tosse cobrindo a boca com as mãos, assim que a garçonete traz nosso almoço. Eu espero até que ela vai embora pra responder. — Não é porque eu não quero dizer o que conversamos que eu vou ser um maricas. — Toma, trouxa. - Kent diz. — Não é nada disso. Só me passou a ideia de estar com o rabo preso com ela. - Mark defende sua afirmação. — Se você pensa assim. - Eu digo, sem dar a mínima pelo fato de que me zoarão por isso o resto da minha vida. — Merda, ele está muito longe. Nós o perdemos. - Kent diz com toda a seriedade do mundo. — Engraçadinho. Coma a droga do seu almoço que temos trabalho a fazer. Passamos o resto do almoço conversando sobre a luta desse final de semana e quem achamos que possa ganhar. A tarde passa voando e estou contente; estou ansioso pra voltar pra casa e ver meu garoto. Minha mãe me disse que ele se comportou muito bem hoje, não se irritou com nada.

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outro motivo além de ouvir a sua voz.

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E só depois do nosso tempo só de meninos, eu vou ligar para Kendall, por nenhum


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Eu chego à casa da minha mãe por volta das cinco e meia da tarde. Como toda boa mãe, ela já fez o jantar e insistiu pra que eu ficasse e comesse. Não discuto com ela sobre isso, assim isso me dará mais tempo hoje à noite quando eu chegar em casa. Não quero mencionar que pizza congelada seja um jantar decente pra um homem. Estou sentado a mesa com Knox no meu colo; não ficava assim com ele desde que entrei pela porta. Senti muitas saudades desse carinha o dia todo. — Como está o serviço? - meu pai me pergunta assim que nos sentamos pra jantar. — Ótimo. A reforma está indo muito bem. Deveremos terminar com a cozinha amanhã e iremos partir para os banheiros. — Precisam de ajuda com alguma coisa? — Não, estamos bem. - Eu dou uma mordida na minha porção de caçarola assada. — Ele se comportou como um verdadeiro anjinho, como sempre se comporta. - Minha mãe cantarola. Eu rio. — Quando ele estiver com dois anos, correndo pela casa e aterrorizando o lugar todo, você vai reconsiderar se ele é mesmo um anjinho. Meu pai ri. — Nisso você tem razão, filho. Tenho muita sorte por eles cuidarem de Knox o dia inteiro. Claro, existem as creches, mas gosto do fato de que ele está com minha família. Eu sei que ele está em segurança e tem suas necessidades supridas. Não estou acostumado a ficar preocupado com isso, mas agora está

— Nas últimas noites ele tem dormido seis horas seguidas. Senti como se tivesse ganhado na loteria.

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— Como ele tem dormido? - Minha mãe pergunta.

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no topo da minha lista.


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— Eu me lembro desses dias. - Meu pai diz. — Ele é um bebê muito bonzinho. - Minha mãe nos diz. Terminamos o jantar e me ofereço pra limpar tudo, mas eles me botaram pra fora e me mandaram ir pra casa e descansar. Minha mãe já deixou a bolsa do Knox pronta, então eu a carrego até a caminhonete e vamos embora pra casa. Começamos a fazer o que já começa a ser nossa rotina. Knox toma banho, que parece adorar – bom, pelo menos ele não chora mais. Ele fica um pouco no cercadinho enquanto eu limpo a casa e arrumo sua bolsa pro dia seguinte. Faço sua mamadeira noturna e o deito no sofá. Ele dorme sonoramente, então eu não preciso acordá-lo para mamar. Ao invés disso, eu pego meu telefone e ligo pra Kendall. — Oi. - Ela diz sorrindo. — Oi, como foi o resto do seu dia? — A mesma coisa de sempre. E o seu? — Terminaremos a cozinha amanhã, e então começaremos os banheiros. Os caras vão passar aqui em casa pra assistirmos a luta de sábado à noite. — Que ótimo. Vocês estão se divertindo. Você precisa de uma babá? - ela pergunta. — O quê? — Pro sábado, você precisa de uma babá?

e ajuda de vez em quando tirar um dia de folga.

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— Bom, pensei que não faria mal em perguntar. Sei que você quer fazer tudo sozinho,

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— Ah, não. Quero dizer, vamos ficar em casa mesmo, então está tudo bem.


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Ela é tão... — Obrigada, menina doce, mas estou bem. Sinto como se tivesse passado muito tempo longe dele. — Você também tem que viver sua vida, Ridge. Não há nada de errado em deixá-lo com alguém pra sair um pouco com os seus amigos. Sinceramente, desde o dia que descobri que era pai, esse pensamento nunca me passou pela cabeça. Minha maior preocupação era com quem cuidaria dele enquanto estivesse trabalhando, mas antes mesmo que eu sequer pensasse nisso, meus pais já tomaram a frente e perguntaram se poderiam cuidar dele. — Eu sei, é que... ainda estamos aprendendo. Ele e eu estamos começando agora a entrar em uma rotina. - Eu digo pra ela. Eu olho pra ele, sorrindo um sorriso banguela enquanto dorme. — Ele está sorrindo. - Eu falo pra Kendall. — Ah, quero ver. - Ela diz. — Eu li que ele só seria capaz de fazer isso depois de mais algumas semanas. Meu filho é um gênio. Ela ri. — Ele vai fazer um mês no domingo, certo? — Aham. — Ele está no tempo certo, então. - Ela me diz. — Você tem que tirar uma foto e me mostrar. — Deixa eu te ligar de novo e faremos uma vídeo-chamada. - Eu sugiro.

bem? - ele ronca com o sorrisinho nos lábios enquanto eu faço a vídeo-chamada pra Kendall. — Deixa-me ver! - ela está sorrindo.

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— Ela está tão animada em te ver, amigão. Mantenha esse sorriso mais um pouco, está

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— Ótima ideia. - O telefone fica mudo.


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Eu viro o telefone pra que ela possa ver meu garotinho dormindo nos meus braços. — Olha pra ele! Ele está ficando grandão! — Ele é minúsculo. - Eu argumento com ela. — Sim, ele é, mas está crescendo. Disso eu tenho certeza. — Ele come muito bem, disso eu tenho certeza. Na verdade está até na hora da mamadeira dele, mas o livro diz pra não acordá-los pra mamar. — Isso é verdade. Deixe eles dormirem o máximo que puder. Isso vai ajudá-lo a não trocar o dia pela noite. Conversamos sobre todos os assuntos possíveis por mais quinze minutos antes que o Knox começasse a se contorcer. — Parece que alguém está com fome. - Eu miro meu celular de volta para ele para que ela possa vê-lo. Seu pequeno lábio, que estava com um lindo sorriso estampado nele, agora está saliente. Ele está pronto pra começar a chorar. — É melhor eu trocá-lo e dar de mamar pra ele. — Dê um abraço nele por mim. — Darei. Falo com você daqui a pouco. Ei, ahn, os caras vão vir aqui pra assistirmos a luta de sábado à noite. Reagan vai estar aqui também. Você e Dawn serão muito bem vindas também. — Tenho planos com meus pais neste final de semana. — Ah, claro, tem razão. Bom, se mudar de ideia, você já sabe onde vai ser.

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— Boa noite, doce menina.

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— Está bom. - Ela diz suavemente.


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Eu guardo o celular no meu bolso e caminho pela casa, apagando todas as luzes e trancando a porta. No andar de cima, eu troco sua fralda e me sento na cadeira de balanço pra dar de mamar a ele. Ele toma tudo como um verdadeiro campeão. Eu tomo um banho longo e quente e sinto que o cansaço chegou com força. Visto minha boxer e subo na cama. Assim que meus olhos se fecham, eu sinto meu celular vibrar em cima do criado mudo. Eu debato mentalmente que devo deixar pra lá e olhar só na manhã seguinte, mas faço o contrário. Eu o pego e vejo que há uma nova mensagem de texto.

Kendall: Boa noite. Eu: Boa noite, doce menina.

Eu caio no sono profundo com um sorriso na minha cara e com os meus pensamentos

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na bela Kendall.


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CAPITULO VINTE E SEIS

KENDALL Hoje o dia passou voando. Eu mandei uma mensagem de texto pro Ridge quando acordei – só pra dizer “bom dia, tenha um excelente dia”, mas na verdade foi mais do que isso. A verdade nua e crua é que já acordo pensando nele. Ele não sai da minha cabeça já tem dias. Minha mãe me ligou tem umas duas horas e disse que já saíram do aeroporto e já estavam a caminho de casa. Eles convidaram a mim e a Dawn pra jantarmos lá hoje à noite, mas eu sugeri que nós trouxéssemos o jantar pra eles. Eles estavam viajando e tenho certeza absoluta que a última coisa que eles querem fazer é um jantar. Minha mãe alegremente concordou, então eu disse a ela que estaríamos lá por volta das sete horas. — Tem certeza que está tudo bem pra você sair comigo e irmos jantar na casa dos meus pais hoje à noite? - eu pergunto pra Dawn. — Sério mesmo, Kendall? Mal posso esperar pra saber como foi a viagem deles. — Está bem, era só pra eu ter certeza mesmo. — Estou pronta pra sair e você? - ela pergunta. — Estou sim, só preciso pegar meu celular que está no meu quarto. - Eu pego meu celular, jogo-o dentro da minha bolsa, e estamos de saída pra pegarmos umas pizzas. Meus pais estão na varanda da frente quando chegamos. Eles estão abraçados e estão

— É o que duas semanas de férias fazem com você. - Minha mãe responde.

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— Vocês dois parecem ótimos. - Eu digo cumprimentando.

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com a aparência relaxada.


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— Precisamos fazer um cruzeiro, Kendall. - Dawn diz. — Concordo plenamente. Com certeza mais pra frente faremos. — Entrem meninas, e nos atualizem dos acontecimentos que perdemos. - Meu pai diz, segurando a porta aberta. — Queremos saber como foi a viagem. - Eu digo pra eles. — Sua mãe tirou toneladas de fotos. - Ele ri. Devoramos a pizza e ouvimos eles nos contarem como foram as férias deles. — Agora nos digam, o que perdemos? - minha mãe pergunta. — Kendall tem um namorado. - Dawn cantarola. Dou um murro no braço dela. — Caramba. Minha mãe e meu pai riem. — Ah, é mesmo? E quem é esse rapaz? Ele é digno da minha garotinha? - meu pai pergunta, entretido. — Ele não é meu namorado. — Ele quer ser. - Dawn ri. — E o que você quer? - minha mãe pergunta Já mencionei que meus pais são maravilhosos? Não tem um dia da minha vida que eu não me sinta amada e querida por eles. Eu devo tudo a eles.

Eu preciso seriamente procurar por outra melhor amiga.

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— Mentirosa. - Dawn diz com sarcasmo.

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— E-eu não sei.


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— Está legal, eu... gosto dele. Ouviram bem, eu gosto dele. — E...? - meu pai pressiona sorrindo. — E ele disse que gosta de mim. Ele é pai solteiro. — E qual o problema? - minha mãe pergunta. Eu suspiro. — Nada. O filho dele é adorável, mas a mãe dele, ela não sobreviveu. Ele só tem um mês e eu só... não acho que ele esteja pronto, e não quero servir de consolo pra ele. — E como você sabe que será assim? - meu pai pergunta. Eu só olho pra ele, aguardando ele dizer mais alguma coisa. — Como você sabe como era o relacionamento deles? Posso te dizer que se ele a amava, ele não estaria pronto pra seguir em frente, dizendo que gosta de você. - Ele diz. — Obrigada! - Dawn exclama. — É exatamente isso que estou tentando há dias enfiar nessa cabecinha dura. Ela precisa conhecer a história dele. — Nós já conversamos sobre isso, mas ele disse que quer conversar cara a cara. Apenas não tivemos tempo pra isso. Nós dois trabalhamos e ele tem o filho dele pra tomar conta. — Traga o bebê para ficar conosco e vocês terão a noite livre pra saírem juntos. Minha mãe sugere. — Já faz muito tempo que não temos um pequenino pra mimarmos. — Falando no diabo, é a irmã dele que está ligando. - Dawn diz, segurando seu celular. — Nós o conhecemos? - meu pai pergunta.

— É o Ridge, o irmão mais velho dela.

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— Claro. Ela é uma garota simpática. - Ele diz.

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— Vocês se lembram da Reagan Beckett? Que eu me formei com ela?


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— Construções Beckett? - meu pai ri. — Eu deixei você conferindo o andamento da reforma e olha no que deu. Acabei facilitando as coisas pra vocês. — Magoei. - Eu cruzo meus braços no meu peito. Na verdade eu também quero rir, mas mordo a língua. — Claro, obrigada pelo convite. Vou falar com a Kendall e uma de nós retorna pra você. - Dawn diz, encerrando a ligação. — Reagan está nos convidando pra irmos a casa do Ridge amanhã à noite. — É, eu sei. Eles vão assistir a luta. — Ele te convidou? - ela pergunta. Eu assinto. — Ele convidou a nós duas, mas eu disse pra ele que eu queria passar este final de semana com meus pais. — Não, nem pensar querida. Você não tem que se esconder na barra da saia da sua mãe e de mim. - Meu pai me repreende. — Mas eu já recusei o convite dele. - Eu choramingo. — Mas você ainda não recusou o convite da Reagan. - Dawn sorri. — Vai parecer que estou desesperada! — Não, vai parecer que você está interessada, que é o que você está mesmo. - Minha mãe me corrige.

nariz dela. Ajudá-la a ver que vale a pena arriscar ter seu coração partido. É tentar te fazer enxergar que ele é a pessoa que vai te amar como seu pai me ama. - Minha mãe diz definitivamente.

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— Não, esse é o grupo para ajudar a Kendall a enxergar o que está bem debaixo do

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— O que é isso? O grupo de vamos ferrar com a vida da Kendall?


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— Oi, Reagan, é a Dawn. Então, olha só, eu conversei com a Kendall e a gente vai sim. Estamos na casa dos pais dela agora, e do nada estaremos livres amanhã à noite. - Eu prendo a respiração, esperando para ver o que ela vai dizer em seguida. — Está legal, ótimo, nos vemos amanhã. - Ela encerra a ligação. — Devemos encontrar com a Reagan na casa dela às sete. Acho que as preliminares da luta começam às oito. Respiro fundo e expiro lentamente. — O que temos que levar? Os três comemoram minha aceitação da situação. Eu amo minha família louca. No dia seguinte, Dawn e eu nos revezamos na limpeza da casa para então sentarmos e relaxarmos durante a tarde. Ela continua sorrindo pra mim, mais animada do que eu. Daí então cai a ficha em mim – tem muito mais ali. — Por que está tão feliz? — Eu quero que seja feliz. - Ela diz. Eu a observo enquanto ela morde seu lábio inferior antes de soltá-lo rapidamente. Se eu não a conhecesse tão bem, eu não saberia o que dizer. — Qual deles? - Eu pergunto pra ela. — O que quer dizer? — Qual deles é o cara que você está de olho? Ela cora, que é uma coisa não muito comum de se ver na minha melhor amiga.

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— Mark.

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Caramba, eu nunca vi.


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— Legal. - Eu sorrio pra ela. — Você não precisa me enrolar quando quiser sair com ele. Você e Reagan têm saído juntas algumas vezes. — Sim, eu sei, mas vai ser bem mais fácil se você estiver lá. Além disso, você precisa parar de se esconder e se jogar de cabeça. Deixe que a vida te guie nessa viagem, Kendall. Eu penso no que ela está dizendo e entendo que eu meio que tenho que fazer isso mesmo. Pelo menos eu achei que já fazia isso. Não tenho ouvido falar do Ridge desde ontem de manhã. Eu que comecei a enviar as mensagens de boa noite, mas não quero ser aquele tipo de garota que é grudenta, do tipo ‘tenho que te ver e conversar com você o dia todo’. Sem mencionar que não estamos namorando. Ele disse que me desejava, mas isso não quer dizer que isso vá mesmo acontecer. — É verdade. - Eu finalmente respondo. — Vamos ver no que isso vai dar. Depois de algumas horas, estamos estacionando na garagem de Reagan. Por alguma razão, estou nervosa por saber que ela e Dawn conversaram sobre mim e Ridge. — Oi, oi. - Ela diz, cumprimentando a todos que estão na varanda da frente. — Já preparei tudo. - Ela está carregando uma panela de barro enorme. — O que você tem aí? - Dawn pergunta. — Almôndegas. Tyler as ama e implorou pra que eu as fizesse hoje à noite. — Tyler, hã? - Dawn sorri. — Espera um pouco, o que eu perdi? - eu pergunto.

— Ah, não fala nada. Você quer meu irmão.

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— Bacana.

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— Estou meio que de olho em um dos melhores amigos do meu irmão.


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Dawn ri, e nós duas a encaramos. — E você que está de olho no Mark. - Reagan aponta na cara dela. Ficamos em completo silêncio, até que quebramos o silêncio rindo ao mesmo tempo. Depois de nos recompormos e evitarmos um desastre iminente com as almôndegas, nós carregamos nossas coisas e vamos em direção à casa do Ridge. — Então, tenho uma confissão a fazer. - Reagan começa. — Eu não falei pra ele que você estava vindo. - Ela olha pra mim bem rápida pelo espelho retrovisor. — Isso vai dar algum problema? Eu não tenho que ir. — Não, ele quer você lá. Ele disse que ia te convidar, mas você já tinha dito que tinha planos. Eu decidi intervir. — Ótimo. - Eu murmuro. — Acredite em mim, Kendall. Ele não vai ficar nada mais do que animado por te ver entrando pela porta da casa dele. — Então, Tyler? - eu pergunto, mudando de assunto, e passamos o resto do percurso ouvindo Reagan nos dizer como ela é há anos caidinha por ele. Nós a encorajamos para que ela diga a ele o que ela sente por ele, mas ela ainda está relutante.

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Talvez eu tenha que intervir também.


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CAPÍTULO VINTE E SETE

RIDGE Ontem e hoje tem sido uma... aventura. Knox ficou de um lado para o outro a noite inteira, e agitado a maior parte do dia. E estou tentando lidar com isso agora mesmo e assustado como o inferno. Eu deveria ter chamado a mãe, mas ela tem ficado com ele todos os dias. Reagan está trabalhando na loja, e os caras... bem, eles sabem tanto de bebês como eu. Comecei a ligar para Kendall, mas não quero que ela pense que só a quero porque ela está disposta a me ajudar com o meu filho. Então aqui estou eu, uma hora e meia antes de todo mundo aparecer, e a casa está um desastre. Knox e eu estamos cansados e irritadiços e nem sei como vou passar esta noite. Os caras não querem sair comigo quando estou no modo puto da vida, e com um bebê infeliz também. Não é exatamente o que eles chamarim de diversão. Estou prestes e fazer a ligação e cancelar quando ouço um carro se aproximando. Claro, logo hoje alguém tinha que chegar mais cedo. Knox chora e eu gentilmente balanço ele e dou suaves tapinhas na sua bunda. — Shhh, papai tem você, amigo. Não sei o que está errado. Sinto muito. Eu desejaria que você pudesse me dizer o que precisa. Falhei com você, estou tão malditamente arrependido. - Em vez disso o acalmar, ele chora ainda mais. E começo a andar de um lado para o outro de novo, fico surpreso do carpete ainda estar aqui depois de tudo.

Ele continua a chorar.

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— Eiiii, amigo. Tia Reagan está aqui. Você quer dizer um oi?

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— Alguém em casa? — Reagan fala.


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— Hey. - Ela diz chegando do meu lado e coloca a sua mão nas pequenas costas dele. — O que aconteceu, meu amor? - Ela murmura e ele se acalma um pouco. — Há quanto tempo ele está assim? — Ele mal dormiu noite passada, e tem estado assim agitado durante todo o dia. Eu já estava preparado para te chamar e acabar de cancelar. — Por que diabos não me ligou ou para a Mãe? Você sabe que eu podia vir te dar uma mão. — Porque ele é meu! - Grito com ela, o que faz Knox chorar ainda mais. — Shhhh... desculpe o papai, garoto. Shhhh... - Tento acalmá-lo. — Ele é minha responsabilidade. Eu tenho que aprender a lidar com isso, Reagan. O que vou fazer quando você ou a Mãe não estiverem sempre lá para salvar a minha bunda, hein? Essa é a porra da minha vida agora. Tenho que aprender a fazer isso, aprender a lidar quando o meu filho está assim tão agitado. — Dê-me ele. - Ela abre os braços. Eu amaria fazer isso, só um momento para descansar os meus braços, mas sou teimoso como o inferno. — Ridge, dê-me ele. - Ela está ficando puta agora. — Não. Eu dou o meu jeito. Só ligue para os caras e avise que não posso sair hoje à noite. – Afasto-me dela e é quando eu as vejo. Kendall e Dawn estão paradas na porta, observando a cena. Perfeito.

— Hey, você pode nos dar um minuto?

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ajudando. Kendall entrega a bolsa que está segurando para Dawn e se vira para Reagan.

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Knox ainda chora. Eu balanço ele, dou batidinhas na sua bunda, mas não está


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— Boa merda de sorte pra você. - Ela pisa duro para longe e pega uma sacola. Ela passa voando por Dawn, pegam tudo e vão para a cozinha. — Pode contar com isso. - Ela tira a minha mão das costas dele e coloca a sua e começa a fazer movimentos em círculos. — Ele está dizendo que você está tenso. Ele pode sentir isso. Os bebês são inteligentes, e ele está assim chateado por causa disso. - Ela diz em voz baixa, num tom calmante. — Eu não sei. Ele tem ficado agitado o dia inteiro, e até mesmo na noite passada. Não dormiu nada bem. — Yeah. - Ela murmura. E começo a relaxar com a sua voz. — Você está exausto e ele sente isso. - Ela dá um passo para mais perto e coloca a sua mão nas minhas costas e começa a massagear suavemente também. Eu posso literalmente sentir a tensão derreter com o seu toque suave. — Senti a sua falta. - Sussurro no seu ouvido. Ela ri baixinho. — Eu estava me perguntando porque não ouvi de você, pensei que talvez mudou de ideia. — Nunca. Eu só não sei como lidar com isso. — Concordo com você. - Ela diz, surpreendendo-me. — No entanto, é preciso lembrar que um dos pais precisa de ajuda e precisa de uma pausa de vez em quando. Você não tem que fazer isso sozinho, Ridge. Você poderia ter chamado Reagan, sua mãe... Inferno, você podia ter me chamado. — Quase fiz isso. - Eu confesso. — Eu só não queria que você pensasse que era só por

— Eu sei disso. Posso segurar ele? - Ela pergunta.

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porque quero você.

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causa disso. Que eu só estava assim por você para ajudar com o meu filho. Estou fazendo isso


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Concordo com a cabeça e o transfiro para os seus braços. — Shhh, homenzinho, está tudo okay. Papai está muito cansado. Ele precisa de um pouco de sono e acho que você também. - Ela murmura para ele e instantaneamente começa a se acalmar. Ela me enfeitiçou também, filho. — Meu próprio filho me odeia. — Hey. - Ela me repreende com sua voz sussurrante. Se eu não estivesse tão fodidamente cansado agora, eu diria para ela o quanto ficou bonita fazendo isso. — Vocês dois tiveram vinte quatro horas estressantes. Quanto tempo desde que ele comeu? — Eu ia fazer isso a qualquer momento. - Eu devia ter tentando fazer ele comer. Talvez fosse esse o problema, mas já tentei isso tantas vezes hoje. Nada funcionou durante muito tempo, até ela cuidar de tudo. Não posso culpá-lo. — Bom, você precisa subir e tomar um banho. Leve o tempo que precisar. Eu cuido desse carinha. — Kendall, não posso te pedir para fazer isso. — Você não me pediu, Ridge. Eu quero. Você precisa de ajuda e estou okay com isso. Por favor, por mim. Confie em mim, okay? Eu me inclino e pressiono os meus lábios nos seus. Eu precisava. Não existe outra maneira de explicar isso. Foi rápido. Mas o significado por trás disso é nada menos que muito. Tem um “obrigado” e “não sei o que faria sem você” nesse beijo. Claro que a minha irmã se ofereceu para fazer a mesma coisa, mas discutimos, e a minha doce menina fez o movimento certo antes mesmo de saber o que me atingiu. Isso é o que ela tem feito desde o momento que

me no chuveiro, mesmo sabendo que um banho quente era tudo o que precisava, mas a

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— Obrigado. - Murmuro perto da sua orelha antes de ir para o andar de cima. Apresso-

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a conheci.


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necessidade de estar perto dela supera isso. O fato de estar lá embaixo, na minha casa, cuidando do meu filho... sim, eu tomo o banho mais rápido da história da humanidade. Independentemente do quão rápido ele é, sinto-me renascido, mas isso deve ser apenas por Kendall. Estou no primeiro degrau quando ouço Reagan. — Como fez isso? - Ela pergunta a Kendall. E paro para ouvir. — Ele está estressado, Reagan. Ele só precisava de alguém para dizer que não é nada demais receber ajuda. Ele precisa confiar em nós. “Nós”. Não “você”. Não “seus pais”. Minha doce menina. — Isso era o que eu estava tentando fazer. - Reagan diz exasperada. Kendall ri baixinho. — Talvez. Mas você ficou puta quando ele não fez o que você quis. — Ele só quer a sua calcinha. - Dawn brinca. — Talvez, mas ele também precisa de apoio. Já ouvi o suficiente. Ando pelo último degrau e passo pelo pequeno corredor e na sala de estar. — Hey. - Digo apenas para Kendall. Ela é tudo que vejo. Segurando o meu filho. Que agora está dormindo feliz nos seus braços. — Hey, esse foi o banho mais rápido de todos os tempos. - Ela sorri para mim.

— Yeah, não queria perder nada disso. - Digo sinceramente. Ela corre o dedo pela mão de Knox, que segura o seu dedo firmemente.

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ouvido.

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Eu vou para o lugar ao seu lado e me sento, e levo meus lábios para perto do seu


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— Perder o quê? - Pergunta, assistindo o meu filho dormindo nos seus braços. Não êxito em falar, mas só para ela. — Você, doce menina. Não quero perder você, aqui na minha casa, onde posso estar perto de você. Você faz tudo ficar melhor. Ela puxa uma respiração. Eu consegui chocá-la. Bom, isso é o que sinto desde o momento que a encontrei, como se estivesse chocado. E o único bálsamo era estar perto dela, falar com ela. Inferno, uma simples mensagem dela muda o resultado do meu dia inteiro. — Ridge. - Reagan diz suavemente, e posso sentir o pedido de desculpas na sua voz. — Sinto muito, irmã. — O que posso fazer? - Pergunta. — Não tenho nada pronto. Tem algumas bebidas na geladeira, mas é só isso. — Nós temos isso. - Dawn se levanta e vai para a cozinha. Reagan sorri na nossa direção e a segue. — Os caras vão estar aqui em breve. - Falo para Kendall. — Hey. — Reagan fala da cozinha. - Eu disse para os caras só virem depois das oito e meia. Gravei as preliminares, já que sempre tem mais comerciais de qualquer maneira. - Ela me informa. Kendall sorri.

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— Eu não consigo.

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— Vamos tirar uma soneca, papai. Eu cuido desse carinha. Venha comigo.


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— Ridge, você consegue e você vai. Vou estar bem aqui. Prometo que se precisar de você vou te acordar. Vá descansar um pouco. Você vai precisar disso para cuidar dele quando não estivermos aqui. Estendo a minha mão e suavemente tiro o cabelo dos seus olhos. Eu podia olhá-la durante horas, perdendo-me nessas profundezes azuis. Mas não tenho horas hoje, de qualquer maneira. Em vez disso, inclino-me e pressiono meus lábios nos dela. — Obrigado. Vou para trás e vejo como ela lambe os lábios. — Vá descansar, Sr. Beckett. - Ela aponta para o teto. Dou uma risada. — Eu vou. – Inclino-me e dou mais um rápido, casto beijo e me levanto lentamente. Ela não me afasta, e continuo roubando beijos até ela sair. Três vezes. Três vezes que tive seus lábios macios contra os meus, e já fiquei viciado. Acordo rindo e sento-me, assustado. Então eu me lembro, eu tenho companhia. Espiando com por cima do despertador vejo que falta dois minutos para as nove. Esfrego as minhas mãos no rosto antes de saltar para fora da cama, eu tenho um filho para cuidar, e Kendall. Ela está aqui. Eu vou dormir mais tarde.

— Bela adormecida. -Tyler entra na conversa. — Sente-se melhor? - Kendall pergunta.

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sorriso, que faz todos rirem.

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— Hey, princesa. - Seth me cumprimenta quando entro na sala de estar. Lanço um


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— Yeah. - Ando na sua direção, parando ao seu lado. — Você ficou com ele todo esse tempo? — Praticamente. - Reagan faz beicinho, e me viro para olhar. Ela está sentada no sofá de dois lugares com Tyler, enquanto Dawn, Mark e Kent estão no sofá maior. Seth numa cadeira e Kendall em outra. — Hey! - Kendall finge estar ofendida, mas posso dizer pelo olhar em seu rosto que não está nem um pouco. — Ela tem o jeitinho. - Mark diz, dando um tapinha no joelho de Reagan, como se a consolasse. — Jeitinho? - Pergunto confuso. — Yeah, ele ficou no meu colo, mas começou a se agitar, então dei ele para Reagan. Dawn explica. — Exceto que não era ela que ele queria. - Tyler acrescenta. — O carinha continuou se mexendo até que Kendall convenceu Reagan a deixá-la pegar e ele se acalmou. — Cara, assim que ela o pegou, ele parou. Apenas parou, como se fosse ela que queria o tempo todo. — Como se estivesse tentando dizer isso o tempo todo. - Seth acrescenta. — Isso foi realmente estranho, então fizemos de novo para ver. Ele gritou com as duas, mas parou quando Kendall o pegou. - Concluiu Kent.

Ela encolhe os ombros.

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— Isso é sério?

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Eu olho para Kendall.


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— Os bebês podem sentir a tensão. - Ela diz, como se fosse isso que explicasse o meu filho ter se apegado a ela. Curvo-me e sussurro no seu ouvido. — Pode vir comigo um minuto? - Ela parece confusa, mas faz o que digo, ainda com o meu filho nos braços. Uma vez que fica em pé, eu me sento no seu lugar. — Hey - Reagan começa a defendê-la quando puxo Kendall suavemente para o meu colo, que endurece com o contato. — Eu tenho você, doce menina. Vocês dois. - Eu digo passando meus dedos na cabeça do meu filho enquanto com a outra mão faço movimentos em círculos nas suas costas. Depois de dois minutos, ela já está relaxando contra mim e não consigo esconder o sorriso no meu rosto. — Isso é... novo. Reagan diz também sorrindo. — É sério? - Pergunta a minha irmãzinha super protetora. Sei malditamente bem porque está falando isso. — Sim. - Digo a ela. — Não tem espaço para negociação. Eu só não entendo isso, a atração que ela exerce sobre mim, mas não vou lutar com essa merda. Se você a encontrar, a segure com força. Isso foi o que o meu pai sempre disse.

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Eu a encontrei, e não vou deixar ela ir embora.


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CAPITULO VINTE E OITO

KENDALL Eu deveria sair do colo dele e mandar ele pro inferno. Eu deveria dizer a ele que ele não tem o direito de tomar decisões por mim – por nós, ao que parece – sem me consultar primeiro. Eu deveria ter feito tudo isso, mas não fiz. Ao invés disso, eu simplesmente fico sentada aqui no colo dele e me derreto em cima dele. Eu disse pra mim mesma que eu queria ver até onde isso iria dar, mas tinha que ser pra valer? Eu penso em como me sinto quando estou com ele. Como me sinto no momento que ele me reivindica abertamente. É, isso é pra valer mesmo. Pelo menos minha reação com ele é essa. Seus amigos assim como Reagan e Dawn parecem aceitar sua resposta única “sim” e desencanam. Os rapazes estão conversando sobre a luta que vai começar, inclusive Ridge. Dawn e Reagan estão conversando sobre irem para o parque de diversões amanhã. — Kendall? - Dawn ri. Ela me conhece muito bem. — Não, não estou com vontade. — Qual é, Kendall, vai ser bom pra caramba. - Reagan diz. — Para mim não. Morro de medo de altura.

— Eu falei pro meu pai que vou ajudá-lo a terminar o deck amanhã. - Seth recusa.

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Ele dá de ombros. — Claro, estou dentro. E vocês cambada?

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— E você? - Reagan pergunta a Tyler.


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— Kent? - Tyler pergunta. — Estou fora cara. Planejo dormir a porra do dia inteiro. — Mark? - Dawn pergunta. Consigo ver como ela quer que ele diga sim. Tenho certeza de que os outros são indiferentes, mas eu conheço minha melhor amiga. — Claro, vai ser legal. — Ridge? - Reagan pergunta. — Já temos planos. - Ele diz, me forçando a relaxar em cima dele. Eu estava sentada quase do lado dele, com minhas pernas repousando cruzadas no colo dele, e Knox ainda adormecido nos meus braços. — Temos? - eu sussurro. Ele prende uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. — Sim, quero passar o dia todo com você. - Ele me dá um sorriso tímido. — Vou levar o Knox conosco. Não posso deixar que minha mãe cuide dele também nos finais de semana, ela cuida dele a semana toda. Ele parece se desculpar. Coloco minha mão na bochecha dele, pra ter a atenção completa dele. — Ele é parte de você, Ridge. É um pacote completo, e pra mim está tudo bem. Ele fecha seus olhos e seus lábios encontram minha testa, depositando ali um beijo terno. Eu solto minha mão e me inclino sobre ele, e ficamos sentados assim pela próxima hora. Suas mãos esfregam círculos carinhosos nas minhas pernas, que estão apoiadas no seu colo.

— Eu te ajudo. - Dawn a segue.

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— Sim, vou por a mesa. - Reagan fica de pé e vai em direção a cozinha.

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— A comida já está pronta? - Tyler pergunta.


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Eu também fico de pé, e sem pensar, beijo Knox na sua bochechinha. — Aqui, papai, vou ajudá-las também. - Eu coloco Knox gentilmente nos braços de Ridge. Suas mãos deslizam na minha nuca e ele me puxa para mais perto dele. Seus lábios tocam os meus, mesmo que brevemente, e depois ele me solta. Posso sentir os rapazes olhando para mim enquanto sigo em direção à cozinha, e me pergunto o que eles pensam de tudo isso. De Ridge e eu, o jeito que ele age comigo? Não quero ficar muito tempo em cima desse muro e quero esclarecer isso porque assim que chego na cozinha, Dawn e Reagan já estão em cima de mim. — Puta merda, meu irmão acabou de te reivindicar. - Reagan bate palmas bem alto. — O que? Não, ele... - Bem, merda, ele fez isso sim, e eu não tenho como negar. — Aquilo foi tão sexy. - Dawn completa. — Quero dizer, ele é meu irmão, então também existe o fator nojinho de minha parte, mas, porra, se fosse o Tyler... - ela baixa o volume da sua voz. — Sexy pra caralho. - Ela abana o rosto com as mãos. — Quando que isso aconteceu? Como pôde não contar pra mim? - Dawn pergunta. — Simplesmente aconteceu. — O que? - ela pergunta, confusa. — Você viu isso acontecer. - Não pude fazer nada a não ser sorrir quando vejo a compreensão no seu rosto. — Andamos conversando e ele me disse que está interessado em

— Sim. Eu só consigo pensar nele. Eu sempre olho no meu celular pra ver se tem ligações e/ou mensagens dele. Acho que vale a pena ver até onde isso vai dar. Eu só...

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— É isso mesmo o que você quer? - Reagan pergunta pra mim.

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mim, mas isso... simplesmente aconteceu. Ele tornou isso oficial. - Eu dou de ombros.


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— Você só o que? - ela repete quando não digo mais nada. — Eu não quero ser o consolo dele. - Eu confesso. — Do que você está falando? - a expressão na cara dela demonstra que ela está mesmo confusa. — Ele acabou de perdê-la, a mãe do Knox, e agora... está muito recente. — Merda, eu pensei que era sobre isso que vocês andaram conversando. — Conversamos sim, bastante, durante o dia, mesmo que seja por mensagem. — Você já perguntou pra ele sobre isso? — Sim, mas ele disse que queria conversar sobre isso pessoalmente, e apenas não tivemos uma oportunidade pra isso. — Você permite que ele deixe claro que o que tem entre vocês é sério antes mesmo que você saiba de tudo. - Dawn pondera. — Sim, eu só... queria ver de verdade até onde isso iria dar. Acho que estou querendo que meu coração partido descubra. — Isso não vai acontecer. - a voz profunda dele fala atrás de mim. Merda! Lentamente eu me viro para encará-lo. Ele fica parado atrás de mim e prende seus braços em volta do meu corpo, seus braços enormes se engolfam no melhor dos abraços que eu

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— Nos deem uns minutinhos. - Ele fala pra Dawn e sua irmã.

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já recebi na vida. Seu queixo descansa no topo da minha cabeça.


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Eu não quero me afastar para ver se elas atenderam o pedido dele. Ao invés disso, eu agarro a parte de trás da sua camisa e me entretenho por estar em seus braços. É quase como se tivéssemos medo de que um de nós desaparecesse. — Precisamos conversar sobre isso. - ele finalmente fala Desta vez, eu me afasto. — Onde está o Knox? - eu pergunto. Ele ri. — Tyler está com ele, embora eu apostasse que minha irmã já o roubou dele nesse momento. Preciso que você dê uma volta comigo. Você faria isso por mim? — Ridge, você tem convidados. - Tento protestar. Não espero que ele os deixe aqui sozinhos na casa dele quando ele já tem companhia só para pacificar suas preocupações. — Não ligo. Eles já sabem tudo sobre nós. — Podemos conversar sobre isso amanhã. — Não, agora. Não quero perder mais um segundo com você pensando que você não é o que quero ou que não estou pronto pra dar tudo de mim pra você. — Pra onde vamos? - eu cedo. — É só uma volta. Eu tenho um pequeno lago na parte de trás com um mirante. Podemos ir até lá. — Tudo bem. Ele beija o topo da minha cabeça, enlaça seus dedos nos meus e nos guia de volta para a sala de estar. Somos surpreendidos quando vemos que Tyler ainda está com o Knox no colo.

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— Ei, vocês podem ficar de olho em tudo por um tempo? Vamos dar uma volta.

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Reagan sussurra algo sobre sussurros infantis e eu rio. Não dá para segurar.


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Reagan e Dawn devem ter dado a dica para os rapazes, porque eles nem sequer nos olham quando todos eles tranqüilizam Ridge de que o carinha estava em boas mãos. Ele assente em agradecimento, pega a manta que está no encosto do sofá e nos guia pela sala de jantar em direção a porta do pátio. — Cuidado onde pisa. - Ele me alerta enquanto fazemos nosso caminho pela trilha que leva ao deck. — É muito íngreme. - Eu digo agarrando a mão dele como se minha vida dependesse disso. Pra piorar a situação, o orvalho acumulado ajuda o solo a ficar mais escorregadio. — Pois é, isso é algo que preciso mudar por causa do carinha. Provavelmente vou fazer outro nível pro deck ou algo parecido. — Você tem tempo pra fazer essas coisas mais pra frente. - Ele se preocupa tanto. — É verdade. - Ele concorda, puxando-me de encontro ao peito dele e me prendendo com seus braços. — Uau. Isso aqui é muito legal. — Obrigado. Em parte, esse foi o motivo de ter comprado este lugar. Eu queria uma área cultivável, e os caras e eu, gostamos de pescar e beber cerveja. Isso aqui torna tudo isso muito mais fácil quando você pode voltar depois pra casa andando. — Aposto que sim. O silêncio da noite toma conta, mas não é desconfortável. Na verdade, está até gostoso, até mesmo entretido. Quando finalmente chegamos ao lago, Ridge me leva até a doca

ele nos envolve com ele. — Melhor? - ele pergunta.

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Ele toma assento no banco pré-fabricado e me puxa pro seu colo. Pegando o cobertor,

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até que chegamos ao mirante que fica bem no final.


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— Sim. Ele enterra seu rosto no meu pescoço e me abraça mais apertado. Eu não falo nada, não tenho certeza do que estou prestes a ouvir. — Eu não estou exatamente animado por dividir isso com você. Não que eu esteja envergonhado, mas não queria que você pensasse diferente de mim. Eu não digo nada, apenas repouso minha cabeça no ombro dele e espero que ele continue. — Há um pouco menos de um ano, o pessoal e eu tínhamos um trabalho fora da cidade. Era uma pequena rotina: ficávamos fora da cidade durante a semana e nos finais de semana voltávamos para casa. Começamos a freqüentar um bar das redondezas. Era basicamente um buraco no meio do nada. - Ele ri. — Enfim, era um lugar perfeito pra comermos alguma coisa e bebermos umas cervejas geladas depois de um longo dia de trabalho. Eu escuto cada palavra, esperando pela parte da qual ele não estava animado em me contar sair da sua boca. — Enfim, na nossa última noite na cidade, demos uma parada lá pra tomarmos umas cervejas. E foi lá que eu a conheci – Melissa, a mãe do Knox. Ele para, juntando seus pensamentos. Eu permaneço em silêncio. — Ela era linda e bebia sozinha. Ela parecia triste, então quando fui até o bar e pedi outra rodada, eu a convidei pra se juntar a nós. - Ele limpa a garganta. — Ela era legal de ficar por perto. Uma coisa levou a outra e ela me convidou pra ir até o quarto dela.

cabeça no ombro dele mais uma vez.

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carinhoso no pescoço dele e depois volto para a posição que eu estava repousando minha

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Eu o sinto ficar tenso com suas palavras. Eu ergo minha cabeça, deposito um beijo


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Ele me aperta mais ainda. — Usamos proteção, disso eu tenho certeza. Até mesmo a Melissa me confirmou isso na carta dela. — Carta? - Finalmente quebro meu silêncio. — Pois é. Entende, ela saiu de fininho do seu próprio quarto no meio da noite. Quando eu acordei no dia seguinte, ela já tinha ido.

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Minha mente remonta para onde eu acho que ela tinha ido e meu coração dói por ele.


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CAPITULO VINTE E NOVE

RIDGE Porra! Eu odeio contar essa história, mas ela precisa ouvir. Eu preciso que ela entenda que eu não sou algum idiota insensível que está seguindo em frente como se nada tivesse acontecido com o amor de sua vida. Eu odeio pensar em como ela vai me ver depois disso. Quando ela souber que o meu caso de uma noite resultou em meu filho. — Sim, então, a noite em que parei para ajudar Dawn com seu pneu furado, eu também passei por um acidente. Um carro tinha deslizado sobre o aterro. A motorista ficou presa, então liguei para a emergência e fiquei com ela até que eles chegassem. Uma vez que a tinham libertado do carro, algo em meu instinto me disse que eu precisava que ela ficasse bem. Segui a ambulância para o hospital. Claro, eles não podiam e não iriam me dizer nada; inferno, eu nem sequer sabia o nome dela. Isso até que meu celular tocou. — Quem era? - Ela pergunta em voz baixa. — O hospital. - Fecho os olhos e me lembro daquele dia, há apenas um mês. A chamada que abalou o meu núcleo e mudou a minha vida para sempre. — O hospital? – Ela pergunta, confusa. — Sim, eles estavam me chamando para me deixar saber que eu estava listado como o parente mais próximo de uma Melissa Knox, e que ela estava no hospital.

eu poderia lembrar era uma de um bar vários meses antes. Eu já estava na sala de emergência, então eu lhes disse que estaria lá. Eles me levaram para vê-la e era ela, a menina do acidente.

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— Quebrei minha cabeça procurando por uma Melissa Knox, mas a única Melissa que

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— Knox. – Sussurra.


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— Oh, Ridge. — Segurei ela. Foi apenas no mês passado, mas parece como se uma vida inteira se passou desde então. — Eles encontraram uma carta dela com o meu nome em seus pertences. Ela basicamente disse que eu era o pai e que ela estava a caminho para me ver. Que, se ela se acovardasse, ela iria enviar a carta, porque ela pensou que eu merecia saber que eu seria pai. — Eu sinto muito. Diz ela, pegando a minha mão e segurando-a contra o peito. — Eles tiveram que fazer o parto enquanto ela ainda estava em coma. Um teste de paternidade foi feito para que eu pudesse constar na certidão de nascimento. — Ela... Foi no parto? - Pergunta ela, com a voz cheia de emoção. — Não. Na verdade, ela acordou, conseguiu segurá-lo. Eu até tirei algumas fotos. Ela estava realmente cansada, então eu lhe disse para descansar um pouco, que eu levaria Knox de volta para o berçário. — Sinto muito. - Diz novamente. Desta vez, eu sinto as lágrimas silenciosas se infiltrar na minha camisa. — Eu levei Knox, que chamavam de “Bebê Knox”, porque não o tínhamos nomeado ainda. Tentei levá-los a mudar para Bebê Beckett, mas os resultados não estavam prontos ainda, então eu tive que esperar. De qualquer maneira, fui para a lanchonete para comer, desde que eu estava de vigília para ambos. Quando eu voltei ao berçário para verificar Knox, os médicos e enfermeiros estavam de pé ao redor, e eu poderia dizer que algo estava errado. Fiquei bravo, pensando que era porque ele era prematuro. Eles disseram que ele estava bem,

meu pescoço, onde ela se enterrou perto de mim.

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— Oh, não. - Murmura, com a voz quase inaudível. Posso sentir o estrondo contra o

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mas minhas emoções obtiveram o melhor de mim. Só que não foi Knox, foi Melissa.


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— Aneurisma. Kendall senta-se e eu a aperto com força, não querendo deixá-la ir. — Eu não vou sair. - Ela me assegura. Em vez disso, ela atravessa meu colo. Pego o cobertor e envolvo-o em torno de seus ombros, e ela me surpreende quando me abraça. Meus braços a circundam e seguro firme, esmagando-a em mim. Estou sobrecarregado com emoções - tristeza por Knox, por Melissa, pelo fato de que eles nunca vão conhecer um ao outro. Medo, por mim e por Knox, que eu não posso ser pai e mãe e dar-lhe o que ele precisa. E algo mais, algo que eu não estou disposto a nomear, que está embrulhada, sentada no meu colo. Tudo o que eu sinto por ela é... inesperado, mas é real. Estou certo sobre isso. Não é um sentimento que eu já tive, e isso também é assustador como o inferno. Ela finalmente se afasta, seus olhos azuis me observando. Há algo assustadoramente familiar sobre eles, mas eu sei que é apenas ela. Apenas Kendall. É a força que ela tem em mim. — Então você vê, menina doce, você não é um consolo. Você é muito mais. É novo para mim, mas eu não estou correndo disso. Quero que você esteja na minha vida, mas como você disse anteriormente, é um pacote e eu tenho que pensar em meu filho. Não posso deixá-lo crescer ligado a você, embora, ele já possa estar. – Rio nervosamente. — Preciso saber que você está nessa comigo. É rápido e não faz qualquer sentido, mas eu aprendi que a vida é muito curta e você precisa aprender a lidar com as mudanças que jogam em você. Ela fica quieta por um tempo, apenas olhando por cima do meu ombro para o lago. — Eu não sei como dar menos que tudo, Ridge. Foi o que aconteceu com o meu ex. Coloquei tudo o que sou em nosso relacionamento e ele me quebrou. Não apenas por causa das

— Kendall, eu...

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colocar novamente na situação de me machucar desse jeito de novo.

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drogas e a raiva, mas meu coração. Ele o esmagou, esmagou-me. Eu jurei que nunca iria me


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Ela coloca os dedos nos meus lábios, parando-me. — Eu estava com ele por um ano antes das coisas começarem a ficar ruins, e dois anos ao todo. Mesmo quando os tempos eram bons com a gente, eu nunca senti por ele o que eu sinto por você apenas neste curto período de tempo. Eu sei que não serei capaz de me recuperar de você, Ridge Beckett. Bem, foda-me. Kendall Dawson, minha doce menina. Ela me desarma. — Pule, baby. Pule e deixe-me pegar você. Eu não posso explicar isso. Não há palavras para explicar isso, ou como eu me sinto. Só sei que eu nunca, nunca iria machucá-la. Eu sei que eu quero ouvir a sua voz a cada dia. Sei que uma simples mensagem de texto sua muda o resultado do meu dia. Eu sei que eu já provei seus doces lábios quatro vezes, e isso não é o suficiente. – Inclinando-me, eu a beijo. Desta vez, traço seus lábios com a língua, persuadindo-a a abrir para mim, e ela faz. Não perco tempo, deslizando minha língua por seus lábios e provando-a verdadeiramente pela primeira vez. Fodidamente viciante. Embalo o rosto dela em minhas mãos, as mãos dela descansam sobre o meu enquanto nos perdemos um no outro. Começa lento e fácil, mas de repente isso não é suficiente. Minha língua batalha com a dela, e eu luto para provar mais dela. Ela geme no fundo de sua garganta, e isso me deixa em chamas. Belisco seu lábio inferior e acalmo com a minha língua antes de mergulhar de volta para dentro. As mãos dela caem do meu rosto para agarrar meus ombros, puxando-me para ela como se ela não conseguisse chegar perto o suficiente.

de mim. Minhas mãos caem em sua cintura, o meu aperto aumenta quando a ajudo a encontrar um ritmo que vai nos deixar loucos de necessidade.

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Ela agita seus quadris contra mim, e esse simples ato por si só acende um fogo dentro

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Conheço o sentimento.


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— Ridge. – Ela implora. — Eu tenho você, doce menina. - Minhas mãos deslizam para baixo em sua bunda, segurando cada bochecha, não quebrando o ritmo que nós criamos. Meus lábios trilham através do pescoço dela, beliscando, chupando e lambendo, deixando-a louca. Quem estou enganando? Estou me deixando louco. Ela é tão malditamente receptiva. — Por favor, não. - Ela suspira. — Não vou, querida. Não vou parar até eu ver você se desfazer. - Digo, lendo a mente dela. — Por favor. — Abra os olhos, Kendall. Deixe-me ver esse azul bebê. Seus olhos se abrem e travam nos meus. — Eu quero que você venha para mim, menina doce. Quero olhar em seus olhos e ver você desmoronar. - Sua cabeça cai para trás, quebrando o contato visual, mas o gemido que cai dos lábios dela me diz que ela está perdendo o controle. Para mim, por minha causa, esta bela criatura está a perder suas inibições. — Ridge! - Ela grita no ar da noite. Envolvendo minha mão em torno do pescoço dela, puxo-a para mim e bato meus lábios nos dela. Ela se afasta muito antes que eu esteja pronto para parar e enterra o rosto no meu

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— Não posso acreditar que fiz isso.

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pescoço.


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Levanto os meus quadris para minha ereção dura como pedra mostrando a ela exatamente o que eu penso sobre o que nós fizemos. Não ela – nós. Ela chega para o cós da calça, mas eu coloco minha mão sobre a dela para impedi-la. Ela se senta para trás, colocando a bunda dela bem contra o meu pau. — Eu quero. Não é justo para você. Eu rio. — Eu consegui o que queria, o que eu precisava. Consegui fazer você perder o controle. — Ridge. – Diz ela, hesitante. — É melhor voltar. Eles vão pensar que fugimos. — Não sem Knox. – Diz ela, e meu coração salta em sua admissão. Ele é uma parte de mim, e ela aceita isso. Beijo-a de novo rapidamente antes de ajudá-la a sair do meu colo. Ela envolve o braço em volta da minha cintura e fica ao meu lado, enquanto caminhamos de volta para casa. No interior, os caras estão com o som da TV baixo. Dawn está dormindo, com a cabeça no ombro de Mark. Seth e Kent têm os olhos colados à luta, enquanto Reagan e Tyler estão conversando com o que soa um Knox prestes a ficar chateado. — Ele está com fome. - Anuncio, alertando-os de que estamos de volta. — Eu estava me preparando para fazer-lhe uma mamadeira. - Diz Reagan.

jantar. – Levo-o para a cozinha comigo, fazendo sua mamadeira com uma mão como eu aprendi a fazer ao longo das últimas semanas.

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Hey, cara, está com fome? - Ele acalma ao ouvir o som da minha voz. — Vamos fazer-lhe o

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— Eu faço. - Beijo Kendall na testa, em seguida, pego o meu filho da minha irmã. —


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Ele choraminga lamentavelmente. — Eu sei, homenzinho. Está quase pronto. Assim que a mamadeira está pronta, volto para a sala de estar. — Eu só vou levá-lo para cima e alimentá-lo. Estarei de volta quando eu conseguir nocauteá-lo. — Você precisa de ajuda? - Pergunta Kendall. — Não, querida. Deixa comigo. Você não comeu. Cuide-se, e eu vou descer daqui a

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pouco. - Pisco para ela e subo para arrumar o meu filho para a noite.


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CAPITULO TRINTA E UM

KENDALL Eu relaxo na cadeira que Ridge e eu dividimos mais cedo e ficamos olhando pra tela. Não estou nem um pouco interessada no que está passando; ao invés disso, minha mente ainda processa o que acabou de acontecer. Como deixei me levar assim? — Kendall, - Reagan diz, chamando minha atenção. — Você não vai comer? — Vou, só estou esperando pelo Ridge. Minha resposta faz ela sorrir, e eu sinto meu rosto ficar corado. Pergunto-me se ela pode dizer ao irmão dela que ele acabou de sacudir meu mundo nos fundos da casa dele. Assim que minha mente começa a divagar de novo, ouvimos o chiado do monitor assim que o Ridge entra no quarto do Knox. Procuro em torno da sala, eu acho o receptor em cima da mesinha de centro próximo da TV. — Está melhor, carinha? Você parece que está de bom humor hoje. - Ridge diz pro Knox. Reagan ri, assim como o resto de nós. Ele se dá muito bem com ele. Eu acho que ele nem tenha sacado isso ainda. — Papai também está indo muito bem, mas você já sabia disso, não é? Acho que a Kendall jogou seus encantos em você assim como ela fez com seu velho.

desligo de tudo exceto do som da sua voz.

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momento particular entre ele e seu filho – mas não consigo me mover. Ao invés disso, eu me

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Eu arregalo os olhos pro monitor. Eu deveria ir até ele e desligá-lo – esse é um


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— Nós somos sortudos, Knox. Ela quer a nós dois. Ah, você gostou da ideia né? Olha esse sorrisinho. - Knox balbucia pra ele. — Com certeza você é novo demais pra ter essa conversa, mas meu pai uma vez me disse pra confiar no seu instinto quando encontrar a pessoa certa e não deixá-la ir. Neste caso, ela não é só minha – ela é nossa. Nós encontramos nossa pessoa certa. Todos nós os escutamos, então eu levanto pra desligar o receptor. Assim que pego o monitor, ele diz algo que deixam meus olhos marejados. — Acho que sua mãe aprovaria. Ela sempre quis o melhor pra você, que você se sentisse amado e que soubesse que é amado. Eu te amo, carinha, e a Kendall... bom, ela é importante pra mim, e espero que não importe no que isso resulte. Acho que isso deixaria sua mãe feliz. Eu sei, isso me deixaria feliz. O que você acha, hein? - Knox balbucia. — Ótimo, fico muito feliz que estejamos na mesma página. Foi bom conversar com você. - Ele ri e eu pego o receptor, desligando-o. Respirando fundo, eu expiro lentamente antes de me virar e encarar a todos na sala. Eu não faço contato visual enquanto caminho direto pra cadeira que Ridge e eu estávamos sentados e foco meu olhar na televisão. — Kendall. - Dawn tenta chamar minha atenção. Claro, ela estaria acordada pra ouvir o que aconteceu. Eu não olho pra ela, só continuo olhando pra TV como se eu não estivesse ouvindo nada. — Ele age diferente quando está com você. - Tyler diz. Sua voz profunda torna

como agir perto dele depois do que acabei de ouvir. Meu coração bate como se pudesse bater fora do peito e tem milhares de borboletas no meu estômago.

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Eu estou tentando processar isso na minha cabeça – como eu vou responder a ele,

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impossível eu continuar ignorando-o.


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— E aí, já comeu? - Ridge me pergunta, sentando no braço da cadeira. Estou tão distraída que nem sequer percebi que ele já tinha voltado. — Não, eu, hã... esperei por você. Ele sorri como um garoto que acabou de ganhar o doce preferido. Ficando de pé, ele estende sua mão pra mim e eu a pego, permitindo que ele me guie até a cozinha. Ridge pega no meu quadril e me ergue para eu sentar no balcão, ficando entre minhas pernas. — Você está bem? - ele envolve meu rosto com uma de suas mãos, mantendo o aperto no meu quadril com a outra mão. — Aham, eu, hã... eu ouvi você. Bom, todos nós ouvimos. - Eu não posso mentir pra ele. Não quero começar as coisas entre nós desse jeito. — Ouviu-me? - ele pergunta, confuso. — O monitor do bebê. Ele estava ligado, e todos nós ouvimos. Ele sorri. — Que bom, agora aqueles filhos da puta que chamo de amigos vão tirar os olhos de cima de você. Espera, como é? — Você não está bravo? E o que quer dizer com ‘tirar os olhos deles de cima de mim’? — Não, amor. Eu não estou bravo. E quero dizer cada palavra que eu disse. Não tenho nada pra esconder. E aqueles quatro babacas ali estavam de olho em você. Eu olho por cima do meu ombro, mas ele nem se mexe. — Fala sério.

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— Reivindicar?

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— Eles estão. Eles me forçaram a te reivindicar. - Ele beija meu pescoço.


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— Pois é, nós temos essa regra de que se um de nós reivindicar algo ou alguém, o resto nem mete o nariz. Eles poderiam te dizer que eu estava interessado, mas hesitante por ser pai solteiro e tudo mais. Um deles – e eu não, não vou te dizer quem é – disse que iria te reivindicar pra ele. Fiquei puto e disse pra todos que você é minha. - Ele dá de ombros. — Quando foi isso? — Semanas atrás, antes mesmo de eu enfiar na minha cabeça que eu te queria. Eu sabia que não queria que ninguém mais a tivesse, só precisei de tempo pra entender que eu poderia ser pai e o que você precisar também. Borboletas – milhares, trilhões de borboletas voam no meu estômago. Agarrando sua camiseta, eu o puxo para mais perto e o beijo. Alguém pigarreia atrás de mim. Ridge se afasta e repousa sua testa no meu ombro. — Preciso pegar o monitor. — Esse aqui? - Reagan ergue o monitor quando entra na cozinha. — Sua garota o desligou, mas assim que você desceu pra se juntar a nós, achei melhor ligá-lo. - Ela sorri. Ele pega o monitor da mão dela e o coloca do meu lado no balcão. — Minha garota não precisava ter feito isso. - ele diz, inclinando-se em mim, encarando-os. Ele cruza os braços. — Você contou pra ele? - Mark pergunta. — Aham, quero dizer, não poderia mentir pra ele. — Cara, você se fode e eu estou chegando junto. - Ele dá um soquinho no braço do

Todo mundo ri e esse se torna o tom da conversa do resto da noite. Nós rimos, conversamos quando as lutas finalmente acabam Ridge me acompanha até o carro da Reagan.

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— Nem fodendo meu camarada. - Ridge dispara de volta.

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Ridge.


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— E aí, amanhã, você não tem nada programado né? - ele pergunta. — Não, que horas? — Agora. Só fica aqui comigo. Podemos dar uma passada na sua casa amanhã pra você se trocar e ficar pronta. — Não essa noite, mas você fala a hora que estarei lá. — Às sete. — Às sete, está bom. Vamos jantar, então? — Às sete da manhã, doce menina. Quero passar o dia com você. — Você está falando sério mesmo? — Se é você que está falando, então sim, oras, estou falando bem sério. Que tal, então, assim que você acordar, você fica pronta e vem pra mim. Quero passar o dia inteiro com você. — Está bem. - Eu acordo cedo. — Manda uma mensagem assim que chegar, pra eu saber que está em segurança. — Ridge, eu vou ficar bem. Entra e vai dormir. Knox vai acordar daqui a pouco. — Não até eu saber que você já chegou em casa. - Ele olha pra Dawn pela janela do carro. — Faça com que ela me ligue ou mande uma mensagem quando chegarem em casa, assim eu não fico preocupado. — Pode deixar. - Dawn sorri como um gato que comeu um canário. Ela é amável por

te verei daqui a algumas horas. Ele sussurra.

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Ele se inclina e me dá um selinho; é rápido, mas é cheio de significado. — Cuide-se. Eu

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causa disso.


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Eu assinto e pulo no banco do carro da Reagan. — Ele é tãããããão mandão. - Ela cantarola. — Ele não é o único. - Dawn acrescenta. Graças as Deus, elas mudaram de assunto e ficaram fazendo planos pra amanhã enquanto eu fico perdida nos meus pensamentos. Vamos passar o dia juntos. Tento duramente esconder minha empolgação. Fiz de tudo pra não aceitar o convite dele e passar a noite na casa dele. Tenho certeza que o pedido dele às sete da manhã será atendido; tenho certeza de que não vou conseguir pregar o olho. O caminho da casa da Reagan até a nossa é repleta de conversa sobre a empolgação da Dawn sobre o encontro dela com o Mark. Estou feliz por ela. Ultimamente ela não tem tido muita sorte com rapazes, e ele parece ser um dos caras legais. Assim que passamos pela porta, eu mando uma mensagem pro Ridge. Ele precisa ir dormir.

Eu: Acabei de passar pela porta Ridge: Tenha certeza de que você a trancou. Eu te vejo daqui a pouco. Eu: Já tranquei. Boa noite.

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Ridge: Bons sonhos.


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CAPITULO TRINTA E UM

RIDGE Talvez duas horas. Essa foi a quantidade de sono que tive ontem à noite. Levei um tempo para finalmente fechar meus olhos e quando o fiz, eram as primeiras horas da manhã. Duas horas mais tarde, o meu homenzinho decidiu que era hora de comer. Eu não estou reclamando, porque ele dormiu durante oito horas. É um recorde, e surpreendente, e só posso esperar que ele continue fazendo isso. Ele foi até às cinco e depois que ele estava de barriga cheia, ele estava pronto para brincar, bem, tanto quanto possível para seus um mês de idade. Ele estava falando de uma tempestade, fazendo todos os tipos de barulhinhos fofos de bebê. Eu admito que sou esse tipo de pai, aquele que faz vários vídeos de seu filho. E tenho tirado centenas de fotos. Preciso investir em uma boa câmera, não apenas o meu telefone celular. Talvez isso seja algo que podemos fazer hoje. Kendall: Estou aqui. Tonto. Essas duas palavras malditas me deixam tonto como um adolescente. São sete horas em ponto e ela está aqui. — Temos companhia, amigo. Kendall vai passar o dia com a gente, e papai está realmente animado sobre isso. Eu: Fique aí. Pego Knox em meus braços e – não vou negar isso – corro para a porta da frente.

cabelo está preso no topo de sua cabeça e ela é a porra de uma visão bonita para os meus olhos cansados.

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a porta, ela está lá de pé, em um simples shorts de ginástica e um moletom com capuz, seu

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Virando a tranca, tomo uma respiração profunda para acalmar meu coração acelerado. Ao abrir


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— Senti sua falta, doce menina. - Digo, apertando minha mão livre ao redor de sua cintura e puxando-a para mim. Beijo sua testa. — Senti a falta de vocês também. - Ela pega a mãozinha de Knox. — Bom dia, fofura. Sente-se melhor hoje? Ele sorri para ela porque, assim como o pai, ele está apaixonado por ela. — Você já tomou café da manhã? - Pergunto a ela. — Na verdade... - Ela levanta um saco para viagem. — Eu passei pelo drive-thru e peguei pra gente uma variedade de sanduíches. Estou exausta. - Ela admite. — Eu também. Levei um tempo para adormecer e, em seguida, esse cara decidiu que estava pronto para esta manhã, por isso estamos de pé há algumas horas. - Digo, cobrindo um bocejo. Relutantemente, libero o meu domínio sobre ela e deixo-a entrar. Fecho a porta e viro a tranca de volta, meu modo de bloquear o mundo externo, hoje o tempo é apenas nosso. Algo que eu estive almejando com ela durante semanas. Encontro-a na cozinha esvaziando os sacos. — Tem leite e suco na geladeira, eu acho. Há também garrafas de água e uma jarra de café. É o que me mantém nos dias de hoje. — Água está ótimo para mim. E você? — Leite, mas eu posso pegar. – Caminho em direção à geladeira. — Ridge, sente-se e deixe-me fazer isso.

— Coma. – Diz ela enquanto coloca um copo de leite na minha frente. Ela faz o mesmo, desembrulha um sanduíche. — Parece que alguém está se rendendo.

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quando ela acabou de chegar.

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Não discuto com ela porque não quero arruinar o dia. Não quero que ela vá embora


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Com certeza, olho para Knox e seus olhos começam a fechar, em seguida, abrem de novo. Ele está lutando, mas ele não está reclamando. Seja lá o que estava incomodando ele deve ter diminuído. Odeio que ele não pode me dizer o que ele precisa. Ela termina seu sanduíche e segura as mãos na direção de Knox. — Você termina, eu pego ele. — Você não tem... - Paro quando ela me dá um olhar de "não discuta comigo”. Em vez disso, transfiro-o dos meus braços para os dela, roubo um beijo rápido, e desembrulho um dos outros sanduíches. — O que você quer fazer hoje? - Pergunto entre mordidas. — Topo qualquer coisa. Vejo enquanto ela gentilmente balança para frente e para trás, batendo em suas pequenas costas. Os olhos dele finalmente se fecham e não abrem mais — Você é uma encantadora de bebês. — Não, eu só amo crianças. Calmamente amasso a embalagem, tomo o último gole do meu leite e me levanto. — Vou deitá-lo. — Eu posso fazer isso. — Concordo, sabendo que quanto menos movimentá-lo, mais provável que ele

Ela me segue até lá e delicadamente coloca-o para baixo. Não parece perturbá-lo.

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— O cercadinho dele está na sala, nós podemos colocá-lo lá.

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continue dormindo.


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— E agora? – Ela me pergunta assim que estou cobrindo um bocejo. — Não importa. Ela pega a minha mão e me leva para o sofá. — Deite-se e consiga mais algumas horas de sono. — Não. - Recuso-me a perder um único segundo do meu tempo com ela hoje. — Ridge, você está exausto. Puxo-a para meu peito com a mão que ela está segurando. — Quero passar o dia com você. - Digo, minha voz baixa. — Estarei aqui. — Não é bom o suficiente. Não vou perder meu tempo com você dormindo. Posso fazer isso depois. — Não, você não pode. Você tem um recém-nascido, Ridge. Você tem que descansar quando ele descansa. Não seja teimoso. Bocejo novamente antes que eu possa sequer responder. Eu sei que ela está certa, mas estou lutando contra isso de qualquer maneira. — E se eu dormir com você? - Ela oferece. Isso muda o jogo. Não respondo, apenas me deito no sofá e bato no espaço na minha frente. Ela balança a cabeça, usando um pequeno sorriso, e toma seu lugar. Eu puxo o cobertor que usamos na noite passada do encosto do sofá e coloco sobre nós. Minha mão descansa em seu quadril e ela usa meu braço como um travesseiro.

— Você parece bem. - Deslizo minha mão em torno dela e a descanso em seu estômago. A camiseta sobre seu moletom desliza, então minha mão toca a pele macia e quente.

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— Você está me deixando com sono. - Diz ela, abafando um bocejo.

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Minha menina, ela é inteligente. Esta é a melhor ideia que ela teve.


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— Você está quente. - Ela relaxa ainda mais em meus braços. — Bons sonhos. – Diz ela, e isso é a última coisa que me lembro antes que o sono me leve.

xxx

Ouço os sons suaves dos barulhinhos de Knox, e eu sei que preciso me levantar. Não é até que ouço a doce voz dela que os meus olhos se abrem. — Shh. Não queremos acordar o papai. Lembra-se do plano? Precisamos deixá-lo dormir enquanto nós podemos. - Knox balbucia um pouco mais para ela. — Eu sei, diga-me sobre isso. - Ela sussurra. — Você tem a sua barriga cheia e agora você está pronto para brincar, hein? Ela é tão malditamente linda. Seu cabelo está confuso e sem um pingo de maquiagem, e vê-la neste momento vai estrelar cada fantasia minha de agora em diante. — Hey. - Digo, minha voz ainda espessa do sono. — Ei, espero que a gente não tenha te acordado? — Não, há quanto tempo ele acordou? — Cerca de uma hora mais ou menos. Ele teve sua mamadeira e uma fralda nova, então ele está pronto para ir. - A maneira como ela sorri para o meu filho acende um fogo dentro de mim por ela aceitar nós dois.

— Merda. Sinto muito, você deveria ter me acordado.

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— Doze e trinta.

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— Que horas são? – Sento-me, esfregando as mãos sobre o meu rosto.


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— Eu tinha acabado de acordar, precisando usar o banheiro, quando este rapaz começou a se mexer. Ele e eu conversamos sobre isso, e decidimos deixá-lo dormir. Levanto e ando até o sofá e me sento ao lado deles. — É assim que é, homenzinho? Você dispensa seu velho pai por uma mulher bonita? Pergunto ao meu filho, estendendo a mão e deixando-o agarrar-se ao meu dedo. — Nós fizemos um acordo. Nós iríamos deixá-lo dormir e, em seguida, quando você acordasse, iríamos fazer beicinho até que você nos levasse ao parque para uma caminhada. — Ah, é mesmo? — Sim. - Ela sopra para fora o lábio inferior em sua melhor cara de beicinho. Isso não faz nada, a não ser querer beijar os lábios cheios e macios dela. — Fazer beicinho não é necessário. Vou levar os dois em qualquer lugar que vocês queiram ir. – Inclino-me e beijo o topo de sua cabeça. — Você se importa de olhá-lo para que eu possa me vestir e escovar os dentes? Eu preciso te beijar. Ela se inclina para baixo para falar com Knox. — Conseguimos essa, hein carinha? - Ele sorri para ela. — Já volto. – Subo as escadas e corro para escovar os dentes. Pego um calção de basquete e uma camiseta e posso dizer que está bom. Minha próxima parada é o quarto de Knox. Pego uma roupa para hoje, algumas fraldas, roupas extras, lencinhos, um cobertor e uma manta extra só para o caso. Enfio tudo em sua bolsa de fraldas e levo para baixo.

— Na verdade, sim, você pode. – Vou até ela. Dois passos largos têm-me em pé na frente dela, pego seu rosto com as duas mãos e trago seus lábios nos meus. — Já faz muito

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— Podemos ajudar? - Ela pergunta, levantando e seguindo-me para a cozinha.

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— Eu só preciso preparar algumas mamadeiras para levar e está tudo pronto.


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tempo desde que eu fiz isso. – Solto-a, ambos estamos sorrindo, e termino de fazer as mamadeiras. — Deixe-me carregar o carro e depois podemos ir. — É isso que você quer que ele vista? O traje para esportes hoje é pijama? - Ela pisca para mim. — Mulher, você me deixa nervoso. Não, há uma roupa para ele na bolsa de fraldas. Algumas roupas, na verdade. Nós tivemos alguns acidentes, então eu quero ter certeza que estou preparado. Ela procura através da bolsa sobre o balcão. Eu vejo quando ela pega uma fralda, lenços, e uma roupa nova. — Eu faço isso. Você termina tudo o que você precisa fazer. Vinte minutos mais tarde, nós estamos prontos e no nosso caminho para o parque.

xxx

— Deixe-me tirar o carrinho de bebê. – Pulo para fora da caminhonete e tiro-o do banco de trás. Agora preciso apenas descobrir como abrir a maldita coisa. Eu ainda estou lutando quando Kendall se junta a mim na parte traseira da caminhonete.

Ela ri, de novo. — É seguro, Ridge. Posso tentar?

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— Como você abre esta coisa? Será que é mesmo seguro?

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— Problemas? – Ela ri.


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Dou um passo para trás e deixo-a tentar. Aparentemente, você tem que ser mais esperto do que o carrinho de criança, porque ela agarra a alça e a próxima coisa que eu sei é que está desdobrado e pronto para usar. — Mas que porra? Como você fez isso? — A alça tem um botão embaixo. Eu apertei ele. — Rá, rá, espertinha. Eu apertei ele também. Ela encolhe os ombros e sorri. — Eu acho que eu só tenho um toque mágico. Bato na bunda dela, usando um sorriso só meu, antes de sair rapidamente para fora do caminho para que ela não tenha a chance de retaliar. Abrindo a porta de trás, Knox estala os olhos abertos com o som. — Ei, cara, você está pronto para o seu passeio? - Ele fecha os olhos novamente, e eu agarro seu assento de carro e levo-o para onde Kendall está de pé com o carrinho. — Ótimo, agora, como funciona essa parte? — Eu acho que é só encaixar dentro. – Ela segura apertado o carrinho enquanto coloco a cadeirinha do carro e, com certeza, ela se encaixa no lugar certo. — Bem, isso foi bastante fácil. Eu só espero que possamos tirá-lo daí. Ela ri.

esquecendo alguma coisa? — Não. Quer que eu tranque a caminhonete?

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— Ok, baby, bolsa de fraldas, chaves, telefone celular. - Olho para Kendall. — Estou

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— Eu vou pegar a bolsa de fraldas.


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— Sim. - Espero por ela para trancar a porta e, em seguida, nós saímos. — Eles têm trilhas em que nós podemos caminhar, se você quiser. – Sugere. Com uma mão no carrinho, eu chego com a outra e a puxo para o meu lado. — O que, vocês dois não tinham essa pequena excursão planejada? - Eu provoco. — Nós estávamos pensando mais em apenas deixar rolar e ver onde o dia nos leva, certo, cara? - Ela olha para Knox. — Eu perdi meu companheiro. — Eu acho que você vai ter que se contentar comigo. – Beijo-a na testa, em seguida,

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libero-a para empurrar o carrinho.


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CAPITULO TRINTA E DOIS

KENDALL O clima está lindo; faz um pouco mais de vinte e um graus hoje, e o sol está brilhando. Eu não sei o que me fez pensar em ir neste parque; acho que eu só queria fazer algo que incluiria o Knox. Eu sei como Ridge se sente por ter que deixá-lo quando está com seus pais durante toda a semana. Olhando para o bebê adormecido, eu percebo que o sol está batendo nos olhos deles. Eu pego o cotovelo do Ridge pra desacelerá-lo. — Ei espera. - Ele para na hora. Eu pego e abro a cobertura do carrinho de bebê em cima do Knox para que o sol não bata mais nele. Quando estou para soltar minhas mãos, Ridge as cobre com as dele. — Você é boa com isso. - ele me diz com uma piscadela. Eu não discuto, deixando minha mão onde está. O cenário que criamos eu tenho certeza absoluta que ela é intima demais, como uma família nova. Meu coração sofre por Melissa, por Ridge e por Knox. — Então, por que ser enfermeira? - ele me pergunta, fazendo com que eu saia do transe. — Sempre quis ajudar as pessoas. E eu amo crianças. Trabalhei num hospital pediátrico antes de mudar de casa. — Você é boa com eles.

segundo antes de me virar pra encará-lo. — E você? Sempre quis tomar conta dos negócios da sua família?

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perto, eu sempre estava implorando pra segurá-los ou brincar com eles. - Eu paro por um

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— Acho que talvez seja porque eu fui filha única. Mesmo com primos pequenos por


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— Sim. Eu cresci idolatrando meu pai. Ele trabalhou muito duro e ainda assim teve tempo para nós três. Eu sabia que eu queria ser exatamente como ele. — E filhos? Você já se viu sendo pai? - eu não sei por que perguntei isso. Não é como se ele tivesse tido essa escolha, mas eu quero filhos. Se isso vai mesmo dar em algum lugar ou dar mais em alguma coisa, essa questão é muito importante pra mim. — Sim, eu me via. Eu confesso que teria primeiro encontrado a pessoa certa, da mesma forma como meu pai me falou como foi com minha mãe. Em qualquer hora do dia, antes mesmo de sair pra trabalhar ou quando chegava em casa, a primeira coisa que ele sempre fazia era beijá-la. - Ele para como se estivesse lembrando, com um sorrisinho despontando nos seus lábios. — Meu pai costumava nos dizer quando éramos crianças que ele sabia no momento que ele a conheceu que ela era seu futuro. Eu também queria isso pra mim. - Ele olha pra mim, desacelerando sua caminhada, curva-se e beija minha têmpora. Estou feliz por ele ter insistido pra que eu me apoiasse nele, caso contrário, já teria virado gosma aos pés dele, bem no meio do caminho do parque. — Meus pais tem uma história parecida com a sua. - Eu digo, uma vez que consegui me recompor. — Eles se conheceram na faculdade, se apaixonaram perdidamente e rápido, e esse amor deles continua forte, mesmo hoje. — Um grande caminho a seguir. - Ele responde. — É verdade... sinceramente, eu já tinha desistido de que eu jamais descobriria o que é sentir isso. - paramos pra sentar em um banco da praça que fica ao lado do pequeno lago. Ele alinha o carrinho do bebê contra o sol pra que não bata nos olhos do bebê e depois se senta próximo a mim. Seu braço repousa em cima dos meus ombros e ele me puxa para mais perto

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— E agora? - ele pergunta com a voz baixa.

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dele ainda.


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— Agora. - Eu paro por um momento para reunir meus pensamentos. — Agora, o sonho de sentir e ter o mesmo amor que eles sentem e tem voltou, dessa vez muito mais forte, eu só... — Só o que? - ele murmura. — Agora eu sei quem eu quero que sinta esse amor comigo. - As palavras saem aos tropeços antes mesmo que eu consiga pará-las. A voz dele, o cheiro dele – ele embaralha meu cérebro. Ele está se tornando real pra mim. Puta merda! Essa é a minha vida de verdade agora? Alcançando minha perna eu me dou um belo beliscão pra ter certeza de que não estou sonhando. — O que você está fazendo? - ele pergunta. Posso ouvir na voz dele que ele acha acabei de ficar louca. — Eu tinha que saber. — Tinha que saber o que, doce menina? Eu olho pra ele e me perco na escuridão dos seus olhos. — Eu tinha que saber que isso é real. Eu tinha que ter certeza de que isso não era criação da minha imaginação. Ele ri. — Não, baby. Eu não sou fruto da sua imaginação. Sou cem por cento real, e eu sou seu. - Ele diz como se não fosse uma pergunta. É sua afirmação final. — O que isso quer dizer exatamente? - Lá vou eu de novo, sem pensar antes de falar. Olho em volta pra ter certeza de que não tem ninguém ouvindo nossa conversa. É só nós três.

desenrolando rápidas demais, confusas e eu...

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— Mas isso significa... o que? Estamos namorando? Ridge, as coisas estão

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— Isso significa exatamente o que eu disse. Eu sou seu. Eu quero isso, e quero você.


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— Estamos mais do que namorando. Você é muito mais do que alguém que eu esteja namorando casualmente. Não me peça para explicar porque eu simplesmente não consigo. Eu só sei que é assim. Tem algo dentro de mim que não sei o que é, que chega a doer só de pensar que nós não fiquemos juntos. Eu creio que nosso destino seja ficarmos juntos pra sempre. — O que eu tenho que dizer agora? Ele me estuda por um longo tempo antes de responder. — Nada. A não ser que concorda comigo. Eu não vou desistir de você tão facilmente e agora que não vou mesmo, de nada que venha e seja sobre você. Meu pai do céu! — Está pronta para comer alguma coisa? Estou faminto. — Sim. Nos preparamos para irmos almoçar. Ridge pega minha mão e engancha na curva do seu braço enquanto ele empurra o carrinho. O caminho de volta é em silêncio, como se tivéssemos tomando nosso tempo pra digerirmos o que acabou de ser dito. — Está legal, como tiramos ele dessa coisa? - ele pergunta com uma expressão preocupada. — Experimenta apertar o botão na alça do carrinho. - Eu sugiro. Na mosca, deu certo. E Ridge consegue soltar o moisés do carrinho. Eu me encarrego de pegar a bolsa e dobro o carrinho assim que ele me alcança do outro lado da caminhonete. — Deixa isso comigo, amor. - Ele toma de mim e coloca tudo sem o menor esforço no banco

colocando a bolsa também no banco de trás.

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— Provavelmente terei que comprar outro carro. Um SUV ou algo do gênero. - Ele diz,

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traseiro.


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— Você poderia ter colocado o carrinho na caçamba da camionete. - Eu digo pra ele. — Pois é, mas e se chover e eu precisar do carrinho e temos um monte de coisa em cima dele? Não podemos usar a caçamba da caminhonete. — Você poderia ter aquelas coberturas pra caçamba de caminhonete. - Eu sugiro. — Eu poderia até ter, mas essa caminhonete eu uso para trabalhar. Mais pra frente vou comprar qualquer outra coisa que não tenha a logomarca ‘Construções Beckett’ nos lados. — Esse é quem você é. — Fazer o quê. - Ele concorda. — Mas também sou pai agora. — Você é um homem bom, Ridge Beckett. Ele pega minha mão e enlaça seus dedos nos meus, permitindo que nossas mãos unidas repousem no meio do console. — Eu quero ser, pra você e por ele. Eu quero ser. Eu não sei o que dizer sobre isso. — Obrigada? - Eu estou ficando rapidamente e perdidamente apaixonada por você. E espero que você esteja lá pra me pegar quando eu cair? Mas mais uma vez eu mantenho minha boca fechada enquanto nos dirigimos para o restaurante que fica na rua debaixo do consultório onde trabalho. — Está bom aqui? - ele pergunta, apontando sua cabeça em direção ao moisés. - É ambiente bem familiar. — Perfeito. - Assim como ele. Este está sendo o melhor dia de todos, e só espero que venham mais dias como esse.

oitenta e oito centímetros de altura, ombros largos, braços pornográficos – como eu e Dawn gostamos de chamá-lo – tatuagens por todo o braço, seu cabelo escuro bagunçado, e aqueles

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dele. Eu fico parada na frente da caminhonete, tentando pra caralho não babar. Um metro e

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Ridge pega o Knox, com cadeirinha e tudo, passando a alça da bolsa por cima do ombro


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olhos escuros que parecem me devorar toda vez que está perto de mim. Quero pegar meu telefone e tirar uma foto dele. Sem mencionar que ele está segurando uma cadeirinha de bebê, e o olhar no seu rosto quando olha pro seu filho, você sabe que o vê com a parte mais incrível da sua vida. Não tem como nenhuma mulher aqui não se derreter neste momento por essa cena. Eu saio desse transe e ando em direção à ele. Ele coloca sua mão na base das minhas costas e me conduz para dentro do restaurante. É uma tarde preguiçosa de domingo, portanto conseguimos encontrar uma mesa no canto. A garçonete está trazendo um daqueles suportes para colocarmos a cadeirinha do Knox. Nós a agradecemos, pedimos nossas bebidas e ela desaparece. — O que vai pedir? - ele pergunta. — Estou com tanta fome que tudo parece gostoso. — Acho que vou pedir um sanduíche gigante com fritas. — Vou pedir um sanduíche de peito de peru com tiras de queijo. Depois de fazermos nossos pedidos, Ridge fuça dentro da bolsa e pega uma fralda e lenços e tira Knox da sua cadeirinha. — Vou trocá-lo. Em menos de um minuto ele volta parecendo frustrado. — Não tem aquela coisa pra trocar bebês no banheiro masculino. — Eles tem no banheiro feminino. Eu faço isso. - Eu fico de pé e estendo a mão pra pegar o bebê.

masculino.

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minha testa e depois volta para a mesa sem reclamar mais por não ter um fraldário no banheiro

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Ridge resmunga, mas passa Knox pra mim junto com a fralda e os lenços. Ele beija


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Quando volto para a mesa, eu devolvo pra ele o lenços que não usei e sento, ainda com Knox no meu colo. Ele é um bebê tão bonzinho, e eu sei que nunca que ele vai admitir, mas é legal ter um descanso de vez em quando. — Eu posso pegá-lo. - Ele começa a ficar de pé. — Não precisa, eu fico com ele. - Eu digo. Então me vem a mente de que talvez ele não queira que eu continue segurando o Knox. — Quero dizer, a menos que você não... — Nem começa. - Ele rosna. — Sempre que quiser, Kendall. Sempre que quiser você pode segurar meu filho. Você não é a porra de uma desconhecida que acabei de conhecer na rua. Ele lê minha mente. — Que bom. A garçonete traz nossos pedidos e eu começo a comer com uma mão. — Eu posso pegá-lo. - Ridge oferece de novo. — Eu sei, mas você come mais rápido do que eu. Você termina e depois você pode dar de mamar a ele enquanto eu como. — Você come primeiro e depois eu dou a mamadeira para ele. — Nem começa, Beckett. Ele resmunga, mas desiste de brigar. — Ora, se isso não é adorável? - Uma loira com pernas compridas pergunta. Na mesma hora Ridge para de comer e olha pra ela.

— Já falei para você que terminamos, agora vá embora.

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— Vejo que conseguiu encontrar uma mamãe substituta pra ele. - Ela atiça.

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— Stephanie. - E ele a cumprimenta friamente.


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— Como assim? Sem nem me apresentar sua pequena substituta? — Ela é a minha namorada. Agora vai embora, Stephanie. - Ele rosna. Ela ri sem graça. — Sério mesmo? Ora, a fila anda rápido com você, não é mesmo? Você sabia que o filho dele é um bastardo? Que ele só quer você pra que ele não tenha que fazer tudo sozinho? É isso mesmo o que você quer? Ridge bate com seu punho na mesa, e tenho certeza de que todos os olhos estão em nós. Eu alcanço sua mão e a pego, imediatamente seus olhos param em mim. Eu sorrio para ele, esperando que ele possa perceber que as palavras dela não me afetaram e que ele também não deveria deixar afetar-se. Uma vez que ele se acalmou, eu me viro para encarar a Stephanie. — Se você o conhecesse – o conhecesse pra valer – saberia que a essa altura dos acontecimentos, ele já se vira muito bem sozinho. Você saberia que eu tenho que forçá-lo a me deixar pegar esse carinha enquanto ele come. Se você o conhecesse para valer mesmo, saberia que eu quero os dois. Eu sei que esse anjinho perdeu sua mãe, e estou muito honrada em fazer parte da vida dele. Agora você... - Eu paro e levo um minuto pra olhar com nojo pra ela. — ... Se eu te ouvir chamá-lo mais uma vez de qualquer outra coisa que não seja pelo seu nome, você vai se ver comigo. — Escuta aqui sua vadiazin... Ridge fica de pé. — Cai fora, Stephanie, agora! - sua voz é baixa. Mortal. — Senhora, vou pedir pra que vá embora. - Nossa garçonete diz. — Eu?! E quanto a eles?!

— Que seja. - Stephanie se vira com seus saltos e sai em disparada pela porta.

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está acontecendo. Você não é bem-vinda aqui.

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— Senhora, esse é um estabelecimento pequeno e todos aqui ouvimos e vimos o que


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— Sinto muito pelo o ocorrido. - A garçonete se desculpa. — Você não tem que se desculpar por nada. - Eu falo pra ela. Ela assente. — Posso trazer algo a mais pra vocês? Eu olho para o Ridge e ele parece... Derrotado. E com raiva. — Não, só a conta, por favor. – Viro-me para o Ridge, eu empurro um prato pra ele. — Coma. — Kendall, eu posso... — Coma, Ridge. Esse carinha aqui vai ficar com fome daqui a pouco. Nós temos um plano, lembra? — Que droga, Kendall, precisamos conversar sobre isso. — E nós iremos, quando estivermos a sós, sem metade da cidade ouvindo a gente. — Não vou te perder por causa dela. - Ele diz enfaticamente. Imediatamente ele pega minha mão e leva para a boca dele, dando um beijo suave nela antes de me soltar. Eu termino minhas tirinhas de queijo assim que Ridge termina de comer. Eu passo Knox para o colo dele pra que ele também possa alimentá-lo. Tento me concentrar no meu almoço, mas seria rude de minha parte não fazer contato visual quando converso com Ridge... Bem, ele é sexy e me faz distrair bem fácil. Ele ainda está com Knox no colo, esse cara durão e grande segurando um bebê minúsculo. Essa é uma imagem que ficará gravada na minha

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mente pra sempre.


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CAPITULO TRINTA E TRÊS

RIDGE Assim que saímos do restaurante, eu vou em direção ao senhor Williams e sua mulher. O pessoal e eu acabamos de construir uma casa nova pra eles há alguns meses. — Olá, Ridge! Que bom te ver. - Ele diz, estendendo-me sua mão pra cumprimentá-lo. — Você se lembra da minha esposa, Nancy. Eu assinto pra sua esposa. — Bom te ver. — A você também. Quem é esse pequenino? - ela pergunta, dando mais um passo pra perscrutar dentro do assento do carro. — Esse é meu filho, Knox, e essa é minha namorada, Kendall. - Eu os apresento. — Ele é adorável. - A senhora Williams diz. Ela fica de pé e volta sua atenção para Kendall. — Você tem uma família linda. Minha garota não se faz de rogada. — Obrigada. - ela diz educadamente. Ela poderia ter deixado a situação constrangedora pra caralho, mas não. Pelo contrário, ela nos assumiu, a mim e ao meu filho. Usei de todas as minhas forças para não agarrá-la ali mesmo e beijá-la como se minha vida dependesse disso. — Bom, não vamos prendê-los mais. Foi bom te ver, Ridge. - O senhor Williams diz

estou de te beijar agora mesmo. Ela se aproxima mais um pouco de mim e fica na ponta dos pés. — O que te impede?

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Assim que ele fecha a porta, eu olho pra Kendall. — Você não sabe a vontade que eu

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enquanto segura a porta aberta pra sua esposa entrar.


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Eu zero a distância entre nós e a beijo. Não é como eu quero, mas serve para acalmar o ódio dentro de mim. Eu nunca quis bater em uma mulher, não até hoje. Nem mesmo quando a Stephanie apareceu no hospital. Naquele dia, eu estava arrasado. Eu já sabia que ela era alguém que eu não queria ver nem pintada de ouro, e depois que ela abriu a boca, eu já sabia que estava tudo acabado. Com aposta ou sem aposta, eu nunca mais queria vê-la de novo. Mas hoje? Hoje, eu queria dar uma surra nela. Ela chamou meu filho de bastardo e desrespeitou Kendall. Eu mal conseguia controlar minha raiva quando a mão dela pegou a minha. Apenas um simples toque da pele dela na minha me deixou muito melhor. — Para onde vamos agora? - ela me pergunta quando já estamos a caminho. — Para casa. Ela não diz nada e provavelmente tem a ver com o fato de que eu bati a palavra na lata. Ainda estou furioso com a Stephanie e, ainda mais do que isso, com medo da Kendall ir embora. Nem que eu passe a minha vida toda a convencendo de que ela é tudo o que quero pra mim, em vez de apenas beijá-la. Eu pego e seguro sua mão, enlaçando nossos dedos. Ela não tira a mão dela, e eu levo isso como um bom sinal. Uma vez que estamos de volta em casa, eu pego Knox enquanto Kendall insistiu em pegar a bolsa de fraldas. Assim que coloco a cadeirinha dele no sofá, ela já começa a soltá-lo. Ele espreguiça seu corpinho, e eu luto contra a necessidade de pegar meu telefone e tirar uma foto. — Que tal brincarmos um pouquinho? - Kendall se senta no chão junto com aquela coisa que parece uma academia infantil que minha mãe comprou. Eu assisto enquanto ele olha para cada objeto que ela mexe ou chacoalha que faz barulho. Eu me apoio em um braço

cada vez que ela o toca.

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— Excesso de fofura. - Ela diz quando meu garoto sorri para o urso que faz um chiado

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enquanto o outro descansa no quadril dela.


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Não sendo mais capaz de me controlar, eu beijo o ombro dela. — Desculpe-me por hoje, e pela Stephanie. — Não foi culpa sua. — Foi sim. Eu meio que namorava ela quando o Knox nasceu. Ela olha por cima do ombro pra mim, e a expressão no rosto dela diz ‘Está brincando comigo?’ — Foi uma aposta. - Eu resmungo, e a sinto enrijecer. — Deixa-me explicar, por favor. Ela assente, mas continua olhado pro meu filho. Eu conto para ela como a aposta começou, como Stephanie nunca foi meu par perfeito e eu admito que eu estava com ela pelos motivos errados. Eu conto para ela como foi o dia que o Knox nasceu, como a Stephanie apareceu no hospital e foi logo vomitando que não queria ser mãe substituta. Eu conto pra ela como terminei tudo com ela naquele mesmo dia e que não tenho pensado mais nela desde então. — Eu sei como parece, e tenho certeza de que você não pensa muito bem de mim agora. Ela está quieta e baixa sua cabeça, usando o braço dela como travesseiro, descansando a outra mão dela na barriga do Knox. Eu permaneço em silêncio, dando a ela o tempo que ela precisa para processar tudo o que eu acabei de dizer. Ela ainda está nos meus braços, então isso me dá esperanças. — Eu nunca esperaria isso de você. O jeito como você é com o Knox, o jeito como você é comigo... é duro pra eu ver alguém como você brincar com as emoções de alguém com uma simples aposta. Ela tem razão. — Aquilo foi errado. Hoje eu entendo isso. Eu me deixei levar pela

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— E os rapazes, eu só... estou desapontada, de verdade.

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aposta que não pensei como as coisas terminariam.


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Merda! — Não queríamos fazer mal pra ninguém, e Stephanie também não está isenta das falhas dela. Claro, isso não justifica o que fiz. — Você ganhou? — Não, eu ainda tinha um mês pela frente quando Knox nasceu. — Então, se Melissa não tivesse sofrido aquele acidente, se Knox não estivesse hoje aqui, eu nunca teria te conhecido? Bem, poderíamos ter cruzado um com o outro, mas você estaria com ela. O jeito como ela fala “com ela” me diz que ela não está encarando isso muito bem. Eu tiro o cabelo do ombro dela e repouso meu queixo ali. — Eu prefiro achar que, não importa como era minha situação, na época, quando eu te conheci eu ainda teria sido inteligente o suficiente pra perceber que você é tudo o que eu queria. Ela oferece seu dedo pro Knox e o pega. — Então esse carinha aqui, não é só seu presente, ele também é o meu. Não tenho certeza do que ela quis dizer com isso, então eu aguardo pacientemente que ela continue, e tudo o que faço é uma oração silenciosa de que ela não vá me dar um pé na bunda depois dessa. Ela solta sua mão da do Knox e se vira pra me encarar. Eu me afasto um pouco para que ela tenha um pouco mais de espaço. Apoiando no meu cotovelo, eu olho pra ela. Quero beijá-la, pra dizer que ela nunca vai ter que se preocupar com joguinhos infantis, mas preciso que ela chegue nessa conclusão por si mesma. Não importa quanto tempo leve para ela chegar a isso, eu darei este tempo pra ela. Não tê-la em nossas vidas é algo que não estou disposto a

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Já fui longe demais.

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abrir mão.


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— Ele trouxe você pra mim. Eu já havia me convencido de que não teria mais ninguém na minha vida. Cal deixou uma ferida tão profunda que nunca pensei que ela seria curada. Precisando tocá-la, eu traço seu maxilar com meu dedo indicador. Ela se arrepia com o contato. — Knox trouxe você pra mim. Ela fecha seus olhos e quero exigir que ela os abra. Não consigo ter uma boa leitura do que ela está pensando, o que ela está sentindo quando aqueles olhos tão azuis nãos estão olhando para mim. Quando ela finalmente os abre, existe neles um mar de emoções que olham pra mim. — Não só você curou essa ferida, você também curou minha alma. Confesso que o que você me falou do seu relacionamento com Stephanie me incomoda. No entanto, você nunca fez me sentir menos do que tudo pra você. Pode me achar louca, mas não vou desistir tão fácil de você. Esse sentimento acabou se tornando rapidamente o meu vício. Eu aproximo meus lábios dos dela, e dessa vez, eu a deixo ter a iniciativa. E ela não me desaponta, sua língua traçando nos meus lábios, pedindo pra que os abra pra ela. Eu abro. Caralho é claro que abro, e de todas as maneiras possíveis. Meu coração, minha mente, minha alma e minha boca. Tudo que sou está exposto para ela. Só para ela. Minha doce menina. Ela desliza sua língua na minha e eu agarro seu quadril, puxando-a para mais perto de mim. Simplesmente parece que não estou perto o bastante dela. Quero devorá-la por inteiro,

— Ridge. - Ela diz, afastando-se.

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que ela quiser, é o que ela vai ter.

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mas eu não faço isso. Eu me controlo, deixando-a que indique quão longe ela quer levar isso. O


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— Sim, amor? - eu beijo seu queixo, traçando seu pescoço com minha língua. — Tem alguém na porta. — Não importa. - Eu murmuro no pescoço dela. — Ridge. - Ela ri, uma risada tão despreocupada que eu juro fazê-la rir assim todos os dias. Enterrando meu rosto no pescoço dela, eu suspiro em sinal de derrotado. — Está bem, mas eu ainda não acabei com você. - Eu beijo seus lábios uma última vez antes de ficar de pé, arrumando minha ereção duríssima para abrir a porra da porta. — É melhor que seja importante. - Eu resmungo quando eu a abro. — E aí, cara. - Kent me cumprimenta. Eu tento muito não fazer uma careta pra ele. — O que foi? — Meu pai me ligou e disse que o trator ficou preso numa ribanceira. Queria ver se você está livre para me ajudar a tirá-lo de lá. Minha mãe disse que ela cuidaria do Knox. — Entra. - Eu seguro a porta aberta e uma vez que ele entra, volto pra sala de estar. Kendall está de quatro, sorrindo para o Knox e fazendo barulhos que tenho certeza que ela também está fazendo várias caretas, mas seu belo traseiro empinado está me distraindo de descobrir se está fazendo caretas ou até mesmo rir das suas palhaçadas. — Oi, Kendall. - Kent ri. Ela se vira para olhar e ri. — Fomos pegos no flagra, homenzinho. - Ela se senta e pega

— Baby, o pai do Kent ficou preso numa ribanceira e precisam da minha ajuda. Sinto muito.

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Essa garota.

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o Knox, colocando-o no seu colo. — Oi - ela pega o Knox e acena pro Kent.


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— Claro. Esse carinha e eu vamos bagunçar muito até você voltar. - Ela sai da posição de sentada, como se ela precisasse ficar na mesma altura que eu pra eu poder permitir que ela fique com meu filho. Eu fico ali parado assistindo-a. Eu não preciso esperar que ela me peça permissão, mas mais uma vez, eu devo. Kendall é assim. — Você não precisa, a mãe do Kent... — Diga ao papai que vamos ficar bem, Knox. - Seus olhos azuis olhando pra mim. — Estaremos bem aqui quando você voltar. A visão de ela estar aqui toda vez que volto pra casa todos os dias pipocam na minha mente. Sua força, o que quer que seja isso, atrai-me para ela. Eu a envolvo nos meus braços. — Serei rápido. - Eu beijo o Knox no topo da cabeça. — Você seja bonzinho com a Kendall. - Eu falo para o meu filho, que não tem a menor ideia do que estou falando. — E você, volto logo. Ela pende sua cabeça e essa é a minha chance de beijá-la. — Cuide-se. - Ela sussurra.

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Relutantemente, eu a solto e sigo Kent porta a fora.


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CAPITULO TRINTA E QUATRO

KENDALL — Bem, agora é só você e eu, criança, - digo para Knox. Decido usar meu tempo sabiamente para ajudar Ridge um pouco, então subo as escadas para o quarto do Knox e colocoo no bebê conforto. Já são quase cinco, então é hora do banho e do pijama. Escolho sua roupa e vou até o banheiro. Seu pequeno lábio treme quando derramo água sobre ele, e ele também faz xixi nela. Coloco nova água, checo a temperatura e começo a lhe dar banho. Trabalho rapidamente, e a sorte está do meu lado porque ele coopera — além disso não há mais acidentes. — Olha esse pequeno lábio. Desculpa. Vamos vestir você com roupas quentes. - Tragoo de volta para seu quarto, seco e o visto rapidamente. Abro o armário para encontrar a cesta de roupa suja e ver uma faixa de carregar bebê9 ainda no pacote. Nunca foi aberta. Sorrio, pensando em Ridge andando pela casa com bebê Knox enrolado e perto de seu tórax. Abro o pacote e leio as instruções. Essa coisa parece um quebra-cabeça, mas eu finalmente descubro como usar isso e logo Knox está amarrado no meu peito. Lá embaixo, decido limpar as coisas, Knox cochilando, como se isso fosse normal. Assim que termino a sala de estar, vou para a cozinha, pensando que eu poderia fazer o jantar para o Ridge, mas seus armários são de um solteirão, com certeza. Ele está com a base para o assento de carro em sua caminhonete, então ir até a loja está fora. Procurando mais fundo no congelador, encontro uma lasanha congelada e pão de alho.

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Terá que servir. Quebro a lasanha em pedacinhos, pulverizo a parte inferior da panela elétrica,


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que por acaso encontrei, com spray antiaderente e adiciono os pedaços de lasanha. Não sei a que horas ele vai estar de volta, então isso irá garantir que fique cozido e quente para ele. Jantar arrumado, decido ir sentar-me no gazebo. Pego minha bolsa, tiro o meu ereader e meu telefone, depois me lembro de uma bolsa de fraldas pequena no fundo do armário de Knox, então vou lá em cima e a pego. Jogo as minhas coisas nela, adiciono um cobertor, mamadeira e chupeta para Knox — não que iremos longe, mas estar preparada é comigo mesma. Acho que Ridge e eu temos isso em comum. Calço meus sapatos e decido que deveria escrever uma nota para Ridge na lousa de apagar da geladeira, no caso de não ouvi-lo chegar em casa.

Papai, Kendall me levou até a lagoa. Amor, Knox.

Rio quando leio a nota. Tenho certeza que Ridge vai achar engraçado também. Pego a pequena bolsa de fraldas que acabei de arrumar e vou para o gazebo. Ele nos bloqueia do sol, e há uma ligeira brisa morna, quando nos instalamos no banco de madeira. Olho para baixo para Knox, ele ainda está dormindo. Tomo um minuto apenas para fechar os olhos e deixar o sopro da brisa passar pelo meu cabelo. É tão tranquilo aqui. Sinto lábios pressionados contra a minha testa, fazendo com que meus olhos se abram.

Eu sorrio. — Deixou tudo bem cuidado?

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— Sim, voltei tem cerca de dez minutos.

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— Ei, bela adormecida, - Ridge diz baixinho.


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— Você viu o meu recado? - Espero que ele não esteja preocupado. Ele coloca um fio de cabelo atrás da minha orelha, só para que o vento a leve de volta para fora. — Eu estive olhando você dormir. — Monstro. - Eu sorrio. — Linda, - ele murmura, dobrando-se para me beijar. Eu coro. — Que horas são? — Depois das sete. Vamos levar vocês dois lá para dentro. - Ele levanta e me oferece sua mão. Uma vez que ele me puxa, ele pega a bolsa de fraldas e caminhamos de volta para casa, de braços dados. — Você fez o jantar, - ele diz, fechando a porta atrás de nós. — Bem, não realmente. Coloquei a lasanha congelada na panela elétrica. Não tinha outra coisa e você estava com a base do assento do carro, então eu estava meio presa. - Não que ele iria me querer dirigindo pela cidade com seu filho. — Precisamos que você tenha uma. - disse casualmente. — Uma que?" — Uma base para assento no seu carro. Ok, então. Acho que tive minha resposta. — Eu só preciso colocar o pão de alho no forno, e estará pronto em dez minutos. — Entendi. Quer que eu o leve?

— Onde você achou essa coisa? - Ele aponta para meu peito.

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uma mamadeira com a gente para a lagoa, mas ele não acordou para comer.

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— Não, ele provavelmente precisa ser trocado, e não come desde o restaurante. Levei


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— No fundo do armário dele. Dei-lhe um banho, assim você não precisaria fazê-lo, e estava procurando o cesto de roupa suja quando por acaso encontrei isto. — O homenzinho tem toda a sorte. - Ele sorri. — Oh, sim, e o que lhe faz dizer isso? — Ele dormiu no seu peito a tarde toda. — Galanteador. — Eu falo a verdade. - Ele pisca o olho. Eu consigo tirar o envoltório de Knox, sem prejudicar qualquer um de nós. Assim que eu o faço, ele começa a resmungar... e sei que ele está com fome. Uma mudança rápida de fralda e ele está jantando. — Posso alimentá-lo, - diz Ridge, ao olhar para mim da parte de trás do sofá. — Está tudo bem, Ridge. Não me importo em ajudar. Esse rapaz é fácil de se apaixonar. — Ah, sim? E o pai dele? — O júri ainda não tomou a decisão, - eu brinco. Ele ri e beija o topo da minha cabeça. — Está pronto. Vou trazer os pratos aqui. O que você quer beber? — Água. Insisto que Ridge coma antes de mim enquanto Knox termina sua mamadeira. Os dois

está envolvida.

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— Pensei que passar o dia com você ajudaria nesse anseio que pareço ter quando você

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brincam no chão enquanto eu como e assisto.


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Eu quase engasgo com o meu pão de alho. Tusso, mastigo, engulo e tomo um copo de água antes de perguntar, — E? — Não está nem perto. Eu odeio que você está indo para casa em breve. — Ei, você vai me ver amanhã, certo? Knox tem sua consulta de um mês. — Sim, essa é a primeira coisa. Assim, deixo ele com a minha mãe depois e então vou trabalhar. — Um bom plano. Então os seus pais vão fazer seu churrasco de Memorial Day neste fim de semana. Reagan convidou Dawn e eu, mas..... — Eu quero você lá, Kendall. Não como uma amiga de Reagan, mas como minha namorada. E não só no sábado à noite. De jeito nenhum eu vou passar o dia com você hoje, para uma visita rápida no seu trabalho e depois nada mais até sábado. De jeito nenhum. Eu preciso de mais tempo com você. — Estou em casa, na maioria dos dias, despois das cinco, menos nos dias em que estou cobrindo uma das meninas. Você me avise quando tiver tempo. — Todas as noites depois das cinco. - Ele ri. — O tempo todo até... A que horas você sai para o trabalho? — Isso é muito tempo. - Eu sorrio para ele. — Não sei se alguma quantidade de tempo com você será suficiente. - Ele diz quase como se estivesse falando sozinho, o tempo todo olhando para Knox. Alguém entrando na nossa conversa pensaria que ele estava falando do seu filho e ele pode até estar, mas também

leva até meu carro e me dá um beijo de despedida que não esquecerei tão cedo, com uma promessa minha que vou deixar ele saber que cheguei em casa segura.

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Fico o tempo suficiente para ajudá-lo a limpar a cozinha e então vou para casa. Ele me

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sei que essas palavras são para mim.


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Ridge e eu estamos oficialmente juntos há mais de um mês. Conheci os pais dele no churrasco de Memorial Day, e ele conheceu os meus quando eles apareceram na casa dos meus avós para verificar todo o trabalho. Ridge me prometeu que eles não diriam nada para me envergonhar. Esta é uma semana de trabalho curta, sendo hoje meu último dia, desde que sábado é o Quatro de Julho. Meu escritório estará fechado na sexta-feira, em observância do feriado. Amo os fins de semana de três dias. Ridge e eu vamos sair amanhã à noite, só nós dois; Reagan vai tomar conta de Knox na casa dele. Estou animada e nervosa. Passamos todos os dias juntos no mês passado, uma vez que todas as noites depois do trabalho, parei na casa dele e jantamos juntos. É mais fácil para Knox e por todas as coisas dele estarem lá. É muita coisa viajar com um bebê e prever tudo o que você vai precisar. Normalmente, eu me sentiria culpada deixando Dawn tanto tempo em casa sozinha, só que não é o caso. Ela e Mark estão realmente se dando bem e tem passado muito tempo juntos. Estou feliz por ela. Eu: Saindo agora do trabalho. Tenho que passar em casa e me trocar. Está em casa ainda? Ridge: Sim. Eu e os rapazes saímos mais cedo hoje. Eu: Sorte sua. Vejo você depois.

este fim de semana e animada para amanhã à noite com o Ridge. Dawn está na casa do Mark,

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Coloquei o meu telefone no porta-copo e saio do estacionamento. Estou pronta para

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Ridge: Tome cuidado, querida.


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então nós vamos ter a minha casa só para nós, se é onde a noite nos leva. Se nossos amassos

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são alguma indicação dos votos de Ridge de que vou matá-lo, eu diria que as chances são boas.


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CAPITULO TRINTA E CINCO

RIDGE Eu deixei os caras tirarem o resto do dia de folga. Não me agüentando na empolgação de surpreender Kendall na nossa noite fora. Eu fiquei contrariado por deixar Knox, mas Reagan vai ficar com ele na minha casa. Ele vai estar no seu ambiente familiar e não vai estranhar o fato de Kendall não estar lá, ele ama sua tia Reagan. Ele também ama minha garota. Eu estive pegando as coisas fisicamente leves com ela. Eu sei que minha aposta envolvendo Stephanie deixou-a receosa; eu conseguia ver isso nos olhos dela. Queria ter certeza de que ela sabia que ela é tudo o que quero, não só o que ela pode dar a mim – não porque ela ama meu filho, mas por ser quem ela é. Eu encontro força de vontade de onde eu nem sabia que eu tinha. Ela passou algumas noites aqui e foi foda pra caralho – literalmente e figurativamente – abraçá-la a noite toda sem saber como é estar dentro dela. Hoje à noite, eu planejo mudar isso. Eu preciso dela. Mas não no sentido figurado, eu literalmente preciso dela como se eu precisasse dela pra respirar. Estou de quatro por ela. Todo dia, tem algo que faz com que ela me dê mais um pedaço minúsculo do seu coração. Pelas formas como ela escreve as mensagens, quando apenas diz ‘oi’, do jeito que ela parece derreter toda vez que a toco. Ela é maravilhosa com o Knox e com meus pais, minha irmã e meus amigos, todos a adoram. Eles não são os únicos. Meu filho se ilumina quando ela entra em um cômodo que ele está. Eu deveria estar preocupado de que ele cresça e fique muito apegado a ela. Caramba, ele só tem dois meses, mas você consegue perceber isso quando ele ouve a voz dela. Ele a ama. Mas mesmo assim não

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estou preocupado com isso porque, como meu filho, eu também estou assim por ela.


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Mark me passou o número da Dawn e ela fez uma mala para ela. Ele trouxe pra mim durante o trabalho hoje de manhã. Esperei que ele ou um dos outros manés dessem com a língua nos dentes, mas surpreendemente não falaram nada. Estou terminando de arrumar os mantimentos que Reagan pediu para que eu comprasse quando ouço pelo monitor Knox acordando da sua soneca. Corro para o andar de cima para pegá-lo. — E ai, carinha. Dormiu bem? Ele balbucia e abana seus bracinhos. — Você se lembra que noite é essa, certo? Tia Reagan vai dormir aqui hoje enquanto o papai e a Kendall vão ter a noite deles também, mas que não vai ser apropriada pros seus ouvidinhos. Eu troco sua fralda e pego sua chupeta antes de descer a escada. Sentamos no chão e o coloco na sua academia infantil, a qual ele ama. E é desse jeito que depois de vinte minutos, Reagan e Tyler nos encontram. — Oi, vocês dois. - Reagan diz, tomando seu lugar no sofá. Tyler vem logo atrás dela. — E aí, cara. - Eu o cumprimento. Não tenho muita certeza do que está acontecendo aqui, porque ele sabe que estou saindo com a Kendall hoje a noite. — Essa aqui esqueceu de trocar o óleo do carro dela e ele não queria ligar. Isso explica tudo. — Mana, já tinha te falado pra trocar esse óleo semanas atrás. — Eu sei, eu sei, eu simplesmente esqueci. Não se preocupe, mamãe e papai disseram que eles me emprestariam os deles caso fosse uma emergência. Levemente eu entro em pânico só de pensar em uma emergência que pudesse

— Relaxa, papai. Ele vai ficar bem. É melhor prevenir do que remediar.

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namorada. Reagan deve ter percebido isso na minha cara.

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envolver meu filho enquanto estou fora no que espero ser uma noite mágica entre mim e minha


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— Eu vou ficar por aqui, cara. Não se estressa. Você se planejou muito para essa noite. - Tyler diz. — Obrigado, é que eu só... nunca passei uma única noite longe dele. — E se fosse qualquer outra pessoa que não fosse a Kendall, eu não estaria dando a mínima para isso, mas estamos falando dela, cara. - Ele diz como se o nome dela explicasse tudo. E eu acho que é isso mesmo. Reagan tenta pegar Knox do meu colo, mas eu o seguro firme. Sentamos e conversamos por mais uns vinte minutos ou mais até que eu a ouço chegando. — Ela não sabe de nada. - Eu os lembro. — Ajam como se não estivesse acontecendo nada. Tyler joga sua cabeça pra trás e ri. — Cara, não somos nós que precisamos ficar preocupados. Você é neurótico. — Olá. - A voz doce da Kendall ressoa quando ela entra na casa. — Oi, não esperava ver vocês dois por aqui. - Inclinando-se, ela abraça Reagan e beija Tyler na bochecha. Eu olho bem pra ele, o que faz com que ria mais ainda. — Perdi alguma coisa. — Nada, só o seu homem bancando o ciumento. - Reagan fala pra ela. — Oi, lindão. - Ela diz, inclinando-se em mim. Só os lábios dela tocam a testa do Knox. — Kendall. - Eu rosno. Ela sabe que a primeira coisa que preciso são seus lábios. Ela ri e me dá um dos tenros beijos nos meus lábios. — Senti saudades. - Ela sussurra. Morri.

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— Senti saudades também, doce menina. - Eu sussurro de volta.

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Definitivamente M.O.R.R.I. por essa garota.


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Ela se senta do meu lado. — Dê-me. - Ela estende suas mãos pra pegar o Knox, e ele sorri. Eu o passo pra ela, em parte porque eu os quero nos meus braços e é bem mais fácil abraçá-la, e por outra porque eu sei que ela é apegada com meu garoto. Assim que passo Knox para os braços dela, eu passo meus braços por trás dela, pego seu quadril e a coloco no meu colo. Ela nem dá mais gritinhos de surpresa; ela já espera que meu homem das cavernas apareça. Isso não é algo que consiga controlar, ou sequer eu tente. Eu os quero bem próximos, sempre. — Então, o que vocês estão fazendo aqui? - ela pergunta pro Tyler e pra minha irmã. — Eu pedi pra eles darem uma passada aqui. - Eu respondo, fazendo círculos nas pernas dela. — Você quer que eles fiquem pra jantar? - ela pergunta. — Na verdade, amor, eu tenho uma surpresa pra você. Ela olha pra mim por cima do seu ombro. — Você tem? — Aham, na verdade Reagan vai cuidar do Knox, então eu pensei que poderíamos passar uma noite fora. Ela olha pro Knox, e posso ver que ela também está dividida por deixá-lo. Ela está dividida essa noite, mas eu sempre sinto isso. — Vamos ter um encontro, só nós dois, amanhã à noite. - Ela me lembra.

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— Sério? - ela pergunta.

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— Eu reservei um chalé no Lago Thompson.


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Acho que finalmente ela começou a entender. — Eu não trouxe nenhuma roupa. Temos que dar uma passada na minha casa. - Ela olha pra Reagan. — Tem certeza que pode cuidar dele? Nós podemos levá-lo conosco. Minha doce menina. — Está tudo bem, Kendall. - Reagan a tranquiliza. — Eu já sabia disso há algumas semanas. Kendall segura Knox mais ainda. — Quando partimos? — Assim que você sentir que já deu amor o bastante pro carinha por hoje. Pedi pra Dawn fazer sua mala. Já está guardada na caminhonete. — Ei, amigão, você vai passar a noite com a tia Reagan. Kendall continua conversando com meu filho. Ele talvez não a compreenda, mas ele acompanha cada palavra. Seus olhos a seguem enquanto ela fala, sem desviar o olhar nunca. — Seja bonzinho. - Ela diz pro Knox, e sua voz falha. — Você está bem? - sussurro pra ela. — Por que tô chateada? Ele não é meu. Quero dizer, é que... - ela fica de pé contra minha vontade de mantê-la no meu colo, passando Knox para mim, e caminha pra fora da sala. Eu fico de pé e Reagan levanta sua mão. — Ridge, dá um tempo. Ela o ama; é uma situação difícil pra ela. Dá esse tempo pra ela. Eu dou um passo em sentido ao corredor e Tyler também fica de pé. — Ela precisa de

assumiu a bronca sem nem pensar duas vezes. - Reagan completa.

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mais? Ela está aqui o tempo todo. Ela deixa ele a noite com você, mas com mais ninguém. Ela

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um minuto a sós, Ridge. Pensa só. Ela está com você desde que ele tinha o que, uma semana ou


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Eu espero o máximo de tempo que consigo ficar de pé antes de passar o Knox para Reagan e ir atrás dela. Dou uma batidinha de leve na porta do banheiro e ela abre lentamente, com lágrimas silenciosas rolando pelas suas bochechas. — Desculpe-me. Eu sei que não tenho esse direito, eu tento me controlar, eu só... me desculpa. Eu estou animada por passar uma noite fora, juro que estou. Eu quero ficar um tempo só com você. Eu dou um passo para entrar no banheiro minúsculo e fechar a porta atrás de mim. Com minhas mãos no quadril dela, eu a ergo e a coloco em cima do balcão. Eu puxo um lenço de papel que fica perto da privada, e seco suas bochechas. — Você o ama, Kendall. Eu já sei disso. Caramba, isso causa uma onda de emoções em mim. Ele é uma parte de mim. — Eu sei e ele também sabe, mas ele é um bebê tão doce, e sinto saudades dele quando não estou com você. Eu sinto saudades de você quando não estou com você também. Ela diz, olhando pro seu colo. — Baby, olha pra mim. - Eu aguardo até que seus olhos azuis tristonhos encontram os meus. — Sentimos falta de você também. Nós dois. Nós te amamos. - Merda! Não era pra ser desse jeito que eu queria dizer isso pra ela. Eu já tinha tudo planejado para esta noite – pra dizer a ela que estou completamente apaixonado por ela, que quero fazer amor com ela, velas, uma garrafa de vinho e essas coisas todas. Eu já tinha planejado tudo e estraguei tudo nesse banheiro. Parabéns, seu vacilão.

você também. Completamente, e cada segundo, cada hora, cada dia que passo com você, esse amor só cresce e dói até eu te ver de novo. - Suas lágrimas silenciosas continuam caindo, mas

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desviar o olhar. Ela não disse uma palavra, e isso me mata de susto. — Eu estou apaixonado por

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Preciso dar um jeito nisso. Eu pego seu rosto com minhas mãos para que ela não possa


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ela permanece em silêncio. — Isso me acerta aqui. - Eu digo, segurando nossas mãos juntas por cima do meu coração. — Ver você com meu filho. A maneira como ele te ama. — Eu sei. - Ela diz, com sua voz suave. — Eu amo vocês dois, e tudo está sendo rápido e perfeito demais, e eu acho que não mudaria nada. Só estou assustada pela forma como as coisas estão caminhando. De que o universo vai conspirar contra mim a qualquer momento, conspirar contra nossa felicidade. Eu não vou mentir, estou entalado. — Você me ama? - pergunto pra ela. Ela ri. — Pegou a indireta, né? — Ah, se peguei. - Eu beijo seus lábios cobertos de lágrimas e depois descanso minha testa na dela. — Isso é pra valer, Kendall. Estes são só eu, você e aquele carinha lá, vivendo a vida. Quem liga se está rápido demais ou o que os outros possam pensar, até mesmo o

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universo? Isso é nosso, e isso é tudo o que importa.


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CAPITULO TRINTA E SEIS

KENDALL Eu sou igual a um bebê. Sei que ele não é meu, mas Deus faz com que sinta como se fosse. Amo esse menino com todas as minhas forças. Se eu perder Ridge, perco Knox, e acho que isso é o que me jogou no limite. Eu percebi que os dois se tornaram meu mundo em tão pouco tempo. Já não poderia voltar de perdê-los. — Tenho certeza de que pensam que perdi minha cabeça, - digo no peito de Ridge. Ele está me segurando perto, ao me sentar no pequeno balcão do banheiro. Ele ri. — Não, não. Eles entendem. Disseram-me para lhe dar tempo, mas não suportava o pensamento de você estar magoada e eu não estar lá para segurá-la por isso. Escorrego minhas mãos sob sua camisa e sinto os planos definidos de suas costas enquanto ele me abraça. Eu lhe disse que os amava, os dois, mas é mais do que isso. É como se já não fosse eu mesma sem eles. Nada faz sentido na minha vida sem ver os dois como uma parte dela. Parte de mim está temerosa que Ridge ache que estou tentando tomar o lugar da Melissa. Não me interpretem mal, seria uma honra ter esse homenzinho me chamando de mãe, mas essa escolha será de Ridge. Talvez um dia, no futuro. Eu nunca iria querer tomar o lugar dela. Gosto de pensar que ela está olhando por nós, que ela está feliz que Ridge tenha encontrado alguém que os ama como eu. Penso em meus

— Você me ama? - Pergunto, a necessidade de ouvir isso de novo.

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traria a paz.

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pais e minha infância. Se fosse eu que estivesse a olhar para aqueles que amei, sei que isso me


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Ele ri. — Mais do que amo você, Kendall. Não tenho palavras para explicar isso. É algo que me consome, feroz e prometo que é para sempre. – Afastando-me um pouco, olho para ele, um sorriso lento se espalhando por todo meu rosto. — Vamos dizer adeus ao homenzinho e ir para a cabana. Seus lábios tocam os meus. — Amo você, querida. - Ele dá dois passos para trás e me levanta do balcão. Eu o segui lá para baixo, temendo ver Tyler e Reagan depois da maneira como agi, mas devia conhecer melhor. Reagan está com Knox, e assim que ela nos vê, passa direto por Ridge e para em frente de mim. — Você está bem? - Indaga, sua voz baixa. Eu concordo e lhe ofereço um sorriso marejado. Ela me surpreende quando ela me puxa para um abraço de um braço só. — Ele ama você. Os dois amam. Abrace isso, Kendall. Quero dizer-lhe o que ele me disse. Que acabei de compartilhar um dos melhores momentos da minha vida num banheiro minúsculo, mas não tenho tempo, antes que ela se afaste e me entregue Knox. — Oi, amigo, - eu disse, minha voz rachando. Ele ri de mim, e eu literalmente sinto aquele sorriso puxando meu coração. — Vamos tomar um minuto. - Ridge coloca a mão nas minhas costas. Eu não o

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questiono, permitindo-lhe que nos guie para o andar de cima.


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CAPITULO TRINTA E SETE

RIDGE Apenas levou mais vinte minutos antes de nós carregarmos e pegarmos a estrada. Kendall e eu levamos Knox para o meu quarto e apenas ficamos abraçados com ele. O jeito que ela ama meu filho faz meu coração parecer como se fosse bater para fora do meu peito. Quero dizer a ela que ela não tem nada com que se preocupar, que ela é tudo para mim e ela nunca se separará de nós, mas eu não quero assustá-la. Ela está na minha alma e nada vai mudar isso. Eu quero ela agora e sempre, e ela fodidamente me ama. Eu não queria dizer a ela como eu fiz, mas na realidade foi perfeito. Ela sabe que não foi planejado, que o meu amor por ela explodiu e eu não tinha escolha a não ser dizer a ela. O fato de que ela disse de volta é a causa do sorriso permanente no meu rosto. A viagem de duas horas para a cabana é calma. Estendi a mão para a dela assim que estávamos na caminhonete e ela segurou nela, seu aperto apertado toda a viagem. Eu conheço minha menina e ela está processando esta noite e mais cedo. O fato de que nós dissemos "eu te amo" apenas algumas horas atrás. — É isso? – Ela pergunta. — É isso. Você alguma vez já esteve aqui? — Não, apesar de já ter ouvido coisas boas. Na verdade, papai trouxe mamãe aqui para

— Eu acho que sim. Meus pais são incríveis. — Claro que eles são. Eles criaram você, não foi?

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— Homem esperto. – Digo com uma piscada. Isso traz seu sorriso brilhante.

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o aniversário deles de um ano.


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— Encantador. – Ela sorri. — Só para você, doce menina. Só para você. - Eu pego nossas bolsas com reclamação de Kendall que ela pode levar a dela. Sim, não vai acontecer. Em vez disso, eu entrego a chave para a cabana, e ela abre a porta para nós. — Ridge... - Ela fica no centro da sala e se vira num círculo. — Este lugar é ótimo. Não é o que eu esperava. Rio disso. — O que exatamente você esperava? — Algo mais... rústico. — Eu realmente não queria nada rústico nessa viagem. Eu tenho planos e todas as comodidades serão necessários. — Ah, sim? E o que isso seria? Pintar as unhas dos pés um do outro. – Diz ela insolente. Largo nossas malas e sigo em direção a ela, jogando-a sobre meus ombros. — Nem mesmo perto. – Digo, batendo em sua bunda enquanto carrego-a para o quarto. Eu a lanço na cama e ela está rindo tanto que mal consegue recuperar o fôlego. — Homem das cavernas. - Ela ri. — Minha cabana. Minha mulher. - Diz ela, tentando uma voz masculina. — Não minha cabine. - Eu me inclino para beijá-la no pescoço. Ela inclina a cabeça, dando-me acesso completo. — Minha mulher. - Eu sigo o comprimento de seu pescoço com a

talvez ambos. Não que isso importe, é claro. Eu a tenho exatamente onde eu quero. Dois meses. Dois fodidos longos meses sem saber o que é estar dentro dela. Isso muda hoje à noite.

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estremece. Eu não tenho certeza se é por causa das minhas palavras, meu toque – inferno,

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minha língua, até que meus lábios alcançam o ouvido dela. — Meu tudo. - Sussurro e ela


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Puxo para trás do beijo e procuro aqueles olhos azuis. O que eu vejo com certeza corresponde ao reflexo nos meus – paixão, desejo, luxúria e amor. Tem sido uma longa espera até agora. Ficando de pé, ato meus dedos com os dela e a guio para fora da cama. Ela não hesita. Assim que eu a tenho de pé diante de mim, beijo-a novamente. Devagar e sempre ganha-se a corrida. Por mais que eu queira apressar isso, para me empurrar dentro dela agora, eu não vou. Vou saboreá-la, valorizar o dom desta mulher incrível, linda. — Levante seus braços. – Sussurro contra seus lábios. Mais uma vez, ela não hesita, seus braços subindo lentamente no ar. Meus dedos deslizam sob sua camisa e ela treme quando os meus dedos traçam seu estômago nu. Passo a mão debaixo de seu sutiã, traçando uma linha sobre o peito contra o material de renda. Seus olhos estão fechados, seus dentes apertados sobre seu lábio inferior. Eu estou não só a deixando louca, mas a mim também. Arrasto minhas mãos para baixo, em sua pele macia e seguro a bainha de sua camisa. Rapidamente, puxo-a para cima e sobre cabeça dela. Esta não é a primeira vez que eu a vejo, mas esta é a primeira vez que eu sei que ela é minha, sei que ela me ama, e eu vou começar a sentir o seu calor ao meu redor. Descendo, eu ajusto o meu pau duro. Inclinando minha cabeça, travo em um de seus mamilos perfeitamente empinados através de seu sutiã. — Ridge. - Ela geme, e eu tenho que me lembrar de ir devagar. — Sim, querida? - Seus olhos se abrem e brilham para mim. Pisco para ela antes de ir para o outro lado e puxar o outro botão apertado em minha boca. Suas mãos apertam meus

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real e isso está acontecendo. Terei prazer em levar as marcas de nossa noite juntos.

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ombros, e agradeço pela dor de suas unhas quando elas cavam em minha pele. Isso é real. Ela é


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Caio de joelhos na frente dela, encho-a de beijos, provando sua pele em todos os lugares que meus lábios podem alcançar. Quando chego ao cós da calça jeans, eu a desabotoo e, lentamente, deslizo o zíper para baixo, o som ecoando no quarto silencioso. Os únicos outros sons são nossa respiração e meus lábios - contra sua pele. — Segure-se em mim. - Digo a ela. Minha voz é rouca e cheia de desejo. Tudo para ela. Quando as mãos dela tocam os meus ombros, seguro seu jeans e puxo-os sobre seus quadris, em seguida, para baixo de suas pernas longas. Estou tão perdido nela que eu esqueci que eu tinha que tirar os sapatos. — Sente-se, querida. - Ela cai para a cama como se suas pernas não pudessem mais sustentá-la; sorrio porque eu fiz isso. Faço o trabalho rápido de remover os sapatos dela, calça jeans saindo logo depois. Olho para cima, minha menina está deitada de costas na cama, apoiada nos cotovelos, vestindo nada além de seu sexy sutiã de renda preta e calcinha. Tomo um minuto para memorizá-la neste momento, a imagem da minha linda menina doce queimando no meu cérebro para levar pelo resto da vida. Quando estivermos velhos e grisalhos e assistirmos nossos netos correrem ao redor do quintal, eu quero lembrar deste momento, toda a porra do dia. No dia em que nos comprometemos com o nosso amor um pelo outro, através de palavras e ações. Porque isso é o que estou fazendo, estou mostrando a ela o quanto eu a amo através do toque. Eu vou transar com ela, mas nunca haverá uma dúvida em sua mente que não é o resultado do amor que sinto por ela. Fico de pé e como se ela pudesse ler minha mente, ela se move para trás para se deitar completamente na cama. Arranco a camisa sobre minha cabeça, tiro os sapatos, e rapidamente descarto minhas calças, tirando minha cueca boxer com elas. Inclino-me para baixo, retiro minhas meias, chegando para tirar a dela também. Ela ri quando eu deslizo o dedo para cima

dela.

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— Amo a porra desse som, doce menina. - Digo, subindo na cama para deitar ao lado

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para o centro da parte inferior do seu pé.


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— Eu tenho cócegas. — Humm, vou ter que guardar isso para um dia mais tarde. - Beijo seus lábios doces. — E você? - Ela pergunta quando eu finalmente solto sua boca. – Tem cócegas? — Não. – Minto. Ela me estuda, seus olhos azuis tentando determinar se eu estou dizendo a verdade. Coloco meu braço em volta dela para desenganchar o sutiã, precisando dela nua. Ela me surpreende; uma vez que tenho os dois braços em torno dela, suas mãos trilham até meus lados e ela faz cócegas. Ela não pensou nisso muito bem, porque eu tenho meus braços ao redor dela; mesmo que eu esteja rindo, eu sou capaz de agarrar seus quadris e levanto-a em cima de mim. Assim que seu centro quente cai em meu pau duro, ela para seu ataque. Ela agita seus quadris e eu jogo a cabeça para trás no travesseiro, deixando a sensação de seu calor me dominar. Apenas um pequeno pedaço de renda nos separa, e eu quero que ela se vá. — Kendall. - O nome dela é um apelo saindo dos meus lábios. Ela agita contra mim novamente. O sutiã, que eu desabotoei com sucesso, está pendurado nos braços dela. Lentamente removo-o, uma tira de cada vez, e jogo-o sobre a cabeça dela. — Fodidamente linda. - Digo, sentando-me para beijá-la. Eu apenas sou capaz de pressionar meus lábios nos dela quando ela me empurra de volta na cama. Ela agita contra mim de novo, jogando a cabeça para trás, seu longo cabelo escuro caindo em cascata pelas costas. — É uma sensação boa. – Murmura.

dela e rasgo primeiro um lado e depois do outro, cuidando para não estragar sua pele perfeita no processo.

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— Levante para mim. - Digo, tocando sua coxa. Ela faz o que eu peço. Agarro a calcinha

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Foda-se! A calcinha precisa ir.


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— Aquelas eram as minhas preferidas. – Ela faz beicinho. — Elas estavam no caminho. Ela se senta novamente e sua umidade agarra o meu pau. Ela novamente balança os quadris, e uma ligeira mudança teria feito correr para casa, dentro de seu calor. Virando-a, caio em cima dela. — Eu estou limpa. - Diz ela. - Quer dizer, estou tomando pílula e... tem sido um tempo e depois de Cal, eu fui testada... Quer dizer, tenho sido testada várias vezes desde ele, você sabe, só queria ter certeza. Nós sempre usamos proteção, mas eu só... Sim, vou calar a boca agora. - Ela divaga. Deus, eu amo essa garota. — Eu também, querida. Eu nunca fiz sem, mas isso não significa que não é possível. Quer dizer, é assim que eu tenho o meu filho, afinal de contas. O pânico dela desaparece com a menção de Knox. — Ele é um bebê milagroso. - Ela sorri. — Ele é. - Concordo. — Eu fui testado desde Stephanie, mas é um risco, Kendall. Aparentemente, os meus meninos são bons nadadores. - Pisco para tentar aliviar essa conversa. Isso para não falar que está matando o clima. Ela balança a cabeça. — É, mas é um risco que estou disposto a levar com você. Eu não quero nada entre

não empurrar meu quadril e deslizar dentro dela, mas eu adio, para grande decepção do meu pau.

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Aperto o lençol sob a cabeça dela. É preciso toda a minha força de vontade e força para

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nós.


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— É sua decisão, doce menina. - O pensamento dela carregando meu bebê faz algo para mim; é o mesmo sentimento que tenho quando ela me diz que me ama. Como se ela estivesse lendo minha mente, ela diz: — Eu te amo, Ridge. Balanço a cabeça. Decisão tomada. Menos conversa, mais beijos. Esmago meus lábios nos dela, deslizando minha língua por seus lábios. Os dela duelando com os meus. Ela envolve seus pés em volta da minha cintura e tenta me puxar para perto, choramingando quando eu mantenho estável. — Por favor. – Ela implora contra a minha boca. Eu me afasto e sorrio para ela. — Temos a noite toda. – Lembro a ela. Ela bufa um suspiro de frustração, mas quando eu tranco em um mamilo nu e sugo-o em minha boca, ele se transforma em um gemido baixo, do fundo de sua garganta. Eu levo o meu tempo, dando a cada um dos seus seios perfeitos igual atenção. Eu poderia passar horas fazendo apenas isso, mas não esta noite. Hoje à noite, eu quero experimentar tudo dela. Solto o mamilo dela com um pequeno pop, movo para baixo de seu corpo, sem parar até chegar ao seu umbigo. Sigo-o com a minha língua e suas mãos se enterram no meu cabelo. É realmente meio que perfeito por causa de onde estou indo em seguida. Mesmo que esta não seja a primeira vez que eu vá prova-la, parece como se fosse. Cada toque, cada carícia, cada união de nossos corpos parece mais íntimo para mim, porque ela sabe que eu a amo. Ela sabe

parte da minha alma esteja fundida com a dela.

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Hoje à noite, toda a noite, hora após hora, eu vou mostrar-lhe mais e mais até que cada

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que isso é mais para mim, que é tudo. Que ela é tudo.


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Com as mãos dela enterradas no meu cabelo, mergulho minha língua em seu centro quente e ela aumenta seu aperto. A perda de controle dela faz com que eu perca o meu. Devoro-a, adicionando um dedo depois dois, cantarolando a minha satisfação quando enterro meu rosto mais profundo. Ela levanta os quadris tentando me aproximar, perseguindo sua libertação. O que a minha garota quer, ela tem. Aumentar meus esforços, beliscando, lambendo, sugando e cantarolando, tudo enquanto trabalhava meus dedos dentro e fora dela. Nem um minuto depois, ela está chamando meu nome. — Ridge! - Ela grita enquanto ela segura minha boca apertada contra ela. Eu não paro

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até que sinto sua queda contra a cama.


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CAPITULO TRINTA E OITO

KENDALL Eu desabo na cama, soltando o aperto mortal no cabelo dele. Meu corpo parece uma geléia, meus membros estão enfraquecidos, meu coração está acelerado e a dor deliciosa entre minhas coxas me diz que quero mais – mais de Ridge, mais da sua boca, mas o mais importante, tudo dele. Preciso senti-lo dentro de mim, para ter aquela conexão com ele que estivemos lutando contra desde o início. Num primeiro momento, eu pensei que ele não queria dormir comigo – foi até ele começar com as preliminares. No entanto, não importou o quanto eu tentasse, ele nunca ia à minha casa. Ele disse que eu precisava entender que ele queria ficar comigo mais do que tudo, e estava esperando o melhor dia pra provar isso pra mim. Mas no dia que eu o ouvi resmungar algo parecido com ‘ela é muito mais do que a porra de uma aposta’ que eu compreendi sua hesitação. Depois disso, eu o deixei tomar controle da situação. Eu sabia que nós finalmente estaríamos aqui, e tenho que dizer que todos esses meses de preliminares deixaram meus sentidos em estado de alerta. Ridge ergue sua cabeça e limpa sua boca com as costas da mão. Desta vez foi diferente, ele estava implacável, buscando me fazer gozar como se ele precisasse disso tanto quanto eu queria. Só de sentir a rigidez do seu pau na minha coxa, atrevo-me a dizer que tenho razão. — Preciso de você. - Eu sussurro as palavras, mas pela chama do calor em seu olhar, eu sei que ele me ouviu.

pau que vou pará-lo. Quando eu disse que precisava dele, eu não estava exagerando. Preciso dele para respirar.

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uma vez fundidos. Consigo sentir meu gosto, e mesmo não sendo minha coisa favorita, nem a

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Lentamente, ele desliza seu corpo em cima do meu, até que nossos lábios estão mais


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Ele apóia seus cotovelos em cada lado da minha cabeça, segurando a maior parte do seu peso enquanto ele passa seus dedos pelo meu cabelo. — Você é linda, Kendall. - Ele diz, seu olhar sustentando o meu. Posso sentir meu rosto aquecer. — Minha doce menina. - Ele murmura quando beija minha bochecha, meu queixo, meu nariz. Finalmente seus lábios pousam na minha testa e eles permanecem ali. Passo meus dedos pelo seu cabelo emaranhado. Isso é tão sexy nele. Claro, Ridge poderia deixar qualquer coisa parecer sexy. Erguendo-me um pouco, eu traço a estrela tatuada no músculo do peitoral dele com minha língua, e ele geme de satisfação. Eu amo suas tatuagens. Eu passo horas traçando-as, memorizando cada linha e cada um dos seus ângulos. Eu prendo minhas pernas em volta da cintura dele e travo meus calcanhares nas costas dele. Erguendo meu quadril, eu mostro a ele que o quero, o que preciso. — Nunca fiz assim. - Ele sussurra quando mordisca meu lóbulo. Num primeiro momento fico confusa, porque ele tem um garotinho adorável. — Não sem proteção. E isso é muito importante, Kendall. Posso estar agindo como mulherzinha agora, mas preciso que você diga que é isso mesmo o que você quer. — Sim. - Eu não hesito. Essa é a decisão mais inteligente que já tomei? Provavelmente não, mas eu quero isso. — Você me desencoraja, baby. Colocando sua mão entre nós, ele pega sua ereção e desliza entre minhas dobras. Eu choramingo com o contato. Essa é a primeira vez para nós – a primeira de muitas, é só o que

tremor ligeiro na mão dele. — Você está tremendo.

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Eu coloco minha mão no seu braço. Minha intenção é ajudar a guiá-lo, mas percebo um

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posso esperar.


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— Estou sim. - Ele ri, mas depois sua expressão fica séria. — Quando fizermos isso, você vai ser minha, Kendall. Eu preciso que você saiba que nada e nem ninguém vai tirar você de mim. É isso então, vamos selar nosso futuro. Se eu não estava molhada antes, agora que eu estou mesmo. — Sim. - É a minha resposta, a única palavra que consigo passar pela minha garganta engasgada de emoção. Um sorriso lento desponta nos lábios dele. Baixando sua cabeça, ele sussurra no meu ouvido. — Eu te amo, Kendall. E então ele se empurra pra dentro de mim. Eu mergulho meu dente no meu lábio inferior para evitar que eu grite – não de dor, mas de alívio. Ele me deixou à beira do limite por semanas. Passando meus braços por debaixo dos dele, eu o abraço o mais apertado que eu consigo, minhas unhas cravam na sua pele. Ele geme e estoca um pouco mais rápido. Isso o alimenta, minha necessidade dele, então cravo minhas unhas um pouco mais fundo e me preparo para o que está por vir. — Tão. - Estocada. — Doce. - Estocada. — Pra. - Estocada. — Caralho. - Estocada. Seus quadris se movem com movimentos mais curtos e com estocadas mais rápidas, e sinto que começo a cair. Tem mais de um ano que senti isso pela última vez, e agora eu tenho o Ridge. Eu não tenho nenhuma inibição quando qualquer coisa vem dele. — Estou quase. - Eu choramingo, erguendo meus quadris e apertando mais minhas pernas que ainda estão travadas em torno dele. — Estou com você, amor. Deixa eu te ouvir. - Ele range enquanto perde o controle de si mesmo.

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costas assim que começo a sentir. Sentir tudo dele. — Agora!

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Eu me seguro, enterrando meus calcanhares na sua bunda e minhas unhas nas suas


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Ele faz o movimento com seu quadril que acerta bem em cheio aquele pontinho, e faço exatamente o que ele pediu quando eu grito seu nome. — Ridge! Caindo em cima de mim, ele enterra seu rosto no meu pescoço enquanto seu orgasmo toma conta do corpo dele. Ficamos deitados ali, os dois exauridos. Passo meus dedos levemente por toda suas costas ensopadas de suor. — Banho. Eu rio por que não poderia concordar mais. — Por favor. - Eu o respondo. — Não é legal rir de um cara depois de transar, doce menina. - Ele murmura no meu pescoço. Dou um tapa de brincadeira no ombro dele. — Não é de você, é da situação. Estou uma bagunça. - Eu enrugo meu nariz. Posso sentir seu peito balançando com sua risada silenciosa. — Isso aí, baby, vamos nos limpar e depois poderemos colocar alguns bifes na grelha. - Ele sai de dentro de mim lentamente. Uma vez de pé, ele me ajuda a levantar e nos leva para o chuveiro. É um banheiro grande que devem caber umas dez pessoas, mas é todo nosso. — Você está melada. - Ele sussurra no meu ouvido enquanto passa seus dedos entre minhas dobras. — Você que me deixou melada. - Eu respondo, pendendo minha cabeça, dando a ele

— Ah, é? - minha voz está sem fôlego por causa do jeito que me faz sentir com seus lábios na minha pele. Ele me consome.

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— Gostei disso. - ele diz, beijando meu pescoço.

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um acesso melhor. Eu o deixarei me melar a todo segundo, minuto e hora da porra do dia.


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— Uhum. - Ele pega o vidro do sabonete líquido e é exatamente do mesmo tipo que uso. Eu não pergunto como ele conseguiu isso aqui. Nossas malas ainda estão na porta onde ele as deixou, mas conhecendo Ridge como conheço – ele está sempre preparado. Ele coloca uma grande porção na sua mão e a passa lentamente em cada centímetro do meu corpo. Permaneço em silêncio, deleitando-me em sentir suas mãos ásperas e calejadas que esfregam ternamente minha pele aquecida. — Sua vez. - Eu digo uma vez que já me enxagüei. Eu devolvo o favor, tomando meu tempo, passando minhas mãos por cada músculo, traçando cada tatuagem. Esse é o meu passatempo favorito de fazer, mas acho que transar no chuveiro esteja no topo de todos os lugares que gosto. Ficamos lá até a água começar a esfriar. Ridge sai do Box e pega uma toalha, envolvendo-a em mim. — Vou pegar nossas malas. - Ele me beija rapidamente, enrola uma toalha em si mesmo e sai pela porta do banheiro, deixando pegadas por todos os lados. Até ele estar de volta, eu já sequei meu cabelo com uma toalha. — Temos que nos vestir mesmo? - ele pergunta, com seus olhos vagueando pra cima e pra baixo no meu corpo. — Ah, não, tenho certeza de que os vizinhos não se importarão em apreciar meus peitinhos de menina enquanto estivermos grelhando bifes. - Eu digo casualmente. — Porra. - Ele fuça na sua mala, pega uma camiseta e entrega pra mim. — Isso deve cobrir tudo. — Tenho roupas, certo? - eu pergunto por que, sinceramente, não tenho certeza se tenho mesmo. Ele disse que Dawn fez minha mala.

me faz desejar que ele esteja tirando-a e não a vestindo.

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boxer e uma calça jeans que está rasgada, gasta e sexy pra caralho nele. Só de vê-lo vestindo-a

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— Sim, mas você não vai precisar enquanto estiver vestindo as minhas. - Ele pega uma


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— Vou ligar a grelha. - Ele me puxa pra dar um beijo rápido e depois sai pela porta. Considerando que ele quer que eu esteja usando só sua camiseta e nada mais, eu não me aborreço com minha aparência. Rapidamente escovo meu cabelo, fuço na minha mala atrás de um elástico para cabelo, prendendo-o em um coque, e já está ótimo. Encontro Ridge na cozinha, pegando os ingredientes para fazer uma salada. Parando atrás dele, eu coloco minhas mãos nas suas costas. — Posso ajudar? — Sim. - Ele se vira, me ergue e me senta no balcão. — Pode me ajudar a me fazer companhia. — Como acha que eles estão se saindo com o carinha? - eu pergunto. Ele sorri pra mim. — Estava pensando a mesma coisa. — Podemos ligar pra ela? Secando suas mãos, ele vai até o outro lado do balcão, pega seu celular e disca pra Reagan. Colocando no viva-voz, ele passa o celular pra mim com um beijo rápido antes de voltar a fazer a salada. — Alô? - Reagan atende, rindo. — Oi, mana. - Ridge diz. — Como está o nosso garoto? Nosso garoto. — Um amor. Tyler está fazendo um monte de caretas e ele ri até engasgar. Ele está

Deixa a gente falar com ele.

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Ridge ergue sua cabeça, com um sorriso de orelha a orelha. — Isso é maravilhoso.

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falando que é uma barbaridade.


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— Claro, espera um segundo. Ei, Knox, papai e Kendall querem falar oi pra você. - Eu ouço um farfalhar e então seus balbucios soam pela linha. — Oi, amigão. Papai está com saudades de você. - Ridge diz no telefone. Knox tagarela mais e mais. — Diz oi. - Ele sussurra pra mim. — Oi, carinha. Espero que esteja se comportando direitinho com a tia Reagan. - Eu espero ouvir tagarelice de bebê de volta, mas sai nada. — Ei, quem acabou de falar com ele? - Reagan responde do outro lado da linha. — Ué, a Kendall. - Ridge diz. Ela ri. — Vocês tinham que ter visto. Ele ficou procurando em todo lugar, como se você estivesse se escondendo atrás dele ou de alguma coisa. Fala com ele de novo. — Muito bem, amigão. Seja bonzinho. Papai e Kendall irão vê-lo amanhã. - Ridge fala pra ele. Recebido com silêncio. — A mesma coisa. Foi a Kendall de novo? - ela pergunta. — Não, dessa vez fui eu. — Vocês dois mimaram demais esse carinha aqui. - Ela ri. — Aqui em casa está tudo bem. Vou dar a ele a última mamadeira do dia antes de colocá-lo pra dormir. Esperei por Ridge perguntar se Tyler também dormiria por lá, mas ele não perguntou.

— Ótimo. Vamos voltar um pouco mais tarde, em tempo do churrasco a céu aberto do pai e da mãe. - Ridge fala pra ela.

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porque é um dos seus melhores amigos com sua irmãzinha.

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Tenho certeza de que ele já sacou que estará esperando por respostas. No final das contas, isso


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— Pode deixar, maninho. Vocês dois se comportem. - Ela diz e a linha fica muda. — Ele parecia feliz. - Eu sussurro. — Ele está feliz. Ele é amado. - Ridge me beija lentamente. — Preciso ver como estão

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os bifes.


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CAPITULO TRINTA E NOVE

RIDGE Eu não poderia ter pedido por uma viagem melhor do que essa. Kendall e eu passamos o tempo todo enroscados nos braços um do outro, explorando os corpos um do outro. É uma noite que tenho certeza que nunca vou esquecer. Saímos um pouco mais cedo do que eu planejei, mas quando eu acordei essa manhã com minha garota nos meus braços, senti que estava faltando algo – meu filho. É como se ela conseguisse ler minha mente porque ela perguntou se não poderíamos voltar um pouquinho mais cedo e evitar o trânsito intenso. Mas eu sabia qual era o verdadeiro motivo disso. Meu pai e minha mãe estão fazendo outro churrasco a céu aberto do Quatro de Julho. Eles amam entreter e agora que meu pai se aposentou, minha mãe se incomodou tanto porque ele está lá para ajudá-la. Eu tenho mais uma surpresa pra Kendall nesse final de semana – eu liguei para os pais dela e os convidei. Eles inventaram uma desculpa quando ela perguntou pra eles o que tinham planejado pro feriado. A família é algo importante para mim, e ela é a maior parte da minha, e quero que os pais dela sejam incluídos nisso também. — Eu quase me esqueci de te avisar. - Ela se vira o máximo que o cinto de segurança permitiu pra me encarar do banco do passageiro da caminhonete. — Eu comprei a roupinha temática mais fofa que existe para o Knox vestir hoje. - Ela se interrompe. — Quero dizer, se você quiser que ele use. — Ei. - Eu pego sua mão. — Sim, eu quero. Está tudo bem, amor. Eu amo o fato

ainda comprei para combinar um boné de pescador e óculos de sol.

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Ela sorri. — É uma bermuda jeans tão bonitinha, e uma regatinha vermelha e azul, eu

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de você amá-lo. - Eu falo pra ela com sinceridade.


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Ver a empolgação dela só por ter comprado uma roupa temática para o meu filho me faz sorri. Ela é uma pessoa doce e com um coração de ouro. Sou sortudo pra caralho por ela ter nos escolhido. — Vamos garantir que sua mãe tire uma foto de nós três juntos. Não que tenhamos que pedir a ela, uma vez que ela ta sempre com uma câmera preparada pra essas ocasiões. Dez minutos depois, estamos estacionando na minha casa. O carro da Kendall está na minha garagem, assim como o carro do Tyler. Faço um lembrete mental para pergunta a ele se tem algo rolando entre ele e minha irmã. Kendall me encontra na frente da caminhonete, e estendo minha mão para ela. Ela não hesita em enlaçar seus dedos nos meus enquanto caminhamos em direção à casa. — Voltamos! - eu grito assim que passamos pela porta. — Na sala de estar. - Tyler responde. Reagan está dormindo no sofá, e Tyler está com o Knox aninhado no seu braço, assistindo ao canal de esportes. — Ele acordou três vezes ontem à noite. Ela está exausta. - Ele aponta pra minha irmã. — Você ficou aqui com ela? - pergunto pra ele. Ele hesita. — Sim, eu dormi no sofá. Ela não quis me acordar. Eu olho em volta da minha sala de estar e vejo o travesseiro e cobertores que minha irmã está usando. Sua história parece ser convincente.

Kendall, puxando-a pra mais perto.

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balbucia e sorri pra mim. — Sentimos sua falta. - Eu digo, passando um braço pela cintura da

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Vou até ele pego Knox. — Oi, amigão, você deixou a tia Reagan acordada, né? - ele


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— Oi, Knox. - Kendall tagarela com ele, eu juro que o rosto dele se iluminou. — Vamos pra casa do vovô e da vovó para o churrasco. - Ela fala pra ele, fazendo cócegas em seus pés. — Ele já tomou banho. - Reagan diz, com os olhos ainda fechados. — Ele se cagou todo às seis da manhã. — Ah, está com dodói na barriguinha? - Kendall pergunta pra ele. Ele ri. Meu garoto. — Tyler, me leva pra casa. Tenho que me arrumar. - Reagan literalmente sai rolando pelo sofá. Depois de ficar de pé, ela vem até mim e abraça a nós três. — Estou orgulhosa de você, Ridge. - Dessa vez, sua voz está séria. — Você cuida dele sozinho e nunca reclamou. — Acho que ele só sentiu minha falta e deve ser por isso que ele não dormiu bem. Normalmente ele dorme seis, às vezes, oito horas seguidas. — Ele sentiu saudades de vocês. Olha pra ele, só sorrisos. - Ela faz cócegas no queixo dele. — Vejo vocês mais tarde. — Precisa de uma carona? - pergunto pra ela. — Relaxa, cara, a casa dela fica a caminho da minha, então eu a levo. Eu observo minha irmã e Tyler acenarem por cima dos ombros deles enquanto saem pela porta. — Tem alguma coisa acontecendo aqui. - Eu falo pra Kendall. — Uhum.

cara bem legal porque ele é importante pra você. Eu sei que você não deve se meter entre eles e se tem alguma coisa rolando entre eles, deixe-os descobrirem por si só.

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— Eu sei que ela é sua irmã e é uma pessoa maravilhosa. Sei que Tyler deve ser um

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— O que você sabe, mulher?


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Dou um tapa na bunda dela. — Vai tomar seu banho e ficar pronta. Nós homens não enrolamos muito pra isso. Ela fica na ponta dos pés e beija minha bochecha e depois beija Knox antes de pegar sua mala e subir as escadas. — Ela é especial, Knox. - Ele tagarela. — Estou feliz por você tê-la aprovado, porque o papai quer fazer dela uma parte permanente das nossas vidas. - Ele tagarela mais um pouco e mexe seus bracinhos. — Ela também te ama, carinha. Ela também te ama. Passo um tempo com meu filho, tentando fazê-lo sorrir o máximo que posso. E é desse jeito que Kendall nos encontra, deitados no chão e eu agindo feito bobo só pra vê-lo rir. — Meus meninos parecem felizes. - Posso ver o rosto dela que ela não deixaria isso passar batido. Pegando o Knox, ficamos de pé para saudá-la. — Seus meninos acham que você está linda. E ela está mesmo. Ela está usando um short vermelho com uma regata branca e azul. E ela também está corada só de ouvir minhas palavras. Será que ela nunca vai se acostumar por eu dizer isso pra ela parar de ficar envergonhada? Espero que não. — Minha vez. - Ela abre seus braços pro Knox. — Vamos aprontá-lo enquanto seu pai toma um banho. Eu beijo, perdendo-me nela, em nós, até que ela diz. — Ai! - Olhando pra baixo, Knox empunhou bem forte sua mão no cabelo dela. — Acho que ele está com ciúmes. - Eu rio e a ajudo a se livrar do agarrão dele antes de eu subir correndo a escada. A garagem já está cheia de carros quando chegamos à casa dos meus pais. Estou feliz;

da minha casa.

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porque eu já sei que eles já estão aqui. Meu pai me mandou uma mensagem assim que saímos

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acho que ela não percebeu o carro dos pais dela estacionado lá. Eu não procuro por eles,


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Pego Knox, com cadeirinha e tudo, jogo a alça da bolsa de fralda pelo meu ombro e pego sua mão. — Tenho que pegar a comida. - Ela ri. — Não, deixa. Volto depois e pego. — Ridge, para de bobagem. Eu posso pegar. — Não, quero você comigo. Vamos. - Eu puxo a mão dela e a tiro de perto da caminhonete. — Vamos falar oi pra todo mundo lá dentro e depois eu volto pra pegar a comida. - Ela balança sua cabeça, mas não diz nada enquanto enlaça seus dedos nos meus e entramos. Deixamos todas as coisas do Knox no quarto dele, quando minha mãe chama. — Você vai deixar as senhoras babando. - Eu falo pro meu filho. — Ele parece tão fofo. Toma, não esquece os óculos. - Kendall me passa o mini óculos de aviador. Aonde ela os encontrou, não tenho ideia, mas eles o deixaram fofo pra caralho. Com Knox em um braço e o outro em torno da Kendall, nós vamos em direção ao deck. — O quê? - Ela se vira pra me encarar, boquiaberta assim que ela vê seus pais. — Como você fez...? — Eu queria que nossas famílias se conhecessem. Essa é nossa, doce menina. - Eu sussurro no seu ouvido enquanto seus pais se aproximam de nós. — Olá, vocês dois. - Ela sorri, dando um abraço em nós. — Estou feliz que estejam aqui. — É tudo coisa do Ridge. - Sua mãe se vira pra mim. — Obrigada pelo convite. Eu passo meus braços pelas costas da Kendall e a puxo pra mais perto de mim. — Você

— Posso segurá-lo? - Sua mãe pergunta.

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simples. Pois é, eu a amo e isso vai ser pra sempre.

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faz parte da família. - Consigo ver o reconhecimento nos olhos dela só de ouvir minha afirmação


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Eu assinto e passo o Knox para os braços dela. Ele fica bonzinho por alguns minutos, até que seu labiozinho começa a tremer. Kendall está do lado dele num piscar de olhos. — Oi, amigão. Está tudo bem. - Ela diz suavemente. Seus olhos buscam o som da sua voz e ele sorri quando ele a encontra. — Tal pai, tal filho. - O pai dela diz, parando do meu lado. — Ela é incrível. - Eu falo pra ele. — Ela é mesmo, assim como a mãe dela. — Você é um homem de sorte. - Ele é mesmo se a mãe dela for igual a ela. — Você também. - Ele responde. — Eu a amo. — Eu sei disso. Eu posso ver. Você lembra a mim. — Então você sabe o que quero. — Sei sim. Ela é o meu bebê e ela não tem tido muita sorte com homens, portanto, cuida bem dela. — Com toda a certeza do mundo. Ele ri. — Boa resposta. - Ele aperta meu ombro e volta a se juntar com meu pai na churrasqueira. O resto do dia foi perfeito com minha família e meus amigos, e muita, mas muita

— Ei, vou ver como está o Knox e ajudá-los a limpar tudo. - Ela diz, tentando sair do meu colo. Eu a seguro mais forte.

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a toda vez que tenho uma chance.

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comida. Minha mãe sempre faz muita comida. Eu mantenho Kendall e Knox por perto, tocando-


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— Ele está bem. Minha mãe está lá dentro e o monitor está aqui. - Eu aponto pra onde eu o deixei em cima da mesa. — Ridge. - Ela ri. — Eu vou ajudar a sua mãe. - Sua voz está resoluta, então eu beijo seu ombro e a deixo ir. — Você não a deixou fora da sua vista o dia todo. - Meu pai diz, sentando no banco ao lado do meu e me passando uma cerveja. Eu declino com um aceno. — Não posso. Vou dirigindo de volta para casa, e hoje à noite, o Knox fica comigo. - Ele toma um longo gole da sua cerveja. — Eu gosto dela. - Ele aponta a garrafa na direção que está a Kendall e minha mãe na cozinha. Os pais dela já foram embora há algumas horas. — Eu a amo. - Eu falo pra ele. Ele ri. — Você sempre soube o que queria. Eu não falo nada, porque ele tem razão. Eu sempre fui atrás do eu queria, e Kendall não é uma exceção. — Não a deixe escapar, Ridge. Eu posso ver que ela se importa com você também. Vai dar muito trabalho e vai exigir muito do amor de vocês, mas prometo que se ela for mesmo a escolhida, tudo valerá a pena. — Ela vale mesmo a pena. - Eu asseguro a ele. Ele assente e encerra o assunto. Um homem de poucas palavras, esse é meu pai, mas

Kendall é tudo pra mim.

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Hoje, ele não me disse nada demais que eu já não sabia.

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quando ele fala você escuta. Ele sempre tem algo profundo a dizer.


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CAPITULO QUARENTA

KENDALL É segunda-feira e estou de volta ao trabalho. O longo final de semana foi maravilhoso, e estou sempre ostentando um sorriso no meu rosto. Dawn fez questão de me lembrar disso toda vez que ela vem ao meu consultório. Na última vez que ela deu uma passada aqui, ela precisou de clipes. Eu taquei em cima dela e disse pra ela parar de inventar desculpas só pra me encher o saco e mandei levar seu rabo preguiçoso de volta ao trabalho. Sua risada ecoou pelo corredor. Tentando manter minha concentração está provando ser um grande desafio hoje, depois do final de semana. Meu celular vibra e eu suspiro de frustração, só de saber que deve ser a Dawn me enchendo. Eu nunca que vou conseguir terminar esse relatório. Pegando meu celular do bolso traseiro, a frustração desaparece quando vejo o nome do Ridge piscando na minha tela.

Ridge: Meus pais vão levar o Knox na casa dos meus tios. Eles não vão estar de volta até a hora do jantar. Que tal você, eu e um mini encontro hoje à noite?

Ridge: Ah, é um jantar, só nós dois. Além disso, o carinha não vai demorar muito pra voltar.

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Eu: Mini encontro?

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Eu sorrio.


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Eu: Sim. Onde? Devo te encontrar? Ridge: Onde você quiser. Vou passar na sua casa às seis. Eu: Vejo-o lá então. Ridge: Te amo, doce menina.

Meu coração se derrete.

Eu: Também te amo!!

Olhando para o relógio, eu vejo que ainda é uma da tarde. Mais quatro horas antes de eu correr para casa, trocar-me e ficar pronta pro meu mini encontro com meu homem. — Oi, Kendall. - Dawn diz da porta do meu consultório. — Sério? - eu pergunto rindo. — Ei, dessa vez eu tenho um motivo. E não é só pra dizer que você está brilhando. - Ela sorri sabendo que sua descrição deu a ela a oportunidade pra me dizer isso de novo. — Mark acabou de me mandar uma mensagem e queria saber se você e o Ridge, e Knox, claro, querem pedir o jantar hoje à noite. — Ridge também acabou de me mandar uma mensagem. Os pais dele vão sair com o

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— Sério mesmo? - ela ri.

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Knox mais tarde essa noite e vamos sair pra jantar. - Eu falo pra ela.


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— Deixe-me ligar pra ele. - Eu pego meu telefone do meu bolso, procuro seu nome e depois disco. — Oi, linda. - Sua voz profunda atende. Eu tento pra caramba não deixar a Dawn perceber como ele me afeta facilmente. — Oi, Dawn quer saber se nós queremos jantar com ela e o Mark. Ele ri. — Mark acabou de me perguntar a mesma coisa. Eu estava para te mandar uma mensagem. Deixo por sua conta, amor. — Vai ser divertido. - Eu falo pra ele. — Para mim tudo bem então, doce menina. Vamos chegar aí na sua casa lá pelas seis. — Perfeito. Vou avisar a Dawn. — Está bem então. Te amo. Meu rosto se aquece todo. — Também te amo. - E encerro a ligação. — Como assim? Você já está falando pra ele que o ama e não me contou nada?! - ela pergunta. — Isso começou no final de semana. Simplesmente aconteceu, e eu ainda não tinha te visto. Você estava com o Mark, esqueceu? - eu a lembro. Ela cora também. Somos duas lesadas. — Então, os rapazes vão estar em casa lá pelas seis. - Eu falo pra ela.

— Vamos embora, já são cinco horas. - Ela sorri enquanto sai do meu consultório o que parece ser a centésima vez só hoje.

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a mesma coisa.

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Ela ergue seu celular, mostrando a mensagem que provavelmente o Mark deve ter dito


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Às quatro e cinqüenta e nove da tarde, Dawn está parada na minha porta, batendo com seu pé no chão. — Esse foi o dia mais longo da história. - Eu falo, desligando meu computador. — E foi mesmo. Até mesmo os pacientes estavam lerdos. Achei que não ia dar cinco horas nunca. — Eu sei. O final de semana longo acabou comigo. Viemos trabalhar separadas essa manhã, já que ela passou a noite na casa do Mark ontem. Ridge implorou pra que eu ficasse, mas eu tinha roupa pra lavar pra vir trabalhar. Ele ofereceu ir à minha casa e pegar cada peça de roupa que eu tinha pra lavar na casa dele. Que cara louco. Sem dizer que, depois do tentador beijo de boa noite que ele me deu, eu fui para minha casa. Foi muito difícil dormir na minha própria cama depois de dormir por vários dias na casa dele. — Para onde vamos? - pergunto pra Dawn uma vez que chegamos em casa. Nós duas nos ajeitamos no sofá, mas precisamos nos arrumar e ficar pronta para que os rapazes não tenham que esperar por nós. — Eu sugeri aquele novo restaurante. Mark disse que tanto faz. — Ridge me disse a mesma coisa. Pra mim tá bom. Começamos a conversar, nos atualizando com os acontecimentos na nossa vida enquanto estávamos separadas. Ela e Mark estão mesmo ficando. Ela me confessou que está se apaixonando por ele e ela acha que é recíproco da parte dele também.

Ela ri. — Não tem necessidade disso.

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coisa.

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— Acho que vou torturar o Ridge mais tarde e ver se ele me deixa a par de alguma


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— Ei, nós garotas temos que ser unidas. - Eu falo. Meu celular vibra no meu bolso.

Ridge: Estamos a caminho.

— Merda! Temos só dez minutos. Precisamos no aprontar. - Nós duas saltamos do sofá e corremos até nossos quartos. — Precisamos de uma noite só das meninas. - Dawn grita do quarto dela. — Sinto saudades da minha melhor amiga. — Vamos combinar. Uma batida alta na porta. — Merda. - Eu digo, assim que escuto a Dawn berrar pra pessoa entrar. Ridge deve ter chegado mais cedo do que eu imaginava. Eu ponho minha cabeça para fora e encontro a Dawn no corredor. Estou abotoando meu short, sem prestar atenção quando ela para na minha frente. — Mas que porra você está fazendo aqui?! - a voz dela está carregada de ódio. Aversão. Olhando para a frente, eu vejo Cal. Meu ex-namorado Cal, parado na minha sala de estar. Meu primeiro pensamento é que já se passou muito tempo. Mas então eu me lembro que Ridge está pra chegar a qualquer momento, e ele sabe sobre o Cal e o que ele fez comigo. Ele

— O que você está fazendo aqui, Cal? - eu pergunto dando a volta na Dawn e me juntando a ele na sala de estar. Ele ainda está parado na porta da frente.

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Ridge não vai ficar impressionado.

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parece sóbrio agora, mas você nunca sabe quando se trata de um viciado. O que eu sei é que


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— Senti sua falta, Kendall. — Sério mesmo? Já se passou quase um ano e desde que fui embora nem uma ligação se quer sua eu recebi. - Eu cruzo meus braços no meu peito, não caindo nessa conversinha fiada. — Eu estou limpo. - Ele diz com sua voz baixa. — Quando voltamos para casa e seu apartamento estava vazio. Eu bebi muito. Acabei na cadeia e fui mandado para a reabilitação por três meses. Estou limpo desde então. — Que porra é essa. - Dawn resmunga suspirando. — Isso é ótimo. Se é mesmo verdade, eu fico feliz por você. Mas já cansei de te falar que está tudo acabado entre nós. — Eu fiz isso por você, Kendall. - Ele alega. Eu abro minha boca para responder, quando escuto batidinhas rápidas na porta e Mark e Ridge entram. Vou em direção ao Ridge, enlaçando meus dedos nos dele e o puxando para que fique ao meu lado atrás do sofá. Mark vai em direção a Dawn. — O que foi, amor? - Ridge pergunta. Respirando fundo, eu os apresento. — Ridge, este é o Cal. Cal, este é o meu namorado, Ridge. - Ele fica tenso do meu lado, solta minha mão e coloca seu braço em torno da minha cintura, puxando-me para mais perto dele.

— Kendall, será que nós podemos... ir a algum lugar e conversar? - Cal pergunta.

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— Namorado. - Ridge repete.

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— Namorado?! - Cal parece mais derrotado do que raivoso.


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— Nem a pau, meu camarada. Se você tem algo a dizer pra ela, você pode dizer bem da onde você está. - Ridge fala pra ele. — Eu não te perguntei nada. - Cal diz entre os dentes. Ridge joga a cabeça para trás e ri. — Estou pouco me lixando para quem você pergunta. Sou o cara que está te dizendo que isso não vai acontecer. Cal se vira pra mim. — Você vai deixar mesmo este cara mandar na sua vida? — Assim como? Como você bateu nela e a traiu? - Ridge pergunta. Sua raiva está crescente, se o tom da voz dele e o aperto que ele dá na minha cintura não estiverem indicando o contrário. Eu passo meus braços em torno da cintura dele e repouso minha cabeça no seu peito, tentando ajudá-lo a aplacar sua raiva. — Cal, já te falei que acabou. Se você está mesmo limpo, então estou orgulhosa de você. Eu te desejo toda a sorte do mundo, mas acabou. — Já acabou. - Dawn completa atrás de nós. Cal solta sua cabeça em sinal de derrota. — Sinto sua falta. - Ele sussurra. Ridge rosna. — Cal, você pensa que sente minha falta. Eu estava com você antes das drogas. Você precisa encontrar algo positivo para se focar. Mesmo se o Ridge não tivesse aparecido na minha vida, eu não voltaria para você. - Eu falo gentilmente. Ridge beija minha têmpora.

tem mais nada aqui pra você.

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— Já chega! - Ridge diz, erguendo a sua voz. — Ela disse que não está interessada. Não

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— Podemos fazer isso dar certo. - Cal pleiteia.


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— Eu te amo, Kendall. - Cal diz, com tristeza no olhar. — Fora! - Ridge ruge. — Ridge. - Eu agarro sua camiseta e ele olha pra mim. — Eu te amo. - Eu falo pra ele. Ele aperta meu quadril. — Cal, por favor, vai embora. Estou orgulhosa por você estar limpo, mas está na hora de seguir em frente. Ele olha pra mim, e posso ver que ele acreditou mesmo que eu não voltaria pra ele. Meu coração sofre por ele, mas já é tarde demais pra nós. — Você está feliz? — Sim. - Eu respondo sem hesitar. O homem que me abraça tão forte ao meu lado garante que estou mesmo feliz. — Certo. - Ele mexe no seu bolso e Ridge dá um passo adiante, como se ele precisasse me proteger. Cal tira um envelope branco. — Essa carta foi pro seu endereço antigo, mas foi entregue no meu apartamento. Guardei-a por um tempo. Quis conseguir um emprego primeiro antes de voltar para você. Quis que você visse que eu mudei. - Ele coloca o envelope na mesinha de centro. — Você vai querer ler isto. - Ele diz, com seu olhar triste encontrando o meu. — Adeus, Cal. Ele olha pra mim pelo que parece ser uma eternidade, o que deixa a todos nós desconfortáveis. Finalmente ele diz. — Adeus, Kendall. Se isto valer a pena, eu sinto muito pelo

antes de sair, a porta clica fechando suavemente atrás dele. — Você está bem? - Dawn pergunta.

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Ridge não toma conhecimento dele. Cal pega a deixa, oferecendo um aceno triste

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o que aconteceu entre nós. - E depois ele olha pro Ridge. — Cuida dela.


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Eu assinto contra o peito do Ridge; ele me esmagou no seu peito. Ele baixa sua cabeça para sussurrar no meu ouvido. — Eu te amo, Kendall. - Aquelas quatro palavras me tiram da tristeza que Cal trouxe com ele. Eu quis dizer exatamente o que eu disse, que estou orgulhosa dele, mas Ridge é o amor da minha vida. — Que tal pedirmos ao invés de sairmos? - Dawn pergunta. — Sim, uma ótima ideia. - Ridge concorda. — Pizza? - Mark sugere. Vocês gostam da pizzaria da rua de baixo, né? — Perfeito. - Dawn sorri pra ele. — Vamos até lá e dar a eles algum tempo a sós. — Obrigado. - Ridge diz pra eles. Quando eles saem, ele me conduz até o sofá e me coloca no seu colo. — Você está bem, doce menina. — Sim. Quero dizer, estou surpresa dele ter aparecido aqui depois de todo esse tempo, mas eu não o quero de volta. Você está onde eu quero estar. — Eu sei disso. - ele beija meu ombro nu. — Eu também sei que vê-lo novamente provavelmente te trouxe muitas velhas lembranças. — Sim, mas eu estou bem, de verdade. Sinto-me mal por ele, sinto mesmo, mas não há a menor chance de eu escolher entre você e ele, Ridge. Eu estou apaixonada por você. — Eu sei disso também, mas ainda amo ouvir essas palavras saírem da sua boca. - Ele beija meu ombro de novo. — Então, o que você acha que está escrito naquele envelope?

antigo apartamento, mas não tem remetente. Não tenho certeza do que vou encontrar escrito nele, eu sento no lado oposto do sofá. Eu percebo sua expressão desapontar, mas ele não me

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caminho até a mesinha que fica do lado da porta e pego o envelope. Está endereçada ao meu

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— Sinceramente não tenho a menor ideia. Acho que eu deveria olhar. - Eu fico de pé e


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pressiona. O senhor ‘Preciso Te Tocar o Tempo Todo’ sabe que preciso de alguns minutos para ver o que está escrito nela. — Não tem remetente. - Eu falo pra ele. — Você quer que eu abra? - ele se oferece. — Não, provavelmente deve ser alguma carta que ele escreveu, tentando me convencer. Sinceramente, não tenho ideia do que possa ser. — Pizza chegou. - Dawn anuncia, colocando as caixas na mesinha de centro. — Vou pegar pratos e guardanapos. O que vocês vão querer beber rapazes? - ela grita da cozinha. Eu rio dela, deixo a carta de lado e a ajudo a pegar tudo o que precisaremos. Duas pizzas enormes depois, estamos gemendo depois de comer muito. Mas mesmo assim, estavam deliciosas. — Então, o que está escrito na carta? - Dawn pergunta. Dou de ombros. — Não sei, ainda não a abri. — O que você está esperando então? - ela pergunta. Eu rio dela, pegando o envelope e o rasgo pra abri-lo.

Kendall Já tem um tempo que te encontrei, os papéis da adoção estavam bem selados. Sou eu,

certeza de que meu contato não arruinasse seu mundo.

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fui informada pelo investigador particular que contratei que você foi adotada. Eu queria ter

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sua irmã, Melissa. Somos irmãs gêmeas, não tenho certeza de que você sabia disso ou não. Eu


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Enfim, não tenho certeza do quanto você sabe sobre nossa mãe. Ela tinha dezesseis anos e nos deu para a adoção com a esperança de que tivéssemos uma vida melhor. Nós duas fomos adotadas, mas meus primeiros pais adotivos não se saíram muito bem. Eles se envolveram com drogas e Deus sabe o que mais, e eu fui colocada num lar adotivo. Mas mesmo assim, não fique triste. Depois de alguns anos, fui adotada por uma família maravilhosa. Serei eternamente grata por tudo o que eles fizeram por mim. Cerca de quatro meses atrás, eu os perdi. Foi trágico e inesperado, e me deixou mais uma vez sozinha no mundo. Estive pensando em você com o passar dos anos, e bem, depois de perder minha família, fui obrigada a enfrentar o mundo, para procurar pela minha irmã. Na verdade estou indo pra sua cidade natal em algumas semanas. E isso é uma história incrivelmente louca. Eu tive uma noite casual – a primeira da minha vida – com um cara que vive lá. Eu não fiquei pra ver o que aconteceria depois, então saí de fininho no meio da noite. Acontece que a nossa pequena aventurinha criou um milagre. Estou grávida, e apesar de eu estar assustada pra caramba por criar este menino sozinha, eu o quero. Mais do que eu quis qualquer coisa nessa vida, eu o quero. Estive indo e vindo na dúvida de procurar ou não o pai dele e contar a ele, mas imagino que ele tem o direito de saber. Então, em algumas semanas, farei essa viagem. Eu escrevi uma carta para ele também, só para o caso de eu dar pra trás. Talvez você o conheça, uma vez que ele tem quase a mesma idade que nós. O nome dele é Ridge, e ele trabalha pra Construções Beckett. Se você estiver por aí, eu adoraria conhecê-la e almoçar com você. Se você não quiser, não tem problema, eu vou entender. Eu só queria te mandar esta carta antes para que você pudesse decidir se quer me conhecer ou não. Espero que esteja feliz e que a vida esteja te tratando muito bem. Eu também coloquei meus contatos pro caso de você querer me conhecer,

Melissa Knox.

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Muitas felicidades,

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agora ou no futuro.


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Eu deixo a carta cair no meu colo, as lágrimas caindo dos meus olhos e pingando no papel. Eu sinto o aperto de braços fortes em mim e me dou conta de que estou no colo do Ridge. Eu estou tão dispersa por causa da carta dela que nem percebi. — Baby, você está me assustando. Por favor, me diz o que está acontecendo. - Ridge suplica. Merda. Ridge. Knox. Melissa. Eu pulo do seu colo, deixando a carta cair no chão. Ridge a pega antes de mim. — Baby, eu não vou lê-la se você me disser o que está acontecendo. Se não, eu vou lê-la. Eu tenho que saber o que está te deixando tão perturbada. - Ele dá um passo na minha direção e eu dou um passo pra trás. — Ridge. - Mark diz, bloqueando-o, colocando uma mão no peito dele. — Sai da minha frente. - Sua voz é ameaçadora. — Eu tenho que abraçá-la. - Ele fala pro Mark. — Dê a ela um tempo, cara. Só deixe que ela processe o que quer que seja que ela leu. — Kendall. - Sua voz falha. — Amor, me conta o que está errado pra eu corrigir. Dawn vem até mim lentamente e abraça minha cintura. Eu a abraço de volta porque eu

— Docinho, nós podemos ler? - Dawn pergunta. — Nós podemos ler a carta?

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Assim que ele descobrir que sou irmã da Melissa, ele vai terminar tudo comigo. Não é?

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preciso da minha melhor amiga. Meu mundo acabou de ruir e vou perdê-lo, perder os dois.


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Meus olhos encontram Ridge, e tudo que vejo é um borrão enquanto tento focar minha visão entre as lágrimas, eu consigo ver angústia no seu rosto. Eu assinto e ele suspira de alivio.

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Ele se joga numa cadeira, abre a carta e começa a ler.


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CAPITULO QUARENTA E UM

RIDGE A porra do meu coração está prestes a bater direto para fora do meu peito. Algo naquele envelope a destruiu emocionalmente, e eu quero saber o que diabos é. Como é que eu vou corrigir isso se eu não sei o que é? Eu só preciso segurá-la. Uma vez que eu a tiver em meus braços, posso levá-la a me dizer, eu sei que posso. Quando Dawn perguntou se podíamos ler, e ela concordou, voltei para o meu lugar. Li tudo uma vez e, depois, de novo, pensando que minha mente está pregando peças em mim. Isso é a vida real? Será que já não sofremos o bastante? Será que ela sabe que foi adotada? Eu não sabia sobre isso. É por isso que ela está tão chateada? Eu preciso segurá-la. — Kendall, baby, eu posso, por favor, segurá-la? - Pergunto a ela. Minha voz é grossa com a emoção que eu estou tentando segurar. Ela só olha para mim, lágrimas silenciosas escorrendo pelo seu rosto. — Por favor, baby. – Minha voz vacila de novo. Eu não tiro os olhos dela e sou grato, porque ela dá um ligeiro aceno de cabeça. Isso é todo o incentivo que eu preciso antes que esteja em meus pés e envolvendo-a em meus braços. Ela começa a chorar no meu peito, e eu posso sentir minhas próprias emoções brotando na minha garganta. Ela está quebrando a porra do meu coração agora e eu não posso corrigir isso. Preciso corrigir isso para ela.

para Mark.

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O meu telefone vibra no meu bolso. Suponho que sejam meus pais. Tiro ele e lanço

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Ouço Dawn suspirar, e sei que ela e Mark acabaram de ler a carta.


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— Verifique se são meus pais, mande uma mensagem para eles e deixe-os saber que eu preciso que eles fiquem com Knox um pouco mais, e que eu vou explicar mais tarde. - Ele balança a cabeça e os dedos começam a voar por toda a tela. Eu não me movo, apenas seguro-a tão perto quanto eu posso, correndo os dedos pelos cabelos dela, continuamente beijando o topo de sua cabeça. Eu vou ficar aqui neste mesmo lugar e segurá-la durante o tempo que for preciso. — Kendall, querida, por que vocês não se sentam? Vou pegar algo para você beber. – Dawn sugere. A Kendall não se move, e nem eu. — Eu tenho você, doce menina. - Murmuro em seu ouvido. Ela segura minha camisa mais apertado. Eu não sei quanto tempo ficamos lá. Segundos, minutos, horas, dias - eu perdi a noção completa do tempo. — Baby, você quer sentar? - Pergunto a ela. Ela dá um leve aceno, então me afasto, com a intenção de levá-la e ela trava. — Não me deixe. – Chora. Porra. — Shhh, eu não vou a lugar nenhum. - Abaixando-me, levanto-a em meus braços e levo-a ao sofá. Ela enrola no meu peito e enterra o rosto no meu pescoço.

naquela carta, e eu não sei o que assustou mais você. Você pode falar comigo? Nenhuma resposta.

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— Kendall, baby, eu preciso que você me ajude aqui. Havia um monte de informações

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Corro minhas mãos para cima e para baixo em suas costas, tentando acalmá-la.


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— Ei, cara, sua mãe não está se sentindo bem. Vou encontrá-los e levar Knox de volta para sua casa. – Diz Mark em voz baixa. — Não. - Kendall levanta a cabeça. — Traga-o para cá. - Ela olha para mim. — Por favor? Balanço a cabeça para Mark. — Ok, baby, ele vai trazer Knox para cá. — Eu vou com você. - Dawn diz a Mark. Estou grato de ter um minuto a sós - esperançoso é a palavra certa. Talvez eu possa fazê-la falar. — Baby, por favor, fale comigo. — Eu sou adotada. - Ela finalmente diz. — Você já sabia disso? – Pergunto a ela. — Quero dizer, eu sei o que dizia a carta, mas ela estava certa? Você sabia? — Sim, eu era um bebê, uma recém-nascida. Minha mãe biológica, ela era apenas uma criança. Ela fez o que era melhor para mim, e eu vivi uma vida incrível. - Diz ela através de mais lágrimas. Sua voz é triste. — Você sabia que era gêmea? — Não.

— Sim, mas ela era a sua Melissa, Ridge.

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— É um choque, hein?

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Ok, bem, nós estamos começando a chegar a algum lugar.


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Minha Melissa. — Ela era a mãe de Knox, sim, mas ela nunca foi minha, Kendall. — Eu estou finalmente feliz, feliz com um homem que faz meu coração palpitar todo dia. – Ela funga. — E agora eu vou perdê-lo. Espere, o quê? — Kendall, olhe para mim. - Ela não faz. Inclino o queixo dela para cima com o dedo indicador. — Como você vai me perder? — Porque! - Ela grita. — Minha irmã gêmea era o seu caso de uma noite. A mãe de Knox. Eu vou ser um constante lembrete do que você perdeu. — Nunca. - Digo, deslocando-a no meu colo para que ela possa me encarar. Seguro o rosto dela com as mãos e faço-a olhar para mim. — Isso nunca vai acontecer, porra. Você é meu coração, e nada - e eu quero dizer nada - vai me levar para longe de você. É isso que você acha? Que eu poderia apenas parar de amar você? — Eu não sei. - Ela sussurra, sua voz dizendo o quanto isso está machucando-a. — Não há escolha, doce menina. Eu já não sou eu sem você – você e Knox. Você é uma parte de mim, Kendall Dawson. Ela era uma garota que eu conheci em um bar, e dormimos juntos. Aquela noite resultou num milagre que é o meu filho. O que aconteceu a ela é trágico e triste. Descobrir que ela é sua gêmea, esse é o tipo de notícia que abala qualquer estrutura, treme um pouco, mas não desmorona. Nada nunca vai. Ela continua a olhar nos meus olhos enquanto lágrimas silenciosas caem em suas

— É uma notícia inesperada, mas é a vida, certo? A vida é cheia de momentos inesperados que levam você a encontrar o seu caminho. Talvez Melissa enviou você para mim.

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dizendo.

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bochechas. Então eu continuo indo sabendo que vou continuar até que ela entenda o que estou


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Você já pensou sobre isso? Desde o início, o meu impulso por você era algo que eu nunca experimentei. Talvez fosse ela nos empurrando juntos. Eu não sei como o universo funciona, mas eu posso dizer-lhe que eu agradeço a Deus por você todos os dias. Ela fica em silêncio por um longo tempo. Eu não disse mais nada, apenas deixando-a processar minhas palavras, o que estou dizendo. Que eu vou amá-la até o dia que eu der meu último suspiro. — Eu te amo. Eu amo Knox, e o pensamento de não ter qualquer um de vocês me quebra. Oh, minha doce menina. — Não vai acontecer, baby. É você e eu, lembra? Ela balança a cabeça e enxuga os olhos. — Posso te beijar? - Eu sei que não é realmente o momento, mas eu preciso de algo. Eu preciso mostrar a ela que nada nessa carta muda absolutamente nada para mim. Ela é o meu coração. Ela ri. — Você realmente quer beijar essa bagunça? - Ela aponta para seu rosto. — Sim, você é minha bela bagunça. - Digo, inclinando-me para beijar seus lábios salgados. A abertura da porta faz com que me afaste. Mark está carregando Knox em sua cadeirinha e coloca-o no sofá ao lado de nós. Ele

Imediatamente, ela o abraça apertado contra o peito. O pestinha agarra seu cabelo e ela sorri. — Eu te amo, Knox Beckett. - Diz ela, beijando-o na testa.

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Kendall ri e vira de lado no meu colo, puxando-o para fora do seu assento.

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nos vê e balbucia, movendo seus pequenos braços e pernas.


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É possível que o seu coração esteja muito cheio de amor e felicidade e esperanças para o futuro? O meu parece tão cheio que poderia estourar do meu peito a qualquer momento. — Nós te amamos, Kendall Dawson. - Sussurro no ouvido dela, abraçando os dois. Ela sorri através de mais lágrimas, e aquele sorriso me diz que vamos ficar bem. Nós vamos levar isso um dia de cada vez, até que aprendamos a viver com a nossa realidade inesperada.

xxx

Os últimos três meses foram cheios de lágrimas e incertezas. Levou algum tempo para Kendall processar que ela é uma gêmea e que o homem que ela ama e seu filho estão ligados à referida gêmea. Eu também tinha algumas coisas para processar - eu tinha que decidir quanto tempo eu precisava esperar para pedir-lhe para casar comigo. Knox fará sete meses em uma semana. É difícil de acreditar. Ele realmente está começando a parecer meu homenzinho. Tem sido muito divertido vê-lo aprender coisas novas e ser capaz de compartilhar isso com Kendall. Eu estou pronto para mais, e Knox está também; ele me disse que está pronto para ser um irmão mais velho, em sua própria maneira, balbuciando. Falei sobre isso com Knox, e decidimos que esta noite é a noite. Liguei para Kendall e a convidei para vir, disse-lhe que estávamos tendo uma noite tranquila. Nós estamos, apenas nós três. Esperemos que, no final da noite, ela vá ser minha noiva, e eu posso finalmente, convencêla a morar comigo. Eu tenho tentado nos últimos dois meses, mas ela ainda me vira para baixo. Eu sei que ela ainda está desconfiada, e no fundo, ela se sente como se ela tivesse tomado a

vapor, como ela fez no primeiro dia que nós três passamos juntos. Eu tenho o mesmo cobertor

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Eu tenho tudo pronto. Eu comprei a lasanha congelada e coloquei ela na panela à

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família de sua irmã, mas ela precisa ver que nós somos a família dela, Knox e eu.


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que usamos no gazebo na noite anterior, lavado, dobrado e esperando por nós na porta dos fundos. Nada exagerado, apenas do jeito que tudo começou. Ouço-a estacionar, então eu rapidamente fecho o agasalho de Knox e entrego a ele a rosa vermelha, esperando como o inferno que ele não tente comê-la. Assim que ela abre a porta, nós estamos ali, nós dois segurando uma única rosa vermelha. Ofereço-a a minha e Knox me imita. — Obrigada, lindo. - Ela se inclina e beija sua bochecha. Ele ri. — E você. - Ela fica na ponta dos pés e pressiona seus lábios nos meus. Knox grunhe e puxa o braço dela. Ele é um pouco ciumento quando se trata de Kendall, não que eu me importe. Eu amo que eles formaram esse laço, faz com que os planos de hoje à noite sejam ainda mais doces. Nós já somos uma família; isso só vai mudar o sobrenome dela, tornar tudo oficial. — Como foi seu dia? - Pergunto. — Bom. Tem sido uma longa semana. Eu estava definitivamente pronta para o meu fim de semana com as minhas duas pessoas favoritas. – Diz ela. Knox chega para ela e ela sorri quando pega ele e coloca-o em seu quadril. — Nós sentimos sua falta. – Beijo sua têmpora. Ela parou de passar a noite durante a semana, mas de sexta-feira após o trabalho até domingo ela fica aqui. Ela ainda para aqui cada noite, mas ela disse que durante a semana era apenas mais fácil com o trabalho ficar na casa dela. Ela parecia sempre esquecer alguma coisa – seu jaleco, seu estetoscópio, qualquer coisa. Tentei convencê-la a mudar, e este era o compromisso dela. Espero que tudo mude hoje à noite.

— Isso parece divertido, hein, cara? Você quer alimentar os peixes? - Ela olha para mim. — Ainda está bastante quente lá fora. É melhor aproveitar enquanto pudermos.

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gazebo.

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— Então, o jantar está no fogo e eu pensei que nós poderíamos dar um passeio pelo


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Eu aceno meu acordo, pego o cobertor e mantenho a porta aberta para eles. Eu paro por trás enquanto Kendall aponta pássaros e as folhas das árvores. Knox imita ela e aponta também. Assim que chegamos ao gazebo, coloco o cobertor no banco e abro o balde de comida de peixe que comecei a deixar aqui algumas semanas atrás. Knox ama alimentar o peixe. Ele recebe mais alimento de nós do que da água, mas o riso dele vale a pena. — Ei, eu tenho que mostrar a você a camisa que eu encontrei para ele. - Digo a ela. Ela sorri. — Na verdade, ele está usando ela. – Digo a ela. — Será que o papai comprou uma camisa nova para você? – Pergunto a ele. — Ele comprou? Posso ver? - Ela se senta no banco e coloca-o no colo. Ajoelho-me diante dela e pego sua pequena mão para que ela possa puxar para baixo o zíper. — Vamos ver a novidade, caras. Diz ela, abrindo o casaco. Observo o seu rosto de perto enquanto ela lê. Vejo a confusão dela. Seus olhos piscam para mim e isso é quando ela vê o anel. — O que é que diz? - Pergunto. Lágrimas enchem seus olhos enquanto ela coloca a mão sobre a boca. Knox acaricia o dela, vendo que ela está chateada. — Você vai se casar conosco? - Sussurra. Pego Knox e ele salta para os meus braços.

pequena família completa e case-se com a gente? O sorriso dela é ofuscante.

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Queremos que Knox seja um irmão mais velho. - Ela ri em meio às lágrimas. — Faça a nossa

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— Nós amamos você, Kendall. Queremos que você tenha o nosso sobrenome.


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— Sim! Knox aplaude e grita de alegria, vendo Kendall sorrir. Ela se lança para mim. Eu envolvo meus braços ao redor dela, segurando-a no meu abraço.

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Eu sempre vou segurá-la.


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CAPITULO QUARENTA E DOIS

KENDALL Sabiam que no estado maravilhoso do Illinois um juiz aposentado pode realizar um casamento, contanto que ele não tenha nenhuma sanção disciplinar? Sabiam também que meu avô é um juiz aposentado? Hoje é o dia do meu casamento. A noite em que Ridge e Knox me pediram em casamento, liguei para minha família imediatamente, que era óbvio que eles já sabiam. Pedi para o meu avô realizar nosso casamento e aceitou. Ridge e eu conversamos sobre quando queríamos nos casar. Seu único pedido fosse para que seja o mais breve possível. Eis que estamos aqui, quatro semanas possíveis, a semana antes do Dia de Ação de Graças, e estamos nos casando, portanto, decidimos por uma cerimônia pequena e íntima. Na verdade estamos no chalé no lago que Ridge e eu viemos no Quatro de Julho. Nossos pais, avós, sua irmã, Dawn e é claro Kent, Mark, Seth e Tyler estão aqui. Isso é pequeno e íntimo, do jeito que eu queria. Decidimos que queríamos que nossos pais nos levassem até ao altar. É clichê, sim, mas quem escolheríamos entre nossos amigos? Sem mencionar que nossos pais estão casados há anos e o amor que eles sentem um pelo outro ainda existe. Isso é inspirador. Meu pai me oferece seu braço para que possamos andar juntos até o altar

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— Sim!

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— Pronta, Kendall? - ele pergunta.


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Ele ri. — Vamos casá-la então. - Eu enlaço meu braço com o dele e caminhamos juntos pela trilha que me leva até Ridge e Knox. Decidimos que Ridge seguraria o Knox, porque ele também é uma parte muito importante desse dia. Quando chegamos até eles, Knox estica seus bracinhos pra mim e sinto as lágrimas começarem a arder nos meus olhos. Eu abraço meu pai bem forte. — Estou orgulhoso pra caramba por te chamar de filha. Aquilo sim faz com que minhas lágrimas rolem antes da hora. — Eu te amo, pai. - Posso ser adotada, mas nunca senti eles me tratarem diferente. Eu entendo o porquê minha mãe biológica desistiu de mim, e eu a respeito por ter tomado uma decisão tão difícil que ela teve que fazer. Nunca tive vontade de procurá-la, porque eu já tenho meus pais, o homem e a mulher que me criaram. Espero que eu também possa ser essa pessoa pro Knox. — K. K. - Knox estica seus bracinhos mais uma vez pra mim, então Ridge ri e o entrega pra mim. Isso deixa nosso carinha feliz, e ele repousa sua cabeça no meu ombro. — Você está linda demais. - Ridge diz, sua voz ecoando pelo salão. Ele sorri quando os rapazes gritam que ele foi laçado e as mulheres fazem “oohh” e “aaahh.” Eu amo nossa família, nossos amigos e essa vida que escolhemos viver. Ridge e eu optamos pelos votos tradicionais. Não preciso de palavras melosas para saber que ele me ama e é leal a mim. Sinto isso no meu coração e a cada vez que ele me toca. A cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia eu sinto seu amor por mim. — Pelo poder investido a mim pelo Estado de Illinois, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. - Meu avô diz. Ridge sorri e vem na minha direção. Isso chama a atenção do Knox, que ergue sua

favorito, e ele vem até ela com um sorriso. Ela pisca e se afasta com ele no colo. Antes mesmo

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O pessoal ri, assim como Ridge. Reagan vem até nós e mostra a Knox seu ursinho

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cabeça e aponta pro Ridge. — Não, não. - Ele diz.


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dela se virar, Ridge me puxa para os seus braços para um beijo digno de cinema. — Eu te amo, senhora Beckett. - Ele diz em meus lábios. Senhora Beckett. Puta merda! Nós conseguimos! Na recepção foi oferecido um jantar para o nosso grupo turbulento. Knox roubou o show e é claro prendeu a atenção de todos. Na verdade, ele vai voltar para casa com nossos pais hoje à noite. Meus pais estão muito animados com isso. Os pais do Ridge também se ofereceram para ficar com ele, mas Ridge achou que era importante pra ele se acostumar com ambos os avós. Uma vez que sua mãe cuida dele durante a semana, foi a melhor solução para que todos pudessem ter uma boa convivência com ele. Sem mencionar que os pais dele alugaram o mesmo chalé que eles ficaram há alguns anos no aniversário de casamento deles. Parece que Ridge e eu não seremos os únicos que vão ter “atividades extracurriculares” essa noite. — Está pronta pra dar um pé na bunda de todo mundo aqui? - Ridge sussurra no meu ouvido. — Sim. - Eu digo enquanto ele trilha seus lábios pelo meu pescoço. — Ótimo. Vamos nos despedir do nosso filho. - Meu coração flutua. A partir do momento que ele me pediu em casamento, Knox se tornou nosso filho e eu não poderia estar mais feliz. Não poderia amar mais esse rapazinho do que se eu mesma tivesse dado à luz a ele. Eu ainda tenho momentos de culpa por Melissa, minha irmã, e às vezes sinto como se estivesse vivendo a vida dela. Eu só posso esperar que ela esteja cuidando de nós e saiba que eu os amo

mãe e parece que está quase dormindo. Até que ele me vê. — K. - ele diz, com sua vozinha

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Encontramos nossos pais sentados na marquise. Knox está aninhado no colo da minha

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mais que tudo na minha vida.


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grogue de sono. Ele estende seus bracinhos pra mim e eu não hesito em pegá-lo dela e por no meu colo. — Oi, amigão. - Ele deita sua cabeça no meu ombro, e eu o embalo. — Você vai passar a noite na casa da vovó e do vovô. - Meus pais insistiram que ele os chamasse assim. Não que ele não os chamara de outra coisa, mas ele vai. Eles o aceitaram como se ele fosse meu, não que houvesse qualquer dúvida disso. Olha o que eles fizeram por mim. — Oi, camaradinha, o papai pode ter um pouco de amor também? - Ridge pergunta pro Knox, acariciando suas costas. Sonolento, ele se inclina pra Ridge, que o coloca no seu colo. — Nós conseguimos, carinha. - Ele sussurra pra ele. — Nós casamos com ela. Ela é nossa agora. Meu coração não aguenta mais. Este homem. Ridge e eu nos despedimos de Knox e nossos pais, que vão embora deixando para trás nossos amigos e sua irmã. Presumo que eles devem ter entendido a deixa, mas isso não é tudo o que aconteceu. Entramos no chalé depois de nos despedirmos do Knox e de nossos pais e Ridge simplesmente disse. — Fora. — Ridge! - eu dou um tapa no seu peito. Ele pega meu braço antes que eu pudesse me afastar dele e me puxa contra ele. — Quero ter um pouco de privacidade com minha mulher. — Eu não sei, cara. Acho que poderíamos passar a noite aqui, talvez jogar baralho ou outra coisa. - Kent o provoca.

outra cadeira e Tyler está sentado no chão, encostado na perna da cadeira. Eles não saíram e não falam o que está acontecendo, mas qualquer bobo consegue perceber que tem algo entre

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Mark e Dawn estão empoleirados em uma cadeira rindo. Reagan está sentada em

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— É mesmo, sabe, celebrar sua noite de núpcias e essas coisas. - Seth completa.


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eles ali. Sem mencionar que o Tyler está calmo pra caramba. Ele só tem olhos pra Reagan, embora eu dê nota “A” para ele por seu esforço em tentar esconder esse pequeno detalhe do seu melhor amigo. — Sério? Seus filhos da puta, vocês esperam o dia dos seus casamentos. Aqui se faz, aqui se paga. - Ridge faz cara feia. Isso faz com que todo mundo risse. Tyler e Mark levaram isso a sério. Os dois pareciam ser os candidatos ideais a entrarem para o time dos casados. Seth e Kent se preparam pra sair. Cada um deles me dão um abraço de urso e beijam minha bochecha, o que faz com que Ridge rosne pra eles. Eu também dou um abraço nas meninas, enquanto Ridge faz os cumprimentos de homem (aperto de mão/abraço/tapinha nas costas) em cada um deles. A porta mal se fecha quando ele se curva e me pega nos seus braços. — Agora a festa de verdade vai começar, senhora Beckett. - Ele beija minha têmpora e me carrega pro nosso quarto. É justo consumar nosso casamento no mesmo lugar que fizemos amor pela primeira vez. É por isso que sei que escolhemos nos casar aqui foi a melhor escolha. É aqui que nos tornamos um pela primeira vez, e é onde nós continuaremos dando o próximo passo rumo ao

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nosso futuro.


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CAPITULO QUARENTA E TRÊS

RIDGE Eu não posso levá-la para o quarto suficientemente rápido, tendo apenas mal me aguentado a noite toda. Eu queria compartilhar isso com a nossa família e amigos, mas o que eu realmente queria - o que eu precisava - era fazer amor com a minha esposa. Minha esposa. Ela é minha. Para sempre, ela é minha. Levo-a para o quarto e coloco-a de pé ao lado da cama. Apesar de termos planejado esse casamento em menos de um mês, Kendall foi capaz de encontrar um vestido que tem mantido meu pau duro desde o momento em que a vi nele pela primeira vez. Ele encaixa como uma luva em torno de suas curvas e é curto, exibindo as longas pernas dela. E, embora ela seja uma visão nele, eu quero ele fora. Quero descartá-lo lentamente do corpo dela e afundar nela. A imagem dela hoje, quando apareceu diante de mim, será uma que vou levar comigo para o túmulo. O momento em que ela se tornou minha esposa. — Você tira a porra do meu fôlego, senhora Beckett. – Digo, correndo os lábios sobre seus ombros nus. — Você também não parece tão mal, senhor Beckett. — Vire-se para mim, baby. - Ela faz o que eu peço, e eu a paro uma vez que suas costas

Deslizo-o para baixo.

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do ombro e beijo a nuca dela. Trilho meus lábios pelas costas até chegar ao zíper. Hora de ir.

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estão viradas para mim. Ela deixou seu longo cabelo solto, então o varro para o lado por cima


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— Braços para cima, doce menina. - Digo ao lado de sua orelha. Ela obedece e o vestido cai no chão. Minha boca cai aberta quando vejo apenas uma tanga de renda branca. — Senhora. Beckett, se eu tivesse sabido que isso era tudo o que tinha sob esse vestido tentador, eu teria chutado os nossos convidados assim que disséssemos “eu aceito”. Ela ri. — Surpresa. - Ela se vira para mim e eu aprecio a beleza que é a minha mulher, varrendo meus olhos sobre cada centímetro dela. Quando chego ao fio dental, meu peito aperta quando vejo “Sra. Beckett” costurado nele em lavanda - sua cor favorita, a cor do nosso casamento, marcando-a como minha. Eu tinha a intensão de rasgá-la do corpo dela, mas não agora. Preciso delas, não apenas como uma lembrança deste dia, deste momento, mas eu gostaria de vê-la marcada como minha. Faço uma nota mental para descobrir onde ela as conseguiu para comprar mais. Senhora Beckett. — Você está usando roupas demais. - Diz ela enquanto ela começa a desabotoar minha camisa. Pego dos lados e rasgo-a para abrir; eu preciso dela, e isso está demorando demais. Ela ri quando botões vibram pelo piso de madeira de lei. Ela empurra a camisa dos meus ombros enquanto eu desabotoo a calça cáqui e deixo-a deslizar para baixo. Puxando meus braços para fora das mangas e jogando a camisa atrás de mim, ela se ajoelha diante de mim e desliza minhas cuecas boxer para baixo. Quando eu a chuto fora, ela olha para mim, os olhos azuis brilhando com amor quando ela coloca a ponta do meu pênis em sua boca. Estendendo a mão, eu tenho que agarrar a borda da cômoda para não cair na minha bunda. Essa mulher. — Assim não. - Digo quando sinto me aproximando, perseguindo o lançamento que sua

minha merda com a visão dela. Minha esposa.

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lentamente me libera com um estalo e limpa a boca com as costas da mão. Eu quase perco

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boca quente está puxando de mim. — Não essa noite. Eu preciso estar dentro de você. - Ela


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— Na cama. - Digo a ela. Ela não hesita quando ela se vira e sobe na grande cama de dossel, ela balançando o rabo, me tentando. Eu sigo-a e belisco sua bunda. — Ah! - Ela ri. Será que vai ser sempre assim? Será que vamos sempre ser capazes de rir no quarto? Será que ela sempre vai me fazer sentir centrado? Eu com certeza espero no inferno por isso. Vou lutar como o inferno todos os dias para ter certeza disso. Ela cai em suas costas, chegando para correr os dedos pelo meu cabelo. Ela adora, e eu deixo por um pouco mais de tempo por causa disso - qualquer coisa que minha garota queira. Abaixo e beijo-a. — Eu te amo, Sra. Beckett. - Digo, empurrando lentamente para dentro dela. — Eu também te amo. - Ela suspira quando ela tem tudo de mim. Tranco meus olhos nos dela e, lentamente, faço amor com minha esposa. Eu não acho que isso, estar dentro dela, jamais poderia parecer melhor do que todas as vezes antes, mas é. Desta vez, é diferente; eu não posso explicar, mas eu sinto. A forma como os nossos corpos estão unidos como um só, a forma em que suas costas arqueiam para fora da cama, com os pés cavando na minha bunda, suas unhas cavando em minhas costas. Seus olhos, azuis claro que travam o meu olhar enquanto eu continuo pressionando para dentro e fora dela. É tudo diferente, melhor, e eu estou abalado. Minha doce menina.

juntos como marido e mulher pela primeira vez. Eu a sinto me espremendo, e eu me deixo ir dentro dela.

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— Ridge. - Ela geme, e eu empurro mais duro à medida que persigo a nossa liberação

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Minha esposa.


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Rolo de cima dela, esmago-a para o meu peito, apenas segurando-a. — Aquilo foi... intenso. - Diz ela quando eu finalmente liberto o meu aperto de morte sobre ela. — Sim. - Concordo. Nenhuma outra palavra é necessária. Nossa conexão que já era tão sólida quanto o aço, de alguma forma, parecia moldar em algo que você apenas poderia experimentar com a sua verdadeira alma gêmea. Ela é minha. Permanecemos lá por não sei quanto tempo, a cabeça dela no meu peito, minhas mãos correndo através de seu cabelo. Não é até que olho e vejo o envelope que percebo que eu esqueci de dar a ela meu presente de casamento. Eu tive que recorrer à ajuda do meu novo sogro, e ele estava muito disposto. — Ei, você está pronta para o seu presente de casamento? – Pergunto. Ela levanta a cabeça e sorri. — Eu pensei que tínhamos dito nada de presentes? — Nós dissemos, mas o meu não é algo que eu comprei. — Ridge. Você prometeu. — Eu sei, mas esta é mais uma coisa que todos nós podemos usar. Ela me dá um olhar irritado, mas depois os cantos dos lábios levantam com um sorriso. — Tudo bem, dê-me. - Ela se senta na cama, segurando o lençol sobre os seios nus.

— Abra.

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confusão. Subo na cama ao lado dela, eu a puxo para mim.

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Eu salto para fora da cama, pego o envelope, e entrego a ela. Seu rosto enruga em


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Lentamente, ela abre o envelope e tira os papéis. Eu não posso ver seu rosto, e isso está me matando sem saber o que ela está pensando. — Kendall? — Documentos de adoção. – Ela suspira. — Seu pai conseguiu para mim. Eu sei que você não está pronta, que você ainda está lutando com tudo, mas eu queria que você os tivesse. Eu quero que você saiba que em meus olhos, você é a mãe dele. Melissa lhe deu a vida, mas você está criando-o e eu não quero nada mais do que você para se tornar legalmente a mãe dele. Seu pai não apresentou nada ainda. Em vez disso, ele me deu estes. Está pronto e tudo que você precisa fazer é assiná-lo para iniciar o processo. Você toma o tempo que você precisar. Só sei que eu te amo, e mesmo se você nunca os assinar, nos meus olhos você é a mãe dele. Os ombros dela tremem com soluços silenciosos e eu me chuto na bunda por arruinar nossa noite de núpcias. — Sinto muito, querida. Eu não quero incomodá-la ou arruinar esta noite, mas eu preciso que você saiba. — Ridge, este é o maior presente. Você está me dando os direitos de seu filho. Aquele pequeno precioso homem. - Ela cobre a boca. — Eu o amo. Eu não poderia amá-lo mais se ele fosse meu. — Eu sei disso. — Eu só...

Ela balança a cabeça.

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Quando estiver pronta, assine e dê ao seu pai. Ele vai cuidar do resto.

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— Shhh. - Eu a abraço apertado. — Leve o tempo que você precisar para processar isso.


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Deslizo os papéis de volta no envelope e coloco-os na mesa de cabeceira. Kendall me surpreende por subir no meu colo e montando meus quadris. Suas mãos embalam minhas bochechas. — Você é o homem mais incrível. Eu não sei se foi Melissa ou apenas sorte, mas o que você trouxe para mim, eu serei eternamente grata. Eu te amo. - Ela me beija e logo fica mais quente. A próxima coisa que eu sei é que ela está deslizando e eu faço amor com minha esposa

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pela segunda vez.


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EPÍLOGO

KENDALL Depois da nossa noite de núpcias eu decidi consultar um advogado. Eu queria ser a mãe de Knox, o meu coração já se sentia assim, mas o sentimento de culpa não passava. A “culpa do sobrevivente”, como chama a minha terapeuta. Eu percebi que o que aconteceu comigo e com a minha irmã foi trágico, mas eu precisava continuar a viver. Esse lindo garotinho que ilumina o meu mundo precisa de uma mãe, e eu sou a sortuda. Os papéis de adoção estão na minha gaveta. Ridge e o meu pai nunca mencionaram isso. O meu marido realmente é o homem mais incrível do planeta. Estive pensando em assinálos e fazer parte oficialmente da família. Na última semana assinei. Knox me chamou de mãe, meu coração disparou e eu soube naquele momento o que precisava fazer. Eu tive duas pessoas que quiseram uma criança e me fizeram sua. Eles nunca me trataram como se eu não fizesse parte deles, e é assim que eu trato Knox. Então eu assinei os papéis. Mostrei para o meu pai e ele simplesmente sorriu e acenou. E aqui estou eu, uma semana depois, pegando a cópia da petição oficial para Ridge. O meu homenzinho vai fazer um ano, e isso é uma espécie de presente para nós dois. Bem, isso é uma outra notícia. Fiquei me sentindo meio estranha nessas últimas semanas, assim me consultei nessa manhã, e estou grávida. Acho que não parei de sorrir desde o momento que o médico me disse. Por sorte, meu pai já arrumou toda a papelada e não me questionou. Ele não teria sido errado, mas saber que estou carregando uma parte de Ridge é surreal. E Knox... bem, meu homenzinho vai ser irmão mais velho. Preciso falar para o Ridge em primeiro lugar. Eu penso em

caras vão aparecer. Reagan e Dawn vão vir para me ajudar a decorar a festa de aniversário de Knox amanhã.

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sorte só espero até amanhã para contar. Ele não vai estar em casa até tarde da noite, ele e os

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fazer do jeito em como ele me propôs. As entregas à noite são uma vergonha, mas se eu tiver


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— Por que você está sorrindo como se tivesse ganhado na loteria? - Dawn pergunta. Merda. Não posso dizer que estou grávida, mas posso dar talvez um pouco de informação. — Você sabia que Ridge me deu os papéis da adoção de Knox como presente de casamento? - Elas acenam. — Eu assinei. - Dou um sorriso. — As duas me atacam com abraços, e quando ouvi um gritinho e uma pequena mão nas minhas pernas, eu soube que isso foi o certo a se fazer. As garotas se afastam e Knox sela o acordo quando diz “Mãe”, e estende os bracinhos para mim. — Oh, meu Deus. - Reagan grita. Eu o pego e ele me dá um beijo molhado na bochecha. Olho para as minhas duas melhores amigas e ambas têm lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto e sorrisos largos. — Não falem para o Ridge. É uma surpresa. - As duas concordam, e pelo resto da noite as duas ficam me disparando ideias de como contar a novidade. Eu mordo a língua e só sorrio com as ideias. Elas são muito criativas, mas a minha é a melhor. Só vou ter que cruzar os meus dedos até a noite de sábado e rezar para chegar tudo certinho. É melhor que isso aconteça, pelo preço que custou.

RIDGE Knox começou a andar faz algumas semanas, e suas pequenas pernas o levam para

minha esposa são as maiores. Ainda me lembro do medo que tive quando Melissa morreu. O medo de criar ele sozinho. Em seguida o destino interveio, ou Melissa em vez disso, porque sei

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pernas são rápidas. O ano passado trouxe algumas mudanças na minha vida, mas meu filho e

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tudo que é canto. Kendall e eu pensávamos que ele já fazia de tudo rastejando, mas essas


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de coração que foi ela que enviou Kendall para nós, e essa doce e linda mulher apareceu para criá-lo comigo. Para compartilhar a nossa vida. A vida é boa. Hoje é a festa de aniversário de Knox, e a minha esposa parece que anda no limite. Eu já fiz todo o possível para que tudo saia certo nesse grande dia. — Hey, baby. - Cumprimento. Ela está na cozinha fazendo alguma coisa numa panela. — Será que é a nossa lasanha? - Pergunto, descansando as minhas mãos na sua cintura e beijando o seu pescoço. Ela dá uma risada. — Não, almôndegas. — Papa. - Knox vem andando do quarto e me abaixo para pegar ele no colo. — Hey, aniversariante. - Ele me dá um beijo molhado no rosto e dou uma risada. Sim, a minha vida mudou definitivamente, e amo essa nossa vida. — Mama - Ele aponta para Kendall. Eu congelo. Essa é a primeira vez que ouço ele falando isso, e não sei como ela vai reagir. Ela coloca a tampa na panela e se vira para nós. — Hey, docinho. - Ela faz cócegas no queixo dele. — Mama. - Ele se inclina na sua direção com os braços abertos. — Vem cá, querido. - Ela tira ele dos meus braços e pega no colo. — Você está pronto para a festa? - Assisto com fascínio enquanto ele mexe no seu cabelo. Não o culpo. Adoro a sensação daqueles fios que parecem de seda deslizando entre os

Ela já é, mas luta diariamente com isso. Ouço um carro e a minha atenção é desviada para a janela. Ela vê um carteiro e sorri.

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Eu respiro fundo, vendo ela ceder e deixar ele acreditar que ela é essa pessoa para ele.

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meus dedos. Parece que não a perturbou ser chamada de mãe.


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— Eu acho que você e o papai vão ganhar um presente de aniversário hoje. - Ela olha para mim. — Você pode ligar para a mãe e perguntar se tem um saco de gelo? — Claro querida. - Levo as minhas mãos para Knox. — Quer vir com o papai? - Ele se inclina para mim, mas Kendall o segura firme. — Eu meio que preciso dele para a surpresa que tenho para vocês dois. - Sorri e eu dou uma risada. — Okay então, vou ligar para a mãe. Ela concorda e sai correndo para a caixa do correio. O seu entusiasmo é evidente. E acho que é por isso que ela está meio fora do ar hoje, provavelmente está nervosa com seja lá o que for, e pensou que não estaria aqui a tempo. Meu cérebro já pensa em algo que pode ser comprado para mim e para o meu filho. Não vem nada em mente. A chamada para a mãe leva mais tempo do que deveria e ela balança dois presentes na minha frente. Acho que ela planejou tudo isso, e é por isso que me fez fazer a ligação. Estou sentado no sofá quando Knox dispara tão rápido quanto as suas perninhas podem se mexer. — Papa! - Ele abraça as minhas pernas e sobe no meu colo. Kendall fica rindo quando senta do meu lado. Knox fica brincando com a minha barba quando vejo um pequeno envelope branco na minha linha de visão. Kendall e eu nunca tivemos sorte com envelopes brancos, então hesito. — Abra. - Diz ainda rindo. Tomo isso como um bom sinal e rasgo o envelope. Dentro tem um único papel, um documento, do estado de Illinois. “Petição Oficial de Adoção”. Minha cabeça chicoteia na sua direção.

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— Assinei. Ajudou bastante semana passada ele ter me chamado de mãe.

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— Você assinou? - Com lágrimas nos olhos ela dá uma risada.


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Minha mente fica em branco. Eu sabia que essa situação é muito parecida com a minha, e quero ser essa pessoa para ele. Envolvo a minha mão em torno do seu pescoço e a puxo para um beijo. — Não. - Knox protesta, tentando me afastar. — Ele ama a sua mamãe. - Falo para Kendall, e ela ri enquanto lágrimas escorrem pelo seu rosto. Levanto Knox no ar. — É oficial garoto. - Jogo ele para cima e o agarro, e o seu riso enche a sala, é aí que noto algo em Kendall mudou. Nunca vi isso antes, talvez seja o que veio no correio. Mexo os seus braços para poder ler. Eu sou o irmão mais velho. Fico encarando e leio mais duas vezes antes de olhar a minha esposa — Surpresa. - Ela diz. — Nós vamos ser... - Balança a cabeça. Eu fico muito sobrecarregado para dizer qualquer coisa, emoção entope a minha garganta, então eu a beijo, por um longo tempo. Então agarro os dois, abraçando-os bem apertado. A vida tem me jogado algumas coisas inesperadas, e houveram momentos, que essas mudanças inesperadas literalmente bateram na minha bunda. Eu tive que aprender a viver apenas com uma respiração, um segundo, um minuto, uma hora, um dia de cada vez. Eu aprendi que as melhores coisas da vida são as que não esperamos. E eu as abracei, aprendi viver

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nessa minha realidade inesperada.

Profile for OliverThay98

UNEXPECTED REALITY - KAYLEE RYAN  

ESPERE O INESPERADO. Isso é o que eles dizem, mas é mais fácil dizer do que fazer. Como esperar por uma mudança tão grande que balance o s...

UNEXPECTED REALITY - KAYLEE RYAN  

ESPERE O INESPERADO. Isso é o que eles dizem, mas é mais fácil dizer do que fazer. Como esperar por uma mudança tão grande que balance o s...

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