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Sinopse: Adorkable (ah-dor-kuh-bul): termo descritivo que significa serem partes iguais de dorky (desajeitada) e adorável. Para referência, ver Sally Spitz. Dezessete anos de idade, Sally Spitz terminou com o namoro. Ou pelo menos, ela terminou com os horríveis encontros cegos furtivos que sua melhor amiga casamenteira, Hooker, a arruma. Há apenas um tanto que uma garota nerd e torcedora Gryffindor pode levar. Sua solução: ela precisa de um namorado falso. E rápido. Entra Becks, fenômeno do futebol, todo sexy e melhor amigo de Sally praticamente desde o nascimento. Quando Sally pede a Becks para ser seu FBF (falso namorado), Becks está muito feliz de ser usado. Ele faria qualquer coisa por Sal, mesmo que isso signifique dar-lhe lições de PDA (Exibição Pública de Afeto) em seu quarto, dizendo que ela é "mais do que bonita", e habilmente beijando-a em festas. O problema: Sally tem estado apaixonada por Becks toda a sua vida, e ele é completamente sem noção. Este livro apresenta dois melhores amigos, uma edição especial Yoda Snuggie, inúmeros beijos abaixo do ouvido e a pergunta: Quem quer um namorado real quando fingir é muito mais divertido?

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Revisão Inicial: Roze Are Revisão Final: Ju Miranda Formatação: Roze Are

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CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2 CAPÍTULO 3 CAPÍTULO 4 CAPÍTULO 5 CAPÍTULO 6 CAPÍTULO 7 CAPÍTULO 8 CAPÍTULO 9 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 CAPÍTULO 16 CAPÍTULO 17 SOBRE O AUTOR

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CAPÍTULO 1 Minha mãe pensava que eu era lésbica. Ótimo. Depois que ela me colocou com o sobrinho de seu chefe que aliás, mastigava com a boca aberta, enfiou o guardanapo em seu estilo babador e roubou o último rolo de jantar, eu não tinha pensado que pudesse ser muito pior. Acho que é o que eu recebo por ser uma otimista. ― Nunca mais. ― disse mamãe depois do Incidente de Ofertas no verão passado. Não tinha terminado bem. ― Eu nunca vou te colocar com alguém de novo. ― Você jura solenemente? ― Eu perguntei. Ela acenou com a cabeça. ― Quando se trata de você, Sally Sue Spitz, eu terminei. Vou pendurar minhas luvas de parceria a partir de hoje. Pena que ela entregou aquelas luvas a alguém ainda mais intrometido. Daisy Wilkins tocou nossa campainha precisamente às 19h30. Mamãe a deixou entrar com um sorriso enorme e a apresentou como a filha de Stella Wilkins, a excêntrica cabeleireira da minha mãe, acrescentando: ― Ela é de Nova York. ― Eu não conhecia todos na nossa pequena cidade (embora me sentisse assim às vezes), mas eu teria sabido que Daisy não era de Chariot apenas olhando para ela. Esse Mohawk1 gritava grande cidade. ― Belo cabelo. ― eu disse quando nos sentamos para o jantar. As pontas cor-de-rosa eram punk puro, mas as raízes louras esbranquiçadas eram positivamente Malfoy. Não era qualquer um que poderia ter isso. ― Belo sorriso. ― ela disse de volta, o que eu achei doce. Não era todos os dias que você tem um elogio como esse e de uma completa estranha, também. Mamãe parecia satisfeita e eu tinha assumido que era porque ela colocou um monte de dinheiro em meu sorriso com o aparelho e contenção que eu tinha usado por três anos. Estávamos quase terminando com o jantar quando as coisas tomaram uma virada estranha. ― Então, Daisy, ― mamãe disse, ― você tem um parceiro para o baile? Você sabe, Sally ainda não tem ninguém com quem ir.

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Corte de Cabelo.

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Eu fiz um rolar de olho mental. Obrigada, mãe. Vamos apenas anunciá-lo, dizendo: Sally Spitz, Solitária de sua classe sênior, Presidente do Clube de Alemão, votada como a mais provável que termine sem namorado, até o final dos tempos. ― Ainda não. ― disse Daisy, pegando o purê de batatas. Ela não disse isso, mas eu suspeitava que Daisy fosse vegetariana. Ela não tinha tocado seu bife e sua bolsa tinha um remendo rosa brilhante com a palavra PETA 2 nele. Mais os olhares sujos que ela manteve jogando na carne do seu prato, eram grandes pistas. ― Você ouviu isso, Sally?― Mãe ergueu as sobrancelhas. ― Daisy também não tem um encontro. ― Hmm, ― eu disse, alcançando minha água, olhando novamente para o relógio. Quando o último desastre de Hooker chegaria aqui? Minha melhor amiga, Lillian Hooker, tinha sonhos de se tornar uma casamenteira profissional, o que infelizmente, significava que eu era seu projeto especial. Meninos fariam qualquer coisa por ela. Isto incluía jantar com sua BFF3 e a mãe da BFF aos domingos. O "encontro" desta noite já estava atrasado uma hora. Não que eu quisesse encontrar outro cara na longa linha de arranjos, mas a parte sulista em mim revoltou-se no pensamento de sua rudeza. A parte feminina só estava querendo dar crédito e erguer-se. ― Talvez vocês duas possam ir juntos? Eu engasguei, os olhos molhados. ― O quê? Mamãe me lançou um olhar severo. ― Eu disse que talvez as duas pudessem ir juntas. Quer dizer, se Daisy não vai com ninguém, e você não vai com ninguém... ― Ela parou, olhando para mim com expectativa. Quando eu simplesmente olhei para ela, ela acrescentou: ― Oh, vamos, Sally. Vocês duas precisam de encontros, certo? Por que vocês não iriam juntas? Acho que você e Daisy fariam um lindo casal. Eu simplesmente pisquei. Na época, eu era incapaz de qualquer outra coisa. Ela tinha dito "casal" como se ela quisesse dizer... ― Muito bonito, ― Daisy concordou, e quando eu olhei para ela, ela piscou. Piscou. Engoli em seco. Santo céu! Era exatamente o que ela queria dizer. ― Mãe, eu posso ver você na cozinha?― Eu estava fora da minha cadeira e correndo na direção da porta antes que ela pudesse responder. Quando a mãe entrou atrás de mim, ela soou. ― Isso foi muito rude, Sally. Agora a Daisy vai pensar que estamos aqui falando sobre ela. O que é tão imp... Eu a rodeei, incrédula. ― Mãe, você acha que eu sou lésbica? 2 3

PETA: Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais BFF: Best Friends Forever: Melhor amiga para sempre

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― Bem, não é? ― Ela disse confusa. ― Não! ― Lancei um rápido olhar para a porta, para me certificar de que ainda estava fechada. Vendo que estava, eu repeti, ― não, eu não sou. Nem um pouco. Mãe, o que... O que te fez pensar em algo assim? ― Lillian perguntou e eu não pude descartar isso. ― Ela deu de ombros, olhando para as mãos dela. ― Eu não sei. ― Tem que ser algo, ― eu insisti. Eu precisava saber. Se Hooker e minha própria mãe tiveram essa impressão, talvez outras pessoas tivessem, também. Até que ponto este equívoco foi? ― Bem, ― disse mamãe finalmente. ― Primeiro, há o fato de que você nunca teve um namorado. ― Muita gente não tem namorado. ― Você vai fazer dezoito anos. ― E? ― Retruquei. ― O quê mais? ― Há aqueles adesivos de arco-íris que você sempre carrega em sua bolsa... ― Aqueles são para as crianças no trabalho! ― E então há toda a questão de Becks. ― Qual questão de Becks? ― Eu disse. ― Sally, esse garoto é matéria de primeira para qualquer mulher com olhos. Você tem sido melhor amiga dele desde a escola primária, e nem uma vez você disse uma palavra sobre como ele é atraente. ― Becks é Becks, ― eu disse diplomática. ― E não pense que eu não vou contar a ele sobre o comentário assustador que você acabou de fazer. Por favor, continue. ― Você nunca sai com qualquer um que Lillian arranja. ― ela bufou. Assim que ela disse, eu sabia que essa era a verdadeira razão. ― Isso é porque eles são criminosos ou idiotas totais. ― eu disse. ― Isso não é verdade, ― argumentou mamãe. ― Aí está Oliver Morgan... ― Quem constantemente se refere a si mesmo na terceira pessoa. ― Devon Spurrs... ― Atualmente na ISS por tentar roubar Salgadinho da máquina de venda automática

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da escola. ― Andy Archer... ― Ele não conseguia se lembrar do meu nome, mãe. Chamou-me de Sherry, mesmo depois de corrigi-lo oito vezes. Mamãe não desistiu. ― Então, havia Cromwell Bates. ― Bem, lá você vai, ― eu disse, e ela franziu os lábios. ― O nome só o faz parecer um serial killer. Quero dizer, quem sabe? Talvez seus pais saibam algo que nós não sabemos. Além disso, ele cuspiu em mim quando nos conhecemos. ― Ele não fez isso intencionalmente. ― Mãe levantou suas mãos em um gesto desamparado. ― Sally, o pobre menino tem a língua presa. Eu dei de ombros. A sensação da saliva de Cromwell na minha bochecha ainda me dava pesadelos. Naquela época, eu tinha medo de magoar seus sentimentos, então, eu simplesmente deixava que ele ficasse ali, forçando minhas mãos a não limparem minha pele enquanto sentia condensação se assentar nos poros. A primeira coisa que fiz quando saí, foi lavar meu rosto três vezes, para uma boa medida. ― Você sabe... Não me incomodaria se você fosse. ― Mãe hesitou com um tom trêmulo, mas sincero. ― Gay, quero dizer. ― Mas eu não sou ― eu disse de novo. ― Só porque eu não saí com nenhum dos caras perdedores que a Hooker enviou para mim, não significa que goste de garotas. Mamãe riu de repente. ― Não, ― ela disse, ― não, eu acho que não. ― Ela pegou minha mão e encontrou meus olhos. ― Eu só me preocupo com você, Sally. Eu dei à mão dela um aperto. Mamãe tinha dito isso desde o meu quinto aniversário, quando eu pedi um sabre de luz em vez de uma boneca Barbie. ― E não seja muito dura com Lillian, ― acrescentou. ― Ela me faz lembrar de mim naquela idade, sempre tentando reunir as pessoas. ― Gostaria que não o fizesse, ― murmurei. ― Seu coração está no lugar certo. ― Eu não sei por que ela se sente responsável por minha vida amorosa. Mãe, eu só tenho dezessete anos. Há tempo de sobra para eu encontrar o cara certo... E ele vai ser um cara, ― eu reiterei, só para ficar claro. Ela encolheu os ombros. ― Um dia desses, poderia ser O Único, esperando bem ali na nossa porta. ― Mamãe.

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― Eu sei, eu sei, ― ela disse, me acenando. ― Ossos do ofício, eu acho. Eu sou uma servidora do amor verdadeiro; É o que eu faço Sally. Eu já ouvi isso antes. Como planejadora de casamento, mamãe realmente não podia evitar. Era natural para ela querer juntar almas gêmeas. Seu trabalho era dar aos casais seus felizes para sempre. Ela e Hooker eram como duas ervilhas em uma vagem cor de rosa em forma de coração. Eu só queria que elas usassem seus talentos para o bem, em vez de tentar me juntar com alguém o tempo todo. ― Não vá planejar o meu casamento ainda, mãe. ― Oh, por favor, eu tive seu casamento planejado desde que você estava no ventre. Eu não conseguia esconder meu olhar de horror. ― Relaxe, eu só estou brincando, ― ela riu. ― A verdade é que eu não quero que você fique sozinha. ― Seus olhos passaram de cintilante para oco. ― Acredite em mim, se torna aborrecido depois de um tempo. Eram momentos como esse que me lembraram do quanto desprezava meu pai. ― Melhor do que estar amarrada a um mentiroso e traidor filho da pu... ― Sally, ― mamãe disse em uma nota de advertência. Eu abri meus olhos toda inocência. ― O quê? Eu ia dizer cadela. ― Claro que você ia. ― Mamãe sacudiu a cabeça, olhando para a porta da cozinha. ― Pobre Daisy, eu me sinto terrível com tudo isso. Acho que ela realmente gostava de você, Sally. Ela vai ficar com o coração partido quando descobrir. O que devemos dizer? Daisy e eu tínhamos nos dado bem, mas eu não tinha tanta certeza sobre a coisa comovente. Dei um tapinha na mão da mãe. ― Eu vou rejeitá-la suavemente, ― eu disse, quando voltamos para a sala de jantar. Daisy estava digitando algo em seu telefone, mandando mensagens para alguém. Quando chegamos, ela olhou para cima e disse: ― Desculpe, mas eu tenho que ir. ― Ela se levantou, e eu a segui até a porta. ― Mamãe acaba de confirmar meu voo. Parece que foi mudado por algumas horas, então vamos ter que sair muito cedo amanhã. Foi bom conhecer você, Sally. ― Você, também. ― eu disse, percebendo apenas agora que minha mãe de alguma forma tinha conseguido desaparecer. Aparentemente, ela estava deixando isso para mim. Bem, eu suponho que havia somente uma maneira de dizê-lo. ― Então, Daisy, tem sido um erro. Tanto quanto eu gostei de conversar com você, eu não... Daisy colocou uma mão no meu ombro, dando-me um olhar simpático. ― Escute, não se ofenda, ok? Você é bonita e tudo, mas você é um pouco... Lenta para o meu gosto. ― Eu abri minha boca, mas ela continuou. ― Oh, não me interprete mal. Eu não estou dizendo

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isso como uma coisa ruim. Não é o que eu estou procurando, agora. Você entende, certo? Engoli em seco e disse: ― Claro. Ela se inclinou e me deu um beijo na bochecha. ― Se você estiver em Nova York, me ligue ok? ― Quando ela abriu a porta, ela olhou por cima do ombro. ― Vamos almoçar ou algo assim. Eu fiquei lá atordoada, observando suas luzes traseiras desaparecerem ao virar da esquina, até que a mamãe apareceu atrás de mim, alguns minutos depois. ― Então, como foi? ― Ela disse que eu não sou seu tipo. ― Oh. ― Mamãe encolheu os ombros. ― Bem, isso é muito ruim. Fiquei indignada. ― Ela me chamou de idiota. Ela recém me conheceu. Como ela poderia fazer essa ligação depois de apenas um jantar? Mamãe olhou para o meu traje criticamente e depois disse: ― Você percebe que está vestindo sua camiseta Gryffindor, certo? ― Eu abri minha boca para dizer a ela que era uma colecionável fora da linha de roupas oficiais de Harry Potter, mas mamãe me cortou. ― E sabe que quando Daisy entrou, você tinha sua mão direita com dedos abertos, com esse sinal estranho Star Trek. Sim, eu pensei, mas isso foi só porque eu tinha assumido que seria o meu encontro caminhando pela porta, o que realmente tinha sido, e eu queria assustá-lo. Na minha experiência, os meninos não olhavam duas vezes para as meninas que usavam referências da Trekkie, muito menos usavam recordações de Potter. ― Foi a saudação vulcânica, ― murmurei. ― Ok, ― mamãe disse ―, mas você tinha que dizer ‘Vida longa e próspera’? ― Eu não tinha certeza se ela sabia o que isso significava. Daisy poderia ter pensado que eu estava falando em outra língua ou algo assim. ― Levantei meu queixo. ― E sabe de uma coisa? Eu consegui alguns cumprimentos nesta camiseta. ― De quem, meninos de dez anos? Eu ruborizo. ― Becks disse que gostava, também. ― Becks nem se importa com o fato de você ser uma garota. ― Só demorou um segundo para que mamãe percebesse o que ela dissera, mas naquela altura eu já estava indo para o meu quarto. ― Sally, me desculpe. ― Está tudo bem, ― eu disse, acenando sobre meu ombro para que ela não visse o quanto me machucou. ― Noite, mãe. Te amo. ― Amo você, Sally, ― veio a resposta solene enquanto eu fechava a porta. Eu podia

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dizer pelo seu tom que ela já se arrependeu, sentiu pena de falar tão bruscamente. Mas como eu poderia ficar irritada? Ela estava apenas falando a verdade e eu sabia tão bem como qualquer um. Ainda que não deixasse de doer, embora. Caindo em minha cama, eu cavei em minha mesinha de noite e puxei para fora meu diário. Bloguear não era realmente minha coisa, e para o anuário, minha citação sênior iria ser: "Facebook rouba sua alma." Twitter não era meu forte, também, onde pensava que era um pequeno passo de perseguição legalizada, então, para mim rede social estava praticamente fora. Mas então, eu sempre fui uma fã dos clássicos, de qualquer maneira. A primeira página foi dedicada a Encontro #1: Bobby Sullivan. Hooker conhecera Bobby em um casamento na primavera passada, onde eles tinham ido para a segunda base na igreja. Ele concordou em sair comigo, só depois que prometi não contar a sua avó. Culpa católica, segue vivo e bem hoje. Mas o pior ainda era Cromwell "O Cuspidor" Bates, Encontro #7. Fui oficialmente marcada para a vida. Virando minha última entrada, eu comecei uma nova página. Na cabeça eu escrevi, Encontro Misterioso # 8: Daisy W. Eu segui com um breve resumo da noite, começando com a forma como eu tinha estado completamente alheia ao fato de que ela era o meu encontro até a conversa do baile, seguido pelas razões da minha mãe pensar que eu era gay, e terminando com a nossa pequena conversa na porta. Na parte inferior, como eu fiz em cada uma das entradas anteriores, eu dei a noite uma classificação de sucesso global de seis, notavelmente minha maior classificação, até agora. Não me surpreendeu que o encontro que eu classifiquei mais alto, tenha sido com uma garota que me chamou de idiota. Os outros foram simplesmente ruins. Meu telefone soou ao lado da minha cama. Eu balancei para sentar e olhei para a tela. Havia um novo texto de Becks. Ele disse: Sente-se pronta para uma maratona de Scary Movie? Enviei minha resposta. Não esta noite. Demorou menos de um segundo. Encontro ruim? Eu não pude deixar de sorrir para isso. Becks sempre teve a estranha habilidade de me ler, mesmo através do telefone. Eu pensei e enviei: Não tão ruim. Falamos sobre isso mais tarde? Mal posso esperar. Noite, Sal. ― Espertinho ― eu murmurei e enviei-lhe um "Noite" em troca. Esperançosamente, Becks não me daria muita dor sobre a coisa toda de Daisy.

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CAPÍTULO 2 Ok, então, eu sabia que haveria algum problema. Mas sério, esse sorriso era realmente necessário? Becks estava encostado no meu armário, com os seus 1.98 descontraídos, os cabelos negros ondulados roçando a ponta das suas orelhas, observando-me enquanto caminhava para ele no corredor. Não era como se eu pudesse apenas virar e correr. Eu tinha que pegar meus livros para o próximo período e ele estava no caminho. Seus olhos, os que eu conhecia quase tão bem como os meus, estavam nadando com alegria, sua expressão expectante. Determinada a limpar o sorriso fora de seu rosto, eu disse: ― Ei, Baldwin. Como tá indo? Ele empalideceu. ― Nossa Sal. Não de manhã cedo, está bem? Sorri para mim mesma. Baldwin Eugene Charles Kent, também conhecido como Becks, sempre odiou seu nome cristão. Com um nome assim até mesmo eu queria odiá-lo, e ele era meu melhor amigo. Felizmente, Becks tinha escapado desse trago amargo com um apelido assassino. Nascido com o sobrenome Spitz4, não havia esperança para mim. A partir da primeira série, meus colegas recusaram-se a me chamar de qualquer outra coisa. ― Então, o que aconteceu? ― Ele disse, endireitando-se enquanto eu passava por ele. Becks se abaixou olhando para mim, mas eu evitei seu olhar. ― Oh, por favor, não pode ter sido tão ruim assim. O quê esse cara tem? Dedos com membranas ou algo assim? Eu ri, apesar disso. ― Como eu saberia? ― Te cuspiram de novo? ― Eu balancei minha cabeça. Ele passou a mão pelo cabelo grosso, mas como de costume, caiu de volta em seus olhos. ― Honestamente Sal, eu não consigo imaginar o que poderia ser pior do que isso. O que ele fez? Você sabe, vou continuar pedindo a cada cinco segundos até você desistir. Suspirei. Poderia acabar logo com isso. Nenhuma quantidade de atraso ia mudar os fatos, e Becks era teimoso o suficiente para cumprir com essa ameaça. ― Ela não fez nada, ― eu disse. ― Foi à situação que foi embaraçosa. ― Ela? ― Becks repetiu e deu um largo sorriso. ― Qual é o nome dela? Ela é gostosa? Eu a conheço? Típico de Becks, eu pensei. Só ele fazia essas perguntas, nessa ordem, depois de ouvir algo assim. Fechando meu armário, eu parti para a minha primeira aula. Com suas longas pernas, Becks me alcançou em pouco tempo. 4

Raça de cachorro Alemão.

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― Sal, ― ele persuadiu, cutucando meu ombro. Pessoas da esquerda e da direita chamaram seu nome, mas depois de reconhecê-los, Becks voltou-se para mim. ― Não fique brava, Sal. Eu sempre fui muito curioso. Você não pode me odiar por isso. Eu nasci assim. E essa era a razão porque eu não poderia permanecer irritada com Becks por muito tempo. Era simplesmente impossível. ― Seu nome ― eu disse em resposta a sua primeira pergunta, ― era Daisy. E como eu deveria saber se ela era gostosa ou não? Ela tinha um mohawk muito legal, no entanto. Quanto saber se você a conhece ou não, ela é a filha de Stella. ― A cabeleireira? ― Eu assenti, e o olhar de Becks ficou pensativo. ― Eu acho que eu poderia tê-la visto uma ou duas vezes. Alta, figura decente, piercing no nariz? Maldição, Sal. O que fez Lillian pensar que ela era seu tipo? ― Ele riu. ― Você tem um fetiche secreto de menino mau que eu deveria saber? ― Você não quer dizer garota má? ― Eu murmurei. Becks sacudiu a cabeça. ― Eu não entendo. Qual é o problema? ― O grande problema é que a Hooker me arrumou com uma garota. Becks encolheu os ombros. ― Podia ser pior. Franzindo o cenho, enviei-lhe um olhar. ― Estou falando sério. ― Eu também. Sal, essas coisas acontecem. Ele estava brincando? ― Essas coisas acontecem. Isso é o melhor que você tem a dizer? ― Bom, é verdade. ― Wer? ― Ergui as mãos. ― Sag es mir, Becks, sag es mir sofort, denn ich will es wirklich wissen. ― Inglês, por favor, Sal. Não faço ideia do que você está dizendo. E eu não fazia ideia de que eu tinha mudado para o alemão; O que só acontecia quando eu estava chateada. ― Para quem exatamente isso acontece? ― Eu repeti. Ele deu de ombros, novamente. ― Para você, aparentemente. ― Quando eu fui beliscá-lo, ele riu e saltou para trás. ― Isso não é engraçado. ― É muito engraçado, Sal. Eu, por exemplo, acho... Antes que ele pudesse completar esse pensamento, e mais provável ganhar outro beliscão, Roxy Culpepper e Eden Vice entraram em nosso caminho. O jeito que elas

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olhavam para Becks era o bastante para escurecer meu dia, mas assistindo Roxy girar seu quadril, quase tirando a coisa do encaixe, era pelo menos divertido. ― Ei, Becks. ― Roxy disse, dando-lhe um aceno da cabeça e girando o cabelo. ― Bela camiseta. ― Sim. ― Eden disse ansiosamente. ― O corte parece ótimo em você. E isso é como a minha cor favorita. Becks e eu demos uma duvidosa olhada ao seu branco Hanes5. Mas, ao contrário de mim, Becks não revirou os olhos. Oh não, isso seria muito descortês. Como o conversador tranquilo, o amante encantador de mulher que era, Becks simplesmente dobrou suas mãos em seus bolsos, deu uma piscadela e disse: ― Obrigado, eu tenho mais quatro como esta em casa. Eles riram como um par de hienas e Roxy estendeu a mão para passar na bochecha desalinhada de Becks. ― Eu vejo que você ainda está mantendo a tradição. ― Enquanto seus dedos se demoraram em sua mandíbula, eu tive um impulso real de golpear sua mão afastando-a ou colar a goma em seu cabelo, mas eu pensei que soava um pouco demasiado primário. Melhor dar-lhe um soco. Era consideravelmente mais adulto. ― Acha que vamos ganhar amanhã? ― Quem sabe, ― disse Becks. ― Oh, Becks, é o último ano. Você tem que ganhar. ― Eden deu a outra bochecha o mesmo tratamento. ― Você apenas tem. ― Eu vou fazer o meu melhor. ―Você vai ganhar, ― disse Roxy com certeza, o quadril tão alto que fiquei chocada ao ver que ainda estava ligado ao seu corpo. ― Marque um gol para mim, ok? Eu olhei enquanto as duas se afastavam, mas Becks não poderia ter parecido mais satisfeito consigo mesmo. Observá-lo vendo-as não era assim a minha ideia de um bom momento. Movendo-me ao redor, eu digo: ― Becks, como você suporta? Elas vêm até você e dão palmadinhas em você como um cão. É degradante. ― É? ― Becks ainda estava observando Roxy e seus incríveis quadris balançantes. Eu juro que a menina nasceu duplamente articulada. ― Sim, ― eu disse. ― Isto é.

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Marca de Roupa.

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O tom de Becks estava seco. ― Eu me sinto tão usado. Rolando meus olhos, me afastei justo quando outra menina veio acariciar seu rosto. Devido a um boato iniciado no ano passado, agora era aceitável que as pessoas venham e o acariciem do nada. Quando Becks me contou o ritual, como ele havia parado de se barbear três dias antes de um jogo para evitar a má sorte. Ele o tinha lido em algum artigo de esportes, como superstição. Mas, novamente, no ano passado foi nossa primeira temporada havia sido 23-0, então o que eu sei? Pessoalmente, eu odiava a barba. Não por causa do jeito que Becks parecia, acredite em mim, Becks era atordoante, com ou sem o pelo facial, mas as pessoas pensavam que isso lhes dava o direito de tocá-lo. E todos tinham, em algum momento ou outro. Exceto eu. Isso não era o tipo de coisa que os melhores amigos faziam, e mesmo que fosse, eu não tinha coragem para fazer isso, de qualquer maneira. ― Espere Sal! Eu diminuí a velocidade. ― Finalmente fugiu de todas as fãs adoradoras? ― Não seja assim, ― Becks disse se aproximando de mim. ― Elas estão apenas animadas com o jogo. ― Okay, certo. ― O que realmente está incomodando você? E não me diga que são os admiradores, eu a conheço muito bem. Ele estava certo e errado. ― É só... Não consigo entender o que lhe deu essa ideia, ― eu disse, indo com o menos complicado das duas coisas me incomodando. ― Minha mãe... Quero dizer. O que eu fiz para fazê-la e a Hooker pensar... Bem, você sabe? ― Pais, ― disse Becks, como se fosse um grande mistério. ― Quem pode dizer o que os faz fazer o que eles fazem. Parando fora do meu primeiro período, eu tentei fazer minha voz soar ultra casual. ― Você nunca pensou nisso, certo? ― O que? ― Becks acenou quando alguém chamou seu nome. ― Que eu era... Você sabe... ― Eu engoli. ― Gay? Becks me deu um meio sorriso, olhando completamente inconsciente de quanto sua resposta importava para mim, pelo menos. ― Sal, ― ele disse enquanto eu segurava minha respiração. ― Gay ou hétero, nós

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sempre teríamos sido melhores amigos. Eu exalei. Não era exatamente a resposta que eu estava procurando, mas eu aceitaria. ― Eu vou te ver na prática? ― Claro, ― sorri. ― Alguém tem que escrever sobre os primeiros anos antes de você ir para o profissional. Talvez seja eu. Balançando a cabeça, Becks disse: ― Vejo você, Sal. ― E, então, continuou indo pelo corredor. Enquanto caminhava, as pessoas, as meninas na maior parte, mas uma parte dos meninos também, cumprimentaram Becks com gargalhadas, tapinhas nas costas, mais fricções na bochecha. Ele tomou tudo com calma, mesmo quando Trent Zuckerman deu a ele uma pancadinha no peito que quase o mandou longe. ― Então, Spitz, você vem esta noite? Virei-me e fiquei cara a cara com minha casamenteira. Lillian Hooker era a única pessoa que tinha permissão para me chamar desse nome e minha melhor amiga mais próxima, logo após Becks. No papel, ela e eu nos vimos muito parecidas: mesma altura, mesmo tamanho de calça, mesmo cabelo comprido. Na realidade? Os cabelos de Hooker eram de chocolate escuro, os meus castanhos arenosos. A confiança e as curvas em todos os lugares certos a diferenciam. A tez de caramelo também não a machucava. Ela era exótica enquanto eu era normal. Em outras palavras, Hooker era a Amidala para minha Hermione. ― Não sei Hooker6. ― Nós tínhamos nos unidos na sétima série sobre um grande amor por filmes de super-heróis e um ódio profundo por sobrenomes infelizes. A primeira festa do pijama que nós fizemos, oficialmente como melhores amigas, Hooker e eu tínhamos enchido nossos rostos com pipoca e assistido TV quando encontramos um western chamado Tombstone. Obsessão instantânea. Enquanto outras meninas estavam se vestindo como princesas, estávamos de Doc Holiday e Johnny Ringo no Halloween. ― Ainda estou me recuperando da noite passada. ― Ouvi dizer que tudo correu bem. Eu arqueei uma sobrancelha. ― Eu deveria perguntar? Ela encolheu os ombros. ― Martha me mandou uma mensagem. Ela disse que você e Daisy realmente bateram. O fato de que minha mãe e Hooker estavam enviando mensagens como amigas... Bem... Eu acho que eu deveria ter visto isso vindo. ― Ela também lhe disse... ― Abaixei a voz. ― Que eu não estou batendo para a mesma equipe?

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Prostituta.

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Hooker riu quando entramos em nossa classe. ― E com isso, quero dizer: eu gosto de meninos. ― Eu sabia que era uma possibilidade muito remota. Se você fosse gay, não há nenhuma maneira que você poderia ter resistido a tudo isso. ― Ela apontou para si mesma, e eu não poderia parar o meu sorriso. ― Mas você não respondeu a nenhum dos meus caras. Stella está fazendo meu cabelo há anos, e quando eu vi Daisy no outro dia, eu percebi, por que não? ―Hmm, vamos ver... Talvez porque Não.Sou.Gay. ― Sim, desculpe por isso, ― disse ela. ― Te recompensarei, prometo. De qualquer maneira, você está vindo hoje à noite, certo? ― Eu tenho alguma leitura para recuperar o atraso, então, eu posso ter que passar. ― Mas você não pode! Eu estava imediatamente desconfiada. ― Por que não? Uma vez sentada, ela acenou para mim. ― Oh, nenhuma razão, ― ela disse, seu rosto completamente inocente. ― Eu realmente estava esperando que você viesse, no entanto. Vai ser muito divertido hoje à noite. Você só tem que estar lá. Eu estreitei meus olhos. ― Por quê? ― Oh, agora, que tipo de pergunta é essa? ― Uma boa, ― respondi, observando-a atentamente. ― Esta não é outra armadilha, Hooker? Já te disse que acabei com isso. Não há mais encontros misteriosos. Em vez de responder, Hooker deu um longo suspiro de sofrimento e começou a raspar seu esmalte das unhas. A cor de hoje era um azul brilhante do mar, que combinava perfeitamente com a cor de seus olhos. Os mesmos olhos que, no momento, não encontram os meus. ― Quero dizer, insistir, e já te disse antes: vou começar a namorar quando quiser. ― E quando isso poderia ser? ― Hooker estava empurrando para trás suas cutículas com empurrões curtos e eficientes. ― Antes ou depois do dia do julgamento? Cruzei os braços, recusando-me a deixar passar. ― Ok, ok. ― Ela parou o assalto e me olhou nos olhos. ― Noite de abertura, novo XMen. Você entra ou sai Spitz? Eu pensei que você gostaria de ir ao show da meia-noite e ver Storm chutar algum traseiro mutante do mal. Desculpe-me se eu estava enganada. Soltando um suspiro, finalmente relaxei. ― Rogue tem tudo controlado com Storm e

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você sabe disso. ― Sim, claro, ― disse, revirando os olhos. ― Tempestade poderia causar um furacão que iria bater Rogue de volta para a semana passada. ― Sim, e todo o que Rogue teria que fazer é tocá-la e Storm seria como uma luz, transferindo seus poderes para Rogue no processo. ― Justo quando a Sra. Vega estava caminhando para o quadro, perguntei mais uma vez, apenas para ter certeza. ― Então, nenhum homem misterioso... Ou mulheres? Hooker estendeu as palmas das mãos. ― Só Xavier e sua equipe. ― Então, estou dentro, ― eu disse de volta e Hooker sorriu. Sendo a garota adequada, Hooker sempre parecia ter algum cara ao lado. Nos últimos três meses, foi Will Swift, um rapaz universitário recém-saído de Chariot e participando da UNC. Os meninos só estavam atraídos por ela. Eles haviam estado chamando-a desde o colégio e ela não podia entender por que eu não queria seus garotos usados. Como minha melhor amiga e aspirante a casamenteira profissional, ela sentiu que era seu dever ‘ampliar meus horizontes românticos’. Ela normalmente organizava encontros com caras que eram ou sexy e/ou experientes, a parte ruim era que ela nunca realmente me disse de antemão. Domingo de adivinha-quem-está-vindo-para-jantar foi apenas o começo. Eu aparecia em algum lugar (um restaurante, um shopping, um jogo de futebol) em um momento em que tínhamos concordado em nos encontrar e em vez de Hooker, eu encontraria Joe Piscotti, o segundo cara com quem ela tinha me colocado, quem eu admito que fosse atrativo, mas que também tinha vinte e seis contra os meus dezessete anos. Felizmente, mamãe nunca tinha descoberto sobre esse fiasco. Ou Connor Boone, um artista autoproclamado de dezenove anos que se ofereceu para me pintar no meu aniversário. Rejeitei respeitosamente. Não era que eu pensasse que eu era melhor do que eles, exceto, bem talvez, no departamento de moralidade. Na verdade, no geral, foram os caras que tinham terminado os encontros cedo. Eles não tinham se interessado, simples assim. Honestamente, não tinha estado também, por isso, tinha funcionado bem para todos, exceto Hooker, que tinha tomado pessoalmente. Eu era agora sua missão. Hooker tinha aumentado a quantidade de encontros este ano, determinada a me ver com alguém na graduação. ― Último ano Spitz, ― ela tinha dito no nosso primeiro dia de volta. ― Eu tenho que achar um cara para você. ― Realmente não tem que fazê-lo, ― foi a minha resposta. ― Sim, eu tenho. ― Seus olhos brilhavam. ― Eu quero ser uma casamenteira. O que diz se eu nem consigo encontrar para minha melhor amiga, seu homem? Inaceitável. ― Mas...

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― Não há mas, Spitz. Vou encontrar um cara ou morrer tentando. Pena que eu não poderia dizer a ela que eu já tinha encontrado um, O Único, como uma questão de fato. Mas esse era um segredo que eu preferiria levar para o túmulo. Ainda assim, eu pedi a Hooker inúmeras vezes para parar de me arrumar, mas ela nunca ouviu. Ela tinha que saber que era uma causa perdida. Ela não percebeu que éramos melhores amigas do Adônis da escola? A única garota em Chariot que nunca conversou, pegou ou foi apalpada pelo playboy mais amado da cidade? Tinha que haver algo errado comigo. Não era bastante bonita, não era suficientemente feminina, algo. Eu tinha aceitado isso há muito tempo, então, por que ela não poderia? Minhas aulas passaram rapidamente. Depois da escola, a reunião do clube alemão foi um pouco longa, o que quase nunca acontece, uma vez que havia apenas dois outros membros, então eu tive que correr para as arquibancadas, para pegar o fim da prática. Passei a mão pela minha testa e as costas voltaram úmidas. Aparentemente minhas glândulas tinham perdido o memorando sobre como as meninas não deveriam suar, porque eu estava definitivamente ostentando mais do que um brilho. Meus olhos vagaram à margem do campo de futebol, capturando Becks flertando com outra líder de torcida pernas-eternas, sua segunda do dia. O treinador Crenshaw gritou seu nome, a voz cortando o ar com toda a delicadeza de uma sirene. Becks nem sequer se encolheu. Ele estava suando como um demônio, mas Miss Dupla Pirueta Volta Atrás não parecia se importar. Crenshaw chamou o nome de Becks, novamente, ficando com a cara vermelha ao mesmo tempo em que ele me notou. Ignorando o treinador, Becks correu direto para mim. ― Aproveitando o show? ― Ele perguntou, puxando o fundo de sua camiseta para limpar seu rosto. Um surto de gritos femininos explodiu. ― Claro, ― eu disse, inclinando a cabeça ―, mas não tanto quanto elas estão. ― Ah, Sal, me dê um tempo. Estou trabalhando minha bunda lá fora. Você vai escrever sobre mim ou o quê? ― Oh sim, definitivamente, ― eu balancei a cabeça, batendo em meu caderno. ― Não se preocupe. Vai ser totalmente digno do Pulitzer. ― Ei, escute. ― Ele pigarreou enquanto Crenshaw gritava seu nome pela terceira vez. ― Se você não pode suportar o calor, saia do campo. ― Ele pausou, sorrindo largo. ― Então, o que você acha? ― Sobre o que? ― Eu perguntei.

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― Estou pensando que vai ser minha anotação para o anuário. ― A sério? Seu rosto caiu. ― Muito óbvio? ― Sim, só um pouco. ― Incapaz de suportar aquele olhar, eu acrescentei ―, mas para você, isso funciona. ― Sério? ― Seu rosto de repente iluminou-se. ― Então, eu vou com ele. ― Tire isso! ― O grito trouxe outra rodada de riso feminino. Voltando-se para a massa de meninas tontas, Becks sorriu. ― Só se disserem, por favor. ― Bonito, por favor, ― responderam em uníssono e eu quase fiquei muda. Quando ele não tirou imediatamente, as meninas começaram um canto de ‘Tira! Tira!’ Era por isso que eles não deviam deixar que líderes de torcida mantivessem o ensaio ao lado do campo de futebol. As palavras ficaram mais e mais altas enquanto elas ficavam mais ousadas, uma multidão incontrolável de adolescentes hormonais com megafones. Era uma visão assustadora. ― Você não está seriamente ouvindo-as, ― eu disse categoricamente. ― O que mais eu posso fazer? ― Becks, cuidado com o lado negro. ― O que isso deveria significar? ― É um Yoda-ismo, ― eu disse. ― E você sabe exatamente o que significa. Becks, você não tem vergonha? ― Não, ― ele disse, levantando a camiseta sobre a cabeça em um puxar rápido, provocando uma mistura de aplausos, gritos e suspiros apreciativos. Eu balancei a cabeça, lutando para manter meus olhos na sua linha da mandíbula. ― O que posso dizer Sal? ― Disse ele, afastando-se. ― É como essa frase desse programa de Oklahoma. Eu sou apenas um cara que não pode dizer não. ― Atirando sua camiseta em uma das líderes de torcida, ele se foi com um andar sexy para o centro do campo, sorrindo o tempo todo. Ele deu a um carrancudo treinador Crenshaw um golpe na parte traseira e, em seguida, a equipe se pôs a trabalhar. Anotei a citação de Becks, fazendo uma nota lateral para incluí-la no meu próximo artigo, enquanto a menina que tinha pegado a camiseta de Becks apertou a camiseta ao seu coração e fingiu desmaiar.

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Pelo menos, eu esperava que fosse de mentira.

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CAPÍTULO 3 ― Becks, não tão alto! Você vai deixá-la cair. Um rolar de olhos. ― Relaxe, Sal, eu faço isso todas as noites. Olhando para o avental de cozinha com babados que ele usava, eu levantei uma sobrancelha. ― Você usa laço cor de rosa todas as noites? Uau, Becks. Depois de todos esses anos, a verdade finalmente sai. ― Se isso é uma indireta a minha masculinidade, você sabe que não vai funcionar. ― Becks jogou a massa mais alto sorrindo, enquanto eu ofegava. ― Por que você me faz usar isso de qualquer maneira? Porque só uma coisa bate um Becks sem camisa: Becks vestindo um modelo rosa sexy, com os dizeres "Beije o cozinheiro" em seu peito, fazendo pizza para mim e minha mãe. Após o treino, ele me seguiu até em casa, para que pudéssemos passar um tempo antes que ele saísse para trabalhar. Mamãe não estaria de volta por algumas horas por causa de uma consulta em Bixby. Becks fazia o jantar para nós, pelo menos, uma vez por semana. O avental era apenas um bônus. Tinha sido um presente da mamãe, mesmo ela dizia que parecia melhor em Becks. Que me lembrou... ― Minha mãe acha que você é sexy. Dessa vez ele quase perdeu a massa de verdade, salvando-a pouco antes de bater no chão. O olhar em seu rosto era impagável. Recuperando, ele disse: ― Isso é bom. ― Soltando a massa em uma forma, ele empurrou nas bordas e começou a colocar o molho. ― Bom? ― Eu repeti. ― Não quer dizer estranho? Assustador Todos os tipos de errado? Olhando-me de soslaio, ele disse: ― Por que você está ficando tão alterada? ― Eu não estou ― eu menti. Minha mãe estava flertando com um cara que eu secretamente tenho amado desde sempre. Não é grande. Quem iria ficar chateado com uma coisa assim? ― Pelo menos sabemos que Martha tem bom gosto. ― Becks! Ele riu quando eu cruzei os braços. Uma vez que ele tinha temperado e coberto a massa com queijo, pepperoni e abacaxi, Becks colocou-a no forno, ajustou o timer e, em seguida, aproximou-se e imitou a minha posição. Ele estava sorrindo, mas eu me recusei a

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ceder. ― Falando de gosto, ― disse ele depois de um momento. ― O que é com essa música? ― Clássico dos anos 80, ― disse. ― Se você não gosta, sinta-se livre para mudar a estação. ― Não, eu gosto. ― Becks cutucou meu ombro. ― Traz memórias, não é? ― Sim, ― eu concordei, com um sorriso tocando meus lábios. Becks e eu tínhamos passado pela mesma fase dos anos 80 que cada criança atravessa. Um ritual menos conhecido. ― Eu me lembro de você ter uma coisa por aquele cara, nesse filme de dança. ― Eu tinha uma coisa para a sua dança. ― Eu bufei. ― E não aja como se você não soubesse o nome dele. Suspirando, Becks passou a mão pelo cabelo. ― Eu não vou negar. Eu queria ser Swayze. ― Hmm, ― eu disse, olhando os olhos azuis de Swayze em Becks, os cílios compridos e grossos. ― Eu me lembro de você vestindo camisetas e calças pretas por dois meses seguidos. Estou pensando que você era o único apaixonado. ― Eu... ― Becks congelou quando a música que estava tocando terminou e uma familiar começou. Era como se o rádio estivesse sintonizado na nossa conversa. ― Quer dançar, Sal? ― Tem certeza? ― Eu disse. ― Sexta série foi há algum tempo. ― Sim, mas você me obrigou a praticar todos os dias, durante quatro meses seguidos. ― Antes que eu pudesse lembrar-lhe que ele tinha sido o único a insistir que praticássemos tanto, Becks sempre foi um perfeccionista, um dos motivos por que se sobressaia nos esportes e estudos, ele sorriu e estendeu a mão. ― Eu acho que consigo. Tomando sua mão, eu assumi a posição. Becks nas minhas costas, coloquei o braço atrás do pescoço, seus dedos deslizando lentamente pelo meu braço, do lado das minhas costelas, na minha cintura. Eu tentei e falhei em não tremer. Talvez isso não tivesse sido uma boa ideia. Aprender a dança final de Dirty Dancing tinha sido difícil. Nós tínhamos praticado longas horas em minha casa até que nós tivemos os movimentos. A diferença entre o show de talentos da sexta série e agora, no entanto, foi vergonhosamente óbvia. Eu não esperava que seu toque me afetasse da forma como o fez. Quer dizer, eu sempre fui apaixonada por ele, mas quando você tem onze anos, as coisas são apenas diferentes. Mamãe teve que pular as partes atrevidas para que pudéssemos ver o filme, pelo amor de Deus. A letra de "Time of My Life" era tão inocente como sempre. Mas eu estava tão consciente dele. Seu aperto no meu quadril, a maneira como ele conduziu-me pela cozinha. Aqueles olhos. A dança tinha

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sido para o público na sexta série, mas com o toque certo de Becks e meu coração martelando, estávamos definitivamente nos aproximando de uma classificação para adultos. Quando ele me puxou para o seu peito, eu me afastei. ― Qual o problema? ― Disse Becks, estendendo a mão para mim. ― Você está bem, Sal? ― Tudo bem, tudo bem. ― Eu pulei para trás, novamente, observando sua mão cair, desejando que minha voz não soasse tão sem fôlego. Para cobrir, eu disse: ― Apenas fora de forma, eu acho. Talvez eu deva começar a fazer exercícios, como você. ― Nah. ― Becks encostou-se ao balcão. ― Você está bem. ― Diz o cara com um pacote de seis, ― disse eu, tentando me apossar de mim. ― Não, realmente, ― disse ele. ― Eu gosto de meninas com um pouco de carne sobre elas. Bom saber. ― Então, qual é o seu tipo? O comentário estava tão fora de lugar, que olhei para cima. ― O quê? ― Mais cedo, na escola, você disse que não gostava de rapazes maus... Ou meninas, ― acrescentou com uma piscadela. ― Só me fez pensar o que você gosta. Você. Não é brincadeira, foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Mãe de Deus. Não só seria acabar com nossa amizade, como Becks correria para longe, se eu disse isso a ele. Controle-se, Spitz. ― Não sei, ― eu disse. Medo da resposta, perguntei de qualquer maneira. ― Qual é o seu sonho de menina? ― Sardenta, ― ele disse, sem perder um segundo. ― O quê? ― Eu zombei secretamente satisfeita. Eu tinha sardas! ― Que maneira de estreitar o campo, Baldwin. ― Você não me deixou terminar. ― Os olhos movendo-se sobre mim, com um foco que fez a minha respiração parar, ele disse: ― Lindas sardas, cabelos castanhos ondulados, cerca de 1.68, olhos cor de avelã. Naturalmente bonita. ― Becks... ― Ela é esperta. ― Ele falou por cima de mim. ― Pode Citar Star Wars, xinga como um marinheiro alemão quando está irritada. Alguém que me faz rir em voz alta, uma garota

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que é ela mesma e me deixa ser eu. Soa muito grande, certo? Olhei para ele. Um momento, duas horas, eu não sabia. Tinha parecido sincero, mas ele não podia ser. Eu não era tão sortuda. ― Isso não é engraçado. ― Você me vê rindo? ― Becks... ― Sim, Sal? ― Você está brincando... Certo? ― Eu tinha que perguntar. Mesmo que a nota de esperança na minha voz revelasse muito, eu tinha que perguntar. Houve um silêncio constrangedor. Em seguida, o sorriso de Becks rompeu, os olhos brilhantes. ― Cara, você deve ver seu rosto agora, ― ele riu enquanto eu tentava me recuperar. ― Impagável. Bem. Isso respondia tudo. ― Você quer saber o meu tipo, Sal? Mulher. ― Só isso? ― Perguntei. Becks deu de ombros. ― Eu sou um cara. Eu amo as mulheres, ― disse ele, e me atirou um sorriso. ― Algumas mais que outras. Sacudindo-me, eu dei um soco, batendo-lhe no braço. ― Seu otário. Por que você diz isso tudo? Foi para me envergonhar ou o quê? Ele riu como se nada tivesse acontecido. ― É verdade, Sal. Você me arruinou para outras mulheres. ― Okay, certo. ― Onde é que eu vou encontrar outra menina que dá um soco como esses? ― Haha, boa piada, ― eu disse, um nó na garganta. Eu o conhecia. Becks não tinha dito nada, nunca fez um movimento em todo esse tempo. Mas quando ele me descrevia, seus olhos suavizaram ou eu tinha imaginado? O temporizador disparou e Becks puxou a pizza do forno. A crosta estava dourada, queijo espalhado uniformemente por cima. ― É melhor eu ir, ― disse Becks, deixando a bandeja, agarrando sua bolsa do chão. ― Até logo?

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― Provavelmente. ― Engoli em seco e forcei um sorriso. ― Que a força esteja com você. ― Você também. Becks acenou enquanto caminhava para fora e eu acenei de volta, tentando ignorar a dor em meu peito.

****** ― Mãe, você viu minhas luvas? Eu procurei por todo o meu quarto, debaixo da cama, o criado-mudo, verifiquei até mesmo a estante de livros. A pesquisa tinha começado há mais de uma hora, depois que eu terminei minha lição de casa. As perguntas de Cálculo eram sempre fáceis, mas a leitura tinha levado mais tempo do que o habitual, principalmente porque eu tinha repetido a conversa com Becks. Meu cabelo levou mais tempo esta noite. Apesar do que Becks tinha dito, não era ondulado. Era absolutamente incontrolável, na maioria dos dias. Polvilhado sobre minhas bochechas e a ponta do meu nariz, eu tinha feito a paz com minhas sardas ao longo dos anos. Mas elas não eram bonitas; elas estavam apenas lá. Olhando para trás, eu deveria saber que era uma piada, desde o começo. Eu não deveria ter passado tanto tempo sobre o pensamento. Talvez, então, eu não estaria atrasada. ― Mãe? ― Eu disse novamente, entrando na cozinha. ― Que luvas? ― Perguntou ela, de cabeça baixa, olhando para um layout de contas, enquanto ela comparava amostras de pano. A noiva deve ter escolhido laranja e verde brilhante para suas cores do casamento. Eu estremeci. Meus olhos doeram apenas olhando para a mistura. ― Hum, as únicas luvas que eu tenho. ― Eu tentei não soar muito sarcástica. Não era culpa dela se as coisas estúpidas estavam faltando. ― As amarelas pequenas. Brilhante, elástica, meio barata. ― Oh, aquelas. ― Mamãe disse, descartando o âmbar para o vermelhão, ― Verificou o cesto de roupa suja? Movimentando-me para a lavanderia, eu vasculhei o cesto de roupa suja. ― Não está aqui, também. ― Eu sabia que era improvável. Eu não as tinha usado há algum tempo, não desde a minha festa temática do X-Men, no meu décimo primeiro aniversário, além disso, eu suspeitava que o material de má qualidade não fosse aguentar na lavagem. Caminhando de volta, eu murmurei ― poderia jurar que as pus na noite passada, no meu armário. ― Você olhou para se certificar de que elas não estavam no chão, em algum lugar? Eu balancei a cabeça. ― Sim, ainda verifiquei por trás da cabeceira da cama. ― Suspirando, eu deslizei para o banco, em frente a ela. ― Acho que vou ter que ir sem elas.

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Hooker vai se decepcionar. Você sabe que ela se encanta com essas coisas. ― Não se preocupe, ― disse a mamãe, enquanto ela vinculava algumas peças juntas. Parecia que ela estava indo com trevo verde e casca de laranja com um acento do ouro profundo. Não é ruim, considerando o que ela tinha que trabalhar. ― Lillian não... ― Não o quê? ― Eu murmurei, pegando na mesa enquanto eu esperava mamãe responder. Quando ela não fez, eu olhei para cima e a peguei olhando para mim. ― O que está errado? Ela abanou a cabeça. ― Nada. Sally... O que aconteceu com seu cabelo? ― Oh. ― Eu instintivamente levantei a mão para meus cabelos castanhos. ― Eu apenas usei alguns rolos quentes e pus um pouco de pó de talco na frente, para parecer mais com Rogue7. Você gosta disso? ― Eu não tenho certeza, ― disse a mãe com uma pequena careta. ― Isso faz você parecer... Mais velha, de alguma forma. ― Muito obrigada, ― eu disse, não me preocupando em esconder o sarcasmo. Minha vida estava ficando melhor e melhor. De pé, eu alisei as rugas fora da minha camiseta preta do X-Men. As luvas teriam completado o conjunto, mas tudo bem. Isso teria que servir. ― Tudo bem mãe, estou indo. Mamãe olhou para o relógio. ― Mas não são onze ainda. ― Hooker queria ir cedo para conseguir bons lugares. ― Mas o que acontece com as luvas? ― Mamãe disse, seguindo-me até a porta. ― Não quer voltar a verificar de novo? ― Não, está tudo bem. ― Eu dei-lhe um beijo na bochecha. ― Hooker só vai ter que lidar. Te amo mãe. ― Mas Sally, você não pode simplesmente esperar... Antes que ela pudesse dizer mais, eu abri a porta... E vi o menino com o Scion azul céu caminhando em direção a nossa casa. Com os dentes cerrados, eu assobiei ― mãe, me diga que você não fez. ― Eu não fiz, ― ela disse, mas eu não estava comprando. Seu sorriso era muito brilhante, seu olhar muito contente para ser apenas uma espectadora inocente. Então, a verdade: ― Lillian fez. ― Eu disse a ela nada mais de encontros.

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Vampira do desenho X-Men.

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― Ela está apenas tentando ser uma boa amiga, Sally. Quem sabe? Ele poderia ser a sua alma gêmea. ― Se os oito primeiros não eram minha alma gêmea, as chances não estão em seu favor, ― eu disse. ― Além disso, eu não quero que Hooker se sinta como uma terceira roda. O olhar da mamãe era astuto. ― E desde quando que Lillian vai a qualquer lugar sem um menino em seu braço? Ela tinha um ponto, mas... ― Eu não estou fazendo isso. ― Eu balancei a cabeça. ― Não essa noite. ― Oh sim, você está. ― Mamãe disse, empurrando-me para a varanda enquanto eu tentava me afastar. ― Seu nome é Austin Harris. Ele é um bom garoto, de acordo com Lillian, e eu prometi me certificar de que vocês vão juntos. Agora, ― ela colocou algo em minha mão. ― Vá. Saia e se divirta um pouco. A porta bateu. Inacreditável. Mamãe tinha literalmente me jogado para fora de casa. Quando ouvi o bloqueio clicar no lugar, eu olhei para o que ela tinha me dado. As luvas amarelas. Ela deve ter pegado do meu quarto em algum momento, esta tarde, enquanto eu estava na escola. Minha mãe, o cérebro calculista. O pensamento quase me fez sorrir, mas então, Austin tinha feito o seu caminho até a porta. ― Oi, ― ele disse sorrindo e estendendo a mão, ― eu sou Austin. Encontrei-me com Lillian na livraria e eu acho que ela pensou... Bem, sim. ― Sally, ― eu disse, apertando a mão dele. Austin tinha o corpo de um modelo/nadador surfista com uma cara que combinava. Eu não conseguia descobrir por que ele estava sendo tão bom. Os meninos que se pareciam como Austin raramente eram. Mas depois, olhando-o mais de perto, notei... Era um protetor de bolso? Eu pensei que era um mito. E sua gravata azul escuro, que ele usava solta sobre uma camisa branca, por fora da calça de botão, estava realmente impressa com o selo Hogwarts. ― Você gosta de Harry Potter? ― Perguntei, acenando para ele. ― Claro que sim, ― disse ele com entusiasmo. ― Então, como se ele tivesse sido pego, ele disse: ― Quero dizer, sim. Muito legal Harry Potter. Se você gostar desse tipo de coisa. Eu sorri. ― Eu uso a minha camisa Gryffindor, pelo menos uma vez por semana. ― Sério? ― Sério.

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― Oh. Isso é bom. ― Ele parecia aliviado. ― Eu pensei que eu tinha estragado tudo nos primeiros cinco minutos. ― Não, você está indo bem, ― eu disse, em seguida, dei uma olhada no meu celular. Se eu não estiver lá em dez minutos, Hooker iria disparar raios de seus olhos. ― Escute Austin, eu não sei o que a minha amiga disse, mas estamos indo ao cinema com ela. Se eu não estiver lá em cerca de dez minutos, eles provavelmente vão vender todos os ingressos. ― X-men, certo? ― Austin pescou dois bilhetes do bolso. ― Eu já os tenho. Lillian me enviou um texto umas duas horas atrás. ― Uau. ― Eu estava honestamente impressionada. A tortuosidade de Hooker, de repente, chegou a um ponto mais alto. ― Então, você não vai se importar de sair com nós duas? ― Não, se ela é tão legal quanto você. ― Ele corou um pouco, mas fez um gesto na minha direção. ― Eu gosto do seu cabelo, é claro. ― Obrigada, ― eu disse. E é assim que eu acabei indo ao cinema com Austin Harris, um rapaz que eu mal conhecia, que já tinha me dado mais elogios do que qualquer um dos meus encontros anteriores desastrosos e era um motorista surpreendentemente cauteloso. Muito cauteloso. Ele dirigia como um homem de noventa anos de idade com catarata. Se ele parasse em mais um amarelo, eu não poderia ser considerada responsável por minhas ações. Quando entramos, Hooker estava encostada na lanchonete, batendo o pé impaciente, vestida com uma parafernália da Tempestade8. As botas brancas de coxa alta que ela estava usando pareciam pintadas, mas isso não era nada em comparação com o body de lycra branco e a capa. Meu toque preferido era a peruca branca estilo bob, que ela vestiu para a ocasião. Hooker clássica. Ela nunca fazia nada pela metade. Avistando-me, ela empurrou para fora. ― Ei, Spitz, ― ela chamou, acenando freneticamente. ― Sally Sue Spitz, aqui! Eu dei um aceno menor e tentei não ficar constrangida quando todas as cabeças viraram. O bilheteiro parou no meio do corte. ― Spitz? ― Ele disse e depois sorriu. ― Grande Deus Todo-poderoso, você deve ser a filha de Nick. Eu contive minha careta e assenti. ― Bem, o que parece isso? ― Crachá do cara dizia Eddie, e ele estava vestido com um terno. Achei que ele era o gerente. ― Você se parece como ele, sabe. 8

Desenho do X-Men.

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Na verdade, eu pensei que parecia a minha mãe, mas que seja. ― Seu pai é um grande homem. Ele realmente nos ajudou a reprimir atividades ilegais aqui no Regal Cinemas. ― Hmmm, ― eu disse e tentei não revirar os olhos. Se a venda de pipoca e doces a preços tão elevados não era um crime, eu não sabia o que era. ― Você não se esqueça de dizer-lhe que Ed disse oi, da próxima vez que você vê-lo. ― Claro. ― Quando eu saí, eu acrescentei: ― Mas você provavelmente vai ver o idiota antes de mim. Embora nós vivêssemos na mesma cidade, eu não via muito o meu pai. Ele era como uma daquelas espinhas que apareciam quando você menos esperava. Uma desagradável surpresa que faz o inferno da vida até que ela suma. Para a maioria das pessoas, ele era Nick Spitz, policial favorito de Chariot. Eu o conhecia como o cara que tinha sido pego fodendo a babá, enquanto eu estava no outro quarto assistindo desenhos animados. Mamãe pediu o divórcio no dia seguinte. ― Finalmente. ― Hooker estava com as mãos nos quadris quando cheguei a ela, a eterna pose de super-herói representada. Eu nem sequer acho que ela percebeu que estava fazendo isso. Após a conversa sobre o meu pai, a visão me fez sorrir. ― Eu estava começando a pensar que não iria aparecer. Will está lá em cima guardando nossos lugares. Por que você demorou tanto... Oh hey, Austin. Oferecendo sua mão, Austin disse: ― Oi novamente, Lillian, e obrigado. Sally é ótima. ― E não se esqueça disso, garoto. ― Puxando-me, Hooker inclinou a cabeça para a minha e disse: ― Então, o que você achou? ― Ele é agradável, ― eu disse. ― Eu não gosto de você pedindo ajuda a minha mãe e o jogando em mim quando eu estava saindo da casa. Mas ele parece bem. Ela torceu o nariz. ― Só bem? É isso aí? ― Sim, ele não é realmente tão ruim. ― Spitz, o cara está usando calças e tentou apertar a minha mão. ― Ela puxou uma ponta de seu prumo. ― Encontrei-o inclinado sobre um livro maior que minha cabeça, na seção de ficção/fantasia, na Barnes and Noble. Isso soou suspeito. ― E o que você estava fazendo na Barnes and Noble? ― Perguntei. ― Não é óbvio? ― Ela riu. ― Eu estava buscando a versão masculina de você. Eu ri, apesar de mim.

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― Que bom que você acha que é engraçado, ― disse ela. ― Eu sempre digo que ser educado é o que você tem que ter em conta. Além disso, por favor, não me mate. ― Matá-la por quê? ― Eu disse. ― Hey Lil, eu vejo que você achou o meu encontro. ― Virando a cabeça, peguei Chaz Neely examinando minha bunda. Hooker olhou para Chaz enquanto eu olhei para ela. Isso não poderia estar acontecendo. ― Eu lhe disse para não chamá-la assim, ― disse ela. Chaz levantou as duas mãos. ― Desculpe cara, eu esqueci. ― Para mim, ele disse: ― Amei o cabelo. Realmente dá-lhe algo, quase faz você parecer sexy. Eu olhei mais duro, à medida que Hooker bateu a palma da mão contra a testa. ― Ela é em realidade o meu encontro e ela já é sexy. ― Austin disse um pouco com o rosto vermelho. ― Não dê ouvidos a ele Sally. Você está definitivamente mais sexy que a maioria, se não uma das garotas mais sexy ao redor. Tanto quanto eu gostei de ouvir Austin defender o meu nível de gostosura, eu estava pronta para acabar com essa conversa e ir assistir ao filme. Eu não achava que Hooker poderia superar o fiasco Daisy, mas não havia nenhuma competição. Este era oficialmente meu encontro mais desconfortável. ― Vamos? É quase meia-noite. ― Sem esperar por uma resposta, eu arrastei Hooker para o segundo teatro à direita, meus dois encontros se arrastando atrás de nós. ― Diga-me que não fez. ― Eu queria que você tivesse uma seleção mais ampla, ― explicou ela. ― Dois caras, um encontro, o dobro da chance de sucesso. Não é genial? Desta forma, você pode escolher: esperto e idiota, de novo, basicamente você na forma de garoto ou sexy e... Ardente. ― Você me deve por isso. ― Eu sei, eu sei, ― disse ela, os olhos brilhando. ― Mas isso vai certamente dar-lhe algo para colocar naquele seu diário. E hey, elogios sobre o cabelo sensual. Estou com ciúmes. O meu nunca faria isso. Eu quase tropeço. ― O que? Hooker concordou. ― Isso é um grande look para você. Agora tudo o que precisamos fazer é encontrar um sutiã melhor, para dar uma levantada nas meninas e você está livre para ir para casa. Revirando os olhos, eu andei pelo corredor, sentindo-me enjoada. Sutiã era o menor dos meus problemas. Isso estava claro antes mesmo de começar os avanços.

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Eu acabei sentada entre Austin e Chaz. O primeiro me ofereceu o apoio de braços, perguntou se o meu lugar era suficientemente confortável, queria saber se eu precisava de alguma coisa do posto de comida. Pela décima pergunta: ― Por que as pessoas gostam do X-Men, de qualquer maneira? Liga da Justiça é muito mais legal ― eu tinha o suficiente. Os filmes não eram para conversar e as perguntas incessantes tinham que parar. Além disso, todos sabiam que não havia comparação. Os membros da Liga da Justiça eram apenas imitadores de X-Men, puro e simples. Com ele sussurrando em meu ouvido a cada cinco segundos, eu mal podia ouvir o filme. Chaz, entretanto, não era tão loquaz, era tão exasperante, mas por razões diferentes. Ele continuou tentando colocar a mão na minha coxa, não importa quantas vezes eu bati afastando. Suas constantes tentativas de olhar por baixo da minha camisa, resultou em eu me inclinando tão perto de Austin que, em um determinado ponto, nós acabamos batendo cabeças. Contrariado, Chaz caiu de volta em seu assento e me disse para ir comprar-lhe uma grande coca e pipoca com manteiga extra. Ao ouvi-lo, Austin ficou chateado, chamou-o de idiota, e os dois começaram a discutir comigo presa no meio. A luta não parou até que um dos seguranças veio e ameaçou tirar-nos para fora. Depois disso estava, felizmente, tranquilo. Mas, então, o filme estava quase no fim. Com os créditos subindo, Chaz esticou, em seguida, disse: ― Então, eu acho que é verdade o que dizem Spitz. Você realmente é puritana. Eu me virei. ― Desculpe, o quê? ― Puritana, ― disse ele, novamente. ― Você sabe, frígida. ― Quem disse isso? ― Perguntei, incrédula. Eu estava feliz que Austin estava em algum lugar, abaixo, à procura de seu celular. Ele tinha deixado cair durante o filme. Eu não queria que ninguém mais ouvisse isso. ― As pessoas. ― Chaz deu de ombros. ― Lillian disse que estava muito desesperada. Hooker tinha sérias explicações a dar. ― Ich bin nicht das, foi Du gerade über mich gesagt hast. ― Eu assobiei. ― Und Du bist ein Idiot. ― Indo pelo olhar confuso em seu rosto, eu posso ou não ter dito tudo isso em alemão. Mais ou menos, alguns palavrões. ― Tanto faz. E, então, ele se foi. Boa coisa, também, porque eu estava a cerca de dois segundos de usar esse gancho de esquerda, que Becks tinha me ensinado. ― Então, ― Hooker disse, deslizando para mim. ― Como foi? Sobrancelhas levantadas, eu me girei. ― Você disse a ele que eu estava desesperada?

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Seus olhos se arregalaram. ― Ele não deveria dizer isso. ― Hooker, ― eu gemi. ― Tudo bem, tudo bem, ― disse ela. ― Eu sinto muito. Chaz era uma espécie de último recurso. Grande cabelo, rabo apertado, mas não há muito passando na parte de cima. E sobre Austin? Eu balancei a cabeça. Como era essa minha vida? ― Nem ele você quer, né? ― Disse ela. ― Ok, sem problemas. O próximo será melhor, eu prometo. ― Não vai ter um próximo. Eu terminei. ― Quando ela se afastou, unindo os braços com o aspecto similar a Wolverine, em pé no final do corredor, fiz um último esforço. ― Você me ouve, Hooker? Acabou. Estou falando sério desta vez. ― Sim, está bem, ― ela atirou de volta. ― Nos vemos mais tarde, Spitz. ― Sally? ― Austin estava esperando pacientemente perto da porta, o telefone na mão. ― Você está pronta para ir? ― Sim, ― eu respondi, sentindo-me um pouco mal. Eu ainda não tinha lembrado que ele estava lá. ― Desculpe-me por tudo isso. Eu não tinha ideia que Hooker estava me trazendo outro encontro. ― Tudo bem, ― disse ele. ― Obrigada pela compreensão. ― Alcançando ele, eu balancei a cabeça. ― Austin Harris, você é muito bom para o seu próprio bem. Austin ficou em silêncio ao meu lado, olhando profundamente no pensamento, e eu estava com medo que eu tinha dito algo errado. Nós dois já tivemos que sofrer umas duas horas de Chaz Neely. Isso era suficiente para colocar alguém de mau humor. À medida que saímos, ele me parou com uma mão no meu braço. ― Sally, ― ele disse, hesitante: ― Há... Algo que eu quero dizer... Mas eu não quero incomodá-la. Tão educado, pensei. ― Ok, eu estou ouvindo. ― Fosse o que fosse não poderia ser tão ruim assim. Respirando fundo, ele disse, ― eu acho que estou apaixonado por você. Minha respiração me deixou em um assobio. ― Eu sei que é súbito. ― Austin disse, pegando minha mão. ― Eu sei que nós acabamos de nos conhecer, mas... Eu também sei como me sinto. Eu nunca conheci uma garota com quem eu poderia falar com tanta facilidade. Sally, eu só posso sentir isso. Você é

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a pessoa certa para mim. Levei um momento. Meu choque foi tão grande, que eu estava surpresa que não tinha engolido a língua. ― Austin, ― eu disse, tentando manter a calma. A situação exigia delicadeza. ― Sim, amor? Oh, isso foi tudo. ― Tá maluco?! ― Mas... ― Não, ― eu disse, dando um passo para trás. ― Você não pode estar falando sério. ― Mas Sally, eu te amo! Sua expressão era tão sincera, ele parecia tão certo. Além de estar totalmente assustada por sua confissão, eu realmente senti pena do cara. Austin Harris era claramente um lunático, mas um lunático com um coração. ― Não, Austin. ― Eu balancei a cabeça e fez a minha voz tão suave quanto possível. ― Você não ama. Você mal me conhece. ― Eu sei como me sinto, ― disse ele, o tom resoluto. ― Eu amo você Sally Spitz, e isso é tudo que existe. ― Ele fez uma pausa para encontrar meus olhos. ― Você... Sente algo por mim? ― Sim, amizade, ― eu disse. ― Eu adoraria te chamar de meu amigo, Austin, mas isso é tão longe que chegará. Eu sinto Muito. Assistindo a esperança em sua expressão desaparecer, foi como um tapa na cara. ― Eu entendo, ― disse ele, arrastando a ponta do sapato contra o pavimento, olhando para qualquer lugar, menos o meu rosto. ― Eu realmente fiquei como um idiota, não foi? ― De jeito nenhum, ― eu disse. ― Você é um cara legal, Austin. Há alguém lá fora para você. Só que não sou eu. ― Eu estendi minha mão. ― Então... Amigos? ― Amigos, ― ele concordou, apertando minha mão. ― Você está pronta para ir? Lembrando-me de sua mais que segura condução, pensei rapidamente. ― Você continua. Eu acho que eu vou parar na Paula, para uma fatia. Eles ficam abertos até tarde, sempre que há uma sessão da meia-noite. ― Mas como você vai chegar em casa? ― Eu vou pegar uma carona. ― Eu enxotei-o em direção ao seu carro. ― Vá em

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frente, eu vou ficar bem. ― Tudo bem, se você tem certeza. ― Austin pegou minha mão, novamente, e beijou as costas. ― Foi bom conhecê-la, Sally. ― Você também, ― eu disse surpresa. No meu caminho à Pizzaria da Paula, eu revi os acontecimentos da noite. Chaz tinha sido um fracasso completo, mas Austin estava bem. Por que não podia simplesmente sair com alguém doce como ele? Quero dizer, claro que ele era um pouco maluco, me dizendo que me amava, depois de apenas um dia, mas havia coisas piores. Entretanto, enquanto o observava passar, oh, tão lentamente pelo estacionamento quase vazio, eu sabia que nunca teria funcionado. Eu gostava de dirigir rápido, oito km/h acima do limite de velocidade, pelo menos, e Austin era um cara do tipo de regras. Se eu estivesse no volante, eu tinha certeza que ele ia ter um enfarte. E eu não tinha certeza de que poderia namorar alguém que preferia a Liga da Justiça sobre Vampira e sua tripulação. Estava aí a definição de incompatibilidade. Paula me encontrou na porta. ― Hey, Sally. Oooh, esse cabelo deveria vir com um aviso: Grande e no comando e demasiado sexy para segurar. Anda menina, nunca soube que você tinha isso em você. O que vai ser? ― Água e uma fatia de pepperoni com abacaxi, por favor. ― Eu sorri quando ela me levou à minha mesa de sempre. ― Obrigada, Paula. ― Claro, querida. Alguns momentos depois, Becks saiu com a minha água e prato, colocou-os para baixo e sentou perto de mim. A primeira coisa que ele disse foi: ― Qual é a do cabelo? ― Só estou tentando algo diferente, ― eu respondi. ― Você gosta disso? Ele encolheu os ombros. ― É legal. Então, como foi o filme? Era tão incrível como parecia no trailer? Pensei que Becks seria o único a anular meu chamado cabelo sensual. ― Não sei. ― Eu coloquei um pedaço de pepperoni em minha boca. ― Foi meio difícil de prestar atenção. Becks sorriu. ― Bem, isso soa interessante. ― Você não tem que voltar ao trabalho? ― Não. ― Ele desamarrou o avental e colocou-o na frente dele na mesa. ― Estou oficialmente fora do turno. Derrame, Sal. No momento que terminei, Becks estava rindo tanto que tinha lágrimas nos olhos.

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― Chaz Neely? ― Ele disse, sem fôlego. ― O que Lilian estava pensando? Esse cara é um tremendo tarado. ― Sim, eu sei. ― Na minha nova versão, eu deixei de fora a parte do frígida. Em parte porque era embaraçoso e em parte porque eu não acho que Becks acharia engraçado. Em absoluto. De pé, perguntei: ― Você poderia me levar? Eu não queria ir com Austin, pensei que seria meio estranho. Ainda sorrindo, Becks também se levantou. ― Sim, como o passeio de carro mais estranho do que nunca. Ele realmente gosta da Liga da Justiça em vez do X-Men? Eu dei de ombros. ― O cara é ingênuo ou é seriamente louco, ― disse ele. ― Meu voto vai para louco. Ele realmente disse que te amava? Isso é ridículo. ― Puxa Becks, ― eu disse, mascarando minha dor com sarcasmo, ― estou tão feliz que disse a você. ― Ah, Sal, você sabe o que eu quis dizer. ― Você realmente sabe como fazer uma garota se sentir especial. ― Nunca tive quaisquer queixas antes. Eu fui para persegui-lo, mas escorreguei em uma mancha úmida, em vez disso, estremecendo de dor quando meu tornozelo dobrou. Com reflexos de gato, os braços de Becks esticaram para me pegar. Se ele não tivesse tão perto, eu teria definitivamente caído de cara no chão. Quebrando alguns dentes da frente teria sido um final perfeito, para esta imprevisível noite. ― Você está bem? ― Disse Becks. ― Sim, ― eu murmurei em seu peito. Seus braços estavam fechados em torno de minha cintura, os meus descansando em seus antebraços. Depois de uma noite tão penosa, seu cheiro familiar, o conforto que encontrei em sua proximidade, quase me desfez. Eu estava tão cansada de surpresas. Se eu tivesse que cumprir mais um encontro às cegas, eu literalmente enlouqueceria. ― Eita, Sal ― ele riu, apoiando o queixo na minha cabeça. ― Se você queria um abraço, tudo o que tinha que fazer era pedir. Bati em seu ombro. ― Idiota. ― Estou apenas dizendo. Apesar dos meus protestos, eu estava ali, abraçando-o mais do que o necessário. Tinha sido uma noite difícil e eu nem sequer tive a chance de realmente assistir ao filme. Sorte para mim, que Becks dava os melhores abraços do planeta. Mesmo o beijo de Austin, doce como foi, não tinha nada sobre a sensação dos braços de Becks ao meu redor. Era

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exatamente o que eu precisava, para limpar a minha cabeça. Estes encontros surpresa tinham que acabar. Eles só tinham. Desde que demandas e súplicas não tinham funcionado, eu teria que tentar uma abordagem diferente. O que eu precisava era de um plano, algo à prova de falhas, algo para tirar tanto a minha mãe e, especialmente Hooker, das minhas costas. Uma maneira de acabar com o emparelhamento para sempre. A resposta não veio até muito mais tarde, mas quando veio, a solução parecia tão simples e tão perfeita. Agora, tudo que eu tinha a fazer era encontrar o cara perfeito. Quão difícil isso poderia ser?

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CAPÍTULO 4 ― Como vai o artigo, Spitz? Eu mentalmente contei até dez. ― Olá, ― disse Priscilla, batendo os nós dos dedos duas vezes sobre a mesa. ― Terra para Spitz? É outubro metade da temporada, pelo amor de Deus. Eu preciso de um tempo estimado para esse artigo de esportes como para ontem. Respirando fundo, eu desisti da contagem. Números não iriam atenuar a dor. A voz irritante de Priscilla Updike era como ouvir as unhas em um quadro negro, o suficiente para fazer meus ouvidos sangrarem e meus pelos se erguerem. Olhando para cima, eu forcei um sorriso. ― Ele está progredindo, deverá estar pronto até sábado. ― Você apenas se certifique de que esteja. ― Ela ajeitou o cabelo, que já estava acima do limite na escala de maciez. Loiro, seios grandes e uma grande fã de Mary Kay, Priscilla era a imagem que me veio à mente quando a maioria das pessoas imagina o bombom do Sul. ― E não poupem sobre a contagem de palavras. Todo mundo sabe que só leem o nosso boletim de notícias para verificar as pontuações e ver os destaques. Certifiquese de inclui-los desta vez, em vez de sair em uma de suas inclinações de interesse humano tolas. Entretanto, a atitude mandona foi a razão por que eu a chamava Pisszilla, somente na minha cabeça, é claro. Quando Pisszilla se mudou para sua próxima vítima, eu olhei para a lista que eu tinha começado no início do período. Jornalismo era a única aula de escritura que Chariot oferecia e eu normalmente, prestava muita atenção. Mas desde que a nossa editora era a única a falar, eu não sentia a necessidade. Ela não iria nem perceber se eu saísse da sala. Agora que ela estava ocupada mordendo a cabeça de outra pessoa, aparentemente cada um dos horóscopos na semana passada terminou em morte horrível, um detalhe que Pisszilla não estava muito feliz, eu poderia levar minha mente para assuntos mais importantes. Parecia tão óbvio. Eu não sei por que não tinha pensado nisso antes. Ontem à noite, às 3:42 da manhã, quando eu estava meio adormecida, meio delirante, eu cheguei com a solução perfeita para os meus encontros. Um falso namorado. Hooker não poderia juntar-me, se eu já estivesse comprometida, por assim dizer. Tudo o que eu precisava era de alguém para fingir ser meu namorado por um tempo, e eu seria feliz. A chave do sucesso era encontrar o cara certo. Na folha de papel que eu tinha furtivamente aninhada sob a dobra do meu braço, no

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caso de alguém decidir dar um puxão e arrebatá-la, eu delineei meus critérios sob o título: A FBF IDEAL (O Namorado Falso Ideal) 1) Deve ser capaz de guardar um segredo. 2) Não deve ter medo de Hooker. 3) Deve ser do sexo masculino (não mais mal-entendidos). 4) Deve estar disposto a trabalhar barato e concordar com a pena de serviço de um mês. 5) Deve ser capaz de manter as mãos para si e deveres FBF separados da realidade. Números um, dois, três e cinco eram os mais importantes, mas quatro era inegociável. O prazo de um mês tornaria mais crível, especialmente para a mamãe. Então, quando o cara desse por terminado, não haveria nenhuma questão de encontros, novamente. Eu ficaria muito desolada, muito arrasada com a perda do meu chamado primeiro amor. O plano era estupidamente perfeito. Eu mal segurei de rebentar para fora o riso maníaco, quando a campainha tocou. Hooker não era a única autora intelectual, nesta escola. Agora, se eu pudesse encontrar alguém que cumprisse todos os requisitos, eu não teria que ir a outro encontro as cegas para o resto da minha vida. O pensamento me tinha sorrindo tão forte, que meu rosto doía. ― Spitz. Virei-me e encontrei Ash Stryker, estrela de futebol e companheiro da equipe de notícias, olhando para mim, franzindo a testa. ― Algo de errado com sua cara? Ash arruinou meu bom humor. Largando o sorriso maníaco, eu brinquei ― Não. Algo de errado com a tua? Ele balançou a cabeça, ainda olhando para mim como se eu fosse a coisa mais estranha. ― Escuta, eu queria dar-lhe uma mensagem. O time não aprecia que concentre todas as suas histórias em um jogador. Há dez outros caras lá fora, além de seu namorado. Não iria te matar se citasse algum deles, algum dia. ― Espera... ― Eu não podia acreditar nisso. ― Você não pode estar dizendo o que eu acho que você está dizendo. Você realmente lê qualquer um dos meus artigos? Um aumento de sobrancelha é tudo o que eu tenho do número quarenta e três. ― Ash, você sabe que eu sou a pessoa que deu o seu apelido? ― Eu o tinha batizado de O Açoite, no ano passado, descrevendo seus dribles rápidos e o som que seu pé fazia quando conectava com a bola. Isso foi quando ele era um estudante de segundo ano

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promissor e capaz. Agora, como um júnior, O Açoite, era titular no time do colégio, não era tão bom como Becks, mas definitivamente talentoso e arrogante. ― Quero dizer, seriamente, Açoite? As pessoas não chegam a isso por conta própria. ― Minha mãe me chamava dessa maneira antes que você escrevesse seu pequeno artigo. E eu mencionei arrogante? Cabelo loiro, corpo magro, sorriso fácil. O cara tinha a maioria das garotas caindo aos seus pés, sorte para mim, eu não era a maioria das meninas. ― Sim, tanto faz, ― eu disse, passando por ele e dando um tapinha no ombro. ― Boa conversa. ― Você é estranha, Spitz. ― Isso é o que eles dizem. ― Parando no corredor, eu virei de volta. ― E, a propósito, Becks e eu somos apenas amigos. Ash grunhiu e deslizou por mim, a parte traseira de sua brilhante camiseta branca e verde sumindo na massa de estudantes, em seu caminho para o primeiro período. Dando de ombros, eu fui para o meu armário. Eu dou cerca de dez passos antes que uma garota, que eu não conhecia, me agarrasse. ― Você e Becks? ― Ela riu, me olhando de cima a baixo. ― A coisa mais divertida que eu ouvi o dia todo. ― Huh? ― Eu disse confusa. Quando ela voltou para seu grupo de amigas rindo, outra menina Shelia, Shelly... Algo parecido veio até mim quando eu alcancei meu armário. ― Ignore-a. Ela está apenas com inveja. ― Ela revirou os olhos. ― Pessoalmente, eu sabia o tempo todo. Vocês são apenas o casal mais bonito que eu já vi na minha vida. ― OK... Shelia / Shelly / sorriu com cumplicidade. ― Ele é bom? ― Quem? ― Perguntei. ― Bem, dã, ― ela riu. ― Seu garoto Becks. Oh, eu pensei, futebol. Finalmente pegando-a, eu disse: ― Oh sim, ele é fenomenal. ― Eu aposto que ele é. ― Ela piscou. ― Corpo e rosto como aquele, como poderia não ser, certo? Não via como o rosto de Becks tinha a ver com ele ser bom em esportes; mas eu não

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queria envergonhá-la, então, eu apenas assenti. ― Deve levá-lo em uma boa faculdade. Sua mandíbula caiu. ― Eles dão bolsas de estudo para esse tipo de coisa? ― Oh, sim, claro, ― eu disse. ― Toneladas. ― Bem, ― ela murmurou, afastando-se. ― Se aprende algo novo todos os dias. Bye, Spitz. ― Tchau. ― Bem, isso foi estranho, pensei, colocando minha combinação rapidamente. O sinal de alerta soou em algum momento, enquanto Shelia / Shelly estava falando e eu não queria me atrasar. Abrindo meu armário, eu achei uma caixa de amendoins com uma pequena nota em anexo. Ela dizia: Desculpe por ontem à noite. Espero que você aceite a minha oferta de paz, Hooker. E logo abaixo o nome dela, havia um PS ouviu algo, realmente preciso falar com você. A última parte foi rabiscada, quase ilegível, parecendo que tinha sido acrescentada apressadamente no final. Pegando meus livros e os amendoins, corri para o primeiro período e para o meu assento antes do gongo final. Do outro lado da sala de aula Hooker tentou me chamar, mas depois do olhar penetrante da senhora Vega, ela se estabeleceu. Seus olhos estavam tensos enquanto trocava olhares comigo, do outro lado da sala. Eu não sabia por que ela estava levando isso tão a sério. Amendoins eram os meus favoritos, mas ela tinha que saber que eu iria perdoá-la. Chaz Neely não estava prestes a terminar a nossa amizade. Não havia nenhuma razão para que ela ficasse tão ansiosa. Eu sorri para ela, fazendo um grande show de abraçar o doce no meu peito, mas sua expressão não mudou. A classe inteira ela continuou me lançando olhares inquietos. E isso era estranho, porque Hooker nunca ficava ansiosa de coisa alguma. Ela pulou para fora do seu assento quando a aula acabou e estava perto de mim antes que pudesse fechar o meu livro. ― Diga-me que não é verdade, ― ela exigiu. ― Diga-me que toda esta escola se voltou louca, ingerindo muitas pílulas da felicidade, porque eu estou prestes a ter um ataque cardíaco por aqui. ― Do que você está falando? ― Eu disse. Hooker olhou para mim como se eu fosse a única agindo como uma louca. ― Estou falando sobre... ― Sally, eu posso vê-la por um segundo. Não era realmente uma pergunta. O tom da senhora Vega dizia que esperava que fizesse o que ela pediu e nesse momento, para sua total satisfação, não há mas que vale a pena. Minha professora de alemão era autoritária, era o tipo de mulher que tomava o controle e minha favorita por causa disso. Eu era sua melhor aluna; nós tornamos amigas ao longo dos anos.

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Hooker parecia triste, mas ela disse: ― Nós falaremos mais tarde. Não me evitarás. ― Logo saiu. Eu revirei os olhos. Evitá-la? O que estava acontecendo com todo mundo hoje? Senhora Vega estava sentada à sua mesa, de cabeça baixa, brandindo sua caneta vermelha como uma espada até que os ensaios diante dela estavam sangrando e feridos. Eu sinceramente esperava que o meu não fosse um dos caídos. Roçando a pilha, notei a minha página de rosto saindo do fundo e soltei um enorme suspiro de alívio. ― Sim, senhora Vega? Ela deu uma facada final, riscando uma frase três vezes e olhou para mim, os olhos dilatados pelos óculos de garrafa de Coca, cabelo cinza prata captando a luz. ― Como vai você, Sally? ― Tudo bem, ― eu disse: ― E você? Ela se escorou na cadeira atrás, rolou a caneta vermelha entre os dedos. ― Eu tenho ouvido algumas coisas. Com seu sotaque único, uma mistura de espanhol, francês e alemão, todos os três assuntos que ela ensina a propósito, "coisas" soou mais como "zoisas". ― Como o quê? ― Perguntei, esperando que não fosse nada de ruim. ― Você tem um novo namorado. Surpreendida, levou-me um segundo para responder. ― Sério? Quem te contou isso? ― Eu ouço coisas. ― Ela encolheu os ombros, mas seus olhos eram astutos. ― Muitas vezes eu ouço os novos rumores, a fofoca que voa ao arredor. Você, geralmente, não é o tema de tal conversa. Hoje foi diferente. Eu não tinha certeza de como me sentia sobre isso. Por um lado, as pessoas normalmente não falavam de mim pelas costas. Isso era uma coisa boa. Por outro lado, poderia ter sido recentemente. Não estava entusiasmada com isso. De pé, senhora Vega veio ao redor de sua mesa e colocou a mão no meu ombro. ― Você é uma boa menina, Sally. Nunca chega tarde para a aula, sempre faz sua lição de casa, entrega os trabalhos na hora. ― Ela me levou até a porta quando o primeiro sinal tocou e a classe começou a encher-se. ― Apenas certifique-se que este menino é digno de você. A conversa foi peculiar em vários níveis, mas eu apreciei seus comentários, mesmo que eu realmente não tenha um namorado. Isso me lembrou de começar a pensar sobre quem poderia fingir ser o meu FBF

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― Obrigada, senhora Vega, ― eu disse. ― Mas... ― E você tenha certeza que essa pessoa, Becks, saiba que você é a namorada dele e de mais ninguém. ― Ela apertou os lábios enquanto eu fiquei lá sem palavras. ― Os homens parecem ter dificuldade com este conceito, só tem que perguntar aos meus dois primeiros maridos. Afastando-se, senhora Vega começou a murmurar para si mesma sobre os muitos nomes estranhos de hoje em dia, mas eu ainda estava em choque. Ela acabou de supor que Becks – Becks de todas as pessoas, e eu estamos saindo? Que ridículo. Por que alguém iria acreditar em tal história, obviamente, inventada? O choque durou até o momento que Hannah Thackeray, uma boa amiga minha, cutucou meu ombro. ― Hey Spitz, feliz que você finalmente conseguiu o teu garoto. ― O que? ― Eu disse silenciosamente. ― Você e Becks, ― disse ela, sorrindo. ― Estou feliz por você. Era inevitável, realmente. Estavam todos aqui delirando? ― Hannah, isso é um absurdo. Quem te contou isso? ― Absurdo? ― Ela repetiu, o seu sorriso vacilante. ― Mas eu vi vocês dois... Na última noite no de Paula. ― E? Hannah corou. ― Bem, vocês pareciam muito acolhedores. Becks estava segurando você como se ele nunca mais fosse vê-la, novamente. Lembrei-me de Becks me abraçando, mas a visão de Hannah era completamente diferente da minha. ― Ele apenas me pegou quando eu caí, ― expliquei. ― Eu escorreguei em um pouco de água, e ele me agarrou para que não me machucasse. Ela não pareceu convencida. ― Parecia muito sério para mim. ― Bem, não era. ― Quando franziu o cenho, eu imediatamente lamentei o meu tom. ― Hannah, eu sinto muito. Mas, realmente, o que você viu não era nada mais do que Becks me salvando de um lábio arrebentado. Temos sido melhores amigos desde a escola primária, pelo amor de Deus. Becks nunca sequer olhou para mim dessa maneira e muito menos me convidou para sair. ― O que você diga, ― ela resmungou e passou por mim no corredor. ― Você nunca vai ser capaz de mantê-lo, você sabe. Quinn Howell, abelha rainha e capitã das lideres de torcida do time do colégio, de repente estava lá, seu longo cabelo loiro amarrado em uma trança solta, sua maquiagem

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perfeita. Becks tinha me dito que tinham se beijado na última sexta-feira, mas não houve qualquer "química". Parecia que ela discordava. ― Ele vai descobrir isso mais cedo ou mais tarde, ― disse ela, franzindo seus lábios. ― Quero dizer, como Becks poderia ir de mim para alguém como você? Isso só não... Faz sentido. ― Eu não tenho ideia do que está falando, ― eu disse. Quinn encolheu os ombros magros. ― Basta lembrar o que eu te falei primeiro Spitz. Você e Becks? Isso nunca vai durar. ― Okaaay, ― eu disse. Essa tinha sido a interação mais estranha ainda. Quinn era a típica menina má, mas ela não era estúpida. Ela não podia realmente pensar que Becks e eu estávamos juntos. Quando ela saiu, eu peguei outras pessoas, quase todo mundo, olhando para mim ou sussurrando para alguém e, em seguida, olhando para mim. Uma sensação estranha, tendo muitos olhos em você de uma vez. Isso me fez pensar se este era o caminho que Becks sentia, cada vez que ele estava no campo. Becks, o meu namorado? Agora, isso me fazia rir. Como se alguém fosse acreditar nisso. E, no entanto, pensei enquanto Quinn e sua equipe seguia me olhando, as pessoas tinham acreditado. Compraram a mentira, contaram aos seus amigos e os amigos dos seus amigos, repetida tantas vezes, que tinha conseguido chegar aos ouvidos da Senhora Vega. O efeito de um abraço pequeno e inocente foi extraordinário. E eu não vou mentir e dizer que me levou muito tempo para chegar a uma decisão. Não. A lâmpada atingiu cerca de trinta segundos mais tarde, quando Becks gritou: ― Sal, ― e eu vi Hooker caminhando na minha direção no sentido oposto, o rosto comprimido. Eu não pensei. Agindo por impulso, agarrei Becks pela frente de sua camiseta, arrastei-o para o depósito próximo e o empurrei para dentro, o que ganhou alguns assobios. ― Sal, ― ele disse de novo, rindo, mas não houve tempo. Hooker tinha acelerado o ritmo e estava quase em cima de nós. Sem pensar, eu me joguei sobre Becks e fechei a porta atrás de mim, o coração batendo quando ouvi a campainha final. ― Lillian, você vem para a aula? A voz era do senhor Caroll, o professor de Ciência Política, e eu nunca fiquei tão feliz

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em ouvir isso na minha vida. Hooker murmurou algo de volta, que eu não consegui entender. Através da pequena janela na porta, os vi discutindo, Hooker apontando para nosso esconderijo, o franzir da testa do Sr. Caroll ficando mais e mais pronunciado. Com um olhar final, onde os olhos de Hooker e os meus se encontraram por um momento, ela se virou e caminhou para a aula. Eu exalei. ― Então, você quer me dizer por que está fugindo de Lillian, para não mencionar o empurrão em armazéns velhos? Qual é o problema, Sal? ― O que acontece, ― eu disse, colocando minhas costas contra a porta, ― é que preciso de um namorado. E todo mundo acha que você é ele. ― Oh sim, eu ouvi isso. ― Becks fez o seu caminho para um balde virado e tomou assento. ― Não se preocupe, eu disse a eles que não era verdade. ― Não! Becks me deu um olhar. Tomando um momento para ordenar os meus pensamentos, eu coloquei meus livros em uma mesa próxima, certificando-me que eles estavam perfeitamente retos, peguei os amendoins banhados em chocolates para dar apoio moral, e depois voltei para o meu lugar perto da porta. ― O que eu quis dizer foi que você não tem que fazer isso. Não há necessidade. ― Sal, eles estão dizendo que estamos juntos. ― Ele fez uma pausa para se certificar de que eu estava entendendo. ― Como juntos, juntos. ― Eu sei, ― eu disse. ― Corrija-me se eu estiver errado, você não disse que precisa de um namorado? Isso não vai exatamente ajudar a sua causa. ― Na verdade, vai ajudar muito. Ele cruzou os braços. ― Como? Ah, e não era essa a pergunta do dia? Abrindo o pacote de amendoins, eu derramei um punhado, atirei-o em minha boca e mastiguei lentamente. Becks cumpria com todos os meus critérios, de fato os superava. Com este novo boato, era quase como se fosse destino. Tinha que ser ele, definitivamente. Respira fundo, eu pensei. Então, eu deixo os dados voarem. ― Becks, eu preciso de você para ser meu falso namorado por um mês.

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Seu riso semi-histérico não era encorajador. ― Estou falando sério, ― eu disse. ― Eu não posso ter outro encontro misterioso e Hooker se recusa a desistir. Ajude-me, Obi-Wan Kenobi. Você é minha única esperança. Esta é a única maneira que eu posso pensar de parar a loucura. Depois que ele conseguiu um pouco de controle, ele disse: ― Sim, tudo bem. Um falso namorado, grande plano, Sal. Tenho certeza de que iria resolver todos os seus problemas. ― Você não entende. ― Eu caí. ― Eu não aguento mais. Eu já cheguei ao fim. Está chegando ao ponto onde eu não posso ir a qualquer lugar sem ter medo. Onde quer que vá, ela está tentando me arrumar. Pessoas. Hooker está dizendo que estou desesperada. ― Balançando a cabeça, eu me obriguei. ― Estes encontros têm de acabar e eles têm que terminar agora. ― Por que você apenas não encontra um namorado de verdade? ― Claro, ― eu disse sarcasticamente. ― Por que eu não pensei nisso antes? Graças a Hooker, tenho uma lista de caras que: a) terminam o encontro quando eles percebem que não pareço nada com Hooker e sou, como nós estabelecemos, uma idiota ou b) iniciam decentemente, mas acabam por ser Eu-amo-você-mesmo-que-eu-não-te-conheça ao estilo Austin. Vamos, Becks, fala sério. Você tem que me ajudar. ― Tomando um último tiro, não me importando se ele risse na minha cara, eu simplesmente dizia a verdade. ― Becks, você é tudo que eu tenho. Em vez de rir, ele franziu a testa. ― Sal, você poderia ter um namorado, se quisesse. Você é uma ótima garota, a melhor. Quem não iria querer isso? ― Sim, ― eu disse. ― Porque há tantos caras em fila, morrendo para sair com uma menina que todo mundo chama de Spitz. Balançando a cabeça, ele disse: ― Um falso namorado, hein? A esperança acende em meu peito. ― Sim, ― eu disse. ― Um falso namorado. ― Então, o que eu tenho que fazer? Eu não poderia deixar de estar incrédula com isso. ― Fazer? ― Eu repeti. ― Você faria o que você sempre faz. Fingir que sou a sua mais recente conquista. A testa de Becks franze. ― Você quer que te beije de língua e te apalpe no armário do zelador? Talvez, uma parte traiçoeira do meu cérebro sussurrou, mas eu engoli o impulso, com medo que eu pudesse assustá-lo. ― Não. Nós teríamos apenas que fingir na frente das multidões, pais, amigos, etc. Em particular, nós seriamos como sempre fomos.

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― Apenas amigos? ― Perguntou. Eu balancei a cabeça. ― Apenas Amigos. ― Você disse um mês? ― Sim. ― Mesmo com Becks, especialmente com Becks, isto era embaraçoso. ― No final, vamos apenas dizer-lhes que decidimos terminar por causa de diferenças irreconciliáveis. Eu pretendo estar devastada. Os encontros acabariam; estaria livre. Sem danos. Então... ― Eu tentei não deixar que os meus nervos se mostrassem, esperava que a minha voz não vacilasse. ― O que você acha? Prendi a respiração o tempo todo que Becks pensava sobre isso. Finalmente, ele disse. ― Ok, eu estou dentro. Eu pisquei. ― Você está dentro? ― Sim, eu vou fazê-lo. ― Você irá? Becks olhou para mim e sorriu. ― Certo. Você não achou que eu diria não, não é? ― Não? ― Eu disse, mas saiu mais como uma pergunta. Ele riu. ― Sal, eu só quero ajudar. Você é minha melhor amiga. Como eu poderia recusar? ― Então, é isso? ― Bem, sim, ― disse ele e eu comecei a respirar um pouco mais fácil. O bom e velho Becks. Um cara que qualquer garota gostaria de ter no seu canto. Meu corpo inteiro estava flutuando em uma nuvem de alívio. O melhor amigo que jamais poderia pedir... ― Agora, sobre o que eu estou recebendo em troca. Isso pôs fim a toda à luz e confusão. ― Eu pensei que você disse que só queria ajudar, ― eu disse incrédula. Ele encolheu os ombros. ― Você sabe o que dizem. Você não pode obter algo sem dar algo em troca, Sal. Isso não era bem o que "todos" diziam, mas eu entendi o ponto. Interrompendo-o, antes que ele pudesse ir, eu disse. ― Ok, Becks. Agora você tem

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dez segundos para me dizer suas demandas. Saltou do balde em protesto. ― Mas, Sal, você não pode... ― Oito segundos. ― Eu disse, olhando para o relógio. ― Mas... ― Cinco, qu... ― A lição de cálculo e entregar os Goobers9 de um mês, ― disse ele em uma corrida. Eu fiquei boquiaberta, esquecendo a contagem completamente. ― Mas você é grande em Cálculo, quase tão bom quanto eu. ― Então? ― Disse. ― Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. ― Becks, não é ético. ― Sal, eu vou verificar o trabalho. Eu só quero que você faça primeiro. ― Por quê? ― Perguntei, realmente pasma. ― Como eu disse, ― ele repetiu. ― Você tem que dar algo em troca. É justo. ― Ok, ― eu disse, pegando meus livros, virando-me para a porta rapidamente. Eu não podia acreditar que tínhamos pulado metade do segundo período. Eu nunca havia faltado um dia de aula em minha vida. Ainda mais inacreditável era que eu tinha acabado de conseguir meu primeiro namorado em troca de um mês de Cálculo e uma caixa de Goobers. A coisa toda parecia surreal. O fato de que o namorado, verdadeiro ou falso, era Becks, era impossível de assimilar. ― Ei, Sal. Quando eu me virei, Becks estava segurando a mão, palma para cima. ― Goobers? ― Disse. Ainda me recuperando, eu o entreguei, observando como ele esvaziou a caixa inteira dentro da boca, de uma só vez. Eu estava considerando seriamente a possibilidade de que este era um sonho, quando eu abri a porta e vi Hooker carrancuda do outro lado, com o passe para ir ao banheiro oscilando na mão. ― Spitz, você não pode estar falando sério, ― ela disse, sem rodeios. ― Este é Becks de quem estamos falando. E foi quando eu soube que era real. 9

Amendoins

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CAPÍTULO 5 Poderia esta situação ser mais complicada? Resposta: Sim. Afastando-me de Hooker, eu dei a Becks um direto no queixo. Ele gemeu e tropeçou, caindo no balde que tinha sentado, levando alguns trapos ao longo do caminho. Felizmente, zelador Gibbens apareceu, atraído por todo o ruído, e nos disse para ir para a aula. ― Isso ainda não acabou. ― Hooker tinha avisado. Mas eu tinha desviado a bala. Pelo menos por agora. Becks estava esperando por mim, no final do segundo período. ― O que foi? ― Perguntei quando ele se aproximou. ― Quer que eu leve seus livros? ― Hã? Agarrando meu fichário e livros, ele sorriu. ― Eu sou seu namorado agora. Lembra? ― Oh. ― Ele disse tão facilmente. ― As meninas deixam seus namorados transportar os seus livros, ― disse ele lentamente, como se eu precisasse de explicação. ― Claro ― eu disse. ― Ok, então. Pegue-os. Hooker sabia meus horários, mas eu sabia os dela, também, então, eu o levei pelo longo caminho para a minha classe. O lado positivo era que não nos encontramos com Hooker. A parte ruim? Nós nos encontramos justamente com Eden Vice, ou melhor, ela quase me derrubou em sua pressa para chegar a Becks. Dedos segurando a frente de sua camiseta, os olhos arregalados, a menina estava em um estado. ― Becks, não pode ser verdade, ― disse Eden. ― Este é apenas um rumor, certo? Você não está realmente namorando com a garota Spitz. ― O nome dela é Sally, ― disse Becks. Eu estremeci quando uma de suas mãos pousou na minha cintura, me puxando para o seu lado. Cruzando os braços, Eden fez beicinho enquanto eu tentava ignorar o calor daquela mão. ― E sim, eu estou. ― Mas por quê? Eu não entendo. ― Você não precisa.

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― Mas Becks, ― ela lamentou: ― Eu não entendo. Por que ela? ― Nada para realmente entender, ― disse ele, sorrindo para mim. ― Sal é minha garota. Sempre foi. Quando ele apertou meu quadril, eu juro que eu parei de respirar. Éden afundou, mas ela se afastou ante a clara rejeição. Eu estava tendo problemas para fazer meus pulmões trabalharem. E Becks estava apenas ali, sorrindo como tudo estivesse bem com o mundo, como se isto fosse tudo normal. ― Cara, eu digo que é uma mentira. Becks não iria perder seu tempo. Eu estava tão perto, que eu realmente senti enrijecer o corpo de Becks. Forte e desagradável, a voz trouxe de volta memórias ruins das mãos errantes, da noite passada. Eu sabia que deveria ter golpeado Chaz Neely quando tive a chance. ― Spitz é uma princesa de gelo. ― Chaz continuou, falando com os dois caras no seu armário. Eles estavam a dois passos no corredor, de costas para nós, mas suas vozes viajaram. ― Eu não sei. ― Rick Smythe, goleiro do CHS, falou. ― Eles têm sido amigos há muito tempo. ― Sim, amigos com benefícios. ― JB Biggs riu. ―Tem que haver algo ali para ele. ― Saímos na noite passada, ― disse Chaz. ― Encontro mais lamentável que já tive. Ela nem sequer me deixou chegar à segunda base. Da forma que eu vejo isso, Spitz é uma puritana. Corei furiosamente enquanto caminhávamos por trás deles. Eu não podia acreditar que Becks tinha ouvido isso. ― Ou isso, ou ela não gosta de caras. ― Talvez ela só não goste de você, ― disse Becks. ― Que inferno! ― A boca grande de Chaz se fechou quando ele ficou cara a cara com o olhar de Becks. ― Você é um depravado, ― eu cuspi. ― O que foi que você disse sobre a minha namorada? A maneira de Becks tão casual, me chamando de sua namorada, me distraiu. ― Desculpe-se, ― disse Becks. ― O quê? ― Chaz tentou ser tonto. ― Becks, você ouviu errado, cara. O que eu quis dizer foi...

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― Desculpe-se, ― Becks repetiu, dando um passo mais perto. ― Ou vou te fazer engolir os dentes. Sua escolha. ― Desculpe Spitz, ― disse ele, ainda olhando para Becks. ― Sally. ― Becks disse baixo. ― Sally. ― Chaz guinchou. ― Desculpe Sally. Deus, eu sinto muito. ― Melhor. ― Becks assentiu. Saltei quando uma de suas mãos agarrou a minha. ― Sal é minha namorada. Você mexe com ela; você mexe comigo. Entendeu Neely? Lá estava. Essa palavra novamente. Enquanto Chaz corria para longe e o sinal de alerta soou, o corredor limpou rapidamente. Tudo o que tinha acabado de acontecer me bateu com força total. ― Como você faz isso? ― Eu perguntei, depois de colocar algum espaço entre nós. Era impossível pensar com ele tão perto. ― Fazer o que? ― Isso. ― Apontando para seu rosto, eu ri inquieta. ― Todas as coisas sobre eu ser sua garota? Está exagerando um pouco, você não acha? ― Sal, ― disse ele ― você é minha garota. Esperei por ele para explicar, mas não o fez. Ao contrário, ele estendeu a mão para pegar a minha mão novamente e, é claro que eu saltei. ― Então, o que há com a coisa dos saltos? ― Que coisa de saltos? ― Ele levantou uma sobrancelha e eu corei. ― Eu não sei. Apenas não estou acostumada com você me tocando do nada, eu acho. ― Nós vamos ter que trabalhar nisso. ― Como? ― Perguntei miseravelmente. Se eu estava assim incômoda quando Becks segurou minha mão, que chance tínhamos em fazer as pessoas pensarem que estávamos namorando? ― Vou ter que pensar sobre isso. ― Quando eu levantei a cabeça, os olhos de Becks estavam iluminados. ― Existem tantas possibilidades. Eu não sabia o que ele queria dizer, não tinha certeza se queria. Seu rosto estava cheio de malícia, e, por algum motivo, o seu comentário anterior repetia na minha cabeça: eu sou um cara. Eu amo as mulheres. Ugh.

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O rugby era uma religião no Sul, mas em Chariot, Carolina do Norte, futebol reinava supremo. Esqueça capacetes e enchimentos; nossos meninos jogavam com protetores simples, preferindo menos restrição, menos proteção. Maior risco de lesão, mas eles não estavam dispostos a sacrificar a amplitude de movimento. Eu sempre pensei que era um pouco míope, mas quando perguntei a Becks sobre isso, ele disse: ― Desde que você saiba o que está fazendo, não há necessidade. ― Quando eu tinha dado a ele um olhar cético, ele havia pregado, em sua infinita sabedoria: ― Protetores são para mariquinhas. ― O que colocou um fim a isso. Protetores ou não, Chariot Hight era conhecida por seu futebol. Nós tínhamos levado o título estadual nos últimos dois anos seguidos. Caçadores de talentos de faculdade assistiam quase todos os jogos; as líderes de torcida aplaudiam; pais, professores, alunos, todos apareciam para assistir os Troianos dizimar seus oponentes. Mas eles iam lá realmente para ver Becks. Apenas um Troiano aparecia constantemente como titular. Apenas um tinha os recordes oficiais da escola, com a maioria dos gols em uma temporada, a maioria dos minutos jogados, a maioria das penalidades cobradas e marcadas. E apenas um já tinha sido oferecido bolsas de estudo para os dez melhores programas de futebol da nação. Todos chamavam Becks de "O Segundo Surgimento" obviamente, uma referência ao seu antecessor britânico, David Beckham, um dos maiores nomes da história do futebol. Mas Becks nunca caiu na propaganda. Ele sabia que era brilhante no campo, estava confiante o suficiente para não se comparar com qualquer outra pessoa, e franco o suficiente para dizer aos outros que não, mas eles continuaram a fazê-lo de qualquer maneira. Becks era realmente a razão pela qual eu tinha seguido o ritmo dos esportes, em primeiro lugar. Ele se recusou a falar com alguém, não daria citações para qualquer um dos jornais locais ou meios de comunicação, até que ele falou para mim em primeiro lugar. Por mais que eu o adorasse por isso, eu sabia que não era exatamente qualificada para a posição. Depois de quatro anos, eu ainda carregava a minha folha com jargões do futebol enfiada no bolso da frente da calça, apenas no caso. ― Se supõe que deveria acreditar nisso? Suspirei. Aqui vamos nós, novamente. ― Acredite ou não, é verdade, ― eu disse, cuidadosamente observando a corrida dos jogadores em todo o campo, fazendo um esforço real de não olhar para ela. ― Então, o quê? ― Disse Hooker. ― Você está me dizendo que você acordou esta manhã e percebeu que gosta de Becks, um cara que você é amiga desde a segunda série? Um cara que, coincidentemente, percebeu que gosta de você exatamente ao mesmo tempo? Um cara que você e eu, pessoalmente, vimos comer uma minhoca na festa de 13º aniversário do

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Tobey Steinman? Não é um dos melhores momentos de Becks. ― Eu sei que é difícil de acreditar, mas sim. Capturando meus olhos, ela estreitou seus próprios. ― Ou essa recente revolução não é tão recente? Você esteve escondendo de mim, abrigando uma paixão secreta por ele todos esses anos, com medo de falar seus verdadeiros sentimentos, por medo de rejeição? Engoli em seco, quando a multidão gritou. A outra equipe tinha marcado, mas ainda estávamos ganhando por um. Olhando para longe de Hooker, eu fiz um grande show de endireitar o cobertor xadrez jogado em nossas pernas. A brisa da noite estava fria, mas não fez nada para esfriar o sangue correndo para o meu rosto. ― Qual é o problema? ― Eu murmurei. ― Becks e eu estamos saindo. Ele é meu namorado agora. Não é tão complicado. Hooker me encarou um momento, em seguida, sentou-se para trás e cruzou os braços. ― Diga-o quantas vezes quiser Spitz. Eu não estou comprando. Teimosa, pensei, e muito perceptiva. Desde o início, ela viu através de mim e do plano. Eu não sei como, mas ela sabia que Becks e eu não estávamos realmente juntos. Hooker não era como todos os outros, influenciada por alguns rumores ruidosos. Ela era muito esperta para isso e ela me conhecia muito bem. Por mais que eu tenha tentado mentir e mentir bem, desde a cena no depósito, ela se recusou a comprar a artimanha do namorado. ― Ei, Zane. Suspirei. Aqui vamos nós, novamente. ― Uh, esse não é meu nome, ― disse uma voz profunda e com sotaque. ― Ótimo. ― Hooker disse e quando abri meus olhos eu a vi apanhar o Não-Zane. Ela sempre começava assim. ― Então, qual é? ― Julian. E ele passou o teste número um. Hooker odiava caras chamados Zane, Blaine e Buddy no princípio. Ela lançou-lhe um sorriso megawatt. ― Você tem uma namorada, Julian? Ele balançou sua cabeça. Teste dois, pensei. Se ele não tiver uma menina, para Hooker significava que ele era um jogo limpo. ― Excelente, sou Lillian e esta é minha amiga Sally, ― disse ela, batendo no assento entre nós, que ele caiu com um sorriso estúpido. ― Sally estava me contando o quão sexy

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ela pensa que você é. ― Hooker. ― Eu assobiei, mas ela deu de ombros. ― Sally sempre gostou de homens estrangeiros. Julian nem sequer me olhou. ― E o que você gosta, Lillian? Ela acenou para ele. ― Eu? Quem se importa com o que eu gosto? Como eu estava dizendo, minha amiga Sally aqui, é fluente em uma segunda língua. Aposto que você fala espanhol, não é, Julian? ― Se você pedir... ― Ele levantou a mão aos lábios, deu um beijo em seus dedos. ― Eu irei falar espanhol para você todas as noites, mi amor. Hooker olhou por cima do ombro com os olhos arregalados e eu balancei a cabeça. O que ela esperava? Sempre foi assim: 1) Hooker apanhava o rapaz. 2) Tenta empurrar o garoto para mim. 3) Garoto já completamente louco por Hooker, nem sequer nota que eu existo. ― Você não vai a Chariot, não é? ― Hooker riu, puxando a mão. ― Eu me formei na Southside, no ano passado, com honras. Hooker cantarolava em aprovação. ― Eu prefiro meus homens burros. Quanto mais burro melhor, eu sempre digo. Mas Sally é a Salutatorian10 da nossa classe sênior. ― Sério? ― Pela primeira vez, o olhar de Julian mudou para mim. ― Ela tem uma queda por caras espertos. Eu atirei-lhe uma carranca. A menina era realmente impossível. ― Eu tenho uma coisa por meninas inteligentes, também, ― disse Julian, me avaliando com seus profundos olhos castanhos. Sim, tudo bem, então o cara era gostoso. Seu sotaque o tornava ainda mais sexy, mas Hooker era quem amava os homens estrangeiros não eu. Muy caliente. ― Ok, ― gritei, saltando para os meus pés quando Julian apertou sua coxa na minha. Deus. ― Eu vou falar com Becks... Meu namorado. ― Namorado? ― Repetiu Julian, mas nesse ponto eu já estava a meio caminho das arquibancadas. Eu tinha que dar a ela. Hooker era talentosa. Eu não tinha dito uma palavra e ainda assim ela tinha convencido Julian, que ele estava interessado. Minha melhor amiga era um pouco assustadora, às vezes. Qual era o caso, eu me perguntava agora, em ter um namorado falso, se Hooker não acredita em mim? Olhei para trás, por cima do meu ombro. Sua expressão teimosa, o olhar 10

Estudante do último ano que faz o discurso na graduação

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determinado em seus olhos era inconfundível. Julian ainda estava lá, tentando conversar com ela, mas ela não estava prestando atenção. Eu quase podia vê-la lançando através de um catálogo de suas rejeições em sua mente, comparando os meus gostos e desgostos com a dela, quase como uma versão alterada de eHarmony11. Era inaceitável. Eu teria que encontrar alguma maneira de convencê-la, mas até agora as coisas não pareciam boas. No intervalo, eu fiz o meu caminho para a linha lateral, esperando que Becks tivesse algumas ideias. Ele estava ocupado falando com Rick Smythe e o treinador Crenshaw pelo tempo que eu cheguei lá, então, eu estava ao lado esperando. ― Sally Spitz é você? Porra, menina, você cresceu. Eu estou lhe dizendo, se eu fosse alguns anos mais jovem... ― Você o quê? ― Eu disse, virando para encontrar Clayton Kent, assistente técnico de futebol e irmão mais velho de Becks, os olhos brilhando. ― Eu diria a você o destruído que eu fiquei ao ouvir que o meu irmão teve você primeiro. ― Ele fingiu estar machucado, mas o brilho permaneceu. ― Como você pôde Sally? Em dois anos, quando eu for um homem velho de vinte e oito anos, você ainda seria uma coisinha muito jovem, e nós seríamos perfeitos um para o outro. Eu estava contando com você para me manter ativo. Eu tentei não sorrir, mas falhou. ― Você parece muito ágil para mim, meu velho. ― Oh, obrigado, senhorita Spitz. ― Caminhando em direção a mim, Clayton tinha toda a autoconfiança de seu irmão mais novo, mais uma boa dose de charme do sul que não lhe abandonou, mesmo depois de ter cursado Gestão do Desporto na Universidade de Massachuts. Ele era o meu favorito dos irmãos de Becks, principalmente porque quando eu era criança, ele sempre costumava me comprar sorvetes e me deixar conduzir o seu jipe em torno dos becos, quando ninguém estava olhando. ― Então, qual é a história? Olhei para cima quando ele parou ao meu lado. ― O que você quer dizer? ― Você e Becks, ― ele riu, encontrando meus olhos. ― Depois de todo esse tempo, vocês dois simplesmente se juntaram? Você realmente acha que eu acredito nisso. ― Por que não? ― Eu disse defensivamente. Eles eram muito incrédulos para acreditar. ― Por que é tão difícil de acreditar? Eu não sou boa o suficiente ou algo assim? ― Agora, espere um minuto, ― disse ele, me puxando para um abraço de um braço. ― Não é isso, e você sabe disso. Se alguém é bom demais, é você, Sally. Becks e você, você e Becks? É apenas um pouco repentino isso é tudo. Eita, agora ele soou como Hooker. Becks se aproximou e apoiou as mãos nos quadris. 11

Site de namoro.

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Com um aceno, parando o braço sobre os meus ombros, ele disse: ― Colocando os movimentos em minha namorada, já? Está se movendo um pouco rápido, não é irmão? Eu queria rir, mas me contive. ― Ciumento ― Becks era imensamente divertido. Clayton deu um passo atrás, mãos erguidas como se tivesse cometido um crime. ― Desculpe Becks, não achei que você se importaria. ― Bem, eu me importo. ― Becks sorriu, deslizando-se ao meu lado. ― Sal não iria contigo, de qualquer maneira. ― Por que não? ― Clayton disse secamente. ― Eu sou mais velho, mais sábio. ― Sim, está perto da geriatria. ― Além disso, eu sou dez vezes mais sexy do que você, Baldwin Eugene. Eu poderia ter argumentado, mas era muito mais divertido ouvi-los brincando. ― Clayton. ― Becks suspirou. ― Se eu achasse que você estivesse sério, poderíamos ter um problema. Eu teria que ir todo Hulk contigo, e depois? Eu ficaria verde, em nada além de um shorts de futebol desfiado e Sal iria pirar. Clayton fingiu um bocejo. ― E de qualquer maneira, ― Becks apontou. ― Você a trata como uma irmã mais nova. ― Sim, mas isso foi antes dela parecer tão bem. Eu ri quando Clayton balançou as sobrancelhas para mim, mas Becks fez uma careta. ― Diga isso de novo e eu vou chutar o seu traseiro. ― Tudo bem, tudo bem, eu entendo. Vejo os dois pombinhos mais tarde. ― Rindo, ele jogou algumas palavras de despedida por cima do ombro. ― E se a mamãe tivesse visto esse olhar que você me deu, ela te esfolaria a bunda, Becks. Pessoas possessivas não prosperam. Não deixe que ele mande em você, Sally. Becks esperou até que Clayton estivesse fora do alcance da voz e, em seguida, virouse para mim. ― Como foi? ― Perguntou ele, com o rosto cheio de malícia. Honestamente, além de estar momentaneamente sem palavras, fiquei espantada. Ele realmente parecia com ciúmes, especialmente perto do fim. ― Ótimo. ― Eu disse, olhando para as arquibancadas. Hooker estava olhando para nós como um falcão, caiu de volta no mesmo lugar onde eu a tinha deixado. Encontrando meus olhos, ela levantou uma sobrancelha em desafio. Esse pequeno movimento disse tudo.

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― Mas eu não tenho certeza que foi o suficiente. ― O que? ― Becks, parece que temos um problema. ― Vendo sua confusão, expliquei. ― Hooker não acredita em você e eu sendo realmente um casal. Ela não comprou e nem Clayton cerca de cinco segundos atrás. Eu ainda não tenho certeza de que ele está totalmente convencido. ― Então, o que devemos fazer? ― Eu não sei, ― eu disse derrotada. ― Não é como se eu tivesse pensado sobre isso de antemão. A situação apenas caiu no meu colo, perfeitamente embalada com um pequeno laço na parte superior. ― Os lábios de Becks puxaram em um meio sorriso e eu revirei os olhos. ― Oh, você sabe o que quero dizer. A maioria das pessoas que ouviu esse boato aceitou o fato de que estamos juntos, fim da história. Hannah Thackeray disse que era inevitável. Mas são as pessoas que nos conhecem desde sempre, que estão questionando isso, e esses são exatamente os que temos de convencer de... ― Sal... ― Não pode ser tão difícil. Eu só preciso pensar em uma forma... ― Sal ― Becks disse com mais força, parando-me no meio do discurso. ― Basta deixá-lo para mim. Eu fiz uma careta. ― Mas Becks, precisamos falar sobre... ― Sem mais conversa, ― disse ele, inclinando-se mais perto. ― Lillian ainda está observando? Engolindo, eu olho ao redor. ― Sim. ― Boa. Meu coração batia o triplo da velocidade enquanto Becks se inclinava ainda mais perto, olhos nos meus. Sobressaltei ligeiramente ao sentir a mão na minha mandíbula, lutando para respirar quando deslizou para a minha bochecha, os dedos finalmente chegando para descansar na base do meu pescoço. Abaixando-se, ele colocou um beijo longo logo abaixo da minha orelha. O movimento fez que minha mão disparasse para agarrar sua camiseta. Becks riu silenciosamente, pequenos jatos de ar batendo no meu pescoço, quando eu tremi. Eu podia ouvir o sorriso em sua voz quando ele disse: ― Você sabe Sal, você não pode saltar cada vez que eu te tocar. O que as pessoas vão pensar? Levei duas tentativas, mas finalmente consegui um ofegante. ― S-sinto... ― Treino na minha casa amanhã. Dez em ponto, ― ele disse quando o apito soou.

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― Treino? ― Eu ainda disse atordoada. ― O que... ― Becks! ― Crenshaw gritou do outro lado do banco. ―Pare de olhar para a sua namorada e traga o seu rabo de volta no jogo. ― Dez!― Becks disse novamente, correndo para trás. ― Não se atrase. Eu tentei limpar minha mente, balançando minha cabeça. Tudo o que fez foi confundir os meus pensamentos ainda mais. Quando eu olhei para Hooker, ela deu um bocejo exagerado, como se o beijo tivesse sido nada. Inexpressivo, seus olhos diziam, e quando voltei para o meu lugar, suas palavras ecoaram o sentimento. ― Vai demorar muito mais do que algum beijinho em seco para me convencer, ― ela resmungou. Eu fiquei boquiaberta. Beijo em seco? Do que ela estava falando? Obviamente, eu não era uma perita, aquele beijo tinha sido a extensão da minha experiência romântica, mas ele tinha virado meu interior em mingau. Minha pele ainda se sentia anormalmente quente onde a boca de Becks tinha estado. Eu não poderia esquecer a sensação da respiração dele contra a minha pele. Hooker era muito mais experiente do que eu, mas isso não quer dizer que ela era cega. Ela não podia ver como eu estava afetada? Olhando-me, ela deu de ombros. ― Está bem, está bem. Foi um pouco quente, mas Spitz como pode estar com Becks? Vocês têm sido amigos desde sempre. É quase como se eu e você começássemos a sair. ― Hooker, sem ofensa ou qualquer coisa ― eu disse ―, mas você não é meu tipo. ― Não me ofendo, ― disse ela de volta. ― Mas, realmente, você sabe tudo sobre ele. Ele sabe tudo sobre você. Não há nenhum mistério. Corei. ― Ele não sabe tudo sobre mim. ― Oh sim? Cite uma coisa que ele não sabe sobre você? A mesma coisa que você não sabe, eu pensei, mas mantive minha boca firmemente fechada. ― Exatamente, ― disse ela, como se tivesse provado seu ponto e nós sentamos para assistir o segundo tempo. Eu tentei tomar boas notas, gravar as jogadas da melhor maneira possível, cruzando as referencias da minha lista de condições, mas foi inútil. As borboletas no estômago eram implacáveis. Não importa o quanto eu tentei esmaga-las, as coisas malditas só não iria morrer. Em vez de assistir o jogo, eu ficava repetindo o beijo mais e mais. Minha mão vagava para o local sob minha orelha quando ela não estava olhando e tinha que empurrar para longe, antes que Hooker visse a perdedora que eu era. Os Troianos acabaram ganhando por 5-2, com Becks marcando três dos cinco gols e ajudando Ash Stryker com o último gol, e de cabeça. Eu nem sequer precisava da minha folha de fraude para isso.

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Quando a equipe dirigiu-se para os armários, eu segui, tentando não me sentir estranha. Becks e eu nunca estivemos estranhos um com o outro antes. Nem mesmo depois que eu disse a ele sobre a minha paixão secreta por Lucius Malfoy da série Harry Potter. Aquele cabelo, a voz, toda essa coisa tensa vilão/aristocrata... Foi embaraçoso, mas o cara era apenas delicioso. Isso não poderia ser maior, poderia? Sim, certo, eu pensei, ficando atrás. Isso era muito maior do que a minha confissão por Lucius. Esta não era uma fantasia; era a vida real. As borboletas voando fora de controle em meu interior, poderiam atestar esse fato. ― Você pegou essa última, Spitz, ou você estava ocupada demais olhando para o Sr. Maravilhoso? Grata pela distração, eu retirei minha beleza interior do sul. ― Bem, pelo amor do Deus vivo. É o Ash Stryker, conhecido por O Açoite, falando comigo? ― Engraçadinha, ― disse Ash. ― Então você viu ou o quê? ― Sim, eu vi. Eu sempre soube que você tinha uma cabeça dura, Ash. Obrigada pela prova. Ele zombou. Estávamos chegando cada vez mais perto de Becks, então eu decidi parar de provocação. ― Posso ter um comentário? Esse foi um jogo muito doce. Ele deu uma parada súbita. ― Muito doce? ― Tudo bem, ― eu disse, girando-me. ― Foi incrível, enorme, verdadeiramente magistral. Melhor? ― Muito. ― Os lábios de Ash se curvaram em um quase sorriso. ― Aqui está um comentário para você, Spitz. Becks precisa manter a cabeça no jogo. Essa é a única maneira em que nós estaremos ganhando o estadual, novamente, este ano. Todo mundo está apostando em nós. ― Minha cabeça está sempre no jogo, Stryker. Eu pulei ao som da voz de Becks, em seguida, me senti como uma idiota. ― Não parecia dessa forma, no segundo tempo, ― disse Ash. ― Seja como for, cara. ― Becks veio ao meu lado. ― Por que você não vai para os chuveiros? Sal e eu precisamos conversar. Ash deu de ombros, em seguida, saiu.

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― Eu realmente não gosto desse cara, ― disse Becks, olhando para ele. ― Ele está bem, ― eu disse. Becks olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido, o que trouxe de volta a palpitação. Ótimo, agora eu não podia sequer olhar nos olhos dele. Eu limpei minha garganta. ― Que história é essa de sábado? Eu não posso ir às dez. Você sabe que eu tenho que trabalhar até o meio-dia. ― Oh. ― Becks disse, inclinando-se para trás, ― então às 13h. Pensei que poderíamos trabalhar em algumas coisas. Quer dizer, se queremos que as pessoas levem a coisa de namorado a sério, precisamos torná-lo o mais autêntico possível, certo? ― Que coisas? Ele sorriu para o meu nervosismo. ― Você verá. Sua resposta enigmática me incomodou o suficiente para matar alguns dos insetos irritantes, mas o sorriso as trouxe de volta à vida com força total. Até o momento que as controlei e me reuni com Hooker no carro, ela estava parecendo bastante irritada. ― Demorou todo esse tempo para ter um par de frases ridículas? ― Foi a primeira coisa que ela disse quando entrei no carro. ― Eu estava conversando com Becks, ― retruquei. ― Becks, ― ela repetiu, como se nunca tivesse ouvido o nome. ― Becks, seu namorado? Eu cerrei os dentes. Sua recusa absoluta de acreditar na minha perfeitamente boa mentira estava começando a me irritar. ― Esse mesmo. ― Você sabe o que Spitz? Há um cara chamado Alex. Ele é um artista de tatuagem. Eu acho que vocês realmente se conectariam. ― Obrigada, mas eu estou bem. ― Ou se você gosta de atletas, há John Poole. Ele vai para a escola com Will, é o lançador dos Tarheels. Grande cara, muito inteligente. Eu poderia apresent... ― Hooker. ― Interrompi. ― Agradeço a oferta, mas eu tenho um namorado. Becks é bastante relaxado, mas não tenho certeza se ele ficaria muito feliz sobre eu sair com outros caras. Hooker bufou e chegou entre nós para ligar o rádio. Seja o que for que Becks tenha planejado, é melhor que seja bom, pensei. Ficou claro que Hooker não iria pendurar as luvas de emparelhamento sem luta. Quando nós chegamos em frente da sua casa, ela moveu o rosto para mim em vez de sair imediatamente. Desliguei o motor. Indo por sua expressão pensativa, nós estávamos ficando aqui por

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um pouco. ― Mas é tão estranho, ― ela disse finalmente. ― O que? ― Perguntei. ― Você e Becks. ― E por que é estranho? Nós saímos o tempo todo. Nós somos amigos desde sempre. Não há ninguém que eu confio mais, exceto, talvez, você e mamãe. ― Esse é o meu ponto. ― Ela fez uma careta. ― É quase incestuoso, como se fosse seu irmão ou algo assim. Eu bufei. ― Becks não é meu irmão. ― Sim, mas ele age como se fosse. ― O tom de Hooker virou filosófico. ― Isto é o que acontece ao ver muitos episódios de Star Trek12. Somente não é saudável. A próxima coisa que você vai fazer é vestir anéis de espuma sobre as orelhas e chamar a si mesmo de Princesa Spitz. ― Em primeiro lugar, ― eu disse ― isso é Star Wars13 não Star Trek. ― Hooker não era um grande fã da Força. ― E em segundo lugar, Léia e Luke nunca estiveram romanticamente envolvidos. É um equívoco comum. Skywalker não era seu garoto. Para Léia, sempre foi Han Solo, Capitão Han Solo e ninguém mais. Ela balançou a cabeça, lábios curvados em desgosto. ― Você vê muitos filmes, sabe disso? ― E você não os vê o suficiente para fazer esse tipo de comparação, ― eu reagi. ― Tudo bem, ― ela disse. ― Eu vou admitir isso. Mas... Becks? Sério? Eu balancei a cabeça. ― Não em um 'eu gosto dele’, mas da forma... 'Eu o amo'? ― Ela estava estudando meu rosto um pouco perto demais e eu comecei a suar. ― Isso é o que você está dizendo, não é Spitz? Você está apaixonada pelo cara? Becks é o seu Han Solo? Minha garganta se fechou apertada, segurando as palavras, mas eu sabia que essa poderia ser a única coisa que faria Hooker acreditar. ― Sim, ― eu disse, com voz rouca, olhando-a no olho. ― Ele é. Um momento se passou em que Hooker continuou a olhar, presumidamente pesando minhas palavras, e eu continuei a suar. Então, do nada, ela riu.

12 13

Série Jornada nas Estrelas. Filme Guerra nas Estrelas.

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― Deus, Spitz, ― disse ela. ― Você é uma mentirosa. ― Saindo do carro, ela se despediu. ― Eu te ligo mais tarde. Eu acenei de volta, quase esmagada pelo alívio. Claro, eu queria que Hooker acreditasse em minhas mentiras. Parar a epidemia de encontros às cegas era o ponto deste plano, e enganá-la era essencial para o seu sucesso. Mas quando eu tinha inventado a ideia do namorado falso, eu não estava pensando claramente. Tudo tinha acontecido tão rápido, que eu não tinha tido um momento para considerar a armadilha, o grande inconveniente quando tinha descuidadamente perguntado a Becks sobre ser meu namorado falso. Não tinha sequer passado pela minha cabeça que eu estaria revelando qualquer um dos meus segredos. Hooker tinha me chamado de mentirosa e eu disse mentiras suficientes nas últimas horas, que eram basicamente verdade. O engraçado era que eu não tinha mentido desta vez. Era meu mais profundo, mais bem guardado segredo. Eu morreria se alguém soubesse meu segredo. Um que eu não tinha revelado a uma única alma. Becks era totalmente meu Han Solo. Mesmo que ele não soubesse. Eu tinha sido apaixonada por ele desde que éramos crianças e eu estava, só agora, percebendo todas as formas que o plano poderia sair pela culatra. Eu só podia esperar que mamãe acreditasse mais fácil.

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CAPÍTULO 6 Ela limpou a garganta, em seguida, disparou sua primeira bomba. Casualmente, casualmente demais, ela disse: ― Como? ― O que você quer dizer? ― Eu murmurei, embora eu achasse que sabia. ― Ele te perguntou ou você perguntou a ele? Onde isso aconteceu? Será que Lillian sabe? O que ela pensa? Muito para uma saída fácil. Vertendo o leite lentamente com cuidado, para não derramar uma gota, eu andei, substitui a caixa, e abaixei-me na cadeira em frente à interrogadora. Ela estava usando uma das tiaras de noivas que ela trouxe para casa, um véu branco fixado na parte traseira. Seus dedos estavam batendo num ritmo tranquilo na mesa de madeira, mas os olhos malvados permaneceram. ― Perguntei-lhe, mãe, ― eu disse, estirando-me para pegar uma maçã, dizendo as palavras como se fossem a coisa mais fácil do mundo. ― No depósito, após o primeiro período. ― Sério? ― Mamãe levantou uma sobrancelha, tamborilando uma constante contagem de cinco, mindinho para o polegar, mindinho para polegar. O som era enervante. ― Sim. ― Eu bebi um grande gole de leite, rapidamente enxugando o excesso no meu lábio superior. ― E sim, Hooker sabe... Mas ela não acredita em mim. ― Por que não? ― Perguntou ela. ― Eu não sei, ― eu disse, recordando. ― Ela diz que é estranho, que Becks e eu nos conhecemos muito bem e não há mistério. ― Eu rio. ― Ela realmente disse que nós somos como irmãos. O que realmente penso é que ela não pode acreditar que Becks sairia com alguém como eu. Quero dizer, ele é meu melhor amigo, mas ele ainda é Becks. O tamborilar dos dedos parou abruptamente. ― Isso é ridículo. Eu dei de ombros. Neste, pelo menos, eu estava no fundamento certo. ― Foi o que eu disse. Sério, mãe, eu e Becks saindo? Ele é muito lindo para isso. ― Embora, quando eu disse isso, percebi o quão bela a minha mãe parecia agora, mesmo quando ela franziu a testa. Suponho que os bons genes, por vezes, saltam uma geração. ― Não foi isso que eu quis dizer. ― Seus olhos eram fendas, nunca um bom sinal.

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Antes que eu pudesse descobrir isso, ela continuou. ― E quando foi isso? ― Ontem. Os segundos passavam, cada um marcado por seus dedos, mais uma vez reiniciado e a batida irregular do meu coração. Eu apenas disse a ela sobre mim e Becks e esta foi sua resposta: uma sessão de perguntas e respostas com a certeza de eu tropeçar, se eu não estivesse com a minha guarda levantada. Felizmente, depois de Hooker, eu estava esperando por isso. Depois de um tempo, ela suspirou. ― Por que você não me contou? ― Eu olhei para cima, chocada ao ver o brilho de lágrimas em seus olhos. ― Eu estaria bem com você namorando Becks, desde que ele te trata bem, o que não tenho nenhuma dúvida de que ele faz. 'Ontem'? Você realmente pensou que eu ia comprar isso? Eu estava pasmada. Ela estava realmente dizendo... ― Você não tem que mentir, ― ela continuou. ― Isto, obviamente, vem acontecendo há algum tempo. Mas você não tem que manter isso em segredo, Sally. Eu teria compreendido. Eu não podia acreditar. Sua rápida aceitação era tão diferente da completa negação de Hooker, que levei um tempo difícil para formar uma resposta. ― Desculpe, ― eu disse depois de uma batida. ― Eu não tinha certeza de como você o levaria. ― Oh Deus, ― disse ela, de repente, levando a mão aos lábios. ―Eu me sinto tão estúpida agora, por ajudar Lillian com todos esses encontros às cegas. Isto estava indo muito melhor do que eu esperava. ― Ah, não se sinta muito mal, mamãe. Ela fungou. ― Eu simplesmente não posso acreditar que você nunca me disse. Quer dizer, eu sempre pensei em mim como uma mãe legal. Você sabe, uma mãe como amiga, de acordo com a maneira dos jovens. Inclinei-me para colocar a mão em seu ombro. ― Você é, de longe, a mãe mais legal que eu já conheci, ― eu disse, olhando nos olhos dela. ― Okay, certo. ― Mãe, é verdade. ― Você só está dizendo isso para me fazer sentir melhor, mas eu te amo por isso. Ela pegou minha mão na dela, um sorriso brincando em seus lábios. ― Então, por que você apenas não esperou que Becks lhe perguntasse? Ele realmente estava demorando tanto assim? Eu balancei a cabeça com a ideia. Becks me convidando para sair? Só rindo. ― Becks

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nunca iria me pedir, em primeiro lugar. Ela parecia confusa. ― Por que não? Porque, eu respondi mentalmente, mesmo se Becks fosse o único que necessitasse uma namorada falsa, ele não teria me perguntando. Meninas faziam fila por uma chance com ele, falso ou não. Havia apenas muitas outras opções e, além disso, eu estava completamente fora de seu radar. O que eu disse foi: ― Porque ele simplesmente não iria. ― Dando de ombros, levantei-me, estiquei e fui pegar minha varinha e manto fora do balcão. ― As crianças vão chegar daqui vinte minutos. Eu tenho que ir. ― Por que não, Sally? ― Mamãe deu um passo em frente de mim, braços cruzados, tiara caindo, eu percebi que tinha cometido um erro. Tentando rir, com um floreio, eu rodei o manto em volta dos meus ombros e disse: ― Bem, porque em todos os seus pontos fortes, Becks nunca apreciaria o meu talento para o drama. ― O dedo mindinho até polegar começou de novo, sem som desta vez, porque foi em seu braço. Soltando o ato, decidi cair na real. ― Vamos, mamãe. Você não está me perguntando isso a sério. Com todas as outras garotas disputando sua atenção, por que diabos ele iria notar uma rata de biblioteca como eu? E, então, eu parei de repente, percebendo que eu estava errada. Becks tinha me notado. Dentre todas as outras, ele me escolheu, Sally Spitz, como sua melhor amiga. Pela primeira vez, eu estava feliz por estar errada. ― Sally, você é linda, ― disse a mamãe, braços caindo para os lados. ― Sim, o-kay, ― eu disse, movendo-me em torno dela. Um pouco de sarcasmo vazou através, apesar de meus melhores esforços. Quando cheguei à porta, ela me parou novamente, plantando-se na frente, então, eu não podia sair. ― Mãe, eu realmente preciso ir. Eles não podem começar sem mim. ― Ok, ok. ― Abaixando o queixo, ela estreitou os olhos. ― Mas eu estou falando sério, Sally Sue Spitz. Você é minha filha, minha filha, e ninguém chama meu bebê de feia. Ninguém. Nem mesmo você. Eu não poderia deixar de revirar os olhos. ― Agora mãe, linda é um pouco de exagero, você não acha? ― Linda, ― ela repetiu firmemente, deslizando o botão de cima do meu casaco no lugar. ― Agora, vá em frente antes que você esteja atrasada. Essas crianças provavelmente estão destruindo o lugar. Quando você estará em casa? ― Não tenho certeza, ― eu disse e acrescentei a cereja no topo. ― Eu estou indo para a casa de Becks, depois. Uma luz acendeu em seus olhos. ― Oh, tudo bem. Bom. Divirta-se.

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Voltando, eu sorrio para mim mesmo, sabendo que ela havia totalmente acreditado. Uma já foi, eu pensei, outra está por ir. Cuida-te, Hooker, eu estou indo para você. ― Ah, e Sally? Quando cheguei ao meu carro, eu olhei para trás. ― Não muita diversão, certo? Becks é um bom menino, mas... Ele é um menino. Diga a ele que eu disse para manter suas calças, ok? Nenhum bebê para o meu bebê, entendido? Eu não podia fugir rápido o suficiente. ― Eu te amo, ― ela chamou enquanto eu dirigia para longe. ― Diga oi para o Becks, por mim. Através da vergonha, senti um doce murmúrio de triunfo roubar minha espinha. O trem namorado falso estava rodando agora. Havia apenas dois assentos no trem que precisavam de enchimento, e a bunda de Hooker estava prestes a ser plantada em um desses lugares, ela gostando ou não. Poderia ter soado estranho, mas meu trabalho sempre me colocou em um bom humor. Eu sei, eu sei, os adolescentes deveriam ser todos "Eu odeio o meu trabalho. O salário é uma porcaria, as horas sugam, os clientes sugam, meu chefe está contra mim”. Mas nenhuma dessas coisas se aplica a mim. Eu devo ter tido sorte, porque o meu trabalho na biblioteca era completamente incrível. Ler para as crianças, vendo seus rostos extasiados com atenção, ansiosos para ouvir o que acontece em seguida, ouvi-los rir em voz alta ou ofegar em surpresa, realmente faz meu salário mínimo soar bem. Sério, eu deveria pagá-los. As crianças eram tão divertidas, mais do que muitos dos meus assim chamados companheiros e mesmo que fosse apenas aos fins de semana, eu adorava compartilhar meus livros favoritos da infância com eles. Além disso, às vezes, eles me davam presentes. Como hoje, eu tinha recebido o meu próprio chapéu de pirata, completamente coberto com strass falsos e uma caveira rosa com ossos cruzados. A coisa mal cabia na minha cabeça, mas era, provavelmente, por causa das tranças. O presente e o penteado ao estilo Pippi Meialonga14, eram presentes de Gwendolyn Glick, uma das minhas favoritas. Ela usava óculos vermelhos grandes demais para seu rosto, falava com um leve gaguejar e tinha sempre a mesma camiseta no grupo de história, um número preto desbotado que caracteriza a nave estelar Enterprise e dizendo: Eu sou Trek. Você? O que posso dizer? A garota e eu éramos almas gêmeas. Mesmo que eu me sentisse como um idiota, eu enfiei o chapéu na minha cabeça e useio durante todo o dia, juntamente com a minha longa capa preta. Essas crianças amavam esse manto; aqueles que conheciam a série diziam que lembrava-lhes os professores de

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Personagem de Filme Infantil.

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Hogwarts. Eu devo parecer muito boba, um cruzamento entre Severo Snape15 e Jack Sparrow16, mas a expressão feliz de Gwen fez tudo valer a pena. Foi só depois que eu bati na porta de Becks, que gostaria de ter lembrado de tirá-lo. Clayton respondeu e quase teve um ataque. Ele estava gritando e rindo e parecia que ele estava tão perto de desmaiar, por falta de oxigênio. ― Oooh, ― disse ele, ofegante, o rosto mais vermelho do que a camisa. Ele tinha os três primeiros botões desfeitos e a visão me fez corar. Aparentemente Becks não era o único tonificado na família. ― Oh Sally... ― Ele enxugou lágrimas de riso de seus olhos, ― garota, continue vindo desse jeito que um desses dias eu vou morrer de rir. ― Por que esperar? ― Perguntei docemente. Becks entrou naquele momento, sua boca se espalhando para um largo sorriso quando ele me olhou. Eu atirei-lhe um olhar de aviso, mas isso não o impediu de dizer: ― Ei, Sal. Um novo chapéu? ― O que, evidentemente, colocou Clayton rindo, novamente. ― Engraçado, ― eu disse a ele, lançando-lhe o seu presente. ― Aqui, Gwen fez para você, também. ― Bem, isso foi doce da parte dela, ― disse ele, apoiando a coisa sobre a sua cabeça. ― Mas por quê? Eu fiz uma careta, percebendo como o arnês pirata não parecia tão ridículo em Becks como eu tinha certeza de que fica em mim. Demônios, ele realmente parecia quase lindo. Eu não podia deixar de pensar que com esse chapéu, com sua perfeita sombra de barba, Becks daria a Johnny Depp uma corrida para o seu dinheiro. ― Eu acho que ela tem uma queda por você. ― Menina esperta, ― disse ele, levantando o chapéu facilmente. ― Por que não vamos para o meu quarto? ― O-ok. ― A palavra saiu instável. Considerando que eu tinha ido para o quarto de Becks uma tonelada de vezes, passei quase tanto tempo ali quanto eu fiz no meu próprio ao longo dos anos, eu não deveria ter ficado nervosa. Mas, como Clayton passou a fazer sons de beijo e Becks colocou a mão na minha parte inferior das costas, eu estava feito uma lebre acelerada. Meu coração era uma coisa selvagem no meu peito. Ele batia tão ferozmente e tão rápido, que no momento em que cheguei ao topo das escadas, sentia como se tivesse corrido uma maratona. 15 16

Personagem do filme Harry Potter. Personagem do filme Piratas do caribe.

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Quando entrei no quarto de Becks e ouvi o clique da porta se fechando atrás de nós, eu respirei fundo antes de me virar para encará-lo. ― Então... ― Eu disse retrocedendo, retirando o chapéu e a capa, a voz mais alta do que o habitual. Percebendo que eu não tinha mais nada a dizer, como uma idiota, eu me repeti. ― Então... Becks sacudiu a cabeça. ― Tudo bem Sal, o que foi? ―O que quer dizer? ― Perguntei, tentando parecer casual. ― Exatamente o que eu disse. ― Ele cruzou os braços. ― O que há com você? E não tente dizer que não é nada. Desde ontem, parece que você está prestes a ter um ataque cardíaco, cada vez que eu coloco a mão em você. ― Eu não. ― Sim, Sal. Você faz. Meu coração, que estava tão vivo antes, pareceu congelar no meu peito. ― Sal, eu não estou... ― Ele corou. Becks imperturbável, Becks sempre autoconfiante, realmente corou, enquanto eu olhava com admiração. ― Eu não iria nunca tentar nada com você. Você sabe disso, certo? Isso é muito ruim, eu pensei, e até mesmo a minha voz mental pareceu desapontada. ― Não é isso. ― Então, o que é? Eu fiquei em silêncio. Se esta conversa estava indo onde eu pensei que iria, eu estava em apuros. ― Eu sei que algo está acontecendo, ― disse ele, olhando em meus olhos. ― E eu acho que sei o que é. Eu engoli em seco. ― Você sabe? Ele não podia saber-podia? ― Sim, ― ele disse. ― Mas eu realmente só queria que você me dissesse. Eu não vou me irritar, você sabe. Fiquei feliz em ouvir isso, mas Becks estar com raiva de mim por amá-lo não era necessariamente o meu maior medo. Eu estava mais com medo que ele iria rir ou me odiar por arruinar a nossa amizade. Eu não tinha certeza que eu poderia sobreviver perdendo Becks como um amigo. Na verdade, eu tinha certeza que não podia. ― Nós ainda vamos ser amigos e tudo mais. ― Era como se ele tivesse lido minha mente. Oh Deus, ele realmente não sabia, não é? ― Vamos Sal. Apenas me diga a verdade

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sobre toda essa coisa de falso namorado. ― A verdade, ― murmurei. Suas palavras seguintes confirmaram, sem dúvida, que não estávamos falando a mesma coisa. ― Apenas me diga quem ele é, ― Becks insistiu. ― Quem é quem? ― Perguntei, perplexa. Becks estava começando a parecer irritado. ― O cara. ― Que cara? ― Eita, Sal. ― Ele passou a mão através de seu cabelo. ― O cara que você está tão apaixonada, que você teve que contratar um namorado falso para fazer-lhe ciúmes. Fiquei chocada para dizer o mínimo. Aqui estava eu pensando que Becks tinha finalmente descoberto, me descoberto, quando estava realmente tão ignorante quanto ele já tinha estado. Aquela passou perto. Depois de toda a preocupação, meu segredo, o meu coração, estava segura por agora. Graças a Deus, pelos pequenos favores. Jogando junto, eu disse: ― Bem, por que você quer saber? ― Eu sabia!― Ele exclamou, apontando o dedo para mim. ― Eu sabia. Isso nunca foi apenas sobre os planos de Lillian. Você está fazendo isso por um cara, por quem você tem tesão. ― Você me pegou. ― Dei de ombros. Tê-lo acreditando nessa mentira era muito melhor do que contar-lhe a verdade, alterando a vida e, possivelmente, destruindo amizade. ― Como você descobriu isso? ― Netflix. ― Becks respondeu. ― Então, quem é ele? ― Por que eu deveria dizer? O olhar que ele me deu foi meio mordaz, meio impressionado. ― Eu acho que eu mereço saber, vendo como você está me usando. É tudo o que eu sou para você, Sal, um troféu? ― Oh, não. ― Eu era a única a cruzar os braços neste momento. Eu o conhecia bem demais para acreditar que ele estava realmente ofendido. ― Não finja Becks. Não aja como se você não estivesse amando totalmente isso. Um lento sorriso começou a se formar. ― Bem, eu estou definitivamente não odiando. Eu balancei a cabeça. ― Isso é tão errado. Becks revirou os olhos. ― Então, quem é esse cara, afinal? ― Ele sentou-se em sua

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cadeira e fez um gesto para que eu fizesse o mesmo. ― Ele deve ser algo para você ter todo esse trabalho. Coloquei meu chapéu e a capa no chão, abaixando-me lentamente para a cama, de costas retas no limite, eu me forcei a não desviar o olhar. ― Ele é... ― Eu disse. Becks fez um barulho estranho na parte traseira de sua garganta. ― Você pode pelo menos me dizer o nome do idiota. ― Não. ― Ah, vamos lá. ― Não, Becks. ― Por que não? Porque você é esse idiota, eu pensei, mas apenas balancei a cabeça. Becks franziu a testa, imerso em pensamentos. Finalmente, ele disse: ― Então, você pode me dizer sobre ele? Ele é atlético? Sem querer, eu dei um olhar para todos os troféus de futebol que forravam as prateleiras de Becks. ― Sim, ― eu respondi. ― Muito. Becks assentiu. ― Então, um atleta. Deve ser muito estúpido, né? Pensando em todas as vezes que ele tinha estado no quadro de honra, eu balancei a cabeça. ― Ele é realmente muito inteligente. Soa como um grande pacote, não é? Ele fez aquele barulho novamente, em seguida, disse: ― Ele é horrível, não é? Tem um rosto que só uma mãe poderia amar, um rosto que faz com que as crianças pequenas chorem ao vê-lo. Orelhas estranhas, dentes tortos, uma sobrancelha. Retratando Becks com uma sobrancelha, eu ri alto, relaxado pela primeira vez, desde que entrei em seu quarto. ― De jeito nenhum, ele é totalmente bonito. ― Bonito? ― Becks repetiu em dúvida. ― Espere, esse cara é um daqueles metrossexuais ou algo assim? Não é Beau La Fontaine da Física é? Ah, Sal, eu pensei que você tinha um gosto melhor do que isso. Ainda sorrindo, deixei-me reclinar-se um pouco na cama. Isto era um pouco divertido. ― Não, esse não é realmente o meu tipo. Além disso, eu não acho que interesse a Beau os esportes. Becks parecia a ceder em alívio. ― Por que tanto interesse? De repente, ele se endireitou sorrindo, de volta ao Becks confiantes que sempre

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conheci. ― Nenhuma razão, disse ele. ― Só queria saber com o que estamos lidando. Então, você está pronta para começar uma lição? ― Lição? ― Sim, Sal. ― O brilho em seus olhos me fez sentir nervosa e animada, com medo e esperança de uma só vez. ― Como eu disse antes, se nós estamos indo querendo fazer isto crível, você vai ter que se acostumar a nós termos mais contato físico. Contato físico? Isso soou ameaçador. Ele riu. ― Não quero que nenhuma namorada futura fique com a impressão errada, certo? Suas reações ariscas podem pôr uma nota baixa em minha reputação. Precisamos praticar aqui antes de fazê-lo pública. ― Vá em frente, ― eu disse lentamente. De pé, ele se aproximou e sentou-se ao meu lado na cama. Inclinando o corpo em direção a mim, ele disse: ― Eu pensei começar fácil, um pouco de exercício de toques, já que parece tão nervosa. Ignorando meu coração batendo, eu disse: ― Eu não estou nervosa. ― Sim, você está. ― Não, eu não estou. ― Está. ― Não, eu... Becks suspirou, a mão de repente na minha coxa. O movimento me sobressaltou que eu quase caí da cama. ― Está vendo? ― Ele disse, e eu poderia dizer que ele estava tentando não sorrir. Ele falhou. Afastando sua mão, toda indignada, eu pulei para os meus pés. ― Isso não foi justo! Eu não estava pronta. Becks puxou-me de volta para baixo, me olhou diretamente nos olhos. ― Esse é o ponto, ― disse ele. ― Sempre que estamos andando pelo corredor, na sala de aula, onde for, nem sempre saberá quando vou te tocar, te abraçar, te beijar. ― No pensamento de beijar Becks, meu coração dançou uma giga em meu peito, mas Becks não tinha terminado. ― Você tem que estar preparada, Sal. Se você quer deixar esse cara ciumento, ele tem de acreditar que somos um casal. Ele não vai acreditar, se você seguir dessa maneira. Tampouco Hooker.

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Ele tinha um ponto. Vestindo meu rosto mais sério, eu virei para ele. ― Tudo bem, Sr. Miyagi17, eu estou pronta para aprender. Ensina-me todas as suas habilidades. Becks riu. ― Ok, Sally-san, ― ele piscou. ― Mas vamos nos ater apenas em tocar, hoje. Eu não gostaria de oprimi-la muito rápido. Corei, percebendo como isso deve ter soado. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não havia uma parte de mim que queria que ele me oprimisse tão rápido quanto quisesse. Felizmente, Becks deixou passar. Lançando-se mais perto, ele levantou uma mão. ― Eu vou tocar em você agora, está bem? ― Ele perguntou, como se soubesse de antemão que me faria menos tensa. Eu puxei um aceno de cabeça. Saber não ajudava, tornou pior, na verdade. Agora que eu sabia o que estava vindo de Becks, meu Becks, tocando sua pele com a minha, meus nervos estavam em alerta máximo. Gentilmente, Becks colocou a mão em cima da minha. Eu não saltei dessa vez, mas meu corpo era como um fogo vivo, queimando por dentro. ― Santo Deus. ― Becks disse baixinho, correndo as pontas de seus dedos para cima e para baixo no meu braço. ― Você está tremendo, Sal. Mortificada, eu olhei para baixo, para ver que ele estava certo. Cada vez que seus dedos passavam em certo lugar na minha pele, arrepios apareciam pela primeira vez, seguido por um pequeno tremor. ― Desculpe, ― eu disse completamente perdida. Por mais que eu tentasse, não poderia me comandar a não reagir. Por que o meu corpo me traía assim? Não percebia que, se Becks visse o quanto eu amava seu toque, o quanto isso me emocionava, ele iria saber? Assim, quando temia que já pudesse ser tarde demais, ele disse: ― Isso não está funcionando. ― Removendo a mão, ele sentou-se, sacudindo a cabeça. ― Eu não sei por que eu te assusto tanto, mas precisamos tentar algo diferente. Eu era um monte de coisas, mas "assustada" definitivamente não era uma delas. ― Aqui, ― ele disse, movendo-se um pouco mais perto. ― Faça você. ― O quê?

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Personagem do filme Karate Kid.

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― Bem, se eu não posso te tocar, você tem que me tocar. Vá em frente, Sal. ― Ele revirou o pescoço, soltando-se como ele faz, por vezes, antes de um jogo. ― Eu prometo que não irei mover um músculo. Eu fiz uma careta. Como se eu precisasse de mais um lembrete de como indesejável Becks me achava. Aqui estava eu, tremendo como uma folha por causa dele, e ele frio como um pepino. Claro que ele não se moveria. Não era ele quem sofria de um grave caso de Síndrome do Amor Não Correspondido. Tanto quanto eu desejava que assim fosse, a única idiota apaixonada aqui era eu. Determinada a fazê-lo sentir alguma coisa, eu me inclinei. ― Feche os olhos, ― eu disse. Ele fez. Eu levei um segundo para estudá-lo, abrindo-se para mim, tão vulnerável e, em seguida, me inclinei da mesma maneira que ele fez. Descansando a mão sobre a dele, eu olhei para uma reação, qualquer reação, mas ele ainda permaneceu quieto, assim como ele tinha prometido. Eu deslizei minha mão até os contornos de seu braço, sentindo os afundamentos e curvas de todos os músculos, ao longo das costas de seu antebraço. Ele riu silenciosamente. ― Isso faz cócegas, Sal. ― Shhh, ― eu disse. ― Não fale. Becks assentiu, depois voltou a ficar imóvel. Hesitei apenas um momento antes de colocar as mãos em seus ombros. Movendo os dedos para a parte de trás do seu pescoço, sentindo os músculos tensos. Eu usei meus dedos para aliviar a tensão, e depois me movi ainda para mais perto. Por este ponto, eu estava praticamente em seu colo, mas eu queria fazer isso há muito tempo. Agora que eu, finalmente, tive a chance, não iria estragar tudo. Trazendo a mão direita de volta ao redor, trouxe meus dedos ao longo de sua mandíbula até sua bochecha, sentindo a aspereza de sua barba contra meus dedos. ― Oh, ― eu respirei. ― Não é tão ruim. ― Hmmm? ― Eu pensei que me sentiria estranha, ― eu respondi com sinceridade. ― Você sabe, eu prefiro você sem pelos faciais. A voz de Becks estava baixa, mais baixa do que tinha sido um momento atrás. Sua respiração tinha acelerado muito, eu notei. ― Ah, você sabe que você ama. Todo mundo faz, Sal.

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Sentindo-me ousada, falei suavemente em seu ouvido. ― Eu não. Seus braços estavam em volta da minha cintura em um piscar de olhos, mas não me mexi. ― Eu sempre odiei. ― Mas por quê? ― Ele perguntou, ainda de olhos fechados. ― É a razão de eu ter tanto êxito. Eu balancei a cabeça. ― Não, Becks. ― A carranca em seu rosto parecia tão adorável. Eu tinha o desejo incrível de tocá-lo, então, eu fiz. Seus olhos abriram no contato. ― Você é a razão do seu êxito. De repente, a porta se abriu e eu ouvi a voz da senhora Kent dizer: ― Ei, querido, Sally está aqui? Pensei ter visto seu carro em frente. Sem pensar, eu estendi a mão e arranquei uma, ou quatro pestanas de Becks, fazendo-o praguejar. Eu fiquei de pé sorrindo. ― Pestana, ― eu disse, segurando-o para inspeção da senhora. Kent, rezando para que ela não visse através do artifício de improviso. Ela era como uma segunda mãe, mas se ela soubesse que eu estava aqui trabalhando em "exercícios de contato" com seu filho mais novo, eu não acho que ela ia aceitá-lo muito bem. ― É tão bom ver você, Sally, ― disse ela, me puxando para um abraço. Não havia nada de acusação em seu tom. Naturalmente, ela não suspeitou de nada. Becks e eu éramos apenas amigos, afinal de contas, tinha sido sempre, sempre seria. ― O que vocês dois estão fazendo aqui? Clayton meteu a cabeça, em seguida. ― Sim, Sally. O que você e Becks estão fazendo aqui, sozinhos, completamente sem supervisão? ― Cálculo. ― Becks disse, mostrando seu livro antes que eu pudesse dizer uma palavra. ― Sal só estava me ajudando com algumas das questões mais difíceis, não é mesmo? ― Ele olhou para mim. Eu balancei a cabeça vigorosamente um pouco demais. ― Sim. ― Bem, não trabalhem muito duro, ― disse a Sra. Kent, empurrando um Clayton rindo para fora da porta. ― E você, ― ela disse a ele. ― Pare de tentar causar problemas. Eles são apenas amigos. Você sabe disso. A porta se fechou nessa nota, e Becks e eu fomos deixados sozinhos, mais uma vez. ― Então, ― ele disse, sorrindo. ― Eu acho que a lição foi bem sucedida. O que você acha de fazermos alguns trabalhos de Calculo? Eu sorri de volta, agindo como se nada tivesse acontecido. Parecia tão fácil para

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Becks; por que eu não poderia fazê-lo, também? ― Eu não trouxe meu livro. ― Oh, você pode usar o meu, ― disse ele com um sorriso. ― Eu não vou precisar dele. Quando ele me entregou o livro grosso, me lembrei das duas exigências que ele tinha feito quando concordou em ser meu namorado falso: Goobers e um mês de Cálculo. ― Você estava falando sério? ― Você sabe. A hora que me levou para completar o nosso trabalho de casa, foi um dos mais longos da minha vida. Tendo Becks ali, olhando por cima do ombro, apontando erros de vez em quando, não foi tudo divertido. Ainda assim, eu não poderia evitar o sorriso do meu rosto. Na porta, Becks me parou e disse: ― Então, qual é o plano para segunda-feira? ― Eu acho que nós apenas agimos como namorados. ― Eu dei de ombros. ― Depois de hoje, não deve ser tão difícil, certo. Ele assentiu. ― Ok, Sal, pode funcionar para o teu cara e tudo. Mas você sabe que Hooker não vai ficar impressionada com pegarmos na mão. Esteja preparada. Eu concordei como se fosse um fato. Hooker era um osso duro de roer, mas a lição tinha me enchido com uma confiança tão inebriante; Eu era capaz de me convencer de que seria fácil. Eu, finalmente, tive a coragem de passar a mão ao longo do pescoço de Becks. Convencer Hooker? Algo muito fácil em comparação a isso. Eu nunca pensei que eu teria coragem. Hoje, eu era a Super mulher, invencível. Ninguém, nem mesmo Hooker, podia me tocar. Mesmo assim, se eu soubesse o que ela estava pensando, eu provavelmente teria ficado em casa, na segunda-feira.

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CAPÍTULO 7 Eu consegui evitar Hooker no fim de semana, mas o verdadeiro teste não começou por mais sete minutos. O segundo era como uma contagem regressiva para a detonação. Eu estava assistindo-o com esse foco intenso, que nem sequer vi a abordagem Pisszilla. Do nada, a falsa francesa saltou uma polegada do meu nariz. ― E como se chama isso? ― Ela disse, empurrando uma cópia do boletim de notícias da semana para mim. Olhei para ele antes de voltar para o relógio. ― Os esportes batem. Pisszilla estava em boa forma esta manhã. Ela bateu o papel para baixo, sobre a mesa e rosnou, ― doze erros de digitação, Spitz. Doze. São apenas quinhentas palavras. O que você fez, digitou as cegas? ― Não, ― eu murmurei. Meus pensamentos estavam simplesmente pré-ocupados. Enquanto eu estava escrevendo, cada vez que eu dava com nome de Becks em minhas anotações, eu tinha um flashback de nosso tempo gasto em seu quarto e me distraía. Não foi minha culpa, entretanto. Pensar em Becks já era perturbador. Adicionar uma lição à mistura, era quase impossível de se concentrar em qualquer outra coisa. ― Não está tão ruim, não é? ― Não está tão ruim? ― Ela retrucou. ― Você percebe que se referiu ao treinador Moorehouse de Southside, no masculino oito vezes, ao longo de toda a coisa? Eu estava confusa. Será que eu adicionei um "o" extra ou algo assim? ― Não é o seu nome? ― O nome dela, Spitz. Treinador Moorehouse é uma mulher. ― Huh, ― eu disse. ― Eu não tinha ideia. Com esse corte de cabelo, a voz profunda e aqueles ombros, quem teria pensado? Pisszilla não tinha terminado. ― Não importa, ― disse ela. ― Você deveria ter verificado. Spitz, se você acha que um trabalho de mau feito como este está te levando para entrar em Duke, você tem que buscar outra coisa. Golpe direto, pensei, recuando como se eu tivesse levado um tapa. Duke era o melhor, o inatingível. Era meu sonho. A julgar pelo sorriso de satisfação no rosto de Pisszilla, eu tinha a sensação de que ela sabia disso. ― Qual é o problema? Homem ou mulher, ninguém de Southside vai ler esse artigo de qualquer maneira. Eu nem sequer sabia que treinador Moorehouse tinha partes femininas. Eu atiro a Ash um olhar grato enquanto Pisszilla gira o olhar para ele.

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― Sua estupidez não é a questão aqui, Ash. ― Ela apontou uma das suas garras em mim. ― Spitz é aquela que nos fez parecer idiotas. Era sua responsabilidade verificar. Ash revirou os olhos. ― Sim, como se você nunca cometeu um erro. Suas narinas se dilataram. ― Eu nunca dei a alguém uma mudança de sexo em um dos meus artigos, se é isso que você está dizendo. Eu tinha o suficiente. ― Certo, certo, Piss-umm, Priscilla, acalme-se. ― Ela olhou, mas eu não deixei isso me parar. ― Eu vou tentar mais da próxima vez. OK? Ela xingou mais alguns insultos, mas depois me deixou em paz. Infelizmente, a campainha tocou bem no horário. Eu sabia que Hooker estaria esperando por mim, após a grande ignorada neste fim de semana, então, eu fiquei para trás. Eu me sentia preparada há alguns dias, mas agora? Agora, eu percebi que não havia nenhuma maneira real de se preparar para Hooker. Ela não iria eixar passar sem uma luta. Disso, eu estava certa. ― Priscilla parecia muito chateada, ― disse Ash. Surpresa, eu olhei para cima. ― Sim, eu notei. ― Não se preocupe com isso. Ela não é tão assustadora como ela pensa. Eu andei com ele até a porta. ― Ela não é? ― Perguntei. ― Essas unhas pareciam muito afiadas para mim. Ele riu. ― Você está certa, ela é terrível. Eu balancei a cabeça. ― Especialmente as garras. Ash sorriu e olhou por cima da minha cabeça. ― Uh oh, parece que alguém está com ciúmes. Esse foi todo o aviso que eu tive. Um segundo depois, Becks estava ao meu lado, com o braço em volta da minha cintura, como se fosse a coisa mais natural, como se pertencesse ali. ― Você raspou, ― eu disse com espanto, correndo os olhos sobre o rosto. Ele encolheu os ombros, e eu senti o movimento. ― Claro, que sim, ― disse ele, sorrindo para mim. ― O próximo jogo não é dentro de mais alguns dias. Eu ainda estava olhando como uma idiota, inspecionando sua linha da mandíbula suave, sem pelos, como se fosse a oitava maravilha do mundo. Eu não tinha visto isto deste modo, tão de perto: Limpo, forte, angular. Não era brincadeira, era o melhor queixo que eu

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já tinha posto os olhos. ― Ei, Sal, ― disse ele, pegando a minha atenção. ― Eu senti sua falta no seu armário, então, eu trouxe seus livros. Eu estava pensando que, talvez, eu poderia levá-los para o primeiro período? Engoli em seco. ― Claro Becks. Seus olhos deslizaram para Ash. ― Stryker. ― Becks, ― disse Ash de volta. Para mim, ele disse: ― Eu te vejo por aí, Spitz. ― Tchau, ― eu disse. Becks virou para mim, assim que Ash virou a esquina. ― Então, qual é o negócio com você e Idiota Striker? ― O quê? ― Eu disse surpresa. O apelido não era uma surpresa. Becks tinha feito esse anos atrás, praticamente no instante em que ele conheceu Ash. O que me surpreendeu foi seu tom. Becks nunca soou tão grave sobre qualquer coisa, exceto talvez futebol. Ele deve ter percebido isso, porque as palavras seguintes foram provocativas. ― É a segunda vez que eu te vejo com ele, ― disse. ― Está me traindo, Sal? Conseguiu outro namorado falso? ― Becks, ― eu avisei. ― E por que é que ele está sempre te olhando assim? Se o cara me olhasse daquele jeito, eu chutaria a bunda dele. Eu sorri. ― Se Ash olhasse para você assim, ele seria gay. ― Que seja. ― Becks disse, mas ele parecia tenso. ― Só, por favor, me diga que não é ele. Não é? Certo? ― O que não é ele? ― Sua paixão. ― Minha o quê? Becks respirou fundo. Parecia que ele estava contando até dez. ― O cara que você quer fazer ciúmes. Oh, eu pensei. Isso. Eu realmente precisava começar a levar um registro de todas as minhas mentiras. ― Não, ― eu respondi. ― Não é ele. ― Tem certeza? ― Disse ele, apertando os olhos. ― Porque tanto quanto eu quero

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ajudá-la, Sal, eu não estou muito entusiasmado com a ideia de você ser a Sra. Idiota Striker. ― Por que não? ― Perguntei, enquanto nós paramos na sala de aula da senhora Vega. ― Eu apenas não estou, ― disse ele, entregando meus livros. ― Ele não é certo para você, Sal. ― Sério? E quem é? Minha respiração acelerou quando ele trouxe uma mão na minha bochecha, inclinando-se para dar um beijo no mesmo lugar que tinha dado antes, a pele abaixo da minha orelha esquerda. O arrepio veio tal como tinha acontecido pela primeira vez. ― Eu não sei, ― ele respondeu calmamente. ― Mas Lillian está observando, por isso é melhor isto parecer bom. Sem se virar, eu sabia que ele estava certo. Eu podia sentir seus olhos nas minhas costas enquanto ficamos ali na porta. Eu dei ao impulso e deu um beijo suave na mandíbula de Becks. Era a única coisa que eu poderia alcançar desde que ele se endireitou, e, além disso, eu queria fazê-lo desde o momento em que o vi. Ele endureceu com o contato. ― Obrigada, ― eu disse. ― Eu te devo uma. Becks balançou a cabeça lentamente. ― Não, você não deve. Nós temos um acordo, lembra? ― Isso sim. Olhando por cima do meu ombro, eu chamo a atenção de Hooker. Acenei e ela deu um aceno de cabeça, antes de se virar para nos encarar sorrindo, enquanto Becks e eu nos despedimos. Ela parecia muito satisfeita com alguma coisa. Eu me perguntei se ela podia ler os lábios ou se ela tinha um superpoder e eu não sabia, como audição supersônica. Enquanto eu caminhava para a aula e enterrei a cabeça em traduções em alemão, tive a estranha sensação semelhante a que eu deveria estar preocupada, mais preocupada do que já estava. O flash que eu tinha visto nos olhos significava problemas. O primeiro ataque ocorreu no meio do período. ― Sally, eles precisam de você no escritório. Ao som da voz da senhora Vega, olhei para cima e vi Holden Wasserman, um dos dois únicos outros membros do Clube de Alemão, além de mim, de pé na frente da sala, olhando para mim com expectativa. Eu tinha estado tão concentrada, tentando ignorar a expressão de Hooker. Eu não tinha ouvido ninguém entrar. ― Ok, ― eu disse. Holden segurou a porta enquanto o seguia para fora. Assim que se fechou, olhei para

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trás, avistando o sorriso de Hooker. Em todo o caminho, eu não conseguia afastar a sensação de que estava indo para uma armadilha. ― Então, o que é? ― Eu perguntei, quando chegamos ao escritório. ― Seu irmão está na linha um, ― ele disse e se aproximou do balcão, apontando para o telefone do escritório. ― Ele diz que é urgente. ― Irmão? Eu não tenho um irmão. Segurando minhas mãos, eu disse: ― Eu acho que houve um erro. ― Ele pediu especificamente por você, disse que é uma emergência familiar. ― Holden segurou o receptor para mim. ― Claro, espero que não seja seu pai. Isso seria trágico para todos. Considerando que o telefonema era ou uma brincadeira ou destinada para outra pessoa, eu não estava muito preocupada com o velho e querido pai. Perfeito eu pensei, um caso de confusão de identidade. Eu só esperava que esse cara, quem quer que fosse, encontrasse sua irmã real em breve. Tomando o telefone sem fio, eu disse, ― olá? ― Hey, ― uma voz masculina respondeu: ― é Sally Spitz? Eu fiz uma careta. Se ele estava à procura de sua irmã, como ele conseguiu o meu nome? ― Sim. Mas eu acho que você tem a pessoa errada. ― Não se você é a Sally Spitz, ― ele disse, soando muito animado para alguém em uma situação de emergência. ― Sou John Poole. Eu tenho ouvido um monte de grandes coisas sobre você. ― Sinto muito, quem? ― Eu reconheci o nome, mas não poderia localizá-lo. ― Eu vou para UNC com Will. Lillian me pagou vinte dólares para te chamar e dizer que eu era seu irmão. Ela disse que você, provavelmente, não iria falar comigo de outra forma. ― Ela fez, não é? ― Quando a memória bateu, eu estava pensando no esforço que isto deve ter tomado. Puxando-me para fora do primeiro período, pagando este pobre homem para mentir, os métodos de Hooker eram positivamente maquiavélicos. ― Sim, ela fez, ― disse ele. ― Ela também disse que odeia ser chamada de Spitz e encontros às cegas. Eu acho que eu só tenho cerca de trinta segundos antes de desligar, então, aqui vai. Eu tenho vinte anos de idade, Gêmeos, com um amor por todas as coisas de beisebol. Meu GPA é de 3.8. Eu tenho um pit bull em casa chamado Bruiser e eu não tenho nenhum problema em namorar uma garota do ensino médio, desde que ela não seja uma fã dos Mets e que não seja uma daquelas, tipo europeu, que não raspam suas axilas. Quer sair algum dia? Eu sufoquei uma risada. Era este indivíduo real? Ele parecia bom e tudo, mas isso era

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muito estranho. Quando eu desligasse este telefone, Hooker iria me dever uma fonte de Goobers por toda a vida. ― Será que Hooker também mencionou que eu tenho um namorado? ― Perguntei. Ele limpou a garganta. ― Acho que ela esqueceu. Acho que é um não, então? ― Sim, eu sinto muito, John. Foi bom falar com você. Você parece ótimo, mas agora eu tenho que ir estrangular Hooker. Ele riu. ― Bom falar com você, também, Sally. Não seja muito dura com ela, ok? Ela realmente pensou que nos daríamos bem. Oh, eu aposto que ela pensou. A classe já tinha se esvaziado quando voltei para Alemão, mas Hooker estava lá, esperando por mim. ― Entãooo? ― Ela disse, enquanto eu pegava meus livros. ― Então o quê? ― Eu murmurei. ―Então, você teve alguma boa companhia ultimamente, conheceu alguém interessante? Oh, não me faça implorar, Spitz. Você esteve com John ou o quê? Ele foi totalmente inadequado? Eu disse a ele para não ser. Ao ouvi-la confirmar o que eu já sabia, diminuiu meu aborrecimento, o que era um bom negócio. Um monte de planejamento tinha ido para aquele telefonema. Hooker parecia tão animada, como se esperasse uma estrela dourada ou um tapinha nas costas. Ela parecia tão orgulhosa de si mesma; era quase uma vergonha estourar sua bolha. ― John foi... O cara menos inadequado que você tentou juntar comigo, ― eu admiti. ― Ele era realmente bom, mas... ― Mas o quê? ― Hooker fez uma pausa em sua dança da vitória, braços caindo para os lados. ― Se ele não é inadequado e se você acha que ele é ‘agradável’, qual é o problema? ― Hooker, eu tenho um namorado. ― Oh sim, eu esqueci, ― disse ela. ― Becks, o seu bom amigo virou namorado, como é que está funcionando? Eu não apreciei o sarcasmo. ― Ele está funcionando bem, obrigada. ― Você sabe, John era o melhor que eu tinha, ― comentou Hooker. ― Ele é bonito, inteligente, voz agradável. Eu pensei que seria um bom partido.

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― Obrigada por pensar em mim, mas... ― Não. ― Hooker levantou uma mão. ― Eu não acho que você entende Spitz. ― Ela me olhou direto nos olhos. ― Eu sei que você não está realmente com Becks. Eu lutei para manter minha expressão neutra, não tinha certeza se consegui. ― Se você estivesse, você teria me dito mais cedo. Além disso, você não seria um desastre, tão nervosa em torno dele. Isso mostrava o que ela sabia. Hooker levantou uma sobrancelha. ― Então, você está pronta para confessar? Diga a verdade e a deixarei fora do assunto. Nós nunca vamos mencionar isso, novamente. Sim e voltar para os encontros às cegas todas as noites? Sem acordo, meine Freudin. Eu encontrei o seu olhar e respondi de forma constante: ― Nas palavras imortais de Darth Vader, eu encontro sua falta de fé perturbadora. Não há nada a confessar. Eu estou com Becks. Fim da história. Ela suspirou. ― Tudo bem, mas vai piorar antes que fique melhor. Não diga que eu não avisei. E fez piorar. No almoço, Hooker lançou sua segunda tentativa. Ela veio na forma de Buddy McCorkle, estudante do segundo ano com uma camiseta do Mighty Mouse e o olhar lânguido de um drogado. Ele também tinha uma coisa sobre as mãos. ― Uau, suas mãos são fortes. Eles são como as mãos de um homem, ― foram as primeiras palavras que ele me disse. Hooker fez com que eu não pudesse escapar, interrompendo qualquer momento que tentei parar a conversa, bloqueando a minha saída com seu corpo. Becks tinha um período de almoço diferente e ela sabia. Dez minutos de almoço, Buddy já tinha medido, espremido e até mesmo cheirado cada um dos meus dedos, comentando sobre o comprimento e redondeza de cada um. Mas Buddy e seu fetiche por dedo era fichinha, em comparação com o fascínio de Terrell Feinberg consigo mesmo. O cara era, cabelo de seda marrom lindo, dentes perfeitos, corpo incrível e ele sabia disso também. Terrell não parava de falar sobre si mesmo, nunca me fez uma única pergunta, durante vinte minutos. Hooker estava de guarda de novo, então, eu tive que sentar e suportar o argumento reflexivo de Terrell dos produtos americanos contra os produtos europeus para cuidado do cabelo. Seu voto foi para o último. Eu sabia que seu sobrenome significava "cidade boa" em alemão, mas em qualquer idioma, Terrell Feinberg, deveria ser traduzido para: “Cabeção". Ambos os rapazes recuaram quando eu disse que Becks e eu éramos um casal, mas eu estava começando a me sentir irritada. Por que eles não sabiam sobre nós já? Quando eu dei

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uma boa olhada neles, eu entendi: um cara da faculdade, um drogado e um cara que não podia ver além de seu próprio reflexo. Bem jogado, Hooker. Bem jogado. Nos corredores, Becks me acompanhou até cada uma das minhas aulas segurando a minha mão, a minha mão! Mas não demorou muito tempo para ver que Hooker, como previsto, não ficou impressionada. Ela nos observou, acompanhou os nossos movimentos como uma ave de rapina. Às vezes, eu veria sua cabeça sair de uma sala de aula só para vêla revirar os olhos. Outras vezes, Becks e eu estávamos passando, e ela sacudia a cabeça ou suspirava longo e alto, certificando-se de que ouvíssemos. Eu estava esperando no armário de Becks, tentando pensar o que mais eu poderia fazer, quando Hooker saiu de trás da linha de armários, algumas portas para baixo. Fiz uma careta quando ela deu de ombros, mas sua postura inteira dizia: ― Eu avisei, não foi? Becks soou divertido quando ele se juntou a mim. ― O que foi aquele olhar? ― Não muito, ― eu disse. ― Hooker jogou três caras para mim, em um esforço para refutar o nosso relacionamento falso. ― Alguém interessante? ― Perguntou Becks. ― Muito engraçado, ― eu murmurei, forçando meu cérebro. Lembrando Hooker, eu peguei a mão de Becks. Não estava perto o suficiente para dizer, mas parecia que ela zombou. Becks tinha razão. Teria que ser mais do que dar as mãos. A inclinação desafiadora da cabeça de Hooker fez isso perfeitamente claro. Se Becks e eu não a convencermos até o final do dia, estaria acabando minha sorte. Era hora de elevar a aposta. ― Becks, ― eu disse, virando-me para encará-lo. Loucura levou minha mente para um lugar que eu nunca tinha permitido que ela fosse, que não podia permitir que ela fosse. ― Pode vir aqui? Eu acho que isso exige medidas drásticas. ― Claro que sim, Sal. ― Ele empurrou os armários e chegou a ficar na frente de mim. ― O que você tem em mente? Coragem ou estupidez, eu estava indo para elas. Isto é, se o meu coração batendo ferozmente poderia aguentar um pouco mais. Sempre havia muitas pessoas no corredor entre as classes? Eu não podia acreditar que estava realmente fazendo isso. Encontrando seu olhar, eu forcei a sair as palavras. ― Pronto para torná-lo oficial? Becks sorriu e a visão da expressão familiar, o olhar em seus olhos que eu tinha amado sempre, foi o suficiente para fortalecer minha determinação. Aproximando-me, eu não me dei nenhum tempo para reconsiderar. Meus lábios estavam nos seus no instante seguinte, encontrando-se, sentindo-se,

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regozijando-se, neste momento, eu nunca tinha pensado, mas sempre esperei que acontecesse. Eu sabia que Becks foi surpreendido, podia sentir isso na rigidez nos ombros, o conjunto apertado para sua boca. Mas não importava. Eu estava beijando Becks, o meu melhor amigo, meu Han Solo, meu único. Este foi o melhor momento da minha vida. Eu estava certo de que não poderia ficar melhor. Mas, em seguida, Becks começou a beijar-me de volta. Seus braços em volta da minha cintura, seus lábios guiando os meus, quando ele passou de passageiro passivo no passeio para condutor completo. Engoli em seco quando ele me inclinou para trás sobre seu braço, e sentiu-o sorrir através do beijo. Meus dedos simplesmente roçavam no chão, apoiada quase exclusivamente pela força de Becks, eu estava feliz em deixá-lo levar. Becks não era apenas um grande beijador. Ele era um mestre. Até onde primeiros beijos funcionam, esse era sensacional. O que eu mais lembro, no entanto, não foi como o vice-diretor Matlock soprou seu apito e nos separamos, dando a Becks e eu uma hora de detenção depois da escola, para ser feita separadamente, é claro. Nem mesmo quando Hooker veio após Becks ter ido e pôs a mão no meu ombro e disse: ― Acho que você não estava brincando. Eu vou dar isso a você, Spitz. Aquele beijo enrolou até os meus dedos do pé. Mesmo se ele ainda me visse como Sal, sua amiga, que era uma grande menina, mas não material de namorada, a coisa que eu levaria comigo, o sentimento que engarrafaria e manteria em meu bolso, se eu pudesse, era o seguinte: Becks me beijou como se ele quisesse.

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CAPÍTULO 8 Abraços. Mãos. Beijos. É o que eu agora penso como "ponto de Becks". Os dias seguintes foram um turbilhão. Na sexta-feira, eu estava apenas tentando não perder a cabeça. A ideia de que Becks tinha um não-oficial "ponto" no meu corpo, era suficiente para fazer minha cabeça girar. Sua sombra de barba estava de volta e havia um jogo hoje à noite, de modo que Becks estava voando alto. Mas eu? Toda vez que ele me tocava, Senhor, cada vez que ele olhava para mim, eu me sentia disparar. A maneira como ele estava olhando para mim ultimamente, deveria ser criminoso. Era muito fácil para Becks fingir como se sentia. Olhares íntimos, carícias suaves, sorrisos secretos, se sua carreira de futebol afundasse, sempre restaria a atuação. Quanto mais tempo passava com o meu novo namorado falso, mais difícil era notar a realidade da ficção. Como agora mesmo. Ele estava andando comigo para a aula de Alemão, minha mão enfiada na sua como se tivéssemos andado desta maneira há anos. Como a imbecil que eu era, não pude deixar de pensar que nossas mãos se encaixam bem. Hoje em dia todos, inclusive Hooker, nos reconheciam como um casal. Eu ainda era Spitz, a menina idiota que amaldiçoava em alemão quando ficava muito chateada ou com raiva. E ele ainda era Becks, o fenômeno do futebol, que fingia não ver as meninas jogando olhares convidativos, que elas achavam que eu não via (o qual fazia). Mas mesmo aquelas cadelas repulsivas, pensavam que Becks e eu éramos a coisa real. Elas simplesmente não gostavam. Era como se não houvesse problema em flertar com ele, pois, aos seus olhos, eu era substituível. Qualquer dia Becks iria perceber seu erro e me soltar. Elas pensaram que poderiam nos separar com uma saia curta, um olhar tímido, uma sacudida de cabelo bem executado. Era frustrante. Em primeiro lugar, eu poderia ter um pouco de solidariedade fraternal, por favor? E segundo, o que diabos estava errado com todo mundo? O ponto central deste plano era convencer as pessoas, mas eu não esperava que ele fosse tão bem. Ninguém o entendia? Nada disso era real. Becks estava apenas passando por ser um namorado; tudo era apenas um jogo. Mais importante: Eu não percebia? Enquanto ele me encarava, levantava minha mão e dava um beijo de parar o coração

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em meus dedos, a resposta era tão embaraçosa como estava dizendo. Deus, eu era uma idiota. ― Vejo você na assembleia, ― disse ele, os olhos crescendo com preocupação. ― Não se preocupe, ok? Se disser qualquer coisa ofensiva, policial ou não, eu vou dar-lhe cinco na cara. Os arrepios que disparam pelo meu braço momentaneamente roubou minha audição, então, o que ele disse não penetrou até que eu entrei na classe cedo, em fim, sentei-me e encontrei Hooker, com a mesma preocupação escrita em seu rosto. ― Terá terminado antes que perceba, ― disse ela. ― Pode ser que nem mesmo tenham que se falar. Ele vai estar muito ocupado enquanto todos os outros beijam sua bunda. Antes que eu pudesse perguntar o que ela queria dizer, uma voz soou pelo interfone. ― Alunos do terceiro ano, por favor, se dirijam ao auditório para a assembleia de hoje, Combater o Crime. Nós vamos chamar os do terceiro ano nos próximos minutos e depois segundo ano e os do primeiro ano, posteriormente. Fechei os olhos. ― O que? ― Hooker disse: ― Não me diga que você esqueceu? Spitz, te dá medo o dia de hoje. Ela estava certa. Eu normalmente planejava com antecedência, disposta a estar "doente" no dia de Combate ao Crime. Meu esquecimento prematuro mostrou como Becks e o plano namorado falso realmente estavam me distraindo. Pensei em contar a senhora Veja que eu estava mal do meu estômago revolto, era um desenvolvimento recente, mas era real o suficiente. Ela provavelmente me deixaria escapar da assembleia, ir para a enfermeira. Mas, então, eu teria que deixá-lo me assustar. Isso era algo que eu não podia, não deixaria acontecer. Tomar um dia de descanso mental era uma coisa, mas se esconder no posto de enfermagem, enquanto ele se pavoneava na frente dos meus colegas, era claramente uma covardia. Só havia uma coisa a fazer. ― Scheisse18 ― amaldiçoei. ― Scheisse. ― Hooker concordou. ― Seu pai é um total cabeça de scheisse cheia de scheisse. Ele é apenas um grande pedaço de scheisse com um distintivo. Forcei um sorriso, mas não consegui fazê-lo ficar.

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Merda.

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Hora de ir assistir o papai policial, no papel de herói, para uma multidão de ingênuos, pensei. Papai era um bom homem de espetáculo; Eu lhe daria isso. Para as crianças e a maioria dos professores, foi amor à primeira vista. Ele, o uniforme preto brilhante, suas histórias de crime e captura, eles compravam tudo. Cerca de trinta minutos, uma menina da minha classe inclinou-se e disse: ― Cara, Spitz, seu pai é incrível. ― Foi quando ele estava demonstrando as diferentes maneiras de derrubar um assaltante em fuga. O ataque tinha sido impressionante, suponho, mas não inesperado. O cara era metade de seu tamanho, e o pai, um ex-linebacker, atacou por trás. Apenas certo, se você me perguntar. Ao ouvir isso, professor de estatística, Sr. Woodruff, girou em sua cadeira uma fileira na frente de nós, as estrelas em seus olhos. ― Você está me dizendo que é seu pai lá em cima? ― Sr. Woodruff estava, obviamente, sob o feitiço de Nick Spitz. ― Isso mesmo, ― eu disse, tentando não soar amarga. ― Você é uma garota de sorte, ― observou ele, em seguida, voltou-se. Eu fiz uma careta. Papai e os outros oficiais tinham se movido para a parte do PowerPoint. Havia vários slides, um exibindo um gráfico em forma de pizza, com as taxas de acidentes da cidade, outro com definições para os diferentes tipos de crime e sentenças para cada um, uma promo para o departamento, incluindo traços que eles procuravam em potenciais candidatos, e a última delineando as formas que os cidadãos poderiam ajudar a manter a lei e reprimir a criminalidade em seus próprios bairros. Terminou com o meu pai falando alguns disparates sobre como o jovem era o nosso futuro e poderia mudar o mundo. Quando o anúncio interminável acabou, todos aplaudiram. Hooker e eu continuamos com nossas mãos plantadas em nosso colo. Eu tinha certeza que ela fez isso mais para me apoiar do que qualquer coisa, mas eu apreciei o gesto. Os dois últimos anos tiveram que ficar para trás e fazer perguntas, enquanto os policiais fizeram o seu caminho para baixo, para o público. Papai não olhou para mim nem uma vez. Nem mesmo quando foi feita uma pergunta do cara diretamente à minha direita, Everett Ponce, um adulador total. Era como se eu fosse invisível, o que era bom para mim, desde que eu saísse de lá sem ter que trocar palavras com o imbecil. Os cursos começaram a sair. Eu pensei que estava a salvo quando uma voz familiar disse: ― Nem mesmo vai dizer oi para mim, hein? Eu respirei fundo, em seguida, dei a volta. ― Olá, pai. Minha voz soou dura, mas não poderia ter evitado. Lá estava ele, o policial Nick Spitz, lutador contra o crime, policial venerado, oficial premiado e pai porcaria da década. O

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último era a minha concessão pessoal. Ele era um herói para todos, menos para mim e por boas razões. ― Olá, garota Sally, ― disse ele, como se nós conversássemos todos os dias. ― Como está sua mãe? ― Mamãe está fantástica. ― Eu odiava quando ele me chamava assim. ― Ainda trabalhando naquele lugar de casamentos? ― Sim, ― eu disse, feliz pela primeira vez desde que eu o vi. ― Ela teve uma grande promoção, dois meses atrás. Seu sorriso se alargou. ― Bem, isso é ótimo. Ela não pode ir muito longe naquele lugar, mas isso é apenas ótimo. Fico feliz em ouvir que ela está progredindo no mundo. É isso mesmo, pensei. Progredindo e fazendo muito bem sem qualquer ajuda. Tinha tomado muita coragem para a mamãe deixar o grande Nick Spitz quando eu tinha apenas cinco anos, mas ela conseguiu sair de um relacionamento ruim, me criou sozinha e estava prosperando em um trabalho que ela amava. Apesar dos insultos do meu pai e suas constantes humilhações, ela era uma lutadora. Devia estar corroendo-o como bem sucedida minha mãe estava em seu trabalho. Eu esperava que o fizesse. ― Vejo que você ainda está usando essas roupas estranhas. ― Ele apontou para minha camiseta verde "Yoda Sabe Melhor" e sacudiu a cabeça. ― Não vejo como você, alguma vez, atrairá um homem usando todo esse absurdo. E de repente Becks estava lá. ― Sal, ― disse ele, colocando a mão suavemente no meu cotovelo. ― Você está bem? ― Tudo bem, ― eu disse. Desta vez, seu toque pareceu me dar força. Hooker murmurou: ― Quer que lhe dê os cinco na cara? Eu balancei a cabeça, perguntando quando essa expressão tinha ficado tão popular. ― Talvez eu esteja enganado, ― disse papai, dando a Becks um longo olhar. ― Você está namorando a minha filha? Parece um pouco estranho, se você me perguntar. ― Sim, estou. ― Becks disse em um tom duro. ― E ninguém te perguntou. Papai levantou as mãos. ― Tranquilo aí filho, eu estava apenas afirmando fatos. Becks não acreditou nele. ― Eu não sou seu filho. ― Ok, ok, ― papai disse, seu sorriso uma linha apertada. ― Não há necessidade de ficar com raiva. Só estou dizendo a Sally que ela não é a típica beleza do sul. Tem muito de

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sua mãe. Muito bem, agora mesmo eu queria dar-lhe cinco em toda a cara, mas antes que pudesse levantar a mão, antes que eu pudesse formar um punho, o xerife entrou. ― Como vão as coisas por aqui, Nick? ― Seus velhos olhos passaram de um rosto para o outro e parou em mim. ― Bem, o que? ― Disse ele, olhando de mim para o meu pai e de volta. ― Eu nunca soube que tinha uma filha. ― Sim, senhor. ― Papai sorriu como se ele não tivesse acabado de falar ao meu namorado falso, que eu era feia. ― Esta é a minha garota Sally, a única que tenho. Sorte minha, pensei. O xerife, mãos nos quadris, estufou o seu amplo peito. ― Você deve estar muito orgulhoso. Eu simplesmente não posso acreditar nisso. Nick aqui é propenso a brincadeiras. Então, me diga jovem, você é realmente filha do oficial-Spitz? ― Não. A palavra estava fora da minha boca antes que eu pudesse pensar. Eu não sei o que deu em mim... Mas foi muito bom. ― Sally. ― Pai sibilou, mas eu ignorei. ― Não, ― eu repeti. ― Eu sou a filha de Martha Nicholls. Sobrancelhas contraídas, o xerife perguntou: ― Mas não é Nick o seu pai? Eu tinha um verdadeiro momento Star Wars. A vontade de gritar "Nããão!" No topo dos meus pulmões, assim como Lucas tinha quando Darth Vader revela sua filiação, era tentador. A possibilidade de ver o rosto do meu pai era quase demais para resistir. Em vez disso eu decidi tomar a estrada certa. ― Eu acho. ― Eu dei de ombros, em seguida, olhei para os meus amigos. Ambos estavam sorrindo. ― Devemos voltar para a aula. ― Você é como sua mãe, ― o pai disse à minha volta. Parando, eu me virei. ― É melhor você acreditar. Hooker estava tão orgulhosa, que me chamou Super Spitz o resto do dia. Becks não conseguia parar de sorrir e eu estava andando no ar. Enfrentando-o, por minha mãe, por mim, me enviou sobre o melhor tipo de viagem de poder. Eu estava livre, liberada. Por um segundo, eu considerei queimar meu sutiã. Horas mais tarde, a adrenalina ainda corria em minhas veias. Tinha que haver algumas grandes endorfinas acontecendo lá também, porque eu estava muito tonta para não ser. O que aconteceu entre quinto e sexto período foi resultado desse sentimento, ou pelo menos, é isso que eu disse a mim mesmo. Não poderia ter sido ciúme. De jeito nenhum, eu estava acima de tudo isso, uma rocha

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de força e convicção. Meu senso de justiça foi testado quando vi Twyla Cornish agarrada em Becks no corredor, com as mãos agarrada ao seu braço direito, o corpo pressionado ao lado dele. Queimação quente no meu estômago. Eu tive o suficiente de mulheres jogando-se no meu namorado, correção, falso namorado... Mas a parte falso não era de conhecimento comum. Isto não era sobre o monstro de olhos verdes, me assegurei, enquanto caminhava diretamente para Becks e a destruidora de lares, tirando as mãos dela e empurrando Becks na despensa, onde tinha começado essa coisa mais de uma semana atrás. Se tratava de autorespeito. Quando o sino tocou, eu olhei para ele. Eu estava faltando à primeira parte de Literatura Inglesa, a minha classe favorita. 92 ― Algo errado? ― Perguntou Becks. Sim, como se ele não soubesse. ― Por que você está me olhando assim, Sal? ― Baldwin Eugene Charles Kent, ich kann es nicht fassen. ― Eu bufei, deixando minha raiva me levar embora. ― Wir hatten eine Abmachung, kannst Du Dich Daran noch erinnern? Becks parecia confuso. ― O que? ― Oh, hör auf, então zu tun. Du weißt genau, foi ich meine. ― Não, Sal, realmente, ― disse ele. ― Eu não falo alemão. Lembra? O ato inocente não me enganou. Cheia de indignação, eu apontei um dedo para ele, certificando-me de dizer em inglês, assim ele iria entender desta vez. ― Agora, eu só vou dizer isso uma vez, então, é melhor você ouvir bem. ― Eu enunciei cada palavra, deixando claro como o dia. ― Eu não vou ser traída Becks, e eu certamente não serei enganada por alguém como Twyla Cornish. Atordoado, ele disse: ― Como eu poderia te enganar? Nós não estamos nem sequer realmente saindo. Inalei. ― Ainda assim. Eu não vou ser feita de boba, Becks. Não por você, e não por qualquer pessoa. ― Eita, Sal, tudo bem. ― Ele esfregou as costas de seu pescoço. ― Vamos ir. ― Não, eu quero a sua palavra. ― Minha o quê? ― Sua palavra que você não vai ver qualquer outra pessoa enquanto durar o nosso acordo. ― Cara, essa coisa podia ser viciante. Eu sabia que era pedir muito e eu, também, sabia que era difícil para Becks dizer não aos membros da persuasão feminina. Mas vendo Twyla colado ao quadril de Becks, observando-a bater seus cílios, franzindo seus lábios,


tinha causado que algo dentro de mim se rompesse. Havia um brilho nos olhos de Becks. Ele quase parecia satisfeito. ― Isso não fazia parte do acordo. Um mês é um logo tempo para estar amarrado. Há meninas que querem me namorar de verdade, você sabe. Eu sabia. Eu era uma delas. Cruzando os braços, eu esperei. Não havia nada que eu poderia fazer se ele não concordasse, mas eu não iria deixá-lo ver como estava nervosa, ou o quão desesperada. ― Ok, Sal, ― ele disse finalmente, e eu exalei. ― Mas eu quero algo em troca. Eu estava imediatamente em guarda. ― O que pode ser? Becks deu de ombros. ― Só um favor. ― Quer ser um pouco mais específico? ― Não posso, ― disse ele, sorrindo. ― Um dia vou pedir algo. Você não vai saber quando ou onde ou o que esse algo vai ser, mas você vai ter que dar sem fazer perguntas. ― Esteve assistindo The Godfather recentemente? ― Eu disse. Becks não seria distraído. ― É pegar ou largar. ― Vou pegar, ― eu respondi, estendendo a mão. ― Mas se isso envolve nudez de qualquer forma, eu estou dizendo à sua mãe. Apertamos as mãos e o riso de Becks era contagiante. Quando nós caminhamos para o corredor, nós dois estávamos sorrindo como idiotas. ― Só podem estar brincando comigo. A voz feminina aguda pertencia a Roxy Culpepper. Ela estava ali, sua cadeira inclinada à plena capacidade, saia curta em suas coxas, e um olhar de desdém puro em seu rosto. ― Isso tem que ser uma piada, certo? ― Disse ela novamente. ― Becks, o que está acontecendo aqui? Becks não estava mais sorrindo. ― O que você quer dizer? ― Eu estou fora por alguns dias com mono e volto para descobrir você e Spitz chafurdando. Eu não acredito nisso. ― Roxy fez um gesto na minha direção. ― Você não pode estar falando sério, Becks. Olha para ela. Ela nem é bonita. Era incrível como declarações ditas por meninas bonitas como Roxy poderiam cortar diretamente através de uma pessoa. Eu nem sequer gosto da menina e eu ainda me senti

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destroçada. ― Você está certa, ― disse Becks, trazendo uma mão na minha bochecha. Minha cabeça se levantou no reflexo. ― Ela não é bonita. Ele estava falando com ela, mas olhando para mim. Embora suas palavras fossem um insulto, o calor em seus olhos me fez corar e não de humilhação. Como ele poderia olhar para mim assim, na frente de alguém como Roxy? Ele desafiava a lógica. ― Ela é muito mais do que bonita, ― ele respirou, correndo o dedo ao longo da minha bochecha antes de me dar um beijo abaixo da orelha. Eu estava vagamente consciente de Roxy se afastando para longe, mas não tinha certeza de nada no momento. Becks tinha feito isso de novo. Suas palavras foram gravadas em minha mente. Eu nunca iria esquecer o que ele disse. Ele estava apenas atuando, eu me lembrei. Mas ele parecia sincero, meu coração insistiu. E esse beijo... Sim, meu cérebro respondeu, mas não era real. Mas parecia real. Sim, mas não foi. Esta ida e volta, entre meu coração e a mente, era tão irritante. Eu me senti completamente fora de ordem. ― Por que você faz isso? ― Minha voz era pouco mais que um sussurro. Ele parecia entender que estava me referindo ao beijo. ― Porque posso dizer que você gosta. ― Ele fez uma pausa, um olhar estranho em seu rosto, enquanto eu segurava minha respiração. ― E você tem uma marca de nascença... ― Ele roçou o lugar com a ponta do seu dedo. ― Bem aqui. Com os olhos arregalados, a minha mão voou sem que eu pedisse. ― Eu tenho? Ele assentiu. ― Você não sabia? Eu balancei a cabeça. Meu coração estava a ponto de estourar quando ele sorriu e acrescentou: ― Além disso, as meninas me disseram que é um dos seus lugares favoritos para ser beijada. Deixei escapar um suspiro. Naturalmente, Becks tinha beijado outras meninas dessa forma antes. Eu fui idiota de pensar que era algo especial, algo que ele fez só para mim. Recuando para colocar um pouco de espaço entre nós, eu disse: ― Bem, é muito

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eficaz. ― Você está bem, Sal? Obriguei-me a olhá-lo nos olhos, enterrando minhas emoções no fundo. ― Claro que estou. Ele me estudou por um momento. ― Tudo bem, então, ― disse ele. ― Eu vou te ver no mesmo horário este sábado? ― Para quê? ― Perguntei. ― Lição dois, ― ele sorriu. Eu engoli em seco. ― Qual é a lição dois? ― É o próximo passo em sua formação, Sally-san. ― Becks riu. ― Só esteja lá, ok? Eu queria dizer a ele que não havia necessidade. Já tínhamos convencido a todos, mas em vez disso eu assenti, incapaz de falar. Oh Senhor, eu não tinha certeza se eu estava pronta para a lição dois. Na verdade, eu sabia que não estava, mas enquanto Becks andava pelo corredor, eu também sabia que eu faria qualquer coisa por mais um daqueles beijos. Eu era uma idiota total.

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CAPÍTULO 9 ― Como chama a isso? ― Engoli em seco. Becks levantou a cabeça do meu pescoço apenas um instante para murmurar: ― Beijar, ― e depois estava de volta ao ataque. ― Oh. 96 Se a lição um esteve quente, lição dois era malditamente explosivo. Deste dia em diante eu teria que listar beijar como um dos meus passatempos favoritos. Eu estava pronta para queimar enquanto Becks me trabalhava mais. Seus lábios estavam tocando todos os lugares certos, e sempre que ele encontrava uma parte particularmente sensível da pele, fazia um ataque em grande escala, beijando, mordiscando e acariciando, até que eu era um emaranhado de carne mole à sua mercê. Eu acho que ele sabia, também, porque cada vez que eu engasgava ou abafava um gemido, ele dobrava seus esforços para que isso acontecesse novamente. Isto era insano. Eu estava louca por vir com a ideia do namorado falso e Becks estava louco por concordar. Era impossível separar minhas verdadeiras emoções da situação atual. Com cada passagem de sua boca, eu me tornei um pouco mais dele. Becks já era uma parte de mim, mas a realidade era mais do que eu havia esperado. Quanto o mês terminasse, eu não tinha certeza se poderíamos voltar a sermos apenas amigos. Eu o amava tão ferozmente, tinha amado antes disso, continuaria a amá-lo depois. E tudo o que ele sentia por mim era amizade. Isto, pensei com tristeza, enquanto Becks arrancava outro suspiro de meus lábios. Isto só pode acabar mal, e quando acontecer, vai doer. Muito. ― Como vai... Oh meu Deus! Becks congelou como uma pedra, braços ancorados a minha cintura e costas, lábios anexados a minha garganta, enquanto eu tentava e falhava me fazer invisível. Quando eu finalmente tenho a coragem de olhar para cima, a senhora Kent estava imóvel, na porta do quarto de Becks, um pé dentro, outro fora, olhando fixamente para nós na cama de seu filho, boca aberta, em choque puro. Éramos peças em um tabuleiro de xadrez, cada um à espera de alguém para fazer o primeiro movimento. Clayton entrou, nos viu, viu sua mãe e sorriu.


― Acho que a festa terminou Bally. Sra. Kent levantou uma sobrancelha para isso. ― Bem, ― Clayton explicou ― eu poderia ter ido com 'Secks' ,junção do nome Sally e Becks, igual a Bally, mas considerando a situação... Atual. ― Todo mundo lá embaixo, ― senhora Kent ordenou. ― É tempo para uma conversa. Resultou que "todos" queriam dizer eu, Becks e a Senhora Kent. Clayton teve que voltar para CHS para o jogo JV, mas ele nos assegurou que preferia ter ficado e observar a ação real. Seu humor pronto não fez nada para aliviar o clima. Sra. Kent parecia ter tomado uma página do livro de estratégia da minha mãe. Ela estava com olhos fixos, caindo para frente em sua poltrona quando Becks e eu sentamos lado a lado no sofá, mas em vez de golpear com os dedos, ela mordeu os lábios. Não sei qual era o pior. ― Então, você e Sally são um casal agora, ― disse ela, depois de uma particularmente longa inalação, e eu estava feliz que ela perguntou a ele, não a mim. Eu já tinha mentido para um dos pais, mas que tinha sido por autopreservação. Eu não tinha certeza que eu poderia fazê-lo novamente, especialmente com a posição comprometedora que a Sra. Kent tinha nos encontrado. Parte de mim queria negá-lo até que eu estivesse com o rosto azul. De jeito nenhum, Senhora Kent. Seu filho é um imã para as garotas, equipado para dar aulas de acariciar. Ele nunca estaria interessado em alguém como eu. Outra parte queria que qualquer negação fosse uma mentira, mas eu era muito esperta para isso. ― Sim, ― disse Becks. ― Quanto tempo? ― Sua mãe perguntou de volta. ― Pouco mais de uma semana. Eu não deveria estar surpreendida. Ele havia demonstrado suas habilidades de atuação desde o primeiro dia, mas eu nunca tinha visto Becks mentir para sua mãe. Ele fez isso com facilidade e confiança, como ele fazia com tudo o mais. Até eu quase acreditei nele. ― E Sally... ― Seus olhos foram para mim, e eu tentei não parecer muito culpada. ― O que vocês dois estavam fazendo lá em cima, no quarto de Becks? ― Bem... ― Eu hesitei, sem saber como explicar as nossas lições. ― Bem, Senhora Kent... Você vê, estávamos apenas... ― Fazendo o que os casais normais fazem. ― Becks disse suavemente. ― Cuidado, Senhor. ― Senhora Kent avisou. ― Você sabe que não é permitido ter meninas em seu quarto. ― Mãe, Sal está vindo ao meu quarto desde que tinha sete anos.

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― Sim, mas isso foi antes... ― Ela gaguejou, procurando a palavra certa. ― Bem, antes. ― Eu não vejo a diferença. Eu fiquei boquiaberta. Oh menino, ele estava apenas pedindo-o. ― Você está pedindo por isso. ― Senhora Kent ecoou meus pensamentos exatamente. ― Baldwin Eugene Charles Kent, o que você tem a dizer em seu favor? Em face de tom acusador de sua mãe, Becks deu de ombros. ― Sal e eu somos amigos há muito tempo. É natural para nós querermos levá-lo para o próximo nível. Eu pensei que você estaria feliz por nós, mãe. Sal é como uma filha para você e você está envergonhandoa, tentando fazê-la se sentir mal. Para ser completamente honesto, estou um pouco decepcionado com você. Ela piscou. Eu esperei. Becks se acomodou e observou a sua mãe absorver tudo, um olhar tênue de desaprovação no rosto. O cara era inacreditável. Sra. Kent nunca iria comprá-lo. ― Eu não quis dizer isso, ― disse ela. Seu rosto caiu quando ela olhou para mim. ― Eu adoro você Sally, eu faço. Foi encontrar você e Becks em seu quarto... Que me pegou de surpresa. ― Totalmente compreensível ― eu disse. ― Mas eu estou tão feliz, ― disse ela, com um sorriso formando. ― Nas nuvens, realmente, que você e Becks estão finalmente juntos. Eu não queria envergonhá-la, querida. Eu estava tentando constranger o meu filho, mas aparentemente ele herdou a falta de vergonha de seu pai. ― Falando sobre mim de novo, querida? ― Senhor Kent entrou na sala e deu um beijo na cabeça de sua esposa. Clayton tinha mais de seu pai nele do que sua mãe, mas Becks era um casamento perfeito entre os dois. Quando o Sr. Kent olhou para nós, vi os olhos de Becks olhando de volta para mim. ― Olá, Sally. Eu perdi alguma coisa boa? ― Só Becks e sua nova namorada ficando mais familiarizados em seu quarto. ― Disse a Sra. Kent, que finalmente... Finalmente... Fez Becks corar. Eu tenho estado vermelha como eu poderia ter estado desde antes que ela nos descobriu, por isso o seu comentário realmente não teve efeito sobre a minha cor. ― Sério? ― Sr. Kent era todo sorriso. ― Bem, não é para tanto. ― Senhora Kent lhe lançou um olhar, e ele rapidamente emendou. ― Quero dizer, Becks como se atreve a levar a nossa inocente Sally até seu quarto. Será que precisamos ter uma conversa sobre a maneira

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correta de tratar uma dama? Sra. Kent acenou com aprovação, mas disse: ― Isso não será necessário. Nos três já falamos e não haverá mais passar um tempo no quarto de Becks com a porta fechada. Não é certo? Becks e eu assentimos. Acho que isso seria o fim das nossas lições. Muito ruim, estava ansiosa para o que seria a lição três. Quando eu estava saindo, a Senhora Kent fez questão de convidar eu e minha mãe para o dia de campo da família Kent. Era final de outubro, o último jogo normal da temporada seria esta semana, antes que anunciassem os classificados da região. Chariot era certo que chegaria as seccionais e era o momento perfeito para trazer a família unida, dois pássaros com um tiro. Todos traziam boa comida e viam Becks jogar, e provavelmente ganhar. Eu disse que viria, o que mais eu poderia fazer? Ter três Kents, dois com olhos persuasivos de Becks, olhando para mim, eu não poderia dizer não, não queria. Mas quando segunda-feira chegou, eu estava repensando a minha resposta. Mais uma vez. Eu mudei de ideia muitas vezes para contar. A única coisa inteligente seria não ir. Haveria muitas pessoas, minha mãe, os Kents, os irmãos de Becks. Eles me conheciam e Becks melhor do que ninguém. O churrasco era um campo minado. Um deslize, isso é tudo o que seria necessário. Mãe ainda tinha que ver-nos juntos depois do grande anúncio e, embora os pais de Becks estivessem a bordo agora, nenhum deles tinham nos vistos juntos por qualquer período de tempo. As chances de sermos descobertos nunca tinha sido grande. Não havia escola hoje por causa da conferência dos professores em todo o estado, então, eu não poderia usar o Clube de Alemão ou ter que ficar depois, como minha desculpa para evitar o churrasco. A biblioteca estava fechada para reparos elétricos. Minhas opções não pareciam boas. Limpando as calhas supunha-se que ajudaria a limpar a minha cabeça. Havia camadas e camadas para tirar. Eu não acho que elas tenham sido limpas nos doze anos em que somos donos do lugar. Mamãe não tinha feito isso. Não tínhamos contratado ninguém. Tenho certeza que não havia subido a minha bunda até aqui para fazê-lo. Mas hoje, com o churrasco se aproximando e não havendo saída à vista, eu precisava de algo. A escada que eu estava usando era uma velha e enferrujada, que veio com a casa. Tinha estado nela quase duas horas; minha mente se supunha estar a um milhão de quilômetros de distância. A poeira e sujeira, as folhas mortas, a tarefa asquerosa deveria ter capturado minha atenção... Mas isso não aconteceu. ― Merda, ― eu disse, de repente, desalojando um enorme aglomerado de lamaçal. Não há nada que eu possa fazer.

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― Ei! A exclamação me pegou de surpresa e perdi o equilíbrio. Meus braços foram o que me salvou. Eles se lançaram completamente em reflexo, agarrando uma das calhas e não se soltaram. A escada foi muito longe, caiu em algum lugar na grama abaixo. Luvas de trabalhador enormes não me ajudavam, agora. Era quase impossível ter uma boa aderência. ― Um pequeno aviso na próxima vez seria bom, Sal. Sem olhar eu sabia de quem era a voz. ― Becks, ― eu disse calma quanto possível, o que era nenhuma. Minhas mãos já estavam escorregando. ― Você poderia trazer a escada? ― Então, você pode o quê? ― Ele zombou. ― Vai puxar sua habilidade de gato e saltar a coisa? Sal apenas se deixe cair. Eu vou pegar você. Eu balancei a cabeça vigorosamente. ― É só pegar a escada, por favor. ― Sal, eu estou bem abaixo de você. Eu vou pegar você. ― Não, você não vai. ― Sim, eu... Deus, Sal, pare de ser tão teimosa e apenas se solte. Eu me queixei, os dedos deslizando outra polegada. ― Eu vou pegar você. Eu prometo. ― É melhor, ― eu disse, em seguida, me soltei. Eu não podia controlar o meu grito de menina, mas Becks não fez nenhum som quando caí sem graça em seus braços. Ele me pegou como ele se fizesse isso todos os dias, como se as meninas que oscilam em calhas de chuva fossem sua especialidade. Quem sabe? Talvez fossem. Levantando minha cabeça, eu perguntei: ― Você já fez isso antes? ― Nunca, ― ele disse, os olhos sorrindo. ― Tem certeza? ― Positivo. ― Ele me deu um olhar aguçado. ― Mas você sabe, ao contrário de algumas pessoas, quando eu digo que eu vou pegar alguém, eu realmente o faço. Suspirei. Claro, que traria esse assunto. ― Você nunca vai deixar esquecê-lo, não é? ― Não, ― ele disse enquanto reajustava seu agarre. Surpresa, eu agarrei seu pescoço

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com ambas as mãos. ― Algumas coisas são difíceis de esquecer. ― Eu disse que estava arrependida um milhão de vezes. ― Eu sei. ― E fui à única que se machucou, não você. ― Eu sei Sal. ― Então, por que você sempre o menciona? ― Eu murmurei. ― Melhor dia da minha vida. ― Becks deu de ombros, me movendo de novo e eu estreitei os olhos. De todas as vezes que tinha feito essa pergunta, ele nunca deu uma resposta direta. Mamãe saiu da casa com cinco bandejas de comida e sorriu quando nos viu. ― Oi, Becks, ― disse ela, enquanto me baixava, o meu rosto em chamas. ― Atrevome a perguntar? ― Olá, Sra. Nicholls. ― Ele sorriu. ― Cheguei e vi Sal presa, pendurado em uma das calhas. Naturalmente, eu salvei o dia. O detive com um olhar. Bom como ele se esqueceu de mencionar que ele era a razão pela qual eu tinha ficado pendurada, em primeiro lugar. ― Parece que a história está se repetindo, ― disse mamãe. ― Sim, ― respondeu ele, ― a não ser que ninguém ficou ferido, desta vez. Eu revirei os olhos. ― Foi na segunda série. Você era maior do que eu. O que você esperava? Becks levantou uma sobrancelha. ― Você disse que ia me pegar. ― Seja como for, eu não vi mais ninguém se voluntariando. ― Eu tinha tentado salválo, também. Eu só não tinha sido tão bem sucedida. ― Se eu não tivesse aparecido e falado para baixar, você poderia ter ficado preso naquelas barras por horas. ― Você disse... ― E, ― acrescentei, ― acabei com um braço quebrado, depois de quase ter me esmagado. ― Você sabe que eu sempre me senti mal por isso. ― Becks murmurou. ― Bem, aí está. ― Eu assenti. ― Eu sempre me senti mal por te deixar cair, em vez de pegar você como eu disse. Estamos quites.

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― Mesmo. ― Becks concordou, enfiando as mãos nos bolsos. Mamãe, que estava assistindo a troca, suspirou. Becks e eu olhamos para ela. ― O que? É uma grande história. ― Mamãe disse, usando uma expressão sonhadora. ― Se conheceram quando eram pequenos, se tornaram melhores amigos e depois se apaixonaram? Eu estou lhes dizendo que não fica muito melhor do que isso. Eu espero que você cuide da minha menina, Becks. ― Mãe, ― eu murmurei, envergonhada. ― Não se preocupe Sra. Nicholls. ― Becks pegou minha mão e eu dei-lhe sem pensar. Olhando carinhosamente em meus olhos, ele disse: ― Eu irei. Cara, ele era bom. Eu teria aplaudido o desempenho digno de Oscar, mas, em vez disso, eu sorri enquanto ele piscava. Atravessaríamos o dia do churrasco muito bem, desde que Becks mantivesse isso. Mamãe tinha ligado para a Senhora Kent, para ter Becks nos levando, eu juro, tinha que ser dela que consegui todos os meus movimentos. Todo o Clã Kent estava lá quando chegamos, e os três filhos mais velhos nos encontraram à porta. Que comecem os jogos, eu pensei, segurando firme a mão de Becks. Ele apertou a minha de volta. ― Martha! ― Clayton exclamou, quando viu minha mãe. Ele estendeu a mão para tirar uma das bandejas, virou para trás o papel alumínio e colocou uma mão em seu coração. ― Nozes de Macadâmia, o meu favorito. Diga-me, você consideraria namorar um homem mais jovem? Leonard Kent, o mais velho, entrou em cena. ― Pare de monopolizá-la, ― ele disse, exibindo um sorriso vencedor. ― Hey Martha, como vai? Mamãe riu. ― Estou indo muito bem. Ah, e Leo, há algo para você, Ollie e Thad, também. Ao som de seu nome, Oliver colocou a cabeça para fora, sorriu para a mamãe e pegou sua bandeja de biscoitos de manteiga de amendoim. ― Obrigado, Martha. Você é a melhor. Cada um dos irmãos Kent estava apaixonado por minha mãe. Isso deveria ter me incomodado, mas isso não aconteceu. ― Sally Spitz. ― Leo disse apertando os olhos. ― Eu acho que você está ainda mais

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bonita do que da última vez que vi você. Por que diabos você está namorando esse cara? Becks resmungou. Ollie falou com a boca cheia de biscoito. ― Sim, Sally, qual é o negócio? Achei que você e o pequeno Baldwin eram somente amigos. Quando decidiram se tornarem amigos de beijo? E isso foi apenas o começo. Os golpes continuaram a vir. Os irmãos nos cercaram quando nos sentamos no sofá, na sala de estar. Becks usava um sorriso de boca fechada e eu fui deixada para o campo de perguntas. Por esse ponto, mamãe tinha feito o seu caminho para a cozinha com a senhora Kent, pelo qual eu estava grata. Havia algumas coisas que eu simplesmente não queria que ela ouvisse, como a pergunta um. Leo: ― Eu ouvi que você e Becks foram pegos se beijando em seu quarto. Ele é bom? Eu (ruborizada): ― Ele é magnífico. Ollie: ― Ah, é? Assim, quando é que vai ser a lua de mel? Eu: ― Ainda não decidi. Clayton: ― Você vai nomear um dos seus filhos em minha honra, certo? Eu: ― Vai ficar querendo. Clayton: ― Ah, vamos lá Sally. Eu: ― Não. Thad: ― E eu? Thaddeus o Quinto, soa muito bem. Eu: ― Não em sua vida. De jeito nenhum eu estava nomeando meu filho Thaddeus. Todos os irmãos Kent foram nomeados em honra aos seus tios; era tradição e ambos, Sr. e Senhora Kent, tinham uma longa fila de irmãos para escolher. Assim é como Becks acabou com o trava-língua. Eles sabiam que ele ia ser o seu último e, assim, todos os nomes que ainda não tinham sido atribuídos, caíram sobre ele. Becks estava parecendo mais e mais tenso, endurecendo a cada brincadeira, cada olhar cético, até que ele finalmente se levantou e disse: ― Quem está a fim de um jogo? Nada poderia distrair os irmãos Kent como um desafio. Nós jogamos a cada ano e para torná-lo mais justo, era futebol americano. Todo

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mundo sabia que se Becks conseguisse uma bola de futebol, não havia concurso. Os irmãos tinham aprendido da maneira mais difícil, e a testosterona masculina estava viva e bem, na família Kent. Detestavam perder, especialmente um para o outro. Era uma competição séria. ― Quase posso provar uma vitória, ― disse Clayton, fazendo um par de saltos para aquecer. ― Você pode provar isso, Sally? Esse gosto doce da V-I-T-O-R-I-A? ― Sim, ― eu sorri. ― Gosto bom. Joguei para completar as equipes, e uma vez que tudo estava resolvido, estas foram as escalações: Eu, Ollie e Clayton contra Becks, Leo e Thad. Eu poderia não ter a maior força física, mas eu tinha a rapidez para competir com os meninos. Além disso, eu tinha crescido com esses meninos, então, eu sabia suas fraquezas. ― Nós temos isso, ― disse Ollie, correndo no lugar. ― Nós temos. ― Você não tem nada. ― Leo bateu no ombro de Ollie, rindo enquanto ele passava. ― Você não estará sorrindo quando aniquilar você, ― disse Ollie, olhando para as costas de Leo como se visse vermelho. Eles tinham um pouco de rivalidade acontecendo, sendo os dois mais velhos. Leo era maior, mas Ollie tinha o melhor braço de arremesso. Eles geralmente centravam um no outro, assim eu não precisava me preocupar muito com Leo. ― Você está pronta para ter esse troll, Sally? Meus olhos se estreitaram em competição. ― Demônios, sim. O Troll de Ouro, um prêmio como nenhum outro, cobiçado, muito procurado, muito amado e um pedaço total de porcaria. A coisa era horrível. A boneca ostentava olhos vermelhos loucos, estava faltando a maioria do seu cabelo, tinha sido pintada com spray dourado e pregada torta, sobre uma base de madeira para completar a aparência horrível. Looks não eram importantes, no entanto. Se sua equipe levasse o Troll, ganhava um ano para se gabar. Era tudo sobre a vitória. Tirando Leo da equação, me concentrei em Becks e Thad. Becks era difícil de definir. Ele tinha fraquezas, com certeza, mas nenhuma que eu poderia facilmente detectar. Normalmente, eu tentava ficar longe dele. Ele sabia que eu não era feita de vidro e eu sabia que ele me derrubaria, se pudesse. No ano passado, na lama, suor e calor, não tinha sido bonito. Thad era o elo mais fraco, meu alvo número um. Ele tinha um fraquinho por meninas, todas as meninas, por isso, mesmo que estivesse correndo para ele, ele quase não fazia esforço, medo de que forçasse muito e me machucasse. Nossa estratégia era simples. Ter Thad do nosso lado, efetivamente tirando-o do jogo e ficando a equipe de Becks com dois jogadores. Na aproximação, Ollie definiu o plano de jogo, em seguida, disse: ― Todo mundo entendeu?

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Clayton e eu assentimos. Ollie olhou para mim. ― Você está pronta? Essa coisa toda depende de você, Sally, então você tem que estar disposta a mentir, enganar, roubar, o que for preciso para obter o Troll. ― O que for preciso, ― eu disse. Clayton levantou uma sobrancelha. ― Mesmo que isso signifique derrotar seu namorado? Antes que eu pudesse dizer uma palavra, Becks gritou do outro lado do quintal. ― Ei Sal, você quer se apressar? Equipe Becks está ficando impaciente por aqui, esperando para reivindicar o nosso prémio. ― Esse Troll é nosso. ― Clayton atirou de volta. ― Não este ano. ― Leo disse presunçosamente. ― Não no ano passado, também. ― Isso foi um golpe de sorte. ― Ollie replicou. ― Nada além de um acaso. ― Sim, ― eu disse. ― O sol entrou em meus olhos. ― Desculpe Sal... ― Becks sacudiu a cabeça. ― Namorada ou não, sua equipe perderá. Não se preocupe coração, eu vou pegar leve com você. Foi o "coração" que fez isso. Voltando-me ao redor, apertando os dentes, eu disse: ― Nunca vai vê-lo chegando. Vamos fazer isso. E nós fizemos isso. A coisa toda saiu sem problemas. Na terceira jogada, eu vi minha abertura e a peguei. Ollie tinha acabado de jogar uma espiral perfeita, entregando a bola em meus braços sem a menor oscilação. Eu embalei no meu peito como um bebê recém-nascido e fiz uma corrida louca para a linha de meta, mas Becks estava lá para me interceptar, a menos de cinco jardas de distância. Ele me tocou com as duas mãos no meu lado, um toque gentil, o mais leve dos toques, mas eu fiz a maior parte dele, jogando o meu corpo para o lado, fazendo uma queda livre na grama, gemendo de dor quando caí. Becks estava ao meu lado em um instante, de joelhos, me verificando se havia lesões. ― Sal? ― Disse ele, o rosto sério. Eu enterrei minha cabeça ainda mais no meu ombro, tentando não rir. ― Sal, você está machucada? Eu não queria... Quer dizer, eu mal... Sal, diga algo, você está me assustando aqui. Com isso, eu olhei para cima, os olhos brilhantes. ― Ah, não tenha medo Baldwin, eu estou bem. ― Olhando por ele, eu disse: ― Mas é melhor você cuidar as suas costas. O Thad não parece feliz. ― Huh? ― Foi tudo que Becks disse e, então, ele foi erguido.

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Thad estava em um estado. ― Que diabos está acontecendo com você, Becks? Ela é uma garota, pelo amor de Deus. ― Eu gemi novamente para o espetáculo, deixando que ele me puxasse para os meus pés. Gentilmente, Thad disse: ― Sally, você está bem? Ele machucou você? ― Não, eu estou bem, ― eu disse, atirando a Becks um sorriso quando ninguém estava olhando. ― Eu acho que Becks só não conhece sua própria força. A boca de Becks caiu aberta. Thad olhou para ele e Leo e disse: ― Não foi legal, garotos, não está bem. Depois disso o jogo foi uma moleza. Nossa estratégia funcionou melhor do que o esperado, conseguindo não só Thad do nosso lado, mas Leo, também. Com sua exibição tímida, Becks estava basicamente jogando sozinho. Ao final do jogo, Clayton e Ollie estavam desfrutando da vitória, provocando os outros por seu péssimo desempenho e eu estava na posse da Golden Troll. Becks se aproximou enquanto eu pretendia dar-lhe um polimento. ― Isso foi um truque sujo, ― ele comentou. ― Fingindo assim, fazendo-nos pensar que estava gravemente ferida, eu não sabia que você tinha isso em você. ― Você está apenas irritado, porque não pensou nisso antes, ― eu disse, abraçando o troll ao meu peito. ― Além disso, foi ideia de Ollie, não minha. Seus olhos se estreitaram. ― Você realmente me pegou, por um minuto. ― Becks, você mal me tocou. ― Sim, mas me assustou igualmente. Eu estudei seu rosto, vi que ele estava falando sério. ― Desculpe, eu não queria preocupá-lo. ― Não. ― Não o quê? ― Desculpar-se não vai adiantar Sal. ― Becks levantou as mãos nos quadris, balançando a cabeça. ― Eu quase morri de culpa. Meus nervos estão ainda alterados. Vai ser preciso algo mais, algo valioso, algo... Dourado. ― De jeito nenhum, ― eu disse, andando para trás. ― Você me traiu, ― disse ele, seguindo-me, passo a passo. ― Ganhamos justamente. ―Eu acho que você concorda que é um exagero.

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Eu concordava, mas permaneci em silêncio. ― Entregue o troll, Sal. ― Nunca. ― Ele tinha me prendido, pressionada contra uma árvore no quintal dos Kent, mas ainda assim eu segurava o troféu mais apertado. ― Goldie é minha este ano. Você não pode tê-la, Becks. Eu não vou deixar. Os olhos de Becks se arregalaram. ― Você a nomeou? ― Sim, ― eu disse. ― Há uns dois anos e daí? ― Eu imaginei que se era tão importante, feia ou não, por que não dar ao troll um nome? Goldie não era uma grande recompensa, mas este ano ela estava indo para casa comigo. Era apenas a segunda vez que a minha equipe tinha ganhado. Ele não iria levá-la sem lutar. ― Eu não vou desistir dela, Becks. Não há nada que você possa dizer ou fazer para me fazer mudar de ideia. Ele sorriu. ― Eu acredito que você me deve um favor. Exceto isso, pensei. ― Dê-me, ― disse ele, estendendo a mão. Franzindo a testa, eu dei uma última olhada para Goldie, alisei os cabelos ralos, então, empurrei a boneca em seu peito. ― Você é um mau perdedor, Baldwin Eugene. Alguém já te disse isso? Ele riu sem fôlego. Fiquei contente de ver que o divertia. ― Você joga sujo, mas eu jogo mais sujo. Enganadores nunca ganham, você deveria saber disso. ― Seja como for, ― eu murmurei, passando por ele. ― Sal, ― ele chamou, mas eu continuei andando. Ainda que eu o amasse, por vezes, Becks realmente me irritava. Becks estava apenas segundos atrás de mim quando tomei um assento na mesa, e você sabe o quê? Tinham nos guardado dois assentos, lado a lado. Ótimo. ― Não fique com raiva, ― disse Becks, colocando uma mão sobre a minha, colocando Goldie no chão, entre nós. Dei uma olhada para ele, encontrei seus olhos e olhei para longe. ― Ah, vamos lá, Sal. ― Hey, ― disse Clayton, apontando. ― O que está fazendo com isso? Demos o troll para Sally, por um trabalho bem feito. Ela mereceu. Becks suspirou, rindo. Eu estava irritada pelo troll e só tinha que superar. ― Ela me deu isso, porque ela se sentia mal sobre nos enganar. ― Isso é verdade, Sally? ― Perguntou Ollie, tomando um gole de Coca-Cola. ― Eu pensei que poderia ter sido porque vocês dois estão tão apaixonados.

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Eu bufei, ignorando o olhar ferido de Becks. ― Quem está apaixonado? ― Leo saiu da cozinha, com seu prato cheio. ― Oh, ― ele disse, os olhos pousando em nossas mãos. ― Você sabe, eu sabia sobre Becks, mas eu nunca suspeitei de você, Sally. A paixão que ele tinha era uma grande, com certeza. Senti minha testa contrair. Do que Leo está falando? ― Sim. ― Ollie riu. ― Ele era um caso perdido praticamente desde o primeiro dia. ― Cale a boca, ― disse Becks, para ninguém em particular. ― Será que ele já te leu o poema? ― Perguntou Clayton, sorrindo. ― Sim. ― Ollie disse. ― Clássico. ― O poema? ― Perguntei curiosa. Eu não tinha ideia do que estavam falando, mas definitivamente pareceu interessante. Além disso, ele estava fazendo Becks rosa nas bochechas e, por estar brava com ele, eu não estava acima de alguma vingança. A resposta veio, mas não de Becks. Enquanto os pais e Thad se juntavam a nós, colocando comida na mesa, a Senhora Kent tomou o lugar do meu outro lado e colocou um livro na minha frente. Era grosso, com uma capa florida e Becks removeu a mão da minha, para passá-la através de seu cabelo. ― Jesus, mamãe, ― ele disse. ― Isso é realmente necessário? Sra. Kent lançou-lhe um olhar, mas sorriu para mim. ― Eu só queria mostrar a Martha e Sally algumas fotos. ― Para minha mãe, que estava inclinando-se para nós, ela disse, ― eu tenho mantido isso desde que eles se conheceram. ― Oh. ― Mamãe disse alegremente. ― Nós temos algumas fotos em casa, mas não como um álbum completo. Eu adoraria ter cópias. ― Eu vou fazer-lhe algumas. ― Senhora Kent prometeu e abriu a capa. Era como viajar no tempo. Fotos de mim e Becks em nosso primeiro dia de escola, nós dois vestidos no Halloween, um príncipe e princesa um ano, trekkies no próximo, com orelhas pontudas e sobrancelhas Spock. A próxima página nos mostrava um baile do Dia dos Namorados no ensino médio, torcendo nas arquibancadas em um dos jogos de futebol de Becks, uma muito terna de Becks me dando um cascudo. Becks me empurrando nos balanços. Abraçando Becks no parque de diversões, onde ficamos doentes depois de comermos cachorro quente de má qualidade. Os dois no aquário, um desfile, no cinema. Havia lembranças suficientes neste pequeno livro para me fazer querer esquecer Goldie e perdoar Becks por ser um idiota. Mas não foi até a última página que minha raiva se transformou para algo completamente diferente. ― Oh, ― eu disse, estendendo a mão para tocar a imagem final.

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― Sim, ― disse a senhora Kent. ― Essa é a minha favorita, também. Lá estávamos nós, Becks aos sete anos de idade, eu acabara de fazer. Ela foi tirada no parque, perto das barras de macaco, onde Becks tinha ficado preso e eu o tinha convencido a baixar. Meu braço já estava em uma tipoia rosa brilhante, por isso deve ter sido pelo menos uma ou duas semanas depois, mas Becks parecia exatamente como no primeiro dia. Cabelo preto ondulado que caía em seus olhos, mesmo sorriso de menino que ele seguia usando. Nós dois estávamos olhando um para o outro, mas eu estava rindo, as lágrimas escorrendo dos meus olhos enquanto eu olhava para Becks. Eu o amava desde então. ― Oh, eu tenho que ter essa, Carole, ― disse mamãe. ― Olhe como ele está olhando para ela. Sra. Kent concordou com a cabeça, mas eu não podia ver que Becks estava olhando para mim de uma forma particular. Claro, seus olhos estavam sorrindo como eles faziam, às vezes. Mas ele sempre olhou para mim assim. ― E aqui está a melhor parte. ― Senhora Kent sorriu, deslizando algo por trás da fotografia e segurando-o. ― É para Sally, de Becks, mas ele nunca chegou a dar a ela. ― Mãe! ― Becks exclamou. Ele tentou agarrar o papel, mas foi muito lento. Clayton o tinha em suas mãos, desenrolara e foi limpando a garganta, para ler em voz alta enquanto Becks afundava em sua cadeira, a cara vermelha. Eu nunca o tinha visto tão embaraçado. ― Para Sal, de Becks. ― Clayton leu em voz alta. ― Ouça-me, Sally, você não vai querer perder isto. Becks fechou os olhos. Ok, então, agora eu estava realmente curiosa e confusa. O que poderia fazer Becks agir desta forma? Clayton pigarreou uma segunda vez, em seguida, repetiu. ― Para Sal, de Becks. Há uma menina que eu gosto. Ela monta uma bicicleta amarela. O cabelo dela é longo. Seus olhos são redondos. Sua voz é agradável. Eu gosto do som. Thad inclinou-se para Becks e disse: ― Isso é bom, cara, muito bom. Vi Becks afastá-lo pelo meu periférico, mas não conseguia tirar os olhos de Clayton. ― Eu quebrei o braço dela quando nos conhecemos. Ela estava linda, firme com seu gesso. ― Clayton tomou um tempo para dizer: ― Você poderia ter feito melhor do que isso. 'conhecemos' e 'gesso' não exatamente rimam, mas eu acho que você era jovem. ― Aqui é onde fica bom. ― disse Leo para mim. Com isso Clayton lê as últimas três linhas. ― Ela é minha amiga. O nome dela é Sal. Espero que um dia ela vá ser minha garota. ― Um monte de ooh e aah se seguiu. Clayton

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dobrou o papel e entregou-o de volta à sua mãe. ― Acho que você conseguiu seu desejo, não é irmão? Era apenas um poema, mas significava muito mais. Eu não estava sozinha. Em algum momento, mesmo que tivesse sido apenas crianças, Becks me amou de volta. Virando-me para ele, eu podia sentir as lágrimas enchendo meus olhos. ― Você escreveu isso? ― Perguntei. Becks não olhou para mim. ― Sim. ― Para mim? Ele concordou, mas ainda não me olhava nos olhos. Inclinando-me, eu beijei sua bochecha. ― Obrigada, ― eu murmurei. Becks olhou para mim, então, surpreso. ― Por que foi isso? ― É a coisa mais doce que eu já ouvi. ― Contendo-me, eu abaixei minha voz, para que só ele pudesse ouvir. ― Além disso, nossos pais estão nos observando, lembra? ― Claro, ― ele disse, levantando minha mão para um beijo, mas havia algo estranho em seu tom. ―Você vem para o jogo? É a última antes das seccionais. ― É claro, ― eu sorri. ― Eu quero ver você chutar a bunda de Boulder High tanto quanto qualquer um. ― Levantando a minha voz de novo, eu acrescentei: ― Além disso, que tipo de namorada eu seria se não fizesse? Seu rosto pareceu se fechar, mas atribui isso pelo constrangimento. Antes de eu sair, eu puxei a senhora Kent de lado e pedi o poema. Ela disse que era meu de qualquer maneira e me deu, sem perguntas. No momento que fui dormir naquela noite, eu tinha lido treze vezes. Espero que um dia ela vá ser minha garota. Ah Becks, pensei na iminência do sono. Eu sempre fui.

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CAPÍTULO 10 Culpa. Ela estava me comendo por dentro, e tudo que eu podia fazer era sentar lá e pensar enquanto Becks fazia o seu terceiro gol da noite. A multidão aplaudiu, ele ergueu o punho, a torcida do lado de Boulder gemeu. O menino estava em chamas. As meninas estavam jogando-lhe olhares, gritos vindo da esquerda e direita, o mais alto vindo de uma morena bonita, cerca de duas linhas para baixo, segurando uma placa que dizia: ― Becks, casa comigo? ― Envolto em um coração grande, brilhante rosa. ― Você vai deixá-la sair com isso? ― Hooker perguntou ao meu lado. ― O que posso fazer sobre isso? ― Eu murmurei. ― Ela não está machucando ninguém. Hooker franziu a testa para mim. ― Eu te digo o que eu faria. Se Becks fosse o meu homem, eu arrancaria esse cartaz e o jogaria de volta em seu rosto, ensinando-lhe quem é quem. ― Eu não posso fazer isso. ― Seria bem merecido. Eu era uma pessoa má, um hipócrita total, porque isso é o que eu estava ansiosa para fazer desde que vi o cartaz. A urgência veio extraforte quando a menina tentou chamar a atenção de Becks quando ele se virou no intervalo, escaneando as arquibancadas. ― Ei, Becks. ― Ollie gritou: ― Eu não acho que os caras da Penn viram essa. Quer fazer um quarto? ― Sim, ― disse Thad. ― UCLA estava olhando, entretanto. Talvez eles te queiram mais. ― Meu voto é para Michigan. ― Clayton gritou do banco. ― UNC, ― alguém gritou e foi recebido por uma rodada de aplausos. ― Indiana! ― Tem que ser Louisville! ― De jeito nenhum, Ohio! ― Então, o que é que vai ser meu filho? Becks deu de ombros, enquanto a multidão gritou mais faculdades e os recrutadores tentaram parecer serenos. Eles estavam fazendo um mau trabalho. Cada um deles estava na borda de seus assentos, costas retas, tensos, à espera de ouvir a resposta de Becks. Teria que

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ser um dia destes. Eles estavam esperando por meses. Além de marcar três, Becks já tinha feito cinco roubadas de bola, duas assistências e bloqueou alguns gols. Era uma das principais razões porque o queriam. Ele era tão forte na defesa como no ataque. ― Becks, você é tão gostoso! ― A voz era da morena alta e gritona como uma sirene. O som fez os cabelos da minha nuca se levantar. ― Vem a minha festa neste sábado? ― Não, venha comigo para casa. ― Isto disse uma ruiva alguns assentos adiante. ― Teremos um bom tempo. Eu decidi neste momento, que não gostava da cor vermelha. ― Hey!― A morena gritou. ― Ele é meu! Ruiva jogou o cabelo. ― Segue sonhando, querida. ― Hey. ― Hooker ficou de pé, olhando para as duas até que se viraram. ― Becks é propriedade de Sally Sue Spitz, esta garota... ― Ela apontou para mim, e eu me encolhi. ― Ele é seu namorado, entenderam? Deixem-no em paz. ― Sim, se dispersem, ― acrescentou Leo. Um par mais de "Sim" veio da área circundante, de pessoas que eu nem conhecia. Eu afundei ainda mais no meu lugar. As meninas bufaram, mas pararam de discutir. ― Bom. ― Hooker voltou a se sentar, satisfeita. Encontrando meu olhar, Becks sorriu e ergueu as mãos como se dissesse: ― Me amam. O que vamos fazer? ― Antes de Crenshaw arrastá-lo de volta para o grupo. ― Está tudo bem. ― Leo deu um tapinha no meu ombro. ― Becks nunca iria para elas, de qualquer maneira. ― Tem razão. ― Thad concordou. ― Ele é todo seu, Sally. ― Mesmo que a ruiva fosse muito gostosa. ― Ollie adicionou, o que lhe rendeu um tapa na cabeça do Sr. Kent. ― Caramba, eu estava apenas dizendo que ele é leal. Isso é tudo. Isso pareceu satisfazer os seus pais e a Senhora Kent voltou a falar com a minha mãe, que me atirou uma piscadela e deu a Hooker um aceno de aprovação. Meu sorriso em resposta era em parte uma careta. Sentada aqui na minha camiseta de Gryffindor, eu me senti como a pior das piores, uma fraude, uma rata. Uma Sonserina19.

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Uma das 4 casas de Hogwarts do filme Harry Potter.

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Afinal de contas, apenas uma Sonserina iria mentir para seu próprio benefício. Apenas um Sonserina iria tirar proveito de um amigo e pedir-lhe para fazer algo tão desonesto. E somente uma Sonserina iria manter essa coisa andando simplesmente porque ela estava com muito medo, era muito covarde para terminar. Mesmo quando isso significava impedir o seu amigo de fazer o que ele queria, vendo quem ele quisesse. Como a ruiva quente, que tinha acabado de lhe dar um convite aberto. Eu não tinha certeza por que isso estava me batendo agora. Becks e eu estávamos mentindo por semanas. Tínhamos todos convencidos de que éramos um casal, almas gêmeas, feitos um para o outro. Com Becks fazendo um trabalho espetacular como namorado falso e eu me apaixonando por ele mais a cada dia, não tinha sido difícil. Mas, aqui nas arquibancadas, assistindo Becks ganhar a competição, ouvir uma fonte infinita de meninas chamando o seu nome, ouvindo de Hooker reivindicação de Becks como meu, eu não poderia suportar. Foi esse poema, tinha que ser. As palavras bonitas e sinceras, também eram indutores de culpa. Se eu realmente amava Becks, como eu poderia fazer isso com ele? A coisa certa não seria deixá-lo ir? O ataque contra a minha consciência era tão grande que me fez querer confessar tudo. Eu poderia fazer isto. Irritaria um monte de gente e eu, provavelmente, estaria me condenando a um inferno em vida, mas eu poderia fazê-lo. Becks estaria irritado no início, mas ele superaria isso. Como ele tinha dito, havia meninas que queriam namorá-lo de verdade. Eu estava segurando-o. Talvez fosse melhor terminar limpamente antes que se ressentisse de mim, ou pior, antes que eu fiz algo estúpido e me rendesse. Eu não queria que ele sentisse pena de mim. Becks era meu melhor amigo e eu o amava, mas eu pularia de um arranha-céu antes de deixá-lo se amarrar a mim por pena. Eu tenho que fazê-lo, pensei. Confessar tudo, confessar pelo bem de Becks. Pelo meu. Era o que qualquer bom Gryffindor faria. Respirando fundo, eu abri minha boca e... ― Sally? A interrupção me surpreendeu, as palavras presas na garganta. ― Eu acho que esse menino está chamando você. ― Senhor Kent sussurrou. Meu Deus. Um apito soou. O jogo reiniciou. Minha garganta se fechou apertado. Sensatez voltou com uma vingança, perfurando meu escudo frágil de coragem e o substituindo com medo. Todas as razões pelas quais eu não deveria confessar, me golpearam no rosto, uma após a outra, deixando-me atordoada. Senhor, o que eu estava pensando?

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― Sally Spitz? ― Sonserina, ― eu murmurei sob a minha respiração. ― O que foi isso? ― Perguntou Hooker, mas eu fiquei quieta. Esqueça de Grynffindor. Meu nome do meio não era Sue; era frango. Minha cor favorita não era azul, mas verde. Eu não era nada mais do que uma grande e velha serpente na grama. Suspirei. Quando no mundo eu me tornei uma covarde de primeira classe? ― Sally? ― A voz estava muito mais perto agora. ― Uh oh. ― Hooker disse. ― É o Sr. Sexy Surfista em seus cachos. Quer que eu me livre dele? Segui seu olhar e vi Austin Harris, Sr. Sexy Surfista como Hooker chamou-o, de pé no final da nossa fileira, sorrindo para mim. Nosso primeiro e único encontro, tinha sido curto, mas memorável. Não é todo dia que você vê um cara declarar seu amor eterno a uma menina. Especialmente quando você é a garota. E o cara te conheceu apenas há três horas. Com carinho recordo de Austin como um louco com coração. Aquela noite parecia que aconteceu há muito tempo, para outra pessoa. ― Hey, ― ele disse, ― eu pensei que era você. Amo a camiseta, é claro. ― Obrigada, ― eu disse, me aproximando. Tentei não me sentir como uma impostora. Quando cheguei a ele, eu apontei para o peito. ― Onde está sua gravata? ― Deixei-a em casa, ― disse ele. ― Então, como você está? Era uma pergunta complicada? ― Estou bem e você? ― Oh, legal. Na verdade eu... Só então, a multidão entrou em erupção. Thad se levantou, empurrando a mão para abranger o campo. ― Está cego? Isso foi um flagrante. Marca algo juiz! ― Faça o seu trabalho, maldição! ― Ollie gritou. Desta vez, a senhora Kent o pegou duramente na orelha. A julgar pelos sons que ele estava fazendo, deve ter doído. Austin inclinou a cabeça para o jogo. ― Seu namorado lá embaixo? Ele está nos matando. ― Você quer dizer, Becks. ― Engoli em seco, sentindo a bílis subir na minha garganta. ― Sim, eu acho que sim. ― Cara. ― Austin sacudiu a cabeça quando o jogo recomeçou, e Becks fazia um

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escape. ― É provavelmente uma boa coisa que não deu certo entre nós. ― Ele suspirou dramaticamente. ― Eu nunca poderia competir com isso. Eu ri. Ninguém podia competir com Becks, pelo menos, em minha opinião. ― Não é um grande fã de futebol? Ele sorriu. ― Não, eu estou mais para vídeo game. Final Fantasy, World of Warcraft, esse tipo de coisa. Na verdade, foi aí que eu conheci a minha namorada. Ela está bem lá em baixo, na primeira fila, em direção ao meio. Eu vi onde ele estava apontando e fiz uma dupla tomada. A menina era linda, quase tão linda quanto Austin, e isso dizia algo. Sorrindo-nos, ela soprou-lhe um beijo e ele fingiu pegar e colocá-lo no bolso. ― Ela não é ótima! ― Disse. ― Ótima. ― Eu repeti, depois fiquei séria. ― Mas eu pensei que você disse que me amava? Ele corou, balançou-se nos calcanhares. ― Bem... Sobre isso, eu... ― Eu só estou brincando, ― eu disse, socando-o no ombro. ― Estou feliz que você encontrou alguém. Ela é linda. ― Ah, que bom, ― disse ele, capturando minha mão. O brilho em seus olhos era inconfundível quando ele se inclinou para frente. ― Mas você sabe que sempre será minha primeira, Sally. ― Curvando-se, deixou cair um beijo rápido na minha mão e olhou através de seus cílios, causando-nos riso. Alguém limpou sua garganta. Alto. Olhando por cima, vi Hooker, seu namorado Will, a minha mãe, os pais de Becks e todos os irmãos, que nos observavam. Na verdade, os rapazes estavam dando a Austin olhadas que variavam de sujo para ameaçador. Eu acho que tínhamos tirado a sua atenção do jogo. Yippee. Corei enquanto Austin soltou minha mão e ficou em pé. ― Acho que eu te vejo por aí, ― disse ele, lançando olhares nervosos aos Kents. Senti seu olhar mudou para mim. ― Ok, eu vou... Mil suspiros pareciam atravessar o estádio de uma só vez. Virei a cabeça, ouvi a senhora Kent gritar enquanto os outros passavam por mim, para chegar às escadas, mas eu não podia me mover. Não conseguia respirar. ― Sally?

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― Spitz, você está bem? Austin e Hooker estavam chamando meu nome, mas eu não conseguia me concentrar. Toda a minha atenção estava na cena desastrosa abaixo. Becks estava de costas, agarrando sua perna direita ao peito, o rosto contorcido em agonia, enquanto Clayton tentava levantá-lo. ― Não, não, não... Era a minha voz? Tropeçando em meus próprios pés, eu estava vagamente consciente das mãos firmando-me para descer as escadas. ― Ele vai ficar bem. ― A voz de Hooker no meu ouvido. ― Não se preocupe Spitz. Ele vai ficar bem. Eu mal a ouvi enquanto dois médicos corriam para o campo e começaram a trabalhar. Cada um dos gemidos de Becks foi amplificado a um som de uma bomba nos meus ouvidos, alto, ensurdecedor. Isso não pode estar acontecendo, pensei, finalmente, chegando ao nível do solo. Becks não poderia estar machucado. Ele simplesmente não podia estar. Futebol era a sua paixão, foi feito para jogar. Deus não iria tirar isso dele, nem agora, nem nunca. Seria muito cruel. Por favor, não tire isso dele, orei silenciosamente. Olhos ardendo, eu os assisti levar Becks para fora do campo em uma maca. Era uma daquelas coisas que eu teria pesadelos por muito, depois deste dia. ― Spitz. ― Eu olhei para o lado e vi Hooker. Acho que ela tinha estado lá o tempo todo. ― Ele vai ficar bem, ― disse ela com certeza. Mas como ela poderia saber? ― Sally, eu vou levar a Sra. Kent e os rapazes para casa, ― disse a mamãe, segurando a mão da senhora Kent, o resto dos rapazes seguindo de perto. Eles pareciam destruídos. ― Pode Hooker ou Clayton levá-la para casa? ― Não há problema, ― disse Hooker e me levou para o vestiário. Meu coração se afundou ainda mais quando eu vi meu pai, bloqueando a porta. Oficial Spitz deve ter sido chamado para trabalhar de segurança para o jogo. Ele estava de uniforme e parecia impassível quando nos aproximamos. ― Podemos entrar? Perguntou Hooker. Papai balançou a cabeça. ― Apenas membros da família e da equipe. Mas Becks é a minha família, eu queria gritar, mas minha voz tinha ido, na hora em

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que vi Becks atirado em uma maca. Hooker não parecia ter esse problema. ― Você está brincando, certo? ― Ela disse, os olhos apertados. ― Você não pode ser seriamente insensível com sua própria filha. Você não pode ver que ela está assustada? Assustada nem sequer começava a descrevê-lo. Honestamente, era como se eu estivesse sufocando, morrendo um pouco mais a cada segundo que estava longe de Becks. Mas eu estava feliz por Hooker estar aqui. Eu precisaria de sua força, se eu estava atravessando a próxima parte. Engolindo em seco, eu fiz a única coisa que prometi a mim mesmo que eu nunca faria. Algo que eu tinha desistido há mais de uma década atrás. Pedi ao meu pai por um favor. ― Por favor, ― eu disse, a voz trêmula, de desespero ou desgosto, eu não tinha certeza. ― Deixe-me entrar. Eu... Eu preciso vê-lo, pai. Para me certificar de que ele está bem, para ver se Becks precisa de mim. Eu preciso saber que ele está bem, por isso... Por favor. Seus olhos se moviam lentamente ao longo do meu rosto, sua expressão ilegível. Eu não tinha certeza do que viu, mas eu senti que iria cair de cara no concreto. Eu nunca lhe pedi nada, depois que ele traiu a mamãe. Nem uma única vez. Não houve visitas semanais. Não havia cartões de aniversário anuais com dinheiro neles. Se eu esquecesse o fato de que vivíamos na mesma cidade, eu praticamente podia fingir que ele não existia. Eu nunca me importei que ele não estivesse por perto, preferia que fosse assim. Mas eu precisava ver Becks, como o ar em meus pulmões. Se o meu pai era a chave para chegar a ele, eu faria o que fosse preciso. Papai encontrou meus olhos um momento depois e eu sabia, mesmo antes de falar, qual seria sua resposta. ― Desculpe menina Sally, ― ele disse com um encolher de ombros. ― É a política. Não há nada que eu possa fazer. A boca de Hooker estava aberta como se ela não pudesse acreditar, mas eu podia. Eu tinha desistido dele há muito tempo. De alguma forma, porém, ele ainda conseguiu me decepcionar. Hooker sacudiu a cabeça e disse: ― Você realmente é um bastardo, não é? ― Cuidado com o que diz. ― Pai franziu a testa, tirando a mão do cinto e colocando uma mão perto de mim. ― Ela está apenas exagerando, como sua mãe sempre fazia. Ela vai superar isso. ― Não, ― eu disse e eles se voltaram para mim. ― Está tudo bem, Hooker, eu vou

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esperar. ― Mas... Eu balancei a cabeça. ― Não, ― eu repeti. Não, eu não iria superar. E não, eu não pediria novamente. ― Eu vou esperar. Mandei Hooker para casa com Will cerca de uma hora mais tarde, quando o jogo terminou. Não podia deixar de passear pelo lugar, mas eu não podia evitar. Fingi que meu pai não estava lá e ele fez o mesmo. Nós não nos falamos, novamente. Os fãs caminhavam sem pressa, alguns me lançando olhares compadecidos. Um deles até me disse que Boulder tinha voltado mais forte no segundo tempo, mas por causa de Becks nós ainda os superamos por um gol e não estava feliz que meu namorado os tinha levado invictos, a primeira rodada de classificação? Essa pessoa tinha sorte que eu estava tão concentrado em Becks. Caso contrário, eu teria lhe golpeado e dirigido minha próxima rodada de passos sobre o seu estúpido rosto, muito feliz. Por que estava demorando tanto? Becks estava muito mal? Eu não sabia o que faria se ele estivesse. Eu vi quando jogador após jogador saiu do vestiário até o último que restava. Ainda sem Becks. Nem Clayton, eu notei. Deus, o que eles estavam fazendo com ele lá dentro? ― Esperando seu namorado? ― Eu parei quando Ash se juntou a mim. ― Ele e seu pai saíram cerca de trinta minutos atrás. ― O quê? ― Eu disse confusa. ― Becks, ― disse ele, levantando uma grande mochila no ombro. ― Ele já saiu. Você não estava esperando por ele? Isso não fez absolutamente nenhum sentido. ― Mas eu estive aqui de pé o tempo todo, ― eu disse. ― Eu não o vi sair. ― Eles saíram pela porta lateral. ― Ash apontou para o meu rosto. ― Não há necessidade para isso. Foi apenas uma entorse, não teria mesmo acontecido, se você não o tivesse distraído. Ele vai ficar bem. ― O quê? ― Eu ergui minha mão. Ele estava certo, minhas bochechas estavam úmidas. Eu devo ter chorado o tempo todo, mas eu não sentia nada. ― Você disse uma entorse? Só isso? Ash concordou e eu suspirei de alívio. Uma entorse era nada. Becks tinha tido tantos daqueles, que ele, provavelmente, estaria de volta ao campo em uma semana. Em seguida,

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outra coisa me atingiu. ― Espere, o que quer dizer com eu o distraí? ― Becks ia ficar bem. Ele estava bem, então, do que Ash estava falando? ― Como eu poderia fazer isso? Estávamos na fila superior; ele mal conseguia me ver. ― Confie em mim, ele viu, ― disse Ash. ―Ele viu você e aquele cara loiro ficando amigável e mexeu com sua cabeça. Eu estava parado lá quando um jogador do outro time o surpreendeu. Ele não estava nem prestando atenção. ― Você quer dizer, Austin? ― Eu zombei. ― Ele é apenas um amigo. ― Sim, não parecia assim. Olhei-o fixamente, mas me distrai quando Clayton saiu do vestiário. Ele não parecia melhor do que eu me sentia. Acho que ele tinha se preocupado com seu irmão mais novo, também. ― Bem, Sally, ― disse ele, parando na minha frente. ― Eu acho que o nosso menino sairá bem disto, mas você poderia suavizar a paquera? Becks será inútil para nós, se você distrai-lo assim na final. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. ― Eu te disse, ― disse Ash. Minha boca abriu e fechou algumas vezes, nenhum som saindo. ― Você está pronta para ir? ― Perguntou Clayton. ― Sua mãe ligou para garantir que você tenha uma carona para casa. Respirei fundo, tentando soar firme e não arrogante, eu disse: ― Claro Clayton, eu estou pronta. E ambos estão errados. ― Eu olhei para eles friamente. ― Becks não se distrai, especialmente por algo parecido. Ash e Clayton trocaram um olhar e, embora, eles não dissessem nada, eu sabia que eles estavam tirando sarro de mim. Cheguei à caminhonete de Clayton num acesso de raiva e me recusei a falar com ele toda a viagem, o que parecia bem para ele. Nós dois tínhamos muito para pensar. Mais tarde, eu liguei para Becks, para dar-lhe um pedaço da minha mente. Eu estava esperando e esperando por ele me chamar, mas ele nunca o fez. Uma torção no tornozelo não significava que ele não poderia pegar o telefone. Ele respondeu no quarto toque. ― Ei, Sal. Ei, Sal? Eu tinha atingido o meu limite. ― Ei, Sal, ― eu repeti. ― Isso é tudo que você tem a dizer? Não, ‘Me desculpe, por não chamar. Eu me sinto horrível sobre isso. Eu sou um completo idiota por fazer você se preocupar’.

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― Você estava preocupada? ― Ele parecia muito satisfeito. ― Só um pouco, ― eu menti. ― Você sabe, eu posso dizer quando você está mentindo, Sal. Explodi. ― Bem, eu não deveria estar ― eu disse. ― Você parece completamente bem. Bem o suficiente para me provocar, bem o suficiente para não ligar. Eu acho que não deveria ter esperado fora desse vestiário com meu pai asqueroso por horas. Acho que não deveria ter me preocupado em absoluto. Becks fez uma pausa e disse: ― Seu pai estava lá? ― Sim, ele não me deixou entrar no vestiário para ver você. ― É um verdadeiro idiota. ― Eu sei, ― eu disse. ― Parece que há um monte disso, recentemente. Ele suspirou. ― Você está brava. ― E você é um gênio, ― retruquei, trocando canais na TV. Talvez algum entretenimento estúpido desviaria minha atenção. Por que ele não ligou? ― Sinto muito, ― disse ele, finalmente. ― Por quê? ― Por ser um idiota. ― E? ― E por não ligar, eu só achei que alguém lhe diria. ― Bem, eles não fizeram. ― Desculpe, ― disse ele, novamente. ― Pare de dizer isso, ― eu disse, sentindo um pouco da minha raiva diminuir. ― Como você está afinal? Ouvi dizer que era apenas uma entorse. ― Bem, meu pé dói como um condenado e Clayton não está muito feliz com a minha falta de concentração. Fora isso, estou ótimo. Recostei-me de volta nos travesseiros. ― Sim, o que aconteceu lá fora? Eu perdi. Vai ficar no banco todos os jogos? Escutei um ruído na outra extremidade da linha e imaginei Becks ficando mais

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confortável. Ignorando a primeira pergunta, Becks disse: ― Sim, somente o próximo. Se eu estiver melhor para a terceira rodada. ― Quando, ― eu disse. ― Quando você estará melhor. ― Quando, ― ele concordou. Houve silêncio por um instante e, em seguida, ― Então, quem é o sósia de Ken? Ele é quem você está de olho? Levei um segundo para entender. Hesitante, perguntei: ― Você está falando de Austin Harris? ― Se Austin Harris é aquele cara que mexe com você, então, sim. ― Ele não mexe comigo. ― Ele estava beijando você. ― Becks disse categoricamente. ― Sim, na mão, ― eu disse de volta. Poderia Clayton e Ash ter razão? Estava Becks realmente distraído por me ver falando com outro cara? Ele estava com ciúmes? Eu sabia a resposta e mentalmente ri de mim mesma. Okay, certo. Como se isso fosse acontecer. ― Então, é ele? Austin Harris é o cara que tem o seu coração batendo? O que você está tentando impressionar com um falso namorado? Seu tom era leve, suas palavras provocando, mas ele parecia estar à espera de uma resposta. ―Não, ― eu disse. ― Não é Austin. ― Oh. ― Becks disse e, na minha mente, eu o vi sorrir. ― O cara que eu gosto é muito mais sexy. ― Eu ouvi Becks gaguejar e pausar. ― Sexy demais para seu próprio bem. ― Ninguém é tão sexy. ― Becks murmurou. Se você soubesse, pensei. ― Mas Austin ficou impressionado, ― acrescentei. ― Com o que? ― Você. ― Quem não estaria? Eu ri de seu tom arrogante, olhei para a TV e ri um pouco mais. ― Você não vai acreditar nisso, ― eu disse.

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― O quê? ― Perguntou. ― Você está na TV, canal seis. ― O quê? ― Disse ele, em seguida, gemeu. ― Oh Deus, isso é tão embaraçoso. ― Não, não é, Becks. Você é uma estrela de cinema. Becks amaldiçoou, mas não lhe prestei atenção. Eu estava ouvindo a entrevista. O assunto principal parecia ser o lugar onde Becks iria jogar bola na faculdade. Eu estava esperando a resposta para essa pergunta a mim mesmo. Erica Pinkerton, ex-Miss Carolina do Norte, atualmente apresentadora, sorriu. ― Bem-vindo Becks Kent ao nosso programa. É bom tê-lo aqui. ― É ótimo estar aqui, ― disse Becks na TV. ― Awww... ― Cantarolei. ― Não é a coisa mais bonita? Becks resmungou algo ininteligível, mas a apresentadora pareceu concordar. ― Você é doce, ― disse ela, o sorriso alargando. ― E talentoso. Você já levou sua equipe para uma temporada invicta e os troianos Chariot parecem no bom caminho para outra. Isso nunca foi feito, Becks. Como você se sente indo para a fase de classificação? Confiante? Nervoso? ― Um pouco de ambos, na verdade, ― ele riu. ― Estamos confiantes, mas nós temos que esperar e ver como tudo se desenrola. Nossa equipe está bem preparada. Temos todos os recursos e treinamento sólidos. Espero que nós tenhamos sucesso. ― E assim é o resto da Chariot. ― Ela girou para a câmera, em seguida, virou-se para Becks. ― Então, Becks, aonde irá? Nós ouvimos relatos de todas as cidades. Todas as melhores faculdades têm oferecido. Naturalmente, a maioria de nós quer que você fique aqui na Carolina do Norte, mas para um atleta de sucesso como você, as escolhas são ilimitadas. Ela segurou o microfone para ele e lambeu os lábios, certificando-se de roçá-lo com o braço. Muito sutil. ― Bem, eu não sei. ― Becks disse, presenteando-a com um de seus sorrisos assassino. ― Há um monte de grandes faculdades lá fora. ― Você é um amor, ― disse Pinkerton. ― Qualquer dessas faculdades seria sortuda de tê-lo, é claro. Mas o que os nossos espectadores querem saber é como você vai escolher? Com tantas ofertas sobre a mesa, o que é que vai tomar para definir qual faculdade será escolhida? Mais uma vez ela o roçou com o braço e, novamente, eu cerrei os dentes. A mulher tinha que ter, pelo menos, quarenta. O puma estava fora de sua jaula e se aproveitando do meu Becks. Era simplesmente errado.

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― Teremos que esperar e ver. ― Becks disse enigmaticamente. ― Ah, vamos lá, Becks. ― A mulher não se pode dizer não. ― Os dois favoritos parecem ser Penn State e Ohio. Você não podia, pelo menos, dizer-nos a qual te inclina mais? O pensamento de Becks ir tão longe me fez sentir doente e, em seguida, irritada por me sentir assim. Mesmo se Becks decidisse sobre Penn, que é uma grande distância de Duke, não importa como você se sinta, como sua amiga, como sua melhor amiga, eu deveria apoiá-lo, certo? Certo? Becks na TV sacudiu a cabeça. ― Ambas têm grandes equipes e treinamento. Cada faculdade que eu ouvi. Tudo o que posso dizer é isto: eu estou procurando algo extraordinário. Uma faísca especial que nenhuma outra faculdade tem. Isso que fará tomar a minha decisão. ― Bem, aí está senhoras e senhores. ― Pinkerton pegou a bola e correu, visto que não lhe daria mais detalhes. ― Será essa que tenha a faísca especial, que conseguirá que Becks Kent atravesse a porta. Nós vamos ter a resposta para qual faculdade, em duas semanas. Quando eles foram para o comercial, apaguei a TV. Tentando parecer despreocupada, mas sentindo outra coisa, eu repeti as palavras de Pinkerton. ― Então, Becks, ― eu disse para o silêncio do outro lado. ― Onde é que vai ser? ― Nós conversamos sobre isso, Sal. ― Eu não podia vê-lo, mas eu sabia que ele estava balançando a cabeça. ― Mas Becks... ― Você vai descobrir quando todo mundo fizer. ― Mas eu sou a sua melhor amiga, ― eu protestei. ― Sim. ― Becks disse. ― E você prometeu que não iria me importunar sobre isso. ― Eu só não vejo por que eu tenho que esperar, ― eu disse. ― Pelo menos me diga isso. Você tomou sua decisão? ― Eu tenho uma ideia. ― Becks disse, o que não me disse nada. ― Ainda não recebeu a sua carta de Duke? ― Que maneira de mudar de assunto, e não. Eu não ouvi. ― Você vai entrar. Eu forcei uma risada. ― Não tenha tanta certeza. ― Seria preciso um milagre. Mamãe estava só e tinha uma renda média, e eu precisaria de uma bolsa. Eu trabalhei em minhas amostras de escrita com meses de antecedência, editando-a, aperfeiçoando-a, até que tudo brilhava. O problema era que eu não era a única se aplicando para a especialização em

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escrita criativa com nada além de alguns clubes, boas notas e um sonho para o seu nome. ― Você vai, ― disse Becks. ― Eu sei que você vai. Você vai entrar e escrever seu primeiro best-seller. Eu joguei junto. ― E você estará em um campo de futebol em algum lugar, ganhando a sua terceira Copa do Mundo. ― E nós ainda vamos ser amigos, ― acrescentou Becks. ― Apesar de tudo, não importa onde estejamos, não importa o que aconteça, nós sempre seremos amigos, Sal, certo? Pensei em como eu o beijei, como ele me beijou de volta. Pensei em como ele segurou minha mão, esteve lá sempre que precisei dele, o poema que eu nunca soube que ele tinha escrito, até poucos dias atrás. ― Certo? ― Becks insistiu. ― Certo ― eu me engasguei. ― Becks, eu tenho que ir ok? ― OK. Noite, Sal. ― Noite. Eu desliguei completamente derrotada. Fazia menos de três semanas, mas eu não poderia continuar fazendo isso. O plano namorado falso era bom na teoria, mas na prática eram mais problemas do que eu poderia segurar. O caos que estava causando em meu coração era demais. Alguma coisa tinha que ser feito e rápido. Becks entenderia. Ele provavelmente estaria aliviado, poderia até me agradecer por isso. Amanhã, eu decidi. Sonserina ou não, eu iria fazê-lo amanhã. O que eu precisava descobrir era a melhor forma de fazê-lo.

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CAPÍTULO 11 Becks não estava feliz. ― Que diabos, Sal? Correção, Becks estava chateado. Quando me aproximei, ele ficou trancado em sua posição contra meu armário, com as pernas rígidas, uma careta estranha em seu rosto. Eu só vi isso em raros momentos em que ele falhou em um teste, o que quase nunca acontecia ou perdia um jogo. Essa expressão tinha estado afastada por mais de um ano, mas estava claramente em exibição, hoje. Eu decidi jogar de tonta. ― Como vai, Becks? ― Perguntei. ― Seu tornozelo está melhor? ― Meu tornozelo está bem, ― disse firmemente. ― E eu também estava até dez minutos atrás. ― Sério? ― Eu estava com olhos para baixo, dando pouca atenção à minha combinação. Com Becks respirando no meu pescoço, eu já tinha errado duas vezes. ― Umm, você sabe por quê? Terceira vez abriu e revolvi para pegar meus livros e para sair o mais rápido que pudesse. ― Não faz ideia, não é? ― Becks se inclinou mais perto, sua voz um sussurro macio. ― Bem, agora vamos ver. Minha namorada acabou de terminar comigo e você sabe o quê? Ela nem sequer teve a coragem de fazer isso na minha cara. Muito ruim, certo? ― Fingindo, ― eu disse, batendo meu armário fechado. Com uma voz tão tranquila, eu o enfrentei e disse: ― Fingindo ser namorada, Becks. Nós estaríamos acabando com isso em duas semanas, de qualquer maneira. Qual é o problema? Ele olhou para mim e, então, ergueu seu telefone. ― Um texto, Sal? Eu vacilei. ― ‘Namorado falso o plano não está funcionando. Quero romper antes. Sou eu, não você’. ― Becks recitou a mensagem, como se eu pudesse ter esquecido. Como se. Eu olhei para minhas mãos. Elas tinham tremido por um minuto inteiro, depois de ter

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apertado enviar. ― Então? ― Seu tom de voz, seus olhos, exigia uma explicação. Eu não tinha uma ou pelo menos não uma que eu estivesse pronta para lhe dizer, em vez disso eu disse: ― Eu não quero segurar você. ― O que? ― Como você disse, há uma abundância de meninas lá fora. ― Dei de ombros e comecei a andar. ― No jogo, eu percebi quantas mais. A escola vai acabar em breve. Não é certo eu tirar vantagem de você assim. ― Mas você sabia desde o início, ― disse ele, tentando manter o ritmo. Eu ajustei meu passo, tendo em conta o seu tornozelo machucado, embora tudo o que eu realmente queria fazer era correr. ― E eu a deixei tirar proveito. O que mudou? Hmm, vamos ver: eu percebi que era uma má amiga, uma manipuladora e uma Sonserina. Nós mentimos aos nossos pais. Você escreveu esse poema. Nós nos beijamos. Um monte de coisas tinha mudado, mas eu não podia dizer nada disso para Becks. ― Hey Bally, ― disse Rick Smythe, dando a Becks um high five20 quando passamos. ― Vou pra UCLA meu amigo. Vamos Bruins21! Becks assentiu, mas seus olhos estavam em mim. ― Bally, ― alguém gritou: ― Ohio é o caminho a percorrer, cara! ― E aí, Bally. ― Trent Zuckerman deu as bochechas de Becks um apertão com as duas mãos, sorriu para mim, em seguida, seguiu o seu caminho. ― Do que é que eles estão chamando você? ― Eu murmurei. Estávamos quase à porta da senhora Vega. Se eu pudesse mantê-lo longe até lá, talvez ele desista. ― Nós, ― disse ele. ― Não eu, nós. Não se lembra do nome de casal de Clayton? ― Não me diga, ― eu gemi. ― Aparentemente Bally está se impondo. ― Ele puxou meu braço quando chegamos à porta. ― Sal, eu preciso que você me diga o que aconteceu. Algo está errado? A preocupação em seu rosto me desfez. Puxando-o um pouco fora do corredor, eu respirei fundo, sem saber o que eu ia dizer exatamente, mas antes que eu pudesse falar, Becks fez a pergunta mais ridícula. ― Foi algo que eu fiz? ― Perguntou. ― Algo que eu disse? 20 21

Forma de se cumprimentar com as mãos que significa “toca aqui”. Grito de guerra da UCLA.

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― O que? Não. ― Fiquei surpresa. ― Você não fez nada. Era só questão de tempo. ― É ele? Seu cara finalmente abriu os olhos? ― Eu não estou entendendo. ― Nossa, eu tenho que dizê-lo? Sal, você está me deixando pela concorrência ou o quê? Ah, pensei com clareza súbita. Minha paixonite de mentira. Eu teria rido de sua expressão carrancuda, se eu não me sentisse como um idiota total por colocá-lo nessa situação. Bem, isso explica a amargura, o que era realmente muito irônico, porque a única competição que Becks tinha, era ele mesmo. ― Ouça. ― Eu tomei seu rosto entre as mãos, muito mais suave do que tinha visto Zuckerman fazer, e olhei-o nos olhos. Eu lhe devia muito. ― Não é nada disso. Não há concorrência, Becks. Eu nem penso que eu gosto dele mais. Mentirosa, mentirosa. Minha mente disse mais e mais, mas desde quando eu a escuto? Esses dias senti que eu nasci para mentir. ― Eu apenas estava me sentindo tão culpada, ultimamente, ― eu continuei. ― Isso é tudo. ― Pelo menos a maior parte. ― Mas Sal, ― disse ele, usando o mesmo tom razoável. ― O trato foi de um mês. Você mesmo disse isso, não vai ser tão crível, do contrário. Além disso, você realmente acha que as pessoas vão acreditar? Que se separou, assim, sem uma boa razão? Porque eu não. Nós fizemos nosso trabalho muito bem. Pessoas amam nos ver juntos. Como para reforçar suas palavras, a morena bonita do jogo de terça-feira, caminhou até nós e entregou a Becks um envelope rosa. Com um sorriso brilhante, ela me disse: ― Sem ressentimentos, ok? Cara, você está com sorte. O sorriso que eu dei de volta deve ter realmente feito uma impressão, porque a menina deu um passo para trás. Bom, pensei. Como Hooker disse, trazendo sua proposta a Becks, em seguida, tentando chamar sua atenção no meio de um jogo. Quer dizer, quem faz isso? ― Sim, eu sou. ― Eu deixei cair minhas mãos, mas fiquei perto. Eu não quero dar-lhe muito espaço. Ela pode tentar tirar sua camiseta sobre a cabeça, esperando que Becks' me deixe por seus bonitos dentes e excessivo busto. Sim, hoje não, querida. ― E eu não sou um homem. ― Oh, eu sei que não, ― ela riu nervosamente. ― Eu só queria ter certeza de que vocês tivessem seu convite. O próximo sábado, festa na minha casa, comemoramos após a vitória. Até mais, Bally. Espero que possam fazê-lo. Com isso, ela se virou sobre os calcanhares e correu para longe. Foi um toque

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agradável, adicionando nosso nome de casal, mas não havia dúvida que o convite e o olhar de paquera, que ela jogou por cima do ombro, para quem era. ― Você é muito boa nisso. Assustada, eu olhei de volta para Becks. ― Boa em que? ― Jogar de namorada ciumenta, ― disse ele, os olhos apertados. ― Se eu não a conhecesse bem, eu diria que você estava realmente com ciúmes. Eu forcei um sorriso. ― Bem, tecnicamente, você ainda é o meu namorado, tanto quanto ela sabe. Ele estudou o meu rosto e eu estava com medo que poderia ter chegado muito longe. Tentei não me inquietar. Finalmente, Becks passou a mão pelo cabelo e disse: ― Sal, isso não vai funcionar. ― O que não vai? ― Perguntei. ― Eu não vejo por que não poderíamos simplesmente mantê-lo. Isso só seria mais duas semanas, antes de terminar. Se Mercedes está nos pedindo para ir a uma de suas festas, isso é... ― Espere, ― eu disse. ― Seu nome é Mercedes? Como o carro? Becks assentiu. ― Sim, ela é do último ano, também, acaba de ser transferida este ano. Ela prometeu dar uma festa para cada vitória das regionais. ― Quanta generosidade. ― Me incomodou quanto Becks sabia sobre ela. O sinal soou. ― Escute Sal, ― disse Becks. ― Nós temos que fazê-lo grande e público. Essa é a única forma que alguém vai acreditar na nossa ruptura. Vamos apenas mantê-lo até a festa de Mercedes. ― Mas... Ele tocou minha mão e eu o observei sacudir a cabeça. ― Vai ser o lugar perfeito. Confie em mim. Além disso, vai ser mais fácil para as pessoas envolvidas. ― Mas e se você quiser que... ― Vamos falar sobre isso mais tarde, ok? ― Ele baixou a cabeça para me olhar nos olhos. ― Não há mais término por meio de mensagem de textos, está bem? Relutantemente, eu assenti. Adivinha? Becks não gostava de ser abandonado por telefone, até mesmo por namoradas falsas. ― Tudo bem, mas vamos conversar. Como eu

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disse Becks, eu não quero prender você. ― Você não está. ― Ele sorriu, apertou minha mão, em seguida, correu para longe. Talvez ele esteja certo, eu pensei, caminhando para a primeira aula. Soltar isso assim, pode não ter sido a minha melhor ideia. O texto tinha sido definitivamente um erro, mas estava saindo rápido e sem me machucar. ― Problemas no paraíso? Hooker estava me esperando na porta. ― Não, ― eu disse, passando por ela e ela me seguiu. ― Becks apenas foi convidado para uma festa. ― Oh. ― Hooker levantou seu próprio envelope rosa. ― Quer dizer esta? Mercedes foi quem apresentou o cartaz, certo? ― Sim, ― eu murmurei, lembrando o olhar que ela tinha dado a Becks. Isso faria com que pelo menos uma garota desfrutasse do nosso grande término. Ela provavelmente o abordaria antes mesmo que deixasse a festa. ― Sabe o que isto significa? Suspirei e balancei a cabeça. O sorriso de Hooker aumentou. ― Tem sido um tempo desde que nos apresentamos Spitz. Eu estou pensando que esta seria a oportunidade perfeita para tirar o velho Stetson. Meu humor levantou. ― Você acha? ― É tradição. ― Havia um brilho estranho em seus olhos, agora. ― Além disso, é o último ano. Nós temos que fazer isso. Eu podia sentir meus olhos brilhando, também. ― Que cena? ― Você sabe que cena. Eu sabia. ― Você se lembra da sua parte? ― Perguntei, sorrindo. Ela revirou os olhos. ― Você? ― Eu sim, ― eu disse, assim que o sinal tocou e senhora Vega chamou o nome de Hooker. ― Ótimo. ― Hooker disse, levantando. ― É melhor estar preparada, Spitz. A última vez antes da formatura, precisamos fazê-lo bem.

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O pensamento me fez sorrir ao longo da aula de Alemão. À medida que os dias passavam, porém, até mesmo a ideia de estragar a festa de Mercedes, não conseguia manter meu ânimo. Todos, mesmo os professores, mantinham Becks ocupado, dizendo-lhe que faculdade ele deveria escolher, onde ele deveria ir. A maioria delas era tão longe; que isso me dava vontade de chorar, ou socar alguém. Quando o Sr. Pulaski sugeriu que Becks jogasse no exterior, eu considerei seriamente dar-lhe cinco em toda a face. Se o nosso plano era facilitar para as pessoas sobre a ideia de não estarmos juntos, ele estava fazendo com que fosse difícil. Realmente difícil. Eu não conseguia entender. Sempre que eu ia trazer o assunto de nosso rompimento, somente trocava de assunto e dizia: ― Como eu disse, grande e pública. Podemos falar sobre isso mais tarde. Mas nunca o fez. Pior, depois da nossa conversa, Becks tinha elevado seu jogo namorado falso à enésima potência, pegava mais em minha mão, mais beijos sob a orelha. Ele me levou ao cinema, para jantar, me convidou para ir a sua casa, veio para assistir TV na minha. Nada disso era novo. Nós tínhamos feito todas essas coisas por anos, mas havia uma diferença enorme. Ele estava sempre me tocando de alguma forma, minha mão, minha cintura, minha cara. Não era que eu não gostasse. Não havia um nervo no meu corpo que não respondesse a ele. Ele não tinha ideia do que esses pequenos toques faziam para mim e esse era o problema. Isso não significava a mesma coisa para Becks. Ele estava jogando uma parte, e ele estava gostando demais. Uma pessoa só poderia suportar alguns toques de Becks, antes de sua mente voltar-se para o lado negro. A ideia de manter Becks como meu namorado falso para sempre, já havia passado pela minha cabeça. Precisávamos acabar com isto. Já. Hooker me ligou sábado para refrescar minha cabeça. ― Praticou? ― Não precisa, ― eu disse, puxando o último rolo do meu cabelo. Eu tinha ido para o cabelo sexy, novamente. Se eu estava rompendo com Becks, eu, pelo menos, queria parecer bem ao fazê-lo. Ela bufou. ― Eu também. Cicero está vindo para me pegar em poucos minutos e, então, vamos passar por cima. Mercedes não vai saber o que a atingiu. Enrolei minha carteira em volta da minha cintura e meti meu pó preto. ― OK. Eu te vejo lá. ― Esteja pronta. ― Hooker advertiu. ― Não quero que nos vejam parecendo estúpida ou qualquer coisa pelo estilo. Agarrando o meu Stetson, eu não poderia deixar de sorrir diante disso. ― Não se preocupe. Eu estarei pronta.

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― Você vai usar o bigode? ― Não, você vai? ― Claro. Tem medo que Becks te deixe, se ele vê cabelo crescer em cima de seu lábio? ― Não, ― eu disse, tomando uma respiração profunda. Nosso ato não era o único esta noite. ― Vejo você mais tarde, Hooker. ― Estarei esperando. E não se esqueça a sua pistola. Tomei nota, ela desligou. Mamãe me parou na cozinha. ― O que é essa roupa? Você e Hooker...? ― Sim, ― eu disse. ― É a nossa última vez antes da formatura. ― Vocês duas se divirtam. ― Ela balançou a cabeça, olhando-me. ― E Becks vai, também? Engoli em seco. ― Ele está vindo. ― Será que ele sabe o que vocês estão planejando? ― Ainda não. ― Bem, diga a ele que eu disse oi. ― Ok, mãe. ― Ela ainda estava me olhando com diversão. Deus, eu sabia que não deveria ter aplicado essa camada extra de rímel. ― Eu pareço ruim ou algo assim? ― Não. ― Mamãe balançou a cabeça, um pequeno sorriso em seus lábios. ― Você parece ótima. Apenas certifique-se que Becks mantenha suas mãos quietas. Eu não me importo quantos anos tenha ou como teu cabelo faz você parecer. Você ainda é meu bebê. Mamãe, obviamente, não era uma fã de cabelo sexy. ― Eu não estou pronta para ser avó, ainda, ― acrescentou. ― Mesmo que Becks seja um menino bom. ― Amo você, mãe. ― Eu acenei enquanto eu caminhava para fora da porta, sentindome culpada. Felizmente, ela ainda acharia que Becks era um bom rapaz, depois que terminássemos. Nós tínhamos decidido nos reunirmos na casa de Becks e ir para a festa juntos. Quando estacionei em sua garagem, sentei-me no carro um segundo, depois de desligar o motor. Eu não sabia como iria romper com Becks, se ele tinha um plano ou não. Mas o dia estava aqui. Após esta festa, Becks e eu não seríamos namorado e namorada falsos. Somente voltaríamos a ser amigos, novamente. Considerando todo o estresse que eu estava sentindo,

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o pensamento deveria me fazer feliz, mas isso não aconteceu. Clayton me encontrou na porta. ― Oh meu Deus, ― ele engasgou, sorrindo, mão no peito. Seus olhos estavam colados ao meu Stetson, o sorriso no rosto esticado de orelha a orelha. ― Eu acho... Eu acho que estou... Com um... Ataque cardíaco. Eu levantei minhas sobrancelhas e ele riu um pouco mais. ― Sally, você tem que parar de vir por aqui nesses trajes. ― O rosto de Clayton estava beterraba enquanto ele tentava se conter. ― Eu estou amando esse cabelo, no entanto. Becks contornou Clayton. Ele deu uma boa olhada em mim e suspirou. ― Isso é porque ela é linda, e você é um pervertido. Vamos, Sal. Deixei que ele me levasse para o carro, mal ouvindo os protestos de Clayton. Tinha Becks realmente me chamado de linda? Eu teria que começar arrumar meu cabelo assim mais vezes. Nós não falamos muito a caminho da casa de Mercedes. Becks ficou olhando para minha roupa e balançando a cabeça, mas eu ainda estava desconectada, devido seu último comentário. Quando finalmente chegamos a sua rua, a casa era inconfundível. Ela tinha sido decorada em flâmulas verdes e brancas, e a fila de carros estacionados em torno da mansão. CHS tinha ganhado, é claro. Mesmo com Becks fora, eles tinham jogado bem e Ash os levou a uma vitória de 3-1. ― Pura sorte. ― Disse Becks, subindo os degraus gigantes de dois andares. A porta estava aberta, então, você poderia ouvir a música até aqui. ― Se Stryker estivesse prestando atenção, eles nunca marcariam, em primeiro lugar. ― Eu pensei que você disse que ele fez bem. ― Bem, ― ele repetiu. ― Não é bom. Agora, você e Hooker realmente vão fazer isso? Mais uma vez? Parei e me virei para encará-lo. ― Nós não conseguimos fazer isso por quase dois anos. ― Eu sei, mas por quê? ― Por que não? ― Retruquei. Recuando, estendi meus braços. ― Como estou? Sorrindo, ele estendeu a mão e puxou o Stetson de forma mais segura na minha cabeça. ― Você está ótima e você sabe disso, Sal. Elogio número dois. Esta noite estava ficando muito melhor do que eu tinha previsto. Quando entramos, Becks foi recebido na forma habitual. Todo mundo queria dizer oi e dar-lhe tapinhas nas costas. Embora ele tivesse que sentar no banco, todo mundo sabia que a

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equipe não teria chegado aonde eles chegaram sem Becks, e ele estaria de volta para o próximo jogo. ― Oh meu Deus! ― Mercedes apareceu, cabelos longos ondulando em uma brisa invisível, usando um vestido verde apertado, que parecia pintado. ― Estou tão feliz que vocês puderam vir. Tendo Bally aqui está indo para torná-lo muito mais épico. Deixando de ser chamado Bally, eu a corrigi mentalmente. Antes que eu pudesse me recuperar, a música parou abruptamente e ouvi uma voz atrás de mim. ― Beeem, ― ela falou lentamente, chamando a atenção de todos na sala. ― Eu não achei que você tinha isso em você. Lentamente, eu me virei, dizendo a fala que disse todos os dias. ― Eu sou seu Huckleberry. Hooker fez uma careta, ampliando os olhos comicamente. Eu sorri. Sua reação foi perfeita. O casaco preto empoeirado, o cinto vermelho com a arma em seu quadril, o bigode, seu sotaque, tudo estava impecável. Nós estávamos no papel, ambas queríamos fazer este último no estacionamento. Mercedes estava equivocada. Bally não faria essa festa épica. Doc Holliday e Johnny Ringo estavam aqui para ter um duelo até a morte, e eles estavam prestes a roubar o show.

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CAPÍTULO 12 Hooker nunca tinha morrido melhor. À medida que descia asfixiando e gemendo, ela se fez cair aos pés de Mercedes, quase puxando a outra menina para baixo, no processo. Nossa anfitriã parecia como se fosse desmaiar. Quando terminou, após Johnny Ringo (Hooker) ter tomado seu último suspiro e Doc Holliday (eu) dizer a última fala "não ser nenhum tipo de margarida" – houve um momento de silêncio. Hooker e eu não nos importávamos. Fizemos uma reverência e metade da sala explodiu em aplausos, a outra metade parecia como "Que diabos?" Tombstone22 estava na TV o tempo todo, mas a maioria deles não tinha visto isso. ― Cara, eu amo Tombstone. ― Trent Zuckerman foi um dos poucos que tinha. ― Foi como o melhor filme de sempre. Você fez muito bem, Lillian. ― Obrigada, ― disse Hooker, que retirava seu bigode. ― Eu quero dizer realmente bem. ― Trent disse, em seguida, tentou um sotaque sulista. ― Eu sou seu Huckleberry. Cara, isso foi incrível. Vocês duas são como lendas. Hooker e eu olhamos uma para a outra. Ele soou parecido a um menino de Cali, e ele nem sequer conseguiu dizer a fala direito. ― Eu tenho que ir encontrar Cicero. ― Hooker riu, virando-se para ir embora. ― Bom trabalho, Doc. Eu sorri. Cicero era o mais recente brinquedo de Hooker, um estudante de transferência grego. ― Você também, Ringo. Trent se moveu para segui-la, chamando: ― Ei, Lil, espere! Parecia que Zuckerman tinha uma queda. Eu me perguntava se era o cabelo facial ou a fala arrastada de Hooker que fez isso. ― O que há com esse filme? ― Quando olhei para trás, Becks estava balançando a cabeça, olhando para Trent com uma careta. ― Eu não entendo. Eu dei um tapinha no ombro. ― Tudo bem. Não é nada contra você. ― Sal, eu sei que você tem uma queda por aquele cara Kilmer, mas esse filme é uma porcaria. É por isso que ninguém o viu. ― Não, ― eu argumentei, pegando minha mão de volta. ― As pessoas ainda não viram, porque essa é a definição de um clássico cult. Val estava impressionante como Doc Holliday, e as falas no filme foram surpreendentes. 22

Filme sobre velho oeste, de 1993.

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― Mas ele é velho. ― Becks reclamou. ― Ele é um grande ator. ― Sim, mas ele tem como três vezes a sua idade. Eu dei de ombros. Val era Val. ― O que há com você e os caras mais velhos? ― Ele sorriu. ― Primeiro o cara Lúcius, então Kilmer? Eu estou vendo um padrão aqui, Sal. Minhas bochechas preencheram com calor. Eu sabia que nunca deveria ter dito a ele sobre a minha paixão por Lucius. ― Não é a sua idade. ― Então, o quê é? ― Perguntou. Eu joguei o meu embaraço e levantei meu queixo. ― Talvez eu só tenha uma coisa por caras com sotaques. Ninguém faz um sotaque sulista sexy como Val. ― Então, é a voz, hein? ― Becks ergueu as sobrancelhas e sorriu. Em uma perfeita imitação de Doc, ele disse: ― Eu sou seu Huckleberry. Eu fiquei boquiaberta. ― Como foi? ― Quando eu não disse nada, ele inclinou a cabeça. ― Sal, você está bem? Não foi tão ruim, foi? Estava perdida. Ele não poderia saber. Era uma das poucas coisas que eu nunca disse a ninguém, nem mesmo a ele. Minha voz tinha desaparecido no momento em que falou as palavras. Era a minha frase favorita de todo o filme e ele tinha feito isso tão bem, muito bem. Mesmo que não foi utilizado romanticamente no filme, o sentimento sempre soou como uma promessa para os meus ouvidos. Eu sou seu Huckleberry. Eu sou a pessoa que você está procurando. Eu sou. Para. Você. Eu sempre sonhei com alguém dizendo para mim. Se eu não tivesse me apaixonado antes, essas palavras vindo de seus lábios teriam me feito apaixonar. ― Sal? Forçando um riso, coração na minha garganta, eu disse: ― Perfeito. Isso foi... Sim, perfeito. ― Fico feliz que você aprove. Eu estava com medo que se eu ficasse, veria o quanto eu aprovava. O brilho em seus olhos já dizia que fazia. ― Eu preciso de uma bebida. Você quer uma? Eu não esperei por uma resposta. Fazendo um caminho mais curto para a mesa de comida, eu peguei uma garrafa de água e bebi. Becks ofuscou qualquer outro cara que eu conheci, e agora ele havia batido Val

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em seu próprio jogo. Era triste, mas Doc Holliday não podia com ele. Agora, sempre que eu assistisse ao filme, seria a voz de Becks que ouviria, não Kilmer. Tomei outro gole de água. Quando Pisszilla, sorrateiramente, se pôs por trás de mim, eu quase engasguei. ― Ele não lhe contou ainda? ― Virei-me para encará-la, os olhos lacrimejando. ― Precisamos da história, Spitz. Se pudermos consegui-la em primeiro lugar, ele vai colocar os nossos papeis no mapa. ― O que? Ela revirou os olhos. ― Becks, a que faculdade irá? Você é a namorada dele, então, ele deve ter dito a você, certo? Eu balancei a cabeça. ― Não, eu perguntei, mas ele se recusou a dizer. ― Bem, faça-o dizer. ― Como? ― Meu Deus, Spitz, está lenta ou algo assim? ― Ela me cutucou no peito com uma de suas garras afiadas. ― Use seus artifícios femininos para que te diga. Eu pisquei. ― Femininos o quê? ― Diga-lhe que você não vai ter relações sexuais com ele, a menos que ele te diga. ― Nós não... Quer dizer, Becks e eu nunca... ― eu gaguejava. ― Bem, agora, isso não parece justo. ― Ash se meteu entre nós e pegou uma garrafa. Olhando para o meu rosto, ele acrescentou ― Spitz não é o tipo de garota que faz algo assim, para se meter na cabeça de um cara. ― Não há nada para fazer, ― eu disse entre dentes. ― Nesse caso... ― Ele se virou para a nossa editora do mal. ― Priscilla, eu acho que você vai ter que vir com um novo plano. Parece que ela e Becks ainda têm de passar para a ação. Bochechas quentes, eu olhei para os dois. ― Isso não é da sua conta. ― Eu não me importo como você vai fazer isso. ― Priscilla zombou. ― Apenas consiga a informação. Eu quero antes de mais ninguém, entendeu? Ela sacudiu sua juba loura sobre o ombro e se afastou, os saltos clicando fortemente contra o piso de madeira. ― Parece que ela realmente quer a história, ― disse Ash.

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Eu olhei para ele. ― Bem, eu também. Becks só não vai me dizer. ― Não disse a qualquer um de nós na equipe, também. Eu acho que Crenshaw pode ser puxando para Penn. ― Hmm, ― eu disse, sem se comprometer. ― Sabe para qual universidade você estará indo? ― Não, ainda não. Você? Ash sorriu. ― Eu ainda tenho mais um ano para pensar sobre isso. ― Oh sim, eu esqueci, ― eu disse, sorrindo. ― Você ainda é um júnior. Aproveite este momento, enquanto você pode jovem. Você vai ser um adulto em breve. Ele balançou a cabeça, mantendo os olhos nos meus. ― Eu não sou tão jovem. ― Pois bem, ― eu provoquei. ― Comparado a mim, você é praticamente um bebê. ― Você sabe, eu sempre tive uma queda por mulheres mais velhas. Não era o que ele disse, mas o olhar que ele me deu que me fez corar. Ash apenas sorriu. ― Você é tão fácil, Spitz. Eu ri de mim mesmo. Claro, ele estava apenas brincando. Caras não me veem assim e o único que eu queria, estava atualmente do outro lado da sala, sentado no sofá, tendo as bochechas friccionadas por uma fila de pessoas, que tinha se formado em algum momento, depois que me fui. Era como se estivesse em um zoológico e Becks fosse a principal atração. Ash seguiu o meu olhar. ― Será que ele realmente acha que isso funciona? A coisa de não se barbear? ― Acho que sim. ― Eu dei de ombros quando um cara tomou um passo mais longe e colocou um beijo apaixonado em sua bochecha. Se Becks balançasse dessa forma, eu poderia ter ficado preocupada. Ele era um cara muito bonito. Como foi, eu sorri quando Becks tentou não parecer muito desconfortável. ― Ele é um grande jogador, mas ele, também, é supersticioso. Três dias antes de um jogo significa sem se barbear. ― Isso é simplesmente estúpido. Mudei meus olhos para os dele. ― Vocês ganharam ontem, não foi? ― Sim, ― disse Ash. ― Porque nós somos bons, não por causa de alguma barba estúpida. ― Tentei dizer isso a ele. ― Acho que você e eu somos os únicos que pensam assim. ― Ele apontou para onde

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Becks sentou. ― Todo mundo parece acreditar. Olhei e vi Mercedes sentada no colo de Becks. Ela estava correndo a mão pelo cabelo e olhando profundamente em seus olhos, pressionada contra seu peito, em seu vestido demasiado apertado. A visão me fez furiosa. Quem ela pensava que era? ― Parece que alguém está tentando roubar o seu homem, Spitz. É melhor correr para lá e reivindicar o que é seu. A raiva em meu peito secou, fixando-se em meu estômago como um peso morto. Becks não era meu, não realmente, apenas para fingir. Em algum ponto esta noite, depois do nosso rompimento, ele não seria sequer isso. ― Ele não é meu homem, ― eu disse com tristeza. Ash não pareceu convencido. ― Ele não é? Eu balancei a cabeça. ― Bem, ele está te olhando como se fosse. Olhando com atenção, eu vi que Ash estava certo. Becks estava olhando para mim do outro lado da sala, o rosto ilegível. Enquanto ele ficava em pé, Mercedes se agarrou ao seu pescoço e eu decidi fazer um descanso. ― Até mais, Ash, ― eu disse e caminhei rapidamente através da multidão de pessoas e entrei na primeira porta que vi. Era um banheiro, o perfeito esconderijo. Coloquei o bloqueio e olhei ao arredor. Parecia uma daqueles banheiros sofisticados que você encontraria em um restaurante caro. Sério, havia uma pequena espreguiçadeira, duas cadeiras, WC, chuveiro, banheira de hidromassagem, hortelã, perfumes, sabonetes, géis e loções, qualquer coisa que você precisasse. Uma pessoa poderia viver no banheiro de Mercedes e eu estava indo fazer exatamente isso, pelo menos por um tempo. Eu já tinha lavado meu rosto, usado alguma loção suave como seda e comido cinco balas de menta, quando bateram na porta. ― Ele está ocupado, ― disse, colocando outra menta em minha boca. ― Sal, sou eu. Posso entrar? Com os olhos arregalados, eu cuspi a menta de volta, deixando-a cair no lixo. Quando eu abri a porta, Becks estava ali de pé, encostado ao umbral. ― Sim? ― Eu disse.

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― O que você estava fazendo aí dentro? ― Espiando por cima, os olhos de Becks se arregalaram. ― Uau, isso é um poderoso banheiro. Cruzei os braços. ― Você quer alguma coisa? Toalha, desinfetante para as mãos, hortelã? Ele olhou para mim. ― Eu só queria ter certeza de que estava tudo bem. Você correu aqui muito rápido. ― Eu estou bem, ― eu disse. ― Onde está a Mercedes? Parece que ela poderia querer algo com você, depois que nós terminarmos. ― Sim, não está brincando, ― disse ele. ― Essa menina é implacável, Sal. ― Essa é uma boa maneira de colocá-lo, ― eu murmurei. ― Implacável, ― repetiu ele. ― Você está com raiva de mim ou algo assim? ― O que te faz dizer isso? ― Você está me olhando duro, o suficiente para queimar um buraco no meu peito. ― Estou? ― Sim. ― Becks disse, levantando meu queixo. ― Está. Eu tentei parecer indiferente, mas não acho que consegui. A imagem de Mercedes sentada no colo dele ainda estava lá, brilhando claramente na minha cabeça. Eu não podia deixar de ficar brava com ela pelo que tinha feito e Becks pelo o que ele não fez. ― Você sabe, não é minha culpa se Mercedes sentou no meu colo. ― Sim, mas você poderia tê-la tirado de cima. ― Eu fiz. Você apenas correu muito rápido para vê-lo. ― Não de imediato, no entanto. Becks sacudiu a cabeça, passando a mão ao longo de sua mandíbula sem barbear. ― Eu só não queria ferir seus sentimentos, Sal. O que posso fazer para torná-la feliz? Eu não disse nada. Provavelmente era verdade, mas era uma desculpa esfarrapada. ― Tem que ter algo que você queira, ― ele persuadiu. ― Eu farei qualquer coisa. Eu o olhei com os olhos apertados. ― Isso é uma grande oferta. ― Quero dizer, Sal, o que quiser. ― Ele ergueu as mãos. ― Só, por favor, pare de olhar para mim desse jeito.

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― Ei, vocês quase terminaram? Eu realmente preciso usar o banheiro. Rick Smythe estava fazendo o que gostava de chamar a dança do xixi, pernas apertadas, de pé atrás de Becks, pulando de um pé para o outro. Eu soube, então, o que eu queria. Virando-me, peguei uma toalha e um par de coisas do balcão, em seguida, sai do banheiro. ― É todo seu ― eu disse. Rick disse: ― Obrigado, Bally, ― bateu com a mão na bochecha de Becks e gingou para dentro, fechando a porta atrás dele. ― Decidiu o que você quer? ― Perguntou Becks. Eu balancei a cabeça, sorrindo largamente. ― Siga-me para a cozinha, por favor. ― Tem certeza que não quer pensar sobre isso um pouco mais? ― Não. ― Isso foi rápido. ― Becks murmurou. ― Para que essa navalha? Devo ficar nervoso? ― Um pouco de medo nunca fez mal a ninguém, ― respondi, fazendo-o sofrer. As pessoas estavam entrando e saindo, mas a cozinha estava quase vazia. Todos os alimentos para a festa, a música, a dança estavam na sala de estar, por isso, ninguém ficava aqui por muito tempo. A cozinha era como tudo na casa: enorme, escancarado, e um pouco desagradável. Olhando em torno de um lugar para sentar, havia apenas duas opções, a mesa de jantar ou na bancada. Imagino que Mercedes recolheu todas as cadeiras antes da festa. Dado que me colocaria ao lado da pia, eu escolhi a bancada. Becks era muito mais alto, por isso, também, iria ajudar a compensar a diferença de altura. ― Sal, o que você está fazendo? ― Becks observava enquanto eu tentava subir. Eu estava na minha terceira tentativa. ― O que lhe parece? ― Eu bufei, saltando e deslizando de volta para baixo. Pensando bem, talvez isso não tivesse sido uma boa ideia. Pessoas ricas e estúpidas e suas bancadas altas estúpidas. Ele suspirou, se aproximou e agarrou minha cintura. Engoli em seco quando ele me levantou e me colocou sobre o balcão na primeira tentativa, como se eu pesasse nada. Eu estava certa. Altura já não era um problema. Na verdade, com as mãos de Becks ainda em minha cintura, eu estava apenas alguns centímetros de distância de seus belos olhos, olhando diretamente para eles, atraindo-me. Eu me peguei me inclinando mais perto, e me afastei.

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― Obrigada, ― eu disse, olhando para outro lado, pegando o creme de barbear como uma tábua de salvação. ― Você disse qualquer coisa, certo? Becks assentiu. ― Eu fiz. ― OK. Então eu quero te fazer a barba. ― O que? ― Ele deixou cair as mãos, parecendo horrorizado. Eu balancei a cabeça em seu rosto. ― O seu rosto. ― Deus, ― disse ele, ombros caídos. ― Não me assuste assim, Sal. ― O que você achou que eu quis dizer? ― Eu ri. ― Sua cabeça? Ele assentiu. ― Você estava parecendo muito chateada. ― Não, eu adoro seu cabelo demais para isso. ― Becks ergueu os olhos rapidamente e eu ri. ― Então, você vai me deixar fazer isso? Raspar sua sagrada barba? ― Você realmente não gosta dela, não é? Eu esperei. ― Claro. ― Becks deu de ombros. ― Por que não? Não há outro jogo até a próxima semana. A sorte seguirá, se eu não raspar, novamente, depois de quarta-feira. Verti um pouco de creme em minhas mãos e espalhei delicadamente através de suas bochechas. ― Não tem nada a ver com sorte, Becks. Você iria ganhar mesmo sem isso. ― Mas por que arriscar? Eu balancei a cabeça, lavei minhas mãos, em seguida, enchi uma bacia com água, colocando-a ao meu lado. ― Odeio que você não possa ver como você é talentoso. Por que você não acredita em mim? ― Eu quero Sal. Realmente. É só que eu não estou disposto a ter uma chance em algo tão importante e perder. ― Ele tentou pegar o meu olhar. ― Se eu estiver errado, as consequências seriam muito dolorosas. Você sabe o que eu quero dizer? Eu sabia. Isso era exatamente como me sentia sobre o meu amor por Becks. Eu realmente queria que ele sentisse o mesmo, mas eu nunca arriscaria perde-lo como um amigo. Isso não seria apenas doloroso; provavelmente me mataria. Como eu poderia viver sem ter Becks lá comigo, para conversar e rir? Havia muito em jogo. ― Eu entendo. ― A luz brilhou na lâmina da navalha quando eu a peguei, coloquei minha perna direita abaixo de mim para ficar mais confortável. ― Eu ainda discordo. Você e eu sabemos que você ia ganhar sem essa barba, mas eu entendo o que você está dizendo. Você está pronto?

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― Sim, ― disse ele. ― Você vai ter que vir um pouco mais perto. ― Assim? ― Becks se aproximou, ficando a apenas um milímetro de distância. Minha garganta ficou seca. ― Assim está bom. Eu podia ver seu sorriso através da espuma. ― Escute, eu nunca fiz isso antes, então, você vai ter que ficar parado. ― Nenhum movimento, entendi. ― Assim, quando eu estava prestes a colocar a navalha em sua bochecha, ele sorriu. ― Ótima música. ― Becks, ― eu avisei. Ele parou de falar. Quando eu levantei a lâmina para sua pele, eu percebi que ele estava certo. Esta canção era ótima, dando o humor perfeito, lenta e preguiçosa, cheio de emoção reprimida. A voz grave do cantor, a proximidade de Becks, toda a situação me deixou sentindo exposta. Nunca tinha percebido que barbear poderia ser íntimo. Minha mão tremia no primeiro golpe, deixando uma linha longa, desarrumado da pele nua. Eu a segui com a ponta do meu dedo, observando Becks cerrar os olhos. Suave e sedosa. Sua reação me satisfez de uma maneira, que não poderia explicar. A segunda passagem da navalha revelou mais pele, a próxima ainda mais. Um vislumbre da maçã do rosto. Uma sugestão de mandíbula. Eu tentei manter minha respiração estável, mas Becks não estava tornando mais fácil. Apesar de sua promessa, ele se mexeu. Apenas menos de um centímetro, mas foi o suficiente. Becks se aproximava em direção a mim cada vez que eu me inclinava. Era como se ele não pudesse evitar. Mais ou menos como eu, que não podia deixar de tocar cada pedaço de carne recémdescoberta. Eu estava perto o suficiente para contar os cílios, para ver a pequena cicatriz na sobrancelha, que ele tinha feito ao cair de sua bicicleta, na sexta série. Havia algo poderoso sobre a forma como os seus olhos seguiam cada movimento meu. Depois desta noite, eu não seria capaz de tocá-lo assim, por isso, tomei meu tempo. Eu sentiria falta dele sendo meu falso namorado. ― Então, ― eu disse. ― Já escolheu uma faculdade? Becks me deu um olhar. ― Está bem, está bem. Valia a pena tentá-lo. ― Pisszilla não iria ficar feliz, mas eu

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tinha preocupações mais imediatas. ―Como vamos fazer isso? A separação. Eu sei que você disse grande e pública. Queremos fazê-lo na frente de mais pessoas possíveis, certo? Becks não podia dizer nada. Eu estava sendo muito perto de seus lábios. Mergulhando a lâmina de barbear na tigela, eu sacudi o excesso de espuma, em seguida, voltei a trabalhar... E a divagar. ― Você vai terminar comigo? Ou eu estou terminando com você? Se supõe que devemos brigar? Nós nunca realmente conversamos sobre isso, Becks. ― Sal... ― Ele murmurou. Percebendo uma pequena área que eu tinha perdido, eu inclinei sua cabeça para trás e coloquei a lâmina suavemente contra sua mandíbula. ― Sal, eu não acho que devemos terminar. Eu estava tão surpresa que minha mão escorregou e ele fez uma careta. ― Oh Deus, ― eu disse, agarrando a toalha, enxugando seu corte. Era pequeno, mas eram sempre os que mais doíam. ― Eu sinto muito, Becks. Você está bem? ― Está tudo bem. ― Ele cobriu minha mão com a sua. ― Eu me corto raspando o tempo todo. ― Desculpe. ― Puxando a minha mão, eu o deixei limpar o creme que sobrou. Eu não poderia ter ouvido direito. ― O que você acabou de dizer? Becks, você foi o que disse que este seria o lugar perfeito. ― Eu sei. ― Ele colocou o pano de lado. ― Temos que deixar que as pessoas saibam. Essas foram suas palavras. ― Eu lembro. ― Bem? O que mudou? Becks me olhou nos olhos. ― Você realmente ama meu cabelo? A pergunta me desorientou. ― Não é horrível. ― Você é uma péssima mentirosa. ― Becks sacudiu a cabeça, deslizando a mão na minha bochecha. ― Eu não acho que devemos terminar. ― Você não quer? ― Não.

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Minha voz estava muito fina. ― Por quê? ― Bem, a coisa do falso namorado tem funcionado muito bem, até agora. Você não acha? Eu não conseguia falar quando ele se inclinou ainda mais perto. ― E há algumas vantagens. Antes que eu pudesse perguntar quais eram, seus lábios estavam nos meus. Os dedos de Becks enfiados no meu cabelo, a outra mão na minha cintura, sua boca quente, acariciando. Eu podia sentir o beijo até meus ossos. Sua paixão me tomou por completo e meu amor por ele se levantou para encontrá-lo. Como ondas quebrando, nós entrelaçados, misturamos, fundimos um no outro. Era a primeira vez que Becks havia me beijado, realmente me beijou, e por alguns segundos depois, eu não podia falar. Ele tinha roubado meu fôlego. ― Becks, ― eu estava ofegante, olhos fechados, a testa pressionada contra a minha. Eu estava tão feliz; minha voz tremeu. ― Hmm? ― Eu não posso acreditar que você fez isso. Ele riu asperamente. ― Eu também. Quando abri meus olhos, os seus ainda estavam fechados, um pequeno sorriso em seus lábios enquanto ele brincava com as pontas do meu cabelo. Virei a cabeça e peguei o lampejo verde brilhante ao lado da porta. Mercedes. ― Oh. ― Eu me afastei, o coração apertado. ― Agora eu entendi. ― Entendeu o que? ― Disse Becks. ― Foi por ela. ― Quando Becks seguiu meu olhar, a menina pulou e saiu correndo. Com cada toque de seus saltos, eu senti outra pontada passar por mim. ― Boa Becks. Você foi muito convincente. ―Sim, ― disse ele, de volta para mim. ― Convincente. ― Isso é o que era, não? O que você disse, aquele beijo, foi só você sendo um grande falso namorado. ― Na minha mente, eu implorei a ele para dizer não. Para me dizer que eu estava errada. Por favor, por favor, deixe-me estar errada. ― Isso tudo foi apenas parte do plano para convencê-la? Becks estudou o meu rosto. Houve um franzido estranho em sua boca, mas desapareceu quando ele sorriu. ― É claro que foi. Deus, Sal, não se preocupe tanto, ela estava assistindo o tempo todo? ― Não tenho certeza, ― eu disse, o sorriso vacilando. Meus olhos se sentiam

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molhados, mas eu não iria deixar as lágrimas caírem. ― Sabe, eu não sabia que tínhamos uma audiência. Becks deu de ombros, seus olhos me observando atentamente. ― Por que mais eu te beijaria? Essa doeu. Saltando de balcão, corri para a porta da frente. Ouvi Becks chamar meu nome, mas não parei. Ficar longe era a única opção. Caso contrário, ele iria me ver chorar, e isso não ia acontecer, não sobre isso. Eu não era estúpida. Eu sabia que Becks não me amava, mas tê-lo confirmado, tê-lo dizendo tão claramente depois desse incrível beijo, eu não podia suportar. Becks pegou meu braço no último degrau da varanda. ― Sal, o que está errado? Eu não sabia se era seu toque ou a pergunta estúpida, mas algo acendeu um fogo dentro de mim. Girando, disse tudo. Minha frustração, minha raiva, meu amor, a verdade, as palavras derramado de meus lábios como uma cachoeira. Eu disse a ele quão irritada estava que ele tinha me beijado apenas por causa da Mercedes, como eu queria que ele fosse meu namorado real não um falso, como eu o amava durante toda a minha vida e que idiota ele era por não perceber. Eu disse a ele tudo o que eu tinha medo de dizer ao longo dos anos. E fiel à forma, eu disse tudo em alemão. Sempre que me irritava, tornava-se a minha língua nativa. Havia algo libertador em dizer tudo em voz alta, e eu fiz isso sem medo ou restrição, sabendo que nem Becks e nenhum dos espectadores que olhavam iria entender o que eu estava dizendo. E havia muitos deles. Metade do grupo parecia ter nos seguido para o gramado da frente, observando enquanto eu vociferava a Becks como uma louca. Quando cheguei ao fim, eu estava respirando pesado, e Becks parecia mais chocado do que eu já o tinha visto. ― Sal... ― Ele estendeu a mão para mim de novo, mas eu recuei. ― Não, Becks. ― Eu estava de volta ao Inglês. Eu queria que ele entendesse neste momento. ― Eu não posso mais fazer isso. Chega ok? ― Mas Sal, eu... ― Acabou. ― Eu balancei a cabeça. Ele queria grande e público, e a multidão em torno de nós estava presa em cada palavra, o silencio era tal que se podiam ouvir os grilos chilrearem. Acho que se cumpriu a sua vontade. ― É só que... Acabou. Quando me virei para ir embora, eu corri direto para Ash Stryker. Ele estava olhando para mim, com uma expressão estranha. Eu acho que seria melhor me acostumar com as pessoas olhando para mim assim.

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― Desculpe, ― eu murmurei, pisando em torno dele, fazendo meu caminho para Hooker. Sua boca estava aberta e ela parecia quase tão devastada quanto eu. ― Você pode me dar uma carona? Ela imediatamente me prestou atenção. Lançando um olhar a Becks, ela passou o braço pelo meu e disse: ― Claro que sim, Spitz. Hooker me levou longe da multidão e eu estava feliz. Nesse ponto, o braço era a única coisa que me mantinha em pé. O plano namorado falso foi oficialmente declarado nulo. Eu realmente disse a Becks a verdade, em uma língua que ele não podia entender, mas eu tinha feito isso. Na segundafeira, tudo estaria de volta ao normal, não mais Bally, sem mais mentiras, só eu e Becks como nós sempre tínhamos sido, melhores amigos. Foi uma coisa boa, uma grande coisa, um alívio. Mas, então, por que eu me sinto como se tivesse tomado uma bola de demolição no peito?

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CAPÍTULO 13 Houve uma batida leve na porta. Eu grunhi, cavando mais fundo debaixo das cobertas. Minha cama era um lugar seguro, meu casulo e eu não a estava deixando, até que alguém me forçasse a sair. Eu ouvi a porta abrir lentamente, passos sobre o tapete, senti meu peso se mover, como se alguém sentasse ao meu lado. ― Sally, você está bem? ― A voz era suave. ― Qual o problema, querida? Oh nada, mãe. Meu coração é como um grande hematoma, mas fora isso tudo está perfeito. ― Apenas cansada, ― eu murmurei. ― Aconteceu alguma coisa na noite passada? ― Nmph. ― Virei para o meu lado, dando-lhe as costas. A lembrança de ontem à noite foi como colocar um cinzel contra esse hematoma e pressioná-lo, com força. Não queria que ela me visse rachar sob a pressão. ― Sally? ― Ela disse, colocando a mão nas minhas costas. Algumas lágrimas vazaram na preocupação que eu ouvi lá. ― Sally, Becks está lá embaixo. ― O que? ― Afastei as cobertas da minha cabeça em pânico, girando para encará-la. Por que ele estava aqui? Eu não podia deixar que ele me visse assim. Iria estragar tudo. ― Você não pode deixá-lo subir, mãe. ― Por que não? ― Sua expressão dolorosa era conhecedora. Tarde demais eu me lembrei de o que devia parecer, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, bochechas molhadas. ― Eu não... ― Minha voz se quebrou, então, veio em uma voz baixa, a garganta obstruída com lágrimas. ― Eu não quero vê-lo. ― Ah, querida. ― Ela me abraçou apertado. ― Está bem. O que seja que aconteceu, vocês vão superar. Sempre o fazem. Eu balancei a cabeça, passando os braços ao redor dela. ― Tudo o que ele fez, ― continuou ela. ― Não pode ser tão ruim, certo? Você e Becks são ótimos juntos. Legal da parte dela assumir que a culpa era dele, mas a única coisa que Becks fez foi

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dizer a verdade. Por que mais eu te beijaria? Fechando os olhos, meu coração deu outro chute doloroso. Eu nunca esquecerei o que ele disse. Por mais que me matasse, eu precisava parar de fingir e encarar os fatos. ― Nós somos melhores como amigos. ― Eu odiei as palavras, assim que saíram da minha boca. ― Tem certeza? ― Mamãe se inclinou para trás, mantendo as mãos nos meus ombros. ― Sally, talvez... ― Tenho certeza. ― Eu tentei colocar força por trás das palavras. ― Eu e Becks terminamos mãe. Vai ser melhor assim. Ela alisou meu cabelo para trás. ― Mas Sally, ele era seu primeiro namorado, seu primeiro amor. Um em cada dois não era ruim. Ela não sabia que o meu primeiro namorado não era realmente nenhum namorado, apenas um cara ajudando sua idiota e desesperada melhor amiga. Meu peito apertou. ― Eu vou superar isso. ― Isso é certo. ― Mamãe assentiu encorajando, mudando de tática. ― Haverá outros meninos. Eles estarão fazendo fila; apenas espere. Isso me sacudiu. Eu tinha terminado as coisas do namorado falso menos de vinte e quatro horas atrás, e ela já estava de volta no modo casamenteira. A ideia de namorar alguém além de Becks, falso namorado ou não, me dava náuseas. ― Eu acho que vou levar com calma com os garotos, mãe. Meu coração está um pouco frágil agora. ‘Mais como destroçado’. Eu preciso de um pouco de tempo de recuperação, sabe? ― Ok, ― disse ela a contragosto quando se levantou da cama. Na porta, ela parou e olhou por cima do ombro. ― O que devo dizer a Becks? Dei de ombros, tensa. ― Tudo bem, eu vou lidar com isso. ― Pouco antes de fechar a porta, seus olhos suavizaram, mamãe acrescentou: ― Eu quis dizer o que eu disse, querida. Haverá outros meninos. Não quebre seu coração permanentemente por este primeiro, ok? Engoli em seco. ― Eu vou tentar não fazer isso. Uma vez que ela tinha ido embora, cai para trás em cima da cama, olhando para o teto. Mamãe realmente não entende. Becks não era apenas o primeiro. Ele era o primeiro, último e todos os outros no meio. Eu não queria mais ninguém. Becks era tudo para mim. Tanto quanto doía agora, essa era a maneira como ele sempre tinha sido, seria sempre. No entanto, não importa como eu me sentia, estávamos destinados a ser nada mais nada menos do que amigos. Eu tinha feito as pazes com o fato antes e ia fazê-lo, novamente. Eu tenho que fazê-

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lo novamente. Se fosse a única maneira de ter Becks na minha vida, então era isso. Eu pulei quando o meu telefone tocou na minha mesa de cabeceira. Alcançando-o, eu o abri e li o texto de Becks. Está bem? Eu respirei fundo, em seguida, digitei: Claro que estou :) Mesmo com o emoticon, Becks não acreditou. Mentira, Sal, por que não me recebeu?? Fechando os olhos, eu decidi: Só havia uma coisa a fazer. Desta vez eu deixaria meus dedos mentirem para mim. Apenas encenação para a mamãe. Tinha que fazer com que a ruptura parecesse real, certo? Alguns momentos se passaram e, em seguida Becks mandou uma mensagem de volta. Certo... Te vejo na escola amanhã? Eu suspirei, contente que ele iria deixar passar. Pode apostar. Bye, Becks. Bye, Sal... Desliguei o telefone, passando de uma mão para a outra, esperando que eu fosse tão convincente em pessoa. No dia seguinte eu tinha tomado banho, coloquei roupas novas e limpas, cheguei a tempo na escola. Minhas entranhas ainda estavam uma bagunça, mas eu pensei que tinha conseguido esconder isso muito bem. ― Então, ― Pisszilla disse, batendo a caneta no papel na frente dela. ― Você conseguiu Spitz? ― Consegui o quê? ― Perguntei. Ela levantou uma sobrancelha. ― A faculdade. Conseguiu o nome antes dessa cena constrangedora no gramado da Mercedes, ou Becks chutou seu bumbum antes que você tivesse a chance? Eu corei. Naturalmente, Pisszilla traria algo parecido, justamente na frente de todos do jornal, onde iria causar a maior humilhação. ― Você é surda? ― Disse Ash, e seus olhos dispararam para ele. ― Você não ouviu o que aconteceu? Ela terminou com ele e não o contrário. ― Claro, eu ouvi. Todos fizeram. ― Pisszilla apontou para mim, seus olhos cuidadosamente maquilados, cheios de alegria maliciosa. ― Ela estava falando em línguas,

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fazendo-se de tonta, tendo um colapso ali na festa. ― Alemão ― eu murmurei. ― O quê? ― Ela assobiou. Olhei-a diretamente nos olhos, cansada de sua merda. ― Eu estava falando em alemão. E não, eu não consegui o nome da faculdade. Acho que você vai ter que conseguilo. ― Tudo bem, eu vou. ― Sim, boa sorte com isso. Ela olhou. ― E o que isso quer dizer? ― Becks e eu somos... ― Deus, o que éramos agora? Fui com a única coisa que nunca tinha mudado. ― Melhores amigos. Se ele não me disse, eu tenho certeza que ele não vai contar para uma loira oxigenada, de coração frio, venenosa, que usa muito maquiagem como você. Ela engasgou, as mãos voando para seu cabelo. ― Sua cadela! Isso tudo é natural. Eu levantei uma sobrancelha. ― Raízes não mentem Prissy. Ela balbuciou, olhando enquanto as risadas subiam ao redor da sala. Antes que Pisszilla pudesse ter outra palavra, a campainha tocou e eu saí, sentindo-me um pouco mais leve. ― Ei, Spitz. Virei-me quando Ash deu um passo ao meu lado. ― O que há Ash? ― Eu preciso falar com você, ― disse ele. ― Trata-se de algo que você disse na festa... Eu estava quase ouvindo. Becks estava há uns dois metros, no final do corredor, Mercedes por um lado, quase derramando fora de seu top, Roxy por outro, quadris inclinados, em um par de shorts curtos. Era impossível dizer quem estava mostrando mais pele. Ambas estavam falando com ele, falando uma sobre a outra, mas ele estava examinando o corredor. Quando ele fixou os olhos em mim, Becks se despediu com movimento fluido, se dirigindo em minha direção, com um olhar determinado em seu rosto. Isso não pode significar nada bom. ― Ash, podemos falar mais tarde? ― Eu disse, já me movendo para o banheiro.

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― Ok, ― ele disse. ― Mas Spitz... ― Tudo bem, tchau. ― Corri para o outro lado do corredor e consegui entrar quando o sino soou. Eu peguei um vislumbre de Ash e Becks, ambos com olhares idênticos de surpresa, mas eu não me importava. Meu coração tinha pulado uma batida quando eu tinha visto Becks. Tudo o que eu conseguia pensar era o beijo na bancada de Mercedes. Um pouco mais de tempo, eu decidi. Isso é tudo o que eu precisava, um pouco mais de tempo. Então, eu estaria pronta para enfrentá-lo. Esperando o sinal tocar, eu lavei minhas mãos, tirei o meu tempo examinando a máquina de sabão. Iria chegar tarde para a primeira aula, mas senhora Vega me amava e alemão era o meu melhor assunto. Não queria arriscar encontrar com ninguém na minha saída. O sino soou e eu exalei. Agarrando meus livros, abri a porta e sai para o corredor vazio. ― Essa é a segunda vez que você faz isso. Arquejei, girando para encontrar Becks encostado na pequena faixa de parede, ao lado do banheiro. ― Becks, você me assustou, ― eu disse, ainda tentando acalmar meus nervos frenéticos. ― Desculpe. ― Ele se endireitou e caminhou, não parando até que estávamos cara a cara. ― O que há com essas corridas para banheiros sempre que você me vê? Quando em dúvida, vá para o fator grosseiro. ― Bem, comi algum peixe ruim na noite passada e... Ele levantou a mão, nariz enrugado. ― Sim, tudo bem. Eu não quero saber. ― Ok. Olhando para baixo, ele enfiou as mãos nos bolsos. ― Ouça Sal... Sobre o que aconteceu na festa, eu... ― Foi muito bom, não foi? ― Eu ri, assim como eu tinha praticado em casa, enquanto sua cabeça se levantava em surpresa. ― Isso foi o meu melhor trabalho. ― Do que você está falando? ― Eu não acho que alguém tenha alguma dúvida, após esse desempenho. Bally está oficialmente terminado. É um alívio tão grande, não é? ― Você está dizendo que foi tudo um ato? ― Seus olhos se estreitaram em suspeita. ― Eu não sabia que você podia chorar quando quisesse Sal. Acenei com desdém. ― As lágrimas foram um ótimo toque, certo? Eu acho que

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adicionou apenas a quantidade certa de drama. ― Então, quando você estava dizendo todas essas coisa... O que você disse exatamente? ― Basicamente, um monte de porcaria sobre como eu não poderia continuar fazendo isso... ― Verdade. ― Como você tinha quebrado o meu coração... ― Verdade. ―E Como eu nunca iria perdoá-lo. ― Mentira. ― Esse tipo de coisa. ― E você fez isso em alemão por que... ― Ele parou, esperando eu preencher os espaços em branco. ― Bem, porque ninguém entenderia, é claro. Era tudo para aumentar o drama. ― Eu ampliei meus olhos, estendendo a mão para agarrar seu braço. ― Você não está irritado, não é? Oh Becks, eu tentei o meu melhor para fazê-lo direito. Foi demais? Acha que as pessoas podem não ter acreditado em mim? ― Tenho certeza que fizeram, ― ele murmurou, passando a mão pelo cabelo. Por que ele parecia tão... Chateado? ― Então, nós estamos bem? ― Claro que nós estamos. ― Eu sorri com tanta força que doeu meu rosto. ― Por que não estaríamos? ― Sal, eu quero que você saiba... ― Ele parou de repente, sacudiu a cabeça. ― O que, Becks? ― Nada. ― Ele limpou a garganta e depois sorriu. ― Obrigado por me deixar ser seu namorado falso, Sal. Estou feliz que você me pediu. Foi divertido. ― Sim, ― eu disse: ― Estou feliz, também. Agora que você não está acorrentado a mim, você pode sair com quem quiser. Tenho certeza de que todas as garotas estarão felizes em tê-lo de volta. ― Hmm, ― ele concordou. ― E você pode dar uma chance a essa paixão secreta que tem. O som que escapou dos meus lábios foi muito estrangulado para ser uma risada. Eu só esperava que Becks não percebesse. ― Eu tenho que ir, ― disse a ele, voltando-me. ― Mas vou vê-lo no treino depois da escola, ok? ― Certo. Assim que ele se foi, eu caí, o sorriso escorregando do meu rosto. Pelo menos ele havia acreditado em mim, pensei. E agora não havia mais nada o prendendo. Becks poderia ter qualquer garota que ele quisesse. Eu desejei que pudesse estar mais feliz por ele, mas com meus próprios sentimentos tão confusos, não tinha como. A culpa foi embora, o que era

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algo, mas em seu lugar havia todas essas novas emoções.

Como sempre, eu o vi com outra garota. ― Ei, Becks. ― Uma carícia na bochecha. ― Parece bom. ― Quer sair hoje à noite, Becks? ― Deus, Becks, teus braços são tão fortes. Venha até a minha casa mais tarde? " O flerte era notícia velha, mas a maneira como ele me fez sentir foi que mudou. A raiva veio primeiro, quente e pesada, seguida pela inveja e, em seguida, a picada rápida de auto-aversão, quando percebi que não tinha direito a qualquer um desses sentimentos. Quando Mercedes beijou sua bochecha, eu finalmente explodi. ― Você só vai deixá-la fazer isso? ― Eu disse, a voz irritada, embora tivesse sido culpa dela, não dele. ― O quê? ― Disse Becks. ― A menina atacou. O que eu deveria fazer? Bater nela? Eu balancei a cabeça em desgosto. ― Você não tem qualquer auto respeito? ― Calma Sal. Foi só... ― Me poupe. ― Eu não tinha falado com ele pelo resto do dia. Depois disso, aprendi a desligar as minhas emoções. Eu não quero ser aquela garota. Era melhor ser uma casca, vazia. Vá para escola. Venha para casa. Repetir. Durante os próximos dois dias, eu estava praticamente sem saber de nada. Quando a mamãe deixou Hooker entrar, nem sequer tirei os olhos de cima do meu livro. Gilbert estava prestes a perguntar a Anne se casaria com ele e como uma idiota, ela pisoteou em todo o seu coração. Virando a página, suspirei. Pessoas boas sempre eram pisoteadas por aqueles que amavam. ― Spitz, o que você está vestindo? ― Oh, hey, ― eu disse, assustada. Cuidadosamente, eu deslizei meu marcador no lugar. ― Como vai, Hooker? ― Então, você ainda pode formar frases completas. Eu estava começando a ficar preocupada. ― Ela se sentou no sofá e puxou meu cobertor de lã. ― Você não pagou a sério dinheiro por isso.

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― O quê? ― Eu olhei para mim mesmo. ― Você está falando sobre o meu snuggie? ― Seu o quê-ee? ― Snuggie, ― eu repeti. ― É como um grande cobertor macio, você pode usar como um manto. ― Spitz... ― Seu lábio enrolou quando ela levantou um canto. ― Tem essa cor estranha de verde. Eu puxei o material longe, franzindo a testa. ― Isso é Yoda. ― Eu sei quem é. ― É um Star Wars snuggie. Edição especial. Hooker suspirou. ― Spitz, você está brincando com isso? ― O quê? ― Isto. ― Ela estendeu a mão, apontando para mim. ― Você realmente vai deixar Becks fazer isso com você? ― Isto não é sobre Becks, ― eu disse, os dentes cerrados. Hooker revirou os olhos. ― Sim, tudo bem. ― Não é. ― Você não está enganando ninguém, Spitz. ― Ela balançou a cabeça. ― Sua mãe está preocupada. Estou preocupada. Você sabe, eu até acho que Becks está preocupado. Isto não é saudável. Cruzando os braços sobre o peito, eu bufei. ― Eu não tenho ideia do que você está falando. ― Esta é uma intervenção. Levante-se! ― Ela mandou, puxando meu braço. ― Nós estamos tendo uma noite das meninas. Eu pisquei. ― O quê? ― Você sabe, noite das meninas, maquiagem, roupas, sorvete, pipoca e um filme, o de sempre. ― Qual filme? Sentindo que não estava chegando a lugar nenhum, ela soltou meu braço e disse: ― Eu estava pensando que talvez nós pudéssemos assistir um daqueles episódios que você ama tanto.

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― Você quer dizer… ― Sim, sim, eu quero dizer aqueles com Yoda e Skytalker e todas essas aberrações. Eu sorri. ― É Skywalker. ― Tanto faz. ― Mas você nunca concordou em vê-los antes e você sabe o quanto eu odeio maquiagem. ― Esta é uma emergência. ― Hooker disse, me olhando por cima. ― É tudo sobre dar e receber, Spitz. Deus, olhe para esse cabelo. Vou ter que gastar uma hora toda nesse cabelo cacheado. Na verdade, demorou mais como trinta minutos. Uma vez que eu tinha tomado banho, deixei Hooker fazer sua coisa. Cabelo veio primeiro, a luta contra o que chamou de "zona de perigo", em seguida, make-up, o que deu mais trinta. Ela foi um pouco pesada sobre o delineador, se você me perguntar, mas eu não estava discutindo. Hooker nunca tinha visto qualquer um dos episódios antes. ― Super heróis são uma coisa, ― ela disse. ― Robôs falantes e um homem adulto em um disfarce de Pé Grande é outra história. Eu disse a ela mil vezes que Chewie não estava relacionado com o Pé Grande, apenas um escravo Wookiee que virou traficante, mas ela se recusou a ouvir. Até o final da noite, ela entenderia. Encontrar as roupas certas tomou outra hora e meia, depois de Hooker dizer que as opções eram escassas. ― Horrível, ― foi a palavra que ela usou, mas Hooker era uma daquelas pessoas que não tinha filtro, assim, eu a ignorei. ― Ufa, ― Hooker disse, passando a mão pela testa. ― Você realmente parece humana, novamente. Basta olhar para si mesmo, Spitz. Você é uma garota sexy. Olhando no espelho, eu pensei que a saia era um pouco curta, a blusa muito apertada, os saltos ridículos e a maquiagem tonta, mas eu não disse nada. Hooker havia trabalhado duro para me fazer parecer esta cadela. ― Obrigada, Hooker, ― eu disse, ao invés. ― Está muito bom. ― Sim, eu sei. ― Ela apoiou o queixo no meu ombro, sorrindo para os nossos reflexos. ― Eu sou uma milagreira. Vamos descer e mostrar a Martha. Mamãe quase deixou cair os biscoitos, que estava tirando do forno quando nos viu. ― Sally, de onde você tirou essa roupa?" ― Eu, corrigindo mentalmente. Quando ela me viu. ― Essa saia é... É...

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― Está sexy, não é? ― Disse Hooker, balançando a cabeça. ― É... Alguma coisa, ― disse mamãe, finalmente. ― Obrigada? ― Eu balancei a cabeça, em seguida, virei-me para Hooker. ― Então, por onde você quer começar? Tecnicamente, Episódio Um: A Ameaça Fantasma é o começo, mas do um ao três é uma porcaria em comparação com do quatro ao seis. Eu digo que devemos começar com Episódio IV: Uma Nova Esperança. Esse é o melhor, elenco original, primeiro a chegar aos cinemas. O que você acha? ― Eu, ah... ― Hooker olhou para a mamãe. ― Oh sim, ― eu disse. ― Mãe, você pode assistir, também, se quiser. Hooker teve essa ideia de uma noite das meninas, e nós estamos indo assistir Star Wars. ― Bem... ― Mamãe disse, colocando os últimos biscoitos da grelha para esfriar. Ela recusou-se a olhar em meus olhos. ― Eu meio que tenho algo... ― O quê? ― Perguntei, quando a campainha tocou. ― Eu atendo. ― Hooker e mamãe disseram, ao mesmo tempo. Lentamente, as segui até a porta, a suspeita batendo em mim. Quando mamãe abriu a porta, meus medos foram confirmados. ― Olá. ― Mamãe disse, estendendo a mão. ― Você deve ser Ash? ― Sim, senhora. ― Ash disse enquanto apertavam as mãos. ― E você deve ser a mãe de Sally. Meu pai me disse que você era bonita. ― Olhando por cima do ombro, ele acenou. ― Ei, Spitz. Mamãe corou e riu enquanto eu puxei Hooker de lado. Ela parecia tão francamente satisfeita consigo mesma; Eu queria dar um tapa nela. ― Hooker. ― Rosnei. ― O que é isso? ― Eu disse a você, ― ela disse friamente. ― É uma intervenção. Martha concorda comigo. Você tem que voltar para o cavalo. ― Eu nunca montei um dia na minha vida. Isso fez com que rolasse os olhos. ― Quero dizer encontros. Nós temos que fazer com que supere a Becks e a única maneira que isso aconteça, é você encontrar alguém novo. ― Mas só se passaram alguns dias, ― argumentei. ― E isso é muito tempo para chafurdar na autopiedade. Temos que tirar você deste

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mal. ― Hooker declarou, então, disse novamente. ― Sua mãe concorda. ― Mãe? ― Eu repeti, olhando para ela e Ash com o canto do meu olho. Parecia que eles eram velhos amigos. ― Ela conhece os pais de Ash desde o ensino médio. ― Hooker deu de ombros. ― Quando ela me perguntou sobre ele, eu disse que estava tudo bem, bom jogador de futebol, parece ótimo, carro decente. Decidimos que vocês dois fariam um bom casal. Olhei para ela com horror. Eu tinha minhas suspeitas, mas esta foi a minha primeira vez as vi em ação. Hooker e minha mãe, duas casamenteiras em uma missão. Meus piores medos confirmados. ― Eu não vou fazer isso, ― eu disse, cruzando os braços, ou pelo menos tentei. Esta camisa era tão apertada que eu não poderia fazer isso sem rasgar uma costura. Em vez disso, eu me conformei com os punhos nos quadris. ― Sim, você vai. ― Hooker respondeu. ― Se você não fizer isso, vai ferir os sentimentos de Ash, basta olhar para o quão bom ele é com Martha. Quando olhei, mamãe tinha a cabeça jogada para trás, rindo de algo que Ash disse, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. ― Tudo bem, ― eu disse, agarrando minha lã do cabide. ― Mas eu estou usando o snuggie. Hooker empalideceu, abriu a boca, mas, em seguida, a mãe disse: ― Vamos lá, Lillian. Vamos deixar Sally e Ash no seu encontro. ― Quando ela piscou para mim, eu puxei o snuggie sobre meus ombros em retaliação. Mamãe simplesmente encolheu os ombros, dando um passo para a varanda, com Hooker atrás, fechando a porta. Depois que elas foram embora, Ash deu um passo adiante e acenou para o meu traje. ― Yoda. Agradável. Revirei os olhos e o levei para a sala de estar. Estar sozinho com Ash não era realmente tão ruim. Não era mau de todo, na verdade. Ele me disse que tinha visto todos os filmes, não ficou bravo quando eu citei falas e nem sequer comentou sobre o meu canto, juntamente com os créditos. Ele ficou praticamente em silêncio durante todo tempo, que era como eu gostava. Dessa forma, poderíamos prestar atenção ao filme. Conversamos um pouco depois, mas ele parecia estar um pouco agitado. Tirei todos os meus truques, falando sobre coisas nerds, fofocas mais irritantes que eu poderia pensar ("Você sabia que Luke Skywalker costumava ser Luke Starkiller?" "Você sabia que a aparência de Chewie foi baseado em um Malamute do Alasca23?”" Sabia que John Williams, também, compôs as músicas para os três primeiros filmes de Harry Potter?” “O meu favorito era o tema de Hedwig. É assim ... "), mas nada parecia irritá-lo.

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Cão nórdico de tamanho médio, focinho longo, orelhas pontiagudas e cabelo abundante e de lã preto e branco; por sua resistência é usado nos trenós de corrida.

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Enquanto o levava à saída, mamãe e Hooker pararam na calçada. Elas não saíram do carro e eu sabia que elas estavam nos observando. Ash parecia saber disso, também. ― Então, ― ele disse, olhando por cima do ombro, em seguida, de volta para mim. ― O que você acha que elas esperam que façamos? ― Não sei. ― Eu dei de ombros. ― Por que você concordou com isso, afinal? ― Como eu disse Spitz, eu gosto das mulheres mais velhas. Assim como antes, eu corei e ele sorriu. ― Mas, além disso, ― Ash continuou. ― Eu tinha algo a lhe dizer. ― Por que não falou comigo na escola? ― Perguntei. ― Eu tentei, mas só parecia que você não estava lá. ― Oh. ― Sinto muito sobre o que aconteceu com Becks. ― Isso é amável da sua parte, ― eu disse, forçando um sorriso. ―Sim, bem... ― Uma pequena brisa agitava as extremidades de seu cabelo loiro escuro enquanto assentia. ― Um beijo deveria satisfazer, eu acho. ― O quê? Antes que eu pudesse terminar, Ash se inclinou para a minha bochecha, colocando um beijo suave ao lado da minha têmpora e deslizando algo de seu bolso na minha mão. ― Obrigado por esta noite, Spitz. ― Então, em uma voz quase inaudível, ele acrescentou: ― Se você quer fazer algo a respeito de Becks, me avise. Com isso, ele se afastou e foi embora. Eu estava congelada no lugar. ― Oooh, isso foi tão bonito. ― Hooker disse, se aproximando. ― O beijo na têmpora, o comportamento cavalheiresco clássico. Um ponto, Ash. O que ele te deu? Com os dedos duros, eu abri a nota, olhando quando percebi que não tinha imaginado o que tinha ouvido. Hooker fez uma careta. ― O que é que diz Spitz? Você sabe que não posso ler alemão. Minha voz soava como se viesse de longe. ― Ele diz: ― Encontre-me fora do laboratório de química, amanhã, às seis da tarde.

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― Exigente, ― disse ela com um aceno de cabeça. ― Eu gosto disso. ― Quando eu não respondi, ela olhou para minha cara. ― Você está bem, Spitz? Eu honestamente não sei. O que eu tinha ouvido Ash dizer antes, o que ele tinha dito, não era exatamente: ― Se você quer fazer algo sobre Becks, me avise. ― Essa foi a tradução em inglês. O que ele disse foi: ― Wenn ich mich hum Becks kümmern soll, sag Bescheid.* 159 *Se queres que eu faça algo com relação à Becks, faça-me saber.


CAPÍTULO 14 Na festa, nenhuma vez parei para pensar. Minhas emoções me tinham levado por um vento de decepção, raiva e finalmente exaustão. As outras dez pessoas que tinham aula de alemão, tinham problemas para juntar duas orações e, além disso, elas não estavam lá, além de Hooker. Tinha sido um alívio contar o meu segredo e não contá-lo ao mesmo tempo. Havia apenas um problema: Alguém na festa tinha entendido cada palavra. 160 E ele não tinha absolutamente nenhuma razão para se manter calado. Onde ele estava? Andando pela largura do corredor, olhei para a direita e esquerda. A nota de Ash tinha dito para estar aqui as seis, uma hora infame, especialmente porque não havia dormido na noite passada. Meus nervos tinham me mantido acordada, virando e retorcendo, até que desisti. A única coisa ruim foi que me deu bastante tempo para pensar em todas as maneiras que esta reunião poderia ir mal. Quando cheguei a cem, eu parei de contar. Revisei a nota, em seguida, olhei para o meu celular. Ótimo. Ele já estava cinco minutos atrasado. Meus passos ecoavam na cerâmica, no lugar vazio. Eu nunca tinha estado dentro de Chariot Hight quando estava assim deserta. Era um pouco assustador. Quando tinha estacionado, havia apenas três outros carros no estacionamento. Provavelmente a equipe da zeladoria. Eu verifiquei novamente a hora. 6h 07min da manhã. Fantástico. Ash estava me deixando plantada. Ele provavelmente decidiu que não valia a pena arrastar sua bunda para fora da cama, mesmo que ele fosse o único que definiu a hora. Eu mereço por colocar a minha fé em um cara cujo nome está a uma letra de ass24. Naquele momento, uma mão estendeu e agarrou minha camiseta, me puxando para trás. O espaço era escuro, apertado. Eu não podia ver três centímetros na minha frente, mas sabia que não estava sozinha. Eu estava prestes a começar a gritar aos céus, tinha tomado ar, quando a luz acendeu. ― Bom dia Spitz, ― disse Ash, com um sorriso. ― Dormiu bem na noite passada? Eu fiz uma careta, observando ao meu redor. Minha mente privada de sono tomou um segundo para reconhecer onde eu estava, mas uma vez que fiz, eu quase deixei escapar uma 24

Ass em inglês, pode ser idiota, bunda.


risada histérica. Era o mesmo depósito em que havia arrastado Becks, onde eu tinha pedido e ele concordou em ser meu namorado falso. Agora, Ash estava olhando para o meu rosto com o poder de me expor, seus olhos me avaliando. Não podia ser mais irônico do que isso. ― Então... ― Eu disse, inclinando-me para trás, parecendo casual. ― Você fala alemão. ― Ja(Sim), ― disse ele, tomando a mesma posição na parede oposta. ― Minha avó e avô são do país de origem, passo todo verão lá, desde que eu tinha dois anos. 'Stryker' é alemão, você sabe. Mentalmente, eu amaldiçoei. Nós tínhamos repassado os sobrenomes alemães no segundo ano. Por que eu não tinha prestado mais atenção? Poderia ter me salvado de toda esta situação pegajosa. Encontrei seu olhar em frente, mudei facilmente para o outro idioma. ― Du hast so... (Assim você...) ― Alles verstanden(...entendi tudo), ― ele respondeu. ― Jedes Einzelne Wort(Cada palavra). Honestamente, eu falo melhor alemão do que o inglês. Meu coração afundou. Eu era boa, mas Ash nem sequer fazia uma pausa. Ele articulou com dicção e pronúncia certa, mal tendo um segundo para mudar de uma para a outra. Eu sabia que ele entendeu, mas ouvi-lo dizendo era como ser surpreendida pela segunda vez. ― Eu sei que você e Becks nunca estiveram realmente saindo ― ele continuou alegremente. ― Eu sei que vocês tiveram algum tipo de relação confusa, que era suposto ser falso, mas não era para você. Como poderia ter sido? Você está apaixonada pelo cara. Eu lentamente cruzei os braços, usando o tempo para ter a minha voz de volta. A verdade era uma pílula amarga para engolir. ― E o que você pretende fazer com a informação? ― Eu disse. ― Isso depende. ― Ash tinha um brilho em seus olhos. ― De que? ― De você. ― Ele levantou uma sobrancelha. ― Escute Spitz. Se Becks não teve coragem de pedir-lhe para sair de verdade, eu tenho. Eu sei que você não o superou ainda, mas eu não tenho medo de um desafio. Eu estava totalmente confusa. O que ele estava falando? ― Eu não entendo. ― Não? ― Ash estava negando com a cabeça, como se fosse óbvio. ― Estou te dizendo que estou interessado. Tenho estado há um tempo.

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― O quê? ― Você sempre teve dificuldade, ou este é um novo desenvolvimento? ― Ash se afastou da parede, passando a mão pelos cabelos em frustração. Eu o olhei fixamente. ― Eu estou dizendo que eu quero ser seu namorado. ― Seus olhos se arregalaram comicamente. As palavras ficaram no ar enquanto meu queixo caia no chão. Eu não tinha certeza quem parecia mais surpreso, eu ou Ash. Ele limpou a garganta. ― Você é um pouco doida, mas eu gosto disso. Eu atirei-lhe um olhar interrogativo. Ele não poderia dizer o que eu pensei que ele queria dizer. Ash suspirou, empurrando a mão através de seu cabelo mais uma vez. ― Eu gosto de você, ― disse ele sem rodeios. ― Eu sei que ainda está interessada em Becks, mas estou disposto a dar-lhe uma chance, se você estiver. Mesmo se não der certo, pelo menos podemos mostrar a Becks o que está perdendo. Certo? ― Não vai funcionar, ― eu disse automaticamente. ― Por que não? Com um suspiro, eu deixei cair meus braços. Ash Stryker pedindo-me para sair era inacreditável, mas era ainda mais incompreensível a sua oferta para me ajudar com Becks. Infelizmente, mesmo se o fizesse, não iria fazer nenhum bem. ― Becks não gosta de mim desse jeito. ― Dei de ombros. ― Eu acho que você perdeu essa parte. Ele sempre me viu como Sal, não um cara, mas não realidade não uma menina, também. Ele não me quer. ― Você está falando sério? ― Eu olhei para seu tom incrédulo. ― Spitz, ele quer. Confie em mim. Que cara em sã consciência não gostaria de você? ― Obrigada, ― eu murmurei. ― Mas você está errado. Ele cruzou o espaço entre nós e tomou minhas mãos, forçando-me a olhar para ele. ― Você não entendeu. Você não entende como caras como Becks operam. Spitz, você tem que mostrar a ele que você é desejável, que você não vai esperar para sempre. Ash fez parecer tão fácil. Como se tudo o que eu teria que fazer era passear com um cara na frente de Becks e Poof ! Ta-dah, ele percebe que me ama e que viveríamos felizes para sempre. ― Quem sabe? Você pode até gostar mais de mim.

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Eu sorri. Isso soou mais como o Ash que eu conhecia. ― Vamos Spitz, ― disse Ash. ― Diga sim. Você sabe que você quer. Eu posso ver isso em seus olhos. Saia comigo. O que você tem a perder? Nada, pensei. Becks não está mais perto de ser meu namorado agora, do que estava antes do desastre namorado falso. Por que não dar uma oportunidade ao Ash? Havia apenas uma coisa que eu não consegui entender. Com a testa franzida, eu perguntei, ― Por que eu? Se você sabe que eu ainda estou apaixonada por Becks, por que você quer sair comigo? ― Quer dizer, além de curiosidade mórbida? Eu esperei. ― Bem, além do fato de que eu realmente gostaria de conhecê-la melhor... ― Ele usava um sorriso estúpido. ― Você Estrelou basicamente cada sonho erótico que tive, desde o primeiro ano. ― Ei. ― Meu nariz enrugou. Definitivamente muita informação. ― E eu pensei que você fosse um cara tão legal, ― eu murmurei. Eu poderia realmente fazer isso? Por que eu estava considerando isso? ― Eu sou um cara legal, ― disse Ash, aproximando-se. ― O mais legal. Revirando os olhos, eu empurrei-o de volta. ― Tudo bem, ― eu disse, de repente, pensando no que de pior poderia acontecer? Por que não sair com um cara que está interessado em mim? Em meu coração, a resposta a essa pergunta era simples. Eu estava apaixonada por outra pessoa, mas eu não queria ferir os sentimentos de Ash. Ele realmente se expos aqui, que eu ainda não tinha conseguido fazer depois de todos esses anos. ― Legal. ― Ash sorriu. ― Isso deverá ser divertido. Eu sorri de volta. Ash abriu a porta e me seguiu. Havia muita gente no corredor, agora, armários batendo, as pessoas falando enquanto caminhavam para a aula. Período zero foi cancelado por hoje, que era uma coisa boa, pois este "encontro" tomara mais tempo do que eu pensava. Ash e eu ficamos lado a lado, observando todos passarem apressados. ― Você tem certeza que quer fazer isso? Virando o rosto para mim, ele disse: ― Absolutamente. Você? ― Claro, ― eu disse, tentando não corar. ― Obrigada, Ash. ― Qualquer coisa para você, Spitz. ― Seus olhos se arregalaram, um canto de seus

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lábios se ergueu enquanto olhava por cima da minha cabeça. ― E, então, começa. Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer, uma voz familiar chamou: ― Sal. Becks parecia irritado e quando, nos alcançou sua expressão combinava com seu tom. ― Becks. ― Ash disse facilmente, passando um braço em volta dos meus ombros. Eu quase engasguei de surpresa, mas conseguiu segurar. ― Como é que está indo, cara? Você está pronto para assumir Myers Parque hoje? ― Eu estou sempre pronto. ― Sua voz estava gelada, mas seus olhos ardiam, acompanhando os movimentos do braço com uma carranca no rosto. ― Sal, o que está acontecendo? ― Nada, ― eu disse. ― Oh não minta para ele, Spitz. ― Dessa vez ofeguei enquanto Ash acariciava o meu cabelo. O que ele estava fazendo? ― Ele é um garoto grande. Pode suportá-lo. ― Suportar o quê? ― Disse Becks, olhando diretamente para mim. ― Bem, nós... Quer dizer, estamos... ― Eu nunca fui muito boa em mentir para Becks e agora com ele olhando tão intensamente, olhando através de mim, era quase impossível. Eu não sei por que, mas eu não queria admitir que Ash e eu fôssemos sair. Felizmente, Ash não tem esse problema. ― Spitz apenas concordou em sair comigo, ― disse ele. Olhei para ele horrorizada. Ash tinha dito na cara dura. Se os olhos de Becks pudessem disparar fogo, Ash teria virado cinza. Sem olhar para mim, ele disse entre dentes: ― Sal, eu posso falar contigo por um segundo? Ele não esperou por uma resposta, simplesmente me puxou alguns metros de distância e começou seu discurso. ― O que foi isso? ― Disse ele, de cabeça baixa, a voz irritada. ― Eu perguntei antes o que estava acontecendo entre você e o imbecil Striker e você disse nada. Você não está seriamente interessada nesse idiota? ― Bem, eu... ― Ele está apenas brincando com você, Sal. ― Becks balançou a cabeça, olhando para mim com pena. ― E você o está deixando fazer isso. Pensei que você fosse mais esperta do que isso. Eu ergui meu queixo, lembrando como Ash tinha acabado de admitir seus sentimentos.

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Sem medo, sem hesitação. Eu tive que admirar isso. ― Eu gosto dele, ― eu disse. ― E você honestamente acha que ele gosta de você? ― Becks riu, mas não foi um som engraçado. ― Como poderia Sal? Ele mal conhece você. ― Sim, mas ele quer, ― retruquei. ― Sim, ele quer alguma coisa. ― Becks murmurou. ― Que? . ― Você me ouviu. ― Por que você está ficando tão chateado? ― Perguntei, olhando para os duros planos de seu rosto. ― Não é como se você não tivesse saído com uma tonelada de meninas. ― Isso é diferente. ― Seu tom era suplicante. ― Você não conhece Ash. Eu sim. Jogamos no mesmo time por anos. Ele é um completo idiota. Dei um passo para trás. ― Bem, e se eu quiser conhece-lo melhor? Ele sempre foi amável comigo, Becks. Becks procurou meu rosto. ― É ele, não é? Eu tinha razão. ― Certo sobre o quê? ― Deus, por que eu não vi antes, ― disse ele, levantando as mãos. ― Sua paixão, atlético, inteligente, de boa aparência. Sal, você está brincando comigo, certo? Bunda Striker? Você realmente acha que ele é atraente? Olhando por cima, Ash piscou, balançando a cabeça, me incentivando. Nosso relacionamento já estava descoberto e andando e eu mal tinha tido tempo de piscar, e muito menos me acostumar com a ideia. Querendo ver como Becks iria reagir, eu testei as águas. ― Claro, ― eu disse, verificando Ash com um sorriso. ― Ele é engraçado, agradável e tem um grande corpo. Não tão bom quanto o seu, é claro, Becks, mas ele é um ano mais novo. Becks recuou como se eu o tivesse atingido. ― Sal… ― Hmm? ― Eu tentei difícil não notar o olhar de dor que atravessou seu rosto. ― Ele não quer você. Não de verdade. O fato de que Becks não achasse que qualquer cara poderia me querer, não era uma

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surpresa. As palavras, ainda assim, cortavam até o osso. ― Por que não, Becks? ― Recusei-me a chorar. ― Só porque você não quer? ― Isso não é... ― Basta de conversa, ― disse Ash, braço deslizante em torno de mim, mais uma vez. ― Quer que eu a leve para a aula? Olhando para longe de Becks, tentando sorrir, eu disse: ― Não, está tudo bem. Eu acho que posso me arrumar. Ash suspirou alto. ― Bem, tudo bem, se você estiver jogando duro para conseguir. ― Então, para Becks, ― estou feliz que você a deixou ir, cara. Caso contrário, eu poderia ter sofrido em silêncio, enterrando meus sentimentos profundamente para sempre. É uma loucura o quanto eu a amo já. Ele era tão imbecil, que isso me fez sorrir de verdade. ― Bye, Spitz, ― disse ele, a voz baixa, íntima. ―Vejo você mais tarde. Sorrindo para Becks, Ash abaixou a cabeça e, em seguida, fez o impensável. Ele deu um beijo, roçar mais breve dos lábios na pele, logo atrás da minha orelha. Local de Becks. Ele tinha acabado de colocar a boca diretamente sobre o local de Becks. Eu estava com os olhos arregalados quando ele se endireitou, parecendo despreocupado como um molusco. Becks tinha uma expressão parecida com a minha. Completamente chocado. ― Mais uma vez obrigado, cara. ― Ash ergueu o queixo. ― Sal é uma ótima garota. Eu não tinha certeza se foi o beijo ou o "Sal" que fez isso, mas entre um piscar e outro, Ash e Becks estavam no chão, rolando como um par de gatos irritados. Becks tinha a mão vencedora. Eu poderia dizer que muito. Ash não era muito menor do que ele, mas Becks parecia que tinha mais raiva. Treinador Crenshaw foi a pessoa que os separou. Quando os arrastou para o seu escritório, ouvi-o dizer: ― O que está errado com você dois, idiotas? Não sabem que temos um jogo? Guardem essa agressividade para o campo. Eu não sabia o que sentir. Dois caras brigando pela minha pessoa insignificante. Era o sonho de toda menina, certo? Queria que essa chispa de felicidade me atravessasse, mas havia muita preocupação para isso. Eu estava nervosa por Becks e Ash; Eu tinha certeza que Crenshaw não iria colocá-los no banco, eles eram o melhor que ele tinha. Mas eu não queria que nenhum deles se metesse em problemas, muito menos por minha culpa. Hooker me encontrou na hora do almoço, quase cheia de emoção. Ela estava correndo o mais rápido que pôde, balançando um pouco mais do que o habitual, fazendo a população masculina na cafetaria a olhar. ― É verdade? ― Perguntou ela, sem fôlego, quando ela desabou na cadeira ao lado da minha. ― Será que Becks seriamente tentou esfaquear Ash? Será que Stryker o chutou nas

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bolas? Diga-me, Spitz. Apresse-se, eu estou morrendo aqui. Por um segundo, eu não podia falar. O que ela disse estava circulando por aí. ― Spitz, diga-me. ― Hooker, nada disso é verdade. ― Eu não pude deixar de rir de sua expressão decepcionada. ― Eles só tiveram um desentendimento. Isso é tudo. ― Um desentendimento? ― Ela repetiu. ― Sim. ― Um que terminou com eles lutando no chão? ― Eu não respondi. ― Por que eles estavam brigando de qualquer forma? ― Bem... ― Corei, me perdendo. Não havia nenhuma maneira que eu poderia dizer a ela o que Ash tinha feito, ou como Becks tinha reagido. De. Jeito. Nenhum. ― Não. ― Hooker disse, arregalando os olhos, um sorriso torto sentado em seu rosto. ― De jeito nenhum. Ela era uma leitora de mente ou algo assim? Eu me mexi desconfortavelmente no meu lugar. ― O que? ― Spitz! ― Ela me deu um tapa no braço, com força e sem remorso. ― Você está com Ash, agora, não é? Eu não posso acreditar que você está tentando manter isso em segredo. Você esqueceu que eu e Martha fomos às únicas que colocamos esta coisa toda em movimento? ― Sim, parabéns, ― eu murmurei, esfregando meu bíceps maltratado. Se essa coisa com Ash explodisse, pelo menos eu tinha duas outras pessoas para culpar. Além do meu estúpido ser. ― Ah, não seja assim. ― Hooker ainda estava sorrindo. ― Então... Quem é o melhor beijador? ― Hooker. ― O quê? ― Ela perguntou, toda inocente. ― Eu não posso dizer só de olhar. Ash tem melhores lábios, mas Becks parece que tem habilidades. ― Seu olhar se voltou pensativo, enquanto ela descansava o queixo na mão. ― Na verdade, ambos se parecem como se eles pudessem fazer uma menina feliz. Muito feliz. ― Céus, ― eu disse, a mão sobre os olhos. ― Pare Hooker. Por favor, você está me assustando. ― Huh, por quê? É perfeitamente natural comparar beijos. Sim, bem, eu não poderia fazer isso exatamente, desde que só tinha beijado Becks.

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Mas o que me enlouqueceu mais, foi o muito que Hooker, obviamente, tinha pensado em como um bom beijador Becks seria. Era simplesmente errado. E não havia como Ash ter melhores lábios do que Becks. ― Ok, então, quem foi o seu melhor beijo? ― Perguntei. Ela nem sequer hesitou. ― Wade Weathersbee, sétima série, atrás do ginásio. Weathersbee tinha um monte de entusiasmo e poderia fazer essa coisa giratória muito legal com a língua. Naturalmente dotado. ― Hooker balançou as sobrancelhas. ― Se você sabe o que quero dizer. Não sabia, mas soou realmente interessante. Quando eu estava criando coragem para perguntar a ela sobre isso, alguém disse: ― Sally, você está ocupada? Olhei para cima, diretamente para os olhos de Clayton Kent. Ele estava vestindo seu habitual uniforme de treinador assistente, mas a seriedade na sua expressão era tão fora do lugar, que me deixou desconfortável. ― Oh hey, Clayton, ― disse eu, tentando agir naturalmente. ― Se importaria de vir aqui, para que possamos conversar? ― Tem algo que você não pode dizer na minha frente, treinador Kent? ― Hooker fez beicinho. ― E eu pensei que você fosse um cavalheiro do sul. Ele lhe deu um sorriso condescendente, em seguida, me encarou. ― Sally? ― Claro. ― Seguindo-o para a mesa próxima, vazia em uma extremidade, a mais próxima de nós, eu me preparei. Clayton não fez rodeios. ― Sally, você realmente terminou com Becks? Eu engoli em seco. Deus, ele parecia irritado. ― Sim, eu acho. ― O que ele fez? ― Huh? ― Eu disse, silenciosamente. ― O que ele disse? Ele foi um idiota? ― Seus olhos brilharam e eu não acho que o tenha visto parecer tão hostil. ― Ele machucou você? Vou matá-lo se ele fez Sally. Eu juro. Você me diz agora, e eu vou cuidar dele. A ameaça era boa, mas o olhar em seu rosto era melhor. Eu não consegui me conter. O riso começou baixo em meu peito e borbulhou da minha boca, longo e alto. ― Oh. ― Eu engasguei. ― Clayton, eu não posso acreditar que você acabou de dizer isso. ― Enxugando as lágrimas dos meus olhos, eu coloquei minha mão em seu braço. ―

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Becks nunca iria me machucar. Ele não faria mal a qualquer garota e você sabe disso. ― Sim. ― Clayton concordou, com relutância. ― Eu estava apenas esperando por uma razão. Você sabe, ele seria espancado por cada um de nós. Leo, Thad, Ollie e eu não suportamos que ele te faça chorar. Ele não o fez, não é? ― Não, ― eu disse rapidamente. Seus olhos se tornaram desconfiados, mas eu sorri. ― É gentil de sua parte por oferecer, no entanto. Você sabe que é o meu favorito, certo, Clayton? ― É claro, ― disse ele, me puxando para um abraço de um braço. ― Então, você e O Açoite estão namorando agora? Eu dei de ombros. ― Isso é o que eles dizem. Clayton me colocou longe dele, com a mão apoiada no meu ombro. ― Está caminhando através do meu banco ou o quê? Primeiro Becks, agora Ash. Em seguida, você estará indo atrás de Rick Smythe. Ele tem um grande bloqueio, bom conjunto de panturrilhas. ― Por favor. ― Revirei os olhos. ― Como você sabe sobre mim e Ash? ― Ouvi diretamente da boca do cavalo enquanto ele e Becks estavam sendo advertidos por Crenshaw. O treinador não parecia muito feliz. Isso não soava bem. ― Eles não vão ficar em apuros, vão? ― Nah. ― Clayton negou. ― Eles vão ficar bem. Um pouco machucados, mas tudo bem. Então... A minha Sally e Ash Stryker, hein? 'Sash'25 ― ele disse para si mesmo. ― Isso não é ruim. ― Sim, ― eu disse, abaixando minha cabeça. Era estranho como ele parecia aceitar a mim e Ash mais fácil do que eu e Becks. Ele tinha levado menos de uma hora para ligar os nossos nomes juntos. Bom Deus. ― Hey. ― Clayton esperou até encontrar os seus olhos, em seguida, disse: ― Faça-o sofrer. ― O quê? ― Perguntei. ― Becks, ― ele sorriu. Seus olhos claros e cristalinos pareciam ver muito. ― Meu irmão precisa levar um golpe na cabeça, às vezes. Não se atreva a deixá-lo sair facilmente, Sally. Você apenas certifique-se de fazê-lo trabalhar um pouco antes de ceder. ― Mas Clayton... ― Gaguejei enquanto se afastava.

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Sash - Junção do nome Sally e Ash.

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― Faça-o sofrer, Sally, ― ele jogou por cima do ombro, deixando-me pasma. Clayton era um terrível irmão mais velho para dizer isso, mas ele era um bom amigo e eu apreciei o apoio. Eu não queria machucar Becks, mas seria doce fazer um pouco de ciúmes, saber que ele poderia ficar com ciúmes de mim, como um cara fica por uma menina, um homem por uma mulher. O tempo diria, entretanto, eu tinha que voltar para Hooker e descobrir mais sobre esta coisa de língua rolando.

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CAPÍTULO 15 Eles ganharam, é claro. Chariot passou tranquilo, após a segunda rodada da seccional e as quartas de final, também. Becks estava jogando melhor do que nunca. Como eu tinha ouvido Crenshaw dizer, foi como se alguém tivesse colocado gasolina sobre o fogo já aceso. Ele era imparável no campo, um exército devastador de futebol de um homem só. O treinador fez o máximo proveito da nova disputa entre Becks e Ash, sempre os colocando em conjunto, nunca deixando um de fora quando o outro estava em ação. 171 Não é como se eles fossem deixá-lo. Os dois pareciam estar em uma batalha sem quartel, para ver quem poderia fazer o melhor, marcar mais. Era incrível ver Ash tentar subir para o nível de Becks. O Açoite era uma força a ser reconhecida, mas isso era outra coisa. Becks acabou superando-o na segunda rodada, mas não na terceira, que eu poderia dizer que o perturbou muito. O dia depois que isso aconteceu, Becks veio até mim e disse: ― Você foi ao cinema com Imbecil Striker? Fechei meu armário, fazendo um rolar de olhos mental no nome. ― Sim, como você sabe? ― O imbecil twittou, ― ele disse em desgosto. ― Ele fez? ― Eu não poderia esconder a minha surpresa. ― O que ele disse? Becks ergueu o seu telefone alto para mim e eu fiz a varredura da tela. A conta era de @AshTheWhip24/7, e ele disse: ― Scream Deluxe, pipoca e uma mulher sexy mais velha ao meu lado. Não fica melhor do que isso. Eu ri. Ash era um bobo. ― Sal, nós deveríamos ter indo ver juntos. Era verdade. Becks era um grande fã de terror, mas Ash tinha me perguntado em primeiro lugar, e como ele disse, eu não podia esperar para sempre. Eu não faria isso. Os olhos de cachorrinho de Becks sempre tinham funcionado em mim no passado, mas agora eu era uma rocha. Rocha fria, dura, impassível. Eu apenas desejava que ele não parecesse tão desapontado comigo. Eu dei de ombros. ― Podemos ir vê-lo novamente, se quiser, mas eu teria que verificar e ver se não estou fazendo qualquer coisa com Ash. ― O que há com isso? ― Ele disse, exasperado. ― Ele é sua babá, agora? Sal, você odeia Twitter. Apenas no ano passado você chamou as pessoas que o fazem de ‘buscadores


da atenção on-line sem vida’. O que aconteceu? Você, eu pensei. Você aconteceu, e agora estou nesta missão estúpida para fazer você me ver como uma menina e para dar a alguém, que realmente gosta de mim, uma chance que, provavelmente, vai dar em nada, mas eu vou tentar o meu melhor de qualquer maneira. Chame-me do que você quiser, mas Sally Spitz não desistia. ― Então, Ash tweetou, ― eu disse. ― Não é um grande negócio. Eu o aceito por quem ele é, e ele me aceita por quem eu sou. ― Hmph. ― Becks disse e, então, se afastou sem olhar para trás. Mais tarde, o treinador estava treinando-os forte. Este seria o último treino antes das semi e ele queria que sua equipe preparada, mentalmente e fisicamente. Eles estavam nisso há uma hora e meia, antes de deixá-los ter a sua primeira pausa. Ash correu até mim, cabelo colado à cabeça com o suor, os músculos ondulando debaixo de sua pele, sem camiseta há muito longe. ― Hey, ― ele disse, me puxando para um abraço muito quente, muito molhado. ― Ugh, ― eu ri, então, sussurrei: ― Quando concordei em sair com você, eu não acho que abraços suados era parte do negócio. ― Eles totalmente eram. ― Ele me soltou com um puxão no meu rabo de cavalo. ― Boa impressão, Spitz. Nunca se esqueça de lê-lo. Você vai se arrepender se o fizer. ― Eu ouvi sobre seu tweet. ― De quem você ouviu isso, gostaria de saber? ― Ash parecia satisfeito. ― Diga-me, ele estava chorando quando lhe disse? Será que ele desceu em um joelho, pegou-a em seus braços e pediu-lhe para perdoá-lo, por ser um perdedor? ― Hey, ― eu disse. ― Não chame Becks de perdedor. Nós conversamos sobre isso. ― Tudo bem, tudo bem, ― disse ele. ― Eu estou trabalhando nisso. ― Ele é meu melhor amigo, Ash. E se vamos ser amigos, você precisa trabalhar mais. ― Eu disse que tudo bem. ― Ash cruzou os braços. ― Então, suponho que isso significa que você ainda está apaixonada por... ― Shhh! ― Eu assobiei, batendo uma mão sobre sua boca. ― Ele poderia ouvi-lo. Ash olhou para mim malignamente até que eu tirei minha mão. ― Vou tomar isso como um sim, ― ele murmurou. Um segundo depois, Becks estava lá ao meu lado, puxando-me em meu segundo abraço pegajoso do dia. Apesar do suor, eu fechei os olhos, sem poder me afastar, fundindo-

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me nele, sentindo-me em casa. Tinha sido um tempo desde que Becks me tocou. ― Ei, Sal, ― Becks murmurou, apertando seu abraço. ― Becks, ― eu suspirei. Ele realmente dava os melhores abraços. Quem sabe quanto tempo eu poderia ter ficado lá, provavelmente para sempre se Ash não tivesse escolhido esse momento para grunhir, um som alto e penetrante, que cortou minha neblina de Becks. Saindo de seu abraço, eu tentei parar o rubor das minhas bochechas. Pelo sorriso de Becks e olhar de desaprovação de Ash, eu poderia dizer que não funcionou. ― O Monte Tabor não terá chance, ― eu disse para preencher o silêncio constrangedor. ― Vocês parecem realmente grandes aí fora. ― Obrigado, Spitz. ― Ash sorriu. ― Você, também, parece bem. ― Não, eu... ― Não há necessidade de gaguejar. ― Olhando para si mesmo, ele flexionou seus músculos, o que trouxe ainda mais calor para o meu rosto. ― Muitas mulheres têm admirado meu físico. Becks bufou, cruzando os braços, seus próprios músculos contraindo com o movimento. As líderes de torcida jogaram gritos no nosso caminho; duas quase desmaiaram e eu não poderia culpá-las. Eu mesma estava prestes a desmaiar. Eu segui de Becks para Ash, Ash para Becks, peito a peito, mas não importa onde eu olhasse, havia mais pele. Com tanto excelente carne masculina em exposição, o que uma menina podia fazer? Ash estava sorrindo para mim, e Becks não parecia muito entusiasmado com isso. Olhando entre nós, uma sobrancelha arqueada, Becks disse: ― Vocês dois estão muito próximos, então, hein? Ele abordou a questão para mim, então, eu respondi: ― Sim, nós estamos chegando lá. ― Muito perto. ― Ash concordou, chegando ao meu lado, colocando uma mão nas minhas costas. Ele deu um beijo rápido no meu cabelo e Becks fez uma careta. ― Como está indo? ― Foi a próxima pergunta de Becks. ― Genial. ― Engoli em seco. Não há necessidade de dizer-lhe que Ash estava se transformando mais em um amigo do que um namorado. Não havia absolutamente nenhuma necessidade de dizer a Becks que não havia faísca. Não era como me sentia com ele. ― Genial, ― ele repetiu, olhando-me fixamente. ― É estranho, você não acha? Quão

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rápido você dois chegaram a estar juntos. ― Às vezes, você só sabe, ― disse Ash. Becks resmungou. Eu ainda estava tendo alucinações de toda a nudez, então, eu estava feliz que Ash estava atento das coisas. ― Spitz tem tudo o que eu estou procurando. ― Ash continuou. ― Ela é muito inteligente para mim, mas eu amo seu peculiar senso de humor. Não faz mal que ela seja linda. Estupidamente, eu me senti lisonjeada. Claro, era um monte de porcaria, mas porcaria ou não, Ash era bom em lisonja. ― Então, eu suponho que ela te mostrou seu AWC. ― Becks. ― Eu assobiei. Nada poderia ter me agarrado à atenção mais rápido. ― Seu o quê? ― Becks sorriu ao ver a expressão confusa de Ash. ― Spitz, o que é um AWC? ― Vá em frente. ― Becks solicitou. ― Mostre a ele, Sal. Oh, ele estava tão morto. Eu tinha quase certeza que vapor estava saindo dos meus ouvidos, e não tinha nada a ver com o calor do meio-dia. ― O que está errado, Sal? Você disse que os dois estavam próximos. ― Ele deu de ombros, atirando-me o mesmo sorriso irritante. ― Só pensei que ele gostaria de ver alguns dos seus talentos escondidos. ― Talentos ocultos? ― Perguntou Ash. ― É uma gíria AWC para algo... ― Ele correu os dedos pela minha espinha e eu pulei em estado de choque. ― Porque se for, eu ficaria feliz em ver tudo o que você tem para me mostrar. ― Você me dá nojo. ― Becks cuspiu. ― E você me irrita como o inferno. ― Ash respondeu. ― Estamos quites. Por certo, essa barba da sorte é estúpida. ― E você, também. Acho que estamos quites, também. ― Um jogador de futebol real não teria necessidade de recorrer a truques para ganhar um jogo. Alguns de nós conseguimos por talento natural. ― Cale-se, Stryker. ― Os olhos de Becks brilharam. ― Você não sabe nada sobre isso. ― Eu sei que nós não precisamos de algum conto de fadas idiota para nos ajudar a

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ganhar o Estadual, ― disse ele e antes que Becks pudesse dizer qualquer outra coisa. ― Spitz? Você vai mostrar ou não? Ambos estavam olhando para mim com expectativa. ― Vamos. ― Becks disse, o seu cenho dissolvendo-se em um sorriso lento. ― Nós trabalhamos nele durante semanas na quinta série, lembra? ― O quê? ― Disse Ash em estado de choque. ― Quinto ano? Isso é muito jovem, não é? ― Tudo bem. ― Eu suspirei. Seria melhor apenas acabar com isso, alguém tinha que tirar a mente de Ash da sujeira. Respirando fundo, revirando os olhos para o sorriso de Becks, inclinei minha cabeça para trás e lancei um som em algum lugar entre chamado de acasalamento das aves e cães morrendo. Durou ao menos dez segundos antes de acabar meu ar. ― Uau. ― Becks disse, soando como ele quisesse dizer: ― Isso foi ótimo, Sal. ― Eu sei, certo? ― Eu sorri. Em vez de sentir as ondas de constrangimento que eu esperava, eu estava orgulhosa de mim mesmo. Esse foi uma das melhores avisos Wookiee que eu já tinha feito. ― O que você achou Ash? ― Vendo a sua expressão perplexa, eu disse: ― AWC significa Aviso Wookiee de Chewbacca. Becks e eu aprendemos como fazê-lo em um destes tutoriais online. ― Eu sorri para Becks. ― Mas ele não pode sequer ter a primeira nota certa. ― Hey. ― Becks disse indignado: ― Eu poderia superar seu Vader qualquer dia. ― E, então, ele começou a demonstrar o fato, sorrindo, depois que dei uma rodada silenciosa de aplausos. Ele tinha uma boa voz de Darth-rouca, baixa e ameaçadora, mas não poderia fazer Chewie, nem para salvar sua vida. ― Eu pensei que fosse ‘Luke, eu sou seu pai!' ― disse Ash. ― Amador. ― Becks mudou seu foco para Ash, um desafio em seus olhos. ― O que você pode fazer Stryker? Se não gostasse mais do que qualquer coisa, eu teria dito que Becks estava sendo um idiota para Ash. Mas O Açoite não se deixou intimidar. Ash franziu os lábios, olhando ao redor um momento. Andando alguns passos, ele pegou uma vara do lacrosse e esperou, até que ele tinha toda a nossa atenção. Erguendo no ar, ele fez uma careta para nada, em seguida, agarrou-a entre as duas mãos e gritou: ― Vocês não passarão! ― Ele dirigiu a vara no chão com toda a força, os braços tremendo com a força do impacto.

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Depois de um momento, eu disse: ― Eu não sabia que você fazia Gandalf um dos meus favoritos.

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. Esse é

Ash atirou o pau de volta onde estava, passeando ao longo com um sorriso. ― Não é nada. ― Não, isso foi incrível. Não foi Becks? ― Eu me virei, mas Becks não estava mais lá. Ele voltou à equipe no campo. O apito soou e o treinador chamou os retardatários, de volta para a prática. ― Não se preocupe com isso, ― disse Ash, mas eu fiz. Eu não pude evitar.

Monte Tabor caiu em combate, mas entre Becks e Ash, não houve concurso. Eu tinha esperado até depois da escola, para me aproximar de Becks e felicitá-lo. Ele tinha sido cercado durante todo o dia. Era o último ano de Becks e estava no bom caminho de conseguir ser o melhor jogador do ano, a nível estadual (MVP) e ganhar mais um campeonato. Alguns atletas desmoronavam sob pressão, mas não o meu Becks. Eu estava tão orgulhosa dele. Apenas podia ver bem. Depois que Roxy se foi, finalmente, ela esteve falando em sua orelha, mostrando-lhe seu decote durante cerca de quinze minutos, me aproximei de Becks, encontrando-o em um daqueles momentos raros em que estava sozinho. Tinha fechado sua bolsa e eu abri minha boca, com um sorriso só para ele, quando ele disse: ― Se isto é sobre Stryker, eu não quero ouvir. Eu recuei. ― Eu só vim para dizer grande trabalho, ― disse eu. ― Você conseguiu Becks. CHS tem uma chance no estadual, terceiro ano consecutivo. ― Obrigado, eu sei, ― disse ele. ― Há algo mais? ― Não. ― Mais uma vez, fiquei surpresa. Quem era essa pessoa fria e o que fizeram com o meu Becks? ― Eu estou... Eu estou orgulhosa de você. Isso é tudo. Becks olhou para mim por um longo momento. ― Ash disse que vocês provavelmente ganhariam se você pode... ― Se vai falar sobre Ash, não fale para mim. ― Becks... ― Até mais, ― disse ele, virando-se. Nada de Sal, nenhum sorriso, nada. Ash veio atrás de mim e colocou a mão no meu ombro. ― Ei, Spitz, quer ir a uma festa hoje à noite? 26

Personagem de Senhor dos Anéis.

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Eu estava dormente demais para falar, portanto, escutei Ash me convidar para mais uma das festas de Mercedes. Era suposto ser maior e melhor do que qualquer uma das outras, até agora, uma verdadeira celebração já que Chariot tinha conseguido ir para a fase final. Ele disse que todos estavam indo. Eu devo ter concordado, embora eu, definitivamente, não me lembro de ter feito isso. Hooker tinha vindo à minha casa para arrumar meu cabelo e maquiagem, e Ash nos levou para a casa de Mercedes. Chegamos tarde, a festa já estava terminando quando chegamos. Isso foi principalmente obra minha. Eu tinha tomado um monte de tempo me preparando, então, eu não teria que ficar muito tempo. A Ash não lhe importava. ― Só uma aparição ― ele disse. ― Nós vamos fazer uma aparição, depois sair. ― Eu ainda estava desconfiada. A minha última visita à casa da Mercedes terminou em desgosto, lágrimas e um monte de palavrões alemão. Eu estava determinada a não deixar isso acontecer, novamente. Mas a primeira coisa que eu vi quando entrei foi Becks, sentado de forma descuidada entre duas meninas que eu nunca tinha visto antes. Ambas estavam sorrindo, felizes como todas, por estar tão perto do homem que ia levar Chariot para a sua próxima vitória. A visão fez subir a minha raiva, não por elas, mas por mim mesmo. Becks parecia horrível. Seus olhos estavam abatidos, a barba parecia um pouco mais descuidada do que o habitual e sua cabeça pendia sobre seus ombros. Era isso que significava ter um namorado? Deixando todos os meus outros amigos para trás? Eu nem sabia o que o estava incomodando. Ao vê-lo naquele estado me fez odiar-me um pouco. ― Eu estou indo buscar algo para beber, ― disse Ash em meu ouvido: ― Você quer alguma coisa? Eu balancei a cabeça. ― Volto em seguida. ― Ele saiu sem dizer mais nada. Como se ele estivesse esperando Ash sair, Becks levantou a cabeça, seus olhos indo direto para os meus. O que tinha colocado essa tristeza lá? Eu me perguntava, quando ele se levantou e andou até mim. ― Sal, ― disse ele, a voz suave. ― Becks. ― Você quer dançar? ― Claro, ― eu disse, pegando sua mão. O contato ainda enviou arrepios correndo através de mim. Fizemos nosso caminho para o centro da sala de estar, onde outros casais já estavam dançando. Eu mal notei. Depois que Becks colocou as mãos na minha cintura, meus braços chegando em torno de seu pescoço, estava perdida. Era apenas ele e eu. Nada mais importava.

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― Desculpe por mais cedo, ― disse ele. ― Tudo bem. ― Eu descansei minha bochecha contra seu peito e sentiu a forte batida de seu coração, firme, com certeza. ― Sinto muito que você está tão triste, ― eu disse calmamente. Becks suspirou, me puxando para mais perto. ― Eu não estou triste, Sal. ― Você não está? Depois de um momento, Becks sussurrou: ― Eu sinto sua falta. Engoli pesadamente enquanto ele descansava sua bochecha contra meu cabelo. ― Eu também. Nós não dissemos mais nada, não foi preciso. Mercedes deve ter uma lista de reprodução ou algo assim, porque a música que dançávamos agora, era a mesma que estava tocando quando eu tinha raspado a barba de Becks. A trilha sonora do primeiro e único beijo que ele já me deu. Eu nunca esqueceria aquela música. Quando as notas finais morreram, Becks e eu nos separamos. ― Posso interromper? ― Disse Ash. Becks olhou para ele, para mim, depois se virou e caminhou de volta ao seu lugar. Outra balada começou e Ash e eu assumimos a posição, os braços segurando-me mais perto do que o necessário. Inclinando-se, ele falou baixinho para que apenas eu pudesse ouvir. ― O que há com ele? ― Eu não sei, ― eu respondi, enquanto ele fundia ainda mais nossos dois corpos. Não havia espaço entre Ash e eu agora, e aqueles olhos tristes, os que eu amava, estavam fixos em nós, parecendo cansado. ― Esqueça isso, Spitz, ― disse Ash, aninhando meu pescoço. ― Ele vai superar isso. Não, pensei. Ele parecia miserável. Becks parecia completamente, totalmente miserável. Ele precisava de sua melhor amiga. Ele precisava de mim. Se ter um namorado estava tomando muito do meu tempo, havia apenas uma coisa a fazer.

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CAPÍTULO 16 ― Você quer terminar? ― Repetiu Ash. Eu balancei a cabeça. ― Eu acho que é o melhor. Estávamos sentados do lado de fora, em um dos bancos em frente da biblioteca. Eu o tinha obrigado a me encontrar aqui extra cedo, 6h 30, em um sábado, em retribuição. Hey, se ele podia marcar um encontro no início da madrugada, eu também poderia. Embora, eu realmente tenha feito isso, porque eu tinha que estar aqui de qualquer maneira, pelos meus garotos. Cantinho da Leitura não começava por mais uma hora, mas eu gostava de estar cedo sempre que podia. Minha capa se agitou em meus tornozelos. Havia uma brisa agradável, hoje. ― Você está falando sério, ― ele disse e, então, apontou para mim. ― E você vai terminar comigo usando isso? ― Você tem algo contra a vestimenta de mago? ― Perguntei. Ash sacudiu a cabeça. ― Spitz, isso é tão embaraçoso. Nós não poderíamos ir para dentro, onde ninguém pode nos ver? Eu não posso acreditar que você esteja vestida assim, em público. ― Nós não podemos ir para dentro. Eles não estão oficialmente abertos, ainda. ― Eu observei o rosto de perto. ― Realmente te incomoda? ― Não ― disse ele. ― O que me incomoda é o raio em sua testa. E o que você quer dizer com, quer romper comigo? Suspirei. Eu sabia que isso não iria bem. ― Ash, quando começamos esta coisa, eu sinceramente achei que você se cansaria de mim, depois de um encontro. Ash zombou, jogando seu braço sobre as costas do banco, fazendo um gesto de "Vá em frente" com a outra mão. ― Então, eu pensei que, talvez você pudesse me ajudar a superar Becks, como você ofereceu, ― eu continuei. ― Acabei gostando de você, como você disse. Tem sido ótimo sair com você na semana passada. ― Então, qual é o problema? ― Se sentou reto. ― Você gosta de sair comigo. Gosto de sair com você. Mesmo se você esteja me usando para fazer Becks ciumento, eu não me importaria. Seu rosto quando dançamos foi como...

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― Isso não foi ciúme. ― Eu cortei. ― Foi tristeza. Ash deu de ombros. ― Mesma coisa. ― Não, não realmente. ― Estendendo a mão, eu coloquei minha mão sobre a parte superior da sua. Ele tinha me tratado muito bem, e eu realmente gostava de falar com ele. Ao menos, eu tinha ganhado um amigo. ― Eu não quero fazer Becks infeliz. Isso nunca foi o que eu quis. ― Bem… ― Eu sei, eu sei que você não gosta de Becks... ― Eu balancei a cabeça, levantei os ombros, impotente. ― Mas eu sim. Mesmo que ele não sinta o mesmo sobre mim, eu ainda sou sua amiga. Eu não suporto vê-lo tão triste. ― Spitz, o cara te deixa triste sempre que ele está em torno de outra menina. O que ele fez para não ferir teus sentimentos? Eu corei. Ele tinha um ponto, mas isso não muda nada. ― Você é incrível, ― disse Ash, olhando para a minha expressão. ― Becks é cego por não ver o que está na frente dele, mas você, Spitz. Eu nunca conheci alguém como você antes. ― O que isso significa? ― Significa que você é uma aberração da natureza. ― Tentei me afastar, mas Ash não me deixou. Ele capturou meus dedos, sua outra mão se juntando a primeira. ― Depois de tudo o que ele te fez passar, a maioria das meninas gostaria de ter rasgado a garganta de Becks, mas não você. Eu senti a necessidade de esclarecer as coisas ― Ele não queria. Becks não tem ideia sobre meus sentimentos, por isso não é realmente culpa dele. Ash apontou para mim. ― É isso aí. É disso que estou falando. ― O que? ― Você já se ouviu? Você o defende. Ele é o único que coloca seu coração em um moedor e aqui está você o defendendo. ― As sobrancelhas de Ash baixaram; numa voz estranha, ele disse: ― Você realmente ama o cara, não é? ― Sim, ― eu disse. Estranho como era fácil dizer a Ash. Eu nunca pensei que poderia admitir a alguém, e muito menos ao Açoite, mas aí estava. Ele desviou os olhos, soltou minha mão lentamente, passando os dedos pelo cabelo. ― Acho que não posso competir com isso, ― disse ele em voz baixa. ― Obrigada por tudo, Ash. ― Eu sorri, dizendo seriamente. ― Agora que eu conheci

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você, o verdadeiro você, eu posso honestamente dizer que você é um dos caras mais legais que já conheci. Ash riu. ― Você é tão má quanto Becks, sabe disso? Eu fiz uma careta. De onde veio isso? ― Spitz, eu não sou um cara legal, ― disse ele categoricamente. ― Eu não quero ser seu amigo. ― Hã? Ele revirou os olhos enquanto se levantava. ― As meninas inteligentes são sempre as últimas a descobrir isso. Por que um cara como eu te convidaria para sair, se tudo o que eu queria era amizade? Você pode ser bonita, mas você não é muito observadora. ― Huh? ― Eu disse novamente. Eu entendi as palavras que saiam da sua boca, mas o significado por trás delas era um mistério. Era como se ele estivesse intencionalmente tentando me confundir. Inclinando-se, prendendo-me entre seus braços, ele colocou a mão no banco, de cada lado da minha cabeça. Engoli em seco quando ele estudou o meu rosto. O sorriso dele era totalmente de menino mau, não havia nada de cara legal lá. ― Eu te disse antes, eu gosto de você, Spitz, ― disse ele e eu arfei. ― Eu gosto muito de você. Enquanto eu me sentei lá em estado de choque, ele suavemente fechou o espaço entre nós, seus lábios se movendo sobre os meus em um beijo quente. Calor subiu entre nós dois. Ele queimou por alguns segundos e não se esfriou imediatamente, quando ele se inclinou para trás. Hooker tinha razão. Ash era um grande beijador. Foi ousado e inesperado, como o próprio homem, mas não passou mais profundo do que isso. Tão bom como ele era, tão quente como o beijo tinha sido... E tinha sido quente, acredite em mim, eu não tinha sentido nada como eu fiz com Becks. Quando Becks me beijou, ele tinha sido correto, tão completamente perfeito que eu soube instantaneamente. Era onde eu pertencia. ― Ash, eu também gosto de você, mas... ― Eu parei, não querendo constrangê-lo. Não é que eu não tenha gostado de beijar Ash. Qualquer garota teria amado beijá-lo, mas havia um problema: Ele não era Becks. Como eu poderia decepcioná-lo facilmente? O Açoite deu de ombros, como se ele pudesse ler minha mente. ― Só queria que você soubesse que tem opções. Talvez seja o melhor, uma vez que nenhum de nós estará em Chariot no próximo ano. ― Você não vai? ― Perguntei surpresa. ― Por quê?

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― Papai está de olho em uma vaga no Senado, ― disse ele sarcasticamente. ― Então, acho que isso significa que estarei em uma escola particular no último ano. Diversão, diversão. Nós dois sabíamos que não seria. Para um aluno do terceiro ano, com as aspirações no futebol colegial, Chariot Hight era o lugar para estar. Era uma verdadeira vergonha que seus pais iriam tirá-lo antes que ele pudesse ser observado. ― Eu sinto muito, Ash. ― Estendendo a mão, eu coloquei uma mão em seu braço em simpatia. ― Isso é uma merda. ― É sim. ― Ele pegou minha mão, olhos brincalhão, enquanto corria o polegar ao longo das costas dos meus dedos. ― Eu vou sentir sua falta, Sally Spitz. Eu ri. ― Eu também, Stryker. ― Se as coisas não funcionarem com Becks, me avise. Com um último sorriso e um beijo na minha têmpora, ele se afastou. Fiquei olhando para ele por mais tempo do que deveria. Ash poderia muito bem ter me dito que era um alienígena do planeta Vulcano. Teria me surpreendido menos se o fizesse. Um garoto, não apenas qualquer garoto, mas Ash "O Açoite" Styker, gostava de mim, Sally Spitz, uma idiota de primeira classe com um título de nerd. Não só gostava, mas gostava. A notícia era tão incrível como ficção científica, mas ele estava falando sério. E aquele beijo tinha sido definitivamente real. Meus lábios ainda estavam em chamas. Balançando a cabeça, eu fui para dentro. Além de lançar-me em uma espiral confusa, e sejamos realistas, aumentando a minha confiança como mulher, a conversa com Ash me fez perceber um fato indiscutível: Meninos eram estranhos. Eu tive mais uma confirmação um pouco mais tarde, quando eu estava no meio da leitura de Harry Potter. Dez, das doze crianças registradas, tinham aparecido hoje. Nós estávamos em uma parte realmente boa, aquela em que Hagrid encontrara Harry e os Dursley escondidos em uma cabana rodeada pelo mar. As crianças estavam adorando. Eu estava fazendo todas as vozes, e nenhum deles poderia resistir à atração da escrita de Jo Rowling. Abaixando a minha voz, eu dei às crianças uma piscadela cúmplice então disse, em um comovedor sotaque profundo cockney de Hagrid: ― 'Ah, vou ferver suas cabeças, de ambos'. Eles riram enquanto a minha chefe me fez calar, Sra. Carranza, a bibliotecária. Os olhos jovens em torno de mim eram discos, inclinados para frente com o anúncio que se aproximava. ― 'Harry-és um...' Eu parei no meio da frase, avistando Becks, que está na borda do nosso círculo,

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olhando para mim com um sorriso em seus olhos. ― Um o quê? Um o que? ― Disse Gwen Glick, puxando meu braço. ― Cale a boca, Gwen. Deixe-a terminar. ― Vince Splotts deu um empurrão. Olhei para ele com severidade, tentando esquecer Becks. ― Agora, Vince, você sabe que nós não falamos assim durante a leitura. ― Eu sei, mas... ― Peça desculpas, por favor, ― eu disse. ― Mas senhorita Sally, ela estava sendo chata. Eu estava apenas dizendo... ― Eu ouvi o que você disse. ― Eu cruzei os braços e inclinei a cabeça para Gwen, cujo lábio agora estava tremendo. ― Diga a Gwen que está arrependido, por favor. Vince revirou os olhos e murmurou. ― Desculpe. Olhei para a menina na camiseta desbotada de Star Trek. ― E o que você diz Gwen? ― Desculpas aceitas. ― Gwen murmurou, virando um olhar sobre Vince. ― E eu não sou chata. ― Gwen. ― Desculpe senhorita Sally, ― disse ela. ― Agora podemos ouvir o resto? O que Hagrid disse a Harry? ― Que ele é um mago, ― respondeu Becks. Quando Gwen o viu, ela sorriu e acenou como uma louca. Ele sorriu de volta. ― É isso mesmo, ― eu disse, fechando o livro. ― E eu acho que é hora de desenhar. As crianças gemeram e Vince disse em voz lastimosa: ― Mas senhorita Sally, nem sequer chegamos ao final desse capítulo. ― Nós podemos terminá-lo na próxima semana. ― Normalmente, eu tentava ler dois capítulos por sessão, mas Becks estava aqui agora, parecendo como se tivesse algo a dizer. Eu não tinha certeza se queria ouvir, mas a minha concentração se foi. ― Vão até a recepção e peçam a Sra. Carranza por algum papel e lápis de cor. Irei em seguida. As crianças se levantaram, resmungando enquanto eles faziam o seu caminho até a mesa e Vince deu de ombros, dizendo: ― Eu vou assistir ao filme de qualquer maneira. Ele se apressou e só Gwen ficou para trás.

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Becks avançou. ― Ei Sal, Senhorita Gwen. Como vão as coisas hoje? ― Olá, Becks, ― disse Gwen, saltando na ponta dos pés. ― Tudo ótimo. Senhorita Sally fez uma grande leitura e eu tenho excelentes notas no meu boletim. Exceto para ginástica, ― ela murmurou. ― O que não é realmente uma classe de qualquer maneira. ― Bem, desculpe-me, ― Becks disse. ― Mas ginástica foi a minha melhor matéria na escola primária. ― Sério? ― Gwen olhou desconfiada. ― Claro que foi. ― Oh, bem, eu realmente não tentei muito, assim. Talvez eu vá fazer melhor, da próxima vez. ― Eu tenho certeza que você vai. ― Ele deu-lhe um de seus sorrisos devastadores e a menina de dez anos de idade, parecia que estava apaixonada. Becks simplesmente tinha esse efeito nas mulheres. Dei um passo, tentando salvá-la de si mesma. ― Isso é ótimo, Gwen. Você vai me fazer outro desenho bonito hoje ou o quê? ― Mas eu estou falando com Becks, ― ela protestou. ― Vá em frente, ― disse Beckham. ― Eu tenho algo que preciso dizer a senhorita Sally. Vamos falar um pouco mais em outro momento. ― Tudo bem. ― Gwen se afastou emburrada, lançando olhares para nós por cima do ombro. ― Eu realmente gosto dessa ruivinha, ― disse Becks. ― Ela me lembra de você, Sal. Eu balancei a cabeça. Nós temos um monte de coisas em comum. Como o amor por Trek e, oh sim, o menino que está na minha frente. ― E aí? ― Não aqui, ― disse ele. ―Não quero que ninguém ouça. É um pouco pessoal. Tentei empurrar para longe o meu medo enquanto nos movíamos entre as fileiras. Uma vez que não podíamos ouvir mais os sussurros das crianças, parei, voltei-me para ele. Parecia que ele estava nervoso, pensativo. O primeiro era novo para mim. Becks quase nunca ficava nervoso, e quando o fazia, geralmente significava que algo ruim estava por vir. ― O que é? ― Eu perguntei antes de perder o pouco de coragem que eu tinha. Ninguém nunca realmente usou essa parte da biblioteca. Estávamos completamente sozinhos. Estava tentando decidir se era uma coisa boa ou não. ― Eu quero que você termine com Ash, ― disse ele.

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O que fosse que eu estava esperando, não era isso. ― O quê? ― Perguntei. ― Eu quero que você termine com ele, Sal. ― Becks parecia desconfortável, mas ele não recuou. ― Por quê? Becks afastou o olhar inquieto, olhando para os livros em torno de nós como se pudesse ter a resposta. ― Ele só não parece certo, ― ele disse finalmente. ― Você e Stryker são tão diferentes, Sal. Ele não é o certo para você. Mentalmente, eu concordei, mas decidi ouvir e ver aonde isso ia. ― Quero dizer, ele é um idiota, ― ele continuou. ― E você é… ― Eu sou o que? ― Você... É você. ― Eu fiz uma careta e ele tentou ajeitar. ― Não, não, eu não quis dizer isso. É uma coisa boa, Sal. Uma coisa muito boa. ― Como é bom, Becks? Ele franziu a testa para mim como se eu fosse a única a não fazer sentido. ― A coisa é, vocês dois juntos... Está simplesmente errado. Você não sente isso? Não consigo me concentrar na escola. Eu estou me saindo muito bem no campo, mas não posso ficar muito animado sobre isso, porque, então, eu me lembro de que você está com ele. Você nunca está mais por perto. Sinto tanta sua falta; isso está me deixando louco e... ― E? ― Eu segurei minha respiração. Uma coisa impossível já aconteceu hoje; Era demais esperar por outra? Será que Becks se sentia da mesma maneira que eu? Com certeza soava como assim fosse, mas eu estava com medo de ter esperança. ― Aqui está a verdade, Sal. ― Becks segurou o meu olhar enquanto eu esperava em suspense. ― Ash não é bom para você. Eu sei que você não está com ele por muito tempo, mas acho que há um caminho mais fácil. Você poderia dizer-lhe que percebeu que ainda tem sentimentos por mim. Suavizaria as coisas, e é uma mentira crível. Então, até a formatura em algumas semanas, eu voltaria a ser teu namorado falso. Fingir deverá ser mais fácil desta vez. Nós já fizemos isso uma vez. Meu peito contraiu, o ar em meus pulmões foi liberado em um longo suspiro. Isto é o que ele tinha para me dizer? ― O que você acha Sal? Eu pensei que estava tendo um ataque cardíaco, que é o que eu pensava. Com certeza senti como se estivesse morrendo.

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― Boa ideia, certo? Estúpida, é assim que eu senti naquele momento. Como a maior idiota do mundo e era tudo minha culpa por pensar, por um segundo, que Becks poderia me amar assim. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas não poderia prendê-las de volta. Não dessa vez. ― Essa é uma ideia horrível, ― eu disse, minha risada soando como um soluço. ― É a pior ideia que eu já ouvi. Os olhos dele ficaram preocupados, e ele deu um passo em frente, mas eu não iria deixá-lo mais perto. Eu não podia deixar Becks chegar mais perto ou eu poderia desmoronar. ― Porque você quer continuar fingindo quando tudo que eu quero fazer é torná-lo real. Ele congelou. ― Por quê...? ― Eu te amo, Becks, ― eu disse, as palavras soando verdadeiras, mesmo através do meu choro. ― Eu sempre te amei. Becks balançou para trás, como se a minha confissão o colocasse fisicamente fora de equilíbrio. O olhar de choque em seu rosto não ajudava. ― Eu sabia que você nunca olharia para mim dessa maneira, mas você deve ter tido alguma ideia, ― eu disse. ― A forma como eu sempre tenho te seguido, como eu queria estar ao teu lado, mais do que nada nesse mundo. Nossa amizade sempre foi irrefutável, Becks, mas eu te amei desde o início e nunca mais parei. Mesmo depois que eu percebi que você nunca poderia me amar, ― eu sussurrei. Um ombro apoiado fortemente contra a estante, seus olhos procuraram os meus. Becks sacudiu a cabeça, falando mais para si do que para mim. ― Eu teria sabido. Você teria dito para mim. Outra risada/soluço escapou. ― Eu estou te dizendo agora, Becks. Sonserina pode ser corajosa, às vezes, você sabe. ― Sal, eu... Eu também te amo. Minha cabeça se levantou de repente, as lágrimas esquecidas. ― O que você disse? Becks olhou em meus olhos comigo e repetiu: ― Eu te amo Sal. Eu sempre te amei. ― Não, ― eu disse, dando um passo para trás enquanto ele tomou outro para frente. ― Por favor, não faça isso, Becks. ― Fazer o quê? ― Disse ele e continuou andando até que minhas costas bateram na parede. Eu tentei desviar o olhar, mas ele estava tão perto, muito perto. ― Eu estou dizendo que eu te amo Sal. Apenas nunca havia um bom momento para dizer-lhe. Eu pensei que ia

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estragar tudo se lhe dissesse e você não sentisse o mesmo. Eu me senti assim desde o momento em que pus os olhos em você. Eu só... Nunca tive a coragem de dizer isso em voz alta. ― Becks, por favor. ― Eu estou te dizendo a verdade. ― Becks balançou a cabeça enquanto seus dedos corriam ao longo da minha bochecha. ― Porque você não pode acreditar em mim? A pergunta era tão semelhante ao que eu tinha lhe perguntado no passado. Apesar de que tinha sido sobre seu pescoço sortudo, a resposta que ele deu funcionou bem. ― Eu quero Becks. Realmente, eu quero. ― As palavras saíram da minha boca. ― É só que eu não estou disposta a dar uma chance a algo tão importante e perder. Ele zombou, afastando a mão longe de mim, o reconhecimento em seus olhos. ― Jesus, Sal, isso não é... ― Se eu estiver errada, ― disse em voz entrecortada, chorando de novo. ― A queda seria muito dolorosa. ― Sal, ― disse ele, depois de um momento. ― Eu não entendo. Eu coloquei minha mão em seu rosto, sentindo a picada da barba em minha pele. Sorrindo um sorriso aguado, eu disse: ― Eu sei que você não entende Becks. É como você e essa barba. Às vezes você quer acreditar em coisas tão ruins que você se convence de que elas são verdadeiras. Becks foi para responder, mas eu balancei a cabeça. ― Mas elas não são Becks. Não se engane. ― Eu recuei. ― Eu sou uma tola grande o suficiente por nós dois. Quando eu disse a Sra. Carranza, que eu precisava sair mais cedo, ela não me questionou. Devia ter um aspecto horrível, porque a mulher geralmente quer uma explicação para tudo. No carro, liguei o rádio em uma estação local onde eles, eventualmente, começaram a falar sobre Becks. Penn ou UCLA, disseram. Tinham reduzido a essas duas melhores opções, após os resultados desta semana. Suas vozes me deram um soco no estômago, mas foi como tapar um arranhão em cima de uma ferida de faca. Quando eu estava entrando na porta, a mamãe disse: ― Sally, eu tenho algo para você. Sua voz estava vindo da cozinha, então, me dirigi para lá, apenas consciente das minhas pernas em movimento. ― Mãe, eu não... ― Parei, vendo seu rosto. Seus olhos estavam tão brilhantes, queixo tremendo com a força de seu sorriso. Mamãe estava irradiando tanto; era como se ela tivesse engolido o sol. Em sua mão estava

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um envelope grande, branco, com o selo Duke na capa. ― Grande envelope, ― disse ela, balançando a cabeça, segurando o pacote para o alto. ― Você fez isso, baby. Você entrou. Quando ela correu para frente, jogando os braços em volta de mim em um grande abraço, eu a abracei de volta, sem saber mais o que fazer. Mamãe não parava de dizer o quão grande eu tinha feito, como ela sempre soube que iria ser aceita, como Duke tinha a sorte de me ter. Mas a notícia não me afetou do jeito que eu pensei que faria. Minha confissão tinha balançado o equilíbrio do meu mundo cuidadosamente construído. Becks sabia... E ele não tinha vindo atrás de mim. A recordação dele mentindo, para nós dois, mas principalmente para si mesmo, era... Trágico. Foi uma coisa boa que eu tivesse desabafado. Eu tinha chegado em Duke, um sonho, mas o sonho maior acabara de explodir na minha cara. Não importa onde ele escolhesse, Becks estava indo embora. Parecia a cena em Star Trek, onde Nero destrói o planeta Vulcan e não fica nada mais que um grande, fumegante, buraco negro. Minha alma era o buraco negro, e até mesmo o pensamento de Duke não poderia enchê-la. Quem sabia que era possível ser tão feliz e tão triste ao mesmo tempo?

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CAPÍTULO 17 Eu me movi para trás e para frente, de um pé para outro, até que eu não podia suportar mais um segundo. Olhando para o relógio, vendo o tempo, meu pulso aumentou a outro nível. ― Mãe, você está pronta? ― Eu chamei. ― Mais cinco minutos, ― disse ela. ― Eu não quero perder nada. ― Nós não vamos. Ela disse cinco minutos, dez minutos atrás, e já estávamos perto de perdê-lo. O jogo começaria às sete em ponto. Já estávamos a trinta minutos do começo. ― Céus. ― Mamãe disse, entrando na sala, parecendo fresca como uma margarida. ― Por que você está com tanta pressa? ― Mãe, o estacionamento vai se encher rápido. O lugar está sempre cheio para o campeonato. ― Nós vamos conseguir um espaço, Sally. Sim, eu pensei, provavelmente, em algum lugar no condado vizinho. Ela levou o seu tempo aplicando o batom enquanto eu tentava não deixar que a ansiedade chegasse a mim. Broughton estava bem este ano. Sua equipe não iria entregar o título estadual. Chariot iria ter que estar em seu jogo, hoje à noite. ― Tudo bem, pronto, ― mamãe disse, balançando sua bolsa sobre o ombro. ― Finalmente, ― eu disse, pegando minhas chaves, praticamente correndo para a porta. Uma vez que estávamos no carro, acelerei, revirando os olhos quando a mãe disse: ― Cinto de segurança. ― Claro, eu ia colocá-lo. Eu sempre usava o cinto de segurança, mas ela estava trocando estações de rádio como se tivéssemos sequer tempo para ouvir. Poderia ter levado vinte minutos para chegar ao estádio, mas não eu. Cinco quilometro acima do limite de velocidade não estava realmente em alta velocidade. ― Sally. ― O tom severo da mãe disse o contrário. Eu baixei a velocidade. Mas, falando sério, este era o campeonato. ― Parece que Becks fez a sua escolha. ― Mamãe disse casualmente. ― Eu não acho que alguém esperava que fosse à Universidade da Carolina do Norte. Todos pensavam que

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ele iria para fora do estado. ― Eu sei, eu falei sobre eles, mas os Tarheels são o número um. ― É por isso que ele os escolheu? ― Eu não sei mãe. É também, perto de sua família. ― Perto de você, também, ― ressaltou. ― Duke está o quê? Cinco quilômetros de distância da UNC? Eu atirei-lhe um olhar de nem-vá-lá. ― Tenho certeza de que nem sequer entrou em sua mente. Mamãe não iria recuar. ― E eu tenho certeza que ele fez. Como poderia ter? Eu pensei. Becks nem sabia que eu tinha sido aceita. Ele estava me evitando desde aquela cena constrangedora na biblioteca, o que foi bom, porque eu o estava evitando, também. Estendendo a mão, eu parei em uma estação com muita guitarra e muito graves. Becks tinha realmente feito o anúncio ontem, e como todo mundo, eu tinha sintonizado para vê-lo. Ele não tinha ligado depois. Apesar de que peguei meu telefone uma dúzia de vezes, eu também não. Era como se fôssemos estranhos. Nós mal tínhamos nos falado, e sempre que nós fizemos, era sempre sobre nada importante. Eu sentia falta dele mais do que nunca. Não tínhamos muito tempo antes da formatura, e se eu não tivesse dito nada, se nunca tivesse me ocorrido essa ideia do falso namorado, em primeiro lugar, estaríamos gastando cada minuto juntos. Ou pelo menos eu imaginei que teria. As coisas estavam tão ferradas. Eu mal conseguia lembrar os bons velhos tempos quando eu e Becks éramos somente eu e Becks. Agora, com toda a coisa de amor que pairava sobre nossas cabeças, ele tinha ficado mudo, e eu estava apenas tentando me manter a tona. Claro, as faculdades estavam pertos, mas o que importava, se não estávamos nem mesmo nos falando? Como esperado, quando a mamãe e eu chegamos, tivemos de estacionar cerca de meio quilometro de distância. Não havia lugares disponíveis no estacionamento, de modo que tivemos que estacionar ao lado do meio-fio, algumas ruas para baixo. Pegaram os nossos bilhetes, enquanto tentava recuperar o fôlego. Cara, foi uma longa caminhada. ― Chegaram. ― Hooker disse enquanto me juntava a ela e Cícero, em nossos lugares. ― Há pouco, ― eu disse, olhando em volta, procurando a mãe. Seu assovio estridente chamou a minha atenção e eu, finalmente, vi que ela parou de falar. Os Kents, todos além de Becks e Clayton, é claro, todos olharam para mim, acenando com entusiasmo. Eu acenei de volta, engolindo minha amargura. Becks não tinha parecido feliz em me ver em dias.

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― Dá para acreditar? ― Hooker disse quando me virei de volta para ela. ― Acreditar no quê? ― Perguntei. Eu devo ter estado distraída ou algo enquanto ela estava falando, porque ela parecia um pouco irritada. ― Becks. ― Afirmou, assim disse tudo. ― O que tem ele? Hooker olhou para mim como se tivesse germinado um globo ocular no meio da minha testa. ― Spitz, você tem que estar brincando comigo. você não assistiu ao noticiário na outra noite? Ou esta manhã? ― Oh. Sim. ― Bem, por que não está mais animada? ― Ela inclinou a cabeça. ― Você e Becks estarão minutos de distância um do outro. Quero dizer, com certeza, suas universidades são totalmente rivais, mas com toda a preocupação que você está tendo, eu pensei que você estaria louca de felicidade. ― Sim, ― eu disse com tristeza. ― Eu também. ― Oh, vamos lá, ― ela bufou. ― É tão óbvio que ele está fazendo isso por você. Como você pode não ver isso? Eu coloquei a mão sobre os lábios. ― Não vamos falar sobre isso, ok? Hooker fez uma careta. ― Você está sendo uma verdadeira idiota. Você sabe disso, certo? Eu dei de ombros. Enquanto nós não discutíssemos isso, eu não iria lembrar que Becks não tinha me dado ele próprio a notícia. Eu poderia esquecer que não estávamos falando, fingir que poderia continuar como sempre tivemos. Os jogadores saíram para o campo, e os meus olhos instantaneamente foram para Becks. Sua camiseta verde e branca brilhou sob as luzes do estádio, com o rosto determinado, mandíbula fortemente polvilhada com a sombra de uma barba, dando grandes saltos para aquecer as pernas, juntamente com os outros jogadores. Ele parecia fantástico. Foi embora a débil e miserável sombra da pessoa que havia sido há pouco menos de uma semana atrás. Este era Becks em seu elemento, gritando ordens à sua equipe, incendiando a multidão. Chariot estava aqui e eles estavam aqui para ganhar. A voz de Becks soou de novo, forte e poderosa. Eu tentei não pensar sobre o fato de que, até recentemente, eu não tinha passado um dia sem ouvir aquela voz. Não desde que nos conhecemos. Os primeiros quarenta e cinco minutos foram excruciantes. Chariot terminou um ponto

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na frente, mas a liderança foi duramente conquistada. Becks e Ash não estavam jogando pior do que eles tinham em qualquer outro momento durante o torneio, mas a equipe de Broughton não estava deixando. Toda vez que fazíamos um grande jogo, eles respondiam com um dos seus próprios. Eles estavam na defensiva, mas sua defesa estava nos matando. Correndo a bola pelo campo, meta a meta, era quase impossível. Seus garotos estavam por toda parte. Qualquer que fosse o time que ganhasse, no final, eles mereceriam, sem dúvida nenhuma. No intervalo, estava 3 a 2 e eu estava quase rouca de tanto gritar. Becks tinha marcado dois desses gols, Ash o outro. Mamãe estava ali com os Kents, os irmãos agitando os braços de forma expressiva, provavelmente, revivendo os melhores momentos da Chariot. Havia certamente muito por onde escolher. ― Maldito, Spitz. ― Hooker me deu uma cotovelada no lado. ― Ele é como um homem possuído. Eu sorri com orgulho. Possuído não era a palavra. Na última jogada, Becks tinha feito o trabalho de Rick Smythe, bloqueado a meta com o seu corpo, a bola rebatida em seu peito. Fenômeno teria sido mais preciso. ― Becks é o melhor, ― eu disse, sorrindo. ― Não há ninguém melhor. ― Ugh, poupe-me. ― Ela fez uma careta, encostando-se a Cícero. Ele passou um braço ao redor dela, discutindo esse último bloqueio com o cara sentado atrás dele. ― Se você o ama tanto, o que foi tudo isso na casa de Mercedes? Eu pensei que estava tudo acabado entre vocês dois. ― Está, ― eu murmurei, desejando não ter dito nada. Hooker estava me observando com cuidado, seu olhar direto demais. Eu estava preocupada se ela olhasse perto demais, ela veria a dor que eu tinha me esforçado tanto para manter escondida. ― Você não parece tão segura, Spitz, ― ela respondeu. ― Se as coisas não estivessem terminadas, eu teria algumas coisas para dizer. Número um seria, definitivamente, que você e Becks estão agindo como um par de idiotas de primeira classe. Porque você não pode apenas dizer a ele... Saltando para os meus pés, eu decidi que poderia ter tempo para uma pausa no banheiro. Ela estava, obviamente, a ponto de me dizer todas as razões para que eu devesse me confessar a Becks. Estive lá, fiz isso. Meu coração ainda não tinha se curado da primeira vez. A fila para o banheiro das mulheres seria longa e um refúgio dos olhos curiosos de Hooker. Eles disseram que haveria algo especial no intervalo, mas eu não tinha vontade de vêlo. Isso até que Becks saiu para o campo, carregando um microfone, Ash em seus calcanhares, Clayton arrastando uma cadeira atrás dele. A visão do trio foi tão inesperada que eu reduzi lentamente de volta para o meu lugar, ignorando a exclamação de Hooker: ― Isso é tudo? Que desculpa mais tonta para entretenimento.

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Eu não sabia disso na época, mas ela não poderia ter estado mais errada. ― Olá a todos. ― Becks disse, a voz ecoando pelos alto-falantes. ― Aproveitando o jogo até agora? As palavras foram recebidas com um rugido alto de aplausos e um par de vaias. Naturalmente, aquelas vieram do lado de Broughton. ― Sim, eu também. ― Becks exagerou enxugando o suor da testa e falta de ar, como se ele realmente estivesse trabalhando com mais força da que ele tinha. A multidão riu. ― Todos vocês provavelmente estão se perguntando o que estou fazendo aqui fora. ― Sim. ― Ollie gritou. ― O que diabos você está fazendo, Becks? Isso teve algumas risadinhas. Eu vi quando Leo o puxou de volta para baixo, bateu-lhe na cabeça e, depois, movi meus olhos de volta para Becks. O que diabos ele está fazendo? Eu me perguntava. Ele deveria utilizar este tempo para descansar e recarregar. Ao contrário, ele estava aqui fora fazendo exibicionismo para os fãs. ― Boa pergunta Ollie, e eu estou prestes a te dizer. ― Becks sorriu enquanto a multidão ficou em silêncio, à espera de ouvir o que ele diria em seguida. ― Todo mundo sabe que eu sou um pouco supersticioso. A prova está bem aqui, ― disse ele, se apontando, ― no meu rosto. Mas às vezes você tem que arriscar alguma coisa, se você deseja ter um retorno melhor. Murmúrios subiram, quando Becks se sentou na cadeira e Ash tirou uma navalha fora do bolso, segurando-a para que todos pudessem ver. Minhas mãos foram para os meus lábios, percebendo o que ele pretendia fazer. ― O que é isso? ― Disse Hooker, colocando a mão no meu ombro. ― Spitz, você está bem? Eu apenas sabia. Ele não faria isso... Não é? ― Não faça isso, Becks! Não faça isso! ― Gritou um fã. Buscando nas filas, Becks encontrou meus olhos, trancando nossos olhares, o meu chocado, o seu determinado. Seu microfone pegou as palavras e as lançou para que todos pudessem ouvir, mas as palavras eram realmente para os meus ouvidos. ― Isto aqui é para você, Sal. Alguém engasgou, ou um monte de alguém, realmente. Eu poderia ter sido um deles. A próxima coisa que eu soube, foi que Clayton tinha ensaboado as bochechas e queixo de Becks, certificando-se de cobrir toda a área inferior do rosto. Ash se moveu após ele, inclinando-se para fazer as honras. Antes que ele fizesse o primeiro corte, Ash falou no microfone. ― E o idiota me deixa fazê-lo, apenas para provar o quão sério ele está. Não caia na cilada, Spitz. Chame-me em

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seu lugar. O convite de Ash entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Eu estava muito focada no chamado idiota que eu amava. Becks raspou ali, qualquer sorte que poderia ter nessa barba, caiu a cada raspar de lâmina na pele. Levou menos de cinco minutos, mas o tempo todo a multidão parecia prender a respiração coletiva. Quando terminou, Becks se levantou e bateu Ash na parte das costas, como os garotos fazem, por vezes, e O Açoite devolveu o gesto. Como eu disse antes, caras = estranhos. Ponto. ― Obrigado a todos. ― Becks disse, olhando diretamente para mim, antes de Clayton roubar o microfone para o seu próprio anúncio especial. ― Sally Spitz. ― Clayton disse, examinando a plateia enquanto meu rosto ficava quente. Eu me afundei mais no meu lugar, mas ele ainda me viu, não foi muito difícil, pois alguns outros estavam procurando, também. ― Aí está você, garota. Só queria que você soubesse que se perdermos essa coisa, a culpa é sua. Puxa, obrigada, Clayton. Se as pessoas não sabiam quem eu era antes, eles com certeza sabiam agora. Eu não podia olhar a nenhum lado sem encontrar um olhar dos muitos fãs de Chariot. Tomei nota das saídas apenas no caso das coisas começarem a ir mal. ― Eu não entendo, ― disse Hooker, seu rosto uma pergunta. ― Por que ele disse que era para você? Tudo o que ele fez foi ter a sua estúpida barba raspada. ― Não sei, ― eu menti, sorrindo enquanto eu me virava, olhando diretamente nos olhos de outra fã. Deixei cair o sorriso, não queria provocar a mulher, mas eu estava radiante no interior. Hooker não tem que entender. Como Becks disse, essa apresentação era para mim e eu sabia exatamente o que significava. Meu coração quebrado em mosaicos (SAT uma grande palavra, que significa remendar) e não importa se a metade do estádio atacasse. A confissão de Becks tinha me dado asas. Eu poderia voar para fora de lá, se eu tivesse que fazer. O segundo tempo foi ainda mais brutal do que o primeiro. Broughton ficou à frente, 43, com poucos minutos restantes. Os olhares ameaçadores ficaram piores e Hooker desceu alguns lugares, temendo por sua segurança. Demorou um esforço de equipe, mas com uma assistência de Becks, Ash empatou o jogo. Em uma corrida de nervos, especialmente para mim, inimigo público número um na seção CHS, Becks fez o gol final, fazendo um chute impossível, que só ele poderia ter feito. No apito, todos pularam para cima, torcendo, gritando. As arquibancadas tremiam enquanto centenas de pessoas correram para as escadas. Parecia e soava como um terremoto. Tentei encontrar Becks logo depois, mas parecia que cada pessoa de Chariot correu ao campo. Não havia como contornar a parede de corpos enquanto o estádio se esvaziava. Equipes de TV e repórteres, membros da família, os fãs, foi uma loucura. No momento em que cheguei às grades da tribuna, eu não conseguia nem ver Becks no mar de pessoas.

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Isto é, até que ele foi erguido bem alto no ar, sobre os ombros de sua equipe. Olhe para mim, pensei. Por favor, olhe para mim, apenas uma vez, para que eu saiba que estamos bem. E, então, ele o fez. Foi só por um momento, mas os nossos olhos se encontraram acima da multidão de pessoas celebrando. Todo o resto derreteu. Era apenas Becks e eu. No segundo seguinte, ele foi levado enquanto a multidão passava em direção aos vestiários, enquanto eu ainda estava presa na tribuna, mas isso não importava. Pouco antes de ele ser levado, Becks tinha me dado o mais desesperado olhar, como se ele não quisesse me deixar tanto quanto eu queria que ele fosse. Eu sabia que estava sorrindo como uma idiota, mas não podia parar. Não queria. Eu não estava mais nervosa. Eu sabia que estávamos indo ficar bem. Melhor que nunca. E eu também sabia, com uma certeza que não podia ser abalada, que Becks iria chamar, e falaríamos, e as coisas estariam bem, novamente. Definido em volume alto, eu coloquei meu telefone no meu bolso e tentei não verificálo a cada cinco segundos.

****

Quando Becks finalmente chamou, eram 04:27. Eu tinha adormecido no meu quarto, mas fui acordada pelo tema de Star Wars, enchendo meus ouvidos. ― Becks? ― Eu disse, de repente, de pé. ― Você está bem? O que está errado? ― Eu estou na porta. ― O que? ― Eu estou em sua porta da frente, ― ele repetiu mais alto, mas ainda sussurrando. ― Fora de sua casa. Eu não podia esperar até amanhã. ― Ok, ― eu disse. ― Descerei em um segundo. ―Colocando meu snuggie Yoda, eu andei na ponta dos pés até a porta da frente o mais rápido que pude, não querendo acordar a mamãe. Quando eu a abri, Becks disse: ― Obrigado, ― em seguida, passou por mim na sala, mal encontrando meus olhos. Fechei a porta com cuidado, lançando o bloqueio, imaginando o que tudo isso se tratava.

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Acho que eu estava indo descobrir em um segundo. Liguei uma lâmpada, em seguida, sentei-me ao lado dele no sofá. Becks estava apenas sentado ali, sorrindo diretamente em meus olhos, como se não fossem duas horas antes do amanhecer. ― Desculpe, está tão tarde. Eu só não consegui escapar de Clayton e os meninos. Você não vai me felicitar, Sal? ― Huh? ― Eu disse. ― Sobre o jogo. ― Ele se inclinou para trás, fazendo-se confortável. ― Você nunca disse nada sobre o jogo. Todos e sua mãe falaram comigo sobre isso, mas eu queria ter a sua opinião. ― Às quatro e meia da manhã? ― Disse sem expressão. ― Se isso significa ouvir a sua voz, então, sim. ― disse ele. ― Quatro e trinta soa bem para mim. Eu segurei à vertigem, no rosto a máscara de desaprovação. ― O que você estava pensando? ― Eu disse, cutucando-o no peito. Becks pareceu surpreso, mas eu estava apenas começando. ― Como você pode ter arriscado o campeonato, o campeonato, Becks, só para puxar um golpe como esse? Por que você faria isso? ― Ah, Sal, você adorou. ― Eu não. ― Eu cruzei os braços. ― Isso foi apenas a coisa mais estúpida que eu já vi. ― Não quer dizer a mais doce? ― Seus braços vieram ao redor de mim, e quando eu permiti, Becks sorriu. ― Vamos, Sal, não fique brava. Você sabe que eu fiz tudo para você. ― Você fez isso para impressionar as pessoas, ― eu corrigi. ― Não, ― ele disse. ― Eu fiz isso para impressioná-la. Funcionou? Cedendo, coloquei a mão sobre a pele suave do seu rosto. Não havia nada que eu gostasse mais do que um Becks barbeado, mas desta vez ele queria dizer algo diferente, algo mais. ― Por quê? ― Perguntei novamente. Ele ligou suas mãos nas minhas costas e me puxou para mais perto. ― Eu tinha certeza que você não iria acreditar em mim, se eu não fizesse algo drástico. Você não quis me ouvir, então, eu decidi mostrar o quanto eu te amo. ― Um campeonato é muito para apostar. ― eu disse, meu coração subindo. Ele tinha dito isso de novo, e desta vez eu estava escutando. Eu estava ouvindo-o, alto e claro, e eu

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desesperadamente queria ouvi-lo dizer essas palavras doces mais e mais. ― Não, se eu tirá-la do negócio. ― Becks olhou para mim, expressão séria, olhos nos meus. ― Eu te amo Sal. Eu nunca disse nada porque achei que você sabia e simplesmente não sentia o mesmo. Eu não podia arriscar perder você, a nossa amizade. Achei que seríamos sempre ‘apenas amigos’. Quando você me pediu para ser seu namorado falso, eu juro que meu coração parou. É isso, eu pensei. Minha única chance. Mesmo que não estávamos realmente juntos, eu decidi fazer mais do mesmo. ― Ele fez uma pausa para se certificar de que eu estava ouvindo. ― Mas você tem que saber. Cada palavra que eu disse, era tudo verdade. Cada palavra. Você é a minha garota, Sal. Eu amo que você é tão esperta, mas ainda um pouco louca. Eu amo suas sardas. ― Prendi a respiração quando seus dedos roçaram meu nariz. ― Eu amo que seu filme favorito é, possivelmente, o pior filme do planeta. Deus, eu amo quando você fala alemão para mim. Eu não tenho ideia do que você está dizendo, mas eu adoro isso. Quando você me disse que me amava, também... ― Ele balançou a cabeça, um olhar de espanto no rosto. ― Eu tenho sido muito estúpido, mas eu estou colocando um fim nisso, agora. Meus olhos se umedeceram de sua confissão. Pisquei furiosamente, não querendo estragar este momento bonito chorando. Becks me amava! Era tão inacreditável, mas a verdade me bateu forte quando eu vi o olhar em seus olhos. ― Sal, não chore. ― Usando o polegar, ele gentilmente afastou a primeira lágrima a cair. ― Há apenas uma coisa que eu sei e sempre soube, o que eu queria da vida. E é você. O choro realmente começou, então, e Becks amaldiçoando, puxou-me para ele. Eu ignorei o rangido delator da escada e o seguinte suspiro, que me disse que a mamãe estava definitivamente em cima e ouvindo. Pelo discreto choramingo, não o meu, pensei que ela poderia estar chorando, também. Depois de um momento, durante o qual ele continuou a esfregar minhas costas, ele disse: ― Você está bem, Sal? ― Sim. ― Fungando, eu puxei para trás, mas Becks não me deixou ir longe. Com todas as palavras bonitas de Becks correndo selvagem na minha cabeça, eu quase esqueci sobre o seu grande anúncio universitário. ― Então... UNC? ― Ouvi dizer que estava indo para Duke. ― Becks deu de ombros. ― UNC me ofereceu uma bolsa integral. Eu dei-lhe um olhar. ― Não o fizeram todas? Ele apenas riu. ― O que posso dizer? O treinador disse que eles precisam de mim. ― Becks olhou para baixo, em seguida, de volta para mim. ― E eu preciso de você. Eu derreti nele. Como ele sempre sabe exatamente o que dizer? ― Eu te amo tanto. ― Eu sei. ― Inclinando-se mais perto, ele baixou a voz para um sussurro e disse: ― Eu sou seu Huckleberry. E ele era, eu pensei, enquanto me beijava deixando sem fôlego. Ele era meu Huckleberry, meu Han Solo, meu único, mas acima de tudo ele era meu Becks e eu era sua

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Sal. Essa era a verdade. NĂŁo existe nada melhor do que isso.

FIM 198


SOBRE O AUTOR Cookie O'Gorman escreve histórias cheias de humor e coração para o nerd em todos nós. Primeiros beijos ardentes, diálogo ágil, meninas inteligentes, meninos dignos de desmaio, e amizades inquebráveis, são destaque em cada um de seus livros. Cookie é uma romântica incurável, uma aficionada de Harry Potter e uma torcedora de todas as coisas idiotas. Chocolate, comida chinesa e dramas asiáticos são a sua criptonita. Acima de tudo, ela acredita que a vida real tem bastante tristeza e desespero e é por isso que ela sempre tenta dar a seus personagens um final feliz. Adorkable é seu romance de estréia.

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Adorkable - Cookie O'Gorman  
Adorkable - Cookie O'Gorman  
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