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ESTUDO DE VOCAÇÕES E POTENCIALIDADES Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais - RN RELATÓRIO CONSOLIDADO Abril, 2013

Projeto/Atividade:

CONSULTORIA DE PROTÓTIPOS PARA O DESENVOLVIMENTO

Período:

ABRIL – 2013

Carga Horária:

50 HORAS

Local/Locais:

CARNAUBAIS

Empresa Executora:

CONTA NET CONSULTORIA

Consultor/Instrutor:

Aluísio Azevedo Júnior

Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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Agradecimentos A consultoria que realizamos foi um passo importante para a definição das estratégias do município de Carnaubais, em busca do seu desenvolvimento, do aproveitamento de suas reais possibilidades, de suas vocações naturais. Não conseguiríamos empreender tão inédita jornada de avaliações, estudos, pesquisas, não fosse a determinação do Poder Executivo Municipal, capitaneado pelo prefeito municipal Luiz Gonzaga Cavalcante Dantas. As secretarias municipais, especialmente a de Desenvolvimento Rural, Meio Ambiente e Turismo, foram receptivas e forneceram subsídios importantes. O SESCOOP - Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – do RN, uma instituição integrante do sistema "S", afirmando sua missão de capacitação, promoção social e a divulgação das cooperativas, parceiro da AIPDES e da AGN, apoiou e incentivou a visitação, a busca de informações, produção de sugestões e alternativas e arranjos produtivos para Carnaubais.

Escopo do Trabalho Áreas econômica, social, cultural, educacional e produtiva do município: oportunidades de mercado, estratégias competitivas, potencialidades e vocações produtivas. Os temas propostos no ESCOPO serão desenvolvidos e aplicados visando a elaboração de um estudo para auxiliar na determinação de prioridades para o desenvolvimento de projetos.

Perspectivas da Consultoria Análise de cenários econômico, social e estrutural do município, visando perspectivas de seu crescimento sustentável.

Etapas e Forma de Atuação Coleta de informações básicas demográficas, econômicas, financeiras, visitações, registros, e entrevistas com agentes e colaboradores; Estudo, diagnóstico da situaçãoproblema, avaliação; Identificação de processos prioritários de atuação, sugestões para o desenvolvimento de ações prioritárias; Levantamento de carências e demandas, recursos humanos, materiais e tecnológicos; Avaliação da real capacidade de crescimento, com base na mão de obra disponível, seu grau de escolaridade, infraestrutura, recursos naturais existentes; Organização da informação, definição de estratégias, processos de desenvolvimento sustentável; Levantamento de propostas e colaborações de agentes políticos, econômicos do município e técnicos das diversas áreas, visita a experimentos aderentes, abordagens e pesquisas; Formalização de relatório final, contendo diagnóstico, avaliação de potencialidades, vocações e sugestões de implementação dos projetos de desenvolvimento no município de Carnaubais.

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Avaliação das Possibilidades de Apoio dos Parceiros Projetos voltados para a economia social envolvem as áreas de microcrédito, economia solidária, comunicação, energia, turismo, agropecuária, indústria, comércio, educação e saúde. No acender das primeiras luzes, a Agência de Fomento do Rio Grande do Norte (AGN-RN) e a Agência Internacional de Promoção e Defesa da Economia Social (AIPDES) se agregaram, como parceiros institucionais. Outros importantes agentes, como Petrobrás, BNB, Caixa Econômica Federal, universidades, além de organizações não governamentais, poderão oferecer colaborações e apoio às iniciativas. Ressalte-se o apoio da OCB e do SESCOOP-RN, na constituição, recuperação e qualificação de cooperativas, bem como na busca de alternativas para o município.

Referências Buscamos, para a realização deste trabalho, referências nas experiências concretas do semiárido nordestino, especialmente na pesquisa de instituições como Embrapa, Emater, universidades, prefeituras, associações, empresas, etc. Além da investigação técnica, entrevistamos as pessoas da comunidade, buscamos idéias e sugestões de profissionais, estudiosos, agentes políticos, produtores locais, dotados de vivências e conhecimentos indispensáveis a uma avaliação eficaz de potencialidades.

Estratégia Uma forma de pensar o futuro, integrada no processo decisório, com base em procedimento formalizado e articulador de resultados. (Mintzberg)

A realização de objetivos pressupõe adoção de estratégias consistentes. O processo estratégico é extremamente recomendável, como método, para o desenvolvimento de planejamentos, de planos formais, bem como para a efetivação de projetos. Nos trabalhos da consultoria, este ferramental serviu, ainda, de instrumento para tratativas, mesmo que implícito em algumas abordagens. Ser estratégico é entender-se, reconhecer o seu campo interno; posicionar-se, visualizar o mundo a sua volta; utilizar tais análises para embasar ações que empreenderão o desenvolvimento almejado, em busca de objetivos, em busca do futuro desejado.

Integração e Sinergia A concatenação das cadeias produtivas, formando um grande arranjo, harmônico, integrado, será fundamental para o sucesso das iniciativas. É certo que os empregos, a renda, as oportunidades de trabalho serão geradas pela constituição de uma consistente rede produtiva agropecuária, extrativista, industrial e de serviços. Diante de um vasto leque de possibilidades, deveremos escolher as propostas mais aderentes às potencialidades e vocações produtivas de Carnaubais. De nada adiantará a

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construção de planos mirabolantes, suntuosos, soluções genéricas e onerosas, desapegadas da realidade local, desconectadas das bases que deveriam sustentá-las. Para atender às premissas de sustentabilidade, adequabilidade, consistência, efetividade, optamos pela valorização do mercado local. Nossas sugestões, aqui formalizadas, direcionam cada iniciativa individualizada para alimentação da cadeia produtiva seguinte, num ciclo virtuoso de produtos que agregam mais e mais valor. A soma sinérgica (maior do que a simples adição dos fatores) será resultante dessa integração de cadeias. Revitalizar a carnaubeira, consorciando-a com a parreira; da uva para a produção industrial do vinho; de um vinho, embalado com artesanato de palhas, um salto complementar nos levará ao projeto de turismo ecológico e rural. A integração das oleaginosas que se predispõem a produzir biodiesel, mas que podem gerar uma fabricação de óleo comestível, alternativamente; da moeda social que une todas as pontas, retendo valores antes evadidos, possibilitando desenvolvimento da economia local. Eis a estratégia de criação de ciclos fechados, culminando com o consumo no próprio mercado ou a manufatura agregadora de valor, gerando maiores níveis de ocupação e renda.

Ciclo virtuoso de cadeias produtivas, amparado por infraestrutura básica.

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ESTUDO DE POTENCIALIDADES PROTÓTIPOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 1 - Introdução São evidentes os riscos iminentes de redução dos investimentos voltados à produção do petróleo no Rio Grande do Norte, fonte geradora de riquezas. Acende-se um sinal amarelo para os planejadores e executores das políticas públicas. Decerto, os royalties e as cadeias produtivas acabaram por criar uma situação de conforto, uma acomodação perigosa. Todavia, tais reservas exploradas, independentemente da extensão e abundância, são recursos esgotáveis. Isso é fato. Os municípios hoje beneficiados pela produção e escoamento precisam reinventar-se, urgentemente, preparando-se para as fases posteriores ao ciclo petrolífero. Para traçar caminhos sustentáveis de desenvolvimento faz-se necessária a identificação de vocações e potencialidades consistentes, verdadeiras, perenes, factíveis e viáveis. Eis o nosso desafio. Investimentos levarão tombo no RN Publicação: 21 de Abril de 2013 – Tribuna do Norte A Petrobras planeja reduzir o nível de investimento no Rio Grande do Norte. É o que revela o Plano de Negócios e Gestão da estatal para o RN e o Ceará em vigor. O PNG, que traz os investimentos a serem aplicados entre 2013 e 2017, mostra uma redução de 69,87% no valor a ser investido na Bacia Potiguar nos próximos quatro anos. A companhia, que pretende investir R$ 1,31 bilhão no RN e CE este ano, sinaliza que investirá R$ 397 milhões nos dois estados em 2017 - quase R$ 1 bilhão a menos. Os números foram apresentados pela Petrobras em audiência pública em Mossoró na semana passada e disponibilizados esta semana pelo Sindicato dos Petroleiros do RN em audiência pública em Natal. A companhia nem confirmou nem desmentiu a informação. O gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção do Rio Grande do Norte e Ceará, Luiz Ferradans Mato, que participou das duas audiências, limitou-se a dizer que o plano é revisto anualmente e que o valor a ser investido entre 2015 e 2017 pode ser alterado. A produção de petróleo no Rio Grande do Norte despencou nos últimos anos, o que vem demandando novos projetos da Petrobras Os hotéis do município registram queda de até 55% na taxa de ocupação, segundo o Sindicato dos Bares, Restaurantes e Hotéis de Mossoró. A tendência, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas local, era de que o quadro se agravasse, se nenhuma medida fosse tomada. Para reverter a situação, a companhia assegurou que os terceirizados demitidos serão recontratados e explicou que tem se esforçado para evitar que a produção de gás e petróleo caia ainda mais no estado. Nos últimos anos, o volume de barris de petróleo produzido pelo RN caiu de 100 mil para 70 mil barris. A produção apresentou uma leve recuperação no último ano, mas segundo o coordenador do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia e ex-secretário de Energia do RN, Jean Paul Prates, o quadro geral ainda é de ‘desaquecimento’. Aldemir Freire, economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estado, reconhece o impacto da desaceleração da produção na economia do estado, e afirma que é hora do estado procurar outra alternativa. Os poços do RN, apesar dos projetos de revitalização, têm perdido a capacidade de produção. Luiz Ferradans, um dos gerentes gerais da Petrobras, diz que “se a Petrobras não atuasse de forma firme, a possibilidade de extração já teria se esgotado”.

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Para realizar projeções em relação ao futuro, ensaios sobre o desenvolvimento, descobertas e aproveitamentos de potenciais, nossos estudos demandaram método, pesquisa, análise de tecnologias desenvolvidas no semiárido, empenho na promoção de arranjos e identificação de soluções apropriadas.

2 - Infraestrutura de Comunicação, Energia, Educação/Cultura, Economia Solidária/Crédito Produtivo As iniciativas empreendedoras devem alinhar-se com estudos estratégicos e prioridades do Governo Municipal de Carnaubais. Assim, ocorrerá um desenvolvimento organizado de alternativas produtivas para o município, de forma autossustentável e sinérgica. A conquista de melhores patamares sócio-econômicos requer um trabalho prévio de planejamento das ações, visualizados o médio e o longo prazo de execução. Amplitude e complexidades dos fatores exigem uma abordagem específica para cada segmento. Este produto de consultoria não tem a pretensão de esgotar o debate, mas primordialmente encetá-lo, motivando, provocando o pensamento de todos os agentes locais e stakeholders (agentes de interação). Oportunamente, receberá complementações, enquanto necessárias ao aperfeiçoamento dos projetos, produzidas por profissionais e instituições técnicas especializadas. Para sustentar todo o processo de desenvolvimento, algumas condições estruturais devem ser revistas, ampliadas, melhoradas. Esses fatores funcionam como pilares para construção do que se pretende, para o sucesso das realizações empreendedoras.

2.1 - Comunicação Buscamos exemplo no Ceará de como é possível aliar tecnologia, cultura local e atividade rural, com uma pitada de criatividade para articular os ingredientes. Trata-se da cidade de Tauá, localizada na região de Inhamuns, que iniciou o seu projeto Cidade Digital, em julho de 2006, após firmar acordo com o Ministério das Comunicações. Os chamarizes do projeto foram telefones públicos equipados com tecnologia VoIP, que permitiram ligações telefônicas através da internet, decorados com a figura do bode (Bodefones) – animal cuja criação se constitui numa das principais atividades econômicas da região -. Eis uma ação criativa e empreendedora. De forma semelhante, Carnaubais demanda vigorosa estrutura de telecomunicação, para a consecução de seus projetos. Além de proporcionar redução de custos telefônicos, interligação com o mundo, transparência governamental, a participação comunitária ganhará força com a implantação de um projeto do tipo Carnaubais Digital. Conexões “sem fio” e universalização do acesso à rede mundial de computadores representam um investimento de baixo custo e um pressuposto para a realização de outras tantas iniciativas empreendedoras.

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Um Pólo Digital para Carnaubais Mais do que VoIP (tecnologia de voz sobre IP, para telefonia), orelhões e centrais de telefonia pública, o Programa de Universalização das Telecomunicações de Carnaubais incluiria a conexão de internet e computadores em escolas, quiosques digitais, centro municipal de capacitação, preferencialmente, agregado ao EJA (núcleo municipal já operante de Educação para Jovens e Adultos). Além disso, um pólo de software poderá desenvolver e fornecer ferramentas necessárias à comunicação pública, permitindo maior transparência das contas governamentais. Considerando-se o custo de implantar ferramentas informatizadas, páginas de internet, contratando terceiros, indagamos: por que não formar esta mão de obra no próprio município e fazer uso dos novos profissionais, gerando emprego e renda? No contexto do Projeto, as escolas municipais receberiam laboratórios de informática, cada um com 10 computadores, usados pelos alunos apenas no horário escolar. Fora deste horário, transformar-se-iam em telecentros (abertos à comunidade), inclusive aos sábados. Estruturas pré-existentes, dotadas de finalidade aderente, podem ser incorporadas. Quiosques Digitais seriam espalhados, estrategicamente, em prédios públicos ou estabelecimentos parceiros (associações, entidades beneficentes, museus e cooperativas), pela cidade, dotados de três computadores cada. Tais espaços funcionarão todos os dias da semana, oferecendo acesso gratuito à população. A praça central da cidade, com acesso wi-fi livre, também constituiria um benefício adicional ao cidadão carnaubense.

A sede do projeto Carnaubais Digital poderia compartilhar o mesmo ambiente com o atual EJA, ou nas instalações da Secretaria de Trabalho e Bem-Estar Social, onde se montaria um Centro de Capacitação Tecnológica, e uma sala de videoconferência para formação à distância. Neste Centro de Capacitação, seriam disponibilizados 20 computadores, usados de segunda a sexta para aulas – oferecendo-se cursos de programação ambiente Linux, por exemplo -. Aos sábados, liberados para uso geral pela comunidade. Na área da saúde, a prefeitura poderá modernizar a ação dos agentes comunitários, fazendo com que as visitas sejam registradas com palmtops, com digitalização das informações, que serão mais facilmente enviadas e trabalhadas.

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Percebam a conectividade e efeito disseminador do Projeto, envolvendo novas áreas, demandando novas capacitações, gerando mais e mais oportunidades de trabalho QUALIFICADO. Os Postos de Saúde da Família e as unidades de saúde do município precisam ser conectados à rede mundial de computadores. Parcerias com entidades governamentais, a exemplo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BNB e Caixa Econômica Federal, além de Petrobrás, SEBRAE, OCB/SESCOOP, AGN, AIPDES serão fundamentais para o levantamento dos recursos e do apoio necessário. No que se refere a e-gov, a prefeitura poderia implantar, ainda, um canal aberto com os moradores, um tipo de ouvidoria “Fala Carnaubais”, através da qual receberia e-mails, reclamações, sugestões, elogios, os mais variados pedidos de utilidade pública. Estamos falando de uma pequena revolução na comunicação oficial, ainda com a página “Transparência Carnaubais”, em que se encontrariam, por exemplo, demonstrações contábeis do município. Além do Executivo, o Legislativo e o Judiciário poderiam se fazer presentes. A legislação do município estaria on-line, incluindo a Lei Orgânica da cidade. Enquetes de pesquisa, feitas através do site, serviriam de parâmetro para algumas iniciativas da administração pública. O Pólo Digital de Carnaubais terá capacidade para gerar empregos diretos aos jovens capacitados nos cursos, bem como impulsionar a criação de associações ou empresas de desenvolvimento tecnológico, com apoio do comércio e dos agentes econômicos locais. Os softwares produzidos serão vendidos na localidade e nos municípios da região. Sugerimos que o foco inicial do Pólo Digital de Carnaubais seja o software educativo. Alguns programas especializados seriam produzidos, em parceria com as escolas municipais, levando em conta as peculiaridades de Geografia e História próprias da cidade e do Rio Grande do Norte. Livros e peças literárias poderiam ser digitalizados, permitindo acesso aos alunos da rede pública, mediante “chave” e “senha”, inserindo-se no planejamento pedagógico, ampliando o leque de opções e a qualidade do material. Especialmente, a cultura da internet representará o rompimento de paradigmas, que ajudará a vencer alguma inércia empreendedora que resista no município.

2.2 - Energia Transformar montes de lixo em algo produtivo, diminuindo a quantidade de gases tóxicos lançados na atmosfera e ainda gerando energia: essa é a ideia por trás das usinas de metano, que já funcionam em várias cidades, inclusive em São Paulo-SP, a maior metrópole brasileira. Hoje, o metano (gás 21 vezes mais nocivo que o CO2) liberado pelos lixões já pode ser usado para gerar energia elétrica. Em acordo com empresas habilitadas, pode-se explorar este manancial para produzir energia. No caso específico de Carnaubais, convém a analisar a demanda de energia gerada pelas novas atividades industriais planejadas, a exemplo da produção de emulsões de ceras, óleos comestíveis, cachaças e de sabões. Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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2.3 - Educação e Cultura Eis um insumo fundamental para a realização de melhorias perenes. A educação de qualidade, o ensino profissionalizante, a formação de jovens e adultos, aliada à utilização de modernas ferramentas tecnológicas, poderá transformar Carnaubais num centro de referência e excelência. Outrossim, não devemos esquecer da força emprestada pelas tradições culturais, pelos valores que se perpetuam, concedendo identidade ao povo, estimulando o sentimento de autoestima. Então, o amparo às expressões da Cultura Autêntica deve caminhar junto, em direção a uma modernidade consistente, de lastro e pilares firmes, fincados no chão da história e das tradições.

Aproveitando a criação do centro de excelência digital, o Carnaúba Digital, suas ferramentas e facilitadores, uma pequena revolução educacional estará iniciando a nova caminhada, rumo à autossustentabilidade e ao desenvolvimento contínuo. Os focos dessa empreitada educacional devem ser claros, devidamente conectados com os objetivos estratégicos. Cursos profissionalizantes nas áreas de informática; produção de ceras, sabões, emulsões químicas; cultura e serviços do turismo, etc. Além desses, outros treinamentos ajudarão na formação da consciência comunitária, formando agentes da Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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economia solidária, multiplicadores de conhecimentos sobre a moeda social, sobre o cooperativismo e o associativismo.

2.4 – Economia Solidária e Crédito Produtivo A economia de Carnaubais, pequeno município bem próximo de grandes pólos regionais, como Assu e Mossoró, sofre os efeitos de uma verdadeira evasão monetária. Os valores produzidos pelo trabalho, pela atividade agrícola, industrial, comercial ou pela prestação de serviços se esvaem, ultrapassando suas fronteiras, gerando empregos e oportunidades em cidades próximas. Reter o dinheiro, fazê-lo girar na economia local, como verdadeiro combustível retroalimentador: eis um desafio e tanto.

Os fatores que contribuem para a evasão são a precariedade da rede bancária de Carnaubais, a pequena atratividade do comércio, o deslocamento de seus cidadãos aos grandes centros urbanos para realizar transações financeiras, etc. Dessa forma, boa parte da renda que se gera no município escorrega por entre os dedos, escorrendo em direção aos centros comerciais, atraídos pela força e pujança de cidades-pólo mais próximas. O comércio patina por não possuir compradores; os consumidores fogem por não considerarem a rede comercial adequada aos seus padrões de consumo; enfim, um ciclo vicioso e interminável. As iniciativas comunitárias que constituem bancos e moedas sociais são respostas para problemas dessa natureza. Soluções engendradas por pessoas simples, não por grandes economistas e pensadores. Vêm da base, das organizações, sindicatos, cooperativas, associações comunitárias. Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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Enquanto o governo apóia, timidamente, o Banco Central praticamente ignora (não emitindo uma única resolução normativa sobre o assunto), as comunidades avançam em busca de seus caminhos. Trataremos, aqui, desta alternativa tão adequada às características e peculiaridades de Carnaubais, indicando a adoção do ferramental de crédito solidário, economia social, como pedra estrutural importante para a construção de seu desenvolvimento sustentável, perene.

BANCO COMUNITÁRIO E MOEDAS SOCIAIS – ALAVANCAS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DEFINIÇÃO Banco comunitário é uma instituição sem fins lucrativos, gerida pelos moradores de uma determinada região. Tem por finalidade o desenvolvimento social e econômico local. Funciona, na maioria das vezes, com moeda própria, que tem a mesma cotação do real e um lastro no seu banco sede. Nos últimos anos, há registros de aparecimento de muitos empreendimentos como esse pelo Brasil. Desde 1998, quando o primeiro banco comunitário foi aberto, já são 78 espalhados por todo território nacional. Do ponto de vista legal, é necessário que uma instituição opere o microcrédito e atue como guarda-chuva, oferecendo suporte legal para todas as ações. Uma cooperativa, por exemplo, interagindo diretamente com o seu cooperado, pode estabelecer este marco legal, e ainda contratar e conveniar-se com o poder público e bancos oficiais, captando recursos e tecnologias necessárias. Em geral, são características dos Bancos Comunitários: 1. A própria comunidade decidir criar o banco, tornando-se sua gestora e proprietária; 2. Atuar sempre com duas linhas de crédito: uma em reais e outra em moeda social circulante; 3. Suas linhas de crédito estimularem a criação de uma rede local de produção e consumo, promovendo o desenvolvimento endógeno do território; 4. Apoiar outros empreendimentos, como estratégia de comercialização (feiras, lojas solidárias, central de comercialização etc.); 5. Atuar em territórios caracterizados por alto grau de exclusão e desigualdade social; 6. Voltar-se para um público caracterizado pela vulnerabilidade social, sobretudo aqueles beneficiários de programas governamentais de políticas compensatórias;

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7. Fundar sua sustentabilidade financeira, em curto prazo, na obtenção de subsídios justificados pela utilidade social de suas práticas.

COMO FUNCIONAM Normalmente, são frutos de uma sólida organização social de luta popular e atuam para fortalecer a economia de sua própria comunidade. Um dos pilares principais é o fornecimento de empréstimos a custos baixíssimos. A análise de crédito se baseia na confiança. Os avaliadores de crédito do banco vão à casa do solicitante, perguntam para vizinhos, parentes e amigos se o proponente é bom pagador. Os prazos são mais flexíveis. A condição humana é valorizada nesse tipo de empreendimento, diferente do que ocorre nos bancos comuns. “Diante de fato verdadeiro, em que o tráfico matou três filhos de um correntista, o banco realizou pronta renegociação de sua dívida em mais prestações. No banco tradicional, ele passaria a ser um inadimplente. A decisão passou pelo crivo das pessoas da comunidade, que assumiram o compromisso de manter o banco funcionando, de acordo com a disponibilidade de caixa”, informa Leonora Laiboissière Mol, presidente do Banco Bem, de Vitória, no Espírito Santo, o primeiro da Região Sudeste.

AS MOEDAS SOCIAIS A base de funcionamento de um Banco Comunitário são as suas moedas próprias, também chamadas de moedas sociais. Pelos rincões do Brasil, você pode pagar contas, comprar alimentos e outros produtos usando Maracanãs, Apuanãs, Sampaios, Palmas, Terras, Bens, etc. Parecem notas de brincadeira, como as usadas no jogo Banco Imobiliário, mas acabam valendo mais do que o próprio Real. As cédulas confeccionadas recebem componentes de segurança, como papel especial, marca d’água, código de barra e números de série, para evitar falsificações. A moeda social equivale a um Real. Para cada nota produzida, é necessário um lastro de moeda oficial, depositado no banco. Um dos grandes diferenciais é o estímulo de produtores e comerciantes, que concedem descontos de até 20% aos compradores que utilizam a moeda própria. A aceitação exclusiva na comunidade produtora configura um incentivo ao desenvolvimento da economia local, que acaba retendo suas riquezas. Existe uma teoria básica que faz funcionar o banco comunitário: a riqueza gerada permanece no local de produção. Incentivados pelos benefícios oferecidos, os consumidores desejam usar a moeda própria, e os vendedores passam a aceitá-la para não perder a clientela. Créditos oferecidos, inclusive em moedas próprias, fomentam adicionalmente a economia, proporcionando a abertura de novos empreendimentos, realimentando todo o processo. Os resultados práticos desses bancos são impressionantes. Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFCE) avaliou o impacto do Banco Palmas sobre a comunidade e mostrou que 90% dos entrevistados melhoraram sua condição de vida, Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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25% conseguiram um emprego e 23% montaram um pequeno negócio. O comércio local aumentou suas vendas em 80%. Ao todo foram criados 2,2 mil postos de trabalho e 6 empresas comunitárias. A experiência do Palmas disseminou-se pelo Brasil. Em 2006, foi criada a Rede Brasileira de Bancos Comunitários, que integra todos os bancos. A palma não foi criada em Harvard ou na USP. Surgiu nos grotões do Nordeste. Não há um modelo “ideal” para o funcionamento da moeda social. Todo modelo de moeda social terá características que sejam vantajosas em algumas circunstâncias, mas que poderão ser desvantajosas em outras. Tais moedas funcionam legalmente em mais de 35 países. São emitidas para membros associados que possuem contas no sistema, e “controladas” por meio de organizações representativas. Apenas circulam em uma área geográfica ou setorial limitada. Portanto, segundo o Banco Central do Brasil, não cumprem todas as funções da moeda, sendo classificadas como COMPLEMENTARES. Por configurarem negócio jurídico (contratual), para sua validade, requerem agente capaz, objeto lícito e forma prescrita em lei.

Nota de Palmas, emitida pelo banco Palmas, de Fortaleza (CE) (Foto: Divulgação) Você prefere uma castanha ou um real? Se estiver em Palhano, no Ceará, prefira a castanha. Ela poderá valer mais que a moeda oficial brasileira. Castanha, neste caso, é a moeda emitida pelo banco social Artpalha, que oferece descontos no comércio local.

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Nota de Par, emitida pelo banco Par, de Paracuru (CE) (Foto: Divulgação)

MICROCRÉDITO Os bancos sociais não fazem apenas a emissão e o câmbio de moedas sociais. As instituições também emprestam de R$ 50 a R$ 10 mil aos membros das comunidades onde atuam, com recursos captados. Alguns bancos até criaram cartões de crédito, de uso no comércio local. O cliente do Palmacard, por exemplo, começa com crédito de R$ 20, que pode ser aumentado se houver pontualidade nos pagamentos. Em alguns casos, de comum acordo entre as partes, os salários dos trabalhadores são parcialmente pagos em moeda social. Algumas alternativas de microcrédito: 1. Crédito para Produção, Comércio, ou Serviço - Para ampliação ou criação de micro e pequenos empreendimentos, formais e informais. Baseado no aval de vizinhança e no acompanhamento do Agente Comunitário de Crédito, necessita da aprovação de um comitê que avalia e aprova os créditos. Valor máximo de R$ 15.000,00, em até 12 parcelas. Os juros variam de 0,5% a 3,5% a.m., definido menores taxas de juros para os menores valores. Em março de 2011, o Banco tinha uma média de 50 contratos por mês. 2. Crédito para Inclusão Produtiva - Crédito rápido, de contratação imediata, possibilitando ao tomador aproveitar as oportunidades de mercado que surgem no dia-adia. Destinado a: Famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família (valor máximo de R$ 150,00), revendedores de produtos de beleza (até R$ 400,00), e sacoleiras (até 200,00). Pagamento em até 4 parcelas. Juros de 1,5% a 2,5% a.m. Os tomadores de crédito têm que apresentar comprovação do ofício e justificar a finalidade do crédito. Em março de 2011, o Banco Palmas tinha uma média de160 contratos por mês. 3. Casa Produtiva - Crédito rápido, de contratação imediata destinada à reforma de moradia, com objetivo de criar ou melhorar uma iniciativa de geração de renda. Valor máximo de R$ 450, em até 6 parcelas. Juros de 2,5% a.m. 4. Credito para Consumo Local - Realizado em moeda social palmas com circulação interna no bairro. Máximo de R$ 600,00, pagos em até 4 parcelas. O comércio local oferece descontos para quem compra com a moeda social. Em março de 2011, 240 empreendimentos do bairro aceitavam a moeda social e ofereciam um desconto médio de 5% para quem compra com a moeda social. O palmas é indexado ao real, lastreado na moeda oficial e permite o câmbio entre as duas moeda. Em março de 2011, 42.000 palmas circulavam no comércio do bairro.

O EXEMPLO DO BANCO PALMAS Existem atualmente mais de 70 BCDs no Brasil. Na origem deste processo a experiência paradigmática do Palmas, localizado no Conjunto Palmeiras, Fortaleza-CE. A história do Banco Palmas começou em 1973 quando os primeiros moradores chegaram na Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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localidade, despejados de suas casas diante da especulação imobiliária. Forçados a habitar um terreno baldio alagado, os primeiros moradores tiveram que organizar este novo lugar onde viveriam, com o apoio irregular e insuficiente do município. Eles também resolveram se inscrever em um contexto de luta política e de reivindicação de seus direitos primários, como o acesso à água, eletricidade, educação e saúde. O órgão responsável por organizar estes movimentos de lutas foi criado em 1981 sob a forma de uma associação de moradores, ASMOCONP . Uma pesquisa da ASMOCONP revelou que, em geral, a quantidade de dinheiro disponível para os 32 mil moradores era consideravelmente elevada: todas as famílias juntas gastavam uma média de 1,2 milhões de reais por mês. Assim, o bairro não era eminentemente pobre, mas se tornou pobre, devido ao a saída das renas das famílias para o centro da cidade. Com base nestas observações, a associação iniciou um processo consultivo, envolvendo moradores, comerciantes, produtores e líderes de bairro para buscar alternativas para fortalecer a economia local e facilitar o fluxo de receitas dentro do bairro. O resultado destas discussões deu origem ao Banco Palmas, em janeiro de 1998. A ideia inicial era criar "um projeto para gerar emprego e renda que estimulassem a produção local através de um eixo de financiamento (microcrédito) e um eixo que estimulasse o consumo local através da obtenção de um cartão de crédito”. Do ponto de vista do desenvolvimento local integrado e comunitário, o Banco Palmas intenciona usar o financiamento como uma ferramenta para construir e fortalecer a economia local e solidária, através do investimento em atividades produtivas, de consumo e de formação profissional. O papel da comunidade nesta iniciativa foi essencial. Além de sua importância no surgimento do sistema, a comunidade se fez presente na operacionalização, no processo de concessão dos créditos, na administração do banco (95% do pessoal), e na orientação política, através do fórum socioeconômico local. Os produtos financeiros iniciais desenvolvidos pelo banco foram microcréditos para a produção e o consumo. Os empréstimos, de valor inferior a R$ 500,00, dependem apenas de entrevista do agente de crédito. Ao cliente são solicitados documentos de identificação e faturas que comprovem a atividade produtiva. Principalmente para atividades informais (como produção doméstica destinada a ser comercializada, revendedor ambulante, produção em pequena escala), os créditos possuem com taxas de juros mensais entre 2,0% e 2,5%, e prazos de 4 a 8 meses (INSTITUTO PALMAS, 2011). Os créditos disponíveis são do tipo "revendedor", "Casa Produtiva" e "economia popular e solidária". Além disso, uma linha foi especialmente criada para as mulheres que recebem do programa social Bolsa Família. Esta linha de crédito possui uma taxa de juros muito baixa de 1,5% ao mês e liberam valores até R$ 150,00 (a serem pagos em até 4 vezes). É importante notar que os beneficiários de programas sociais são os principais clientes, considerando que a comunidade é caracterizada pelo alto índice de pobreza. Apesar de representarem apenas 14,22% da quantidade de empréstimos, os microempreendedores somam um volume de 73,33% do capital emprestado pelo banco. O fato do banco pertencer à comunidade induz ao funcionamento de um forte Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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mecanismo de controle social. Em caso de inadimplência deliberada , visitas periódicas dos agentes externos de crédito informam o bairro sobre a situação financeira e sobre os riscos e implicações para a sustentabilidade do banco. Ao inadimplir, o cliente põe em questão a estabilidade do sistema. No entanto, devido à reputação positiva do banco e o que ele traz para a comunidade, as pessoas tendem a desenvolver mecanismos de pressão sobre os inadimplentes. Além disso, é sempre possível renegociar as condições de pagamento em caso de dificuldades. O crédito para o consumo, concedido em moeda social, é geralmente destinado para situações de emergência, como a compra de remédios, botijão de gás ou alimentos etc. Nesta linha de crédito, o montante é concedido apenas em Palmas, de forma imediata, sem maiores complicações administrativas. Para o primeiro empréstimo, o limite é de 50,00 Palmas. Se os pagamentos forem feitos dentro das condições acordadas, o valor do empréstimo vai aumentando para até 200,00 Palmas. Os clientes têm de 30 à 60 dias para pagar o empréstimo. Não há juros para os empréstimos tomados em moeda social, incide apenas uma taxa administrativa de 1,0% sobre o valor do empréstimo. As moedas sociais nos BCD exercem duas funções distintas: a econômica, por um lado, e a política, simbólica, de outro. No primeiro caso, as moedas funcionam como um mecanismo de incentivo para o consumo local para resolver o problema da evasão de renda e consumo. No entanto, para ser viável o reforço das economias locais, tais moedas também devem desempenhar, ainda, um papel simbólico, valorizando a identidade territorial em oposição aos seus estigmas. O governo federal brasileiro, através da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (SENAES/MTE), considera os BCD como agentes importantes para o desenvolvimento territorial. Eles conseguem articular, ao mesmo tempo, produção, comercialização, microfinanças e cidadania. Neste sentido, a SENAES decidiu investir em ações de apoio à implementação e consolidação de bancos comunitários, a partir de 2005. Além do Instituto Palmas, outras instituições estão atuando para reforçar implantação dos BCD`s pelas regiões do Brasil, como a ONG Ateliê de Ideias (na região Centro-Oeste), a incubadora universitária ITCP/USP (na região Sudeste), e a ITES/UFBA (na região Nordeste).

COMPETIÇÃO COM O REAL Toda moeda social emitida no Brasil é lastreada e paritária com a moeda oficial. Isso significa que, para cada sabiá, tupi, palmas ou maracanã emitido, o banco social tem um Real guardado em caixa. Os cupons emitidos, física ou eletronicamente, não podem infringir a lei, que restringe a confecção de dinheiro ao Banco Central (BC). O BC reconhece hoje essas moedas sociais como recebíveis, títulos que representam um valor real e que dão direito ao portador para receber serviço ou produto em troca (a mesma classificação, por exemplo, de um vale transporte). Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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Todavia, não há uma posição firme, oficial, sobre o assunto. A instituição que normatiza o mercado financeiro brasileiro ainda estuda o fenômeno das moedas sociais, que vem de longe. A história da humanidade traz exemplos da ANTIGUIDADE, na Babilônia, 4.000 A.C. e a moeda Susa no Iran, em 3.500 A.C. O BC entende que os benefícios justificam sua tolerância às moedas complementares, que criam um circuito fechado, em função de um mercado de trabalho local. Ressalta outros efeitos positivos, como o aumento do potencial de arrecadação tributária dos municípios (ISS, taxas e contribuições de melhorias). Enquanto sistemas criados e administrados por grupos sociais, para viabilizar a realização de pagamentos, trocas ou transmissão de obrigações entre os membros de uma determinada comunidade (=> Lei 10.214/01), possuem conformidade com as normas legais e regulamentares. A moeda social tem, como base, o primado do trabalho; e, como objetivo, o bem-estar e a justiça sociais (Ordem Social - art.193, CRFB). Não se trata de exploração comercial do dinheiro. É uma nova maneira de promover a integração das pessoas ao mercado de trabalho (art. 203, CRFB). Todavia, não constitui um programa de transferência de riqueza das camadas mais ricas da população para as mais pobres. Pressupostos da Economia Social ou Economia Solidária (Ordem Econômica e Financeira - art. 170 da CRFB) valorizam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica. Tratase de meio alternativo para viabilizar o acesso a bens e serviços, reforçando garantia de acesso aos direitos sociais (art. 6°, CRFB), amparado por relações convencionais (Direito dos Contratos => Código Civil - Lei 10.406/02). O sistema de moeda social é uma convenção (contrato) entre os membros de uma dada comunidade para utilizarem, como meio de troca, algo que não seja a moeda nacional, com o propósito de viabilizar o acesso a bens e serviços. Não têm curso forçado, nem poder liberatório assegurado por lei. Ninguém está obrigado a aceitar uma moeda social ou a participar de um sistema de moedas sociais. São personalizadas (ou customizadas), estruturadas juridicamente conforme os propósitos de seus agentes. Como qualquer atividade, sujeitam-se a limitações normativas, nos casos previstos em lei (arts. 5° e 170, CRFB). Certamente, demandam um sistema de recuperação de custos. Pois, há custos para manter a moeda social. Isso preocupa, na medida em que se deve primar pela sustentabilidade do sistema. O BC alerta, ainda, para que sejam evitadas atividades privativas de instituição financeira, sujeitas ao controle, preventivo e repressivo, exercido pelo Banco Central (art. 17, Lei 4.595/64). A contrariedade às normas legais ou regulamentares sujeita os responsáveis às penalidades cabíveis previstas em lei (administrativa, civil ou penal). Ou seja, são proibidas práticas profissionais de operações de crédito vinculadas à especulação mercantil, ao fim lucrativo ou à oferta pública de recursos sem autorização. A presença de efeitos monetários ou riscos sistêmicos é suficiente para estabelecer a competência do Banco Central em relação à matéria (Art. 164 e 192 da CRFB; Lei 4.595/64 e Lei 10.214/01). A Lei 4.595/64 é clara, em seu Artigo 11: “Compete ainda ao Banco Central do Brasil: VII - exercer permanente vigilância nos mercados financeiros e de capitais sobre empresas que, direta ou indiretamente, Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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interfiram nesses mercados, e em relação às modalidades operacionais que utilizem.” A Lei 10.214/2001, Art. 4º, reforça: “Nos sistemas em que o volume e a natureza dos negócios, a critério do Banco Central do Brasil, forem capazes de oferecer risco à solidez e ao normal funcionamento do sistema financeiro, as câmaras e os prestadores de serviços de compensação e de liquidação assumirão, sem prejuízo de obrigações decorrentes de lei, regulamento ou contrato, em relação a cada participante, a posição de parte contratante, para fins de liquidação das obrigações.” O Conselho Monetário Nacional, por sua vez, tem competência normativa residual para restringir seus limites e modalidades, bem como disciplinar as operações ou proibir novos lançamentos; exigir garantias ou formação de reservas técnicas, fundos especiais e provisões sem prejuízos das reservas e fundos determinados em leis especiais. Por fim, cada sistema de moeda social deve funcionar como uma pequena câmara de compensação multilateral de obrigações (micro banco central, em relação à economia interna, ao sistema de moedas sociais). Vislumbram-se novos modelos de parceria e de negócios para as instituições financeiras tradicionais, no mercado de microfinanças, a partir da disseminação dos bancos comunitários.

UM MODELO PARA A MOEDA COMUNITÁRIA DE CARNAUBAIS Sugerimos que o Banco Comunitário de Carnaubais seja incluído nas linhas de atuação comunitária da COOPERATIVA DOS AGRICULTORES FAMILIARES E AGROEXTRATIVISTA DE CARNAUBAIS – COOPAFAC, uma pessoa jurídica de direito privado, sociedade cooperativa, sem fins econômicos, recentemente fundada em 13 de março de 2013. Tal instituição, dotada de corpo social, diretoria, conselho fiscal, ao amparo legal da Lei 5764/71, permitirá solidez e segurança jurídica, necessárias ao funcionamento de um sistema que envolve valores, finanças, controles fortes. Ademais, o espírito solidário, o interesse por assuntos da comunidade estão inseridos nos princípios que norteiam o cooperativismo. Para isso, a instituição permitirá associação de agentes produtivos, comerciantes, cidadãos consumidores, em condições de plena igualdade de direitos com os demais integrantes do quadro social. Efetuará, contudo, uma classificação de sócios, apenas para efeito de organização e representatividade no conselho de administração. Os segmentos de cidadãos-consumidores, lojistas/empreendedores precisarão ter assento no conselho diretor, aliando-se aos membros estatutários tradicionais, compartilhando o dia-a-dia e o processo decisório. A COOPAFAC, então, ajustaria a composição de seu conselho diretor, para melhor se adequar aos desafios e responsabilidades representados por essa empreitada comunitária de tamanha envergadura. Tudo isso, de acordo com as determinações autônomas de sua assembleia geral, especialmente convocada para este fim. Estrutura administrativa e as funções da cooperativa serão definidas, no fórum adequado de sua assembleia geral, a fim de viabilizar controle mais apurado da circulação de moeda social, e da concessão de créditos. Com assessoramento da OCB e SESCOOP, será montada uma estrutura organizacional que contemple a representação institucional, a Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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direção administrativo-financeira, a secretaria operacional, conselheiros-cidadãos e conselheiros-empreendedores. Os efeitos da moeda social para Carnaúbas: estima-se um volume mensal superior a R$ 200mil de circulação, revertendo-se em aumento da arrecadação de tributos, na geração de empregos e renda, no desenvolvimento de novas atividades produtivas, empreendimentos, capacitação, em escala crescente, sinérgica, aderente ao planejamento estratégico, aos preceitos de uma economia sustentável. Moeda: CARNAÚBA-$; Usuários/Portadores: cidadãos de Carnaubais, ASSOCIADOS (produtores, cidadãos consumidores, lojistas/empreendedores) da COOPAFAC. Condição Especial: para que o cidadão possa transacionar, receber ou pagar, mediante uso da moeda social: ser um COOPERADO ou ASSOCIADO-CIDADÃO. Os associadoscidadãos participarão da cooperativa, integralizando o capital social, fazendo jus a bonificação imediata de idêntico valor, em Carnaúba$; Fontes e Estimativas de Funding (captação mensal de recursos) para Conversão: 1. Doações de entidades parceiras e apoiadores, para investimentos estruturais, equipamentos, capital inicial do Banco Comunitário; 2. Pagamentos de benefícios governamentais; 3. Adiantamentos da folha de 20% da folha dos funcionários públicos municipais; 4. Reciprocidade por cooperação comunitária (Carnaúba Voluntária)- A moeda como forma de retribuição à cooperação comunitária, a exemplo da “Volu”, moeda social de Carmo da Cachoeira–MG. Trata-se de um projeto do tipo Trabalho e Dignidade, onde pessoas carentes, necessitadas, desempregadas, ou mesmo cidadãos colaboradores, todos plenamente capazes, trabalharão como voluntários, recebendo seus ganhos em moeda social. Somente poderão gastálas, então, no mercado local credenciado; 5. Liberação total ou parcial de créditos (convertidos em Carnaúba-$) oferecidos por parceiros, para microempreendedores e consumidores; 6. Empréstimos da cooperativa a cooperados, em Carnaúba-$, sem juros. 7. Pagamentos de compras da merenda escolar, e de aquisições da Prefeitura; 8. Taxas administrativas de serviços e de crédito; Rede Comercial Acolhedora de Carnaúba-$: empresas e pessoas do comércio, da indústria e prestadores de serviços, desde que sejam associados-lojistas da COOPAFAC; Modalidades de Microcrédito, em Carnaúba-$: Tipo Consumo

Valores C$ 50 a C$ 150

Beneficiários, Público-Alvo Cidadãos, beneficiários de baixa renda

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Produção

C$ 100 a C$ 500

Comercialização

C$ 100 a C$ 500

Artesãos, microempreendedores Produtores, microempreendedores, que comercializam diretamente a produção

Modalidades de Microcrédito, em Reais (correspondência bancária): Tipo Consumo Produção

Valores Indisponível R$ 100 a R$ 1.500

Comercialização

R$ 100 a R$ 5.000

Beneficiários, Público-Alvo Somente em Carnaúbas. Com juros, lastreados por instituição financeira parceira, seu pagamento poderá ser efetuado em moeda social. Produtores, microempreendedores, comerciantes que tenham histórico de recebimento em Carnaúba-$, inclusive seu pagamento poderá ser efetuado em moeda social.

Controle Social e Participação Democrática: no âmbito da cooperativa, será criada uma comissão especial para controle social de suas atividades, nas funções de Banco Comunitário. Esta comissão auxiliará o CONSELHO FISCAL DA COOPERATIVA, nas atividades que lhe são inerentes de forma estatutária, emitindo pareceres e acompanhando as ações do Banco Carnaúba. Participação do Comércio de Carnaubais: todos os estabelecimentos interessados serão cadastrados, conveniados e credenciados para operar com a moeda social. Cada um deles contribuirá para a implantação e manutenção do projeto, através do pagamento de taxa administrativa, em forma percentual ao valor das transações em Carnaúba-$. Tais valores serão empregados na estruturação tecnológica da rede. Dependendo das vantagens oferecidas aos portadores da moeda, estes percentuais serão flexibilizados, visando sempre o benefício final aos cidadãos A movimentação da moeda e sua forma de conversão: a moeda será transacionada eletronicamente, por meio de cartões magnéticos, sistemas de captura e autorização. As conversões ocorrerão, ao final de cada ciclo semanal, através de créditos em contas destinatárias.

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O papel-moeda de Carnaúba-$ poderá ser emitido, em série especial, limitada, destinada a marcar o seu lançamento, com identificação única, requisitos tecnológicos de segurança. Novas séries serão possíveis, talvez festejando datas especiais, com a mesma significação dos selos postais, por exemplo. O papel empregado será confeccionado, artesanalmente, com a palha da carnaúba. A cooperativa venderá a Carnaúba-$ - Séries Especiais, em sua sede. As formas e critérios de acesso: associação livre de qualquer pessoa enquadrada nas condições estatutárias; as receitas geradas pela movimentação financeira dos cooperados e serviços serão revertidas para integralização de suas participações societárias, constituindo capital social da cooperativa.

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3- EXTRATIVISMO

3.1 - A CARNAÚBA Eis o início de nossa caminhada. O primeiro ciclo, o arranque inicial será impulsionado pela riqueza mais autêntica do Vale. A carnaúba, histórica, tradicional, “árvore da vida”, nosso estágio primordial. Não poderia ser diferente. Uma longa caminhada começa com o primeiro passo. (Lao-Tsé) Sim, e este passo apoia-se no chão em que ficamos nosso pé. Um solo figurativo, de sentido tão amplo, que constitui base existencial, nossas origens e tradições, nossas mais autênticas heranças. A carnaúba representa para Carnaubais exatamente esta origem, o cerne, a essência, concedendo-lhe inclusive a própria denominação, enquanto cidade. Representa mais, pois recolhe das reminiscências históricas a alma forte, altiva, que revive, que inspira a autoestima de um povo. Ao longo da história, a carnaubeira vem fornecendo insumos que servem de matériaprima para a produção. Especialmente, a partir de 1950, depois de décadas de exploração, a produção da palmeira passou a ser insuficiente, para fazer face à demanda crescente por sua cera. Isso fez com que fosse, aos poucos, substituída por derivados do petróleo, os quais, inclusive, eram mais baratos. Apesar disso, essa matéria-prima, única em qualidades intrínsecas, nunca deixou de ser utilizada e valorizada. Pelo contrário, com o passar dos anos, o desenvolvimento industrial ampliou ainda mais o seu emprego, dando-lhe fins cada vez mais nobres. Hoje, a cera da carnaúba é um insumo valioso que entra na composição de diversos produtos industriais como cosméticos, cápsulas de remédio, componentes eletrônicos (isolantes térmicos), produtos alimentícios, ceras polidoras (calçados, mobílias e automóveis), informática (chips, tonners, código de barras) e revestimentos. Os principais mercados consumidores são os Estados Unidos, a Europa e o Japão. Vale lembrar que a cera de carnaúba, por ser um produto extrativista regional, tem como único país produtor e exportador o Brasil – há registros de que Alemanha, Índia, Japão e Estados Unidos já tentaram cultivar a espécie brasileira, mas não obtiveram sucesso. Atualmente, existem diversas empresas manufaturando a cera no Brasil. Apesar de ser uma atividade secular na região, não há domínio das tecnologias do refino. A consequência é que os importadores acabam ditando o preço da commodity, gerando queda acentuada nos preços do produto e ensejando reflexos negativos em toda a cadeia produtiva. Para resolver alguns desses entraves e resgatar a cultura dessa palmeira, faz necessário um cuidado especial com seu replantio, desenvolvimento de técnicas para extração, e implantação de indústrias beneficiadoras na própria região. Protótipos para o Desenvolvimento Sustentável de Carnaubais

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As práticas de extração ainda são muito incipientes e pouco evoluíram nos últimos 150 anos. O plantio da carnaúba é simples e pode ser feito consorciado com oleaginosas, plantas frutíferas, cana-de-açúcar, além de culturas como feijão, milho e mandioca, ajudando o pequeno agricultor a obter mais ganhos de sua área plantada. A ideia é que sejam disseminadas informações sobre os consórcios possíveis da carnaubeira. Ceará, Piauí e o Rio Grande do Norte possuem aproximadamente 25 indústrias de refinamento da cera, com capacidade de beneficiamento em torno de 35 mil toneladas por ano. A safra se estende de agosto a dezembro, quando ocorre o corte de suas palhas e sua secagem, com o objetivo da obtenção do pó cerífero. Nos meses subseqüentes, realiza-se o cozimento do pó para surgir a cera de origem. O pó extraído da parte central das folhas novas produz a cera clara, classificada pelo mercado como tipo ´A´. O pó obtido em toda a extensão das folhas produz a cera tipo ´B´, de cor alaranjada ou preta. A cera industrializada serve para fazer batons, adesivos, cera dental e ceras em geral, além de acabamento de couro e madeira. O produto é usado ainda em fios elétricos, chicletes, filmes fotográficos e impermeabilizantes. Tem aplicação no setor de informática em ´chips´, ´tonners´, código de barras, papel carbono e filmes plásticos. A palha também poderá ser usada, em breve, na ração de caprinos e ovinos, de acordo com pesquisa da Embrapa. No Ceará, por exemplo, a exportação de 8,25 mil toneladas de cera propiciou receitas no valor de US$ 21,20 milhões em 2005, além de gerar 100 mil empregos.

A sobrevivência dos bosques de carnaubais, assim como de toda a composição paisagística, cultural e social vinculadas, vive um momento crítico.

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A criação de unidades de proteção integral e de uso sustentável, interconectadas com as demais bacias hidrográficas e matas de transição, representaria um primeiro passo para a permanência do ecossistema.

PROGRAMA DE REPLANTIO DA CARNAUBEIRA A fim de se viabilizar um vigoroso programa de replantio da carnaubeira, devemos buscar parceria com entidades, a exemplo da ONG Carnaúba Viva, que defendem o resgate da importância ecológica e econômica da carnaubeira. Certamente, a melhor maneira de mantê-la viva será comprovar o vigor comercial e a sua viabilidade econômica. Além de reduzir a derrubada dos carnaubais, prática usual na região, precisamos efetuar esta reposição de palmeiras, visando a recuperação das áreas atingidas. Além do apelo econômico e comercial, o fomento da consciência ecológica na comunidade deve consolidar o caminho, forma consistente, em busca da conservação da carnaubeira.

4 – AGRICULTURA

Mapa do Nordeste com Unidades da Paisagem com Precipitação Média

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Anual Inferior a 800mm e Áreas de Potencial Agrícola Alto.

Fonte: Atlas da Zona Homogênea Mossoroense – Idema. 4.1 – OLEAGINOSAS A diversificação de sistemas produtivos no semiárido, incluindo o plantio de oleaginosas para atender ao mercado de biodiesel, é uma alternativa que contribui para a sustentabilidade da agricultura familiar. Acrescente-se que a importância das oleaginosas no mercado alimentício representa uma segurança para o produtor, que terá outra destinação, além da produção de biodiesel. O plantio das oleaginosas contribui para a melhora das condições do solo, pela rotação de cultura, consorciamento e diversos aspectos relacionados à ciclagem de nutrientes. A utilização de oleaginosas beneficia o sistema agrícola, devido ao aumento da oferta do nitrogênio no solo, favorecendo cultivos subsequentes (amendoim, gergelim e girassol), liberação de substâncias inseticidas (gergelim), criação de abelhas (girassol), resistência à seca devido às raízes profundas e ramificadas (algodão, gergelim e girassol) e adição de matéria orgânica proveniente dos restos culturais. Com a rotação de cultura e o consórcio, há otimização do uso e ocupação do solo e dos recursos produtivos, beneficiando os sistemas produtivos dos agricultores familiares. Entre as oleaginosas, o girassol apresenta uma das menores compatibilidades com o sistema de consórcio. Todas as oleaginosas, com exceção do algodão, apresentam altos rendimentos em óleo, em torno 50% e características físico-químicas condizentes com a produção do biodiesel. A estimativa de custos do biodiesel a partir das oleaginosas selecionadas indica a produção de biodiesel proveniente do algodão como o mais competitivo, seguido do girassol e da mamona.

4.1.1. PINHÃO MANSO

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Dentre as oleaginosas, a primeira sugestão que fazemos se baseia no maior Arranjo Produtivo Regional (APR) da Paraíba, que agregou 90 municípios paraibanos. Sua matriz localizou-se no polo Cajazeiras, com uma indústria principal. Os investimentos lá tiveram início com as instalações da indústria, fator gerador de centenas de empregos. A escolha pelo pinhão-manso se deu por este ser uma planta que se adapta a todo tipo de solo, em especial ao semiárido do Nordeste. Ele tem vida útil de até 50 anos, não precisa de irrigação, é resistente à seca. Com apenas 200 milímetros de chuva por ano, consegue produzir. Pode ser cultivada pelo pequeno agricultor, proporcionando a produção de torta animal, diminuindo a escassez de alimento.

Fonte: Diário do Povo A Embrapa Agropecuária já desenvolveu soluções de consorciamento, em implantação no Piauí. Ali, para plantações em assentamentos, a Embrapa Agropecuária, através da Curcas Brasil, está testando 20 variedades de pinhão, mais 20 cruzamentos da planta, para averiguar a que melhor se adapta ao clima. O pinhão manso (Jatropha curcas L.) é uma Euforbiácea (da mesma família que a mamona) perene, com aparência de arbusto grande, com tendência à ramificação desde a base. De crescimento rápido, atinge 3 a 5m de altura (normalmente de 2 a 3 metros), de caule liso e mole, nos quais circula o látex, suco leitoso, que escorre em qualquer ferimento e, raízes curtas e pouco ramificadas. As sementes têm de 32 a 40% de casca e de 55 a 66% de amêndoa, sendo que a percentagem de óleo é em média de 35 a 40% nas sementes e de 50 a 60% de óleo nas amêndoas. A torta é um fertilizante rico em nitrogênio, potássio, fósforo e matéria orgânica, porém, pela substância tóxica (compostos purgativos) presente, não pode ser utilizado para alimentação animal. O pinhão manso pode ser utilizado para a substituição parcial do arame em cercas vivas, já que os animais evitam tocá-lo devido ao látex cáustico que escorre das folhas arrancadas ou feridas ou como suporte para plantas trepadeiras, visto que o tronco possui casca lisa e macia. O início da produção do pinhão é por volta dos décimo mês após o plantio, mas a produção só atinge a plenitude por volta do terceiro ou quarto ano, podendo chegar aos 40 anos de idade produzindo. O pinhão pode ser reproduzido via sementes ou multiplicado por estacas (estaquia). A multiplicação por sementes resulta em grande variação entre plantas, porém geralmente resulta em plantas mais robustas, de maior longevidade e com desenvolvimento de raiz pivotante, o que nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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confere maior resistência à seca, enquanto a estaquia permite um número maior de indivíduos geneticamente iguais. O pinhão é tolerante à falta de água, podendo sobreviver até com três anos de secas consecutivas, paralisando seu crescimento, mas sobrevivendo. Apesar do pinhão se desenvolver em solos de baixa fertilidade e alcalinos, essa cultura deve, preferencialmente, ser plantada em solos profundos, bem estruturados e pouco compactado, para que o sistema radicular possa se desenvolver e explorar maior volume de solo, satisfazendo a necessidade da planta em nutrientes. O pinhão pode ser considerado como uma possível oleaginosa para a agricultura familiar no semiárido nordestino, como uma cultura adicional à mamona, dada a potencialidade de resistir a regime de estresse hídrico, sua grande rusticidade e possibilidade de uso na produção do biodiesel. Pode ainda ser cultivado em consórcio com outras culturas com a vantagem de ser perene, não exigindo preparo do solo anual.

4.1.2 – GIRASSOL

O girassol (Helianthus annuus L.) é uma dicotiledônea anual da família Compositae. As sementes são ricas em óleo, com teores variando entre 30 e 50%. O grão é fonte de proteína na alimentação humana e animal, sendo o óleo comestível seu subproduto mais importante. Existem duas classes de girassol cultivado para fins comerciais, uma com pouco teor de óleo (cerca de 30%) utilizado como ração para aves e outra com teor de óleo mais elevado (aproximadamente 40%), utilizado na fabricação de óleo de cozinha. Em média, além de 400kg de óleo, para cada tonelada de grão são produzidos 250kg de casca e 350kg de torta, com 45% a 50% de proteína bruta, sendo este subproduto basicamente aproveitado na produção de ração, em misturas com outras fontes de proteína. A planta possui aproveitamento integral, sendo utilizada como forragem, silagem e adubo verde. É possível o desenvolvimento de apicultura aproveitando o plantio do girassol, pois as abelhas são importantes para a polinização dessa cultura e o girassol fornece pólen e néctar para as abelhas, sendo viável a extração de 20 a 30kg de mel por hectare de girassol. nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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O girassol representa mais uma opção para o semiárido nordestino. No entanto, culturas não tradicionais encontram dificuldades de serem introduzidas no semiárido, em razão da preferência, pelo agricultor, do cultivo das variedades que lhes foram passadas hereditariamente. As qualidades do girassol são evidentes: excelente qualidade do óleo extraído, consórcio e integração com outras culturas plenamente possíveis, principalmente com a apicultura que cresce e se profissionaliza na região, e adaptabilidade da planta ao clima. A compra da matéria prima pode ser garantida pela PBIO (Petrobras Biocombustível), assegurando preço de mercado; a logística de transporte das sementes para plantio seria realizada pela cooperativa COOPAFAC, e o transporte dos grãos pela PBIO.

4.1.3. MAMONA A mamona (Ricinus communis L.) pertence à família Euphorbiaceae e é uma planta rústica, heliófita, resistente à seca, com altura variável de até 3 metros, raízes pivotantes que podem atingir 3 metros de profundidade, ramificações laterais que podem atingir 1 metro de profundidade. Essa planta tem hábito arbustivo, com diversas colorações de caule, folhas e racemos (cachos), com frutos, geralmente com espinhos. Das sementes de diferentes tamanhos, formatos e grande variabilidade de coloração são extraídos 43% a 50% de óleo (seu principal produto). O óleo de mamona ou de rícino contém 90% de ácido graxo ricinoléico, possibilitando uma ampla gama de utilização industrial. O subproduto da extração do óleo, a torta, é utilizada como adubo orgânico, possuindo efeito nematicida. Entretanto, a presença da proteína tóxica ricina, na composição do óleo de mamona, impossibilita utilização na alimentação animal, salvo após processo de desintoxicação.

4.2. FRUTICULTURA – PLANTIO DE UVA A exemplo da plantação de oleaginosas, a fruticultura representa uma opção produtiva interessante para a agricultura de Carnaubais. Especialmente, considerando suas áreas a Leste, que se aproximam do Rio Piranhas-Açu, que se prestam à irrigação, podemos eleger algumas frutas, como a uva, para produção em pequenas propriedades. Destaque-se a grande produtividade dos parreirais, a longevidade da planta, os desdobramentos na formação de arranjos e cadeias produtivas.

Fonte: www.ufersa.edu.br/ Estudo da UFERSA sinaliza que a região oeste do Rio Grande do Norte poderá se tornar também produtora de uvas. A previsão tem como fundamento pesquisas realizadas pela Universidade nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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Federal Rural do Semi-Árido. No segundo ano de vigência, o projeto de pesquisa e produção de uva de mesa com baixo impacto ambiental, no Vale do Mossoró/Açu, realizou a primeira colheita. O experimento está montando na Fazenda Rafael Fernandes, pertencente à Universidade, sendo financiado pela CAPES. A pesquisa avalia as variedades Itália Melhorada, Isabel Precoce e Niagra Rosada combinadas com três portas-enxerto (IAC 313, IAC 766 e IAC 572), totalizando nove combinações. Os portasenxerto foram desenvolvidos pelo Instituto Agronômico de Campinas. A pesquisa objetiva conhecer o comportamento das videiras nas condições climáticas do semiárido potiguar. Outro diferencial é a forma de produção com baixo impacto ambiental, ou seja, com menor uso de defensivos. A produção obtida tem deixado os pesquisadores animados. A uva tipo Isabel Precoce tem grande aceitação para mesa, vinho e sucos. Já a Itália Melhorada para mesa. A Niagra Rosada tem boa aceitação na mesa e para a produção de vinho. A pesquisa é o trabalho de Pós-Doutorado do agrônomo Django Dantas que é Mestre e Doutor em Fruticultura. O experimento ocupa uma área de 2.500 m², totalizando 360 plantas irrigadas por micro aspersão. “Observamos que o desenvolvimento ocorreu semelhante às videiras cultivadas no Vale São Francisco”, ressalta o pesquisador. As mudas, estacas e garfos vieram de Juazeiro, na Bahia, e foram produzidas aqui na região. Os pesquisadores ressaltam que o clima do semiárido potiguar não é problema para a cultura da uva. A escassez de chuva e temperatura média constante, em torno de 32º graus, são condições favoráveis ao cultivo. Ele adianta que tais condições possibilitam duas colheitas anuais, o que não ocorre em regiões de clima frio. Outra vantagem: a vida produtiva do parreiral que pode alcançar até 25 anos. A uva tem excelente produtividade podendo chegar a 30 toneladas por safra com apenas um hectares plantado. O investimento inicial fica em torno de R$ 40 mil. Na segunda colheita, o produtor já tira o investimento.

Fonte: http://www.cpatsa.embrapa.br/ A produção de uva no Nordeste do Brasil concentra-se principalmente na região do Submédio do Vale do São Francisco, localizada nos sertões pernambucano e baiano. Favorecida pela potencialidade dos recursos naturais e pelos investimentos públicos e privados nos projetos de irrigação, esta cultura vem apresentando uma grande expansão, ano após ano. Dentre as culturas irrigadas exploradas no Submédio do Vale do São Francisco, a uva aparece como a segunda mais importante, em termos de área cultivada, superada apenas pela cultura da manga.

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Em virtude da adaptação e do comportamento fisiológico diferenciado das diversas cultivares às condições edafo-climáticas deste ambiente, os processos fisiológicos das plantas são acelerados, vez que, em cerca de um ano após o plantio pode-se colher a primeira safra. Considerando-se que o ciclo produtivo da videira pode oscilar de 90 a 130 dias, dependendo da cultivar, pode-se obter até duas safras e meia por ano, mediante a adequação das técnicas de produção. Por outro lado, a readequação das técnicas de produção, também, permite que a colheita de uvas, com e sem sementes, para o consumo in natura, seja realizada nos períodos de entressafra do mercado internacional, quando os preços apresentam-se mais elevados. São estas peculiaridades que tornam a viticultura uma atividade com menor grau de incerteza e de elevada rentabilidade econômica para os viticultores do Submédio do Vale do São Francisco. Importância econômica e social da videira Este segmento do agronegócio da uva envolve um conjunto heterogêneo de agentes da cadeia produtiva com diferentes objetivos e estratégias de inserção no mercado, que procura responder à evolução da sofisticação de consumo com produtos condizentes com as qualidades exigidas pelos diversos mercados. Trata-se de uma atividade que envolve um número significativo de pequenos empreendimentos, seja pela participação de um grande contingente de pequenos produtores, seja pelo expressivo número de ocupações geradas na dinâmica de serviços em torno de inúmeras atividades desenvolvidas ao longo da cadeia de produção de uva desta região. Em torno do mercado interno, se insere a grande maioria dos pequenos produtores, que representam cerca de 75% dos viticultores e que detêm mais de 20% da área cultivada com videira. As diferentes estratégias adotadas por esses agentes dão origem às mais diversas formas de estruturas organizacionais e arranjos institucionais.

4.3. CANA-DE-AÇÚCAR

Produção de cana orgânica. O Plantio da cana-de-açúcar é, também, uma boa alternativa para ampliar o leque de produtos agrícolas eleitos, considerando-se que tem grande potencial para desenvolvimento de cadeia produtiva complementar.

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Dentre todas as ações sugeridas, nesta análise de vocações produtivas, será primordial a capacidade de cada produção primária gerar manufaturas e desdobramentos no setor de serviços e turismo. Ciclos virtuosos, que geram novas oportunidades, em cadeia. Eis o modelo ideal para a seleção de prioridades, especialmente na área agrícola. O plantio da cana poderá, ainda, ser testado em consórcio com a carnaúba, de forma que sejam ampliadas as fontes de renda do produtor. A cana plantada permite várias colheitas, demanda tratos culturais, pode ser irrigada por gotejamento, tecnologia que permite economizar 60% de água em comparação com a aspersão convencional e 90% em comparação com a irrigação por inundação (prática mais utilizada pela agricultura familiar da nossa região). No corte, deve-se evitar a queima da palha. O corte propriamente dito é feito com “podão” o mais raso possível, ficando no local as folhas secas servindo como cobertura morta, as folhas verdes juntamente com a ponta da cana são utilizadas na alimentação de bovinos, primeiro subproduto utilizado. Corta-se apenas as quantias de cana que serão utilizadas nos processos produtivos industriais (pequenos alambiques de cachaça orgânica, artesanal).

5. PSICULTURA E APICULTURA 5.1 - APICULTURA Produção de mel é incrementada através do cultivo de girassol

Fonte: Capão Alto, 22/05/2012, Correio Lageano Mais um exemplo de conjugação de atividades, encadeando a produção. Com apiários instalados nas proximidades das áreas cultivadas, observa-se incremento na produção de mel, quando do término da florada. As abelhas coletam pólen e néctar das flores de girassol, realizando assim a polinização que é essencial para formação dos grãos. A lavoura de girassol aumenta a disponibilidade de flores, para alimentar as abelhas. Pode-se até produzir mel de girassol. A extração do óleo e uso da torta de girassol para alimentação animal são fontes adicionais de renda para o produtor. nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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Diversos fatores influenciam na expectativa de produção de mel, como as condições climáticas, tamanho da área cultivada, número de colmeias do apiário, população de abelhas por colmeia entre outros. De onde vem a produção A apicultura no Brasil é predominantemente de base familiar. São no geral pequenos apiários mantidos por famílias de agricultores com base de produção da agroecologica e inseridos nas dinâmicas da economia solidária. Uma das características da atividade é que ela é pouco exigente em mão-de-obra e em recursos. Desta forma, a apicultura vem sendo desenvolvida como uma atividade que gera possibilidades de renda adicional e que favorece o consumo mais freqüente de mel na dieta familiar, sem falar nos benefícios da polinização das plantas nativas, frutíferas e exóticas que induz: ampliação do volume de frutos e sementes, e, conseqüentemente crescimento da cobertura vegetal e maior produtividade. Para a garantia da qualidade do mel, durante a extração e decantação, é necessária a utilização de equipamentos de aço inox, em ambientes exclusivos, como casa de mel e entreposto de mel. Percebe-se que atualmente a fase de extração do mel é feita normalmente na propriedade e muitas vezes não é feita dentro de certas condições de higiene. Os apicultores precisam, portanto, de espaço apropriado para fazer a extração sem incorrer em riscos de contaminação. Da organização Atualmente existem 14 federações, 200 associações em nível municipal ou regional e 160 empresas apícolas registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) com Serviço de Inspeção Federal - SIF. No entanto, estes números não refletem a realidade da organização do setor no Brasil uma vez que grande parte das associações e cooperativas não está vinculada a Federações e nem tem registro no MAPA. A Portaria MAPA nº 293, de 01.12.2006 criou a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Mel e Produtos Apícolas, em conformidade com decisão do Plenário do Conselho do Agronegócio em Reunião Ordinária de 08.04.2003. A Câmara Setorial compõe a estrutura funcional do Conselho Nacional do Agronegócio e tem por finalidade propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento das atividades dos setores a ele associados. A Câmara Setorial tem caráter consultivo e será composta por representantes que compõem a cadeia produtiva/tema, incluindo os segmentos à montante e à jusante da produção para atuar na identificação de gargalos impeditivos ao desenvolvimento do setor, articulando agentes públicos e privados e definindo ações prioritárias de interesse comum visando à atuação sistêmica e integrada dos diferentes segmentos produtivos. Além da organização de federações e associações, existem no Brasil algumas redes de âmbito regional e nacional que merecem ser realçadas por reunir característica de articular amplos setores da cadeia produtiva.

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A Rede Abelha (no RN) nasceu em 2004, a partir de integrantes do Grupo Colméias (ONG ambiental que atua na cadeia da apicultura). A Rede estruturou-se com 54 grupos de produção, possuindo uma coordenação eleita pelos produtores. Poderá servir como referencial para o desenvolvimento desta atividade no município de Carnaubais. Seu nível de organização já permitiu conquistas, com a instalação do entreposto de mel em João Câmara, capaz de beneficiar 40 toneladas/mês, e a fundação da Cooperativa Rede Abelha, a Cooperapis.

Fonte: IDEMA

5.2 – PSICULTURA - TILAPICULTURA A piscicultura é a atividade de maior crescimento no setor primário brasileiro nos últimos 15 anos. Enquanto o crescimento médio do setor cresce cerca de 3,4%, a piscicultura tem taxa anual de crescimento de cerca de 15%. A produção saltou de aproximadamente 1.800 ton/ano em 1982 para cerca de 250.000 ton/ano em 2003. O peixe além de ser uma carne saudável, de alto valor nutritivo, pode ser produzido a baixo custo e a partir de sistemas de criação que utiliza áreas ociosas. A tilápia vem ocupando lugar de destaque na piscicultura em tanques-rede por ser uma espécie precoce, de rápido crescimento e apresentar excelente desempenho em sistemas intensivos de produção. Esse tipo de cultivo vem crescendo consideravelmente no Brasil. Os cultivos de tilápia se intensificaram particularmente no Nordeste e Sudeste do país, aumentando de 35 em 2001 para 68 mil toneladas em 2005.

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Com a intensificação do processo de globalização da economia na última década, a produção agropecuária ficou mais exposta à competição internacional e foi desafiada a buscar novas alternativas para viabilizar econômica e socialmente as propriedades rurais. Dentre as alternativas, a piscicultura pode ser muito importante no desenvolvimento social e econômico, possibilitando o aproveitamento efetivo dos recursos naturais locais, principalmente hídricos, como também a criação de postos de trabalho assalariados. Com a piscicultura, pode-se produzir alimentos de alto valor nutritivo, além de proporcionar ao piscicultor boas oportunidades de investimento. Assim, no planejamento da piscicultura são altamente relevantes os aspectos econômicos da atividade. Investimentos executados sem as devidas análises econômicas podem constituir-se em prejuízo. A oferta brasileira da espécie não consegue atender à demanda, sendo as exportações um dos destinos da produção. A tilapicultura apresenta-se como uma boa alternativa de investimento para o produtor rural, principalmente na região Nordeste, onde as condições de clima são bastante favoráveis a esta atividade, durante todos os meses do ano. As fases de produção envolvem preparo dos tanques (correção e adubação dos viveiros devem atender as exigências e recomendações das análises); calagem (operação promovida para corrigir a acidez do solo e água dos viveiros); adubação (finalidade é aumentar o desenvolvimento do plâncton, sendo química e/ou orgânica, como esterco de gado, cavalo, suíno, ovelha).

6 – INDÚSTRIA 6.1 - FABRICAÇÃO DE VINHOS Fonte: http://www.novonegocio.com.br

O vinho, bebida tão antiga na história das civilizações faz sucesso até hoje. Existe todo um mercado em torno dele: são produtores, distribuidores, agricultores, degustadores, restaurantes, mercados, lojas de queijos e vinhos e muito mais. Uma vez que estamos sugerindo a produção de uva na região, uma ideia de negócio aderente seria montar produções de vinho. Essa fabricação pode ser feita em uma pequena propriedade e ainda assim ter uma bebida de alta qualidade, bastando então apenas saber escolher adequadamente a matéria-prima, cuidar da higiene das instalações, ter equipamentos em boas condições e ainda estar bastante atento ao processo de fermentação, estabilização e maturação para obter excelência. Mercado de vinho tinto no Brasil

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O Brasil possui cinco regiões vinícolas: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Roque, Sul de Minas e Vale do São Francisco. Embora seja um país de tamanho continental, o Brasil não tem condições climáticas perfeitas para a produção de vinhos, mas ainda assim, consegue produzir vários vinhos de ótima qualidade. O clima tropical do norte e o sub-tropical do centro-sul, com muitas chuvas e temperaturas altas, não ajuda no desenvolvimento das uvas viníferas, então a maneira encontrada pela maior parte dos produtores foi usar uvas comuns ou americanas. Já a produção de vinhos no Vale do Rio São Francisco é algo bastante curioso, porque ela surgiu de uma vinicultura experimental que tem o clima seco do nordeste, sem chuvas e sem significativas diferenças de temperatura entre o dia e a noite. Tudo isso como cenário principal e, ainda assim, passou a fornecer bons vinhos. Os vinhedos são constantemente irrigados. O mercado brasileiro de vinhos conta com mais e mais produções. Vários empresários de outros setores têm investido na produção da bebida, com o olhar para as vendas externas onde o vinho brasileiro tem sido visto como exótico, mas comercializado em crescente volume e prestígio. Internamente, a produção dos finos cresce a cada dia, mas ainda bem longe do tipo de vinho mais vendido e produzido aqui: o de mesa. O perfil da maior parte dos consumidores brasileiros é de vinho de mesa, que atende pessoas com baixo poder aquisitivo, formando um comércio muito aquecido. Uma característica que tem fomentado bastante a produção de vinhos finos é a chegada dos jovens como consumidores dessa bebida, mas a indústria ainda sofre bastante com a concorrência de vinhos chilenos e argentinos. Dessa maneira, o empreendedor que vai produzir vinhos em Carnaubais deve ter esse desafio em mãos: desenvolver uma forte identidade para a bebida, conectando-a com as tradições, embalando-a com cestas de carnaúba, criando roteiros turísticos, degustações, clima essencial para a solidificação da marca e da qualidade do produto. Instalações para produção de vinho tinto Normalmente, o local onde funciona a produção de vinho tinto chama-se cantina e ela deve estar em um prédio de alvenaria retangular, onde a uva é recebida por meio de uma plataforma. A cantina deve respeitar o meio ambiente e o empreendedor precisa ter cuidados quanto à contaminação de lençóis freáticos, já que haverá produção de resíduos sólidos ou líquidos na produção do vinho. É preciso que o imóvel tenha clima adequado, já que isso interfere nas uvas, é necessário também levar em conta a distância entre os fornecedores e o local escolhido, evitar que o prédio esteja em estradas movimentadas é essencial, porque as trepidações dificultam o repouso e a estabilização do vinho. nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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A posição mais adequada para a construção da cantina é no sentido Leste-Oeste, porque assim entra mais luz do sol na parte da manhã. O terreno que vai abrigar a cantina deve ser inclinado para que a área de estocagem dos vinhos seja subterrânea, evitando variações de temperatura. Como qualquer negócio, a facilidade de acesso para os insumos e produtos finais são fatores essenciais e que devem ser considerados no momento de definir onde a cantina funcionará. A planta de uma cantina precisa ter os setores de recepção da uva, fermentação, estabilização da bebida, engarrafamento, envelhecimento do vinho em garrafas, tratamento de efluentes, laboratório e área administrativa. Produção de vinhos e estrutura necessária A produção de vinho tinto começa com o recebimento da uva. Para receber 3.500 kg da fruta por dia, em caixas, por exemplo, o local precisa de uma superfície de 12m² e paredes com azulejos na altura de 2m. Nesse momento, ocorre uma análise do estado da uva e pesagem em balança com capacidade para uma tonelada. As caixas devem ser bem lavadas com água sob pressão, assim que as uvas são retiradas. Na máquina desengaçadeira-esmagadeira é separada a ráquis da uva e, em seguida, esmagada. Isso é essencial, porque a ráquis interfere de forma negativa na composição química do mosto, por conta do baixo teor de açúcar e acidez e alto teor de potássio, além de produzir gosto amargo e sensação de adstringência nos vinhos tintos. O esmagamento da uva é basicamente o rompimento da película da baga para que o mosto da polpa seja liberado. Essa fase tem grande influência na qualidade da bebida. Assim, quando essa etapa é feita de forma cuidadosa e correta, ocorre a dispersão das células de leveduras presentes na película, e ainda ajuda no processo de maceração. Esse esmagamento não pode ser muito forte para que a parte sólida da uva não venha a ser triturada. Em seguida, o mosto vai para o recipiente de fermentação, com a ajuda de bombas apropriadas, com pouca velocidade para não triturar a fruta. As mangueiras de transporte devem ter diâmetro maior do que 10 cm para ajudar o fluxo do mosto. A fermentação alcoólica acontece ao mesmo tempo com a maceração. O local da fermentação deve ser amplo, ter boas condições higiênicas, água limpa e em abundância. Na parte debaixo das paredes da sala, é preciso ter aberturas para liberar dióxido de carbono formado na fermentação. Os equipamentos dessa área são as pipas para fermentação, bombas para bagaço, bombas para remontagens e mangueiras, mastelas, prensas, caracol ou esteiras para a retirada de bagaço dos tanques. A fermentação acontece depois de adicionar 20g/hL de levedura seca ativa (Saccharomyces cerevisiae) e é preciso ver o teor e densidade do açúcar do mosto pelo menos duas vezes ao dia. nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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No fim dela, as leveduras e matéria orgânica ficam no fundo do tanque. Faz-se, então, filtragens, estabilização e atestos, com uso de mangueiras, bombas, tinas e filtros. A área de engarrafamento do vinho deve ser de 25m² e ter um pé-direito de 4m. As paredes devem ter azulejo e altura de pelo menos 2m. Nesse local, é feita a lavagem das garrafas, o preparo da rolha, o enchimento dela, fechamento, capsulagem e rotulagem. Depois de engarrafado, o vinho vai para o setor de envelhecimento e as garrafas são empilhadas na horizontal, para manter a rolha úmida. Nesse lugar, o vinho terá seu aroma mais agradável e sua cor também mudará. Tipo de Inspeção - Federal (Ministério da Agricultura) Indústria com as seguintes seções: Recepção de Uvas; Fermentação; Maturação; Engarrafamento; Estocagem; Expedição; Depósito; Expedição; Escritório; Vestiários; Refeitório.

6.2 –BENEFICIAMENTO DE MEL Seguindo nossa estratégia de cadeias produtivas sinérgicas, arranjos que geram novas fontes de trabalho e renda, aproveitaremos a produção de mel (que foi beneficiada pelo cultivo do girassol) para servir de insumo à fabricação de derivados industriais. Instalações - Para que se possa manipular produtos alimentícios de forma higiênica e segura, garantindo ao consumidor a qualidade do produto final, é indispensável que esses procedimentos sejam realizados em instalações e condições adequadas, específicas à classe de produtos a serem processados. No caso do mel, o local destinado para a sua extração é chama-se de unidade de extração, normalmente denominada "Casa do Mel". Para o seu processamento, o local indicado é o Entreposto de Mel, embora essa etapa possa ser executada também na casa do mel, caso esta apresente as condições e o dimensionamento recomendado. A Casa do Mel apresenta construção e disposição simples, constando de área de recepção do material do campo (melgueiras) separada da área de manipulação, área de processamento do mel (podendo ser subdividida, conforme a etapa de processamento), área de envase, local de armazenagem do produto final e banheiro em área isolada (externa ao prédio). A construção deve obedecer às normas sanitárias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (portaria nº 006/986). Apesar da simplicidade da construção, existem algumas variáveis de projetos, levando-se em conta, por exemplo, a topografia do terreno. É importante ressaltar que as dimensões da edificação devem estar adaptadas ao volume de produção. Entretanto, quaisquer que forem as medidas, o projeto deve atender ao fluxograma de extração e processamento do mel, evitando a contaminação cruzada do produto e otimizando a execução das diversas etapas envolvidas no processo, desde a chegada do produto do campo, até a saída do produto acabado para a comercialização. Toda a edificação deve apresentar alguns requisitos de construção que favoreçam a higienização do local e evitem a contaminação do ambiente por agentes externos nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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(insetos, poeira, etc.) ou por contaminação cruzada. O piso deve ser de material antiderrapante, resistente e impermeável e de fácil higiene, apresentando declividade adequada e evitando o acúmulo de água. Paredes construídas e revestidas com material não absorvente, lavável e de cor clara. Devem apresentar superfície lisa, sem fendas que possam acumular sujeiras, e cantos arredondados entre piso/parede/teto, facilitando a higienização. Equipamentos e Utensílios Para que o mel possa ser extraído dos favos, sob um processo com qualidade, são necessários alguns equipamentos especiais. Para que se possa garantir a qualidade do produto final, todos os equipamentos e utensílios utilizados nas várias etapas de manipulação devem ser específicos para essa atividade, não cabendo qualquer forma de adaptação. Mesa desoperculadora; Garfo desoperculador.

Figura 45. Garfo desoperculador.

Faca desoperculadora; Aparelho automático de desoperculação; Centrífuga; Peneiras; Baldes; Decantador: Homogeneizadores: Mesa coletora;

Figura 46. Modelos de decantador (a e b), mesa coletora de mel e bomba de mel (b).

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Figura 47. Equipamentos utilizados na extração e processamento do mel: centrífuga (a) e tanque homogeneizador (b).

Higienização Para que se possa garantir ao consumidor a qualidade do produto final, os produtos alimentícios, devem ser processados seguindo-se normas rigorosas de higiene, tanto das instalações como do pessoal envolvido e dos equipamentos utilizados. Essas normas estão contidas no que se denomina "Boas Práticas de Fabricação de Alimentos" – BPF. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, por meio do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA, vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária – DAS, dispõe de uma instrução normativa que determina o Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Manipulação para Estabelecimentos Elaboradores e/ou Industrializadores de Alimentos". Para o cumprimento dessas normas, é necessário que se formule um plano de ação denominado "Procedimentos Práticos de Higiene Operacional" - PPHO, que visa estabelecer os procedimentos práticos para a implantação das normas de BPF. Armazenamento Cuidados especiais devem ser tomados em relação ao armazenamento, tanto do mel a granel (baldes plásticos e tambores) como do fracionado (embalagens para o consumo final), em relação à higiene do ambiente e, principalmente, em relação ao controle da temperatura. Altas temperaturas durante todo o processamento e estocagem são prejudiciais à qualidade do produto final, uma vez que o efeito nocivo causado ao mel é acumulativo e irreversível. Essas embalagens devem ser colocadas sobre estrados de madeira ou outro material, impedindo o contato direto com o piso e facilitando seu deslocamento no caso da utilização de empilhadeiras. nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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Embalagem Para o mel, devem-se utilizar apenas embalagens próprias para o acondicionamento de produtos alimentícios e preferencialmente novas, pois não se recomenda a reciclagem de embalagens de outros produtos alimentícios (margarina, óleo, etc.). Atualmente, no mercado, existem embalagens específicas para mel, com várias capacidades e formatos.

Figura 48. Variedade de embalagens

6.3 – FABRICAÇÃO DE CACHAÇA ORGÂNICA

Moagem: A cana já selecionada, isenta de folhas e raízes, segue para o sistema de extração do caldo, que é composto por dois equipamentos: forrageira e moenda, a primeira tritura a cana facilitando a extração da garapa pela moenda (engenho). Após a extração da garapa, esta circula em um decantador, separando impurezas. A garapa filtrada segue para as dornas de fermentação. Durante a moagem temos o segundo subproduto (bagaço), este subproduto é muito versátil, utilizamos como combustível na caldeira, aproximadamente 30%; adubação na forma de composto adicionando-se outro subproduto (garapão); cobertura morta nas entre linhas da cana e do café. O bagaço também pode ser utilizado como volumoso na alimentação de ruminantes, fabríco de embalágens artesanais, etc. A parcela utilizada na caldeira produz outro sub produto, as cinzas, ricas em minerais, principalmente potássio, sendo utilizada como adubo.

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Fermentação: Esta é a principal etapa do fabrico da cachaça, uma boa cachaça depende de uma boa fermentação. A fermentação depende da maturidade certa da cana, da padronização do bríx da garapa antes de entrar na dorna, da sanidade (baixa incidência de brocas) e da composição do caldo (cana deficiente em alguns elementos químicos poderão causar deficiência nos fungos “sacharomices”, diminuindo assim sua atividade). A fermentação deve ocorrer no máximo até 36 horas após a entrada da garapa na dorna de fermentação. Cachaça proveniente de dornas que ultrapassaram este tempo é separada junto com a cachaça da “cabeça”. A garapa fermentada é chamada de vinho. Destilação:: O sistema de aquecimento do vinho é através de vapor, que circula em uma serpentina no interior do alambique. Este sistema proporciona uma melhor qualidade ao produto, devido ao aquecimento uniforme do vinho, evitando a tradicional queima do fundo, que ocorre nos alambiques tradicionais com fogo direto. A caldeira também acelera o processo, o controle da temperatura no alambique é feito através da regulagem na vazão do vapor através de registros. Uma destilação mais eficiente também diminui a acidez e o teor de cobre na cachaça. Saem dois subprodutos (cachaça de cabeça e vinhoto). A cachaça de cabeça é proveniente do início de cada alambicada onde separamos os primeiros 10%, segundo bibliografia que trata do assunto, nestes primeiros 10% estão concentrados produtos tóxicos, estes produtos promovem dores de cabeça e ressaca no consumidor. Toda a cabeçada é utilizada como combustível em veículos após a concentração do álcool de 75 para 90% em uma nova destilação. O vinhoto como quarto subproduto, é na realidade o de maior importância, em grande volume (85% do vinho original), é rico em nutrientes prontamente liberados através da fermentação e cozimento durante a destilação, de fácil utilização por se tratar de um líquido, podendo ser bombeado de um ponto a outro com baixo custo. Engarrafamento: Numa adega, a cachaça fica distribuída em barris de garapeira (grápia) durante pelo menos três anos, e em depósitos de aço inoxidável. O engarrafamento propriamente dito é feito em equipamentos manuais para encher tapar e rotular as garrafas. Este setor não gera subprodutos.

6.4 – Fabricação de Emulsões de Ceras (Carnaúba e Abelha) Analisando a problemática da produção de carnaúba, percebemos a simples extração da cera rudimentar, através de processos manuais, para entrega a “atravessadores” de indústrias brasileiras (também rudimentares) é a opção mais perniciosa e perigosa para o setor extrativista de Carnaubais. Este raciocínio caolho que direciona a nossa produção de cera bruta para o mercado internacional, certamente, dizimará todas as reservas de carnaubeiras existentes no Nordeste do Brasil. Ora, os produtores não agregam coisa alguma de valor ao produto, que não seja o próprio suor (que nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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muito pouco vale, infelizmente). Aquilo que é produzido em Carnaubais vai para outra região, outro estado da federação, é tratado e exportado, de imediato. Tais indústrias são até viáveis, uma vez que se beneficiam de incentivos tributários. Mas, o nosso produtor ganha muito pouco, neste processo. As carnaubeiras continuam sendo derrubadas, uma a uma. Porque não vale a pena todo o trabalho, não há viabilidade econômica para quem faz a colheita dos carnaubais. Então, precisamos nos livrar dessa filosofia míope, que incentiva a exportação de commodities. Vamos deixar esta atividade para a privatizada Vale do Rio Doce, que pouco se interessa pelos destinos do país, e de seu povo. Devemos aproveitar, sim, a nossa produção de cera, agregá-la a outro produto, numa arranjo produtivo interno. Devemos buscar a industrialização da cera, a sua transformação em produto um pouco mais valioso. Dessa forma, poderemos pagar melhor ao produtor/extrativista, bem como gerar ocupação e renda na região. Eis o caminho! Somos inteligentes, obstinados, o suficiente para não sair desse prumo. Vamos buscar o encadeamento produtivo, a valorização de nossa carnaúba. Os alemães, americanos, chineses não conseguem, nem conseguirão (nunca) produzir a cera de carnaúba. Ela é nossa. E pode ser o nosso petróleo do futuro. Basta-nos estratégia, foco, disposição para superar obstáculos. Dentre as possibilidades de manufatura da cera, poderemos optar pela produção de emulsões. Trata-se um produto que se agregaria à fruticultura, sendo consumido na própria região. Esta é a concepção adotada em todo este trabalho de consultoria. Existe tecnologia nacional para a produção das emulsões, e necessitamos aprendê-la ou emparceirar com as indústrias detentoras. Condicionaremos, em princípio, a instalação de unidade produtora em Carnaubais. Por Que Encerar Frutas? Por Valdique Martins Medina (Embrapa, medina@cnpmf.embrapa.br, 75-3312-8055)

O enceramento das frutas objetiva repor a cera natural da casca, parcialmente perdida com o amadurecimento e removida nos processos de beneficiamento. Além de conferir brilho após o polimento, a cera reduz a murcha e aumenta a vida de prateleira das frutas. Considerando-se que o primeiro critério usado pelo consumidor no momento da escolha de um produto é visual, então o brilho conferido pelo enceramento torna-se o principal benefício do uso da cera para efeito de comercialização das frutas. As ceras têm sido usadas em frutos e legumes desde os anos 1920, sendo todas compostas de ingredientes naturais e, por serem seguras para ingestão, são certificadas pelo U.S. Food and Drug Administration. São obtidas de fontes naturais, incluindo a cera de carnaúba das folhas de uma palmeira brasileira; cera de candelila derivada de plantas do gênero Euphorbia parecidas com a cana, as quais vegetam em desertos, e a goma-laca da secreção do besouro laca encontrado na Índia e no Paquistão. Estas ceras são também aprovadas para uso como aditivos alimentícios de doces e bolos. Isso explica porque as barras de chocolate derretem na boca, mas não na mão do consumidor. Emulsão de Cera da Carnaúba nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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A cera de carnaúba é a que apresenta a maior gama de utilização, destinando-se a atividades tão diferentes quanto a produção de cremes de beleza e batons, cobertura de frutas, doces e queijo e fabricação de cápsulas que envolvem medicamentos. Sem prejuízo à saúde do consumidor, a cera de carnaúba reveste a fruta, propiciando maior durabilidade e brilho. O sistema extrativista de obtenção do pó de carnaúba permitiu a certificação orgânica da cera de carnaúba pela IFOAM (Fundação Internacional para Agricultura Orgânica) e USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), podendo ser usada como aditivo de alimentos de acordo com normas do Codex Alimentarius (organização internacional que tem por objetivo proteger a saúde dos consumidores e assegurar a aplicação de práticas eqüitativas no comércio de alimentos). No revestimento de frutas utiliza-se a cera de carnaúba na forma de emulsão solúvel em água. O mercado nacional oferece ao consumidor uma grande gama de emulsões de cera de carnaúba, em concentrações variando de 12 a 30%. A maioria das frutas não suportam concentrações superiores a 30%, manifestando sintomas de danos pelo excesso de gás carbônico na polpa. Uma vez estabelecida a concentração adequada a cada fruta, inicia-se o processo de enceramento mecanizado ou manual. No enceramento mecanizado utiliza-se máquina aplicadora de cera na qual, durante o deslocamento, as frutas são pulverizadas com a emulsão de cera, passam por um túnel de secagem e depois por rolos de polimento. O enceramento mecanizado é usado apenas nas frutas com forma geométrica tendendo para a esfera ou elipse, como laranja, limão, tangerina, goiaba, maçã, nectarina, pêra, dentre outras. Já o enceramento manual pode ser usado em qualquer tipo de fruta. Neste caso, as frutas são submersas em tanque contendo a emulsão de cera; do tanque são colocadas em bandejas que se deslocam por um túnel de secagem e depois são enceradas manualmente usando-se flanela até a fruta brilhar. Deve-se evitar o polimento excessivo, o qual pode danificar a casca da fruta. Apesar de a cera poder ser aplicada a todas as frutas, propiciando os benefícios da redução da murcha e o aumento da vida de prateleira, em alguns tipos de fruta não é possível o polimento para dar brilho, seja pela anatomia da fruta ou pela delicadeza da casca ou por ambas. Na banana, abacaxi e uva, o enceramento não é utilizado, pois o polimento seria impraticável. Cera de carnaúba também poderá ser usada na produção de pães Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou resolução que permite uso da cera de carnaúba como coadjuvante de tecnologia na produção de produtos de panificação no Brasil. Pela nova norma, a cera de carnaúba poderá ser empregada como lubrificante ou agente de moldagem ou desmoldagem na fabricação de produtos forneáveis, como pão, biscoito e bolo. Os coadjuvantes de tecnologia são substâncias utilizadas intencionalmente na elaboração de alimentos, mas que não podem estar presentes no produto final. “Caso a Consulta Pública resulte em Regulamento Técnico, a cera de carnaúba poderá ser empregada como lubrificante ou agente de moldagem ou desmoldagem na fabricação de produtos forneáveis, que é, mais ou menos, a função que a margarina ou a manteiga exerce quando untamos uma forma, para a massa não aderir ao fundo”. A segurança do uso da cera de carnaúba em alimentos é comprovada por estudos toxicológicos do Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA). Essa substância também consta das normas do Codex Alimentarius. O JECFA é o comitê científico, formado por diferentes especialistas de várias partes do mundo, vinculado à Organização para nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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Alimentos e Agricultura das Nações Unidas e à Organização Mundial da Saúde, que faz a análise da segurança de uso de aditivos para alimentos.

Pesquisa com Emulsões de Cera de Abelha REDUÇÃO NA PERDA DE MASSA DE FRUTA REVESTIDA COM EMULSÕES DE CERA DE ABELHA AUTORES: CORTEZ, F. J. C. (UFERSA) ; OLIVEIRA, T. A. (UFERSA) ; GÓIS, V. A. (UFERSA)

Avaliação positiva quanto a menor perda de massa de frutos de maracujá amarelo durante armazenamento sob temperatura ambiente, revestido com cera de abelha (0, 4, 8 e 12%). Foram utilizadas cinco repetições com um fruto por repetição. Foi realizada a análise de perda de massa. Os dados foram submetidos à análise e, ao longo do armazenamento, os frutos com revestimento perderam menos massa, sendo o revestimento de cera com 4% mais eficiente. MATERIAL E MÉTODOS: Neste experimento do Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, município de Mossoró/RN. Foram selecionados 85 frutos, quanto à ausência de defeitos, ferimentos e ataque de microrganismos, em seguida foram tratados com solução de hipoclorito de sódio a 100 ppm por 10 minutos em seguida aplicados os tratamentos: testemunha (sem recobrimento), revestidos com 4% de cera de abelha(tratamento 2), 8% de cera de abelha (tratamento 3) e 12% de cera de abelha (tratamento 4). As formulações das emulsões das ceras foram obtidas com a pesagem e adição de 20, 40 e 60g em recipientes separados completando com 480, 460 e 440g água destilada e adicionou um 0,5% de óleo de coco saponificado (OCS) para quebra a tensão superficial e facilitar a mistura dos componentes. Em seguida, a solução foi agitada e aquecida a uma temperatura de 100 ºC, durante 10 minutos, com o auxílio de um aquecedor-agitador. Após esse período os frutos foram imersos nas soluções mantidas a uma temperatura de 50 ºC e colocados em bandeja de isopor para secar em temperatura ambiente. Houve interação significativa entre os tratamentos com diferente porcentagem de cera e o tempo de armazenamento do maracujá-amarelo para a variável perda de massa. Foi observado aumento da porcentagem de perda de massa (PM) em todos os tratamentos ao longo do período de armazenamento (Figura 1). O revestimento de cera de abelha com 4% utilizados nos frutos de maracujá obteve a menor perda de massa (13,25%), aos doze dias de armazenamento sendo esse 62,55% menor do que a testemunha.

7 – CULTURA E SERVIÇOS 7.1 – O TURISMO COMO PRODUTO AGREGADO ÀS CADEIAS PRODUTIVAS, AO ARTESANATO E AOS ARRANJOS LOCAIS

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Josep Chias, em seu livro intitulado Turismo, o negócio da felicidade, diz que o posicionamento de um destino é o resultado da interação entre os campos de gestão do turismo – mental & presencial – no mercado, onde a relação com os competidores se dá de forma direta. Existem 4 fatores que tipificam todas as atividades turísticas: natureza, cultura, sensações e estímulos.

Elencaremos, a partir dos insumos agrícolas, das atividades industriais já abordadas, uma gama de MOTES TURÍSTICOS, ou seja, um leque de atrações que poderão dar sustentação à atividade turística em Carnaubais. Desde a pitoresca moeda comunitária (a nossa Carnaúba-$), as reservas ecológicas de carnaubeiras, uma planta que se denomina “árvore da vida”, passando pelo plantio de girassóis, pela produção de mel, pela degustação de vinhos, pelas trilhas de aventura, perfumadas com a cultura deste rincão belo e rico de tradições. Uma rede básica de hospedagem, qualificação da mão de obra, juntando-se aos ingredientes novos e tradicionais, tudo isso forma uma composição irresistível, cheia de curiosidades, de história, de calor humano. Não há dúvidas sobre o potencial de Carnaubais para o turismo. Devemos considerar o visitante regional, que chegará de carro à região, buscando conhecer uma região produtora de petróleo que se transforma, que se reinventa, para construir o futuro.

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Fonte: Atlas da Zona Homogênea Mossoroense – Idema.

Cresce a importância da cultura na competitividade do turismo FONTE: MinC

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Pesquisa divulgada pelo Ministério do Turismo aponta crescimento do índice que mede a importância dos aspectos culturais para o desenvolvimento do turismo, usado como indicador da meta 10 do Plano Nacional de Cultura. O Ministério do Turismo publicou o Relatório Brasil 2011 do Índice de Competitividade do Turismo Nacional, que avalia o desempenho de 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional. As cidades são analisadas a partir de 13 dimensões, tais como infraestrutura, cooperação regional e aspectos sociais e ambientais. Uma das dimensões estudadas pelos pesquisadores avalia a importância dos aspectos culturais para o turismo. Essa dimensão abrange a produção cultural associada ao turismo do destino, a preservação do seu patrimônio histórico e cultural e a estrutura pública do destino para o apoio à cultura.

Dimensão

2008

2009

2010

2011

Aspectos 54,6 54,6 55,9 57,5 culturais Em 2011, esses aspectos apresentaram um índice de 57,5, o que representa um crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior. A meta 10 do Plano Nacional de Cultura busca elevar este índice em 15%, ou seja, de 55,9 para 64,3 até 2020. O resultado da nova pesquisa, divulgada em junho de 2012, mostra que, se mantido este crescimento, a meta pode vir a ser atingida em 2015. Este resultado pode ser atribuído a um conjunto de políticas públicas conduzidas pelo governo federal, em especial os Ministérios do Turismo e da Cultura, que implementaram ações conjuntas no âmbito do turismo cultural, com base em Acordo de Cooperação firmado entre os dois órgãos e o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional – Iphan; além de iniciativas dos governos estaduais e municipais. No âmbito do Ministério da Cultura, vale destacar programas como o Cultura Viva, que reconhece e fomenta iniciativas culturais nos municípios, os pontos de cultura; e a implantação do Sistema Nacional de Cultura, que estimula a melhoria dos instrumentos de gestão da cultura nos municípios. Além disso, o Iphan tem desenvolvido diversas ações que atuam na preservação do patrimônio histórico e cultural das cidades. PRODUÇÃO DEVINHOS E O TURISMO

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As vinícolas, no mundo inteiro, apostam em roteiros para aqueles que querem degustar a bebida produzida com suas uvas cultivadas. Segundo dados da Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude (Acavitis), por exemplo, que reúne 28 empresas, nove propriedades têm programas que incluem visita aos parreirais e degustação harmonizada das bebidas. Com um pequeno volume de produção e plantio em áreas reduzidas, o turismo se tornou uma alternativa para fortalecer as marcas das empresas da região. Os programas podem incluir passeio na propriedade, piquenique na área do parreiral, e degustação harmonizada. Atraindo consumidores para conhecer os produtos e filosofias, as marcas se consolidam, naturalmente.

O MITO GREGO DO GIRASSOL Segundo a mitologia grega, certa moça, chamada Clytia, apaixonou-se pelo deus do Sol Apolo e sem poder fazer nada, observava-o cruzar o céu. Após nove dias, ela foi transformada em um girassol.

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História - Os girassóis são plantas originárias das Américas, domesticadas por volta do ano 1000 a.C.. Francisco Pizarro encontrou diversos objetos incas e imagens moldadas em ouro da planta que fazem referência aos girassóis como seu deus do Sol

APIECOTURISMO Apresentação da história da apicultura e a biologia das abelhas melíferas africanizadas são conteúdos interessantes sob o aspecto turístico. Conhecer o meliponário instalado numa trilha ecológica, praticar a colheita de mel em um apiário, observar os processos de beneficiamento de mel e derivados. Um Museu do Mel poderia apresentar curiosidades sobre a produção e a história, atendendo à demanda crescente de Informação sobre abelhas e mel, por parte dos estudantes, turistas e até produtores. O Museu do Mel teria como objetivos principais: educar, capacitar, conscientizar, promover e valorizar a biodiversidade de abelhas e plantas nativas, seus produtos e eco sistemas associados, difundindo informação, conhecimento, comprometido diretamente com a defesa, preservação e conservação do meio ambiente. MUSEU DA CARNAÚBA Incorporar-se-ia nas instalações do Museu da Cidade Histórica, podendo se agregar ao Museu do Mel, formando um conjunto interessante de atrações.

RELEMBRANDO A HISTÓRIA DE CARNAUBAIS

A história da Cidade Velha remonta séculos passados e resgatá-la é uma missão mais do que necessária. Francisco Pereira de Albuquerque foi o primeiro a se instalar no lugar explorando a nConta Net consultoria – 04211507/0001-45 (84) 2226-1940 – aluisioazevedo@hotmail.com.br

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agricultura e a pecuária. A casa dele foi a primeira de alvenaria, construída em 1825, e já não existe mais. No lugar existe apenas o alicerce coberto por pedregulhos. Em 1870, os tropeiros oriundos de cidades próximas como Pendências, passavam pelo local conhecido por Poço da Lavagem. Ali havia uma lagoa onde os cavalos tomavam banho e os viajantes matavam a sede. Já não se encontra mais água no local. O grande benfeitor do local foi o chamado Barão da Carnaúba, Abel Alberto da Fonseca, que foi morar no Poço da Lavagem em 1910. Segundo o historiador de Carnaubais, Carlos Augusto Pereira da Silva, Abel Alberto estruturou toda a organização do povoado. A primeira feira e a primeira escola pública foram iniciativas do Barão. Além do incentivo à economia com a implantação de usinas de descaroçar algodão, casas de farinha e a exploração da carnaúba.

A carnaubeira é, até hoje, assim como o juazeiro, uma das mais características e importantes árvores do sertão nordestino, sendo integralmente aproveitada há muitos anos. E não é necessário ter nascido no interior (basta visitar qualquer feira de artesanato) para saber que a fibra extraída de suas folhas (depois de extraído o pó do qual se faz a cera) serve para produzir cordas, chapéus, bolsas, esteiras, escovas e redes de dormir, entre outros objetos. Eis o símbolo maior a ser preservado pela comunidade de Carnaúbas.

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UM PROJETO TURÍSTICO PARA CARNAUBAIS

O turismo é uma atividade econômica que gera um volume grande de renda e empregos. Entre os segmentos de demanda que mais crescem na atualidade está o turismo cultural, religioso, de aventura, ecológico. Carnaubais possui condições favoráveis tanto para a exploração do turismo cultural, do turismo ecológico e de aventuras. Criando-se uma estrutura receptiva, formando a mão de obra, qualificando, Carnaubais conseguirá desenvolver inúmeros produtos e roteiros, com base no seu patrimônio histórico e cultural, com base na sua natureza, nas suas características e atrações peculiares. O desenvolvimento do turismo rural é factível, cumprindo-se esses pressupostos, agregando-se ainda a prática de esportes de aventuras e a exploração do ecoturismo ligado à Carnaúba, seu maior expoente.

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8. ANEXO – UM MODELO PARA DESENVOLVIMENTO DE PROJETO TURÍSTICO Eis, aqui, um modelo a ser desenvolvido pela Prefeitura Municipal, visando a determinação de ações específicas para o setor do turismo, baseado em técnicas de Planejamento Estratégico. 8.1. Análise da situação Avaliação de pontos fracos que dificultam o desenvolvimento do turismo na região:

Divulgação

Produto Turístico

Articulação Institucional

Informação

Capacitação profissional

Integração empresarial

Envolvimento da comunidade

Infra-estrutura

Pontos fortes da região que podem alavancar o desenvolvimento do turismo? Características regionais

Atrativos

Infra-estrutura Pública

Articulação Comunidade

Infraestrutura Turística

Vocações regionais

Recursos Humanos

Mercado

Eventos

Contexto Econômico

8.1.1. Atrativos Naturais

Tipologia dos Atrativos Naturais de Carnaubais Atrativo Ecológico Florestal

Zoológico

Reserva

Lazer 1

As atividades executadas comumente nestes atrativos reforçam o objetivo destes atrativos. 8.1.2. Atrativos Culturais

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Os atrativos culturais são mais numerosos do que os naturais em Carnaubais.

8.2. Inventário dos Serviços Turísticos 8.2.1. Oferta dos meios de hospedagem

8.3. Conclusão Carnaubais possui uma demanda potencial enorme e deve priorizar os seguintes segmentos de mercado: a) Do ponto de vista geográfico

b) Do ponto de vista de produtos O segmento de eventos culturais, sociais e esportivos O turismo cultural O turismo ecológico e de aventuras O turismo rural c) Quanto aos meios de hospedagem

d) Quanto aos meios de transportes

8.4. Propostas de Turismo 8.4.1. Roteiros A elaboração de roteiros turísticos é uma competência dos operadores turísticos privados. Dentro desta ótica, a indicação dos roteiros a seguir tem apenas a intenção de exemplificar roteiros que podem ser estudados de forma mais detalhada e precisa nas próximas etapas do planejamento turístico da cidade. Com base nesta relação foram indicados os roteiros a seguir: a) Carnaubais ...  Café da Manhã ...;  Visita à ...; b) Carnaubais ...  Característica: Natural e Esportivo;  Sugestão do nome: Roteiro do ...;  Descrição: Valorização dos atrativos naturais e dos esportes radicais da região de Carnaubais;  Tempo de Duração: 1 dia podendo ser estendido para 2 dias.  Atrativos a serem visitados:  ....  Programação:  Saída de Carnaubais;  Visita a ...  Retorno a Carnaubais.  Atividades:  Rappel  Trilha

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 

Byke-Cross Motocross

c) Carnaubais ... /Carnaubais  Visita à ...;  Almoço em ...;  Visita à ... 8.4.2 Turismo Cultural 8.4.2.1 Matriz de envolvimento 8.4.2.2. Órgãos competentes e demais envolvidos      

Secretaria de Planejamento Órgão responsável pelo Turismo Sindicatos de classe Associações comerciais e setoriais Dirigentes de espaços culturais públicos Proprietários de estabelecimentos privados

8.4.2.3. Operacionalização 8.4.2.4. Infra-estrutura e recursos humanos necessários  Suporte de operadora (s) local (is)  Transporte interno - cidade de Carnaubais (micro-ônibus para grupo de 20 pessoas)  Transporte intra-regional (ônibus apto a circular por rodovias para 2 grupos com capacidade de até 50 pessoas)  Capacitação de Guia (s) Turístico (s) apto (s) a acompanhar e organizar grupos, além de apresentar os atrativos visitados  Central de telemarketing para informações turísticas e direcionamento às operadoras para agendamento de visitas  Criação de pontos de informações turísticas nos principais pontos de circulação (aeroportos, shoppings, rodoviárias, centros comerciais, espaços culturais)  Criação de roteiros integrados direcionados aos eventos de grande mobilização na cidade, como os de agribusiness  Pontos de saída de micro-ônibus em locais estratégicos da cidade, integrando hotéis e principais centros comerciais  Produção de material informativo e realização de seminários para instrução da equipe de atendimento dos hotéis a respeito dos roteiros, atrativos turísticos da cidade e respectivos procedimentos práticos  Estímulo e orientação para valorização e preparo dos atrativos visitados - monitores, materiais informativos, realização de atividades paralelas, reparos de infra-estrutura, regularização dos horários de funcionamento entre outros. 8.4.2.5. Cronograma CRONOGRAMA DE AÇÃO - IMPLANTAÇÃO DE ROTEIROS TURÍSTICOS 1o. 2o. 3o. 4o. 5o. 6o. Mês Mês Mês Mês Mês Mês

Atividades de capacitação profissional Seleção e treinamento de guias turísticos / multiplicadores Treinamento de equipe de atendimento dos hotéis Treinamento de equipe de telemarketing / postos de informações

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Treinamento de monitores e atendimento dos atrativos

Atividades de integração institucional Palestras visando a integração institucional, reunindo: o responsáveis pelos espaços culturais e demais atrativos o autoridades e técnicos da área pública voltadas ao turismo o setor empresarial - hotéis / restaurantes / etc o sindicatos e associações comerciais o encontros avaliativos e de acompanhamento

Atividades de difusão dos roteiros e potencial turístico Educadores e diretores de escolas Público geral

Promoção dos roteiros junto a agências de turismo Divulgação através de mala direta (vide plano geral de marketing) Contatos telefônicos e via e-mail (pró-ativo) 8.5. PLANO GERAL DE MARKETING O turismo é um produto que possui características muito próprias. Trata-se de um produto intangível em que ao invés do produto ser levado ao consumidor é o consumidor que tem que ser atraído para o produto, sem ter a possibilidade de experimentar antes sua qualidade antes de adquiri-lo. Este consumidor, inclusive, encontra-se distante e espalhado espacialmente, exigindo grande esforço de marketing para cobrir toda a demanda potencial. De outro lado, o produto turístico é multifacetado, composto por vários tipos de serviços de fornecedores diversos que se unem para formatar este produto. Há, também uma diversidade imensa de produtos voltados para os mais diversos segmentos de mercado. Estes são segmentados por motivação de viagens (negócios, eventos, lazer, cultura, aventuras, visita a amigos e parentes, saúde, etc.), por faixas etárias, por níveis de renda, por tipos de meios de transportes utilizados, por meios de hospedagem utilizados, etc. Trata-se de um produto não estocável, que exige uma logística de vendas que minimize a capacidade ociosa da infra-estrutura turística nos períodos de baixa estação. Por estas razões, o desenvolvimento do setor de turismo é mais dependente de um plano de marketing bem elaborado do que outros setores. 8.5.1. Proposta de Implantação do Plano de Marketing 8.5.1.1. Definição de Identidade da Cidade

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Para o levantamento de principais atributos da cidade é necessário: a) Seleção de atributos que melhor qualificam a cidade  manifestações culturais representativas  riquezas naturais  patrimônio histórico  atividades econômicas e produtos  formação populacional b) Identificação de aspectos concorrenciais e afinidades em relação à cidade de Carnaubais dentre àquelas de porte semelhante circunscritas em áreas geográficas delimitadas:  Região Carnaubais  Costa Branca  Território do RN 8.5.2. Planilha de Planejamento para Implantação Tabela 46 - Plano de marketing e ações de divulgação - planilha de planejamento para implantação - 2003 Prestador de Etapas Público Tipo/modalidade Distribuição Período serviço Estratégias de MKT Criação de logomarca / agência debranding identidade visual da cidade Pesquisas de mercado

Turista Potencial (brasileiros / estrangeiros)

Campanha Publicitária a Criação de estratégias agência de Turista Potencial (1 fase: Campanha via internet) e diretrizes para a publicidade ou campanha publicitária comunicação integrada / veiculos conceito; slogan; formas de veiculação Criação e anúncios midia impressa? desenvolvimento de (jornais/revistas e publicações) peças especificas: inserções publicitárias TV Definição de Plano de veiculação de Mídia (ações spots em rádio integradas) Negociação veículos diversos (nacionais, especializados e alternativos) Veiculações / inserções Peças gráficas divulgação do potencial turistico e roteiros Concepção de peças agência de de gráficas dirigidos a: comunicação integrada ou

agência de folder / mala viagem direta / cartaz

correio / internet /

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estúdios, bureaus Ações promocionais Participação da cidade agência de promoção / de Carnaubais em operadoras feiras e eventos nacionais afins Operacionalização de roteiros integrados aos eventos da cidade 8.6 - ESTRUTURA INSTITUCIONAL DO TURISMO

8.6.1 - Apresentação

O turismo é um produto turístico que reúne atrativos turísticos com um conjunto de serviços turísticos, com a infra-estrutura básica da localidade, com os serviços urbanos de apoio aos visitantes, com a hospitalidade da comunidade local e com a capacitação de seus recursos humanos. Neste conjunto diversificado de elementos existem tarefas que são típicas da atividade privada e outras que são típicas da administração pública.

No desenvolvimento do turismo a parceria permanente da iniciativa privada e do poder público é uma questão de sobrevivência da atividade.

Não há desenvolvimento turístico sem o envolvimento da iniciativa privada, como não há desenvolvimento turístico sem um envolvimento do poder público.

Dentro deste contexto, a estrutura institucional do turismo em uma município é fator decisivo para o seu sucesso. 8.6.2 - Conselho Municipal de Turismo O Conselho Municipal de Turismo se constitui em um órgão consultivo e deliberativo nas questões em que envolve a parceria entre a iniciativa privada e o setor de turismo. Sua função consultiva está relacionada ao apoio que o mesmo deve dar na definição das grandes estratégias de desenvolvimento a serem adotadas pelos seus componentes. Assim, o COMTUR deverá se reunir periodicamente para deliberar sobre calendário de eventos, sobre aplicação de recursos do FUMTUR, sobre campanhas de conscientização turística da população, sobre critérios de classificação de empreendimentos turísticos, etc. O COMTUR deverá ser composto por representantes do setor privado, da administração pública do turismo, do setor de capacitação de recursos humanos, das instituições do terceiro setor ligadas à preservação dos atrativos naturais e culturais e das instituições de fomento como as financiadores de investimentos, o SEBRAE, etc, O setor público deve estar representado não apenas pelos responsáveis pelo setor turístico, mas também pelos responsáveis de áreas de grande interface com o turismo, como é o caso dos transportes, da segurança pública, da cultura e do meio ambiente. O poder público deverá disponibilizar um funcionário que possa atuar como secretário executivo o COMTUR.

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8.7 - SISTEMA DE INFORMAÇÕES TURÍSTICAS 8.7.1 - Apresentação

O turista, por definição, é um ignorante sobre o destino turístico que ele visita. Para que este turista possa circular no destino, desfrutar de sua oferta, ampliar sua permanência no local e por conseguinte ampliar seus gastos ele é extremamente carente de informações. O turista necessita não só das informações indispensáveis para sua sobrevivência no destino, como necessita de informações que o estimulem ao consumo turístico. A informação tem que ser correta e atualizada, o que exige uma ação permanente de coleta de informações, tratamento e distribuição de informações. 8.7.2 - Propostas Para a implementação de um sistema de informações turísticas de Carnaubais, indicam-se as seguintes propostas: 8.7.2.1 - Postos de informações turísticas Carnaubais tem a necessidade da implantação de 1 posto de informações turísticas: 

Praça, onde está sendo implantado o acesso wi-fi a internet....;

Além da distribuição das informações aos turistas, os PITs deverão funcionar como postos de pesquisa com os visitantes para se identificar dados tais como:     

Origem; Meios de transportes utilizados; Meios de hospedagem utilizados; Motivação da viagem; Avaliação do destino turístico.

8.7.2.2 - Sinalização Turística A sinalização turística deve ter duas funções básicas: a orientativa e identificadora. Quanto a orientativa a sinalização deve ser externa e interna aos atrativos. Esta sinalização deverá seguir a simbologia oficial e as especificações técnicas determinadas pela EMBRATUR. Da mesma forma alguns atrativos de maior porte com vários elementos de interesse turístico deverão contar com uma sinalização que permita ao visitante encontrar cada um dos elementos componentes do atrativo. A sinalização interna dos atrativos deverá ser feita em português e inglês. Além da informação orientativa, cada atrativo deverá contar com placas identificadoras e, com cuidado de não poluir a fachada do atrativo, com informações básicas para o turista entender o significado daquele atrativo. Esta sinalização identificadora também deve ser externa e interna. Externa, no sentido da identificação do atrativo como um todo e interna para a identificação de cada elemento componente deste atrativo. Assim, um museu, por exemplo, deve ter todo seu acervo identificado, preferencialmente em português e em inglês.

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8.7.2.3 - Material Informativo Para atender a todas as necessidades de informações dos visitantes de Carnaubais há a necessidade da produção de 3 tipos diferentes de materiais:  Mapa Turístico da Cidade de Carnaubais;  Calendário de Eventos de Carnaubais;  Guia Turístico de Carnaubais. O Mapa Turístico deverá conter planta da Cidade de Carnaubais com referências cartográficas que permitam ao turista localizar os atrativos turísticos, os serviços turísticos e os serviços urbanos de apoio ao turismo. Este material deverá ser feito com material de menor custo e em grande quantidade para que possa ser distribuído gratuitamente para todos que busquem ajuda nos PITs. Os mapas podem ser distribuídos, também, na recepção dos hotéis da cidade. O Calendário de Eventos de Carnaubais deverá ter periodicidade mensal ou quinzenal e conter informações sobre todos os eventos culturais, esportivos, científicos, sociais e comerciais que acontecem na cidade e nos municípios da região circunvizinha.

O Guia de Turismo de Carnaubais deverá ser um material mais elaborado com um conjunto maior de informações. O guia deverá conter informações sobre os atrativos, os serviços turísticos e os serviços urbanos de apoio ao turismo, com um nível maior de detalhes e com imagens motivacionais. 8.7.2.4 - Site de Carnaubais Dentro do sistema de informações turísticas o site é uma ferramenta indispensável. Estatísticas mostram que os sites de turismo são os mais acionados na Internet e disparado o produto mais vendido na Internet é o turismo. Assim, é uma questão de competitividade de um destino possuir um site bem estruturado e atraente para visitação pelos internautas. O site, por ser um instrumento em que as informações podem ser atualizadas on line permanentemente, se mostra mais eficiente e mais barato do que outras formas de informações. O site tem uma função não só informativa, mas também motivacional e neste aspecto a possibilidade da utilização de vários recursos (textos, mapas, fotos, vídeos) torna esta ferramenta mais eficiente em termos motivacionais. O site, aliado a algumas promoções pode servir como instrumento de pesquisa tanto com os turistas efetivos como os turistas potenciais da cidade. Para a manutenção permanente do site e para a comunicação com os internautas há a necessidade de um estudante de turismo com conhecimentos de informática com dedicação exclusiva a esta atividade.

8.7.3 - Matriz de Envolvimento Para a operacionalização destas propostas há necessidade do envolvimento de vários agentes, discriminados no quadro a seguir. Proposta Postos de Informações Turísticas

Setor Público Prefeitura Municipal de Carnaubais

Setor Privado

Universidades

Responsabilidade Implantação dos Postos, Coleta, Tratamento e Distribuição das Informações Fornecimento de Recepcionistas

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Totens de Informações Turísticas

Prefeitura Municipal de Carnaubais

Sinalização Turística

Prefeitura Municipal de Carnaubais Atrativos Detran

Material Informativo

Prefeitura Municipal

Site do Turismo de Carnaubais

Prefeitura Municipal

8.8

Iniciativa Privada

Patrocínio dos Materiais Informativos Manutenção dos Totens

Iniciativa Privada

Patrocínio dos Totens Implantação e Manutenção das Placas Sinalização Interna Definição dos Locais de Implantação das Placas Elaboração e Distribuição de Materiais Manutenção do Site

- SISTEMA DE INTELIGÊNCIA EM TURISMO

8.8.1 - Apresentação O turismo é, na atualidade, uma atividade extremamente competitiva, com vários produtos e destinos disputando a preferência da demanda. Para que um destino possa se estruturar de forma competitiva neste mercado há necessidade de contar com um conjunto de informações indispensáveis ao planejamento e execução das políticas públicas e privadas do setor. Este conjunto de informações, comumente chamado de Sistema de Inteligência em Turismo, é composto de informações sobre a oferta do município, sobre a demanda efetiva e potencial para o município, sobre a oferta dos destinos concorrentes, sobre a conjuntura do mercado turístico em geral, sobre a estrutura de intermediação na comercialização de produtos turísticos, etc. A permanente atualização desse conjunto de informações é a condição necessária para que a cidade possa competir com outros destinos a demanda existente. 8.8.2 - Propostas Para a implementação de um sistema de informações turísticas de Carnaubais, indicam-se as seguintes propostas: 8.8.2.1 - Inventário turístico de Carnaubais Manter atualizado o inventário de atrativos naturais e culturais do município e da região do entorno, utilizando-se da metodologia proposta pela EMBRATUR. Este inventário deverá contar com um banco de imagens de excelente qualidade para abastecimento dos materiais promocionais a serem elaborados. 8.8.2.2 - Cadastro de serviços turísticos de Carnaubais A Prefeitura deverá instituir um cadastro específico de serviços turísticos. Este cadastro deverá estar ligado ao cadastro geral do município, de forma que a cada encerramento de empresa ou abertura de nova empresa o cadastro turístico seja atualizado. Para que uma empresa seja incluída no cadastro de turismo haverá necessidade de serem criados padrões mínimos de qualidade de instalações e de serviços. Até mesmo as empresas já cadastradas deverão passar por um processo de vistoria anual para se identificar se os padrões mínimos de qualidade estão sendo mantidos. Na hipótese destes padrões não estarem sendo atendidos, a empresa deverá ser orientada a melhorar a qualidade de seus produtos. Se esta melhoria não ocorrer o empreendimento deverá ser descadastrado. 8.8.2.3 - Sistema de mensuração dos fluxos turísticos

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Para a mensuração do fluxo turístico de Carnaubais deve-se coletar mensalmente dados secundários de:  taxa de ocupação dos meios de hospedagem;  número de atendimentos nos postos de informações turísticas; Além dos dados secundários, a cidade deverá promover uma pesquisa amostral com os turistas em quatro períodos diferentes (uma semana de janeiro, de maio, de julho e de outubro). Nesta pesquisa deverão se levantadas informações tais como:         

perfil sócio econômico; origem; permanência em Carnaubais; meio de hospedagem; meio de transporte; local de compra da viagem; forma de conhecimento de Carnaubais; avaliação dos pontos fortes e fracos da cidade; outros destinos comumente visitados.

Para estas pesquisas há necessidade de convênio com os cursos de turismo para o fornecimento dos entrevistadores e para a contratação de um estagiário que cuide da coleta das informações secundárias e da tabulação das informações primárias. 8.8.2.4 - Quantificação da demanda potencial de Carnaubais Além da mensuração da demanda efetiva do município, há a necessidade de se acompanhar o desenvolvimento do mercado turístico como um todo para que se possa identificar quais são as fatias de mercado que Carnaubais pode captar.

8.8.2.5 - Cadastro de prestadores de serviços externos a Carnaubais Para que o produto turístico de Carnaubais seja distribuído aos mercados consumidores há necessidade de se conhecer os canais de distribuição, os pontos de venda, os canais de comunicações com o público. Assim, deve-se montar um mailling list com empresas situadas nos pólos emissores dos seguintes setores:        

operadoras turísticas; agências de viagens; transportadoras turísticas; companhias aéreas; locadoras de veículos; organizadores e promotores de eventos; órgãos da imprensa especializada em turismo; órgãos públicos e associativos do turismo;

Para a montagem e atualização permanente deste mailling list há a necessidade de um trabalho de tele marketing, que pode ser desenvolvido por estagiários estudantes de turismo. 8.8.3 - Matriz de Envolvimento Para a operacionalização destas propostas há necessidade do envolvimento de vários agentes, discriminados no quadro a seguir.

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Proposta Inventário Turístico de Carnaubais

Setor Público Prefeitura Municipal de Carnaubais

Setor Privado

Universidades Iniciativa Privada

Responsabilidade Levantamento das informações e das imagens Fornecimento de Pesquisadores Patrocínio de Material Fotográfico Levantamento das informações Fornecimento de Informações Coleta de Informações

Cadastro de Serviços Turísticos de Carnaubais

Prefeitura Municipal de Carnaubais

Sistema de Mensuração dos Fluxos Turísticos

Prefeitura Municipal de Carnaubais

Quantificação da Demanda Potencial de Carnaubais

Prefeitura Municipal

Coleta de Informações

Cadastro de Prestadores de Serviços Externos a Carnaubais Acompanhamento dos Produtos dos Destinos Concorrentes

Prefeitura Municipal

Manutenção do Mailling List

Prefeitura Municipal

Coleta de Informações

Iniciativa Privada

Meios de Hospedagem

Fornecimento de Dados

8.9- Controle de Qualidade do Produto Turístico 8.9.1 - Apresentação O produto turístico é composto por elementos que são de domínio público como os atrativos e elementos de domínio privado como inúmeros serviços. A qualidade deste produto depende portanto da qualidade de um conjunto de elementos que são geridos isoladamente. Quando um turista é mal atendido por um prestador de serviços a tendência é deste turista avaliar mal o destino turístico. A partir deste mal atendimento o turista passa a avaliar que o produto turístico de Carnaubais é de mal qualidade. Assim, para que o destino turístico Carnaubais possa ser bem avaliado é importante que todos os prestadores de serviços tenham qualidade no desenvolvimento de suas atividades. 8.9.2 - Propostas Para a implementação de um sistema de informações turísticas de Carnaubais, indicam-se as seguintes propostas: 8.9.2.1 - Selo de qualidade turística Para que os padrões de qualidade sejam referenciados aos turistas, é recomendável que Carnaubais crie um selo de qualidade que identifique os empreendimentos que estejam dentro dos padrões mínimos exigidos. Nos materiais promocionais e informativos do turismo de Carnaubais deverão ser citados apenas os empreendimentos que contiverem este selo de qualidade. O estabelecimento destes padrões mínimos de qualidade deverá ser aprovado pelo Conselho Municipal de Turismo, de forma que a iniciativa privada compactue com o sistema e não o conteste.

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Nos padrões mínimos de qualidade deverão ser considerados fatores tais como:    

qualidade das instalações; qualidade da prestação de serviços; sustentabilidade ambiental; responsabilidade social.

8.9.2.2 - Classificação dos empreendimentos turísticos Para que o turista tenha uma referência quanto ao padrão de qualidade e ao nível de preços praticados é recomendável que os empreendimentos turísticos de Carnaubais sejam classificados em categorias. Esta categorização poderá, a partir de critérios estabelecidos pela EMBRATUR, pelo Guia 4 Rodas, pela ABIH, criar sua própria matriz classificatória, procurando abranger não só os meios de hospedagem, mas também 0s restaurantes, os bares, as casas noturnas, os espaços de eventos, etc. Os padrões classificatórios devem ser divulgados aos usuários nos materiais informativos e no site do turismo de Carnaubais.

8.9.2.3 - Fiscalização Para garantir que os padrões mínimos de qualidade sejam mantidos há necessidade de um sistema de visitação periódica dos empreendimentos turísticos. Esta visitação deve ser feita de forma anônima, para garantir a isenção da avaliação. Para montar a equipe de fiscalização pode-se criar brigadas de qualidade com estudantes de cursos de turismo e hotelaria, devidamente treinados para o desenvolvimento destas atividades. Os monitores de avaliação de qualidade deverão visitar os empreendimentos anonimamente e elaborar um relatório de visita. Este relatório deverá ser enviado ao empreendimento para orientá-lo na melhoria da sua qualidade.

8.9.3- Matriz de Envolvimento Para a operacionalização destas propostas há necessidade do envolvimento de vários agentes, discriminados no quadro a seguir. Proposta Setor Público Setor Privado Responsabilidade Selo de Qualidade Prefeitura Municipal Definição de Critérios Turística de Carnaubais Mínimos de Qualidade Universidades Fornecimento de Avaliadores Conselho Municipal Aprovação dos Critérios de Turismo Classificação de Prefeitura Municipal Elaboração da Matriz Empreendimentos de Carnaubais Classificatória Turísticos Universidades Fornecimento de Classificadores Fiscalização Prefeitura Municipal Fornecimento da Logística de Carnaubais da Fiscalização Senac/Sebrae Capacitação dos Monitores de Qualidade Universidades Fornecimento de Monitores de Qualidade

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8.10 - CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS 8.10.1 - Apresentação O turismo é uma atividade essencialmente de prestação de serviços e portanto a qualidade no atendimento dos clientes é fundamental. Este atendimento não é restrito aos profissionais das empresas turísticas, mas a todos os moradores da cidade que têm contatos com os turistas. Para que o turista tenha uma boa avaliação de Carnaubais e possa fazer a propaganda boca as boca, que é o meio mais eficaz de divulgação de um destino turístico, há necessidade de que os recursos humanos da cidade estejam capacitados a fazer o receptivo destes turistas. Carnaubais já possui uma estrutura razoável de capacitação de recursos humanos. No entanto, é possível ampliar esta estrutura, notadamente nas áreas ainda não privilegiadas pelos organismos de formação e aperfeiçoamento da mão de obra do setor. 8.10.2 - Propostas Para a implementação de um sistema de informações turísticas de Carnaubais, indicam-se as seguintes propostas: 8.10.2.1 - Cursos nas áreas operacionais a)

Garçom;

d)

Barman;

f)

Cozinheiro;

j)

Recepcionista de postos de informações, de hotéis, de eventos;

k)

Camareira;

o)

Controller;

p)

Guia local de turismo;

q)

Monitor de turismo de aventuras;

8.10.2.2 - Cursos nas áreas gerenciais a)

Marketing Turístico;

b)

Formatação de Produtos Turísticos;

c)

Administração Financeira de Empreendimentos Turísticos;

d) Programas de Qualidade em Turismo; 8.10.2.3 - Cartilha escolar de conscientização turística Elaboração de uma cartilha para orientar aula dos professores do ensino de 1º e 2º grau sobre a importância do turismo e do bom atendimento aos turistas. 8.10.2.4 - Palestras de conscientização Deverá ser elaborado um calendário de palestras de conscientização, com grupos organizados da sociedade:  

Guardas municipais, policiais civis e policiais militares; Motoristas de táxi;

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    

Balconistas do comércio; Frentistas de postos de abastecimento; Artesãos e artistas plásticos; Proprietários de bancas de jornais; Produtores de produtos regionais;

Natal, 22 de abril de 2013.

______________________________ CONTA NET CONSULTORIA Avenida Salgado Filho, 1782 – Tirol – Natal RN Fones 84-3613-2007, 2226-1940 Aluísio Azevedo Júnior 84-9636-2020

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Relatório final protótipos do desenvolvimento carnaubais  
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