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POEMA: MULHERES
Mulheres
por Lulli
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Por falta de coragem trocavam só olhares olhares extremamente corajosos
Por vontade de coragem, elas flertava desentendidas jurando pra uma outra entender, rezando para nenhuma perceber!
Por coragem demais calaram-se, mas elas sabem que os olhos falam demais...

COLETI VO TEATRAL

CIA
Aprendendo ser independente
MAR
Texto: Simone Almeida de Araújo Fotos: Arquivo CIAMAR /Revista Alternativa L
A Ciamar é um coletivo teatral formado por jovens da periferia de São Paulo. O coletivo iniciou-se em outubro de 2016 a partir de um processo de criação do espetáculo Daquilo que Mora em Mim, onde seus integrantes participaram de um curso teatral oferecido pela Fábrica de Cultura Sapopemba, as Fábricas são espaços com acesso e oficinas gratuitas voltadas às atividades artísticas e culturais localizadas nas quatro regiões da capital de São Paulo. Posteriormente, a Ciamar trabalhou na concepção de Vista Seu Fracasso dirigido por Filipe Peixoto. A trama ambientada em uma pensão com sete moradores, ou seja, sete fracassos em sete mora (dores) quando vem à tona uma dívida passada que levanta a questão: a dívida a ser paga é do imóvel oudo próprio eu -perdido?. É uma peça intensa como todas as questões que envolvem a juventude, e Samuel (interpretado por Fábio Castro) correndo em desespero enquanto sua mente reaviva memórias e ativa a descontrução de seu ser é de tirar o fôlego. As músicas ao vivo no estilo banquinho e violão na voz de Sabrina Collela, com canções autorais e adaptações de outros artistas como Marisa Monte embalam as cenas cuja iluminação nos leva a um estado quase onírico e o silêncio na cena da retirada da placa de “Vende-se” convida a platéia à reflexão. Vista Seu Fracasso teve sua pré–estreia em novembro de 2018 na Mostra De Ver Gente, no teatro Martins Penna localizado no Centro Cultural da Penha, zona leste de São Paulo. O Teatro Da Rotina na Rua Au
gusta, centro alternativo de espetáculos,baladas e cultura da região central da capital paulista, também cedeu o espaço para breve temporada da Ciamar.
Filipe Peixoto, Gustavo Rios, David Moreira e Raul Dias Soares, gentilmente ,concederam entrevista à Alternativa L na Fábrica de Cultura Sapapemba.
Quan do Se inici
ou o projeto Ciamar?
Filipe Peixoto: ”Em 2016 após o espetáculo Daquilo que Mora em Mim, surgiu à idéia de elaborarmos algo diferente estávamos em galeras diferentes e mudamos por diversas vezes o projeto até chegarmos em Vista Seu Fracasso em 2018.”
Gustavo Rios: “O espetáculo que encenamos em 2016 aborda o reencontrar-se , as problemáticas do eu andante buscando uma morada é nesse momento que nasce a essência do nome do coletivo, onde ao final nos atiramos ao mar para reencontra-nos buscar nossa identidade nos encontramos ao mar, e assim surge o nome Ciamar.”
Como foi a concep ção do texto de Vis ta Seu Fracass o?
Filipe Peixoto: “Compartilhada. Cada um deu um pouco de si no texto, principalmente, nos monólogos.

Gustavo Rios: “A Ciamar começou comigo, Filipe e o auxílio do David (Moreira) escrevendo em 2014 o Era Uma Vez Maria. Em 2016 desengavetamos esse projeto e, sob outro olhar notamos a potência do texto que mostrava um rei gay que escravizava a todos, mas desejava uma atmosfera harmônica do bem, só que mais uma vez ainda não era ”O” projeto então decidimos iniciar do zero com cada um apresentando um personagem cômico com uma bagagem de fracasso e, conforme mergulhávamos no texto concluímos que não se tratava de uma comédia e sim um texto mais complexo, reflexivo regido de maneira coletiva.”
Filipe Peixoto: ”Fomos tateando as coisas desde 2016, foi nosso projeto sem ajuda do pessoal da Fábrica o texto foi amadurecendo e fomos aprendendo a conviver e a fazer a arte de modo coletivo.
A CRIAT IVIDAD E FO NECESSIDAD I IRMÃ E DA
Di fic uldades e faci litadores trajetória da Ciamar?
David Moreira: ”Uma das dificuldades foram às discussões internas as ideias entre os integrantes não se conectavam uma parte do grupo concordava outra discordava e por aí foi as discussões foram inevitáveis, mas depois observamos que foi tudo pelo aprendizado. Construímos tudo ao mesmo tempo, foi nosso primeiro processo fora do curso aprendemos a conviver e a mediar conflitos entre os integrantes da Ciamar e entendemos “na raça” o que é essa arte fora da Fábrica, aprendendo a ser independente e, depois nos deparamos com as questões financeiras o que gerou um “estressinho” no grupo ,felizmente , tudo certo no final do processo.” Gustavo Rios: ”Sobre facilitadores tivemos auxílio de Sheila Costa (risos), contatos e conseguimos convencer algumas pessoas a nos auxiliarem porque fizemos acontecer “no braço”, e é bonito falar que você ajudou essa juventude periférica. Fizemos vaquinha e, artisticamente, pedimos auxílio para diretores os quais mostramos o ensaio e a cumplicidade no olhar do coletivo foi fundamental nesses momentos.”
Raul Dias Soares: ”Somos um grupo não hierárquico, linear onde cada um tem seu direito de fala sem julgamentos foram facilitadores fundamentais para o andamento da Ciamar.”
David Moreira: “Somos amigos isso foi um facilitador quando surgiam as divergências de ideias e eu soube separar a questão profissional do pessoal porque as discussões eram em torno do jogo de 18 cena o que não poderia abalar nossa amizade cinco minutos depois.” Filipe Peixoto: “Por vezes eu era o Filipe amigo e não o Filipe na função de diretor que falava sobre determinada cena. Amadurecimento é a palavra-chave.
Gustavo Rios: ”Outro facilitador foi nossa voz nossa vivência dentro de um grupo periférico foi um trabalho de jovens voltados para jovens tudo ficou esclarecido quanto à problemáticas juvenis.”
env Como foi a ques tão do olvi men to com o públic o?
Filipe Peixoto: “Eu tive medo, mas ainda bem que ninguém saiu com um ponto de interrogação na cabeça. Não gosto daquele teatro “cabeça” gosto do diálogo e com a platéia abordamos situações de vivências dos jovens da periferia que é a nossa realidade, ainda temos a questão do sentir-se deslocado em seu ambiente como em casa ou na escola.
David Moreira: ”Tivemos feedbacks incríveis de pessoas que se sentiram dentro do espetáculo, e não somente jovens da periferia como também de bairros nobres e de faixa etária maior que passaram pelas situações apresentadas e isso foi gratificante, Vista Seu Fracasso dialoga com todos. Gustavo Rios: ” O espetáculo traz a mensagem do desconstruir-se e isso pode correr a qualquer momento.”
Qual gêne ro teatral pode defini r a Ciamar?
Gustavo Rios: ”Transitamos entre os diretores e gostamos muito do trabalho de Celso Castelani, acho que temos um gênero mais voltado para o contemporâneo transitando entre gêneros.” Filipe Peixoto: ”Não tenho como definir porque somos um grupo de amigos onde cada um tem sua trajetória o que contribui para o amadurecimento da Ciamar.”
David Moreira: ”Anote eclético.” aí: camaleão, é
Qual foi a pe rgun ta que Altern ativ a L n ão fez e que gostariam de resp on der?
Gustavo Rios: ”Com o que nosso espetáculo bate de frente com a contemporaneidade? Meu personagem afirma que a farda dele é lixo e como podemos lidar com essa onda de patriotismo desenfreada? Nossa peça aborda essa questão atual.
Filipe Peixoto: ”Pra onde vai Vista Seu Fracasso agora ? O espetáculo já aconteceu e continua a reverberar em nós enquanto pessoas evoluindo, ele é o que somos ou que queremos a Ciamar continua sendo lapidada .”

Vis ta Seu Fracass o
Elenco David Moreira Fábio Castro Gustavo Rios Isadora Ribeiro Raquel Fernandes Raul Dias Renato Martins
Produção Musical Beatriz Canuto Sabrina Collela
Músico Victor Scarani
Direção Filipe Peixoto Assistente de Direção Natália Sena
Iluminação Jennifer Soares





