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Oscar Niemeyer Parque do Ibirapuera Hilmar Diniz Paiva Filho


Maquete Parque do Ibirapuera, São Paulo, 1951.

Oscar Niemeyer Parque do Ibirapuera

Segundo Oscar Niemeyer, sua obra pode ser dividida em 5 partes. A primeira, Pampulha. A segunda, de Pampulha a Brasília. A terceira, Brasília. A quarta, depois de Brasília e as suas experiências internacionais. A quinta, São Paulo. Neste trabalho vamos focalizar esta segunda fase, onde segundo o próprio arquiteto já vinha desprezando deliberadamente o ângulo reto tão louvado e a arquitetura racionalista feita de régua e esquadro, para penetrar corajosamente nesse mundo de curvas e retas que o concreto oferece. Assim Niemeyer foi criando novas formas e elementos arquitetônicos que se incorporaram ao vocabulário plástico da arquitetura. Yves Bruand, em sua analise da obra de Niemeyer, identificou nesse vocabulário os novos tratamentos dados aos pilotis, aos arcos, as abóbadas, as rampas e as formas livres. No conjunto de obras realizadas no Parque do Ibirapuera claramente identificamos uma síntese das pesquisas estruturais realizadas por Niemeyer e seus resultados estéticos, nos dando subsídios para traçarmos um panorama de como sua obra evoluiu neste período.


Pesquisas Estruturais A contribuição das pesquisas realizadas por Niemeyer fez com que houvesse uma renovação da arquitetura brasileira. Seu novo vocabulário influenciou e afirmou toda uma nova geração de arquitetos. Podemos identificar nas obras de Reidy, Moreira, Bolonha, nos irmãos Roberto e no próprio Lúcio Costa, traços de sua influência. Na fase que se iniciou em Pampulha e seguiu até 1955, podemos notar na obra do arquiteto uma nítida preocupação com a originalidade plástica. Existia uma frenética busca por novas formas. Segundo Yves Bruand, essas pesquisas se dão essencialmente em elementos fundamentais, como pilotis, arcos e abóbadas. Neste período o arquito esteve o mais próximo do barroco. Curvas, contrastes, monumentalidade e originalidade estavam presentes na sua obra. Contudo não podemos deixar de salientar que suas composições tendiam para o equilíbrio e a simplicidade. Existia uma constante na sua produção, a clareza no tratamento das massas. A partir de 1955, Niemeyer se distancia dessas explorações. Evita restringir-se somente a exploração de superfícies não planas, dando início a uma nova fase, onde atingiria seu apogeu.

Pilotis Desde 1920, Le Corbusier utilizava-se dos pilotis como uma forma de se conseguir plantas e fachadas livres e a liberação do solo. A utilização dos pilotis, porém, seguia ainda uma regra clássica e possuía ordenação ortogonal. Buscava-se somente a diminuição de suas seções de maneira que ficassem mais esbeltas, resultado conseguido pela equipe liderada por Lúcio Costa no Ministério da Educação e Saúde.

Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro, 1936-1943.


Em 1930–1932, no projeto de Le Corbusier para o Pavilhão Suíço da Cidade Universitária de Paris, aparece pela primeira vez uma distinção entre pilotis e estrutura, utilizando-se para isso de uma estrutura mista de concreto e metal. Surge então, uma revolução estética. Niemeyer tomou conhecimento desta solução, mas nas suas primeiras experiências buscou a independência plástica dos suportes, pilotis, no solo. Assim elaborou os pilares em forma “V” e “W” que canalizavam o empuxo. Essa solução evitava que o andar térreo não contasse com um número excessivo de pilares deixando-o ainda mais livre. Niemeyer utilizou essa experiência pela primeira vez em um edifício de apartamentos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas ainda sem muito sucesso. Somente em 1951, no Palácio da Agricultura, edifício que integra o conjunto erguido em função das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo, é que foi explorada na totalidade essa solução, a qual seria repetida em 1955 no Hospital SulAmérica, no Rio de Janeiro.

Hospital Sul-América, Rio de Janeiro, 1952.

Neste período os pilotis ainda não eram totalmente independentes do ponto de vista técnico, mas o eram no sentido plástico. Suas proporções e suas seções iam afinando na direção da massa do edifício, reforçando a impressão de equilibro e a sensação de leveza. Nos pilares “W” porém, não consegue o mesmo efeito, resultando em formas pesadas que foram duramente criticadas por Max Bill em passagem pelo Brasil.


Conjunto Residencial Governador Kubitschek, 1951.

No Palácio das Nações e no Palácio dos Estados, realizados também no Parque do Ibirapuera Niemeyer utiliza-se de uma solução clássica e racionalista dada conscientemente. Porém das finas colunas “nascem” consolos que afinam em direção ao perímetro superior do edifício.

Palácio dos Estados, Parque do Ibirapuera, São Paulo, 1951-1952.

Dessas experiências que ocorreram no espaço de alguns meses do ano de 1951, deixaram como resultado um campo bastante fértil para a exploração de outros arquitetos.


Igreja São Francisco de Assis, Pampulha, 1943.

Arcos, abóbadas e rampas Os arcos e abóbadas aparecem na obra de Niemeyer já de forma bastante determinada em Pampulha. Sempre houve na obra do arquiteto a tentativa de romper o esquema tradicional e privilegiar a liberdade formal. Nos anos que se seguiram até 1942 houve uma variação dos temas abordados no conjunto erguido em Pampulha. Somente a partir de 1950-1951, nasce um novo vocabulário destes elementos na obra de Niemeyer, no projeto do Teatro a fim de completar o Ministério da Educação e Cultura, o qual se opunha plasticamente ao conjunto original. O mesmo princípio deste projeto foi adotado na fábrica da Duchen em São Paulo.

Fábrica Duchen, São Paulo, 1950-1951.

Em 1950, em um clube construído em Diamantina –MG, Niemeyer retomou a questão dos arcos e das abóbadas. Baseado na obra de Maillard projeta uma superposição de arcos, que abrigam de maneira perfeita o programa proposto, espaços livres e abertos para o exterior e terraços.


Clube, Diamantina, 1950.

As formas estruturais simples encontram seu ponto mais alto no auditório do colégio estadual de Belo Horizonte. Implantado junto a uma construção já existente provoca um contraste violento.Porém consegue explorar ao máximo a flexibilidade do concreto armado.

Colégio Estadual, Belo Horizonte, 1954.

As rampas também tiveram um importante papel nas obras de Niemeyer pelo seu dinamismo e flexibilidade. As experiências mais completas se deram nos pavilhões do Parque do Ibirapuera. No Palácio da Indústria, Niemeyer se utilizou de uma superposição de ferraduras e traçado helicoidal, sustentada por uma estrutura dinâmica, o que simboliza a era da máquina que com as curvas dos balcões formam um virtuosismo técnico. Já no Palácio das Artes, consegue nas suas rampas impressionante leveza, e que segundo Yves Bruand o conjunto não contempla o uso que originariamente lhe foi concebido.


Palácio da Industria, Parque do Ibirapuera, São Paulo, 1953.

Forma livre A forma livre aparece na obra de Niemeyer já no restaurante de Pampulha, onde sua marquise serpenteava acompanhando o contorno da pequena ilha produzindo uma forte integração com o ambiente natural. Niemeyer retomou inúmeras vezes a esse tema, mas raramente como elemento central de suas composições. Mas utilizou–se várias vezes como elemento secundário, destinado a introduzir diversidade em grandes conjuntos ladeados por espaços livres e jardins.


Palácio das Artes, Parque do Ibirapuera, São Paulo, 1954.

Palácio das Artes, Parque do Ibirapuera, São Paulo, 1954.


Bibliografia BRUAND, Yves. Arquitetura Contempor창nea no Brasil. S찾o Paulo: Perspectiva, 1981. NIEMEYER, Oscar. Meu s처sia e eu. Rio de Janeiro: Revan, 1992.


oscar niemeyer