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deste livro. O supra-sensorial diz à alma algo que esta terá de traduzir em signos ilustrativos, a fim de poder observá-lo com plena consciência. Pode-se dizer o seguinte: o que vem sendo comunicado neste livro pode ser realizado por cada alma. E no decorrer da realização, que pode ser determinada pela própria alma de acordo com as instruções dadas, os resultados apresentar-se-ão conforme descrito. Que se considere, pois, um livro como este tal qual um diálogo do autor com o leitor. Ao se dizer que o discípulo necessita de instrução pessoal, considere-se isso de forma que o próprio livro seja tal instrução. Em tempos passados havia motivos para se reservarem tais instruções pessoais ao ensino oral do oculto; no entanto, chegamos actualmente a um grau evolutivo da Humanidade no qual o conhecimento científico-espiritual deve experimentar uma divulgação muito mais ampla que anteriormente. Este deve estar acessível a todos de uma maneira completamente diferente de em tempos passados. Assim, o livro ocupa o lugar da antiga instrução oral. É apenas parcialmente correcto afirmar que, além do que está dito neste livro, se necessitaria de instrução pessoal. Um ou outro pode, obviamente, precisar de uma ajuda, e uma tal ajuda pode ser-lhe muito importante. Todavia, seria errado imaginar que existam assuntos essenciais não contidos neste livro. Esses assuntos serão encontrados, desde que se leia o livro correcta e, sobretudo, integralmente. * * * As descrições deste livro podem parecer tratar-se de instruções visando à completa transformação do indivíduo todo. Contudo, quem as ler correctamente verificará que nada pretendem transmitir além da disposição anímica interior que um indivíduo deve apresentar naqueles momentos de sua vida em que deseja defrontar-se com o mundo supra-sensorial. Essa disposição da alma é por ele desenvolvida como uma segunda entidade dentro dele; a outra entidade sadia continua seu curso como até então. Ele saberá manter separadas essas duas entidades em plena consciência; saberá colocá-las em reciprocidade mútua, de forma correcta. Não se tornará, através disso, inútil ou inapto para a vida, perdendo o interesse e a habilidade para com a mesma ou tornandose “o dia inteiro um pesquisador espiritual”. Aliás, é preciso dizer que as vivências no mundo supra-sensorial irradiarão sua luz sobre todo o ser do indivíduo: mas isto não ocorrerá de maneira a desviá-lo da vida e, sim, de modo a torná-lo mais capaz, mais realizador para essa vida. A necessidade de, ainda assim, a descrição ser dada na presente forma provém do facto de cada processo cognitivo voltado ao supra-sensorial exigir o indivíduo por inteiro, sendo que no momento em que estiver entregue a tal processo ele deverá fazê-lo com todo o seu ser. Tal como o processo da percepção da cor só ocupa a particularidade do olho com seu prolongamento nervoso, um processo cognitivo supra-sensorial exige o indivíduo todo. Este torna-se “todo olhos” ou “todo ouvidos”. Por ser assim é que poderá parecer que se esteja falando, ao se informar sobre a formação de processos cognitivos supra-sensoriais, de uma transformação do indivíduo, como se nada houvesse de bom no ser humano comum e ele tivesse de tornar-se algo inteiramente diferente. * * * Ao que foi dito no capítulo: “Sobre alguns efeitos da iniciação”, desejo ainda acrescentar algo que – com certas alterações – será válido para outras explanações deste livro. Alguém, certamente, poderia chegar a pensar: para quê tal descrição sobre configurações metafóricas de vivências supra-sensoriais? Não seria possível descrever 88

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A iniciaçao rudolf steiner  

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