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a percepções sensoriais e ao querer. Na vivência visionária e nas manifestações mediúnicas, o indivíduo entra em completa dependência do corpo. Ele exclui de sua vida anímica aquilo que na percepção e no querer o torna independente do corpo. E, através disso, conteúdos e manifestações da alma tornam-se meras revelações da vida corpórea. Vivência visionária e manifestação mediúnica são os resultados da circunstância de o indivíduo, no decurso desse vivenciar e manifestar, encontrar-se com sua alma menos independente do corpo que nas vidas perceptiva e volitiva normais. Na vivência do supra-sensorial referida neste livro, a evolução da vivência anímica segue justamente a direcção oposta à da visionária ou da mediúnica. A alma se torna progressivamente menos dependente do corpo do que é o caso nas vidas da percepção e da vontade. Ela alcança aquela emancipação compreendida na vivência de puros pensamentos, para uma actividade anímica muito mais ampla. Para a actividade anímica supra-sensorial aqui aludida, é de importância extraordinária compreender o vivenciar do pensar puro em plena lucidez. Pois no fundo esse vivenciar, por si, já é uma actividade supra-sensorial da alma – apenas de um tipo por cujo intermédio ainda não se vê nada de supra-sensorial. Vive-se, com o pensar puro, no elemento supra-sensorial; mas supra-sensorialmente vivencia-se apenas isso; ainda não se vivencia nada mais nesse âmbito. E a vivência supra-sensorial tem de ser uma continuação daquele vivenciar anímico que já pode ser alcançado na união com o pensar puro. Por isso é tão importante poder experimentar essa união de maneira correcta. Ora, da compreensão dessa união emanará a luz capaz de também proporcionar um correcto insight na essência da cognição supra-sensorial. Tão logo o vivenciar anímico descesse abaixo da clareza de consciência que vive no pensar, este estaria, para a verdadeira cognição do mundo supra-sensorial, num caminho erróneo. Seria apanhado pelas funções corpóreas; o que viesse a vivenciar e apresentar não seria revelação do supra-sensorial por seu intermédio, mas revelação corpórea no âmbito do mundo infra-sensorial. * * * Tão logo a alma penetre com suas vivências no campo do supra-sensorial, essas vivências serão de um tipo que não será tão fácil abranger pela expressão linguística, como as vivências no âmbito do mundo sensorial. Nas descrições de vivências suprasensoriais temos, muitas vezes, de conscientizar-nos de que de certa forma a distância entre a expressão linguística e o verdadeiro facto expressado é, aqui, maior que na vivência física. Deve-se adquirir uma compreensão para o facto de muitas expressões estarem apenas aludindo, com uma ténue ilustração, àquilo a que se refere. Assim, foi escrito anteriormente: “Originalmente, todas as regras e ensinamentos da Ciência Espiritual são dados numa linguagem simbólica de signos.” Falou-se também de um “determinado sistema de escrita”. Assim, facilmente alguém poderá pretender aprender tal escrita de maneira semelhante àquela como se costuma aprender os signos dos fonemas e as junções dos mesmos para a escrita de uma linguagem física comum. Contudo, convém ressaltar: existiram e continuam existindo escolas e associações científico-espirituais sob cuja propriedade se encontram signos simbólicos, por meio dos quais expressam factos supra-sensoriais. E quem for iniciado no significado dessas imagens simbólicas adquirirá, por esse intermédio, um meio de dirigir suas vivências anímicas às realidades supra-sensoriais em questão. Mas, para o vivenciar suprasensorial, considera-se muito mais que, no decurso desse vivenciar, a alma adquira a revelação de tal escrita através da contemplação do supra-sensorial, por experiência própria, tal como pode ser alcançada pela alma por meio da realização do conteúdo 87

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A iniciaçao rudolf steiner  

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