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moribundo. E a doença nada mais é senão a continuação do actuar das partes agonizantes desse passado.” A partir de tudo isso, encontra sua resposta a seguinte pergunta: por que só gradualmente o ser humano consegue triunfar sobre os desvios e imperfeições rumo à verdade e ao bem? Seus actos, sentimentos e pensamentos encontram-se primeiramente sob o domínio do definhar e do morrer. E a partir destes formaram-se seus órgãos físico-sensoriais. Por isso esses órgãos e tudo o que de início os estimula estão, eles próprios, dedicados ao perecer. Os instintos, impulsos e paixões, etc., bem como os órgãos a eles pertencentes, não constituem um elemento imortal; só será imortal aquilo que aparecer como obra desses órgãos. Somente quando o ser humano tiver extraído do transitório tudo o que deve extrair é que será capaz de desfazer-se da base da qual nasceu e que encontra sua expressão no mundo físico-sensorial. Assim, o primeiro “guardião do limiar” representa o retrato do ser humano em sua natureza dupla, mesclado pelos elementos transitórios e imortais. E nele se mostra claramente o que ainda falta para o alcance da sublime figura luminosa, capaz de habitar novamente o mundo puramente espiritual. O grau de enredamento com a natureza físico-sensorial se torna visível ao indivíduo por meio do “guardião do limiar”. Esse enredamento expressa-se primeiro na existência dos instintos, impulsos, apetites, desejos egoístas, em todas as formas do interesse pessoal e assim por diante. Depois, vem à expressão na filiação a uma raça, a um povo, etc. Pois os povos e raças são apenas os diversos graus de evolução rumo à pura Humanidade. Uma raça, um povo, estará num nível tanto mais elevado quanto mais perfeitamente seus filiados expressarem o puro tipo humano ideal, quanto mais se tiverem aprimorado do âmbito físico transitório para o supra-sensorial imortal. A evolução do ser humano através das encarnações rumo às formas cada vez mais elevadas de povos e raças é, por isso, um processo de libertação. Por fim, o ser humano terá de aparecer em sua perfeição harmoniosa. De maneira semelhante, a transição através de concepções morais e religiosas cada vez mais puras constitui um aprimoramento. Pois cada grau moral encerra ainda em si a ânsia pelo transitório ao lado dos germes idealistas do futuro. Ora, no “guardião do limiar” descrito só aparece o resultado do tempo passado. E dos germes do futuro há aí somente aquilo que foi entretecido a esse tempo passado. Mas o ser humano terá de levar para o futuro mundo supra-sensorial tudo o que pode extrair do mundo sensorial. Se quisesse limitar-se a levar consigo apenas o que está entretecido à sua contra-imagem meramente pelo passado, cumpriria só parcialmente sua missão terrena. Portanto, após algum tempo, ao “guardião menor do limiar” junta-se o maior. Novamente deve ser exposto sob forma de narrativa o que ocorre no encontro com esse segundo “guardião do limiar”. Após o indivíduo haver sabido do quê se libertar, surge diante dele uma sublime figura luminosa, cuja beleza é difícil de descrever nas palavras de nossa linguagem. Esse encontro ocorrerá quando os órgãos do pensar, sentir e querer se tiverem desligado um do outro também quanto ao corpo físico, a ponto de suas relações recíprocas não mais serem reguladas por eles próprios, mas dirigidas por meio da consciência superior, que nesta altura se separou totalmente das condições físicas. Os órgãos do pensar, sentir e querer tornaram-se, então, instrumentos em poder da alma humana, que exerce seu governo sobre eles a partir de regiões supra-sensoriais. Com esta alma, libertada assim de todos os laços sensoriais, defrontar-se-á o segundo “guardião do limiar”, dizendo mais ou menos o seguinte: “Tu te desligaste do mundo sensorial. Conquistaste tua cidadania no mundo espiritual. A partir daqui, poderás doravante actuar. Não mais necessitas de tua 83

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A iniciaçao rudolf steiner  

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