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véu se estende diante de suas vivências. Ele só deverá contemplá-las quando se houver tornado plenamente maduro para isso. Ao penetrar o discípulo no mundo supra-sensorial, a vida adquire, para ele, um sentido totalmente novo. Ele vê, no mundo sensorial, um solo germinativo para um mundo superior. E, num certo sentido, sem o “inferior” esse “superior” lhe parecerá deficiente. Duas perspectivas se lhe descortinam: uma rumo ao passado, outra ao futuro. Ele perscruta um passado no qual este mundo sensorial ainda não existia. Pois há muito tempo ele superou o preconceito de que o mundo supra-sensorial se desenvolveu a partir do sensorial. Ele sabe que primeiro existia o supra-sensorial e que a partir dele se desenvolveu todo o sensorial. Vê que ele próprio, antes de vir pela primeira vez a este mundo sensorial, pertenceu a um mundo supra-sensorial. Mas esse mundo suprasensorial de outrora precisava da passagem pelo sensorial. Seu desenvolvimento ulterior não teria sido possível sem essa passagem. Somente quando, dentro dos reinos sensoriais, se houverem desenvolvido seres com faculdades adequadas, poderá o suprasensorial retomar seu progresso. E essas entidades são os seres humanos. Portanto, estes nasceram, na forma como agora vivem, de um grau , imperfeito na existência espiritual, e dentro da mesma serão conduzidos àquela perfeição por cujo intermédio se tornarão aptos a continuar o trabalho no mundo superior. E aqui se acrescenta a perspectiva para o futuro. Ela aponta para um grau superior do mundo supra-sensorial. Neste se encontrarão os frutos que são desenvolvidos no mundo sensorial. Este último, como tal, será superado; seus resultados, no entanto, serão incorporados a um superior. Com isso é dada a compreensão para o que seja doença e morte no mundo sensorial. A morte, portanto, nada mais é senão a expressão do facto de o mundo suprasensorial de outrora haver chegado a um ponto a partir do qual não podia avançar por si próprio. Uma morte geral lhe teria sido necessária, não houvesse ele recebido um novo impacto de vida. E, assim, esta nova vida veio a tornar-se uma luta contra a morte geral. A partir dos remanescentes em todo um mundo em perecimento e em autoenducimento, desabrocharam os germes para um novo. É por isso que existe o morrer e o viver no mundo. E, aos poucos, as coisas vão-se encaixando. As partes em perecimento do mundo antigo aderem aos novos germes de vida que delas saíram. Isto encontra sua expressão mais clara no próprio ser humano. Ele carrega em si, como seu envoltório, o que remanesceu daquele mundo antigo; dentro desse envoltório, forma-se o germe daquele ser que viverá futuramente. Portanto, ele é um ser de dupla natureza: uma mortal e uma imortal. O elemento mortal está em seu estado final; o imortal, em seu estado inicial. Mas só dentro desse mundo duplo, que encontra sua expressão no elemento sensorial físico, ele se apropria das faculdades para conduzir o mundo da imortalidade. Sua missão consiste em buscar, por si próprio, no elemento mortal, os frutos para o imortal. Ao contemplar, pois, como ele mesmo edificou seu próprio ser no passado, terá de dizer-se: eu contenho os elementos de um mundo em perecimento. Eles trabalham dentro de mim, e só pouco a pouco serei capaz de quebrar o poder dos mesmos por meio dos elementos imortais revitalizados.” Assim segue o caminho do ser humano, da morte à vida. Se, na hora da morte, lhe fosse possível falar plenamente cônscio si mesmo, teria de dizer-se: “O que ora morre foi meu mestre. O facto de eu morrer é um efeito de todo o passado ao qual estou entretecido. Mas o âmbito mortal me amadureceu os germes para o imortal. Estes, eu os levo comigo para fora, para um outro mundo. Se dependesse apenas do passado, jamais eu poderia ter vindo ao mundo. A vida do passado está concluída com o nascimento. A vida no mundo sensorial é arrancada da morte geral por meio do novo germe vital. O tempo entre nascimento e morte é só a expressão do quanto a nova vida conseguiu arrancar do passado

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A iniciaçao rudolf steiner  

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