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O grande guardião do limiar Acaba de ser narrado quão importante é, para o indivíduo, o encontro com o assim chamado guardião menor do “limiar”, porque neste ele perceberá um ser suprasensorial que, de certa forma, ele próprio engendrou. O corpo desse ser é composto pelos efeitos de seus próprios actos, sentimentos e pensamentos, dantes invisíveis para ele. Porém, essas forças invisíveis convertem-se nas causas de seu destino e de carácter. A partir de então, o indivíduo dá-se conta de como, no passado, ele próprio criou as bases para sua existência actual. Assim, sua essência se lhe revela até certo grau. Nela residem, por exemplo, certas inclinações e hábitos. Agora ele é capaz de compreender os motivos de tê-los. Certos golpes do destino o atingiram; agora ele reconhece de onde provêm. Ele descobre por que ama este e odeia aquele, por que através disso ou daquilo é feliz ou infeliz. A vida visível se lhe torna, por meio das causas invisíveis, compreensível. Também os factos essenciais da vida, tais como doença e saúde, morte e nascimento, desvendam-se diante de seu olhar. Ele percebe que antes de seu nascimento teceu as causas que necessariamente tiveram de reconduzi-lo de volta à vida. A partir de agora, conhece a entidade dentro de si que, neste mundo invisível, está edificada de maneira perfeita, e que também somente neste mesmo mundo visível poderá ser levada à sua perfeição. Pois em nenhum outro mundo existe a possibilidade de trabalhar no acabamento dessa entidade. E ele compreenderá, outrossim, que a morte não pode separá-lo para sempre deste mundo. Pois terá de dizer a si mesmo: “Vim um dia a este mundo pela primeira vez porque era, naquele tempo, um ser que necessitava da vida deste mundo, a fim de adquirir para mim qualidades que não poderia adquirir em nenhum outro mundo. E terei de estar ligado a este mundo até haver desenvolvido em mim tudo quanto nele possa ser conquistado. Somente poderei, um dia, vir a ser um colaborador útil num outro mundo se, no sensorial visível, adquirir todas as qualidades necessárias para tanto.” Em verdade, faz parte das vivências mais relevantes do iniciado conhecer e avaliar melhor a natureza sensorial visível, em seu verdadeiro valor, do que lhe era possível antes de sua disciplina espiritual. Esse conhecimento deve-se, precisamente, à sua visão do mundo supra-sensorial. Quem não teve essa visão, assumindo, talvez, apenas a suspeita de que os planos supra-sensoriais são os infinitamente mais valiosos, é capaz de subestimar o mundo sensorial. Quem, no entanto, teve essa visão sabe que, sem essas vivências na realidade visível, estaria totalmente impotente na invisível. Se pretende viver nesta última, deve possuir faculdades e instrumentos para esta vida. Mas só poderá adquiri-los na visível. Terá de ser capaz de enxergar espiritualmente, se quiser que o mundo invisível se lhe torne consciente. Mas essa capacidade vidente em relação a um mundo “superior” é gradualmente desenvolvida através das vivências no “inferior”. Não se pode nascer para o mundo espiritual com olhos espirituais não os tendo plasmado no sensorial, assim como a criança não poderia vir à luz com olhos físicos se estes não tivessem sido plasmados no ventre materno. Partindo desse ponto de vista, compreender-se-á também por que o “limiar” do mundo supra-sensorial é vigiado por um “guardião”. É que de forma alguma deve ser permitida ao ser humano uma verdadeira visão daquelas regiões sem haver ele, antes, adquirido as faculdades necessárias para isso. Decorre dai o seguinte: sempre que o indivíduo, ainda incapacitado ao trabalho num outro mundo, penetra nele ao morrer, um

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A iniciaçao rudolf steiner  

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