Page 80

facto de teres chegado a ser assim, tudo o deves aos espíritos de tuas comunidades.” Só o discípulo do oculto sabe o que significa estar inteiramente abandonado pelo espírito de povo, de linhagem e de raça. Somente ele experimentará em si mesmo a desimportância, para a vida que agora o aguarda, de toda essa educação. Pois tudo o que nele foi induzido educacionalmente dissolver-se-á completamente pelo rompimento dos fios entre o querer, o pensar e o sentir. Ele olha para trás, para os resultados de toda a educação recebida até agora, como olharia para uma casa desmoronando até à separação de seus tijolos e que, agora, tivesse de ser reconstruída sob nova forma. Trata-se, novamente, de algo mais do que um mero símbolo quando alguém diz que após o “guardião do limiar” se haver pronunciado sobre suas primeiras exigências, no lugar onde ele se encontra levanta-se um turbilhão, vindo a apagar todas as luzes espirituais que até então se haviam iluminado no caminho da vida. E uma completa treva se desfraldará diante do discípulo, sendo apenas entrecortada pela luminosidade que o próprio “guardião do limiar” irradia. E, a partir das trevas, ressoarão suas advertências seguintes: “Não cruzes meu limiar enquanto não tiveres em mente que tu mesmo terás de iluminar as trevas diante de ti; não dês um só passo adiante enquanto não tiveres certeza de ter suficiente óleo em teu próprio candeeiro. Os candeeiros dos guias que até agora tiveste faltar-te-ão no futuro.” Após essas palavras, o discípulo terá de voltar-se e olhar para trás. O “guardião do limiar” descerrará um véu que até então terá ocultado profundos mistérios da vida. Os espíritos de linhagem, de povo e de raça revelar-se-ão em todo o seu vigor; e o discípulo verá, com a mesma exactidão com que até aí houver sido dirigido, que a partir desse momento não mais terá aquela orientação. Esta é uma segunda advertência que o indivíduo vivencia por meio de seu guardião no limiar. Despreparado, de facto, ninguém seria capaz de suportar a mencionada visão; mas a disciplina superior, que principalmente capacita o indivíduo a avançar até o limiar, confere-lhe também a condição de, no momento oportuno, encontrar a força necessária. Com efeito, essa disciplina pode vir a ser tão harmoniosa que à entrada na vida nova seja retirado qualquer carácter excitante ou tumultuoso. A vivência no limiar será então, para o discípulo, acompanhada por um pressentimento de tamanha bemaventurança que esta constituirá a tónica de sua nova vida recém-desperta. O sentimento de nova liberdade predominará sobre todos os outros sentimentos; e, com esse sentimento, os novos poderes e a nova responsabilidade parecer-lhe-ão como algo que o ser humano, em determinado grau da vida, deve assumir.

_____________________ 1

Fica claro, pelo exposto acima, que o “guardião do limiar” descrito é uma figura (astral) que se manifesta à despontante vidência superior do discípulo. E é para esse encontro supra-sensorial que conduz a ciência do oculto. É uma prática de magias inferiores tornar o “guardião do limiar” visível também sensorialmente. Trata-se, aí, da preparação de uma nuvem de subtil substância, de uma produção de fumaça preparada a partir de determinada combinação de uma série de substâncias. O poder desenvolvido do mágico é capaz, então, de actuar na nuvem de fumaça de forma plasmadora e vivificá-la com o carma desequilibrado da pessoa. Quem está suficientemente preparado para a vidência superior não necessita mais de semelhante visão sensorial; e quem se defrontasse, sem o suficiente preparo, com seu carma ainda desequilibrado, como ser sensorial vivo, correria o perigo de incorrer em graves desvios. Não deveria, portanto, ansiar por isso. Em Zanoni, de Bulwer, é feita de forma romanesca uma descrição desse “guardião do limiar”.

VIDA E MORTE

80

Profile for aloysions

A iniciaçao rudolf steiner  

A iniciaçao rudolf steiner  

Profile for aloysions
Advertisement