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inutilizada por um súbito rasgo. Essa sua morte física será, então, por assim dizer, um acto relevante apenas para os outros que com ele convivem e que, com suas percepções, ainda estão totalmente limitados ao mundo sensorial. Para eles, o discípulo “morre”. Para ele, nada de relevante importância se altera em todo o seu mundo circundante. Todo o mundo supra-sensorial, no qual acaba de ingressar, já se encontrava adequadamente diante dele antes da morte, estando também à sua frente depois dela. Contudo, agora o “guardião do limiar” está relacionado a outra coisa. O ser humano pertence a uma família, a um povo, a uma raça; sua actuação neste mundo depende de sua filiação a tal conjunto. Também seu carácter particular está relacionado com isso. E o consciente actuar de cada indivíduo não é, de forma alguma, com o que se deve contar numa família, numa tribo, povo ou raça. Existe um destino de família, raça (e assim por diante), assim como existe um carácter de família, de raça etc. Para o indivíduo limitado aos seus sentidos, essas coisas permanecem como conceitos gerais, e o pensador materialista, com seus preconceitos, olhará com desdém para o pesquisador do oculto ao ouvir que, para este último, do carácter da família ou do povo, do destino da tribo ou da raça fazem parte seres reais, da mesma maneira como do carácter e do destino de cada ser humano faz parte uma personalidade real. O estudioso do oculto aprende a conhecer mundos superiores dos quais as personalidades individuais são membros, tanto quanto braços, pernas e cabeça são membros do ser humano. E na vida de uma família, de um povo ou de uma raça também actuam, além das pessoas individuais, as autênticas almas das famílias, almas dos povos, espíritos das raças. Sim, em certo sentido as pessoas individuais são apenas órgãos executores dessas almas de famílias, espíritos de raças e assim por diante. Pode-se dizer em plena verdade, por exemplo, que uma alma de povo se serve de um indivíduo pertencente a seu povo a fim de levar a cabo certos trabalhos. A alma do povo não desce até à realidade sensorial. Ela caminha em mundos superiores. E para actuar no mundo físico sensorial serve-se dos órgãos físicos do ser humano individual. Num sentido superior, é exactamente como se o arquitecto se servisse dos pedreiros para a execução dos detalhes da obra. Cada pessoa recebe, no mais verdadeiro sentido da palavra, seu trabalho distribuído pelas almas familiares, de povo ou raciais. Ora, o homem sensorial não é, de forma alguma, iniciado no plano superior de seu trabalho. Ele colabora inconscientemente nas metas das almas dos povos, raças, etc. A partir do momento em que sucede o encontro com o guardião do limiar, o discípulo não tem apenas de conhecer suas próprias tarefas como personalidade, mas deve intencionalmente colaborar nas de seu povo, de sua raça. Cada ampliação do horizonte lhe coloca também, incondicionalmente, deveres ampliados. Na verdade, o que ocorre é que o discípulo agrega, a seu corpo anímico mais subtil, um corpo novo. Ele coloca uma veste a mais. Até então, caminhava pelo mundo com envoltórios que vestiam sua personalidade. E o que ele tinha de fazer para sua comunidade, para seu povo, sua raça, etc., por isto zelavam os espíritos superiores, que se serviam de sua personalidade. Uma outra revelação que lhe faz o “guardião do limiar” é a de que, a partir de então, esses espíritos se distanciarão dele. Ele terá de sair inteiramente da comunidade. E, como individualidade isolada, se endureceria completamente, iria de encontro à corrupção se não adquirisse, por si mesmo, as forças próprias dos espíritos dos povos e de raças. Com efeito, muitas pessoas dirão: “Libertei-me inteiramente de todas as relações de linguagem ou raça; quero ser apenas ‘homem’ e ‘nada mais que homem’.” A esses deverá ser respondido: “Quem te levou a essa liberdade? Não foi tua família que te situou no mundo da maneira como agora te encontras? Não foi tua linhagem, teu povo, tua raça, que fizeram de ti o que és agora? Eles te educaram; e se agora és superior a todos os preconceitos, se és uma luz e benfeitor de tua linhagem, e até mesmo de tua raça, tu o deves a seu ensino. Ora, mesmo que digas não seres ‘mais do que homem’, o 79

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A iniciaçao rudolf steiner  

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