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receio de assumir, tu mesmo, a direcção de teu destino, não será incorporado a este limiar tudo o que deve sustentá-lo. E enquanto lhe faltar um único elemento de construção, terás de ficar como que preso junto a esse limiar, ou terás de tropeçar. Não tentes cruzar este limiar antes de sentir-te totalmente livre de medo e pronto a assumir a mais alta responsabilidade. “Até agora, eu apenas saía de tua própria personalidade quando a morte te exonerava de um de teus cursos de vida terrena. Mas também aí minha figura permanecia velada para ti. Somente os poderes do destino, que reinavam sobre ti, viamme e podiam, segundo minha aparência nos intervalos entre a morte e um novo nascimento, desenvolver em ti força e capacidade para que, numa nova existência terrestre, tu pudesses trabalhar no embelezamento de minha figura para o bem de teu progresso. Também era eu mesmo quem, por minha imperfeição, sempre forçava os poderes do destino a reconduzir-te a uma nova encarnação na Terra. Quando morrias, lá estava eu; e, por minha causa, os guias do carma determinavam teu renascimento. Somente quando tu, através de vidas sempre renovadas, inconscientemente me tivesses transformado inteiramente em perfeição, não mais sucumbirias aos poderes da morte, mas te tornarias uno comigo e, em união comigo, passarias à imortalidade. “Assim, hoje estou visível diante de ti, tal como sempre estive invisível a teu lado na hora da morte. E quando tiveres transposto meu limiar, entrarás nos reinos em que normalmente penetraste após a morte física. Neles penetrarás com pleno conhecimento e, doravante, quando caminhares de modo exteriormente visível na Terra, caminharás concomitantemente no reino da morte, isto é, no reino da vida eterna. Eu também sou, de facto, o anjo da morte. Mas, ao mesmo tempo, sou portador de uma vida superior inesgotável. No corpo vivo morrerás por meu intermédio, a fim de vivenciares o renascimento para uma existência indestrutível. “O reino em que a partir de agora penetras far-te-á conhecer seres de natureza supra-sensorial. A bem-aventurança será teu quinhão nesse reino. Mas o primeiro que conhecerás nesse mundo terei de ser eu mesmo, por eu ser tua própria criatura. Anteriormente, eu vivia de tua própria vida; mas, agora, despertei por ti para uma existência própria e estou diante de ti qual um padrão de medida de tuas acções futuras ou, talvez, qual tua perpétua censura. Pudeste criar-me; mas concomitantemente, assumiste também o dever de transformar-me.” O que aqui acaba de ser exposto sob forma de narrativa não deve ser imaginado como algo simbólico, mas como uma verdadeira vivência do discípulo no mais alto grau do sentido. 1 O guardião deverá adverti-lo para que de forma alguma prossiga se não sentir em si a força para corresponder às exigências contidas na fala acima. Por mais terrível que seja, a figura do guardião é apenas o efeito da própria vida passada do discípulo, é apenas seu próprio carácter, despertado para uma vida autónoma fora dele. E esse despertar se dá por meio da dissociação entre o querer, o pensar e o sentir. Já é uma vivência de natureza profundamente significativa alguém sentir, pela primeira vez, haver dado pessoalmente origem a um ser espiritual. A preparação do discípulo do oculto deverá visar a que ele suporte, em qualquer receio, aquela horrível visão; e a que, no instante do encontro, sinta sua força realmente desenvolvida a ponto de poder encarregar-se, com pleno saber, do embelezamento do “guardião”. Uma consequência do encontro bem-sucedido com o “guardião do limiar” é a de a próxima morte física vir a ser, para o discípulo, um acontecimento totalmente diferente das mortes anteriores. Ele vivenciará conscientemente o morrer, ao despojarse do corpo físico, como costuma desfazer-se de uma roupa gasta pelo uso ou talvez 78

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A iniciaçao rudolf steiner  

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