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retornar ao equilíbrio. O que parece ser uma inofensiva disposição de carácter, enquanto o indivíduo vive sem a disciplina esotérica – isto é, se ele é de natureza volitiva, sensível ou mental –, intensifica-se em tal grau no discípulo do oculto que diante disso se perde totalmente o elemento geral, necessário à vida. Contudo, isso só se torna um perigo realmente sério no momento em que o discípulo alcança a capacidade de ter, no estado de vigília, vivências como as que tem na consciência de sono. Enquanto ele permanecer na mera iluminação dos intervalos de sono, sempre voltará a actuar, durante o estado de vigília, a vida sensorial regulamentada pelas leis cósmicas universais no sentido de compensar o equilíbrio perturbado da alma. Eis por que é tão necessário que a vida desperta do discípulo seja, em todos os sentidos, regular e sadia. Quanto mais ele corresponder às exigências que o mundo exterior fizer para uma estruturação sadia e vigorosa de corpo, alma e espírito, tanto melhor será para ele. Em compensação, sua situação poderá tornar-se grave se a vida desperta quotidiana exercer uma acção excitante ou extenuante sobre ele – se, portanto, às grandes transformações que ocorrem em seu interior, se juntarem quaisquer influências destrutivas ou inibidoras. Ele deverá procurar tudo o que corresponda às suas forças e que lhe traga uma convivência serena e harmoniosa com seu meio ambiente. E deverá evitar tudo o que prejudique essa harmonia, que traga agitação e precipitação em sua vida. Trata-se não tanto de livrar-se dessa agitação e precipitação num sentido exterior, mas, muito mais, de cuidar para que a disposição de alma, as intenções, os pensamentos e a saúde corpórea não estejam expostos a constantes oscilações. Nada disso parecerá ao indivíduo, no decurso de sua disciplina do oculto, tão fácil como antes. Pois as vivências superiores que a partir de então intervêm em sua vida actuarão ininterruptamente em toda a sua existência. Se, dentre essas vivências mais elevadas, algo não estiver em ordem, a irregularidade estará à espreita e será capaz de desviá-lo, na primeira oportunidade, da trilha correcta. Por isso, o discípulo não deverá desleixar-se em nada que lhe assegure o domínio constante sobre todo o seu ser. Jamais lhe deveria faltar presença de espírito ou uma tranquila visão para todas as situações da vida que entrassem em consideração. Todavia, uma autêntica disciplina gera, no fundo, todas essas qualidades por si própria. E aprende-se a conhecer os perigos somente à medida que se alcança concomitantemente, no momento certo, todo o poder para derrotá-los.

O GUARDIÃO DO LIMIAR Os encontros com o “guardião do limiar” constituem importantes vivências na ascensão aos mundos superiores. Não existe só um “guardião do limiar” mas, em verdade, dois: um “menor” e um “maior”. Com o primeiro, o indivíduo se depara quando os fios de ligação entre o querer, o pensar e o sentir, dentro dos corpos mais subtis (corpo astral e etérico), começam a soltar-se, conforme descrito no capitulo precedente. Com o “guardião maior do limiar”, o indivíduo se defronta quando a dissolução das ligações se estende também às partes físicas do corpo (de facto, primeiramente ao cérebro). O “guardião menor do limiar” é um ser autónomo. Inexiste para o ser humano enquanto este não alcançou o grau adequado do desenvolvimento. Só algumas das características mais essenciais do mesmo poderão ser traçadas aqui. Primeiramente tentaremos apresentar, sob forma de narração, o encontro do discípulo com o guardião do limiar. Somente por meio desse encontro o discípulo se

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A iniciaçao rudolf steiner  

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