Page 63

inferior, na lei segundo a qual a vida no mundo físico é regulamentada consoante contextos espirituais – leis do carma – e, por fim, na existência de grandes iniciados. Por isso se diz, de um discípulo que alcançou este grau, que todas as suas dúvidas se dissiparam completamente. Se antes ele havia podido assimilar uma fé edificada em bases racionais e num pensar sadio, agora, em lugar dessa fé, entram o saber pleno e um insight absolutamente inabalável. As religiões, em suas cerimónias, sacramentos e ritos, forneceram imagens exteriormente visíveis de ocorrências e seres espirituais superiores. Só pode desconhecê-los quem ainda não penetrou nas profundezas das grandes religiões. Quem, no entanto, penetrou por si na realidade espiritual também compreenderá o grande significado daqueles ritos exteriormente visíveis. E, para ele, o próprio serviço religioso torna-se uma cópia de seu relacionamento com o mundo espiritual superior. Vê-se de que maneira o discípulo, tendo atingido este grau, realmente se tornou um novo homem. E então ele poderá gradualmente amadurecer no sentido de, por meio das correntes de seu corpo etérico, dirigir o verdadeiro elemento vital superior e, com isto, alcançar uma elevada independência de seu corpo físico. _____________________ 1

Na obra Teosofia, do Autor, encontra-se uma descrição a respeito. Deve-se atentar, em todas as descrições seguintes, ao facto de que, por exemplo, “ver” uma cor significa ver espiritualmente. Quando o conhecimento clarividente diz de algo “eu vejo vermelho”, isto significa “eu tenho uma vivência no âmbito anímico-espiritual que se assemelha, na vivência física, à impressão da cor vermelha”. Essa expressão só é utilizada porque, para o conhecimento clarividente, é muito natural dizer “eu vejo vermelho”. Quem não considera isto pode facilmente confundir uma visão cromática com uma verdadeira vivência clarividente. 3 Também com relação a essas percepções do “girar”, e mesmo das “flores do loto”, vale o que foi dito na nota anterior sobre “ver as cores”. 4 O perito reconhecerá, nas condições para o desenvolvimento da “flor de loto de dezasseis pétalas”, as indicações que o Buda deu a seus discípulos para a “Senda”. Contudo, aqui não se trata de ensinar “budismo”, mas de descrever condições evolutivas provenientes da própria Ciência Espiritual. O facto de coincidirem com certas doutrinas do Buda não pode impedir de as considerarmos verdadeiras em si. 5 É óbvio que, relativamente ao sentido da palavra, a expressão “corpo anímico” encerra uma contradição (tal qual outras, semelhantes, da Ciência Espiritual). Ainda assim, costuma-se usar essa expressão, já que o conhecimento clarividente visualiza algo que, no plano espiritual, é vivenciado tal como o corpo é percebido no plano físico. 6 Compare-se a esta explanação a descrição contida no obra Teosofia, deste Autor [v.nota à pág. 20]. 7 Peço aos físicos que não se assustem com a expressão “corpo etérico”. Com a palavra “éter” pretendese indicar apenas a subtileza da estrutura em questão. O que aqui é indicado não precisa ser logo identificado com o “éter” das hipóteses físicas. 2

MODIFICAÇÕES NA VIDA ONÍRICA DO DISCÍPULO Um indicio de que o discípulo alcançou – ou está para alcançar – o grau de desenvolvimento descrito no capítulo anterior é a transformação que ocorre em sua vida onírica. Antes, os sonhos eram confusos e arbitrários. Agora começam a assumir um carácter regular. Suas imagens tornam-se coerentemente sensatas, como as representações da vida quotidiana. Neles é possível discernir lei, causa e efeito. E também o conteúdo dos sonhos se modifica. Enquanto anteriormente só se percebiam ressonâncias do dia-a-dia da vida, impressões transformadas do ambiente circundante ou dos próprios estados corpóreos, agora surgem imagens oriundas de um mundo até 63

Profile for aloysions

A iniciaçao rudolf steiner  

A iniciaçao rudolf steiner  

Profile for aloysions
Advertisement