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leis da razão e da moral do mundo físico. Assim como a criança amadurece no seio materno, o homem espiritual amadurece na essência física. A saúde da criança depende da eficácia normal das leis naturais no seio materno. A saúde do homem espiritual depende, de forma análoga, das leis do senso comum e da razão actuantes na vida física. Ninguém é capaz de dar à luz um sadio Eu Superior se não vive e pensa sadiamente no mundo físico. Uma vida em conformidade com a Natureza e a razão são a base de todo verdadeiro desenvolvimento espiritual. Assim como a criança no seio materno já vive de acordo com as forças naturais que, após seu nascimento, ela percebe por meio de seus órgãos dos sentidos, assim também o Eu Superior do homem vive de conformidade com as leis do mundo espiritual já durante a existência física. E assim como a criança se apossa das respectivas forças a partir de um obscuro sentido vital, também pode fazê-lo o homem com as forças do mundo espiritual, antes que seja dado à luz seu Eu Superior. Em verdade ele terá de fazê-lo, se este último tiver de vir ao mundo como ser plenamente desenvolvido. Não seria correcto alguém afirmar: “Não posso receber os ensinamentos da ciência do oculto enquanto não tiver visto por mim mesmo.” Ora, sem o aprofundamento na investigação espiritual ele não será capaz de chegar ao verdadeiro conhecimento superior. Sua situação seria a mesma de uma criança no seio materno que recusasse o emprego das forças proporcionadas pela mãe e quisesse esperar até poder obtê-las por si própria. Assim como o embrião, mediante o sentido vital, experimenta a correcção do que lhe é oferecido, assim também o homem ainda não vidente experimenta a verdade dos ensinamentos da Ciência Espiritual. Existe, nesses sentimentos, um discernimento erigido sobre o sentimento de verdade e sobre a razão clara, sadia e multilateral em seus critérios, mesmo quando ainda não se vêem as coisas espirituais. Em primeiro lugar é preciso aprender os conhecimentos místicos e, justamente por meio desse aprendizado, preparar-se para ver. Um indivíduo que chegasse à clarividência antes de haver aprendido dessa maneira seria como uma criança que, embora provida de olhos e ouvidos, houvesse nascido sem cérebro. Todo o mundo de cores e sons se desdobraria à sua frente, mas ela não saberia o que fazer dele. Portanto, o que anteriormente era evidente ao indivíduo por meio de seu sentimento de verdade, por meio de intelecto e razão, tornar-se-á, no grau descrito da disciplina, vivência própria. Agora ele tem um saber directo, de seu Eu Superior. E aprende a reconhecer que esse Eu Superior está ligado a entidades espirituais superiores, formando com elas uma unidade. Ele vê, pois, como o Eu Superior provém de um mundo mais elevado. E se lhe evidencia que sua natureza superior sobrevive à inferior. Doravante ele é capaz de discernir, por si, seu elemento transitório de seu elemento permanente. Isto nada mais significa do que sua chegada à compreensão da doutrina da incorporação (encarnação) do Eu Superior em um inferior, por observação própria. Agora se lhe torna claro que ele se situa num contexto espiritual mais elevado e que suas qualidades, seus destinos são causados por essa relação. Ele vem a conhecer a lei de sua vida, o carma. E se dá conta de que seu eu inferior, na forma como se exprime em sua actual existência, é apenas uma das configurações que seu Eu Superior é capaz de tomar. E começa a enxergar a possibilidade de trabalhar em si a partir do seu Eu Superior, visando a tornar-se sempre mais perfeito. Daí em diante também poderá discernir as grandes diferenças entre as pessoas com respeito a seus graus de perfeição. Descobrirá que existem pessoas, acima dele, já tendo alcançado graus que ainda lhe falta atingir. Compreenderá que os ensinamentos e acções de tais pessoas provêm de inspirações de um mundo superior. Para ele começa agora a tornar-se um facto a existência de “grandes iniciados da Humanidade”. Eis as dádivas que o discípulo agradece a este grau de desenvolvimento: insight no Eu Superior, na doutrina de incorporação ou encarnação desse Eu Superior em um 62

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A iniciaçao rudolf steiner  

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