Page 42

são favoráveis à nossa saúde. O indivíduo terá de saber colocar, nos casos correctos, o dever acima da preocupação pela saúde. Mas o quanto não se pode deixar de fazer com um pouco de boa vontade! O dever terá, em muitos casos, de estar acima da saúde, até mesmo acima da vida; o gozo, para o discípulo, jamais. Em seu caso, o gozo só poderá ser um meio para saúde e vida. E neste sentido torna-se indispensável que ele use de absoluta sinceridade e veracidade perante si próprio. De nada adianta levar uma vida ascética se esta provém de motivações semelhantes às de outros gozos. Há quem encontre no ascetismo tanto prazer quanto um outro ao saborear um vinho. Esse, no entanto, não pode esperar que tal ascetismo lhe sirva à cognição superior. Muitos atribuem à sua situação de vida tudo o que aparentemente os impede de aprimorar-se nessa direcção. Costumam dizer: “Em minhas condições de vida não é possível desenvolver-me.” Para muitos, pode ser desejável mudar de situação de vida em outros aspectos. Para a finalidade da disciplina do oculto, ninguém precisa fazê-lo. Para este fim basta zelar – na situação de vida em que se encontra – o quanto possível por sua saúde corpórea e anímica. Qualquer trabalho pode estar a serviço do todo da Humanidade; e para a alma humana pesa muito mais compreender o valor que um trabalho pequeno, talvez até mesmo desagradável, representa para o todo ao invés de pensar: “Esse trabalho não me é digno; estou qualificado para algo melhor.” De especial importância para o discípulo é a aspiração à integral saúde espiritual. Uma doentia vida do sentimento e do pensamento sem dúvida alguma desviará dos caminhos à cognição superior. Pensamentos claros e calmos, vivências e sentimentos seguros constituem aqui o fundamento. Nada deve estar mais distante do discípulo do que a inclinação ao fantástico, à excitação, à nervosidade, à exaltação, ao fanatismo. Um olhar sadio para todas as condições da vida, eis o que ele terá de adquirir; ele terá de saber orientar-se com segurança na vida; calmamente, terá de fazer com que as coisas lhe falem e sobre ele atuem. Terá de esforçar-se, em qualquer ocasião em que isso se faça necessário, para fazer jus à vida. Tudo o que seja exagerado e unilateral terá de ser evitado em seu julgar e sentir. Caso essa condição não fosse cumprida, o discípulo, ao invés de penetrar nos mundos superiores, ingressaria naqueles de sua própria força de imaginação. Ao invés da verdade, far-se-iam valer nele as opiniões predilectas! É melhor que o discípulo se mantenha “prosaico” do que exaltado e fantasista. A segunda condição consiste em sentir-se qual um membro de toda a vida existente. No cumprimento desta condição está encerrada muita coisa. Mas cada um só pode cumpri-la à sua própria maneira. Se sou educador e meu aluno não corresponde àquilo que almejo, tenho então de voltar meu sentimento não contra meu aluno, mas contra mim mesmo. Tenho de sentir-me uno com meu aluno a ponto de perguntar a mim mesmo: “Acaso aquilo que no aluno é insatisfatório não é uma consequência de meu próprio agir?” Ao invés de voltar meu sentimento contra ele, farei reflexões no sentido de como eu próprio deverei portar-me, a fim de, futuramente, o aluno poder corresponder melhor às minhas exigências. A partir de tal mentalidade modifica-se, paulatinamente, todo o modo de pensar do ser humano. Isto é válido tanto para o menor como para o maior. A partir de tal mentalidade enxergo, por exemplo, um criminoso de forma diferente do que sem a mesma. Refreio meus julgamentos e digo a mim mesmo: “Sou apenas um homem como esse. A educação que circunstancialmente tive talvez me haja livrado de seu destino.” Certamente também chegaria ao pensamento de que esse meu irmão se teria tornado ; outro se os professores que comigo despenderam seus esforços os tivessem dedicado a ele. Conscientizo-me de que a mim coube algo de que ele foi privado, e de que devo meu bem-estar precisamente à circunstância de que ele foi privado. E, então, não mais estarei longe da noção de que sou apenas um membro de toda , a Humanidade e co-responsável por tudo que acontece. Com isso não se pretende 42

Profile for aloysions

A iniciaçao rudolf steiner  

A iniciaçao rudolf steiner  

Profile for aloysions
Advertisement