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fortemente nas profundezas da alma. Só dedicando-se reiteradamente a um pensamento bem determinado, assimilando-o inteiramente, é que conseguirá algo. Este pensamento é o seguinte: “Se bem que deva fazer tudo em prol de meu desenvolvimento anímico e espiritual, aguardarei calmamente até ser considerado digno, por poderes superiores, de uma determinada iluminação.” Se esse pensamento se tornar tão vigoroso, vindo a constituir um perfil de carácter, o discípulo estará trilhando o caminho certo. Esse perfil de carácter cunhará até mesmo a aparência exterior. O olhar torna-se calmo, os movimentos seguros, as decisões determinadas, e tudo o que se entende por nervosidade desvanece-se paulatinamente no indivíduo. Nisto, pequenas regras aparentemente insignificantes são levadas em consideração. Por exemplo: alguém nos causa uma ofensa. Anteriormente à nossa educação oculta, voltávamos nosso sentimento contra o ofensor. A irritação efervescia em nosso interior. No discípulo, no entanto, em tais ocasiões assoma imediatamente o seguinte pensamento: “Tal ofensa nada muda de meu valor”; então ele fará o que cabe fazer contra a ofensa, com calma e serenidade, e não a partir da irritação. Naturalmente não se trata de simplesmente engolir cada ofensa, e sim de manter-se tão calmo e seguro na reprovação de uma ofensa contra a própria pessoa quanto alguém se manteria se a ofensa houvesse sido causada a outro, em cujo caso se tivesse o direito de reprová-la. Sempre se terá de levar em conta que a disciplina do oculto não se realiza em processos grosseiros exteriores, mas em subtis e silenciosas transformações da vida anímica e mental. A paciência exerce um efeito atractivo sobre os tesouros do saber superior. A impaciência tem efeito repulsivo. Por meio de pressa e agitação nada poder ser alcançado nos planos superiores da existência. Em especial terão de silenciar desejos e apetites. Estas são qualidades da alma diante das quais todo saber superior se retrai receosamente. Por valioso que seja todo conhecimento superior, não se deve cobiçá-lo querendo-se que ele sobrevenha. Quem o cobiça em causa própria jamais o alcançará. E isto requer, antes de tudo, o indivíduo ser verdadeiro perante si mesmo nas maiores profundezas da alma. Ele não deve enganar-se em nada, relativamente a si próprio. Terá de examinar face a face os próprios defeitos, fraquezas e insuficiências, com veracidade interior. No momento em que você desculpa qualquer uma de suas fraquezas perante si mesmo, estará colocando uma pedra no caminho que o deve conduzir ao alto. Você somente poderá remover tais pedras através de uma auto-análise. Existe um só caminho para se despojar de seus erros e fraquezas: realmente reconhecê-los. Tudo se encontra adormecido na alma humana e pode ser despertado. Também seu raciocínio e seu juízo o indivíduo pode aprimorar quando, com calma e serenidade, dedica-se a examinar por que é fraco a esse respeito. Naturalmente tal autoconhecimento é difícil, uma vez que a tentação da ilusão sobre si mesmo é infinitamente grande. Quem se acostuma à veracidade perante si próprio abre para si o portal do discernimento superior. No discípulo terá de desvanecer-se toda e qualquer curiosidade. Ele precisa desacostumar-se, tanto quanto possível, de fazer perguntas relativas a coisas visando apenas à satisfação da própria ânsia do saber. Só deverá perguntar aquilo que serve ao aperfeiçoamento de sua entidade a serviço da evolução. Com isto, porém, a alegria e a dedicação ao saber não deverão, de forma alguma, ser tolhidas. Ele terá de escutar devocionalmente tudo o que sirva a tal finalidade e terá de procurar cada oportunidade para tal devoção. Para a formação no oculto é particularmente necessária uma educação da vida dos desejos. Não se trata de, porventura, tornar-se livre de desejos, pois tudo o que devemos alcançar devemos também desejar. E um desejo sempre se realizará, desde que atrás dele se encontre uma força toda especial. Essa força provém da verdadeira cognição. “Não desejar de forma alguma enquanto não se houver reconhecido o verdadeiro 37

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A iniciaçao rudolf steiner  

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