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precisamente por capacitar-me a ver o novo que a memória de experiências velhas se me torna mais útil. Se não possuísse uma determinada experiência, eu talvez nem percebesse a qualidade de uma coisa ou de um ser que se me defronta. Mas é precisamente para perceber o novo, não para julgar o novo em função do velho, que deve servir a experiência. Com respeito a isso, o iniciado adquire faculdades bem determinadas. Por esse meio se lhe desvendam muitas coisas que permanecem ocultas ao não-iniciado. O segundo “trago” oferecido ao iniciado é o “trago da memória”. Por seu intermédio ele adquire a faculdade de ter permanentemente presentes no espírito mistérios superiores. Para isso a memória comum não seria suficiente. É preciso tornarse inteiramente uno com as verdades superiores. Não basta apenas sabê-las, mas ser capaz de aplicá-las nas actividades vitais tão naturalmente como a pessoa comum come e bebe. Elas terão de tornar-se exercício, hábito, inclinação. Não se deve ter de reflectir sobre elas no sentido comum; elas terão de expressar-se por meio do próprio indivíduo, fluir através dele tal como as funções vitais do seu organismo. Assim ele virá a ser, em sentido espiritual, cada vez mais aquilo para o que, no físico, a Natureza o fez.

CONSIDERAÇÕES DE ORDEM PRÁTICA Quando o indivíduo perfaz seu desenvolvimento em relação a sentimentos, pensamentos e disposições da forma como descrito nos capítulos referentes à “preparação”, “iluminação” e “iniciação”, efectua em sua alma e em seu espírito uma estruturação semelhante àquela que a Natureza efectuou em seu corpo físico. Antes desse desenvolvimento, alma e espírito são massas indefinidas. O clarividente os percebe qual redemoinhos de névoa espiralados e entremeados, de preferência percebidos numa coloração debilmente luzente de matizes avermelhados e marromavermelhados, ou também amarelo-avermelhados; após o desenvolvimento, eles começam a brilhar espiritualmente qual cores verde-amareladas, azul-esverdeadas, e apresentam uma estrutura regular. O indivíduo chega a tal regularidade e, com isso, a conhecimentos mais elevados quando introduz em seus sentimentos, pensamentos e disposições ordem tal como a Natureza introduziu em suas funções corporais de forma a capacitá-lo a ver, ouvir, digerir, respirar, falar, etc. Com a alma respirar, ver, etc. ; com o espírito ouvir, falar, etc. – eis o que o discípulo aprende sucessivamente. Pretende-se ainda expor aqui, detalhadamente, algumas considerações práticas que fazem parte da educação superior da alma e do espírito. São elas tais que, no fundo, cada um as pode seguir sem ter de levar em consideração outras regras e, através das mesmas, avançar um bom trecho na ciência do oculto. Deve-se aspirar, quanto à paciência, a um especial desenvolvimento. Cada impulso de impaciência tem um efeito paralisante, até mesmo mortificante, sobre as faculdades superiores adormecidas no ser humano. Não se deve exigir que, de um momento para o outro, se descortinem desmesuradas visões nos mundos superiores. Pois neste caso, via de regra, elas certamente não surgirão; satisfação com o mais insignificante passo dado, calma e serenidade deverão cada vez mais apossar-se da alma. É bem compreensível o discípulo ansiar impacientemente pelos resultados. Contudo, ele nada obterá enquanto não dominar essa impaciência. Tampouco em nada adianta combater essa impaciência meramente no sentido comum da palavra – pois ela só se tornará mais forte ainda. Neste caso a pessoa somente se engana a seu respeito, enquanto ela se assenta tanto mais

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A iniciaçao rudolf steiner  

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