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E, não menos que nos outros casos, a vida comum também é quanto a este ponto, para muitas pessoas, uma disciplina do oculto. Para pessoas capazes de, sem vacilações, sem muitas reflexões, tomar uma decisão rápida frente a tarefas da vida com que repentinamente se defrontem, a vida é uma tal disciplina. As situações adequadas são aquelas em que uma acção eficaz se torna de imediato impossível se o indivíduo não intervier rapidamente. Quem intervém com prontidão à vista de uma desgraça, ao passo que durante alguns momentos de vacilação a desgraça já teria ocorrido, e que fez de tal capacidade de decisão rápida uma permanente qualidade sua, adquiriu inconscientemente o amadurecimento para a terceira “prova”. Ora, nela se trata do desenvolvimento da absoluta presença de espírito. Na disciplina do oculto esta é denominada “prova do ar”, pois nela o candidato não pode apoiar-se nem no chão firme das causas exteriores nem naquilo que resulta das cores, formas, etc., que chegou a conhecer por meio da “preparação” e da “iluminação”, mas exclusivamente em si próprio. Se houver vencido esta prova, o discípulo tem permissão de penetrar no “templo dos conhecimentos superiores”. O que a esse respeito se tem a acrescentar só pode ser expresso pela mais escassa alusão. O que agora terá de ser cumprido é frequentemente expresso da seguinte forma: o discípulo teria de prestar um “juramento” no sentido de não “trair” em nada os ensinamentos do oculto. No entanto, as expressões “juramento” e “trair” não são de forma alguma apropriadas e, de imediato, são até mesmo enganosas. Não se trata de “juramento” algum no sentido comum da palavra. Neste grau da evolução passa-se, muito mais, por uma experiência. Aprende-se como pôr em prática o ensino do oculto e como colocá-lo a serviço da Humanidade. Começa-se verdadeiramente a entender o Universo. Não se trata de “calar” acerca das verdades superiores, mas muito mais de representá-las da maneira certa e com o tacto adequado. Sobre o quê se aprende a “silenciar”, é algo completamente diferente. Adquire-se essa maravilhosa qualidade com respeito a muito do que anteriormente se comentou, em especial em relação à maneira como se comentou. Seria um péssimo iniciado aquele que não colocasse os mistérios vivenciados a serviço do mundo, tanto quanto possível. Não há nenhum outro obstáculo para a comunicação neste campo, além da falta de entendimento por parte daquele que a deve receber. Aliás, os mistérios superiores não se prestam a qualquer conversa a respeito. Mas ninguém está “proibido” de dizer se alcançou o grau de evolução descrito. Nenhum outro homem e nenhum ser lhe exige “juramento” nesse sentido. Tudo está encerrado dentro de sua própria responsabilidade. O que ele aprende consiste em encontrar, em qualquer situação, a partir de si mesmo, o que precisa fazer. E o “juramento” nada mais significa senão que o indivíduo se tornou maduro para poder arcar com tal responsabilidade. Se o candidato se tornou maduro quanto ao descrito, recebe então aquilo que simbolicamente se denomina “trago do esquecimento”. Ele será iniciado principalmente no mistério referente a como se pode actuar sem deixar-se perturbar constantemente pela memória inferior. Para o iniciado, isto é necessário. Pois ele terá de manter, continuamente, integral confiança na imediata actualidade. Terá de ser capaz de aniquilar os véus da memória, que se estendem ao redor do ser humano em cada momento da vida. Ao julgar algo que se me apresenta hoje pelo que vivenciei ontem, estou sujeito a múltiplos enganos. Obviamente não se quer dizer com isto que se deva renegar a experiência obtida na vida. Deve-se, sempre, mantê-la presente, tanto quanto possível. Mas, como iniciado, o indivíduo deve ter a faculdade de julgar cada nova vivência a partir de si, de deixá-la actuar sobre si, livre de todo passado. A todo instante terei de estar preparado para que cada coisa ou ser me possa trazer uma revelação inteiramente nova. Se julgo o novo em função do velho, estarei à mercê do equívoco. É 35

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A iniciaçao rudolf steiner  

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