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e no decurso desse crescer desenvolve-se, qual uma faculdade anímica, a força que se sente impelida a decifrar os acontecimentos e entidades do mundo espiritual como caracteres de uma escrita. Poderia ser que essa força e, juntamente com ela, a vivência da respectiva “prova”, despertassem como que espontaneamente com o progresso evolutivo da alma. Mas alcança-se mais seguramente o fim quando se obedece às instruções dos experimentados pesquisadores do oculto, que dispõem de habilidade na decifração da escrita oculta. Os signos da escrita oculta não foram arbitrariamente imaginados, mas correspondem às forças que actuam no Universo. Aprende-se, por meio de tais signos, a linguagem das coisas. Ao candidato revela-se logo que os signos que vai conhecendo correspondem às figuras, cores, sons, etc. que ele aprendeu a perceber durante a preparação e a iluminação. Ele constata que todo o precedente foi apenas uma espécie de soletrar. Só agora começa a ler nos mundos superiores. Tudo o que antes era apenas figura, som e cor isolados se lhe apresenta numa grande conexão. Só agora ele ganha a verdadeira segurança na observação dos mundos superiores. Antes nunca podia saber com certeza se as coisas que havia visualizado haviam sido vistas correctamente. E só agora pode haver um entendimento regular entre o candidato e o iniciado nas áreas do saber superior. Ora, qualquer que seja a forma de convivência de um iniciado com outra pessoa na vida comum, ele só poderá comunicar algo do saber superior de forma imediata pela referida linguagem de signos. Por meio dessa linguagem o discípulo também chega a conhecer certas regras de conduta para a vida. Ele conhece certos deveres, dos quais anteriormente nada sabia. E uma vez conhecendo essas regras de conduta, será capaz de realizar actos com uma significação que actos de um não-iniciado jamais poderiam ter. Ele atua a partir dos mundos superiores. As directrizes para tais actos só podem ser entendidas na referida escrita. É necessário acentuar, no entanto, que existem pessoas capazes de executar tais actos inconscientemente, embora nunca tenham passado por uma disciplina do oculto. Tais “benfeitores do Universo e da Humanidade” passam pela vida abençoando e fazendo o bem. Por motivos que não cabe abordar aqui, foram-lhes conferidos dons que parecem sobrenaturais. O que os distingue do discípulo é unicamente o facto de que este último age com consciência, com pleno discernimento de toda a relação. Ele conquista, por meio da disciplina, aquilo com que os outros foram agraciados pelos poderes superiores, para o bem do mundo. Pode-se venerar francamente tais “abençoados por Deus”, mas nem por isso se deve considerar supérfluo o trabalho da disciplina. Depois do aprendizado da mencionada escrita de signos, começará para o discípulo mais uma “prova”. Por meio desta será demonstrado se ele é capaz de moverse livre e seguramente no mundo superior. Na vida comum, o indivíduo se vê movido a seus actos por impulsos exteriores. Ele se dedica a uma coisa ou outra porque as condições impõem estes ou aqueles deveres. Certamente não será necessário mencionar que o discípulo não poderá descuidar de nenhum de seus deveres na vida comum, sob o pretexto de viver em mundos superiores. Nenhum dever num mundo superior pode obrigar alguém a descuidar de um só dever no mundo comum. O pai de família continua, da mesma maneira, a ser um bom pai de família; a mãe, da mesma maneira, boa mãe; o funcionário público não será impedido por nada, tampouco o soldado ou outros quaisquer, quando se tornam discípulos. Pelo contrário: todas as qualidades que fazem com que o indivíduo se torne competente na vida intensificar-se-ão no discípulo, num grau do qual um não-iniciado não pode fazer ideia. E mesmo que ao não-iniciado isso não pareça assim – o que nem sempre, até raramente é o caso –, isso advém do 32

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A iniciaçao rudolf steiner  

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