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espaço. Ao homem interior, nenhuma força exterior pode abrir espaço. Isto somente a calma interior é capaz de fazer, calma essa que ele cria para sua alma. Circunstâncias exteriores somente podem mudar sua situação exterior, sendo que jamais serão capazes de despertar o "homem espiritual" dentro dele. O discípulo terá de gerar, dentro de si próprio, um novo homem, mais elevado. Esse "homem superior" tornar-se-á então o "soberano interior" que, com mão firme, dirigirá as condições do homem exterior. Enquanto o homem exterior tiver autoridade e direcção, esse "interior" será seu escravo e não poderá, portanto, desenvolver suas forças. Se depende de outra coisa que não de mim o facto de eu me irritar ou não, então não sou meu próprio senhor - ou, melhor dito: ainda não encontrei o "soberano em mim". Terei de desenvolver, em mim, a faculdade de fazer com que as impressões do mundo exterior só me cheguem de uma forma por mim determinada; somente então poderei tornar-me discípulo. E somente na medida em que procurar de forma séria por essa força é que o discípulo poderá atingir o objectivo. Não importa o quanto ele tenha progredido num determinado espaço de tempo; importa apenas o facto de ele se empenhar seriamente na busca. Já houve muitos que, anos a fio, esforçaram-se sem notar em si progresso sensível; no entanto, muitos dentre os que não se afligiram com isso, perseverando inabaláveis, subitamente alcançaram a "vitória interior". Em muitas situações da vida será, sem dúvida, necessário um grande esforço para criar momentos de calma interior. Mas quanto maior for o esforço necessário, mais significativo também será o que se alcança. No aprendizado do oculto, tudo depende de alguém poder confrontar-se energicamente consigo mesmo, com veracidade interior e irrestrita sinceridade, com todos os seus actos e acções, qual alguém totalmente estranho. Mas apenas um lado da actividade interior do discípulo é assinalado por esse nascimento do homem superior próprio. É preciso ser acrescentado algo mais. Ainda que se confronte consigo mesmo como se fora um estranho, o indivíduo não deixa de contemplar somente a si mesmo; ele voltará os olhos para aquelas vivências e actos com os quais está emaranhado por sua particular situação de vida. Ele deve ir além disso: deve elevar-se ao puramente humano, que nada mais tem a ver com sua particular situação. Terá de partir para uma consideração daquelas coisas que o interessam como ser humano, ainda que vivesse sob condições totalmente diferentes, numa situação inteiramente outra. Isto faz com que nele surja algo que transcende o pessoal. Ele dirige, com isto, seu olhar a mundos mais elevados que aqueles com os quais o dia-a-dia o reúne. E com isto o ser humano começa a sentir, a perceber que faz parte de tais mundos mais elevados. São mundos sobre os quais seus sentimentos, suas ocupações quotidianas nada lhe podem dizer. É somente aí que ele transfere o ponto central de seu ser para o seu interior. Ele escuta em seu interior as vozes que lhe falam nos momentos da calma interna, cultivando no íntimo um relacionamento com o mundo espiritual. Está libertado do dia-a-dia. O ruído desse dia-a-dia para ele cessou; fez-se silêncio à sua volta. Ele rejeita tudo o que lhe recorda tais impressões de fora. A tranquila contemplação no interior, o colóquio com o mundo puramente espiritual, preenchem toda a sua alma. Tal tranquila contemplação deve tornar-se uma necessidade natural para o discípulo. Primeiramente ele está de todo submerso num mundo de pensamentos. Terá de desenvolver um vivo sentimento para com essa tranquila actividade de pensamentos. Deve aprender a amar o que aí o espírito lhe faz afluir. Logo deixará de sentir esse mundo dos pensamentos como algo menos real do que as coisas do dia-a-dia que o circundam. Começa a lidar com seus pensamentos tal qual com os objectos no espaço. E então aproxima-se também o momento em que começará a vivenciar aquilo que se lhe revela na tranquilidade do trabalho mental interior como sendo muito mais 15

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A iniciaçao rudolf steiner  

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