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reprimindo o julgamento condenável. Mas isto não deve permanecer como regra exterior de vida e, sim, terá de apossar-se do mais íntimo de nossa alma. Está nas mãos do ser humano aperfeiçoar-se, transformar-se inteiramente no decorrer do tempo. Mas essa transformação terá de realizar-se em seu mais íntimo, em sua vida mental. Não basta eu mostrar exteriormente, em meu comportamento, respeito perante um ser. Devo ter esse respeito em meus pensamentos. O discípulo deverá começar a assimilar a devoção em sua vida mental. Ele deverá atentar para os pensamentos de desprezo e de crítica negativa em sua consciência. E deverá procurar cultivar pensamentos de devoção. Cada momento em que nos sentamos para observar em nossa consciência o quanto existe em nós de crítica desdenhosa, desfavorável e negativa sobre o mundo e a vida, cada tal momento nos aproxima mais do conhecimento superior. E nos elevaremos rapidamente se em tais momentos preenchermos nossa consciência só com pensamentos que nos encham de admiração, respeito e devoção para com o mundo e a vida. Quem possui experiência nesse particular sabe que cada um de tais momentos faz despertar, no ser humano, forças que de outra forma permaneceriam adormecidas. É desse modo que ao ser humano são abertos os olhos espirituais. Ele começa, assim, a ver à sua volta objectos que antes não era capaz de ver. Ele começa a compreender que antes só via parte do mundo ao seu redor. A pessoa que se lhe defronta mostra agora uma figura totalmente diferente da anterior. É verdade que esta disciplina ainda não o habilitará a ver aquilo que, por exemplo, se pode descrever como a aura humana, já que para tanto é necessária uma disciplina ainda mais elevada. No entanto, ele poderá elevar-se a essa disciplina superior desde que, antes, se tenha exercitado numa enérgica disciplina da devoção. 1 A entrada do discípulo no "caminho da cognição" ocorre sem ruído e desapercebida pelo mundo exterior. Ninguém precisa notar nele uma mudança. Ele cumpre seus deveres como antes; ocupa-se de seus negócios como outrora. A transformação ocorre meramente no lado interior da alma, a salvo da vista exterior. Primeiramente, toda a vida anímica do indivíduo é alcançada por aquela disposição devocional para com tudo que é verdadeiramente digno de veneração. Neste sentimento fundamental toda a sua vida anímica encontra o ponto central. Como o Sol vivifica com seus raios tudo que tem vida, assim a veneração vivifica todas as sensações da alma no caso do discípulo. No início, não é fácil ao indivíduo crer que sentimentos tais como respeito, estima, etc. tenham algo a ver com seu conhecimento. Isto provém do hábito de considerar o conhecimento como uma faculdade em si, que não apresenta ligação alguma com o que ademais ocorre na alma. Com isso não se leva em conta, porém, que é precisamente a alma que conhece. E para a alma, sentimentos são o que para o corpo são as substâncias, constituindo seu alimento. Se, em lugar do pão, dermos pedras ao corpo, sua actividade se extinguirá. Algo semelhante acontece com a alma. Para ela, veneração, respeito e devoção são substâncias nutritivas que a tornam sadia e vigorosa sobretudo vigorosa para a actividade do conhecimento. Desprezo, antipatia, depreciação dos valores que merecem conhecimento produzem paralisia e fenecimento da actividade cognitiva. Para o ocultista, tal facto é visível na aura. Uma alma que assimila sentimentos de veneração e devoção altera sua aura. Certos matizes espirituais de vermelho-amarelado, vermelho pardacento desaparecem, sendo substituídos por vermelho-azulado. Desse modo, porém, abre-se a faculdade cognitiva; ela passa a receber conhecimento de factos de seu ambiente, de cuja existência não tinha antes noção alguma. A veneração desperta uma força simpática na alma e através dela são,

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A iniciaçao rudolf steiner  

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