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Depois de 20 anos produzindo a Alô Tatuapé, após tantas homenagens aos moradores antigos do bairro que proporcionam estas edições históricas, vamos homenagear aqueles que deram vida a esses momentos marcantes.

as fotografias e os anúncios coloridos, logo nos fizeram decidir pelas capas e páginas centrais impressas em quatro cores.

As artes gráficas evoluíram muito e com elas as cores e as imagens. Umas não se dissociam das outras, nem nos nomes: gráfico, fotográfico. É através da arte dos antigos fotógrafos que hoje podemos vislumbrar o passado recente, desde que a fotografia foi criada. Ao seu lado caminharam os artistas gráficos, criando efeitos em sépia, colorizando as imagens em P&B com técnicas como a Litografia, tudo para dar um toque especial àquilo que já era muito bom para a época, onde a criatividade muitas vezes substituiu a tecnologia. O Alô Tatuapé passou por vários processos gráficos e fotográficos nestes 20 anos. Começou como jornal tablóide impresso em papel alta alvura, com apenas uma cor, sendo distribuído pela primeira vez no dia 15 de agosto de 1993, mas já tinha incorporada a tecnologia laser de fotocomposição em suas páginas, o que lhe dava um aspecto diferenciado e moderno. A vontade de ver

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Em junho de 1997, iniciamos as edições no formato de revista, ainda com a maioria das páginas em preto e branco, mantendo a impressão da capa e do caderno central em quatro cores. E foi então que numa outra homenagem, esta ao inesquecível Ayrton Senna, passamos à impressão em quatro cores em todas as páginas da publicação, editada em junho de 1999. Acompanhamos a evolução das artes gráficas e fotográficas e hoje estamos nas publicações instantâneas da internet e redes sociais. Mas queremos lembrar daqueles que nos proporcionaram através de sua arte, a possibilidade de registros dos momentos marcantes que veremos a seguir, nas próximas páginas, além de uma gama deles espalhados pelo mundo. Aos fotógrafos antigos e aos artistas gráficos que nos iluminam, a nossa singela homenagem. Para sua arte e criatividade o tempo é infinito.

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A história contada por quem viveu Sumário 5 – Apresentação 6 – Chácara da Família Bergamaschi 8 – Chácara Monte Belo de Ziccardi 10 – 1ª linha de ônibus do Tatuapé 12 – 1ª Missa rezada no bairro 14 – Jânio Quadros no Tatuapé 16 – São Paulo antigo: Trianon 18 – Dubeau e Marina: Históire d’amour 20 – Chácara Marengo 22 – Procissões do Bom Parto 24 – São Paulo antigo: Av. São João 26 – O idealismo de Carlos Sá 28 – Colaneri: Pais, esposa e amigos 30 – Jubileu de Ouro do Sampaio Moreira 32 – Chácara 1303 34 – Sorveteria do ‘seo’ Baptista 36 – 88 anos do Vila Paris F. C. 38 – São Paulo antigo: Av. Paulista Os textos e imagens utilizados na parte que versa sobre as Memórias de São Paulo, foram baseados na obra “Lembranças de São Paulo”, de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo (capa do livro abaixo), a qual recomendamos como excelente leitura aos apaixonados pela cidade.

Fotógrafos e artistas gráficos: Amor a arte. Na trajetória do Alô Tatuapé, ao longo destes 20 anos, montamos artes finais com cola benzina, utilizamos nanquim, estiletes e revelamos uma ou duas dezenas de milhares de fotografias 10 x 15 cm. Agora estamos na era digital. Para enviar uma revista à impressão gráfica gravamos em disquetes (vários modelos), zip drive, cds, pendrives e agora transmitimos, com alguns toques no teclado, dezenas de páginas através de conexões de fibra ótica. Evolução. Essa é a palavra para tudo o que se relaciona com as artes gráficas e fotográficas. Os processos evoluem de tal forma que é preciso estar constantemente atualizado para as voltas e reviravoltas dessas ferramentas da comunicação. Há anos as imagens em preto e branco colorizadas nos fascinam, observamos as ilustrações de livros antigos, mapas coloridos, quando na verdade o uso das tintas chegava a ser controlado devido aos perigos de possível má utilização. Esse desenvolvimento artístico passou pelo cinema e a televisão, pela fotografia e paralelamente às artes gráficas. Isso nos levou a questionar esses processos e convidamos o diretor das Escolas Senai e da ABTG, para fazer a apresentação desta edição que homenageia todo o requinte desses artesãos. Revolução. Esta outra palavra também pode definir tudo o que se sabia há 20 anos, 10, 5, 4, 3, 2, 1... As novas tecnologias, como a baseada no grafeno – um material derivado do grafite –, irão novamente revolucionar muito do que conhecemos hoje, em matéria de rapidez e flexibilidade, por exemplo. Porém, é preciso valorizar o trabalho daqueles que não se contentavam com o mínimo de qualidade possível, queriam mais, gostavam de desafios. A eles, aos artistas do século passado, a nossa singela homenagem e gratidão, através dos adereços e desenhos que ilustram as páginas desta edição. Gerson Soares Silva — Editor

São Paulo, 5 de Dezembro de 2013 X Edição Histórica – nº 165 – Ano XX

Revista Alô Tatuapé – X Edição Histórica - Memórias do Tatuapé e de São Paulo. Criação e produção de Alô São Paulo Comunicações Ltda. Tel.: 3542-2225 - www.alotatuape.com.br | alotatuape@alotatuape.com.br. Diretor-geral e Responsável: Gerson Soares Silva. Produção e Editoração: Alô São Paulo Comunicações. Comercial: Tel.: 3542-2225. Lida e vista por toda a família. Distribuição: Abrange os bairros do Tatuapé, Jardim Anália Franco e parte de Vila Formosa, Jardim Textil, Vila Santa Isabel, Vila Carrão, Penha, Belenzinho, Alto da Mooca e Água Rasa. As matérias assinadas não traduzem necessariamente a opinião da Revista Alô Tatuapé. A reprodução de matérias e anúncios só é permitida mediante nossa autorização por escrito. As fotos utilizadas na apresentação desta edição foram extraídas do material didático das Escolas SENAI - Theobaldo De Nigris e Felício Lanzara. Demais páginas, de arquivos pessoais e doadas ao acervo da revista e site Alô Tatuapé. A IX Edição Histórica, faz parte da obra Memórias do Tatuapé e de São Paulo e esta protegida pela Lei de Direitos Autorais. Publicada pelo jornal e revista Alô Tatuapé desde 1993, é expressamente proibida a reprodução de textos e imagens por quaisquer meios, inclusive por veículos de comunicação e internet, cuja divulgação total ou parcial só será permitida mediante autorização por escrito de Alô São Paulo Comunicações Ltda. A divulgação das imagens foram exclusivamente cedidas ou doadas para esta finalidade histórica. Permitido divulgação para pesquisas sócio-culturais, trabalhos escolares e didático-pedagógicos desde que citada a fonte: Alô Tatuapé e os nomes dos autores. Todos os direitos estão leis vigentes, os infratores estarão sujeitos às penalidades da lei. 7 preservados | Dezembro,segundo 2013 | as www.alotatuape.com.br


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Apresentação

Tecnologia gráfica: Passado, presente e futuro uando buscamos sinais das origens remotas do homem, tentando identificar o momento em que deixamos de ser irracionais, deparamos com maravilhosas imagens pintadas nas paredes das cavernas – moradias de nossos ancestrais. Além das ferramentas de pedra e osso, essas pinturas são o testemunho da cultura que já nos distinguia da natureza selvagem. Podemos dizer que a arte gráfica é uma das manifestações mais antigas do ser humano. Desde então muita tinta tem passado por penas, pincéis, prelos e impressoras digitais. A invenção dos tipos móveis por Pi Cheng, na China, e depois por Gutenberg, foram marcantes. O impacto do advento da imprensa por volta de 1.450 na Europa foi, sem sombra de dúvida, muito mais importante que o da internet nos tempos atuais. Em poucas décadas livros se multiplicaram em escala exponencial, permitindo o avanço explosivo do conhecimento e da educação. É difícil exagerar a importância da gráfica para a humanidade. A capacidade de comunicar ideias em larga escala é comparável ao domínio do fogo e à invenção da roda. A impressão evoluiu de processos artesanais para tecnologias de ponta, que usam digitalização, laser e nanotecnologia. No entanto, os aspectos artísticos permanecem, no design de livros, revistas, embalagens, materiais publicitários e tantos outros produtos gráficos. Grandes nomes da arte mundial dedicaram-se ao aprimoramento estético das imagens impressas. Hoje o design gráfico – a arte gráfica – está presente também nos sites de internet, tablets e mesmo nas telas dos celulares. Muitos profetizam que a impressão está com seus dias contados e será substituída pelas diversas mídias eletrônicas. É pouco provável. A necessidade humana de comunicação é tamanha e tão diversificada, que as novas mídias acabam se integrando às antigas, sem eliminá-las. Tem sido assim com o rádio, a televisão e o cinema, por exemplo. A mídia impressa é prática, eficiente, acessível. O impresso é mais ecológico que a mídia eletrônica – papel é produzido a partir de árvores plantadas ou manejadas de tal forma que as florestas destinadas à sua produção crescem e ao invés de diminuir. O desmatamento é causado por várias outras atividades econômicas mas nunca pela indústria de papel. Ao contrário dos eletrônicos, o papel impresso dura séculos e continua sendo legível. Quando descartado pode ser facilmente reciclado. A gráfica teve um passado glorioso, tem valor inestimável no presente e futuro promissor.

DIVULGAÇÃO

Manoel Manteigas de Oliveira Diretor da Escola Senai Theobaldo de Nigris Diretor da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica

Aspecto do Colégio Industrial de Artes Gráficas, inaugurado em 8 de Novembro de 1971; e a fachada das Escolas SENAI - Theobaldo De Nigris e Felício Lanzara em foto atual: 42 9anos dedicados à expansão e ao ensino das Artes Gráficas. | Dezembro, 2013 | www.alotatuape.com.br


Chácara da Família Bergamaschi

ALÔ IMAGE | ACERVO | DOADA POR SIDNEY BERGAMASCHI | ALÔ TATUAPÉ Nº 27 / AGOSTO – 1999

Tatuapé ainda não poderia imaginar que teria um crescimento tão vertiginoso e a vultosa valorização de chácaras e áreas antes esquecidas, que serviam como campos de futebol. A verticalização das moradias e outros tipos de empreendimentos, como os de condomínios empresariais, transformaram rapidamente o bairro rural e bucólico onde outrora as indústrias encontraram sua mão-de-obra, em área nobre da cidade de São Paulo. A junção das imagens permite observar o aspecto do local que abrange o quarteirão formado pelas ruas Cantagalo, Serra da Juréa e Emílio Mallet, onde ficava a chácara da Família Bergamaschi. Hoje, os edifícios tomaram o lugar de onde era possível enxergar a torre da igreja no Largo Nossa Senhora do Bom Parto, mas que nessa época já começava a se esconder atrás das novas construções que aos poucos surgiam.

Imagem do alto: Ao lado do automóvel, estacionamento na R. Serra de Juréa, o pequeno Itamar Bortoletto, Odair Bergamaschi e Fernando Bergamaschi. Interpondo as imagens, é possível ter uma ideia ainda mais ampla do local.

Rua Serra de Juréa, ano de 1959: A noivinha da foto acima é a artista plástica Yara Bortoletto, a última da direita é Duzolina Gatto Bergamaschi e a última do lado esquerdo é Wanda Bergamaschi Bortoletto.

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epois de prestar serviços durante 12 anos para a família Marengo, na plantação de uvas, Francisco Ziccardi – natural de Busso que fica na província italiana de Campobasso, região de Molise –, comprou uma gleba de terras entre as ruas Apucarana, Juqueri (que viria a se chamar Antonio Camardo) e Itapeti, num total de 12.500 metros quadrados. O agricultor investiu na plantação de laranjas, mexericas, ameixas do Japão e principalmente uvas, além de outras

frutíferas como os abundantes caquis. As uvas da Chácara Monte Belo abasteciam desde quitandas do Brás a hotéis do litoral paulista. Após anos de plantio, três geadas consecutivas determinaram o fim do seu vinhedo e a partir daí, Ziccardi resolveu transformar a chácara em vacaria.

Azevedo Soares, Francisco Marengo, Manuel Pereira, Mastropaulo, dentre outras, assim também Ziccardi, eram conhecidas por suas chácaras e também deixaram sua marca na história do bairro, graças a iniciativas e participações como na construção da Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, por volta de 1911.

Nesse empreendimento também obteve sucesso e chegou a fornecer leite para o então governador de São Paulo, Washington Luís. Mas não contente passou a cultivar hortaliças e dedicar-se mais às frutas.

Francisco Ziccardi foi um dos fundadores e presidente da Irmandade de São Vicente de Paulo, que ajudava pessoas necessitadas, colaborou para a implantação de ônibus no bairro e no ano de 1928, foi nomeado 3º Suplente de Delegado, cargo que manteve durante 50 anos.

Famílias como a de 11 |

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ALÔ TATUAPÉ Nº 120 / MAIO – 2007

ALÔ IMAGE | ACERVO | IMAGEM DOADA POR ANTONIO MANOEL PIMENTEL (NINO) |

Chácara Monte Belo de Francisco Ziccardi

Comemoração junina, Altos do Tatuapé – 1941: Esta fabulosa imagem histórica mostra a Rua Apucarana na esquina com a Rua Antonio Camardo (antiga Rua Juqueri). Repare nas crianças literalmente de pé descalços, expressão muito usada pelos imigrantes para lembrar de sua chegada ao Brasil. Muitos deles também tiveram humildade para celebrar seu sucesso graças ao árduo trabalho que empreenderam. Francisco Ziccardi e sua esposa Cecília Camardo são dessa época. O taquaral que precariamente pode ser visto na imagem ficava na Chácara Monte Belo e as pessoas são imigrantes e chacareiros.


ALÔ IMAGE | ACERVO | DOADO POR SIDNEY BERGAMASCHI | ALÔ TATUAPÉ Nº 29 / OUTUBRO – 1999

Comissão para pedir a 1ª linha de ônibus

té o final da década de 40, os moradores das vilas Azevedo, Gomes Cardim, Cidade Mãe do Céu e imediações eram obrigados a fazer uma longa caminhada a pé até a Avenida Celso Garcia para ter acesso ao transporte coletivo. Enfrentavam terra, poeira e nos dias chuvosos a lama, que lhes cobria sapatos e roupas. Formou-se então uma comissão de moradores dessas regiões que pugnou pela implantação de uma linha de ônibus para suprir essa necessidade. Esse trabalho

A foto de 1947 e a numeração que segue para designar cada um dos participantes, foi feita pelo bem humorado Sidney Bergamaschi, já falecido. Como o próprio assinalou na época, “os números faltantes são de pessos que não foram identificadas”. (sic!)

resultou numa grande vitória que foi a implantação da linha de ônibus nº 34, unindo a Praça Sílvio Romero ao Largo do Paissandu, no centro da cidade. Essa empreitada teve apoio de um político chamado Novelli Júnior em evidência na época, meados dos anos 1940, e também do candidato a vereador Marcondes Filho. 12 |

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A imagem acima mostra a reunião dessa comissão de moradores para o coquetel comemorativo, que foi realizado na residência do senhor Fernando Bergamaschi, na Rua Serra de Juréa, nº 31. Podemos identificar destacados moradores do Tatuapé que participaram daquela importante campanha.

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1 - Armando dos Santos Verde 2 - Rafael Correale 6 - Fernando Bergamaschi 8 - Elisa Bortoletto 9 - Duzolina (Dina) Bergamaschi 11 - Victório Ranna 12 - Alfredo Martins 14 - Novelli Junior 15 - Joaquim Martins (Quim) 16 - Wanda Bergamaschi Bortoletto 18 - Paulino Martos Filho (Nininho) 21 - Dalton Pastore 24 - Engº Werner 25 - Sidney Bergamaschi 26 - Arnaldo Barreto 27 - Mário R. Teixeira (Oca) 28 - Inspetor Mário Teixeira 29 - Júlio Alves Correia.


Largo São José do Maranhão e sua antiga capelinha ficavam no caminho para o santuário de Nossa Senhora da Penha de França e segundo as histórias contadas pelas famílias tradicionais, além dos dados eclesiásticos, a Capela Santa Cruz do Desterro era um local de parada obrigatório para os peregrinos e tropeiros que seguiam para o Norte. Em 1879, mais exatamente no dia 1º de maio e oficialmente no dia 10 do mesmo mês, foi rezada a 1ª Missa

de que se tem notícia no Tatuapé na antiga capela. Anos mais tarde, em 1940, o padre Alicio Ribeiro da Mota, lançou a pedra fundamental da atual matriz no dia 25 de janeiro, mas antes disso promoveu a construção de uma igreja, que erguida naquele logradouro conhecido como Maranhão, passou a se chamar Capela de São José e transformou-se em paróquia, tendo como primeiro vigário o padre Luiz de Faria Cardoso, que permaneceu até 1955. Por suas mãos foi dada a 1ª Comunhão da Paróquia em 1952. No dia 18 de dezembro de 1955, assume o padre Inácio

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Guarino que construiria a atual matriz e permaneceria na sua administração durante 25 anos, até seu falecimento em 1985. Depois de sua morte, a Paróquia ficaria dois anos sem sacerdote, sendo os fiéis atendidos pelos párocos da igreja Cristo Rei. O nome São José foi dado em homenagem a esse padroeiro e como já existiam outras igrejas com esse nome foi acrescentado Maranhão para diferenciá-la, ficando então o nome atual Igreja São José do Maranhão e sua paróquia, que no dia 25 de janeiro de 1990 comemorou o Jubileu de Ouro.

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ALÔ TATUAPÉ Nº 35 / ABRIL – 2000

ALÔ IMAGE | ACERVO | IMAGEM CEDIDA POR ORLANDO LARONGA

Santa Cruz do Desterro: 1ª missa do Tatuapé

Aspecto do Largo São José do Maranhão por volta de 1940/50: Capela de São José, que sucedeu a Capela Santa Cruz do Desterro, onde foi realizada a 1ª missa do Tatuapé em 1879. Na imagem, à frente da capela, vestindo batina, o padre Luiz de Faria Cardoso.


ALÔ IMAGE | PATRÍCIA PERRI | BRASIL 500 ANOS | ALÔ TATUAPÉ Nº 37 / JUNHO – 2000

Jânio Quadros em campanha no Tatuapé

início dos anos 1960, juntou instabilidade financeira e crise econômica. Os dois presidentes civis que sucederam Juscelino Kubitschek não conseguiram cumprir inteiramente seus mandatos, nem tampouco adotar todas as medidas propostas em campanha. Com a promessa de acabar com a corrupção, Jânio Quadros assume a presidência da República em 31 de janeiro de 1961. Herdando um país com alto índice inflacionário, tomou decisões que agradavam alguns setores e decepcionavam outros, entre elas o congela-

mento dos salários e do crédito, além de um novo modelo de política externa. Atos como a proibição do uso de biquinis nos concursos de miss – em alta na época tanto quanto a nova peça feminina – ou o uso de lança-perfumes nos bailes de carnaval deixaram marcas em sua carreira, assim como a comunicação através de bilhetes, copiando Winston Churchill, que usou esse método durante a II Guerra Mundial. Jânio teve uma carreira meteórica exercendo sucessivamente em São Paulo, os cargos de vereador, deputado, prefeito da capital e governador do estado, chegando à presidência da República em apenas 15 anos com a maior votação obtida até então no 14 |

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país: 5,6 milhões de votos. Uma das regiões onde Jânio Quadros sempre obteve expressivas adesões foi o Tatuapé, onde acorriam também outros políticos como Adhemar de Barros, sendo recepcionados com grande pompa e festa. No dia 25 de agosto de 1961, depois de numerosos fatos que em sete meses de seu governo ocorreram, o presidente renuncia, atribuindo o fato a “forças terríveis se levantaram contra mim”. Sua carta foi recebida no Congresso e a partir daí começava uma nova disputa pelo poder. Essa foi uma década politicamente conturbada, onde haveria um golpe militar e novas imposições viriam determinar os modelos adotados para a condução da nação brasileira. | www.alotatuape.com.br

Para varrer a corrupção: Jânio Quadros (no centro de terno escuro), ao lado de Percio Perri (de branco) morador do bairro, em recepção no Tatuapé organizada para receber o então candidato à presidência da República.

Certas, erradas ou polêmicas, as decisões de Jânio Quadros não podem ser tão ou menos criticadas quanto tantas outras tomadas nas décadas que seguem até hoje. O poder trocou de mãos, de partidos e regimes, mas o Brasil ainda não encontrou uma solução para se livrar da corrupção e a falta de interesse para que o povo realmente aspire dias melhores.


Trianon: Ponto de encontro do povo chic Belvedere Trianon da Avenida Paulista, imensa plataforma de onde dominava-se o panorama da cidade, era um dos passeios favoritos dos paulistanos. Trianon era um restaurante ali localizado, daí surgiu o nome. Com projeto de Ramos de Azevedo, foi inaugurado em 1916, pelo prefeito Washington Luís, com salão de festas, uma galeria e extensa pérgula que exibia uma estátua em cada extremidade. O salão era local de intensa vida social, reuniões, bailes e banquetes da alta sociedade: “O ponto de encontro do povo chic, com seus palácios fidalgos, com o Belvedere a cavalheiro de um panorama deslumbrante, de vastíssimos salões onde, em ágapes distinctos, reúne-se a nossa nobreza intelecutal e onde a sociedade paulista mais se faz admirar”, jactava-se a publicação oficial São Paulo, a capital artística na comemoração do Centenário, 18221922 (textos da época). Daqui foi dada a largada para a primeira maratona de São Silvestre em 1924, organizada pelo jornalista Cásper Líbero. No mesmo local do Trianon, demolido nos anos 1950, existe hoje o MASP, inaugurado em 1968. Ponto de bondes na Avenida Paulista por volta de 1920. À esquerda, o local onde atualmene se ergue o Museu de Arte Moderna de São Paulo Assis Chateaubriand (foto acima).

EDIÇÃO: ALÔ SÃO PAULO | IMAGENS, TEXTO E LEGENDA: “Lembranças de São Paulo – A CAPITAL PAULISTA NOS CARTÕES-POSTAIS E ÁLBUNS DE LEMBRANÇAS”, OBRA de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo, à venda nas boas livrarias, recomendamos.

Avenida e Túnel 9 de Julho, sob o Trianon, por volta de 1945. Note o apurado paisagismo e a feição elegante do Belvedere, onde posteriormente seria construído o MASP.

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oberto Dubeau, descendente de imigrantes franceses, nasceu na cidade praiana de Santos-SP, em 16 de setembro de 1926, e logo viria morar no Tatuapé. A chácara do seu pai, com 3.500 m2, ficava na Rua Coelho Lisboa, 347 e o fundo com a Rua Serra de Juréa. Nessa época o futebol fazia parte da vida dos rapazes e Dubeau jogava no Record F. C., cuja sede era um bar que ficava em frente à casa de Marina, uma bela morena por quem se apaixonou. “Ele ficava me paquerando, eu o conheci porque

sua família. Depois mudaram morava em frente ao bar para o número 260 da mesaonde o time que ele jogava ma rua. Apesar de residirem se reunia”, contou bem hunuma chácara, os dois não morada à Alô Tatuapé, Marina plantavam para vender. RoMoreno Dubeau, em 2007. Esse flerte, os levou ao berto alugava o espaço para noivado bem no dia de Santo outros plantarem e colherem, Antonio (13 de Junho), o santo pois sua profissão era a de casamenteiro. “A gente já naTapeceiro, pela qual ficou morava e o pai dele faleceu no bastante conhecido. dia 4 de abril de 1946”, lembra Dentre os filhos do casal, Marina e depois de tanto vários nasceram em casa. tempo brinca: “Ele precisava Sueli, 54, é uma das filhas casar, né?” E acrescenta: “A e contou como seus irmãos partir daí ele se tornou pai vieram ao mundo, assim como e mãe das duas irmãs e dois ela mesma. “A parteira chegairmãos, já que a mãe falecera va com uma maleta e quando quando ele tinha apenas 12 a gente ouvia a criança chorar, anos. Quem cuidou dele quanpensava que ela havia trazido do pequeno foi a dona Irinéia. o bebê naquela mala”, afirma. No ano seguinte os noivos “Os filhos que nasceram em se casaram e foram morar na casa, vieram à luz através chácara do marido até 1957, da parteira Iracema que era aonde começaram a formar diplomada”, resume Marina. 16 | Dezembro, 2013 | www.alotatuape.com.br

ALÔ TATUAPÉ Nº 120 / MAIO – 2007

ALÔ IMAGE | ACERVO | IMAGEM CEDIDA PELA FAMÍLIA DUBEAU |

Dubeau e Marina: Histoire d’amour

Roberto Dubeau em sua bicicleta na Praça Sílvio Romero, 1946 – A foto foi dada à sua futura esposa Marina (no destaque), quando começaram a namorar naquele ano, mas também ajuda a conhecer a história da praça. A construção que aparece era a casa da chácara de Toninho Teimoso (assim conhecido). Estendia-se da Rua Tuiuti até as proximidades da Rua Coelho Lisboa, note-se a cerca. O arvoredo chegava até a Rua Cantagalo, nessa direção a próxima chácara era a da Família Camardo.

Do amor de Roberto e Marina nasceram 12 filhos, que geraram 24 netos e destes mais 9 bisnetos, até 2007! Uma verdadeira história de amor.


do Tatuapé, escritas por imigrantes de várias raças, transformando a região em um lugar especial para morar.

o momento em que preparávamos esta matéria, no mês de abril de 2007, nos Altos do Tatuapé – assim chamados pelos antigos –, o bairro estava sendo premiado com mais um lançamento imobiliário de alto padrão.

digno de um local agradável de se viver. Com este lançamento, mais uma transformação acontece nos Altos do Tatuapé. Agora, pondo fim a mais uma parte brilhante da história iniciada por Benedito Marengo em 1887.

Dessa vez na esquina das ruas Azevedo Soares e Monte Serrat num terreno de 15.000 m2, onde no inicio do século XX, ainda havia uma parte da chácara da família Marengo.

Durante anos a família Marengo empolgou a todos com suas parreiras, transformando o local em uma lenda pura da viticultura e baseando-se na convivência com a natureza, fez da região a pioneira na produção de uva Niagara (de mesa) no Brasil.

“Um empreendimento

Muitas histórias iguais a esta aconteceram durante os séculos XIX e XX nos Altos 17 |

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Aqueles que se empolgaram com as parreiras da família Marengo, não são os mesmos que vão se fascinar com a grandeza do empreendimento. Mas podemos ter certeza, foram 120 anos de uma historia com um começo e um final brilhantes. Nós que vimos parte disso acontecer podemos dizer: ‘Valeu Benedito Marengo’.” Texto de Artur José da Costa. Edição Alô Tatuapé

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ALÔ TATUAPÉ Nº 84 / MAIO – 2004

ALÔ IMAGE | ACERVO | IMAGEM DOADA POR JOÃO C. MARENGO DEZ 1999 |

Valeu, Benedito Marengo!

Final da década dos anos 1920 – Visita de autoridades à Chácara Marengo (da esquerda para a direita): Cesar Marengo, o secretário da Agricultura de São Paulo Fernando Costa (criador do Parque da Água Branca), o presidente do estado de São Paulo Julio Prestes, Francisco Marengo e o senhor Pires do Rio, prefeito da cidade. O nome do imigrante italiano, um dos pioneiros na produção de vinho em São Paulo é Benedecto Marengo, assim como de seu filho é Francesco. Por força de expressão, no bairro eram conhecidos como Benedito e Francisco Marengo. Este texto difere daqueles historiados, onde as impressões foram descritas por Artur, que realmente as viveu.


IMAGENS E FONTE INFORMATIVA: “Lembranças de São Paulo” de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo

São Paulo antigo: Av. São João

A antiga Ladeira do Açu, depois da Rua São João Batista, foi alargada a partir de 1911, transformando-se na Avenida São João. A chácara que pertenceu ao Comendador Luiz Antônio de Souza Barros foi loteada para que se abrissem parte da Avenida São João, o largo e a Travessa do Paissandu, a Rua do Seminário e a Praça do Correio.

dos, que existiam em toda a extensão da avenida, davam um charme todo especial ao lugar que viveu dias de grande sucesso

e foi o centro de toda uma área da cidade, quando a antiga Ladeira do Açu começou a se tornar sede da vida noturna paulista.

Na década de 20, os canteiros centrais ajardina18 |

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Av. São João: Nesta imagem de 1920 (colorizada com técnica litográfica), no sentido da Praça Antônio Prado, observa-se os “carrões” e um bonde que cruza a avenida. Abaixo, à esquerda, na mesma época, numa vista obtida da Praça Antônio Prado, canteiros centrais ajardinados que existiam em toda a extensão da São João. À direita, já com intenso tráfego de automóveis, vista das proximidades do cruzamento com a Rua Líbero Badaró, por volta de 1950.


Procissões do Largo N. Sra. do Bom Parto

uando o padre Konrado Müller, assumiu o lugar de vigário da Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, passou a levar os fiéis a diversas atividades. Era extremamente rigoroso, um tanto incomum para os padres daquela época. Um bom exemplo disso era a procissão do Santíssimo. Padre Konrado exigia que o itinerário alcançasse todas as ruas que limitavam a paróquia e os fiéis tinham que estar bem preparados fisicamente para percorrer tão longo trajeto. A procissão saía da igreja e seguia

pela Rua Azevedo Soares, descendo pela Rua Francisco Marengo. Entrando na Rua Melo Freire (atual Radial Leste), seguia até a Rua Bom Sucesso e finalmente voltando à Rua Azevedo Soares. O trajeto demorava mais de 3 horas para ser cumprido e os mais idosos sofriam para completálo; isso quando não precisavam parar antes da chegada à igreja. O que mais se ouviam eram as reclamações dos fiéis. Cada procissão era formada por diversas irmandades e seguia a formação: Cruzada Eucarística (crianças, lado a lado, em fileiras); Filhas de Maria (conduziam a imagem de Nossa Senhora do Bom Parto); Congregação Mariana (homens vestidos com túnicas 19 |

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características da época, que conduziam a imagem de São Luiz Gonzaga); Apostolado da Oração (mulheres, normalmente idosas, que conduziam a imagem do Sagrado Coração de Jesus); Liga Católica Jesus Maria José (homens que transportavam o andor com as imagens de Jesus, São José e Maria); Associação do Santíssimo; Vicentinos. Por último, seguia uma banda, tocando as músicas adequadas a cada procissão. A segunda menina (da esquerda para a direita) vestida de anjo é Inês, filha de Irinéia Vilhiotti Martarello, que durante 62 anos foi organista da igreja. Seu marido, Domingos Martarello, aparece à esquerda da foto de terno elegante,

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1950: Procissões eram rígidas, cumpriam um longo percurso e tinham até banda de música. A comunidade da Igreja Nossa Senhora do Bom Parto percorria todas as ruas compreendidas pela paróquia, recebendo as orações e o carinho dos moradores.

carregando o chapéu. Os moradores que não seguiam com a procissão, esperavam ansiosamente a sua passagem pelas ruas do bairro. Muitos destes moradores, colocavam imagens em suas portas e janelas, enquanto outros decoravam as ruas com flores.


ALÔ IMAGE | ACERVO | ALÔ TATUAPÉ Nº 58 / MARÇO – 2002

Carlos Sá: Nascido sob o signo do idealismo

alar do senhor Carlos só seria possível através de um livro que descrevesse tantas atividades quanto ser poeta, esportista, escritor da peça A Ciganinha, fundador do Grêmio Urca, idealizador e presidente da Sociedade Amigos do Tatuapé dentre tantas outras atividades que só pessoas com muita qualificação são capazes de exercer, dentre elas a bondade, caridade e ter humildade para isso. Um líder atento com quem outros líderes sentiam-se lisongeados em poder partilhar ideias e ouvir as sábias palavras. O bairro pelo qual ele

tanto se empenhou e amou é grande, mas suas obras também tiveram grande valor. Foi diretor-social do Clube dos Lojistas da Tuiuti e Celso Garcia, presidiu a Associação Parque do Piqueri, onde criou as provas de corrida, lançou o 1º Torneio de clubes de Bocha no G.R.E.C. Santa Maria e também fez parte do Grêmio Ivaí em 1945. Foi membro da Casa do Tatuapé, Grupo da 3ª Idade, com nº 103 e dentre outras iniciativas trabalhou por mudandas nos pontos de ônibus para beneficiar a população do bairro, além disso, é obra de Carlos Sá, a regularização do estacionamento no Cemitério da Quarta Parada. Suas aspirações eram várias, mas a principal era 20 |

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que o Tatuapé tivesse a sua própria administração regional. Ver este bairro crescer diariamente em São Paulo é maravilhoso, diria ele. A chegada do progresso em suas ruas e o crescimento do comércio encheriam o peito do nosso querido trabalhador de emoção, e certamente ele diria: “Eu também participei disso. Trabalhei muito para conseguir”. Lutador, foi fruto de boa árvore, era sinônimo de garra e coragem. Seu pai, Romualdo Pinto de Oliveira Sá, foi ex-combatente da Revolução de 1932, e com certeza Carlos herdou do pai esse amor pela Pátria. Sua presença e seu estilo de vida, são um exemplo para todos que trabalham por um Brasil melhor.

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Presença marcante nos principais acontecimentos do Tatuapé, Carlos esteve presente na ianuguração da Sala do Pré-mirim da E. E. 1º Grau Erasmo Braga, assim chamada na época. Nesta antológica imagem de 1975, cedida por Carlos Sá ao acervo da Alô Tatuapé, vemos entre professores e convidados, em primeiro plano, os então deputado estadual Ricardo Izar e o vereador Alfredo Martins (de terno claro e o 5º da esq.p/dir. respectivamente); os senhores Vicente Matheus (de terno azul marinho e calça clara), Dinael e Carlos Sá (de terno marrom); atrás do vereador, que usa camisa, está o Prof. Waldir e ao seu lado, de terno, o Delegado da 7ª Delegacia de Ensino Prof. Joaquim Torres.


iovanni e Rosa Colaneri, moradores do Largo Nossa Senhora da Conceição, são os pais de Antonio Colaneri, que na década dos anos 1920 posou para a foto no colo da mãe; hoje com 94 anos, o Xixa, apelido pelo qual ficou conhecido, mora na Rua Tuiuti. Naquela época, o Tatuapé lembrava uma típica cidade interiorana e o aspecto das

ruas e praças que conhecemos hoje era de descampados e chácaras, com caminhos de terra. Antonio Colaneri brincou na praça que passaria a se chamar Silvio Romero e jogava bola em frente de sua casa, que ficava onde estão localizadas duas farmácias atualmente. Ele ajudou a fundar alguns times de futebol, entre eles o conhecido Futebol das 5as que em 2010 completou 50 anos. Mas a lista de times, onde sempre era escolhido como Capitão, é extensa. Tido como jogador de extrema habilidade 21 |

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ALÔ TATUAPÉ Nº 16 / SETEMBRO 1998

ALÔ IMAGE | ACERVO

ALÔ IMAGE | ACERVO | ALÔ TATUAPÉ Nº 12 / MAIO 1998

ALÔ IMAGE | ACERVO | ALÔ TATUAPÉ Nº 16 / SETEMBRO 1998

Antonio Colaneri: Pais, esposa e amigos

e condicionamento físico jogou no Record F. C. e também foi co-fundador do Futebol das 4as, ao lado do amigo de sempre Antonio Fabiano, em 1984. Sua esposa Deolinda Colaneri acompanhou sua carreira, suas paixões e atualmente ambos sentiram lado a lado, o peso que a idade exerce. Estiveram unidos, recebendo o carinho dos amigos e dos filhos, até que no dia 10 de Novembro dona Deolinda partiu para uma outra morada, levando em seus sonhos o amor que recebeu dos entes queridos.

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Residência do senhor Nicola Camardo no Largo Nossa Sra. do Bom Parto, Maio de 1998: Antonio Colaneri (Xixa) com sua esposa Deolinda, os amigos Antonio Fabiano (à esq.), Nicola e sua esposa Elizabeth Ádua Camardo e Carlos Sá. Eles foram os modelos e posaram para a foto de capa da Alô Tatuapé (foto acima à esq.). Aqui uma pausa para a homenagem da revista Alô Tatuapé e dos amigos, à dona Deolinda que faleceu no dia 10 de Novembro deste ano. Aos seus familiares e especialmente ao Xixa, o carinho de todos. Giovanni e Rosa Colaneri, pais de Antonio Colaneri, em foto de 1930, no quintal de sua casa que ficava na atual Praça Sílvio Romero. Praça Ituzaingó – Campo de Futebol famoso, que pertenceu ao Record F.C. onde jogaram craques da várzea, entre eles o Xixa. Beque elegante que aparece à direita da foto.


ALÔ IMAGE | ACERVO | DOADO POR E.C. SAMPAIO MOREIRA | ALÔ TATUAPÉ Nº 71 / ABRIL – 2003

Gardenghi e Romão no Jubileu do Sampaio

rmando Gardenghi foi um dos mais representativos presidentes do E. C. Sampaio Moreira, ocupando o cargo nove vezes até seu falecimento em 9 de março de 2003, quando seus familiares e o clube lhe prestaram homenagens de carinho e agradecimento. Em suas várias gestões fo-

ram promovidas reformas importantes, como a da sede do clube e compra de terrenos, participando ativamente no Jubileu de Ouro do Sampaio Moreira em 1979. Conhecido muito mais como Jacaré, do que pelo próprio nome de batismo, também ocupou o cargo de diretor do então Centro Educacional e Esportivo do Tatuapé (CEET), que fica entre as rua Monte Serrat e Apucarana na esquina com 22 |

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a Radial Leste (endereço da antiga Chácara 1303), onde se destacou promovendo benfeitorias. Dentre suas obras estão a reforma de vestiários, piscinas, luminárias, cercas das quadras e a instalação da pista de automodelismo. Ajudou a viabilizar a construção da sede do Posto de Escoteiros e manteve o campeão de Boxe Baltazar como professor no CEET.

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1979: Armando Gardenghi e Romão no salão do clube. Jacaré corta o bolo comemorativo do Jubileu de Ouro do E. C. Sampaio Moreira. O tatuapeense aparece em inúmeras imagens (mais de 50) durante a história do clube. Na compilação de imagens feita para a Alô Tatuapé em 2003, seu neto Tadeu Gardenghi fez questão de participar e prestar sua homenagem ao avô. Ao lado do Jacaré está a senhora Margarida, atrás o querido Carratu e de terno marrom (à esq.), Osvaldo de Freitas, um dos mais antigos presidentes do Sampaio.


arece que à Rua do Ouro lhe foi dado esse nome para namorar com a Rua Platina, que paralela fica logo abaixo. Assim diria o poeta e completaria: Seria como o Ouro e a Prata, o Sol e a Lua, o Queijo e a Goiabada. “Casa do Aluno, que tinha como anexos Bazar e Papelaria, dos quais se serviam principalmente os alunos do Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo. Era a conhecidíssima sorveteria do seo Baptista. Lembrome que havia também por ali uma cancha de bocha,

uma das primeiras do Tatuapé”, assim descreveu Sidney Bergamaschi. A sorveteria ficava próxima à esquina da Rua Cel. Luís Americano e a rua que passou a chamar-se Padre Estevão Pernet, ainda chamava-se Rua do Ouro nessa época. À esquerda da foto podemos ver alguns cachos de bananas na calçada e um caixote com palha. “É que aí ficava a quitanda do Jacinto e sua esposa Palmira”, informou Sidney em Maio de 2000. Segundo o amigo, cuja narrativa está entre aspas e exatamente como foi escrita para a reportagem, “o bom da Casa do Aluno era o sorvete e o estabelecimento ficou mais conhecido como Sorveteria do seo Baptista, onde se destaca23 |

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vam os sorvetes com sabor de coco, coco queimado e esquimó. Este último com cobertura de chocolate. Na foto aparecem (da esquerda para a direita) Fernando Bergamaschi (pai do Sidney), o segundo não consegui identificar, Menésio Dias Prata (funcionário da Prefeitura), o Inspetor Mário Teixeira, Benjamim Baptista (o famoso seo Baptista) e Oswaldo Baptista (Dico, seu filho) um dos fundadores do Cruzeiro do Sul F. C., tradicional clube do Tatuapé. A menina da esquerda é a Carminha, filha caçula do seo Baptista, a da direita não pude identificar. Esses pioneiros tiveram grande participação no desenvolvimento do bairro e estavam sempre envolvidos em movimentos visando | www.alotatuape.com.br

ALÔ TATUAPÉ Nº 37 / JUNHO 2000

ALÔ IMAGE | ACERVO | IMAGEM DOADA POR SIDNEY BERGAMASCHI |

Sorveteria do Baptista na Rua do Ouro

Sidney Bergamaschi, era querido por todos. Tinha um senso de humor irônico e quando pedimos para que identificasse as pessoas na foto, ele respondeu sorrindo: “O Sidney tem excelente memória, o problema é que às vezes ele não se lembra das coisas”, lamentando não ter identificado todos os que aparecem na imagem, produzida entre o final da década dos anos 1940, início dos 50, do século passado.

melhorias para a região. O Baptista disputou uma cadeira de vereador na Câmara Municipal de São Paulo, sem todavia obter sucesso. Note-se que a rua ainda não era asfaltada, o que ocorreu no final da década dos 50”.


ALÔ IMAGE | ACERVO | DOADO POR MARIO VALONGO | ALÔ TATUAPÉ Nº 67 / DEZEMBRO – 2002

A Chácara 1303 de João e Maria

Década dos anos 1960: Aspecto da Chácara 1303, ao fundo vemos as casas da Rua Apucarana, onde hoje só existem prédios. Dona Maria Herdeiro (em legenda dada por ela mesma à foto): “Estava pedindo ao Alípio que tirasse as hortaliças do sol”. Próximo à entrada da casa de João e Maria, seu filho mais velho Alípio, ao lado do engenheiro Mario Valongo, observam a brincadeira de Adriano (professor) e Ernesto (também engenheiro) na época em que eram estudantes.

Chácara 1303 tinha muitas entradas e era formada pelo quadrilátero hoje compreendido entre a Radial Leste e as ruas Apucarana até a Tijuco preto, virando na Monte Serrat, seguindo até a Radial Leste e novamente contornando até a Apucarana; uma grande área de onde muitos imigrantes tiravam seu sustento,

plantando basicamente hortaliças que vendiam no CEASA ou no Mercado Municipal de São Paulo (Mercado da Cantareira). Existem muitas histórias sobre o local. Dentre esses imigrantes há também a história de João Herdeiro e Maria, sua esposa. Ele nascido em Cerejais, Portugal e ela também portuguesa, casaram-se depois que João passou a se corresponder com Maria através de cartas. Meses depois enviava uma Procuração que garantia

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o casamento e também sua viagem ao Brasil. Felizes tiveram três filhos: Alípio, Izilda e Acássio. João havia chegado pouco antes ao Brasil, em 1950, e logo fora trabalhar no Mercado da Cantareira. Pouco tempo depois, um de seus fregueses ofereceu-lhe um espaço de 25.000 m2 no Tatuapé (na Chácara 1303) e o português veio conhecer a terra. “O susto maior foi quando ele me pediu 42 contos pela chácara. Eu não tinha

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aquele dinheiro, mas decidi que aquela terra seria minha. E comprei-a”. Até 1972, a família Herdeiro plantou e colheu couve, espinafre, cenoura, salsa, cebolinha e almeirão, que vendiam nos entrepostos citados. A partir daquele ano o local foi transformado no parque que conhecemos hoje.


IMAGENS E FONTE INFORMATIVA: “Lembranças de São Paulo” de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo

São Paulo antigo: Av. Paulista

antiga trilha de boiadeiros, depois conhecida como Rua da Real Grandeza e, finalmente, como Avenida Paulista, ficava em terrenos que foram adquiridos em 1890 pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima e seus associados, para realizar um empreendimento imobiliário. A região foi demarcada, urbanizada e ligada por bondes ao resto da cidade. Recebeu tratamento urbanístico inspi-

rado nas avenidas européias, sendo arborizada com ipês roxos e amarelos, magnólias e plátanos. Foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891, com três quilômetros de extensão e três faixas de trânsito: para carruagens e cavaleiros, pedestres e bondes. Transformada em uma das regiões mais nobres da cidade, sediou os palacetes dos barões do café e os casarões rodeados por grandes jardins particulares, dos imigrantes enriquecidos na indústria e no comércio, com sofisticados projetos de arquitetura da Belle Époque num grande

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ecletismo de estilos, como o art noveau, o mourisco e o neoclássico. A partir da década de 50, a Avenida Paulista adquiriu importância como via de serviço e comércio e entrou em acelerado processo de verticalização, com a demolição dos antigos casarões e a construção de edifícios comerciais e residenciais. Nos anos 70, a avenida é o endereço preferido para a instalação da matriz de grandes bancos, empresas multinacionais e para a construção de modernos e ousados arranha-céus.

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A mais paulista das avenidas nas proximidades da Av. Brigadeiro Luis Antônio, em 1911. Localizada numa região alta, muitas casas ostentavam torreões. Essas estruturas eram construídas acima dos telhados e serviam como mirantes para contemplar o panorama. Ainda é possível ver alguns torreões na região da paulista, consolação e em outras partes da cidade.


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Alô Tatuapé | 10ª Edição Histórica - Memórias do Tatuapé e São Paulo  

Esta é a 10ª edição histórica publicada pela revista Alô Tatuapé, resultado do trabalho contínuo do jornalista Gerson Soares, há 25 anos pes...

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