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El flamenco Abril/2013 — Nº 12

Grupo de Dança Tablado www.grupotablado.cjb.net

Editorial A dança, a alegria e a partilha Ela veio e me pediu: escreve o nosso próximo editorial? Perguntei: escrever sobre o quê? Com um riso, entre discreto e escancarado, que lhe é tão familiar, respondeu: sobre dança, porque é o mês da dança! Quase já tentando escapar, completei: mas… sobre dança? Sobre o quê, especificamente? E ela, com o sorriso já mais largo e dando o convite por aceito: sobre o que você quiser! Não é nada muito grande nem complexo, e você pode escrever sobre o que você quiser. Então tá, aceitei. Já que tenho um tempinho, e alguma liberdade, tudo bem, vamos tentar. E eis-me aqui, escrevendo um editorial. Nos dias que se seguiram, mapeei infinitas possibilidades de escrita: falar sobre caminhos percorridos, agruras e prazeres de uma sina em comum (tipo “a dança, pra mim, é…”), mercado de trabalho (ou ausência dele), formação, técnicas, linguagens, resistência, política cultural, enfim, um sem-número de dizeres possíveis. Mas quando perguntei-me sobre o que efetivamente gostaria de falar ou dizer sobre dança, no mês em que ela tanto se evidencia, percebi que gostaria de falar, dessa vez, não só para os que admiram a dança, somente, e vêem nela um horizonte de vontade, ainda que um pouco distante. Gostaria de falar não só, também, para os “profissionais da dança”, aqueles que dela levantam seu sustento. Mas gostaria de falar, sobretudo, para aqueles que praticam a dança; para aqueles que de forma amadora ou profissional, realizamse e refazem-se cotidianamente no seu potente exercício afetuoso. Gostaria de falar em desejo, aquilo que nos faz mais fortes em nossas aspirações e criações.

No campo do desejo, duas questões me surgem: o que nos faz mover e o que movemos, em nós e no mundo. Aquilo que nos faz mover, é o que se conecta com o melhor em nós, o que ativa nossa potência e vontade no mundo, o que nos faz romper com qualquer paralisia. E aquilo que movemos, em nós e no mundo, é nossa capacidade de invenção, de criação de novos possíveis. Ao dançar, não movemos somente nosso corpo, mas também nossa subjetividade e memória, reviramos tudo o que fomos, somos e ainda seremos. E também tocamos no que nunca seremos. Um artista nunca é sua obra, é tudo o mais que cria e transforma, e a imanência disso: tudo o que nunca vai criar e nem transformar. Compor: fazer parte de; formar, constituir, pôr em ordem; constituir-se em...O que torna um movimento especial a ponto de virar dança é minha insistência em não perdê-lo. Exercício de contrários: disciplina e flexibilidade, firmeza e tolerância, humildade e impetuosidade, paciência e urgência, intuição e conhecimento, generosidade e egoísmo, cumplicidade e solidão. E isso tudo, pra mim, tem a ver com alegria. Porque mais do que movimento, é isso que a dança propicia: produção de alegria, em mim e no mundo. Tal e qual decretou Oswald de Andrade, em 1928, no seu Manifesto Antropófago: a alegria é a prova dos nove! Que esse seja um mês, portanto, que intesifiquemos a produção de alegria, em nós e no mundo, que nos tornemos cada vez mais hábeis na partilha daquilo que nos move e do que fazemos mover, porque a dança é uma experiência que se revela maior, quão mais compartilhada seja! Andréa Bardawil Coreógrafa


Linha do Tempo

Dica da Vez

No dia 14 de Outubro de 2006, o Grupo de Dança Tablado estreava o espetáculo ECOS DE ANDALUCIA, no Theatro José de Alencar, com a brilhante participação do nosso querido amigo Marcelo Rodríguez, bailaor e coreógrafo mineiro, que veio a Fortaleza também para ministrar um Workshop de Flamenco de 09 a 13.10.06.

RONDEÑA

Ecos de Andalucia vem de terras distantes, de terras benditas, com a força do tempo e traspassando tudo que se diz ser fronteira, ecoa um sussurro, uma resposta, uma denúncia, um grito... Chega até nós em forma de inspiração e desperta o que já temos no sangue: a Dança. Transformamonos em seres dançantes, independente de raça, crença ou sexo, vestimo-nos de coragem e expomos nossa emoção através dos movimentos. Somos irmãos! Somos “gitanos”! Somos fortes, orgulhosos da nossa história sofrida, de lutas e conquistas. Não cedemos às dificuldades, não deixamos que ninguém determine o que somos. Somos dançantes, somos amantes e queremos mostrar de que fibra nossa história é construída: Paixão! Dança! Flamenco! Tablado! Ecos de Andalucia! Ecos de nossa Alma! Sob a Direção de Graça Martins, participaram desse espetáculo os dançarinos: Adriana Leite, André Forte, Carlos Pereira, Fábio Lessa, Graça Martins, Jonatas Ferreira, Júlio César, Marlene Veras, Paulo Rifane, Raissa Martins, Raquel Sales, Regina Mesquita, Solange Pincella e Viliane Bento. Como convidados: Ligência Duate, Lívia Lisboa, Lúcia Helena e Sandra Geroldo.

Alguns especialistas sugerem que o nome Rondeña, pela própria etimologia da palavra, vem das “rondas noturnas”, que faziam os enamorados cantando para sua amada. Mas a corrente mais forte afirma que o nome se baseia exclusivamente na cidade de Ronda, localizada nas fronteiras entre as províncias de Cádiz e Málaga. As Rondeñas pertenceram primeiro ao Cancioneiro Popular Andaluz, antes de aflamencar-se definitivamente e tem sua origem nos Fandangos Malagueños, especialmente os “bandolás”. Estebanez Calderón, já em 1847, em referência à Rondeña, falava de “voltas e mudanças do baile”, o que nos leva a pensar que esse gênero foi bailado, antes de aflamencar-se. A Rondeña é considerada por Luque Navajas como um fandango antigo, que se tem conhecimento e se espalhou pela região de Andalucia no século XIX, mas o ritmo evoluiu ao longo dos tempos e se tornou mais lento do que se conhecia anteriormente, e suas letras sempre retratam a vida rústica. Miguel Borull, padre, aparece como pioneiro da Rondeña para guitarra e mais tarde Ramon Montoya se encarregou de ampliar esse modelo. Já no século XX, outros intérpretes conhecidos como Manolo Sanlúcar, Fosforito, José Menese e Cándido de Málaga trouxeram em seu repertório a Rondeña. Porque el aire corre limpio, Las matas Del vestisquero Nacen fuertes y brayías; De allí le traigo Romero A la compañera mia. Rondeña de Manuel Velázquez Karine Falcão

Contribuíram para esta Edição: Aloísio Menescal, Graça Martins, Karine Falcão, Lívia Parente, Raissa Martins e Vicente Leite. Contribua enviando textos, fotos ou dicas culturais para o e-mail

groumartins@yahoo.com.br


De Olho na Saúde Afinal estalar as articulações faz ou não faz mal? Há quem goste da brincadeira de estalar os dedos das mãos ou se contorcer na cadeira até a coluna estalar, há quem faz disso um hábito às vezes até um vício gerando uma compulsão constrangedora. Mas afinal o que são os famosos “trec trecs” das articulações? As articulações são os pontos de encontro de dois ossos. Todas as articulações do nosso corpo são lubrificadas por um líquido sinovial. Quando você estala seus dedos, faz com que os ossos da articulação se separem. Quando eles se separam a diferença de pressão forma bolhas no líquido sinovial, através de um processo chamado cavitação. Quando a articulação é bastante alongada, a pressão na cápsula diminui tanto que essas bolhas estouram, produzindo o barulho que associamos ao estalo dos nós. É por isso que não conseguimos estalar a mesma articulação várias vezes, pois é preciso esperar um tempo para que a articulação volte ao normal. Então o barulho vem do líquido e não dos ossos. A maior dúvida que as pessoas tem em relação a isso é se estalar as articulações faz mal. Se o ato de estalar as articulações não gerar dor então não há com o que se preocupar. Agora, se ao gerar um estalo suas juntas doerem, aí sim, é motivo para se preocupar, pois alguma instabilidade articular está sendo gerada ou então você está com um déficit na produção desse líquido sinovial, cujo papel principal é proteger suas articulações.

você estalar seus dedos ou sua coluna sempre que sente cansaço e faz isso para alívio das tensões tudo bem, só evite fazer isso repetidas vezes, como por exemplo, mais de 3 vezes ao dia. O ato repetido pode causar instabilidade articular ou estimular a produção se formações ósseas como osteófitos (bico de papagaio, esporão calcâneo...) E quanto ao fato de engrossar os dedos por estalar muito, não se preocupe, pois trata-se de um mito. As juntas ficam mais grossas com a idade e não com o ato de estalar. Mas porque sentimos tanto alívio nas articulações quando estalamos os ossos? O fato se explica pelo alívio de tensões musculares. No momento do ato de estalar normalmente é feito um alongamento de certas fibras musculares o que gera alívio das dores. Não tema pelos estalos se eles não gerarem dor está tudo nos conformes, mas se suas articulações doem nesse momento o melhor é procurar um ortopedista para diagnosticar o problema. Lívia Parente Fisioterapeuta e RPGista

Se você tem uma compulsão por estalar a coluna, o pescoço ou os dedos, isso também é motivo de preocupação, afinal qualquer compulsão é prejudicial. Se

Onde Estamos? Colégio Espaço Aberto Av. Dom Luis, 730, Aldeota Contatos: 9951.3788 / 8742.3214 / 8897.7624 AULAS REGULARES: As inscrições para principiantes estarão abertas até 30 de abril, nos horários: Segundas e Quartas: INICIANTE - 17h30 às 19h AVANÇADO - 19h às 20h30 Terças e Quintas: INFANTIL - 16h às 17h30 (a partir de 8 anos) INTERMEDIÁRIO - 17h30 às 19h e 19h às 20h30 Sábados: INICIANTE - 9h às 11h

Nós em Foco Temos muito o que comemorar!!! O espaço do Carlinhos, nosso querido Pereira, já está funcionando de vento em polpa, e se chama “Espaço Fitness”, olha só que chic! Lá você pode manter sua saúde corporal fazendo Ginástica e Stap. Visite esse Espaço, fica localizado na Travessa Rita Correia S/N, Bairro Centro, na cidade de Ocara. Haja estrada pra lá e pra cá!!!! O espetáculo “Graça - Evidência 1 de Percurso”, será apresentado no SESC Santo Amaro (São Paulo), no dia 11 de abril, com Graça Martins, Andrea Bardawil e Sâmia Bitencourt. Arrasem meninas!!!


Compartilhando E o ano começou com tudo para o TABLADO! Estamos nos preparativos para os 20 anos do grupo e os ensaios estão bombando. Mas já? Sim, afinal não é todo dia que se comemora um marco desse! E como a prática gera perfeição nossos ensaios já começaram e estão bem intensivos, nossos pés que o digam. Mas no final todo o esforço valerá a pena e vai tudo lindo! E vamos que vamos que temos muito trabalho pela frente!

Ouro da Casa É com muito carinho que homenageamos esse mês uma pessoa muito especial. Ela é aquele tipo de pessoa que desperta o gostar gratuito, sem razão e sem motivo aparente. Mas eu lhes digo que não tem nada de gratuito nesse sentimento, pelo contrário, ele é cuidadosamente plantado e cultivado com muita atenção, amor e pequenas atitudes que mudam o sentido de tudo. Ela é a pessoa mais acessível, disponível, atenciosa e carinhosa que você já conheceu e tudo isso não é alarmado nem gritado aos sete ventos, só os sortudos (tipo nós!) que tem o prazer e a honra de conviver com ela, podem descobrir e se encantar com essas qualidades. Estamos falando de você, Raquel. Raquel! Raqueeel! Ah, chama de Welch que ela atende. Brigada por tudo que você faz, por tudo que você é e por tudo que você representa pra gente, viu? Sua linda!

Cantinho do Leitor "Há cerca de um ano era inaugurada uma iniciativa bela e necessária no campo da dança. A publicação do periódico El Flamenco ocupou um vácuo que pairava diante dos olhos de milhares de pré-apaixonados pelo ritmo espanhol - todo mundo é apaixonado pelo flamenco, mesmo antes de vê-lo/ouvi-lo/senti-lo. Mantido pela contribuição pessoal de membros dos grupos de dança Tablado e Al Andaluz, El Flamenco virou assunto a partir da visão de alguns poucos, mas hoje já toca os corações de muitos. Prova disso são as mais de sete mil visualizações que a publicação online ganhou no ano que passou. Mais do que registrar minha opinião sobre a importância da publicação ou suas estatísticas de leitura, venho aqui para agradecer pela oportunidade de integrar a equipe responsável por este trabalho. É um prazer saber que pude contribuir com uma pequena parte desta iniciativa - já que dançar não é meu forte. Obrigado aos grupos e a Graça Martins. Quem sabe não aprendo a tocar castanholas e não ajudo a executar a trilha de um espetáculo, no futuro. Abraço em todos." Aloísio Menescal Jornalista


O que vem por aí? O dia D da Dança O dia 29 de abril foi instituído pela UNESCO como o Dia Mundial da Dança em 1982 e homenageou nesse ano o francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), por ser seu aniversário. Dançarino, coreógrafo e escritor de dança, revolucionário em suas concepções, rompeu com regras da tradição clássica e criou novas regras para o ballet. Esse ano a Dança será celebrada não somente no seu dia, mas por todo o mês de abril em nossa cidade. A Associação de Bailarinos, Professores e Coreógrafos de Dança do Ceará (Prodança), o Fórum de Dança do Ceará, Artistas, Companhias, Grupos e Coletivos, promovem vasta programação, denominada DanCidade, que estará presente em vários pontos de Fortaleza, aberta ao público. Dia 02 às 18h - Exposição Personalidades da Dança, na Galeria Ramos Cotôco, no Theatro José de Alencar, cujo acervo será cedido pelo Museu da Imagem e do Som (MIS-CE). Ainda dia 02 às 19h – Apresentações Artísticas no palco principal do Theatro José de Alencar. Dias 04, 05, 06 e 07 às 19h – Apresentação de Solos e Duos – Teatro Morro do Ouro, Sala de Dança e Sala de Canto do Theatro José de Alencar. Dia 11 às 9h – “Discutindo a Dança: Lei do Artista – O que precisa ser mudado?” Convidados: Oscar Roney – Sated, Humberto Cunha – Advogado e Pesquisador, Denise Parra – Professora Dança UFC, acontecerá na Vila das Artes Dia 26 às 19h – Apresentações Artísticas no palco principal do Theatro José de Alencar. Dia 29 de 8:30 às 12h a tradicional DANCEATA, que acontece todos os anos, e sairá da Reitoria (UFC) até a Praça do Ferreira, onde haverá uma aula de balé e várias performances que ocuparão a praça. Convidamos todos os artistas, professores, grupos, cias, coletivos e o público em geral para fazer parte dessa corrente.

Momento UUUUIIII!!!! E o vento levou... Ops, não foi o vento, foi a Rá mesmo! Durante um dos ensaios pro espetáculo Labor, eis que a menina não se conteve diante de tanto amor e resolveu demonstrar todo o seu carinho pela mãe, acariciando seus cabelos no meio da coreografia! Pode? Não pode! O resultado foi esse click super engraçado e inusitado que não poderia parar em lugar melhor, né? Uuui!

Cumpleaños Feliz! Nossos parabéns e nosso carinho especial, esse mês vão para: Dia 08 André Forte (Tablado) Dia 09 Raquel Sales (Tablado) Dia 24 Leila Filgueira (Al-Andaluz) Dia 28 Paulo Rifane (um querido amigo)

Nosso Parceiro:


Click e Arte - Ecos de Andalucia


El Flamenco 12  

El Flamenco é um periódico mensal dos Grupos de Dança Tablado e Al Andaluz Danza.

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