Issuu on Google+

El flamenco Março/2013 — Nº 11

Grupo de Dança Tablado www.grupotablado.cjb.net

Editorial Mulheres do Brasil, mulheres do mundo! Como quase tudo no mundo, o dia Internacional da Mulher foi oficializado por um grito de liberdade, um manifesto popular em homenagem às mulheres carbonizadas em 1857 na cidade de Nova Iorque. Na época a repercussão não foi intensa, pois os tempos eram outros. Tempos esses em que a sociedade regida por um sistema militar e patriarcal, impedia que os direitos igualitários fossem exercidos e elas que só queriam melhoria salarial e diminuição de carga horária excessiva, foram trancafiadas e queimadas à morte. Falando assim, parece que remontamos aos tempos da Inquisição, onde as mulheres tidas como bruxas, por falarem com espíritos ou mesmo aquelas que produziam remédios caseiros, eram incendiadas em praça pública. Veja bem, estamos nos referindo ao século XIX e ainda hoje vemos brutalidades como a fatalidade do dia 8 de março de 1857. A data foi então reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1975 onde mais de 100 anos depois o mundo resolve abrir os olhos para a luta das mulheres que buscam direitos iguais. Mas e hoje? Vivemos em uma sociedade igualitária? A emancipação da mulher durante anos foi assunto debatido em convenções, congressos, escolas, universidades, e até mesa de bar. Lutamos durante anos por igualdade salarial, espaço no mercado de trabalho, direitos trabalhistas, reconhecimento profissional e pessoal e respeito. E conseguimos? Em pleno século XXI ainda ouvimos e vemos notícias que arrepiam qualquer um: mulheres sendo violentadas pelos companheiros, demissões por gravidez, executivas que ganham menos que homens, exercendo o mesmo cargo nas empresas, preconceito profissional e muitas outras barbaridades. A lei Maria da Penha entrou em vigor por uma barbaridade realizada àquela que leva seu nome e que lutou judicialmente contra a violência dentro da própria casa. Quantas operárias de fábrica ou Marias da Penha deverão sofrer mais nesse mundo, para que algo seja feito a respeito? E o mundo segue girando. Como tudo na vida tem dois lados, essa emancipação toda não nos trouxe tantas regalias assim. Assumimos mais papeis, somos mulheres donas de casa, mulheres que trabalham para ajudar nas despesas, mulheres mães que precisam educar seus filhos e ensinar as tarefas quando chegam do trabalho, mulheres esposas que precisam cuidar do bem estar do relacionamento, mulheres que cuidam da saúde e precisam se Onde Estamos? Colégio Espaço Aberto Av. Dom Luis, 730, Aldeota Contatos: 9951.3788 / 8742.3214 / 8897.7624

cuidar porque o tempo não é nada amigo delas, mulheres que precisam impor seus objetivos e ideais e as tarefas só se acumularam, ao meu ponto de vista. Pergunto-me se as mulheres dos anos 50 não eram mais felizes, viviam dentro de casa, “brincando de casinha e de boneca” literalmente. Viviam lindas em seus corpos acinturados e cabelos impecáveis. A casa sempre muito arrumada e as conversas de vizinhas eram sempre uma troca de receitas ou uma competição benéfica de quem tinha a casa mais arrumada. Mas e os direitos? Estudar em uma universidade já era estranho para os padrões da época, trabalhar fora, então, nem pensar. Violência dentro da própria casa também existia, mas era acobertada para não envergonhar os familiares perante a sociedade. Mudou realmente alguma coisa de lá pra cá? Conquistamos algumas coisas ou apenas somamos obrigações? Hoje, podemos e devemos estudar e nos especializar. Trabalhar fora é uma questão de necessidade, pois se foi o tempo em que uma pessoa conseguia manter a casa e uma família toda. E os direitos? Podemos realmente falar que 50 anos depois as mulheres deixaram de ser bonecas de luxo e viraram super heroínas? A culpa não é dos homens, não sejamos feministas a tal ponto de julgá-los. A culpa é da sociedade como um todo, das empresas que deixam de pagar salários igualitários e que desrespeitam o desejo de ser mãe, das mulheres violentadas que se calam e não denunciam seus agressores, da sociedade que impõe padrões de beleza cada vez mais altos, das que se calam perante calúnias e difamação. Sejamos sim vitoriosas nessa luta eterna, pois o mundo ainda não acordou para a real igualdade social, não só com as mulheres, mas também com homossexuais, deficientes físicos e mentais, classes menos favorecidas e pessoas com cada etnia e fé que existe. Parabéns a todas as mulheres guerreiras e heroínas e aos homens que as têm e valorizam! Lívia Parente Fisioterapeuta, RPGista, massoterapeuta, professora de reforço escolar, dançarina de flamenco, maquiadora em formação e dona de casa, filha, tia e namorada.

Nosso Parceiro:


Linha do Tempo O ano de 2006 foi de muitas atividades para o Grupo de Dança Tablado. No mês de agosto realizamos mais um Workshop Internacional com o professor e coreógrafo José Manuel Palácios, que teve participação no espetáculo “Aire Andaluz”, realizado no dia 12 de agosto, no Theatro José de Alencar . Aire Andaluz trouxe para o público, um pouco do que se respira nas chamadas “Feiras de” Abril”, região de Andalucia: alegria, cor, beleza, espontaneidade, manifesto nos seus bailes, canções e outras expressões da brejeirice peculiar aquele lugar. Participaram desse espetáculo os dançarinos: Adriana Leite, Anderson Costa, André Luis, Carlos Pereira, Fábio Lessa, Graça Martins, Júlio César, Marlene Veras, Nádia Lustosa, Paulo Rifane, Raissa Martins, Raquel Sales, Regina Mesquita, Solange Pincella e Viliane Bento. Como convidados: Clerton Martins, Felipe Ferreira, Jonatas Ferreira, Ligênia Duarte, Lívia Lisboa, Lúcia Helena e Sandra Geroldo.

Dica da Vez LIVIANA A "luz", como o próprio nome sugere, era uma canção que foi usada como alívio aos pastores que muitas vezes pastoreavam o rebanho por caminhos difíceis, então entoavam uma melodia leve para tornar o trabalho menos árduo. É um cante da família das Siguiriyas e dos Martinetes que contamos assim: e1e2e3ee4ee5... São lineares, ou seja, conseguimos contar toda a melodia em um só ritmo, ele não acelera em nenhum momento da música, então são mais fáceis de bailar do que as Siguiriyas, por exemplo. São cantes mais leves, mais curtos e simples, com temas rurais e pastoris, que serviam apenas para aliviar o trabalho pesado. Segundo alguns pesquisadores a Liviana era originalmente uma Toná e conforme as Tonás não recebiam acompanhamento de guitarra, outros acreditam que a Liviana é uma canção intermediária entre a Siguiriya e a Serrana que é cantada em linha ou romanceada. A la orilla del río yo me voy solo Y aumento la corriente con lo que lloro. Y si me vieras, y si me vieras Lástima te causara, dolor te diera. Dicen que "tó" lo bueno cuesta un "sentío" Que sabrás tú que cuesta "toíto" lo mío Que estoy pasando por esta buena gitana "Toíto" lo que tengo. Si Me Vieras, Miguel Poveda Segundo o dicionário, liviano significa “O burro que vai na frente do trem” ou “luz” ou ainda “cantam com guia”, sendo que esta última tem sua explicação no fato de que os cantaores usavam as Livianas para começar cantando melodias mais simples e suaves, e depois continuar com outros estilos mais difíceis, quase sempre as Serranas, terminando com um poderoso palo quase sempre Siguiriya. Igual à maioria dos cantes flamencos a Liviana se tornou conhecida na metade do século XIX, mas em destaque temos Pepe de La Matrona como o cantaor que resgatou as Livianas em 1956 (comercialmente), sendo Antonio Mairena quem elevou o ritmo a um cante independente, e a partir daí a Liviana não mais foi usada para introduzir outros palos. Karine Falcão

Cumpleaños Feliz! Nossos parabéns e nosso carinho especial, esse mês vão para: Adriana Melo 06.03 (Tablado) Júlio César 20.03 (Tablado)


De Olho na Saúde RELAXA! Vivemos em um mundo repleto das palavras estresse, cansaço e correria. As milhões de tarefas que acumulamos se somam durante as nossas horas úteis e com a correria do tempo deixamos de ter aquele tempinho para relaxar. E nosso corpo vai cansando, vai acumulando células fatigadas pelas toxinas, afinal de contas precisamos descansar. E por incrível que pareça para muitos a palavra “relaxamento” parece algo impossível. Muita gente fica em estado de “vigília” nos momentos de descanso, o que é considerado maléfico para a mente e para o corpo. Ah como seria bom se pudéssemos ter as tão sonhadas 8 horas diárias de sono, ter tempo para o trabalho, para a família, para fazer uma atividade física, para ler um bom livro, para conversar com um amigo, para namorar, para estudar uma nova língua... o dia precisaria ter no mínimo 30 horas não é mesmo? E nessa maratona, tenho certeza que muitos dos nossos leitores dirão: “Eu consigo fazer tudo isso”! E tem mesmo gente que é capaz de fazer tudo isso e muito mais. Mas a pergunta é: Até quando nosso corpo vai aguentar tanto estresse físico e mental? Saiba que seu corpo somatiza tudo que você traz para ele, quer sejam coisas boas e ruins. Não que manter uma vida altamente ocupada seja ruim, mas é preciso ter um equilíbrio entre as atividades de grande esforço mental e físico. É preciso parar para relaxar em algum momento do seu dia. E existem várias formas de relaxar.  Alongue-se durante a rotina do trabalho e respire fundo, isso vai oxigenar suas células e seu cérebro ficará mais ativo para continuar trabalhando bem. Já sabemos que músculos alongados são músculos saudáveis.  Faça alguma atividade física que lhe dê prazer. É muito ruim fazer algo por obrigação, se vai para academia só porque sabe

que é preciso se exercitar procure outra atividade física, faça um esporte, procure uma dança que você se identifique. O que não falta é opção.  Tire alguns minutos para você onde não precise pensar em nada que exija a palavra responsabilidade. No começo pode parecer difícil, mas com o tempo você se acostuma. Para alguns isso se chama MEDITAR.  Tome um bom banho, enquanto isso pense em coisas boas. Imagine todo seu corpo descansado naquele momento, e respire bem fundo. A respiração é a base de muitas técnicas como Yoga, Pilates, RPG, acupuntura, portanto execute-a. Não é a toa que respirar fundo em um momento de grande estresse pode evitar uma catástrofe.  Faça massagem relaxante regularmente. Existem pontos de tensão em nosso corpo que somam as tensões diárias como os ombros, mãos e pés, que retraídos podem causar lesões musculares. Se você não pode fazer massagem com um profissional não se desespere, faça uma auto-massagem nos seus pés, ou peça para o (a) companheiro (a) para te ajudar. Mas lembre-se: não espere a dor para começar, a prevenção é o melhor remédio.  Fazer terapia também ajuda nos momentos de estresse. Um terapeuta pessoal pode te indicar técnicas e métodos eficientes para o seu caso. O mais importante é não dar tanta importância aos problemas, afinal todos nós os temos e importante é saber lidar com eles. Aprenda a relaxar e seja mais feliz, tenha mais qualidade de vida, dê saúde física e mental a si mesmo! Lívia Parente Fisioterapeuta, RPGista e massoterapeuta

O que vem por aí? PONTO.CE O maior Festival Independente de Artes Integradas do Ceará, amadurece em sua 7ª edição trazendo a música, a dança e o audiovisual para sua programação; diluindo fronteiras, aproximando e conectando o público ao evento. São diversas zonas de atuação. Protagonistas que conversam e convergem em seus percursos: público, artistas, incentivadores, pensadores, produtores, aprendizes, técnicos e linguagens artísticas; ilhas na rede que crescem dentro do mercado cultural ocupando espaços geográficos, sociais e imaginários dessa sociedade contemporânea. O evento acontece de 07 a 10 de março no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e Sesc Iracema com Música, Dança e Audiovisual. Curso Técnico em Produção de Eventos Culturais O curso se apresenta como espaço de organização, formação e qualificação de produtores, com o objetivo de atender a demanda existente de profissionais qualificados para atuarem na área de desenvolvimento de projetos e programas culturais. Todas as ações do projeto são gratuitas. Inscrições até o dia 15 de março. Maiores informações Mais informações: Quitanda das Artes – Agência e Produtora Cultural. (85) 3235-4063 / quitandaproducao@gmail.com Espetáculo Só - Edisca "SÓ" expõe o comportamento de nossa solidão, os encontros e desencontros, as falas ininteligíveis, o ritmo descompassado dos desejos, as tensões, os cansaços, o flerte com a promessa de liquidação de nossa solitude. A solidão em SÓ encharca, povoa, solve e provoca. Apresentação ocorrerá na Praça Verde do Dragão do Mar, dia 10 as 19:00 e a programação é GRATUITA! VII Festival das Artes Cênicas. O Centro Cultural Banco do Nordeste, em mais uma parceria com o Ministério da Cultura, recheará o seu mês de março com vários espetáculos teatrais que passearão do drama a comédia. A programação será do dia 16 a 27 de março em Fortaleza, Cariri e Sousa. Mais informações: https://www.facebook.com/ccbnb


Compartilhando O Grupo Al-Andaluz Danza, formado pelos alunos dos professores Graça Martins, Raissa Martins e Fábio Lessa, estrearam o espetáculo “Grabo”, no Teatro Antonieta Noronha (Secultfor), nos dias 22 e 23 de fevereiro. Detentores de profunda força “gitana”, eles transformaram o processo de aprendizado num verdadeiro “show”, despertando a singular expressividade dos “duendes”, com uma garbosidade que atinge os cinco sentidos, numa potência oculta, que se apodera do corpo e da alma. Parabéns aos nossos queridos alunos. Vocês nos enchem de orgulho!

Ouro da Casa No mês das mulheres, ninguém melhor do que ela pra representar todas nós com toda a pompa e circunstância que merecemos. Ela que é garra, força e intensidade, mas que também é coração, doçura e colo de mãe. É isso que ela é, mãe de todos nós, mãe do nosso amor e da nossa família escolhida a dedo. Ela que, além de tudo, ainda é linda! Sim, estou falando de você, afinal, quem mais é lindo aqui? Agradeço hoje em nome de todos, simplesmente por você existir e ser exatamente como você é, em cada traço e em cada detalhe. Acima de tudo, agradeço por podermos fazer parte da sua vida e ocupar um lugar especial nesse coração tão grande e amoroso. Obrigada por ser uma mulher tão... tãããão desnecessária, Graça

Contribuíram nesta Edição: Aloísio Menescal, Graça Martins, Karine Falcão, Lívia Parente, Raissa Martins e Vicente Leite. Contribua enviando textos, fotos ou dicas culturais para o e-mail groumartins@yahoo.com.br

AULAS REGULARES: Segundas e Quartas: INICIANTE - 17h30 as 19h AVANÇADO - 19h as 20h30

Terças e Quintas: INFANTIL - 16h as 17h30 (≥ 8 anos) INTERMEDIÁRIO - 17h30 as 19h INTERMEDIÁRIO - 19h as 20h30 Sábados: INICIANTE - 9h as 11h

Cantinho do Leitor

Momento UUII!!

Admiração pelo que está distante, saudade do que não vivi e consequente inveja de uma lembrança que a mim não cabe. É o que sinto ao ler o lírico editorial d’El Flamenco 10, poeticamente escrito pelo multitarefa Oswald Barroso.

Ana Hickman que se cuide! Depois desse ensaiio sensual fotográfico e a la carvão de churrasqueira, o sucesso foi total e absoluto.

Vítima, talvez, da época em que nasci, da falta de apreço pelos ritmos atualmente predominantes no período carnavalesco e da falta de ritmo que me amarra as pernas, nunca vivenciei este carnaval de beleza caótica, de igualdade e de libertação.

Enquanto todo mundo aguardava ansioso pelo famoso churrasco de Natal, nosso churrasco boy parou tudo, fez carão e... todo mundo caiu na gargalhada!

A saudade apaixonada do folião ali expressa, creio que contagiou cada leitor deste jornal – este aqui, eu tenho certeza.

Pereira, seu palhaço, o momento ui é seu! E em dose dupla de clicks!


Click e Arte - Aire Andaluz (Grupo Tablado)


El Flamenco 11