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Editora responsável Daniela Carrara Conteúdo Daniela Carrara e Alessandro Carvalho Projeto gráfico, arte e diagramação Daniela Carrara

(dandanhiphop@hotmail.com)

Colaboradores de Fotografia: Marcos Pequeno “Portal Tattoo”, Ricardo Kafka, Sergio Deatchuk, Luca Cassara venda de anúncios: tattoodigital@gmail.com

Foto Capa: Christian Pfammatter Modelo: Miss Ivi


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Miguel Bohigues 8 โ€ข ADT

Por Daniela Carrara


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iguel Bohigues, 32 anos, pode ser definido como um cara que ama e vive para a arte, que é sua grande paixão. Gosta de viajar pelo mundo, compartilhar experiências com outros tatuadores e ver como os gostos pela tatuagem variam de acordo com a cidade e o país. “Com a tatuagem posso misturar minhas paixões, o cinema, fazendo alguns curtas sobre tatuagens e as pessoas que conheci em todo o mundo”. Agora Miguel vai se dedicar à escultura, mas para isso precisa arrumar mais tempo.

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Qual a sua especialidade na tatuagem? Para mim cada estilo tem algo de especial, mas o estilo que me sinto mais confortável para fazer é o Realismo. Onde moro, as pessoas têm a pele mais escura, então prefiro aplicar o Black & Grey, que ficará mais bonito na pele. Eu gosto muito também de tatuagens com temas de filmes e estilo chicano. Há quanto tempo você trabalha como tatuador? Eu comecei em 2004, no Vtattoo, o estúdio da Verônica. Dois anos depois, ela abriu outro estúdio e eu trabalhava nos dois. Hoje, Verônica é minha esposa e minha companheira de viagem. Foram 9 anos bem intensos, nós estamos viajando muito para vários países e conhecendo muitos artistas. Desde o início, o nosso estudo teve muita aceitação por parte dos clientes, sempre temos um monte de trabalho, mas ano após ano, os clientes têm-se multiplicado, e agora somos cinco pessoas no estúdio. Não há nada melhor do que trabalhar com uma boa equipe de profissionais. Como você começou a tatuar? Sempre me senti atraído pelo desenho e sempre desenhava quando era criança. Eu amava os quadrinhos e todos os tipos de desenho. A tattoo é uma arte dinâmica, está sempre em movimento e uma boa tattoo sempre será arte, a qualquer hora e em qualquer lugar. A tattoo veio para minha vida por acaso, mas agora é a forma de arte que eu gosto. Trabalhar duro e ter dedicação sempre nos dá uma recompensa. Fale um pouco sobre a tatuagem na Espanha Cada dia mais, a tatuagem se espalha na Espanha, e muitas pessoas se tatuam. Há 10 anos não era tão normal. Antes, trabalhávamos com tatuagens pequenas e médias, mas a Espanha mudou muito. Agora, a primeira tatuagem que o cliente pede é um braço fechado. Eu assisti a evolução das pessoas que procuram a qualidade, uma obra-prima em suas peles e estou muito feliz por essa evolução na Espanha e com nossos clientes.

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miguel bohigues Você conhece ou já ouviu falar de algum tatuador brasileiro? Sim, Sylvio Freitas, Ganso, Minero, etc… no Brasil há excelentes tatuadores! Em 2015, gostaria de ir para alguma convenção no Brasil, eu escuto muitas coisas boas sobre o Rio de Janeiro, a cidade mais bonita do mundo. Além de ser um artista da tatuagem, você tem alguma outra atividade profissional? Não tenho tempo para outra profissão, porque dedico todo o meu tempo para tatuar e desenhar. Viajo muitos meses pela Europa e nunca tenho tempo. Mas eu amo fazer esculturas! Eu pintei muitos quadros, mas para a escultura eu ainda não encontrei tempo, talvez em dois ou três anos. Outra paixão é o cinema, eu adoro! Faço vídeos (curtas) que eu possa ver no Youtube ou vtattoo.es. Quais são seus artistas preferidos? Eu gosto de muitos artistas: Boris, Robert Hernández, José López, Dimitri Samohin, etc… Hoje em dia existem muitos tatuadores em todo o mundo que para mim são fantásticos, e hoje eu aprendo um pouco com cada um. Quais são seus planos para o futuro? Eu quero viajar para a América no próximo ano, para que conheçam mais do meu trabalho e eu quero aprender outras formas de tatuagem. Em 2015 vamos fazer uma turnê pela Europa, América e Ásia. Viajar é uma ótima experiência. Quero agradecer à revista TattooArt por esta entrevista, agradeço à minha esposa por seu contínuo apoio, à minha equipe por estarem sempre comigo, e a todas as pessoas que confiam no meu trabalho. Para conhecer mais do artista acesse: www.vtattoo.es

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30 anos Natural do interior de São Paulo, de São José dos Campos   5 anos e meio de profissão

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diego mickey Conte um pouco sobre seu passado e como aprendeu a tatuar. Sou grafiteiro desde 1998 e assim comecei a minha carreira artística. Mas desde criança eu gostava de desenhar, sempre desenhei, mas nunca tive oportunidade de entrar numa escola de desenho. Meus pais nunca me apoiaram para desenhar ou ir numa escola de artes para aprender; na real, meu pai sempre falava para eu estudar coisas “normais” ao invés de desenhar. Me formei técnico eletrônico pelo SENAI e, anos depois, técnico projetista mecânico pela ETEP, trabalhei por três anos e meio na Johnson & Johnson, em São José dos Campos, na produção de fraldas. Fiz o que meus pais gostavam e o que a sociedade aceitava, era um cidadão normal, mas não estava feliz, pois felicidade mesmo era quando eu vivia só do graffiti. Quando trabalhei na Johnson & Johnson eu conheci a tatuagem, levei um amigo tatuador para fazer um graffiti, um dia, e ele curtiu demais e virou grafiteiro também, e depois disso ele falava que queria retribuir o favor me ensinando a tatuar. Mas meu  pai é muito “old school”, nunca aceitou cabelo grande, tattoo, brinco e lá em casa sempre respeitamos meu pai. Eu já tinha 23 anos de idade quando comecei a colecionar tattoo no meu corpo, fiz uma pequena no meu bíceps na parte de dentro do meu braço pra esconder do meu pai (ahahaha) e ele foi o primeiro a ver e falar pra minha mãe que é muito religiosa e falou um monte de merda pra mim (hahaha), foi foda esse dia (ahahha). Um dia, levei um amigo na loja do meu amigo tatuador e fiz nele a primeira tattoo, foi uma carpa free hand na perna, e até que por ser minha primeira tatuagem ficou legal, e nesse dia minha vida começou a mudar. Comecei a trabalhar na loja do meu

Diego Mickey amigo, depois de alguns meses. Tatuei lá um ano aprendendo e fazendo tattoos pequenas e comerciais e saí da fábrica porque eu estava mais feliz tatuando e grafitando, até que fiz uma viagem de férias para a Austrália e foi quando minha vida mudou completamente. Como você definiria seu estilo? Meu estilo? (hahaha) ainda estou procurando. Já fiz muito tribal, escrita, tattoozinhas de verão, new school, old school, oriental etc. Acho importante aprender um pouco de cada estilo, porque se você se limitar a um só estilo você pode ter a sorte e o privilégio de ser procurado para fazer só o que você é especialista, mas no dia a dia de uma loja de tattoo é totalmente diferente dos reality shows da TV,  é totalmente diferente da vida dos rock stars da tattoo que fazem só o que eles querem e são procurados pra fazer só o estilo específico deles (não é o

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diego mickey meu caso). Temos contas a pagar, aluguel, comida, roupa e se você não puder fazer diferentes estilos talvez vá ter dias que não vai trabalhar, então tento aprender um pouco de cada estilo para poder ser o mais completo possível. No momento, estou mais focado no realismo e trabalhos com menos linhas e mais sombras, com luz, contraste e volume.

celente, aqui ninguém quer ser melhor do que ninguém. Claro que tem uns e outros que se acham a última bolacha do pacote, mas a grande maioria que eu conheci são super gente boa, ninguém briga por causa de troféu em convenção (hahahaha). Todos elogiam e incentivam uns aos outros. Acho a vibe daqui muito boa e muito forte entre os artistas.

Há quanto tempo você vive na Austrália e por que resolveu se mudar? Moro na Austrália há quase cinco anos. Eu vim de férias por quatro meses e não imaginava que essas férias seriam permanentes.

Você encontrou muitas dificuldades para se adaptar? E como você foi recebido? Eu nunca aprendi inglês no Brasil, aprendi a falar aqui. Foi muito difícil no começo, comida diferente, costumes diferentes, mas como todo bom brasileiro guerreiro, nada que a força de vontade não supere. Fui recebido muito bem graças a Deus e depois de dois meses na Austrália comecei a trabalhar numa loja de tattoo bem pequena e sempre fui respeitado. Alguns que encontrei foram preconceituosos por eu ser da América do Sul e eu mostrei a eles que humildade e educação são as armas pra quebrar as pernas de qualquer preconceituoso. Outro dia, recebi a mensagem de um brasileiro que eu nem conheço me agradecendo. Ele me disse que foi procurar emprego e o australiano que o entrevistou disse que me conhecia, e que eu mudei a visão que ele tinha dos brasileiros. Era um dos meus clientes! Fiquei feliz porque quando estamos fora do Brasil representamos o Brasil, em qualquer lugar e situação. Achei legal demais, pois isso mostra uma pequena sementinha do bem que plantei e gerou um fruto.

Como é o seu estilo de vida e a sua relação com os tatuadores estrangeiros? Minha vida é uma caixinha de surpresas (hahahaha). Vivo a vida sempre da melhor forma que eu posso, meu pai me ensinou a ser trabalhador, honesto e ter atitude de homem desde cedo. Hoje eu vivo aqui num país de primeiro mundo onde valores e estilo de vida são totalmente diferentes do que aprendi no Brasil. Vivo num país muito seguro, onde podemos andar na rua a qualquer hora do dia e ninguém vai te assaltar ou te sequestrar. As casas, na grande maioria, não têm portão nem cerca elétrica, as ruas são limpas, as pessoas são educadas e respeitam o próximo, claro que tem exceções, mas nada comparado ao Brasil. Aqui tem somente 25 milhões de habitantes e na grande maioria, ninguém vai te julgar pelas tatuagens que você tem. Aqui é cultural ser tatuado, a grande maioria de 18 a 70 anos é tatuada; o gerente do banco onde tenho conta tem tattoo no pescoço, vários policiais têm os braços fechados em tattoo. Vivo feliz e sossegado sem ter medo de violência ou da policia. Na Austrália, os artistas e tatuadores são muito respeitados, igual a um engenheiro, médico ou um oficial de justiça no Brasil! Aqui, o artista é altamente respeitado e valorizado. Minha relação com os tatuadores daqui é ex-

Em relação à tatuagem, quais as diferenças de trabalhar no Brasil e no exterior? Ah..., o Brasil é um país muito bom, mas muito atrasado e com a mente fechada demais para vários aspectos. Na tattoo não poderia ser diferente! Eu acho que a união faz a força, mas pelo que eu vejo no Brasil a galera gosta de dividir ao invés de multiplicar, subir um degrau pisando na

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diego mickey cabeça de outro, brigar por causa de troféu em convenção, se autojulgar melhor que o outro. Fui ano passado ao Brasil duas vezes, para duas convenções internacionais, uma em Belo Horizonte e outra no Rio de Janeiro, e me senti superdesrespeitado pelo público na convenção me perguntando se eu queria pele? Como assim, se eu quero pele? Muito feio, artista se desvalorizando colocando placa no stand: preciso de pele. Fiquei arrasado e triste porque a convenção de tattoo, que deveria ser uma confraternização, se tornou uma competição, um campo de guerra onde cada um quer provar que é melhor do que o outro. Isso é ridículo e só faz a cena da tattoo andar pra trás. Eu participei de mais de vinte convenções internacionais em diferentes países e vi a união e a camaradagem da galera. Um querendo aprender com o outro, a convenção de tattoo é  uma escola, quem for esperto vai e aprende. Eu aprendi muito com grandes nomes da tattoo, uma vez na Nova Zelândia eu estava vendo o Nikko Hurtado tatuar e comecei a perguntar umas coisas sobre a tattoo e ele me respondeu na maior humildade, me deu uma aula, e eu evoluí mais aquele dia. Quando conheci o Ganso Galvão em Sidney, na Austrália, ele me deixou assistir ele trampar e perguntei várias coisas e ele me respondeu na maior humildade onde, de novo, aprendi e evoluí mais ainda. Sou a favor da evolução, sempre. Aqui na Austrália, na Europa, na América do Norte, o cliente paga o que você pede, respeita o que você fala, nunca te desrespeita pedindo desconto. As pessoas aqui têm educação ética, eu sou muito feliz por estar morando aqui e estar evoluindo a cada dia, fazendo o que eu amo e sendo respeitado pelo público. Quais os artistas que você tem como influência? Tenho tantos artistas como referência! As mídias sociais facilitaram muito a vida de todo mundo, eu sou meio que nerd da tattoo. Dentro e fora da loja, quando não estou tatuando, estou

grafitando ou pintando telas. Venho mudando os artistas que tenho como referência de um ano pra cá, desde que conheci o Jose Perez, um tatuador da Califórnia, nos EUA. Venho aprendendo muito com ele sobre texturas e preto e branco. Ganso Galvão é um cara que me ensinou muito sobre realismo, Aleks Punk é um cara superhumilde que desde que comecei me inspiro nos trampos dele, Sylvio Freitas, Nikko Hurtado, Benjamim Laukis, Fabs, Teneille Napoli, entre muitos outros. Eu sou fã de muitos, vejo trabalho de mais de cem artistas diferentes, todos os dias, e isso me motiva demais a aprender e evoluir sem sombra de dúvidas De onde costuma tirar as referências para seu trabalho? Aqui na Austrália, os clientes têm a mente aberta demais, todo dia vem uma ideia diferente, todo dia é um desafio novo. Tem dias que eu saio da minha zona de conforto e isso me faz ver o quanto é preciso estudar e melhorar sempre. Minhas referências são sempre de fotos reais. Por exemplo, se preciso fazer um pássaro pesquiso a foto real do pássaro, a melhor referência de todas são as fotos reais, pois se você tem como referência o trabalho de um artista, talvez a tendência seja você fazer um pouco do estilo do cara e isso vai te trazer julgamentos tais como: você copiou o cara. Espaço aberto Nesses poucos anos de carreira, estou muito feliz por realizar vários sonhos e ter um estilo de vida que me faz muito feliz. Viajei para diferentes países por causa da tattoo, cresci como artista e como pessoa, conheci muita gente, fiz vários amigos, quebrei vários tabus e barreiras com a minha família, amigos e sociedade. Tive dias felizes dias, dias tristes, mas tudo isso só somou na minha vida e me fez ser quem eu sou hoje! 2013 está sendo um dos melhores anos pra minha carreira até o presente momento. Este ano comprei minha loja, SOUTH SIDE CUSTOM

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INK, na cidade de Melbourne onde moro, atualmente. Ganhei o patrocínio de uma grande e excelente companhia de tinta, a ELECTRIC INK. Nunca pensei que meu trabalho chegaria tão longe. Só tenho a agradecer aos amigos e clientes e todos que seguem meus trabalhos pelas mídias sociais, mas isso é apenas o começo porque sucesso é caminhada e não a linha de chegada. Contato diegografite10@yahoo.com.br Facebook - diego mickey,

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Tatuarium Enfim, o sonho está concretizado! O TATUARIUM existe e é motivo constante de inspiração e alegria diária para nós aqui em Viena.

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ideia foi fazer um espaço em que não se parecesse com um estúdio. Daí, a escolha de uma casa em um bairro residencial e tradicional. Queríamos algo para “sentir-se em casa”.  Outro ponto importante para nós foi a não divulgação do endereço em lugar algum. Os nossos clientes tomam conhecimento da localização quando marcam a primeira visita. Isso evita que a gente pare a cada 30 minutos para atender clientes e foque nossa atenção somente em quem estamos atendendo no momento. Quando os clientes chegam, são recebidos com café, chá, sucos, bolos e cookies. Nada é cobrado! A equipe é formada por mim, Anna Idza, meu marido Wilfried Seiwald e meu grande amigo Philip Herberstein. Aqui não existe hierarquia, todos são respeitados por igual e cada um é por si. Somos três pessoas com os mesmos ideais e prioridades, isso facilitou muito. A convivência tem sido muito especial e saudável. É interessante falar do outro lado da história

TATUARIUM também, porque muita gente acha que foi fácil e simples.Cheguei em Viena em setembro de 2012, de encontro me veio toda a loucura para poder organizar os documentos necessários para ficar. A Áustria é um local seriíssimo e por ser Viena o lugar considerado com melhor qualidade de vida no mundo, com um sistema social invejável, não foi fácil conseguir ficar por aqui, mesmo que casada. Exigiram uma série de documentos que nem sabia que existiam e, além disso, todos os documentos tinham de ser encaminhados para o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, levar uma estampa, e depois levados para o consulado da Áustria no Brasil, ganhar outra estampa, e, chegando aqui, esses documentos haviam de ser traduzidos para o alemão, por uma tradutora oficial do governo, e carimbados novamente. Quando, enfim, consegui, daí veio a big bomba. Teria que fazer um teste de alemão para poder ficar. Só que eu só tinha três semanas antes de o meu visto de turista expirar e ne-

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nhum lugar do planeta tem um nível A1 do curso de alemão em três semanas, ou seja, aceitei o desafio, do contrário, teria de voltar para o Brasil e só poderia retornar após seis meses. Após estudar em casa sozinha pelas três terríveis semanas, levando em consideração que de início detestava o alemão, não sei como fiz o teste com 96 pontos. O famoso ou vai ou racha! Quando finalmente pude começar a trabalhar, fui avisada que teria de fazer outro teste, desta vez um que me tornaria apta a ser uma profissional na área da tattoo. E de acordo com os critérios do governo, você tem de estudar mais ou menos 700 questões que variam de virologia, assepsia, pigmentação, ética e administração. Provar quanto tempo trabalha com isso, com mais documentos e fazer o teste, que tive de traduzir tudo de novo. Enfim, após esses loucos meses, decidimos abrir o estúdio e enfim realizar um sonho que sempre tivemos. A adaptação ainda é difícil no que diz respeito à linguagem, porque nunca estudei inglês, e come-

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cei a falar há um ano e meio atrás. E tem o alemão para estudar também. O clima é um tanto cortante. No inverno, às vezes temos -20 graus, e a comida, que até hoje não me acostumei, é muito gordurosa e pesada. As pessoas são mais fechadas, mas quando se tornam amigos, são incríveis. Os clientes são muito pontuais e educados, respeitando seu preço e opinião. Às vezes esperam por seis meses para ter um horário e pagam adiantado para reservar o horário. Geralmente, confiam mais na opinião do profissional, o que me deixa feliz. As diferenças de trabalhar aqui e no Brasil, são várias. Por exemplo, o acesso a materiais de qualidade com preço justo é algo que é lindo. O tempo aqui parece que é mais aproveitado e se trabalha muito. Eu começo a tatuar na hora que chego e só paro na hora que vou embora, todos os dias. Só paramos de vez em quando para tomar um café e comer algo, geralmente na companhia dos clientes. A parte burocrática é bem intensa também. A fiscalização é implacável em


TATUARIUM todos os setores, desde a higiene até a parte financeira de cada um de nós. Os impostos são altíssimos, e não existe possibilidade de pagar menos. Andamos na linha e fazemos questão de manter tudo nas melhores condições sempre. Temos a meta de receber em breve amigos tatuadores do Brasil, que terão um lugar bem especial para ficar e serão muito bem recebidos. Todos os dias eu vejo o quanto é bom fazer suas próprias regras e conviver em harmonia, sei que cada dia que sonhei com o melhor, não estava somente sonhando — estava tendo fé e batalhando cada segundo do meu dia para fazer isso possível. Sinto ainda muita, mas muuuuita falta

de meus clientes no Brasil, aos quais respondo um por um quando recebo emails, pedindo indicação ou perguntando algo. Acredito na lei do retorno e na verdade. Uma hora, se você lutou de verdade, acreditou no melhor, e foi alguém correto, coisas boas irão acontecer pra você. O mundo dá voltas, portanto temos que lembrar do que somos e de quem realmente queremos ser. Continuamos trabalhando muito… Só que muito mais felizes! www.tatuarium.com www.facebook.com/tatuariumwien

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ANNA IDZA:

Tatuadora carioca, 29 anos, atuando há quase nove anos, trabalhou no Rio de Janeiro por cinco anos, em São Paulo por dois anos e meio e atualmente trabalha em Viena, na Áustria. Anteriormente, estudou e trabalhou com música, shiatsuterapia e parapsicologia. Os estilos preferidos são realismo, coloridos, preto e cinza e temas femininos.

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WILFRIED SEIWALD:

Austríaco com raízes eslovacas, 34 anos, tatuador  há três anos. Anteriormente, trabalhou como técnico gráfico e mídia por seis anos. Morou no Japão por um ano e meio, dando aulas de alemão. Estilos preferidos são black work, custom, new school e preto e cinza.

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PHILIP HERBERSTEIN:

Austríaco, 35 anos, tatuador há 4 anos, anteriormente tinha uma empresa de design gráfico. Além da tatuagem também se dedica à música e à pintura a óleo. Estilos preferidos são custom, oriental e brush strokes.

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Ben Heine B

en Heine cresceu na Costa do Marfim. Seu pai era engenheiro comercial e sua mãe professora de dança, no estilo jazz moderno. Tudo mudou quando a família voltou para Bruxelas em 1990. Ben era uma criança exigente que não gostava da escola, mesmo sendo um aluno exemplar. Em 1994, descobriu pela primeira vez que sua energia, seus medos, suas emoções e seus ideais poderiam ser canalizados para projetos de artes visuais e foi o começo de uma aventura

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sem fim, com desenho e pintura. Na adolescência, Ben teve muitos passatempos e atividades comuns, tocando bateria, piano e até guitarra, além de jogar basquete todos os dias, e outros nem tão comuns, como escrever uma poesia por dia, mas seu interesse por artes gráficas foi o mais forte. Após seus estudos, Ben buscou diversos tipos de trabalhos, mas a criação visual sempre foi a sua principal preocupação e vocação. Desde 2006 até agora, as suas obras pictóricas foram


BEN HEINE publicadas em famosos jornais belgas e revistas internacionais e seus trabalhos foram vistos por milhões de pessoas on-line. As obras de arte de Ben Heine foram exibidas na Bélgica, Grã-Bretanha, França, Canadá, EUA, Alemanha, Turquia, Romênia, Brasil, Coreia do Sul e Espanha. Ele é atualmente representado por diversas galerias de arte bem estabelecidas, na Bélgica e no exterior, além de participar de inúmeros eventos de arte. Seu trabalho mais notório mistura desenho e fotografia, unindo imaginação e realidade. É um conceito visual novo, criado por Ben em 2010, cheio de magia, ilusão, poesia e surrealismo. Seu primeiro trabalho publicado desta série foi em abril de 2010, mas foi resultado de uma longa exploração gráfica e uma consequência

lógica do seu desenvolvimento pessoal e artístico. Ele geralmente integra no desenho feito a mão um fundo realista. Existem vários métodos para alcançar o mesmo efeito, mas o dele é bem particular, causando grande impacto para quem o vê. Segundo Ben, este trabalho representa uma estreita ligação entre o espectador, o artista e a obra de arte. Seus temas envolvem o amor, a liberdade, a amizade, a vida e a natureza. Tem como objetivo fazer com que as pessoas sonhem ao ver seus trabalhos, pelo menos por um breve momento, e esqueçam de seus problemas do cotidiano, assim como ele fazia em seus poemas, transmitindo um significado poético e filosófico em suas composições de desenhos e fotos.

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