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caixa.gov.br/caixacultural


O Brasil tem dança, ginga e magia. Tem frevo, maracatu, catira. Tem samba de roda, roda de samba, baile e tem balé. E a CAIXA, o banco brasileiro que mais investe recursos próprios em cultura, apoia, incentiva, patrocina e abre o espaço que os artistas brasileiros precisam para mostrar toda a beleza dos seus movimentos. Até o final de 2013, serão R$ 50 milhões em investimentos na produção artística e cultural brasileira. Prepare-se para interagir, admirar, se emocionar. E aplaudir.


Das páginas para a tevê E

m outubro, um novo fruto do Almanaque Brasil entra no ar. Depois das duas primeiras temporadas do programa televisivo Almanaque Brasil, agora é a vez de uma das seções da revista alçar voo próprio. O Teco-Teco, coprodução da TV Brasil e da Fábula, núcleo de entretenimento infantil da Andreato Comunicação e Cultura, é inspirado na seção homônima do Almanaque e, como ela, pretende explorar o fascinante mundo das curiosidades para cativar pequenos e grandalhões. Concebida para um público com faixa etária entre 7 e 10 anos, a atração tem tudo para fisgar outros olhares e estimular o diálogo entre diferentes gerações, algo cada vez mais difícil com a crescente segmentação da programação da tevê e a disputa com dispositivos móveis de uso individual. “Esse é um programa para toda a família”, defende Elifas Andreato, autor da ideia original de O Teco-Teco e diretor editorial do Almanaque Brasil. Para colocar todo mundo junto no sofá, o programa aposta em quadros dinâmicos e inteligentes, diferentes recursos narrativos e técnicas de animação. No comando desse Teco-Teco estão dois personagens inspirados na cultura brasileira. O ator baiano Bertrand Duarte vive o aventureiro Cascudo, referência ao folclorista Câmara Cascudo, patrono do Almanaque. A seu lado está o sempre inquieto e curioso Betinho, personagem de papel inspirado no inventor Alberto Santos-Dumont. A partir do encontro de um personagem de animação e outro de carne e osso – um adulto, o outro criança –, o programa sobrevoa territórios como história, lendas, esportes, ciências e aventuras. E dá um giro pelo Brasil e pelo mundo para apresentar lugares que precisam ser conhecidos, crianças que fazem coisas bacanas e muitas outras atrações capazes de botar para ferver a imaginação dos telespectadores. A estreia do programa, em 7 de outubro, é tema de matéria que publicamos nesta edição. Mas não pense que só porque O Teco-Teco voou para a televisão ele deixou a revista comendo poeira. A seção segue firme e, na próxima edição, promete novidades. Para outros públicos, o Almanaque oferece um cardápio variado. No Especial, percorremos bares de todos os cantos do Brasil que foram palco de grandes acontecimentos culturais. Do endereço que viu nascer a parceria entre Vinicius de Moraes e Tom Jobim, no Rio, ao que era filial do TBC, em São Paulo; do bar-escritório de Leminski, em Curitiba, ao botequim que abrigou a primeira exposição de Carybé em Salvador. No Papo-Cabeça, a conversa é com Gaby Amarantos, cantora paraense que alcançou uma proeza há tempos inédita no Brasil: agradar de cariocas a baianos, de moderninhos a emergentes da classe C. Na entrevista, ela conta como surgiu a efervescente cena musical paraense, enumera suas influências e finaliza: “Quero que esperem sempre novidades de mim. Porque elas sempre virão”. João Rocha Rodrigues, editor

5 você sabia?

14 o teco-teco

16 PAPO-CABEÇA

22 IlUSTRES BRASILEIROS

28 design brasileiro

43 Jogos

44 Todas as copas

46 causos do boldrin

Renda

e brincadeiras

Gaby Amarantos

Espanha, 1982

Hélio Gracie

ponto final

24 Especial

De bar em bar

arte de dennis vecchione sobre foto de junior franch

Diretor editorial Elifas Andreato Diretor executivo Bento Huzak Andreato Editor João Rocha Rodrigues Editor de arte Dennis Vecchione Redatores Bruno Hoffmann e Natália Pesciotta Designer Rodrigo Terra Vargas Pesquisa iconográfica Laura Huzak Andreato Revisor Eduardo Calil Gerente financeira Joana Darc Oliveira Gerente administrativa Eliana Freitas Assistentes administrativas Geisa Lima e Viviane Silva Assessoria jurídica Cesnik, Quintino e Salinas Advogados Jornalista responsável João Rocha Rodrigues (MTb 45265/SP) Impressão Abril Gráfica. CONSELHO EDITORIAL Adélia Borges, Antonio Nóbrega, Elifas Andreato, Geneton Moraes Neto, João Rodarte, Juca Kfouri, Mario Prata, Ziraldo. PUBLICIDADE: SÃO PAULO (11) 3868-0830 publicidade@almanaquebrasil.com.br RIO DE JANEIRO (21) 9345-2835 fernanda@andreato.com.br Para anunciar: BRASÍLIA Vertmidia (61) 8127-7444 solfarias@vertmidia.com.br Omega Mídia Marketing Renato Gameleira (11) 3670-4072 renato@omegamidia.com.br Rio de Janeiro Roberta Lima (21) 2225-0206 roberta.rio@omegamidia.com.br São Paulo Ivan Serra (11) 3670-4072 ivanserra@omegamidia.com.br Recife Wladmir Andrade (81) 3465-4479 wladmir.recife@omegamidai.com.br Salvador Artur Knoth (71) 3017-6969 artur.bahia@omegamidia.com.br Belo Horizonte Maria José (31) 2535-2711 mariajose.bh@omegamidia.com.br FALE COM A REDAÇÃO facebook.com/almanaquebr • twitter.com/almanaquebrasil • redacao@almanaquebrasil.com.br • www.almanaquebrasil.com.br Tiragem auditada desta edição 120 mil exemplares

Distribuição em voos nacionais e internacionais

O Almanaque está sob licença Creative Commons. A cópia e a reprodução de seu conteúdo são autorizadas para uso não comercial, desde que dado o devido crédito à publicação e aos autores. Não estão incluídas nessa licença obras de terceiros. Para reprodução com outros fins, entre em contato com a Andreato Comunicação & Cultura. Leia a íntegra da licença no site do Almanaque.

Quem assina o Almanaque acumula pontos na rede Multiplus Fidelidade 4

outubro 2013

Pagamento por cartão de crédito ou boleto bancário Central de atendimento ao assinante: (11) 3512-9481 (21) 4063-4320 / (51) 4063-6058 / (61) 4063-8823 Ou pela internet: www.almanaquebrasil.com.br


16/10/1953 Nasce Falcão, lançado ao futebol como jogador do Internacional. Depois, jogou na Itália, disputou Copa do Mundo, tornou-se técnico da seleção e voltou ao Inter como treinador.

/outubro/

4/10

Caio Esteves/Jornal de Jundiai

dia do cão

31/10/1963 Nasce Dunga, lançado ao futebol como jogador do Internacional. Depois, jogou na Itália, disputou Copa do Mundo, tornou-se técnico da seleção e voltou ao Inter como treinador.

Nem a morte separou cachorros dos donos O cachorro foi o único membro da família Rigueira que resistiu a um soterramento em Jundiaí, no começo de 2010. Sapeca, ele deu um jeito de pegar carona para o velório escondido na perua que levou o pessoal do bairro. Acompanhou o sepultamento dos quatro donos com sonoros uivos. Quando todos foram embora, ficou por lá mesmo. Os funcionários do Cemitério Nossa Senhora do Montenegro apegaram-se ao vira-lata e lhe puseram um nome: Camilo. Alguns meses depois chegou Gigante, como foi chamado o cachorro de outra família enterrada ali. Os dois viraram unha e carne. Não se desgrudaram mais. Passaram a ser uma espécie de mascotes do cemitério, acolhidos e cuidados pelos funcionários. “Começamos a fazer vaquinha para comprar ração e remédios”, conta um deles. “É como se fossem da minha família.” A Coordenadoria da Saúde e Bem-Estar do Animal de Jundiaí até tentou proibir que os cães vivessem ali, por questões sanitárias. Não adiantou. Nas quatro semanas que passaram recolhidos, tanto eles quanto os funcionários do cemitério ficaram tristonhos. Camilo e Gigante acabaram voltando. Além dos trabalhadores, quem chega ao lugar é animado com a presença dos animais, pacatos e dóceis. Os cães viraram atração à parte depois de aparecer em reportagens e programas de tevê. Quando alguém pergunta pelos bichos, um funcionário brinca: “Estão ali no escritório, dando autógrafo”. [np]

Camilo e Gigante: inquilinos de cemitério em Jundiaí desde que seus donos foram sepultados.

saiba mais No site do Almanaque Brasil, confira outras histórias sobre animais de estimação.

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Mineiro engarrafou o sol e distribuiu a luz

21/10

Alfredo Moser e sua luz engarrafada: solução para milhares de lares pelo mundo.

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outubro 2013

Gibby Zobel/BBC

dia da iluminação

Litro de Luz ou, em inglês, Liter of Light, é o nome da solução criada por um mecânico de Uberlândia e usada em pelo menos 15 países do mundo desde 2011. Alfredo Moser jamais imaginou a repercussão que teria uma ideia que desenvolveu com garrafa PET apenas para resolver um problema em casa. “Me dá um calafrio no estômago só de pensar nisso”, afirmou em entrevista para a rede inglesa BBC. Durante os apagões energéticos comuns no Brasil em 2002, ele pensou em algo para clarear ambientes durante o dia caso faltasse luz. Fez um buraco no teto, encaixou uma garrafa PET com água e algumas gotas de cloro e vedou. A invenção aumenta e distribui a luz solar no ambiente fechado. Físicos explicam: é a refração do sol. A adaptação simples ilumina cômodos sem luz natural e poupa energia elétrica. Pelos tetos do bairro de Alfredo foram aparecendo bicos de garrafa, instalados pelo inventor. “Conheço uma pessoa que economizou na conta de luz e pôde comprar as necessidades do filho recém-nascido”, orgulha-se Alfredo. Até no supermercado da região ele instalou a luz engarrafada, hoje atestada pela ONU. A “lâmpada de Moser” não gasta energia para ser produzida nem emite gás carbônico enquanto funciona. A tecnologia verde chegou aos ouvidos de especialistas em construções sustentáveis e baratas nas Filipinas. A fundação MyShelter passou a replicar a técnica em países como México, Guatemala, Nigéria, Senegal e até Suíça. O plano é que em 2015 a luz engarrafada esteja presente em um milhão de lares. “Alfredo Moser mudou a vida de um enorme número de pessoas, acredito que para sempre”, disse Illac Angelo Diaz, diretor executivo da entidade filipina. [NP] saiba mais Visite o site do projeto Liter of Light: www.aliteroflight.org.


SANTOS DO Mês

o Brasil é o maior É nosso o mais alto cemitério vertical do mundo. Com cerca de 40 metros, o Memorial Necrópole Ecumênica, que fica em Santos, está no Livro dos Recordes desde 1991. E planeja consolidar sua liderança na categoria com uma nova torre de 90 metros.

29/10 Eder Chiodetto/Folhapress

1 Romano 2 Modesto 3 Francisco de Borja 4 Francisco de Assis 5 Benedito 6 Bruno 7 Justina 8 Taís 9 Dionísio 10 Paulino de York 11 Jaime 12 Serafim 13 Eduardo 14 Calisto 15 Tereza de Ávila 16 Margarida Maria 17 Susana 18 Lucas 19 Paulo da Cruz 20 Pedro de Alcântara 21 Úrsula 22 Maria Salomé 23 João de Capistrano 24 Antônio Maria Claret 25 Galvão 26 Evaristo 27 Frumêncio 28 Judas Tadeu 29 Narciso 30 Germano 31 Afonso Rodrigues

DIA nacional do livro

Surrealismo ditou vida e morte de Campos de Carvalho Ranzinza, de poucas palavras e de uma ironia rascante. Essas eram as características mais perceptíveis de Walter Campos de Carvalho, tido como o primeiro surrealista da literatura nacional. Caía sobre ele, também, a fama de louco, que não se preocupava em desmentir. O mineiro nascido em Uberaba em 1916 e radicado em São Paulo enveredou pela literatura ainda jovem. Sua obra, porém, é relativamente curta. É autor de seis livros, em que se destacam imagens fantásticas e nonsense e críticas à religiosidade. “Fui religioso até os 16 anos. Um dia perguntei a mim mesmo por que eu acreditava em Deus. Neste momento eu tive a noção de que Deus não existia”, explicava. Entre seus livros estão A Lua Vem da Ásia (1956), Vaca de Nariz Sutil (1961) e O Púcaro Búlgaro (1964), sua obra derradeira. Colaborou com periódicos, entre os quais O Pasquim. Certa vez,

Jorge Amado leu A Lua Vem da Ásia e, estupefato, comprou 30 exemplares para distribuir aos amigos. Em dado momento, Campos de Carvalho deixou as letras de lado, sem grandes explicações. Deixou também uma legião de saudosistas. “A pequena obra de Campos de Carvalho parece ter essa força: ela aproxima os seus leitores, forma confrarias”, comenta o escritor Nelson de Oliveira. Em 1998, numa Sexta-Feira da Paixão, Campos de Carvalho caminhava por São Paulo quando se sentiu mal. Disse à mulher: “Acho que é por causa de um sorvete que tomei”. A morte no mesmo dia da de Jesus Cristo e a explicação nonsense não foram as únicas esquisitices daqueles momentos derradeiros, como conta o escritor Mario Prata. “O que ele nunca poderia imaginar é o nome do motorista do carro fúnebre: João de Jesus.” [BH]

saiba mais Quem Tem Medo de Campos de Carvalho?, de Juva Batella (Editora 7, 2004).

ORIGEM da eXpreSSão Puxa vida Em geral, a expressão é usada para demonstrar desolação ou tristeza diante de uma determinada situação. A palavra puxa vem do espanhol pucha, uma variação eufemística para prostituta. Além de importar o puxa dos espanhóis, os brasileiros criaram a variação “poxa”, hoje usada nas mais distintas ocasiões.

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Acervo A. A. Ponte Preta

“Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único.” Nossa homenagem a Aparício Torelly, o Barão de Itararé

Escorpião 23/10 a 21/11

nova

crescente

cheia

minguante

11/10

18/10 26/10 8

outubro 2013

Carteira de trabalho do pioneiro Miguel do Carmo.

dia da raça

Os escorpianos têm a intensidade e a lealdade como seus atributos mais importantes e evidentes. Leitores de alma natos, percebem com extrema facilidade características profundas da personalidade alheia só de bater os olhos em alguém. A hipocrisia e o pedantismo é o que mais incomoda os nativos desse signo regido por Plutão. Costumam ser pais extremamente amorosos e cuidadosos. A família tem lugar essencial na vida de um escorpiano.

4/10

12/10

Primeiro negro do futebol vestiu a camisa da Ponte Por muito tempo acreditou-se que Francisco Carregal havia sido o primeiro negro a atuar em um time do futebol nacional, ao defender o Bangu em 1905. Porém, o historiador e professor da PUC-Campinas José Moraes dos Santos Neto defende que o pioneiro seria Miguel do Carmo, da Ponte Preta. O pesquisador explica que o atleta entrou em campo como center half nos primeiros jogos da Ponte, logo após a fundação, em 1900. Miguel do Carmo nasceu em Jundiaí em 1885, três anos antes da abolição da escravidão. Em Campinas, trabalhava como fiscal de linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Tinha apenas 15 anos quando pisou o gramado pela primeira vez com a camisa ponte-pretana. Quatro anos depois, foi transferido pela empresa para Jundiaí e encerrou a trajetória futebolística. Morreu jovem, em 1932. Além dessas, há poucas informações sobre o meio-campista. A notícia de que seria o primeiro negro do futebol brasileiro mexeu com os fanáticos ponte-pretanos, que passaram a vasculhar publicações antigas à procura de novos dados sobre o jogador. Há também a desconfiança

de que haja outros negros nas primeiras escalações da Ponte. O que se sabe é que o clube manteve a tradição de escalar negros, o que lhe rendeu um apelido de cunho pejorativo dado pelos rivais: Macaca. A torcida, porém, adotou a alcunha com orgulho. “Temos a esperança de conseguir o reconhecimento da Fifa durante a Copa do Mundo”, diz o fonoaudiólogo Carlos Burghi, descendente de fundadores da Ponte. Um grupo de torcedores costuma levar faixas ao estádio Moisés Lucarelli com o escrito: “Primeira democracia racial no futebol brasileiro – Miguel do Carmo – Ponte Preta”. Até música o jogador ganhou, um lundu com baião composto por Jorge Araújo: Sem preconceito, a Ponte iniciava / Em sua camisa já brilhava / O preto e o branco com amor. Em seus 113 anos de história, a Ponte Preta nunca conquistou um título importante. Mesmo assim, mantém uma das mais apaixonadas torcidas de São Paulo. E, hoje, seus seguidores exaltam, orgulhosos, o fato de o clube ter sido o primeiro a romper com o racismo no futebol brasileiro. [BH]

saiba mais Site da Ponte Preta: www.pontepreta.com.br.


Reprodução

10/10 dia da música

Coral de agricultores catarinenses solta a voz há 132 anos No meio das pastagens geladas, entre campos e montanhas de Santa Catarina, descendentes de alemães lavram a terra, plantam, colhem de dia. Garantem o sustento do corpo. O sustento da alma vem à noite, ao som das canções populares da Alemanha. Os encontros regados a muita cantoria remontam a outubro de 1881. Para matar a saudade da pátria mãe nasceu o coro Sangerhalle, formado apenas por homens, em São Bento do Sul. As reuniões não foram interrompidos nem mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando falar o idioma germânico era crime por ali. Os alemães residentes no Sul do País eram perseguidos. Por isso os encontros do coral tornaram-se sigilosos. Na calada da noite, lamparinas em punho, eles cor-

tavam fazendas para cantar clandestinamente. Só em 1950 a sociedade cantora foi reaberta e também rebatizada. Virou Sociedade de Cantores 25 de Julho. Anos atrás, com o aumento do trabalho no campo, o grupo foi minguando. O regente Detlev Bahr, bisneto de alemães, temeu que o coro morresse sob sua regência. Reuniu os agricultores e propôs abrir as portas do seleto coral para novas vozes. As mulheres adoraram o convite. Hoje, a Sociedade mantém o tradicional coro masculino e outro, misto, no qual pais e filhas, maridos e esposas, famílias inteiras cantam para celebrar a cultura alemã. “Quando cantamos mantemos vivas as lembranças deixadas por nossos pais, avós. Renovamos as tradições”, arremata Detlev. [laís duarte]

saiba mais Ensaios – Olhares sobre a música coral brasileira, organizado por Eduardo Lakschevitz (Funarte, 2011).

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outubro 2013

Álbum de família

Acervo Sociedade de Cantores 25 de julho

Sociedade de Cantores 25 de Julho: canções alemãs desde 1881.

Nascida em 15 de outubro de 1964, a menina aí em cima vivia vestida de rosa. Foi uma surpresa quando decidiu ser atriz. Fez curso de teatro, pediu ao tio, fotógrafo de casamentos, que tirasse umas fotos e saiu distribuindo por aí. Acabou em uma novela da Globo. Hoje é conhecida por ter passado uma década contando histórias de gente comum no Fantástico, por grandes atuações nos palcos e por produzir filmes como o belo Contador de Histórias, dirigido por seu marido, Luiz Villaça. Sabe dizer quem é a mocinha?

llllll lllll RESPOSTA NA PÁGINA 43

estaçãO colheita

O que se colhe em outubro Manga, jabuticaba, abacaxi, mamão, tangerina.


istórias contam h fotos que

em busca da ossada perdida

Reprodução

No momento que tirou a foto ao lado, o sertanista Orlando Villa-Bôas tinha certeza de que segurava a ossada do verdadeiro Indiana Jones. O ano era 1952 e fazia quase 30 anos que Percy Harrison Fawcett, coronel inglês que inspirou a ficção, havia desaparecido naquela região do Xingu. O sumiço do aventureiro, que buscava uma civilização perdida em meio à floresta amazônica, já tinha inspirado diversas lendas e buscas. A descoberta de Orlando rodou noticiários do mundo. Até que o dentista de Fawcett desmentiu a história: o crânio não era do inglês. A ossada verdadeira jamais foi encontrada.

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Nelson Rodrigues solução NA PÁGINA 43 almanaquebrasil.com.br

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DIA DA AVIAÇÃO

Francisco Dantas de Oliveira, o Françuli, no Museu Inventor do Sertão, em Potengi (CE).

SEM TER COMO VOAR, LAVRADOR FEZ OS PRÓPRIOS AVIÕES O menino trabalhava na roça quando ouviu um barulho, olhou pra cima e esqueceu da enxada. Francisco Dantas de Oliveira, o Françuli, tinha seis anos quando descobriu o avião. Sem ter condições de embarcar em um daqueles, começou a construir suas réplicas, com madeira, lata de óleo ou zinco. Nunca mais parou de fabricar miniaturas nem de pensar em voar. “Eu sonho com avião”, afirma o cearense, aos 71 anos. Entre a roça e a experimentação, Françuli se especializou nos protótipos sem nenhum curso, orientação ou conhecimento sobre o assunto. Outras artimanhas também fazem parte das suas invenções, como um mecanismo que facilita a retirada de água de poços, vendido para vizinhos. Ele montou até uma moto a partir de material do ferro-

velho. O veículo facilita o transporte entre o sítio onde vive, na zona rural, e o museu em sua homenagem, no centro de Potengi. Sim, suas principais criações estão abrigadas desde 2012 no Museu Inventor do Sertão. No mesmo endereço, beco de Françuli, está a oficina do “menino que não cresceu”, na definição dele mesmo. Lá desenvolve balões, dirigíveis, ultraleves, pássaros, discos voadores e foguetes. Criou até um aeroplano que levantou voo por alguns instantes. Demorou 60 anos para que o sonhador entrasse numa aeronave de verdade, a convite de um amigo. Faz parte de sua obra uma réplica do modelo em que viajou. Mas a verdade é que a realidade, para ele, importa menos: “A imaginação é tão forte que domina a gente”. [NP]

SAIBA MAIS Assista ao vídeo Inventor do Sertão, produzido pelo Projeto Infâncias. Disponível no YouTube.

DE QUEM SÃO ESTES OLHOS?

O cantor e compositor nascido em Orós, no Ceará, em 13 de outubro de 1949, ganhou o primeiro concurso musical com apenas cinco anos. Conquistaria de vez as rádios do Brasil no início da década de 1970, ao formar ao lado de Belchior, Ednardo e outros um movimento artístico conhecido como Pessoal do Ceará. É notório pelas músicas românticas de alta qualidade, em que o remorso e a saudade ditam o ritmo. RESPOSTA NA PÁGINA 43 13

outubro 2013

VINICIUS XAVIER

23/10

ISAUMIR NASCIMENTO

outubro 1

Dia Mundial do Vendedor

2

Dia Mundial da Juventude

3

Dia do Petróleo Brasileiro

4

Dia do Barman

5

Dia do Massagista

6

Dia do Tecnólogo

7

Dia Nacional do Compositor

8

Dia do Direito à Vida

9

Dia do Atletismo

10

Dia da Honestidade

11

Dia da Revolução

12

Dia do Mar

13

Dia do Corintiano

14

Dia Nacional da Pecuária

15

Dia do Professor

16

Dia do Anestesista

17

Dia do Eletricista

18

Dia do Médico

19

Dia do Guarda Noturno

20

Dia do Poeta

21

Dia do Lixeiro

22

Dia da Praça

23

Dia do Direito das Mães

24

Dia Mundial do Desenvolvimento

25

Dia da Democracia

26

Dia da Cruz Vermelha

27

Dia Oficial do Músico

28

Dia da Engenharia Aeronáutica

29

Dia das Flores

30

Dia do Atendente

31

Dia do Ferroviário


Ministério da Cultura e Museu de Arte Moderna de São Paulo apresentam

P33: FORMAS UNICAS DA CONTINUIDADE NO ESPACO

CURADORIA LISETTE LAGNADO - CURADORA-ADJUNTA ANA MARIA MAIA

Patrocínio

Apoio

O MAM fica no parque Ibirapuera, portão 3. +55 11 5085-1300 Ter - dom, 10h - 18h Bilheteria até 17h30

Realização

E na internet também. :: mam.org.br :: redes sociais/mamoficial :: google art project

Detalhe da obra de Montez Magno, Reductio, 1971. Colagem sobre duraplac, 122 x 550 cm. Foto: Breno Laprovitera.

33º Panorama da Arte Brasileira Grande Sala e Sala Paulo Figueiredo de 05/09 a 15/12 Exposição realizada por meio de doação dos sócios do Núcleo Contemporâneo do MAM


está no ar

E

Seção do Almanaque Brasil voltada para as crianças salta das páginas para as telinhas, com personagens inspirados em Câmara Cascudo e Santos-Dumont e atrações como Batalha das Coisas, Olha o Cara e Os Mais Mais.

m algum ponto indefinido da linha do Equador, em meio à imensidão da floresta amazônica, um aventureiro interessado nos mais variados assuntos revira livros, vasculha meios digitais, promove hiperconferências planetárias. Depois de muitas viagens ao redor do mundo, Cascudo, personagem vivido pelo ator baiano Bertrand Duarte, resolve dedicar-se à criação da obra de sua vida: O Grande Livro Virtual do Inacreditável, do Bizarro e do Insondável: Uma compilação das descobertas e conhecimentos humanos que vai desde o infinitamente pequeno até o absolutamente incomensurável. Para concluir a obra, Cascudo conta com a contribuição de amigos espalhados pelos quatro cantos do planeta. Como Bonjol, que treina morcegos gigantes na Indonésia, o japonês Yamamoto, com o qual se comunica através de um teletubo de hipermegatitânio que atravessa o globo terrestre, e o egípcio Akhenaton, de quem recebe enigmáticas mensagens em uma caixa de areia.

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outubro 2013

Mas é com um inseparável companheiro de papel que Cascudo divide todas as suas inquietações sobre o funcionamento das coisas. Ao lado de Betinho, personagem de animação inspirado no inventor Alberto Santos-Dumont, Cascudo embarca em fantásticas e saborosas aventuras. A partir da ideia original de Elifas Andreato, diretor editorial do A lmanaque Brasil , essa divertida dupla vai do Egito antigo às viagens de Marco Polo, da chegada do homem à Lua aos primórdios das Olimpíadas, do cinema de Bollywood à civilização maia. Tudo isso na primeira temporada da série televisiva que estreia em 7 de outubro na TV Brasil. Para Elifas, apesar de ser voltado ao público de 7 a 10 anos, O Teco-Teco tem a capacidade de atingir uma faixa etária mais ampla e estimular diálogos com outras gerações. “Esse é um programa para toda a família. Ele foi concebido para motivar o diálogo e a conexão entre as diferentes gerações presentes no núcleo familiar, algo que tem se tornado cada vez mais difícil com a crescente segmentação da televisão”, observa.


Um giro pelo Brasil Além das aventuras de Betinho e Cascudo, a coprodução entre TV Brasil e Fábula, núcleo de entretenimento infantil da Andreato Comunicação e Cultura, rodou o Brasil para trazer uma série de quadros que promete atiçar a curiosidade da meninada. A cada programa, Olha o Cara apresenta uma criança que faz coisas bacanas: de um garoto fascinado por reggae em São Luís a um pequeno cientista em São Paulo; de uma turminha que joga peteca a sério em BH a um carioquinha que dirige filmes e já emplacou uma história em quadrinhos na Folha de S.Paulo. No quadro Um Minuto, Um Lugar, Betinho dá um giro pelo País para apresentar à molecada dicas imperdíveis de visita. Entre elas, o Pampas Safári, no Rio Grande do Sul, o Museu do Brinquedo, em Minas, e a base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão. No Ouve Só, a criançada vai conhecer os sons de inusitados instrumentos, como o didgeridoo, que teria sido criado depois que aborígines australianos sopraram o oco de um toco de pau para expulsar cupins. E o intrigante theremin, muito usado nos filmes de ficção científica para imitar o barulho de discos voadores e extraterrestres. Tem também o washboard, tábua de lavar roupa que virou instrumento percussivo, e o brasileiríssimo berimbau. Pelo programa vão passar músicos que tocam sem nenhum instrumento, como o pessoal do Barbatuques; gente que tira sons de qualquer coisa, como a turma do Uakti; e um maluco que toca 20 instrumentos ao mesmo tempo: o homem-banda gaúcho Lauro Mauro Paulo.

Animação

Outra atração que promete estimular a imaginação do público é Batalha das Coisas. A cada programa, competidores de diferentes universos – como formiga e escavadeira, vacina e guarda-chuva, armadura e macacão – se enfrentam em inesperadas batalhas que têm como critério de avaliação temas como Transitabilidade, Gigantoneladabilidade e Hollywoodabilidade. Já o quadro Os Mais Mais vai em busca de campeões nas mais diversas modalidades: o peixe mais bizarro dos mares, as maiores palavras da língua portuguesa, as mais alucinantes montanhas-russas do planeta, as comidas mais nojentas degustadas pelos seres humanos. No programa, vamos descobrir que o animal mais fedido não é o gambá, mas o cangambá; que o mais perigoso vulcão de que se tem notícia fica bem longe daqui, em Júpiter; e que o menor país do mundo está em cima de uma plataforma oceânica que possui apenas 0,055 quilômetro quadrado. Dá para acreditar? Se o seu negócio é ver para crer, aperte o cinto, porque O Teco-Teco vai decolar!

O Teco-Teco

FIQUE LIGADO

De segunda a sexta, na TV Brasil Confira a programação em w w w.otecoteco.co m.br almanaquebrasil.com.br

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Gaby Amarantos

“Sou apenas a ponta do iceberg” Conhecida por seu visual exuberante e um tom bem-humorado e provocativo, Gaby Amarantos conquistou os mais variados públicos, deu novo fôlego à produção musical de seu estado e tornou possível que se lançasse luz sobre uma talentosa geração de músicos paraenses. “O Pará não é só tecnobrega. Eu sou um grão de areia perto de tudo o que há por lá.” por João Rocha Rodrigues fotos Gustavo Bomfim assistente Carlos Mattos

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Beyoncé do Pará, Tina Turner do Jurunas, Lady Gaga da Amazônia, Madonna Tupiniquim. Quando estourou no Brasil, Gaby Amarantos trouxe algo tão diferente para a música nacional que rótulos foram disparados de todos os lados. Mas, com um som que mistura pisada indígena com riffs acelerados de guitarra, batidas eletrônicas com boi-bumbá, ela se esquivou de todos. Já era cantora de sucesso antes disso, emplacando músicas nas coletâneas que se espalhavam pelos camelôs do Norte do País e bombando nas festas de aparelhagem. Desde que lançou Xirley, uma brincadeira com o peculiar modo de produção e distribuição musical que tornou possível o surgimento do tecnobrega, foi capaz de uma proeza há tempos inédita na música brasileira: conquistou do povão aos moderninhos, foi aplaudida de pé pelos críticos musicais, circulou com desenvoltura tanto pelos descolados corredores da MTV quanto por programas como os de Faustão e Ratinho. “Apesar de toda essa loucura de fama e sucesso, de turnê internacional, quadro no Fantástico, música na novela, sou uma artista que mantém os pés no chão. Minhas origens estão intactas.”

Por que, em seu primeiro disco, Treme, você não gravou Tô Solteira, que a projetou nacionalmente? A música é uma versão de Single Ladies, da Beyoncé, feita por uma banda do Pará chamada Os Brothers. Nunca a lancei, nunca sequer gravei a música, mas tocava nos shows. O público então começou a filmar e soltar na internet, e a música bombou. A galera dizia: “Ela é a nossa Beyoncé. O Brasil tem uma Beyoncé”. Eu não curtia muito essa história. Ficava preocupada de ser reconhecida como uma cover. Já tinha uma carreira, uma história. As pessoas pediam no show e eu fazia a malcriada: “Não toco”. Hoje não me preocupo mais, porque o público já entendeu quem é a Gaby. Quase nem se fala mais dessa história. Até voltei a tocar a música nos shows. O mercado informal de música foi um dos motores do tecnobrega. Como ele funcionava? Os artistas compunham, gravavam e mandavam a música para as aparelhagens, que, uma vez por mês, lançavam CDs com coletâneas de tecnobrega. Era uma coisa muito maluca. Tinha coletânea que vendia 100 mil discos. As mais famosas eram da Vetron. Na capa tinha sempre uma foto de mulher pelada e uns 25 tecnobregas, ou quantos coubessem na mídia. Quanto mais, melhor. Esses discos circulavam por todo o Pará, pela Amazônia, entravam no Suriname, nas

“Tinha coletânea de tecnobrega, lançada todos os meses, que vendia 100 mil discos. Era tipo um Globo de Ouro do Pará. Estar lá significava que você estava bombando.” Guianas. Iam para o Caribe todinho. Cheguei a encontrar coletânea da Vetron na Feira de São Cristóvão, no Rio; na 25 de Março, em São Paulo. Como as músicas das coletâneas eram escolhidas? Ficava a critério da galera das aparelhagens. Eles escolhiam as melhores e lançavam. As coletâneas da Vetron eram tipo um Globo de Ouro do Pará. Estar lá significava que você estava bombando. E, quanto mais no começo do disco sua música estivesse, melhor você estaria. Era quase um ranking. Para entrar nas coletâneas, muita gente gravava música citando a aparelhagem. Tinha época em que a coletânea só tinha músicas falando da máquina, puxando o saco do DJ. Era uma forma de agradar o cara para poder entrar. Os artistas recebiam pagamento pelas músicas que emplacavam? Não recebiam nada. Pelo contrário. Ainda tinha gente que pagava para a música entrar. Mas os meninos não eram mercenários. Eles tocavam mesmo quem era sucesso, por isso as coletâneas tinham credibilidade. Hoje, com a queda de venda de CDs, esse esquema se desfez? Eles vendem menos, mas continuam produzindo. E seguem fazendo festas por todo o estado. No auge do tecnobrega, tinha festa de aparelhagem lotada quase todo dia. Havia condições de ter cinco aparelhagens atuando, todas fazendo muito sucesso. Hoje em dia, tem três atuando forte e, das três, só uma fazendo muito sucesso. Houve uma queda no movimento. A minha teoria é que, quando a coisa começa a sair do estado e a se tornar nacional, dá uma enfraquecida localmente. Vários movimentos culturais do Brasil passaram por esse processo depois de ganhar proporções nacionais e até internacionais. Acho que é bem típico de movimentos culturais, principalmente dos que vêm da periferia. Um de seus maiores sucessos, Xirley, brinca com a questão dos direitos autorais: Eu vou samplear / Eu vou te roubar. É um retrato da cena musical de Belém? Ela é quase uma síntese do movimento. Quando estávamos com o disco pronto, queríamos lançar uma música que explicasse para as pessoas um pouco o que era essa questão

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“Fiz carreira sem precisar de gravadora. Gravava minhas músicas, entregava aos camelôs, fazia meus shows. Estourava a bilheteria, ganhava grana. Não estava nem aí para o Sudeste.” mercadológica do tecnobrega. Era uma coisa muito louca, transgressora. De certa forma, inventou-se um novo modelo de mercado, que se contrapunha às gravadoras, que viviam um momento de decadência. A gente queria abordar isso de algum modo. O clipe da música também ajuda a contar essa história: a personagem principal é uma artista que surfa nesse modelo, pirateando, sampleando e fazendo uma coisa nova, de sucesso. É um pouco a minha trajetória. Foi esse modelo de produção e distribuição alternativo que possibilitou o seu sucesso? Fiz uma carreira sem nunca ter precisado de gravadora. Enquanto era uma artista local, gravava minhas músicas, entregava aos camelôs, fazia meus shows. Não só no Pará, mas também no Amapá, no Maranhão. Estourava a bilheteria, ganhava grana. Não estava nem aí para o Sudeste, e nem precisava mesmo. Antes da minha carreira-solo, eu tinha uma banda chamada Tecnoshow, que surgiu em 2002. Foi o boom desse movimento. A gente era chamado de “Beatles do tecnobrega”. Era um negócio muito forte lá. Até que a coisa estagnou. Em 2008, eu estava em uma crise existencial. Havia conquistado tudo o que podia no estado e não tinha mais como crescer lá. Ou ia para um trabalho nacional, ou entraria em decadência. Engravidei, tive o meu bebê e, depois dele, os caminhos se abriram. O aspecto visual, nos figurinos, nos clipes, nos shows, é algo que você valoriza? Muitos trabalhos e coisas legais surgiram por causa da estética que nós apresentamos. O clipe de Xirley, por exemplo, abriu muitas possibilidades. Ele inspirou o visual da novela Cheias de Charme, que teve como tema de abertura outra música minha, Ex Mai Love. Apesar de as pessoas me compararem com divas pop internacionais – “Lady Gaga da Amazônia”, “Madonna Tupiniquim”, “Tina Turner do Jurunas” –, minha identidade visual não tem nada a ver com Lady Gaga, Madonna, Tina Turner, Beyoncé. Em setembro, lançamos o clipe de Gemendo. Gravamos em Nova Iorque, no estúdio de um artista plástico incrível, Kenny Scharf, da turma de Basquiat, meio que discípulo de Andy Warhol. E, de novo, foi uma

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porrada visual. A minha empresária, minha alma gêmea da música, Priscilla Brasil, é cineasta e diretora. Ela conseguiu sofisticar, refinar e enlouquecer tudo o que eu queria mostrar para as pessoas. O que você acha que a sua música traz do Norte do País? Principalmente a pulsação indígena. A cadência do tecnobrega, o tambor, a batida lembram um pouco a pisada dos índios na tribo. Essa batida é o coração da história. Na gravação do CD, a gente usou muitos instrumentos percussivos indígenas. Ouvindo o disco, você sente que ali tem uma floresta – em algumas músicas mais, em outras, menos, mas a floresta está sempre presente. Além disso, nos figurinos, me inspiro muito nas coisas da Amazônia, na fauna, na flora, nas cores. E nos índios. Eles se ornamentam por qualquer coisa. Tudo que é ritual tem uma pintura específica, uma pena de determinada cor. Vejo meus shows também como rituais. Por isso me preocupo tanto com os figurinos. Para mim, eles estão lado a lado com a música em termos de importância.


“As minhas origens estão intactas. Ainda moro no Jurunas, bairro onde nasci. Sou feliz lá. Foi essa periferia que me ensinou tudo o que agora estou podendo mostrar para as pessoas.” Você nunca fez show de calça jeans e camiseta? Nem quando tocava nos bares? Nunca. Nem quando estava começando. Eu customizava as minhas roupas. Aprendi a bordar porque não tinha grana para pagar outras pessoas para fazerem o que eu queria. Fazia até botas, porque no Pará não tinha onde comprar. Quando era menina, uma das minhas referências era a Xuxa: a nave, roupas modernas, aqueles cortes geométricos de maiôs, as botas. Tudo se misturou com as referências indígenas, com a fauna, a flora, as cores. O Pará é muito colorido. Além disso, tinha os super-heróis, Liga da Justiça, Mulher Maravilha. E os filmes da Sessão da Tarde: Flash Dance, Elvira – A Rainha das Trevas. E também de artistas como Maria Alcina, Ney Matogrosso. Eram cantores com figurinos muito emblemáticos. Eu catava conchinhas na praia para fazer um adorno de cabeça igual ao da Clara Nunes. Quando vi a Maria Alcina com aquela roupa de jornal no Chacrinha, fiz uma igual para mim. Sempre me chamaram a atenção os artistas que eram diferentes. Você acredita que o Brasil, de modo geral, conhece as particularidades desse universo paraense de onde você saiu? Não. Acho que hoje já me veem de modo mais natural, mas sou muito pequena diante de toda a diversidade cultural que há no Pará. É um universo riquíssimo: fauna, flora, turismo. Há uma culinária incrível, um clima único. Tem artistas plásticos maravilhosos, alguns deles expondo, inclusive, fora do Brasil. E, principalmente, uma riqueza musical que se vê em poucos lugares do mundo. O Pará não é só tecnobrega. Tem muita coisa bacana rolando. Eu sou um grão de areia perto de tudo o que tem lá. As pessoas ainda conhecem apenas a pontinha do iceberg. Na música brasileira, é comum que os artistas que, como você, trazem uma grande carga regional percam essas características quando ganham projeção nacional. Isso é uma coisa que você teme, ou que você espera? Eu já preparei as pessoas para que entendam que, no meu próximo disco, quero experimentar outras coisas, ir além das fronteiras do tecnobrega. Não quero ficar estereotipada como uma cantora que só faz uma coisa. Quero buscar outras misturas, de repente com samba, com funk ou com algo regional de outro estado. Quero que as pessoas sempre esperem novidades de mim. Mas, claro, sempre surfando na minha onda. Não vou gravar um funk igual ao do Buchecha ou um axé como o da Ivete. Não é a minha praia. Mas, de repente, uma música eletrônica que eu possa misturar com a minha, ou um artista que eu possa chamar para gravar comigo, talvez seja legal. São diálogos superfavoráveis para a música.

Você conquistou um status singular no cenário musical brasileiro: é cultuada pelo povão e pelos moderninhos, frequenta o programa do Faustão e é aplaudida de pé pelos críticos musicais. Como isso aconteceu? Não foi uma coisa planejada. Eu transito entre o pop extremo, o cool e o underground. Fico pisando nos diferentes terrenos. Mas preciso vender, preciso fazer shows. O mundo indie não dá grana. O mundo cool é legal para ser sempre bem falada pelos formadores de opinião, pelos críticos. Sou uma das artistas populares mais bem criticadas, com várias estrelinhas, prêmios. E sou respeitada. Porque tem muita gente que é popular, mas que neguinho acha que é uma porcaria. Fico muito orgulhosa disso, mas sou uma artista comercial. Preciso ganhar dinheiro. Não tenho apoio de governo, não tenho empresário rico. Somos só eu e a Priscilla Brasil para bancar a nossa loucura. E moramos no Norte. Só para circular, de aéreo, gastamos três vezes mais do que qualquer artista do País. O compositor de Ex Mai Love, Veloso Dias, disse que se orgulhava por ter feito uma música da classe C. Você concorda com ele? É isso mesmo. Essa representatividade que a gente traz, que o Veloso traduz nas músicas que eu interpreto, é de quem está movendo a economia deste País. A classe C chegou com tudo. E eu também sou, com muito orgulho, uma representante dela. Mesmo tocando em festa de milionário, para as madames e os moderninhos. Ou para a galera que só curte música de fora, mas diz que gosta do meu disco. Eu circulo entre públicos muito diferentes, mas sinto que foi a classe C que me elegeu. São pessoas que se identificam muito mais comigo do que com os artistas que se enquadram nos estereótipos impostos pela mídia. As minhas origens estão intactas. Ainda moro no Jurunas, bairro onde nasci. Não vou me mudar, sou feliz lá. Foi essa periferia que me ensinou tudo o que agora estou podendo mostrar para as pessoas. Sou uma artista com os pés no chão. Apesar de toda essa loucura de fama e sucesso, de turnê internacional, quadro no Fantástico, música na novela, sou uma artista que não se deslumbrou. Você foi chamada de Beyoncé do Pará, Rainha do Tecnobrega, Tina Turner do Jurunas. Como você se definiria? Eu sou uma cantora brasileira que sempre quer fazer a música e a arte que estão no meu coração. O que penso de arte talvez esteja muito à frente do que o Brasil está habituado. Por isso, às vezes, causo um choque quando as pessoas me veem pela primeira vez. Hoje em dia, os brasileiros já estão mais acostumados. Mas, quando surgi, era tratada com muita estranheza: “Caramba, de onde apareceu esse extraterrestre da Amazônia?”. No fundo, eu acho massa esse choque. Acho bacana que as pessoas fiquem intrigadas quando me veem, que esperem sempre novidades de mim. Porque elas sempre virão.

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bb.com.br/cultura @ccbb_df /ccbb.brasilia *Leonardo da Vinci – Leda e o Cisne – Galleria Borghese, Roma – Foto: Soprintendenza Speciale Per Il Patrimonio Storici, Artistici Ed Etnoantropologicoi e Per Il Polo Museale della Città di Roma. **Francesco Raibolini dito Il Francia – Virgem com o Menino e São Francisco – Soprintendenza Beni Storici Artistico e Etnoantropologico di Bologna – Pinacoteca Nazionale – Bolonha. ***Alvise Vivarini – Arco de triunfo do doge Niccolò Tron – Foto: Venezia, Gallerie dell’Accademia – Su concessione del Ministero per i Beni e le Attività Culturali. ****Raffaello Sanzio – Cristo abençoando – Foto: Archivio Fotografico, civici musei d’arte e storia di Brescia.

SAC 0800 729 0722 • Ouvidoria BB 0800 729 5678 • Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088

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MinistĂŠrio da Cultura

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e

As obras falam por si.

De 12/10 a 05/01, no CCBB BrasĂ­lia. Entrada franca.


HÉLIO GRACIE

SAMURAI À BRASILEIRA

Ele fez da fraqueza sua maior força. Deu novas feições a uma arte marcial japonesa que cruzou seu caminho por acaso. Ao provar que fracos podem vencer fortes, com técnica e disciplina, Hélio Gracie impressionou o mundo e disseminou o jiu-jítsu brasileiro. por natália pesciotta

H

élio Gracie tem pouco a ver com o país do sol nascente além da luta que praticava e difundiu pelo mundo, como se percebe pelo sobrenome escocês. O jiu-jítsu chegou à família paraense, no começo do século passado, por artimanha de um imigrante japonês. Naquela época, a mais antiga e mãe de todas as artes marciais era guardada a sete chaves no Japão. Servia para a defesa pessoal de seu povo. A brecha surgiu com Conde Koma. Parentes contam que ele era uma das atrações do circo que o pai de Hélio, Gastão, tinha em Belém do Pará. A partir dele, o irmão mais velho de Hélio teve contato com a arte que viraria especialidade da família. Quando Gastão se separou da esposa, Cesarina, os meninos mudaram-se com a mãe para o Rio de Janeiro, onde Carlos virou lutador famoso. O protagonista da história começa como figurante despercebido. “Ninguém poderia nem imaginar que o caçula meio raquítico fizesse aula de luta. De repente passa a ensinar. E de repente se projeta como o maior lutador do mundo”, conta o amigo e ex-aluno José Geraldo Barreto. Nascido um século atrás, em 1º de outubro de 1913, Hélio deu um passo adiante na trajetória do jiujítsu no Brasil, depois de o irmão ter criado as bases.

HÉLIO GRACIE (1913-2009) Façanha: criador do jiu-jítsu brasileiro Frase: “Se eu lutar 100 vezes contra o Hollyfield, perco duas ou três.” Discípulos improváveis: Oscar Niemeyer, Carlos Lacerda, Clint Eastwood Descendentes no esporte: Rorion, Royce, Royler, Rickson, Kira e mais dezenas de nomes peculiares

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A vez dos fracos

Abalado com a separação dos pais e a mudança para o Rio, Hélio era um garoto debilitado, além de franzino. Estudava em casa com professores particulares e sofria com tonturas. Dos 12 aos 15 anos, apenas observou o irmão ensinando jiu-jítsu aos alunos. Até um dia em que Carlos se atrasou e ele se prontificou a substituí-lo. Sabia os movimentos de cor, sem jamais ter pisado no tatame. Ao fim da aula, os alunos pediram: “Queremos ter aulas com o Hélio”. A desvantagem física foi seu trunfo. Criou um estilo de luta que favorecia o próprio biotipo, valorizando o princípio de alavancas e desenvolvendo golpes técnicos. A modalidade ficou conhecida como jiu-jítsu brasileiro e é a mais difundida da arte marcial. Nos anos 1930, tornou-se sensação a maneira como Hélio, com apenas 63 quilos, vencia lutadores muito maiores e mais fortes. Depois de enfrentar um campeão americano 30 quilos mais pesado, ganhou apoio do público. Foi um dos primeiros ídolos esportivos brasileiros, apesar de não haver campeonatos da modalidade nessa época. “Era um samurai dos tempos modernos”, definiu o ex-aluno Pedro Valente Filho. Hélio superou mestres japoneses da luta, atletas do boxe e capoeiristas. “Às vezes eu fico sem entender como ganhei de sujeitos tão grandes”, brincava. Recentemente, o presidente do MMA mundial, Dana White, afirmou: “O jiu-jítsu brasileiro é como tudo começou. Foi o que deu início ao MMA”. Vitória na derrota

Em 1947, Hélio e Carlos abriram a Academia Gracie, que já teve entre os milhares de alunos gente como Carlos Lacerda, Oscar Niemeyer e o filho do presidente Getúlio Vargas, Maneco. Além da defesa pessoal, a técnica prometia autocontrole, autoconfiança e determinação aos praticantes sem

Ninguém poderia nem imaginar que o caçula meio raquítico fizesse aula de luta. De repente passa a ensinar. E de repente se projeta como o maior lutador do mundo. estereótipo de lutador. “Todo brigador é covarde e inseguro. O homem seguro e confiante domina a pessoa com a moral, não com briga”, dizia Hélio. Até o ator americano Chuck Norris enfrentou Hélio em um encontro, quando passou pelo Rio de Janeiro nos anos 1980. “Só lembro de ter levantado a mão”, contou o faixa-preta em judô, 30 anos mais novo, que depois disso virou aluno do método dos Gracie nos Estados Unidos. Mel Gibson, Silvester Stallone e Clint Eastwood são outras celebridades americanas entusiastas do gracie jiu-jítsu. Hélio lutou profissionalmente até os 49 anos. Das três derrotas que sofreu na vida, o episódio contra Kimura, então campeão mundial de vale-tudo, foi o que mais o orgulhou. Depois do combate, o japonês procurou o oponente para convidá-lo a ensinar artes marciais no Japão: “O jiu-jítsu que o senhor pratica foi esquecido há muito tempo por lá”. Hélio e Carlos moravam numa grande casa em Teresópolis, na Serra Fluminense, com a esposa e os filhos, o que somava dezenas de descendentes. A família tornou-se um clã da arte marcial: todos os membros aprendem a lutar e seguem rotina, normas e dieta semelhante. Hélio não bebia, não ia a festas nem praticava excessos. Casou-se duas vezes e teve nove filhos, que praticamente saíram do berço para o tatame. Deu aulas até pouco antes de morrer, aos 95 anos, em janeiro de 2009. Ainda desafiava: “A técnica substitui a força. Até hoje é difícil alguém me ganhar”.

Revista de história em quadrinhos sobre o fenômeno Gracie, de 1958. Ao centro, Hélio luta em sua academia, no Rio. E, à direita, recebe golpe do irmão Carlos. almanaquebrasil.com.br

imagens: reprodução

saiba mais Gracie Jiu-Jítsu, de Hélio Gracie (Saraiva, 2007).

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Em mesas ou balcões, entre goles e acepipes, nasceram ideias, parcerias, filmes e músicas que marcaram a cultura brasileira. Texto bruno hoffmann e Natália pesciotta Arte Rodrigo Terra Vargas

Há quem defenda que os bares são tão representativos da alma brasileira quanto hinos e brasões. “Assim como a França é conhecida por seus cafés, a Inglaterra

por seus pubs e a Itália por suas cantinas,

o Brasil é conhecido por seus botequins”, defende o jornalista Bruno Ribeiro. O

termo, que no italiano botteghino designava

espécies de mercearias, por aqui ganhou novo significado. Virou ponto de encontro, lugar para a troca de ideias, espaço de criação.

Em balcões e mesas por vezes mal-ajambradas, entre bebidas e petiscos, bares serviram para gerações de brasileiros curarem dores de amor , começarem amizades

eternas, discutirem política e , também,

darem novos caminhos à cultura nacional .

“Os bares do presente, por seus serviços e por sua frequência, podem merecer até o nosso entusiasmo, mas não recebem jamais o nosso amor. O bom freguês só ama o bar que se foi.” Paulo Mendes Campos, escritor

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Anjo Azul abrigou primeira exposição de Carybé “O Anjo Azul era uma espécie de bar fechado, uma boate de clima intelectual”, definiu Dorival Caymmi. Um pintor e um antiquário transformaram o velho depósito, antes ocupado por baratas e ratos, em uma peculiar casa noturna de Salvador. Móveis antigos, talhas de igrejas barrocas e esculturas ousadas faziam parte da decoração. A grande atração era o mural modernista Anjo Azul, de Carlos Bastos, um dos donos. O trabalho do artista plástico influenciou a obra de todos os pintores que frequentavam o bar e ali debatiam filosofia entre goles da batida “xixi de anjo”. Foi lá que o argentino Carybé fez sua primeira exposição no Brasil.


reprodução

O bar Riviera, antro paulistano de “subversivos” nos anos 1970, era o plano de fundo da personagem Rê Bordosa. Angeli, que

batia ponto lá com os irmãos Paulo e Chico Caruso, se inspirou no ambiente e no garçom Juvenal para criar a moça tresloucada.

Vinicius conheceu Tom no Villarino O desconhecido Tom Jobim tomava mais uma cerveja no Villarino, em 1956, quando o jornalista Lúcio Rangel o apresentou para o poeta e diplomata Vinicius de Moraes, que procurava alguém para musicar as canções da peça Orfeu da Conceição. Preocupado com as contas do fim do mês, Tom logo perguntou: “Mas tem algum dinheirinho nisso aí?”. Tinha. E a música brasileira nunca mais foi a mesma. Além da dupla, o Villarino – misto de bar e mercearia no centro do Rio de Janeiro – contava com outros ilustres frequentadores, que costumavam rabiscar suas paredes. Não só com autógrafos. Pablo Neruda escreveu versos, Di Cavalcanti fez desenhos, Ari Barroso representou os acordes de Aquarela do Brasil. Na década de 1960, aborrecido com a “sujeira” nas paredes, um dos donos decidiu pintar tudo de verde.

“Nada é pior para o espírito do que a má companhia. O nosso bar Villarino jamais a admitiu.” Guilherme Figueiredo, dramaturgo

Manauaras tomavam champanhe e canja nos Terríveis O Café dos Terríveis foi um dos mais importantes pontos de encontro da elite de Manaus no início do século passado, quando a cidade vivia o auge do Ciclo da Borracha. Em suas mesas, jovens bem-nascidos discutiam literatura, poesia e planejavam como seria o próximo carnaval da cidade. Além de o café ser conhecido por suas “bebidas finas”, a canja de galinha era um dos pedidos preferidos dos beberrões, como mostra texto publicado em um jornal da cidade em 1906: “A peruada reúne-se toda a noite nos Terríveis, onde se atira ao magnífico champagne que o Argente vende com o melhor dos seus sorrisos. Outros preferem a saborosa canja de galinha, especialidade dos Terríveis, que muito pode fortificar os sobreditos cujos”.

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Nick Bar era filial do TBC

“Tinha tanto artista junto que as paixões se intercambiavam”, brincava Raul Cortez sobre o Nick Bar, onde atores aspirantes à fama, profissionais já renomados e jovens intelectuais bebericavam os mesmos drinques ao som de piano. Naquele salão no bairro do Bixiga, em São Paulo, começou o romance de Tônia Carrero com o diretor Adolfo Celi, até então casado com a também atriz Cacilda Becker. Além de ser vizinho do Teatro Brasileiro de Comédia, o bar tinha o mesmo nome da primeira peça profissional representada pelo TBC: Nick Bar, de 1949.

A sede alternativa do T BC rendeu samba-canção cantado por Dick Farney: Você partiu e me

deixou / Não sei viver sem teu olhar / O que sonhei só me lembrou / Nossos encontros no Nick Bar.

Soberano era escritório da Hollywood tupiniquim

O bar Soberano aparece em mais de 150 longas-metragens brasileiros. Pudera: era vizinho das mais férteis produtoras de cinema dos anos 1970. Ali, na região conhecida como Boca do Lixo, centro de São Paulo, surgiu grande parte dos filmes brasileiros produzidos no período. Diretores como Rogério Sganzerla, de O Bandido da Luz Vermelha, e José Mojica Marins, o Zé do Caixão, marcavam reuniões e resolviam questões nas mesas do Soberano. Como os filmes da Boca do Lixo tinham orçamento curtíssimo, havia até profissionais sem escritório que passavam o telefone e endereço do bar como contato. A “Hollywood brasileira” oferecia prato feito caprichado e, de quebra, truques de mágica do garçom Zé da Massa.

A cerveja sempre estava quente e a sopa, fria, brincavam

Cantar, no Jogral, só se fosse sem frescura Um bar onde Elza Soares batia cartão e o sambista Paulo Vanzolini às vezes ajudava a lavar os copos. Assim era O Jogral, que abraçava músicos em começo de carreira – Martinho da Vila e Jorge Ben Jor, por exemplo –, com a mesma informalidade com que recebia Adoniran Barbosa e Luiz Gonzaga. “Os músicos não estavam ali para se exibir e sim para beber e conversar. Se alguém resolvesse cantar, tudo bem, mas sem frescuras”, contava Vanzolini.

Dono do Jogral,

o músico Luís Carlos Paraná costumava homenagear seus ídolos com a Medalha da Ordem do Jogral.

Em uma noite de bebedeira, o diretor artístico

do selo Marcus Pereira, Aluísio Falcão, foi convencido pelo produtor Pelão a gravar o primeiro disco de Cartola, que já tinha 66 anos.

os frequentadores da Soparia, bar recifense que viu nascer o movimento Mangue Beat, liderado por Chico Science nos anos 1990.

Muitas canções nasceram ou foram compartilhadas no bar do Anísio,

que ficava na praia de Mucuripe, em Fortaleza. Os músicos que formariam o chamado Pessoal do Ceará, como Belchior, Ednardo e Fagner, passavam as noites ali antes de fazer sucesso no Sudeste do País.

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Zicartola tinha comida de Zica e samba de Cartola O segundo andar de um sobrado na rua da Carioca guardava duas preciosidades: as comidas preparadas por dona Zica e as rodas de samba comandadas por Cartola – casal ainda desconhecido em 1963, ano em que o local foi aberto. O estabelecimento funcionava como restaurante durante o dia e bar musical à noite. As rodas atraíam nomes como Zé Kéti e Elton Medeiros. O primeiro cachê de Paulinho da Viola foi conquistado lá, além de ser onde ganhou o apelido – o jornalista Sérgio Cabral achava que Paulo César não era nome de sambista. A vida do bar foi curta. Fechou em 1965, por total falta de tino comercial dos proprietários. Mas tornou-se inimitável. “O Zicartola foi algo único, impossível de repetir”, defende o jornalista Luiz Fernando Vianna.

Até garçom do Saloon entrou no disco dos mineiros “Quando não estava na casa de um dos amigos, Milton Nascimento estava no Bar Saloon”, denunciou o amigo Aluízio Salles. No finzinho da década de 1960, o compositor Fernando Brant apresentou aos amigos da música o botequim que frequentava com os colegas do Suplemento Literário de Minas Gerais, onde trabalhava como jornalista. Ficaram assíduos Márcio Borges, Toninho Horta, Tavinho Moura, Murilo Antunes, Flávio Venturini e Beto Guedes, principalmente depois dos shows de alguém da turma. Não raro a proprietária do lugar opinava nas composições do grupo. Dona Clélia chegou a inscrever uma delas em um festival, de surpresa. Várias reuniões do antológico disco Clube da Esquina (1972) aconteceram no Saloon. China, o garçom, aparece em uma foto no encarte do álbum.

Rio de Janeiro, anos 1940. Uma lista de verbetes de enciclopédia era presença constante no bar Vermelhinho. Rubem Braga, João Cabral de Melo Neto, Heitor dos Prazeres e Vinicius de Moraes sentavam-se sempre nas cadeiras de palha para consumir uísque barato.

Leminski garantia: se Rio tem mar, Curitiba tem bar

“Chegou o Polaco!” Essa era a frase que o dono do bar Stuart disparava ao ver o mais habitual e ilustre frequentador do estabelecimento durante a década de 1980. O poeta Paulo Leminski costumava aparecer por volta das 10 da manhã, sentava-se na mesma mesa, pedia uma dose de vodca e começava a escrever, sozinho, durante horas, até chegar algum amigo. Foi na mesa do bar mais antigo de Curitiba ainda em funcionamento que o poeta cunhou a frase: “O Rio é o mar. Curitiba, o bar”.

Fundado em 1904, o Stuart

saiba mais Manual de Sobrevivência nos Butiquins Mais Vagabundos, de Moacyr Luz (Senac Rio, 2005).

é conhecido pela frequência de intelectuais e também por sua iguaria mais inusitada: testículos de touro.

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renda

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“Aprendi com minha mãe, que aprendeu com a mãe dela, que aprendeu com a mãe dela.” É a resposta que se ouve quase sempre ao perguntar para qualquer rendeira do País como conheceu o ofício de entrelaçar fios. “Aqui em São João do Tigre, a gente já nasce sabendo fazer renda”, brinca a paraibana Maria de Lourdes Oliveira, a Lourdinha, que preside a cooperativa de rendeiras da cidade. O artesanato que passa de mão em mão há centenas de anos chegou ao Brasil no século 18. A versão mais aceita é que tenha começado a se disseminar nas escolas religiosas comandadas por missionárias europeias. “As filhas dos patrões eram internas ali, onde aprendiam a fazer renda, e no retorno para casa ensinavam às parentas, vizinhas e criadas”, explica a designer Lia Monica Rossi, que trabalha com artesanato têxtil e pesquisa o tema desde 1994. Por esse ponto de vista, podemos dizer que é um ofício democrático, praticado por mulheres de diferentes níveis sociais. Como a arte de rendar foi trazida para o Brasil por estrangeiras dos mais diversos lugares, há uma grande variedade de tipos dentro do País: renda de bilro, renascença, filé, irlandesa, frivolité, tenerife.

Divulgação SEBRAE

Trazida por estrangeiras de diferentes lugares, aqui a renda encontrou mãos habilidosas que multiplicaram pontos, criaram soluções e teceram uma arte singular como o País. por natália pesciotta

Divulgação SESC/SP

DIVERSA COMO O BRASIL

Discípula ficou melhor que a mestra

Apesar das diferentes técnicas, o folclorista Câmara Cascudo defendia que a matriz principal é portuguesa. “Vinda de Portugal e feita no Brasil pela mulher branca, a renda passou às ‘crias de casa’ no ensino diuturno, puxado a palmatória e vara de marmeleiro.” Ele afirmava com certeza: “A rendeira, seja qual for o seu grupo sanguíneo, é discípula da mestra portuguesa. Discípula que desdobrou e melhorou o magistério, passando-o adiante, numa disseminação inconsciente, tenaz e proveitosa”. Além de criar pontos peculiares, as rendeiras nacionais improvisaram instrumentos. Muitas vezes o espinho do mandacaru faz as vezes de agulha. O bilro, peça usada como peso da linha, pode ser feito de várias espécies vegetais, como o próprio cacto ou sementes nativas. Há até quem use fibra de bananeira para rendar. “A riqueza e qualidade da renda brasileira são notáveis”, observa Lia Monica. 28

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TENERIFE VERSÃO GUARANI O tradicional tipo de renda feito em Tenerife, na Espanha, por aqui ganhou nome indígena: nhanduti, que significa teia de aranha. Pelo formato circular, também é chamado renda sol. É comum no interior de São Paulo.


obteve uma vitória: foi declarada patrimônio cultural do Brasil pelo Iphan. A

Ascom/ Prefeitura de Divina Pastora

patrimônio cultural Em 2009, a renda irlandesa feita em Divina Pastora Divulgação SESC/SP

cidade sergipana mantém tradição nesse tipo de rendado, que, apesar do nome, tem origem italiana. Na técnica, a rendeira segue o traçado de um molde com o desenho. Em Santa Rosa de Lima, também em Sergipe, rendeiras usam fios de

reprodução

Divulgação SEBRAE

fibra de bananeira para fazer a renda irlandesa.

PEIXE E FILÉ Como as redes usadas por pescadores e a base da renda filé são muito parecidas – feitas, inclusive, com o mesmo tipo de agulha –, é bem comum que onde tenha um haja o outro. A produção do tipo concentra-se no Ceará e em Alagoas.

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Em texto de 1962, Câmara Cascudo escreveu que “o labor minucioso, tenaz, miúdo e apaixonante não dá retribuição”. Mas a verdade é que, hoje, unidos em cooperativas e com apoio de entidades como o Sebrae, as mulheres e pouquíssimos homens que praticam o ofício conseguem extrair renda da renda. O polo produtor onde fica a cooperativa da paraibana Lourdinha, por exemplo, exporta peças para Japão, França e Estados Unidos, além de fornecer material para estilistas como Ronaldo Fraga e Martha Medeiros. “Felizmente, novas inserções na moda e na decoração estão valorizando um pouco as modalidades artesanais no Brasil”, diz Lia Monica Rossi, apesar de ainda lamentar o baixo preço do produto. Tereza Cristina, colega de Lourdinha na cooperativa de São João do Tigre, dá a palavra final: “Para mim, além de terapia, o trabalho é uma forma de renda”.

Divulgação

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Renda da renda

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Modelo em desfile de Ronaldo Fraga (à esquerda) e Martha Medeiros (à direita).

AMOR SEGURO E PIPOCA Com registros no Brasil desde o século 18, a renascença talvez seja a variedade de renda que mais acumulou tipos de pontos com nomes brasileiros. Alguns deles: amor seguro, canela, torre de quatro, cocada, recife, sianinha, pipoca. A renda renascença remonta ao período do Renascimento europeu, quando a técnica já usada em antigas civilizações árabes foi resgatada. Nessa modalidade, comum em Pernambuco e na

Secult Ceará

Paraíba, a renda é feita com ajuda de uma fita onde fica a linha. 1.000 metros A maior renda do mundo fica em Arquidaz, no Ceará. A peça tem 970 metros de comprimento, mas ainda não está pronta. A ideia de 40 rendeiras do Complexo Artesanal de Arquidaz, que se revezam na obra conjunta há sete anos, é chegar a mil metros de extensão. Tudo para “atrair olhares, cativar as rendeiras mais novas e não perder a tradição”, explica o responsável pelo complexo, Antônio Moreira Menses. Modalidade praticada em Arquidaz, a renda de bilro é feita com apoio de uma almofada onde fica a base com alfinetes. A partir daí, a rendeira vai movimentando espécies de pequenos pesos com a linha, o chamado bilro, para trançar os fios. Presente em muitos estados, a renda de bilro tem uma lista quase interminável de padrões possíveis: dente de caranguejeira, estrada de ferro, farofa, bunda de sapo, porta de igreja, ventania.

saiba mais Design + Artesanato: O caminho brasileiro, de Adélia Borges (Terceiro Nome, 2011).

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outubro 2013


Geraldo Falcão

dança

artes visuais André Valentim

Patrimônio Edificado

Fundação Pierre Verger

esporte Paulo Negreiros

André Valentim

reprodução

Guto Muniz

Patrícia Santos

Cinema

Jônio Machado

Agência Petrobras

música

teatro

#meinspira

meio ambiente cidadania

Patrimônio imaterial


Inspiração brasileira Foi a crença no potencial do País que inspirou a criação da Petrobras, uma empresa com a alma e a certidão brasileiras. Desde outubro de 1953, construímos uma trajetória de superação de desafios, indo cada vez mais longe, cada vez mais fundo – seja em terra, seja na exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas. A Petrobras possui hoje mais de 129 plataformas de produção, 15 refinarias, mais de 14 mil quilômetros em dutos e 7.500 postos de combustíveis apenas no Brasil. Nossas reservas provadas estão em 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente e devem dobrar nos próximos anos. Mas nada disso teria sido alcançado sem a gente brasileira. Essa que acredita, que cria caminhos, que se supera. Uma gente que se mostra nas telas, nos palcos, que carrega no corpo nossa ginga e arranca aplausos em todos os cantos. Gente que emociona com acordes, olhares, formas, cores, ideias. Gente que batalha pela riqueza do que é nosso: nossa cultura, nosso patrimônio, nossa biodiversidade. Gente que vence os desafios e se reinventa. Hoje, o mundo inteiro olha para essa gente. É ela que inspira o que a gente faz.

Acesse o hotsite www.petrobras.com.br/meinspira e compartilhe inspiração.

Guto Muniz

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cultura em 360 Graus A cultura é o bem mais precioso de um povo. A partir da música, do teatro, da dança, do cinema e de tantas outras manifestações artísticas, expressamos pensamentos e construímos saberes. Reconhecida como a empresa que mais apoia a cultura no Brasil, a Petrobras investe em ações voltadas para a produção, difusão e circulação de bens culturais. Além disso, está presente na formação de novos públicos e de novas plateias, na memória e na reflexão sobre a cultura e o pensamento brasileiros. No cinema, a Petrobras exerceu importante papel ao patrocinar o filme Carlota Joaquina, que deu início à retomada do cinema brasileiro em 1994. Hoje, a companhia já ultrapassa a marca de 500 longas patrocinados. Nas artes cênicas, de maneira única, patrocina a manutenção de cerca de 20 grupos de teatro, sediados não apenas nos tradicionais centros de produção brasileiros, o que possibilita a continuidade de pesquisa, criação e difusão em diferentes pontos do País. A partir do trabalho de companhias de dança como Corpo e Deborah Colker, a empresa ajuda a projetar o Brasil em várias partes do mundo. Há 27 anos patrocina a Orquestra Petrobras Sinfônica, uma das mais importantes do País. Dá apoio a festivais multilinguagem, a projetos de fotógrafos como Sebastião Salgado e aos mais tradicionais eventos de arte, como a Bienal de São Paulo. Desde 2003, realiza o Petrobras Cultural, o principal programa de patrocínios culturais do País. Em nove edições, a Seleção Pública Petrobras Cultural destinou Urso de Ouro R$ 380 milhões a 1.453 projetos em todas as regiões, valorizando a cultura Em 2008, Tropa brasileira em sua diversidade étnica e regional. de Elite recebeu o O olhar da Petrobras para a cultura gira em 360 graus: preservamos o passado, marcamos o presente e investimos no futuro. É isso que nos inspira. prêmio de melhor

Fenômeno de audiência O filme Tropa de Elite, baseado no livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, causou repercussão estrondosa antes mesmo de ser lançado. Estima-se que 11 milhões de brasileiros tenham visto o longa-metragem dirigido por José Padilha antes da estreia – número que se soma aos mais de 2,4 milhões de espectadores que encheram as salas de cinema. A continuação do filme, lançada em 2010, foi vista nas telonas por cerca de 11 milhões de pessoas.

Retomada reprodução

reprodução

filme no Festival de Berlim.

Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, foi escolhido pela revista norteamericana Time como um dos 100 melhores filmes da história.

Cerca de 1,3 milhão de pessoas assistiram a Carlota Joaquina, filme de Carla Camurati que marca a retomada do cinema brasileiro, em 1994. Além das salas de cinema, os espectadores puderam conferir o bemhumorado retrato da família real portuguesa em caravanas que promoveram sessões de rua em localidades sem salas de exibição.


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©Sebastiao Salgado/Amazonas images

Retratos do exílio

“Não acredito que o fotógrafo seja, sozinho, o responsável pela fotografia. No fundo, ele a recebe. A pessoa dá a fotografia, essa é que é a verdade.” Sebastião Salgado

“No Grupo Corpo estão os diversos Brasis, o passado e o futuro, o erudito e o popular. Tudo ao mesmo tempo sendo resolvido como arte. Arte brasileira. Arte do mundo.” Helena Katz, crítica de dança

Um dos grupos de dança contemporânea mais aclamados do País nasceu na sala de uma casa de Belo Horizonte. Em 1975, seis irmãos da família Pederneiras e amigos resolveram criar uma companhia de dança. Hoje, com 35 coreografias e mais de 2.200 apresentações na bagagem, o Grupo Já compuseram Corpo faz uma média trilha para de 70 récitas anuais, espetáculos apresentando-se em lugares tão distintos do Corpo quanto Islândia e Coreia # Tom Zé do Sul, Estados Unidos # Milton Nascimento e Líbano, França e # João Bosco Singapura.

# Arnaldo Antunes # Caetano Veloso # Lenine

Baile pelos continentes Deborah Colker foi a primeira mulher a criar e dirigir um espetáculo do Cirque du Soleil. Ovo ganhou os palcos do mundo em 2009.

Flavio Colker

Corpo brasileiro no mundo

José Luiz Pederneiras

UNICEF/HQ01-0123 NICOLE TOUTOUNJI

Sebastião Salgado é um dos maiores fotógrafos da atualidade. Ao longo de seis anos, ele viajou para 40 países, apontando as lentes em direção aos refugiados. Os registros estão no livro Êxodos (2000) e em uma grande exposição que rodou o mundo. São 350 fotos em que o destaque é o drama humano. “Poucas pessoas abandonam a terra natal por vontade própria. Em geral, elas se tornam migrantes, refugiadas ou exiladas constrangidas por forças que não têm como controlar, fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras”, diz o fotógrafo.

A Companhia de Dança Deborah Colker nasceu em 1993. No ano seguinte, já se apresentava no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Até hoje, montou 10 espetáculos, levados a dezenas de países, do vizinho Uruguai ao longínquo Macau.


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Patrocinada a partir de 1987, a Orquestra Petrobras Sinfônica é referência em música clássica no País. Sob o comando do maestro Isaac Karabtchevsky, 80 músicos fazem em média 60 apresentações por temporada, com o compromisso expresso com a brasilidade e a democratização do acesso à música clássica.

Música clássica para todos

Samba no Municipal Na

Patrícia Santos

estreia da Série MPB & Jazz, em 2004, Paulinho da Viola e a Velha Guarda da Portela se juntaram à Orquestra Petrobras Sinfônica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. De lá para cá, a série homenageou personalidades como Pixinguinha, Heitor Villa-Lobos e Tom Jobim.

100 mil nos teatros Criado em 1994, o Porto Alegre em Cena firmou-se como um dos mais importantes festivais de teatro do Brasil, com dezenas de montagens e apresentações a cada ano. O evento tem média de 100 mil espectadores por edição.

500 mil nos museus Uma exposição com 58 obras do escultor francês Auguste Rodin, em 1995, atraiu cerca de 500 mil pessoas ao Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, e à Pinacoteca de São Paulo. Nunca uma exposição de artes plásticas havia sido visitada por tanta gente no Brasil.

Em 2012, a Bienal Internacional de Arte de São Paulo chegou à sua 30ª edição. A edição inaugural, em 1951, foi a primeira grande exposição de arte moderna fora dos centros culturais europeus e norte-americanos. Ao longo dessa trajetória, a Bienal já apresentou importantes obras de alguns dos maiores nomes das artes mundiais, como Pablo Picasso, Andy Warhol e Jackson Pollock, além de artistas brasileiros consagrados, como Di Cavalcanti e Alfredo Volpi. Ao lado da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel, é considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional.

Um dos maiores eventos de arte do mundo

Fundação Bienal de São Paulo

Projetado por Oscar Niemeyer, o Pavilhão da Bienal abriga também alguns dos eventos mais vibrantes e significativos da economia criativa no Brasil, como a São Paulo Fashion Week e a feira de arte SPArte.


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A Petrobras faz parte da trajetória esportiva brasileira desde 1956, quando seu logotipo foi exibido na primeira edição das Mil Milhas Brasileiras, em São Paulo. A partir dos anos 1990, a companhia passou a utilizar as competições automobilísticas não apenas para exibir a marca, mas também como laboratório para desenvolver produtos, como lubrificantes e combustíveis. O esporte motor é totalmente ligado às atividades da empresa, em uma via de duas mãos. A partir dos patrocínios e parcerias tecnológicas do Programa Petrobras Esporte Motor, a companhia faz com que seus produtos sejam testados e aprovados por quem os utiliza sob as mais rigorosas condições.

Desde 1996 a Petrobras é a fornecedora exclusiva de combustíveis e lubrificantes da Fórmula Truck e, em 1999, passou a patrocinar a Seletiva de Kart Petrobras. Também patrocina o Baja SAE, competição que estimula o surgimento de novos profissionais brasileiros na área da tecnologia automotiva, e a Fórmula SAE, evento universitário que promove a construção de veículos de competição com motores de até 610 cilindradas. Além disso, apoia o Campeonato Moto 1000 GP, que tem como objetivos a formação, evolução, desenvolvimento e profissionalização dos pilotos brasileiros de motociclismo, e a Copa Petrobras de Marcas, que promove a disputa entre modelos de fábrica de diversas montadoras.

A Equipe Mitsubishi Petrobras, do piloto Guilherme Spinelli e do navegador Youssef Haddad, leva as cores da companhia para as principais provas de rali do Brasil e do mundo desde 2012. A parceria com a montadora vai além das pistas. A Mitsubishi também passou a recomendar o uso dos combustíveis Petrobras para todos os modelos da marca. Nas competições, Spinelli e Haddad usam o ASX Racing, veículo desenvolvido para encarar todos os tipos de terreno.

Com as cores do Brasil

Veículo: ASX Racing Motor: 4,7L, V8, 32 válvulas, DOHC Potência: 348.5 HP/5.250 rpm Torque: 509.1 kgf.m/4.250 rpm Peso bruto: 1.925 kg Tanque: 500L Velocidade máxima: 205 km/h

CARSTEN HORST/ Divulgação

Equipe Mitsubishi Petrobras

O primeiro grande desafio de Guilherme Spinelli e Youssef Haddad com o Mitsubishi ASX Racing foi o Rally Dakar 2013, a maior e mais difícil prova off-road do planeta. Ainda em 2013, a dupla enfrentou o Rally dos Sertões e ficou com o vice-campeonato.

David Santos Jr / Divulgação

Agência Petrobras

Em todas as pistas

Agência Petrobras

Sob as mais rigorosas condições


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Por um Brasil olímpico A Petrobras hoje se posiciona como uma das maiores parceiras do esporte nacional. Desde 2011, a empresa apoia cinco modalidades que historicamente receberam pouco apoio no Brasil: boxe, esgrima, remo, taekwondo e levantamento de peso. Em 2013, foi fechado um acordo com a Confederação Brasileira de Judô. Durante os próximos quatro anos, a empresa investirá 20 milhões de reais na modalidade. Os patrocínios fazem parte do Plano A esgrima brasileira Brasil Medalhas, do Governo Federal, que tem o objetivo de colocar o País esteve presente já na entre os 10 primeiros nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos 11ª edição das Olimpíadas, Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

em 1936, na Alemanha.

A esgrima chegou ao Brasil durante o período imperial, por interesse de dom Pedro II. Em 1858, a modalidade passou a integrar os cursos de Infantaria e Cavalaria do Exército Brasileiro. No mesmo ano, foi criada uma escola de esgrima no Batalhão de Caçadores de São Paulo.

Guerreiros da filosofia O taekwondo surgiu na Coreia, um século antes de Cristo, como técnica de combate associada a ensinamentos de história e filosofia. O esporte chegou ao Brasil em 1970, pelo mestre Sang Min Cho, e nos rendeu o primeiro bronze na Olimpíada de Pequim, em 2008, com Natália Falavigna.

O remo foi uma das nove modalidades que figuraram na primeira Olimpíada Moderna, em 1896, na Grécia. Porém, não houve vencedores. Devido ao mau tempo, a prova foi cancelada, e só pôde ser disputada novamente na Olimpíada de Paris, em 1900.

Apoio de peso

Getúlio Vargas era grande incentivador do levantamento de peso. O presidente acreditava no esporte como alavanca para constituir “um novo homem brasileiro”.

Na Olimpíada de Londres, em 2012, Jaqueline Ferreira quebrou o recorde brasileiro da categoria até 75 kg, ao levantar 230 kg (arranque e arremesso). Com a marca, obteve o melhor resultado do País na modalidade: o oitavo lugar geral.

NO PÓDIO

O boxe trouxe três medalhas para o Brasil dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Os irmãos capixabas Esquiva, prata na categoria até 75 kg, e Yamaguchi, bronze na categoria até 81 kg, se juntaram no pódio à baiana Adriana Araújo, bronze na categoria leve. Antes disso, o boxe brasileiro só havia ganhado uma medalha em 1968, com Servílio de Oliveira.

Divulgação/ Confederação Brasileira de Judô

Desde a primeira Olimpíada (ou quase)

O judô é a modalidade olímpica que mais medalhas trouxe ao Brasil. Nossos judocas subiram ao pódio 19 vezes – três delas com o ouro no peito: Aurélio Miguel (1988), Rogério Sampaio (1992) e Sarah Menezes (2012). No Mundial disputado no Rio de Janeiro em agosto, a equipe brasileira obteve um desempenho histórico. Foram seis medalhas, incluindo o ouro de Rafaela Silva e uma prata feminina por equipes.

na ponta da luva

Agência Petrobras

Agência Petrobras

Espadas em punho


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Memória ao alcance dos olhos O tempo legitima obras, mas também danifica. É preciso muito cuidado para que construções históricas do Brasil e o acervo de grandes personalidades não se percam no desgaste dos anos ou em gavetas fechadas. Milhões de reais são investidos todos os anos, com apoio da Petrobras, para que patrimônios nacionais sejam preservados com a qualidade e tecnologia necessárias. Graças ao esforço, marcos da arquitetura, como o Palácio Capanema e o Theatro Municipal, no Rio de Janeiro, ou a Catedral de Brasília, preservam suas características originais. O processo de restauro e digitalização de acervos, além da construção de espaços adequados para receber obras de fundamental importância, garante a permanência do legado de personalidades como Pierre Verger, Para erguer o Palácio Capanema, Paulo Freire e José Mindlin. Assim, eles e outros tantos Lúcio Costa montou uma equipe de ilustres brasileiros continuam a nos inspirar.

jovens ambiciosos, com a participação de nomes como Portinari e Burle Marx, além de um estagiário chamado Oscar Niemeyer.

Marco da arquitetura modernista

Um grupo de alpinistas profissionais escalou a Catedral de Brasília em 2011. Nada de esportes radicais. Eles participaram da restauração do monumento. Acostumados a trabalhar em plataformas de petróleo, os profissionais instalaram os novos vitrais em grande altura. Tudo porque, se fossem montados andaimes, o ponto turístico mais visitado de Brasília teria que ser fechado.

Alpinismo na Catedral Paulo Negreiros

Divulgação/ RIOTUR

Assim que o presidente Getúlio Vargas nomeou Gustavo Capanema ministro da Educação e Cultura, em 1935, o arrojado chefe da pasta tratou de providenciar um prédio para abrigar o ministério. Um concurso entre arquitetos do País reuniu 34 concorrentes. Nenhum agradou. O ministro então convocou Lúcio Costa para um projeto mais moderno. Le Courbusier, o arquiteto francês com as ideias mais inovadoras do momento, foi chamado como conselheiro do prédio que se tornaria o marco inicial da arquitetura modernista brasileira.


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Um teatro coberto de ouro

Quando um de seus livros completava aniversário, José Mindlin costumava deixá-lo aberto, junto a flores e velas.

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Quando José Mindlin morreu, em 2010, sua coleção já havia sido doada para a Universidade de São Paulo. “A gente passa, os livros ficam”, dizia. Para abrigar cerca de 60 mil volumes sobre a história e a literatura brasileiras, a moderna Biblioteca Brasiliana foi inaugurada em 2013, com 20 mil metros quadrados.

O mais baiano dos franceses

“A gente passa, os livros ficam”

De todos os lugares pelos quais passou em suas andanças pelo mundo, Pierre Verger escolheu a Bahia como lar, nos anos 1940. O fotógrafo e antropólogo francês focou no estudo dos ritos afrobrasileiros. Na África, foi sagrado babalaô; no Brasil, Oju-Obá (olhos de Xangô). Sua produção está registrada em mais de 30 livros, 130 horas de fitas gravadas na África negra, Caribe e Brasil e 65 mil negativos – material hoje devidamente digitalizado e conservado.

Paulo ontem e hoje Não é composta apenas de ideias a herança do educador pernambucano Paulo Freire. Ao morrer, em 1997, ele deixou 20 mil páginas de textos e 100 vídeos. O material, somado a 2.500 fotos sobre a aplicação de suas teorias, forma uma coleção de fundamental importância para a educação do País.

Fundação Pierre Verger Instituto Paulo Freire

Além de história e décadas, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro guarda diversas curiosidades. Algumas delas: Quando o edifício inspirado na Ópera de Paris foi inaugurado, em 1909, não era só a mais luxuosa como também a mais alta construção carioca. Oito mil folhas de ouro trouxeram o brilho de volta à águia da fachada do teatro. Para recobrir o telhado, foram gastas 80 mil folhas de ouro.

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Paulo Freire

Marcos Santos/USP Imagens

Divulgação/Theatro Municipal RJ

Ao longo de 104 anos, o Theatro Municipal passou por quatro reformas: nos anos 1930, 1970, 1980 e, a mais abrangente, em 2010.


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Desenvolvimento e cidadania Atuar com responsabilidade social é um desafio que a Petrobras tem orgulho de vencer a cada dia. A significativa importância do tema na companhia se traduz em investimentos. De 2007 a 2012, o Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania investiu cerca de R$ 1,2 bilhão em projetos que promovem desenvolvimento com igualdade de oportunidades e valorização das potencialidades locais. Quando o Governo Federal instituiu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, em 2010, a Petrobras já estava afinada com suas diretrizes. Há 10 anos, a companhia apoia ações de inserção social e econômica de catadores Tudo se transforma de materiais recicláveis, de modo a valorizar uma categoria No Mato Grosso do Sul, o Instituto Arara de trabalhadores historicamente excluída, que luta para conquistar o reconhecimento de seu trabalho e de sua Azul e, em Pernambuco, o Movimento contribuição ao País. Preservar ensinam e praticam técnicas

de produção de mercadorias a partir do plástico descartado: estojos, pastas, decoração de festa e até sabão.

RESÍDUO + TECNOLOGIA = COMBUSTÍVEL

André Valentim

Óleo de cozinha usado é um dos componentes utilizados pela Usina de Quixadá, no Ceará, para a produção de biocombustível. Uma parceria da Petrobras com catadores locais mantém o fornecimento da matéria-prima e garante a renda dos trabalhadores.

30% é o aumento médio da renda dos cooperados da Cataunidos (MG).

LIXO + TECNOLOGIA = ENERGIA Transformar lixo em energia limpa é possível. A primeira usina de gás verde do País funciona no antigo lixão de Gramacho, na Baixada Fluminense. O gás metano do local, resultado da decomposição do lixo, será usado na produção de biocombustível.

Na Grande São Paulo, mais de mil vassouras de gari são produzidas por mês a partir de garrafas pet pela Rede ABC.

Entre 2011 e 2012, 182 catadores de material reciclado de 63 cooperativas participaram de cursos de capacitação sobre resíduos eletrônicos promovidos pelo projeto Ecoeletro, na Escola Politécnica da USP.

Catadores na universidade

Marcos Santos/ USP Imagens

Em Sorocaba (SP), os associados da Rede Cata-Vida transformam plástico descartado em tubulação de esgoto.


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Um mergulho na biodiversidade brasileira

PROJETO GOLFINHO ROTADOR

Agência Petrobras

Na Petrobras, a responsabilidade socioambiental faz parte da missão e está totalmente ligada ao negócio. Além da gestão dos processos internos para redução de impactos, muitos projetos são patrocinados pela companhia. Em 10 anos, as ações do Programa Petrobras Ambiental já envolveram diretamente mais de quatro milhões de pessoas, 1.500 parcerias e o estudo de cerca de oito mil espécies nativas. Para compartilhar tamanho conhecimento, resultado de expedições científicas feitas pela empresa em parceria com institutos de pesquisa, a Petrobras lançou o site Biomapas, que reúne fotos e vídeos sobre fauna, expedições e projetos ambientais de preservação de biodiversidade marinha ao longo da costa brasileira, além de farto material sobre a fauna e a flora da região de Urucu, na Amazônia. Confira alguns dos destaques dos Biomapas.

Em parceria com pesquisadores da região amazônica, a Petrobras mapeou e catalogou mais de 200 mil espécies de plantas da região do Urucu, a 680 quilômetros de Manaus. Muitas dessas espécies estão preservadas no viveiro de sua base de operações.

INSTITUTO BALEIA JUBARTE

Projeto Tamar

As atividades do projeto no litoral de São Paulo e Bahia mudaram a história da tartaruga-marinha no Brasil. Hoje, a espécie que chegou a ser ameaçada está em recuperação. Desde 1983, o trabalho envolve comunidades caiçaras e busca a mudança de hábitos prejudiciais à espécie.

SAIBA MAIS Visite o site www.petrobras.com.br/biomapas e assista a vídeos sobre as espécies e o mapeamento.

O turismo de observação de baleias jubarte leva, todos os anos, cerca de quatro mil turistas à costa da Bahia. O Instituto Baleia Jubarte possui o maior banco de imagens de baleias fotoidentificadas do mundo. Desde a sua criação, já foram catalogados 3.555 animais da espécie.

Banco de Imagens Petrobras

Projeto Urucu

acervo Projeto Tamar

André Motta de Souza

Desde a criação do Projeto Golfinho Rotador, em 1989, os pesquisadores realizaram mais de seis mil dias de observação e 1.500 mergulhos com golfinhos nas águas de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Cerca de 10 mil animais da espécie foram registrados.


teste o nível de sua brasilidade

MARQUE sua pontuação no termômetro ao lado

1 Time defendido por Pelé em sua última atuação, em 1°/10/1977: (a) Bauru Atlético Clube (b) Barcelona (c) Cosmos (d) Corinthians

2 Protagonizou a novela Roque Santeiro, que estreou em 5/10/1985: (a) Juca de Oliveira (b) Lima Duarte (c) José Wilker (d) Antônio Fagundes

5 Símbolo de Jânio Quadros na eleição presidencial realizada em 3/10/1960: (a) Vassoura (b) Borracha (c) Bigode (d) Pente

6 Primeira revista que publicou

7 Autor de O Povo Brasileiro,

histórias em quadrinhos no Brasil, lançada em 11/10/1905: (a) O Teco-Teco (b) O Tico-Tico (c) A Turma do Pererê (d) Recreio

nascido em 26/10/1922: (a) Darcy Ribeiro (b) Gilberto Freyre (c) Sérgio Buarque de Holanda (d) Joaquim Nabuco

3 Primeira base de lançamento de foguetes da América do Sul, inaugurada em 5/10/1964 no Rio Grande do Norte: (a) Barreira do Inferno (b) Alcântara (c) Fortaleza dos Reis Magos (d) Lajedo de Soledade

4 Maior sucesso de Wando, cantor nascido em 2/10/1945: (a) Água e Fogo (b) Fogo e Paixão (c) Estrela e Luar (d) Raio e Estrela

8 Estado criado em 1°/10/1977, que faz fronteira com Bolívia e Paraguai: (a) Acre (b) Mato Grosso do Sul (c) Rondônia (d) Tocantins

8 7 6 5 4 3 2 1 0

ligue os pontos

Palavras Cruzadas

Foi a medida monetária oficial do Brasil do início da colonização a 1942, por ser a mesma de Portugal. O seu plural está presente em diversas letras de samba. A segunda moeda brasileira entrou em circulação durante o Estado Novo. O nome adotado havia sido sugerido até por Machado de Assis, em crônica de 1889. Um plano econômico criado pelo presidente José Sarney instituiu a moeda em 1986. Foi batizada de acordo com uma antiga moeda de ouro portuguesa dos tempos do Brasil Colônia.

CARTA ENIGMÁTICA “Não acredito em brasileiro sem

erro de concordância.” Nelson Rodrigues.

DE QUEM SÃO ESTES OLHOS?

SE LIGA NA HISTÓRIA 1b (Cruzeiro); 2d (Real); 3a (Real/Réis); 4c (Cruzado). BRASILIÔMETRO 1c; 2c; 3a; 4b; 5a; 6b; 7a; 8b.

Divulgação

ENIGMA FIGURADO Denise Fraga.

Fagner

O plano bemsucedido para conter a hiperinflação foi instituído em 1994, com a criação da moeda com o mesmo nome da que vigorou no País até 1942.

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O TRI DA AZURRA Aos 40 anos, Dino Zoff se tornou o jogador mais velho a ganhar uma Copa do Mundo. Também foi o único goleiro da história que, como capitão, teve a honra de imagens: reprodução

levantar o troféu.

O

Brasil desembarcou na Espanha como grande favorito para conquistar a Copa do Mundo. A seleção treinada por Telê Santana já era notória pelo futebol ofensivo e envolvente e por contar com um craque por posição. A campanha do técnico antes da Copa fora quase irrepreensível: 31 jogos, 23 vitórias, seis empates, duas derrotas. Já a esquadra italiana chegou à competição sob críticas. Três empates nos três jogos da primeira fase aumentaram a desconfiança. Enquanto isso, o Brasil atropelava União Soviética (2 x 1), Escócia (4 a 1) e Nova Zelândia (4 a 0). Na segunda fase, o Brasil passou pela Argentina (3 x 1) e precisava apenas de um empate diante da Itália para seguir na competição. O limitado atacante Paolo Rossi, porém, estava em um dia iluminado. Marcou três gols e despachou a seleção para casa. A Azurra avançou, venceu a Polônia, a Alemanha e conquistou o tricampeonato mundial.

A maior goleada da história dos Mundiais aconteceu na Espanha: a Hungria bateu El Salvador pelo acachapante placar

A imagem da Copa A foto ao lado estampou a capa do Jornal da Tarde no dia seguinte à derrota do Brasil contra a Itália. O menino de 10 anos tornou-se símbolo do sentimento nacional após o fracasso no estádio de Sarriá, em Barcelona. Instantes depois do fim do jogo, o fotojornalista Reginaldo Manente viu o garoto chorando no meio da torcida. Pulou o alambrado, passou por uma barreira de proteção e disparou. “A foto foi tirada no momento exato em que ele puxava ar para recomeçar a chorar”, diz Manente. O retrato rendeu a ele o Prêmio Esso de Jornalismo daquele ano. 44

outubro 2013

de 10 a 1.


FIGU RINHA CARI MBA DA

Itália Itália Itália Itália Itália Itália Itália

Paolo Rossi Um escândalo quase acabou com a carreira do atacante Paolo Rossi. Em 1980, ele foi acusado de fazer parte de um esquema de manipulação de resultados no Campeonato Italiano e condenado a dois anos de suspensão dos gramados. A pena terminou menos de um mês antes da Copa. A despeito das críticas, o técnico italiano Enzo Bearzot apostou no jogador e o manteve em campo mesmo depois dos maus resultados na primeira fase da competição. E acertou. Além de se tornar carrasco dos favoritos, Rossi fez seis gols nos quatro últimos jogos e gravou seu nome na memória dos italianos. E na dos brasileiros.

0 x 0 1 x 1 1 x 1 2 x 1 3 x 2 2 x 0 3 x 1

Polônia

primeira fase

Peru Camarões Argentina

segunda fase

Brasil Polônia semifinal Alemanha

final

GÊNIOS DO MEIO DE CAMPO

Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico O meio de campo da seleção brasileira era o grande diferencial do time comandado por Telê Santana. Em vez de colocar dois brucutus para defender o setor, o treinador preferiu apostar em volantes extremamente técnicos e inteligentes, como Toninho Cerezo e Falcão, enquanto os também geniais Sócrates e Zico ditavam o ritmo mais à frente. O título não veio, mas esse meio de campo nunca mais foi esquecido pelos admiradores do futebol bonito.

da Espanha foi A mascote da Copa stida pática laranja ve Naranjito, uma sim uta é seleção local. A fr com o uniforme da peu. regiões do país euro típica de algumas

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O Chico, filho do fazendeiro Antonico, comprou uma motocicleta. E zanzava com ela pra tudo quanto era canto. Um belo dia, ao passar pela venda do seu Anastácio, longe da fazenda onde morava, acabou a gasolina. A cidade estava distante e não havia posto nem pra uma molhadinha no tanque do filho do fazendeiro. Sem ter o que fazer, Chico apelou para o vendeiro: Chico – Seu Anastácio, o senhor não tem gasolina pra vender, tem? Anastácio – Ói, tenho fumo de corda, aguardente, sabão, fósforo, jabá, feijão... Mas gasolina, gasolina, mêmo, num tenho não. O que tenho aqui é um monte de vidro de óleo de rícino, que é pra

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outubro 2013

“GASOLINA NUM TENHO”, DISSE O VENDEIRO. “MAS TENHO ÓLEO DE RÍCINO, PRA MÓDE SOLTAR A BARRIGA DE MENINO DOENTE...”

móde soltar a barriga de menino doente. Se é bão pra curá criança, talvez seja bom pra pegar a moto. Sem alternativa, Chico aceitou a lógica meio torta do vendeiro. Derramou uma dúzia de vidrinhos de óleo de rícino no tanque, cruzou os dedos e deu a partida. E não é que, para a surpresa da caboclada que a essas alturas já tinha se ajuntado em volta da moto, a danada funcionou logo de primeira? O filho do fazendeiro agradeceu e partiu, soltando fumaça pelo escapamento.

No outro dia, quando Chico ia passando diante da venda, seu Anastácio assuntou, curioso: Anastácio – Ô, Chico. A moto chegou bem lá fazenda? Chico – Chegar até que chegou, seu Anastácio. Só que teve uns inconvenientes... Anastácio – Incunvinientes? Como é que foi isso? Chico – A bichinha não podia ver um matinho. Daqui até a fazenda, a gente parou em umas 20 moitas!

rodrigo terra vargas

A moto e a dor de barriga


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