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ALMADAFORMA a revista do centro de formação da associação das escolas de almada

ISSN 2183-4083

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nº8|novembro|2014


Índice Editorial A Qualificação em Portugal  (In)vocações do Ensino Vocacional  Onde pairam as políticas  Aprendizagem ao Longo da Vida  Os Cursos Profissionais  Escola Profissional de Almada  a participação em concursos  Criação da imagem gráfica  As TIC como motivação  Os Profissionais de Informática  Registos Significativos  keycoach  keycoach Project A Romanian Approach  In-company classes: a new teaching methodology  Coaching applied in education?  O Professor-Coach Ensino Profissional  Uma jornada particular Algumas notas sobre o Ensino Profissional Conhecer para (Trans)Formar  Formação Contínua de Professores Chegamos a Sevilha

3 4 7 11 15 19 21 25 31 33 35 41 44 45 46 50 53 55 57 59 61 63 66 73

Ficha Técnica Diretora: Maria Adelaide Paredes Silva Colaboradores: Adelaide Silva, Alunos do 11º L do Curso de Design Gráfico da Esc. Sec. de CacilhasTejo, Alunos do 12º ano do Curso Profissional de Eletrónica Automação e Computadores e do 12º ano do Curso Profissional de Energias Renováveis da Esc. Sec. Emídio Navarro, Amélia Diaz, André Brito, Angela Cotoara, António Lopes, António Reis, Aurelija Jankienė, Bárbara Henriques, Bruno Teixeira, César Torres, Diogo Jesus, Cristina Santos, Domitila Cardoso, Fábio Salvaterra, Fernanda Ledesma, Filip Valentin, Gonçalo Marcelino, Gonçalo Xufre, Guida Machado, Jorge Sintra, Ludgero Leote, Manuela Santos, Margarida Fonseca, Maria Prazeres Casanova, Paula Marisa Sampaio, Paula Penha, Paula Tomás, Pedro Vieira, Rita Chasqueira, Roman Vasylyev, Rui Baltazar, Susana Otazu, Tânia Matos, Telma Dinis, Wim Simoens Paginação e arranjo gráfico: Domitila Cardoso, Maria da Luz Vieira ISSN 2183-4083 2


Editorial

Numa economia baseada no conhecimento, consideramos vital a escolarização, a educação / formação, como instrumento de desenvolvimento integral da pessoa humana e da participação do indivíduo na sociedade, citando a UNESCO. Publicamos a 8ª edição da revista AlmadaForma online, convictos da importância de promover e valorizar o ensino profissional, eixo estratégico de referência, que nos mobiliza a problematizar políticas e práticas, equacionar abordagens e metodologias de qualificação profissional, no contexto das escolas públicas e privadas, e dos sistemas educativos, nacionais e internacionais. Agradecemos as comunicações dos nossos ilustres colaboradores, promotoras de qualificada reflexão, organizada de forma muito pertinente e significativa, porque assumida na sua dimensão crítica e construtiva, com generosidade e envolvimento, com sentido de mudança consciente e empenhado. Interpretamos o alcance das preocupações e orientações, como valiosos contributos para aproximar decisores políticos, intervenientes na educação / formação, parceiros sociais, partes interessadas e sociedade civil, no interesse da construção de uma Europa dos cidadãos, nos nossos contextos glocais de educação / formação ao longo da vida . Assumimos a responsabilidade de lançar novos desafios à reflexão, em torno do ensino profissional e, deste modo, induzir fatores de crescente qualidade, inovação e criatividade nos processos de ensino-aprendizagem, orientados para uma competente e consistente formação e inserção, neste admirável mundo novo, exigente e desafiante, na busca de realização pessoal, profissional e social. Desejamos ser parte ativa na promoção da melhoria da condição humana e da vida dos cidadãos, em particular, dos nossos jovens, incompreensivelmente confrontados com tempos de emergência, que convocam a participação e inquietação de todos. Continuamente. Congratulamo-nos, neste natal, por oferecer presentes de conhecimento e pensamento, entretecendo vozes, sentidos, desafios, disseminando esperança, entre nós. Mais prosperidade e crescimento, mais produtividade, mais qualificação, mais e melhor educação / formação para todos, em cidadania. Convoquemos a alegria. Revistamo-nos de amor…. O caminho …. Festas Felizes!

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EDUCAÇÃO

A Qualificação em Portugal uma abordagem integrada As redes locais de qualificação

Tendo em conta esta preocupação, a resposta de proximidade foi materializada através da criação da rede de Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP), indispensável no entendimento da diversidade regional, consubstanciada na procura da complementaridade de esforços entre as várias entidades presentes no terreno.

Gonçalo Xufre

Presidente da Agência Nacional para a Qualifição e o Ensino Profissional (ANQEP)

Se os resultados práticos não se alcançam sem uma política enquadradora, não é menos verdade que nenhuma política viverá sem resultados práticos. De resto, em todas as matérias, tal como na qualificação, uma estratégia será sempre avaliada pelos fins que alcança. De pouco valerá uma visão coerente, contendo narrativas harmoniosas, caso não cumpra os objetivos que se propôs alcançar.

Esta tarefa – que recupera, de alguma forma, as dinâmicas territoriais que os Centros Novas Oportunidades conseguiram promover em determinadas regiões – obriga ainda à criação de dinâmicas que envolvam a comunidade local e fomentem a participação articulada de todos os agentes. Este é o conceito que enquadra a intervenção, mas o que dizer dos resultados obtidos que sustentam as políticas? Dispersas pelo país, as redes locais para a qualificação começam a ganhar forma. Na região da península de Setúbal, por exemplo, encontra-se em fase final de formalização a Rede Intermunicipal para a Qualificação e o Ensino Profissional (RIQEP), estando a ser ultimados os pormenores logísticos relacionados com a instauração de uma plataforma eletrónica própria. Esta rede, uma iniciativa do CQEP Cacilhas-Tejo, agregará operadores de educação e formação, parceiros sociais, associações, universidade seniores, entre outros, com o objetivo de promover sinergias e harmonizar os esforços de cooperação. Outro dos exemplos chega-nos da Comunidade Intermunicipal do Ave, onde, no dia 26 de setembro, foi assinada a carta de princípios de atuação dos CQEP locais, com o objetivo de definir e formalizar as linhas orientadoras da atividade dos CQEP na região do Ave, numa lógica de cooperação, comunicação e reciprocidade.

Em matéria de qualificação, a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) propôs-se cumprir uma política cujo resultado prático consiste na resposta a um problema sentido por toda a Europa: o desajuste entre os mundos da educação, da formação e do emprego. Ainda que a ligação entre estes domínios pareça óbvia e natural, a relação entre as ofertas educativas e formativas e o mundo do trabalho tem sido marcada por sucessivos desencontros. De forma a assegurar uma intervenção estrutural e, simultaneamente, equilibrada, considerámos indispensável o envolvimento de empresas, operadores de educação e formação e parceiros sociais. No mesmo sentido, optámos pela criação de estruturas distintas que garantam espaços de articulação em diferentes níveis, harmonizando uma vertente local e estrutural. Esta preocupação funda-se na convicção de que é tão importante elaborar uma abordagem sistémica quanto ressalvar as sensibilidades do território. 4


A criação destas redes reforça ainda a atuação ao nível da informação e orientação, no sentido de posicionar os potenciais candidatos à qualificação num percurso educativo e formativo disponível no âmbito do Sistema Nacional de Qualificações. Este entendimento denota a preocupação em intervir mais precocemente junto da população, antecipando as suas necessidades e encaminhando os cidadãos para escolhas educativas e formativas ajustadas aos seus perfis e às necessidades do mercado de trabalho.

a esta abordagem de proximidade, uma intervenção estrutural. Desta forma, a ANQEP tem procurado ainda dinamizar o instrumento que regula as qualificações de nível não superior - o Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ) através de dois mecanismos: a atuação dos 16 Conselhos Setoriais para a Qualificação (CSQ) e do Modelo Aberto de Consulta (mecanismo que possibilita que qualquer entidade/empresa, participe na atualização do CNQ). Os CSQ são grupos de trabalho técnico-consultivos que integram entidades formadoras, parceiros sociais, autoridades competentes, peritos independentes, empresas, entre outros, que têm colaborado na constante atualização do CNQ, considerando as evoluções e alterações ocorridas nos diferentes setores da sociedade.

A rede CQEP tem também em conta o reconhecimento de competências obtidas ao longo da vida, de modo informal e não formal. No entanto, mais do que na certificação, a aposta recai na (re)qualificação dos cidadãos. Num contexto de aproximação ao mundo do emprego, espera-se que as competências adquiridas ou reconhecidas ganhem relevância face ao mercado de trabalho mas também que façam sentido perante as transições que os indivíduos enfrentam ao longo da sua vida (por exemplo, da escola para o mundo do trabalho, do desemprego para o retorno à profissão ou nos processos migratórios e na alteração de atividade profissional).

Estas estruturas têm desempenhado um papel sobretudo estratégico, visando o objetivo geral citado anteriormente: o desenho das qualificações necessárias ao nosso tecido empresarial e a preparação das qualificações que podem ajudar a responder aos desafios que as empresas enfrentarão num futuro próximo. A qualificação e os resultados de aprendizagem

Nestas duas atribuições (orientação e reconhecimento de competências) os resultados demonstram que o trabalho já realizado está em consonância com os objetivos delineados. Em abril de 2014, a ANQEP migrou 114.465 processos de RVCC escolar que estavam ativos no anterior sistema e que ficaram assim afetos aos vários CQEP. É também importante analisar os dados de registo no sistema relativamente a novos cidadãos adultos que a rede de CQEP captou para o sistema: de fevereiro a setembro de 2014 inscreveram-se nos CQEP 18.256 novos adultos e 2.859 jovens. Estes números demonstram como, um pouco por todo o país, se denotam sinais de que a qualificação retoma o seu papel no crescimento pessoal dos portugueses.

Paralelamente a este processo de atualização em articulação direta com as empresas, a ANQEP tem trabalhado no sentido de promover uma transformação no modo de desenho das qualificações, tendo em conta os resultados de aprendizagem, ou seja, aquilo que os estudantes devem saber, compreender e ser capazes de fazer ao concluírem o seu processo formativo. Estes resultados de aprendizagem são descritos em termos de conhecimentos, aptidões e atitudes, de acordo com o Quadro Nacional de Qualificações, em vigor deste outubro de 2010. Nesse sentido, um passo importante foi dado no passado dia 1 de outubro com a apresentação do estudo “Referenciais de Competências para as Qualificações do Turismo”. Este trabalho, da autoria da Confederação do Turismo Português

Outros instrumentos estratégicos Como referido, na tarefa de aproximar os mundos da educação, formação e emprego, alia-se, 5


(CTP), no âmbito de um protocolo de cooperação firmado com a ANQEP, teve por base uma metodologia desenvolvida por esta agência de desenho de qualificações baseadas em resultados de aprendizagem, em linha com as mais recentes orientações em matéria de educação e formação profissional.

jovens, pais, encarregados de educação e empresários. Qualidade gera confiança Numa intervenção complementar a estas iniciativas, a ANQEP tem procurado complementar a atualização das ofertas formativas nacionais com projetos no âmbito da garantia da qualidade. Neste campo, destacam-se os avanços registados relativamente ao projeto europeu do Quadro de Referência de Garantia da Qualidade para o Ensino e Formação Profissionais (EQAVET), onde a ANQEP tem a competência de promover e acompanhar a avaliação das escolas profissionais e de apoiar a implementação dos sistemas de qualidade dos processos e dos resultados. Assim, foram escalonadas várias etapas de implementação, iniciadas em outubro, com a aplicação de questionários, e que continuam, durante o ano 2015, com a construção de guiões, visitas de acompanhamento e realização de seminários e workshops.

Em concreto, o estudo apresentado efetua um mapeamento das qualificações consideradas relevantes para o setor do turismo; elabora 19 qualificações a integrar no CNQ (4 relativas ao subsetor da hotelaria, 9 do subsetor da restauração e 6 de outras atividades turísticas); define novos percursos de certificação parciais e de especialização e cria referenciais de formação que identificam, de forma genérica, os principais conteúdos associados às diferentes unidades de competências que integram cada referencial de qualificação. Com a divulgação deste estudo, o setor do turismo é o primeiro a dispor de qualificações assentes em resultados de aprendizagem, o que corresponde a um novo paradigma nesta matéria. O enfoque é colocado nos resultados e não nos processos de aprendizagem. Este novo entendimento será fundamental para a garantia da efetividade e relevância das opções profissionalizantes, ajudando a credibilizar o sistema de educação e formação profissional junto dos

Na prossecução dos objetivos de atratividade das ofertas qualificantes e da sua credibilização, todas as tarefas anteriormente descritas e em curso pela ANQEP são tidas como fundamentais para a obtenção dos resultados que permitam a Portugal responder aos desafios e aos compromissos da estratégia Europa 2020: um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.

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EDUCAÇÃO

(In)vocações do Ensino Vocacional do a ser gradualmente regulamentado.

Fernanda Ledesma

Inicialmente, a sua implementação, pecou pela falta de informação, pois nem tudo é assim tão linear e tão claro que pudesse ser bem entendido e facilmente aceite através da publicação de alguns normativos. Pelo que surgiram muitas dúvidas e geraram-se confusões sobre o modelo em causa.

Presidente da Direção da Associação Nacional

de Professores de Informática (ANPRI)

Onde as necessidades do mundo e os seus talentos se cruzam, aí está a sua vocação. Aristóteles

O ensino vocacional, também conhecido por modelo dual é uma adaptação do modelo Alemão, que tem como princípio a adaptação da escola ao mercado de trabalho, quer nacional, quer local, por isso, carateriza-se pela formação que alterna entre a escola e a empresa ou instituição.

Por exemplo, ao nível do ensino básico (2º e 3º ciclos) estes cursos não têm como objetivo especializar ou certificar, são por isso, uma espécie de (in)vocação à orientação vocacional. Entendeu? Provavelmente não! Passemos então à explicação.

Nas escolas, por norma, A implemenos Serviços tação, em de Psicologia Portugal, dese Orientata via profisção (SPO), sionalizante aplicam aos teve início alunos do 9º no ano letivo ano, os ins2012-2013, trumentos com a expeadequados riência-piloto que apontam de 13 turmas a cada aluao nível do no, possíveis 2º e 3º ciclos. opções para Sendo, postesua melhor Figura 1. Síntese dos normativos que regulamentam o ensino vocacional riormente alarorientação gada, no ano letivo 2013-2014 a cerca de 500 vocacional. Um dos objetivos do ensino vocacioescolas. No esquema procuramos sintetizar os nal é mais ou menos o mesmo, consiste em pronormativos relativos ao ensino vocacional, que videnciar, ao aluno, os elementos necessários foi introduzido no sistema educativo pelo Decre- para possibilitar a melhor situação de escolha to-lei nº 139/2012, de 5 de julho e que tem vin- do percurso no ensino secundário. Neste caso 7


de forma coletiva, os alunos têm um primeiro contacto com diferentes atividades vocacionais (Despacho nº 4653, de 3 de abril de 2013) para depois, então, fazerem uma opção do percurso que pretendem seguir, no ensino secundário. Não têm, por isso, como objetivo que os alunos se especializem numa área, como os cursos de educação e formação (CEFs), mas sim, que experimentem várias áreas, geralmente três, e que durante esta fase de experimentação alguma das áreas vocacionais lhes desperte interesse suficiente, ou talvez não, para um prosseguimento de estudos no ensino secundário. Esta experimentação, se percorrida com sucesso, permite ao aluno terminar um ciclo de ensino, diminuindo o abandono e o insucesso escolar.

relação entre si, leva a que não sejam aprofundados devidamente os conteúdos em qualquer uma delas.

Sendo, apenas, mais uma via profissionalizante é quase irresitível não fazer comparações, pelo que no quadro seguinte procedemos à análise, não exaustiva, de algumas diferenças entre os cursos vocacionais e os CEFs ao nível do 3º ensino básico.

Seguindo o pensamento de Erik Geijer “Cada um faz sempre qualquer coisa melhor que os outros”, na Associação Nacional de Professores de Informática (ANPRI), consideramos que a escola pública deve ser para todos, então a existência de vias profissionalizantes é indispensável; pois cada aluno tem o seu talento e nem todos têm perfil para os percursos do ensino regular e/ou para o mesmo percurso, por isso é preciso que a educação tenha vias que respondam às diferentes opções e motivações. No entanto, observamos com preocupação algumas das alterações que têm sido introduzidas no sistema, sem se proceder à devida avaliação do que já está implementado, ou à atualização necessária por via das mudanças no mercado de trabalho e ajustamentos no próprio sistema de ensino e da sociedade em geral.

Curso Vocacional

Ao nível da Formação em Contexto, nomeadamente, ao nível do 2º ciclo parece-nos que os alunos não têm maturidade suficiente para realizar um estágio em contexto empresarial, pelo que é preferível optar pela prática simulada. Ao nível do ensino secundário, o ensino vocacional foi introduzido, no ano letivo 2013-2014, com 21 turmas, a título experimental, em todo país, sendo alargado no presente ano letivo. Neste nível já se pretende proporcionar aos alunos a hipótese de escolher um percurso, aprender uma vocação e obter uma certificação.

Curso de Educação e Formação

Contacto com diferentes atividades vocacionais

Especialização numa área vocacional

Não atribuí dupla certificação (apenas 9º ano)

Atribuição de Dupla Certificação (9º ano e de Técnico)

Avaliação modular (escala: 1-20)

Avaliação por período (escala: 1-5)

Formação em Contexto de Trabalho que pode ser substituída por Prática Simulada (210 h), neste caso distribuídas pelas 3 áreas (70 horas/ cada área)

Formação em Contexto de Trabalho na área técnica (210 h)

A disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) não integra a matriz dos cursos

A disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) Integra a matriz dos cursos

Procurando respostas para as nossas inquietações, tendo em conta a informação disponível e as experiências a decorrer no âmbito do ensino vocacional, decidimos elaborar um questionário para ser preenchido pelos professores de informática, de forma a percebermos como estavam a decorrer as experiências.

Figura 2. Diferenças entre os cursos vocacionais e cursos de educação e formação

Assim sendo, apresentamos de seguida alguns resultados obtidos com a aplicação do questionário, que foi aplicado em janeiro de 2014, em

O facto dos cursos vocacionais terem três áreas vocacionais que, muitas vezes não têm qualquer 8


formato digital, acessível às escolas/agrupamentos de todo o país. Aplicado Preenchimento Distribuição Geográfica

• Entre 19 e 31 de janeiro de 2014 • Em formato digital • Online • Escolas/Agrupamentos de todo o país

Figura 6. Distribuição da opinião dos professores inquiridos quando questionados, se consideram este percurso escolar uma mais-valia para o(a) agrupamento/escola não agrupada.

Figura 3. Informação sobre o questionário

Uma mais-valia porquê? Porque, • permite retirar alunos com várias retenções (por dificuldades de aprendizagem, de integração ou por indisciplina/assiduidade) das turmas regulares.

Figura 4. Distribuição dos professores inquiridos, por nível de ensino do curso vocacional que lecionavam.

• oferece um ensino mais técnico e prático, no qual os alunos passam por diversas vertentes profissionais.

Como podemos observar no gráfico, a maioria (84%) dos professores que responderam ao questionário lecionavam disciplinas do curso vocacional de 3º ciclo. Duração do curso

Frequência Relativa (%)

1 ano

35%

2 anos

55%

3 anos

6%

Outro

3%

• permite que alunos com dificuldades no seu percurso escolar, possam terminar mais um nível de ensino. • consegue cativar os alunos que já não têm vontade de estudar e que já estão em escalões etários desfasados em relação aos seus pares dos cursos regulares, continuar na escola e terem sucesso. Quais os contrangimentos identificados?

Figura 5. Distribuição dos inquiridos conforme a duração dos cursos que lecionavam.

• o tempo das áreas vocacionais distribuído por três é muito pouco para aprofundar os conteúdos, em para cada uma delas.

Aproximadamente 55% dos professores inquiridos lecionavam cursos vocacionais com a duração de 2 anos e 35% lecionavam cursos, cuja duração é de 1 ano letivo.

• dimensão das turmas, sabendo-se, à partida, que os alunos que frequentam estes cursos têm perfis diferentes e que estão pouco motivados para a escola.

Na figura 6 (apresentada a seguir) verifica-se que a maioria (77%) dos professores inquiridos considera uma mais-valia para a escola/agrupamento a existência do ensino vocacional.

• não haver desdobramento das turmas na parte vocacional, funcionando a turma completa em disciplinas que deveriam ser de ca9


rater predominantemente prático.

não só na formação em contexto de trabalho, mas na lecionação de conteúdos. O Regime Jurídico das Escolas Profissionais Públicas e Privadas, recentemente publicado, já remete “a docência da componente de formação tecnológica e prática”, preferencialmente, para “formadores que tenham experiência profissional ou empresarial” que por ser tão vago pode abarcar situações substancialmente dispares, sem qualquer garantia, à priori, de que os “formadores” possuam formação ou certificação adequadas e reconhecidas para a docência, situação que nos preocupa.

• não ser muito claro como se faz oprosseguimento de estudos, se os alunos assim o pretenderem. Estes foram alguns dos constrangimentos identificados pelos professores nos questionários. Resumindo, temos atualmente 9 vias de ensino profissionalizante, o que gera confusões nas escolhas das famílias e das escolas, nem sempre é linear e simples saber qual a melhor opção. Por outro lado, a transferência para as empresas de uma quota-parte tão grande da matriz curricular do ensino vocacional e profissional, faz-nos pensar, se não estará o estado a querer demitirse da responsabilidade de mais esta parte relativa à educação – as vias profissionalizantes. É inquestionável a existência de parcerias com as empresas, no âmbito das vias profissionalizantes, o que questionamos é o inverter dos pesos atribuídos, pois o tempo atribuído à formação em contexto de trabalho tem vindo a aumentar, na mesma proporção que a formação nas diferentes áreas disciplinares tem vindo a diminuir. As empresas são (in)vocadas a participar na estrutura curricular e conceptual das formações,

Por outro lado, mesmo sabendo que as especificidades de cada região são importantes, hoje em dia, vivemos numa sociedade global, pelo que tudo deve ser mediado entre a adaptação à região, mas não esquecendo o aumento da importância da globalidade. Por fim, e para concluir, informamos que ANPRI criou um espaço na plataforma Moodle (http:// www.anpri.pt/course/view.php?id=38) no qual agregamos legislação e informações com o objetivo de apoiar os professores no processo de elaboração e implementação dos cursos do ensino vocacional.

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EDUCAÇÃO

Onde pairam as políticas para o Ensino Profissional

Ludgero Leote

Professor de eletrónica dos cursos profissionais Escola Secundária Emídio Navarro Almada

Os cursos profissionais foram criados em 1989 (Decreto-Lei nº 26/89) à margem da escola pública, promovendo-se a criação de escolas profissionais por iniciativa privada, autárquica e mista, com o apoio de fundos comunitários. Durante anos criaram-se escolas, das quais raras e honrosas ainda subsistem, com um regime de acesso a fundos e de captação de alunos que não pode deixar de ser repudiado. Os fundos comunitários foram canalizados para criar de raiz escolas semi-públicas (privadas na realidade), permitindo o aluguer e a compra de edifícios e equipamentos, enquanto se degradava o parque escolar, por dificuldades do orçamento de estado e incúria dos governantes, criando-se assim uma desigualdade real de qualidade de ensino.

decidiram quais os cursos a abrir, com base em critérios de racionalidade de utilização de recursos humanos e materiais (equipamentos, laboratórios e oficinas existentes) e eventualmente com base numa ideia difusa de necessidades do mercado. Assistiu-se a um “boom” de cursos na área dos serviços, como era de esperar, pois os recursos materiais necessários eram escassos e formar técnicos de serviço social é muito mais barato do que formar técnicos de electrónica ou de mecatrónica, por exemplo.

Mas vejamos melhor o estado da arte! O decreto-lei nº 74/2004 criou no sistema de ensino público os cursos tecnológicos e os cursos profissionais, tendo sido extintos gradualmente os cursos tecnológicos e criados efectivamente os cursos profissionais na escola pública. Os números revelam esse momento, pelo crescimento abrupto do número de alunos inscritos nos cursos profissionais.

Não basta “decretar”! Ninguém responsável dos serviços centrais e regionais do ME, preparou os meios para levar a cabo a iniciativa. As escolas

Apesar do “voluntarismo” e das “marcas sociais”, os cursos abriram e o seu peso no total dos alunos inscritos no ensino secundário ultrapassa hoje os 50%. O Conselho Nacional de Educação, no seu Relatório sobre o Estado da Educação de 2013, refere “O desenvolvimento obtido pelas vias de dupla

Tabela: Alunos matriculados no Ensino Secundário por modalidade de ensino, em Portugal

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certificação no ensino secundário, nos últimos anos, provocou uma alteração na distribuição dos alunos entre os cursos científico-humanísticos e os cursos vocacionais/profissionalizantes, contribuindo eventualmente para aumentar a captação de jovens para o ensino secundário. Em 2012 Portugal tinha uma percentagem de alunos do ensino secundário a frequentar as vias profissionalizantes que se aproxima dos países da União Europeia cuja média era de 50,3% “

os alunos e exigiria, a meu ver, a articulação de módulos (macro-módulos) e a criação da figura de um tutor individual que os ajudasse. Oferta de cursos excessivamente diversificada e desadequada A oferta de cursos é manifestamente pulverizada, tornando difícil a vida aos pais e aos empregadores. Como exemplos referiria a existência de variadíssimos cursos em eletrónica e em mecânica.

http://www.cnedu.pt/content/noticias/CNE/Estadoda-Educacao-2013-online-VF.pdf

Esta oferta está muito condicionada pelos recursos existentes, não havendo um trabalho sério de recolha de dados sobre necessidades do mercado de trabalho a médio e longo prazo. Nas regiões mais interiores, a oferta de cursos é reduzida, face a essas limitações. Não se criam cursos de raiz, para responder a necessidades de mercado, criam-se de acordo com os meios humanos e materiais existentes nas escolas. As autarquias têm que estar mais responsabilizadas por estas decisões e pelo envolvimento activo na organização e funcionamento dos cursos. Programas obsoletos A estrutura curricular dos cursos é inadequada, quer na preparação para o prosseguimento de estudos e a aprendizagem ao longo da vida, quer para as necessidades imediatas. Como exemplo, repare-se que não existem noções básicas de economia na estrutura curricular.

Portanto, estando na média europeia, o que nos falta? Vejamos agora alguns condicionantes ao desenvolvimento destes cursos:

Os programas, em particular na área técnica estão obsoletos, sendo verdadeiros puzzles de matérias, sem continuidade, muitas vezes sem relevância para a área profissional.

O sistema modular e a maturidade dos alunos Os cursos profissionais assentam numa estrutura modular. Tal resulta de esquemas de equivalência a nível europeu. À primeira vista parece inócuo e até uma melhoria face ao sistema anual dos cursos gerais. Na verdade, se a gestão das matérias pelos professores pode ser mais fácil, os alunos ficam sujeitos a um elevado número de provas (já que os professores tendem a reproduzir o sistema de avaliação por testes dos cursos gerais) e a um controlo de faltas por módulo, com reflexos evidentes no número de módulos em atraso. A gestão deste problema é difícil para

Falta de estruturas de coordenação e de meios técnicos Nos bons tempos do GETAP, equipas de técnicos e professores, planeavam, organizavam a formação, distribuíam equipamentos e verbas para o funcionamento dos cursos. Hoje, os serviços centrais e regionais são inexistentes, as autarquias estão alheadas do processo e as escolas estão sozinhas no terreno. Em áreas técnicas como a 12


eletrónica, a mecânica, etc, como certamente noutras, tudo isso é preciso: planeamento, organização, formação de professores, equipamentos, verbas. Não é fácil organizar formação através dos Centros de Formação, pela especificidade das formações e pela dispersão geográfica dos professores. Essa teria que ser uma tarefa a organizar a nível regional ou nacional.

processo, o que não acontece noutros países. O recente alargamento do número de horas de estágio não foi acompanhado de qualquer medida para interessar as empresas. Num quadro de estagnação da economia, a disponibilidade das empresas torna-se menor e há mesmo escolas que não garantem os estágios aos seus alunos.

Nas escolas, os directores de curso vêem o seu trabalho desencorajado e não remunerado, passando essa função a fazer parte da componente não lectiva.

Corpo docente O corpo docente é o recurso mais importante. Sem incentivos, envelhecido e a ser substituído por contratados sem vínculo nem continuidade, encontra-se hoje desmoralizado. Se a contratação de técnicos especializados é essencial ao desenvolvimento dos cursos, a inexistência de um quadro permanente, levará a curto prazo a uma diminuição da qualidade das aprendizagens. Os quadros das escolas estão desajustados, não havendo abertura de vagas, o que leva a uma rotação permanente de professores contratados. Importa rejuvenescer os quadros e estabilizar o corpo docente, deixando para contratos apenas as especialidades a que a escola não possa responder.

Acontece o mesmo com os professores acompanhantes das Provas de Aptidão Profissional (PAP) e professores acompanhantes de estágio nas empresas. Falta de incentivos às empresas para oferta de estágios O estágio profissional, a realizar nas empresas ao longo ou no fim do curso, é um elemento central dos cursos, permitindo uma aproximação dos empregadores aos futuros empregados. As empresas não têm qualquer benefício nesse

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Desigualdade de acesso ao prosseguimento de estudos

Concluindo, faltam meios mas sobretudo falta uma estratégia nacional, regional e local que leve à valorização social dos cursos profissionais e uma articulação harmoniosa com o tecido empresarial. Para isso é essencial que os responsáveis desçam ao terreno, oiçam e criem os mecanismos necessários. Podemos colectivamente estar mais descansados porque os jovens com repetências sucessivas e abandono escolar, voltam à escola, mas não percebemos que esta não tem os recursos humanos adequados para os receber e fazer progredir, dando-lhes os meios que lhes permitirão adequar a sua vida a um mundo em mudança permanente.

Os estudantes dos cursos profissionais no ensino secundário têm sido penalizados de forma inaceitável no acesso e frequência ao ensino superior. Ao longo dos últimos anos estes estudantes têm sido discriminados na garantia da igualdade de oportunidades. Os estudantes dos cursos profissionais sempre que decidam candidatar-se ao ensino superior fazem-no em situações muito penalizadoras quando comparados com os estudantes do regime geral. Preparam-se sem qualquer acompanhamento ou orientação pedagógica para os exames nacionais da disciplina específica de acesso sem que tenham tido essa disciplina no seu currículo. Para além disto, estes estudantes fazem-no muitas vezes durante o período de realização do estágio e de preparação para a Prova de Aptidão Profissional.

As entidades autárquicas não podem continuar afastados deste problema, que é social, logo da comunidade. Importa criar estruturas de articulação e acompanhamento a nível local e regional que diversifiquem a oferta de cursos e garantam o seu ajustamento à dinâmica económica.

A recente criação dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (Decreto-Lei n.º 43/2014) não ilude o problema.

O corpo docente tem que ser rejuvenescido e ter oferta de formação.

Não podemos enganar-nos – devemos formar para a vida activa, garantindo a todos as bases que permitam a aprendizagem ao longo da vida.

As equipas pedagógicas têm que ser mais apoiadas na resolução das dificuldades. A articulação com as empresas tem que ser promovida a todos os níveis, pelas direções de escola, pelas autarquias, pelas associações profissionais e empresariais.

O Relatório do CNE de 2010 recomendava “manter a vigilância sobre mecanismos ou práticas que conduzam os … cursos profissionais a transformar-se nos percursos dos mal-sucedidos e dos pobres…” e mais afirmava “…que continuam, em algumas escolas, a ser “guetos” para onde são enviados, no fim da escolaridade básica, os alunos com piores resultados escolares”.

Não vale mais ter desconfiança nos cursos profissionais, pois eles estão aí para ficar, por decisão das famílias, que esperam que os valorizemos! (não se aplica o novo acordo ortográfico)

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ESCOLA

Aprendizagem ao Longo da Vida Modelos de Educação e Formação as linhas orientadoras de ação definidas por este documento foram (i) a racionalização, articulação e transparência da oferta de formação profissionalmente qualificante, nomeadamente através da criação de um Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ), (ii) a racionalização da rede de oferta formativa, através do reforço da complementaridade e diversidade das formações e das instituições formadoras: escolas profissionais, escolas secundárias e centros de formação, (iii) a conceção de Referenciais de Formação para a aquisição de competências transversais e específicas dos perfis profissionais a considerar, (iv) a organização da formação em três componentes – sociocultural, científica e técnica.

Margarida Fonseca

Diretora da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo

Manuela Santos

Coordenadora do CQEP da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo “O reconhecimento do direito à educação e o direito à aprendizagem ao longo da vida é, mais do que nunca, uma necessidade” Relatório Mundial sobre Educação (2000: 84)

Atualmente, perante os desafios que a sociedade está a exigir, “num mundo dominado pela mudança, pela incerteza e por uma complexidade crescente”(Day, 2003: 151), o reforço dos conhecimentos desempenha um papel cada vez mais importante na aquisição de competências. Uma das prioridades estabelecida pela Estratégia Europa 2020 é o crescimento inteligente: o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação.

É, contudo, em 2007, que se generaliza a oferta dos cursos profissionais nas escolas secundárias de rede pública, ano em que é criado o Sistema Nacional de Qualificações (através do DecretoLei nº 396/2007, de 31 de dezembro), que reorganizou a formação profissional inserida, quer no sistema educativo, quer no mercado de trabalho, produzindo, entre outros, o Catálogo Nacional de Qualificações, assegurando a acuidade da formação e das aprendizagens para o desenvolvimento pessoal e para a modernização das empresas e da economia, procurando que todo o esforço em formação fosse destacado para efeitos de progressão escolar e profissional dos cidadãos jovens e adultos.

De registar que em 2003, com a reforma do ensino secundário a ser delineada, a preocupação centrava-se na consolidação do ensino profissional, tendo sido elaborado, para discussão pública, o documento orientador da Revisão Curricular do Ensino Profissional, onde se refere que este se constitui “como um subsistema de ensino em clara trajetória de consolidação, integrando-se no sistema do ensino secundário, no qual fez prova da sua relevância, como modalidade especial de educação dirigida à qualificação profissional inicial dos jovens. Os cursos profissionais de nível secundário apresentam-se como um percurso alternativo assente numa estrutura curricular modular e numa dimensão predominantemente técnica e prática da aprendizagem, preparando para o exercício profissional qualificado, numa perspetiva de Aprendizagem ao Longo da Vida, tendo sempre presente a dimensão humana do trabalho” (p. 5). Assim,

Neste enquadramento, a Escola Secundária de Cacilhas-Tejo, numa atitude proativa, e de acordo com o seu Projeto Educativo, norteou-se sempre por uma postura atenta à realidade circundante, oferecendo múltiplos e diversificados percursos formativos, no sentido de elevar os níveis de qualificação e a certificação de jovens e adultos. Tem criado, desde sempre, as condições para que os jovens e adultos acedam a respostas de educação 15


e formação, designadamente, a nível dos seguintes cursos:

dimentando teorias e experiências, de modo a proporcionar aos jovens uma formação que lhes permita enfrentar o mundo do trabalho, de forma confiante e competente.

A-9º+1 (2000 a 2004); B-10º Profissionalizante (2001 a 2004);

Vejamos, a este propósito, dois testemunhos, meramente exemplificativos, (um aluno e um empresário, respetivamente), proferidos em novembro de 2012:

C-Tecnológicos (desde 2004 a 2012); D-Profissionais (desde 2006); E-Educação e Formação (nível secundário);

“O curso é bastante interessante, pois tem uma aprendizagem bastante vasta; (…) ganhamos conhecimentos que nos permitem abranger várias áreas no mercado de trabalho, que acabam por nos dar mais oportunidades”.

F-Educação e Formação de Adultos. No sentido de dar resposta à crescente procura de formação por parte dos adultos, a escola apostou, igualmente, nas ações de formação ao longo da vida (Ações SABER+, na área de português para estrangeiros, matemática para a vida, literacia tecnológica, línguas estrangeiras, internet para o cidadão, e nos Cursos de Educação Extraescolar (desde português para todos à informática).

“Temos de ter capacidade para formar profissionais prontos a enfrentar os desafios da profissão e carreiras de sucesso, participando na formação dos futuros profissionais que o País precisa”.

Hoje, esta modalidade de ensino é cada vez mais uma aposta da escola, conforme se pode verificar nas metas e objetivos do Projeto Educativo 2013/2016 (“Manter a paridade da oferta formativa no número de turmas dos cursos científico-humanísticos e profissionais; atingir uma taxa de sucesso global – transição e conclusão entre 75%/80%, atingir uma taxa de conclusão do Ensino Secundário entre 65%/70%”), e no número de cursos em funcionamento no presente ano escolar (Apoio à Gestão Desportiva, Marketing, Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Design Gráfico, Turismo Rural e Ambiental, Informática de Gestão, Secretariado). Os jovens fazem a sua escolha, como via de conclusão do secundário, optando convictamente por um caminho que lhes vai trazer vantagens, nomeadamente a nível de múltiplas saídas profissionais.

O funcionamento na escola de cursos tecnológicos (informática, desporto, marketing e multimédia) implicou uma relação estreita com o mundo empresarial, de modo a permitir uma melhor integração no mundo do trabalho. Na senda destes foram implementados os cursos profissionais (Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Informática de Gestão, Marketing, Banca e Seguros e Design Gráfico).

A Escola de Cacilhas-Tejo sempre considerou fundamental uma oferta educativa de ensino profissional aliciante para os jovens, reconhecida pelo tecido empresarial, associando a formação profissional significativa a um pleno desenvolvimento pessoal e social, a um desenvolvimento da cidadania. Sempre acreditou que uma formação qualificada, aliada a uma experiência concreta de trabalho, constitui

Nos últimos anos, os cursos profissionais têm sido, efetivamente, uma prática corrente na nossa escola, ganhando um novo impulso, se16


(i) predisposição para a aprendizagem; (ii) existência de ambientes de aprendizagem; (iii) existência de auxiliares no processo de aprender. É neste contexto, reconhecendo a Educação ao Longo da Vida como uma necessidade de aprendizagem, satisfazendo as necessidades de qualificação potenciais ou já existentes, do mercado de trabalho, que a Escola Secundária de Cacilhas-Tejo continua a percorrer um caminho na senda da qualificação e valorização de jovens e adultos, a nível pessoal, social e profissional, no Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional (que sucede ao Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo, entidade promotora e certificadora, criado em Janeiro de 2007).

uma vantagem no mercado de trabalho. A celebração de parcerias e protocolos com empresas, associações, entidades e instituições do concelho tem permitido a ligação da escola ao mundo do trabalho, através dos estágios, onde os jovens adquirem um saber-fazer complementar de um saber teórico e se adaptam a um cenário de trabalho em contexto laboral.

Tendo em conta o âmbito e atribuições do Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional, promovido pela Escola Secundária de CacilhasTejo - Informação orientação e encaminhamento de jovens e adultos; desenvolvimento de processos de reconhecimento; validação e certificação de competências, de nível escolar; apoio à Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) na definição de critérios de rede e na monitorização das ofertas (Despacho 940/2014), é desenvolvido um trabalho diversificado, adequado e sistemático, de modo a garantir aos jovens e adultos uma oportunidade de qualificação e de certificação de nível básico ou secundário, que se revele ajustada ao seu perfil, necessidades, expetativas e interesses. Além de reconhecermos, validarmos e certificarmos competências de nível básico e secundário, temos possibilitado um conjunto de ofertas formativas nas quais se integram os cursos de educação e formação de adultos, nível básico e secundário e o ensino recorrente por módulos capitalizáveis (10º, 11º e 12º anos), ambos a decorrer na nossa escola. Sublinha-se que temos respondido a um público cada vez mais diversificado respeitando e valorizando o perfil, as motivações e as expetativas de cada cidadão fomentando, igualmente, a autoformação, o autoconhecimento, a autor-

O direito à Educação/Formação e à Aprendizagem ao Longo da Vida emergem como uma necessidade inerente à sociedade atual. Mas o paradigma da Aprendizagem ao Longo da Vida ultrapassa as fronteiras tradicionais que delimitam os espaços formais de aprendizagem. Numa visão holística, apela a novos modelos de educação e formação - Lifelong Learning. Como conceito abrangente e polissémico, inclui todas as fases de aprendizagem desde a infância à reforma (from the cradle to the grave), valorizando as atividades de aprendizagem formal, não formal e informal, num processo “contínuo ininterrupto”. A Estratégia para o século XXI aposta no desenvolvimento pessoal, ao reforçar valores democráticos, ao cultivar a vida em comunidade, ao procurar manter a coesão social, ao promover a inovação, a produtividade e o crescimento económico (OCDE, 1996). Tal como refere o Memorando sobre Aprendizagem ao Longo da Vida (2000), o objetivo essencial é melhorar os conhecimentos, as aptidões e competências no quadro de uma perspetiva pessoal, cívica, social e/ou relacionada com o emprego. Para que tal aconteça é necessário a confluência de três fatores: 17


reflexão e a autoavaliação e promovendo uma formação integral nos planos do saber-fazer, do saber- ser, do saber- estar e do saber-saber.

ço contínuo de atualização e alargamento de saberes, estar atento a novas ideias e práticas, pois o saber resulta do confronto e da transformação da experiência.

O Centro para a Qualificação e o Ensino Profissional da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo (CQEP) assume, pois, a intenção de se tornar numa referência para o desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens e adultos, (i) promovendo oportunidades de reflexão no âmbito da qualificação de jovens e adultos, (ii) fomentando dinâmicas de cooperação entre empregadores, entidades formadoras (escolas, centros de formação, entidades certificadas), rede social e solidária, municípios, associações, serviços e organismos da Administração Pública, (iii) constituindo uma rede estratégica de cooperação. O seu propósito último é a qualificação e a valorização pessoal, escolar e profissional da população, através da construção de pontes entre os mundos da educação, da formação e do emprego, numa perspetiva de Aprendizagem ao Longo da Vida.

Para concluir, gostaríamos de referir Miguel Torga, quando nos diz: “Mas corto as ondas sem desanimar. Em qualquer aventura, O que importa é partir, não é chegar.” Referências Bibliográficas • Comissão Europeia (2000). Memorando sobre aprendizagem ao longo da vida. Bruxelas. Disponível em: www.eu.int/comm/education/III/life/ memo.pdf. (10 Fev. 2006). • Day, C. (2003). A Paixão pelo Ensino. Porto: Porto Editora. • Europa 2020, Estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Comissão Europeia, COM (2010) Bruxelas.

Estamos, pois, perante, diferentes modelos de formação, perseguindo, contudo, um mesmo objetivo, no âmbito do Quadro Europeu de Qualificações, do Sistema Nacional de Qualificações, que é responder às verdadeiras necessidades de qualificação dos jovens e dos adultos.

• OCDE. (1996). Priorité aux Citoyens – La Réforme de la Gestion Publique au Portugal. Paris: OCDE.

Referências Legislativas • Revisão Curricular do Ensino Profissional, 2003 • Decreto-Lei nº 396/2007, de 31 de dezembro

Consideramos que é fundamental continuar a trilhar o caminho do conhecimento, num esfor-

• Despacho 940/2014

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ESCOLA

Os Cursos Profissionais no Agrupamento de Escolas da Caparica versidade de ofertas qualificantes de dupla certificação e enquadra-se na estrutura do Quadro Nacional de Qualificações (QNQ), com o nivel 4.

António Reis

Coordenador dos Cursos Profissionais Agrupamento de Escolas de Caparica

Até 2004 (ano de reforma para o ensino), o ensino secundário público estava orientado em cursos para o prosseguimento de estudos (CPOPE) – os cursos gerais - e cursos orientados para o ingresso na vida activa (CPOVA) – os cursos tecnológicos, cursos estes que apresentavam uma matriz curricular próxima. Em 2004/05, no âmbito da reforma, os cursos profissionais passam a fazer parte integrante do nível secundário de educação, na escola pública.

Ao longo dos seus 33 anos as diversas direções da Escola Secundária do Monte de Caparica, sempre tiveram como prioridade a diversidade de ofertas formativas. Assim, logo em 2004/05, devido ao corpo docente grupo 520 e ao bom equipamento dos laboratórios foi convidada como “escola piloto”, a iniciar o curso de técnico de análise laboratorial, mantendo-se noutras áreas os cursos tecnológicos.

Estes cursos, virados para a formação e qualificação de jovens, apresentam-se como um percurso alternativo assente numa estrutura curricular modular e numa dimensão predominantemente técnica e prática da aprendizagem, preparando os alunos para o exercício profissional qualificado.

No ano letivo 2006/2007 dá-se a generalização dos cursos profissionais nas escolas secundárias públicas que substitui, quase em definitivo o ensino tecnológico e, na nossa escola alarga-se à área de técnico de comércio e técnico de gestão e programação de sistemas informáticos. Estes cursos mantêm-se ainda atualmente.

Este tipo de formação está organizado em três componentes – sociocultural, científica e técnica. A componente de formação técnica inclui obrigatoriamente uma formação em contexto de trabalho, atualmente de 600 horas.

A inserção desta modalidade de ensino nas instituições escolares públicas, implicou uma abertura por parte destas às solicitações do meio envolvente, valorizando mecanismos de aproximação entre os estabelecimentos de ensino, as empresas, as instituições profissionais, associativas, sociais ou culturais do tecido social local e regional.

Culminam com a apresentação de um projeto, designado por Prova de Aptidão Profissional (PAP), no qual o aluno demonstra as competências e saberes que desenvolveu ao longo da formação. A Prova é apresentada em sessão pública a um júri composto por elementos da Escola, bem como representantes de entidades ligadas ao setor empresarial.

Nos anos seguintes, sentiu-se a necesidade de se criarem condições para o aparecimento de novos cursos, respondendo deste modo às expetativas quer do corpo docente da escola quer dos diferenciados públicos escolares, promovendo uma maior igualdade de oportunidades. Assim, surgem os cursos: - técnico de multimédia,

O ensino profissional sendo uma modalidade peculiar de educação, faz parte integrante da di19


o técnico de comunicação, markting relações públicas e publicidade e o técnico de vendas. Se, relativamente aos dois primeiros, concluiram os cursos mais de metade dos alunos que os iniciaram, já o de vendas ficou-se pelo primeiro ano tendo os poucos alunos optado pela mudança de curso. Por outro lado, os cursos técnico de apoio à infância e técnico de turismo mantêm-se com sucesso, no entanto, não nos foi permitido, pela tutela, este ano, abrir novas turmas.

Sabemos que a aprendizagem realizada nestes cursos valoriza o desenvolvimento de competências para o exercício de uma profissão. O estágio para além de um espaço de aquisição de um saber-fazer complementar de um saber teórico, é um espaço de socialização onde estes jovens alunos melhoram as suas relações com terceiros. A sua colocação no mercado de trabalho passa, para além do empenhamento da escola na pessoa do diretor de curso, pelo seu mérito e empenhamento. Algumas das empresas que têm protocolo com a escola absorvem alguns dos alunos fazendo com que a taxa de empregabilidade seja para a maioria dos cursos razoável, destacandose o curso de técnico de comércio.

Inserida agora no Agrupamento de Escolas da Caparica, a Escola Secundária do Monte de Caparica continua a prezar a qualidade da formação dos alunos que frequentam os seus cursos profissionais. As necessidades de trabalho locais beneficiam o aparecimento de novas ofertas formativas. Nesse sentido, elegemos a nossa oferta formativa neste ano de 2014/15 para dois novos cursos, o de técnico de instalações eletricas e técnico de restauração – variante restaurante e bar.

Com já foi referido, para haver sucesso nesta área de formação, é impossível trabalhar sem protocolos. De um modo geral, todos os nossos parceiros de formação tem-se mantido ao longo dos anos e mesmo aqueles que surgem de novo permitem a consolidação desta iniciativa, contribuindo também para a melhoria das ferramentas de operacionalização que articula a formação profissional inserida no sistema educativo com o mercado de trabalho.

Estes dois cursos, para além da perspetiva de boa empregabilidade, promovem também a continuação a nível secundário da formação, para muitos, já iniciada a nível do ensino básico, tal como já acontecia com o curso de técnico de comércio.

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ESCOLA

Escola Profissional de Almada 44 anos ao serviço da Comunidade Jorge Sintra Diretor da Escola Profissional de Almada

A Escola Profissional de Almada (EPA), é herdeira de um historial de experiência em qualificação profissional. Dando continuidade aos recursos e à experiência alcançados pela antiga Escola da Lisnave, Centro de Formação Manoel de Mello, criada em 23 de julho de 1970, desde sempre cresceu e desenvolveu-se enquanto instituição privada de ensino e formação profissional ministrando atualmente, além de cursos profissionais dirigidos a jovens, ações de formação profissional para particulares e empresas.

bal, é uma escola que se assume como fator de desenvolvimento local e regional e que aposta em áreas formativas onde existe escassez de oferta e elevada empregabilidade. Uma ligação muito direta entre formação e vida profissional e que resulta de mais de uma centena de protocolos que todos os anos são celebrados com empresas. Atualmente, cerca de trezentos alunos frequentam quatro cursos profissionais: Manutenção Industrial/Eletromecânica, Energias Renováveis, Eletrónica, Automação e Comando e Mecatrónica Automóvel.

A EPA tem vindo a consolidar uma oferta formativa qualificada, socialmente útil, tecnologicamente atualizada e dinâmica, contribuindo para o desenvolvimento das competências profissionais e escolares dos recursos humanos da Região. Focada nas necessidades do tecido empresarial e bem inserida na Península de SetúOs cursos destinam-se a jovens de ambos os sexos com o 9º ano de escolaridade que procuram um ensino mais prático e vocacionado para a inserção no mercado de trabalho e constituem também uma mais valia para quem encara uma futura candidatura ao ensino superior na área das engenharias. 21


oficinal, com cerca de 3000 m2, incorpora áreas de ferramentaria, Soldaduras TIG, MIG/MAG e Oxiacetilénica, Instalações Elétricas, Serralharia Civil e Mecânica, Climatização e Refrigeração, e Mecatrónica Automóvel, entre outras. A EPA proporciona aos jovens que a procuram a alternativa por uma via “mais prática” e, nalguns casos, uma alternativa a um provável abandono escolar. Na EPA aprende-se em laboratórios e oficinas e descobre-se que em cada aluno existe uma vocação. São alunos iguais a tantos outros, mas que no horizonte têm uma motivação acrescida. A falta de técnicos qualificados para a área da indústria, aliada à qualidade do ensino, atribui aos cursos desta escola taxas de empregabilidade elevadas. Muitos reencontram aqui o gosto pela escola, pelo aprender e pelo ser útil à sociedade. Muitos se encontram consigo próprios, recuperando a autoestima que sucessivos anos de insucesso reprimiram, descobrindo que, afinal, também eles possuem competências, capacidades e vocações que, infelizmente, o sistema educativo dominante ignora e não valoriza. As seguintes mensagens publicadas nas redes sociais, são disto testemunho:

Enquanto as aulas teóricas decorrem em salas comuns, as práticas, ministradas por formadores com formação técnica e experiência profissional na respetiva área, decorrem em espaços muito semelhantes aos que os formandos vão encontrar no mercado de trabalho. Destas infraestruturas destacam-se os laboratórios de Eletrónica e Microprocessadores; de Automação, Comando e Robótica; de Pneumática, Eletropneumática e Hidráulica; de CNC (Controlo Numérico Computorizado); de AutoCAD (Desenho Assistido por Computador); de Máquinas Elétricas e o laboratório de Energias Renováveis. O espaço

“Ao fim de 11 anos de ensino, venho para a escola e para as aulas com entusiasmo! Não venho só por vir, porque este ano finalmente tenho um objetivo! Tenho aprendido coisas mais do que interessantes, e sei que vão fazer a diferença no meu futuro! Para além de tudo o que aprendo nas aulas, tenho participado em competições que me têm levado a cidades que não conhecia e me têm feito cruzar com pessoas magníficas. (...) depois de tudo o que já fizemos este ano, desde ganhar 1ºs prémios com

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carros que se desviam de obstáculos, satélites a serem lançados de aviões e foguetões, até robots de busca e salvamento, estamos agora a desenvolver jogos de computador.”

autoestima. Visam, ainda, propiciar uma abordagem diferente à aprendizagem, onde se introduz a curiosidade, a pesquisa, a formulação de questões e o estudo dos problemas como forma de complementar a lecionação de conteúdos e conhecimentos.

Jorge Fernandes, aluno do Curso Técnico de Eletrónica, Automação e Comando

Dos muitos projetos em que a escola está envolvida, destacam-se:

“Parece que este ano está a passar num instante... Por tudo o que estou a aprender, pelos sítios novos que tenho conhecido, pelas excelentes relações que estou a desenvolver, quer com colegas quer com professores (…). Este ano apostaram em mim e nunca estive tão motivado para a escola como estou agora! Supero-me a cada dia e alcanço objetivos que nunca pensei conseguir alcançar … tudo graças ao apoio e confiança que têm depositado nas minhas capacidades!”

•O Clube de Eletrónica e Robótica “Olha o Robot”, com o objetivo de motivar os alunos e criar uma plataforma de apoio à participação em atividades e campeonatos na área da eletrónica e da robótica.

Cleiton Almeida, aluno do Curso Técnico de Eletrónica, Automação e Comando

Quando os alunos chegam ao fim dos três anos do curso já estagiaram em várias empresas e algumas fazem questão de os contratar de imediato. Ter um emprego à espera dá-lhes uma motivação acrescida. Muitos deixam para trás um percurso pautado pela desmotivação e pelo insucesso escolar.

Desta aposta saiu a participação em 3 campeonatos nacionais e 1 internacional: RoboParty, CanSat Portugal, Festival Nacional de Robótica e Moonbots.

Experimentar, Falhar, Corrigir e Conseguir, é este o ciclo da aprendizagem que serve de preparação para a vida ativa. Esta comunidade de estudantes e profissionais está consciente de que a sustentabilidade da escola e o progresso da sociedade passam pela qualidade do desempenho e pelo desenvolvimento da pessoa. Deste modo, a EPA promove, para além de uma sólida preparação técnica, uma formação integral em conhecimentos e valores, fomentando a autoaprendizagem e a adaptabilidade à mudança para que os seus alunos fiquem melhor preparados para enfrentar o futuro.

Nestas competições os nossos alunos conquistaram os Primeiro e Segundo lugares da prova de obstáculos (RoboParty), entre 109 Robots e mais de 450 participantes, duas equipas fi-

Os Projetos e Clubes visam precisamente desenvolver um conjunto alargado de competências e motivação, promovendo atitudes positivas de 23


•A EPA é Escola Piloto no Projeto Europeu GoLab. É uma das duas “Escolas Exemplo”, a nível nacional, utilizando na sua metodologia de ensino, na disciplina de Física e Química, o Inquiry-Based Science Education (IBSE). O projeto Go-Lab, é um projeto de laboratórios remotos e virtuais, que utiliza a metodologia IBSE, proposta pela UE para o ensino das ciências.

caram classificadas nos dez primeiros lugares na prova de Busca e Salvamento (Festival Nacional de Robótica) e obtivemos uma Menção Honrosa (CanSat). Este ano o Clube de Eletrónica e Robótica conta com a participação voluntária de 30 alunos. •A participação no Junior Achievement, atingindo a final com uma equipa que apresentou um projeto de Domótica, na Feira (I)limitada. Este ano temos o envolvimento de 6 turmas neste projeto. Pretende-se, com esta participação, desenvolver competências de empreendedorismo, dando a possibilidade aos alunos de criarem uma ideia que possa ser transformada num futuro negócio.

•Recebemos o Certificado de Escola Galileo 2013/2014 por “apoiar a participação de professores e alunos em projetos baseados em pesquisa e na utilização de novas ferramentas e recursos (...)”. A cerimónia realizou-se no Centro de Congressos do Estoril, na conferência “Astronomy Education Alliance Meeting”, organizada pelo NUCLIO (Núcleo Interactivo de Astronomia), União Astronómica Internacional, Galileo Teacher Training Program e a Ciência Viva.

•Apesar de sermos uma escola tecnológica, os projetos da EPA passam também pela Área Social. A parceria com a Associação Almadense Rumo ao Futuro tem já largos anos e no passado ano letivo a EPA participou também no Programa Young Volunteam. Este ano iremos reforçar a nossa participação neste programa, que visa a formação dos nossos jovens em voluntariado.

•A EPA participa ainda no concurso EDP Twist e no projeto Cidades Sustentáveis promovido pelo Programa Ciência Viva inserido no projeto europeu, MARCH - Making Science Real in Schools, que tem como principal objetivo promover o gosto dos jovens pela Ciência e incentivá-los a identificar problemas nas suas comunidades e a procurar soluções que, com recurso à ciência e à tecnologia, as tornem mais sustentáveis. … e assim se trabalha nesta comunidade escolar, fiéis ao lema: Despertar Talentos, Ensinar Tolerância e Abraçar Tecnologias

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ESCOLA

a participação em concursos como motivação para a aprendizagem servir de fonte de informação privilegiada sobre o real sucesso formativo dos alunos (Gonçalves & Martins, 2008) uma vez que o seu desempenho pode ser comparável ao de alunos de outras escolas.

Paula Penha Tânia Matos

Professoras do Curso Profissional Técnico de Design Gráfico Escola Secundária de Cacilhas-Tejo paula.penha@escacilhastejo.org tania.matos@escacilhastejo.org

A realização de projetos para concursos estimula a aprendizagem dos alunos, promovendo a sua motivação e autoconfiança. Geralmente os alunos encaram estes projetos com mais seriedade e maior empenho tendo em conta a motivação externa da possibilidade de ganharem prémios, bem como a visibilidade e promoção do seu trabalho. Os projetos reais têm por isso impacto no modo como os alunos gerem o tempo de execução dos seus trabalhos, desenvolvendo o seu sentido de responsabilidade, uma vez que sabem da existência prazos de entrega a cumprir os quais não podem ser adiados, como por vezes acontece em contexto de sala de aula com projetos puramente académicos. Os projetos realizados em grupos permitem desenvolver a capacidade de trabalho colaborativo, um aspeto bastante importante na atividade profissional de um técnico de design gráfico.

O ensino profissional caracteriza-se pela sua forte vertente prática e tem por objetivo fundamental a preparação do aluno para o exercício de uma atividade profissional e a sua consequente integração no mercado de trabalho (Gonçalves & Martins, 2008; Rodrigues, 2011). No Curso Profissional Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo (ESCT) é prática comum a realização de projetos que simulem situações reais de trabalho, nomeadamente a participação em concursos, tendo em vista o sucesso educativo dos alunos a nível pessoal, social e profissional (Gonçalves & Martins, 2008). Os projetos são realizados essencialmente nas disciplinas da componente técnica (Design Gráfico e Oficina Gráfica) contanto, por vezes, com a colaboração de outras disciplinas no caso de projetos interdisciplinares.

Estes projetos reais são propícios à criação de experiências que possibilitem o fluir do pensamento criativo e o desenvolvimento da atividade artística fora do contexto escolar. O estímulo da criatividade deve ser constante e a participação em concursos permite aos alunos enfrentarem novos desafios e explorar soluções inovadoras para um determinado problema real.

A realização de projetos tendo em vista a participação em concursos apresenta vários benefícios nomeadamente a possibilidade de os alunos trabalharem com briefings e necessidades reais. Outro aspeto importante é a avaliação do ponto de vista externo; para além da avaliação académica, que incide essencialmente no processo de trabalho, os projetos dos alunos são sujeitos a uma avaliação externa, por parte do júri do concurso, que avalia apenas o produto final. Este tipo de avaliação é crucial uma vez que na vida profissional não só o cliente, mas também o público-alvo, avaliam o resultado final e não o processo. Esta validação externa pode ainda

Os alunos do Curso Profissional Técnico de Design Gráfico da ESCT participaram já em diversos concursos a nível regional, nacional e internacional. A nível regional os alunos realizaram projetos para o Concurso “Pessoas em Pessoa” promovido pelo Centro de Formação AlmadaForma, tendo vencido as categorias de Fotobiografia ou Fotografia durante as três edições. O concurso 25


tinha como objetivo o desenvolvimento de projetos artísticos inovadores que expressassem diversas formas de representar o mundo contemporâneo. Os projetos foram desenvolvidos nas disciplinas de Português e Oficina Gráfica. Tendo como ponto de partida a obra de Fernando Pessoa, os alunos exploraram diversas técnicas tais como impressão a linóleo, fotografia e edição de imagem.

Figura 1 - Concurso “Pessoas em Pessoa” 2009/2010 Vencedor da Categoria Fotobiografia Soraia Henriques e Vanessa Fialho

Figura 2 - Concurso “Pessoas em Pessoa” 2010/2011 Vencedor da Categoria Fotografia Mafalda Rodrigues, Marta Gonçalves, Sílvia Pereira e Susana Silva

No ano letivo 2012/2013 a escola participou no Projeto “Kid’s Guernica” promovido pela AMRS – Associação de Municípios da Região de Setúbal, que consiste na criação de uma tela sobre o tema da Paz com as dimensões da obra “Guernica” de Pablo Picasso. Tendo como lema “Água, Fonte de Paz” os alunos de Design Gráfico de-

Figura 3 - Concurso “Pessoas em Pessoa” 2011/2012 Vencedor da Categoria Fotografia Daniela Mendes e Inês Aguiar

senvolveram a proposta na disciplina de Oficina Gráfica com a colaboração das disciplinas de Línguas Estrangeiras e Área de Integração. A proposta vencedora foi reproduzida numa tela, pintada pelos alunos no dia 3 de maio, no Parque do Bonfim, em Setúbal.

Figura 4 - Concurso “Kids Guernica” 2013 Bárbara Gonçalves, Catarina Almeida, Daniela Mendes, Inês Aguiar, Ion Pogor, Elizénio Sebastião, Eghon Faccin 26


A nível nacional os alunos de Design Gráfico participaram nas três edições do Concurso de Criatividade “Grande C” promovido pela AGECOP - Associação para a Gestão da Cópia Privada (2010 a 2012). O concurso, direcionado a alunos do Ensino Secundário e 3º Ciclo, entre os 12 e os 18 anos, pretendia sensibilizar os jovens para as questões dos direitos de autor e direitos conexos, lançando o desafio da criação de obras ori-

Figura 5 - Concurso “Grande C” 2009/2010 Vencedor da Categoria Design – Capa de Revista Ricardo Sousa

ginais em diversas áreas (escrita, música, vídeo, design e fotografia). Os alunos da ESCT venceram diversos prémios nas categorias de Design de Capa e Fotografia ao longo das três edições do concurso. Durante as cerimónias de entrega de prémios, realizadas em Lisboa e em Cascais, os alunos foram entrevistados e falaram sobre o processo de criação das suas obras.

Figura 6 - Concurso “Grande C” 2010/2011 Vencedor da Categoria Design – Capa de Livro Pedro Barros

No ano letivo anterior, 2013/2014, a escola participou no Desafio “BP - Segurança ao Segundo”, uma iniciativa da BP Portugal, com o objetivo de promover a prevenção e segurança rodoviária entre os estudantes do ensino secundário. O Desafio foi desenvolvido em três fases: criação de um cartaz, um storyboard e gravação um spot de vídeo de 30’’. A turma do

Figura 7 - Concurso “Grande C” 2011/2012 Vencedor da Categoria Design – Capa de DVD Carla Henriques, Dora Vinagre, Jaime Quental, Susana Silva

11º ano do Curso de Design Gráfico passou as duas primeiras fases e participou na final do concurso que se realizou em Braga, em maio de 2014. Os alunos foram responsáveis pela criação do storyboard, gravação e edição de um spot de vídeo sobre o tema “Uso do Cinto de Segurança” que lhes valeu o 5º Prémio no Desafio.

Figura 8 - Desafio “BP Segurança ao Segundo” 2013/2014 Participação na Final – 5º Prémio Spot de Vídeo “A segurança está na moda” Ana Rita Silva, Ângela Pereira, David Ferreira, Déborah Campante, Flávio Matos, Iara Silva, João Abrantes, Nelson Arruda, Vera Almeida, William Carvalho 27


Também no ano letivo anterior, os alunos da mesma turma participaram no Concurso Escolar “A Minha Escola Adota um Museu, um Palácio, um Monumento...” promovido pela Direção‐ Geral da Educação (DGE), no âmbito do Programa de Educação Estética e Artística, e pela Direção‐Geral do Património Cultural (DGPC). O concurso promove a colaboração entre escolas e museus através da criação de trabalhos originais a partir de testemunhos dos Museus. Este projeto foi desenvolvido na disciplina de Oficina Gráfica com a colaboração da disciplina de História da Cultura e das Artes, onde um grupo de cinco alunos escolheu a obra “Autorretrato em

Grupo” de Almada Negreiros que faz parte do acervo do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian. Após uma visita às reservas do CAM para verem a obra original, os alunos realizaram um remake fotográfico da obra. Para além da atribuição de uma menção honrosa no concurso, o trabalho foi divulgado no Blogue da Instituição “Descobrir +”. Durante o mês de novembro este projeto pode ser visto na exposição “Doublexposure”, patente na Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia. A exposição está inserida na programação da 4ª Edição do “Mês da Fotografia – ImaginArte Almada” 2014.

Figura 9 - Concurso “A Minha Escola Adota um Museu, um Palácio, um Monumento…” 2013/2014 Menção Honrosa na Categoria de Fotografia – Ensino Secundário Ana Rita Silva, Ângela Pereira, David Ferreira, Déborah Campante, Flávio Matos

No âmbito internacional a escola participou no Concurso “Young Creative Chevrolet”, dirigido a estudantes de toda a Europa, dos 16 aos 30 anos, com o objetivo de promover a criatividade e apoiar os jovens artistas no seu início de carreia. Os estudantes eram convidados a apresentar propostas criativas no âmbito da Moda, Fotografia, Vídeo e Artes Visuais. O concurso

desenvolvia-se em duas fases: a nacional (com três premiados em cada categoria) e uma segunda fase europeia em que concorriam todos os primeiros classificados a nível nacional. Durante as últimas três edições do concurso os alunos da ESCT foram galardoados com prémios nacionais nas categorias de Artes Visuais, Fotografia e Vídeo. 28


Figura 10 - Concurso “Young Creative Chevrolet” 2012 Categoria de Fotografia - 3º Prémio Nacional Leandro Carrasco, Rúben Braz, Sílvia Pereira, Susana Silva

Figura 11 - Concurso “Young Creative Chevrolet” 2012 Categoria de Vídeo - 3º Prémio Nacional Ana Rita Costa e João Fernandes

Figura 12 - Concurso “Young Creative Chevrolet” 2013 Categoria de Fotografia - 2º Prémio Nacional Ana Cristina Lopes e Elizénio Sebastião

Figura 13 - Concurso “Young Creative Chevrolet” 2013 Categoria de Vídeo - 1º Prémio Nacional Dora Vinagre, Jaime Quental, Ricardo Joaquim

Apesar de se tratar de um concurso internacional, em que participaram alunos universitários, de Licenciatura ou Mestrado, das mais prestigiadas Universidades Europeias, dois jovens alunos do Curso Profissional de Design Gráfico, Ana Inês Raminhos e José Barreio, foram distinguidos, em 2011, com o 3º Prémio Europeu na Categoria de Artes Visuais. O seu projeto respondeu ao brienfing de criação de um cartaz para a comemoração do centenário da Chevrolet – a dupla vencedora representou a passagem do tempo através de uma ampulheta, na qual o primeiro veículo da Chevrolet se transforma no mais recente

Chevrolet Volt; o cartaz é complementado com o slogan “It’s always time for (r)evolution” A cerimónia de entrega de prémios “Chevrolet Design Night” realizou-se em setembro do mesmo ano, na emblemática Battersea PowerStation, em Londres, com a presença de grandes nomes do mundo do design e do cinema, tais como Neville Brody, Wayne Hemingway e Lucy Walker. Estes dois alunos foram distinguidos ainda com o prémio “Almada – Terra de Mérito” no âmbito da sua participação no Concurso da Chevrolet. 29


Figura 14 - Concurso “Young Creative Chevrolet” 2011 Categoria de Artes Visuais 1º Prémio Nacional e 3º Prémio Europeu Ana Inês Raminhos, José Barreiro

Figura 15 - Entrega de Prémios do Concurso “Young Creative Chevrolet” 2011 Setembro 2011, Londres

Figura 16 - Entrega de Prémios do Concurso “Young Creative Chevrolet” 2011 Setembro 2011, Londres

Figura 17 - Entrega de Prémios do Concurso “Young Creative Chevrolet” 2011 Setembro 2011, Londres

Os docentes do Curso Profissional Técnico de Design Gráfico da ESCT fazem um balanço bastante positivo da participação dos alunos em concursos, de tal modo que é já prática comum a inclusão destes projetos no Plano Anual de Atividades. Para que tal aconteça é essencial a articulação dos conteúdos das disciplinas da componente técnica com os objetivos dos concursos, tendo sempre em vista o desenvolvimento das competências do perfil de desempenho dos alunos do ensino profissional. Desde modo é possível potenciar o incremento do sentido responsabilidade dos alunos, da autonomia

e empenho na realização das tarefas propostas, do pensamento criativo e da motivação dos jovens não só para a vida escolar, mas acima de tudo, para o seu sucesso profissional. Referências bibliográficas:

GONÇALVES, João Migue; MARTINS, Pedro (2008). Cursos Profissionais: Guia Prático para o Professor. Porto: Areal Editores. RODRIGUES, Liliana (2011). Ensino Profissional: O Estigma das Mãos mais do que a Cabeça. Lisboa: Edições Pedago. Texto redigido segundo o acordo ortográfico 30


ESCOLA

Criação da imagem gráfica para a capa de revista almadaforma explorada: o olhar fixo e descontraído, transmite segurança. O professor aqui, é o veículo do conhecimento. A segunda e terceira escolhas, foram, respetivamente, para as propostas dos alunos Déborah Campante e João Abrantes. Embora demonstrando maior simplicidade gráfica, não deixam de ser igualmente interessantes em termos conceptuais. O mocho, símbolo de sabedoria, ostenta uma claquete: o professor é visto de certa maneira como um ator que se move num palco (entendido aqui como a sala de aula). Cada cena de representação equivale a uma aula ou lição. Por outro lado, o tradicional quadro para escrita a giz, foi e ainda é o suporte privilegiado de comunicação do professor. Não há sala que não tenha um, pois ele é o elemento mais tradicional e genuíno.

César Torres Telma Dinis

Professores do Curso Profissional Técnico de Design Gráfico Escola Secundária de Cacilhas-Tejo cesar.torres@escacilhastejo.org telma.dinis@escacilhastejo.org

No âmbito de uma parceria estabelecida com o Centro de Formação de Professores do Concelho - AlmadaForma e os alunos do 2º ano da turma L pertencentes ao Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de CacilhasTejo, foram elaboradas várias propostas gráficas para a imagem de capa do número 3 da revista AlmadaForma. Os alunos exploraram vários conceitos, tendo em conta que o tema abordado seria “o saber e o agir do professor”, contando com textos de diretores de escola, de formadores, de formandos e de investigadores ligados à área da educação. A proposta do aluno Flávio Matos foi a primeira escolha para a capa desta edição, evidenciando, através da sua proposta, espírito criativo, manipulando uma série de imagens.

O projeto para a capa da revista AlmadaForma decorreu entre os dias 14 e 24 de outubro de 2013 na disciplina de Design Gráfico, durante a decorrência do módulo de Paginação e contou com a participação dos alunos da turma. Neste artigo são apresentadas as três propostas vencedoras e algumas das que foram inicialmente selecionadas. A todos os alunos participantes nesta iniciativa é prestado o mais profundo agradecimento.

A figura do professor, em sentido lato, é aqui

1º Lugar – Flávio Matos

2º Lugar – Déborah Campante 31

3º Lugar – João Abrantes


A parceria continua pelo segundo ano letivo. Uma vez mais, aos alunos do 11º ano da turma L foi lançado o desafio de elaborar propostas para a capa da edição de outubro de 2014, da revista AlmadaForma, com o tema “Língua Portuguesa – Memória, Música e Matriz”.

É em torno da lusofonia e da escrita que o aluno Ricardo Martins, autor da proposta escolhida, elege como embaixador da língua portuguesa o poeta e escritor Fernando Pessoa. O grafismo resultante surge a partir de um caligrama do seu retrato (técnica popularizada no início do século XX, contemporânea ao contexto literário do escritor). A segunda e terceira escolhas incidiram igualmente em escritores renomados da Língua Portuguesa como Fernando Pessoa e Eça de Queirós.

Da pesquisa concetual surgiram propostas desde a presença da língua portuguesa nos diferentes países e comunidades que em torno dela se unem, ao símbolo do povo português, passando pela escolha de textos e figuras emblemáticas que ajudaram a difundir e representar a língua mãe além-fronteiras.

1º Lugar – Ricardo Martins

O projecto foi realizado entre os dias 1 e 3 de Outubro de 2014.

2º Lugar – Maria Tavares

A capa da presente edição da revista, foi elaborada entre os dias 21 e 24 de outubro e subordinada ao tema “Ensino Profissional: Políticas e Práticas - Abordagens locais, nacionais e internacionais”.

A proposta eleita, desenvolvida pela aluna Rita Chasqueira, apresenta a formação profissional representada num leque de escolhas e oportunidades, simbolizadas graficamente por portas que se abrirão para o mercado de trabalho, dentro e fora do contexto nacional. A mesma linha concetual está também patente nas propostas dos alunos Adriana Pacheco e Rúben Ribeiro.

Revendo-se na temática enquanto destinatários diretos, os alunos do Curso Técnico de Design Gráfico, retrataram este tipo de ensino como uma ponte entre a formação académica e o contexto profissional, uma ferramenta, um ponto de partida na construção de um percurso.

1º Lugar – Rita Chasqueira

3º Lugar – Tiago Pinto

Aos alunos que se têm envolvido nesta parceria, mantêm-se os agradecimentos pelos seus contributos e disponibilidade.

2º Lugar – Adriana Pacheco 32

3º Lugar – Rúben Ribeiro


ESCOLA

As TIC como motivação no processo de ensino-aprendizagem tas da Web 2.0, de fácil publicação, constituem uma oportunidade para que os alunos possam aprender, colaborar, divulgar e partilhar os seus trabalhos.

Domitila Cardoso

Professora do Curso Profissional Técnico de Secretariado Escola Secundária de Cacilhas-Tejo

Neste sentido se inscreve o Curso Profissional de Técnico de Secretariado da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo com o objetivo de publicar os trabalhos dos alunos, realizados na disciplina de formação técnica – Técnicas de Secretariado.

A integração das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na educação é essencial para o desenvolvimento integral da formação de todos os alunos, em particular dos que frequentam a via profissional de ensino. Com efeito a formação em TIC constitui uma ferramenta indispensável ao mercado de trabalho cada vez mais exigente e em constante mudança e transformação.

Começámos pelos blogues pessoais pela sua facilidade de criação e de manuseamento das ferramentas de publicação. Pretendíamos que o blogue funcionasse como portefólio da disciplina. Escrever para partilhar online pode ser estimulante, mas exige mais responsabilidade. Os alunos passam a ser mais empenhados e responsáveis pelas suas publicações. Com a apresentação pública dos trabalhos o “copy e paste” tem de ser contornado uma vez que se fica exposto perante todos os que acedem à rede. As publicações dos alunos deixam de estar limitadas/destinadas apenas à turma e ficam disponíveis para toda a Internet. Estas publicações integraram hiperligações, disponibilizaram imagens, alargando-se em redes e formatos de publicação, muito

Por conseguinte, os alunos devem adquirir e evidenciar competências que não se limitam às áreas nas quais se especializam (formação técnica), mas devem desenvolver uma dinâmica capaz de se adaptar às inovações tecnológicas emergentes. O acesso a várias ferramentas com potencialidades diversas como texto, imagem, vídeo, som, construção de sítios na Web facilita as condições para a criação de um espírito aberto e recetivo aos desafios da sociedade atual. Os recursos existentes online e as ferramen-

Imagem 1 - Blogue da aluna Verónica Monteiro - http://profissionaldesecretariado.blogspot.pt 33


Imagem 2 – Curso Profissional de Técnico de Secretariado - http://profsecretariadoescacilhastejo.webnode.pt

para além do simples texto e blogue pessoal … Foi interessante ver a surpresa dos alunos ao verificarem que eram “lidos” pelo mundo inteiro, quando acederam ao serviço de estatística que permite saber, por exemplo, como chegaram às suas publicações, as visualizações, de que ponto do mundo foi acedido, …

da escola e que contou com a colaboração de professores de várias disciplinas.

Para além do blogue os alunos trabalharam com outras ferramentas da web 2.0:

• disponibilizar os trabalhos realizados nas várias disciplinas e selecionados pelos respetivos professores.

Este espaço tem como objetivos, entre outros: • dar a conhecer os alunos; • divulgar os blogues pessoais dos alunos; • partilhar notícias dos alunos do curso;

• criaram, colaborativamente, um mapa de conceitos no Mindomo, (ferramenta que ajuda a representar o conhecimento).

As ferramentas grátis online ajudam os alunos, futuros empregados, a produzirem e partilharem mais e melhor conhecimento contribuindo, deste modo, para a empregabilidade e aumentando a produtividade e a competitividade.

• partilharam os seus trabalhos no ISSU, com ligação a partir do blogue. • organizaram e disponibilizaram um evento online no Wix.

Ao conduzir os alunos a utilizarem as ferramentas existentes na Web, gratuitas e de fácil publicação, estamos a contribuir para o desenvolvimento e preparação de cidadãos habilitados para o futuro e para a sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem e para os desafios que ela coloca com sentido de inclusão e cidadania.

• vão utilizar ainda o LinkedIn, uma rede social de enquadramento económico, no módulo “Formação e Promoção Profissional”. Foi também criado o site do Curso Profissional de Secretariado (http://profsecretariadoescacilhastejo.webnode.pt), que está ligado à página 34


ESCOLA

Os Profissionais de Informática na Escola Secundária de Cacilhas-Tejo futuros Técnicos recorrendo ao uso continuado da terminologia específica da Informática; à utilização das mais variadas ferramentas de forma a apresentá-los à maior diversidade possível das mesmas; e ao contínuo uso de conhecimentos acumulados, com o intuito de os cimentar e acrescentar novas contextualizações... Tudo sempre numa perspetiva de aumentar cada vez mais a autonomia do aluno.

Paula Marisa Sampaio

Professora dos Cursos Profisssionais de Informática Escola Secundária de Cacilhas-Tejo

A Informática é uma área muito abrangente e em constante mudança, o que requer da nossa equipa um trabalho contínuo de preparação de aulas, troca e renovação de conhecimentos. Para além dos nossos cursos de Informática, lecionamos a disciplina de TIC nos mais variados cursos e somos responsáveis por várias áreas da escola associadas às Tecnologias. No entanto, fica para outra altura, e para alguém mais qualificado(a), debruçar-se sobre estes assuntos. Este artigo centra-se apenas e só nos nossos cursos profissionais que GPSI e IG.

A autonomia é trabalhada pela equipa de professores desde a entrada destes alunos no 10º ano e, convém deixar claro que, mais do que a transmissão de conhecimento a nossa equipa procura a autonomia na aquisição, compreensão e aplicação do mesmo. Todo o trabalho é feito no sentido de preparar o aluno para o mundo profissional através, não do ensino de tudo em todas as áreas mas, do ensino das bases que permitirão aos técnicos que formamos adquirirem as competências para encararem novos desafios, seja através da codificação numa nova linguagem de programação, seja através da capacidade em acompanhar o evoluir das tecnologias e terminologia associada... Volto a lembrar que falamos da Informática, área particularmente vasta e diversificada, em constante remodelação e inovação. Mas a qualidade da formação obtida depende acima de tudo do empenho dos alunos e do envolvimento dos encarregados de educação sempre que incentivados a intervir. Não adianta querer frequentar os cursos de Informática da escola secundária Cacilhas-Tejo e esperar que o trabalho apareça feito... Daí que nos preocupemos também em detetar, logo no início do 10º ano, situações de alunos que notemos estarem desenquadrados da área e trabalhemos com eles e com o respetivo encarregado de educação, de forma a assegurarmos um encaminhamento apropriado às suas capacidades e expetativas. É claro que este trabalho é feito em conjunto com outras entidades da escola,

Esses cursos têm a duração de 3 anos, sendo o último ano o que integra a Formação em Contexto de Trabalho - estágio - e a Prova de Aptidão profissional (PAP). Durante esses 3 anos os alunos têm uma forte componente Técnica, especificamente: - curso profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos (GPSI) : Programação e Sistemas de Informação, Redes de Comunicação, Arquitetura de Computadores e Sistemas Operativos; - curso profissional de Técnico de Informática de Gestão (IG) IG: Linguagens de Programação, Aplicações Informáticas e Sistemas de Exploração, Sistemas de Informação e Organização e Gestão de Empresas. Conforme os próprios nomes das disciplinas indicam, os alunos são aos poucos introduzidos nas maiores áreas da Informática: programação, análise de sistemas, hardware, software, redes, bases de dados, servidores e clientes, etc.. Dentro destas áreas procuramos formar os nossos 35


como a Direção, a Coordenação dos Cursos Profissionais e a Psicóloga. Desta forma amparamos o aluno na escolha de um rumo adequado e informado, tendo sempre o aluno e o encarregado de educação a última palavra sobre esse rumo. Outra preocupação da escola e da nossa equipa é a continuidade pedagógica. Assegurar o mais possível que determinada disciplina da componente Técnica seja lecionada pelo mesmo professor, a uma mesma turma ao longo da duração dos 3 anos do curso, traz importantes mais-valias, entre elas o conhecimento das fragilidades do aluno a trabalhar e os pontos fortes a salientar.

não se deslocarem à final em Aveiro. Nesse ano os alunos Roman Vasylyev e Sandro Pereira, do curso de Informática de Gestão ficaram em 6º lugar a nível nacional. Este ano, foram à final as 2 equipas do curso de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos - Bruno Teixeira, Fábio Salvaterra, Ricardo Pila e Mário Santos - e, apesar de não termos alcançado as posições de topo, é com agrado que constatamos o seu empenho e destaque, ainda para mais considerando pertencerem às 33 equipas apuradas do total de 125 a concurso (255 alunos). Maior é o seu mérito se acrescentarmos que estes alunos concorreram com os conhecimentos equivalentes a pouco mais de 1 ano letivo e meio de programação.

É também desde o 10º ano que incentivamos os alunos a participar em projetos e concursos. Quem visitou a Mostra de Escola na Cacilhas-Tejo, em anos anteriores, teve oportunidade de ver computadores montados de raíz pelos nossos alunos, nos mais imaginativos designs... Desde, um Pneu-PC (Sim! Um pneu com um PC!), passando pela famosa Caixa-de-Fruta-PC, pelo Robot-PC, pelo PC-Psicadélico, até... Bom, até onde a imaginação os levou, sempre com o apoio dos respetivos professores de Informática :-)

Não posso deixar de referir o workshop preparado por alunos do curso de GPSI - Layon Ferreira, Marco Dias e Gonçalo Fonseca, - apresentados a alunos do ensino noturno sobre montagem de computadores. Assisti e pude comprovar a desenvoltura dos 3 alunos na comunicação dos conhecimentos e na interação com os presentes que de bom grado participaram e montaram com sucesso um PC. No final, ainda rodearam os

Quanto aos concursos, também não nos temos saído nada mal, considerando que começámos há apenas 2 anos e com alunos do 11º ano. O concurso de que falo é o TECLA - Torneio Estudantil de Computação multiLinguagem de Aveiro. Até à data optou-se por investir apenas neste e as nossas equipas são sempre apuradas para a final. No 1º ano em que concorreram, as 4 equipas ficaram apuradas mas 2 delas optaram por 36


3 alunos com diversas questões sobre vírus e a correta utilização de alguns equipamentos :-)

tido trabalhos extremamente interessantes como um “Messenger”, websites de vendas com carrinho de compras, apps para diferentes meios de comunicação e jogos, para nomear alguns.

Em todas as atividades há um “elemento” comum: a nossa equipa de professores e a escola criaram as oportunidades e os nossos alunos agarraram-nas!

Na altura de entregar os Diplomas de conclusão do curso e os Diplomas de Mérito e de Excelência é com orgulho que vemos alunos dos nossos cursos destacarem-se a diversos níveis. No que me diz respeito - perdoem-me os restantes colegas - confesso verificar com alegria que se está a tornar recorrente ser um aluno dos cursos de Informática a receber o destaque de melhor aluno de todos os cursos profissionais lecionados na escola. Esperemos que assim continuem.

Os nossos Diretores de Curso têm, ano após ano, vindo a assegurar um crescente portfólio de empresas que connosco colaboram. Neste momento, trabalhamos com diversas entidades, empresas locais, nacionais e multinacionais e é com agrado que verificamos que o nosso trabalho vem sendo reconhecido, quer através da prestação dos nossos alunos durante o estágio, quer pelo acompanhamento necessário dado aos mesmos e às empresas pelos Diretores de Curso e pelos professores Orientadores de Estágio. Esse reconhecimento traduz-se na solicitação das próprias empresas em estabelecerem protocolos connosco e assegurarem especificamente estágios com os nossos alunos. Mas este reconhecimento não fica por aqui. Atualmente já nos solicitam ex-alunos para integrarem as suas empresas pelo que, mesmo após a conclusão do curso, há preocupação em manter contacto com os antigos alunos reencaminhando os pedidos das empresas, de forma a continuar a proporcionar oportunidades de aprendizagem e de emprego.

Após a conclusão do curso, os alunos têm várias opções: prosseguirem os estudos ou investirem no mercado de trabalho. Alguns alunos ainda durante o estágio são abordados pelas empresas no sentido de lá permanecerem. Independentemente da via que sigam, é com orgulho que vemos alunos nossos destacarem-se a nível universitário e a nível profissional. Alguns deles já com empregos no estrangeiro como o Wilson que recentemente se candidatou para uma posição de programador em Inglaterra e já lá está (um passarinho disse-me que em breve mais ex-alunos nossos o seguirão :-) Outros, que optaram por prosseguir os estudos, estudam e sobressaem no curso de Engenharia Informática, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa como o Pedro Vieira e o Gonçalo Marcelino.

Ainda no âmbito dos estágios, estes dividem-se pelas mais diversas áreas, salientando-se a área da programação, das redes de comunicação, da deteção e reparação de avarias de equipamentos e da informática de gestão. Esta Formação em Contexto de Trabalho tem permitido aos alunos apreenderem a cultura das empresas em que são integrados bem como adquirirem novos conhecimentos, cimentarem outros e confirmar a relevância de toda a formação e informação obtida ao longo dos 3 anos, particularmente a que respeita ao desenvolvimento da sua autonomia.

Termino este artigo afirmando que é com satisfação e carinho que os vemos evoluir e acompanhamos o seu percurso durante e após o curso, permanecendo em contacto com a grande maioria. Quando os encontramos e relembramos o trajeto juntos é frequente ouvi-los dizer: “O(a) professor(a) tinha razão...”. Agradeço aos vários alunos a prontidão e disponibilidade com que acederam em colaborar através dos seus testemunhos. Leiam-nos porque em poucas palavras conseguiram transmitir muito.

Finalmente, os alunos realizam a PAP a que se propuseram e apresentam-nas a um júri que avalia sobre o mérito e nível da mesma. Temos 37


“Aderi ao Curso Profissional de GPSI pois no ano anterior à minha inscrição tinha tido contacto pela primeira vez com programação e na altura pareceume algo de extremo interesse e com imenso potencial. Apesar da decisão de ingressar pelo ensino profissional ter sido tomada sem grandes certezas da minha parte, em pouco tempo apercebi-me que não poderia ter sido mais acertada. Aborrece-me honestamente que os cursos profissionais sejam por vezes alvo de algum preconceito. Existe sempre espaço para melhorias, é claro (como em tudo), mas a verdade é que os professores e colegas que me acompanharam durante os 3 anos do curso são tão e muitas vezes mais esforçados no seu trabalho que os que tinha tido até então e que os que tenho de momento na universidade.

miliares falaram-me deste curso nesta escola e tive que decidir. Hoje em dia não me arrependo de nada e voltaria a fazê-lo novamente. Foi provavelmente a melhor escolha que fiz na vida porque mudei para uma área que me interessava, para algo que gosto de fazer e, como dizem na minha terra, “Quem trabalha no que gosta não trabalha, diverte-se!”. No futuro ainda não sei muito bem o caminho que heide seguir. O bom deste curso é que dá para seguir os dois caminhos: concorrer à Universidade ou seguir para o mercado de trabalho. No futuro logo decidirei. Seja como for, estou preparado para continuar a tomar decisões difíceis e não tenho medo de trabalhar para alcançar os meus objetivos.”

No fim, foi-me providenciado o acesso a um estágio (o que acho ser de extrema importância pois permite ter contacto com o mundo profissional). Não poderia deixar de mencionar que os meus coordenadores de estágio certificaram-se que, durante esses 3 meses de estágio, pude aprender e ter acesso ao máximo de informação possível.

“Tendo 17 anos e 12 destes passados num ambiente escolar aprendi uma quantidade exorbitante de diferentes matérias, demasiadas para apontar exemplos… Contudo, estes anos inserido em escolas conduziram a boas e más memórias e lições de vida mais e menos importantes.

Fábio Salvaterra, GPSI 2012-2015

Nestes últimos 2 anos e meio frequento um curso profissional de Informática, que é para mim a abertura de portas para criar uma carreira na área que desejo: Informática/Tecnologia. Sinto que ao longo do tempo que tenho frequentado o curso melhorei como profissional e como pessoa o que sendo o comum na minha idade, é no entanto para mim algo novo é deveras fascinante.

Após 3 anos de curso, foi gratificante ver o meu empenho e o dos meus professores a ser espelhado no prémio de mérito de melhor aluno dos cursos profissionais, que me foi atribuído. Posso dizer que durante o tempo que frequentei o curso adquiri as bases necessárias para poder ingressar numa vida profissional, no entanto resolvi continuar a estudar. De momento encontro-me no segundo ano do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e fico feliz por poder dizer que os conhecimentos adquiridos no curso GPSI me têm ajudado bastante e estou confiante que me continuarão a ser imensamente úteis, quer a nível escolar, quer a nível profissional. Gostaria de agradecer a todos os que me proporcionaram 3 anos de novas experiencias, aprendizagens e me ajudaram a descobrir a área que me faz sentir realizado a nível escolar e profissional. Sem eles não estaria onde estou .”

Das pessoas com quem partilhei e partilho esta experiência, desde colegas a docentes, apesar de haver sempre preferidos, acho fundamental respeitar e ser respeitado no melhor ambiente de aprendizagem/formação possível. Felizmente posso dizer que é nessas condições que tenho progredido. Neste momento tenho como objetivo principal concluir a formação com sucesso; não tomei nenhuma decisão no que diz respeito a prosseguir os estudos ou ingressar no mundo do trabalho, no entanto qualquer que seja a minha escolha acredito que me tornarei, através de trabalho árduo, o profissional que quero ser, ficando grato a todos os que me permitiram poder alcançar tal proeza.”

Gonçalo Marcelino, GPSI 2010-2013

“Escolher vir para o Curso de Técnico de GPSI foi uma decisão muito difícil de tomar. Deixar os amigos e a família no Alentejo custa sempre mas fa-

Bruno Teixeira, GPSI 2012-2014 38


“Mudar do ensino regular para um curso profissional de Informática foi, muito provavelmente, a escolha mais difícil que alguma vez tive de tomar. No entanto, essa decisão definiu por completo o rumo da minha vida académica e profissional, fazendo com que transformasse este, como se costuma dizer, meu “bichinho” da informática, num desejo de aprofundar e aprender mais sobre ela.

o que tive. Ao longo dos 3 anos de curso, não me esforcei o suficiente. Se pudesse voltar atrás, tinha definitivamente estudado mais e acabado com uma melhor média de curso do que 15 valores.” No estágio fui para uma empresa chamada This. Functional, que trabalha em web-development. Na altura eu nem ligava muito a programação virada para a web. Após 3 meses e tudo o que aprendi no estágio, comecei a valorizar mais essa área! (...) Estive pouco menos de 1 ano à procura de emprego até finalmente surgir uma proposta do meu agrado. Um colega meu de curso tinha ido estagiar para uma empresa de comércio electrónico abordou-me e disse que a empresa estava à procura de colaboradores. Fui à entrevista e correu tudo bem, pouco tempo depois ligaram-me. A função desempenhei foi de Admnistrador de Sistemas e Helpdesk interno. Ao principio, aprendi muito mas passados cerca de 2 meses já não havia muito para aprender e o trabalho tornou-se rotineiro. Por fim ofereceram-me a hipótese de passar a contrato. Recusei pois já estava em conversações com o representante da This.Functional e sabia que eles estavam a precisar de pessoal. Actualmente já passou 1 ano desde que comecei a trabalhar nessa empresa e apesar de gostar do que faço, confesso que sinto saudades da escola, dos colegas e dos professores!”

Os 3 anos deste curso foram bastante gratificantes, tanto a nível da matéria lecionada como a nível da disponibilidade de todos os professores, que tentavam sempre que os alunos ultrapassassem as suas dificuldades. Não esquecendo também o estágio profissional que foi uma experiência hands-on bastante enriquecedora, algo que todos os estudantes, a meu ver, deviam fazer antes de seguirem para um curso universitário. Agora que estou na universidade, em Engenharia Informática, sinto que tudo o que aprendi no curso é uma mais valia e que me permite destacar em quase todas as disciplinas. Curiosamente terminei o meu 1º ano universitário com uma média de 17 valores, média essa igual à média final com que terminei o curso profissional de GPSI. Muito honestamente, não penso que seja só uma mera coincidência.” Pedro Vieira, GPSI 2010-2013

“Adorei o curso. Já tinha estado num curso de Electrónica mas senti que não era aquilo que queria fazer. Estava mais voltado para a programação e vim a descobrir este curso na escola Cacilhas-Tejo.

André Brito, GPSI de 2008-2011

“Para mim falar sobre o Curso Profissional de Informática é falar de uma montanha russa: com desejos de um futuro promissor, entre lutas enormes contra a preguiça e contra a vontade de jogar, e, acima de tudo contra a dislexia. Consegui concluir o curso nos 3 anos previstos apesar desta condicionante mas tive que trabalhar para combater essa limitação. A dislexia não é um impedimento para uma vida normal, é uma força que tenho e com a qual luto e supero diariamente. Por vezes questionam

Apesar de haver algumas disciplinas “chatas” e que parecem não ter importância, posso dizer que desde logo todas as horas de programação, sistemas operativos, redes de comunicação e arquitectura de computadores valeram bem a pena! No final do curso, fiquei triste pois sei que se me tivesse empenhado teria uma média melhor do que

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o facto de querer chegar longe na minha carreira, mas se pessoas com problemas maiores conseguem ultrapassar as dificuldades eu também consigo.

no curso anterior. As aulas eram ótimas pois estava sempre a aprender algo novo, principalmente nas disciplinas relacionadas com a Informática! Quando chegaram os primeiros testes apercebi-me que a melhor maneira de ter boas notas era empenhar-me durante as aulas, estudar em casa não era o meu forte e também a preguiça não me o permitia, por isso decidi concentrar o esforço nas aulas.

Em paralelo com o curso profissional, tinha um projeto sobre a cultura japonesa e este curso abriu muitas portas. Aprendi muito do que sei hoje e deume as bases para ter as oportunidades que tenho em mãos, tais como a de ser o meu próprio chefe.

Ao longo do curso fizemos vários projetos interessantes, e sempre tentei ir ao até ao limite do que conseguia e para além! Adorei todos os professores, não só porque ensinavam bem as suas disciplinas, mas porque aprendi lições importantes sobre a vida. Sem dúvida poderei chamá-los de amigos. Porque eles não estão cá só para fins profissionais, mas também para ensinar às novas gerações as coisas mais importantes. Um gigante obrigado a todos os meus professores e claro aos meus colegas, por tornarem o percurso mais fácil e divertido! Sem dúvida que terei saudades de eles todos, de toda a comunidade e da escola em si.”

Quando acabei o curso escolhi ir procurar trabalho, não me sentia ainda preparado para a faculdade mas queria saber mais. Em pouco tempo arranjei emprego para trabalhar em Web-Development. No início pensava que sabia tudo, mas depressa percebi que estava errado. Aprendi muita coisa - ganhei, acima de tudo, responsabilidade. Mas o ser humano nunca está bem. Depois deste ano de trabalho a minha vida deu uma volta e por isso, senti precisar de aprender mais sobre a minha área, como desenvolver mais o meu conhecimento... Inscrevi-me num curso universitário dando seguimento ao curso anterior. Comecei, também, a fazer traduções de sites em simultâneo com o desenvolvimento de um novo projeto ao qual dei o nome de Furrety Phantom (blog de jogos, anime, filmes etc…). Não é, nem foi, fácil gerir pessoas, artigos, eventos, material, servidor… entre outros mas gosto.”

Roman Vasylyev, IG de 2011-2014

“No início tudo parecia engraçado e fácil nos primeiros módulos de programação... coisas simples. Depois as coisas começaram a complicar. Uns desistiram porque não conseguiram aproveitar as aulas nem os apoios mas ao longo dos 3 anos aprendi bastante, especialmente com o GRANDE Diretor de Curso e professor de Linguagens de Programação. Ele foi sempre mais que o nosso professor... tentava sempre nos explicar que vida iríamos encontrar depois da escola e tentou preparar-nos para isso ao máximo. Eu fiz o estágio na empresa Fulcro em Almada e empenhei-me para acabar o antes da época balnear começar porque iria trabalhar como nadador-salvador. Portei-me bastante bem no estágio e no final tive nota 20.

Diogo Jesus, Turma de 2010-2013

“Comecei o meu secundário no curso de Ciências e Tecnologias, mas a meio do 1º ano desisti, porque não tinha hábitos de estudo indispensáveis para a conclusão do curso. Decidi então seguir algo que ainda mais curiosidade me despertava, a Informática! Porque sempre me questionei sobre como funcionavam os videojogos que costumava jogar e como aquela máquina tão sofisticada, o computador, trabalhava. E quando descobri que tenho oportunidade de ser eu a criar algo no computador, percebi logo que seria a minha melhor escolha.

Estou a trabalhar na Fulcro estou quase a ter o meu primeiro contrato de trabalho, não ganho muito mas com a crise que o país esta a passar e como vejo os meus amigos quase todos desempregados acho muito boa a minha situação. No futuro vou tentar crescer (tirar mais cursos e aprender) na área da Informática e ganhar o máximo que eu puder :D”

A maioria dos alunos que decidiram seguir Informática pensavam que o curso era uma brincadeira e que era só jogar, por isso é que normalmente só parte é que consegue chegar ao fim, no prazo dos 3 anos. Eu não me deixei enganar por esses “mitos” e decidi começar com o máximo de empenho que consegui, para não acontecer o que aconteceu

Filip Valentin, IG de 2011-2014 40


ESCOLA

Registos Significativos PAP dos alunos do Curso Profissional de Fotografia Adelaide Silva

Diretora do Almadaforma Membro do Júri da Prova de Aptidão Profissional (PAP) Curso Profissional Técnico de Fotografia Escola Secundária Professor Ruy Luis Gomes Laranjeiro - Almada

Nove projetos, nove provas, a provar e comprovar a elevada qualidade e o excelente profissionalismo de alunos e professores do curso profissional de fotografia sob a orientação da diretora do curso Guida Machado, professora do Ag. Ruy Luís Gomes.

Breves considerações sobre os trabalhos em prova. Contacto de referência para Ver claramente Visto:

Para obtenção do grau de técnico profissional de fotografia de nível IV foi possível a este júri e, particularmente, a este elemento, o privilégio de ver e descobrir o potencial de realização que existe nos jovens que investem em formações com que se identificam como pessoas e profissionais.

http://www.calameo.com/read/0023929341bc ab1ea81ac?authid=lqwT7VGmA38Z

M CÁTIA PEREIRA_ PROJETO: Cacilhas, património do meu olhar

• Cacilhas – património do meu olhar, trabalho de fotografia documental, de Cátia Pereira, convite intencional a revisitar Cacilhas, porta, das margens do rio Tejo, guardião deste lugar.

Da sensação de andar com uma máquina e captar momentos/história(s) nos ficou a impressionante subjetividade do olhar, o sentido artístico do olhar, a visão crítica da(s) realidade(s), a experiência, a aprendizagem, a procura, a competência de comunicação oral e escrita cuidada e limpa. A Magia.

Transformou o cuidado de ver atentamente, com mais sensibilidade, com o desejo de recuperar espaços, imagens e memórias, valorizar paisagens e nostalgias do lugar vivido, sentido. DIOGO ROSA_ PROJETO: Fragmentos de um Ser http://www.calameo.com/read/002392934fc33 2312b570?authid=f0XnotwspGv8

Foi enorme a honra de ter feito parte deste momento de avaliação final do curso. Reflexo das aprendizagens construídas, em dimensão e visão holística da pessoa e do profissional.

• Fragmentos de um Ser , trabalho de fotografia experimental, de Diogo Rosa, focado em si, nas mil e uma imagens do desejo dos seus olhos.

Sinto necessidade de dizer nesta tribuna que é preciso acreditar no potencial dos cursos profissionais e, sobretudo, no potencial dos jovens alunos que, bem motivados e orientados, podem ousar fazer acontecer caminhos de futuro. Muito obrigada a toda a equipa por esta magnífica e exemplar experiência.

Transformou o cuidado de se ver mais natural, artístico, de procurar a própria imagem, e o amor por si próprio. Auto- retratar-se/representar-se em diferentes modos, perceção do ilusório/reflexo, espaços cénicos/materiais, sentido 41


narcisista, em duplicidade. Ver a ver-se.

cias das suas gentes, focado o olhar nos sinais de companheirismo, convívio, na desocultação da realidade, a preto e branco, a cores, modos de dar a pensar/refletir/ intervir.

FÁBIO CRUZ_ PROJETO: Vida animal no Parque da Paz http://www.calameo.com/read/002392934be4 a68ad3cbf?authid=oLRQRzb4P3h6

Transformou o interesse estético, o potencial da máquina na descoberta da beleza oculta dos espaços e dos seus habitantes, potencial de confiança para ser mensageiro de dignidade para os habitantes do Bairro do Rato.

• Vida animal no Parque da Paz, Vida animal no Parque da Paz trabalho de fotografia de natureza, de Fábio Cruz, motivação para fazer e inspiração para saber esperar o momento desejado.

PATRÍZIA SOUZA _ PROJETO: A luz, desenho dos meus silêncios

Transformou o modo de se relacionar consigo e os outros, num crescendo de auto-estima, de sensibilidade e respeito pela natureza, na descoberta das espécies do Parque da Paz, um mundo por explorar. Olhar e ver com outros olhos a dignidade das plantas e animais seus amigos, essenciais à magia das suas imagens.

http://www.calameo.com/read/002392934cf60 78e59196?authid=cO5leZEVzQvv • A luz, desenho dos meus silêncios, trabalho de fotografia intimista, de Patrizia Sousa, linguagem estética de auto-reflexão para se conhecer/reconhecer, construindo as imagens do ser, do seu ser. O fio condutor é representar o mundo, nos seus silêncios, em luz, forma, magia. Porque ninguém pode sonhar por ti.

INÊS PEREIRA_ PROJETO: Zita, mãe até quando? http://www.calameo.com/read/00239293415e 09f16c138?authid=OS2xKSHrx9TT

Transformou o modo de recriar valor artístico em objetos, formas, luz, cores, silêncios, com olhares diferenciados, expressivos, singulares, numa procura incansável dos desertos de luz, solitários, íntimos, agarrando o que nos foge entre os dedos. Desconstrução da realidade, desmaterialização do que é visível.

• Zita, mãe até quando? trabalho de fotografia narrativa, de Inês Pereira, uma metáfora da vida, que permite um olhar interrogativo, objetivo, realista. A cadela Zita, a excelente protagonista da história em imagens de grande originalidade, beleza e ternura comoventes. Transformou o modo de ver e sentir a vida animal, em sensibilidade e respeito pelos animais, exemplares na forma incondicional de amor. O papel da maternidade como lição de vida.

RICARDO LUIZ _ PROJETO: Batalha de emoções http://www.calameo.com/read/002392934f897 03ec4947?authid=dK9NJIV7wRBX • Batalha de emoções, trabalho de fotografia documental, de Ricardo Luís, sobre a representação de sentimentos contrários de violência/emoção/dignidade, na prática do Kit Boxing, força das imagens estéticas documentais, valorativas, de relações interpessoais, respeito, determinação, coragem, estímulo, dor, cansaço.

JOÃO VEIGA _ PROJETO: Bairro do Rato, “papão” ou talvez não?! http://www.calameo.com/read/002392934388 02631299e?authid=d0MCOE317T3g • Bairro do Rato- Papão ou talvez não, trabalho de fotografia documental, de João Veiga, que retrata um bairro de origem clandestina, história de vida de um lugar em degradação social e habitacional exposto a outras leituras, outras formas de ver e valorizar as vivên-

Transformou o modo como percecionou e deu a conhecer esta modalidade desportiva, na dupla função de praticante e interprete de uma ativi42


dade, envolvente, marcada por registos imagéticos fortes e dignos, em mensagens e olhares de amor.

Lisboa aos . Um cenário real, encantado e apropriado pela câmara, com emoção e sentido de descoberta e partilha.

SILVANA SAVITA _ PROJETO: Fé, um sentimento comum

VICTOR DAMASCENO _ PROJETO: Alma da Rua http://www.calameo.com/read/00239293442e 9dcee5821?authid=sux6N1WxOxKO

http://www.calameo.com/read/002392934807 e3e0b2992?authid=2vP2mcTkPaYV

• Alma da Rua, trabalho de fotografia urbana, arte com sentido de valorizar os artistas da rua e as suas mensagens. As obras de arte da rua. Histórias. Registos. Lugares. Marcas do tempo. Mensagens que captam olhos e sentidos - HOPE, Pray for Portugal, Olhos no Vidrão/ Olhos em Ti.

• Fé, um sentimento comum, trabalho de fotografia cultural, de Silvana Silvares, que resultou de uma associação de interesses pessoais e sociais em fotografar o monumento identitário de Almada- Lisboa, o Cristo-Rei. Um abraço comovente entre margens. Um rio imponente. Uma ponte que une. Um trabalho desejado e rigoroso.

Transformou o modo de olhar, ler e refletir sobre o significado estético das mensagens, nos espaços insólitos. As regras e os modos como se constrói significado, o uso que fazem da imagem. O potencial da arte da rua com Alma.

Transformou o modo de ver a monumentalidade do edifício observado, as expressões de euforia e satisfação dos visitantes, a beleza da cidade de

Imagem 1: Capa dos nove projetos, nove Provas de Aptidão Profissional 43


REFLEXÃO

keycoach competências de coaching para tutores e professores de ensino profissional

As competências transversais são cada vez mais importantes, dada a evolução do mercado de trabalho. Contudo, têm sido menos reconhecidas pelos sistemas de formação profissional que as componentes da educação em geral. O desafi o exige a formação dos professores do ensino pro ssional. O projeto KEYCOACH tem como objetivo principal abordar diretamente a questão das competências transversais.

Cristina Santos

Coordenadora do Projeto KeyCoach

O Centro de Formação AlmadaForma, entidade de formação contínua de docentes e não docentes do Ministério da Educação e Ciência, desenvolve dispositivos de formação contínua, tendo identificado como prioritária a formação nas áreas do coaching e do empreendedorismo para professores do ensino profissional, visando a integração dos alunos no mercado de trabalho.

Os principais objetivos do projeto KEYCOACH são: • A adaptação, reordenação, tradução e digitalização de um programa de formação já existente e desenvolvido pela Asociación de la Industria Navarra (AIN);

O AlmadaForma integrou o projeto europeu KEYCOACH, de modo a construir um programa de formação adaptado às necessidades específicas locais e nacionais, no domínio do coaching e do empreendedorismo.

• Formação de tutores e professores do ensino profissional em técnicas de coaching e implementação sistemática de programas de coaching;

A transferência de metodologias resultantes da aplicação do modelo de coaching em âmbito educativo por parte da AIN, contribuirá para o desenvolvimento das competências transversais de professores e alunos do ensino profissional.

• Criação de um programa de formação adaptado às necessidades particulares de cada um dos países coparticipantes no projeto, oferecendo uma ferramenta livre e de autoaprendizagem, baseada no uso das TIC.

O coaching reforça as competências dos estudantes, ativa o seu potencial, incrementa a sua responsabilidade e torna-os conscientes dos seus recursos. Estas capacidades serão uma grande ajuda não só no seu futuro desempenho profi ssional, mas também no seu desenvolvimento pessoal.

O impacto esperado do projeto KEYCOACH faz referência aos seguintes pontos: • Aquisição por parte dos professores do ensino profissional (formados com o programa de formação em coaching) de capacidades e conhecimentos necessários para promover as competências transversais chave nos estudantes;

KEYCOACH é um projeto com a duração de dois anos (outubro 2013 a setembro de 2015), no âmbito do Programa Europeu - Aprendizagem ao Longo da Vida e tem como finalidade proporcionar o desenvolvimento de competências em coaching a tutores e professores do ensino profi ssional. Visa a formação dos alunos a nível da aquisição, desenvolvimento, manutenção e consolidação das suas competências sociais, transversais e empreendedores.

• Melhoria da qualidade e inovação no ensino profi ssional; • Sensibilização para a necessidade de formar docentes do ensino pro ssional em competências transversais chave, promovendo-as junto dos seus alunos, no contexto da União Europeia. 44


REFLEXÃO

keycoach Project

ping person’s personal abilities, skills. It encourages the person to pursue bigger results, improve abilities of thinking and making decisions, develop interpersonal relations and self-confidence. After a long preparatory phase KEYCOACH has picked up speed. Shortly pilot training will be organized in vocational training centres. Heads, mentors, teachers will have an opportunity to learn more about coaching technique and how to transfer knowledge to students.

Aurelija Jankienė

Psychologist Socialinių inovacijų centras Lithuania

In order to make vocational training more attractive and help students to gain new skills, knowledge and competences in 2013 there was initiated a project called – KEYCOACH. What is KEYCOACH about? It is a key to success! Why? Knowledge gained during the project will help to unlock the door to better and more successful future. The main aim of the project KEYCOACH is to help students gain, develop, retain and improve general interpersonal and entrepreneurial skills. This will be achieved through training on necessary skills and knowledge delivered to teachers and mentors from vocational training centres. Quite naturally a question may arise - what is coaching? It is a method of develo-

And that is not all! The project is being implemented by seven partners from seven different EU countries: Spain, Belgium, Portugal, Lithuania, Romania, Poland and Austria. Take this opportunity! It is a great possibility to share experience and improve general competences at the European level. Are you interested in this project? For more information please visit the website www.keycoah-project.eu and find out more!

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REFLEXÃO

A Romanian Approach to the Keycoach Training Programme

• To disseminate the project results and promote the exploitation of the resulting blended learning platform at the widest EU level.

Angela Cotoara

Course Director at KA1 Erasmusplus Romania

The main result of the project, the Keycoach Training Programme (KTP) will be a Blended Course which means we will have face-to face interaction sessions with the trainees (teachers who will be trained to become coaches) and some on-line ones. Each partner will adjust the course according to their needs analysis results and their national specificities. Due to this fact I would like to propose a way of presenting the material which starts from the learners’ existing knowledge, experience and beliefs, and help them link these with the new subject matter.

Aims of the project: KEYCOACH “Coaching skills for VET tutors for promoting key competences and entrepreneurship skills in VET students”

A traditional view of the teaching/learning process is one in which the learner is expected to receive external knowledge, transmitted by teachers or books, and this received knowledge is considered to be sufficient to last the whole lifetime. Such a view is known as a transmission approach to the teaching/learning process. Current views of this process see it more as interaction, or dialogue – a dialogue approach, with information flowing from teacher to learner and back as well as between learners. In addition, this view of the learning/training process sees learning the skills of finding and using knowledge as more important than knowledge itself. It is therefore appropriate for the age we live in as it allows us to keep abreast of the increasingly rapid changes, where what is learnt today, may well be redundant or invalid tomorrow.

The objective of the project is to respond to the specific training needs of VET tutors/mentors to coach their students to favour their entrance in the labour market. This will be achieved by transferring a specifically tailored training programme, which has been successfully implemented in Spain to Belgium, Lithuania, Portugal, Romania and of course Spain. The specific objectives of the project are: • To identify the Training Needs of VET tutors/ mentors regarding coaching of their pupils for soft skills, key horizontal competences and entrepreneurship skills. • To transfer and adapt the Tutors Training Course to the priority skills identified on the Needs Assessment report and to the transferring regions’ specificities.

A challenge is a potential opportunity for learning and is anything that makes learners consider or reconsider and possibly reassemble or expand their existing constructs. From this constructivist viewpoint, the setting up of challenges is one of the fundamental acts of teaching. It in-

• To transfer, experiment and improve the resulting Training Course to a blended learning model. 46


volves, if you like, putting down”stepping stones to help the learner’s journey” (Malderez, 1999) to speed the changes in the learner’s constructs necessary to meet the learning objectives.

vironment’ for the student you are going to coach, participants at KTP need to feel safe within their learning environment. To a large extent, this depends on the trainer’s ability to create that environment by unconditionally accepting all contributions, paying attention to physical aspects of the environment, as well as consciously seeking to promote trusting relationships between all members.

If the goal of learning teaching process is one of creating skilled professional teachers then the goal of the learning coaching process is similarly one of creating skilled professional coaches. Just as having, good subject knowledge is not enough to be a good teacher, so being a good teacher is not enough to be a good coach. It requires additional skills and knowledge.

There is no error in trying to train/teach or learn in a certain way but the impact and effectiveness can be influenced due to the strategy we adopt. As any other course, it has to be conceived according to two broad categories:

In order to acquire a skill, there has to be an initial desire to achieve proficiency. Skills require practice and this takes time, which will differ from one person to another. This may sound obvious, but it is not enough simply to read about, say, interpersonal skills: they can only become genuine tools in a coach repertoire if repeated practice has made them almost second nature. This mastery, however, will not be simple behaviourist imitation, but will be based on new understandings developed during discussions about skills practice itself as well as during work towards achieving the various knowledge objectives of the course. It is this mastery that is one of the major sources of a coach confidence.

• Process strands 1. issues of group dynamics and individual affective issues which allows us to fulfill our supportive role. 2. our educator role through the selection of activities • Skills development strands 1. interpersonal skill development 2. observation, appreciative inquiry and other complex coaching skill development. Considering my experience as a teacher trainer and a mentor trainer I will suggest some more activities:

As with all courses which have a goal of continuing autonomous learning, the leaders’ job will increasingly be to hand over responsibilities to the group, becoming eventually just another colleague of equal status. We all know from personal experience how tiring purely experiential course can be but the reward is also great both for trainers and for trainees.

• to support the educator role for participants through particular attention to group dynamics and the forming of the group in order to prepare a firm affective ground for learning ( the preparing a safe environment)

Because of the crucial importance of the issue of relationships in coaching, we will focus on why group dynamics are so important and how issues from this field can inform course processes. Groups in the socio-psychological sense are by definition pools of resources where the whole is greater than the sum of the parts. As it is stated in this course that you need to assure a ‘safe en-

• Group forming activities, trust-building activities, raising awareness of coaching • Ice breaking and warming activities are also important if we want a motivating start of the course. Such activities will be placed at the beginning of the face-to-face course: 47


• Adverbial Walking, Blind Adventure, I am a person who…,

2. exercises – to get the habit of using it 3. story/Youtube films and explanations of the meaning of the stories or films.

• Heads and Tails: Aims:

According to the ‘inductive way ‘ and to the philosophy of coaching we propose:

- to explore ”the other side” of our strengths and weaknesses as teachers

1. activities (‘learning by doing’) /stories/films

- to work towards the kind of acceptance which allows growth towards ‘becoming the best teacher/coach we can be

2. eliciting from the learners (teachers/trainers) through ‘dialogue approach’ why we did/what is the meaning/ until we get out of them what we wanted to demonstrate 3.Follow up exercises.

• ‘I am a person who…’ - to promote active listening

One of the most important course procedures we will use and which we will recommend for all our partners is the Feedback Dialogue. It not only models a process the coaches will want for their students/pupils: that of seeking feedback from learners, but it provides both the course leader and the participants with valuable insights into the group and its development.

- to get to know each other better - to practise synthesising,summarising (Angi Malderez and Caroline Bodoczky, 1999) etc We have found out in this course that: If we, the trainers would like our trained teachers to coach the students using ‘a dialogue approach’ than we have to use it in our course too.

At the beginning of each course, we initiate a brief discussion on what a teacher would find useful to know from their students after each session. Five minutes before the end of each session, participants are given a small 10/10 piece of paper on which they give us their feedback on: the content, process and atmosphere of the session as well as an indication of how and what trainees feel they are learning.

I quote from the course: “New generation students don’t seem to respond to traditional models of teaching. Coaching proposed an alternative form of teaching that consists of the students recognizing their virtues, talents and gifts.”

The course-leader (or leaders) processes the feedback, categorising the data and writing up extracts. These are presented and discussed during the first twenty minutes or so of the next session.(relaxing music is played).The slips of paper are redistributed at the beginning of the session, and then in a seated circle, invite one participant to read out the slip they have.

This is valid for our ‘new generation’ of trainees/ teachers as well. We the Romanian trainers will adjust our way of presenting the material in an “inductive way”. e.g. The KTP generally presents the material deductively, namely:

Others with slips containing a similar theme or

1. rule/knowledge/theory

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comment are then invited to read theirs, explaining the connections they see with the previous piece of feedback, until all the slips have been read and issues discussed. (The next session will take into consideration the feedback, comments, suggestions received) (Bodoczky and Malderez 2002).

It will be a constant reminder of the different needs, styles, preferences and so on of the different people we work on. In addition it is a helpful process because it is another example of using different perspectives to think over a shared experience. These will not only be different people’s perspectives but they will also reflect the changes that have gone on in the individual participant’s perspectives since the previous session, as a result of their own deliberations, conscious or otherwise - the automatic process of digestion that will have happened in the intervening period. The discussions will allow these comparisons to be made explicit and provide a new springboard for the next phase of the work on the course.

There are many purposes for including the feedback dialogue discussion at the beginning of every session. The first is that it serves as a link, reminding the group of what happened during the last session and what they were thinking and feeling as a result, as well as setting up participants expectations for the session to come. Gradually, the understanding of how their feedback has contributed to the selection of activities and process leads to a genuine collaborative course design process.

I have known this technique from a Mentor Course held at Leeds School of Education, the UK by Angi Malderez and Caroline Bodoczky and I have used it with all my training courses and not only, with exceptionally good results.

Early in the course, many participants find the anonymity of written feedback enables them to reveal their worries and it is reassuring for them to find that others share them.

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REFLEXテグ

In-company classes: a new teaching methodology to motivate students of technical schools

students to observe how theory is put into practice. In-company classes takes place within the company where a part of the normal students curriculum is taught.

Wim Simoens

Course Director at KA1 Erasmusplus wim.simoens@telenet.be

Education has been the most important tool for developing the quality of life in the history of mankind. Education has also been an important tool for improving the quality of craft, industry and science. Today, the developing and innovative industry relies more and more on a well educated and thoroughly trained workforce.

Unlike on-the- job learning and internship, during ICC the teacher accompanies his students and also keeps on teaching general subjects. As example we present a case of ICC in an enterprise specialized in the production of gears boxes. During the ICC period English was taught to understand the technical manual and communicate with foreign clients, economics and bookkeeping were taught to be able to assess the production costs, mechanics and physics were taught to understand the technical manufacturing process, mathematics were taught to be able to calculate the circular dimensions and chemistry was taught to understand the ecological treatment of the production waste.

Thus, along with the development of processes or services, the demand for highly qualified and well educated workers is becoming more and more essential. This is a real challenge for technical schools. One of the solutions to meet the requirements of the industry is to organize company training for the students, www.erasmusplus-ist.eu which is sometimes referred to as on-the-job learning. More and more, companies that work closely together with technical schools want to co-organize and improve training programs as part of their company policy. Sometimes, when the regional industry does not provide enough training opportunities, the school organizes projects and tasks to be performed in the school facilities under the supervision of the teacher.

It means that the general subjects were taught to the students, at the moment where the production process needed this information. Off course the ICC also contained the training of the practical items and the production process, as happens during a normal internship or on-thejob training.

In this article we want to present an even better method for preparing students to the future technical career. In-company classes (ICC) is a method of moving a part of the classroom teaching and learning processes to the company premises. The teacher will have the opportunity to teach theoretical subjects and at the same time show the students how this theory can be applied on the work floor. It is essential for

Summarized, we can conclude that ICC is broader as it includes also the study of general subjects. Advantage is that the general subjects are studied at the moment the students feels the need to acquire these new knowledge and skills. 50


Students experience the necessity of the general subjects and thus, are much more motivated.

The ICC is a good opportunity for the student to understand the structure and functionality of a company in its early stages.

The method has been tested in Flanders and Finland and proved to be very effective. This innovative method not only motivates and broadens the teaching and learning possibilities from the pedagogical point of view, but it also provides the student with a robust theoretical and practical knowledge based on constructive teaching and learning.

In some cases ICC offers a fair financial benefit to educational institutions since it reduces costs in various ways in terms of shared spaces, materials, tools, etc. During the ICC, the teachers also get first-hand information and experience on the latest industrial technology. On the other hand, also the company benefits during the ICC phase. The training of new and skilled technicians takes place under their supervision, thus, enhancing the recruitment of new employees in a more efficient manner.

In Flanders, in-company classes even is applied in higher education (bachelor degree), in order to replace some courses that used to be run in the building of the university college. ICC is an instrument that offers educational organizations and their teachers a new and innovative method, adapted to the vocational education system. A teaching programme that involves the learning and experience of the craft in the immediate vicinity of the actual processes in a working place is expected to motivate the students in their studies and assure their effective participation.

This new concept of teaching is supposed to be prepared in the school classrooms and takes place in the workshops of the company. ICC should be organized in real work situations/ environments, such as factories, warehouses, construction sites, service centers, healthcare centers, etc. Finding the right company that provides the opportunity and services might sometimes be challenging. For example, in small towns there are fewer companies and these are usually small sized with limited capacity. An important requirement is that to implement the ICC, a partner company should first be committed and also

The ICC provides better and faster understanding of the theory. Hence, the information is memorized for a longer time not only because of the link between theory and practice but also because of the repetition done by the professional on the work floor. 51


have enough resources to provide the support necessary during the entire process.

company benefits during the ICC phase. The training of new and skilled technicians takes place under their supervision, thus, enhancing the recruitment of new employees in a more efficient manner.

ICC is an instrument that offers educational organizations and their teachers a new and innovative method, adapted to the vocational education system. A teaching programme that involves the learning and experience of the craft in the immediate vicinity of the actual processes in a working place is expected to motivate the students in their studies and assure their effective participation. The ICC provides better and faster understanding of the theory. Hence, the information is memorized for a longer time not only because of the link between theory and practice but also because of the repetition done by the professional on the work floor.

If you would like to know more about this exiting method, you can take an international course that is subsidized by the Erasmusplus programme of the European Union. The in-service training organizations (centros de formação) Almadaforma and Eekhoutcentrum (Flanders -Belgium) join forces and organize next school year this international course in Brugge (Flanders-Belgium). This course will focus on technical education, cooperation between education and industry, motivation of students, class management, teaching methods, integration of project work, learning mobilities for technical students and teachers‌

The ICC is a good opportunity for the student to understand the structure and functionality of a company in its early stages. In some cases ICC offers a fair financial benefit to educational institutions since it reduces costs in various ways in terms of shared spaces, materials, tools, etc.

All information on this course can be found on www.erasmusplus-ist.eu You also can contact wim.simoens@telenet.be who belongs to Almadaforma as trainer (formador) and is the course director of this international course.

During the ICC the teachers also get first-hand information and experience on the latest industrial technology. On the other hand, also the

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REFLEXÃO

Coaching applied in education? will be a great help, not only in the performance of their professional future, but also in their personal development.

Susana Otazu

Coach profesional Ejecutiva acreditada por AECOP y European Mentoring acreditada por AECOP y European Mentoring and Coaching Council (EMCC) sotazu @ain.es

For all of this, we have begun with KEYCOACH project: “Coaching skills for VET tutors: developing soft skills, key horizontal competences and entrepreneurship skills in VET students”. It is a two years project (October 2013 - September 2015) under the Lifelong Learning Programme aiming to provide VET tutors and mentors with the required abilities andknowledge so as to coach their students in acquiring, developing, maintaining and growing their soft skills,transv rsal key competences and entrepreneurship skills.

Coaching applied in education is entirely satisfactory. Indeed, we consider the experience of coaching in the schools in Navarra (Spain) as an excellent practice with potential to be applied in other schools. We have trained the team of teachers who have completed specific training designed to implement skills and coaching techniques in their tutoring sessions. With them, we have tried to help students to achieve their own goals, improving selftraining key skills (selfesteem, study habits, developing action plans ...) and developing their potential.

Transversal key competences become increasingly important in view of evolving labour market, but they are less systematically addressed by most VET systems than by general education. In large part this challenge is related to the education of VET teachers and trainers.

Our experience, five years of intense work, will allow us to introduce important concepts in the traditional educational paradigm, providing new ideas for understanding and addressing the complex teenager. It aims to provide tutors with other views and perspectives to the student, basing their educational development in the student’s responsibility regarding their education and their life goals.

The KEYCOACH project directly addresses this issue, because its main aim is to provide VET tutors and mentors with the required abilities and knowledge, so as to coach their students in acquiring, developing, maintaining and growing the soft skills related to transversal key competences.

This coaching offers the possibility to increase their flexibility and innovation. Both capabilities 53


The major objectives that should be reached by the KEYCOACH project are:

nia and Austria) and the expected impact of the KEYCOACH project will concern the following points:

• Adaptation, re-arrangement, translation and digitalization of an existing training programme

• Acquisition by VET teachers trained with the Training Programme of the needed skills to foster transversal key competences in their students

• Training of tutors and mentors in coaching techniques and promoting the implementation

• Improvement of the quality and innovation of the VET system

• Creation of a Training Programme tailored to the identified needs of five different countries and provided on an open and self-learning tool, based upon the use of ICT

• Awareness raising at the EU level for the necessity of training VETteachers in fostering transversal key competences

We have built a team of seven countries (Belgium, Lithuania, Poland, Spain, Portugal, Roma-

We will continue working to achieve the project´s objectives…

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REFLEXÃO

O Professor-Coach e o desenvolvimento do empreendedorismo

Paula Tomás

Psicóloga, Coach e Consultora de RH

Hoje sabemos que a inteligência académica, embora importante, não é suficiente para alcançar o êxito profissional. Os profissionais de sucesso são os que procuraram conhecer as suas emoções e como geri-las apropriadamente, como forma de acrescentar valor à sua inteligência. São os que cultivaram as relações humanas e percebem os mecanismos que movem as pessoas. São os que se interessaram mais pelas pessoas do que pelas coisas e que entenderam o potencial do capital humano. Evoluiu-se para novos modelos caracterizados pelo trabalho de equipa, pela autonomia e pela flexibilidade.

dividuo. Estamos a deixar para trás o paradigma das funções e qualificações, mais ligado à tarefa, para adoptar o paradigma das competências, ancorado no indivíduo como ser único, nas suas habilidades e no seu talento. O ensino orientado para as competências, depende da prática, do treino, do exemplo e não tanto das instruções verbais. O essencial é exercitar, praticar e converter o conhecimento em competências que passem a fazer parte do reportório comportamental do adolescente.

Num mundo de incerteza com uma complexidade organizacional e técnica crescente, desenham-se novas formas na organização do trabalho e novas profissões que reclamam atitudes e saberes diferentes. Não é possível prever os conhecimentos e as “skills” que os alunos vão necessitar para o resto das suas vidas. Ninguém poderá prever os seus percursos profissionais. Os empregos que eles terão no futuro poderão ainda nem existir e os conhecimentos que lhes serão exigidos poderão ainda nem ser ensinados hoje. É necessário adaptação à mudança, saber progredir na incerteza, correr riscos, autoaprendizagem, resiliência, ou seja, uma atitude empreendedora.

Para que os sistemas de formação assegurem o desenvolvimento destas é necessário que o professor também desenvolva as suas habilidades, comportamentos e atitudes, pois aquilo que o professor ensina na sua prática docente está embebido das suas características como ser único.

É crucial privilegiar um ensino que em simultâneo permita, aprender a pensar, fazer a ligação com a prática e valorize a formação global do in55


O processo de aprendizagem é pessoal, resulta de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras.

de um modo mais aberto e produtivo. É pois, chamado a transcender a sua função de professor para assumir a de professor-coach, acompanhando o aluno desde o ponto onde está até àquele onde quer estar.

Precisamos ajudar os jovens a desenvolver uma atitude empreendedora, “skills” transversais e transferíveis que os mesmos possam adaptar e aplicar em diferentes contextos. Para isso precisamos de uma educação que não requer apenas meios materiais, como edifícios e livros, mas antes de mais, professores capazes, motivados, bem formados e respeitados.

1. Propiciar a descoberta 2. Desenvolver nos alunos uma atitude de investigação 3. Falar numa linguagem acessível, de fácil compreensão.

Educar é extrair do educando tudo aquilo que ele traz em si mesmo, na forma de potência, fazendo com que ele se revele através do que possui, exercitando a conquista de si mesmo e do conhecimento.

4. Compreender a utilidade do que se está a aprender. 5. Conhecer como o professor ensina e como o aluno aprende

A função de professor vai muito além de simples transmissor de conhecimentos, requer paixão, determinação e paciência. Forma indivíduos conscientes do seu papel no mundo. Retira do aluno o melhor que há nele, modela o seu pensar e o seu agir, prepara-o para enfrentar o seu caminho de vida e o seu futuro. Não há soluções definitivas e gerais, que se apliquem a todos os alunos. No entanto podemos definir metodologias de suporte para o aluno, desde que adaptadas pelo professor. O “Coaching” é uma das alternativas que dispomos. O docente (coach) deve ajudar o aluno (coachee) a definir os seus objectivos académicos, dotando-o dos recursos que permitam reflectir acerca da realidade, com o fim de poder desenhar o seu futuro.

Motivar passa a ser, também, um trabalho de atrair, encantar, prender a atenção, seduzir o aluno.

Para formar precisamos ter professores conscientes que sua actuação é de orientador, estimulador e com sensibilidade para saber trabalhar as diferenças apresentadas pelos educandos. O professor deve tornar acessível ao aluno as ferramentas que o ajudem a enfrentar o futuro 56


REFLEXÃO

Ensino Profissional Políticas e Práticas

- “Porque os nossos empregadores não oferecem, em regra, aos diplomados por este ensino uma carreira profissional cativadora (em termos de prestígio, status, remuneração e carreira, provavelmente por não verem as mais valias desse conhecimento para o aumento da produtividade organizacional;

Amélia Diaz

Professora e Coordenadora de Cursos Profissionais Escola Secundária Emídio Navarro Almada

A existência do ensinamento profissional vem da Idade Média com a aprendizagem dos diversos ofícios. O ensino profissional, tem sido objeto de constantes remodelações legislativas, como os exemplos seguintes:

- Porque o sistema de ensino trata esta via de ensino como a via para os deserdados do sistema regular não lhe conferindo a qualidade e o prestígio escolar que lhe seria devido.”

“A Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) – Lei nº 46/86, de 14 de Outubro, passou a ser a referência para a reorientação da política educativa, tendo como um dos pilares mais importantes a preparação dos jovens para a inovação permanente, para a vida ativa e para o exercício pleno da cidadania.” (Doc. 1 – Breve Resenha Histórica da Formação Profissionalizante, Maria P. Casanova e Rui Baltazar)

A formação profissional inicial, não é mais do que as intervenções que promovem a aquisição e o desenvolvimento dos conhecimentos e competências completos e necessários ao exercício profissional, devendo conferir uma qualificação certificável. Inserida no sistema educativo, está segundo subsistemas,que conferem qualificações profissionais de níveis diversos (I a III), consoante os públicos-alvo e as ações.

“A Portaria nº 550-C/2004, de 21 de Maio, veio regulamentar o Decreto-Lei nº 74/2004 de 26 de Março, corrigido pela Declaração de Retificação nº 44/2004, de 25 de Maio, alterado pelo Decreto-Lei nº 24/2006, de 6 de Fevereiro. Com a publicação da Portaria nº 798/2006, de 10 de Agosto e Despacho nº 14758/2004 (2ª série), de 23 de Julho consolida-se a possibilidade da oferta de cursos profissionais nas escolas públicas e de ensino particular e cooperativo que ofereçam nível secundário de educação, até então, só oferecidos por escolas profissionais privadas e públicas.”. (Doc. 3 – Os Cursos Profissionais nas Escolas Secundárias Públicas , Maria P. Casanova e Rui Baltazar)

“O ato de aprender é mais eficaz quando é tratado como um ativo e não como um processo passivo.” (Kurt Lewin, conhecido como o pai das dinâmicas de grupo) É aqui que entram as Boas Práticas, como Motivar e Incentivar. Quando falamos em boas práticas, queremos dizer, conseguir bons resultados atingindo os objectivos, independentemente do caminho percorrido. O ensino e a formação profissional são essenciais para preparar os indivíduos para a sociedade actual e garantir a competitividade e inovação. É necessário que “Boas práticas” existam de modo a que eles desenvolvam no seu sentido comum, criatividade, iniciativa, empreendorismo e senti-

Mas, o ensino profissional não é um ensino de massas, não tem valor social, empresarial, familiar, em suma não atrai pessoas. Isto deve-se a duas razões: 57


Acredito que o sucesso dos cursos profissionais passa por conseguirmos proporcionar situações diferenciadas, que permitam o despertar de consciências.

do de responsabilidade. A nossa missão como educadores/formadores é preparar jovens com índices de autonomia, para que exerçam a dimensão do trabalho qualificado.

É com agradável surpresa que se verifica que quando estes alunos se deparam com a experimentação prática, a entrega é um sucesso a todos os níveis.

Os alunos dos cursos profissionais são, na sua maioria, alunos com alguma dificuldade ao nível da componente de formação científica e baixa auto estima para além da ausência de métodos de trabalho.

É claro que não é fácil…., e estando este tipo de cursos inseridos em escolas de ensino regular, esta é uma tarefa que, pelo menos para nós, obriga a muito trabalho, dedicação e inovação, mas temos a missão de preparar jovens que irão ingressar no mercado de trabalho começando a sua vida activa. Portanto os nossos esforços e os nossos métodos têm e devem ser direccionados para responder às necessidades e ambições destes alunos, para que estes se possam sentir motivados para o sucesso e a uma aprendizagem ao longo da vida.

Compete-nos a nós, promover técnicas de incentivo à auto-responsabilização e à promoção de autonomia individual e em grupo. Para isso é fundamental que os professores/formadores tenham um perfil /formação bem definido para leccionarem estes cursos, haver mais permeabilidade por parte destes na abordagem dos temas dos conteudos programáticos, de modo diferente, estando estes de acordo com a formação objectiva a cada curso e haver maior interdisciplinaridade, permitindo assim, dar uma visão aos alunos/formandos, de que os saberes estão interligados.

No entanto, há ainda muito por desbravar… É importante fazer acreditar a todos que enveredar por este tipo de percurso não deve ser sinónimo de facilitismo, mas de criar hábitos de trabalho, autonomia e valorização das várias etapas que nos levarão ao sucesso.

Como situação relevante, salienta-se as atividades letivas em que existe o exercício das atividades práticas, oficinas/laboratório, em que sugerimos a formação de grupos de modo a que cada grupo desenvolva um projecto/trabalho, que passa pela aplicação dos recursos existentes na escola e referentes ao seu curso; estes projetos/ trabalhos, estão/poderão (a) integrar concursos nacionais e internacionais.

Mas, também é necessário o reconhecimento pela comunidade escolar e pelo meio social onde estamos inseridos, da importância de formar profissionais deste nível. Eu continuo a acreditar que é possível e vale a pena!

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REFLEXÃO

Uma jornada particular A viagem começa, faz-se o silêncio habitual quando o avião levanta, momento em que o medo paira silenciosamente no ar e, após largos minutos apaga-se a luz do “cinto de segurança apertado”. É o momento do relaxe para os passageiros e o começo da azafama do pessoal de bordo. Qual não é a minha surpresa quando, do meu lado direito, ouço dois jovens de cerca de trinta anos a falar Português. As probabilidades de encontrar alguém que falasse a minha língua nesta viagem era ínfima, muito menos mesmo ao meu lado. Imediatamente identifiquei-me e gerou-se uma empatia instantânea entre nós. Percebi que, para além de jovens aventureiros de partida para o Oriente numa viagem de aventura de 3 semanas, eram também sócios de uma empresa, a Allstars. E, segundo me estava a parecer por aquilo que ouvia, uma empresa que até era lucrativa! Que bom, haver jovens empreendedores no nosso país, e logo de seguida pensei que era uma pena que os meus alunos do Curso Profissional de Marketing não serem assim. Cheios de ideias, de iniciativa e com vontade de viver experiências novas. Mas depois raciocinei calmamente e percebi que eles ainda eram adolescentes e que eu estava a “pedirlhes” o impossível.

Bárbara Henriques

Professora do Curso Profissional Técnico de Marketing Escola Secundária de Cacilhas-Tejo

Porventura os amantes de cinema lembrar-se-ão do filme “una giornata particolare” com Sophia Loren e Marcelo Mastroianni a personificarem a história de um amor impossível, que por essa razão não passou de uma “jornada”. Aliás a definição oficial de jornada é “viagem, caminhada que se faz no período de um dia “ou “trabalho desempenhado no decurso de um dia”. Refiro-me à minha viagem à Tailândia. Mais especificamente ao primeiro dia de viagem, à jornada que durou cerca de 13 horas. Dia 13 de Agosto do corrente ano estávamos em plenas férias de Verão. O mês de Agosto, aquele mês pelo qual todos os professores anseiam, o mês dos sonhos concretizados, o mês em que, por milagre, a escola desaparece, os alunos evaporam-se e os colegas deixam de existir. Programei para esse dia a minha viagem de ida para a Tailândia e assim fui. Direta a Paris e, finalmente, o Boeing 747 para Banguecoque. Sentei-me na coxia da fila do meio, lugar previamente marcado que tentei alterar sem sucesso, fila onde mal cabem as 4 pessoas programadas para passar 11 horas coladas umas às outras. As hospedeiras holandesas de cabelos louros (meio naturais e meio pintados) movimentavam-se num frenesim que anunciava um voo longo e atribulado. Os passageiros tentavam desesperadamente fazer caber as suas malas sobredimensionadas no compartimento acima dos nossos lugares. Eu encolhia-me com medo de levar com uma em cima da cabeça, como se fosse possível proteger-me daqueles embrulhos de formatos e conteúdos tão diversos. 59


A viagem foi prosseguindo pela noite fora e nem eu nem os meus companheiros de viagem conseguíamos dormir. Comecei a ficar cada vez mais curiosa para conhecer a atividade deles. Finalmente percebi que a empresa fazia dinheiro com futebol! Será possível? E percebi também que eles adoravam o seu trabalho. Claro, qual é o homem que não gosta de futebol? E ainda por cima a fazer dinheiro com o que se gosta. Organizam torneios de futebol e são pagos para isso. Mas era necessário encontrar sempre clientes interessados em pagar para os torneios, pois eles trabalham para um nicho de mercado. Então pensei, eles têm falta é de alguém na empresa que saiba de Marketing! E caramba os meus alunos que passaram para o 11º ano já sabem alguma coisa sobre o assunto. Já passava das 3 da manhã quando lhes expliquei que era Diretora de Cursos Profissionais de Marketing e que gostaria de colocar dois alunos no ano letivo seguinte a estagiar na Allstars. Já a manhã ia longa, trocamos de telefone, e-mails e despedimo-nos no aeroporto de Banguecoque. Eles foram para a cidade e eu não saí do aeroporto pois ia apanhar o voo para a ilha de Samui. Sempre tive um grande fascínio por ilhas, influenciada provavelmente pela minha adolescência, em que devorava as aventuras dos cinco e dos sete da Enid Blyton, a escritora juvenil britânica do meu tempo.

humanidade, marcamos uma reunião para a semana seguinte e levei dois alunos de Marketing cuidadosamente selecionados. A reunião foi um pouco tensa, o Miguel apresentou a empresa, explicou onde eles poderiam ser úteis, isto é, na angariação de mais clientes, na criação uma estratégia de Facebook, escrevendo crónicas dos jogos de futebol para o Record, obtendo mais patrocínios, etc. Enfim, tudo o que se espera de um técnico de marketing. Saímos todos da reunião todos um pouco inseguros pois não tinha ficado nada definido. Passados dois dias novo telefonema do Miguel. Tinha ouvido dizer que os alunos dos cursos profissionais eram maus por isso queria pô-los à prova. Eu concordei e os alunos, à partida, gostaram do desafio. Assistir a um jogo de futebol à noite (dos torneios da empresa) e escrever uma crónica para o jornal Record. Mas após alguma reflexão, um deles resolveu contestar o facto de ter de deitar-se à meia noite, porque no dia seguinte teria de estar nas aulas às 8h 20m. Chamei-lhe (delicadamente) todos os nomes que merecia e ele acabou por concordar que eu tinha razão. Mais uma desafio para mim, isto estava a tornar-se tudo muito cansativo. Finalmente, dia 28 de Outubro à hora do jantar levei-os ao Centro Internacional de Futebol para eles assistirem a dois jogos noturnos e fazerem as respetivas crónicas.

Ao regressar a Portugal, no início de Setembro entrei de imediato em contacto com eles. Não obtive resposta. Pensei, são como os outros todos, dizem que sim no calor do momento, mas depois esquecem-se. Passadas algumas semanas, toca o meu telemóvel e era ele! O Miguel Ferrari, o sócio maioritário da Allstars. Tinha estado internado no hospital por ter contraído uma doença tropical e, por esse motivo, não tinha respondido às minhas tentativas de contacto. Então, após a recuperação da minha fé na

Surpresa, eles adoraram o ambiente, escreveram as respetivas crónicas e foram aceites! Por isso, quando volto atrás e penso que o mês de Agosto é para “desligar” de tudo o que signifique trabalho, percebo o quão ridículo é fazer cortes artificiais com a realidade. A realidade é una e indivisível e a minha “jornada” para o Oriente foi realmente “particular”.

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REFLEXÃO

Algumas notas sobre o Ensino Profissional a tipologia da oferta profissionalizante parece também ela decalcar a oferta, em versão simplificada, da moldura formativa dos institutos politécnicos, e mesmo de alguns cursos superiores.

António Lopes

Professor Escola Secundária Anselmo de Andrade

Quanto às infraestruturas, se compararmos muitas das atuais escolas com oferta no EP com as antigas escolas industriais, verificamos que o investimento não só tem sido fraco (salvaguardadas as escolas intervencionadas pela Parqueescolar), como não suporta bem os objetivos que foram traçados no papel. Se a comparação for feita com países que investem consequentemente nestas áreas (ainda há pouco tempo, no âmbito de um Projeto Comenius, tivemos oportunidade de conhecer escolas na Catalunha e na Finlândia) o EP português é quase insípido.

A perspectiva aqui apresentada tem uma vertente pessoal, que resulta da minha experiência letiva de vários anos nesta área. Por outro lado, também pretende refletir sobre as intenções que presidem ao atual modelo de Ensino Profissional (doravante: EP)e extrapolar algumas ideias que bem poderiam incorporar uma outra abordagem. Debruçar-me-ei então sobre a concepção, a dotação de infraestruturas, a gestão do tempo e o tipo de atratividade que o EP exerce sobre potenciais alunos. No fim, apresentarei alguns dos desafios que, em meu entender, terão de ser enfrentados.

Do ponto de vista da organização temporal dos planos de formação, também se levantam problemas bastante exóticos, nomeadamente no que diz respeito à harmonização entre estes cursos e a restante oferta das escolas.

Dado que o sistema de ensino português ainda é herdeiro de uma experiência muito marcante que se designou por Ensino Unificado, enferma de muitos vícios que parecem difíceis de resolver. Parte desses vícios acabam por impregnar o atual modelo de EP. Por exemplo, quem desenhou os seus currículos, ou caiu na quase total ausência de critério e definição, que caracterizou o modelo das Novas Oportunidades; ou seguiu uma estrutura curricular híbrida, na qual as disciplinas da formação geral e científica são um género de simplificação dos programas dos cursos científico-humanísticos. Por outro lado,

Além destes três aspectos, há ainda um outro problema que se prende com as impressões sociais associadas a esta oferta: são cursos destinados àquelas crianças e jovens que, do ponto de vista cognitivo, não têm condições para frequentar o ensino superior. Contudo, e paradoxalmente, os conteúdos das disciplinas e as cargas horárias são extremamente exigentes, e o sucesso muitas vezes é conseguido à custa de um abaixamento expressivo do nível de exi-

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gência dos professores. Também de uma forma paradoxal, toda a argumentação existente nos documentos orientadores da prática docente e avaliativa parece ignorar a exigência da moldura formativa, condicionando os professores a trabalharem para um grau zero de insucesso. Tal retórica é bastante surpreendente, nomeadamente quando se sabe que dado o contexto, serão sempre os alunos com mais insucesso a optarem pelo EP.

que nunca irão fazer o investimento adequado em infraestruturas, seja ainda porque do ponto de vista da responsabilidade social nem sempre estão à altura); posteriormente será necessário redefinir o conceito de curso profissional, mudar as impressões sociais associadas e este tipo de formação, e fazer um verdadeira articulação com o tecido empresarial e institucional de cada região. A formação tem efetivamente que criar valor no território onde se insere, essa terá de ser a regra de ouro.

Não querendo acreditar que a tutela tenha como objectivo transformar os professores em emissores de diplomas profissionais de baixa credibilidade, parece então haver aqui alguns equívocos que deveriam merecer mais cuidado.

Por fim, uma palavra sobre o ensino dual, do qual tanto se tem falado ultimamente. Esse tipo de ensino poderá ser uma solução temporária, dada a impossibilidade de dotar as escolas públicas dos equipamentos necessários a uma verdadeira formação profissional (mecânica, soldadura, estética e cuidados de higiene, jardinagem, enfim, um ensino de verdadeiras profissões). Porém, o modelo Finlandês da escola prestadora de serviços, e que cobra dinheiro por esses bens ou serviços, deverá ser o modelo a seguir: é mais eficiente e exige mais responsabilidade a todos os intervenientes; por outro lado, garante que as profissões ensinadas são aquelas que as pessoas necessitam. Termino com uma palavra relativa à formação geral destes cursos: o conceito introduzido pelo programa Novas Oportunidades até poderá ser recuperado, mas tanto a sua explicitação (basicamente, aproveitam-se as designações das áreas e unidades de formação), como o modelo de avaliação correspondente, têm de ser repensados.

Ainda no contexto das ameaças à qualidade do EP, há que estar com muita atenção à tentativa de certas instituições privadas, nomeadamente as que têm contratos de associação, que estão de olho nos milhões de euros que poderão gerir, se conseguirem colocar as unhas neste maná. Assinalo que a diversidade da oferta formativa constitui, na escola pública, um recurso insubstituível e crítico. É dos poucos instrumentos que permite combater com efetividade as variáveis do insucesso e do abandono. Dado este contexto, importa em primeiro lugar salvaguardar a dignidade da atividade formativa (coisa que essas instituições genericamente não conseguem garantir, seja porque gerem os horários dos professores quase em exclusivo em ordem à minimização dos custos, seja por62


REFLEXÃO

Conhecer para (Trans)Formar

e práticas, afirmar compromissos e dimensões alternativas, apostar na inovação e criatividade, conhecer, experimentar e projetar caminhos redentores e emancipatórios, de superação e reinvenção.

Adelaide Silva

Diretora do Centro de Formação de Associação de Escolas do Concelho de Almada Almadaforma

O Centro de Formação de Associação de Escolas do Concelho de Almada orienta a sua ação estratégica, de formação contínua, em função de princípios estruturantes de cidadania, qualificação e conhecimento, com enfoque na organização- escola, contexto privilegiado de reflexão e realização de políticas de formação significativas, visando a construção de uma cultura profissional e organizacional, evolutiva e consciente do potencial de intervenção dos educadores e dos professores, como agentes sociais de mudança.

Compromissos de referência:

Tem como missão:

Contribuir para o sentido profissional e organizacional para a progressão na carreira e avaliação do desempenho docente através da valorização de uma conceção investigativa da formação centrada na reflexividade das práticas sobre os contextos de trabalho, os processos, as metodologias, as ferramentas tecnológicas utilizadas, os processos de regulação e avaliação, os resultados e as mudanças operadas, com vista à melhoria sustentada dos contextos escolares e comunitários.

Apoiar a mudança em função de referenciais de qualidade através de planos de formação das escolas contextualizados e adequados, credíveis e reconhecidos, ao serviço de políticas educativas e de projetos significativos para a melhoria dos resultados escolares e do desempenho profissional, a partir dos problemas nevrálgicos do ensino e da sala de aula, na cultura organizacional, centrada nas lideranças e na gestão e administração escolar.

Ser parceiro de desenvolvimento educacional e promotor da qualidade, a nível do desempenho docente, das aprendizagens dos alunos, da organização - escola, através da promoção de dispositivos de formação coerentes e em conformidade com as políticas educacionais de âmbito local, nacional, e internacional, numa lógica de elevado serviço à causa universal da educação. Colaborar, comunicar, e partilhar conhecimentos e responsabilidades, com o sentido de agregar sinergias, vias de reflexibilidade sobre percursos

Promover dinâmicas de inovação e desenvolvimento no contexto dos Agrupamentos/ Escolas

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las, empresas e outras instituições de educação, cultura e ciência numa linha de qualificação ao longo da vida. Ensino Profissional - da justificação da parceria do Projeto KEYCOACH A motivação para integrar o projeto europeu KEYCOACH, centrado no ensino profissional, e em processos de investigação - ação, no âmbito da formação contínua de professores e tutores dos cursos profissionais, a nível das metodologias de coaching e empreendedorismo, fundamenta-se na lógica de intervenção assumida por este Centro de Formação e nos percursos desenvolvidos, como parceiro do desenvolvimento das comunidades locais, apostando na requalificação do território de Almada e dos seus habitantes, em particular, as comunidades mais desfavorecidas e desvalorizadas, por deficit de escolarização e formação para a vida ativa/empregabilidade.

associadas, no âmbito de projetos educativos e outros projetos de âmbito local, nacional e europeu, assentes em princípios de comunicação e partilha, viabilizados de forma presencial e a distância, em redes de trabalho comunicante, e parcerias criativas, empreendedoras e inovadoras no domínio das abordagens de educação e formação. Explorar a motivação e inspiração dos atores educativos, promovendo abordagens formativas, contextualizadas e focadas na organização e gestão escolar, no processo de ensino-aprendizagem, nas dimensões de liderança, trabalho de/em equipa, com visão de compromisso e prestação de contas.

Neste sentido, assumiu medidas e coordenou projetos de referência nacional, tais como: Centro de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências – CRVCC, para promover a qualificação escolar e profissional dos portugueses, pela via da valorização da experiência e das metodologias autobiográficas e de histórias de vida.

Mobilizar todos os atores intervenientes na construção de processos de formação contínua exigentes e competentes, centrados nas escolas e nas práticas profissionais, em comunidades colaborativas, reflexivas, acompanhadas e supervisionadas, sancionadas por via de sistemas de autoavaliação e de avaliação externa, para a assunção de uma cultura de (auto) formação e de (auto) avaliação contínuas.

Centro de Competência Nónio Século XXI para a promoção e desenvolvimento da utilização pedagógica das novas tecnologias de informação e comunicação no contexto escolar e comunitário. Projeto DAR à Costa – Tr@nsFormArte – Programa ESCOLHAS, numa lógica de cidadania ativa e participativa, indutor de melhoria das aprendizagens e de inclusão social.

Fazer acontecer o futuro educacional marcado pela reflexividade, pela criatividade, pela inovação, pelo conhecimento e pelo desenvolvimento promovendo a qualidade dos processos formativos, no Quadro da Estratégia Europa 2020, através de estabelecimento de parcerias locais, nacionais e internacionais, com o MEC, as instituições do ensino superior, associações profissionais de ensino, autarquias, centros de formação profissional e de associação de esco-

Entidade parceira de Instituições do Ensino Superior e Escolas a nível nacional e internacional, no acolhimento de estagiários em diversas áreas e vias de ensino, nomeadamente universitário: Ciências da Educação; Formação de Adultos; Didáticas do Português Língua Não Materna e profissional das escolas públicas, nomeadamente: 64


Técnico de Multimédia; Informática de Gestão; Secretariado; Turismo; Design Gráfico; Informática; Contabilidade, entre outros.

A visão projetual prospetiva potenciou a abertura à dimensão e exploração europeia, assegurando uma consciência profissional de âmbito europeu, com um investimento em crescendo, em termos da organização de respostas educativas e formativas com abrangência social alargada à comunidade, ao mercado de trabalho, ao ensino profissional, à profissionalidade e empregabilidade, articulando a escola, a academia e os órgãos de política local, nacional e internacional.

Parceria com as Escolas e a CMA-CLASA, no âmbito do Ensino Profissional e da Formação Contínua de Professores e Tutores responsáveis pelos cursos profissionais do Concelho de Almada. Entidade promotora de investigação-ação, com o objetivo de identificar e aproximar a oferta formativa dos cursos profissionais às necessidades e prioridades do sistema local, nacional e internacional, de modo a corresponder às diferentes especificidades e em particular à comunidade do Concelho de Almada. Neste sentido, tem procurado publicar os resultados das investigações desenvolvidas em Conferências nacionais e internacionais (ECER e AFIRSE).

Com base na assunção destes compromissos tem sido possível concretizar a missão do Centro de Formação, com uma visão de qualidade e esperança na educação, como caminho para o desenvolvimento do território educativo de Almada, caracterizado por uma identidade própria, fruto da diversidade de origens, culturas e línguas das suas gentes, património comum e singular do concelho.

Entidade parceira de Instituições (Centro de Desenvolvimento da Crianças, Instituto de Toxicodependência, Comissão de Proteção de Menores, entre outros) promotoras de inclusão de jovens e adultos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) comportamentos desviantes e dependências, promovendo o seu acolhimento em estágios tutelados de forma personalizada e contextualizada.

Em diálogo permanente, com a comunidade e as suas forças vivas, este Centro de Formação tem procurado promover iniciativas de valorização do ensino profissional, ciente da qualidade do potencial e dos contributos para o mercado de trabalho, na dimensão pessoal de cada um, como obreiro do seu conhecimento e do seu saber, para benefício da sociedade.

Projetos Europeus, como parceiro e coordenador, desde 1997, nas dimensões da cidadania, das novas tecnologias e multimédia, dos sistemas de qualidade e, particularmente, no domínio da diversidade linguística e cultural, das necessidades educativas especiais, do abandono escolar e ainda do ensino profissional.

O Centro de Formação AlmadaForma procura desenvolver a sua ação em geografias de afetos, manifestados em processos de comunicação expressivos e no reconhecimento e valorização das pessoas envolvidas no ato de ensinar e de aprender, mestres e discípulos, em contínuo aperfeiçoamento, eternos aprendentes da vida. 65


INVESTIGAÇÃO

Formação Contínua de Professores na Lecionação do Ensino Profissional efetivas dos alunos. As mudanças alcançadas visam, por sua vez, impelir transformações e desenvolvimento nos alunos, nas organizações em que estão inseridos e ainda na comunidade educativa.

Maria Prazeres Casanova

Professora do Ensino Secundária Doutorada em Ciências da Educação

A rápida mutação do mundo social, económico e político faz surgir novas exigências individuais e sociais a nível do desenvolvimento de recursos humanos, nomeadamente dos professores que lecionam Cursos do Ensino Profissional (VET). Os professores, no exercício da sua profissionalidade, têm consciência das suas dificuldades e la-cunas, mas também das solicitações e das exigências que lhes são colocadas.

A utilização do diagnóstico da análise de necessidades de formação de professores como um “instrumento heurístico” (Rodrigues, 1999:476), mas também como um instrumento hermenêutico (Casanova, 2005: 165), que interpreta as necessidades latentes ou ocultas, explicitando-as e clarificando-as, afigura-se-nos como o meio de a cons-ciencialização das necessidade implícitas passarem do plano das necessidades para o plano do direito de serem satisfeitas e, tal como Barbier afirma, as necessidades traduzem-se “em objetivos para a ação” (1996: 89). É na interação das necessidades de saber e de compreender do ser humano com a procura de sabersaber, que ocorre o conhecimento, enquanto “información convertida en respuesta personal gracias a la reflexión” (Zaragoza, 2001: 35). As necessidades de saber-saber originam necessidades de saber-fazer e estas, necessidades de saber-ser. A dimensão do saber-estar emerge da simbiose do saber-saber, do saber-fazer e do saber-ser, emergindo a maturidade do Saber, ou seja o metaconhecimento.

Os docentes procuram formação de modo a que possam satisfazer as suas neces-sidades: •de aprendizagem, motivação e relacionamento interpessoal, de integração so-cial e de avaliação dos seus alunos; •de liderança, de gestão e de coordenação organizacionais; •de relacionamento e inserção na comunidade a nível local e internacional; •de promoção do seu desenvolvimento pessoal e profissional. O desenvolvimento profissional realiza-se num processo continuum, interativo, cheio de avanços e de recuos, numa tensão entre o já e o ainda não, o inacabado, numa espiral de conquistas e de maturação do Saber.

O diagnóstico de necessidades de formação de professores para lecionarem cur-sos do ensino profissional afigura-se-nos de especial importância, dada a sua especificidade. Com forte tendência técnica, tecnológica, artística e profissional, proporciona aos jovens a “inserção no mundo do trabalho” (Decreto-lei 139/2012, art. 6.º d)) de forma qualificada, o prosseguimento de estudos superiores e o sucesso e valorização pessoal. A par das necessidades dos alunos, a legislação em vigor estabelece normas específicas de organização, funcionamento, avaliação e cer-

No entender de Jonh Dewey (1974:220, citado por Alarcão e Tavares, 1987:23), o “objetivo último da formação dos professores é fazer do professor «a thoughtful and alert student of education» capaz de observar, intuir e refletir”, induzir mudanças nos comportamentos, nos métodos e nas técnicas a utilizar, nas perceções e representações, tendo em consideração as necessidades 66


tificação do ensino profissional que requerem por parte dos professores formação em contexto (Portaria 74-A/2013).

- da relação pedagógica? - da indisciplina e abandono escolar? - da avaliação dos alunos?

É no quadro da construção do conhecimento que definimos o objetivo deste estudo exploratório: diagnosticar necessidades de formação de professores que lecionam cursos profissionais.

- da relação escola-comunidade? Metodologia e Apresentação de Resultados O presente estudo orienta-se pela abordagem quantitativa. E nesse sentido recorremos à aplicação de um questionário fechado, como indicam Ghiglione e Matalon (1993), colocando todas as questões previamente formuladas ao entrevistado sem qualquer adaptação nem explicação, a fim de as comparar e quantificar. Para além das questões fechadas, foi dada aos inquiridos a possibilidade de identificarem outras necessidades formativas não mencionadas anteriormente.

Decorrente deste objetivo surgem as questões de investigação a que desejamos responder: •Quais as áreas que os professores desejam e necessitam refletir? •Quais as necessidades de formação dos professores para ministrarem cursos profissionais ao nível: - da gestão e organização do curso? - da prática letiva?

Figura nº 1: Categorias utilizadas na elaboração do inquérito.

A elaboração do inquérito teve em consideração os seguintes níveis: gestão e organização dos cursos profissionais; prática letiva; relação pedagógica; indisciplina e abando escolar; avaliação

dos alunos e relação da escola com a comunidade. O inquérito foi aplicado, num primeiro momento, a uma amostra de conveniência e aleatória a 67


pessoas que se identificavam como professores numa rede social ou que pertenciam a um Centro de Formação de Professores. Num segundo momento, foi apli-cado o mesmo inquérito a professores que se assumiam, na sua maioria, como professo-res do ensino profissional.

suem em si próprias um sentido integral e harmónico (L’ Écuyer, 1990); •construímos indicadores tendo por base “l’ unité de signification” (Mucchielli, 1988: 32) •organizámos, como nos propõe Lüdke e André (1986), ligações entre os vários indicadores, “tentando estabelecer relações e associações e passando então a combiná-los [...]” (p. 44).

Para realizarmos a análise dos dados, recorremos às medidas de tendência central: indicador moda. A moda, segundo Moreira (1990, cf. Lemos, 1989), é o indicador que se repete com mais frequência, permitindo-nos verificar a curva de distribuição dos indicadores.

Foram analisados os dados recolhidos de forma a conduzir a um programa de formação profissional, o qual terá sentido se for capaz de estar ao serviço da satisfação das necessidades dos alunos em contexto.

Para além das questões de resposta fechadas foi ainda apresentada uma questão aberta em que os respondentes podiam identificar as suas necessidades formativas para além das que estavam mencionadas. Dos dados recolhidos foi realizada análise de con-teúdos às respostas dadas e adotámos o seguinte processo:

O inquérito foi aplicado a 137 professores, mas na maioria das respostas, a fre-quência de ocorrências ultrapassa o número de respondentes uma vez que cada um po-deria identificar vários indicadores.

•realizámos uma leitura flutuante dos diferentes documentos;

Apresentamos, de seguida, os dados recolhidos na aplicação do inquérito.

•identificámos as unidades de registo que pos-

Figura nº 2: Necessidades de Formação no que concerne à Gestão e Organização do Curso.

Na Figura 2 verificamos que os professores apontam como principais necessidades de formação o conhecimento de modalidades, técnicas e instrumentos de avaliação do curso que dirigem, assim como a sua organização.

des áreas de formação que se complementam mutuamente, ao nível da Prática letiva: a necessidade de conhecer diferentes estratégias promotoras do sucesso dos alunos e metodologias de trabalho motivantes e motivadoras de novas aprendizagens.

Ao analisarmos a Figura 3 detetamos duas gran68


Figura nº 3: Necessidades de Formação ao nível da Prática Letiva.

Figura nº 4: Necessidades de Formação ao nível da Relação Pedagógica.

No que concerne à Relação Pedagógica as principais necessidades identificadas são o conhecimento de métodos e estratégias para promover a motivação dos alunos de modo a realizarem

aprendizagens e ainda estratégias de abordagem para gestão de conflitos entre os alunos e entre estes e os seus professores.

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Figura nº 5: Necessidades de Formação no que respeita à Indisciplina e Abandono Escolar.

Ao nível das necessidades de formação evidenciadas são de destacar: formas de motivação

para minorar o abandono escolar e formas de atuação para minorar a indisciplina.

Figura nº 6: Necessidades de Formação no que respeita à Avaliação dos Alunos.

Pela análise da Figura 6 verificamos que os professores identificam como necessidades formativas o conhecimento de técnicas para recolha

de dados e ainda quais os instrumentos de avaliação melhor se adaptam à recolha dos dados avaliativos.

Figura nº 7: Necessidades de Formação no que concerne à Relação Escola-Comunidade. 70


A Figura 7 afirma como prioritário o conhecimento de estratégias para estabelecer parcerias com instituições da comunidade e com empresas. Podemos ainda salientar a necessidade de formação sobre estratégias de relacionamento com as famílias.

das suas funções docentes. Parece-nos que as necessidades prioritárias dos professores se prendem com o conhecimento da organização do curso e de modalidades, técnicas e instrumentos de avaliação do mesmo: •ao nível da prática letiva as prioridades evidenciadas situam-se na necessidade de conhecer:

Os respondentes tinham oportunidade de evidenciar outras necessidades formativas para além das que estavam identificadas anteriormente. Desse modo foram evidenciadas as seguintes necessidades formativas:

•diferentes estratégias pedagógicas promotoras do sucesso educativo dos alunos,

1.Atualização dos conteúdos programáticos das disciplinas dos cursos lecionados, sobretudo no que respeita à formação técnica

•metodologias de trabalho a utilizar adequadas à diversidade de contextos; •formas de realizar a articulação interdisciplinar e/ou transdisciplinar;

2.Conhecimento e atualização de ferramentas e plataformas TIC.

•ao nível da relação pedagógica as necessidades preferenciais parecem apontar para a promoção da motivação dos alunos e da gestão de conflitos;

3.Formação Pedagógica para os “professores” que não são professores, nomeadamente os técnicos das empresas que lecionam vertentes técnicas.

•ao nível da indisciplina e abandono escolar os professores afirmam como necessidade o conhecimento de formas de motivação para minorar o abandono escolar e também para minorar a indisciplina;

Conclusão Ao serem constadas as necessidades de formação dos professores que lecionam Cursos do Ensino Profissional decidimos participar no programa no programa formativo no âmbito do projeto KEYCOACH - Leonardo da Vinci Transfer of Innovation. Dado pensarmos que o coaching pode ser uma resposta às necessidades expressas pela maioria dos professores, uma vez que é uma abordagem mais pessoal, um desafio e apoio contínuo quer para professores e fundamentalmente para os alunos.

•no que concerne à avaliação dos alunos os professores desejam conhecer técnicas para recolherem dados e instrumentos de avaliação •ao nível da relação com a comunidade os professores desejam conhecer prioritariamente como se estabelecem parcerias com instituições da co-munidade e com empresas.

O objetivo geral deste programa é "melhorar a qualidade e inovação do sistema de ensino profissional através da formação de professores VET e mentores em técnicas de coaching e promover a implementação de programas de formação e a criação de no-vas formações sobre competências essenciais e competências transversais para estudantes VET" (tradução livre).

Parece-nos, ainda, poder afirmar a partir da análise de conteúdo, que para além das necessidades identificadas existem outras necessidades formativas que precisam de ser satisfeitas, tendo em conta a lecionação numa escola ou agrupamento de escolas on-de sejam lecionados cursos profissionais, ou numa escola profissional. Referências Bibliográficas:

Os respondentes têm consciência das suas próprias necessidades de formação as quais têm por base as dificuldades sentidas no exercício

Alarcão, I. e Tavares, J. (1987). Supervisão da Prática Pedagógica. Uma Perspectiva de Desenvolvimento e 71


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Aprendizagem. Coimbra: Almedina.

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Decreto-lei 139/2012, de 5 de julho. Portaria 74-A/2013, de 15 de fevereiro.

L' Ècuyer (1990). Méthodologie de L'Analyse Dévelo-

O Centro de Formação de Escolas do Concelho de Almada – AlmadaForma em parceria com o Agrupamento de escolas Emídio Navarro dinamizou, no dia 21 de outubro de 2014, um Encontro de Projetos Europeus, que privilegiou a informação e partilha de ideias para promover a construção de projetos em redes e parcerias nacionais e estrangeiras. Foram apresentados os projetos europeus: INTER + - Plurilinguismo e interculturalidade em contexto educativo europeu; KEYCOACH - Coaching para o desenvolvimento de competências transversais e de empreendedorismo de professores e estudantes do ensino profissional; LINPILCARE - visa construir comunidades profissionais de aprendizagem em articulação com instituições do ensino superior, em processos de investigação-ação; PROM – Formação Profissional – Educação para a mobilidade. Em seguida a Drª. Cristina Gaboleiro da Agência Nacional apresentou o Programa ERASMUS+. A reportagem do Encontro Erasmus + está disponível no youtube em http://youtu.be/UoYrPiWb9vo ?list=UU5k2Xqas4MLscEWkUhtoOHA 72


NOTÍCIA

Chegamos a Sevilha Eram 6 da manhã, hora espanhola, quando chegamos de autocarro a Sevilha na segunda-feira, dia 21 de Abril de 2014. Mas, até chegarmos aqui, houve um longo percurso que passamos a descrever.

empenho e esforço ao longo do curso). A esperança esteve sempre presente! Em maio de 2013 soubemos que o projeto havia sido aprovado. Passaram mais 5 meses até chegarmos a Outubro de 2013 onde 4 de nós entrámos diretamente no projeto através das classificações obtidas durante os 3 anos do curso, quanto ao quinto elemento foram realizadas entrevistas individuais em que era questionado do ponto de vista do aluno em questão qual era o colega que devia ter a hipótese de estagiar fora do país. Após uma decisão renhida vista haver um bom clima de companheirismo entre os alunos…

A primeira vez que tivemos conhecimento que havia a hipótese de alguns de nós irem estagiar no estrangeiro estávamos ainda no 11º, corria o mês de Outubro. Um ano e meio antes desta viagem, fomos informados pela professora Amélia Diaz e o professor Rui Baltazar que a escola iria concorrer, ao projeto Leonardo Da Vinci, que no caso do projeto ser aprovado iria possibilitar a alguns alunos a terem a Formação em contexto de trabalho (FCT) no estrangeiro. Desde logo foram referidos os critérios de seleção entrariam alunos pelas qualidades académicas (classificações ao longo dos 3 anos do curso, bem como alunos de mérito reconhecidos pelos seus colegas e professores como aqueles que tiveram uma postura e camaradagem exemplar, atitude,

Selecionamos os alunos que iam estagiar, foram realizadas reuniões com os alunos e com os seus pais para explicar todos os procedimentos administrativos e legais para esta mobilidade se concretiza-se. Depois de muita espera, chegou finalmente o dia 20 de abril de 2014 , por sinal o dia de páscoa, pois íamos finalmente embarcar para a viagem que pudera ditar parte do nosso

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Percurso Professional e assim foi pelas 21h30 apanhamos na estação de sete rios o autocarro que nos levaria ate Sevilha.

nardo da vinci por nos apoiarem nesta jornada da nossa vida, por que sem o seu apoio não teriamos condições para o concretizar

Experiência PEL: tal como estava acordado o senhor Rafael Sanchéz veio nos buscar a fim de irmos conhecer a empresa e de nos dar a conhecer os meios de transporte de Sevilha, dando nos total apoio no que precisássemos. Conhecemos um pouco de Sevilha, conhecemos um pouco dos seus costumes e da sua cultura, o que foi bastante importante, tão importante como por esta oportunidade que estamos tão gratos.

Despedimos agradecendo a todos os que nos apoiaram PER: Tiago Pereira e Sara Vieira PEL: João Jesus, Rafael Rodrigues e Nelson Campos João, Nelson e Rafael

Alunos do 12ºano do Curso Profissional de Eletrónica Automação e Computadores

Experiência PER: No início encontrámos uma cultura diferente da nossa, visitamos alguns locais de Sevilha que gostamos muito e experimentamos sabores diferentes. No primeiro dia foi um pouco difícil compreender e falar espanhol, mas agora passado pouco tempo, percebemos perfeitamente toda a gente e aos poucos estamos a melhorar o nosso espanhol. Estamos a gostar bastante desta nova experiencia, pois esta a ser bastante enriquecedora. Estamos bastante agradecidos por podermos ter esta nova experiência.

Tiago e Sara

Alunos do 12ºano do Curso Profissional de Energias Renováveis

Por fim temos a agradecer aos nossos professores e também agencia nacional programa leo74


A Escola “Escola é... o lugar onde se faz amigos não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima. O director é gente, O coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente, Cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se ‘amarrar nela’! Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” (Paulo Freire)

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Revista AlmadaForma 8  

A Revista do Centro de Formação de Professores do Concelho de Almada

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