Perfeitamente Imperfeita - Primeiro Capítulo

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Copyright © 2015. Perfectly Imperfect. Harper Sloan. Copyright da tradução © 2019. AllBook Editora. Diretora Editorial: Beatriz Soares. Tradução: Alline Salles. Preparação: Clara Taveira e Raphael Pelosi Pellegrini. Revisão: Clara Taveira, Raphael Pelosi Pellegrini e AllBook Editora.

Projeto de capa original: Perfect Pear Creative Covers. Projeto de capa Brasil: Flavio Francisco. Projeto gráfico de miolo: Cristiane Saavedra.

Todos os direitos reservados pela AllBook Editora para publicação no Brasil. A reprodução, transmissão ou distribuição não autorizada de qualquer parte deste trabalho protegido por direitos autorais é ilegal. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação, sem a permissão dos detentores dos copyrights. Os direitos morais do autor foram declarados. Esta obra literária é ficção. Qualquer nome, lugares, personagens e incidentes são produto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, eventos ou estabelecimentos é mera coincidência. Esta obra segue as regras do Novo Acordo Ortográfico. Produzido no Brasil. contato@allbookeditora.com




Pensei muito se colocava ou não um recado em Perfeitamente Imperfeita. No fim, senti que você merece saber por que este livro antecedeu todos e cada um dos outros em progresso que eu escrevia na época. Os motivos pelos quais senti que esta história precisava ser compartilhada. E, mais importante, por que a Willow Tate será, para sempre, a maior parte de mim que já coloquei em um de meus personagens. Por boa parte de minha vida, tive problema com a imagem do meu corpo. Não era algo pequeno, mas grande, terrível, problemas deformadores que me moldaram em alguém de que nem sempre tive orgulho. Passei pelo Ensino Médio escondendo meu transtorno alimentar que a maioria descobrirá — ou talvez apenas confirmará o que já pensavam — através desta mensagem. Sabe, eu estava mais preocupada com as expectativas “perfeitas” que a sociedade exige de nós mentalmente. Mais preocupada em manter a aparência como uma das garotas “mais populares”, “mais bonitas”, do que com minha própria saúde. Caí direto nas mãos do predador que assombra nossa autoestima diariamente. Então fiquei mais velha. E não tão mais sábia. Vou ocultar os detalhes sórdidos, mas os problemas com a imagem do corpo que eu sofria pioraram antes de melhorarem. As pessoas próximas a mim comentavam como eu estava “gorda” ou como “costumava ser tão bonita”. Eles apenas complementaram aqueles problemas até


que se transformaram em uma bola de neve rolando tão rápido, que eu sabia que provavelmente nunca conseguiria pará-la. Ainda tenho alguns desses problemas visivelmente, e acho que nunca me sentirei perfeita. Eu sofro. Todos os dias. Eu sofro. A diferença agora é que sei que não sou perfeita, nem nunca serei, mas tenho mais confiança neste momento na minha vida (e no meu corpo) do que já tive quando tinha a versão da perfeição na minha cabeça. Ainda tenho momentos, exatamente como Willow, quando sinto que todo mundo está me olhando e julgando meu corpo. Julgando as escolhas que pensam que faço. Julgando-me pela aparência. No entanto… aprendi ao longo de ANOS de sofrimento que sou perfeitamente imperfeita. Sou feliz. Demorei muito tempo para me sentir assim comigo mesma e, embora tenha dias em que me sinta apenas imperfeita… eu me amo. A internet é uma massa de vídeos virais nos dizendo quem e o que precisamos ser. Retratando qualquer um acima do tamanho quarenta como “acima do peso” ou “plus size”. Pessoas públicas atacando pessoas que não atingem seu padrão de perfeição. Falando a que ponto devemos chegar para nos considerarmos merecedores dessa perfeição. Fazendo-nos questionar, e quase sempre odiar, a nós mesmos e a pele em que habitamos. Willow — como eu — se sentiu assim, se sente assim e vive assim. Mas ela aprendeu que a perfeição não é o que outros esperam que você seja, mas o que você espera de si mesmo. Nas palavras do próprio Kane Masters, eu quero dar esperança àqueles que precisam saber que a vida não é o que outros querem para você, mas o que você quer para si mesmo. Força apesar da fraqueza. Que você pode ser a mudança que quer para si. Willow é muito de mim. Do que senti. Das coisas que fiz. Dos pensamentos que tive. Das experiências que vivi. Dos medos, dos altos, dos baixos, e o ódio que ela sente é real e puro para muitas pessoas por aí. Sei que nem todo mundo sente as coisas que Willow sente. Ela pode parecer fraca às vezes, mas aqueles que já estiveram no lugar dela… sabem o quanto Willow é forte. Para aqueles que


continuam a estar no lugar dela todos os dias, espero que Willow consiga mostrar o quanto a perfeição é apenas uma imagem. Você, como Willow, é uma pessoa amada… e espero que possa ser curada através da história dela. Como Willow, aprendi que não importa o que os outros pensam sobre mim e a pele em que habito. O que importa é que EU ME AMO. E como nunca serei perfeita… serei imperfeita e vou arrasar com perfeição. Espero que goste da história de Willow e Kane. Com amor, Harper.



MEU CORPO, AINDA FERIDO E DOLORIDO, GRITA em protesto conforme me arrasto até a porta aberta da limusine. Minha mente está trabalhando em conjunto com meu corpo dolorido e está contestando mais um centímetro de movimento. Não quero estar aqui. Quero estar em qualquer lugar, menos aqui. Respiro fundo e vejo meu pai sair do veículo, depois esticando o braço e estendendo a mão para ajudar Ivy, minha irmã, a ficar em pé. Naquele instante, desejo com todas minhas forças que seja apenas um sonho. Um pesadelo terrível do qual vou acordar a qualquer segundo. — Willow, venha aqui agora — meu pai exige em um cochicho. Ele coloca a cabeça para a frente, mas sua voz é baixa o suficiente para chamar minha atenção. Cerrando os punhos e apertando bem os olhos fechados, eu oro. Para ser um pouco mais forte. Para conseguir passar por isso sem quebrar em milhões de pedaços. Para ser a pessoa que meu pai quer que eu seja. Alguém mais parecido com minha irmã. Quando chego à abertura, coloco as pernas para fora de um jeito estranho, me certificando de não bater na porta o gesso duro do meu pé esquerdo. Minha mente imediatamente percebe o erro em minha lentidão quando meus olhos encontram os severos de meu pai, queimando com ódio e irritação. Para mim. Porque eu sou a causa de estarmos aqui. Seu braço está em volta de minha irmã, enquanto o corpo dela está aconchegado na lateral dele. Seus soluços baixos são abafados pelo


paletó dele. Ele não se move para me ajudar. Nem um centímetro quando tenho dificuldade para sair do veículo. Seus olhos azuis frios falam tudo que ele não ousaria dizer com aquela quantidade de pessoas à nossa volta. Apresse-se. Recomponha-se. Pare de ser tamanha vergonha. É por sua causa que estamos aqui. Você é uma tola patética. Ele mexe um pouco o pé, e ouço minhas muletas se juntarem quando ele as pega, me dizendo, sem palavras, que essa será a única ajuda que vou receber dele. Meus músculos doem a cada movimento. Eles reclamam quando me empurro para fora e gritam de agonia quando me coloco de pé ao lado da porta aberta. O braço que usei para empurrar meu corpo para fora do banco causa uma dor extrema nas costelas machucadas. Cada movimento deixa meus pulmões sem ar. E a inspiração forçada que faço quando a dor se torna demais faz os olhos de meu pai se endurecerem ainda mais. Deus, por favor, me ajude. Faça tudo isso desaparecer. Tudo. Quando, finalmente, consegui ficar em pé — com um pé só —, ele começa a marchar na frente. O corpinho de Ivy apertado em sua lateral e nenhum olhar para trás a fim de garantir que estou os seguindo. O piso irregular sob o gramado molhado torna minha caminhada mais desafiadora, mas estou determinada a não dar a ele outro motivo para ficar infeliz comigo. Certifico-me de que minha pisada esteja sólida, e balanço o corpo para a frente com cuidado. Chego ao lado dele bem depois que eles sentaram e me sento ao seu lado de maneira pesada. Não olho para cima. Ver o olhar de pena misturado com tristeza no rosto de todo mundo à nossa volta me faria desabar, mas sei que, se alguém me olhasse com a mesma culpa que meu pai me olha… meu coração estaria eternamente arruinado. Então, meus olhos travam na madeira cor de mogno em que está a única pessoa que sei que me amou nesta vida. Vou ficar com essa marca de responsabilidade pelo resto de meus dias. Esse fardo da morte nunca será apagado. Afinal, era eu que estava dirigindo o carro naquela noite.


Não importa que um motorista bêbado tenha sido a causa de nosso acidente. Eu não consegui prever a batida que tirou a vida de minha mãe. Não consegui impedir que ela morresse. Conforme os momentos finais do funeral acontecem à minha volta, tudo em que consigo focar são aquelas últimas lembranças que tenho da felicidade juvenil. Quando o ódio de meu pai por mim não era algo tão palpável porque era protegido pelo amor de uma mãe. Quando o desprezo de minha irmã não me chocava extremamente. Quando eu não me odiava por estar viva. Eu tinha tudo em um segundo e, no outro… não tinha nada. Um vazio muito obscuro está me matando. E agora… agora, só consigo me lembrar de como a voz crescente de meu pai me repreendia aos pés da minha cama de hospital. Suas palavras, envolvidas com o veneno do ódio, me falando que era eu quem deveria ter morrido naquela noite. Que a vida da minha mãe valia mais a este mundo do que a de sua filha bastarda. Ele deixou claro que nunca mais vai conseguir me olhar do mesmo jeito depois que tirei a esposa perfeita dele. Olhei para o lado, vendo minha linda irmã envolvida nos braços dele, depois olhei para meu colo. O assento estreito em que estou sentada belisca minhas coxas quando me mexo e, com um suspiro profundo, percebo que, quando tirei dele sua esposa perfeita, sua vida perfeita, e esmaguei tudo nos restos triturados do carro de minha mãe, contaminei o futuro com nada além de imperfeição. Afinal de contas, ele tinha razão… cheguei a este mundo como bastarda e o mundo provavelmente seria melhor se eu saísse da mesma forma.


Willow. AUTOAVERSÃO É UMA DOENÇA. Okay, talvez não seja uma doença de verdade, mas deveria ser classificada como tal. Quando você acorda de manhã e detesta a pele em que habita. Ou talvez quando se olha no espelho e vê bochechas redondas onde contornos perfeitos costumavam estar e imediatamente quer enfiar o dedo na garganta para ajudar. Pior ainda, ser casada com um homem que te fala todos os dias como você é feia e tem uma bunda gorda. Ou, para citar o que parece ser sua frase preferida, “seu corpo gordo nojento”. Aff. Autoaversão é uma doença que estou lutando para curar por mais anos do que consigo me lembrar. Não ajudava o fato de, até recentemente, eu ter sido casada com alguém que alimentava essa doença diariamente. Seus comentários, seu olhar de desprezo para a pessoa que sua esposa se tornara, sua infidelidade — tudo isso tinha sido o combustível necessário para essa doença piorar. E, pior ainda, eu deixei. Eu me tornei um produto dos jogos da minha própria mente. Mas hoje, tento me concentrar no futuro. No fim de uma jornada infernal em que posso finalmente, esperançosamente, pegar todo o trabalho duro que tive nos meses desde que meu casamento acabou


e me tornar meu eu que era para ser. Hoje vai marcar o dia que tudo ficará oficialmente no passado. Tirando as cobertas, olhei para minhas coxas grossas furadas por tempo suficiente para dar um tapa invisível em minha autoestima decrescente. Você é melhor do que isso, Willow. Você enxerga o que sua mente quer que enxergue. Lembre-se disso. Não é que eu seja uma pessoa fraca. Sou um produto da autodestruição, pelo menos é o que meu terapeuta me fala. Sou um campo de batalha de força versus fraqueza e realidade versus minha própria mente. Não me olho no espelho e me odeio porque sou fraca. Não, me odeio porque, embora minhas roupas e a balança me digam uma coisa, eu não consigo enxergar isso. Uma pessoa precisa de toda força que consegue reunir para continuar lutando contra sua própria autoimagem. Lutando para encontrar o caminho de volta do dano que se causou física e mentalmente. Não acho que sempre fui assim. Minha infância, acho eu, foram os tijolos que construíram onde estou agora na vida. Minha mãe me amava tão ferozmente quanto qualquer mãe ama seus filhos. Mas era aí que o amor acabava. Meu pai, ou devo dizer o homem que me criou desde que era pequena, nunca gostou de mim. Cheguei na vida dele como uma inconveniência que simplesmente aconteceu de vir junto com a mulher por quem ele se apaixonou. Mesmo após todos esses anos, não sei por que ainda desejo o amor dele e anseio para ser aceita como sua filha “de verdade”. Isso porque nem falei de Ivy ainda. O amor dele ia todo para sua filha verdadeira, minha meia-irmã. Nem quando era bebê, ela gostava de mim. Começava a chorar no instante em que eu entrava no quarto. Mas o desgosto que eles compartilhavam se transformou em ódio no dia em que minha mãe morreu. A depressão que se iniciou com a morte de minha mãe continuou a se juntar com outros problemas ao longo dos anos, assim como meu corpo, porque eu comia compulsivamente cada um desses problemas. Olhando para trás agora, tenho certeza de que só me casei com meu futuro ex-marido porque ele foi o primeiro homem que prestou atenção em mim. Atenção, de forma positiva, foi algo que tive dificuldade em encontrar depois da morte


dela. Por quase uma década, cozinhei em um tanque de ódio, então, quando o conheci, peguei tudo que ele tinha a oferecer e agarrei com toda força. Não demorou muito para aquela afeição se transformar em um pesadelo de abuso verbal que aguentei por anos. De acordo com meu terapeuta, eu era meu próprio mártir. Fiquei porque, de certa forma, acreditava que merecia. Até o dia em que isso acabou, quando percebi que eu valia mais. Porém, naquela época, casada com uma vida de insultos verbais, perdi mais de mim mesma do que conseguiria ter ganhado com sua sombra de dispersão de ódio. Fui de uma mulher saudável com uma barriga perfeitamente chapada, seios empinados, tamanho PP e a melhor bunda da cidade — para alguém que nem me reconhecia mais. E foi nesse momento que usei todo o ódio dos outros lançados em mim e me transformei na cheerleader mais gorda que existia. Eu sofri. Continuo sofrendo. Mas estou melhorando, e é só nisso que consigo me concentrar agora. Com um suspiro profundo, vou até o banheiro e começo a me arrumar para meu compromisso com o advogado do divórcio. O último e mais importante compromisso, porque significa que finalmente me livrarei do meu ex-marido traidor e verbalmente abusivo. Como eu disse… hoje é o dia em que tudo que estive trabalhando se realizará. Hoje, escolho ser uma pessoa melhor. Uma que não se odeia. Uma que não liga tanto para todos à sua volta. Hoje, eu escolho força. Só oro para que a luta diária dentro de mim possibilite essa minha escolha.


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