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Copyright © 2017. Dirty Filthy Rich Men by Laurelin Paige. Copyright © 2019. AllBook Editora. Diretora Editorial: Beatriz Soares. Tradução: Alline Salles.

Designer de capa original: Laurelin Paige e Jenn Watson. Designer de capa Brasil: Flavio Francisco.

Preparação e Revisão: Clara Taveira e Raphael Pelosi Pellegrini.

Projeto gráfico de miolo: April Kroes.

Esta obra foi publicada perante acordo com a Bookcase Literary Agency e RF Literary Agency.

Todos os direitos reservados pela AllBook Editora para publicação no Brasil. A reprodução, transmissão ou distribuição não autorizada de qualquer parte deste trabalho protegido por direitos autorais é ilegal. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação, sem a permissão dos detentores dos copyrights. Os direitos morais do autor foram declarados. Esta obra literária é ficção. Qualquer nome, lugares, personagens e incidentes são produto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, eventos ou estabelecimentos é mera coincidência. Esta obra segue as regras do Novo Acordo Ortográfico.

Produzido no Brasil. contato@allbookeditora.com


Ninguém no mundo sabia beijar como Weston King. Quando seu rosto se aproximou do meu, minha respiração ficou presa no fundo da garganta. Quando sua boca encontrou a minha, saiu faísca. Quando sua língua deslizou entre meus lábios, encontrei o paraíso. Meus dedos do pé literalmente se flexionaram, exatamente como essa expressão banal sugere. O coração martelou contra a caixa torácica. Senti um frio na barriga. Cada célula, cada fibra de meu ser sentia a invasão dele. Seu beijo transformou um corpo de carne, sangue e osso em algo muito maior. Algo carregado. Algum combustível. Algo inflamável. Pelo menos era assim que eu imaginava o jeito como seus beijos eram. Minha única prova era baseada em observação e, disso, eu tinha bastante. A garota com quem ele escolhera sair naquela noite definitivamente parecia prestes a se arder em chamas, pelo jeito que ela se esfregava e se contorcia contra ele. Nichette? Era esse


o nome dela? Ou Nikita? Foi difícil ouvi-la acima do ruído da festa quando se apresentou a ele há uma hora, e ele só tinha falado o nome dela uma ou duas vezes desde então. Era meio incomum, e um pouco pretensioso, e se misturava a todos os outros nomes pretensiosos e incomuns de suas ficantes anteriores. Um cara que eu reconhecia de minhas aulas de economia passou cambaleando, rindo com os amigos, e me pressionei mais à parede, segurando com mais firmeza o copo, para não derramar a bebida. Embora não me importasse tanto com qualquer que fosse a cerveja artesanal servida naquela semana, era uma das minhas coisas preferidas das festas na Fortaleza. A principal atração sempre eram as cervejas e licores artesanais. A maioria dos outros alunos ricos de Harvard gostavam de chamar o público para suas festinhas com prescrição de receitas e remédios tão experimentais, que ainda nem haviam tido tempo de ser aprovados para comercialização. Os garotos da Fortaleza mantinham tudo simples e — com exceção de uma boa quantidade de menores bebendo — legal. “Para aqueles que podem não querer manchar seu passado”, eu tinha ouvido Brett Larrabee, o autodesignado administrador da casa, declarar mais de uma vez, geralmente quando estava tentando convencer alguém a chupá-lo com seu “um dia serei senador” de sempre. Tinha que lhe dar crédito — normalmente funcionava. Minha outra coisa preferida das festas na Fortaleza era Weston King. Era, na verdade, o único motivo para eu ir a algum desses arrasta-pés. Era absolutamente intrigada em relação a ele por nenhum bom motivo além de ele ser gostoso, encantador e rico. Ele era meu vício. Minha obsessão. Meu crush. Amava meus hormônios. Tinha visto Weston no primeiro dia de Introdução à Ética na Administração. Tinha me sentado na frente (porque era esse tipo de garota), e ele havia chegado atrasado (porque ele era esse tipo


de cara), dando um sorrisinho para algo em seu celular. O sorriso permaneceu em seu rosto enquanto guardava o celular no bolso de trás, o brilho ainda em seus olhos azuis. Olhos azuis-claros. A aula era em um auditório, então demorou muitos segundos para ele atravessar a sala, e não consegui parar de encarar. Observeio pelo caminho inteiro. Observei-o passar a mão pelo cabelo loiro-escuro que caiu na testa. Observei-o dar uma piscadinha para o assistente do professor, que o estava olhando desafiadoramente por estar atrasado. Esse cara era confiante. Presunçoso. Exatamente como todos os riquinhos que entravam em Harvard por causa das doações monetárias significativas e de um sobrenome. Ele era o garoto que eu queria odiar, e eu tinha chegado em Cambridge com minha bolsa e as economias da vida inteira de meu pai, que planejou que eu fizesse exatamente isso. Mas, então, seu olhar se cruzou com o meu, e acho que ele não me viu na verdade, porém eu o vi, e o que vi foi fascinante. Era calmo, e um encanto, e um privilégio e me fez arrepiar. Me fez respirar. Me fez corar com pensamentos safados demais para uma aula de Ética. Definitivamente, me fez esquecer todo objetivo que eu tinha de detestar aquele garoto. Em vez disso, queria saber mais. Não era difícil descobrir sobre ele. Seu pai era Nash King, coproprietário de King-Kincaid Financial, uma das maiores corretoras de investimento do mundo e, sem nem ter que perguntar, as pessoas falavam dele. Logo, descobri que ele era calouro, como eu, e que morava com um monte de caras em uma casa de quatro andares a dez minutos do campus, que tinha sido passada por algumas famílias ricas por tanto tempo, que ninguém se lembrava por que eles a chamavam de Fortaleza. A casa era famosa pelas festas que eles davam todo fim de semana. E, embora agora fosse fim de outubro e Weston nunca tivesse falado comigo ou me olhado diretamente e nem indicado que sabia que eu existia, eu tinha comparecido a todas.


Toda vez, eu passava a noite em um canto, observando-o dar em cima de alguma menina. Sempre em um canto diferente. Sempre uma menina diferente. Havia tentado identificar se ele tinha um tipo, mas não encontrei um padrão. Essa era ruiva. Na semana anterior, foi uma loira. Na outra semana, a garota tinha o cabelo de um tom de castanho quase igual ao meu, mas era cheia de curvas. Essa ruiva era tão magra quanto eu, porém tinha, obviamente, comprado um par de peitos. Outra vez, ele tinha ficado com uma menina ainda mais reta do que eu. Não tinha padrão. Não tinha tipo. Isso me levou a acreditar que tudo que eu precisava fazer era reunir coragem para falar com ele e, então, talvez… Mas e aí? Eu não era iludida. Sabia que não tinha nada de especial a oferecer. Não havia armadilha que seria acionada no instante em que o pau de Weston estivesse dentro de mim. Ele transaria comigo e acabaria. E, então, minha obsessão por ele seria ainda mais patética porque eu não seria apenas uma garota com um crush — seria uma doida que não conseguia seguir em frente. Mesmo assim, eu sonhava que seria diferente. Que, naquele dia, ele me notaria e haveria aquele brilho, que seria o tipo eterno de brilho, e quando descobrisse que eu estive me guardando para alguém exatamente como ele, se esforçaria para me merecer e o faria. E seria doce e romântico, e viveríamos felizes para sempre. Para uma estudante de Administração, eu sempre tive uma imaginação fértil. Sabia bem disso. — Ei, sexy! — Um dos caras que moravam na casa, eu realmente não fazia ideia de quantos eram, puxou uma garota com uma blusa que chegava até a coxa e legging estampada para um abraço, bloqueando minha visão. — Faz tempo que não te vejo. Quer entrar na próxima rodada?


Dei a volta na mesa da piscina que os meninos tinham no lugar de uma mesa de jantar, estreitando os olhos pelas pessoas até ver Weston e sua presa da noite. Quando os vi de novo, foi bem na hora. Estavam perto das escadas e ele estava se inclinando a fim de sussurrar algo no ouvido da ruiva. Ela reagiu com uma risadinha e assentiu. Era isso. A Saída. O instante em que os dois sairiam de fininho para levar as coisas ao próximo nível. A parte que eu passava a semana inteira imaginando nos mínimos detalhes — só que, na minha imaginação, eu era a garota e, normalmente, seguia sonhando acordada com a mão dentro da calcinha. Sério, talvez eu só precisasse transar. Dei outro gole da minha cerveja artesanal não-muito-boa e me encolhi. Geralmente, quando Weston saía com sua ficante da noite, eu terminava minha bebida e ia para casa. Ele subiria para seu quarto agora. Pelo menos, eu achava que aquele era seu quarto. O andar superior era fora do limite, a porta das escadas ficava trancada e, mesmo se não ficasse, eu nunca invadiria o espaço privado deles. Mas, daquela vez, quando Weston e sua ficante subiram, ele não fechou bem a porta. Do outro lado, meus olhos se concentraram no trinco aberto, e algo me possuiu. Algo inexplicável. Porque, em um minuto, eu estava em pé apoiada na parede como sempre e, no outro, estava me movimentando na sombra e subindo a escadaria escura até o último andar da Fortaleza. A escadaria estava em silêncio e vazia e, quando cheguei ao topo, parei. As luzes estavam apagadas em todo o último andar, e meus olhos demoraram um pouco para focar. Parecia ter um banheiro à minha frente. À direita havia um corredor, à minha esquerda havia um quarto com uma porta entreaberta. Ouvi risadinhas vindo do quarto, e andei na ponta dos pés naquela direção, me xingando a cada passo. Que porra eu estava fazendo?


Estava planejando espiar enquanto Weston fodia outra garota? Ou queria que ele me visse, de repente, na porta e me convidasse para entrar? Queria que me convidasse para me juntar? É, isso era zoado. Quase dei meia-volta. Deveria ter dado meia-volta. Mas, então, Nicorette inspirou alto e eu tinha que saber o que era. Tinha que ver. Eu me aproximei mais, olhando para dentro do quarto, e quase pulei quando vi o casal diretamente diante de mim em um frenesi de lábios travados. Então percebi que, na verdade, estava olhando um reflexo em um espelho na parede. Eles estavam do outro lado da cama e a lua estava brilhando pela janela, iluminando a cena. E, nossa, era excitante. A ruiva já estava sem blusinha e sem sutiã, e Weston estava sobre ela, sugando um seio, beijando seu mamilo pontudo enquanto apertava o outro seio. Nikita jogou a cabeça para trás e gemeu. Inconscientemente, massageei meu próprio seio por cima da blusa, e quase arfei quando vi que meu mamilo estava sensível e ereto. Tive que morder o lábio para não fazer barulho. Precisei cruzar as pernas a fim de amenizar a palpitação entre elas. Observei Weston tirar a camisa, o ângulo me dando uma visão de suas costas lindas e musculosas. Ele era da equipe de remo. Claro. Muito certinho. Muito garoto rico. Mas aqueles músculos… Deus abençoe a equipe de remo. E agora ele estava desabotoando a calça jeans. E ela estava tirando o pau dele da calça. Podia sentir meus olhos se


arregalando, tentando olhar melhor. Ousei me inclinar mais um pouquinho. Ainda assim, tudo que eu conseguia ver era uma sombra escura na mão pequena da ruiva conforme ela o massageava. — Isso, Nicky, assim mesmo. — O tom baixo da voz de Weston fez meus joelhos vacilarem. Conseguia ouvi-lo apenas acima da batida da música vinda de lá de baixo. — É Nichelle — ela corrigiu. Certo! Era isso. — É, Nichelle. — Ele colocou a cabeça dela para trás para poder devorar sua boca. Ele a beijou por alguns minutos, vorazmente, depois se afastou e seguiu para o reflexo… na minha direção. Eu me encolhi no canto onde a dobradiça encontrava o batente, certa de que estava prestes a ser descoberta. Mas tudo que Weston fez foi fechar a porta. Apoiei as costas na porta fechada e expirei demoradamente. Afinal, que porra era aquela? Eu poderia ter sido pega. Poderia ter sido expulsa da Fortaleza para sempre. Poderia ter perdido qualquer respeito que Weston poderia ter tido um dia antes mesmo de ganhá-lo. E por que eu estava tão a fim desse cara, de qualquer forma? Eu nem o conhecia! Precisava endireitar minha cabeça. Precisava me lembrar por que meu pai se esforçou todos aqueles anos na loja de móveis e por que o dinheiro do seguro de vida de minha mãe foi economizado e guardado. Foi para eu poder entrar na faculdade dos meus sonhos. Não para passar todo meu tempo sonhando acordada com um playboy de rostinho bonito. Mas ele tinha um rosto bem bonito.


Deus, eu estava encrencada. — Ele nunca vai querer você — uma voz veio do escuro diante de mim. — Não enquanto for virgem. Semicerrei os olhos e, quando olhei mais atentamente, vi que havia outro quarto no fim do corredor com a porta totalmente aberta e, embora não conseguisse muito bem identificar a pessoa, conseguia ver que havia alguém sentado em uma poltrona, fumando um cigarro. Ou um charuto, talvez. Dei um passo à frente. Com certeza, ele não estava falando comigo, mas não parecia ter mais ninguém ali. — O que disse? — Weston nunca fica com virgens. É uma das regras dele. O calor subiu por meu pescoço e se apossou de minha face. — Ahn… — Você se ofendeu. — Sim. Me ofendi. — E fiquei constrangida. Há quanto tempo esse cara estava me observando? Era bem seguro presumir que ele tinha me visto xeretar Weston. E isso era… humilhante. Ainda bem que estava escuro demais para ele ver meu rosto. — Pode explicar? Dei outro passo à frente. Depois muitos mais. Passos que eu deveria ter dado para descer as escadas enquanto ainda era uma anônima no escuro. Mas havia algo em ser observada em segredo por outra pessoa que me fazia sentir uma afinidade que nunca tinha sentido. Todo aquele tempo em que observei Weston, era como se eu estivesse guardando um segredo. E a primeira pessoa a descobrir o tinha feito ao me observar secretamente.


Ou talvez fosse apenas uma desculpa e eu só estivesse solitária. Ou bêbada. Ou idiota. — Então. — Parei na porta do quarto dele. — Primeiro de tudo, não pode saber do que seu amigo gosta ou não. E, segundo, minha virgindade não é algo que possa simplesmente supor. Ele soprou seu charuto — no fim, não era cigarro — e a fumaça preencheu o quarto com um cheiro doce amadeirado que me lembrava de lareiras e antigas bibliotecas. — Tenho que discordar. De ambos. Bufei audivelmente. Afinal, o que mais eu poderia dizer para algo tão presunçoso quanto isso? Na verdade, bastante coisa. Coloquei os ombros para trás, pronta para falar, quando ele o fez primeiro. — Olha. Conheço Weston desde que ele usava fraldas. Conheço-o melhor do que a própria mãe, melhor do que aquela garota que está chupando o pau dele no momento e, com certeza, o conheço melhor do que você. Percebi que ele realmente conhecia Weston. Eu também conhecia esse cara. Ele era assistente do professor de minha aula de Ética. Não o tinha reconhecido de primeira, mas agora o reconhecia. Era Donovan Kincaid, filho do sócio do pai de Weston. Não sabia que ele morava ali. Nunca o tinha visto em nenhuma das festas da Fortaleza. Minhas mãos começaram a suar, e meu pulso acelerou. Donovan era muitos anos mais velho do que a gente e estava, atualmente, fazendo MBA. Era uma lenda no campus por ser brilhante e implacável. Era o tipo de homem que governaria


o mundo. Alto, atraente, firme, poderoso e forte. Perceptivo. Ele me intimidava, em geral. Naquele momento? Ele me dava muito medo. — Quanto à sua virgindade — ele continuou —, você a anuncia como se usasse um distintivo. — Não é verdade. — Meio que fazia isso, sim. Naquele instante, estava em uma festa de faculdade usando moletom e jeans. Meu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo solto. Meus coturnos eram Doc Martens, que a amiga que morava comigo disse que tinham saído de moda há uma década. Não era que eu tentasse me vestir toda largada. Eu simplesmente gostava de estar confortável. E, sendo a irmã mais velha sem mãe por perto, nunca tive alguém para me ensinar a agir como uma menina. — Não tem motivo para se sentir ofendida — Donovan disse, dando um gole em sua bebida. Achava que era uísque. Algo me dizia que não era seu primeiro drinque da noite. — Não estou criticando. Na verdade, estou oferecendo ajuda. Demorei um segundo para entender exatamente o que ele queria. — Oh, por favor. — Não estou brincando. Vamos falar sobre os prós e contras? Inclinei a cabeça para o lado e o analisei, como se conseguisse estudá-lo no escuro. Ele estava realmente propondo dormir comigo? Obviamente, ele não fazia ideia de quem eu era. — Eu, ahn, acho que não. — Puxei a ponta do meu rabo de cavalo, uma mania de quando estou nervosa. — Tenho certeza de que é porque não tem luz aqui ou porque tem muita gente na


sala, mas estou na sua aula de Ética na Administração. Sou sua aluna. Ele se esticou para o lado e puxou uma corrente, acendendo um abajur ao seu lado. Pisquei várias vezes no quarto recém-iluminado. Ele usava uma blusa simples e preta e jeans. Estava descalço. Seu cabelo bagunçado ficava mais vermelho na meia-luz, seus olhos verdes tinham mais tons de castanho. Faziam ele parecer mais cruel do que o normal. Mais intenso. Sua mandíbula acentuava esse efeito. Estava delineada com a barba por fazer, como se não se barbeasse desde a aula da manhã anterior e, apesar de nunca ter tido essa vontade, me vi querendo passar a mão em sua barba. Queria saber exatamente qual era a sensação de a sentir na minha pele. Era macia? Arranhava? Quem foi a última mulher que passou a mão em seu maxilar? Ele a amou? — Sei quem você é, Sabrina Lind. — A declaração de Donovan me chocou, me trazendo para o aqui e agora. — Média de noventa e sete ponto três. Você é bolsista, então isso importa. Nunca faltou um dia na aula. Sempre se senta na frente do lado direito. Chad Lee cola de você, mas você não sabe disso. Suas redações são detalhadas, mas criativas, e respeito isso. Gostei de sua resposta à demissão de Peter Oiler na Winn-Dixie Stores, mas sua perspectiva quanto à decisão de Ford em não modificar as primeiras versões de Pinto foi simplista. Fiquei boquiaberta. Era coisa demais para reagir. Escolhi a mais fácil para responder primeiro. — A decisão de Ford matou pessoas. — Trouxe dinheiro à empresa. É chamado de utilitarismo. — Mesmo que ele fosse cruel, sua voz era suave, como o uísque chique que eu imaginava tocando sua língua. Pensei, rapidamente, em como seria prová-lo em minha língua.


Tão rápido quanto, me obriguei a esquecer isso. — E eu pensava que a aula se chamava Ética na Administração. — O caso a que ele se referia me incomodava bastante. Em 1970, Ford descobrira um erro enorme com o Pinto, que provavelmente causaria centenas de mortes e ferimentos. Em vez de consertá-lo de algum jeito, a análise do custo-benefício deles determinou que seria mais barato fazer acordos com os supostos processos. Então não fizeram modificações. — Acho que ensinei que ética precisa ser pessoalmente definida. — Donovan se recostou e cruzou o tornozelo sobre o joelho. Buscou meu rosto antes de soltar outra nuvem de fumaça de seu charuto. — A proposta está de pé. — Que proposta? — Pisquei uma vez, depois percebi a qual proposta ele se referia. — Perdeu a parte em que você é meu professor? — E por que eu ainda estava ali conversando com ele? Já deveria ter saído dali. Mas estava grudada no lugar, tão fascinada com a discussão quanto eu estivera por Weston King. — Não sou realmente seu professor. Sou assistente do professor. — Isso era tecnicamente verdade. O sr. Velasquez dava aula oficialmente às segundas, quartas e sextas. Mas só dava metade da aula e, mesmo quando o fazia, Donovan ainda ficava sentado à sua mesa no canto e corrigia trabalhos ou lia ou fazia o que quer que fosse enquanto o resto de nós assistia à aula. Aparentemente, uma das coisas que fazia era nos observar. Ou só observava a mim? Uma onda de arrepios percorreu minha pele ao pensar nisso. Eu me abracei e esfreguei as mãos nos braços, para cima e para baixo. O lábio de Donovan se curvou para cima, como se ele soubesse exatamente a reação que estava causando em mim.


— Não é oficialmente contra a política da faculdade confraternizarmos com alunas. Estremeci. — Por minha definição pessoal, seria antiético. — E por quê? — A voz dele não era mais suave, era quente. Persuasiva, mesmo com o toque de aspereza. — Você corrige meus trabalhos. — E? — Ele me encarou diretamente. Intensamente. E aquela conversa era ridícula. Eu não estava pensando em fazer isso. Estava? Olhei para cima, só para desviar meu olhar do dele por um minuto, e meu olhar pairou em um porta-retrato em cima de sua lareira. Era uma foto de Donovan com uma mulher, ambos rindo como se estivessem em uma conversa franca. Não poderia ter sido tirada há muito tempo — Donovan parecia ter quase a mesma idade de agora, mas seu cabelo estava curto e recémcortado. E eu nunca tinha visto a mulher. Talvez ela fosse alguém que o esperava voltar para casa. Ou alguém com quem ele tivesse terminado. Ou alguém que ele estava traindo ao flertar comigo. Olhei de volta para ele e percebi que tinha me visto olhar para a foto. — Se eu me engraçar com você, meus pontos podem ser afetados — eu disse, respondendo à sua última pergunta. — Se você não se engraçar comigo, seus pontos podem ser afetados. — Seu tom pareceu duro agora. Frio. Sorri, rígida, e troquei o peso de um pé para outro, tentando decidir se ele estava brincando. Sua expressão dizia que não estava.


Engoli em seco. — Você é um cretino. — Será? Foi você que veio aqui tentando tirar algo de mim. — Como assim? — A conversa tinha saído totalmente do meu controle e, para onde quer que fosse, eu tinha certeza de que não queria continuar. — Está sozinha comigo em meu quarto. O que mais devo pensar que está procurando? Um arrepio me percorreu. Os cabelos em minha nuca se arrepiaram. O sangue foi drenado de meu rosto. Donovan colocou a bebida na mesinha de canto e se inclinou para a frente para apoiar os antebraços nas coxas. — Saia daqui, Sabrina. Este andar está fora de questão durante nossas festas. Da próxima vez que vier a uma, talvez pense sobre a ética em obedecer às regras da casa. Eu me virei e desci correndo sem hesitar nem um segundo.


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Ricos Indecentes - Primeiro Capítulo  

Quando conheci Donovan Kincaid, sabia que ele era rico. Não sabia que era indecente. Verdade seja dita, só estava tentando fazer com que seu...

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