Page 1


Copyright © 2019. Malu Simões. Copyright © 2019. AllBook Editora.

Diretora Editorial: Beatriz Soares. Preparação: Capitu Já Leu (Clara Taveira e

Raphael Pelosi Pellegrini).

Revisão: Capitu Já Leu (Clara Taveira e Raphael Pelosi Pellegrini) e AllBook Editora. Designer de capa: Renata Vidal. Projeto gráfico de miolo: April Kroes.

Todos os direitos reservados pela AllBook Editora para publicação no Brasil. A reprodução, transmissão ou distribuição não autorizada de qualquer parte deste trabalho protegido por direitos autorais é ilegal. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação, sem a permissão dos detentores dos copyrights. Os direitos morais do autor foram declarados. Esta obra literária é ficção. Qualquer nome, lugares, personagens e incidentes são produto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, eventos ou estabelecimentos é mera coincidência. Esta obra segue as regras do Novo Acordo Ortográfico. Produzido no Brasil. contato@allbookeditora.com Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

S654a Simões, Malu 1.ed. Nos acordes da sedução / Malu Simões. – 1.ed. – Rio de Janeiro: AllBook, 2019. 354 p.; il.; 16 x 23 cm . ISBN: 978-85-80455-08-9 1. Literatura brasileira. 2. Romance – Contemporâneo. I. Título. CDD 869.93

Índice para catálogo sistemático: 1. Literatura brasileira: romance 2. Contemporâneo Bibliotecária responsável: Aline Graziele Benitez CRB-1/3129


Aos meus amores: Walber, Juliana e Kiara.


Prólogo Tão logo a porta do elevador escancarou, deparei-me com duas malas diante do apartamento em que eu morava com meu namorado há dois anos. — Que droga é essa, Rebeca? — indagou Melissa, prendendo as mãos em meu braço e fitando meus olhos verdes sem o brilho habitual de felicidade. — Não faço a menor ideia — respondi com a voz bamba. Naquele instante, as lágrimas sofridas — que eu havia represado como um rio que não encontra saída para o mar — pularam dos meus olhos e cingiram meu rosto ainda em choque. As últimas vinte e quatro horas tinham sido as mais dolorosas de toda minha vida. Eu não sabia como ainda reagia a algum estímulo, ou ouvia o consolo das pessoas que me amavam, ou suportava as caras amarradas e os olhares de desdém da família dele, além do acolhimento glacial que eles impunham a mim. As pernas cambalearam um pouco, mas juntei o resquício de força que ainda me estimulava a ficar em pé e fui até a porta com a ajuda incansável da minha amiga. Ela segurava firme sua emoção e vibrava energias reconfortantes que chegavam como um remédio até mim, assentando minha tristeza. Desci o olhar para a bolsa e alcancei a chave no bolso frontal com certa dificuldade, já que minhas mãos estavam trêmulas. — Força, amiga. Tudo vai ficar bem. Eu vou passar a noite aqui com você. — Eu não vou conseguir sobreviver sem e... ele. Não vou — afirmei entre um soluço e outro, o coração em espasmos de dor. — Vai, sim, amiga. Para tudo na vida há um propósito.


Um dia nós iremos descobrir o motivo de ele ter ido embora tão de supetão. — Melissa alisou minha face com as costas da mão. Dos seus olhos azuis, ondas de amor vinham até mim. No instante seguinte, com o peito tremulando inconstante, tentei encaixar a chave na fechadura. — Ué?! Não entra. — Fiquei ali parada, olhando as curvas do metal e a abertura onde ele deveria se encaixar. Mais do que depressa, Melissa me socorreu e repetiu o meu movimento anterior. — Realmente não está abrindo. — Mexeu no chaveiro com poucas chaves. — Você tem certeza que essa é mesmo a certa? — Tenho, sim, Melissa. Tenho, sim — afirmei, convicta. A loira meneou a cabeça, seus olhos refletiam fúria, e os lábios espremidos hesitavam no que pretendiam dizer. Soltei um suspiro cansado. Meu peito bateu angustiado quando o óbvio veio sem escrúpulos, como um tormento em mi-nha cabeça. Eu jamais havia experimentado uma dor que hou-vesse penetrado tão fundo em minha alma. A rejeição era como uma faca cortante a me fustigar. Por que eles me tratavam dessa forma? Por que eles faziam isso comigo? Por que você me deixou tão cedo, meu amor? Eles me enxota-ram do nosso lar. Ah... Recostei-me na parede do corredor, escorando o corpo quase inerte, nem um pouco confortável com a situação. A aflição que me consumia por dentro sugava aos poucos a vida ainda existente em mim. Iniciei um choro copioso. Os olhos cerrados em desesperança. O sangue gelado percorria minhas veias. Tudo em mim foi amolecendo. O rosto de Melissa, tomado pelo desespero, tornou-se um borrão na minha frente. E então desmaiei.

8 | MALU SIMÕES


Capítulo 1 Rebeca 7 anos depois... Não havia como escapar. Era real o que acontecia comigo. Eu estava diante de um desconhecido, sentada à mesa de um restaurante sofisticado na Barra da Tijuca, desejando sair correndo de volta ao meu reduto de conforto e segurança, a minha casa, e amaldiçoando o momento em que aquiesci com Melissa, quando me convenceu a marcar um encontro às escuras. — Então quer dizer que você é uma simples veterinária? — perguntou o homem com certo desdém. Estremeci de revolta. — Médico de gente é mais importante do que veterinário, não é? — inquiriu. A pele dourada, os músculos sobressaindo na blusa colada ao corpo e as tatuagens coloridas em seus braços pungiam meus olhos. Eu mereço. Meu olhar atravessou os fios de cabelos bagunçados no topo da cabeça do loiro e se prendeu ao papel de parede bege do restaurante. Olha, eu quase furei a alvenaria do estabelecimento, tamanha a fúria que deveria ser contida com educação. Se eu fosse mais descolada, ou mais despreocupada, ou mais desini-bida — os três D’s que não me definiam, mas sim à Melissa —, talvez os atributos corporais do surfista me encantariam. Mas eu buscava algo além disso. Pois é! Ainda sem me mover e com o garfo em suspenso entre os dedos, diante do queixo, cultivei na mente a imagem da foto da minha clínica veterinária estampada no jornal de maior circula-ção da cidade, que se referiu ao meu estabelecimento como um dos melhores do Rio de Janeiro.


Definitivamente... Não, eu não sou uma simples veterinária. Foram anos estudando, frequentando cursos específicos voltados à área para aprimorar meu conhecimento pós-faculdade. E aí vem um sujeito qualquer e questiona se eu sou uma mera veterinária? Claro que isso deve ser apenas um detalhe para ele, já que o indivíduo não saberia dis-tinguir um Pitbull de um Cocker Spaniel, refleti enquanto detinha meus olhos agora no guardanapo branco. Tão certo quanto o nascimento da manhã dia após dia, eu não pretendia revelar com o olhar o que cogitava fazer. Na verdade, eu maquinava como furar a língua do surfista, tão logo suas palavras reverberaram insultantes por todo meu corpo. Nélio elevou as sobrancelhas, ele aguardava a confirmação do seu questionamento. Aposto com vocês que a decepção o atormentou naquele instante. A gatinha manhosa que conversa-va com ele não era tão meiga como ele supunha que fosse, pelo menos era o que seu rosto transparecia. E, vejam bem, era Melissa que conversava com ele pelo site de relacionamentos, não eu. Ela era mais solta nos diálogos sedutores do que eu. Quase bufei. Não era para ser assim esse encontro, pensei, mas a barreira da paciência estava prestes a ser rompida, e eu permiti que o garfo tilintasse no prato com maior intensidade que o adequado para uma boa educação. Desci os olhos até a camisa floral em tons de azul e branco do meu suposto futuro namorado, o que jamais aconteceria, e me decidi que não, não mesmo, logo que bati os olhos nele atravessando a porta do restaurante, vindo num gingado de ma-landro até mim. Notando suas pontas dos dedos fazerem uma dança sequencial sobre a mesa, avaliei a situação por outro prisma... Coitado! Era provável que Nélio tenha ido ao shopping durante o dia para comprar uma blusa nova, ela cheirava àquelas essências que perfumam as lojas, e esperado ansioso por horas o encontro comigo, embora não soubesse ao certo como eu seria — talvez menos reservada como eu me apresentava a ele. Então era certo que a decepção o derrubava como uma onda malvada num dia de mar revolto. Ele não cogitava a hipótese de que eu fosse a um encontro sem um resquício de humor. E eu podia atribuir a cul-pa à Melissa, que me influenciou a cometer essa loucura que era me encontrar com um homem que eu não conhecia. Mesmo a contragosto, tentei domar o mau humor e suavizei mais uma vez a irritação que me acometia. 10 | MALU SIMÕES


— É, eu sou apenas uma veterinária. Tenho uma lojinha de produtos para animais no bairro. — Beleza, então vou fazer propaganda para os meus brothers sobre o seu comércio. Quem sabe um deles passa a ser seu cliente? — disse enquanto revelava os dentes alinhados em per-feição, um olho piscando para mim. O cara até que é interessante. Para uma noite apenas, não seria de todo ruim me esbaldar de prazer. Quem sabe posso dar uma chance a Nélio?, ponderei. Minha mão avançou sobre a mesa — não era do meu temperamento sugerir a qualquer homem que poderíamos finalizar a noite de uma forma promissora — e parou a centímetros, ou milímetros, não sei precisar ao certo, da mão que descansava em um vaso decorativo branco, de onde brotavam três pequenas flores da cor chá. Talvez ele estivesse nervoso. Também pudera, até aquele momento eu não aliviara nem um segundo a tensão do primeiro encontro. Mas, ah... aposto todas as minhas fichas que já deu para perceber que ele não faz o meu tipo. — Qual é mesmo a sua profissão? — indaguei, sem nem ao menos me lembrar do que conversamos logo quando chegamos ao bar romântico. Foram poucas frases de diálogo, eu sabia, mas a falta de interesse por Nélio era a razão do vazio de lembranças recentes em minha mente. Nélio passou para mim uma primeira impres-são de que vivia a vida se banhando ao sol carioca, e a preocu-pação natural com contas e futuro não era a sua praia, já que confessou que ainda morava sob o teto de sua mãe, mesmo que os trinta anos estivessem batendo à porta. Mas vamos ouvir a resposta dele. — Sou dono de uma fábrica de pranchas. — Interessante — ponderei em voz alta quando senti uma pontinha de esperança brilhar no horizonte. Ao menos ele não é um desocupado que leva a vida na maciota e vai se pendurar em mim como um cabide enferrujado que não é útil para nada. — O meu lance é fumar uma maconha e, sob o efeito do baseado e ao ritmo do som das águas do mar avançando na areia, me superar a cada confecção de uma prancha. Sabe...? — Ele dissimulou, com a mão espalmada para a mesa, alisar a parafina sobre a fibra. — Meu sonho é morar em um balneário de nudismo com a minha mulher a meu lado e fazer pranchas maneiras para os melhores surfistas do mundo.

NOS ACORDES DA SEDUÇÃO | 11


Meus lábios se entreabriram. Suspirei sem um resquício de arrependimento e entoei mentalmente o meu mantra: “Ser solteira não é o fim do mundo.” No mesmo instante em que o meu cérebro converteu as palavras de Nélio em imagens descabidas para a minha vida, ergui um braço, um dedo em riste, apontado para o teto de gesso branco, e solicitei a conta tão rápido quanto o garçom atendeu ao meu pedido. Refutei a imagem do loiro escalando nu um coqueiro enquanto eu preparava o peixe do almoço na fogueira. Estremeci, rechaçando essa possibilidade infundada. Balancei a cabeça, negando para mim mesma a possibilidade de me envolver pelo corpo dourado e esculpido com a prática de esporte.

contas. Ah, Melissa! Aguarde-me, amiga. Nós vamos acertar nossas

12 | MALU SIMÕES


PARA CONTINUAR COM A LEITURA, ADQUIRA O LIVRO: https://amzn.to/3dh3Gag

SIGA A ALLBOOK NAS REDES SOCIAIS: FACEBOOK_ https://www.facebook.com/AllBookEditora INSTAGRAM_ https://www.instagram.com/allbookeditora SKOOB_ https://www.skoob.com.br/editora/139allbook

Profile for AllBook Editora

Nos Acordes da Sedução - Primeiro Capítulo  

Rebeca é uma veterinária dedicada, com um passado trágico que a deixou temerosa em relação ao amor. Enquanto Beca mantém seu coração resguar...

Nos Acordes da Sedução - Primeiro Capítulo  

Rebeca é uma veterinária dedicada, com um passado trágico que a deixou temerosa em relação ao amor. Enquanto Beca mantém seu coração resguar...

Advertisement

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded