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Sábado, 1º de outubro de 2011

GAZETA DO POVO Editora responsável: Themys Cabral cadernoanimal@gazetadopovo.com.br

Tartarugas tigre d’água andam fazendo sucesso. Enganase quem pensa que elas são sinônimo de pet monótono.

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Premiação do Cachorro do Ano movimenta Parcão e concurso Fofinho do Ano mobiliza alunos da CIC.

Páginas 6 e 7

O fim da demarcação A castração está longe de ser uma técnica que ajuda apenas no controle populacional. A cirurgia traz benefícios para a saúde dos pets e ajuda a moldar o comportamento deles em relação à agressividade e à demarcação de território. Páginas 4 e 5


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click

amigo bicho

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O “queridinho” das corridas de rua

Confira o que os bichinhos dos leitores andam aprontando: O Bill, gatinho da Leoni Pinheiro, faz pose para foto.

Rafaela Bortolin

S

ão 47 pódios, inúmeras medalhas e tantas competições que os donos até perderam as contas. Com um currículo de campeão desses, não é difícil entender por que o poodle Floky, de cinco anos, virou o “queridinho” das competições de corrida de rua das quais participa com seus donos, o artista plástico Mario Dittmann e a profissional de ser viços gerais Zenaide Mantovani. “Quando ele está conosco, acaba nos motivando e incentivando quem está próximo. Ele é mais conhecido nas corridas que nós e, quando não o levamos, várias pessoas dizem que sentem falta”, diz Dittmann. Segundo ele, a história do pet nas competições começou por acaso, há quatro anos. “Eu e minha esposa já praticávamos corrida, então, quando íamos treinar, corríamos com ele na guia para nos acompanhar”, relembra. Aos risos, ele explica que agora a situação se inverteu e quem não consegue acompanhar o ritmo do cachorro são os donos. “Com o tempo, ele passou a correr sozinho e, hoje, é ele quem fica nos puxando. Basta soar o sinal da largada que ele dispara na frente, dá um pique grande, volta para nos buscar, corre novamente para longe e logo retorna até completarmos a prova.” Juntos, os três já viajaram para várias cidades do Paraná e de Santa Catarina para competir. E, segundo Zenaide, o retorno de tanto esforço não fica só nos troféus e medalhas. “Nas provas de Santa Catarina, não há atleta mais aplaudido que o Floky. As pessoas saem na rua para vê-lo, aplaudem e tiram fotos. Não tem

A Leona, gatinha da Alessandra Maciel, aprendeu a tomar água no aquário.

A husky Lilica adora passear de carro, entregam os donos Nilton e Gislene Graciela dos Santos Rezende.

como não se emocionar.” E Dittmann revela: Floky faz questão de brilhar. “Quando a organização chama, ele já se posiciona e fica parado esperando pela medalha. O que não falta é pose de campeão”, diz, aos risos.

Cuidados Segundo o dono, a família toma alguns cuidados para que a diversão não prejudique a saúde do pet. “Quando está muito calor, não treinamos e evito levá-lo às competições. Em todas as corridas, levamos garrafas de água e o hidratamos o a cada quilômetro.” Geralmente, o pet corre provas de 10 km, mas já completou uma competição de 18 km. E a meta é não parar por aí. “Um dia a gente ainda vai levá-lo para uma São Silvestre”, comenta Zenaide.

História de campeão Com um jeito comportado e carinhoso, Floky tem uma história de campeão também fora das corridas. “Ele foi encontrado na rua e estava muito doente e com mutilações. Nós o adotamos em uma época em que meu marido estava com um início de depressão e o Floky mudou nossas vidas. Agora, não me imagino sem ele”, diz Zenaide. Dittmann concorda. “Hoje, tenho mais ânimo e minha vontade de viver voltou. Se eu fiz bem para o Floky, pode ter certeza que ele fez muito mais para mim.”

Conteúdo extra No site www.gazetadopovo.com.br/cadernoa-

nimal, você vê um vídeo com o Floky e um slideshow com fotos dos treinamentos dele para competição.

Expediente Caderno Animal é um suplemento es­pecial da Gazeta do Povo de­senvolvido pela editoria de Projetos Especiais. Diretora de Redação: Maria Sandra Gonçalves. Edito­r Execu­tivo: Guido Orgis. Edição: Themys Cabral. Diagra­ma­ção: Allan Reis. Capa/Fotos: Jonathan Campos. Re­da­ção: (41) 3321-5316. Fax: (41) 3321-5472. Co­­mer­­cial: (41) 3321-5291. Fax: (41) 3321-5300. E-mail: cadernoanimal@ga­zeta­do­povo.­com. br. Endereço: R. Pedro Ivo, 459. Curi­tiba-PR. CEP: 80.010-020. Não pode ser vendido separadamente.

Próxima edição 5 de novembro

A Pituka é uma linda dachshund de 8 meses, que é a alegria da casa. “Mesmo roendo tudo o que vê pela frente, nós a amamos”, diz a dona Carla Cristiana Slonski.

O Snow é um samoieda de 2 anos, muito brincalhão e simpático. Ele costuma aprontar bastante, mas adora o seu dono, Alan.

Conteúdo extra Confira uma edição especial da coluna click no site

www.gazetadopovo.com.br/cadernoanimal

A gatinha Tuca, de 6 meses, anda conquistando corações. Ela promete como modelo, daquelas dignas de capas de revistas, dizem os donos Lúcio e Maura Milczevski.


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Notas Higiene

Saúde bucal

Patas limpas e hidratadas

Gel dental bom para cachorro

z Depois de pas-

animal, pois pode ser engolido. Além disso, é totalmente isento de açúcar e fórmulas que possam prejudicar os cuidados especiais com animais diabéticos. O gel dental diet própolis, ainda, tem ação cicatrizante, anti-inflamatória, bactericida, protetora e regeneradora de tecidos e age também como calmante nas irritações da pele.

Fotos: Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo

Fotos: Divu

lgação

seios pelas ruas, as patas dos animais ficam sujas e cheias de bactérias. Par a e v i t a r que esses microorganismos se espalhem para o ambiente, e ainda garantir a limpeza das patas dos pets, uma dica é usar o Limpa Patas, da PetMais. O produto também ajuda na higiene necessária ao levar o bichinho para cama para dormir com o dono. O produto é composto por lenços umedecidos que contém clorexidina, substância com alto poder bactericida. O preço médio do produto é R$ 7,50.

gerar incômodo e desconforto. Assim como nos humanos, a falta de higiene bucal nos animais faz com que haja acúmulo de alimentos nos dentes, o que acarreta o aparecimento de cáries, placa bacteriana e tártaro. Para evitar problemas dentários e manter a saúde do pet em dia é preciso escovar os dentes do bichinho uma vez ao dia ou três vezes por semana. Mas, para realizar a escovação, é necessário usar produtos adequados, pois o uso de gel dental comum, usado por humanos, pode causar irritação gástrica, náuseas e vômitos. Uma opção é usar o gel dental diet da linha de higiene bucal da PetMais. O produto possui alto poder de limpeza e garante a higienização dos dentes e gengivas dos cães. O produto tem ação contínua e prolongada e não prejudica o aparelho digestivo do

prometem encantar os amantes de cães e gatos. As obras da editora Alles Trade têm a participação de fotógrafos renomados. O preço sugerido para Eu Amo Cães e para Eu Amo Gato é de R$ 36 cada.

Fotos: Divulgação

z O mau hálito do cachorro costuma

Dois livros fotográficos

“Quando não corro com ele, sinto que meu desempenho é pior. Ele me motiva a ir até o limite e me superar. O Floky me salvou da depressão. Devo minha vida a ele.” Mario Dittmann, dono do Floky

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Capa Cirurgia não traz

Dâmaris Thomazini

consequências apenas

castração, procedimento de retirada dos testículos dos machos e dos ovários e do útero das fêmeas, está longe de se limitar apenas a consequências no campo do controle populacional. A cirurgia, dizem os especialistas, evita que os pets apresentem tumores de próstata e de mama, além de ajudar a moldar o comportamento dos bichinhos em relação à agressividade e à demarcação de território – típicos durante o jogo de conquista do sexo oposto. “Nas cadelas não castradas, a incidência de câncer de mama é de 26%. Se castradas antes do primeiro cio, a incidência cai para 0,5%”, explica o cirurgião oncologista da Clinivet Thiago Sillas. Já nas gatas, a castração antes dos seis meses de vida previne 90% dos tumores de mama. A maioria destes benefícios só está garantida quando o procedimento é realizado antes da puber-

A

para o controle populacional. Ela ajuda também a previnir cânceres e acaba com alguns

Momento certo Para que a prevenção ao câncer seja maior, o ideal é que a castração seja feita antes da maturação sexual dos pets: Cães

Centro cirúrgico no interior do ônibus Castramóvel: incetivo à guarda responsável.

u Machos – antes dos oito meses de

vida (raças de pequeno porte); antes de 12 ou 14 meses (raças de grande porte); u Fêmeas – antes dos seis meses de

vida.

Gatos u Machos – antes dos oito meses de

vida; u Fêmeas – antes dos seis meses de

vida. Observação: Uma cadela com filhotes recém-nascidos precisa esperar de 30 a 40 dias para ser castrada. Para gatos, o procedimento exige mais rapidez, pois, enquanto as cadelas entram no cio a cada seis meses, uma gata pode ficar prenha ainda durante o período de amamentação.

O maltês Tobi teve o comportamento modificado depois que foi submetido à cirurgia.

Valterci Santos / Gazeta do Povo

maus hábitos

dade (ver quadro). “Após dois anos de idade, a castração de fêmeas não protege contra o câncer e infecções no útero, mas interrompe alguns processos do cio, como o sangramento”, explica a professora de técnica cirúrgica do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenadora da Unidade Móvel de Esterilização e Educação (Umes) ou Castramóvel, Simone Guérios. A necessidade de reprodução pode deixar os cães mais agitados e fazer com que as gatas miem demais durante as madrugadas. “Estes comportamentos costumam incomodar os donos e, com a castração, eles deixam de ser repetidos”, diz a médica veterinária da Clínica Mania de Gato Marúcia de Andrade Cruz. Em animais já adultos, a cirurgia não interrompe as manias de demarcação e de fugas noturnas, por isso é recomendável que o procedimento seja feito antes que eles criem estes hábitos.

Projeto visa educar donos de animais

E

ducação, em vez de castração em massa. Esse é o principal objetivo da Unidade Móvel de Esterilização e Educação (Umes), popularmente chamada de Castramóvel. O projeto da Universidade Federal do Paraná, que conta com um centro cirúrgico dentro de um ônibus, funciona em parceria com a prefeitura de Curitiba, desde 2010. Dentro do centro cirúrgico, cães e gatos são castrados somente depois que seus donos assistem às palestras sobre guarda responsável e saúde animal. “Após esta etapa [das palestras], os animais passam por uma checagem física, vacinação, exames de

sangue e ultrassom e [só então] acontece a cirurgia”, explica a bióloga da Rede de Proteção Animal da prefeitura Sueli Kiniko Sasaoka. Cerca de 12 animais são operados a cada ação, mas a educação é a parte mais importante do processo. “Recebemos críticas, pois muitas pessoas acham que deveríamos atender todos os cães e gatos abandonados, mas uma das condições para a castração na unidade é que o animal tenha um dono. Sem esta conscientização, não é possível diminuir o número de animais nas ruas”, analisa a coordenadora do projeto, Simone Guérios. O serviço é prestado apenas à população de baixa renda e de forma gratuita – em clínicas veterinárias, a cirurgia custa em torno de R$250 a R$600.

Castração traz benef para o seu


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o fícios u pet

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Mitos e verdades Veja o que é realidade e o que não passa de lenda popular, quando o assunto é castração: uOs pets engordam

após a castração. Mito. O problema não é a cirurgia, mas a falta de exercícios físicos. Castrados, os animais não se preocupam mais em gastar energias diante de uma fêmea ou à procura de um macho. Caminhadas e brincadeiras são alternativas para gastar energia.

animados como antes, mas é preciso cuidado para que não arranquem os pontos. u Animais castrados precocemente

não demarcam território. Verdade. As rodas dos carros e os postes deixam de ser alvos preferenciais. No entanto, se um animal aprendeu a fazer suas necessidades desta forma e é castrado já adulto, o comportamento permanece. u Os gatos deixam de se

envolver em brigas. u Bichos castrados ficam mais

preguiçosos e desanimados. Mito. A diminuição de energia é normal durante a vida. Um filhote castrado pode ser tão animado quanto um não castrado.

Um cão mais sociável

u Depois de castrado, um animal

violento fica manso. Verdade. Aqueles acostumados a escapulidas noturnas continuam com os mesmos hábitos, mas estes passeios se tornam mais seguros, pois o animal não vai mais lutar por uma fêmea ou por um macho. u Mesmo castrado, o animal

pode apresentar necessidades sexuais. Mito. A personalidade do pet não será transformada. O que evita o comportamento violento é a educação recebida desde filhote. A vantagem é que a cirurgia pode evitar comportamentos sexuais constrangedores.

Mito. A cirurgia é feita com anestesia geral, assim o pet não sente dor. A recuperação é rápida e no dia seguinte eles estão

Vantagem em qualquer idade ão há limite de idade para que um animal possa ser castrado. A única diferença é que, antes da cirurgia, pets idosos precisam passar por um check-up mais detalhado, além de fazerem os exames de sangue. “O animal idoso é castrado para o tratamento de doenças hormonais que podem ser evitadas e até curadas após a cirurgia, como câncer de próstata e de testículos”,

Verdade . Pode prevenir câncer de mama e ovários nas fêmeas e de testículo e próstata nos machos.

animal e o deixa mais arredio.

Diante da agressividade do maltês Tobi, sempre que avistava uma fêmea no cio, a farmacêutica Renata Ratto decidiu castrá-lo aos quatro anos de idade. “Ele fazia muito xixi nos vasos de plantas de casa, agarrava bichinhos de pelúcia e ficava muito bravo perto de fêmeas”, conta a dona. A cirurgia só não foi feita antes porque Renata pretendia cruzá-lo, mas o estopim para castração aconteceu quando Tobi tentou morder um amigo de Renata que tentava proteger uma cadela. Dois dias após a cirurgia, Tobi já estava animado como sempre e Renata percebeu que um cão muito mais educado voltou ao lar. “Ele está mais calmo e a demarcação diminui muito”, diz a dona satisfeita.

N

u A castração previne doenças.

u O procedimento traumatiza o

Fotos: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

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Verdade. As fêmeas podem ter pequenos sangramentos e alguns machos podem apresentar libido e tentar cruzar, pois o cérebro continua a ser estimulado mesmo com a baixa produção hormonal – insuficiente para que ele tenha uma ereção.

diz a coordenadora do Castramóvel, Simone Guérios. Os veterinários tranquilizam os donos que temem pela vida de seus bichos dentro de um centro cirúrgico: o procedimento nas fêmeas é feito com apenas um pequeno corte no abdômen e nos machos é mais superficial, pois não invade a cavidade abdominal. “No primeiro dia, eles podem ficar mais abatidos, mas depois já mostram a mesma disposição. A recuperação é boa e, em sete dias, os pontos podem ser retirados”, explica o cirurgião oncologista da Clinivet Thiago Sillas.

Gato que voa? Além dos miados estridentes, gatos não castrados e que vivem em apartamentos podem sofrer a síndrome do “gato voador”: “Ao sentirem necessidade de cruzar, diante do cheiro de um animal no cio, eles podem se jogar pela janela”, revela a médica veterinária Simone Guérios.


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Fofinho do Ano

Alunos fazem eleição para escolha de cão Cachorro do Ano,

artazes com fotos dos candidatos, cédulas eleitorais, uma urna, uma fila de eleitores ansiosos e dois mesários recolhendo assinaturas. Pode parecer cenário de votação presidencial, mas não é nada disso. Esse era o clima na Escola Municipal Ditmar Brepohl e na Unidade de Educação Integral Cisar, na Cidade Industrial de Curitiba, no último dia 30 de agosto. O motivo era simples: esse foi o dia escolhido para a votação do Concurso Fofinho do Ano 2011, uma eleição realizada anualmente para eleger o cachorro mais bonito da escola. Podem participar do concurso cachorrinhos de alunos, professores e funcionários da escola. Em 2010, foram 37 inscritos. Neste ano, 49 cachorros disputaram a preferência de alunos e professores. Havia candidatos de todos os tipos e raças, de lhasa apso a pitbull, passando pelos simpáticos cães sem raça definida (SRD). A ideia, segundo a professora Vera Lucia Vogenski, surgiu no ano passado, depois de acompanhar a votação do concurso Cachorro do Ano, promovido pela Gazeta do Povo. “Trouxe o caderno especial, que trazia o resultado da votação, para a sala dos professores e comentei como era a organização do evento. Propus fazermos algo semelhante na escola e logo surgiu o Fofinho do Ano”, relembra. A organização é de deixar muitas eleições oficiais com inveja. Durante as inscrições, as crianças e os professores precisam mandar, por e-mail, fotos e descrições de seus cachorrinhos. “Reúno todas as imagens, coloco em um mural na escola e todos podem ficar de olho em seus favoritos. Então, explico sobre a importância do processo eleitoral e que, antes de votar, a pessoa precisa conhecer os candidatos, compreender suas propostas e decidir por aquele que lhe pareça mais competente para receber o título.” Como em todas as votações, o

professora de Curitiba mobiliza estudantes e funcionários, dá aula de cidadania e faz votação para escolher o cachorro mais fofo da escola

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Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo

Rafaela Bortolin

Brincadeira para falar de cidadania

Estudantes no dia da votação do concurso Fofinho do Ano 2011.

Valterci Santos / Gazeta do Povo

Inspirada no concurso

Papo sério

SRDS são os grandes campeões Neste ano, os cães sem raça definida (SRD) dominaram o concurso. Na categoria dos alunos, com 26 votos, a campeã foi Lilica (foto), uma cachorrinha recolhida da rua há um ano e meio pela família do aluno do quinto ano Matheus Henrique Oliveira (foto). “Ela virou nossa mascote. Meus filhos começaram a levá-la para passear no parque e descobrimos que ela se divertia andando de skate. Não deu outra: fizemos a inscrição com uma foto dela em cima do skate, ela conquistou os eleitores e ficamos muito felizes com o título”, conta a mãe do estudante, a zeladora Elisabete Leal Apolinário (foto). Entre os professores, a campeã, com 46 votos, foi a SRD Mel, adotada há quatro anos pela professora Cleuza Palioto. concurso tem algumas regras. É proibido fazer boca de urna no dia da votação e cada aluno ou professor só pode votar uma vez, do mesmo jeito que acontece em eleições para cargos públicos. “Neste ano, busquei uma urna no TRE [Tribunal Regional Eleitoral] e nomeamos dois alunos para serem os mesários e ficarem responsáveis pelos livros de votação, onde cada um deve assinar antes de votar.”

E a professora garante: a brincadeira é levada a sério pelos alunos. “Eles fazem até campanha eleitoral. As semanas que antecedem a votação são de muita mobilização. Eles fazem cartazes, distribuem ‘santinhos’, montam toda uma plataforma eleitoral, tentam convencer os colegas que o seu pet é o mais ‘fofinho’, enfim, é uma verdadeira festa.”

Além de mobilizar os alunos, o concurso Fofinho do Ano também é uma chance e tanto de falar sobre posse responsável de animais e ensinar alguns conceitos de maneira mais divertida. “Após a votação, dou uma aula sobre gráficos e peço que eles façam um gráfico mostrando quais raças aparecem mais entre os candidatos. Então, montamos uma tabela, para que eles relacionem quantos votos cada cachorro recebeu”, explica a professora Vera Lucia Vogenski. E as lições não se limitam às aulas de Matemática. “Sempre procuro falar sobre ética e cidadania também. Ao final, pergunto a eles se cada um se lembra em quem votou, qual a importância de votar e o que eles acham que não pode acontecer em uma eleição.” O esforço gera situações surpreendentes. “Ano passado, por exemplo, algumas crianças denunciaram que alguém estava dando um lápis em troca de votos para um determinado cachorro. Quando elas me disseram isso, vi que a experiência estava no caminho certo e elas estavam mais conscientes sobre a importância do voto.”

Ansiedade Para as crianças, o evento é motivo de comemoração e elas não disfarçam a ansiedade. “É muito divertido participar. A gente pode conhecer os cachorros, escolher o melhor e dar nossa opinião sobre qual é o mais fofinho. Agora já sei o que devo fazer quando for adulto e tiver de votar de verdade”, diz Nelson Bernardo Neto, de 8 anos.

Interatividade Qual sua opinião sobre a iniciativa promovida pela escola? Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.


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Cachorro do Ano

Festa de premiação movimenta torcida

Rafaela Bortolin

D

epois de três meses de muita torcida, votação e expectativa, o que não faltou foi empolgação para quem participou da festa de premiação do concurso Cachorro do Ano 2011, promovido pela Gazeta do Povo, no último dia 4 de setembro. O evento reuniu centenas de pessoas no estacionamento do Museu Oscar Niemeyer (MON), que puderam conhecer os primeiros colocados do concurso, acompanhar um desfile de roupas para cães, participar do sorteio de brindes e, ainda, aproveitar atrações para toda a família, como pipoca, algodão doce e piscina de bolinhas. Entre os donos dos premiados, o sentimento era um só: muita ansiedade. “Foram várias noites sem dormir para votar. Mobilizei até amigos da Noruega. Estava ansiosa pela festa, mas valeu a pena. As atrações estão ótimas, principalmente para os cachorros. Eles são as estrelas e merecem todo esse reconhecimen-

Evento teve direito a desfile de cães, opções de lazer para a família, doação de ração para

Antônio Costa / Gazeta do Povo

ONGs e muitos mimos para o campeão

Lennon, o campeão, e sua dona, Andressa Gonçalves, na premiação.

to”, comentou a advogada Helenice Franklin, dona da SRD Brisa, terceira colocada no concurso. Para a dona de casa Cynthia Garbelini, dona de Zeus, o dachshund que ficou em segundo lugar no concurso, a viagem de mais de 150 km entre Irati e Curitiba para receber o prêmio valeu a pena. “Estávamos muito ansiosos. Acompanhei o concurso no ano passado e nunca poderia imaginar que, este ano, estaria aqui recebendo este prêmio. A gente devia isso para o Zeus, por toda a história de luta e superação dele”, disse, emocionada, referindo-se ao fato de ter adotado o cão, depois de ele ter sido abandonado pelos primeiros donos por ser paraplégico.

Campeão A estrela do dia foi o SRD Lennon, que deixou 2,3 mil cães para trás e foi o primeiro colocado com mais de 35 mil votos na etapa final. “É incrível: todos que passam por mim reconhecem o Lennon, então vêm falar comigo, brincam com ele, elogiam e

Solidariedade Festa com direito a final feliz Durante a festa de premiação do Cachorro do Ano 2011, uma cachorrinha sem raça definida (SRD) chamou a atenção no gramado ao lado do estacionamento do Museu Oscar Niemeyer (MON), no Parcão. Quieta e solitária, a SRD era idosa, estava ficando cega e parecia ter sido abandonada no local. Depois da entrega dos prêmios, a administradora da Sociedade Protetora dos Animais (SPAC),

Soraya Simon, fez um apelo para que quem abandonou o animal fosse buscá-lo junto ao palco ou então que alguma pessoa interessada o adotasse. Sensibilizada com a situação, a família da estudante Andressa Gonçalves, dona de Lennon, o Cachorro do Ano 2011, adotou a SRD. No novo lar, Betinha, como agora é chamada, tem a companhia dos outros 23 cães resgatados pela estudante.

parabenizam pela vitória. É emocionante ver todo esse carinho e saber que tantas pessoas torceram por nós”, contou a dona do Lennon, a estudante Andressa Gonçalves. E não faltaram motivos para comemorar. Como prêmio, os dez primeiros colocados receberam coleiras com uma medalha personalizada e um kit especial com produtos para cães. Lennon ganhou ainda um troféu e uma cama-beliche da empresa Sonho de Bicho. Segundo Andressa, Lennon adorou a tarde de mimos. “Como estava calor, ele ficou bem cansado, mas ficou todo empolgado com esse dia de ‘celebridade’. Foi um dia de sonho mesmo.”

Doação ONGs recebem 2 ton de ração A festa também contou com a doação de duas toneladas de ração divididas entre seis ONGs de proteção de animais. Para Vanessa Campestrini de Oliveira, voluntária da ONG SOS Amigo Bicho, que veio de Irati, no Centro-Sul do estado, para receber o prêmio, a entrega das rações foi motivo de comemoração. “Fizemos a maior campanha pela internet, mas nem acreditei quando vi que estávamos entre as beneficiadas. Toda a ajuda é bem-vinda e o concurso foi ótimo para divulgar a entidade.”

Conteúdo extra No site www.gazetadopovo.com.br/cader-

noanimal, você vê um vídeo com imagens da festa de premiação.


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Pet

Nada de monotonia tranquilas e dóceis, as tartarugas tigre d’água são rápidas e basta um momento de desatenção para ter de procurá-las pela casa

Fique atento Cuidados na compra do pet Elas são parecidas e é fácil confundi-las, por isso fique atento: no Brasil, só é permitida a criação e venda de tartarugas tigre d’água brasileiras. Ter uma tigre d’água americana em casa é proibido e caracteriza crime ambiental. “Basta olhar para perceber as diferenças. A brasileira tem o corpo todo verde e a cabeça tem manchas pretas e amarelas, enquanto a americana tem uma faixa vermelha dos lados da cabeça, na região das orelhas, além de variações no casco”, explica o proprietário da loja Azoo Marine, Suez Nogueira. Para evitar problemas, antes de levar o pet para casa, verifique se o estabelecimento tem licença de venda expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), exija o certificado de origem do animal e a nota fiscal da compra. “Se o lojista oferecer o pet sem documentação, desconfie, pois há alguma irregularidade”, diz Nogueira.

Conheças as principais características do animal:

Rafaela Bortolin

E

las são tranquilas, passam a maior parte do tempo na água, não fazem barulho e raramente são agressivas. As tartarugas tigre d’água andam fazendo sucesso entre aqueles que passam pouco tempo em casa e procuram por um pet silencioso e que dá poucas despesas. Mas não se engane: ter uma delas em casa não é sinônimo de mononotomia. Segundo o proprietário da loja Azoo Marine, Suez Nogueira, todo cuidado é pouco na hora dos passeios fora do terrário. “Apesar da fama de ‘devagar’, as tartarugas são muito espertas e rápidas, principalmente na hora de fugir. Elas adoram se esconder, então os donos devem estar atentos.” O estudante Pedro Paulo de Oliveira sabe bem como é isso. De tanto insistir com a família para ter um animal exótico, há oito anos, ele ganhou a tartaruga tigre d’água Pandora e garante que a convivência é muito divertida. “Muitas pessoas duvidam, mas a Pandora é ligeira e várias vezes tive que correr atrás dela para que não fugisse”, relembra, aos risos. Nas ruas, Pedro conta que o pet faz o maior sucesso. “Logo que ela chegou, eu queria brincar e a deixava solta pela casa. Agora, a deixo no terrário, mas sempre a levo para passear e vejo que ela identifica a minha voz. Claro que não é um vínculo tão estreito quanto com um cachorro, mas é muito bacana.”

Praticidade Para quem pensa em ter um pet desses, a primeira dica é verificar se esse é o animal de estimação certo para o seu caso. “Elas crescem bastante e um adulto chega a 35 centímetros e vive por até 70 anos. É um pet que vai ficar muito tempo com a família, passar de geração em geração, e que necessita de um aquário grande o suficiente para se desenvolver nesse tempo”, comenta Nogueira. O proprietário da loja Moby Dick, José Edinaldo Duque, explica que a principal característica das tartarugas é a pratici-

u Nome: tartaruga tigre d’água. u País de origem: típica da

América do Sul, é encontrada principalmente no Brasil, Argentina e Uruguai. u Tamanho: em média, uma

adulta mede 35 centímetros. u E xpectativa de vida: entre

40 e 70 anos. u Temperamento: são

tranquilas, só atacam quando se sentem ameaçadas e se dão bem com outros pets, desde que sejam acostumados desde o início. Mesmo duas tartarugas, um macho e uma fêmea, podem ficar juntas no terrário e não precisam ser castradas, já que dificilmente encontram um local propício para a desova. u Preço: entre R$ 100 e R$ 250.

Valterci Santos / Gazeta do Povo

Não se engane:

Perfil

u Cuidados: são animais que

Pedro Paulo e a sua tartaruga tigre d’água: “Pandora é ligeira.”

R$ 30 é quanto um dono gasta, em média, com os cuidados com uma tartaruga tigre d’água por mês. O custo inicial para compra do pet e um terrário completo é de R$ 500.

dade dos cuidados. “Desde que o dono construa um terrário seguro, com uma parte de água e outra seca, sistema de filtragem de água e iluminação específicas para as necessidades do animal, limpe o espaço a cada duas semanas e deixe o ambiente na temperatura adequada, raramente há problemas.” E é bom ficar de olho na temperatura do terrário. A água precisa estar sempre a 27º C, independen-

temente da estação do ano. Em Curitiba, como as temperaturas tendem a ficar sempre abaixo disso, vale a pena ter um aquecedor, já que a água muito fria pode render uma pneumonia.

Temperamento Segundo Duque, o temperamento da tartaruga depende dos hábitos do dono. “Algumas são muito amigáveis e outras, nervosas, mas, quanto mais cedo e com mais frequência os donos manipularem o animal e se mostrarem presentes, mais dócil ele fica.” Por isso, as tartarugas são ótimos pets para crianças, mas exigem cuidados extras. “Se elas apertam ou movimentam o animal muito rápido, ele pode se sentir ameaçado e morder”, diz Nogueira.

dão poucas despesas e raramente ficam doentes. Quanto à alimentação, os donos devem optar por rações próprias para tartaruga vendidas em lojas especializadas. Podem-se oferecer pequenos camarões e peixes frescos como petiscos, duas ou três vezes por semana. Outra dica é deixar o pet tomar de cinco a dez minutos de sol todos os dias pela manhã, o que fortalece o seu casco. E é bom não se assustar durante o inverno: elas têm o hábito de hibernar nos meses mais frios.

Novembro e dezembro são os meses em que as lojas especializadas começam a receber fihotes para a venda. Como são poucos disponíveis, se você se interessou, é melhor realizar a compra logo nestes meses.

Caderno Animal  

Caderno Animal do Jornal Gazeta do Povo

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