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2017 Julho Adaptação às Mudanças Climáticas e Cartografia Social: uma Abordagem com Foco Na Ciência Cidadã

ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CARTOGRAFIA SOCIAL: UMA ABORDAGEM IBICT

COM FOCO NA CIÊNCIA CIDADÃ

ADAPTATION TO CLIMATE CHANGE AND SOCIAL CARTOGRAPHY: NA APPROACH BASED ON CITIZEN SCIENCE

PROPONENTE/ORIENTADOR –Sarita Albagli BOLSISTA DE PÓS-DOUTORADO –Allan Yu Iwama DURAÇÃO (MESES) – 24 meses

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SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ..........................................................................................................................2 LISTA DE TABELAS .........................................................................................................................3 RESUMO ...........................................................................................................................................4 ABSTRACT .......................................................................................................................................5 1. INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................6 2. CONTEXTO E JUSTIFICATIVA .....................................................................................................7 3. OBJETIVOS ............................................................................................................................... 13 3.1. OBJETIVO GERAL.............................................................................................................. 13 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................................. 13 4. METODOLOGIA ........................................................................................................................ 14 5. METAS ...................................................................................................................................... 16 6. RESULTADOS ESPERADOS...................................................................................................... 17 7. ORÇAMENTO PROPOSITIVO .................................................................................................... 19 REFERÊNCIAS............................................................................................................................... 22 8. CRONOGRAMA: ESTRATÉGIAS PARA EXECUÇÃO DO PROJETO ........................................... 26 ANEXO I. A CARTOGRAFIA SOCIAL: O QUE É? ........................................................................ 30

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LISTA DE FIGURAS Figura 1. Registros fotográficos: (a) corrida de lama no morro do Baú, Ilhota-SC (Foto de Fábio Fáraco, nov.2008); (b) escorregamentos e inundações na região Serrana do Rio de Janeiro (Foto de Wigold Schaffer, jan.2011). Fonte: MMA (2011). ............................................. 7 Figura 2. Modelo conceitual sobre percepção de riscos e estratégias de adaptação: lacuna entre o ‘perceber’ e o ‘agir’ ante uma situação de risco. Elaborado por Allan Yu Iwama (2014).................................................................................................................................................................. 9 Figura 3. Área de estudo – mosaico de áreas protegidas e localização aproximada das bacias hidrográficas propostas para o estudo (Bacias A, B e C). ................................................ 10 Figura 4. Metodologia pesquisa: Adaptação às mudanças climáticas e cartografia social – uma abordagem quantitativa e qualitativa com enfoque na ciência cidadã .......................... 15 Figura 5. Exemplos de aplicação de atividades de cartografia social (a) Escola Municipal Vera Babo, em São José dos Campos; (b) Bairro Morro do Algodão, Caraguatatuba; (c) Bairro Topolância, São Sebastião. .......................................................................................................... 31

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LISTA DE TABELAS Tabela 1. Orçamento propositivo previsto para o 1º e 2º ano da pesquisa, por fases do projeto. .............................................................................................................................................................. 20 Tabela 2. Cronograma das fases do projeto. ..................................................................................... 26 Tabela 3. Cronograma detalhado das fases do projeto. ................................................................ 27

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RESUMO A população em situações de riscos aos possíveis efeitos das mudanças climáticas, mesmo informadas, tendem a permanecer em suas casas, colocando em risco suas vidas e danos materiais. Algumas razões para as pessoas permanecerem onde vivem são: (a) não têm para onde ir, por não terem condições financeiras; (b) ‘entregam’ suas vidas a uma divindade – ante uma situação de risco –, pois não há o que fazer; (c) gostam do lugar onde vivem, possuem vínculo afetivo com o lugar e preferem permanecer em sua moradia. Entretanto, na prática, a estratégia tem sido a mesma: permanecer na moradia onde vive, mesmo estando em risco iminente. Esta pesquisa objetiva desenvolver contribuições teóricas e empíricas para o desenvolvimento de abordagens e métodos participativos que integrem técnicas de sensoriamento remoto e Sistemas de Informações Geográficas, com cartografia social e ciência cidadã. Parte-se do pressuposto de que esta estratégia pode envolver o conhecimento e o engajamento das comunidades, visando o mapeamento e a gestão de riscos, ante situações de vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas. O método proposto se baseia em uma abordagem quantitativa – com base em métodos de Sensoriamento Remoto e análises espaciais- e qualitativa –com enfoque na ciência cidadã, utilizando métodos que envolvam oficinas participativas, atividades de cartografia social. O resultado desta pesquisa busca avançar na produção de conhecimento científico tendo como base a ciência cidadã integrada à cartografia de riscos técnica-científica, inserindo a comunidade afetada como protagonistas e não como simples espectadores dos eventos climáticos que podem causar os desastres. Palavras-chaves: adaptação; cartografia social; ciência cidadã; percepção de riscos; prevenção de riscos.

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ABSTRACT The people’s at risk to effects of climate change, even informed, tend to remain in their houses, putting in risk their lives economic conditions. Some reasons why people stay where they are living: (a) they do not have economic conditions to change of their houses; (b) 'surrender' their lives to a deity - before a situation of risk -, because there is nothing to do; (c) they have an affective feeling with the place and prefer to stay in their houses. However, in practice, the strategy has been the same: to stay in the house where you live, even if you are at imminent risk. This research aims to develop theoretical and empirical contributions for the development of participatory approaches and methods that integrate remote sensing techniques and Geographic Information Systems, with social cartography and citizen science. It is assumed that this strategy can involve the knowledge and engagement of communities, aiming at mapping and managing risks, in situations of vulnerability and adaptation to climate change. The proposed method is based on a quantitative approach - based on methods of Remote Sensing and spatial analysis - and qualitative approach - with a focus on citizen science, using methods that involve participatory workshops, social cartography activities. The result of this research seeks to advance the production of scientific knowledge based on citizen science integrated with technical-scientific risk mapping, inserting the affected community as protagonists and not as mere spectators of the climatic events that can cause disasters. Keywords: adaptation; social cartography; citizen science; risk perception; risk prevention risk.

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1. INTRODUÇÃO A zona costeira brasileira1 é uma das mais extensas do mundo (com mais de 8.500 km) e abrange um mosaico de ecossistemas costeiros e marinhos – manguezais, dunas, lagunas, bancos de areia ou estuários de rios – que abrigam grande biodiversidade. De 1991 a 2010, a população da zona costeira brasileira teve um aumento percentual de 23,4% (34.315.455) para 26,6% (50.699.447), representando um aumento populacional de um pouco mais de dezesseis milhões de pessoas (IBGE, 2010; 2011). Problemas recorrentes que afetam o processo de urbanização no Brasil - ocupações irregulares em encostas ou nas margens dos corpos de água; inadequação e má distribuição da infraestrutura e dos serviços públicos, especialmente precariedade de abastecimento de água potável e de saneamento básico (MORAES, 2007; CARMO; SILVA, 2009; CARMO, 2014) - acentuam as situações de riscos e vulnerabilidade em áreas litorâneas. Tais problemas tendem a se agravar em um cenário de aumento da intensidade e frequência de eventos climáticos extremos (IPCC, 2007; 2012; 2014; COUMOU; RAHMSTORF, 2012; WMO, 2013), ampliando as situações de riscos de moradias relacionados com escorregamento ou inundação. Por outro lado, tem-se observado que as pessoas, mesmo informadas, tendem a permanecer em suas casas mesmo nessas situações de riscos (ADGER et al., 2009; CUTTER et al., 2003; 2009; KOWARICK, 2009; IWAMA et al., 2014; CARMO et al., 2012). O que se observa é que há uma lacuna entre o ‘perceber’ e o ‘agir’, podendo resultar não apenas em perdas materiais, mas da própria vida (RENN, 2008; SLOVIC, 2010; IWAMA et al. 2014). Esta pesquisa visa contribuir para o desenvolvimento de abordagens e métodos participativos que integrem a cartografia social com ciência cidadã para o mapeamento e No Brasil, o Decreto n.º 5.300, de 7 de dezembro de 2004, que regulamentou a Lei n. o 7.661/1988 (BRASIL, 2004 Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC) considera a zona costeira um espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renováveis ou não, abrangendo uma faixa marítima e uma faixa terrestre. A faixa terrestre é definida como o espaço compreendido pelos limites dos municípios que sofrem influência direta dos fenômenos ocorrentes na zona costeira, além daqueles (i) defrontantes com o mar; (ii) não defrontantes com o mar, localizados nas regiões metropolitanas litorâneas; (iii) não defrontantes com o mar, contíguos às capitais e às grandes cidades litorâneas, que apresentem conurbação; (iv) não defrontantes com o mar, distantes até 50 km da linha da costa, que contemplem, em seu território, atividades ou infraestruturas de grande impacto ambiental na zona costeira ou ecossistemas costeiros de alta relevância; (v) estuarino-lagunares; (vi) não defrontantes com o mar, mas que tenham todos os seus limites com municípios referidos nos itens (i) a (v); (vii) desmembrados daqueles já inseridos na zona costeira. 1

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a gestão de riscos, ante situações de vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas. Reconhece como elementos fundamentais ao enfrentamento dessas situações associar a produção de conhecimentos científicos com o conhecimento, a percepção e o engajamento das comunidades afetadas, inserindo-as como protagonistas e não como simples espectadores dos eventos climáticos que podem causar os desastres. É proposta uma abordagem quantitativa e qualitativa para análise da vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas, com foco sobre a comunidade que vive em áreas de riscos: uma usando técnicas de sensoriamento remoto e análises espaciais para o mapeamento de risco (FERREIRA; ROSSINI-PENTEADO, 2011; ROSSINI-PENTEADO et al., 2007; TOMINAGA et al., 2004; 2008; IWAMA et al., 2014) e a outra com enfoque na ciência cidadã e pesquisa ação (PAHL-WOSTL et al., 2007; TOLEDO et al., 2014; ZEHR, 2015), utilizando métodos que envolvam oficinas participativas, atividades de cartografia social (GORAYEB, 2015; KNAPP, 2007; REICHEL e FRÖMMING, 2014, caso na Suíça; IFAD, 2009; 2013; ver ANEXO I. A CARTOGRAFIA SOCIAL: O QUE É?, p. 30). 2. CONTEXTO E JUSTIFICATIVA As respostas aos efeitos das mudanças climáticas são ainda incipientes, tanto na esfera governamental quanto no nível das comunidades. A consequência tem sido centenas de afetados em eventos de chuvas intensas (como os que ocorreram em Santa Catarina em 2008; Rio de Janeiro em 2010-2011) associados a escorregamentos de terra, inundações ou corridas de lama - Figura 1.

(a)

(b)

Figura 1. Registros fotográficos: (a) corrida de lama no morro do Baú, Ilhota-SC (Foto F. Fáraco, nov.2008); (b) escorregamentos e inundações na região Serrana do Rio de Janeiro (Foto de W. Schaffer, jan.2011). Fonte: MMA (2011). As percepções de risco interferem nas condutas individuais e coletivas e nas ações de 7


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adaptação (BRODY et al., 2008; HOGAN; MARANDOLA Jr, 2007; MARANDOLA Jr.; HOGAN, 2009), e são influenciadas por diversos fatores, incluindo a forma como esses riscos são comunicados pela mídia. Compreender esses fatores é fundamental para identificar como os riscos são percebidos e como essas percepções interferem no enfrentamento desses riscos (ADGER et al., 2013; CUTTER et al., 2003; VALENCIO et al., 2004; 2005; VEYRET, 2007; VARGAS, 2009; DI GIULIO et al., 2012). Há diversos trabalhos que demonstram que são pontuais as iniciativas de construção participativa dos mapeamentos de riscos, sobretudo nas fases de prevenção, preparação e resposta, o que pode dificultar as respostas rápidas e eficientes aos desastres (MELLO et al., 2010; SANTOS e MARANDOLA Jr., 2012; MARANDOLA Jr. et al., 2013; DI GIULIO e FERREIRA, 2013; DI GIULIO et al., 2014; IWAMA, 2014). O paradigma atual da gestão de riscos aos desastres – prevenção, preparação, resposta e recuperação (PPRR) – ainda tem enfoque nas ações de recuperação pós-desastres, e menos força na prevenção e preparação. Medidas governamentais em conjunto com ações comunitárias participativas, têm se mostrado relevantes para evitar futuros eventos climáticos, contribuindo para um maior conexão entre diferentes grupos (ciência, tecnologia e sociedade) para auxiliar um pensar e agir ante aos riscos de desastres associados aos possíveis efeitos das mudanças climáticas (ver GORAYEB, 2015; KNAPP, 2007; REICHEL e FRÖMMING, 2014; IFAD, 2009; 2013). Com base na revisão de literatura, foi proposto um modelo conceitual sobre percepção de riscos e estratégias de adaptação em regiões do litoral brasileiro – Figura 2.

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Figura 2. Modelo conceitual sobre percepção de riscos e estratégias de adaptação: lacuna entre o ‘perceber’ e o ‘agir’ ante uma situação de risco. Elaborado por Allan Yu Iwama (2014). Nesse sentido que os mapas de riscos produzidos como parte da pesquisa têm aplicação direta nas fases ligadas à prevenção, preparação e resposta de riscos aos desastres, justificando e trazendo a relevância deste projeto como produtor de conhecimento científico que pode ser traduzido em termos de formato, apresentação e conteúdo para ser usado tanto pela defesa civil quanto para as comunidades afetadas. Essa tradução só pode(rá) ser efetuada de forma eficaz se for preparada em parceria com os usuários e, nesse sentido, o papel da ‘pesquisa-ação’2 tem ligação direta na validação da cartografia social do risco com os futuros usuários delas – defesa civil, autoridades e comunidade. A região selecionada como área de estudo é a faixa que se estende do Litoral Norte do estado de São Paulo (Caraguatatuba e Ubatuba) ao litoral sul do Rio de Janeiro (Paraty).

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Ver trabalhos de Pahl-Wostl et al. (2007); Toledo, Giatti e Jacobi (2014); Zehr (2015).

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A região é composta por um mosaico de áreas protegidas - desde áreas de Proteção Integral até as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e Terras Indígenas (TI) e quilombos, desempenhando um papel importante para a preservação dos recursos naturais. Com base em projetos anteriores (Ciência Aberta Ubatuba, e pesquisa de Iwama, 2014), que permitiram o bolsista trocar experiências e estabelecer uma rede de contato com pessoas-chave (pontos focais), serão selecionadas pelo menos três bacias hidrográficas que atendam os seguintes critérios: situadas em áreas críticas de riscos de escorregamentos e inundação, tal como a bacia do Rio Santo Antônio em Caraguatatuba (Bacia A); existir alguma comunidade com algum envolvimento local para estratégia de apropriação do território, tal como a bacia do rio Iriri/Onça (Bacia B), em Ubatuba, e bacia C (abrange comunidade quilombola do Campinho), em Paraty (Figura 3).

Figura 3. Área de estudo – mosaico de áreas protegidas e localização aproximada das bacias hidrográficas propostas para o estudo (Bacias A, B e C). Entre 2015 e 2017 foi realizado o Ciência Aberta Ubatuba, sob coordenação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Este projeto foi criado para promover a articulação entre pesquisa científica, comunidades e organizações sediadas 10


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na cidade de Ubatuba, contando com a participação de diferentes atores dentro e fora da região. O projeto tratou de desenvolver o campo das práticas científicas abertas e colaborativas, particularmente na criação de pontes entre ciência e desenvolvimento local. O projeto permitiu trocar experiências com o Fórum de Comunidades Tradicionais3 (FCT), que abrange comunidades tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba para o fortalecimento da luta desses povos sobre seu território, além de interagir com Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina4, que entre seus objetivos busca criar um espaço para estratégias regionais visando a garantia dos direitos das comunidades tradicionais relacionados ao território, à cultura, às atividades tradicionais e à qualidade de vida. Em umas das reuniões com o FCT, observou-se a demanda pelas comunidades tradicionais de mapearem seu próprio território. Nas palavras de um representante do Fórum de Comunidades Tradicionais: “... A gente tem que sentar junto para fazer o mapa e ser reconhecido no mapa (as áreas dos quilombos, da aldeia, de Ubatumirim), e não deixar somente o Estado fazer...” – representante do FCT)

Há um potencial para estabelecer com as comunidades tradicionais estratégias para mapearem não apenas seu território como luta de seus direitos, mas também para mapear suas estratégias de adaptação face aos efeitos das mudanças climáticas. Durante a execução do Ciência Aberta Ubatuba foi desenvolvido um protótipo para testar o funcionamento de uma plataforma de dados espaciais abertos na região. Foram realizados testes com uma plataforma online, criada com uso de software livre – o Geonode

[http://wiki.ubatuba.cc/doku.php?id=cienciaaberta:encontro160808]

e

Geonetworks, para compartilhar dados georreferenciados. Em pouco tempo de experimentação, observou-se que existem algumas janelas de oportunidade na região para buscar estratégias de implementação desta plataforma livre de dados geoespaciais, chamada preliminarmente de LindaGeo - Plataforma de dados geoespaciais abertos do Litoral Norte - http://wiki.ubatuba.cc/doku.php?id=linda:linda. 3 4

http://www.preservareresistir.org/ http://otss.org.br/ 11


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O LindaGeo traz um contexto relevante para a produção do conhecimento local com sinergia para a proposta de criar-se métodos de produção do conhecimento para estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Além disso, a proposta apresentada pelo bolsista ‘Adaptação às mudanças climáticas e cartografia social: uma abordagem com foco na ciência cidadã’ tem aderência ao projeto que coordeno, com enfoque sobre as novas dinâmicas territoriais e seus entrecruzamentos com as das redes sociotécnicas, “Informação, conhecimento e mudança sociotécnica” - http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4070757649002106 -, além de dirigir-se para a compreensão do papel da informação e do conhecimento nos atuais processos de mudança sociotécnica. O projeto apresentado pelo bolsista incorpora elementos para discussão sobre o papel do uso de dados geoespaciais e suas possibilidade/limites, bem como a produção do conhecimento com base na cartografia social para questões ligadas à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. O tema das mudanças climáticas abrange vários campos do conhecimento (ciências da terra, ciências sociais aplicadas) e o candidato bolsista tem aptidão para interagir entre as diversas disciplinas para desenvolver o projeto e consolidar abordagens e práticas inovadoras no campo da ciência aberta, seus antecedentes, possibilidades e limites e pesquisa-ação sobre possibilidades e limites da ciência aberta e colaborativa no desenvolvimento local, no âmbito de dois projetos que coordeno: (1) Projeto de Pesquisa "Ciência Aberta, Questões Abertas" e (2) Projeto "Social development from open and collaborative science". Por fim, cabe assinalar que o presente projeto tem interfaces com diferentes institutos ou centros de pesquisas: Instituto Brasileiro de Informação e Ciência e Tecnologia (IBICT) e pós-graduação da UFRJ em Ciência da Informação.

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3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo geral Esta pesquisa objetiva desenvolver contribuições teóricas e empíricas para o desenvolvimento de abordagens e métodos participativos que integrem técnicas de sensoriamento remoto e Sistemas de Informações Geográficas, com cartografia social e ciência cidadã, que envolvam o conhecimento e o engajamento das comunidades, visando o mapeamento e a gestão de riscos, ante situações de vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas.

3.2. Objetivos específicos (1) Discutir as possibilidade e limites da ciência cidadã e da cartografia social como formas de empoderamento de populações vulneráveis na prevenção e no enfrentamento de situações de risco socioambiental. (2) Desenvolver um método de unidades territoriais básicas para mapeamento de riscos relacionados aos processos do meio físico nas sub-bacias selecionadas, em escala entre 1:10.000 e 1:5.000, para diferenciar dos trabalhos anteriores em escala menores (1:100.000, por exemplo), com base na metodologia proposta por pesquisadores do Instituto

Geológico-SMA-SP

(FERREIRA;

ROSSINI-PENTEADO,

2011;

ROSSINI-

PENTEADO et al., 2007; TOMINAGA et al., 2004; 2008). (3) Desenvolver atividades utilizando cartografia social, na comunidade em potencial risco de escorregamento e inundação e alunos do ensino médio das escolas públicas da região, cujo produto será o mapeamento participativo de riscos como a própria comunidade enxerga os riscos aos quais se inserem. (4) Testar metodologia de oficinas participativas com a comunidade afetada em áreas de riscos hidrológicos-geológicos, a fim de engajar a população ao enfrentamento dos problemas ou riscos que vivem em seu cotidiano.

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4. METODOLOGIA Os principais desafios científicos que esta proposta visa superar são: (a) propor uma abordagem que faça a integração de análises estritamente técnicas com métodos participativos para o mapeamento de riscos, gerando um produto técnicoparticipativo – com o conhecimento científico e conhecimento local; (b) avançar sobre os aspectos teórico-metodológicos de vulnerabilidade e desastres, promovendo o protagonismo da comunidade para ações de redução de desastres; (c) subsidiar ações de alerta e monitoramento de desastres, por meio da criação de uma cultura de prevenção de riscos, em última instância de uma cultura de defesa civil. Para atingir superar esses desafios, a estratégia metodológica foi feita em quatro fases que poderão acontecer paralelamente: (I) Alargamento da base teórico-conceitual discutindo as possibilidades e limites de usos de formas de visualização de dados georreferenciados (plataformas e infraestruturas de dados espaciais), por meio da construção de mapas com base em métodos participativos e de ciência cidadã, como forma de conscientização e engajamento das comunidades locais na prevenção e adaptação aos riscos das mudanças climáticas em áreas de moradia. (II) Mapeamento de riscos a escorregamentos e inundação com base em método de unidades territoriais básicas (FERREIRA; ROSSINI-PENTEADO, 2011; ROSSINIPENTEADO et al., 2007; TOMINAGA et al., 2004; 2008) nas bacias selecionadas. (III) (a) Desenvolvimento de pesquisa-ação com base na criação de mapas de riscos utilizando cartografia social, ou seja, representação espacial da forma como as pessoas percebem o ambiente onde vivem, situando as áreas de riscos, suas moradias, acessos. Essa etapa irá envolver também a realização de oficinas participativas, com a formação de grupos de trabalho com a comunidade afetada em três bacias hidrográficas, buscando encontrar os problemas mais simples de seu cotidiano; (b) Para esses grupos de trabalho serão oferecidos ‘desafios’ de implantação e implementação da solução dos problemas que eles veem em seus bairros ou bacia hidrográfica, funcionando como facilitadores de seus projetos em grupo como forma de engajar suas inciativas. Essa atividade tem o pressuposto que os pesquisadores de campo sejam os próprios moradores da região ou estudantes de escolas da área de estudo, tendo em vista se tornar uma proposta/teste

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para a elaboração de projetos da Com-VidAção5, umas das atividades realizadas pelo Cemaden Educação. A Figura 4 apresenta a metodologia proposta com as seguintes etapas/fases de execução da parte teórico-metodológica (Fase I) e da parte empírica da pesquisa: Fase II – cartografia de riscos, com base em método de unidades da paisagem; Fase III – (a) cartografia social com foco sobre comunidade afetada pelos riscos geológicos e (b) realização de oficinas participativas, com a formação de grupos de trabalho com a comunidade afetada, buscando encontrar os ‘problemas’ mais simples de seu cotidiano.

Figura 4. Metodologia pesquisa: Adaptação às mudanças climáticas e cartografia social – uma abordagem quantitativa e qualitativa com enfoque na ciência cidadã

A Com-VidAção é baseada na pesquisa-ação-participativa, mobilização, gestão democrática e controle social. Disponível em: http://educacao.cemaden.gov.br/publico/comvida/comVida.jsf. 5

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5. METAS Meta 1 (Fase I) – Alargamento e aprofundamento da base teĂłrico-conceitual, por meio de seminĂĄrios-aula sobre o tema de adaptação Ă s mudanças climĂĄticas usando metodologias baseadas na cartografia social e pesquisa-ação, bem como mĂŠtodos que integrem com a visualização de dados georreferenciados (cartografia de riscos) no âmbito do Programa de PĂłs-Graduação em CiĂŞncia da Informação na linha de pesquisa ‘Configuraçþes socioculturais, polĂ­ticas e econĂ´micas da informação’. Nesta

fase

tambĂŠm

serĂŁo

testadas

plataformas

de

visualização

de

dados

georreferenciados usando dados sobre riscos e vulnerabilidades de Infraestruturas de Dados Espaciais existentes, tais como as plataformas da CPRM6 (Serviço GeolĂłgico do Brasil), IDEA-SP7, entre outros. Neste perĂ­odo ĂŠ previsto tambĂŠm a participação em disciplinas como ‘SeminĂĄrios Interdisciplinares em Informação e Conhecimento’, com base nos resultados preliminares da pesquisa. PerĂ­odo estimado de execução: 6 meses Meta 2 (Fase II): Aplicar mĂŠtodo de mapeamento de riscos de escorregamentos e inundação com base em trabalhos do Instituto GeolĂłgico do estado de SĂŁo Paulo (ver FERREIRA; ROSSINI-PENTEADO, 2011; ROSSINI-PENTEADO et al., 2007; TOMINAGA et al., 2004; 2008). O mĂŠtodo consiste em definir e avaliar trĂŞs principais variĂĄveis para a anĂĄlise do risco (R): o perigo (P) – definido como fenĂ´meno, substância, atividade humana ou condição que pode causar perda de vidas, ferimentos ou outros impactos na saĂşde, danos Ă s propriedades, perda de bens e serviços, distĂşrbios sociais e econĂ´micos e danos ao meio ambiente; a vulnerabilidade (V), definida pelas caracterĂ­sticas e circunstâncias de uma comunidade, sistema ou bem que a fazem suscetĂ­vel aos efeitos de um perigo; e o dano (D) – relacionado a perda de vida, impactos na saĂşde, danos a propriedades, perdas de bens e serviços, distĂşrbios sociais e econĂ´micos e danos ao meio ambiente. Desse modo, o risco (R) ĂŠ a combinação da probabilidade de ocorrĂŞncia de um evento e suas consequĂŞncias negativas (UNISDR 2009), expresso por [đ?‘š = đ?‘ˇ. đ?‘˝. đ?‘Ť].

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http://geosgb.cprm.gov.br/ http://datageo.ambiente.sp.gov.br/

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Os autores têm utilizado nessa abordagem imagens do sensor TM/Landsat para análises regionais (em escala 1:50.000). Sempre que possível, será utilizado dados com escala mais detalhada ou de melhor resolução espacial para uma análise em múltiplas escalas, tais como imagens RapidEye (com 5 metros de resolução espacial), além de curvas de nível em escala 1:10.000. Período estimado de execução: 6 meses Meta 3 (Fase IIIa): Elaborar oficinas para criação de mapas de cartografia social em três comunidades situadas em cada uma das bacias hidrográficas. Período e execução: 6 meses Meta 4 (Fase IIIb): Organizar e realizar oficinas de capacitação da comunidade para engajamento da população em áreas de riscos (três sub-bacias). Período e execução: 6 meses

6. RESULTADOS ESPERADOS Um primeiro resultado esperado desta proposta de pesquisa se refere: (1) ao avanço na produção do conhecimento sobre vulnerabilidade e adaptação com o desenvolvimento do mapeamento de riscos, com base na análise da paisagem, utilizando imagens de alta resolução (por exemplo, imagens RapidEye – 5m de resolução espacial8) que irão proporcionar mapeamento em escalas de maior resolução (comparado ao método adotado usando imagens Landsat – 30m), sobretudo nas áreas urbanas e de expansão urbana. Os resultados dessa atividade serão cartas de riscos que irão subsidiar as atividades posteriores, associadas com as interações com a sociedade (cartografia social, oficinas comunitárias). Além de servir de material para estas atividades posteriores, será um meio de disseminação de resultados técnicoscientíficos nas comunidades. Ao final de ambas as atividades, a do mapeamento de risco estritamente técnico e da cartografia social, será realizada uma atividade de integração dos resultados, cujas oficinas participativas com a comunidade serão os espaços e

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Disponíveis para instituições públicas em todo o território brasileiro.

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momentos para que os resultados sejam validados e/ou reformulados. Essa atividade de integração tem um duplo objetivo: (i) conectar as populações locais com os mapeamentos de riscos, para que elas façam parte da construção dos mapas e, sobretudo, entendam os processos subjacentes aos riscos associados com os eventos climáticos extremos e; (ii) que a abordagem técnico-científica do mapeamento de risco ganhe uma componente social e participativa, na qual os resultados possam ser comparados e muitas vezes atualizados com o mapeamento comunitário [a cartografia social], que muitas vezes trazem experiências e contextos que auxiliam não apenas o mapeamento dos riscos em si, mas também as estratégias de adaptação das comunidades locais ante aos problemas que estão colocadas. Em outras palavras, o ‘...avanço na proposta metodológica de mapeamento de riscos...’ descrito anteriormente se refere a produção de conhecimento científico com aplicabilidade imediata na sociedade, principalmente ligado às mudanças climáticas. Os resultados desta proposta poderão contribuir para uma reflexão sobre a abordagem de mapeamentos de riscos em abrangência nacional, possibilitando a construção de uma (nova) base metodológica para identificar vulnerabilidades e estratégias de adaptação face aos efeitos das mudanças climáticas. Os resultados esperados com as atividades de cartografia social se relacionam com o autoconhecimento dos problemas vividos no dia a dia da comunidade, contados e desenhados nos mapas. As cartografias sociais visam, em última instância, promover a participação da sociedade no mapeamento dos riscos, inserindo-as como protagonistas e não como simples espectadores dos eventos climáticos que podem causar os desastres. No âmbito da proposta de cartografia social, pretende-se produzir um material relatando a experiência das atividades com a comunidade, tendo em vista criar uma publicação (livro ou apostila) que sirva de instrumento ou de inspiração para novas propostas associadas ao tema da ciência cidadã para a redução de riscos aos desastres: (2) material de publicação com título preliminar de 'cartografia social das comunidades no Litoral Norte paulista e Litoral Sul fluminense: novas possibilidades de pesquisa?' 18


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Ao final do projeto, é esperado que a atividade desenvolvida junto com o produto final possa subsidiar ações de alerta e monitoramento de desastres, por meio da criação de uma cultura de prevenção de riscos e de defesa civil.

7. ORÇAMENTO PROPOSITIVO O orçamento previsto para o 1º ano da pesquisa refere-se ao valor total anual da taxa de bancada prevista mensalmente, no valor de R$ 1.000,00/mês, totalizando R$ 12.000,00. A Tabela 1 abaixo ilustra o orçamento propositivo previsto para o 1º e 2º ano do projeto de pesquisa.

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Tabela 1. Orçamento propositivo previsto para o 1º e 2º ano da pesquisa, por fases do projeto. ORÇAMENTO PROPOSITIVO MESES

1

2

3

4

5

6

ATIVIDADES

Fase I – Base teóricometodológica [métodos de visualização de dados geoespaciais possibilidades/limites]

7

8

9

10

11

12

-

Material bibliográfi co (livros, revistas em periódicos )

Material bibliográfi co (livros, revistas em periódicos )

Transport es (viagens) para reuniões com parceiros;

Transport es (viagens) para reuniões com parceiros;

Fase II – Cartografia de riscos (análise da paisagem) Total (Ano 1)

Valor (R$)

ANO 1

R$1.000.0 0

R$1.000.0 0

R$1.000.0 0

R$1.000.0 0

Material Material de de consumo consumo (para (para apoio aos apoio aos seminário seminário s-aula, s-aula, interação interação na PPGCI) na PPGCI)

Liçensa de Liçensa de Liçensa de Liçensa de Liçensa de Liçensa de software( software( software( software( software( software( se se se se se se necessári necessári necessári necessári necessári necessári o) o) o) o) o) o) R$ R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 12.000.0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

20


Edital FAPERJ N.º 04/2017 PROGRAMA PÓS-DOUTORADO NOTA 10 — 2017 ORÇAMENTO PROPOSITIVO MESES

Valor (R$)

ANO 2 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

ATIVIDADES

Fase III (a)– Cartografia social em comunidades1

Material de consumo Itens de (lápis, auxílio a cartolina, campo, papel como formato GPS, A1, A0, gravador pincel, giz de cera);

Itens de auxílio a campo, como GPS, gravador

Estadia; transport e alimentaç ão

Estadia; transport e alimentaç ão

Estadia; transport e alimentaç ão -

Fase III (b) – oficinas participativas de integração dos resultados com a comunidade3

Total (Ano 2)

-

Estadia; transport e alimentaç ão

R$1.000. 00

R$1.000. 00

R$1.000. 00

realização de trabalho de campo e oficinas participativ Estadia; as, transport prevendo e custos com alimentaç alimentaçã ão o, organização de espaço, impressão de material do projeto

R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 R$1.000.0 0 0 0 0 0

R$1.000.00

realização de trabalho de campo e oficinas participativ as, prevendo custos com alimentaçã o, organização de espaço, impressão de material do projeto

realização de trabalho de campo e oficinas participativ as, prevendo custos com alimentaçã o, organização de espaço, impressão de material do projeto

realização de trabalho de campo e oficinas participativ as, prevendo custos com alimentaçã o, organização de espaço, impressão de material do projeto

R$1.000.00

R$1.000.00

R$ R$1.000.00 12.000. 00

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25


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8. CRONOGRAMA: ESTRATÉGIAS PARA EXECUÇÃO DO PROJETO Tabela 2. Cronograma das fases do projeto. MESES ATIVIDADES

ANO 1 ANO 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Fase I – Base teórico-metodológica [métodos de visualização de dados geoespaciais possibilidades/limites]

Fase II – Cartografia de riscos (análise da paisagem)

Fase III (a)– Cartografia social em comunidades1

Fase III (b) – oficinas participativas de integração dos resultados com a comunidade3 Total4 1

24 meses*

Primeiro evento que poderá ser usado para medir o progresso do projeto, usando cartas de riscos como material de apoio nas comunidades afetadas por riscos de 26


Edital FAPERJ N.º 04/2017 PROGRAMA PÓS-DOUTORADO NOTA 10 — 2017 escorregamentos e inundações (após 6 meses de execução do projeto), dando início às atividades de cartografia social nas comunidades. 2 Após 18 meses, quando for iniciada as atividades de oficinas participativas com a comunidade, serão apresentadas atividades das Fase I e II. 3 Término do projeto, contendo a apresentação para a comunidade e da própria comunidade sobre do material produzido ao longo do projeto para estabelecer atividades que propiciem continuidade ao projeto com os líderes comunitários.

O cronograma detalhado das fases do projeto pode ser visto na Tabela 3.

Descrição

Atividades

Local

Tempo de execução (meses) estimativa para cada Fase

Fase I - Fortalecimento e Fase II alaragamento da base Cartografia de teórica sobre formas de riscos (análise da visualização de dados paisagem) geoespaciais

Tabela 3. Cronograma detalhado das fases do projeto.

(1) Pesquisa bibliográfica sobre Plataformas e Infraestruras de Dados Espaciais

Escritório

1

PPGCI/UFRJ

1

Escritório/PPGCI/UFRJ

2

Escritório/PPGCI/UFRJ

2

Total Escritório Escritório Escritório/reuniões Escritório Escritório Escritório/reuniões

6

(2) Preparação de seminários-aula no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) (3) Testes utilizando dados de riscos e vulnerabilidades em plataformas de visualização de dados geoespaciais (4) Colaboração em disciplinas ligadas ao PPGCI, fortalecendo o tema sobre métodos de pesquisa-ação e ciência cidadã (1) Pesquisa bibliográfica (2) Organização de banco de dados (3) Obtenção de imagens de satélite de alta resolução (4) Seleção de variáveis para definição da vulnerabilidade (5) Aplicação do método de unidades territoriais básicas (análise da paisagem) (6) Análise dos resultados

1 1 2 1 27


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(7) Produção de cartas de riscos

Fase III (b) Oficinas participativas comunidadad es/bairros

Fase III (a)- Cartografia social - comunidades/bairros

(1) contatar líderes comunitários (2) Organizar grupos (até 4 pessoas por grupo): por exemplo, segundo o critério do tipo de área de risco, ou problema mais frequente encontrado no bairro

Escritório Total Contato por telefone, pessoalmente

1 6

Contato por telefone, pessoalmente 3

(3) Apresentar a proposta e objetivo da atividade - definir eixos que devem ser utilizados como orientação: por exemplo, desenhar o mapa como o participante vê o seu lugar e como gostaria que fosse ?; cores de acordo com o grau de risco (4) Apresentar o material a ser utilizado: cartolinas, tesouras, lápis de cor, pincel, giz de cera, borrachas, régua, lápis, cola de papel, retalhos (ou panos) (5) Estipular o tempo para executar a atividade (2 semanas) (6) Definir alguns tutores para tirar dúvidas, etc. (7) Apresentação dos 'projetos' de cartografia social de cada bacia, dividido por comunidades (8) Para a apresentação geral dos projetos, organizar lanche comunitário (9) Gerar certificados de participação do projeto (PPAC/DRR) (10) Elaboraração preliminar de uma publicação com base no material produzido pela comunidade para construção de uma cartilha de 'cartografia social das comunidades no Litoral Norte paulista: novas possibilidades de pesquisa?'

(1) contatar líderes comunitários, mesma liderança na experiência de cartografia social (2) Organizar grupos (até 4 pessoas por grupo):podem ser utilizados os mesmo grupos formados na experiência com cartgrafia social

Definir local

-

1 1

Definir local 2

Definir local

1

Total

8

Contato por telefone, pessoalmente 2 Contato por telefone, pessoalmente

28


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(3) Apresentar a proposta e objetivo da atividade: após o levantamento de problemas prioritários definidos pelos grupos, elaborar estratégias para solucioná-los: chamo aqui de 'Pesquisa Participativa-Ação baseada na Comunidade' (4) Estipular o tempo para executar a atividade: (i) definição do problema e (ii) estratégia metodológica [2 semanas]; (iii) PPAC (2 semanas) (5) Definir alguns tutores (pelo menos 3 pessoas) para tirar dúvidas, etc. (6) Apresentação dos 'PPAC' de cada bacia, dividido por bairros (9) Gerar certificados de participação do projeto (PPAC/DRR) (8) Elaboração de uma cartilha relatando cada experiência na sub-bacias como estratégia para criação de uma cultura de prevenção dos riscos

Definir local

3

-

1

Definir local -

4

Total Tempo de execução total do projeto

10 24 meses

.

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Edital FAPERJ N.º 04/2017 PROGRAMA PÓS-DOUTORADO NOTA 10 — 2017

ANEXO I. A CARTOGRAFIA SOCIAL: O QUE É? De forma simples e direta: a cartografia social consiste em realizar o mapeamento participativo segundo a maneira como o participante (a pessoa) vê seu próprio mundo, seu entorno. Em um primeiro momento, não há a preocupação com as técnicas cartográficas (escala, abrangência, localização espacial detalhada). Segundo Ascerald (2008), é um mapa social que representa o cotidiano de uma comunidade: por exemplo, rios, lagos, casas, igarapés, montanhas – independentemente de seu tamanho ou condição. Pode também mapear mobilizações sociais, descrevendo-as e georreferenciando-as com base no que é considerado relevante pelas próprias comunidades estudadas. No Brasil, a utilização da cartografia social já é bastante significativa na Amazônia e tem se expandido para outras regiões, como estratégia para firmar direitos territoriais. Há diversos exemplos de transformação de demandas sociais em políticas públicas, por meio da utilização de diferentes processos de “mapeamento participativo”, garantindo o reconhecimento de demandas de diversos tipos de comunidades, como quilombolas, pesqueiras, extrativistas, e de periferias. Segundo a publicação da Oficina do Eixo Erradicação da Miséria, pela facilitadora Adryane Gorayeb (GORAYEB, 2014): ‘Um aspecto importante sobre a elaboração dos mapas, segundo Acselrad (2013), é saber quem mapeia quem. Muitas vezes são atores externos como ONGs, entidades ambientalistas, antropólogos que convidam os ocupantes de um determinado território para participar da elaboração de seus mapas, mas os próprios sujeitos têm questionado se devem participar de mapeamentos conduzidos por terceiros, em processos nos quais não têm autonomia. As atores, cada vez mais, entendem que elas próprios devem conduzir o processo de mapeamento de seus territórios.’

Em relação à participação, a autora coloca que, ‘Sob uma perspectiva dos direitos humanos, a participação poderia ser entendida como o direito de participar na tomada de decisões e o direito à liberdade de expressão, o acesso à informação e a liberdade de associação. Visto desta perspectiva, a participação implica ir além 30


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e acima do nível local de processo de consulta para garantir a participação dos agentes sociais nos mais amplos sistemas de tomada de decisão formais e informais. Isso inclui ampliar e representar as vozes, interesses e necessidades e fortalecê-los para que reivindiquem seus direitos e mantenham suas instituições responsáveis nas decisões que afetam seus modos de vida (PLESSMAN, 2013).’

Nessa perspectiva, este projeto visa facilitar a participação da comunidade afetada em áreas de riscos geológicos e ambientais, além da participação alunos do ensino médio – pensando como potenciais transformadores de atitudes –, trazendo, portanto, métodos relativamente simples como a cartografia social e oferecendo a oportunidade para a comunidade comunicar seus próprios interesses, suas dúvidas e indagações. O resultado esperado será a produção de material de publicação relatando a experiência do projeto (piloto), como forma ou estratégia de criação de uma cultura de prevenção de riscos, de uma cidadania participativa e capaz de motivar as pessoas a buscarem soluções em seu dia a dia. A Figura 5 abaixo ilustra alguns exemplos de atividades relacionadas com a cartografia social e envolvimento com a população em geral e alunos de escolas.

(a) Cartografia social sobre a bacia do rio Paraíba do Sul, São José dos Campos - Brasil

(b) Cartografia social com morador local na bacia do rio Juqueriquerê, Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo - Brasil

(c) Mapa de apoio (cartaimagem) utilizada na comunidade do bairro Topolândia, São Sebastião, litoral norte de São Paulo Brasil

Figura 5. Exemplos de aplicação de atividades de cartografia social (a) Escola Municipal Vera Babo, em São José dos Campos; (b) Bairro Morro do Algodão, Caraguatatuba; (c) Bairro Topolância, São Sebastião.

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Adaptação às mudanças climáticas e cartografia social: um abordagem com foco na ciência cidadã  

Esta pesquisa objetiva desenvolver contribuições teóricas e empíricas para o desenvolvimento de abordagens e métodos participativos que inte...

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