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elaboração de açúcar), outros resíduos desenvolvem este lodo granulado muito lentamente e alguns não o desenvolvem. Portanto, isto constitui o principal objetivo desta tecnologia UASB. Quando se inocula uma grande quantidade de logo granular em um digestor que não funciona bem, costuma ajudar. O lodo conserva suas características na maior parte das vezes com um determinado tipo de resíduos, mas nem sempre quando se troca um resíduo por outro (O'Flaherty et al 2006; Ward et al 2008).

Figura 15: Esquema de um digestor UASB ou Leito de lodos Os mecanismos de formação de grãos de alta densidade encontrados nos digestores UASB podem ser biológicos ou físico-químicos. No primeiro caso, escolhem-se bactérias que granulam e, no segundo, utilizam-se precipitantes (sulfuroso, carbonatos). Na zona inferior se desenvolve uma camada de lodo concentrado (4-10%) com boas características de sedimentabilidade. Sobre essa camada se desenvolve uma camada de crescimento bacteriano mais disperso (manto de lodos) na qual os sólidos apresentam velocidades de sedimentação mais baixas. A concentração de lodos nessa zona é de 1,5 a 3%. O sistema de agitação dá-se por auto-mescla, pelo movimento ascendente das bolhas de gás e do fluxo do influente através do digestor. A velocidade de subida do influente é de 0,05 a 3m/h. O digestor UASB é essencialmente um sistema de crescimento em suspensão no qual se mantém uma adequada taxa de cargas hidráulicas e orgânicas a fim de facilitar a agregação da biomassa densa, processo conhecido como granulação. O tamanho dos grãos é de aproximadamente 1-3mm de diâmetro. Devido a que os grãos são maiores em tamanho e peso, sedimentam-se e são mantidos dentro do digestor. A concentração de biomassa no digestor pode chegar a 50 g/L. Portanto, é possível conseguir um TRS muito alto, inclusive a um TRH muito baixo, de 4 horas. O tempo de residência hidráulica para estes digestores é de 1 a 2 dias. É possível conseguir cargas volumétricas maiores do que no processo de contato (de 10 a 30 kg DQO/m3d). O tempo de arranque oscila entre 30 e 60 dias e a concentração de sólidos é de 20 a 40 g SSV/l no interior e de 0 a 5 g SS/l no efluente (Carreras, 2010). Utilizam-se para o tratamento de distintas águas residuais agroindustriais como: alcooleiras, fábrica de leveduras, cervejarias, fábricas de café, fábricas de conserva, elaboração de açúcar, destilarias, laticínios, papelarias, etc.

O Biogás

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Biogasconteudo extensivo pt  

Programa de Capacitação em Energias Renováveis Fonte: ONUDI

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