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fósseis e reduz as emissões de gases de efeito estufa pelas plantas geradoras existentes. Os sistemas de aproveitamento da energia do biogás podem ser de vários tipos e serão vistos no Capitulo 9.

6.6.

Projetos MDL em aterros sanitários. Experiências na América Latina e no Caribe

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é uma ferramenta que permitiu financiar projetos para reduzir as emissões de GEE em países não industrializados, tendo como condição indispensável que contribuam ao desenvolvimento social, econômico e ambiental do pais onde são implementados. Os projetos relacionados com a captura de biogás em aterros estão contemplados como projetos MDL. Os países da América Latina e do Caribe (ALC) tiveram uma importante participação no desenvolvimento de projetos no MDL desde o principio. Os primeiros projetos MDL desenvolvidos na região datam de 2002 (IBD, 2011). A região tinha registrados (a abril de 2012) 584 projetos MDL (15% do total), frente a 1.832 da China (47%) e 786 (20%) da Índia. Contudo, em termos relativos, a participação da ALC no MDL é muito superior a de outras regiões do mundo como a Europa e a Ásia Central, África e Oriente Médico, que tem apenas 1%, 3% e 1% do total de projetos, respectivamente (Estatísticas MDL, 2012). Como ocorre mundialmente, os projetos MDL em ALC também estão concentrados em poucos países: Brasil, com 33% (201 projetos registrados), e México, com23% (136 projetos registrados), estão muito a frente do resto. São seguidos pelo Chile, com 10% (54 projetos), e Colômbia, com 7% (39 projetos). Com respeito ao tipo de projetos MDL na ALC, os relativos à captura de metano em aterros, com 12%, ocupam o terceiro lugar depois dos projetos de energias renováveis (56%) e projetos de metano evitado (21%). Logo atrás estão os projetos de eficiência energética, tanto do lado da oferta, quanto da demanda (3% cada um), os projetos de reflorestação e plantio de árvores (2%), a redução de HFC e N2O (2%) e a troca de combustível (1%).

6.6.1. Caso prático. Nova planta no aterro sanitário de Bordo Poniente (México) Há alguns meses, concretamente no dia 1 de novembro de 2012, divulgou-se a adjudicação do contrato de exploração da planta de biogás do aterro sanitário de Bordo Poniente (México) ao consorcio BMLMX Power Company SAPI durante 25 anos. O consorcio, formado por três empresas espanholas (Energia Sur de Europa, CLP Organogas e Tegner) e empresas mexicanos (RAM Carbon México, JCH Inversion Redituável e Iberaltec), será encarregado de administrar a produção de biogás do aterro de Bordo Poniente, do Distrito Federal do México, o maior aterro do México que acumulou resíduos durante duas décadas. O contrato implica o saneamento e o fechamento definitivo do aterro, que acumula 72 milhões de toneladas de resíduos e gera 26% dos gases de efeito estufa emitidos pela Cidade do México. O projeto inclui a construção de uma planta que utilizará o biogás para gerar 58 megawatts por hora. A nova planta de biogás implica um investimento de 125 milhões de euros. A licitação permitirá ao consorcio gerir uma concessão de 25 anos para produzir biogás em Bordo Poniente. O projeto foi considerado o quinto mais importante da ALC. Quando expire a concessão, o consórcio espanhol mexicano deixará a administração do aterro em mãos da comissão Nacional da Água. O projeto

O Biogás

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Biogasconteudo extensivo pt  

Programa de Capacitação em Energias Renováveis Fonte: ONUDI

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Programa de Capacitação em Energias Renováveis Fonte: ONUDI

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