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"NĂŁo quero mais uma obra de arte estĂŠtica, vou fazer um fetiche!" (Beuys)

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co. LAB

Em tempo onde as individualidades gritam em reação, a arte promove a ação e a relação na vida. co.LAB reúne uma sequência de trabalhos em artes visuais, onde a performance é apresentada como fio condutor da integração de linguagens e do público. Procedimentos relacionais e colaborativos que têm o corpo, sua imagem e sentidos como meio de expressão e intervenção no espaço urbano.

Através de recursos audiovisuais, expressões artísticas como a dança e a bodyart, instigando os desejos degustativos e contraventores, os artistas seduzem, intrigam e intervém não só no cotidiano das pessoas, mas no espaço urbano e arquitetônico da cidade de São Paulo.

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AMANDA

DE CASTRO

ALISSA

OSUMI

FELIPE

VASCONCELLOS

VICTOR

MATHEUS

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Todo Todo dia dia 6


AMANDA DE CASTRO

TODO DIA DATA:26/11/2013 LOCAL:CENTRO UNIVERSITÁRIO BELAS ARTES FORMATO: VIDEO PROJEÇÃO DURAÇÃO DO VÍDEO: 5:54s PARTICIPANTES: EDUARDO POCAI, PAULA NOBREGA, STEPHANIE SENNA, RENAN BOSSI E RAFAEL DARDES.

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sinopse: O vídeo foi gravado com câmera parada, em plano sequência. A proposta foi solicitar a presença de algumas pessoas e propor o projeto com tema: cotidiano.Para isso, pedi que cada um escolhesse uma ação corriqueira que pudesse ser repetida diversas vezes. Cada objeto no vídeo presente foi pensado de maneira a agregar à reflexão que o este busca prporcionar.Cotidiano são ações que acontecem todos os dias,repetidamente.Frequentemente o cotidiano é percebido como o que é mecânico, o que decorre de pequenos acenos ou apertos de botão. Fazer todo dia o que se faz, de dormir a trabalhar ou divertir-se, é uma possibilidade de encontro, de desencontro, de deslizamentos, inquietação ou de tédio e acomodação.A acomodação no cotidiano deixa as pessoas satisfeitas com o mínimo. Ele pode ser visto com a beleza dos pequenos detalhes ou prazeres, como constante evolução ou alienação. São estas reflexões que o vídeo propõe.

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CAPTAÇÃO DE VÍDEO

9 https://vimeo.com/89616576


CRITICA POR ALISSA OSUMI A artista propõe ao espectador observar de fora o recorte de uma rotina banal que se repete consecutivamente. No interior de um apartamento, onde o espectador assiste um grupo de pessoas que repetem seus movimentos como se estes estivessem automatizados com aquilo que estão fazendo.O que se reflete na vida real e no cotidiano, de ter alguns rituais diários e repetitivos. Mesmo estas pessoas estarem em grupo e no mesmo ambiente, elas não interagem entre si, isso dá abertura para reflexão do espectador sobre a individualidade cada vez maior na sociedade atual.

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C O CC Criação de uma Obra Contemporânea Coletiva

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ALISSA OSUMI

Criação de uma Obra Contemporânea Coletiva

Local:Centro Universitário Belas Artes de São Paulo data: 05 e 12 de novembro de 2013 Técnica Mista dimensões variáveis

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Sinopse: Neste projeto é proposto a criação de uma obra contemporânea coletiva feita pelos próprios espectadores. A obra consiste e m uma ação "transgressora" adaptada para dentro d a instituição. Será disposto u m painel (50x60cm), um depósito com diversos tipos de chicletes (diferentes cores) e as instruções lado. A ação propõe aos espectadores mascar o s chicletes e g rudar em qualquer parte d o painel, constituindo uma obra que exige a participação e ação colaborativa do espectador

para tornar-se concreta.

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A artista propõe a criação de uma obra contemporânea coletiva feita pelos próprios espectadores, partindo de indicações proposta pela artista, onde o público deveria mascar chiclete os quais tinham diversas cores e gruda-lo em uma tela posicionada num cavalete, sem especificar o espaço dentro da tela e sem limitar quantidade d e chicletes por pessoa. A performance se relaciona com as intervenções urbanas realizadas pela artista, onde podemos ver a utilização de diversas cores, e a participação do meio onde é exposto, inspirada em culturas vivenciadas principalmente na arte urbana, seu trabalho procura essa relação. A obra seria colocada nas escadas próximas a biblioteca da Belas Artes durante os dias 05, 12 e 26 de novembro de 2013, a partir das 8h da manha até que o chiclete acabasse, foram usados em torno de 250 chicletes por dia (segundo a artista). No primeiro dia ouve a participação de 35 pessoas, as quais colocaram os chicletes mascados espalhados pelo painel. Ouve pessoas que pegaram o chiclete mais não participaram da obra, a intervenção n o primeiro dia acabou a s 9:45 da manha, quando o ultimo chiclete foi colado n a tela. N o dia 1 2 de novembro ouve maior participação n a obra, ouve 50 pessoas que participaram d a intervenção, foi finalizado as 10 da manhã. A artista e m nenhum momento intervém com a participação d o público, ela se limita a distribuir chicletes. A artista usou como referência o trabalho do coletivo criativo “ Quintapata” d a Republica Dominicana, o qual é integrado pelos artistas Pascal Meccariello, Raquel Paiewonsky, Jorge Pineda e Belkis Ramírez, a videoinstalação consiste numa parodia sobre métodos científicos, 16


através da possibilidade de usar qualquer objeto do dia a dia, como um chiclete mascado para rastrear o DNA de qualquer pessoa – após mastigar o chiclete as pessoas inevitavelmente deixam rastros da sua identidade nele. O vídeo de 4 pessoas transmitindo em uníssono as regras inventadas sobre o protocolo do como mascar chiclete. Os visitantes são convidados a mascar um chiclete e cola-lo na tela. quando o ultimo chiclete foi colado na tela. No dia 12 de novembro ouve maior participação na obra, ouve 50 pessoas que participaram da intervenção, foi finalizado as 10 da manhã. A artista em nenhum momento intervém com a par ticipação do público, ela se limita a distribuir chicletes. A artista usou como referência o tra balho do coletivo criativo “ Quintapa ta” da Republica Dominicana, o qual é integrado pelos artistas Pascal Mecca riello, Raquel Paiewonsky, Jorge Pineda e Belkis Ramírez, a videoinsta lação consiste numa parodia sobre mét odos científicos, através da possibil idade de usar qualquer objeto do dia a dia, como um chiclete mascado para ra strear o DNA de qualquer pessoa – após mastigar o chiclete as pessoas inevi tavelmente deixam rastros da sua iden tidade nele. O vídeo de 4 pessoas transmitindo em uníssono as regras inventadas sobre o protocolo do como mascar chiclete. Os visitantes são convidados a mascar um chiclete e cola-lo na tela. Crítica por Itze González

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FELIPE VASCONCELLOS

intervenção urbana: REFLEXOS - ENSAIO SOBRE O VAZIO data: 12/11/2013 local: São Paulo, SP duração: 4 horas registro fotográfico: Regina Vasconcellos registro em vídeo: Thadeu Uedath Bodyart: Hugo Cabral Apoio: Vanessa Hoschette

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A intervenção urbana “Reflexos – ensaio sobre o vazio” parte de uma pesquisa sobre as relações entre a performance e a body-art e o espaço urbano, onde a transfiguração e caracterização do corpo em contato com o meio serve como propulsor de relações espontâneas e por isso genuínas. A ação duracional se dá pela confecção do próprio artista de uma roupa coberta de espelhos, juntamente com uma segunda pele revestida com o mesmo material de forma que o performer fique quase, totalmente vedado, salvo uma pequena brecha abaixo dos olhos, o que possibilita que o artista enxergue onde pisa. Com sua identidade velada, os movimentos físicos enrijecidos e sem uso da fala, o artista caminha pelo espaço urbano refletindo tudo ao seu redor, fragmentando e integrando a identidade do ambiente com a do outro 20 num só corpo.


A performance Reflexos - ensaio sobre o vazio, de Felipe Vasconcellos, tem alguns desdobramentos que, como toda boa arte, transcendem o seu universo e repousam na filosofia. O mais linear dos diálogos possíveis é com o livro "A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo" do filósofo francês Gilles Lipovetsky (1944). A grosso modo, Lipovetsky traça uma nova formação social, onde a flexibilização moral é extrema, mas sem que se perca a noção de certo e errado. Há um certo hedonismo tanto em Felipe Vasconcellos quanto em Lipovetsky, ligado ao acúmulo que afasta os valores individuais. Ambos entendem como a sociedade contemporânea fragmentou o indivíduo. Desta fragmentação surge o vazio, o narcisismo e o repúdio à tradição. É verdade que vários outros dissertaram sobre o vazio. Corbin, Rojas, Bergson, Ricoeur e, até mesmo (mas não literalmente), Freud. A performance, entretanto, inclui não apenas a questão da identidade na contemporaneidade (e, por consequência, a questão do outro), mas não se limita a isso. Felipe Vasconcellos inclui em si a transparência, a anulação de si através da inclusão total e absoluta do outro. Ao mostrar ao outro a imagem fragmentada e refletida tanto do seu fruidor quanto do seu entorno, Felipe Vasconcellos devolve a este outro uma possibilidade de identidade, a integrada com seu ambiente, que aparece igualmente fragmentado. É uma noção profunda e poderosa esta, de que não fomos apenas nós que perdemos uma unidade. O mundo físico também. As diferentes arquiteturas não conversam sequer entre si, que dirá com o ambiente. A vida humana ou não - não é mais possível de forma una. Dependemos do outro para existir. Felipe Vasconcellos nos devolve a poesia de sermos. Apenas sermos.

21 por Carolina Vigna


Um desafio. Fotografar a intervenção Reflexos – Ensaio Sobre o Vazio, é como buscar o instante a cada encontro, refletido no olhar e na reação dos espectadores. É inquietante observar a curiosidade pelo desconhecido, da inocência instigante de uma criança ao medo e a desconfiança da racionalidade. Capaz de fazer o invisível se sentir percebido e acolhido por um olhar que não se vê, um afago sem palavras, um aperto de mão sem calor. Felipe Vasconcellos fragmenta o cotidiano e se torna reflexo de todos em si próprio. Por Regina Vasconcellos

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Realizar a performance reflexos vai além de qualquer expectativa ou planejamento. A ação é tomada pelo ineditismo e pela ampliação dos sentidos físicos e sensoriais. O objetivo de intervir no meio de forma presencial adquire um caráter espetacular aos olhos de um público acostumado com cinema e televisão, mas de fato, o que acontece é o oposto. O outro é quem intervém sobre o corpo de espelhos, basta um se aproximar e já é o suficiente para encorajar os mais tímidos e me perceber rodeado de pessoas. Isso é risco e ao mesmo tempo muito instigante. As reações, quando percebido, apesar de serem as mais diversas se encontram no ambiente comum da inquietação, a tentativa de racionalização alimenta a curiosidade e a proximidade, o toque revela a vulnerabilidade e isso gera ainda mais questionamentos e conjecturas, sobre o que se passa. As autoridades demonstram desconfiança, as crianças encantamento e os mais receptivos geralmente são os que menos são vistos, os moradores de rua. Lembro de adentrar numa loja de perfumes e pedir um copo d`água, em meio a mais de 40 graus de temperatura, a vendedora precisou do gerente para dizer que não tinha, enquanto ela tirava uma foto. Fragmentar o reflexos dos outros e do espaço, revela o que é de mais intenso e próprio de cada um, a índole e o caráter do ser humano. Felipe Vasconcellos

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"Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai de mim para o Outro." Poema 7, Mário de Sá-Carneiro

Vídeo registro da intervenção em São Paulo http://www.youtube.com/watch?v=STjHBhzONL4

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O GRANDE BAILE

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VICTOR MATHEUS

O Grande Baile Performance ao vivo Data: 12/11/2013 Duração: aprox. 1h Local: Diversos espaços do centro universitário belas artes de27 são paulo e ruas próximas


Sinopse Através de uma caracterização com vestimentas formais e carregando um aparelho de som, o performer escolhe um ambiente e coloca uma música aleatória de uma préseleção e convida algumas pessoas do local para uma dança nostálgica. O encerramento se dá no término da música, e ocorre a mudança para outro lugar onde se repetirá o ato. A ação se define por resgatar a memória que existe, no entanto não é percebida.28


A performance “O Grande Baile” foi apresentada no dia 12/11 nos arredores do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Nela, o performer se encontrava vestido formalmente, com terno e calça social remetendo a roupas do passado, antigas. O artista segurava uma mala, também de aparência de antiga. O ato se deu da caminhada segurando a mala até o momento em que parasse e a colocasse no chão, abrindo-a. No interior da mala, um aparelho de som tocava músicas dançantes toda vez que a mala era aberta. Ocorria então a dança e o convite das pessoas em torno para dançar junto. A ação foi repetida diversas vezes, os lugares das paradas eram escolhidos aleatoriamente. 29


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Registro da performance: https://vimeo.com/89571156


Registro da performance: https://vimeo.com/89571155

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O resultado final foi diferente do previsto, porém a conceituação da memória prevaleceu. Neste caso, além de o performer estar usando vestimentas antigas, remetendo à obsessão e a resguarda da memória, ele trabalha com a memória efêmera. No momento da interação em que o performer passa por entre as pessoas, cria uma memória deste instante nas mesmas, por mais breve que seja. Além disso, a performance causa estranhamento, retirando as pessoas do estado comum e causando reflexão sobre suas limitações. Ao se sentir constrangido com a exposição do performer de estar dançando em público em uma situação anormal, causa o questionamento no expectador sobre o porque deste constrangimento, ou o porque alguém faria esta ação tão incomum neste tipo de lugar e horário. amanda fonseca 32


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Revista online sobre a documentação de quatro performances, dos artistas visuais Amanda de Castro, Alissa Osumi, Felipe Vasconcellos e Victor Matheus, realizadas em 2013 no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

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CO.LAB Performance  

Revista online sobre a documentação de quatro performances, dos artistas visuais Amanda de Castro, Alissa Osumi, Felipe Vasconcellos e Victo...

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