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Alimentos Compostos para Animais

Portugal

Produção de Alimentos Compostos A produção das empresas associadas da IACA registou um incremento de 4,8% em 2015, situando-se em torno dos 3 milhões de toneladas, o que ficou a dever-se não só ao crescimento do mercado (da ordem dos 2%, segundo a amostra mensal), mas igualmente devido ao reforço da produção associada, e a eventuais conquistas de quota a empresas não associadas. De resto, 84% dos associados (35) registaram subidas ou manutenção das respetivas produções face ao ano anterior. Tendo presente a conjuntura de 2015 podemos retirar desde já algumas conclusões: • A primeira, a de que se inverteu a tendência de quebra consecutiva da produção, ao nível das empresas associadas da IACA, que caraterizou o Setor nos últimos 7 anos, mantendo-se a linha de progressiva concentração da atividade; • A segunda, a de que este crescimento ficou a dever-se à procura de alimentos em dois setores que atravessam uma grave crise – bovinos de leite e carne de porco – o que significa produtores (clientes) descapitalizados, e, consequentemente, provoca alguma apreensão no setor, visto que pode representar no curto a médio prazo, riscos de recebimento e dificuldades financeiras; • A terceira, que apesar da tendência para as chamadas integrações, o “mercado livre” demonstrou uma notável capacidade de resiliência, seja por estratégias de mercado, seja por uma lógica de contratualização que parece fazer-se sentir nas relações entre as empresas e os clientes que, contrariamente ao passado, parece mais fidelizada, com produtores mais exigentes e melhores conhecimentos de nutrição e maneio, principalmente no que diz respeito à qualidade e às necessidades alimentares, o que não deixa de ser importante para o desenvolvimento da nossa Indústria e para o dinamismo do mercado; • Em quarto lugar, que os preços das matérias-primas, mais favoráveis em 2015, permitiram que a crise não fosse ainda maior. Mais, foi devido a esta conjuntura de baixa de preços das matérias-primas, que assistimos na Europa, a um incremento dos efetivos, em particular de vacas leiteiras e suínos, em países tradicionalmente exportadores (Alemanha, Holanda, Espanha, França, Polónia…), os quais quando encontraram dificuldades de colocação dos produtos no mercado mundial e confrontados com o embargo russo e redução da procura, criaram graves problemas no mercado interno e, consequentemente, nos mercados mais periféricos e vulneráveis como o nosso; • Como última conclusão, a de que esta crise permitiu relançar questões como as ajudas aos produtores, a gestão das crises, medidas para mitigar a volatilidade dos preços e dos rendimentos – previstas na PAC – e o problema da transparência da cadeia alimentar, designadamente as relações entre produtores, indústria e grande distribuição, com a constituição de um Grupo de Trabalho em Bruxelas e a exigência de alterações legislativas da parte do Parlamento Europeu. Em Portugal esta questão teve relevância no final do ano, com a profunda crise do setor

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Anuário 2016

dos suínos, de grande impacto na nossa Indústria, e as movimentações dos representantes da suinicultura e da indústria de carnes, tendo o Governo servido, algumas vezes, de facilitador; A partir daqui, com este problema no centro da agenda política, nada poderá ficar como antes, mas não deixa de ser preocupante continuarmos a assistir ao não cumprimento das regras da rotulagem em alguns espaços comerciais e às sucessivas promoções de carne, leite e ovos, de origem nacional. Com todos estes elementos, é sabido que o ano de 2016, com o novo Governo e a alteração nas políticas social e económica, nos vai trazer novas dificuldades e exigências, quer pela conjuntura em Portugal, que decorre do ambiente político de incerteza e dos pressupostos e objetivos definidos pelo Orçamento de Estado, quer a nível europeu e mundial, condicionados pela baixa dos preços do petróleo, a relação euro/ dólar, a crise dos refugiados, a segurança devido aos ataques terroristas, o problema das dívidas soberanas em pelo menos 10 Estados-membros (entre os quais Portugal), para além do abrandamento económico de países como a China, o Brasil ou a Rússia. Tudo isto conjugado com a crise bancária e a pouca atratividade para o investimento estrangeiro, com custos importantes para o financiamento das empresas. Ao nível da estrutura de produção, os alimentos para aves diminuíram ligeiramente a quota de mercado, de 42,8% para 41,0%, mantendo, no entanto, a liderança do mercado, seguindo-se os alimentos para suínos, que ultrapassaram o limiar das 800 000 tons (produção associada), com uma quota de 28,3% (27,2% em 2014) e os alimentos para bovinos, com 22,0% (21,4% no ano anterior), reforçando a posição no mercado. No que respeita aos alimentos para outros animais, registam uma quota de penetração de 8,7%, contra os 8,6% do ano anterior. Há muito que a Indústria esgotou a sua capacidade de financiamento da Pecuária, sendo necessária a adoção de medidas urgentes não só em Portugal, mas ao nível da União Europeia, designadamente no quadro da PAC e do Programa de Desenvolvimento Rural para 2014/2020, que permitam promover as produções animais numa perspetiva de sustentabilidade, assegurando a viabilidade da indústria da alimentação animal. Nessa perspetiva, temos mantido e aprofundado alianças e Plataformas com todas as organizações da Fileira, no sentido de defender posições comuns, valorizar a produção nacional e inverter a tendência de delapidação dos efetivos e do nosso património genético, sobretudo ao nível dos ruminantes.

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Iaca2016  

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